sexta-feira, 12 de julho de 2019

SOLTE OS CABELOS

Estou usando a expressão solte os cabelos para significar um certo tipo de postura diante de Deus. Trata-se de uma postura amorosa, de prestar serviço na sua obra, sem se preocupar com as repercussões. 

E isso tudo se baseia numa passagem da Bíblia, onde aparece Maria de Betânia, irmã de Lázaro e Marta. Aquela mulher lavou os pés de Jesus com um perfume muito precioso e enxugou os pés dele com seus próprios cabelos. E essa foi uma atitude surpreendente para uma mulher dita de boa família. 

Naquela época, uma mulher de respeito nunca aparecia em público, diante homens que não fossem seu pai, irmãos ou esposo com seus cabelos soltos e descobertos. Mas Maria, surpreendentemente, não respeitou esse costume. Ela não se importou com as convenções sociais e as possíveis críticas. Apenas quis apenas honrar Jesus, que tinha trazido seu irmão, Lázaro, de volta à vida. E Jesus recebeu com grande carinho o ato de Maria.

Esse foi um maravilhoso ato de amor. Por causa disso ele ficou registrado na Bíblia e é lembrado até hoje. 

Esse relato guarda um ensinamento muito poderoso para nossas vidas. E é sobre isso que o Rogers fala no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes dele aqui e aqui.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

JESUS FOI CASADO?

Terá sido Jesus casado com Maria Madalena? Esse é um assunto que volta e meia aparece na mídia e sempre gera manchetes sensacionalistas. O livro "Código da Vinci" rendeu milhões para seu autor, explorando exatamente essa ideia. 

Alguns anos atrás, uma professora da Universidade de Harvard, chamada Karen King, causou furor na mídia quando apresentou o que seria uma nova evidência do casamento de Jesus com Maria Madalena. Ela encontrou um pequeno pedaço de papiro - ver foto abaixo - onde Jesus aparece falando sobre sua esposa e dizendo que ela poderia ser uma boa discípula.

Para ser justo, a professora King não afirmou que o pedaço de documento que ela encontrou prova que Jesus foi casado com Maria Madalena. Mas, sim que o documento demonstra ter havido uma corrente de pensamento entre os primeiros cristãos que considerava isso como um fato.

Como a mídia gosta de sensacionalismo, a declaração da Professora, foi exagerada de todas as formas. E o pequeno pedaço de papiro chegou a ser apelidado de "Evangelho da Esposa de Jesus".

Essas notícias nos obrigam a discutir essa questão: será que Jesus foi mesmo casado com Maria Madalena? E se isso tiver acontecido, quais seriam as consequências para a fé cristã?

O que a Bíblia diz? 
A Bíblia não fala diretamente se Jesus foi casado ou não. O apóstolo Paulo, por exemplo, afirmou claramente que era solteiro, mas nada é dito no texto dos Evangelhos sobre o estado civil de Jesus. Mas, a conclusão de que Ele era solteiro decorre de três razões fortes:

Primeiro, naquela época praticamente todos os homens eram casados e um caso como o de Paulo era considerado exceção. Assim, se os Evangelhos tivessem se referido a uma esposa para Jesus, isso não teria causado escândalo. Não seria considerado nada demais. 

Em outras palavras, se a tal esposa tivesse existido, não haveria qualquer motivo para escondê-la. Portanto, o fato de não haver qualquer referencia a a uma esposa - por exemplo, quando a família de Jesus é mencionada - é forte indício de que Jesus era mesmo solteiro.

Segundo, em diversas passagens da Bíblia a igreja cristã é referida como a "noiva" de Cristo. E seria estranho haver tal tipo de citação se Jesus fosse casado. Haveria um conflito de ideias aí.

Finalmente, não há qualquer evidencia concreta na Bíblia de ter havido um relacionamento amoroso entre Jesus e Maria Madalena, que é a candidata favorita de todos que defendem a tese de ter havido um casamento. As evidências existentes apontam exatamente em sentido contrário. 

Por exemplo, quando Jesus ressuscitou, Maria Madalena foi a primeira pessoa a vê-lo. E ela procurou abraçá-lo, mas Jesus se afastou e não permitiu qualquer contacto físico (João capítulo 20, versículos 11 a 18). Ora, essa não é a reação natural se eles tivessem sido casados e se reencontrado de forma dramática. 

