quarta-feira, 13 de novembro de 2019

POR QUE JESUS NOS PEDIU PARA DAR A OUTRA FACE?

Por que Jesus nos pediu para dar a outra face, quando agredidos? Esse é um dos ensinamentos dele mais difíceis de entender e seguir. Vejamos o texto onde esse ensinamento está relatado:
...mas a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra e ao que demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas." Mateus capítulo 5, versículos 39 a 41
Como já disse, esse é um ensinamento difícil de aceitar. Mas, ainda assim, precisamos obedecê-lo se quisermos ser cristãos verdadeiros. E a melhor forma de fazer isso é entender as razões de Jesus. Aí fica mais fácil obedecer.

No texto acima, Jesus ensinou que a pessoa não deve retribuir o mal (físico, moral ou espiritual) recebido e, o que ainda mais difícil, deve fazer algo positivo por quem lhe fez mal, caso isso for possível.

Esse ensinamento é muito mais exigente e desafiador do que a lei usada no Velho Testamento: retribuir "olho por olho e dente por dente", ou seja, o mal deveria ser retribuído de forma proporcional ao prejuízo sofrido (Êxodo capítulo 21, versículo 24). Mas, a orientação de Jesus é retribuir o mal até com o bem. 

Por quê Jesus pediu isso? Afinal, a lei do Velho Testamento parece mais justa e razoável. Mas, se Jesus ensinou algo diferente, devem haver razões fortes para isso. Acredito que há pelo menos três razões:

A primeira é que a tal "retribuição justa" ("olho por olho") não é possível de aplicar na prática. Eu me explico. Digamos que eu mate o filho de alguém e essa pessoa mate meu filho, em retribuição. Pela matemática, parece ter ficado tudo certo. Mas, se eu tiver apenas um filho e a outra pessoa tiver três, eu teria perdido tudo e o outro apenas um terço da sua prole.
Esse exemplo simples explica como é difícil praticar a retribuição justa. Afinal, são muitas as variáveis a considerar. E, por causa disso, a regra do "olho por olho" tende a perpetuar os conflitos. Um dos lados sempre vai achar que sofreu ficou com saldo negativo e vai querer descontar a diferença, fazendo mais mal para o lado que pareceu beneficiado.

Voltando ao exemplo anterior, digamos que eu ache que matar meu único filho foi injusto. Vou lá e, para equilibrar as coisas, no meu ponto de vista, mato os outros dois rapazes do meu inimigo. Minha prole acabou e agora, a do meu inimigo também. Parece justo. Aí o pai dos rapazes mortos vai achar que a conta ficou desequilibrada e vai retaliar em outra área da minha vida. E assim acabará sendo gerado um ciclo de vinganças e retaliações.

É por isso que há um ditado muito sábio: "quando se usa a regra do olho por olho, a longo prazo todos acabam cegos". Esse ditado retrata com clareza a impossibilidade de, na prática, encontrar a retribuição justa ao mal recebido.

A segunda razão pela qual Jesus nos pediu para dar a outra face e não retaliar os inimigos é porque a lógica do reino de Deus é baseada na graça e não na causa e efeito". Graça significa que Deus deixa de punir a pessoa de acordo com seus pecados. Isso significa que, se a pessoa aceitar Cristo como seu salvador, ela será perdoada. 

E a graça de Deus está disponível para todos - basta aceitá-la. Mas, se alguém entra no campo de graça, é exigido dele/a que aja de forma semelhante: aprenda a perdoar e não retaliar. Daí o mandamento de Jesus.

A terceira razão trata da exigência de dar a outra face trata especificamente da questão de fazer o bem a quem lhe fez mal, caso isso seja possível. A lógica de Jesus aqui é que uma ação positiva pode iniciar um processo de restauração da relação quebrada. E isso é ainda melhor do que simplesmente quebrar o ciclo de retaliação. Os resultados tornam-se muito mais significativos.

Veja mais sobre esse tema aqui.

