segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O TESTEMUNHO DO TÚMULO VAZIO

Volta e meia encontro pessoas que dizem duvidar da ressurreição de Jesus, crença básica da fé cristã. Há até quem duvide que Jesus existiu mesmo, mas isso é menos comum de encontrar, já que há quase um consenso entre os(as) historiadores(as), mesmo os(as) não cristãos(ãs), que existiu de fato um homem chamado "Jesus de Nazaré", crucificado pelos romanos por volta do ano 30 da nossa era.

Mas a crença na ressurreição, vai mais além. Requer aceitar uma ação sobrenatural e nem todo mundo está disposto a acreditar nisso.

Agora, quando você encontrar alguém com esse tipo de pensamento, o que você, cristão(ã), pode responder? E não vai adiantar abrir a Bíblia e ler a descrição dos fatos contida ali. Afinal, para quem não acredita em nada disso, a Bíblia não é a Palavra de Deus e, portanto, não serve de prova. 

Há muito que pode ser dito mesmo para quem não acredita na ressurreição como fato real. E vamos partir do princípio que os Evangelhos - Mateus, Marcos, Lucas e João - são simples relatos históricos escritos por cristãos, refletindo, portanto, seu ponto de vista.

Assim, encontramos um ponto de partida para a conversa, com o qual todo mundo pode concordar, acredite ou não em Jesus.

Agora, há uma coisa que não pode ser negada, com base nos relatos existentes: houve um túmulo vazio. Ou seja, Jesus foi crucificado e colocado num túmulo que misteriosamente apareceu vazio dias depois.

E a esmagadora maioria dos historiadores concorda com isso, pois se não tivesse havido um túmulo vazio, como teria sido possível a fé cristã se desenvolver? Bastaria para os opositores do cristianismo - os líderes judeus ou os romanos - mostrarem o túmulo e dentro dele o corpo de Jesus, apodrecendo. E assim teriam matado a fé cristã na sua origem.

É por isso que quase todos os historiadores concordem que houve sim um túmulo vazio. Aconteceu algo que precisa ser explicado. A questão que permanece, portanto, é encontrar uma explicação que se harmonize com os fatos conhecidos. Vamos explorar as diferentes possibilidades que permanecem.

A primeira delas é tudo não ter passado de uma farsa montadas pelos discípulos de Jesus - eles teriam roubado e escondido o corpo. Aliás, essa possibilidade está registrada na própria Bíblia (Mateus capítulo 28, versículos 11 a 13), indicando que se trata de alternativa levantada já naquela época.

A forma de rebater a hipótese da farsa é simples: basta apontar para o comportamento posterior dos próprios(as) discípulos(as de Jesus. Se isso tivesse acontecido, os(as) seguidores(as) de Jesus saberiam, como então explicar que se dispusessem a morrer, nas perseguições que se seguiram, para defender uma crença - a ressurreição de Jesus - que sabiam ser mentira? Não faz qualquer sentido.

Sabemos que as pessoas podem morrer por algo em que acreditam, mesmo quando sua crença não é verdadeira. Em outras palavras, elas podem morrer enganadas e muita gente já passou por isso. Mas não conheço caso algum de alguém, no exercício normal das suas faculdades mentais, tenha escolhido morrer para defender uma mentira. Decidido se sacrificar para tornar uma farsa viável.

Os registros históricos indicam que muitos (as) cristãos(ãs) - quase todos os apóstolos originais, Paulo, Estevão, Tiago (irmão de Jesus) e tantas outras pessoas - morreram crucificados(as), queimados(as), apedrejados(as), lançados(as) às feras, mas se mantiveram firmes na sua crença. E isso nunca teria acontecido, com tanta gente, se tudo não tivesse passado de uma grande farsa montada por eles mesmos. É impossível.

Se não foram os próprios discípulos, os líderes judeus, ou os romanos, quem tirou o corpo de Jesus da cruz? Teria sido o corpo roubado por ladrões ou desavisados? Ora, não havia o que roubar, no caso de Jesus, pois todo mundo sabia que Ele tinha sido homem pobre. Além disso, o relato bíblico fala que o governador romano colocou guardas na entrada do túmulo (Mateus capítulo 27, versículos 62 a 66). Portanto, essa hipótese também não se sustenta. 

