domingo, 17 de dezembro de 2017

CURIOSIDADES SOBRE O NASCIMENTO DE JESUS

Estamos vivendo o Advento, o período que abrange os 4 domingos antes do Natal. O objetivo dessa comemoração é fazer os cristãos refletirem sobre o nascimento de Jesus e seu significado para a humanidade. 

Isso é especialmente importante para evitar que fiquemos totalmente tomados pelo espírito festivo do final do ano (troca de presentes e comemorações as mais diversas) e deixemos de celebrar aquilo que realmente importa, a vinda de Jesus.

Dentro desse espírito, apresento abaixo algumas curiosidades sobre o nascimento de Jesus que vão ajudar você a entender melhor o que realmente aconteceu dois mil anos atrás, numa pequena cidade da província Romana da Judeia, chamada Belém Efrata. 

Por que Jesus nasceu em Belém?
A explicação tradicional é que houve um censo promovido pelos Romanos e José, sendo da família do rei Davi, precisou ir até a cidade onde aquele rei tinha nascido (Belém) para cumprir as formalidades legais. 

Agora, é importante perceber que o nascimento de Jesus em Belém foi profetizado cerca de 700 anos antes, conforme está registrado no Velho Testamento, em Miqueias capítulo 5, versículo 2:
E tu, Belém Efrata, pequena demais ... de ti sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.
Portanto, o censo convocado pelos Romanos foi o instrumento que Deus usou para que seu plano fosse cumprido.

Como foi o nascimento na estrebaria?
A imagem que fica em nossas mentes, quando olhamos para os presépios espalhados por aí é "adocicada". Parece tudo bonito - o bebê deitado na manjedoura, cercado de animais e pastores. 

Mas, não foi nada disso. Jesus nasceu numa estrebaria suja, escura e mal cheirosa, enfim, o pior lugar possível para um bebê nascer. Um parto que viesse a acontecer, hoje em dia, no meio da rua de uma cidade brasileira, teria condições melhores do que aquelas que Maria teve.

O "berço" onde Jesus foi colocado não passava de um cocho, onde os animais comiam capim e outros vegetais - nada higiênico ou edificante.

Sabemos que os pastores apareceram por lá, viram o bebê e louvaram a Deus. Agora, pastores, na época de Jesus, eram pessoas num nível muito baixo nível da escala social. Eram considerados homens grosseiros e sujos. A imagem "bonita" do pastor somente nasceu bem depois, quando Jesus chamou a si mesmo de "o bom pastor". 

Na época de Jesus, seria até vergonhoso para José relatar para seus amigos e parentes que o recém nascido foi visitado por pastores.

Já a vista dos magos, que vieram do Oriente para visitar Jesus e lhe levar presentes (ouro, incenso e mirra) não aconteceu na estrebaria, mas bem depois, quando a família de José já tinha arranjado uma casa para ficar (Mateus capítulo 2, versículos 1 a 12). Portanto, os presépios estão historicamente errados ao mostrarem os magos presentes na estrebaria.

O que foi a "estrela de Belém"?
Essa estrela (Mateus capítulo 2, versículo 2) foi um fenômeno astronômico que marcou os céus da Judeia, nos tempos do nascimento de Jesus. Os reis magos, que eram astrônomos, usaram a estrela como referencia para guiar seus passos na busca por Jesus, da mesma forma como os navegadores portugueses costumavam usar a constelação do Cruzeiro do Sul para trazer suas caravelas para o Brasil.

Até hoje há muita discussão sobre a tal "estrela". As hipóteses científicas oferecidas são um cometa, considerada a hipótese mais provável, uma supernova (a explosão de uma estrela envelhecida) ou uma conjunção muito rara de planetas. 

Não há nenhuma concordância sobre qual dessas hipóteses é a mais provável, mas sem dúvida aconteceu um fenômeno astronômico naqueles dias. 

Por que Jesus era chamado "o Nazareno"?
Naquela época, as pessoas não tinham sobrenomes. Por causa disso, para evitar confusão, já que os nomes que recebiam eram muito comuns, elas eram identificadas pelo nome do pai e pela profissão dele - por exemplo, Jesus, filho de José, o carpinteiro. Frequentemente, era também era usado o local onde a pessoa tinha nascido e/ou sido criada - por exemplo, Maria de Magdala (ou Magdalena).

