quarta-feira, 15 de novembro de 2017

POR QUE AS PESSOAS SAEM DA IGREJA?

Já vi muitas pessoas afirmarem que não gostam de ir à igreja. Não conseguem se encontrar em nenhuma das comunidades cristãs que já conheceram.

Até tentaram, testando locais que seguem diferentes orientações ideológicas (mais rígidas ou mais liberais, mais tradicionais na visão dos dons do Espírito Santo ou mais carismáticas), formas diversas de ser e praticar a fé cristã, etc, mas não se sentiram em casa em lugar nenhum. 

Em muitos desses casos, o problema real está nas próprias pessoas - na sua falta de compromisso com o Evangelho de Cristo. Falo sobre isso em diversas postagens aqui no site (por exemplo, aqui e aqui). 

Mas, conheço muitos casos de pessoas feridas pelas comunidades cristãs que frequentaram ou que não conseguiram efetivamente se encontrar em nenhum lugar. Nesta postagem, portanto, vou falar do "outro lado da moeda": os problemas que afastam as pessoas das igrejas cristãs.

Muitas delas simplesmente não conseguem cumprir sua missão adequadamente, pois não dão às pessoas o que elas de fato precisam para exercer bem sua fé cristã. Vamos ver alguns dos problemas que são comuns por aí: 

A geração de ansiedade
Hoje em dia ficou difícil viajar de avião para o exterior, principalmente para os Estados Unidos. Os incômodos tornaram-se enormes, por causa das regras de segurança impostas aos passageiros nos aeroportos. 

Viajar para o exterior de avião - uma coisa que deveria ser boa - virou motivo de ansiedade. E há aí um ponto de semelhança com algumas igrejas.

Elas também geram ansiedade nas pessoas que as frequentam e fazem isso por duas razões. Primeiro, porque estabelecem um monte de regras de conduta e acusam de pecadoras todas as pessoas que não as seguem - há pastores/as que ameaçam as pessoas com o inferno com a maior facilidade.

Pior ainda, é frequente existir nas igrejas pessoas que se auto-elegem "vigilantes da moral e dos bons costumes" e ficam permanentemente fiscalizando as outras. E não é fácil enfrentar essas pessoas acusadoras, especialmente se surge algum problema.

Era exatamente assim que agiam os fariseus no tempo de Jesus: eles transformaram a religião judaica numa coisa legalista, tornando pecado até curar um doente no sábado. E os fariseus ficavam vigiando todo mundo à sua volta, apontando o dedo acusador para quem entendiam estar em pecado. 

Jesus travou uma longa batalha de ideias contra os fariseus, mostrando que essa religião estava alienando as pessoas, afastando-as de Deus e, de certa forma, incentivando-as a serem hipócritas. E é exatamente isso que se deve dizer a respeito das igrejas cristãs que se tornam legalistas e fiscalizadoras da vida dos frequentadores/as.

O tratamento de "rebanho"
Outra questão que torna os aeroportos tão desagradáveis hoje em dia é que as pessoas são tratadas ali como um "rebanho", tangido daqui para ali. Todo mundo tem que passar pelos mesmos controles, esperar nos mesmos lugares e entrar na mesma hora, com exceção de alguns pequenos privilégios para gestantes, crianças e idosos. 

Seres humanos não gostam de ser tratados assim. Elas preferem ver suas individualidades e necessidades específicas levadas em conta. 

Infelizmente, a maioria das igrejas atua da mesma forma que os aeroportos: tudo nelas é pré-estabelecido e rígido, até os momentos de oração. Existe uma programação para ser cumprida e todo mundo precisa segui-la, não importa suas necessidades individuais.

Já conversei com lideranças de diferentes igrejas sobre essa questão e sempre ouvi que não é possível fazer as coisas de forma diferente, pois os recursos são limitados. Mas preste atenção: Há um tipo de organização que consegue individualizar o tratamento dado às pessoas, mesmo com recursos limitados. Refiro-me aos hospitais. 

