sábado, 27 de abril de 2019

AMOR INIMIGO

Todos conhecem o ensinamento da Bíblia sobre amar o próximo. Mas, pouca gente conhece o mandamento de Jesus para amar até os inimigos. E isso, naturalmente, é muito, mas muito, difícil de fazer. Mas há quem consiga.

No meu mais novo vídeo, conto a história de um médico sul-coreano que conseguiu amar seus inimigos. E fez isso mesmo depois de participar de uma guerra terrível, que trouxe grande sofrimento para seu povo. E deu um exemplo admirável para todos nós. O testemunho desse médico comprova que é possível sim fazer aquilo que Jesus nos pediu. E mais ainda: o resultado desse tipo de esforço é maravilhoso. 

No mesmo vídeo, falo também de Jonas, profeta que foi mandado por Deus para pregar em terra inimiga (Nínive). E se recusou a obedecer e só cumpriu essa missão quando forçado por Deus. E ainda ficou profundamente irritado quando Deus perdoou o povo assírio. Esse é um enorme contraste com o exemplo do médico sul-coreano.

Veja o vídeo aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

COMO TER MAIS CONFIANÇA EM DEUS

Hoje vou falar sobre confiança, que é uma das coisas mais importantes nas relações entre as pessoas. Sem confiança é impossível viver em sociedade.

Meu pai teve um grande amigo, que conheceu na igreja frequentada por ambos durante muitos anos. Meu pai ajudou muito essa pessoa, que vinha de família pobre. Era uma amizade que parecia ser para toda a vida. Mas o tal amigo traiu nossa família de maneira vergonhosa. Foi um choque tão grande, que meu pai ficou doente - ser traído por pessoa na qual se confia muito é bastante doloroso. Só quem já passou por isso sabe o estrago que esse tipo de situação pode causar. 

Essa crise na vida da minha família ensinou-me, desde bem cedo, a importância de escolher bem as pessoas certas em quem vai se depositar confiança. Afinal, ficamos vulneráveis às ações das pessoas em quem confiamos. E esse é um risco presente na vida de todo mundo.

Como adquirimos confiança em alguém
Normalmente, passamos a confiar em alguém apenas depois de certo tempo de convivência. O começo de qualquer relacionamento, seja de amizade, seja amoroso, é um período de testes, onde você vai construindo uma imagem mental da pessoa com quem passou a se relacionar, analisa suas qualidades e defeitos e, sobretudo, decide se é possível ter confiança na pessoa que está entrando na sua vida. 

Repetindo, você forma uma imagem mental da pessoa e decide com base nessa imagem. E, infelizmente, muitas vezes essa imagem está distante da realidade. E aí você passa a depositar confiança em quem não a merece e só descobre isso depois, normalmente quando acontece um grande estrago na sua vida.

E, quando isso acontece, você não costuma culpar você mesmo/a pelo erro de julgamento, por ter construído uma imagem mental errada da pessoa em quem resolveu confiar. Não, você culpa quem traiu sua confiança. 

Acontece que, frequentemente, vemos nos outros aquilo que queremos ver. Por exemplo, uma pessoa solitária e carente pode ver amor sincero nos atos de alguém interesseiro, mas que se aproxima dela usando palavras carinhosas.

E quando você escolhe confiar em quem não era digno da sua confiança, o preço costuma ser muito alto, como minha família descobriu décadas atrás.

Confiando em Deus
A confiança que você deposita em Deus passa pelo mesmo processo: tudo se se apoia na imagem que você constrói com base nas suas experiências de vida com Ele. E essas experiências vêm das leituras da Bíblia que você faz da Bíblia, das pregações que ouve, das respostas de oração que obtém, dos testemunhos de outras pessoas e assim por diante. 

Naturalmente, o conteúdo dessas informações e a forma como você as processa, isto é, faz sentido delas, é muito particular sua. Por isso pessoas diferentes podem construir imagens de Deus bem diversas. Deus é o mesmo, mas a maneira como as pessoas olham para Ele varia muito. 