Jesus ficou conhecido como "o Nazareno" embora tenha nascido em Belém, na Judeia, porque foi criado em Nazaré, pequena vila da província Romana da Galileia. Por isso também era conhecido como "o Galileu".

Jesus nasceu em Belém quase como por "acidente", conforme expliquei acima, mas não tinha qualquer identidade com aquela cidade.

Por que os pais levaram o bebê ao Templo? 
A lei mosaica dizia que todo primeiro filho pertencia a Deus (as "primícias" do útero materno). Assim, a família precisava "resgatar" a criança, através de um sacrifício feito no Templo de Jerusalém.

Para cumprir essa ordenança, os pais de Jesus o levaram até Jerusalém, dias depois do seu nascimento. Como tinham poucas posses, ofereceram o sacrifício mais simples possível: duas rolinhas (Lucas capítulo 2, versículos 22 a 24).

Foi durante essa visita que Jesus foi reconhecido por dois profetas - Simeão e Ana - e proclamado, pela primeira vez, o Messias de Israel (Lucas capítulo 2, versículos 25 a 38).

Com carinho

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

AS FESTAS RELIGIOSAS DA BÍBLIA


A Bíblia estabelece, no Velho Testamento, uma série de festas que deveriam ser respeitadas pelo povo de Israel e essa orientação é seguida até hoje. 

São sete grandes festas anuais. e como o calendário do povo judeu é lunar (contado com base nas fases da lua), essas festas não caem sempre no mesmo dia do ano (como acontece com o nosso Carnaval). 

É interessante perceber que todas essas festas apontam para a figura do Messias de Israel, Jesus. Vejamos o significado de cada uma delas:

Páscoa
A Páscoa foi comemorada pela primeira vez na noite anterior ao dia em que o povo de Israel saiu da escravidão no Egito. Deus mandou que cada família comesse um cordeiro assado, juntamente com ervas amargas e pães sem fermento, representando a aflição que o povo passou no Egito e a pressa que tiveram em sair dali. 

O sangue daquele cordeiro deveria ser pintado na porta da casa para que o anjo da morte não causasse nenhum mal ao passar, quando cumpria a décima praga lançada contra o Egito, a morte dos primogênitos (Êxodo capítulo 12).

A Páscoa sempre teve uma relação muito forte com o Messias: os judeus sempre acreditaram que, assim como Deus salvou seu povo da escravidão no Egito, na Páscoa, usando Moisés como seu instrumento, uma nova salvação viria naquela mesma data, dessa vez através do Messias. 

Essa libertação veio sim na Páscoa, pois foi nessa época que Jesus foi preso e crucificado, para que seu sangue servisse como expiação para nossos pecados. 

Pães Ázimos
Essa festa devia começar na ceia da Páscoa, onde já eram servido pães sem fermento (ázimos). E por sete dias os judeus somente podem comer esse tipo de pão e outros alimentos sem fermento (Deuteronômio capítulo 16, versículos 1 a 3). 

A razão para isso é que o fermento é como uma "infecção" (micro-organismos que nascem, crescem e depois morrem), que faz com que a massa cresça e fique aerada. 

Para os judeus, o fermento sempre foi relacionado com as "infecções" causadas por pecados como orgulho e hipocrisia - vale lembrar que Jesus chamou esses pecados de "fermento" dos fariseus (Lucas capítulo 12, versículo 1). Por causa disso, nenhuma oferta de alimento feita para Deus podia conter tal ingrediente (Levítico capítulo 2, versículo 11 e capítulo 6, versículo 17).

Ora, Jesus foi uma pessoa sem pecado e passou por grande sofrimento (aflição) e, portanto, seu corpo é perfeitamente representado pelo pão ázimo. Logo, não é surpresa que ele tenha morrido exatamente no dia em que essa festa começou a ser comemorada. 

