sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A DOR DE UM ESTIGMA

Estigma é uma marca de natureza moral que a pessoa carrega, marca essa normalmente imposta a ela pela sociedade. 

Estigmas causam muito sofrimento e conheço inúmeros casos que comprovam isso. Por exemplo, lembro do caso de uma moça que tem temperamento sanguíneo - ela reage muito rápida e fortemente às provocações ou críticas. É da natureza dela. Mas ela também é extremamente amorosa, dedicada e tem a enorme qualidade de não guardar ressentimentos.

Durante sua juventude, essa característica explosiva foi mais acentuada, pois tudo nos jovens é intenso. Com a maturidade e depois de muito esforço pessoal, ela aprendeu a se controlar melhor. Mas ficou estigmatizada dentro da sua própria família como "criadora de caso". Ainda hoje, toda vez que ela reage com maior intensidade a uma situação ruim, mesmo quando tem toda razão, ouve de imediato a acusação que é encrenqueira. 

E mesmo a evolução por ela obtida não lhe é creditada: a família acha que o mérito é do marido, com quem ela se casou cerca de dez anos atrás. Para a família, foi a boa "influência" dele que resolveu tudo. Resumindo, o lado ruim sempre é responsabilidade dela enquanto os aspectos positivos vão para a "conta" do marido. 

Pessoas estigmatizadas sempre têm dificuldade de se livrar da marca negativa que receberam dos outros. Assim, a artista de televisão que começou a vida fazendo o papel de "gostosa", vai ser sempre classificada nessa categoria, não importa que depois passe a desempenhar papéis mais sérios. Do palhaço que virou deputado federal, todos esperam palhaçadas, embora as verdadeiras "palhaçadas" sejam feitas por pessoas com diploma e "colarinho branco engomado". E, no meio cristão, a pessoa que teve seu pecado sexual exposto nunca mais vai recuperar o respeito e será  sempre olhada de "esguelha" dentro da igreja que frequenta. 

Essa é uma triste realidade. E, por conta dela, a autoestima das pessoas estigmatizadas fica muito reduzida - elas se sentem inseguras, injustiçadas e infelizes.

Agora, se você passa por esse tipo de dificuldade, não desanime. Afinal, vários personagens da Bíblia precisaram enfrentar esse tipo de situação e conseguiram seus estigmas. E você pode aprender com o exemplo deles.

O caso mais doloroso e impressionante é o do próprio Jesus. Maria, sua mãe, apareceu grávida de forma misteriosa e isso gerou uma sombra permanente sobre sua origem. Seria ele um filho bastardo? Quem foi seu pai de sangue?

Os adversários de Jesus chegaram a espalhar boatos de toda ordem sobre sua origem - por exemplo, alguns afirmaram que Maria foi estuprada por um soldado romano e engravidou dele. E nuca podemos esquecer que esse tipo de questão, no meio dos judeus, era muito sério. Para eles, a pureza do sangue era algo inegociável e isso continua a ser verdade até os dias de hoje. 

O estigma de Jesus fica aparente no texto bíblico, por exemplo, quando Ele é chamado de "filho de Maria". Ora, naquela época, as pessoas sempre eram identificadas através da linhagem paterna. Portanto, referir-se a uma pessoa pela linhagem da sua mãe somente fazia sentido quando havia dúvida quanto a quem era de fato seu pai. 

Jesus carregou essa carga terrível por toda a vida, sem dúvida com grande sofrimento pessoal. Mas não foi só Jesus que foi estigmatizado. 

Paulo também passou por sua cota de sofrimento. Antes de se converter, ela perseguiu os cristãos, considerados hereges. Mais adiante, Paulo começou suas viagens missionárias e abraçou a missão de trazer o Evangelho de Jesus para os não judeus. E passou a ser considerado o Apóstolo para os gentios. 

Ocorre que a posição de "apóstolo" estava reservada, em princípio, para os 12 homens escolhidos por Jesus no início do seu ministério, como Pedro e João - esses homens beberam os ensinamentos espirituais diretamente do próprio Mestre.  

Mas Paulo não andou com Jesus, pois se converteu depois da morte e ressurreição d´Ele. Aí, quando Paulo começou a se apresentar como apóstolo, houve reação e muitos entenderam que ele tinha usurpado essa função. 