Não faria sentido uma médica aparecer na emergência de um hospital particular e dizer para todos/as os/as pacientes esperando por atendimento ali: "Dentro de meia hora vamos começar a dar a mesma medicação para todo mundo". Ninguém aceitaria porque o atendimento hospitalar, por definição, precisa ser individualizado. 

Por que, então, aceitamos tratamento impessoal nas igrejas? Afinal, todo domingo, há em qualquer comunidade cristã algumas pessoas "doentes" espiritual e/ou emocionalmente, que precisam de atenção individual e não conseguem receber.

E a forma de resolver essa questão não é tão difícil como parece. Começa por decidir que o atendimento personalizado é uma prioridade e as atividades devem ser organizadas com esse objetivo em mente. Pode existir um "pronto socorro" espiritual para atender emergências e devem ser treinadas lideranças leigas para auxiliar os/as pastores/as, seguindo o exemplo de Jesus, que preparou diversos discípulos. E há várias outras providencias nessa mesma linha.

A exigência de adesão completa
Outro problema muito comum é a exigência de que as pessoas adotem integralmente o "pacote" doutrinário pregado pela denominação à qual pertencem, sob pena de serem rejeitadas.

Um tipo de organização que também lida com a questão da fidelidade às ideias é o partido político - se você se filia num deles é porque, em princípio, acredita e apoia as ideias defendidas ali. 

Agora, mesmo nos partidos políticos, o que é cobrado na prática não é a adesão total às ideias e sim a fidelidade às decisões partidárias. Por exemplo, se houver orientação partidária para os/as deputados/as da bancada na Câmara Federal votarem de determinada forma, todos/as precisam seguir essa determinação. 

Mas, repare, é preservado o direito desses/as deputados/as de discordar e lutar pelos seus pontos de vista dentro do partido, durante o debate político que precede cada votação.
E porque as igrejas não podem agir de forma semelhante, preservando algum espaço para ideias divergentes? Por que uns poucos "luminares" podem decidir por todas as demais pessoas e quem discordar torna-se rebelde e/ou pecador/a?

Certa vez uma denominação evangélica perdeu seu líder e fundador. E assumiu seu lugar o filho do líder morto, o que já não me parece uma coisa boa. Mas, deixando isso de lado, o novo líder decidiu, seguindo sua própria convicção teológica, que a denominação não podia mais ter pastoras ordenadas. E isso gerou um enorme problema para várias mulheres que vinham servindo a Deus naquela denominação.

Evidentemente precisa haver uma disciplina doutrinária dentro das igrejas, pois se cada pessoa praticar livremente o que lhe der na mente, vira bagunça. Mas é preciso haver espaço para discutir ideias e para acomodar pessoas que pensem de forma um pouco diferente. 

O desvio do foco
Uma lâmpada gera tanto calor quanto luz. O calor é indesejado, mas acaba aparecendo no processo de gerar a luz. As lâmpadas mais eficientes (p. ex. as frias) são aquelas que transformam a maior parte da energia elétrica em luz, minimizando o calor.

Há organizações que são pouco eficientes, pois geram mais "calor" do que "luz". Um bom exemplo é, de forma geral, o serviço público no Brasil - uma parte importante dos recursos se perde na ineficiência da máquina por falta de treinamento das pessoas, infraestrutura inadequada, desinteresse, corrupção, etc. Gasta-se muito dinheiro para se obter resultado final pouco expressivo.

Existem igrejas que também são assim: Tornam-se ineficientes por causa da sua estrutura complexa, burocracia excessiva, concentração de poder, etc. Acabam desperdiçando seu "capital espiritual". 

Um exemplo clássico é a igreja católica, com a enorme burocracia e os problemas de comportamento da Cúria Romana, instalada no Vaticano. Mas há diversas denominações evangélicas que sofrem do mesmo mal, no afã de ter controle de tudo e fazer tudo certinho e acabam produzindo pouco resultado em termos de vida salvas, no atendimento de pessoas necessitadas, etc.

Nunca podemos esquecer que Jesus conseguiu resultados fantásticos usando estrutura muito simples (um punhado de discípulos/as). O mesmo aconteceu com o apóstolo Paulo.
 