Primeiros Frutos 
Essa festa era comemorada no primeiro dia depois do sábado que se seguia à Páscoa. Celebrava o primeiro dia da colheita da cevada e assim uma pequena parte do cereal colhido era oferecida a Deus. No sábado que precedia essa festa, a passagem lida nas sinagogas vinha de Ezequiel capítulo 37, versículo 5, quando o profeta profetizou para um monte de ossos secos: 
Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós e vivereis
No ano em que Jesus morreu, a Páscoa ocorreu na quinta feira, portanto a festa dos Primeiros Frutos caiu no domingo (contado a partir do cair do sol no sábado). Portanto, no sábado antes da ressurreição, quando o texto de Ezequiel acima citado foi lido nas sinagogas, Jesus ainda estava morto e enterrado. E o texto de Ezequiel serviu como profecia para a ressurreição, que aconteceu exatamente no dia da comemoração da festa dos Primeiros Frutos. 

Quando Paulo disse (1 Coríntios capítulo 15, versículos 20 a 23) que Jesus era como "os primeiros frutos daqueles que dormem", os judeus certamente fizeram a ligação com a festa comemorada no dia da sua ressurreição.

Pentecostes (semanas)
Sete semanas após a festa dos Primeiros Frutos vinha o Pentecostes (Deuteronômio capítulo 16, versículos 9 a 12). E foi no dia em que essa festa estava sendo comemorada que o Espírito Santo chegou e as pessoas falaram em línguas que não conheciam (Atos capítulo 2, versículos 1 a 4).

Essa festa comemora o dia em que os israelitas chegaram ao Monte Sinai, depois de sair do Egito (data comemorada na Páscoa). Foi no dia de Pentecostes que eles receberam a Lei de Deus (os Dez Mandamentos), conforme Êxodo capítulo 19, versículos 1 a 20. E a Lei é o símbolo da Primeira (Velha) Aliança, aquela que Deus fez com o povo judeu.

O episódio em que Deus apareceu para dar a Lei para Israel foi marcado por fogo e outros sinais maravilhosos. E o texto ensinado nas sinagogas no dia em que se comemora essa festa está em Ezequiel (capítulos 1 e 2), onde o profeta relata uma visão caracterizada por ventos e fogo.

Conforme já disse, para os cristãos, o Pentecostes marca a chegada do Espírito Santo, em meio a forte vento, quando apareceram línguas de fogo sobre as cabeças das pessoas. E é isso que marca o início da Nova Aliança, a inauguração da história da igreja cristã. Mas, ao invés de inscrever seus mandamentos em tábuas de pedra, como fez no Monte Sinai, desta vez Deus escreveu seus mandamentos nos corações dos seres humanos, através do Espírito Santo. 

Ano Novo (Trombetas)
A festa de Ano Novo abre um segundo ciclo de festas, que acontece cerca de seis meses depois das outras quatro festas. Nesse dia os judeus começam a contar seu ano civil. Essa festa também é conhecida como Trombetas, pois tem início com o toque do "shofar" (veja mais). 

O Ano Novo comemora a criação do mundo, por isso, nessa data, é lido em todas sinagogas o texto de Gênesis capítulo 1 que relata esses acontecimentos. E aí tem início o período de dez dias no qual os judeus precisam examinar seu comportamento ao longo do ano que passou, como preparação para o dia do Perdão.

Para o cristão, essa festa marca a esperança de que Cristo vai voltar, ao som da trombeta, conforme Paulo ensinou em 1 Corintios capítulo 15, versículos 51 e 52. Mas sua chegada não será apenas motivo de alegria, pois ainda haverá o Julgamento Final. 

Perdão
Já escrevi detalhadamente sobre a comemoração desse dia (veja mais), o mais solene do ano judaico, data em que o povo pede precisa pedir perdão tanto pelos seus pecados individuais como pelos pecados coletivos.

Para o cristão, o Yom Kippur simboliza o dia do Julgamento Final, quando Deus pedirá contas a cada ser humano.

Tendas
Essa festa ocorre cinco dias depois do Yom Kippur. Nos dias de Jesus, acontecia uma grande celebração no Templo de Jerusalém, com duração de sete dias. 

A festa comemora o período que o povo passou no deserto do Sinai, quando Deus cuidou de todas suas necessidades, mandando comida e água (Deuteronômio capítulo 16, versículos 13 a 17). 

Durante esse período, as pessoas habitavam cabanas provisórias, daí a festa procurava reproduzir essa situação pois as pessoas habitavam em tendas por alguns dias. 

Essa festa também comemorava a principal colheita do ano (trigo), marcando o fim do período seco anual na Palestina, que dura seis meses, quando não cai uma gota de chuva. Por causa disso, no final da festa das Tendas, os sacerdotes faziam uma libação com água, pedindo a chegada da chuva.