Há ainda outra alternativa possível: Jesus saiu sozinho do túmulo. De acordo com essa ideia, Ele não estaria morto de fato, quando foi enterrado, e acordou, digamos assim, de um estado catatônico. E saiu do túmulo por conta própria.

Essa hipótese esbarra em enormes dificuldades. Em primeiro lugar, vale também aqui o raciocínio que fiz em relação à hipótese da farsa: Os seguidores de Jesus saberiam que Ele não ressuscitou e mesmo assim teriam escolhido dar sua vida para manter essa crença. Não faz qualquer sentido.

Depois, imaginar que Jesus teria podido sobreviver às terríveis torturas pelas quais passou é muito difícil de aceitar. Não haveria como uma pessoa conseguir sobreviver a tudo isso. E não podemos esquecer que um dos soldados romanos enfiou uma lança entre as costelas de Jesus para verificar se Ele tinha mesmo morrido (João capítulo 19, versículo 33), como era costume naquela época.

E mesmo que Ele tivesse de alguma forma sobrevivido a tudo isso, não podemos esquecer que foi deixado sem qualquer alimento ou água, numa caverna escura, com uma pedra tapando a entrada.

Como superar mais esse desafio? Como Jesus teria tido forças, depois de tudo pelo que passou, para mover sozinho a pedra e sair pelo mundo, como se nada tivesse acontecido? Não faz qualquer sentido.

Resumindo, se os romanos e nem os líderes judeus tiraram o corpo de Jesus do túmulo, se não foi uma farsa montada pelos próprios discípulos, muito menos a ação de terceiros, como também não foi possível para Ele sair da tumba por conta própria, como o túmulo acabou vazio? 

Quando alguém disser que não acredita na ressurreição de Jesus, explique essas coisas para essa pessoa e peça para ela explicar, de forma racional, o que aconteceu naquele domingo bem cedo. 

Os(as) cristãos(ãs) explicam isso através da ação de Deus, que ressuscitou Jesus e essa parece mesmo ser a única alternativa ainda de pé, por mais surpreendente que seja.

Quem não acredita em Jesus tem todo direito de pensar assim, mas isso não elimina a necessidade dessa pessoa encontrar uma explicação para o túmulo vazio. Uma explicação que se harmonize com os fatos relatados e com o comportamento posterior dos(as) discípulos(as) de Jesus. 

Caso não queria responder essa pergunta, ficará fácil de perceber que a pessoa não acredita porque não quer fazer isso. Em outras palavras, ela segue outra religião, o que tem direito de fazer, mas não pode mais se esconder atrás de justificativas históricas e racionais. Simples assim.

Com carinho

sábado, 1 de outubro de 2016

PALAVRA DE DEUS PARA OS PASTORES


Pastores(as) são fundamentais para a vida espiritual dos(as) cristãos(ãs). Cabe a eles(as) aconselharem, advertirem, visitarem, consolarem, etc. 

Infelizmente, nem sempre as pessoas contam com pastores(as) que cuidam delas como deveriam. Em alguns casos, o que se vê são pastores(as) que se aproveitam da sua posição para explorar os(as) fiéis.

Temos tido preocupação, aqui no site, em discutir essa questão como uma forma de ajudar as pessoas a buscarem líderes melhores (por exemplo, veja). 

Num novo vídeo, eu, Rogers, falo sobre o recado que Deus enviou para os(as) pastores(as) que não cumprem seu papel direito, baseado num texto pouco conhecido que está em Ezequiel capítulo 34, versículos 1 a 10. 

Confira:

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O QUE A BÍBLIA NÃO FALA SOBRE JESUS

Fala-se muito sobre Jesus - Ele já foi objeto de inúmeros filmes, livros, documentários, etc. Infelizmente, muito do que se fala sobre a vida d´Ele não tem qualquer base histórica, pois os fatos descritos não estão documentados nas fontes históricas disponíveis. 

As fontes históricas sobre a vida de Jesus são essencialmente os quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Existem algumas informações esparsas contidas em outros livros da Bíblia (por exemplo, Atos dos Apóstolos), bem como vindas de fontes extra-bíblicas (como o historiador Flavius Josephus), mas os dados fornecidos não agregam nada de novo ao que os Evangelhos já contam.

Portanto, se queremos saber alguma coisa sobre a vida de Jesus precisamos recorrer aos quatro Evangelhos. Ali estão todas as informações que temos. Simples assim.

