terça-feira, 5 de dezembro de 2017

NÃO SE DEIXE DESVIAR DA SABEDORIA DE DEUS

Salomão, filho de Davi, foi um homem afortunado. Além de herdar o trono do pai, mesmo não sendo o filho mais velho, ele recebeu tudo de Deus: sabedoria, riquezas, poder, fama e vida longa. Sem dúvida, Salomão foi extremamente abençoado, mas ainda assim conseguiu se desviar da sabedoria de Deus.

Salomão desviou-se e acabou mal espiritualmente, deixando uma herança pesada para seu filho, que acabou levando à divisão do Reino de Israel.

A vida de Salomão guarda grandes ensinamentos para nós e é exatamente isso que o Rogers discute no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Outros vídeos meus aqui no site


domingo, 3 de dezembro de 2017

A CIÊNCIA DESMENTE A BÍBLIA NA CRIAÇÃO DO MUNDO?

A criação do universo é descrita em diversas passagens da Bíblia, especialmente nos livros do Gênesis e de Jó. O Gênesis, nossa referencia principal, conta que a criação foi feita em seis "dias", sendo que o ser humano foi formado no último "dia" (capítulo 1).

Ora, os estudos científicos demonstram que o universo tem quase 14 bilhões de anos e a Terra cerca de 4 bilhões de anos. O ser humano apareceu sobre a terra cerca de 20 mil anos atrás, o que parece contradizer a Bíblia. 

Os/as cristãos/ãs fundamentalistas dizem que a ciência está errada e há quem chegue a defender a tese absurda que a Terra tem pouco mais do que 10.000 anos de existência (a chamada teoria da "terra jovem"). 

A maior parte do povo cristãos fica no meio dessa "guerra" de declarações, sem saber bem no que e em quem acreditar. Será que a Bíblia é mesmo desmentida pela ciência? Quem tem razão? Como esclarecer essa confusão toda?

As raízes do problema
O povo cristão, de forma geral, acredita que o conteúdo da Bíblia é verdadeiro, por ser ela a Palavra de Deus. Eu também acredito nisso. Até aí tudo bem. 

Mas os/as cristãos/ãs fundamentalistas costumam ir além disso, dando um passo adicional questionável: essas pessoas também acreditam que os relatos contidos na Bíblia sobre a criação do universo descrevem literalmente, portanto, com precisão científica, como as coisas aconteceram.

Ora, se pensarmos com cuidado, esse passo não parece razoável. Deus precisou explicar para um povo ignorante em questões científicas, que viveu cerca de 3.200 anos atrás - época em que o Gênesis foi escrito - como o nosso universo foi criado.

Certamente, a única forma de conseguir fazer isso foi descrever o processo de criação, coisa extremamente complexa, usando símbolos e metáforas. Uma comparação simples permite explicar melhor o que quero dizer com isso. 

Imagine que eu precise explicar um avião a jato para um índio não aculturado. Provavelmente, eu falaria que se trata de um grande "pássaro de fogo" voando pelo céu. E isso não seria uma mentira, embora essa descrição não seja precisa do ponto de vista científico. 

A metáfora do "pássaro de fogo" permite que o índio não aculturado entenda o que estou falando, pois os conceitos "pássaro" e "fogo" são familiares para ele, enquanto a noção de "avião" não é. 

E assim também foi feito na Bíblia. A descrição da criação do universo é cheia de símbolos e metáforas para permitir que um povo sem qualquer noção científica entendesse o que estava sendo explicado. Portanto, é um erro tentar ler a Bíblia como um livro texto de física, pois ela não foi escrita com esse objetivo. 

Uma prova disso é o relato do descanso de Deus ao sétimo dia (Gênesis capítulo 2, versículos de 1 a 3): é claro que Deus não precisou descansar, pois isso não faz sentido para um ser como Ele. 

Esse "descanso" foi a forma encontrada para informar ao povo que Deus decidiu santificar um dia da semana, reservando-o para o descanso das pessoas, evitando que elas se tonassem "máquinas" escravizadas pelo trabalho.