E foi exatamente durante a comemoração dessa data que Jesus disse que quem viesse até Ele nunca mais teria sede (João capítulo 7, versículos 37 e 38). 

Resumo
As sete grandes festas judaicas relembravam periodicamente para os judeus fatos importantes da sua relação com Deus. Os cristãos copiaram a ideia de ter um calendário litúrgico (Sexta Feira Santa, Páscoa, Pentecostes, Natal e outros dias mais), com grande sucesso. 

Todas as festas estabelecidas na Bíblia têm grande relação com Jesus Cristo. As quatro primeiras (Páscoa, Pães Ázimos, Primeiros Frutos e Pentecostes) falam diretamente sobre sua morte e sacrifício, bem como a respeito da Nova Aliança que sua morte estabeleceu. 

Já as três outras (Ano Novo, Perdão e Tendas) se relacionam com fatos que ainda vão acontecer, no Final dos Tempos.

Com carinho

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

PRESTE ATENÇÃO NA PALAVRA DE DEUS

Muitas vezes estamos na igreja, ouvindo alguém pregar a Palavra de Deus, mas, na verdade, não estamos ali de fato, pois nossa atenção está em coisas muito distantes, que acabam ocupando a nossa mente. 

Isso é mais comum do que parece e, certamente, já aconteceu com você, como também comigo. 

Nos relatos da Bíblia, quando a Palavra de Deus era lida e explicada, as pessoas prestavam toda a atenção. Não se preocupavam com mais nada, somente em prestar atenção no que estava sendo dito.

É sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo. Trata-se de um alerta que, quando ouvimos a Palavra de Deus, é ela que deve dominar nossos pensamentos - veja aqui

Veja outros vídeos meus:
Como dar consolo - veja aqui
Não se deixe desviar da sabedoria de Deus - veja aqui

sábado, 9 de dezembro de 2017

OS SÍMBOLOS DO NATAL SÃO PAGÃOS?


Todo ano, quando as decorações de Natal são colocadas, trava-se uma discussão interminável entre os/as evangélicos/as sobre se essas decorações (árvores, bolas e outros enfeites) devem ser usadas, já que tiverem origem em meio pagão. Afinal, é ou não errado usar decoração natalina em ambientes cristãos?

E há argumentos a favor e contra uma e outra posição. Isso gera confusão e muita gente fica sem saber bem em quem acreditar - eu mesmo já recebi muitas perguntas a esse respeito aqui no site. 

Vou tentar esclarecer essa questão para que você possa tomar suas próprias decisões de forma tranquila e segura.

As raízes da divergência
Quem é contra as decorações de Natal procura evitar fazer uso de coisas que tenham potencial para contaminar suas vidas (por terem tido origem em meio pagão), dando espaço para a ação do Inimigo. 

Os que pensam de forma contrária, defendem que o importante mesmo é o uso que se dá às coisas e não a origem delas. Portanto, não haveria mal nenhum em usar decoração tradicional natalina, dando a elas um cunho cristão.

Quem está com a razão?
Eu dou razão a quem aceita as tradições natalinas, por duas razões. Primeiro, se formos eliminar de nossas vidas todas as tradições que tiveram origem no meio pagão, não vai sobrar quase nada. A segunda razão é haver respaldo bíblico para a incorporação em nossas vidas tradições vindas de outras origens, quando elas são usadas com o espírito certo.

Vou começar por discutir a primeira razão. Não faz sentido aceitar um monte de tradições pagãs e discriminar especificamente as tradições natalinas. Se fosse o caso de afastar tradições de origem pagã, seria preciso expurgar todas elas e não somente algumas coisas, preservando outras.

A verdade é que incorporamos, em nossa vida cristã, inúmeras tradições que tiveram origem pagã. E começo lembrando que há conceitos usados na teologia cristã cuja origem está em filósofos gregos - Platão, Aristóteles e outros. Um belo exemplo é a ideia do Verbo Divino (Cristo), citada no começo do Evangelho de João (capítulo 1, versículo 1), que foi inspirada no conceito do "logos" da filosofia grega. 

Outro exemplo interessante vem da arquitetura. Toda igreja tem um púlpito, lugar especial, pois dali o/a pastor/a fala à congregação. Repare que os púlpitos tradicionalmente costumam colocar o/a dirigente em local mais elevado, para caracterizar que está sendo passada dali uma mensagem vinda de Deus.