Com carinho

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

NEM JESUS FOI PROFETA NA SUA TERRA

Há uma verdade da qual ninguém consegue fugir: não é possível ser profeta na própria terra. Em outras palavras, não é possível exercer liderança espiritual de pessoas com quem se tem intimidade.

Até Jesus teve enorme dificuldade em vencer essa barreira - veja o que a Bíblia diz a esse respeito:
Tendo Jesus partido dali, foi para sua própria terra... passou a ensinar na sinagoga e muitos, ouvindo-o, se maravilhavam dizendo: ...Que sabedoria é essa que lhe foi dada? ...Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas Judas e Simão? ...Jesus, porém, lhes disse: não há profeta sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes e na sua casa. [Jesus] não pôde fazer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos... Marcos capítulo 6, versículos 1 a 5
E é fácil entender a razão para essa limitação. Imagine que eu tivesse sido criado com um primo, jogando futebol, indo junto à praia e festinhas. Sempre percebi que meu primo era uma pessoa inteligente e bondosa, mas, ainda assim, parecia um garoto normal. Anos depois, recebo a notícia que esse meu primo tornou-se um grande líder religioso e que muitas pessoas estão afirmando ser ele o Messias, o salvador da humanidade. Será que eu iria acreditar nisso? É muito pouco provável. Eu iria lembrar toda a minha história de vida com ele e teria muita dificuldade de vê-lo preenchendo um papel espiritual desse porte. Eu seria uma das pessoas mais difíceis de convencer quanto ao ministério do meu primo.
E foi exatamente isso que aconteceu com os irmãos e conterrâneos de Jesus, conforme o texto acima demonstra. Quando Jesus começou a ser visto como o Messias, aqueles que tinham privado da sua intimidade, antes dele começar seu ministério, recusaram-se a aceitar essa verdade. Acharam isso absurdo.

Qualquer pessoa que tenha um ministério espiritual enfrenta esse mesmo tipo de barreira. Por exemplo, minha família dificilmente se interessa postagens que publico aqui - meu trabalho aqui simplesmente fica fora do radar dessas pessoas, embora todas elas tenham amor por mim. E assim é com todo mundo.
Mas, o que isso tem a ver com você? Muito, mais do que você talvez consiga perceber à primeira vista. Eu me explico.
Se você tem alguém na família ou um/a amigo/a próximo/a que não é convertido/a, certamente tem vontade de ver essa pessoa se rendendo a Jesus. E quando procurar falar sobre Jesus para essa pessoa que não é convertida, provavelmente vai enfrentar a mesma barreira que todo profeta enfrenta quando tenta agir na própria terra. Essa pessoa próxima a você vai resistir a suas palavras. Pode parecer surpreendente, é mais fácil ela vir a aceitar a pregação de um pastor que não conheça. 

Ocorre que esse familiar ou amigo/a próximo/a conhece você muito bem, inclusive seus defeitos e qualidades. E dificilmente vai conseguir ver em você uma referencia para sua própria vida espiritual cristã.

Mas, ainda assim, é preciso seguir o mandamento de pregar o Evangelho para quem cruzar nosso caminho. E isso inclui as pessoas que possam vir a rejeitar a mensagem do Evangelho que você venha transmitir.

É preciso sempre ter em mente que quem converte as pessoas é o Espírito Santo e não quem prega o Evangelho. Assim, quem leva a palavra é apenas o "cano" que conduz a "água viva" do Evangelho. Sem o "cano", a "água" não poderá chegar onde se faz necessária, mas não é esse "encanamento" que mata a "sede" e sim a "água viva".

