domingo, 8 de maio de 2016

E QUEM CRIOU O CRIADOR?

Mãe, se Deus criou o mundo, quem criou Deus?” Foi essa a pergunta que uma adolescente esperta, filha de uma amiga, fez para a mãe. E a mãe ficou sem saber o que responder. Pediu tempo e felizmente decidiu procurar auxílio técnico - atitude muito melhor do que dizer uma bobagem ou fugir da pergunta. 

Frequentemente enfrentamos “saias justas” - perguntas teológicas difíceis de responder - como essa. Os(as) jovens hoje têm muito acesso a informações científicas e culturais e sua curiosidade natural gera esse tipo de questionamento. São também provocados(as) por professores(as) e colegas a justificar sua fé em Jesus. E precisam de respostas adequadas. 

Infelizmente, as igrejas não preparam as pessoas para defender a própria fé e por causa disso elas não costumam saber responder perguntas difíceis, mas perfeitamente razoáveis. E o pior é que as respostas existem, basta saber onde encontrá-las.

A título de exemplo vou mostrar como aquela mãe poderia ter respondido para sua filha. Trata-se de um raciocínio em dois passos. Faça um esforço para acompanhá-lo, pois você precisa se acostumar com esse tipo de questão.

Tudo que teve início teve uma causa
Começo por um princípio bem conhecido: tudo que teve início precisa ter tido uma causa que justifique esse início

E isso faz todo sentido lógico. Afinal, se alguma coisa ou algum ser não existia antes e passou a existir depois, foi necessário que alguma agente tenha atuado para dar origem ao que aconteceu. Por exemplo, se uma pintura foi criada, foi porque um artista fez o trabalho necessário. Se uma planta germinou, um agricultor lançou uma semente no solo. Se uma infecção apareceu, houve uma bactéria responsável pela contaminação. E assim por diante.

Sabemos que o universo teve início - a explosão de um "ovo" cósmico conhecida como "Big Bang". Logo, foi preciso haver um agente externo ao universo para dar lugar a essa origem (chamamos esse agente de Deus). Não seria razoável pensar que o universo surgiu do nada, formou-se sozinho, sem qualquer ação externa.

Tempos atrás, a revista Época publicou uma entrevista com um físico que defendeu exatamente a ideia absurda da auto-criação do universo - cientistas também dizem bobagens, pode ter certeza disso. Tentou justificar sua tese afirmando que existia uma "sopa" de partículas subatômicas flutuando por aí e elas, de alguma forma, acabaram formando o universo. Mas quando lhe perguntaram de onde vieram as tais partículas subatômicas, ele ficou sem resposta. 

Nem os mágicos fogem da regra que estabelece uma causa para tudo que tem início, pois quando tiram um coelho da cartola, foi o seu ajudante quem escondeu o animal ali...

Deus teve um início?
O segundo passo do raciocínio lida com outra questão, paralela à primeira: será que Deus teve início? Se teve, é razoável imaginar que houve um criador para Ele. 

A Bíblia explica que Deus é eterno, isto é sempre existiu e sempre existirá. Em outras palavras, Deus não teve início e não foi criado. Logo, não é preciso encontrar um criador para Deus - essa é a resposta para a jovem que citei no começo deste texto.

Alguém ainda poderia questionar: como justificar que Deus é eterno sem usar a Bíblia? Essa pergunta faz todo sentido porque se a pessoa não é cristã não vai mesmo aceitar argumentos baseados na Bíblia. 

A resposta para isso é que o agente criador do universo precisa ser eterno. E a razão dessa afirmação nasce na Teoria da Relatividade Geral do famoso físico Albert Einstein. Ele mostrou que o universo tem quatro dimensões, três delas são físicas (largura, altura e comprimento) e a quarta é o tempo. Essas quatro dimensões formam o conhecido "espaço-tempo" aceito hoje em dia por todos os físicos. 

Ora, é óbvio que quem criou as três dimensões físicas do universo também criou o tempo pois essas duas coisas andam juntas. E quem criou o tempo está fora dele e não pode ser afetado por ele. 

Se quem criou o universo não pode ser afetado pelo tempo, estamos falando de um agente imutável e eterno. Simples assim. Exatamente o que a Bíblia diz a respeito de Deus. Em outras palavras, não é só a Bíblia que fala num criador eterno. A mesma conclusão é obtida a partir das premissas da ciência. 

