sábado, 13 de abril de 2019

O QUE ME FALTA AINDA?


...um jovem disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? E ele disse-lhe: ...Se queres, porém, entrar na vida [eterna], guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedadesMateus capítulo 19, versículos 16 a 23
Essa história é muito interessante: é o diálogo de Jesus com um jovem rico. O rapaz era seguidor fiel dos mandamentos do judaísmo - afirma isso expressamente e Jesus não o desmente. Mas o jovem sabia que isso não era suficiente. Faltava-lhe alguma coisa importante. E ele queria saber de Jesus o que era.

Jesus respondeu indo ao centro da questão: disse ao jovem para vender tudo e segui-lo. Agora, é importante entender bem o motivo para essa resposta. Jesus não estava estabelecendo a doutrina que os cristãos precisam vender tudo para poder segui-lo. Tanto assim, que Jesus não fez o mesmo tipo de pedido para outras pessoas, fez isso apenas para aquele jovem.

Jesus teve uma razão forte para fazer esse pedido tão exigente exatamente para aquele jovem: queria expor o problema daquele rapaz, que era o excessivo apego dele aos bens materiais. Não era Deus quem vinha em primeiro lugar na vida daquele jovem e sim os bens materiais. E foi por isso que o rapaz ficou tão triste com o pedido de Jesus. 

O jovem até cumpria fielmente os mandamentos, mas não dava prioridade a Deus, nunca entregou seu coração de fato a Ele. Sua religião era fria e legalista. E esse é um problema terrível e de difícil solução.

Conheço algumas pessoas nessa situação - até tentam seguir o cristianismo, mas suas vidas espirituais são pobres e limitadas exatamente porque nunca tomaram a decisão de dar prioridade a Jesus. Outras coisas - como família, emprego, sucesso, bens materiais, conforto, lazer, etc - sempre vêm na frente, são sempre mais importantes. Deus fica com o tempo que sobra. 

Algumas dessas pessoas até se iludem pensando que vão conseguir fazer essa transição aos poucos - passo a passo irão dando menos importância para as coisas do mundo e aumentando a presença de Deus nas suas vidas. . Mas não é isso que a Bíblia ensina. Ela fala que tudo começa com a decisão pessoal de entregar de fato a própria vida para Jesus. E esse é um passo fundamental. A decisão vem sempre antes e a mudança de vida vem depois. Sem essa decisão, Jesus nunca vai ocupar o lugar que merece na vida da pessoa. 

Mudança de hábitos e de práticas de vida são fruto da ação do Espírito Santo, quando a pessoa decide caminhar com Deus. A decisão faz com que a passe a contar com o apoio e a orientação do Espírito Santo e aí as mudanças acontecem e, mesmo com essa ajuda, o processo de mudança normalmente é lento. Dificilmente há uma mudança do dia para a noite.

Portanto, se você quiser saber o que lhe falta, a resposta é simples: você já entregou de fato sua vida a Jesus e Ele é o principal interesse da sua vida? Se sua reposta para essa pergunta for "sim", você já está no bom caminho. Se sua resposta for "não" ou "talvez", tome a decisão por colocar Jesus em primeiro lugar sem demora.

Com carinho

quinta-feira, 11 de abril de 2019

CRESCENDO AO VENTO

Um experimento científico, nos Estados Unidos, a Biosfera 2, procurou reproduzir a natureza numa situação de controle total, debaixo de uma cúpula, onde inclusive não havia vento. Essa grande bolha, com dimensão de pouco mais que um hectare, continha plantas de diversas espécies, inclusive muitas árvores. 

Para surpresa geral, as árvores cresceram ali mais depressa do que o normal, só para entrarem repentinamente em colapso. Ocorre que a tal bolha, como já disse, não tinha vento e as árvores precisam passar pelo estresse causado por ele para se fortalecerem. 

E assim somos nós: os problemas que a vida coloca diante de nós, funcionam como o vento: precisamos deles para fortalecer nosso caráter e nossa fé. E é por isso que, muitas vezes, Deus permite coisas que parecem ruins aconteçam nas nossas vidas.