Portanto, quando você tentar falar do Evangelho para alguém próximo e enfrentar resistências, não desanime, pois isso já é esperado. Não tente empurrar seus argumentos pela garganta dessa pessoa abaixo. Não se irrite com a eventual resistência e nunca brigue com a pessoa por causa disso.
Fale apenas o mínimo indispensável para essa pessoa e não se esqueça de convidá-la de ir visitar sua igreja. Faça sua parte. Eu, por exemplo, quando surge aqui no site algum tema que pode interessar familiares e ou amigos/as, conto para essas pessoas o que está sendo discutido e resumo o argumento cristão em resposta às dúvidas levantadas. Às vezes recebo algum comentário, dizendo que o texto ajudou, mas, na maioria das vezes, ninguém fala nada. 
Isso nunca me aborrece, pois fiz a tarefa que me cabia. O resto é com o Espírito Santo. Cabe a ele mudar a pessoa. Afinal, ninguém é mesmo profeta na sua própria terra.

Veja mais sobre esse tema aqui.

Com carinho

sábado, 9 de novembro de 2019

COMUNIDADE

Estamos acostumados a viver em comunidade. Isto é, em grupos de pessoas, com origens e características diversas, mas que se juntam por causa de um propósito ou interesse comum. E na vida participamos de várias comunidades diferentes, como família, empresa, escola, igreja e assim por diante. 

Uma igreja cristã não deixa de ser uma comunidade, pois é formada por pessoas com histórias de vida e naturezas distintas, reunidas para cultuar a Deus e fazer sua obra. As igrejas cristãs são comunidades de fé, pois a crença em Cristo é o elo que une todos os membros desses grupos.

E, por mais que algumas pessoas tentem dizer o contrário, não é possível construir uma relação profunda com Cristo sem frequentar alguma igreja. Sem ter um lugar onde congregar e buscar apoio espiritual e emocional para as próprias dificuldades, bem como também dar o mesmo tipo de apoio para quem estiver precisando. Não é possível desenvolver a própria vida espiritual sozinho/a, isolado de outras pessoas.

Por isso a Bíblia é muito clara quanto à necessidade de viver a vida espiritual em grupo, participando de uma comunidade com irmãos e irmãs na fé. E é sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

O MEDO QUE PARALISA

Há um tipo de medo que paralisa. Ele acontece quando a pessoa se sente intimidada por outras pessoas e fica inibida, sem ação. Meio que “congela” e não consegue fazer nada. Esse medo pralisa mesmo.
Um bom exemplo é o profeta Elias, quando foi intimidado pela rainha Jezebel. O mais interessante nesse caso é que a intimidação de Elias aconteceu depois que ele realizou seu maior milagre, ao enfrentar sozinho 400 profetas de Baal, no monte Carmelo, quando desceu fogo do céu para consumir seu sacrifício. Logo após esse milagre, a rainha Jezebel ficou inconformada com a derrota dos profetas de Baal e ameaçou Elias – veja 1 Reis 9:2-10:
Por isso Jezabel mandou um mensageiro a Elias para dizer-lhe: "Que os deuses me castiguem com todo o rigor, caso amanhã nesta hora eu não faça com a sua vida o que você fez com a deles". Elias teve medo e fugiu para salvar a vida… e entrou no deserto, caminhando um dia. Chegou a um pé de giesta, sentou-se debaixo dele e orou, pedindo a morte. "Já tive o bastante, Senhor. Tira a minha vida; não sou melhor do que os meus antepassados." Depois se deitou debaixo da árvore e dormiu. De repente um anjo tocou nele e disse: "Levante-se e coma".