O estigma de usurpador que Paulo recebeu gerou muitos problemas e, não foi por acaso, que várias das suas cartas dedicam espaço à defesa da sua autoridade apostólica, coisa que Pedro e João, por exemplo, nunca precisaram fazer. 

A resposta para o estigma que eventualmente tenha sido atribuído a você é entender que, para Deus, toda pessoa importa muito. Para o Criador do universo, você tem valor, tanto valor, que Ele enviou seu Filho para morrer no seu lugar.

E Deus nunca vai olhar para você levando em conta os estigmas que a sociedade eventualmente lhe impôs. Você sempre será um(a) filho(a) querido(a) para Deus. E nada, nada mesmo, poderá separar você do amor d´Ele (veja mais).

Com carinho

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

COMPARTILHAR

Compartilhar a própria vida numa comunidade de fé, isto é, numa igreja, é a base da vida cristã. Todas as pessoas precisam fazer isso. 

Ter com quem dividir suas alegrias e tristezas, seus problemas e soluções. É nessa comunidade que o cristão pode ouvir um conselho, uma palavra de sustentação, um consolo e ver uma uma mão estendida na sua direção, quando estiver carente.

O povo cristão sempre viveu em comunidades, compartilhando boa parte da sua vida com irmãos e irmãs na fé. Esse é o exemplo que a Bíblia nos dá. E é sobre isso que falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

OS CICLOS DA VIDA

Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado;... tempo para demolir, e tempo para construir; tempo para chorar, e tempo para rir;... tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se... tempo para calar, e tempo para falar; tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a pazEclesiastes capítulo 3 versículos 1 a 8

Dois anos antes da morte do meu pai, eu o encontrei lendo um livro intitulado "Como morremos". O tema do livro me pareceu muito pessimista e falei isso para ele. Aí meu pai me deu uma resposta inesquecível: "Filho, se eu não pensar nisso agora, com 82 anos de idade, quando será a hora de fazer isso?"

Meu pai tinha toda razão: há um tempo certo para tudo na vida, até para pensar na morte. A Bíblia traz esse ensinamento no livro do Eclesiastes, no trecho que citei no início dessa postagem. Há tempo na vida para trabalhar e para descansar, para plantar e para colher os frutos do que se plantou, para ficar alegre e para se entristecer, e assim por diante.

Na verdade, a vida do ser humano é composta por uma sucessão de ciclos, sendo que cada um deles pode envolver coisas boas e ruins, coisas que trazem alegria e tristeza.

Por exemplo, é fácil perceber o ciclo da vida econômica das pessoas. Quando crianças e adolescentes, elas são sustentadas (geralmente por sues pais) e assim podem ter tempo para crescer e obter os conhecimentos que serão necessários na sua futura vida profissional.

Mais adiante, começam a trabalhar e passam a se sustentar. Um pouco mais adiante passarão a sustentar outras pessoas, como os pais (já velhos) ou os próprios filhos/as. Durante sua fase produtiva, as pessoas pagam impostos e ajudam a sustentar as políticas públicas e também quem já se aposentou. Quando chegam na fase final do seu ciclo econômico, as pessoas vão perdendo as forças e chega a hora delas mesmas se aposentarem e aí a sociedade passa a lhes devolver um pouco do que fizeram ao longo das suas vidas. E pode ser até que precisem de ajuda econômica de outras pessoas (como filhos/as), caso não tenham conseguido poupar o suficiente.

Há quem tenha dificuldade em aceitar esses ciclos naturais da vida. Lembro que certa vez uma amiga me disse o seguinte: "minha vida está tão boa, que fico com medo de que as coisas mudem para pior." Ela sabia que os ciclos se sucedem, mas como as coisas estavam muito boas para ela, temia que a situação só pudesse mudar para pior, nunca para melhor. Por isso essa amiga queria "congelar" o tempo. 

Mas isso não é possível. Os ciclos da vida vão se suceder, como a Bíblia ensina, e não há nada que possa ser feito para mudar. Há um ditado muito famoso que procura descrever essa situação: "não há bem que sempre dure ou mal que não se acabe". De uma forma ou de outra, como reconhece o ditado, tudo acaba passando, tanto as coisas boas quanto as ruins. A vida sempre entre num outro ciclo.