Palavras finais
Igrejas acolhedoras e produtivas não podem gerar ansiedade, precisam tratar adequadamente a individualidade dos/as frequentadores/as, não podem exigir adesão ideológica completa à sua visão teológica, porque seria a única forma de ir para o céu e muito menos gastar boa parte dos seus recursos e tempo em questões burocráticas e internas. 

Se sua igreja sofre de um ou mais desses problemas, você precisa olhar com atenção se está frequentando o lugar certo. Se você ainda não tem igreja, e procura uma, preste atenção nesses sinais, antes de escolher. E nunca desanime de procurar, pois certamente há comunidades que conseguem lidar bem com a maioria dessas questões, tornando-se fonte de luz para o mundo.

Com carinho

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O TRIÂNGULO DA LIBERDADE

A ideia da liberdade está sob ataque no Brasil. Vivemos tempos difíceis - corrupção generalizada, grande violência, injustiça social muito presente, desgaste dos valores familiares e outras coisas assim -, quadro que vem gerando profundo "mal-estar" na sociedade. Hoje ninguém parece estar satisfeito. 

E estão começando a aparecer "salvadores/as da pátria", líderes que garantem ter soluções rápidas e fáceis para todos os problemas brasileiros. Mas as ideias apresentadas ferem de morte a democracia e a noção de liberdade - ideias como intervenção militar, grande repressão policial, censura, maciça intervenção do governo nas atividades da sociedade e por aí vai.

Ora, liberdade individual e democracia são muito importantes, essenciais para a vida e esses direitos foram a duras penas no Brasil, depois de cerca de 20 anos de ditadura. E posso garantir que não é nada bom viver numa ditadura - sou testemunha disso.

O que fazer então? É preciso entender onde está o problema, senão vamos ficar atirando em todas as direções, sem nunca acertar o alvo. E o ponto de partida é analisar o que sustenta a ideia da liberdade. 

O autor cristão Os Guiness criou o conceito do "triângulo da liberdade" que ajuda muito nessa reflexão. Cada vértice desse "triângulo" trata de um conceito diferente e os três conceitos se apoiam mutuamente. 

O primeiro vértice é justamente a liberdade individual: Direito de crer livremente no que se desejar, de ir e vir como se quiser e agir segundo a própria vontade, naturalmente respeitando o direito das outras pessoas. Vamos aos outros vértices.

Liberdade requer virtude
O segundo vértice do triângulo é a virtude, ou seja, a ideia que as pessoas precisam ter princípios morais governando suas vidas. São esses princípios que caracterizam "quem você é quando ninguém está olhando" (veja mais). 

Ora, só é possível uma sociedade administrar bem a ideia de liberdade individual quando as pessoas tem virtude, ou seja, seguem padrões morais adequados. Só aí elas irão se comportar da forma correta mesmo quando não forem obrigadas a isso. 

Liberdade individual sem virtude (princípios morais) gera bagunça, desrespeito, a ideia de cada um por si.
 
Virtude requer fé
A virtude requer um processo para estabelecer os princípios morais, ensiná-los às pessoas e cobrar delas o compromisso de se submeter ao que tiver sido estabelecido. E é preciso ter fé (confiança) na integridade de todo esse processo. 

Portanto, a fé é o terceiro vértice do triângulo e, sem ela, a virtude nunca prospera.

Fé requer liberdade
Fechando o ciclo, precisamos lembrar que a fé requer liberdade de escolha e crença. E é preciso que a sociedade reconheça tal direito. 

É claro que, havendo tal tipo de liberdade, irão florescer crenças absurdas e estranhas, inclusive aquelas que promovem o mal, mas esse é o preço a pagar. 

O que está acontecendo com o Brasil
Resumindo, o "triângulo da liberdade" começa na liberdade. O segundo vértice é a virtude (a aceitação e o cumprimento de regras morais), sem o que a sociedade caminha para o caos. E para aceitar o processo que estabelece e faz cumprir esses princípios morais é preciso fé. Fechando o triângulo, sabemos que a fé só pode florescer num meio onde haja liberdade.

E onde o Brasil está falhando? Por que esse esse "triângulo está se rompendo entre nós? Acho que a resposta é evidente: O problema nasce na falta virtude, isto é na presença de princípios morais adequados. 