Além disso, toda a tradição cristã - os escritos dos primeiros discípulos cristãos - aponta para o fato de Jesus ter sido solteiro. Se o fato d´Ele ter sido casado fosse algo bem conhecido, como sugeriu a Professora King, a tradição da "solteirice" de Jesus nunca poderia ter prosperado.

Portanto, a doutrina de que Jesus permaneceu solteiro parece bastante segura. E afirmar o contrário é pura especulação.

E se Jesus tivesse se casado?
Haveria diferença para o cristianismo se Jesus tivesse se casado? Acho que não, pois o papel de Jesus como nosso Salvador não sofreria qualquer mudança por conta de um possível casamento. 

Afinal, esse papel dependeu de Jesus ter sido gerado pelo Espírito Santo e por uma mulher - ser humano e divino -, ter vivido sem pecado e morrido na cruz por nós, bem como ter ressuscitado dentre os mortos. Nada disso geraria uma contradição se Jesus tivesse sido casado. Em outras palavras, se amanhã ficasse provado que Jesus se casou, coisa que não acredito que vá acontecer, ainda assim Ele continuaria a ser o nosso Salvador. E o cristianismo iria em frente da mesma forma.

Na verdade, o incômodo que alguns cristãos demonstram com a possibilidade do casamento de Jesus decorre do fato que, para eles, o sexo é um pecado, mesmo quando feito no âmbito do casamento. Para essas pessoas, se Jesus tivesse sido casado, Ele teria pecado. Ora, não há qualquer respaldo bíblico para a tese de que sexo dentro do casamento é pecaminoso. Basta ler o Cântico dos Cânticos, escrito por Salomão, para ter prova disso.

O problema real com um possível casamento de Jesus seria a possibilidade de haver descendentes. Se tivesse existido um filho de Jesus, como tal pessoa teria sido encarada pelos cristãos? Provavelmente como um semi-deus - alguém digno de honras e adoração. Aliás, é exatamente essa a ideia que o autor do "Código da Vinci" explora.

Para mim, essa é mais uma razão para Jesus não ter se casado e, portanto, deixado descendentes. Afinal, Deus conhece nossas fraquezas. E Ele não iria permitir que o legado de Jesus fosse usado de forma errada, ao se estabelecer um culto para seus descendentes.

Com carinho

segunda-feira, 8 de julho de 2019

ENVELHECENDO MAIS FELIZ

Todo mundo envelhece. E é preciso aprender a lidar com esse processo que acontece na vida de cada pessoa. É o que eu chamei de envelhecendo mais feliz. Vamos ver isso mais de perto.

Com frequência ficamos sabendo que atrizes conhecidas fizeram cirurgia plástica. Essa necessidade certamente resulta do estrago que a passagem do tempo faz na aparências. Para essas moças, a frase envelhecendo mais feliz significa simplesmente manter a aparência jovem. 

Ora, não há como evitar o estrago. No máximo, é possível retardá-lo um pouco, mas nunca paralisá-lo. Percebo isso com clareza em mim mesmo - a imagem que vejo hoje no espelho é muito diferente das minhas fotos antigas. E confesso que perceber isso não é agradável.

Mas, é preciso lutar para não deixar que a perda da aparência jovem nos afete além da conta. Há muitas pessoas que sofrem profundamente com isso. Algumas delas - como atrizes, modelos, etc - até com mais razão, pois sua profissão depende bastante da imagem física que projetam. Outras pessoas sofrem muito com o envelhecimento pela excessiva vaidade.

É claro que as pessoas devam ter uma preocupação saudável com sua aparência. Deixar-se "desmoronar", à medida que o tempo passa, como acontece com algumas pessoas, é horrível. Ninguém deveria fazer isso consigo mesmo. Mas, pior ainda é a preocupação excessiva com o envelhecimento. Quem faz isso, acaba permitindo que o processo de envelhecimento paute sua vida. E a pessoa acaba por viver um sofrimento quase que diária, a cada ruga que aparece, a cada fio de cabelo branco que surge e assim por diante.

