sexta-feira, 14 de agosto de 2015

SEU DESCANSO AGRADA A DEUS

As pessoas têm agendas muito carregadas. Parece ser que a única forma de viver hoje em dia é aproveitar o próprio tempo ao máximo para fazer coisas "produtivas" ou "recompensadoras". Por isso a desculpa que mais se ouve para não conseguir fazer isso ou aquilo é a falta de tempo. 

Por que falta tempo?
Há três razões:
  • Assumir responsabilidades excessivas - p. ex. para sustentar a família em padrão elevado ou obter sucesso profissional rapidamente. Trata-se da geração de expectativas de vida superdimensionadas.
  • Adotar a premissa de que a vida é curta e precisa ser aproveitada ao máximo como se tudo fosse acabar amanhã.   
  • Tentar manter controle total sobre as coisas relacionadas com a própria vida.

O ensinamento da Bíblia
Ela propõe um estilo de vida totalmente diferente, privilegiando coisas como repouso da luta diária, meditação, oração e estudo bíblico, atividades que estou aqui agrupando sob o rótulo de "descanso". Nenhuma delas pode ser considerada como "produtiva" ou "recompensadora" no sentido moderno em que esses termos são usados. 

A Bíblia vai ao ponto de estabelecer incluir entre os Dez Mandamentos a ordem para descansar um dia por semana - o mandamento relacionado com o "sábado" (veja mais). 

Em outras palavras, Deus estabeleceu que as pessoas não podem trabalhar continuamente e precisam dedicar tempo para o repouso e o desenvolvimento da mente e espírito. Descansar periodicamente é uma necessidade. Portanto, a pessoa não pode jamais assumir mais compromissos do que seria saudável. 

Como mudar?
Apresento a seguir algumas ideias que merecem ser exploradas por aqueles(as) que vivem esse tipo de problema: 


  • Reduzir suas expectativas de vida, por exemplo aceitando diminuir seu padrão de consumo ou ambição. Fiz isso alguns anos atrás e posso testemunhar que minha vida mudou para melhor - eu não teria tempo de manter este blog se não tivesse tomado essa decisão. 
  • Manter o nível das suas expectativas mas aceitar alcançá-las num tempo maior. Ir com mais calma.
  • Mudar seu conceito do que seja "aproveitar" a vida, passando a dirigir mais atenção, por exemplo, para o mundo espiritual, a beleza da natureza à sua volta ou mesmo a alegria das pessoas que você ama. 
  • Abrir mão do controle a todo custo sobre as questões da sua vida. Você precisa fazer tudo que estiver a seu alcance para que as coisas deem certo, mas precisa saber quando é preciso parar e descansar em Deus. O Pr. John Piper costuma dizer que "... o sono é como um disco quebrado que traz a mesma mensagem todos os dias: o ser humano não é soberano". 


Palavras finais
Não tente fazer mais do que pode, não importa quão nobres sejam seus motivos. O descanso é fundamental. Foi instituído por Deus. E não tente viver sem ele. Não mesmo.

Faça as mudanças necessárias para que você tenha tempo para descansar o suficiente e verá como sua vida vai melhorar. Até seu relacionamento com Deus vai mudar para melhor.

Com carinho

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

AS TRÊS FASES DA SUA VIDA ESPIRITUAL

A vida de todo(a) cristão(ã) passa por três fases diferentes: antes da conversão, novo nascimento (conversão) e santificação. E ao longo delas, a pessoa sempre está inteiramente dependente da Graça de Deus. Vamos ver como isso funciona:

Antes
Algumas pessoas, como eu, criadas na igreja cristã, podem não ter uma noção clara de como era sua vida antes de se converterem a Jesus - provavelmente foram se convertendo aos poucos, meio sem perceber. 

Já para outras pessoas, a fase anterior à salvação é um momento negro na vida, marcado por crises existenciais. Aí certo dia elas ouvem o Evangelho de Jesus e mudam de rumo. 

Mas sem duvida sempre há um período anterior à conversão mesmo que não seja possível precisar a data exata em que essa transformação aconteceu. Agora, a doutrina cristã ensina que antes da conversão a pessoa estava entregue à sua própria natureza, que tende para o pecado (veja mais). Isso vale para todo mundo, sem distinção. 