A ideia do púlpito foi tirada das cadeiras para leitura existentes em diferentes locais públicos do mundo pagão, inclusive nos templos. Esse conceito não existia no Templo de Jerusalém, construído por Salomão. E o púlpito só foi adotado pelo judeus, nas suas sinagogas, bem mais tarde, embora eles não tivessem escrúpulos em adotar boas ideias dos pagãos. 

Foi de um local desse tipo que Jesus leu do livro do profeta Isaías para a comunidade judaica, na sinagoga em Nazaré (Lucas capítulo 4, versículos 16 a 18).

Ao longo da história da igreja cristã essa cadeira de leitura foi usada em diferentes lugares, primeiro atrás do altar e, depois, na sua lateral, quando passou a ser conhecida como púlpito. 

Outro exemplo de tradição pagã adotada no cristianismo é a forma como se ministra o sermão - o/a pregador/a fala e todos escutam. No tempo de Jesus e no início do cristianismo, a pregação era feita com a participação dos ouvintes, com base em perguntas e respostas, como podemos perceber em vários exemplos do Novo Testamento. A forma atual deriva da prática dos professores de retórica e dos debates em praça pública realizados nas cidades gregas, que eram pagãs. 

O mesmo poderíamos dizer das vestes litúrgicas (estolas sacerdotais), da decoração do altar com cores representativas das diferentes épocas do ano, da arquitetura das catedrais, etc. Em todas essas práticas estão presentes tradições que vieram do paganismo.

O que fazer então? Devemos abandonar tudo isso? Penso que seria impossível e nem isso se faz necessário. E aqui entra a segunda razão pela qual defendo o uso das tradições natalinas: Deus não nos pede para fazer isso. 

E há um excelente exemplo na Bíblia do uso de tradições pagãs nas práticas religiosas do povo de Israel, uso esse aprovado por Deus. Refiro-me ao Templo de Jerusalém, construído por Salomão, segundo as orientações dadas pelo próprio Deus. O edifício principal desse tinha, na entrada, duas colunas enormes, decoradas com romãs (1 Reis capítulo 7, versículos 15 a 22). 

Ora, esse tipo de arquitetura (especialmente as duas colunas na entrada principal) era muito comum em templos pagãos, anteriores ao Templo de Salomão, conforme a arqueologia já demonstrou. Em outras palavras, a planta do Tempo de Salomão foi inspirada em tradições pagãs.

Além disso, os israelitas que trabalharam na construção do Templo de Jerusalém aprenderam seu ofício com artesãos do Líbano, considerados os melhores do mundo na época (1 Reis capítulo 5, versículos 13 e 14). Os artesãos israelitas usaram no Templo de Jerusalém a mesma arte que aprenderam dos seus professores libaneses, que eram pagãos. 

Por causa disso Deus desprezou o Templo de Jerusalém? De forma nenhuma: Ele encheu o local com sua presença (1 Reis capítulo 8, versículo 11). 

Concluindo, respeito quem pensa de forma diferente, evitando esse ou aquele simbolo natalino. Isso é questão de fôro íntimo que não cabe a ninguém discutir. 

Agora, mostrei aqui não ser possível estabelecer doutrina proibindo essas coisas. Porque são incontáveis os exemplos de tradições de origem pagã incorporadas ao nosso dia-a-dia, como também porque há exemplos bíblicos que referendam essa prática. 

Cada um faça aquilo que entende ser o correto - o que sua consciência lhe disser para fazer -, mas não é correto tentar impor às pessoas proibição do uso dos símbolos natalinos, como algumas lideranças cristãs tentam fazer.

Com carinho

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

SOBREVIVENDO ÀS FESTAS DE FIM DE ANO

As festas de fim de ano costumam ser momentos de muita alegria e comemoração. A mídia quase que só mostra reportagens de festas maravilhosas, com um monte de gente feliz. 

Mas muita gente não compartilha desse clima e sente-se triste, inadequada, frustrada ou até alheia às comemorações.

Neste novo vídeo, a pastora Carol e a Alícia refletem sobre essa questão e dão dicas sobre como fazer para sobreviver bem a esse período de festas que se avizinha, mesmo que você ache que não tenha qualquer motivo para se alegrar - veja aqui.