Para ajudar você a separar o "joio do trigo", isto é diferenciar aquilo que tem fundamento histórico do que não tem, vou listar algumas informações largamente aceitas, mas que infelizmente não tem suporte bíblico e, portanto, histórico. 

A idade de Jesus quando morreu

A tradição conta que Jesus tinha trinta e três anos ao morrer. Essa idade é fruto do cálculo que Ele teria nascido no ano 1 e morrido no ano 33 da nossa era. Mas a Bíblia não fala isso.

E não fala porque nela não há referencia a anos absolutos. Todas as contagens de tempo nela contidas são relativas, quando muito tomadas em relação a outros eventos bíblicos, para os quais também não há referencia absoluta. 

Por exemplo, a Bíblia conta que Moisés tinha 40 anos quando fugiu do Egito e foi ser pastor de ovelhas em Midiã (Êxodo capítulo 2, versículo 12). Mas não diz em que ano isso aconteceu e não há como determinar com precisão esse dado. A Bíblia fala que Salomão começou a construir o Templo de Jerusalém no quarto ano do seu reinado (1 Reis capítulo 6, versículo 1), mas o texto não diz em que ano esse reinado começou.

Esse tipo de contagem de tempo, sem referencias absolutas, torna difícil estabelecer o ano exato em que alguns eventos ocorreram, como os anos do nascimento e da morte de Jesus. E aí a tradição inadvertidamente gerou um erro: os tais 33 anos de vida de Jesus.

Hoje se estima que Jesus nasceu entre os anos 5 e 7 Antes da Nossa Era e morreu no ano 30 ou no ano 33 da Nossa Era. Não é possível ter certeza além disso. Portanto, Jesus viveu entre 35 e 40 anos, bem mais do que a tradição aponta.

Há aqui uma curiosidade que vale a pena apontar. O chamado "ano 1", que divide as duas eras (Antes de Cristo ou Antes da Nossa Era e Depois de Cristo ou Nossa Era), foi estabelecido por um monge chamado Dionísio. Ele estudou os dados históricos disponíveis e calculou um determinado ano como o do nascimento de Jesus e estabeleceu o "ano 1", registro que acabou adotado por todo o mundo.

Mas Dionísio errou: hoje se sabe que o "ano 1" ocorreu de fato entre 5 e 7 anos antes do que Dionísio calculou. E hoje precisamos conviver com o absurdo que é afirmar ter Jesus nascido entre os anos 5 e 7 Antes de Cristo. Dá vontade até de rir... 

O dia em que Jesus nasceu 

Não sabemos o dia exato em que Jesus nasceu. Pelas descrições da Bíblia, provavelmente isso aconteceu no mês de março, mas não há como ter certeza.

A Igreja Cristã sempre soube disso, mas entendeu que precisaria ter um dia para comemorar essa data tão importante. Até aí nada demais - por exemplo, é comum que os pais de uma criança adotada, quando não sabem o dia exato do nascimento desse(a) filho(a), arbitrem uma data para poder comemorar.

O erro da Igreja Cristã foi, durante certo tempo, ter insistido que Jesus tinha mesmo nascido na virada do dia 24 para o dia 25 de dezembro. Na verdade, essa era a data em que se comemorava o solstício de inverno e nesse dia ocorriam grandes festas pagãs. E a Igreja Cristã quis transformar esse dia numa data comemorativa do seu calendário religioso, daí ter colocado exatamente aí o dia do nascimento de Jesus. 

A infância e a adolescência de Jesus 

O relato bíblico sobre o início da vida de Jesus termina quando Ele tinha cerca de dois anos e seus pais voltaram do exílio no Egito, porque o rei Herodes tinha morrido e o menino não mais corria risco de vida (Mateus capítulo 2, versículos 14 e 15). E foram morar em Nazaré, na Galileia.

Depois, só há um relato curto, já da pré-adolescência de Jesus, com cerca de doze anos, quando os pais o levaram até Jerusalém e Ele se perdeu na volta para casa, tendo sido encontrado conversando com os doutores da Lei (Lucas capítulo 2, versículos 41 a 52). Mais nada.