E é sobre isso que o Rogers fala no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes dele aqui e aqui.

terça-feira, 9 de abril de 2019

O ENSINAMENTO DO VERSÍCULO MAIS POPULAR DA BÍBLIA

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João capítulo 3, versículo 16
Este é o versículo mais popular da Bíblia, fato reconhecido por diversas pesquisas feitas ao longo do tempo, várias inclusive usando recursos digitais (veja mais).

Mas por que esse texto é tão querido assim? Por que ele inspira tanto as pessoas? A resposta é simples: nele está resumida nele toda a mensagem do Evangelho de Jesus. O versículo tem quatro partes que falam sobre: 1) a causa de haver um Plano de salvação do ser humano instituído por Deus; 2) o preço desse processo de salvação; 3) a condição para que a salvação ocorra; e 4) a sua consequência. Vamos ver isso tudo em maior detalhe. 

A base para a salvação
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira...”

O plano para a salvação foi instituído porque Deus nos ama muito. Ele já sabia desde o início que, ao dar o livre arbítrio para as pessoas, elas iriam contrariar seus mandamentos, ou seja, pecar. Deus, então, montou um plano para dar-lhes seu perdão, sem precisar abrir mão do seu senso de justiça. Isso porque Jesus pagou o preço dos nossos pecados. E esse caminho é o da Graça.

O preço da salvação
“... que deu seu filho unigênito...”

Como os seres humanos pecam, a justiça de Deus demanda punição pelos pecados cometidos. O caminho tradicional para fazer isso seria Deus acertar contas com cada pessoa, tendo por base aquilo que ela fez, e regulando a punição dela de forma proporcional aos seus pecados. 

Mas essa abordagem gera um problema: como todas as pessoas pecam e Deus abomina o pecado, a punição seria severa e ninguém conseguiria ser salvo. Portanto, era preciso haver uma alternativa. 

E a Graça de Deus é justamente esse caminho alternativo. Em outras palavras, Deus deu seu Filho para que Ele sofresse a punição em nome de cada pessoa pecadora. Jesus foi sacrificado na cruz por nós. 

Assim, Deus conseguiu manter sua justiça, pois houve um preço pago pelos pecados, e mesmo assim conseguiu dar acesso às pessoas a sua salvação (graça). É uma solução brilhante. 

A condição para a salvação
“... para que todo aquele que nele crê...”

O caminho para a salvação, via Graça de Deus, não tem um preço para o ser humano, mas tem uma condição: a pessoa acreditar que Jesus morreu por conta dos seus pecados. Ela precisa reconhecer essa realidade. É essa crença (fé) que abre o caminho da Graça para cada ser humano. 

A consequência da salvação
“... não pereça, mas tenha a vida eterna.”

A salvação é o processo pelo qual a pessoa passa novamente a ter acesso a Deus. Esse caminho, antes obstruído pelo pecado, fica re-estabelecido. Os pecados dela são perdoados (cobertos pelo sangue de Jesus) e a pessoa pode se apresentar purificada diante de Deus, voltando a ser aceita por Ele. 

E, assim, no final dos tempos, quando houver o julgamento final, a pessoas receberá a vida eterna, ou seja, terá acesso a uma nova realidade - uma nova sociedade, sem pecados, perfeita no seu funcionamento, onde Deus será o centro de tudo. E essa nova realidade não acabará - terá começo mas não fim. 

Tecnicamente é errado usar a palavra "eterna" para se referir a essa nova forma de viver, pois eterno é algo que não tem nem começo nem fim - sempre existiu e sempre existirá - como Deus. Essa nova forma de vida tem um começo mas não acabará, portanto, tecnicamente, não é eterna. 

Mas falamos em "vida eterna", porque essa nova realidade, que ainda vai acontecer, sempre esteve presente na mente de Deus. E nesse sentido, ela é eterna. 

Conclusão
João capítulo 3, versículo 16 resume numa única frase todo o plano de salvação que Deus concebeu para o ser humano. Daí sua importância.

Esse plano é fruto do amor extremado que Deus tem por cada ser humano, querendo ter cada pessoa junto a si. E a forma de fazer isso é o caminho da Graça. 

E o preço da salvação pela Graça é que os pecados cometidos pela humanidade sejam todos resgatados pelo sacrifício feito por Jesus, na cruz, cerca de 2.000 anos atrás.