Assim, algumas poucas pessoas têm confiança quase ilimitada n´Ele. Agem como crianças pequenas que confiam cegamente no seu pai e/ou sua mãe. Já a maioria de nós confia em Deus de forma bem mais limitada - não deveria ser assim, mas essa é a mais pura verdade.

E é possível aferir o tamanho da confiança que uma pessoa deposita em Deus pelas dúvidas que ela têm. As perguntas que cada pessoa costuma fazer, tanto para si mesma, como para os outros, sobre Deus são um bom indicador do seu grau de confiança n´Ele. 

Não estou dizendo que é errado ter dúvidas - elas são naturais na caminhada espiritual de qualquer pessoas e Deus compreende e aceita isso. Afirmei apenas que a natureza dessas dúvidas e as respostas que encontradas para elas demonstram bem a imagem que a pessoa construiu de Deus e, portanto, o grau de confiança depositado n´Ele. Só isso. 

Vejamos dois tipos comuns de dúvidas e o que elas demonstram: 
  • Dúvida tipo 1: Como é possível que fulano, que não segue os ensinamentos da Bíblia, seja mais abençoado do que eu, que sou um cristão sincero? Essa é uma pergunta muito comum e demonstra falta confiança na capacidade de Deus de retribuir cada pessoa da maneira como ela merece, isto é, de forma justa. Pode ainda caracterizar falta de confiança no amor d´Ele (“se Ele me amasse mesmo, não me deixaria ficar nessa situação”).
  • Dúvida tipo 2: Por que Deus estabeleceu um plano para minha vida que me causa tanto sofrimento? A dúvida, neste caso, se refere à sabedoria de Deus e/ou a eficácia da sua. A pessoa com dúvidas, bem lá no fundo, acha que Deus deveria conhecer melhor suas necessidades e/ou agir de forma eficaz para que esses necessidades sejam atendidas, e não vem fazendo isso. Pode ainda caracterizar falta de confiança no amor Deus, o que leva a pensamentos do tipo "Ele não liga para mim" ou "Ele está muito ocupado para me dar atenção".
É importante ainda perceber que a imagem que você constrói de Deus e, portanto, a confiança que deposita n´Ele, vai necessariamente mudar ao longo do tempo, junto com seu amadurecimento espiritual. Estamos falando aqui de um processo dinâmico. E sua confiança n´Ele pode tanto crescer como diminuir, de acordo com suas experiências com Ele.

Agora, por que a maioria das pessoas tem tanta dificuldade em confiar em Deus? Acho que a explicação é simples. As pessoas sabem muito pouco sobre a natureza real de Deus e sobre como Ele decidiu agir nesse mundo. 

E por entenderem as coisas de forma errada, não entendem aquilo que Deus espera delas e/ou ficam esperando que Deus aja de forma que Ele não vai fazer e acabam se decepcionando profundamente. 

Essa dificuldade de entendimento de como Deus é, o que espera de nós e da forma como age neste mundo, leva à falta de experiência real com Ele. Acaba havendo muito pouca coisa em comum entre as pessoas e Deus por falta de uma convivência próxima. É criado um "abismo" relacional entre o ser humano e Deus.

E aí começam a surgir mal entendidos de todos os tipos. Por exemplo, as pessoas muitas vezes acham que sabem melhor do que Deus aquilo que é bom para elas mesmas, ou não confiam que Ele vai conseguir protegê-las de fato, na medida que precisam, ou ainda, que Deus não as ama de fato, até porque elas são pecadoras. Esses e outros mal entendidos vão envenenando a relação com Deus e reduzem a confiança que as pessoas depositam n´Ele.

É o resultado disso tudo é confiança bem limitada em Deus - é isso que vemos na maioria esmagadora dos casos. O que pode ser feito, então, para modificar esse quadro? Como você pode melhorar sua confiança em Deus?