A continuação do relato dos Evangelhos se dá quando Ele começou seu ministério, entre 32 e 35 anos. É claro que podemos imaginar como Ele viveu todos essas anos, em Nazaré, já que sabemos alguma coisa sobre sua família, inclusive a profissão do seu pai (carpinteiro), e o conhecimento histórico daquela época permite construir um quadro aproximado da sua realidade.

Mas evidentemente não sabemos qualquer particularidade da vida d´Ele ao longo desse período - se ficou doente, se viajou ou ficou apenas em Nazaré, com quem estudou, etc.

Todos os relatos que falam que Jesus viveu entre os essênios (seita judaica), morou na Índia ou qualquer outra coisa sobre esses "anos silenciosos", não têm qualquer base histórica. São especulação pura e simples. 

O que aconteceu com o pai de Jesus

Sabemos que Maria acompanhou Jesus até o final da vida d´Ele - a Bíblia relata o momento em que ela estava aos pés da cruz (João capítulo 19, versículos 25 a 27).

Mas nada sabemos sobre o que aconteceu com José, pai adotivo de Jesus, depois do relato da viagem a Jerusalém ao qual já me referi.

Os estudiosos normalmente interpretam o silêncio sobre José nos relatos dos Evangelhos, como significando que ele morreu enquanto Jesus era relativamente jovem. E entendem também que, como filho mais velho, coube a Jesus, por ocasião da morte do pai, assumir a responsabilidade do sustento da família.

Tudo isso faz sentido e se encaixa com o relato dos Evangelhos, mas não podemos ter certeza absoluta. Pode ter acontecido alguma outra coisa que desconhecemos.

Esses são apenas alguns exemplos de coisas que as pessoas normalmente afirmam mas que não tem suporte histórico. Claro que haveria mais coisas a contar, mas não tenho espaço para discutir cada uma delas. Mas acredito que já deu para você formar um bom quadro dessa questão.

Com carinho

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A PARÁBOLA DO TESOURO ENTERRADO

O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo. Mateus capítulo 13, versículo 44
Antes de falar sobre a parábola em si, aí vai um pouco de contexto para facilitar o entendimento.

Na época em que Jesus viveu, as pessoas não tinham muitos meios para garantir a segurança do seu patrimônio. Em particular, não havia cofres ou bancos onde as pessoas pudessem guardar suas economias com segurança. Assim, era prática comum esconder dinheiro e jóias preciosas em lugares de difícil acesso (por exemplo, grutas) ou em buracos escavados na terra.

E muitas vezes esses tesouros acabavam esquecidos, talvez porque seus donos morreram e não deixaram instruções para seus herdeiros de como recuperá-los. Por causa disso, eram conhecidos vários casos de tesouros encontrados por acaso nos locais os mais inesperados.

Agora, segundo a lei da época, o tesouro encontrando num terreno pertencia ao dono da propriedade e não a quem o tivesse encontrado.

Foi uma situação desse tipo que inspirou Jesus a compor essa parábola. Certo homem encontrou um tesouro num campo que não era dele. Escondeu de volta o seu achado, juntou tudo que tinha e comprou o campo onde o tesouro estava escondido. Tomou posse da terra e finalmente ficou com o tesouro para si.

Jesus comparou essa estória com o Reino de Deus. E passou ensinamentos muito importantes. O primeiro deles é que devemos comprometer tudo que temos e somos para nos apossar do Reino de Deus.

Será que isso quer dizer, que precisamos vender tudo que temos e colocar o resultado na obra de Deus? Embora isso seja muito meritório, não é isso que Jesus ensinou com essa parábola. Ele não estava cobrando isso de mim ou de você.

Jesus estava falando de prioridades na vida e não de bens materiais. Ensinou que não devemos deixar nada nos distrair da prioridade que é o Reino de Deus. Simples assim.

Jesus encontrou muitas pessoas que foram chamadas a se apossar do Reino e não quiseram fazer isso, porque outros interesses a impediram de fazer isso. Teve gente que não atendeu o chamado porque tinha outros compromissos (por exemplo, Lucas capítulo 9, versículos 59 a 62). Outros deram prioridade a seus bens - por exemplo, veja o vídeo aqui no site, parte da série "Minuto com Deus", que trata da história de Jesus conversando com o moço rico. Houve gente que não o seguiu porque simplesmente não acreditou n´Ele.