Agora, a Graça de Deus é oferecida de forma condicional: a pessoa precisa aceitar que Jesus morreu por ela e não há como fugir desse requisito.

A vida eterna será uma nova forma de funcionamento da sociedade, onde não mais haverá sofrimento nem injustiças. Deus será o centro de tudo e o garantidor da felicidade geral.

Confesso que eu fico com inveja da capacidade de síntese de João, ao dizer, numa única frase, tudo que há para ser dito sobre esse o plano da salvação. Penso que essa frase genial demonstra, sem dúvida, que o texto da Bíblia é inspirado por Deus. 

Com carinho

domingo, 7 de abril de 2019

ANSIEDADE, COMO VENCER ESSE MAL


A ansiedade é um sentimento difícil de evitar. Parece fazer parte da vida de todo mundo. Quem já não ficou ansioso antes de uma prova na faculdade ou ao mudar de emprego ou, ainda, na véspera de uma cirurgia? Acredito que todo mundo já passou e passa por isso.

Mas, frequentemente, a ansiedade da pessoa vai muito além de um nível razoável, do que poderia se considerar natural. Há quem viva ansioso/a por coisas demais e, muitas vezes, o nível de ansiedade da pessoa torna-se tão alto que ela acaba até doente.

A raiz desse problema, conforme a Bíblia ensina, está no desejo da pessoa de controlar as situações da própria vida. E quando a circunstância está ao alcance dela interferir (como estudar e fazer uma prova ou adaptar-se bem a um emprego novo), a ansiedade pode até ser uma boa coisa, pois galvaniza a ação e ajuda a levar à superação de desafios. 

Mas, frequentemente, as pessoas ficam mesmo ansiosas por coisas que não estão ao alcance delas interferir. Por causa disso, o filósofo francês Montaigne chegou a dizer: “minha vida é cheia de infortúnios, a maior parte dos quais nunca me aconteceu”.

Meu sogro era uma pessoa muito boa e correta, mas tinha uma enorme ansiedade com a declaração do imposto de renda. Dois meses antes do prazo de entrega, ele já começava a se preocupar e a sofrer. Chegava a acordar no meio da noite, preocupado em ter feito alguma coisa errada na declaração. E só entregava sua declaração na última hora, pois tinha receio que o governo mudasse alguma coisa até lá. Ele sofreu anos a fio com isso e nada veio de positivo dessa experiência toda.

E assim costuma acontecer com a maioria das pessoas muito ansiosas. Elas passam por ansiedades de todo tipo: E se alguma coisa ruim vier a acontecer com meus filhos ou minha mulher (marido)? E se alguém tiver uma doença grave? E se o país entrar em crise e eu perder o emprego? E se meu time perder a decisão do campeonato? E se...? E se...?

Essas pessoas jogam um jogo muito peculiar, chamado de “e se...”. E esse jogo tem apenas duas regras muito simples, mas implacáveis:
  • Regra 1: a pessoa nunca consegue ganhar, só pode perder. Ou seja, ela nunca consegue imaginar coisas boas, só ruins.
  • Regra 2: a pessoa teme que irá acontecer sempre o pior possível. 
Se você é ansioso, acredito que isso seja bem familiar. O fato é que os problemas vêm e vão e a ansiedade não contribui em quase nada para ajudar a resolvê-los. Ela funciona como uma cadeira de balanço: passa a sensação de movimento, mas deixa a pessoa sempre no mesmo lugar.

Deus é a resposta para a ansiedade destrutiva 
As pessoas costumam ficar ansiosas, como já disse, porque querem ter controle sobre suas vidas. Querem adquirir certezas sobre o que lhes vai acontecer. E isso caracteriza uma falta de confiança em Deus - em outras palavras, é simplesmente falta de fé.

Bem lá no fundo, a pessoa ansiosa acha que Deus não quer se envolver com as circunstâncias da sua vida e se quiser fazer isso, não iria tomar conta das coisas tão bem quanto ela mesma. Parece absurdo dizer isso, mas essa é a mais pura verdade. Afinal, a pessoa confiasse mesmo em Deus, acreditando no seu amor e na sua onipotência, não haveria razão para ficar tão ansiosa.