Comece fazendo um auto-exame sincero e identifique porque sua confiança em Deus não é aquela que deveria ser. Descubra onde está a raiz da sua desconfiança: será no senso de justiça de Deus? Na sua sabedoria? No seu amor por você? No seu poder sobre o mundo?

Entendida a origem do problema, procure trabalhar as lacunas na sua fé que você percebeu. Por exemplo, converse com outras pessoas que já passaram pelo mesmo tipo de dificuldade e conseguiram super o problema. Procure neste sites postagens e vídeos onde eu e outras pessoas trabalhamos para esclarecer dúvidas comuns das pessoas e falamos sobre como Deus age no mundo, como exerce seu amor, sobre seus planos para seus filhos e assim por diante. 

E também estude a Bíblia, pois nada substitui os ensinamentos da Palavra de Deus. Veja como situações parecidas com a sua foram resolvidas e aprenda com elas para evitar repetir os mesmos erros que os personagens bíblicos cometeram. E, finalmente, ore muito - confesse suas dificuldades para Deus e peça a ajuda do Espírito Santo para guiar sua vida. 

Se você fizer essas coisas com seriedade, pode ter certeza que sua vida espiritual vai evoluir muito, você vai se aproximar de Deus e vai aprender a confiar bem mais n´Ele. E isso vai fazer toda a diferença quando os problemas normais da vida baterem na sua porta. 

Com carinho

terça-feira, 23 de abril de 2019

ANTES DE EU MORRER

Antes de eu morrer. Esse é o nome de uma campanha que ficou famosa nas redes sociais e se espalhou pelo mundo. A ideia é perguntar às pessoas o que eles fariam, se tivessem uma única escolha, antes de morrer. E as respostas foram as mais diversas. 

E você, como cristão, o que você escolheria fazer? Qual seria sua atitude se colocado numa situação como essa? Será que você escolheria realizar um desejo importante? Ou faria uma coisa ligada à sua fé? Ou ainda procuraria juntar as duas coisas?

É sobre isso que a pastora Carol e a Alícia falam neste novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes da pastora Carol e da Alícia aqui e aqui.

Veja o canal da pastora Carol no Instagram aqui.

domingo, 21 de abril de 2019

OS ÚLTIMOS DIAS DE JESUS

Vamos falar hoje sobre os últimos dias da vida de Jesus, que conhecemos como semana santa. 

Duas procissões entraram em Jerusalém no domingo que antecedeu à Páscoa dos judeus (hoje conhecido como Domingo de Ramos). Em uma delas, Jesus ia montado num burrico, saudado pelo povo (Marcos capítulo 11, versículos 1 a 11). Na outra, Pôncio Pilatos, Governador da Judeia, trazia tropas para reforçar a guarnição de Jerusalém durante o período de festas religiosas dos judeus. Os romanos tinham medo de possíveis desordens na cidade, pois a comemoração da Páscoa atraia centenas de milhares de peregrinos judeus a Jerusalém. 

Pilatos foi recebido com frieza e antagonismo, pois representava o opressor. Já Jesus foi saudado com gritos de “hosana”, que significava, na língua hebraica, “salva-nos por favor”. Era um pedido de socorro dos judeus, oprimidos pelo jugo romano, esperando a intervenção de Deus.

E é preciso ainda lembrar que o nome de Jesus (Yehoshua) significava “Deus salva” e, certamente, fez conexão entre as duas palavras: o grito de socorro (hosana) e o nome de quem iria trazer o socorro (Yehoshua).

No dia seguinte à sua entrada triunfal em Jerusalém, uma segunda-feira, Jesus purificou simbolicamente o Templo de Jerusalém, expulsando comerciantes e cambistas que faziam comércio naquele lugar, desvirtuando seu sentido de casa de adoração (Marcos capítulo 11, versículos 15 a 19). 