E decisão pelo Reino deve ser feita com alegria, exatamente como fez o homem que comprou o campo onde o tesouro estava enterrado. Não devemos colocar o Reino de Deus antes de tudo e ficar lamentando o que foi deixado para trás como, por exemplo, alguns hábitos.

Outro ensinamento importante é que devemos fazer as coisas de Deus sem procurar chamar atenção para nós mesmos - foi isso que o homem da parábola fez, ao comprar quietamente o campo onde o tesouro estava enterrado. Se ele tivesse chamado atenção para si mesmo, não teria conseguido comprar aquela terra. Não mesmo.

Penso nisso quando vejo alguns líderes religiosos cristãos patrocinando cultos-espetáculo, chamando atenção para si mesmos e seus ministérios. Tornam-se verdadeiras estrelas. E não foi isso que Jesus ensinou. Não mesmo.

O último ensinamento importante tem a ver com a confiança do homem que encontrou o tesouro para fazer o necessário. Foi preciso coragem para vender tudo que tinha e comprar aquele campo - muita coisa poderia ter acontecido como, por exemplo, alguém se apossar do tesouro antes dele. 

Mas ele não duvidou um minuto. Fez o que era necessário e colheu os frutos - ficou com o campo e o tesouro. 

Concluindo, o Reino de Deus deve ser nossa prioridade absoluta. E deve ser perseguido com alegria, confiança e de forma discreta. É isso aí.

Com carinho

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

ESTEJA PREPARADO

Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Lucas capítulo 12, versículo 20
O Brasil todo se emocionou com a morte do ator Domingos Montagner, ocorrida poucos dias atrás, por causa de uma terrível acidente. É sempre chocante ver uma vida se perder de forma tão inesperada e no auge da sua carreira artística. Espero que a família dele possa encontrar consolo em Deus...

Uma das coisas que mais me emocionou foi ler que o ator tinha comprado uma casa para sua família apenas duas semanas antes de morrer. Provavelmente nunca habitou a casa em que tinha sonhado em viver com sua família. 


Tudo isso me lembra uma verdade que incomoda muito: vivemos - todos nós - como se a vida não fosse acabar nunca. Como se as coisas fossem permanentes. Mas infelizmente não são.

Jesus falou sobre isso através de parábola contando a estória de um agricultor muito rico, que resolveu ampliar seus celeiros para poder acomodar uma produção de grãos crescente. E imaginou poder depois poder aproveitar o que tinha acumulado na vida. E aí sua vida acabou.

Um autor de quem gosto muito ensinou que pensar na morte é como olhar diretamente para o sol: só conseguimos fazer isso por pouco tempo. E em certo sentido, isso é bom, pois essa percepção de permanência, de imortalidade enfim, estimula as pessoas a planejarem, a investirem hoje para recolherem os frutos no futuro e assim por diante. E esse é um dos motores do progresso da humanidade. 

Agora, isso não quer significa que possamos viver sem levar em conta que a vida não dura para sempre. Sem nos darmos conta que basta um instante para tudo mudar.

Quem não entende isso é arrogante ou insensato - na frase que abre este post, Jesus chamou o lavrador rico de "louco", expressão que tem esse mesmo sentido.

Jesus nos advertiu muito sobre a necessidade de estarmos preparados. E contou inúmeras parábolas falando sobre isso, como a do ladrão que chega inesperadamente ou a dos convidados que chegaram atrasados para uma festa e não puderam entrar.

Mas devemos estar preparados para quê? Acredito que Jesus durante seu ministério tratou sobre duas coisas. A primeira foi alertar as pessoas sobre os altos e baixos da vida. Afinal, ninguém vive somente momentos bons. Parece ruim dizer isso, mas essa é a mais pura realidade. E precisamos estar preparados para ela.

A segunda coisa é estarmos preparados para prestar contas para Deus daquilo que fizemos com nossas vidas. Cedo ou tarde vamos estar diante de deus para falar sobre o que fizemos e também sobre o que deixamos de fazer. Isso porque pecamos não somente pelo que fazemos de errado mas também pelo bem que deixamos de fazer (pecado por omissão).

Concluindo, que eventos tristes, como a morte desse artista querido, guardam grande ensinamento: a vida não é permanente. Não importa quem sejamos, todos passaremos por momentos bons e ruins nessa vida e em dado momento, iremos cruzar uma ponte que vai nos levar para outra realidade. 