Agora, quando as pessoas se recusam a aceitar as mudanças inevitáveis da vida, acabam por gerar problemas para si mesmas. Entram em "guerras" que não podem ser vencidas. Um bom exemplo disso é a questão do envelhecimento.

Acho que as pessoas precisam ter alguma vaidade e procurar envelhecer de forma adequada - por exemplo, há gente que não envelhece, "desmorona", e isso é muito ruim. Mas, por mais que as pessoas lutem, os efeitos da idade vão se fazer sentir, cedo ou tarde. E é preciso aceitar isso. 

É preciso aprender a conviver com as perdas que a vida traz: da beleza, do vigor físico, da importância na sociedade, etc. Revoltar-se com esse estado de coisas não adianta nada - somente gera sofrimento inútil. E lembro aqui das pessoas deformadas por plásticas excessivas, buscando rejuvenescer, ou idosos/as se vestindo e comportando como adolescentes, tornando-se ridículos/as aos olhos da sociedade.

Os ensinamentos da Bíblia
Há três ensinamentos bíblicos sobre os ciclos da vida. O primeiro, conforme já comentei acima, é que eles são inevitáveis e é preciso aprender a conviver com eles. Pessoas nascem, crescem, amadurecem, envelhecem e morrem. Assim é com toda a humanidade e é preciso aceitar essa realidade. Simples assim.

O segundo ensinamento é a necessidade de valorizar os momentos bons e as realizações obtidas: 
Descobri que não há nada melhor para o homem do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive. Descobri também que poder comer, beber e ser recompensado pelo seu trabalho, é um presente de Deus. Eclesiastes capítulo 3, versículos 12 e 13.
Por exemplo, uma viagem de férias com toda a família, uma festa de casamento ou uma vitória profissional. Podem até ser coisas mais simples do que essas, como ler um bom livro numa tarde de chuva ou apreciar um lindo por do sol com alguém que se ama.

Mas, nunca se esqueça que a valorização das coisas boas da vida precisa incluir a gratidão a Deus. O reconhecimento que tudo vem d´Ele e que nossa dependência d´Ele é completa. É claro que é preciso também reconhecer o esforço pessoal que levou a se conseguir a coisa boa, mas é preciso nunca perder de vista que, sem Deus, nada teria sido possível.

O último ensinamento da Bíblia sobre esse tema é o seguinte: prepare-se com antecedência para as mudanças que irão acontecer cedo ou tarde. Isso está bem claro na mente das pessoas no que se refere a algumas áreas da vida - por exemplo, a necessidade de poupar para ter uma velhice sem sobressaltos. Quase todo mundo tem isso bem claro na mente.

Mas, em outras áreas da vida, não é bem assim e as pessoas não se preparam adequadamente para os ciclos futuros. Por exemplo, poucas pessoas constroem atividades paralelas para se manter ativas depois da aposentadoria. Atividades que as mantenham se sentindo úteis e realizadas. Aí muitas pessoas aposentadas acabam virando "mortas-vivas", sem saber como preencher seu tempo e se sentindo inúteis.

Concluindo, prepare-se para os ciclos da vida, pois, quer você queira ou não, eles vão acontecer.

Com carinho

sábado, 8 de dezembro de 2018

A GENTE SE ACOSTUMA ... MAS NÃO DEVERIA

A gente se acostuma com coisas erradas e ruins. Mas, não deveria...

Na verdade, temos grande capacidade de nos adaptarmos às coisas ruins que vemos e/ou vivemos. Isso é até uma forma de auto-defesa. Mas essa capacidade de adaptação frequentemente se torna nociva, pois, de certa forma, anestesia e nos impede de reagir e lutar contra o que está errado.

Assim, notícias de morte violenta ou grandes desastres nos horrorizam por algum tempo, mas depois seguimos com a vida, como se nada tivesse acontecido. Pessoas miseráveis costumam não mais nos chamar atenção, quando passamos por elas na rua. A corrupção desenfreada no Brasil nos choca, mas nos consolamos ao dizer que os políticos não prestam, ou ainda que vamos anular o voto na próxima eleição como forma de protesto. A ineficiência e o desperdício nos serviços públicos nos incomodam, mas nos consolamos dizendo que o sistema é assim mesmo.