A sociedade brasileira é caracterizada pela ambiguidade no aspecto moral. Somos adeptos do "jeitinho", da ideia que é sempre bom levar vantagem em tudo e de outras pequenas espertezas. Os princípios morais no Brasil são frágeis e muita gente pensa ser possível viver assim. 

E o Brasil fez, em 1988, uma Constituição bastante liberal, garantindo a liberdade. Mas nada foi feito quanto à virtude, quanto à falta de princípios morias. O resultado é aquele que estamos vendo. 

Sentido na pele os efeitos dessa situação meio caótica, os/as brasileiros/as começaram a perder a fé no processo como um todo e aí passaram a aparecer as ideias de acabar com a liberdade, que parece ser a causa de tudo. Essa é a origem das ideias de um governo forte, de restringir a liberdade individuais, de aumentar a repressão, etc. 

Mas a raiz de todo o problema é a falta de virtude., de princípios morais adequados presentes e governando a vida das pessoas. E os/as cristãos/ãs têm papel muito importante nessa missão. 

Sabemos que os princípios morais nos quais acreditamos, dados por Deus, são os melhores. Portanto, temos total confiança neles. E precisamos passar isso para sociedade. Primeiro, dando o exemplo daquilo que pregamos e depois ensinando e mostrando que essa é a única saída. 

Enquanto isso não for alcançado, o "triângulo da liberdade" continuará instável e o Brasil sempre estará correndo o risco de aventuras políticas.

Com carinho

sábado, 11 de novembro de 2017

COMO DAR CONSOLO

Vez por outra, encontramos alguém que precisa de consolo. Uma pessoa que passa por grande sofrimento por ter perdido um ente querido. 

Queremos consolar a pessoa na sua dor, mas temos dúvida sobre o que devemos dizer. E também sobre o que não devemos falar.

Neste vídeo eu faço uma reflexão sobre o tema de "como dar consolo" e uso o exemplo de Jó, quando foi consolado pelos seus amigos - veja aqui

Outros vídeos meus aqui no site:
Um convite para você trabalhar na obra de Deus - veja aqui
Como lidar com os pesadelos que a vida nos trás - veja aqui

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A BíBLIA SEMPRE DEFENDEU OS DIREITOS HUMANOS

Revelação é aquilo que Deus conta sobre Ele mesmo e sobre seus planos para a humanidade. Sem essa revelação, há uma série de coisas que nunca saberíamos, como por exemplo que Jesus é o nosso Salvador (ver mais). 

Agora, Deus revelou um monte de coisas de maneira progressiva, para levar em conta a capacidade dos seres humanos de absorverem o que estava sendo transmitido. 

É exatamente assim que agimos com as crianças - elas vão adquirindo conhecimento sobre as coisas passo a passo, de forma que o conhecimento já adquirido serve de base para o que elas vão aprender mais adiante. Por exemplo, antes de estudar álgebra, as crianças aprendem aritmética. 

Essa abordagem progressiva da revelação de Deus fica muito clara na questão do tratamento que devemos dar ao nosso próximo. O início do relato bíblico – onde se fala de Abraão e seus descendentes - fala de um povo que nômade (pastores de cabras e ovelhas), com nível cultural muito baixo. 

A sociedade, naquela época, era organizada em tribos baseadas em laços de sangue. E era preciso que cada tribo conquistasse o respeito das demais, pois era essa reputação que protegia seus membros quando estavam numa condição vulnerável (por exemplo, ao serem encontrados sozinhos). Afinal, tribos menores nunca queriam provocar a ira de uma tribo mais poderosa, com medo da retaliação que certamente viria. 

Num ambiente assim, vingar qualquer ofensa de forma feroz era uma questão de manter o respeito e, portanto, de sobrevivência. E a regra seguida era preciso exercer vingança no mais alto grau possível, retribuindo qualquer ofensa (agressão, roubo, estupro, etc) em grau muito maior. 