É preciso, pois, estar preparado. Sempre.

Com carinho

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

COMO UM VASO NAS MÃOS DO OLEIRO

Deus é o oleiro e nós somos como vasos de barro nas suas mãos. 

Ele pega o que está errado nas nossas vidas e modifica, assim como o oleiro retrabalha o vaso de barro que tem nas suas mãos.

Veja um vídeo do Rogers que fala mais sobre isso. 

sábado, 17 de setembro de 2016

A ORAÇÃO ENSINADA POR JESUS


Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia. Perdoa nossas dívidas, assim como perdoamos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. Porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém. Mateus capítulo 6, versículos 9 a 13
Jesus foi homem de oração - passava horas a fio falando com Deus. Com seu exemplo, Jesus demonstrou para os discípulos a importância de orar, mas eles tinham muita dificuldade para imitar seu Mestre. Parece ser que, dentre outros problemas, os discípulos não sabiam bem como falar com Deus. Que palavras usar. Aí pediram que Jesus lhes ensinasse como orar e foram atendidos.


O resultado desse ensinamento, transcrito no começo deste post, é a oração que ficou famosa como "Pai Nosso", por causa das palavras usadas no seu início.

Agora, é importante entender que o ensinamento de Jesus não está nas palavras exatas que Ele usou. Jesus não deu para os discípulos uma fórmula pronta que eles deveriam repetir exatamente para obterem a atenção de Deus. As palavras usadas no Pai Nosso não são mágicas.

Sei que é comum nas igrejas cristãs as pessoas repetirem em conjunto o Pai Nosso, mas isso é feito porque se trata de oração conhecida por todo mundo o que facilita seu uso comunitário. Só por isso.

O verdadeiro ensinamento de Jesus está no significado das palavras que usou. Por isso vale a pena estudar o Pai Nosso para aprender de fato como orar e passar a fazer isso com as próprias palavras.

A oração do Pai Nosso está dividida em quatro partes: 1) contacto (chamado); 2) adoração; 3) apresentação dos pedidos; e 4) finalização. Vamos ver o significado de cada uma delas em separado.

Jesus começou estabelecendo contacto com Deus e isso faz sentido: se a pessoa vai conversar com alguém, começa pedindo a atenção do(a) interlocutor(a).

É claro que Deus é diferente de qualquer outro(a) interlocutor(a), afinal está sempre atento a tudo. Logo, é preciso pedir a atenção d´Ele. Por que então Jesus ensinou a fazer isso? Simples, esse passo é para a própria pessoa que vai orar - ao chamar Deus, ela dá início a um processo.

Jesus ensinou a chamar Deus de Pai e isso era coisa impensável naquela época. Os judeus sempre tomavam grande cuidado para não tomar o nome de Deus em vão, evitando violar um dos Dez Mandamentos. Por isso causou espanto quando Jesus se dirigiu a Deus como nosso Pai.

É claro que Jesus é o Filho de Deus e, portanto, faz todo sentido chamá-lo de Pai. Mas como Jesus estava ensinando seus discípulos a orar, estava falando para que eles fizessem o mesmo, o que não tinha precedente na cultura da época. 

Jesus fez isso porque Deus também é Pai de todos(as) aqueles(as) que vierem a aceitar Jesus como Salvador, conforme a Bíblia ensina (Efésios capítulo 1, versículo 5). 

O passo seguinte da oração, segundo Jesus ensinou, é adorar a Deus - reconhecer que se está falando com um Ser muito especial. Não um Pai comum, mas Aquele que "está no céu". 

As palavras que Jesus usou para adorar - "santificado seja seu nome" - eram comuns naqueles dias. Os judeus as repetiam diariamente nas suas orações tradicionais. Hoje, a pessoa pode usar suas próprias palavras de adoração, conforme consiga visualizar Deus.

A terceira parte da oração é aquela que as pessoas mais gostam: os pedidos. Normalmente, as orações hoje em dia são quase só compostas de pedidos - preste atenção e você vai perceber isso com facilidade. E isso está errado.

Não porque seja ruim pedir coisas a Deus e sim porque o diálogo com Ele não pode se limitar a isso. E Jesus tratou indiretamente dessa questão pelos tipos de pedidos que fez.