Usando o relato da criação de forma correta
Se a Bíblia for lida da forma correta, você pode ficar tranquilo que ela não contraria a ciência, muito ao contrário. E para comprovar isso, escolhi três perguntas muito comuns, explicando como elas podem ser tranquilamente respondidas, sem contrariar a ciência e respeitando o que a Bíblia diz:

Pergunta 1: O mundo foi criado em 6 dias de 24 horas
É claro que não e nem a Bíblia diz isso. Na verdade, a palavra em hebraico que pode ser traduzida como "dia", também pode ser entendida como "espaço de tempo". Ou seja, os seis dias da criação são, na verdade, seis "espaços de tempo", seis fases de criação, com duração indefinida. 

Logo, não há nada na Bíblia que contrarie o fato do universo ter quase 14 bilhões de anos, pois essas fases pode ter durado um tempo muito longo, umas mais e outras menos. Não há problema aí.

Pergunta 2: A Bíblia comete um erro científico ao descrever que os céus e a terra foram criados juntos?
Gênesis capítulo 1, versículo 1, diz: "no princípio criou Deus os céus e a terra". Sem dúvida, parece estar sendo descrita a criação conjunta do universo (céus) e da Terra. Mas como há uma diferença de tempo muito grande entre o Big Bang (origem do universo) e a criação da Terra - quase dez bilhões de anos - parece haver um erro na descrição bíblica. 

O problema, nesse caso, decorre do fato que o Hebraico antigo (língua usada no Velho Testamento) tem um número reduzido de palavras, bem menor, por exemplo, que o Português. Não há, no hebraico antigo, palavras equivalentes a "cosmos" ou "universo". 

Essa dificuldade era contornada mediante o uso de expressões compostas: p. ex. "os céus e a terra" significava o conjunto de todas as coisas físicas que integram o universo, incluindo a matéria e a energia (radiações). Portanto, o versículo do início do Gênesis se refere apenas ao "Big Bang", ou seja, à explosão do "ovo cósmico" que deu origem a tudo. 

Pergunta 3: Como as plantas, criadas no terceiro "dia", poderiam ter sobrevivido sem o sol, criado no quarto "dia"?
Realmente, o Gênesis descreve que muitas plantas foram criadas no terceiro "dia" (capítulo 1, versículos 9 a 13), enquanto o sol teria sido criado depois (versículos 14 a 19). Ora, isso contraria as leis da biologia, pois as plantas precisam da radiação solar para fazer a fotossíntese.

Mas, se olharmos o texto com cuidado, veremos que, no primeiro "dia" (versículos 2 a 5), a Terra era sem forma e vazia, havendo trevas sobre sua superfície. E essa escuridão podia ser fruto de duas coisas: falta de luz ou impossibilidade dela chegar até a superfície da terra, na faixa do espectro visível ao olho humano. 

Como Deus tinha dito logo no início (versículo 1) "haja luz" e a luz se fez (desde a explosão do "Big Bang"), radiação luminosa, visível ou não, passou a ser emitida por uma série de corpos celestes (p. ex. as estrelas), logo quando são descritas as primeiras plantas (versículos 9 a 13), já havia radiação luminosa. Mas, provavelmente, a radiação luminosa que chegava até a superfície da Terra não era visível. A descrição encontrada no livro de Jó capítulo 38, versículos 4 e 9, confirma essa interpretação: 
Onde estavas tu [Jó] quando eu [Deus] lançava os fundamentos da Terra... quando eu lhe pus as nuvens por vestidura, e a escuridão por fraldas.
Ou seja, o texto de Jó descreve nuvens formando uma barreira tão espessa que não deixavam a luz visível passar - o que não quer dizer, por exemplo, que a chamada luz "ultravioleta" não conseguisse atravessar a camada de nuvens. 

Somente aos poucos a atmosfera foi sendo limpa e a luz visível começou a passar até sua superfície. Aliás, é exatamente esse o relato que a ciência faz da formação da atmosfera terrestre. Portanto, não há nada na descrição bíblica que contrarie a ciência.