Por causa disso, ninguém por si mesmo(a) tem capacidade de aceitar Jesus como Salvador. Se o Espírito Santo não fizer essa "aproximação", a pessoa continuará entregue à sua natureza original. Esse trabalho do Espírito Santo é chamado no jargão teológico de Graça Preveniente porque é prévio à conversão.

O novo nascimento
A Graça Preveniente gera uma mudança fundamental na pessoa fazendo-a perceber ser pecadora e precisar da salvação trazida por Jesus. Aí se dá o arrependimento e a conversão, o novo nascimento.

Ao se converter, a pessoa tem acesso à salvação proporcionada pelo sacrifício de Jesus Cristo na cruz. Ela tem seus pecados perdoados por Deus e passa para nova fase na sua vida espiritual, onde o pecado não mais a domina. A pessoa estava espiritualmente "adormecida" e é "acordada" para uma vida espiritual plena. 

Não tenho dúvida em afirmar que esse é o momento mais importante da vida de qualquer pessoa - nenhuma conquista tem valor maior. E isso somente é possível porque a Graça de Deus que salva - a Graça Salvífica no jargão teológico - se fez presente. 

A santificação
Será que a pessoa que se converteu, nascendo de novo, deixa de pecar? É claro que não. Infelizmente, mesmo tendo acordado espiritualmente, o pecado ainda é uma realidade presente na vida dela - há hábitos arraigados que não desaparecem com essa facilidade.

Agora, a pessoa convertida passa a ter perspectiva diferente dos próprios pecados. Fica incomodada quando peca, se arrepende e pede perdão. E, sobretudo, luta para não errar de novo. 

Tudo isso é fruto de uma mudança interior que torna a pessoa desconfortável diante do pecado. A Bíblia chama a esse processo de melhoria contínua de santificação. O(a) cristão(ã) começa a se santificar ao se converter e vai continuar nessa caminhada por toda a sua vida humana. Continuará sempre a fazer progressos mas nunca irá alcançar a perfeição. 

E a vontade de melhorar, de deixar o pecado para trás, não se faz presente porque a pessoa é compelida a fazer isso. É um processo voluntário e por isso muito mais efetivo. E somente assim o ser humano muda de fato.

Minha irmã mais nova, que é professora, deu aulas por algum tempo num presídio masculino. Certo dia ela me deu seu testemunho afirmando que somente aqueles homens que se converteram ao Evangelho foram de fato recuperados para uma vida normal. Nada mais funciona de fato. 

A Bíblia chama de "obras" os resultados positivos desse processo de mudança interior, ao avanço na estrada da santificação. E as obras são o termômetro da presença da fé que salva. Não são elas que salvam mas sua falta indica que a fé salvífica não está presente de verdade (Tiago capítulo 2, versículos 17 e 18).

Por isso é perfeitamente possível encontrar pessoa que frequentam igrejas por décadas e não estão salvas. Elas conhecem Jesus, sabem bem quem Ele é, mas não se converteram de fato. Não nasceram de novo. E como é possível perceber isso? Pela falta de obras nas suas vidas. 

O Espírito Santo tem papel fundamental no processo de santificação. É através do trabalho d´Ele que o cristão(ã) é incomodado(a) quando peca, é incentivado(a) a se arrepender e a corrigir seus caminhos. E essa ação do Espírito Santo é chamada no jargão teológico de Graça Santificadora.

Palavras finais 
A Graça de Deus está presente em todas as fases da vida do cristão(ã). Antes da conversão, a Graça de Deus age para aproximar a pessoa do Evangelho de Cristo. Quando ela se converte, a Graça Salvífica age para que a pessoa se reconcilie com Deus e tenha acesso à salvação. E, finalmente, a Graça Santificadora age para que a pessoa mude de fato mostrando frutos da sua salvação.

Graça Preveniente, Salvífica e Santificadora, a Graça de Deus está presente em todas as fases das nossas vidas. Por isso toda Glória seja dada a Ele. 