Na terça-feira, aconteceu uma grande batalha espiritual entre Jesus e as autoridades religiosas judaicas, por causa do que tinha se passado no domingo e segunda-feira. Aconteceram vários embates verbais, onde a liderança religiosa dos judeus sempre questionou a autoridade de Jesus (Marcos capítulo 12, versículos 13 a 17 e 27 a 34). Jesus, como sempre, deu respostas brilhantes àqueles que o questionavam. 

Dois fatos marcaram a quarta-feira. O primeiro deles foi o pacto de traição que Judas fez com as autoridades religiosas (Marcos capítulo 14, versículos 1 a 11). Judas recebeu trinta moedas de prata para trair Jesus. E essa traição era imprescindível pois alguém precisaria identificar Jesus com toda certeza e também dizer onde Ele poderia ser encontrado, para que fosse possível prendê-lo longe dos olhos do povo. 

Ainda na quarta-feira, Jesus foi ungido por Maria, irmã de Lázaro (Marcos capítulo 14, versículos 3 a 9). Ela usou um perfume muito caro e recebeu críticas de alguns discípulos, especialmente de Judas, pois a fragrância usada nesse ato tinha custado o equivalente a 10 meses de trabalho de um operário. Apesar da murmuração, Jesus aprovou a ação de Maria, pois sabia que simbolicamente ela o estava ungindo em preparação para sua morte e sepultamento próximos. 

A quinta-feira marcou o início do período da Páscoa (Marcos capítulo 14, versículos 12 a 16). Jesus orientou alguns discípulos que fossem à Jerusalém e conversassem com determinada pessoa, com quem Ele já havia acertado a cessão de uma casa para a realização da sua última ceia. O sigilo era importante, pois caso Judas soubesse antecipadamente sobre esse local, poderia precipitar a prisão de Jesus.

A ceia de Páscoa celebrava a saída do povo judeu do cativeiro do Egito (Êxodo 12) e era comemorada em família. Todos comiam um cordeiro, sacrificado de acordo com os ritos apropriados, recitando trechos do livro do Êxodo. Jesus expandiu o significado dessa cerimônia para abranger seu sacrifício. Foi aí que Ele instituiu a Santa Ceia, que tomamos até hoje, em memória dele. Nesse sacramento, o pão significa seu corpo e o vinho seu sangue (Marcos capítulo 14, versículos 22 a 26). 

Ao terminar a ceia, Jesus e os onze discípulos restantes foram rumo ao Jardim que ficava no pé do monte das Oliveiras. Judas saíra antes, para cumprir seu papel diabólico. Ali, algum tempo depois, Jesus foi preso por soldados do Templo de Jerusalém, guiados por Judas. O traidor deu um beijo em Jesus, que era o sinal combinado para sua identificação.

Pedro, sabendo que Jesus tinha sido levado para a casa do sumo-sacerdote, seguiu-o até lá. Em dado momento, questionado por uma simples serva, se era um dos discípulos de Jesus, Pedro negou três vezes o seu mestre, pois teve medo (Marcos capítulo 14, versículos 66 a 72).

Na madrugada da sexta-feira, houve um simulacro de julgamento de Jesus (Marcos capítulo 14, versículos 53 a 65), onde os procedimentos legais não foram seguidos. Isso porque os líderes religiosos judeus tinham pressa de condená-lo, antes do começo do sábado (o que ocorreria ao cair do sol). 

Por volta das 6 horas da manhã, Jesus foi levado a Pilatos, sob o pretexto que os líderes judeus não tinham poderes para condená-lo á morte. Isso era falso, pois poucos anos depois, Estevão foi apedrejado como herege (Atos dos Apóstolos capítulo 4, versículo 5 até capítulo 6, versículo 15). Na verdade, o sumo-sacerdote sabia que estava fazendo algo errado e queria dividir a culpa com os romanos. Queria esconder-se atrás do poder dos conquistadores.

Pilatos ficou diante de um dilema: devia seguir seu dever, libertando Jesus, pois não via crime nele? Ou seguir seu interesse, pois seria de boa política atender os líderes religiosos judeus? Acabou ficando com o seu interesse e entregou Jesus para ser crucificado (Marcos capítulo 15, versículos 1 a 15). 