Elias olhou ao redor e ali, junto à sua cabeça, havia um pão assado sobre brasas quentes e um jarro de água. Ele comeu, bebeu e deitou-se de novo. O anjo do Senhor voltou, tocou nele e disse: "Levante-se e coma, pois a sua viagem será muito longa". Então ele se levantou, comeu e bebeu. Fortalecido com aquela comida, viajou quarenta dias e quarenta noites, até que chegou a Horebe, o monte de Deus. Ali entrou numa caverna e passou a noite. E a palavra do Senhor veio a ele: "O que você está fazendo aqui, Elias?" Ele respondeu: "Tenho sido muito zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos. Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada. Sou o único que sobrou, e agora também estão procurando matar-me".
Elias era um homem espiritualmente poderoso e não deveria ter dado muita bola para a ameaça de Jezebel. Mas, surpreendentemente, o profeta intimidou-se com a ameaça e entrou em pânico. Esqueceu-se de tudo que já tinha feito, ficou deprimido e fugiu para salvar a vida. Nesse processo, Elias teve o medo que paralisa, perdeu sua visão ministerial e sua autoridade espiritual. Foi preciso que Deus lhe mandasse ajuda, através do profeta Eliseu.
 Pedro também se deixou intimidar. Isso ocorreu quando o apóstolo estava sentado junto ao fogo, no pátio da casa do sumo-sacerdote, na noite em que Jesus foi preso – veja Lucas 22:54 a 62:
Então, prendendo Jesus, levaram-no para a casa do sumo sacerdote. Pedro os seguia à distância. Mas, quando acenderam um fogo no meio do pátio e se sentaram ao redor dele, Pedro sentou-se com eles. Uma criada o viu sentado ali à luz do fogo. Olhou fixamente para ele e disse: "Este homem estava com ele". Mas ele negou: "Mulher, não o conheço". Pouco depois, um homem o viu e disse: "Você também é um deles". "Homem, não sou! ", respondeu Pedro. Cerca de uma hora mais tarde, outro afirmou: "Certamente este homem estava com ele, pois é galileu". Pedro respondeu: "Homem, não sei do que você está falando! " Falava ele ainda, quando o galo cantou. O Senhor voltou-se e olhou diretamente para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra que o Senhor lhe tinha dito: "Antes que o galo cante hoje, você me negará três vezes". Saindo dali, chorou amargamente.
A intimidação, nesse segundo caso, foi velada. Não foi uma ameaça direta pois não havia nada de concreto contra Pedro. Mas, mesmo assim, o apóstolo também teve o medo que e fez algo muito ruim: negou Jesus para afastar a ameaça, esquecendo-se de todas as promessas que tinha feito de ter lealdade irrestrita a seu Mestre. Mais tarde, quando percebeu o que tinha feito, Pedro chorou amargamente. Ele precisou de tempo para poder recuperar seu ministério. Elias já não teve a mesma sorte, pois seu ministério nunca se recuperou de todo.
O apóstolo Paulo estava bem ciente do perigo que representa o medo que paralisa. E escreveu para Timóteo, seu filho na fé, para alertá-lo sobre isso. Timóteo era jovem, ainda pouco experiente no ministério, mas já tinha importantes tarefas a desempenhar na obra de Deus: pregar o Evangelho e pastorear igrejas. Veja o texto de 2 Timóteo 1:6-8:
Por essa razão, torno a lembrar-lhe que mantenha viva a chama do dom de Deus que está em você mediante a imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio. Portanto, não se envergonhe de testemunhar do Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro dele, mas suporte comigo os sofrimentos pelo evangelho, segundo o poder de Deus…
Paulo explicou que um dom espiritual não usado, acaba se apagando. Assim como um membro do corpo, quando fica sem uso, acaba se atrofiando. O medo que paralisa impede que a pessoa faça aquilo que sabe e pode fazer, inclusive na obra de Deus. Esse tipo de medo torna a pessoa covarde. Tira a coragem dela.
Repare que Paulo usou na sua carta a Timóteo a palavra “armadilha”, que tem o significado de “laço”. Esse era um recurso usado para aprisionar animais. Paulo estava alertando que se deixar intimidar é como cair num laço que aprisiona a própria vida.
Dons precisam ser usados com frequência e liberdade. Quando são postos à serviço de boas causas e ajudam a implantar o reino de Deus aqui na terra, eles frutificam e crescem. 
As táticas da intimidação
Você precisa aprender a reconhecer as táticas de intimidação. Aquelas que levam ao medo que paralisa. Elas são muito usadas no trabalho, nas relações sociais e até na família - conheci um chefe de família que vivia ameaçando a mulher e os filhos de abandoná-los, deixando-os em situação financeira difícil.
Há casos em que a ameaça não é tão clara assim, sendo feita de forma sutil. Uma abordagem comum é alegar que a pessoa sendo intimidada precisa deixar de fazer isso ou aquilo para seu “próprio bem”, ou seja, para evitar consequências ruins para sua vida.