Jesus entendeu bem essa dificuldade humana e falou bastante sobre a ansiedade excessiva – por exemplo, ver Mateus capítulo 6, versículos 25 a 34):

"Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? "Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer? ’ ou ‘que vamos beber? ’ ou ‘que vamos vestir? “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal".
Jesus ensinou que não devemos ficar preocupados demais com as coisas e precisamos aprender a confiar em Deus. Em Lucas capítulo 21, a partir do versículo 10, Jesus alertou seus discípulos que viriam dias difíceis para eles, pois iriam sofrer perseguições (como de fato sofreram). Aí, no versículo 14, Ele fez essa declaração surpreendente:
Mas convençam-se de uma vez de que não devem preocupar-se com o que dirão para se defender.
Repare que Ele usou aqui o verbo “convencer-se”, ou seja, cabia aos próprios discípulos chegarem à conclusão que ficariam melhor nas mãos de Deus. Essa tarefa era deles mesmos.

Portanto, aceite a proposta de Jesus: convença-se que você está nas mãos de Deus e isso é o melhor que lhe pode acontecer. Não deixe que a “doença” da ansiedade tome conta da sua vida. Agora, a Bíblia também alerta que isso é um exercício de humildade – veja o texto de 1 Pedro capítulo 5, versículos 6 e 7:
Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido. Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.
Se tivermos humildade para entregar nossas dúvidas e ansiedades nas mãos de Deus, devemos ter certeza de receber de vir a receber as melhores respostas para nossas dificuldades. Afinal, ninguém é mais sábio e tem maior conhecimento das coisas do que Deus. 

E, à medida que sua fé cresce, sua ansiedade diminui. E quando você entra por esse caminho, passa a viver na paz de Deus, que vai além de qualquer compreensão humana.

Um exercício útil
Aqui vai um exercício simples e muito útil para você – eu já fiz e funcionou. Encontre uma caixa pequena e escreva nela a frase: “confiando em Deus”. Aí, sempre que você ficar ansioso/a, por alguma coisa que não estiver ao seu alcance resolver, escreva sua preocupação num pedaço de papel, date e coloque o papel na caixa. Ao fazer isso, você estará entregando aquela preocupação para Deus e você vai confirmar isso com uma oração.

Esse procedimento estará seguindo o ensinamento de Filipenses 4:6-7: 
Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.
Em outras palavras, você está liberado para orar sobre tudo, mas não deve se preocupar com nada. As preocupações passam a ser responsabilidade de Deus e deixam de ser suas. E se, por absurdo, você quiser voltar a se preocupar com alguma situação, terá que ir na caixa e pegar o papel correspondente de volta, deixando claro que está tirando aquela situação das mãos de Deus.

E, periodicamente, pegue alguns dos papéis que ficaram na caixa e relembre o que aconteceu em sua vida. Você vai se maravilhar ao perceber como Deus agiu, as coisas que Ele fez. E aí será um bom momento para agradecer e louvá-lo. 

Amém.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

UM CHAMADO À HONESTIDADE: O OITAVO MANDAMENTO

O oitavo mandamento, dentre os famosos Dez, é bastante simples no seu conteúdo: “não furtarás” (Êxodo capítulo 20, versículo 15). Agora, como acontece com os outros, o oitavo mandamento há diversas nuances que tornam a caracterização do certo ou errado, no caso do mandamento de não furtar, menos simples do que parece ser. 

Para entender o que acabei de dizer, como você responderia às perguntas abaixo? Elas seriam (ou não) violações ao oitavo mandamento? 
  • O empregador que não paga um salário justo ao empregado, para aumentar seu lucro, está roubando? 
  • Comprar produtos piratas é roubo dos direitos autorais de alguém? 
  • Usar dinheiro público de forma ineficiente, gastando a maior parte em burocracia inútil, é roubar o contribuinte? 
  • Aumentar o lucro da empresa à custa do meio ambiente é roubar o público? 
  • Colar nas provas da escola é roubar o conhecimento do outro?
Na verdade, todas essas situações são exemplos de violações ao oitavo mandamento. Mas, o fato é que algumas dessas situações – como colar na prova ou comprar produtos piratas – gozam de certa aceitação social e a maioria das pessoas acha que não estariam roubando se agissem assim e ficam com sua consciência em paz. 