Concluindo, não há mistério. Trata-se de uma questão complexa, é verdade, mas isso seria mesmo de se esperar. Afinal, Deus é um Ser muito especial e nada do que se refere a Ele pode ser trivial.

Com carinho

sexta-feira, 6 de maio de 2016

DEUS NÃO OLHA PARA AS APARÊNCIAS? E VOCÊ?

Reportagem publicada pelo jornal New York Times (30/03/2011) contou sobre pesquisa conduzida pela Escola de Evolução Humana e Mudanças Sociais da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, sobre a influência do peso na imagem corporal. Os resultados mostraram o preconceito crescente contra as pessoas gordas, consideradas feias, lentas, preguiçosas, descuidadas (só comem porcaria) e um estorvo (ocupam muito espaço e atrapalham as demais).

Entre as descobertas dessa pesquisa está a de que a percepção negativa das pessoas obesas acabou se tornando uma norma cultural para a maioria dos grupos sociais, incluindo sociedades onde corpos maiores eram tradicionalmente vistos como atraentes, como Porto Rico e a Samoa Americana. 

Piadas e apelidos para as pessoas gordas sempre existiram, mas o que parece ter mudado é as pessoas gordas passaram a ser consideradas culpadas. 

É claro que obesidade pode gerar problemas de saúde, havendo assim uma responsabilidade de quem se deixa chegar a essa situação, mas isso não justifica a discriminação hoje existente contra elas – afinal, não discriminamos que tem câncer ou sofre de problemas cardíacos.

A discriminação não decorre de uma preocupação com a saúde das pessoas gordas e sim do fato que nossa sociedade cada vez mais julga a partir das aparências e também discrimina quem foge do padrão de beleza estabelecido. Não é por acaso que as mulheres cada vez mais se sentem inseguras se engordam um pouco e esse tipo de preocupação está virando uma paranoia coletiva.

O fato é que as pessoas gordas acabam por ter baixa autoestima e sofrem muito. E elas acabam tendo muitos problemas para conviver bem em sociedade - a pesquisa mostrou que em vários países em desenvolvimento, como no nosso Brasil, as pessoas obesas têm até dificuldade para casar ou mesmo ser promovidas.

É interessante perceber que na Bíblia não traz a descrição física exata de muitas personagens importantes, como Jesus e seus apóstolos. E a razão é fácil de entender: isso não tem a menor importância para Deus, pois Ele se importa mesmo é com o interior das pessoas.

A postura de Deus me faz lembrar do filme "Amor Cego", que conta a história de um rapaz que se apaixona por uma mulher obesa e a vê sempre magra e linda, o que deixa as outras pessoas confusas.

Deus vê nosso interior e não está nem aí para nossa beleza, nosso status social e outras coisas assim. Ele conhece quem é verdadeiramente bonito(a) na mente e nos sentimentos e assim escolhe as pessoas sempre certas.

Se nós conseguíssemos nos deixar impressionar menos pelas aparências seria muito melhor. Por exemplo, por pessoas que exibem falsa santidade (coisa muito comum nas igrejas) ou que apresentam falsas profecias.

Como nós não temos o conhecimento completo de Deus, como podemos fazer isso? Simples: basta olhar para os frutos.

Pessoas santas de fato exibem humildade, amor ao próximo, paciência, bondade, etc. Profetas verdadeiros sempre transmitem mensagens que se verificam. São mensagens sempre verdadeiras.

Não olhem para o que as pessoas parecem ser e sim para o que elas fazem. Não para o que tentam aparentar mas sim para o que de fato são na prática. 

Com carinho

quarta-feira, 4 de maio de 2016

ENCONTRANDO SENTIDO PARA A VIDA

Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que querem ir para o céu, não querem morrer para chegar lá. E mesmo assim, a morte é o destino que todos compartilhamos. Ninguém escapou dela. E isto é o que deveria ser, porque a morte é provavelmente a invenção mais importante da vida. É o agente de mudança: nos livra do velho, para dar espaço ao novo. Hoje o novo pode ser você, mas algum dia, não muito distante, você tornar-se-á o velho a ser descartado. Desculpe ser tão dramático, mas é a verdade. Seu tempo é limitado, então não o desperdice vivendo a vida de outra pessoa. Não se deixe cair na armadilha resultante do pensamento de outras pessoas. Não deixe que o barulho das opiniões dos outros afogue sua própria voz interior, seu coração e sua intuição...   
Steve Jobs, fundador da Apple, em 2003, ao saber que tinha câncer no pâncreas

Steve Jobs, o homem que fundou a Apple, concebeu produtos revolucionários (como iPod, iPhone e iPad), morreu alguns anos atrás. Ele era tão importante no mundo dos negócios que o valor da Apple na Bolsa de Valores americana caiu 14 bilhões de dólares quando sua doença foi anunciada.