Com carinho     

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

CUIDADO COM A RELIGIÃO DO "NÃO"

"Você não pode fazer isso porque é pecado". "Você vai para o inferno se fizer aquilo". Frases assim são ouvidas com frequência em muitas igrejas cristãs. É como se muitos(as) cristãos(ãs) fossem forçados a viver uma religião baseada no controle externo sobre suas vidas - o que eu apelidei de "religião do não". 

Será que isso agrada a Jesus? Penso que não e me explico. Se olharmos para os ensinamentos d´Ele, veremos que Jesus não se preocupou em estabelecer um esquema para controle da vida das pessoas. Por exemplo, quando lhe perguntaram como fazer para cumprir a lei do "amor ao próximo", Jesus simplesmente contou a parábola do "bom samaritano" (Lucas capítulo 10, versículos 30 a 37). Demonstrou que, para Ele, a melhor forma para ensinar as pessoas a viver era dar um bom exemplo

Jesus agiu assim porque desejava que as pessoas introjetassem o espírito das leis dadas por Deus e assim passassem a viver normalmente com base nelas. Em outras palavras, Jesus não defendia a ideia que a vontade de Deus deva ser imposta de fora para dentro, com base num controle externo, inclusive apelando para ameaças de punição com o inferno. O comportamento correto precisa se alcançado a partir de uma mudança interior (que começa na conversão).

O apóstolo Paulo completou esse ensinamento afirmando que as leis deixariam de ser necessárias se as pessoas mudassem de fato, pois aí a própria consciência delas passaria a ser um guia confiável para suas vidas.

Ora, se foi isso que Jesus e Paulo ensinaram, por que o cristianismo continua frequentemente sendo uma religião baseada no controle externo, uma "religião do não"? Por que tantos líderes cristãos ainda entendem ser preciso regular a vida das pessoas, chegando a detalhes como controlar a música que elas ouvem, os lugares que frequentam e até como se relacionam com o sexo oposto?

Penso que há duas razões para isso. Primeiro, porque é mais fácil liderar uma comunidade cujo comportamento é controlado por regras bem definidas, quando não há mais nada a debater e cabe às pessoas apenas obedecer e cumprir o que lhes foi imposto. 

E não podemos esquecer que tudo fica ainda mais facilitado quando é estabelecido um "patrulhamento" dentro da comunidade religiosa, isto é os próprios membros dela se encarregam de tomar conta uns dos outros, denunciando os eventuais "desvios" de comportamento.

A segunda razão para a predominância da "religião do não" é que tal linha de conduta dá muito poder aos(às) líderes religiosos. Afinal, cabe a eles(as) definir o que as pessoas podem ou não fazer - é frequente encontrar comunidades cristãs onde as pessoas pedem permissão aos(às) pastores(as) até para comprar uma geladeira nova. Um verdadeiro absurdo.

Reconheço que as pessoas, logo depois de se converterem e antes de serem discipuladas adequadamente, precisam passar por uma fase da sua vida espiritual onde se torna necessário dizer para elas o que fazer, especialmente quando essas pessoas viviam antes uma vida muito desregrada. Mas isso só deve acontecer por pouco tempo, até que as pessoas aprendam a distinguir o certo do errado, isto é sejam adequadamente discipuladas ("educadas" espiritualmente).

Essa estratégia é a mesma que usamos no processo de educação das crianças. No início da vida delas, antes de serem devidamente educadas, os pais precisam lhes dizer o que fazer. Mas depois elas precisam aprender a tomar suas próprias decisões.

Concluindo, se sua igreja tenta controlar a vida dos membros, se nela o que mais se ouve é "você não pode fazer isso ou aquilo" e se você não é incentivado(a) a aprender a tomar as decisões certas, com base num conhecimento sólido da doutrina cristã, provavelmente esse não é o melhor lugar para você viver o cristianismo. Pense seriamente em passar a congregar em outra comunidade.

Com carinho

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

COMO JESUS É HOJE?


O quadro acima é um dentre milhares que retratam Jesus. O denominador comum da esmagadora maioria das pinturas desse tipo é retratarem Jesus como um europeu: pele branca, olhos claros e cabelo louro ou castanho. 

E as pessoas se acostumaram com essa imagem europeizada de Jesus e demorou muito tempo para que elas percebessem que Ele não era nada assim. O Jesus branco e louro é apenas a forma como os artistas europeus perceberam o Messias. 

