quinta-feira, 14 de junho de 2012

O DIVÓRCIO DEPOIS DE 115 ANOS


A mídia divulgou amplamente a notícia que o casal de tartarugas acima “resolveu” se separar, depois de 115 anos de união. Para quem não sabe, a “iniciativa” foi dela, ao expulsar o macho - parece que ela considerou não haver mais diálogo e quer sua liberdade de volta...

Brincadeiras à parte, essa notícia me fez refletir sobre a transitoriedade da vida. O ditado popular “não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe” fala exatamente sobre essa questão.
 

Todos gostam da segunda parte do ditado e porisso ele é muito usado nos momentos ruins da vida. Afinal saber que nenhum mal vai durar para sempre é um grande consolo e um incentivo para perseverar ante as dificuldades.

Mas, meu tema hoje é a primeira parte do ditado: “não há bem que sempre dure”. E não gostamos nada de saber disso - eu pelo menos nunca ouvi esse ditado ser usado, por exemplo, num casamento ou num batizado.

Mas, gostemos ou não, viramos páginas boas das nossas vidas todos os dias: o último Natal na casa dos avós; o último dia daquelas férias de verão fantásticas; o último dia de aula no colégio onde tínhamos tantos amigos; o último dia da faculdade, quando a responsabilidade da vida começou a pesar; o último dia de vida de uma pessoa querida; e assim por diante.

Nada material fica para sempre. Impérios foram construídos e caíram, reduzidos a algumas ruínas sem qualquer sinal de vida humana. Fortunas foram ganhas e perdidas ao longo de gerações. Empresas se tornaram poderosas, para depois acabarem aos pedaços.

Olhando o sol...
Não gostamos de pensar muito no fim das coisas boas, pois isso nos faz mal. Como disse um escritor famoso: "pensar no fim é como olhar diretamente para o sol - não dá para fazer isso por muito tempo."

De fato, poucos conseguem fazer isso de fato e meu pai foi uma dessas pessoas. Lembro-me que, cerca de dez anos atrás, encontrei-o lendo um livro intitulado “Como morremos”. Reagi de imediato, dizendo que ler aquilo era absurdo. E ele, sempre muito sábio, respondeu: “meu filho, se eu não ler isso agora, quando vou ler?”. E ele morreu dois anos depois. Não sei se o livro (que hoje está comigo) ajudou, mas certamente ele escolheu a hora certa para lê-lo.  

Como não conseguimos encarar vamos sempre nos auto enganando e ai prosperam as juras de amor eterno, as promessas de estar sempre presente na vida ds pessoas amadas, os planos de vida de longo prazo, etc. E temperamos um pouco esse otimismo excessivo, fazendo seguro de vida.

Jesus nos advertiu várias vezes para não esquecermos que as coisas boas também têm fim. Numa delas, contou uma parábola onde um senhor de terras construiu novos celeiros pois sua produção de grãos tinha aumentado muito. Ele imaginou que passaria a ter uma vida tranquila e farta, mas mal sabia que naquela mesma noite sua alma seria chamada por Deus (Lucas capítulo 12, versículos 16 a 20).

Há razão para esperança?
Mas há sim razão para ter esperança no futuro. Afinal, Deus nos prometeu uma segunda vida maravilhosa, depois da presente existência (Apocalipse capítulo 22, versículos 3 a 5):

Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro [Jesus]. Os seus servos [nós] o servirão, contemplarão sua face... Então já não haverá noite, nem precisarão eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos. 
Essa segunda vida não vai se acabar - terá começo, mas não terá fim. Nela não haverá choro e nem sofrimento. E é para lá que vamos. Glórias a Deus poristo!

Assim, quando chegar minha vez de ler aquele livro que meu pai já leu, espero ter sempre presente essa esperança. E com base nela poder, com serenidade, finalmente "encarar o sol". Foi isso que eu vi meu pai fazer.

Com carinho
Vinicius  

domingo, 27 de maio de 2012

O JULGAMENTO DOS 92%



Pesquisa recente feita nos Estados Unidos trouxe uma informação aterradora: 92% dos bebês portadores de síndrome de Down são abortados, quando os pais descobrem a doença. Por conta disso, algumas igrejas fizeram uma campanha baseada no cartaz abaixo: a imagem é de uma linda criança com Down e o texto diz "eu sou um dos 8%".






Confesso que chorei por dentro quando vi esse material, ao pensar no desperdício de vidas e na dureza dos corações de 92% desses pais. Mas aí me lembrei da frase de Jesus, que abre este post. Nela, Ele nos adverte para não julgar o próximo com dureza e olhar antes para nossos próprios defeitos.

Fiquei imaginando então o que eu teria feito, lá por volta dos meus trinta anos, se tivesse recebido a notícia de que iria ter um filho portador de uma necessidade especial. Teria recebido bem essa criança? Como eu nasci num meio cristão, gostaria de acreditar que não teria pensado em aborto. Mas, no fundo, bem lá no fundo, eu não tenho essa certeza.

Eu me julgava importante, poderoso, no sentido que até então somente tinha tido sucesso em tudo. E um filho portador de deficiência seria uma prova viva do meu “fracasso”, da minha pequenez. E não sei se eu teria conseguido suportar isso.
 


E ainda há a questão do comodismo: como eu reagiria ao pensar no trabalho contínuo, trabalho esse que não iria acabar nunca? Afinal, um filho especial não é um problema que se supera - ele estará ali presente, requerendo cuidados e atenção, por toda a vida. 

Deus foi bom comigo e me permitiu aprender que as coisas não são assim. E aprendi muito ao ter o privilégio de conviver com várias dessas pessoas, ditas especiais. Tenho podido ver como elas são mesmo especiais, mas num sentido muito mais amplo da palavra. A inocência presente nos olhos delas e o amor incondicional que são capazes de sentir, fazem sim delas pessoas diferenciadas e muito mais próximas de Deus.