Foi exatamente isso que fizeram Simeão e Levi, filhos de Jacó, quando um rapaz, Siquem, foi acusado de violentar a irmã deles, Diná. Em represália, e usando de um engodo, os irmãos mataram todos os homens da cidade natal daquele rapaz (Gênesis, capítulo 34).

Cerca de 400 a 600 anos depois desse fato, Moisés apresentou a lei de Deus para o povo de Israel (descendente de Jacó). Nela estava incluída a orientação para que a vingança fosse proporcional à ofensa cometida – daí vem o ditado “olho por olho e dente por dente”. 

Ora, isso já era um grande avanço, pois a retribuição passou a ser limitada, proporcional à ofensa cometida, o que era muito mais justo do que a ideia de causar o máximo de mal possível a quem cometeu alguma ofensa.

Jesus viveu cerca de 1.500 a 1.300 anos depois de Moisés, numa época em que o mundo era muito mais civilizado e estava sob domínio do Império Romano. O Império Romano seguia determinadas leis, que embora injustas aos nossos olhos modernos, já eram grande avanço sobre o que tinha vigorado até então. 

Nesse ambiente mais desenvolvido, Jesus enfatizou novas regras sobre como tratar o próximo: Amá-lo como a si mesmo/a e retribuir o mal com o bem. 

Esse era um passo revolucionário, pois Jesus ensinou que somente o amor constrói de forma permanente. E tanto esse ensinamento é verdadeiro que o Império Romano desapareceu cerca de 1.500 anos atrás e o cristianismo está aí até hoje.

Jesus com o ensinamento baseado no amor também mostrou que o perdão é necessário para se viver em sociedade. Afinal, se levarmos a ferro e fogo a ideia do “olho por olho, dente por dente”, a longo prazo todos acabarão cegos e/ou banguelas. O perdão é uma necessidade fundamental e sem ele vida vira uma escalada de vinganças. 

Foi com base nesses e em outros ensinamentos que as sociedades, onde o cristianismo se firmou como a religião preponderante, desenvolveram o conceito dos "direitos humanos" e as pessoas aprenderam a se importar e ajudar os necessitados. 

Antes do cristianismo, não se pensava em tais direitos e as pessoas mais fracas – crianças indesejadas, velhos, doentes e viúvas – eram largadas à própria sorte. 

Portanto, é fácil de perceber que Deus jamais poderia ter ordenado o amor ao próximo na época de Abraão, marcada pela luta sem tréguas entre as tribos, pois a tribo que adotasse esse ensinamento teria sido dizimada. Ou mesmo na época do reino de Israel, sempre sujeito a invasões de vizinhos poderosos.

Deus agiu em dois passos. Primeiro, a partir da época de Moisés, tornando a retribuição justa, proporcional à ofensa cometida. A sociedade já não era nômade e a organização em cidades já começava a acontecer. Num segundo momento, veio o passo final, ordenado por Jesus, quando a sociedade estava sob a lei do Império Romano. 

Portanto, é injusta a crítica de alguns pensadores /as, que tentam analisar os ensinamentos de Deus à luz dos costumes atuais e aí falam que Ele é violento e bárbaro, por exemplo por ter orientado o povo de Israel a conduzir guerras de extermínio, num mundo onde a prática vigente era “matar ou ser morto”. 

Analisar fatos de uma época muito anterior, com base nas práticas atuais, é um erro chamado anacronismo, coisa muito frequente entre historiadores/as e pensadores/as. 

Outro exemplo de anacronismo é taxar Deus de perverso porque a Bíblia não abriu guerra contra a escravidão, prática absolutamente comum na antiguidade. O caminho adotado pela Bíblia foi bem outro: Cobrar dos donos de escravos que tratassem seus servos com humanidade. E tanto é assim que, em Israel, muita gente preferia continuar como servo do que ganhar a liberdade.

A escravidão em israel nada tinha a ver com aquela, por exemplo, que foi praticada no Brasil. Não havia nada parecido com o tráfego negreiro que infelicitou milhões de pessoas. Era coisa bem diferente.

Na verdade, os ensinamentos bíblicos sempre estiveram na vanguarda dos direitos humanos, coibindo excessos, cuidando dos mais fracos, dando atenção aos direitos das mulheres (numa sociedade francamente machista), etc. 