O oitavo mandamento não se refere apenas à proibição de roubar diretamente bem ou dinheiro que pertença a outro pessoa. Abrange também negar determinado direito que essa pessoa tem (como o salário justo ou um meio ambiente não poluído), para ganhar vantagem com isso (por exemplo, para aumentar o lucro). 

O espírito desse mandamento, portanto, é fazer um chamado para as pessoas levarem uma vida de honestidade radical.

Dilemas morais
Agora, costumam aparecer uma série de dilemas morais relacionados com esse mandamento. E vou dar um exemplo típico: é legítimo roubar para dar de comer a quem está morrendo de fome?

Dilemas são situações onde parece haver um choque entre dois mandamentos, não sendo possível cumprir os dois ao mesmo tempo. No exemplo que dei, o dilema está entre o direito de propriedade e o direito da preservação da vida. 

Em situações como essa, a Bíblia estabelece como uma hierarquia de direitos e sempre fica na frente a preservação da vida. Em outras palavras, o roubo nunca pode ser incentivado, mas em situações bem extremas, onde vidas precisam ser preservadas e não há outra forma de agir, ele pode ser justificado. Isso vale, por exemplo, em casos de miséria absoluta, guerras, grandes catástrofes naturais e outras situações assim.

E a Bíblia fala de um caso que dá sustentação ao que acabei de falar. Davi e seus homens entraram no Tabernáculo (a tenda precursora do Templo de Jerusalém) e comeram os doze pães consagrados (representavam as doze tribos de Israel). Seus homens tinham fome e Davi não encontrou outra solução. E ele não foi criticado por Deus por causa dessa atitude (Lucas capítulo 6, versículos 3 e 4).

O conceito de propriedade privada é aceito pela Bíblia mas ele não goza de prioridade absoluta. Tanto é assim que, segundo a Lei Moisaica, a cada 50 anos (o ano do Jubileu), toda terra vendida ao longo daquele período de tempo deveria voltar para seu proprietário original. E as dívidas deveriam ser anuladas (Levítico capítulo 25, versículos 10 a 16 e 23 a 31). Para a Bíblia, portanto, há limites ao direito de propriedade, mais ou menos como acontece hoje em dia na maioria dos sistemas legais das democracias ocidentais. 

E tais limitações ao direito de propriedade não constituem violações ao oitavo mandamento. E quando isso é entendido, os dilemas morais a que me referi acima são resolvidos sem muitas dificuldades.

Com carinho

quarta-feira, 3 de abril de 2019

O VALE DA BENÇÃO

A Bíblia traz num livro do Velho Testamento (2 Crônicas): a história do vale da benção. O rei Josafá estava enfrentando uma guerra praticamente perdida, pois seus inimigos eram muito mais numerosos e fortes. Mas, ele orou e Deus mandou a resposta e transformou sua derrota numa vitória. E isso aconteceu num lugar chamado Vale da Benção. 

Esse relato traz grandes ensinamentos para nós. Quando o problema for grande demais, quando tudo parecer perdido e fora do controle, ore e peça ajuda a Deus. E Ele vai responder e livrar você. Aconteceu com o rei Josafá e pode acontecer também com você. Basta ter fé e pedir ajuda.

É sobre isso que falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

O ADULTÉRIO ONTEM E HOJE: O SÉTIMO MANDAMENTO

O sétimo dentre os famosos Dez Mandamento diz simplesmente o seguinte: “não adulterarás” (Êxodo capítulo 20, versículo 14). E a definição de adultério é manter relações sexuais ilícitas, que violem as regras estabelecidas pela sociedade.

Isso parece ser relativamente simples de entender e cumprir. Mas na prática não é bem assim. Afinal, há grandes diferenças de entendimento entre as pessoas quanto ao significado do casamento e de outros tipos de relações estáveis entre homens e mulheres desde o tempo bíblico até os dias de hoje.