Nas aulas de Escola Dominical que ministrei na igreja que frequento, sempre, ao final, eu corria a roda perguntando às pessoas por pedidos de oração, para que todos, juntos, pudéssemos orar por essas necessidades. 



Frequentemente, estava presente uma moça, portadora de necessidades especiais, porque a aula que ela assistia terminava mais cedo e ela vinha ficar junto a sua mãe, uma amiga querida. Ao chegar na vez dessa moça pedir algo, ela sempre dizia: “peço pelo papai”. E o amor que eu via nos olhos e no sorriso discreto daquela moça, era algo maior do que ela mesma. E tenho certeza que aquele pai nunca foi, nem será amado por ninguém, com tanta entrega, como por aquela filha.

Então, voltando à pesquisa que abriu esta reflexão, parece-me que falta aos 92% dos pais, àqueles que resolvem tirar das suas vidas as crianças com necessidades especiais, o conhecimento e a vivência do amor de Deus. E isso é algo que as pessoas precisam ser ensinadas a fazer.



Por isto, nós, cristãos, não podemos nos limitar a apontar o dedo acusador para esses 92%, porque temos temos parte de responsabilidade nessa tragédia. Afinal, cabe a nós refletir o amor de Deus neste mundo e espalhar a mensagem do Evangelho de Jesus, de forma que todos possam ouvir e entender. E, muitas vezes, temos ficado calados, na nossa zona de conforto, sem cumprir com nossa obrigação.

Com carinho

quarta-feira, 9 de maio de 2012

USA-ME SENHOR

Antes de ler o texto, acesse o seguinte endereço   youtube.com/watch?v=vpnmtnYVXPQ  e ouça música.


Hoje acordei com umas palavras na cabeça: usa-me, Senhor.  E junto vieram outras, de uma música da Aline Barros que tem exatamente esse tema: como um farol que brilha ao longe, como uma ponte sobre as águas, usa-me Senhor.
 

Isso é muito mais do que uma oração. É um compromisso com Deus. É trazer a luz de Jesus para aqueles que estão na escuridão, tomados por dúvidas, vícios e sofrimentos. É servir de ponte sobre as águas turbulentas desse mundo, permitindo que pessoas atravessem de um lado para outro, para fugir dos perigos e/ou para se encontrar com aqueles dos quais estão separados por desamor ou falta de perdão.
 

Será que Deus tem me usado? Ou ainda mais importante, será que ele vai me usar dessa forma no futuro?  

Depende de mim mesmo. Depende se tenho verdadeiramente me colocado à disposição da obra Dele. Se tenho ou não vivido uma vida correta, de acordo com os princípios estabelecidos por Ele. Se Ele pode confiar que não vou deixar as coisas pelo meio do caminho, por comodidade ou medo.
 

Senhor, sei que preciso receber de Ti as forças para isso. Ajuda-me na minha fraqueza: o meu espírito está pronto, mas minha carne é fraca, muito fraca. 

Ainda assim, usa-me. Não porque sou imprescindível - afinal o Senhor não precisa de nada ou de ninguém, muito menos de mim. Usa-me porque será um privilégio Te servir. Porque isso trará um novo sentido para a minha própria existência e assim, como diz a música, eu finalmente serei como uma flecha que atinge o alvo.
 

PS: Saudades do amigo Carlão, para quem essa mesma música falava muito ao coração.
 

Vinicius

sábado, 5 de maio de 2012

FILMES QUE TRATAM A FÉ COM SERIEDADE

O cinema, assim como a televisão, normalmente retrata as pessoas religiosas como intolerantes, excessivamente moralistas ou trapaceiras. Isso me incomoda muito pois a maioria dos cristãos sinceros que conheço não se enquadra em nenhuma dessas categorias. 

Mas há filmes de qualidade que, mesmo não concordando necessariamente com o ponto de vista cristão, tratam a fé sincera com dignidade e sensibilidade. 

Apresento abaixo uma lista de 15 filmes que têm essa qualidade e merecem ser vistos. Todos, com exceção de um, foram lançados no Brasil. Na lista eu dou o título em português - no caso do filme não lançado aqui, o título está em inglês mesmo -, o nome do diretor e o ano, para facilitar a referência. Os filmes são apresentadas na ordem cronológica do ano do seu lançamento. 

Os temas dos filmes são os mais variados e neles trabalham excelentes atores. Vários ganharam o Oscar de melhor filme. Acredito que eles irão proporcionar muito divertimento para você.

  • Os dez mandamentos (Cecil B. de Mille, 1956)
  • Ben Hur (William Wyler, 1959)
  • O homem que não vendeu sua alma (Fred Zinnemann, 1966) 
  • Irmão Sol, Irmã Lua (Franco Zeffirelli, 1972) 
  • Carruagens de fogo (Hugh Hudson, 1981) 
  • Amadeus (Milos Forman, 1984) 
  • A festa de Babette (Gabriel Axel, 1987) 
  • Terra das Sombras (Richard Attenborough, 1993) 
  • Os últimos passos de um homem (Tim Robbins, 1995) 
  • O apóstolo (Robert Duvall, 1997) 
  • Central do Brasil (Walter Salles, 1998) 
  • Lutero (Eric Till, 2003) 
  • Amazing Grace (Michael Apted, 2007) – único que não foi lançado no Brasil 
  • Um homem sério (Joel and Ethan Coen, 2009) 
  • A árvore da vida (Terrence Malick, 2011)
Aproveite bastante e não deixe de me contar se gostou.

Com carinho
Vinicius