Em 2003, quando soube que tinha câncer, Jobs, um ateu convicto, teve que encarar a realidade do fim da vida. Foi quando fez a declaração acima. 

O conhecido escritor Irwin Yalom - autor do livro “Quando Niesztche chorou”, dentre outros - ensinou que pensar na própria morte é como olhar diretamente para o sol. Somente se consegue fazer isso por muito pouco tempo. 

A declaração acima foi o momento de Steve Jobs "olhar o sol". E a referência que fez naqula declaração ao “barulho das opiniões dos outros” foi dirigida aos(às) cristãos(ãs), como ele deixou claro em declarações posteriores.

Quando precisou "olhar o sol", refletir sobre a própria morte, Jobs tentou ser criativo. Demonstrou conformar-se com a realidade que não tinha poder de mudar e tentou ver o lado positivo disso tudo. 

Chegou a argumentar que a morte é necessária para renovação do mundo, o descarte do velho e o crescimento do novo. Comentou ainda que a morte é um processo justo e equilibrado, afinal todo mundo precisa passar por isso. Portanto, ninguém pode reclamar. 

José Saramago, escritor português que ganhou o prêmio Nobel da Literatura, também ateu, no seu livro "As Intermitências  da Morte" deu suporte à tese de Steve Jobs. Falou que o caos se instalaria se as pessoas deixassem de morrer - haveria cada vez mais velhos e velhas para serem cuidados e isso acabaria por esgotar os recursos da sociedade. No seu livro, comentou que as pessoas mais jovens acabariam por pedir a volta da morte, caso ela tivesse tirado "férias"... 

Essa linha de pensamento - que apelidei de "evangelho" de Steve Jobs - é mais popular do que se pensa. A gente cruza com ela toda hora. 

Dias atrás, o maior nadador da história do esporte brasileiro, César Cielo, deixou de ser chamado para as Olimpíadas no Rio de Janeiro por ter falhado na prova classificatória - perdeu para nadadores mais jovens. Um dos classificados, do alto da arrogância natural aos jovens, declarou que se tratava de renovação natural e necessária. Em outras palavras, a "morte" esportiva de um grande nadador era uma necessidade - esqueceu-se que isso também valerá para ele, daqui há alguns anos. 

O "evangelho" de Steve Jobs não defende qualquer dogma e nem faz promessas. Sua linha de pensamento é simples: é preciso viver plenamente, fazendo aquilo que se deseja, sem se preocupar com as opiniões dos outros. Para quem pensa assim, o sentido da vida é simplesmente viver da melhor forma possível. O sentido da vida está contido nela própria. 

O problema com tal "evangelho", que coloca o ser humano no centro de tudo, é ele só funciona quando tudo vai bem. Afinal, ele não gera qualquer esperança e muito menos traz conforto nos momentos difíceis. Tudo que a pessoa pode esperar da vida é o que conseguir realizar durante seus anos na terra. E seu único consolo será ter sido fiel a si mesma (seja lá o que isso queira dizer). 

Imagine chegar para alguém que perdeu tragicamente seu filho e dizer: "ele morreu mas pelo menos foi fiel a si mesmo". Ou falar para uma filha que perdeu seu pai: "a vantagem é que a sociedade está se renovando com a morte de seu pai". Absurdo.

Ora, ninguém pode viver sem esperança e ela só pode vir de algo maior do que a própria vida, alguma coisa que venha além do mundo natural. Palavras como as de Steve Jobs são bonitas, mas trata-se de discurso vazio que não leva a lugar nenhum - o próprio Jobs, quando chegou às portas da morte, não encontrou paz com base nessas ideias.   