São duas as táticas muito usadas para intimidar. Uma delas é ameaçar alguma retaliação, conforme o fazia o chefe de família ao qual me referi acima. Trata-se de chamar a atenção da pessoa que se quer intimidar para a possibilidade de ocorrer algo desagradável na vida delas, se não mudar seu comportamento. Foi isso que a rainha Jezebel fez com Elias.
Outra forma de intimidação é a confrontação. Boa parte das pessoas tem medo de ser questionada. Não gostam que lhes seja pedido justificativas para aquilo que pensam ou para suas ações. Por isso é muito comum as pessoas evitarem ter certas conversas dolorosas. Fogem até de tratar os problemas familiares abertamente
Já vi cristãos engasgarem quando questionados e serem chamados de otários por darem o dízimo, não conseguindo articular uma resposta. Bateu neles o medo que paralisa. E é importante lembrar que a Bíblia nos manda estar preparados para responder aos questionamentos sobre nossa fé – veja 1 Pedro 3:15:
…Estejam sempre preparados para responder a qualquer um que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.
A falta de fé em Deus não é a única razão para as pessoas se deixarem intimidar. E talvez você se surpreenda quando afirmo isso. É claro que esse é um fator importante e foi ele que causou a fuga de Elias e Pedro. Mas existem dois outros fatores de muito peso, que também levam ao medo que paralisa.

Um desses fatores é dar importância demasiada ao que as outras pessoas pensam, isto é, não querer ser criticado/a e/ou temer a rejeição. Aí é mais fácil ficar calado quando se é questionado.

O outro fator é a falta de convicção, a incerteza da pessoa de estar no caminho certo. Em outras palavras, ela não estabelece uma identidade cristã forte, em termos de ideias, valores e comportamentos abraçados. Quem não tem essa identidade forte, ao ser questionado/a, fica com dúvida se a eventual crítica não está correta. É isso que acontece, por exemplo, com os cristãos que não conseguem responder às críticas quanto ao dízimo.
Repare que esses fatores estão interligados. Quando se quer agradar os homens, geralmente não se consegue agradar a Deus. Quando não se tem certeza da própria relação com Deus, não é possível desenvolver fé e conseguir nele de forma absoluta. E por aí vai.
O ensinamento da Bíblia é que o importante mesmo é focar em Deus e procurar agradá-lo. Veja o Salmo 118:6: O Senhor está comigo, não temerei. O que me podem fazer os homens?
Foi assim que agiram Pedro e João, quando o Sinédrio tentou intimidá-los. Foi assim que eles enfrentaram o medo que paralisa. Veja (Atos 4:1-20):
Enquanto Pedro e João falavam ao povo, chegaram os sacerdotes, o capitão da guarda do templo e os saduceus. Eles estavam muito perturbados porque os apóstolos estavam ensinando o povo e proclamando em Jesus a ressurreição dos mortos. Agarraram Pedro e João e, como já estava anoitecendo, os colocaram na prisão até o dia seguinte…No dia seguinte, as autoridades, os líderes religiosos e os mestres da lei reuniram-se em Jerusalém. Estavam ali Anás, o sumo sacerdote, bem como Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da família do sumo sacerdote.

Mandaram trazer Pedro e João diante deles e começaram a interrogá-los: "Com que poder ou em nome de quem vocês fizeram isso?" Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: "Autoridades e líderes do povo! Visto que hoje somos chamados para prestar contas de um ato de bondade em favor de um aleijado, sendo interrogados acerca de como ele foi curado, saibam os senhores e todo o povo de Israel que por meio do nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem os senhores crucificaram, mas a quem Deus ressuscitou dos mortos, este homem está aí curado diante dos senhores. Este Jesus é ‘a pedra que vocês, construtores, rejeitaram, e que se tornou a pedra angular’. Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos".

Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus. E como podiam ver ali com eles o homem que fora curado, nada podiam dizer contra eles. Assim, ordenaram que se retirassem do Sinédrio e começaram a discutir, perguntando: "Que faremos com esses homens? Todos os que moram em Jerusalém sabem que eles realizaram um milagre notório que não podemos negar. Todavia, para impedir que isso se espalhe ainda mais entre o povo, precisamos adverti-los de que não falem mais com ninguém sobre esse nome". Então, chamando-os novamente, ordenaram-lhes que não falassem nem ensinassem em nome de Jesus. Mas Pedro e João responderam: "Julguem os senhores mesmos se é justo aos olhos de Deus obedecer aos senhores e não a Deus. Pois não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos".
A intimidação que Pedro recebeu no pátio da casa do sumo-sacerdote foi menor do que essa outra. Mas, agora, Pedro não se deixou intimidar. Ele passou a ter certeza do seu lugar reino de Deus e não mais se preocupava com o que as pessoas pensavam dele. Assim, já não dava bola para ameaças. Tinha certeza de estar debaixo da proteção de Deus e sabia ter sido revestido de poder, depois da chegada do Espírito Santo (no Pentecoste).
A atitude dos apóstolos, nesse caso, ensina uma coisa outra importante. A forma de enfrentar uma tentativa de intimidação não é fugir. É fazer justamente o contrário: ir na direção da fonte da intimidação, na origem do medo que paralisa. Pedro e João enfrentaram o Sinédrio e explicaram abertamente que, para eles, era mais importante obedecer a Deus do que obedecer aos homens.

E essa é uma grande lição de vida para nós. Assim como os apóstolos, você também pode aprender a enfrentar o medo que paralisa.

Com carinho

terça-feira, 5 de novembro de 2019

VOCÊ JÁ LEU ATOS DOS APÓSTOLOS?

Dois livros da Bíblia - Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos - foram escritos pela mesma pessoa, Lucas, médico e companheiro de Paulo em algumas de suas viagens missionárias. Na verdade, os dois livros formam uma única obra. A primeira parte (o Evangelho) trata da vida e do ministério de Jesus na terra. A segunda parte (Atos dos Apóstolos) conta a história dos primeiros tempos da igreja cristã.

Esse período inicial de vida do cristianismo também é conhecido como "igreja apostólica" pois foi liderado pelos apóstolos. Tratavam-se de um grupo de doze homens escolhidos diretamente por Jesus para testemunhar sobre seu ministério. Posteriormente, a esse grupo inicial, juntou-se Paulo, tornado apóstolo após uma visão que teve de Cristo. E também Tiago, irmão de Jesus, homem de grandes princípios morais, cujo apelido era "o Justo". 

Paulo acabou se tornando a principal figura da igreja apostólica. Ele escreveu cerca de metade do Novo Testamento e implantou um bom número de igrejas entre os gentios (os não judeus). Tiago tornou-se o chefe da igreja cristã mãe de todas, a de Jerusalém. E Pedro também teve grande papel de liderança, na igreja apostólica, especialmente depois que foi viver em Roma.