E tanto isso é verdade que os/as primeiros/as cristãos/ãs foram justamente as pessoas menos favorecidas da sociedade na época de Jesus. Essas pessoas sentiram na própria pele como a doutrina encaminhada por Jesus era boa para os/as mais fracos/as. Por isso, escravos/as, mulheres, pobres e oprimidos/as atenderam em massa ao chamado do Evangelho. E essa é a melhor prova de tudo que acabei de falar. 

Com carinho

domingo, 5 de novembro de 2017

NÂO TROQUE DEUS POR ÍDOLOS HUMANOS

Por que as pessoas costumam sentir tanta atração por celebridades (políticos, artistas famosos/as, esportistas vencedores/as, etc)? E por que essas celebridades acabam se tornando modelos de vida para as pessoas, que procuram imitar a forma como elas se vestem, falam e se comportam? 

Penso que há duas razões para isso. A primeira delas é que as celebridades parecem ser quase perfeitas naquilo que são e/ou fazem (no esporte que praticam, na sua forma de cantar ou de representar, na sua beleza física ou na sua inteligência). E as pessoas comuns anseiam por alcançar a perfeição. 

Como não conseguem atingir essa perfeição nas suas próprias vidas, ou seja, não vivem a perfeição diretamente, acabam tentando vivê-la de forma indireta, através das vidas das celebridades que idolatram. 

A segunda razão para as pessoas serem tão atraídas pelas celebridades é que essas os/as famosos/as parecem ter total controle sobre suas próprias vidas. Parecem ter tudo aquilo que desejam materialmente, são amadas, recebidas bem em qualquer lugar, etc. 

Assim, para os/as fãs, que muitas vezes mal conseguem pagar as contas no final do mês e vivem vidas sem muito atrativo, a vida das celebridades torna-se irresistível. 

E essa atração algumas vezes chega a virar uma forma de religião e até causa histeria entre os/as fãs- a foto que ilustra esta postagem é clássica e mostra a polícia inglesa contendo, com muita dificuldade, as adolescentes que queriam tocar nos cantores da banda "The Beatles", em meados da década de 60 do século passado. Prestem atenção no rosto dessas adolescentes.

É interessante perceber que as celebridades incentivam essa "idolatria" por parte dos/as fãs. Gostam de se sentir "deuses/as". Por exemplo, Pelé se disse um predestinado por Deus para ser o maior jogador de futebol da história, John Lennon declarou que os Beatles eram mais conhecidos do que Jesus Cristo e a cantora Madonna se comparou à Virgem Maria (veja a música "Like a Virgin"). 

Muitos fã-clubes de celebridades se parecem com seitas: Objetos usados pelos ídolos (roupas, sapatos, etc) são guardados como relíquias pelos/as fãs e conseguir tocar no ídolo pode levar fãs ao êxtase. Tornou-se muito comum que fãs extremados/as tatuem no próprio corpo o nome ou a imagem do ídolo adorado. 

O que as pessoas ditas comuns não percebem é que aquilo que as atrai nas celebridades - o anseio pela perfeição e pela liberdade ampla de escolha - são vontades que Deus colocou em nós, quando nos criou. 

Mas Ele fez isso para que as pessoas viessem a satisfazer esses enseios na relação com o próprio Deus, pois só Ele é perfeito e pode ter ou fazer tudo o que quiser. 

É por isso que não podemos ser completamente felizes, não importa o que sejamos ou tenhamos na vida, se não estamos em comunhão com Deus. Somente n´Ele podemos nos sentir plenos/as e saciados/as naquilo que desejamos. 

Diversas celebridades aprenderam essa lição da forma a mais dura, pois tinham tudo e não se sentiam felizes. Apelaram para drogas, sexo desenfreado ou consumo sem limites, para preencher o vazio das suas próprias vidas, sem qualquer resultado. E algumas celebridades chegam até ao suicídio.

A morte da cantora inglesa Amy Withehouse, aos 27 anos de idade apenas, é um dos muitos exemplos trágicos dessa verdade. Outros exemplos conhecidos são Marylin Monroe, Whitney Houston, Elvis Presley e Ellis Regina. 