Não há dúvida que viver sem amarras, sem o controle de um Deus exigente, é muito atrativo. Parece coisa confortável. Mas só funciona enquanto tudo estiver indo bem. Enquanto não for preciso "olhar o sol". 

O único caminho real é dar o controle da própria vida para Deus. Isso requer muita humildade mas traz o ganho sem preço da perspectiva de uma vida além deste mundo material. 

O Apóstolo Paulo (1 Coríntios capítulo 13, versículo 13) ensinou que a fé em Cristo é o que dá realmente sentido à vida humana. N´Ele reside a esperança de termos algo muito melhor. E é também n´Ele que poderemos encontrar consolo nos momentos de aflição - não podemos esquecer que Jesus entende nossas dificuldades pois também sofreu quando esteve neste mundo. 

Pena que Steve Jobs, apesar da sua inteligência e brilhantismo, nunca tenha conseguido aceitar isso. Talvez tenha sido justamente suas qualidades que o tenham impedido de ter a humildade necessária para se curvar a Deus. Simples assim.

Com carinho

segunda-feira, 2 de maio de 2016

AS 5 MAIORES TENTAÇÕES

O Grupo Barna, conhecido instituto de pesquisa dos Estados Unidos, pesquisou quais são as maiores tentações das pessoas - evidentemente essas tentações estão na origem dos pecados que as pessoas mais cometem. 

Como essa pesquisa foi feita em outro país, sua aplicabilidade à sociedade brasileira não é imediata, portanto, é preciso ter cuidado ao tirar conclusões válidas a partir dela. Por outro lado, o ser humano tem características universais que independem da cultura onde está inserido. Sendo assim, a maioria das conclusões desse estudo também refletem a realidade da sociedade brasileira.

A pesquisa
As cinco maiores fontes de tentação para os(as) cristãos(ãs) são, pela ordem de importância, da maior para a menor, as seguintes:
  • Preocupação excessiva (ansiedade).
  • Preguiça e adiamento das coisas necessárias.
  • Gastar tempo demais na televisão, Internet, etc.
  • Consumir demais.
  • Comer demais.
A pesquisa mostrou também, como seria mesmo de se esperar, diferenças entre as tentações mais importantes para homens e mulheres. Por exemplo, homens são mais tentados pela pornografia (quase 4 vezes mais),  enquanto mulheres sofrem mais com as preocupações (50% a mais). 

Agora, algumas tentações estão igualmente presentes na vida de todas as pessoas, independentemente do seu sexo, como adiar as coisas (procrastinação), gastar tempo demais com televisão/Internet ou comer demais.

Análise dos resultados
Chama atenção que entre as tentações "favoritas" não apareça nenhuma de natureza sexual. A explicação para esse resultado surpreendente é simples: a crescente (e até excessiva) liberdade sexual aceita na sociedade hoje em dia faz com as pessoas tenham passado a encarar como naturais coisas que, na verdade, são erradas. 

Em outras palavras, esse é um importante indicador da enorme mudança nos conceitos morais da sociedade moderna. E indica ainda que as pessoas nem mais percebem bem quando cometem algum pecado de natureza sexual.

A tentação sexual com maior peso dentre todas as citadas na pesquisa é o uso de pornografia - não está entre as cinco maiores mas vem crescendo por conta do acesso fácil a esse tipo de material na Internet. Acredito que esse problema irá tornar-se cada vez mais importante no futuro, especialmente entre os homens.

Voltando às tentações mais "populares", a mais importante dentre elas - a preocupação excessiva - nasce na insegurança das pessoas com respeito aos perigos normais da vida (crises econômicas, violência urbana, doenças, etc). 

E essa insegurança essencialmente decorre da falta de fé em Deus, ou melhor, do fato das pessoas colocarem sua segurança (fé) em coisas materiais (bom emprego, poupança gorda, direitos garantidos pelo governo, etc). Mas, no seu interior, bem lá no fundo, sabem que nada material pode lhes dar segurança real.

E há diversos exemplos disso. Um deles é a crise financeira de 2008, ocorrida nos países do primeiro mundo, com reflexos até o dia de hoje - fez com que milhares de pessoas perdessem seu emprego e/ou sua poupança, liquidando com as ilusões de segurança que elas tinham. A tragédia que vem acontecendo com a população síria nos dias de hoje, quando milhões de pessoas foram envolvidas contra sua vontade numa guerra terrível, que destruiu suas vidas e as fez correr para outros países, deixando tudo para trás, é outro exemplo claro do que acabei de dizer. E não podemos esquecer a crise política e econômica brasileira, que só faz piorar e vem devastando o país, especialmente a população mais pobre e desprotegida.