O adultério na época da Bíblia
Israel era uma sociedade patriarcal, dominada pelos homens, onde a poligamia (um homem ter várias esposas) era admitida. E havia uma razão prática para isso, além do machismo: os homens morriam cedo por causa das doenças e das guerras e era necessário garantir a continuidade das linhagens. E isso era mais fácil se um homem pudesse ter várias mulheres. E a única condição estabelecida para a pluralidade de esposas era que o homem tivesse condições financeiras de sustentar todas (incluindo seus filhos) adequadamente.

Acho que já deu para você perceber que, num ambiente assim, o conceito de adultério necessariamente teria que ser um pouco diferente daquele que usamos hoje. Naquela época, portanto, adultério era o sexo que um homem qualquer (israelita ou não) viesse a fazer com a mulher legalizada (isto é, a esposa ou a concubina) de um homem israelita. Portanto, um homem israelita já casado poderia ter sexo com todas as mulheres que desejasse, e pudesse, desde que essas mulheres não fossem legalmente vinculadas a outro homem israelita.

E o adultério, definido dessa forma, não era um crime apenas contra o homem a quem pertencia a mulher adúltera, mas um crime contra todo o povo israelita, pois esse erro colocava em risco a pureza das linhagens de sangue - Israel era o povo da promessa e o direito a fazer parte dela era herdado (vinha pelo sangue), daí a preocupação em manter as linhagens puras. 

Concluindo, o mandamento sobre o adultério foi estabelecido para garantir a estabilidade da sociedade israelita e controlar o acesso à promessa que Deus tinha feito à Abraão (participavam dela os filhos de sangue, legítimos, dos homens judeus).

O adultério hoje em dia
Nossa sociedade é organizada de forma diferente. As mulheres não são mais propriedade do marido e os núcleos familiares são monogâmicos (um único homem e uma única mulher), embora uma mesma pessoa possa participar de diferentes núcleos ao longo do tempo, desde que não seja ao mesmo tempo. Em outras palavras, um homem deve se relacionar sempre com uma única mulher, embora possa ter mais de uma mulher ao longo da vida, caso venha, por exemplo, a casar-se, divorciar-se e casar-se de novo. E o mesmo vale para as mulheres.

E também não há muita preocupação em garantir a pureza da linhagem, como havia entre o povo de Israel.

Ora, num ambiente como esse, como fica o adultério? Para responder à pergunta, é preciso lembrar qual é a base da sociedade atual: a família, estabelecida a partir de uma relação monogâmica. Portanto, é isso que precisa ser preservado.

Outro princípio muito importante que temos hoje em dia e que não havia nos tempos bíblicos, é o da igualdade de direitos entre homens e mulheres. Aliás essa igualdade é um conceito encontrado na Bíblia, embora não fosse seguido naquela época. Afinal, homens e mulheres têm o mesmo valor aos olhos de Deus. E foi o cristianismo que levou a bandeira dessa igualdade adiante, tanto é assim que ela se faz presente nos países ocidentais, cujos valores são tradicionalmente cristãos, e não nos países muçulmanos ou de outras religiões.

Sendo assim, aquilo que se aplica aos homens - direitos e deveres - também se aplica às mulheres. Não pode haver diferença entre eles e elas.

Deve, então, ser considerado adultério todo sexo realizado, pelo homem ou pela mulher, fora da relação monogâmica que eles estabeleceram consensualmente, como é o caso do casamento, embora não se limite a essa situação.

E essa definição já responde imediatamente a outra questão: como ficam as relações estáveis mas não oficializadas por casamento, coisa muito comum no Brasil? Quando um homem e uma mulher estabelecem consensualmente um núcleo familiar, mesmo não sendo casados, o mandamento do adultério também passa automaticamente a se aplicar a eles.

É importante perceber que não estou defendendo relações informais e deixando de dar importância ao casamento, mas apenas reconhecendo que há no Brasil muitas uniões estáveis sem casamento e não posso fechar os olhos para essa realidade.

Antes de concluir, preciso ainda lembrar que Jesus colocou uma "pimenta" na questão do adultério. Ele ensinou que a fidelidade apenas física não é o bastante. Também constituem violação do mandamento do adultério os pensamentos adúlteros, mesmo que não venham ser (Mateus capítulo 5, versículos 27 e 28). Portanto, Jesus foi muito mais abrangente na exigência que fez. 

Com carinho