Conclusão
A Bíblia também está correta na descrição da criação do universo, desde que a leitura desse texto seja feita entendendo o espírito do relato, baseado no uso de símbolos e metáforas. 

Quando isso é feito, é impressionante a concordância da Bíblia com aquilo que a ciência descobriu, milhares de anos depois.

Com carinho

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

AS PESSOAS QUE AMO VÃO PARA O CÉU?

Perder uma pessoa querida é uma coisa devastadora - sei disso por experiência própria. O sofrimento é grande, mas pode ficar ainda pior quando há dúvida a pessoa que morreu foi mesmo para o céu.

Se você estiver com essa dúvida, esta postagem é para você. Vou tentar esclarecer essa questão em duas etapas. Primeiro, discuto quem será salvo/a, de acordo com o ensinamento da Bíblia. Depois, mostro para você como analisar a situação do seu ente querido.

Quem será salvo/a?
A Bíblia é clara sobre a condição para salvação:
Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Romanos capítulo 10, versículo 9
Repare que há duas coisas incluídas aí: Acreditar (ter fé) que Jesus é o salvador e assumir essa fé abertamente.

Agora, há algumas coisas adicionais a considerar. Primeiro, nem toda a pessoa que se declara cristã entrará de fato no céu, conforme o próprio Jesus alertou (Mateus capítulo 7, versículos 21 a 24). 

E a razão é simples: A fé que salva é viva. Em outras palavras, ela não pode ser uma simples crença que não gera qualquer consequência, pois não transforma a vida da pessoa (Tiago capítulo 2, versículos 14 a 17). A fé precisa gerar resultado (obras).

Depois, nosso julgamento a respeito dessa questão é sempre imperfeito. Nós sempre julgamos as aparências, o exterior das pessoas com quem convivemos, e só Deus conhece o interior delas. 

E um bom exemplo disso é o ladrão, crucificado ao lado de Jesus. Ele aceitou Cristo como seu salvador nos minutos finais da sua vida e recebeu a garantia de ir para o céu (Lucas capítulo 23, versículo 43). Repare, esse homem nada fez de bom - ele mesmo admitiu isso - e ainda assim foi salvo. 

A explicação é que uma fé verdadeira tomou conta dele nos minutos finais da sua vida. Essa fé teria gerado mudanças nele, caso ele tivesse sobrevivido. E Deus sabia disso. 

A forma como a pessoa vive e os resultados que produz são boas pistas sobre a fé de determinada pessoa, mas nossa percepção sempre é limitada e pode falhar. Só Deus vê o quadro completo. Portanto, nunca acredite quando alguém, mesmo que seja pastor/a, afirme que determinada pessoa vai para o inferno, pois ninguém pode ter tal tipo de garantia.

A terceira coisa a considerar é o tamanho da misericórdia de Deus. Ele é muito mais misericordioso do que você ou eu. Por exemplo, eu nunca teria aceito a conversão do ladrão ao lado de Jesus e Deus fez isso. Eu pensaria que aquele homem queria apenas escapar da justa punição, mas Deus viu nele o que eu nunca conseguiria ter visto. 

E como fica a pessoa que amo
Acho que já deu para você perceber que ninguém pode ter certeza quanto à salvação ou não de outra pessoa. Simplesmente porque não temos informação suficiente e nosso julgamento é falho. 

A pessoa pode parecer ser um/a crente verdadeiro/a, mas seus problemas podem estar mascarados pela hipocrisia que engana a todo mundo. Ou a pessoa pode ter sido grande pecadora, mas se converteu no último minuto, como o ladrão ao lado de Jesus. Quem pode garantir uma coisa ou outra? Simplesmente, ninguém.

E nunca deixe de levar em conta a enorme misericórdia de Deus, conforme comentei acima. Onde você ou eu não vemos esperança, Deus pode operar e mudar as coisas.

Concluindo, meu conselho para você é apenas confie em Deus! Exerça sua fé, aceitando que Ele é justo, amoroso e misericordioso. Portanto, Ele fará o melhor e o certo.