A Bíblia traz um excelente conselho sobre essa questão. Ele está no livro de Eclesiastes capítulo 2. O autor do texto (provavelmente o rei Salomão) comparou a preocupação excessiva com os efeitos da passagem do tempo com "correr atrás do vento". Pense no significado de perseguir o vento. Trata-se de tarefa que exige muito esforço e não gera qualquer resultado prático. É pura perda de tempo. 

Em outras palavras, a Bíblia ensina que é preciso aprender a conviver com a realidade do envelhecimento. É preciso encontrar uma forma de ser feliz apesar do estrago que a passagem do tempo causa. A Bíblia está firmemente de acordo com a ideia do envelhecendo mais feliz.

E há duas coisas que podem ajudar nesse aprendizado. A primeira é tomar consciência que o envelhecimento afeta todo mundo e não apenas você. Não há quem fique imune ao tempo. Ricos, pobres, famosos, pessoas comuns, bonitos e feios, todo mundo passa pela mesma dificuldade.

Alguns poucos anos atrás, a apresentadora Xuxa voltou a aparecer na televisão, na Rede Record. Muitas pessoas se manifestaram nas redes sociais dizendo-se surpresas por percebê-la tão velha, mostrando as marcas dos seus cinquenta e muitos anos. Elas se surpreenderam porque pensaram que a Xuxa estivesse protegida do envelhecimento. Imaginaram que ela ficaria eternamente jovem, cantando aquelas músicas infantis que tiveram tanto sucesso. E se assustaram quando se deram conta que sua musa tinha envelhecido e muito. 

Dar-nos conta que todas as pessoas são afetadas pela passagem do tempo nos ajuda a aceitar o inevitável. Faz com que tenhamos "companheiros de jornada" no processo do envelhecimento.

A segunda coisa que pode nos ajudar a aceitar melhor o envelhecimento é identificar as vantagens desse processo. O envelhecimento tira algumas coisas, como a beleza ou a disposição física. Mas, certamente traz outras, como a maturidade e a sabedoria. O ato de envelhecer não é apenas um processo de perdas. Há ganhos também.

Hoje eu vivo mais em paz comigo mesmo do que quando tinha vinte e poucos anos. Sou mais seguro e mais consciente das minhas escolhas. E sofro muito menos com as minhas limitações. Tenho melhor percepção daquilo que posso esperar da vida e das pessoas que convivem comigo. Por isso tenho menos decepções.

Concluindo, não "corra atrás do vento". Aprenda a aceitar aquilo que a vida traz e não é possível evitar. A ideia do envelhecendo mais feliz é muito útil e vai ajudar você, pode ter certeza disso.

Com carinho

sábado, 6 de julho de 2019

RECOMEÇAR


Recomeçar é das coisas mais difíceis de fazer na vida. A necessidade de um recomeço, por si só, significa que algo deu muito errado. Pode ser uma relação afetiva importante acabou, a pessoa foi demitida do emprego onde estava há muitos anos, morreu um ente muito querido, foi preciso superar uma doença séria que deixou sequelas, etc.

Não é nada simples ficar de pé de novo e recomeçar. E isso me lembra um samba antigo, que foi muito popular, cuja letra aconselhava: “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima...” 

Eu já tive que recomeçar duas vezes na minha vida, por motivos diferentes, e posso garantir que não é nada fácil. Nesses momentos, a mente costuma ser assaltada por um turbilhão de sentimentos ruins. Há sensação de fracasso, vergonha de ter errado ou fracassado, medo de não conseguir se recuperar, autopiedade, culpa, etc. 

A Bíblia tem muito a dizer para quem passa por esse tipo de situação e nos ensina pelo exemplo de várias pessoas que precisaram recomeçar. E encontraram forças para fazer isso. Mas, isso só foi possível com a ajuda e a orientação de Deus. Vejamos alguns exemplos:

A pessoa tinha ideias erradas
Paulo, antes de se tornar apóstolo, era um judeu ortodoxo que julgava ser o cristianismo uma heresia. Por causa disso, perseguiu os cristãos e acabou participando ativamente do martírio de alguns deles, como o do diácono Estevão (Atos dos Apóstolos 7:54 a 8:3).