O primeiro deles foi a vinda do Reino de Deus sobre nós, garantindo que seja feita aqui a vontade d´Ele, assim como já é feita no céu. E isso tem tudo a ver com a pregação do próprio Jesus, pois Ele falou muito sobre a vinda do Reino de Deus e o significado disso para nós, quase sempre usando parábolas que começavam assim: "o Reino de Deus é semelhante a..." 

A chegada do Reino de Deus significa essencialmente que a vontade d´Ele passa a ser feita também aqui na terra. E quando isso acontece, tudo muda: o pecado é evitado, bençãos são derramadas, etc. E isso faz toda a diferença.

Jesus ensinou que a coisa mais importante, o primeiro lugar da lista de prioridades, deve ser a presença do Reino de Deus, porque tudo o mais que a pessoa vier a precisar, ser-lhe-á acrescentado (Mateus capítulo 6, versículos 31 a 34). 

Depois, Jesus ensinou a pedir pelo "pão de cada dia". Isso significa pedir para Deus preencher as necessidades materiais diárias. Nem mais e nem menos. 

E isso tem paralelo com o relato do Êxodo (capítulo 16), quando os israelitas andavam pelo deserto do Sinai, liderados por Moisés, depois de sair da escravidão do Egito. O povo não podia produzir seu próprio alimento, então Deus mandou o maná. Mas as pessoas somente podiam colher a cada dia o necessário para sobreviver por 24 horas (exceto na véspera do sábado, quando podiam colher para dois dias). Se colhiam mais, tentando fazer estoque de segurança, o maná apodrecia. 

O ensinamento que vem daí é a necessidade de aprender a depender de Deus. A viver pela fé. Pedir aquilo que se precisa, à medida que a necessidade se apresenta. 

Sei que isso não é fácil, pois todos(as) gostamos ter garantias - e eu não sou diferente de você nesse aspecto. Essa é uma das coisas mais difíceis de viver no cristianismo.

O pedido seguinte é para Deus perdoar a pessoa na medida em que ela tiver perdoado as outras. Jesus ensinou aqui que a predisposição para o perdão é condição indispensável para ser perdoado(a) por Deus.

Você quer perdão de Deus? Então, aprenda a perdoar seu próximo. E na mesma medida em que conseguir perdoar, também será perdoado(a). Simples assim.

O quarto pedido é para não cair em tentação. Para que a pessoa tenha fé suficiente para evitar as ciladas que Satanás vier a colocar no seu caminho.

Não há como evitar as tentações - até Jesus foi testado por elas -, mas Deus pode dar forças à pessoa para resistir e se manter no caminho certo. Essa é a lógica do quarto pedido. 

Acabamos de falar das tentações, ou seja do mal que poderá vir a se realizar, o mal futuro. O quinto pedido - "livra-nos do mal" - fala do pecado, o mal já instalado na vida da pessoa. E pede livramento dele.

O Espírito Santo tem papel fundamental na luta contra o pecado já instalado na pessoa. É necessária mudança, de valores e de hábitos, para conseguir deixar aquilo que não serve para trás e limpar a própria vida. Sem o apoio do Espírito Santo tal tarefa é impossível, pois a pessoa sozinha não terá forças suficientes. Daí fazer sentido pedir a Deus livramento do mal.

Nenhum dos pedidos tem a ver com facilidades, conforto, vida boa, etc, exatamente aquilo que costuma preencher nossas falas com Deus hoje em dia. Repare que nem a saúde foi mencionada. As prioridades que Jesus ensinou foram outras bem diferentes.

Isso não quer dizer que a pessoa não possa pedir aquilo que seu coração deseja. Pode pedir aquilo que desejar e Deus vai atender de acordo com a vontade d´Ele. Mas o ensinamento de Jesus significa apenas que as prioridades de Deus para a vida da pessoa costumam ser bem diferentes da vontade dela própria.

A oração passa então para a parte final, onde Jesus ensinou a reconhecer que o Reino, o poder e a glória são todos de Deus e somente d´Ele. A expressão usada foi tirada de uma oração de Davi (1 Crônicas capítulo 29, versículo 11) e, portanto, já bem conhecida dos judeus daquela época. 

Reconhecer que tudo é de Deus e todas as bençãos vem d´Ele, é passo fundamental para a pessoa manter a humildade e ser sempre grata.

Com carinho