Gostar de um artista ou de um esportista de sucesso é natural. Eu me emocionei quando vi Pelé fazer o milésimo gol no estádio do Maracanã. Senti a morte de Tancredo Neves como se fosse de alguém da família e tenho uma série de memórias importantes, que ajudam a explicar quem eu sou criadas em cima de artistas talentosos. Ellis Regina trazendo esperanças, em plena ditadura militar, através do show “Falso Brilhante”, os Beatles cantando meus amores da adolescência, o protesto de Chico Buarque na letra da música "Construção" e Tom Jobim falando das "águas de março fechando o verão” no Rio de Janeiro. 

Celebridades podem fazer parte de nossas vidas, assim como amigos queridos, virando referências nas nossas vidas, memórias essas que sempre vão nos acompanhar. Mas idolatrar seres humanos, mesmo aqueles de grande sucesso e fama, é coisa bem diferente.

Quando as pessoas comuns idolatram celebridades, duas coisas muito ruins acontecem. Em primeiro lugar, elas pecam pois violam o mandamento e não termos outros deuses na diante do nosso Deus. E isso é muito sério.

A segunda coisa ruim é que ídolo humanos sempre acabam por gerar decepção. Eles/as envelhecem, perdem a beleza, deixam de ser quase perfeitos nas coisas que faziam (por exemplo, não conseguem mais praticar o esporte que os/as fez famosos/as ou perdem a voz para cantar lindas canções). 

Também costumam se comportar mal, pois afinal são seres humanos - por exemplo, o Pelé rejeitou a própria filha (reconhecida depois em exame de paternidade), diversos políticos queridos foram pegos em grandes atos de corrupção, artistas famosos/as, dirigindo embriagados/as feriram ou até mataram pessoas. E assim por diante. 

E quando a decepção chega, os/as fãs costumam se voltar contra seus próprios ídolos e os destroem, sem dó nem piedade. Um exemplo que me vem à mente é a ascensão e queda do cantor Wilson Simonal, que morreu cedo, de cirrose, sem nunca entender por que perdeu a fama. Ele chegou a reger um coro de 40 mil vozes no Maracanãzinho, no final de um festival da canção da Rede Globo (eu estava lá e posso confirmar que foi uma apoteose), mas no final da vida não conseguia nem cantar numa churrascaria sem ser vaiado.

Concluindo, nunca troque Deus por qualquer ídolo humano, seja ele/a quem for. Deus precisa sempre vir em primeiro lugar na sua vida.

Com carinho

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

PESSOAS MUITO BOAS PODEM IR PARA O INFERNO?

Uma pessoa verdadeiramente boa - não rouba, não mata e cumpre corretamente suas obrigações com a família, trabalho, etc - pode ir para o inferno? 

A maioria das pessoas, incluindo muitos/as cristãos/ãs, pensa que não. Pessoas boas sempre acabam por ganhar o céu. Para quem pensa assim, a vida eterna seria sempre alcançada com base no mérito que a pessoa vier a acumular ao longo da sua vida. 

Infelizmente, essa percepção leva muita gente a se acomodar e achar que já é boa o suficiente, o que é um erro terrível.

A via da Lei 
Acumular mérito suficiente para alcançar a vida eterna pelos próprios esforços, é chamada a "via da Lei". Bastaria a pessoa cumprir os mandamentos que estaria tudo bem. 

Vamos ver se a "via da Lei" funciona para alguém. Jesus disse que para alcançar a vida eterna seria necessário cumprir dois mandamentos que parecem simples: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo (veja mais).

A primeira Lei - amar a Deus sobre todas as coisas - significa que nada deve ter maior importância na vida da pessoa que o próprio Deus: Nem família, nem trabalho, nem amigos, nem o próprio conforto, nem a própria saúde, nem o lazer, nada enfim. Deus precisa vir antes de tudo. 

Por isso, no limite, se o Espírito Santo chamar, a pessoa deveria largar tudo para fazer a obra de Deus, como os apóstolos fizeram. 