Somente Deus pode dar a segurança que as pessoas tanto buscam e precisam. Somente quando nossa confiança é depositada n´Ele, a ansiedade pode ficar para trás. Ser superada.

A causa de duas outras tentações "populares" - consumir e comer demais - é um pouco diferente. As pessoas consomem demais porque querem encontrar sentido e gratificação para suas vidas e pensam achar isso nas coisas materiais - e esse sentimento é explorado habilmente pela propaganda.

Ora, as coisas materiais só trazem gratificação momentânea e pouco depois as pessoas sentem-se insatisfeitas de novo. E ficam desejosas por novas coisas, abrindo o ciclo de novo.

A compulsão para comer demais é irmã gêmea do consumo excessivo. As duas nascem e florescem no mesmo solo.

Somente um relacionamento rico com Deus pode dar sentido à vida das pessoas. Nenhuma coisa material consegue ter o mesmo efeito.

Tudo que acabei de falar, de certa forma, fornece a base para outra grande tentação levantada pela pesquisa: a preguiça e o adiamento de coisas importantes. A maioria das pessoas está insatisfeita com suas vidas e por isso ficam desmotivadas e daí vem a preguiça. E adiam aquilo que precisam fazer.

E por que se sentem desmotivadas? Essencialmente porque vivem uma vida sem sentido ou objetivo maior, porque buscam isso nas coisas materiais, conforme comentei antes. Está tudo misturado.

Finalmente, o gasto excessivo de tempo com televisão ou Internet também aponta para o mesmo problema. Desgastadas pela vida que levam, tudo que as pessoas querem é ser "anestesiadas" quando entram na hora do lazer e é isso que a programação de televisão ou a Internet lhes dão. Preferem encher suas cabeças com coisas que simplesmente não lhes exija reflexão e análise crítica. E ficam simplesmente "vegetando" na frente da televisão ou da tela do seu celular.

Em resumo, das cinco tentações mais "populares", a primeira delas - ansiedade - têm a ver com falta de confiança (fé) em Deus. As demais são consequência da falta de um sentido real para a vida das pessoas. E elas tentam encontrá-lo de várias formas, todas erradas: consumindo muito, comendo além do que deveriam e/ou através do divertimento proporcionado pela televisão ou Internet. Essa mesma falta de sentido também desmotiva as pessoas, fazendo com que elas se deixem levar pela preguiça e adiem coisas importantes.

Tudo isso demonstra como Deus é importante para avida das pessoas e faz falta na vida delas. Nada pode substituí-lo. Simples assim.

E você? O que acha dessa pesquisa?

Com carinho

sábado, 30 de abril de 2016

É PECADO TER DÚVIDAS?


Quem tem dúvidas em questões relacionadas com sua fé cristã está em pecado? Já ouvi muita gente dentro das igrejas dizer que sim, que o(a) cristão(ã) nunca pode fraquejar na sua fé. Não deve ter dúvidas. A fé cristã precisa ser firme como uma rocha.

Penso que isso não é verdade: a fé saudável normalmente produz dúvidasO pastor Tim Keller, um dos grandes defensores da fé cristã hoje em dia, concorda plenamente com essa tese. Veja o que ele escreveu no livro “The Reason for God” (ainda não traduzido para o português):  
A fé sem ter algumas dúvidas é como o corpo humano sem ter anticorpos… A fé de uma pessoa pode entrar em colapso da noite para o dia se ela deixar, ao longo dos anos, de ouvir pacientemente suas próprias dúvidas, que somente devem ser descartadas depois de longa reflexão...
O conhecido teólogo cristão Samuel Rothenberg resumiu essa ideia numa frase bem curta que diz tudo: um cristão sincero é composto de muitas perguntas.

Eu penso que o ato de ter dúvidas é parte obrigatória do processo de crescimento na fé cristã. Quem cresce na fé, acaba por se fazer perguntas para as quais não consegue encontrar respostas imediatas.