A pessoa que você ama está nas melhores mãos possíveis, tenha certeza disso. E descanse em Deus.

Com carinho

sábado, 25 de novembro de 2017

A GRAÇA DE DEUS TODO O TEMPO

A Bíblia começa e termina falando da Graça de Deus e isso não acontece por acaso. E há um grande ensinamento aí para nossas vidas.

Mas o que é a Graça de Deus? Quando uma loja diz que um produto é grátis afirma que o consumidor vai recebê-lo sem pagar nada, sem dar qualquer retribuição. E a palavra grátis tem a mesma raiz da palavra graça, apontando para o mesmo conceito.

A Graça de Deus, portanto, é aquilo que Ele dá para o ser humano sem receber qualquer retribuição. E a manifestação dele é o sacrifício de Jesus na cruz para nos salvar. Afinal, nenhum de nós fez nada para merecer esse presente.

A Graça no princípio
Voltando a presença da Graça de Deus no princípio e no fim da Bíblia, o texto bíblico começa falando da criação do universo (Gênesis capítulo 1, versículo 1):
No princípio criou Deus o céu e a terra.
Ora, Deus não tinha qualquer obrigação de criar o universo e muito menos a vida que nele existe, incluindo nós, seres humanos. Ele fez isso porque entendeu ser bom. Assim, a vida é um presente de Deus, é um produto da sua Graça. E é exatamente sobre isso que a Bíblia começa falando.

A graça no fim
Agora, a Bíblia termina no Apocalipse, livro que relata uma série de visões dadas ao apóstolo João sobre o que acontecerá no final dos tempos (veja mais). E o livro termina, no capítulo 22, versículo 21, da seguinte forma:

A graça do Senhor Jesus seja com todos

O que é lembrado nessa passagem é que Deus é a fonte de todas as bençãos recebidas pelo ser humano. E, como ninguém merece ser abençoado, pois todos/as pecam, quando recebemos algum benefício d´Ele isso se deve à sua Graça. Simples assim.

A Graça todo o tempo
O ensinamento decorrente do fato que acabamos de falar é muito importante: A Graça está presente em toda a história da relação de Deus com seu povo, começando com Israel (no Velho Testamento) e concluindo com o povo cristão (no Novo Testamento).

Tenha certeza que dependemos dela para tudo, começando pela nossa existência, continuando pela proteção que precisamos receber d´Ele contra os desafios das nossas vidas e finalizando na nossa salvação, recebida gratuitamente através do sacrifício de Jesus Cristo. 

A nós, cabe unicamente reconhecermos esse fato e sermos gratos a Deus, para sempre.

Com carinho

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS

Hoje comemoramos o dia mundial de Ação de Graças. Essa é uma tradição que começou nos Estados Unidos e acabou se espalhando por muitos países. No Brasil, apenas as igrejas evangélicas/protestantes comemoram de fato essa data, pois ela não consta da tradição católica. 

Nos Estados Unidos, o "Thanksgiving" é o dia em que a família come junta um farto almoço, onde não pode faltar peru assado, e depois as pessoas ficam na frente da televisão acompanhando as programações especiais. Bebe-se muito e come-se mais ainda. 

E no dia seguinte, o chamado "Black Friday", o comércio faz grandes promoções, dando descontos gigantescos, que atraem multidões às lojas e aos sites da Internet. 

Assim, como acontece no Natal e na Páscoa, a grande questão no dia de Ação de Graças é preservar o significado espiritual da data, quase sempre abafado pelas comemorações e promoções do comércio. 

Esse é um dia dedicado a mostrar gratidão a Deus pelas inúmeras bênçãos que recebemos ao longo do ano, a começar pelo dom da vida. E gratidão é algo que agrada muito a Deus.

Um exemplo de gratidão na Bíblia
A Bíblia conta que, certo dia, Jesus ia passando e ouviu o chamado desesperado de dez leprosos, pedindo para serem curados. 