Leia mais sobre festas de fim de ano 
Veja essa postagem aqui.

Outros vídeos da pastora Carol
Visite o canal da pastora aqui.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

NÃO SE DEIXE DESVIAR DA SABEDORIA DE DEUS

Salomão, filho de Davi, foi um homem afortunado. Além de herdar o trono do pai, mesmo não sendo o filho mais velho, ele recebeu tudo de Deus: sabedoria, riquezas, poder, fama e vida longa. Sem dúvida, Salomão foi extremamente abençoado, mas ainda assim conseguiu se desviar da sabedoria de Deus.

Salomão desviou-se e acabou mal espiritualmente, deixando uma herança pesada para seu filho, que acabou levando à divisão do Reino de Israel.

A vida de Salomão guarda grandes ensinamentos para nós e é exatamente isso que o Rogers discute no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Outros vídeos meus aqui no site


domingo, 3 de dezembro de 2017

A CIÊNCIA DESMENTE A BÍBLIA NA CRIAÇÃO DO MUNDO?

A criação do universo é descrita em diversas passagens da Bíblia, especialmente nos livros do Gênesis e de Jó. O Gênesis, nossa referencia principal, conta que a criação foi feita em seis "dias", sendo que o ser humano foi formado no último "dia" (capítulo 1).

Ora, os estudos científicos demonstram que o universo tem quase 14 bilhões de anos e a Terra cerca de 4 bilhões de anos. O ser humano apareceu sobre a terra cerca de 20 mil anos atrás, o que parece contradizer a Bíblia. 

Os/as cristãos/ãs fundamentalistas dizem que a ciência está errada e há quem chegue a defender a tese absurda que a Terra tem pouco mais do que 10.000 anos de existência (a chamada teoria da "terra jovem"). 

A maior parte do povo cristãos fica no meio dessa "guerra" de declarações, sem saber bem no que e em quem acreditar. Será que a Bíblia é mesmo desmentida pela ciência? Quem tem razão? Como esclarecer essa confusão toda?

As raízes do problema
O povo cristão, de forma geral, acredita que o conteúdo da Bíblia é verdadeiro, por ser ela a Palavra de Deus. Eu também acredito nisso. Até aí tudo bem. 

Mas os/as cristãos/ãs fundamentalistas costumam ir além disso, dando um passo adicional questionável: essas pessoas também acreditam que os relatos contidos na Bíblia sobre a criação do universo descrevem literalmente, portanto, com precisão científica, como as coisas aconteceram.

Ora, se pensarmos com cuidado, esse passo não parece razoável. Deus precisou explicar para um povo ignorante em questões científicas, que viveu cerca de 3.200 anos atrás - época em que o Gênesis foi escrito - como o nosso universo foi criado.

Certamente, a única forma de conseguir fazer isso foi descrever o processo de criação, coisa extremamente complexa, usando símbolos e metáforas. Uma comparação simples permite explicar melhor o que quero dizer com isso. 

Imagine que eu precise explicar um avião a jato para um índio não aculturado. Provavelmente, eu falaria que se trata de um grande "pássaro de fogo" voando pelo céu. E isso não seria uma mentira, embora essa descrição não seja precisa do ponto de vista científico. 

A metáfora do "pássaro de fogo" permite que o índio não aculturado entenda o que estou falando, pois os conceitos "pássaro" e "fogo" são familiares para ele, enquanto a noção de "avião" não é. 

E assim também foi feito na Bíblia. A descrição da criação do universo é cheia de símbolos e metáforas para permitir que um povo sem qualquer noção científica entendesse o que estava sendo explicado. Portanto, é um erro tentar ler a Bíblia como um livro texto de física, pois ela não foi escrita com esse objetivo. 

Uma prova disso é o relato do descanso de Deus ao sétimo dia (Gênesis capítulo 2, versículos de 1 a 3): é claro que Deus não precisou descansar, pois isso não faz sentido para um ser como Ele. 

Esse "descanso" foi a forma encontrada para informar ao povo que Deus decidiu santificar um dia da semana, reservando-o para o descanso das pessoas, evitando que elas se tonassem "máquinas" escravizadas pelo trabalho.