Como uma pessoa que viveu na Palestina, no século I da nossa era, Jesus provavelmente era baixo (para os padrões atuais), tinha cabelos pretos, encaracoladas e barba cerrada. Sua pele era morena, até por conta de grande exposição ao sol. 

Quando o cristianismo chegou em outros continentes, como África e Ásia, os artistas locais começaram a retratar Jesus e fizeram o mesmo que os europeus: viram-no de acordo com as "lentes" da sua própria cultura. E aí passamos a ter diversas imagens de Jesus, algumas de pele escura, outras com olhos puxados e assim por diante, como no exemplo abaixo.


Eu não vejo nada errado com essa prática, desde que as pessoas entendam que têm diante de si uma simples imagem do homem verdadeiro. Uma releitura da realidade, do homem que viveu 2.000 anos atrás. 

Acredito que essa reflexão gera uma curiosidade. Sabemos como Jesus foi, milhares de anos atrás. Mas como será Ele hoje? 

Sabemos que Ele é o Cristo glorificado, que está à direita de Deus Pai, pois a Bíblia nos conta essa verdade. E podemos ter uma ideia da sua aparência através do relato de João, contido no Apocalipse capítulo 1, versículos 13 a 16.  O autor descreveu uma visão que teve do Cristo glorificado e a aparência d´Ele impressionou muito a João. Tanto assim que precisou usar metáforas para conseguir contar o que viu - nunca devemos esquecer que a linguagem humana tem dificuldade para descrever as coisas de Deus:
"O cabelo dele era branco como a lã ou a neve, e os olhos eram labaredas de fogo.  Os pés brilhavam como o bronze polido e a sua voz ressoava como o som de muitas águas... da sua boca saia uma afiada espada de dois gumes; e o rosto dele brilhava como a força do sol do meio dia..."
A primeira coisa que vem à minha mente ao ler esse texto é que as visões de Jesus encontradas em muitos livros atuais não estão de acordo com esse relato. A Palavra de Deus fala de um ser que irradia poder e glória e não de um homem humilde, calçado de sandálias, como frequentemente Jesus é descrito por aqueles que dizem tê-lo visto. Essa figura humilde viveu na terra dois mil anos atrás e não mais existe. 

Hoje quem vive é o Cristo glorificado, o ser que João viu e descreveu no Apocalipse. E acho que vale a pena aprofundar um pouco o significado das metáforas usadas por João para entender melhor quem ele viu. 

O cabelo branco significa sabedoria - hoje ainda, nos tribunais ingleses, os juízes colocam uma peruca branca quando vão julgar, para demonstrar serem sábios. Na maioria das sociedades primitivas o Conselho de Anciãos representava a voz da sabedoria e da prudência. Portanto, o Cristo glorificado irradia grande sabedoria. 

O fogo tradicionalmente é o agente usado para refinar os metais - separar impurezas. A Bíblia fala várias vezes do ouro refinado (puro) como algo de enorme valor. 

Portanto, os olhos como chama de fogo representam um olhar capaz de ver o interior de cada pessoa, tanto as qualidades como as "impurezas". Nada escapa a esse olhar.

O bronze sempre tinha na antiguidade o significado de força, pois as armaduras e espadas eram feitas desse metal. Mas também representava majestade, pois as estátuas dos reis e poderosos eram forjadas desse metal. 

Os pés do Cristo glorificado serem de bronze polido representam a força e o poder que emanam da sua figura. E indicam também que tudo está debaixo do seu governo. 

A voz como de "muitas águas" significa uma voz forte como o ruído de uma cachoeira - pode ser ouvida e identificada ao longe. Ninguém pode alegar que entrou em contacto com o Cristo glorificado e alegar que não conseguiu ouvir sua voz.

A figura da espada afiada é usada em vários locais da Bíblia para significar a Palavra de Deus, que é poderosa para "separar" o corpo do espírito. Cristo é a Palavra de Deus, o Verbo divino encarnado, conforme o evangelho de João capítulo 1, versículo 14. Portanto, tudo que Jesus falou e fala é a Palavra de Deus, pura e simplesmente. 