É claro que o(a) cristão(ã) não pode ficar marcando passo, sempre com as mesmas dúvidas. Ficar no mesmo lugar é indicação que o crescimento espiritual parou, que a pessoa estagnou na sua fé. É preciso superar as dúvidas existentes. 

E saber que novas dúvidas vão surgir, em lugar daquelas já superadas, pois se trata de um processo que nunca acaba. Há sempre mais a saber e coisas a esclarecer.

Agora, muitas vezes fica difícil para o(a) cristão(ã) demonstrar suas dúvidas abertamente porque muitas igrejas não dão chance para isso. Quem deixa perceber ter algum tipo de dúvida passa a ser olhado(a) pela comunidade da fé com desconfiança e muitas vezes é até obrigado(a) a passar por “reeducação” espiritual. Conheço vários casos desse tipo. 

Quem vive em igrejas que somente admitem fiéis com fé inabalável, "firmes como uma rocha", acabam dando espaço para a hipocrisia e adoecimento espiritual. Igrejas desse tipo são muito perigosas e devem ser evitadas, pois fazem mal espiritualmente.

A Bíblia conta que diversos "gigantes da fé" também tiveram seus momentos de dúvidas. E acho que três exemplos bastam para demonstrar o que acabei de falar. O primeiro deles é o apostolo Tomé, que pediu para colocar as mãos nas chagas de Jesus (já ressuscitado) para conseguir acreditar no milagre da ressurreição (João, capítulo 20, versículos 24 e 25). E Tomé não foi rejeitado por Jesus por isso. Pelo contrário, Jesus deixou que ele inspecionasse seu corpo.

Elias, foi um grande profeta, cuja história está relatada no Velho Testamento. Depois de enfrentar sozinho 400 profetas do Deus pagão Baal e ser ameaçado de morte pela rainha Jezebel, sentiu-se fraco espiritualmente, duvidou e teve que ser socorrido por Deus (1 Reis, capítulo 19, versículos 3 a 8).

João Batista, o homem que veio preparar o caminho para Jesus, teve dúvidas quando estava preso: não sabia se Jesus era mesmo o Messias (Lucas capítulo 7, versículos 18 a 23).

Portanto, não tenha medo de discutir abertamente suas dúvidas. A própria Bíblia nos incentiva a fazer isso (1 Pedro capítulo 3, versículo 15). Encontre alguém para discuti-las com você, mas se precisar de mais ajuda, escreva para cá - se eu souber, terei prazer em dar a resposta. 

Finalmente, nunca se esqueça que não será possível entender tudo o que se refere ao mundo espiritual. Os planos de Deus são simplesmente complexos demais. 

E é preciso aceitar essa realidade e quando você se deparar com uma dúvida que não consiga superar, ande pela fé, como o apóstolo Paulo ensinou (2 Corintios capítulo 5, versículo 7). E a própria experiência espiritual com Deus acabará por comprovar o acerto dessa decisão.

Com carinho

quinta-feira, 28 de abril de 2016

PERDÃO SIM. MAS E DEPOIS?

A Bíblia ensina que o(a) cristão(ã) deve estar disposto(a) a perdoar muitas vezes - Jesus usou a expressão “setenta vezes sete” para exemplificar isso. Mas como a pessoa deve agir numa situação onde a ofensa é repetida, torna-se uma constante? 

Imaginemos, por exemplo, o caso de um alcoólatra que agride a mulher quando bêbado, infelizmente coisa ainda muito comum, como apontam as pesquisas sobre violência. O comportamento comum desse tipo de homem costuma ser embriagar-se, agredir a mulher, enfrentar a ressaca, voltar a ter consciência das coisas, pedir perdão à mulher e prometer nunca mais fazer de novo, manter-se sóbrio por uns poucos dias e recair, recomeçando o ciclo de violência. 

Os especialistas no tratamento de dependência química são unânimes em aconselhar o afastamento da pessoa doente do convívio da família. Simples assim. Mas quando a esposa é cristã, costuma ser aconselhada na sua igreja a ter paciência, a perdoar e retomar a relação. Será que isso está certo? 