Um dia, Paulo ia para a cidade de Damasco, para liderar a perseguição aos cristãos naquele local, quando teve uma visão e ouviu uma voz, dizendo: “Paulo, Paulo, por que me persegues?” (Atos dos Apóstolos 9:1-9). Era Jesus se manifestando e colocando Paulo num novo caminho. 

Paulo aceitou recomeçar, mas não foi nada fácil (Atos dos Apóstolos 9:20-22): precisou desdizer tudo o que tinha dito antes, enfrentou muita resistência dos cristãos, antes de ser totalmente aceito, e carregou um estigma por toda a vida por ter perseguido seus irmãos na fé.

Paulo teve coragem de recomeçar e acabou se tornando um grande evangelista e o autor de boa parte do Novo Testamento. Seus textos, como Gálatas e Romanos, estabeleceram as bases teológicas do cristianismo. 

A pessoa estava em pecado 
Os publicanos eram judeus que assumiam o papel de coletar impostos em nome dos dominadores romanos. E faziam isso explorando os próprios compatriotas e lucrando com os excessos de arrecadação que conseguiam extorquir. Não é surpresa, portanto, que os publicanos fossem odiados e tidos como pecadores irrecuperáveis. 

Zaqueu era o principal publicano numa cidade que Jesus visitou. Tinha baixa estatura e queria ver o Mestre passar, o que não era fácil, pois Jesus vivia rodeado de muitas pessoas. A única forma que Zaqueu encontrou para ver Jesus foi subir numa árvore. 

Ao passar embaixo dessa árvore, Jesus parou e disse, para surpresa geral, que iria pernoitar na casa de Zaqueu. Esse era um ato impensável naquela época, pois um Mestre (Rabino) devia evitar ao máximo ter contato com pecadores, para não se contaminar.

Zaqueu foi tão tocado pela gesto de Jesus, confessou seus pecados e prometeu restituir em dobro tudo aquilo que tinha roubado dos seus compatriotas (Lucas 19:1 a 10). Ele teve coragem de deixar o pecado para trás, pegar na mão que Jesus lhe estendia e recomeçar a vida.

E não deve ter sido nada fácil pois Zaqueu precisou abrir mão de muito dinheiro, mudar de profissão e enfrentar a desconfiança das pessoas.

A pessoa perdeu tudo 
A história de Rute é uma das mais belas da Bíblia. Tudo começou com Noemi, mulher que tinha dois filhos homens - um deles foi casado com Rute. A família morava fora de Israel e, por causa disso, as noras de Noemi não eram judias. 

Noemi teve o infortúnio de perder o marido e os dois filhos e os filhos não tiveram tempo de gerar descendentes. Ora, naquela época, as mulheres eram totalmente dependentes dos homens e uma família sem homens adultos estava fadada a morrer de fome. 

Noemi aconselhou as noras a voltarem para suas respectivas famílias, para poderem sobreviver. Ela decidiu voltar para Israel, contando viver da caridade do seu povo.

Uma das noras de Noemi aceitou a sugestão da sogra e foi embora. Mas, Rute se manteve fiel à Noemi. E a frase que disse para a sogra é daquelas que a gente não esquece: “Onde quer que fores, irei eu,... o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rute, capítulo 1, versículos 16 e 17). 

Noemi e Rute recomeçaram a vida em Israel, mendigando. Uma reviravolta dos fatos fez com que Rute acabasse se casando com Boaz, rico senhor de terras. E o neto de Rute e Boaz foi o rei Davi - essa mulher corajosa e leal acabou entrando na linhagem de Jesus.

Rute recomeçou da forma certa, mantendo-se firme e leal. E sua vida foi mudada por Deus para muito melhor.

Outra pessoa que perdeu tudo e precisou recomeçar do zero foi José. Jacó, seu pai, tinha doze filhos, mas amava de fato a José, rapaz fora do comum. E os dez irmãos mais velhos de José morriam de ciúmes e acabaram por vendê-lo como escravo para uma caravana que viajava para o Egito. 

Assim, José perdeu tudo de uma vez só – o conforto do lar, a família, os amigos, a liberdade, etc (Gênesis capítulo 37). Com apenas dezessete anos, ficou sozinho no mundo e teve que recomeçar do zero, no Egito.