Por isso Deus ordenou, durante o evento em que Jesus foi transfigurado (Mateus capítulo 17, versículos 1 a 5): "A Ele ouvi". Precisamos ouvir o que Ele fala e saber que sua mensagem tem poder para "cortar" fundo.

Finalmente, o brilho igual ao do sol do meio dia significa que João estava diante de um ser magnífico, cuja glória o olho humano não pode suportar, tal como acontece com o sol. Afinal, ninguém pode suportar o brilho dessa estrela por mais de uns poucos segundos, sob pena de ficar cego. 

E assim também acontece com o Cristo glorificado: sua glória é tão impressionante que consumiria os seres humanos que resolvessem olhar diretamente para Ele. Podemos apenas vislumbrar o ser que está ali mas nunca tentar examiná-lo em detalhe. 

Esse é o Cristo em toda a sua glória e poder. Nada a ver com aquele homem humilde, de sandálias empoeiradas, acostumado a sofrer, que os Evangelhos descrevem. Esse homem existiu, mas acabou crucificado e morto. O ser que ressurgiu, ao terceiro dia, e subiu aos céus é bem diferente. 

Com carinho  

terça-feira, 4 de agosto de 2015

SEGUINDO PASSO A PASSO PELA ESTRADA DO MAL

Há uma grande confusão acontecendo nos Estados Unidos por conta de uma organização chamada "Planned Parenthood" (em português "Paternidade ou Maternidade Planejada"), que fornece serviços para mulheres que desejam abortar (legal naquele país).

A questão do aborto, por si só, já gera enorme controvérsia, pois muita gente (eu incluído) é contra o aborto como prática anti-concepcional. Mas a questão que gerou celeuma vai bem além do aborto em si. 

Num vídeo, filmado de forma clandestina, uma executiva dessa organização aparece falando sobre diversos assuntos e defende a prática, que já vem sendo utilizada, de recolher órgãos dos fetos abortados para uso em práticas médicas. Ela defendeu tal medida alegando que os fetos vão ser mesmo descartados e nada mais natural que seus corpos sejam usados para salvar vidas. 

Essa notícia me fez pensar em como as pessoas vão trilhando o caminho do mal - vão andando por ele, passo a passo, muitas vezes sem perceber as consequências do que estão fazendo. E isso acontece porque, ao avaliar a moralidade do próximo passo, essas pessoas olham apenas para a diferença entre ele e a situação imediatamente anterior, quando deveriam olhar para sua trajetória (desde o ponto de partida). 

Por exemplo, imagine que alguém já admite o aborto como coisa aceitável. Aí o próximo passo parece simples: muitos fetos vão ser mesmos descartados, não seria melhor então aproveitá-los para salvar outras vidas? E colocada dessa forma, a decisão parece fazer sentido. E o mesmo raciocínio simplista vai fatalmente levar a um novo passo: gerar fetos apenas para coletar seus órgãos para fins médicos. 

Cada passo parece simples de dar pois é quase a consequência natural da posição imediatamente anterior. E assim a pessoa vai se perdendo, pouco a pouco, sem parar para pensar para onde está indo. É como se a pessoa fosse anestesiada e se acostumasse a praticar o mal (muitas vezes até pensando que está praticando o bem).

Essa tipo de atitude é mais comum do que você possa imaginar. Há muitos exemplos que posso dar desse tipo de situação, além do que acabei de mencionar. Basta lembrar lembrar do famoso Pastor Jim Jones, que levou sua congregação para o suicídio coletivo - ele começou seu ministério muito bem e foi se desviando e enlouquecendo pouco a pouco.  

Outro exemplo, também do meio evangélico brasileiro, é o caso de um pastor muito querido e famoso que caiu em desgraça, pouco mais de dez anos atrás, depois de confessar ter cometido diversas ações imorais. Meses depois desses acontecimentos, ele teve coragem de dar uma entrevista onde explicou o que tinha acontecido, de forma muito simples: "fui me perdendo pouco a pouco, passo a passo, sem nem perceber".  

E descreveu sua vida de "estrela de primeira grandeza" do mundo evangélico, que o levou a fazer cerca de 300 pregações por ano, sem contar os outros compromissos ligados a seu ministério. Deixou de ter tempo para orar, estudar a Palavra, enfim para viver uma vida espiritual plena. E aí perdeu sua ligação com o Espírito Santo e a capacidade de perceber que estava se perdendo, um pouquinho a cada dia.