A crucificação era um suplício horrível, no qual a vítima morria lentamente, por asfixia. No caso de Jesus, ainda houve um componente de sofrimento adicional: a carga espiritual que pesou sobre Ele. Jesus tomou sobre si nossos pecados e se fez maldição por nós (Gálatas capítulo 3, versículo 13). 

Jesus ficou mais ou menos 6 horas na cruz, entre 9:00 e 15:00 horas. Durante sua agonia, houve trevas sobre a terra (Marcos capítulo 15, versículos 33 a 41), caracterizando aquele como o mais terrível dia da história humana. E o véu do Templo de Jerusalém, que separava o Santo Lugar do Santíssimo Lugar (onde ninguém podia entrar), rompeu-se (Marcos capítulo 15, versículos 38 e 39). O significado disso é que, a partir daquele momento, o ser humano passou a poder chegar diretamente a Deus, sem intermediários, mediante o sacrifício de Jesus.

Depois que Jesus morreu, seus seguidores tiveram a difícil tarefa de conseguir realizar seu sepultamento em 3 horas apenas, pois após as 18:00 horas (o cair do sol) começaria o sábado e todas as atividades teriam que ser paralisadas. Se não tivessem sucesso, o corpo de Jesus ficaria pendurado na cruz até o domingo, ao sabor das aves de rapina e dos cães vadios. 

José de Arimatéia, membro do Sinédrio, e seguidor de Jesus, pediu a Pilatos a liberação do corpo e cedeu a sepultura da sua família, que ainda não tinha sido usada para depositar o corpo (Marcos capítulo 15, versículos 42 a 47). E Jesus foi enterrado no limite do tempo disponível e tanto foi assim que a preparação do corpo foi feita às pressas, sem seguir todos os ritos tradicionais.

E foi esse o túmulo encontrado vazio no domingo, o dia da ressurreição. Glórias a Deus por isso.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

QUEM VOCÊ DIZ QUE ELE É?

Um dos momentos mais importantes do ministério de Jesus foi quando Pedro, pela primeira vez, reconheceu quem Ele de fato era: o Messias, o Filho do Deus vivo. Isto está em Mateus capítulo 16, versículos 13 a 20.

E Jesus disse a Pedro que apóstolo era uma pessoa afortunada pois essa revelação somente poderia ter lhe sido dada pelo Pai.

Há nessa passagem há um grande ensinamento: cada pessoa, cedo ou tarde, precisa dar esse passo. Reconhecer Jesus como o Messias e seu salvador. E, a partir daí, sua vida mudará para sempre. 
É sobre isso que o Rogers fala no seu mais novo vídeo - veja aqui.
Veja outros vídeos recentes dele aqui e aqui.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

PARECE, MAS NÃO É

Hoje vou falar de hipocrisia. Escolhi esse tema porque volta e meia somos surpreendidos por pessoas que parecem ser uma coisa e, bem lá no fundo, são outra bem diferente. Vejamos alguns casos que ocorreram no Brasil nos últimos anos. 

Um deles envolveu um empresário brasileiro que se tornou um dos homens mais ricos do mundo depois de fundar várias empresas e abrir seu capital na Bolsa de Valores. Os investidores lhe deram bilhões e bilhões de reais para desenvolver essas empresas. 

Em dado momento, foi descoberto que uma delas, ligada à área de produção de petróleo, não tinha as reservas que registrara no seu relatório financeiro oficial. O mercado financeiro ficou muito decepcionado e derrubou o valor das ações dessa empresa na Bolsa. Isso trouxe desconfiança sobre as demais e o castelo de cartas ruiu. Uma após outra, as empresas faliram ou foram vendidas a preço de liquidação. Os investidores que acreditaram no empresário perderam bilhões de reais. E o empresário precisou prestar contas à justiça e caiu em desgraça. Nesse caso, nada era de fato como parecia ser. 