Tempos atrás recebi um email de uma amiga minha, hoje pastora metodista, que relatou a seguinte experiência:

Vou compartilhar uma história vivida pela minha professora de antropologia, especialista nesse tema, inclusive sua tese de doutorado é sobre isso. Durante suas pesquisas de campo, ela estagiou em uma delegacia de defesa da mulher e um dos casos mais tristes que presenciou envolvia uma cristã, agredida várias vezes pelo marido e que por iniciativa própria ou aconselhada por terceiros, acabou perdoando-o e retomando a convivência. E ela estava na delegacia denunciando-o porque a violência aumentou drasticamente. Por não concordar com a cor do esmalte que ela estava usando, ele arrancou todas as unhas de suas mãos...

Acho que quem aconselhou aquela pobre mulher a perdoar o marido, permanecendo à sua mercê, deveria se envergonhar - certamente quem fez isso continuou com todas as suas unhas no devido lugar...


Depois do perdão
Perdoar não é escolha e sim mandamento. Mas isso não significa que a pessoa que sofre a ofensa ou violência deve ser ingênua e ficar desprotegida. 

O problema é que muitos líderes cristãos ensinam ser perdoar igual a esquecer e isso não é verdade. E nem é bíblico. 

Se a mulher agredida for convencida a esquecer o que passou nas mãos do seu agressor, o mais natural seria mesmo ela voltar à situação anterior, expondo-se de novo ao mesmo risco. E isso não faz sentido. É até absurdo.

Perdoar não é esquecer, pelo menos não no sentido de apagar da memória as más experiências vividas, até porque isso seria impossível. Perdoar é desistir de uma posição de “cobrança” e do desejo natural de obter reparação ou mesmo de retribuir o mal recebido. Mas isso não significa que a pessoa prejudicada deva apagar os fatos ruins da sua memória. Pelo contrário, ela precisa aprender com suas experiências, tornar-se mais sábia e até prudente. 

E isso significa, dentre outras coisas, não mais se colocar em risco, como antes. Não mais dar espaço para que o(a) ofensor(a) possa causar o mesmo mal de novo.

Tal ensinamento fica muito claro no caso de José do Egito, um dos maiores exemplos de perdão na Bíblia - para quem não se lembra, ele foi vendido como escravo pelos próprios irmãos enciumados porque o pai dava mais atenção a ele. 

A grandeza de José ao perdoar os irmãos chega a ser difícil de entender. Mas o perdão em si não significou que José retomou a convivência com os irmãos como se nada tivesse acontecido. Ele somente fez isso quando percebeu que os irmãos haviam realmente mudado e não mais representavam ameaça para sua integridade física.

Voltando ao exemplo da mulher agredida pelo marido alcoólatra, ela deve sim perdoá-lo e até ajudá-lo a procurar tratamento clínico, ajudando-o sinceramente de todas as formas a seu alcance. Mas ela deve fazer isso somente depois de separá-lo do convívio da família, para proteger a si mesma e aos familiares. E pode ser até que nunca mais seja possível que o marido venha voltar a conviver com a família normalmente. 

Outra questão importante é a retomada dos sentimentos anteriores. Será que o perdão deveria incluir um esforço, por exemplo, da mulher agredida para voltar a ter os mesmos sentimentos anteriores (amor e afeto) pelo marido, caso ele se regenere de fato? 

É claro que isso pode acontecer, afinal o Espírito Santo pode fazer qualquer coisa. Mas tal restauração de sentimentos não deve ser confundida com o perdão em si. Ela é outra coisa. E não há mandamento nesse sentido.

O mandamento sobre o perdão não exige das pessoas ofendidas esquecer o que sofreram, colocar-se novamente na mesma situação de risco, a reconciliação completa ou mesmo a retomada dos sentimentos anteriores. A Bíblia não não fazer nada disso. 

O perdão não pode se tornar numa armadilha, num mecanismo para provocar a vitimização contínua de quem quer que seja. A Bíblia não ensina e nem pede isso a ninguém.

Com carinho

terça-feira, 26 de abril de 2016

PECADO TEM TAMANHO?

Um dos ensinamentos mais conhecido no meio evangélico é que não existe tamanho para pecados, ou seja não há "pecadilhos" e "pecadões". E mais, qualquer pecado tem potencial para gerar condenação por parte de Deus. 

Por outro lado, a doutrina da igreja católica defende a gradação dos pecados, classificados como mortais (os que trazem condenação) e veniais (demais erros). E decorre desse entendimento a gradação das punições estabelecidas pelos padres, para purificar os(as) fiéis dos pecados cometidos, quando tais erros são admitidos em confissão.