Mas, ele não desesperou e manteve a confiança em Deus. Conservou também seus princípios morais e quando lhe foi pedido para fazer coisas erradas, para obter vantagens, ele se recusou a atender. Como Deus estava com ele, José superou todas as dificuldades e acabou como o segundo homem mais importante do Egito, o país mais rico do mundo naquela época.

A pessoa que precisa recomeçar mais de uma vez
Moisés, assim como acontece com tantas outras pessoas, precisou recomeçar mais de uma vez. Ele foi encontrado pela fila do faraó, boiando numa cesta colocada no rio Nilo. E foi criada por ela como filho. Portanto, Moisés começou sua vida em meio ao luxo e poder.

Com o passar do tempo, Moisés tornou-se consciente de ser descendente do povo de Israel, que vivia escravizado no Egito. E se revoltou contra esse estado de coisas. Matou um egípcio e precisou fugir do país onde fora criado. E acabou se fixando em Midiã, próximo ao deserto do Sinai. Ele tinha 40 anos quando fez essa mudança e precisou recomeçar sua vida como simples pastor de ovelhas.

Passaram-se mais 40 anos e Moisés foi chamado por Deus para ser o libertador do povo de Israel da escravidão. E ele precisou recomeçar outra vez, cumprindo um papel que não queria, que não escolheu. 

Numa das vezes Moisés precisou recomeçar por que fez algo errado - matou um homem. Na outra vez, seu começo foi fruto de um chamado de Deus. E o fato que ele precisou fazer duas transições na vida, certamente serve de inspiração para muita gente, que também se viu precisando recomeçar mais de uma vez.

Palavras finais
Se você precisa recomeçar sua vida, não tenha medo. Se Deus estiver com você, como esteve com Paulo, Zaqueu, Rute, José e Moisés, pode ter certeza que, independentemente das suas circunstâncias, você vai conseguir superar todas as dificuldades. 

Basta ter fé, ir em frente e perseverar. É como diz a letra de uma música muito querida: "Segura na mão de Deus, e vai".

Com carinho

quinta-feira, 4 de julho de 2019

JULGAMENTO POR FOGO

O tema de hoje é julgamento por fogo. Isso se refere ao fato que as dificuldades e provações são coisas frequentes nas nossas vidas. Mas, embora gerando momentos muitos difíceis, elas têm um papel muito importante, pois nos ajudam a crescer na fé. 

Elas acabam por funcionar como um julgamento do nosso caráter, das nossas reais intenções e posições na vida. E vem daí a expressão: julgamento por fogo.

A Bíblia, no livro de Tiago, ensina que são exatamente as dificuldades e provações que nos tornam mais abertos para a ação de Deus nas nossas vidas. E é quando passamos por elas que nos tornamos mais próximos dele. Por isso Tiago chega a dizer, o que parece absurdo à primeira vista, que deveríamos até nos alegrar ao passar por esses momentos difíceis. 

Isso parece ser uma coisa louca. Mas, não é. E a razão é simples: há muito a aprender e crescer durante as dificuldades que aparecem no nosso caminho, desde que venhamos a tirar as lições certas delas. Desde que aprendamos a usá-las de maneira construtiva, de forma a mudar nossa percepção das coisas e nosso comportamento.

E é exatamente sobre isso que falo no meu mais novo vídeo. Veja este vídeo aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

terça-feira, 2 de julho de 2019

COMO RESPONDER AOS ATEUS


Frequentemente somos pressionados pelos ateus a provar nossas crenças. A defender o cristianismo. E muitas vezes não é fácil fazer isso, embora haja muitos argumentos fortes a favor da nossa fé. Mas, nós não precisamos ficar sempre na defensiva, nos justificando. Podemos também partir para o “ataque”, fazendo questionamentos aos ateus. 

Afinal, o ateísmo é uma crença como qualquer outra e ela precisa ser provada, tanto quanto a nossa. Os ateus creem que tudo é material e que as leis naturais (como as que regem a física) explicam tudo que existe. Como não haveria um Criador, um ser controlador do universo, tudo que existe foi obra do acaso. E, em consequência disso, não há propósito em nada, inclusive na vida dos seres humanos. Finalmente, os ateus ainda creem que a única forma de obter conhecimento verdadeiro é através dos métodos da ciência. Nenhum outro caminho seria válido. 