O tal pastor começou ocupando seu tempo de forma excessiva, julgando estar ajudando a obra de Deus - afinal, sempre é bom fazer mais, não é? Depois, meteu-se em atividades que dependiam de verbas públicas e, portanto, de algum envolvimento político. A seguir, entendeu que precisava ter atuação política para poder apoiar suas atividades na obra de Deus e ajudar a mudar o país. O passo seguinte foi se envolver numa denuncia, que depois percebeu-se ser forjada (o pastor não sabia disso), para prejudicar os adversários políticos do partido que ele apoiava. E tal armação acabou exposta pelas pessoas prejudicadas pela denúncia irresponsável e o fato levou-o à desgraça pública. 

Se no início dessa caminhada, alguém lhe perguntasse se ele iria ter tal tipo de envolvimento político, o pastor certamente diria que nunca. Mas passo a passo ele se envolveu nessa teia tenebrosa, sem perceber direito o que estava fazendo.

O adultério também tende a seguir o mesmo tipo de trajetória. Muitas vezes, começa numa amizade inocente, em conversas que duas pessoas fazem porque muitas vezes se sentem sem diálogo com o(a) esposo(a). Das confidencias, passa-se para a admiração mútua e para a comparação com o(a) esposo(a). Daí vem os toques ocasionais e assim os dois vão trilhando o caminho do mal, passo a passo, quase sempre sem ter noção clara de onde tudo isso vai acabar. 

Voltando ao caso da tal organização que explora o aborto, as pessoas que apoiam essa causa costumam entrar nesse caminho pensando proteger as mulheres menos favorecidas, que são as que mais sofrem com a concepção não planejada. Depois, passam pelo passo da negação da humanidade do feto (antes dele atingir determinado tempo de gestação). Em seguida, dão à gestante o direito de escolher o que fazer com o feto, inclusive descartá-lo nas fases iniciais da gravidez, pois não se trata de um ser humano. Mais adiante, pensam em aproveitar os órgãos dos fetos descartados. E terminam apoiando a ideia de gerar fetos de propósito para que eles possam ter seus órgãos aproveitados. 

Passos pequenos, que começaram com uma intenção pura - defender mulheres que sofrem com gravidez indesejada - e acabaram defendendo a criação de fetos para ter seus órgãos aproveitados para fins médicos. Um caminho em que a pessoa vai se perdendo aos poucos, dando passos sucessivos, fazendo escolhas que parecem lógicas, mas cujo resultado final é desastroso.

É triste perceber que é possível a alguém seguir pela estrada do mal sem se dar conta sequer de ter entrado por ela. E quando percebe o que fez, a pessoa pode já estar de tal maneira envolvida que fica difícil dar meia volta.

Somente uma vida espiritual sólida, que proporcione à pessoa contato constante e estreito com o Espírito Santo pode proteger a pessoa desse tipo de risco. Dar-lhe condições de discernir ainda no começo as consequências a médio e longo prazo do que está começando a fazer.  

E que Deus nos proteja hoje e sempre.

Com carinho 

domingo, 19 de julho de 2015

O APÓSTOLO PAULO DISCRIMINOU AS MULHERES?

"...conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar, mas estejam submissas como também a lei o determina."                         1 Coríntios capítulo 14, versículo 34
Este texto, escrito pelo apóstolo Paulo cerca de 1.950 anos atrás, tem sido explorado de forma muito negativa. Homens machistas têm se apoiado nele para negar às mulheres um papel mais relevante dentro das igrejas cristãs - tanto assim, que algumas igrejas impedem até hoje que as mulheres sejam ordenadas sacerdotes ou mesmo ensinem a Bíblia (a não ser para outras mulheres).

Negar às mulheres o direito a ter um papel de liderança nas igrejas equivale a desprezar as vocações e dons da esmagadora maioria dos seus membros - não podemos esquecer que as mulheres somam de 65 a 80% dos membros das igrejas evangélicas segundo todos os levantamentos feitos. A postura de discriminação das mulheres, além de cruel e injusta, empobrece as igrejas, privando-as de talentos que poderiam ser extremamente úteis.