De igual forma, ficamos preocupados por algum tempo com a salvação das pessoas que amamos (e que ainda não aceitaram Jesus), mas depois seguimos em frente. Ou vemos coisas erradas na igreja que frequentamos, mas percebemos que vai dar muito trabalho mudar as coisas e nos acomodamos. Vemos o pecado se espalhando pela sociedade onde vivemos e nos calamos. E vamos em frente com nossas vidas.

Agimos assim por puro comodismo, porque não queremos nos incomodar e pagar o preço de reagir e/ou mudar. Poucos meses atrás escrevi aqui no site, com minha mulher, um texto contra o aborto (veja aqui), pois o tema deve ser brevemente discutido no Supremo Tribunal Federal. Meu objetivo era esclarecer as pessoas por que somos contra essa prática. Depois que publiquei essa postagem, conversei com um rapaz cristão, que tem extenso trabalho no Facebook e sugeri que ele colocasse um link dessa postagem para ajudar seu próprio público. A resposta que recebi foi que ele não queria tratar desse assunto, pois gera polêmica.

O exemplo de Jesus
O fato é que Jesus não agiu assim. Ele nunca deixou para lá o que estava errado. Nunca seguiu em frente com a própria vida, pois iria gerar incômodo lutar para mudar as coisas. 

Por exemplo, quando viu os sacerdotes mais importantes fazerem do Templo de Jerusalém um local de comércio, aproveitando-se da religiosidade do povo, Jesus revoltou-se e expulsou os vendedores que ali desenvolviam seu comércio iníquo. Ao perceber que os fariseus queriam impor ao povo judeu uma religião legalista e hipócrita, Jesus levantou sua voz, fez críticas e deu os alertas necessários. Ele sempre agiu assim e, em boa parte, foi por causa disso que acabou condenado e morto.

O exemplo do pastor Billy Graham
Há algumas pessoas cristãs que não temem seguir o exemplo de Jesus e se posicionam, mesmo enfrentando críticas. Por exemplo, anos atrás o pastor Billy Graham publicou uma carta aberta no seu site. Para quem não o conhece, trata-se do pregador que falou do Evangelho de Jesus para mais pessoas em toda história, através de centenas de cruzadas evangelísticas pelo mundo todo. O pastor Graham faleceu recentemente, com mais de 100 anos de idade e foi por muito tempo considerado uma “reserva moral” da sociedade em que vivia, tendo inclusive aconselhado vários presidentes dos Estados Unidos.

No caso ao qual me refiro, o pastor Graham, mesmo já com idade bem avançada, saiu da sua zona de conforto e levantou sua voz contra aquilo que entendia estar errado no seu país. Preste atenção no que ele escreveu e veja que muitas das suas palavras se aplicam também ao Brasil:

"Anos atrás, minha mulher, Ruth, estava lendo a minuta de um livro meu. Quando ela terminou de ler um capítulo que descrevia a espiral descendente dos padrões morais vigentes em nosso país e o crescente culto a falsos deuses, como a tecnologia ou o sexo, ela me causou espanto ao afirmar: “Se Deus não punir os Estados Unidos, Ele vai ter que pedir desculpas a Sodoma e Gomorra.” 
...Eu fico imaginando o que Ruth pensaria dos Estados Unidos se ela estivesse viva hoje. Desde que ela fez aquela observação, milhões de bebês foram abortados e nosso país não parece nem um pouco preocupado. Autoindulgência, orgulho e falta de vergonha pelo pecado cometido são hoje emblemas do estilo de vida norte-americano ... Nossa sociedade faz esforços para não ofender nenhuma pessoa – exceto Deus. 
A notícia maravilhosa é que nosso Deus é misericordioso e Ele responde ao arrependimento. Nos dias do profeta Jonas, Nínive era a única superpotência do mundo – rica, sem preocupações e autocentrada. Quando Jonas finalmente viajou para Nínive e transmitiu ao povo o alerta de Deus, as pessoas ouviram e se arrependeram... 
Comentário final
Faça como Jesus. Siga também o exemplo corajoso do pastor Graham. Não se acostume com o que estiver errado. Não se acomode quando vir o mal à sua volta. Exerça sempre sua capacidade de se indignar e de falar o que for necessário. E quando puder, faça algo de concreto. 