O livro de Atos descreve , dentre outras coisas, os seguintes acontecimento importantes:
  • O Pentecoste, o derramar do Espírito Santo que deu início à história da igreja cristã. Naquela oportunidade, cerca de 3 mil homens foram convertidos ao Evangelho de Jesus (Atos capítulo 2, versículos 1 a 41).
  • As primeiras perseguições sofridas pelos cristãos, por serem considerados hereges pelos judeus. Foi nessa época que ocorreu o primeiro martírio, o do diácono Estevão, que morreu apedrejado (Atos capítulos 6 e 7).
  • A forma como os primeiros cristãos viveram - compartilhando seus bens e usando-os para suprir as necessidades de cada pessoa (Atos capítulo 2, versículos 42 a 47).
  • As primeiras desavenças dentro da comunidade cristã, causadas pela diferença cultural entre os judeus originários da Palestina e os originários de outros lugares (Atos capítulo 6, versículos 1 a 7). 
  • O Primeiro Concílio da igreja cristã, liderado por Tiago, Pedro e Paulo. Essa reunião resolveu a questão das exigências que deveriam ser feitas para as pessoas se tornarem cristãs. Foram abolidas diversas exigências, como a circuncisão dos homens, que atrapalhavam o crescimento da fé cristã (Atos capítulo 15).
  • Os acontecimentos relacionados com as três viagens missionárias de Paulo pela Ásia Menor (atual Turquia) e Grécia. Foi nesse período que Paulo desenvolveu a teologia cristã (em cartas como Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, etc). E resolveu conflitos no seio das comunidades cristãs.
  • A prisão de Paulo e sua viagem a Roma para ser julgado pelo imperador  romano (Atos capítulo 28, versículos 16 a 31). Sabe-se que o apóstolo ficou preso cerca de dois anos naquela cidade, antes de ser martirizado.  
Esses são apenas alguns exemplos dos fatos relatados no livro de Atos. Há muito material a ser aproveitado ali. Trata-se de leitura fácil, pois Lucas escreve de forma muito agradável, diferentemente do que acontece, por exemplo, com Paulo. 

Vale a pena investir tempo para ler esse livro, o que pode ser feito em pouco mais do que três horas de leitura. Você não vai se arrepender se fizer esse esforço.

Com carinho 

domingo, 3 de novembro de 2019

O MEDO DA REJEIÇÃO

O medo da rejeição tem a ver com a percepção da falta de valor próprio. E é fácil explicar a razão: ninguém rejeita algo que tenha muito valor. Portanto, se alguém é rejeitado é porque implicitamente ele/a não tem valor. Não tem muita importância ou significado na sociedade. Discutir o medo da rejeição é, então, fazer uma discussão sobre o medo de não ter valor. O medo de evaporar e ninguém sentir falta.
Esse medo é uma constante na vida da maioria das pessoas. E é por causa dele que você se incomoda quando amigos ou parentes se esquecem de ligar no dia do seu aniversário, ou quando as pessoas se dirigem a você usando um nome errado. Pelas mesmas razões, ninguém gosta de ser tratado como “gado”, como fazem, por exemplo, as empresas aéreas e os call centers das grandes empresas.
As pessoas querem receber atenção e reforço positivo pelo que são e fazem. Por isso o elogio do chefe, do professor ou do pastor é tão importante. E é pela mesma razão que elas ficam excitadas quando recebem atenção de alguém famoso, como um grande esportista, um artista famoso ou um político de sucesso. Nessa situação, as pessoas tentam ligar, de alguma forma, sua identidade com a dessa pessoa importante, deixando sua insignificância para trás. O lema adotado nesses casos é: conecte-se com alguém especial e você se tornará especial também.