Quem tem razão? Será que há mesmo gradação dos pecados? Existem pecadilhos e pecadões? À primeira vista parece que sim, afinal há até um pecado sem perdão, a ofensa contra o Espírito Santo. Além disso, o próprio Jesus parece ter graduado pecados na condenação que fez à população de duas cidades (Corazim e Betsaida), conforme Mateus capítulo 11, versículos 21 e 22: 

"Ai de ti, Corazim! Ai de ti Betsaida! Porque se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas teriam se arrependido com pano de saco e cinza. E contudo vos digo: No dia do juízo haverá menos rigor para Tiro e Sidom, do que para vós outros."   
Se olharmos mais de perto essas evidências bíblicas, veremos que não é bem esse o ensinamento transmitido. O pecado contra o Espírito Santo - a rejeição total da sua ação na vida da pessoa - torna o perdão de Deus impossível, pois impede que essa mesma pessoa venha a aceitar Jesus como Salvador. Ou seja, não é que a natureza desse pecado específico seja pior e sim que ela impede o acesso da pessoa à Graça de Deus.

Já na declaração de Jesus sobre a população das cidades de Corazim e Betsaida, é preciso lembrar foi ali onde Jesus morou durante boa parte do seu ministério. Portanto, os(as) moradores(as) daquelas duas cidades tiveram acesso privilegiado a Ele. Receberam muito mais. Assim, sua eventual rejeição de Jesus tornou-se mais séria pois a quem mais se dá, mais se cobra. É disso que Jesus falou e não do fato dos(as) moradores(as) daquelas cidades terem cometidos pecados maiores.

O apóstolo Pedro, na sua segunda carta, capítulo 2, versículo 21, repete, com outras palavras, o mesmo ensinamento de Jesus:

"Pois, melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça, do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado." 
As pessoas que têm acesso ao Evangelho de Jesus e rejeitam tal ensinamento, acabam em estado espiritual ainda pior que antes, pois deixam de ter a desculpa da ignorância para justificar seus erros. 

Não é a natureza do pecado em si que determina a seriedade maior ou menor do que foi feito aos olhos de Deus, mas o grau de esclarecimento da pessoa. Tiago, o irmão de Jesus, na sua carta (capítulo 4, versículo 17), afirmou:

"Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando."
É o conhecimento de estar errando que torna o pecado mais sério aos olhos de Deus - a pessoa sabe com clareza o que está fazendo e escolheu deliberadamente pecar. 

Agora, não é possível deixar de reconhecer que as consequências de cada pecado são diferentes, algumas são maiores e outras menores. Roubar um pão normalmente gera consequências menos importantes do que matar uma pessoa a sangue frio - é possível devolver o pão roubado e pagar o prejuízo causado, mas não é possível reviver a pessoa morta.

Acredito que o erro de pensar existirem pecados maiores e menores decorre exatamente da percepção de que as consequências do que foi feito varia muito. E as pessoas acabam confundindo a gravidade das consequências por elas percebidas com a importância do pecado em si - pecados cujas consequências parecem maiores são tidos como mais sérios aos olhos de Deus. 

Acontece que a lógica humana não é a lógica de Deus. Portanto, não é assim que Ele avalia as coisas que fazemos. Até porque pecados cujas consequências imediatas e mais evidentes parecem ser pequenas podem trazer efeitos negativos de longo prazo bem maiores e isso as pessoas não conseguem perceber logo. 

Por exemplo, uma lei iníqua pode parecer beneficiar as pessoas a curto prazo, mas ter consequências terríveis a longo prazo. Nessa linha, que o governo resolva multiplicar por três as pensões dos(as) aposentados(as) e a longo prazo o INSS quebre, por não ter dinheiro para pagar os novos compromissos. No começo, muita gente ficaria feliz, mas as consequências posteriores seriam catastróficas.

O mesmo se dá com as consequências do pecado. Elas podem parecer bem pequenas de início, mas crescer muito a longo prazo. As pessoas não conseguem perceber isso, mas Deus não se deixa enganar. 

Todo pecado é sério para Deus pois entra em choque com sua Santidade e afasta o ser humano d´Ele. Esse é o ensinamento da Bíblia. Nem mais e nem menos.

Com carinho