Por causa desse estado de coisas, muitos(as) intelectuais e boa parte da mídia acusam o cristianismo em geral (e o apóstolo Paulo em particular) de discriminação contra a mulher. E tal crítica sem dúvida contribui para afastar muitas pessoas bem intencionadas da fé cristã.

O que Paulo realmente disse
Temos aí mais um caso, dentre muitos outros, em que o texto da Bíblia é completamente distorcido. Paulo não era machista e nunca pretendeu afastar as mulheres da liderança da igreja cristã, até porque, na sua época, inúmeras mulheres já exerciam esse papel (Romanos capítulo 16, versículos 1 a 16). 

O erro de interpretação se deve sobretudo pela diferença de perspectiva cultural entre entre a época em que Paulo viveu e os dias de hoje. Naquele tempo, a maioria dos homens sabia ler e as mulheres não. Os homens eram educados para participar de cerimônias públicas, inclusive as de cunho religioso, e as mulheres para ficar em casa, realizando trabalhos domésticos, num ambiente informal. 

Ora, com o advento do cristianismo as mulheres passaram a ter participação religiosa muito mais ativa, quando comparado, por exemplo, ao judaísmo. Mas essa participação maior e mais livre gerou um problema: as mulheres, de forma geral, não tinham o traquejo social necessário para se comportar adequadamente durante as cerimônias religiosas. 

Acostumadas apenas com atividades domésticas, onde lhes era permitido falar a qualquer momento, fazer brincadeiras, etc, elas tinham dificuldade de se comportar adequadamente durante os cultos, bem mais solenes, marcados por um ritual. Em outras palavras, havia um problema localizado, gerado pela falta de traquejo social das mulheres dentro daquele contexto social. Era uma questão daquela sociedade e presente naquela época.

O que Paulo fez no texto acima foi um comentário admoestando as mulheres a se comportar melhor durante os cultos. Ele não estava em absoluto se referindo ao papel das mulheres no ministério cristão de uma forma geral. Ensinou que durante as cerimônias religiosas não era momento para as mulheres ficarem conversando e nem mesmo para tirarem dúvidas sobre o que estava sendo dito. 

No que tange a essa última questão, Paulo alegou (versículo 35) que as mulheres deviam contar com seus maridos para esclarecer suas dúvidas, pois os homens eram mais versados na interpretação da Bíblia.  

Ora, tudo isso faz amplo sentido e nada tem de discriminação contra a mulher. Paulo fez apenas recomendações cheias de bom senso. Portanto, erram tanto aqueles(as) que se aproveitam do texto para limitar o ministério feminino dentro das igrejas cristãs, como também os(as) que querem pregar no cristianismo o rótulo do machismo.  

Com carinho

sexta-feira, 3 de julho de 2015

FÉ E ESPERANÇA

A fé
Há duas formas de se saber alguma coisa. A primeira delas é usar o sentido de observação e o raciocínio, algo que fazemos todos os dias. É com base nisso que aprendi as verdades "2 + 2 = 4" e “todo ser humano morre”. Essas são verdades universais, ou seja valem em qualquer lugar e a qualquer tempo. 

Aprender verdades desse tipo é adquirir "conhecimento". E ele é usado para a tomada da maioria das decisões diárias das pessoas. Em outras palavras, elas vivem com base no conhecimento que adquirem.

Agora, se alguém afirma que Jesus ressuscitou Lázaro dentre os mortos entramos em outro território. Não é possível saber isso nem pela experiência diária (ela diz que quem morre não ressuscita, exatamente o oposto), nem pela ciência (não há como comprovar o que ocorreu com Lázaro milhares de anos atrás). 

É aí que aparece outra forma de saber: a fé. Por meio dela sei que a Bíblia é a Palavra de Deus, dando-me condições de acreditar nos ensinamentos e leis nela contidos. E a Bíblia diz que Jesus ressuscitou Lázaro, portanto tomo isso como um fato real. 

