quarta-feira, 2 de novembro de 2016

POR QUE MATARAM JESUS?

Chegando a Jerusalém, Jesus entrou no templo e ali começou a expulsar os que estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas e não permitia que ninguém carregasse mercadorias pelo templo. E os ensinava, dizendo: "Não está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? Mas vocês fizeram dela um covil de ladrões". Os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei ouviram essas palavras e começaram a procurar uma forma de matá-lo, pois o temiam, visto que toda a multidão estava maravilhada com o seu ensino. Marcos capítulo 11, versículos 15 a 18
Por que a elite religiosa judaica trabalhou tanto para que Jesus fosse morto na cruz? Afinal, Jesus nunca fez mal a ninguém. 

Essa pergunta é muito importante porque nos permite entender melhor o que aconteceu naqueles poucos dias - desde que Jesus entrou de forma triunfante em Jerusalém (no Domingo de Ramos), até sua crucificação na Sexta Feira Santa. Um período de tempo que mudou a história da humanidade para sempre.

A resposta que buscamos está na elite religiosa judaica no tempo de Jesus, principal agente da sua morte. Esse grupo de pessoas era formado pelo sumo sacerdote e outros sacerdotes importantes, bem como pelos intérpretes da Lei Mosaica que os assessoravam. Eles tiravam seu grande poder do controle que tinham sobre o Templo de Jerusalém, centro da religião judaica.

Todas as grandes comemorações religiosas - como o Yom Kippur - tinham como núcleo esse Templo. Além disso, eram exclusivamente ali que os sacrifícios de animais previstos na Lei Mosaica podiam ser realizados. Portanto, quem controlava o Templo, também controlava a religião judaica. Simples assim. 

E o controle do Templo também proporcionava lucros importantes. Primeiro, porque todo judeu tinha que pagar uma taxa para o Templo. E os líderes estabeleceram que essa taxa precisava ser paga numa moeda pouco usada - a didracma de Tiro. Como as pessoas comuns não tinham acesso a tal moeda, elas iam até Jerusalém levando a quantia devida na moeda que tinham e faziam a troca para a moeda aceita pelos sacerdotes em mesas de Câmbio existentes no pátio do Templo.

E quem dominava essas mesas de câmbio? Tenho certeza que você adivinhou a resposta certa: a liderança religiosa era quem controlava o câmbio no pátio do Templo. E os sacerdotes ganhavam bom dinheiro com isso.

Segundo, os sacrifícios previstos na Lei Mosaica, conforme já comentei, sempre eram feitos no Templo. E somente podiam ser usados neles animais apropriados (sem defeitos, sem manchas, etc). E eram os sacerdotes que estabeleciam quais animais eram ou não apropriados.

Como as pessoas não queriam correr o risco de ir até o Templo - muitas vezes vindas de locais distantes - , levando um animal que poderia ser recusado, preferiam levar o dinheiro necessário e comprar no pátio do Templo os animais certificados com o "selo de aprovação". E quem vendia esses animais "certificados"? Você acertou de novo: os líderes religiosos, que ganhavam bom dinheiro com isso.

Por isso tudo, o Templo de Jerusalém era a fonte de poder político e de ganhos da elite religiosa judaica, que não se constrangia por explorar seu povo para lucrar com isso. Esse é o ponto de partida da explicação que vou dar a seguir.

No Domingo de Ramos, poucos dias antes de ser morto, Jesus entrou em Jerusalém, saudado pelo povo judeu (Marcos capítulo 11, versículos 1 a 11). Ele comprovou, naquele evento, ser popular e, portanto, o que dizia e fazia tinha importância política e religiosa.

No dia seguinte à essa entrada em Jerusalém, Jesus foi até o Templo e viu no pátio inúmeros cambistas de moedas e vendedores de animais fazendo seu comércio vergonhoso - a expressão que Ele usou para falar sobre aquela situação foi que o Templo de Jerusalém tinha se tornado um "covil de salteadores".

E Ele fez um gesto de enorme importância simbólica: expulsou aqueles comerciantes e purificou o Templo. Essa ação foi apenas simbólica pois o pátio era enorme e milhares de pessoas transitavam por ali todos os dias e seria fisicamente impossível Jesus ter expulsado todos os comerciantes.

Esse protesto teve enorme significado pois apontou para um pecado enorme da liderança religiosa, já conhecido por todo o povo judeu. Jesus teve coragem e falou abertamente em público aquilo que quase todos criticavam nos bastidores.

Não há dúvida que seu ato significou uma declaração de guerra à liderança religiosa judaica. E isso fica bem claro no final do texto que citei acima, onde está dito que, a partir daí, a liderança religiosa decidiu matar Jesus.

Foi por causa do que Jesus fez naquele dia, no pátio do Templo, que uma sentença de morte foi estabelecida pela liderança religiosa judaica sobre Ele. E essa sentença cumprida poucos dias depois.

Afinal, os principais sacerdotes contavam com o poder e o relacionamento político (com o governador romano, Pôncio Pilates) necessários para conseguir que Jesus fosse pendurado numa cruz.

É razoável concluir também que Jesus sabia que passaria a estar debaixo de uma sentença de morte, depois de purificar simbolicamente o Templo. Não havia como Ele deixar de ter consciência das consequências dos seus atos.

E isso também está claro na Bíblia: em várias passagens Jesus indicou ter certeza que sua morte estava próxima. Por exemplo, quando foi ungido por uma mulher, na cidade de Betânia, na casa de Simão, o leproso, Jesus afirmou que ela tinha feito aquilo para antecipar sua morte (Marcos capítulo 14, versículo 8).

Aí está a razão para terem matado um homem que não tinha pecados e amou a todos a quem encontrou pelo caminho. Bastou um bando de homens poderosos, querendo proteger sua fonte de poder e lucros, para sua morte ser decretada e executada. 

Com carinho

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