Anos atrás, uma empresária paulista era dona de uma cadeia de butiques muito conhecidas, onde eram vendidas as marcas de roupas e sapatos mais famosas do mundo. Mulheres ricas vinham de todo país para comprar nessas lojas. 

A empresa foi crescendo e a empresária acabou abrindo uma mega loja, que impressionava por sua beleza arquitetônica e sofisticação. Tempos depois, as autoridades descobriram que a empresa dela fraudava os impostos de importação - declarava as mercadorias importadas por valor muito menor do que seu custo real e, assim, economizava milhões em impostos. A empresa acabou falindo e foi fechada. A empresária acabou presa e morreu pouco tempo depois, de câncer. Aqui também nada era de fato como parecia ser.

Um casal fez fama no meio evangélico pelo seu espírito inovador e dinamismo. Fundaram uma denominação cristã que se caracterizava por recursos como o louvor de excelente qualidade musical e as pregações baseadas em temas atuais e que pareciam bem inspiradas, com forte apelo para a classe média urbana. 

A nova denominação cresceu muito e abriu centenas de locais de culto em muitas cidades. Mas aí, começaram a pipocar na imprensa acusações ao casal fundador de práticas desonestas, incluindo mau uso do dinheiro arrecadado. Eles foram até presos e cumpriram tempo na cadeia, mas sempre atribuíram as acusações contra eles a uma "armadilha do diabo". E continuam por aí... A igreja que eles fundaram não era o que parecia ser.

A Bíblia também traz vários exemplos de gente que não era o que parecia ser. Um desses exemplos envolve o grupo de alto-sacerdotes que dirigia a religião judaica no tempo de Jesus. Esses homens controlavam o Templo de Jerusalém, o lugar mais sagrado para os judeus, e usavam essa posição privilegiada para lucrar e oprimir as pessoas. E, ao mesmo tempo, posavam de pessoas sinceras e interessadas nas coisas de Deus. 

Aqueles líderes religiosos definitivamente não eram o que pareciam ser. E Jesus entrou em choque com eles e isso ficou patente quando Ele expulsou os vendedores que faziam comércio no pátio do Templo de Jerusalém (João capítulo 2, versículo 16):
Aos que vendiam pombas [Jesus] disse: "Tirem estas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado! "
Nenhum de nós tem, em público, o mesmo comportamento exibido na intimidade - de uma forma ou de outra todos usamos uma "máscara" que nos protege, escondendo nossas fraquezas e inadequações. Isso é normal. E não é a isso que me referi nos casos acima.

Nesses casos, assim como em tantos outros, a situação vai muito além disso. Trata-se de um esquema de hipocrisia especialmente elaborado para tirar vantagens, que podem ser financeiras, sucesso e status aos olhos dos outros. É uma coisa muito mais grave e indesculpável.

Jesus criticou muito as pessoas que não eram aquilo que aparentavam ser, visando se beneficiar. Os hipócritas de "carteirinha". Suas acusações e ameaças contra essas coisas foram pesadas (por exemplo, em Mateus capítulo 23, versículos 1 a 39:

... [os hipócritas] atam fardos pesados e difíceis de suportar e os põem aos ombros dos homens, eles, porém, nem com seu dedo querem movê-los; fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens... e amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas... ai de vós... hipócritas, pois que fechais aos homens o reino dos céus e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando. Ai de vós, ...hipócritas, pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé, deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas. Condutores cegos, que coais um mosquito e engolis um camelo. Ai de vós, ...hipócritas, pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de intemperança. Ai de vós, ...hipócritas, pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade. Serpentes, raça de víboras, como escapareis da condenação do inferno?

Com carinho

segunda-feira, 15 de abril de 2019

JURO DIZER A VERDADE: O NONO MANDAMENTO

Senhorita Luz: "O senhor quer mesmo que eu lhe diga a verdade?"
Fausto: "Diga a mentira que a senhorita considerar a mais digna de ser a verdade."
Extrato da peça “Meu Fausto” de Paul Valéry
O nono dentre os Dez Mandamento – “não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êxodo capítulo 20, versículo 16) – trata da mentira. Fala de acusar outra pessoa de coisas que não ela tenha cometido, o que inclui o perjúrio num tribunal.