É claro que o conhecimento científico sobre a Bíblia pode reforçar a fé e por isso os estudos são importantes. É fundamental, por exemplo, preservar os manuscritos antigos, traduzi-los de forma cuidadosa, para conhecer fatos históricos nele descritos que podem confirmam os relatos e as profecias bíblicas. O mesmo pode ser dito das escavações arqueológicas. 

Mas infelizmente nunca será possível comprovar cientificamente tudo que a Bíblia relata, como os milagres realizados por Jesus ou sua ressurreição. Assim, para quem escolheu seguir Jesus, há, e sempre haverá, a necessidade de dar passos apoiados apenas na própria fé.

E é exatamente isso que Deus deseja de nós. Afinal, Ele não teria nenhuma dificuldade em escrever no céu, em letras gigantescas, que Jesus é o Senhor. E se não o faz, é porque deseja ver-nos exercitando nossa fé - a Bíblia ensina que sem fé (confiança) é impossível agradar a Deus (Hebreus capítulo 11, versículo 6).  

A fé que Deus deseja ver em nós é a mesma que uma criança pequena tem no seu pai (Lucas capítulo 18, versículos 15 a 17). O pai diz, para o filho: “pula, que o pai te segura”. E o filho, mesmo morrendo de medo, pula no vazio porque confia que o pai não vai deixá-lo se machucar. O filho não pode ter conhecimento concreto que o pai vai segurá-lo, pode apenas exercer sua fé nele.

A esperança     
É fácil explicar o que é esperança com base na noção de fé. Digamos que eu ache que meu time de futebol tem bons jogadores e está sendo bem treinado. E de alguma forma, desenvolva a fé que meu time tem condições de ser campeão brasileiro. Eu não conheço isso cientificamente, mas adquiro essa esperança com base na fé. 

E tal esperança passará a pautar minhas ações: lerei diariamente a parte esportiva do jornal, assistirei os jogos pela tv e, quando puder, irei ao estádio. Isso porque vou querer vivenciar uma campanha que antecipo será vitoriosa. 

A esperança nasce da fé e não do conhecimento. Se eu conheço uma verdade científica, não preciso ter esperança. Por exemplo, tenho conhecimento que o sol vai nascer amanhã cedo e até posso marcar um encontro com alguém nesse horário. E meu ato não estará baseado numa esperança mas numa certeza trazida pelo conhecimento científico. 

Agora, acreditar que minhas orações vão trazer a cura de uma doença séria para meu pai é uma esperança baseada na minha fé que Deus ouve as orações e tem o poder necessário para curar.

Fé e esperança andando juntas
A fé pode ser tão forte que a esperança por ela gerada leva as pessoas a agirem com segurança absoluta. Mas, infelizmente, nem sempre as pessoas depositam sua fé nas coisas certas e assim podem acabar fazendo bobagem. 

A história relata que populações inteiras ficaram esperando o fim do mundo no ano 1.000 da nossa era. O fim não chegou e os prejuízos econômicos foram enormes pois as pessoas deixaram de trabalhar, de fazer negócios, etc. Conheço diversos casos de pessoas que se julgaram curadas de câncer e deixaram de tomar a medicação recomendada, acabando por morrer. 

Agora, quando a fé é depositada na coisa certa, a dobradinha "fé e esperança" pode realizar muito. Permite às pessoas fazerem coisas que, à primeira vista, parecem impossíveis. Por exemplo, os seguidores de Jesus, depois da sua ressurreição, esperaram pela vinda do Espírito Santo e Ele veio, mudando a vida daquelas pessoas para sempre (Atos capítulo 2).

O pastor Martin Luther King manteve a esperança que Deus haveria de mudar os Estados Unidos - seu discurso mais famoso começou assim: "eu tenho um sonho..." Ele acreditou que a discriminação racial seria superada e a sociedade norte-americana tornar-se-ia mais justa. E isso aconteceu - hoje há até um feriado comemorando sua vida.

Portanto, a qualidade da esperança está diretamente relacionada com a qualidade da fé que a suporta. A fé correta, embasada naquilo que Deus revelou na Bíblia, dá lugar a uma esperança maravilhosa, pela qual se pode e deve viver.  

Para aquele(a) que aceita Jesus sinceramente no seu coração, a esperança não é a última a morrer. Afinal, ela nunca morre.

Com carinho