Naquela época, eram consideradas leprosas todas as pessoas que sofressem de doença na pele, como a psoríase - não era necessário ter lepra (hanseníase) de fato para ser taxado de leproso/a. 

O problema para os/as leprosos/as era a exclusão da sociedade. Essas pessoas viviam totalmente segregadas do convívio social, inclusive das suas famílias, por causa do possível contágio da lepra. Como não podiam trabalhar, elas eram sustentadas, de forma muito precária, pela caridade pública. Era uma vida terrível, por isso é perfeitamente compreensível o pedido desesperado daqueles dez homens a Jesus (Lucas capítulo 17, versículos 11 a 19). 

E Jesus atendeu o pedido e disse para aqueles homens se apresentarem aos sacerdotes, a quem, de acordo com a Lei Mosaica, cabia atestar a cura e reintegrar as pessoas à sociedade. Os ex-leprosos foram falar com os sacerdotes e foram considerados curados.

Agora, o que surpreende nesse relato é o que aconteceu depois: apenas um dentre eles voltou para agradecer a Jesus. Somente um homem mostrou gratidão, enquanto os demais, preocupados em comemorar sua restauração, se esqueceram do que Jesus tinha feito. 

E somente para quem foi grato, Jesus reservou a benção maior: a cura espiritual e a salvação (versículo 19). Os outros tiveram a saúde física restaurada, mas perderam o mais importante.

Experimentando a gratidão
Gratidão é o reconhecimento explícito de termos experimentado a Graça de Deus, na forma de alguma benção derramada nas nossas vidas. 

E também o reconhecimento de que somos totalmente dependentes d´Ele. Afinal, é por causa da sua Graça que o sol continua a nos aquecer e dar luz, a chuva cai na medida correta, a Terra não é destruída pelo impacto de um asteroide, a vida se multiplica e por aí vai. 

Tudo que existe é mantido em funcionamento pelo poder de Deus. É simples assim. E quando reconhecemos isso, de forma sincera, e nos curvamos diante d´Ele, em gratidão, aprofundamos nosso relacionamento com Deus e a vida passa a ter mais sentido.

E um coração reconhecido atrai mais bênçãos de Deus, como aconteceu com o único ex-leproso que voltou para agradecer. Portanto, gratidão é sentimento que precisamos enfatizar hoje. Precisamos ser gratos/as por tudo aquilo que Deus já fez, vem fazendo e ainda fará em nossas vidas. 

Feliz dia de Ação de Graças.

Com carinho

terça-feira, 21 de novembro de 2017

BASTA A CADA DIA O SEU MAL?


"Portanto,... não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal." Mateus capítulo 6, versículos 34

Jesus ensinou a não ficarmos ansiosos/as quanto ao dia de amanhã e a confiarmos mais em Deus. Agora, é interessante perceber que, na última parte desse importante ensinamento, Ele falou do "mal de cada dia". O que será que Jesus quis dizer com isso?

Para responder essa pergunta, vou começar dando o exemplo de um homem gordo que precisa perder peso por causa da sua saúde. Como esse homem pode vir a conseguir fazer isso? Há três formas dele tentar atingir esse objetivo:
  1. Submeter-se uma dieta radical para perder todo o excesso de peso de uma só vez - e pode ser preciso até tomar remédios. A ideia é voltar à vida normal depressa, assim que o peso ficar ideal. O princípio que governa essa estratégia é sofrer tudo de uma só vez e acabar logo com o sofrimento.
  2. Seguir uma dieta menos radical, menos sofrida, mas que vai durar longo tempo. O princípio que governa essa alternativa é minimizar o sofrimento, mesmo sabendo que ele vai durar bom tempo (talvez até o fim da vida). 
  3. Reeducar os hábitos alimentares, aprendendo a comer coisas saudáveis e nas quantidades certas. O princípio que governa essa estratégia é mudar para não precisar sofrer. 
Acho que ninguém tem dúvida que a terceira alternativa é a melhor e mais eficiente. Mas, na prática, a maioria das pessoas segue a primeira alternativa (dieta radical) ou a segunda (dieta limitada). Poucas pessoas mudam seus hábitos alimentares e nunca mais sofrem com o problema do excesso de peso. 