Isso pode significar, muitas vezes, ter que sair da sua zona de conforto e até receber críticas. Por exemplo, é isso acontece comigo aqui neste site, quando escrevo coisas mais duras. 

Mas não se importe. Faça o que for necessário. Pelo menos você terá sua consciência tranquila por ter feito sua parte para ajudar a construir um mundo melhor. E também por estar agradando a quem de fato importa, Deus.

Com carinho

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A DIFERENÇA ENTRE ALMA E ESPÍRITO

Você sabe qual é a diferença entre alma e espírito? Todos os estudiosos, mesmo quem não é cristão, concordam que o ser humano é formado de uma parte material - seu corpo - e outra imaterial, onde são produzidos os pensamentos, as emoções, etc. Essa parte imaterial costuma ser chamada de "mente". Corpo e mente formam um conjunto - não há vida humana sem essas duas partes. 

Quem não acredita em Deus pensa que, no fim da vida humana, a mente morre junto com o corpo. Já o povo cristão acredita que o corpo vai morrer sim, mas há uma parte da pessoa permanecerá viva. E essa parte que permanece viva vai ganhar um novo corpo, conforme aconteceu com Jesus, na ressurreição que acontecerá no final dos tempos. 

Portanto, a permanência de parte de cada ser humano, até o final dos tempos, é uma crença essencial do povo cristão, pois sem isso não podeira haver a ressurreição dos mortos no final dos tempos. 

Alternativa 1: A alma seria diferente do espírito
Agora, mesmo no meio cristão, há diferenças quanto ao entendimento sobre a composição da mente humana. Alguns acreditam que ela é constituída de duas partes diferentes, alma e espírito. Veja o texto de 1 Tessalonicenses capítulo 5, versículo 23:
E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Segundo essa ideia, na alma seriam registrados os pensamentos e as emoções. O espírito seria a "semente" divina, que vem de Deus, a sede da vida (Gênesis capítulo 2, versículo 7). Por isso o espírito não morre.

Mas há problemas com essa interpretação. Veja o que diz Apocalipse capítulo 6, versículo 9:
E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram.
Esse texto trata de uma visão do apóstolo João e nessa parte específica lhe foram mostradas as almas dos mártires da fé junto a Deus, aguardando sua ressurreição no final dos tempos. Mas no modelo tradicional que aceita a separação entre alma e espírito, os espíritos das pessoas é que deveriam estar junto a Deus e não suas almas.

Outro problema com a divisão da mente entre alma e espírito é a questão da individualidade do ser humano. Onde seria a sede dessa individualidade: na alma ou no espírito? Ou ela seria repartida entre essas duas partes? Mas, se for assim, como essa divisão é feita? Essas são questões muito complexas e que parecem não ter uma boa resposta. Por causa disso, muitos estudiosos/as cristãos defendem uma outra abordagem, que me parece mais adequada.

Alternativa 2: alma e espírito seriam duas partes da mesma coisa
A outra abordagem defende que não há separação real entre alma e espírito. Quando a Bíblia fala nessas duas coisas estaria, na verdade, descrevendo duas funções diferentes da mente humana. A alma se referiria à função que tem a ver com nosso relacionamento com o mundo físico, incluindo as outras pessoas, incluindo emoções, o raciocínio lógico, a memória, etc. A outra função, chamada de espírito, se refere ao relacionamento do ser humano com Deus, o que dá origem à fé, ao louvor, etc.

Isso explicaria porque a Bíblia usa os termos "alma" e "espírito" de forma meio livre. Em alguns momentos, usa as duas palavras juntas para descrever a mente humana (como no texto de 1 Tessalonicenses que citei acima. Em outras usa um ou outro termo, de forma meio indistinta, como acontece no texto do Apocalipse citado acima. 

Alma e espírito seriam uma coisa só, formam a mente humana, que é a sede da individualidade da pessoa. A mente não morre e receberá um corpo renovado no final dos tempos. E essa é a esperança que todo o povo cristão tem.

Com carinho

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

A MEMÓRIA DE DEUS NUNCA DESAPARECE

Hoje em dia as pessoas se preocupam muito com a perda de memória à medida que envelhecem. Sem dúvida, esse é um problema sério.