Parece difícil? E é difícil mesmo. Agora, examine as pessoas que você conhece, incluindo você mesmo/a, e veja se conhece alguém assim. Provavelmente, não.

Vamos passar, então, para a segunda Lei: Amar ao próximo como a si mesmo. Alguém que ama o próximo dessa forma não conseguiria dormir numa cama quente sabendo que existem pessoas ao relento. Não conseguiria comer uma boa refeição, num restaurante, sabendo que há crianças passando fome no mesmo momento. E por aí vai. 

Parece difícil? E é mesmo. Agora, olhe de novo para quem você conhece, incluindo você mesmo/a e veja se conhece alguém assim. Provavelmente não.

E acredito que não exista alguém que cumpra essas duas leis completamente. Simples assim. 

Portanto, ninguém preenche os requisitos que Jesus estabeleceu. Na verdade, muitas pessoas são consideradas muito boas quando comparadas com outras pessoas, que fazem ainda menos. 

Agora, os padrões que Deus usa para considerar alguém bom/boa são muito mais exigentes. Inalcançáveis.

Ninguém, incluindo você mesmo/a, consegue acumular mérito próprio para conquistar a vida eterna sozinho. 

E há ainda outro problema para quem tenta seguir a "via da Lei": Quanto mérito seria preciso acumular para ter segurança quanto à vida eterna? Quando a pessoa poderia ter confiança de já ter feito o suficiente? Ninguém consegue saber. Logo, a "via da Lei" nunca pode dar segurança a quem quer que seja. 

A "via da Lei" não serve e, se não houvesse outro caminho, seria o caso de sentar no meio fio e chorar de desespero.

A via da Graça 
Deus já sabia disso, aí Ele mesmo providenciou uma alternativa à "via da Lei": ela é conhecida como a "via da Graça". Funciona assim:

Deus mandou seu Filho ao mundo para morrer pelos nossos pecados. O sacrifício de um homem inocente - Jesus Cristo - foi o preço pago pelo nosso resgate. E a vida eterna não será alcançada juntando mérito e sim mediante a Graça de Deus, mobilizada pelo sacrifício de Jesus Cristo. 

Agora, essa Graça somente opera na vida da pessoa que atende três requisitos. Primeiro, reconhece que não vai conseguir alcançar a vida eterna pelos seus próprios méritos. Em outras palavras, a pessoa precisa reconhecer que carece de salvação. Precisa da Graça de Deus. 

Em segundo lugar, a pessoa precisa acreditar (ter fé) que o veículo da Graça de Deus é o sacrifício de Jesus Cristo, nada menos e nada mais.

E, finalmente, ela precisa confessar essa fé em voz alta, dando testemunho dela.

Feito isso, a Graça passa a operar na vida dessa pessoa e as portas da vida eterna se abrem para ela, enquanto sua fé se mantiver viva (veja mais). 

Concluindo, a resposta para a pergunta que deu início a esse texto é: Todas as pessoas verdadeiramente boas irão para o céu, sem exceção. O problema é que, aos olhos de Deus, ninguém é verdadeiramente bom/boa (Romanos capítulo 3, versículos 10 a 12). Logo, esse caminho não funciona na prática para ninguém. 

Em termos práticos, só nos resta a "via da Graça", mobilizada pela fé em Jesus Cristo (Romanos capítulo 5, versículos 6 a 8).

Com carinho

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

VOCÊ TAMBÉM É REPRESENTANTE DE CRISTO NA TERRA

A sociedade brasileira tem sido muito afetada pela questão da corrupção. Todo dia surgem novos escândalos e denúncias contra pessoas importantes e poderosas, tanto políticos/as como empresários/as.

O povo cristão têm participado ativamente das discussões relacionadas com essas questões, criticando e propondo medidas a serem adotadas.

Agora, há uma reflexão importante que nos cabe fazer: Será que nós, cristãos/ãs, temos dado nossa colaboração para que o Brasil se torne um país menos afetado pela corrupção? Será que no dia-a-dia, nas pequenas coisas da vida, nós agimos lembrando sempre que somos também representantes de Cristo na terra?

É sobre isso que a pastora Carol e a Alícia refletem no seu mais novo vídeo - veja aqui.