Ligando esse exemplo com o ensinamento de Jesus, o "mal diário" é similar ao desejo de comer mais do que se deve ou aquilo que não se pode que as pessoas enfrentam a cada dia. Trata-se dos problemas que parecem fugir ao controle e as soluções fáceis para eles, mas que levam as pessoas a fazerem o que é errado (mentir, ser hipócritas, cometer pequenas desonestidades, promover fofocas, etc), bem como as tentações de toda sorte. 

As três estratégias que comentei acima, usando o exemplo da necessidade de perder peso, são mais ou menos aquelas que as pessoas usam para enfrentar o "mal diário". 

Sofrer de uma vez só 
A estratégia radical acha ser possível eliminar o mal e a tentação da vida através de um grande esforço concentrado. A pessoa se converte e meio que suspende sua vida secular, passando a se dedicar quase tempo integral à sua religião. Vai a todos grupos de oração e cultos que pode frequentar, vive agarrada à Bíblia, só ouve música gospel e quer converter todo mundo à sua volta. 

Deixa de lado qualquer lazer, pouco se dá com amigos/as (a menos daqueles que sigam a mesma fé), deixam de se interessar pela situação política e social do Brasil e assim por diante. Passam a viver como numa "bolha".

O problema é que essas estratégia só funciona bem por pouco tempo. A pessoa faz um grande esforço para viver dessa maneira nova, mas não de fato, não deixou verdadeiramente de lado os hábitos antigos que dominavam sua vida. Apenas suprimiu essas vontades que antes a dominavam. Como o homem que suprime a fome artificialmente com remédios.

O problema é que quem segue esse tipo de estratégia cedo ou tarde acaba por voltar, aos poucos, à situação anterior. Como o homem gordo que cedo ou tarde vai precisar deixar de tomar remédios, pois não pode fazer isso o resto da vida, e aí a fome volta.

As pessoas acabam cansando dessa estratégia radical e se consolam com o pensamento que já fizeram o suficiente para ficarem livres para sempre dos maus hábitos e tentações. E sem perceber, voltam à condição anterior. São vencidas pelo "mal diário".

A verdade, é que fraquezas e tentações que corroem as vidas das pessoas teimam em continuar vivas - são como "pecados de estimação" - e um tratamento de choque não as vence. 

Já cansei de ver pessoas agindo assim e que quase sempre acabam de volta onde começaram. E o pior é que elas passam a ter muita dificuldade para novamente tentar mudar novo, pois já fracassaram.

A estratégia de minimizar o sofrimento 
Muita gente gosta da estratégia "sofrer um pouco a cada dia". É como quem tenta fazer dieta limitada por longo tempo e fica sempre lutando contra a balança. 

As pessoas se convertem mas mantém suas prioridades de vida e boa parte do comportamento anterior anterior à conversão (os tais "pecados de estimação"), mesmo que muitos dos seus hábitos são errados.

Elas se convenceram que não faz mal continuar com seus "pecados de estimação" e que será possível mantê-los sob controle. E lutam diariamente para manter tentações e hábitos ruins sob controle, para vencer o "mal de cada dia".

É uma luta diária, cansativa, pois não acaba nunca. Um bom exemplo é a pessoa que gosta muito de consumir, além do que precisa, e fica sempre lutando para não gastar mais do que ganha - frequentemente, acaba estourando o orçamento e se endividando.

Essas pessoas acham que vão conseguir viver uma vida correta aos olhos de Deus sem precisar se sacrificar muito. Aceitam mudar nalguns aspectos, mas não em outros, pois seu compromisso com Deus é limitado. E passam a vida lutando com as mesmas dificuldades, sem nunca superá-las de fato.

Foi assim que o governo brasileiro agiu durante décadas, como respeito à inflação: Aceitava um pouco de inflação para não prejudicar o crescimento do país e poder ficar bem com o eleitorado. O resultado sempre foi uma inflação que tendia a escapar ao controle. Só quando o governo adquiriu consciência que a inflação é um real mal a ser combatido sempre com rigor, foi que o Brasil superou esse problema.