A seguir, apresento algumas perguntas embaraçosas que podem ser feitas para os ateus visando questionar suas crenças. E são embaraçosas porque os ateus não têm respostas adequadas para elas. Vejamos quais são elas:

1) Como o universo começou?
A ciência ensina que o universo teve início na expansão de um "ovo" cósmico, formado de energia concentrada - o chamado Big Bang. Ora, de onde veio esse “ovo” e que força o colocou no lugar? 

2) Por que as leis do universo são racionais? 
Se o universo foi formado por acaso, como explicar que tenham sido geradas leis tão precisas e racionais que podem ser descritas com base em equações matemáticas? Afinal, o acaso nunca gera esse tipo de resultado.

3) De onde veio o código genético?
A complexidade do código genético existente no núcleo das células humanas é tão grande, mas tão grande, que não haveria tempo suficiente para ele ser desenvolvido com base em tentativa e erro, ou seja, por acaso. Isso é verdade mesmo considerando uma idade de 14 bilhões de anos para o universo.

4) Como é possível o livre arbítrio humano num mundo criado pelo acaso? 
Se tudo é obra do acaso, quem deu ao ser humano a capacidade de pensar por conta própria e de fazer suas próprias escolhas, o chamado livre arbítrio?

5) Como surgiu a consciência no ser humano?
A teoria de Darwin sozinha não consegue explicar esse “salto” de qualidade. Ou seja, a passagem de uma espécie de animais (os seres humanos) de seres irracionais para seres conscientes, inclusive da própria realidade. 

6) Como provar que o mundo espiritual não existe?
Os ateus alegam que o mundo espiritual não existe. Para eles, só haveria o mundo material. Mas, a ciência, a única forma de obter conhecimento verdadeiro para os ateus, não tem como validar essa hipótese. Afinal, seus métodos somente têm validade no mundo material. Portanto, a afirmação que o mundo espiritual não existe não pode ser provada cientificamente. É uma simples crença dos ateus. É uma simples questão de gosto.

7) Como qualificar Jesus?
É voz unânime, mesmo entre os ateus, que Jesus foi uma das maiores personalidades que já viveram, por conta do seu exemplo de vida e seus ensinamentos admiráveis.

Ora, também está estabelecido, que Jesus declarou ser Deus. Sendo assim, somente há três alternativas para avaliar essa declaração dele: Ele mentiu deliberadamente, Ele estava louco (enganado) ou Ele falou a verdade. Não há outra alternativa possível.

Afirmar que Jesus mentiu deliberadamente contraria totalmente seu exemplo de vida e seus ensinamentos. Nada do que Ele fez dá margem para sancionar a ideia que Jesus fosse uma fraude dessas dimensões.

A outra alternativa é pensar que Jesus era louco, ou seja, ele errou naquilo que afirmou, mas agiu de forma honesta. Ora, como conciliar a loucura ou um engano profundo dele com a percepção genial das coisas e a sabedoria imensa que Ele revelou? Uma coisa não bate com a outra. Não parece haver qualquer sentido nessa conclusão.

Ora, se não há condição de declarar Jesus uma fraude ou um louco, só resta a hipótese que ele falou a verdade sobre si mesmo. Portanto, Ele era mesmo quem disse ser.

Com carinho

domingo, 30 de junho de 2019

RESOLVENDO MISTÉRIOS DA BIBLIA COMO UM DETETIVE

A Bíblia guarda mistérios. São trechos de difícil entendimento porque o texto bíblico foi escrito em outra época, onde os costumes e os usos eram bem diferentes dos atuais. E é preciso trabalhar de forma parecida com um detetive para resolver esses mistérios. Eu me explico. 

Como a maioria das pessoas gosta de livros, filmes e séries de televisão de mistério, analisar os mistérios da Bíblia como um detetive faria acaba sendo também divertido. E a metodologia que deve ser usada, para fazer isso, é fácil de entender. E pode ser replicada por quase qualquer pessoa, bastando que ela tenha bom senso e raciocínio lógico. 