A experiência prática, com pessoas que ficam com a memória comprometida, tem demonstrando que a lembrança de Deus é muito mais permanente. Ela quase nunca desaparece. Por causa disso, pessoas totalmente desligadas da realidade à sua volta, despertam quando ouvem hinos que conhecem e conseguem cantá-los. Ou repetem orações que estavam acostumadas a dizer nas suas igrejas. 

É sobre isso que falo no meu mais novo vídeo, mostrando que há uma promessa na Bíblia nesse sentido - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

domingo, 2 de dezembro de 2018

A PROVA DE CONFIANÇA EM DEUS


A melhor forma de entender o conceito de fé é pensar em CONFIANÇA. Se você confia em alguém pode dizer, então, que tem fé nessa pessoa. 

E isso se aplica também à nossa relação com Deus. Assim, se você tem fé em Deus, é porque confia que Ele é bom, misericordioso e sempre atua no sentido de trazer o melhor para você. Simples assim. 

Jesus falou sobre confiança, quando comentou com os discípulos o tipo de fé que o ser humano deve ter em Deus. Ele chegou a dizer que a fé verdadeira é como a confiança cega que as crianças pequenas têm nos seus pais. E é uma fé assim - sem restrições - que Deus espera de cada um/a de nós. 

A fé que as pessoas normalmente têm
Na maioria absoluta dos casos, não é essa que fé que as pessoas têm , mesmo quando são cristãos/ãs sinceros/as. As pessoas costumam confiar em Deus, mas não totalmente. E essa é a pura verdade. 

As pessoas confiam n´Ele mas esperam respostas lógicas para aquilo que acontece com elas. Elas querem, por exemplo, entender os motivos de Deus para permitir que haja sofrimento no mundo. Mais ainda, as pessoas esperam ser protegidas e receber bençãos de Deus em contrapartida para sua fé e quando isso não acontece da forma como imaginavam, se revoltam e ficam bravas com Deus.

Agora, mesmo imperfeita, é essa fé com a qual o Espírito Santo trabalha no dia-a-dia. Ele usa essa confiança frágil e limitada em Deus das pessoas para realizar coisas maravilhosas nas vidas dela.

Os campeões da fé
Não há dúvida que algumas pessoas têm mais capacidade de ter fé em Deus. A Bíblia chega a apresentar relações de "heróis e heroínas" da fé - pessoas que confiarem em Deus num grau muito acima da média dos demais seres humanos. E estou falando de pessoas inteligentes, competitivas e com mentes questionadoras, como Davi ou Paulo. Gente que não iria confiar em qualquer bobagem que lhes dissessem ouvisse. 

O que permitiu a essas pessoas construir uma fé tão forte assim? Simples, sua fé foi construída com base num relacionamento próximo com Deus, mantido por muitos e muitos anos. E se você pensar um pouco, a confiança nas pessoas que nos cercam é construída exatamente assim. 

Por exemplo, eu confio na minha mulher, a ponto de dar um "cheque em branco" para ela, mas esse sentimento foi construído ao longo de anos de convivência, vendo como ela se comporta e conhecendo na prática os princípios éticos que regem sua vida. É óbvio que o sentimento inicial (a paixão) abriu as portas para a relação, mas a confiança só veio com o tempo de convivência.

E não é diferente com Deus. Quando a pessoa se converte, a emoção inicial tem grande peso - ela funciona como a paixão numa relação entre homem e mulher. Mas esse é só o começo. É preciso ir construindo a relação com Deus passo a passo, criar canais de comunicação com Ele e assim por diante. 

Essa é a razão pela qual a Bíblia ensina que a "fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus" (Romanos capítulo 10, versículo 17). O estudo da Bíblia ajuda poderosamente na construção de uma relação íntima e saudável com Deus. Mas há outras coisas que podem ser feitas para aprofundar essa relação, como a oração constante, o diálogo entre a pessoa e Deus). Como também o louvor, a manifestação concreta da alegria que pessoa sente em se relacionar com Deus. E assim por diante.

Concluindo, invista na sua relação com Deus e veja sua fé, sua confiança n´Ele, crescer. Você só vai se beneficiar com isso.

Com carinho