A estratégia de mudar de fato
A terceira alternativa é a pessoa mudar seu interior, ajustando suas prioridades e hábitos, colocando-os em dia com a vontade de Deus. A Bíblia apelidou essa estratégia de santificação. 

E trata-se de mudar, aprendendo a valorizar outras coisas, conseguir tirar prazer de novas coisas. É equivalente ao caso do homem gordo que aprende a comer de forma mais saudável e efetiva e passa a gostar do alimento que é lhe faz bem. Ele nunca mais vai precisar passar pelo sofrimento de fazer dieta. 

Mudança interior não significa se abster de fazer todas as coisas da vida das quais a pessoa antes gostava. Eu tenho uma experiência pessoal nesse sentido, com o futebol. 

Quando era mais jovem, minha devoção ao meu time do coração era enorme. Na hora de um jogo importante, eu não via mais nada na minha frente. Se o time ganhava, ficava alegre e sentia a vida mais leve. Se perdesse, o mal humor era certo. 

O futebol, de certa forma, me dominava, embora eu não percebesse isso. Até que tomei consciência desse problema e trabalhei para mudar minhas prioridades. Hoje, continuo a gostar de futebol e não me privo desse prazer quando é possível. Mas, o destino do meu time não mais controla a minha vida.

Mudei porque entendi que o hábito anterior não era saudável. Não era bom minha vida ser controlada por um time de futebol pois há coisas muito mais importantes que precisam vir antes. Aprendi a mudar minha prioridade e não sofro quando não assisto a um jogo. 

A santificação funciona exatamente isso mas em grande escala. A pessoa coloca Deus em primeiro lugar na sua vida e aprende a ter prazer nisso. Aprende a gostar de estar na igreja, de estudar e discutir a Bíblia, de louvar e de ajudar quem precisa. Passa a fazer isso tudo porque tem prazer e não porque é obrigada. Adquire novos hábitos e se sente bem com isso.

Pode até continuar a gostar de muitas coisas que apreciava antes, mas aprende a vê-las sob uma perspectiva maior, aquela estabelecida por Deus. E nunca mais será dominada por maus hábitos.

Portanto, não há mais sacrifício em se manter no bom caminho. O "mal diário" não mais conseguirá desestabilizar a pessoa. 

A mudança do interior - a santificação - consegue dar à pessoa uma estrutura muito mais sólida para lutar e vencer o "mal diário". 

Com carinho

domingo, 19 de novembro de 2017

DEVEMOS DISCUTIR RELIGIÃO?


Existe um ditado que diz: “Religião, política e futebol não se discutem”. E a razão para esse conselho é simples: Esses temas tendem a gerar discussões acaloradas e facilmente descambam para brigas, que podem até acabar com amizades antigas. 

Mas será que a Bíblia ensina que não devemos mesmo evitar discutir nossa religião com quem pensa diferente? Ou será que o cristão tem obrigação de defender sua fé, sempre que tiver oportunidade, apesar das situações onde haja resistência?

O que a Bíblia diz 
Na verdade a Bíblia é clara em dizer que precisamos sim falar sobre nossa fé. Por exemplo, veja o que está dito na primeira carta de Pedro capítulo 3, versículo 15:
...estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós.
Portanto, é nossa obrigação, como cristãos/ãs, estarmos sempre em condições de falar sobre nossa fé e justificá-la perante quem pense diferente. Trata-se de um mandamento.

E a primeira consequência desse mandamento é que você precisa adquirir o preparo necessário para desempenhar essa tarefa. 

Por exemplo, ter capacidade de explicar porque tem certeza ser a Bíblia a autêntica Palavra de Deus (veja mais), conhecer os versículos fundamentais sobre a fé cristã (veja mais), saber falar sobre o plano de salvação de Deus, através de Jesus Cristo, etc.