Usando o relato da criação de forma correta
Se a Bíblia for lida da forma correta, você pode ficar tranquilo que ela não contraria a ciência, muito ao contrário. E para comprovar isso, escolhi três perguntas muito comuns, explicando como elas podem ser tranquilamente respondidas, sem contrariar a ciência e respeitando o que a Bíblia diz:

Pergunta 1: O mundo foi criado em 6 dias de 24 horas
É claro que não e nem a Bíblia diz isso. Na verdade, a palavra em hebraico que pode ser traduzida como "dia", também pode ser entendida como "espaço de tempo". Ou seja, os seis dias da criação são, na verdade, seis "espaços de tempo", seis fases de criação, com duração indefinida. 

Logo, não há nada na Bíblia que contrarie o fato do universo ter quase 14 bilhões de anos, pois essas fases pode ter durado um tempo muito longo, umas mais e outras menos. Não há problema aí.

Pergunta 2: A Bíblia comete um erro científico ao descrever que os céus e a terra foram criados juntos?
Gênesis capítulo 1, versículo 1, diz: "no princípio criou Deus os céus e a terra". Sem dúvida, parece estar sendo descrita a criação conjunta do universo (céus) e da Terra. Mas como há uma diferença de tempo muito grande entre o Big Bang (origem do universo) e a criação da Terra - quase dez bilhões de anos - parece haver um erro na descrição bíblica. 

O problema, nesse caso, decorre do fato que o Hebraico antigo (língua usada no Velho Testamento) tem um número reduzido de palavras, bem menor, por exemplo, que o Português. Não há, no hebraico antigo, palavras equivalentes a "cosmos" ou "universo". 

Essa dificuldade era contornada mediante o uso de expressões compostas: p. ex. "os céus e a terra" significava o conjunto de todas as coisas físicas que integram o universo, incluindo a matéria e a energia (radiações). Portanto, o versículo do início do Gênesis se refere apenas ao "Big Bang", ou seja, à explosão do "ovo cósmico" que deu origem a tudo. 

Pergunta 3: Como as plantas, criadas no terceiro "dia", poderiam ter sobrevivido sem o sol, criado no quarto "dia"?
Realmente, o Gênesis descreve que muitas plantas foram criadas no terceiro "dia" (capítulo 1, versículos 9 a 13), enquanto o sol teria sido criado depois (versículos 14 a 19). Ora, isso contraria as leis da biologia, pois as plantas precisam da radiação solar para fazer a fotossíntese.

Mas, se olharmos o texto com cuidado, veremos que, no primeiro "dia" (versículos 2 a 5), a Terra era sem forma e vazia, havendo trevas sobre sua superfície. E essa escuridão podia ser fruto de duas coisas: falta de luz ou impossibilidade dela chegar até a superfície da terra, na faixa do espectro visível ao olho humano. 

Como Deus tinha dito logo no início (versículo 1) "haja luz" e a luz se fez (desde a explosão do "Big Bang"), radiação luminosa, visível ou não, passou a ser emitida por uma série de corpos celestes (p. ex. as estrelas), logo quando são descritas as primeiras plantas (versículos 9 a 13), já havia radiação luminosa. Mas, provavelmente, a radiação luminosa que chegava até a superfície da Terra não era visível. A descrição encontrada no livro de Jó capítulo 38, versículos 4 e 9, confirma essa interpretação: 
Onde estavas tu [Jó] quando eu [Deus] lançava os fundamentos da Terra... quando eu lhe pus as nuvens por vestidura, e a escuridão por fraldas.
Ou seja, o texto de Jó descreve nuvens formando uma barreira tão espessa que não deixavam a luz visível passar - o que não quer dizer, por exemplo, que a chamada luz "ultravioleta" não conseguisse atravessar a camada de nuvens. 

Somente aos poucos a atmosfera foi sendo limpa e a luz visível começou a passar até sua superfície. Aliás, é exatamente esse o relato que a ciência faz da formação da atmosfera terrestre. Portanto, não há nada na descrição bíblica que contrarie a ciência.

Conclusão
A Bíblia também está correta na descrição da criação do universo, desde que a leitura desse texto seja feita entendendo o espírito do relato, baseado no uso de símbolos e metáforas. 

Quando isso é feito, é impressionante a concordância da Bíblia com aquilo que a ciência descobriu, milhares de anos depois.

Com carinho