São seis as regras que precisam ser seguidas para você poder agir como detetive dos mistérios bíblicos, todas elas bem simples:

Regra 1: não tire conclusões apressadas 
Os bons detetives tomam cuidado para não tirar conclusões antes de terem colhidos todas as informações relevantes. Isso evita chegar a conclusões pré-concebidas, um perigo enorme nas investigações criminais. Afinal, quando o detetive tem pré-concepções sobre o que aconteceu, existe enorme risco de procurar encaixar as informações colhidas nas conclusões já estabelecidas desde o início. A abordagem correta deveria ser sempre ao contrário: é preciso usar as informações colhidas para tirar conclusões acertadas.

Portanto, nunca comece a estudar um texto bíblico imaginando que já sabe o que ele significa, mesmo quando for um texto já muito conhecido. Primeiro estude o texto, colhendo todas as informações que tiver sobre ele e, somente depois, tire as conclusões necessárias.

Um bom exemplo disso é o livro de Jó. A maioria das pessoas parte para a leitura desse livro imaginando que ele trata essencialmente do sofrimento humano. Mas, isso é uma pré-concepção. Quando se estuda esse livro com olhos de "ver", fica claro que sua mensagem também tem muito a ver com a graça de Deus (veja mais).

Regra 2: questione tudo
Num dos livros que conta as aventuras do famoso detetive Sherlock Holmes, esse personagem tentava ensinar seu parceiro fiel, o Dr. Watson, como ser um bom detetive. E Holmes perguntou a Watson quantos degraus existiam entre a entrada do prédio e a sala de estar do apartamento onde viviam, e Watson não soube responder. Holmes concluiu dizendo que esse era exatamente o problema. Watson olhava, mas não observava. Não colhia informações sobre aquilo que via.

Jesus disse a mesma coisa ao explicar porque as pessoas não entendiam as parábolas que Ele contava. Alertou que as pessoas tinham olhos, mas não viam, e ouvidos, mas não escutavam (Mateus capítulo 13, versículo 13).

Portanto, não leia simplesmente o trecho da Bíblia que estiver tentando entender. Analise-o com cuidado, prestando atenção na pontuação, nos trechos que vem antes e/ou depois da parte que lhe interessa mais de perto, quais as personagens envolvidas, quem fala o que, qual é o tom da conversa e assim por diante. Vou dar um exemplo.

Certa vez Jesus estava ensinando seus discípulos, quando sua família veio procurá-lo. Avisado da chegada dos seus familiares, Jesus apontou para seus discípulos e disse que sua mãe e seus irmãos eram aqueles que ouviam suas palavras e as seguiam (Mateus capítulo 12, versículos 46 a 50). 

Uma análise superficial desse texto indicaria que Jesus rejeitou sua família. Afinal, ele parece não ter dado muita bola para aquelas pessoas. Mas, olhando com mais cuidado, dá para perceber que Jesus usou a figura da família de sangue para trabalhar a ideia da família espiritual. Entramos na família espiritual dele quando ouvimos e seguimos seus ensinamentos. 

Ao falar assim, Jesus deixou claro que no mundo espiritual não há nepotismo. A família de sangue não é privilegiada no Reino de Deus, como acontece no mundo físico. Deus não tem netos, apenas filhos e filhas. E se não fosse assim, poderíamos chegar ao absurdo de ver alguém ser salvo apenas por ter laços de sangue com um pastor famoso.

Regra 3: os detalhes são importantes
Para um bom detetive, tudo tem importância. Qualquer detalhe conta. Sherlock Holmes resolveu um crime por ter notado que o cachorro da casa não latiu. Isso demonstrou para ele que o animal conhecia o assassino. 

Certa vez Jesus chegou perto de uma figueira e procurou alguns frutos, em meio às suas folhas. Não encontrando, amaldiçoou a árvore, que murchou (Marcos capítulo 11, versículos 12 a 14). Isso parece meio estranho. Afinal, que culpa tinha a figueira de não ter dado frutos? Ainda mais que não estava na época certa.

Mas, há um detalhe importante nesse relato: a árvore tinha folhagem. E as figueiras somente exibem folhas quando já têm frutos. Logo, aquela era uma figueira “hipócrita”. Tinha a aparência, mas não os frutos concretos. Por isso ela foi amaldiçoada. E o exemplo da figueira serve para os cristãos. Não podemos ser hipócritas, tentando parecer aquilo que não somos.