Outra consequência direta desse mandamento é que você não pode se omitir, ficando numa posição confortável de “agente secreto/a" de Jesus Cristo (mais detalhes). 

Mas, isso tudo não significa que você deva brigar, partir para o confronto. Ser desrespeitoso/a. Ao contrário, o objetivo deve ser argumentar, trocar ideias e esclarecer dúvidas que as outras pessoas possam ter sobre o cristianismo. 

Nunca se esqueça que o cristianismo prega o amor ao próximo e uma atitude agressiva somente daria testemunho contraditório da nossa fé. 

Eu já tive inúmeras conversas sobre religião e nunca precisei brigar. Sempre respeitei e fui respeitado. Uma única vez as coisas passaram dos limites e, por minha culpa, pois era muito jovem e afoito. Mas, aprendi muito com aquela experiência ruim.

Cuidados para discutir religião 
Agora, para que a conversa sobre religião seja produtiva, é preciso tomar alguns cuidados. Em primeiro lugar, tenha sempre em mente que a luta não é contra as pessoas e sim contra as ideias erradas delas (Efésios capítulo 6, versículo 12). 

Lembre-se que gente tão sincera como você pode estar seguindo um caminho espiritual errado, acreditando estar fazendo a coisa certa. Basta lembrar do caso do pastor Jim Jones, que levou toda sua congregação ao suicídio, com o poder da sua pregação.

Depois, não tente "enfiar seus argumentos pela goela abaixo” da outra pessoa. Muitas vezes ficamos tão motivados a tirar a pessoa do caminho espiritual errado, que acabamos por forçar demais. 

A partir de determinado ponto da conversa, a pessoa que discorda do seu pensamento vai se fechar para novos argumentos e não adianta insistir. O melhor é parar e, se possível, aguardar outra oportunidade.

Afinal, ninguém gosta de reconhecer que vem seguindo ideias erradas durante muito tempo. É necessária uma grande dose de humildade que pouca gente costuma ter. 

Lembre-se que a palavra sobre Jesus Cristo, dada durante a conversa, não foi em vão (Isaías capítulo 55, versículo 11). De alguma forma, o Espirito Santo vai fazer com que ela frutifique no coração da pessoa, mesmo que o resultado final somente apareça tempos depois. 

Uma vez estava num táxi e o motorista me contou sobre uma palavra dada a ele, por outra pessoa, um tempo antes da nossa conversa. Essa palavra não saia da cabeça dele e ele me pediu mais explicações sobre seu significado. 

Ele saiu da conversa comigo afirmando que iria procurar uma igreja. Não sei se isso aconteceu, mas tenho certeza que o Espírito Santo estava trabalhando no coração daquele homem.

Em terceiro lugar, nunca se aproxime da outra pessoa com críticas diretas ao que ela acredita ou faz. Ao invés de dizer, por exemplo, que a religião dela é "coisa do Demônio", fale das coisas boas do cristianismo - sua agenda deve ser sempre positiva. 

Outras dicas importantes
Apoie-se nos ensinamentos de Jesus para construir sua argumentação e pode ter certeza que não haverá argumentos melhores. 

E lembre-se que você não é dono da verdade. É sempre possível que você esteja errado/a em algum aspecto da doutrina cristã. Afinal, todo mundo erra, mesmo quando quer acertar. 

Certa vez vi um pastor subir ao púlpito da sua igreja e dizer que, depois de estudar e orar muito, tinha chegado à conclusão que determinada doutrina, que sempre ensinara, estava errada. E explicou que iria conduzir a igreja a uma mudança de posição teológica. 

A atitude desse pastor foi correta – ele se convenceu que estava errado e não teve vergonha de reconhecer isso e mudar.

Finalmente, lembre-se sempre que quem muda a outra pessoa não é o seus poder de argumentação, por melhor que ele seja. Quem gera mudança verdadeira é o Espírito Santo. 

Se Ele não agir, você poderá ficar até rouco de tanto falar, que nada vai acontecer. Faça sempre sua parte, mas lembre-se que sem o Espírito Santo, não haverá resultados concretos.

Com carinho