Acredito que uma forma mais produtiva de ver esse mandamento é entendê-lo como um chamado para controlar o uso da língua, o que inclui mentira, fofocas, etc.

Existe uma parábola, na tradição judaica, na qual um rei pediu uma coisa para dois dos seus servos: ao primeiro, pediu a coisa mais maravilhosa do mundo e ao outro, a coisa mais destrutiva. Ambos trouxeram uma língua humana. E isso faz sentido porque a língua é capaz de gerar coisas lindas - louvor a Deus, palavras de amor, etc -, mas também pode destruir reputações e causar muita amargura.

A questão do controle da língua é tão importante que dois dentre os Dez Mandamentos lidam com ela - o terceiro mandamento proíbe tomar o nome de Deus em vão. E há ainda uma passagem em Tiago capítulo 3 que trata exclusivamente do mau uso da língua. Controlar o uso da língua, para a Bíblia, é tema de grande relevância.
O mal causado pela mentira
O que me preocupa não é que tenhas mentido e sim que de agora em diante, não poderei mais acreditar em ti.Nietzsche
A citação de um filósofo conhecido explica qual é o maior problema da mentira: ela destrói as relações entre as pessoas e, em um nível maior, o próprio tecido social. A perda da confiança e da credibilidade sempre cobram alto preço.

O Brasil sofre muito com esse problema: os políticos não têm qualquer pudor em mentir. Em contrapartida, a sociedade não mais acredita nos políticos e eles perderam a capacidade de liderar as pessoas.

A questão da mentira na mídia é também muito preocupante. Lembro bem de um caso que se tornou emblemático, ocorrido no ano de 1984, durante a campanha das “Diretas Já”, que pedia o direito de poder eleger o Presidente da República através do voto direto. No dia 25/1/1984, houve uma grande manifestação das "Diretas Já" em São Paulo e a Rede Globo, querendo agradar o Governo Militar da época, noticiou o ocorrido como se fosse uma comemoração pelo aniversário da cidade, que ocorreu na mesma data. E até hoje a Rede Globo paga um alto preço pelo que fez, mesmo já tendo se desculpado publicamente, pois boa parte da sociedade se recusa a dar credibilidade a esse grupo de comunicação.

Um problema mais recente é o das fake news, notícias totalmente falsas, muitas vezes extremamente maldosas, difundidas nas redes sociais, visando influenciar as pessoas mais incautas. Essa prática foi usada pelos diferentes espectros políticos e causou muito mal nas últimas eleições.
Uma sociedade que não tem como ponto de partida o combate à mentira, punindo pesadamente o perjúrio, acaba pagando um preço alto. E, infelizmente, esse é o caso do nosso país, onde mentir passou a ser um meio de vida para muitas gente importante.As mentiras não são todas iguais
As mentiras não são iguais frente ao nono mandamento. Algumas mentiras podem ser até admitidas como, por exemplo:
  • Aquelas necessárias para alcançar um bem maior, como salvar a vida de uma pessoa inocente.
  • As integradas ao jogo social, fruto da cortesia, normalmente consideradas inofensivas. Por exemplo, quando concordamos que a pessoa ficou muito bem no vestido novo ou que o presente recebido agradou muito. Em nenhuma cultura, as pessoas esperam a pura verdade nessa troca de “afagos” e até se ofenderiam se a verdade fosse realmente dita.
  • O errada passada de boa fé, ou seja, quem fala pensou ter dito a verdade, mas houve um erro. 
As mentiras que verdadeiramente violam o nono mandamento são as que objetivam trazer vantagens para o mentiroso, as fruto da hipocrisia (que visam apenas preservar uma imagem falsa do mentiroso) e a fofoca, que é extremamente destrutiva e maldosa.

Com carinho