Regra 4: mais evidencias são necessárias para esclarecer um mistério maior
Frequentemente, as pessoas querem tirar o mistério da sua frente e acabam aceitando qualquer resposta que parece razoável. E elas agem assim porque, normalmente, não gostam de ficar em dúvida. Querem ter certezas. Mas, essa é uma estratégia muito ruim, pois leva a erros.

Certa vez vi um estudo do capítulo 1, versículo 8, do Atos dos Apóstolos,. Nesse trecho da Bíblia, Jesus, já depois da sua ressurreição, diz para os apóstolos esperarem em Jerusalém a vinda do Espírito Santo. E essa chegada deu origem ao evento do Pentecostes. No estudo que li, o teólogo fez mais de 70 observações sobre o versículo antes de tentar explicar seu sentido. E o tal versículo, na tradução em português, tem apenas 30 palavras!

O autor buscou levantar todas as informações possíveis sobre aquele pequeno relato antes de tentar dar uma interpretação para ele. E isso trouxe muita segurança à sua conclusão. A interpretação que ele deu está de acordo com todas as informações 70 informações colhidas. Portanto, é muito difícil que ele tenha chegado à conclusão errada. 

Não estou dizendo que você deva levar seu estudo da Bíblia nesse mesmo grau de profundidade. Mas, seria razoável colher algumas informações sobre um versículo ou conjunto de versículos, antes de se atrever a encontrar um significado para esse texto. Refiro-me a observações sobre a situação geral que estava acontecendo, a identidade das pessoas envolvidas, o passado delas e assim por diante. E quanto mais difícil for o texto sendo analisado, mais informações serão necessárias, pois o mistério é maior.

Mas, onde buscar essas informações? É para isso que existem os dicionários bíblicos, os comentários bíblicos, as notas de rodapé da sua Bíblia e outros recursos técnicos. E há muita informação boa de graça na Internet.

Regra 5: divida um mistério maior em pedaços menores 
Passagens bíblicas difíceis podem parecer inacessíveis, especialmente se forem mais longas. Quando for esse o caso, procure quebrar o texto em frases (ou versículos) e ir procurando entender cada uma delas, passo a passo. Depois vá juntando cada pedaço ao todo.

E nunca se esqueça que os textos da Bíblia sempre dialogam entre si. Por exemplo, imagine que você conseguiu resolver o mistério da figueira amaldiçoada. Mas o sentido total do texto - que é uma crítica de Jesus à religião legalista e hipócrita - somente vai ficar claro quando você juntar esse texto a outros, onde ele enfatiza essa crítica. 

Regra 6: prefira as soluções mais simples 
Às vezes, existe mais de uma explicação possível para determinado mistério. Quando isso acontece, sempre que possível, prefira a explicação mais simples. As explicações mais complexas e rebuscadas costumam não ser muito boas. 

Por exemplo, há uma passagem do Apocalipse onde aparece um animal terrível, cheio de chifres e coroas na cabeça, que emerge do mar, para dominar o mundo. Há uma linha de explicação que tenta compreender essa besta como um animal real, que se transforma em ser humano, por obra de Satanás. A outra alternativa imagina que a besta é o símbolo de um ser humano dedicado à obra de Satanás, sendo os chifres e coroas representações do seu poder. 

Ora, a segunda explicação é mais simples, pois não postula a existência de um animal que nunca foi visto na natureza. Logo, ela é melhor. 

Palavras finais
Portanto, nunca veja as passagens difíceis da Bíblia como motivo de frustração e sim como desafios. Como chamados para que você entenda melhor o texto bíblico e cresça no processo de aprender a lidar com a Palavra de Deus.

E tenha consciência clara que sempre há mais a aprender na Bíblia do que o conhecimento já adquirido. Mesmo os maiores estudiosos da Bíblia não conhecem tudo que há para saber sobre ela. Sempre há muito mais.

Abra sua mente aberta para ser desafiado pela Bíblia. E é essa capacidade de sempre surpreender que a torna tão especial e interessante. E mesmo método que um detetive usa para resolver determinado mistério, pode ser usado por você no propósito de entender a Bíblia mais e de forma melhor.

Com carinho