Mas, é comum as pessoas se sentirem sem valor, dispensáveis, portanto, fortes candidatas à rejeição. Afinal, elas trabalham em profissões pouco interessantes, moram em condições que não são boas, sofrem no transporte público e assim por diante.
O medo da rejeição e falta de valor tem consequências importantes na economia e na vida em sociedade. Por exemplo, ele está na raiz do marketing das empresas que vendem moda. Essas organizações sempre tentam passar a seguinte mensagem para seus consumidores em potencial: você é importante e não mais será rejeitado se vestir-se bem, usando os produtos da marca tal e qual.
O mesmo sentimento move boa parte dos esforços de benemerência. Os bilionários, quando percebem que sua vida vai acabar muito antes do seu dinheiro, criam fundações com seus nomes, onde procuram fazer coisas boas, tornando-se, aos olhos da opinião pública, pessoas socialmente responsáveis e cidadãos respeitáveis. Pela mesma razão, as pessoas gostam de ter seus nomes em ruas, praças e pontes, garantindo-lhes reconhecimento e certa imortalidade. E é também por isso que os artistas famosos são tão invejados: eles/as se tornam imortais pelas obras de arte que criam.
Embora frequentemente as pessoas se sintam sem importância, não é isso que Deus pensa a respeito delas. A Bíblia diz que você é valioso porque é criatura de Deus. Veja o que Jesus ensinou em Lucas 12:6-8:
Não se vendem cinco pardais por duas moedinhas? Contudo, nenhum deles é esquecido por Deus. Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais! "Eu lhes digo: quem me confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus.
Pardais não valiam nada naquela época - não tinham nenhum propósito aparente. Por isso eram vendidos de baciada, custando duas moedas de valor muito baixo. E ainda assim, conforme Jesus disse, nenhum pardal é esquecido por Deus. E muito menos ainda você é esquecido por Ele.
A percepção que você tem valor para Deus costuma mudar a vida e o comportamento das pessoas. John Bentley trabalha como missionário na China, na província de Henan. Ele descreveu a seguinte experiência que teve num orfanato de crianças surdas. Na China, essas crianças são rejeitadas pelos pais, pois são consideradas sem valor - nasceram “com defeito”.
O missionário, durante sua visita ao orfanato, leu para as crianças o livro escrito por um conhecido escritor cristão chamado Max Lucado, cujo título é “Você é especial”. Trata-se da história de um boneco de madeira, chamado Punchinello, que morava numa vila habitada por outros bonecos iguais a ele. O costume naquele lugar era pregar no corpo dos bonecos sinais indicando como seu desempenho. Estrelas indicavam a obtenção de resultados importantes e pontos de interrogação sinalizavam fracassos.

Punchinell tinha tantos pontos de interrogação pregados no seu corpo, que os outros bonecos lhe davam novos sinais desse tipo porque todo mundo imaginava que ele não tinha qualquer valor. Foi aí que Pulchinello encontrou Eli, o artesão que o tinha feito. E Eli lhe disse para não considerar os sinais presos ao seu corpo, pois eles apenas traduziam as opiniões dos outros. Justificou sua afirmação dizendo: “Eu fiz você e sou um artesão muito experiente e competente. Não cometo erros.” Quando o boneco ouviu isso, os pontos de interrogação pregados ao seu corpo começaram a cair e seu corpo ficou limpo de sinais.
Essa mensagem mudou a cabeça das crianças daquele orfanato. Veja o que o depoimento do missionário:
Num certo momento, todos começaram a chorar. E eu não podia entender essa reação…afinal, nós, americanos, estamos acostumados a receber reforço positivo. Aquelas crianças começaram a chorar porque entenderam que tinham valor, por terem sido feitas por um artesão maravilhoso, o próprio Deus. E com elas, os professores também choraram.”
Você tem valor sim e nunca deixe que outras pessoas duvidem disso. E não duvide desse valor. Até porque o medo da rejeição e falta de valor acaba gerando profecias que se cumprem sozinhas. Em outras palavras, esse medo faz com que a pessoa tome atitudes que acabam por gerar exatamente os resultados que temia.

Por exemplo, uma jovem que tem medo da rejeição pelo seu grupo social pode começar a fazer coisas que não gostaria de fazer, imaginando que assim vai ser aceita. Veste uma máscara, para esconder seu “eu” verdadeiro e se torna uma pessoa artificial. E as outras pessoas frequentemente acabam percebendo isso e não gostando do que veem e aí sim a rejeição se torna certa. Outro exemplo é o de um rapaz que vê à sua frente uma nova oportunidade na vida, mas acha que não é bom o suficiente para se apropriar dela, para torná-la realidade. E, por causa desse estado de espírito, acaba fracassando ao tentar explorar aquela chance.
Deus não rejeita você. Não importa quem você seja, seu aspecto físico e suas realizações. Ele lhe ama porque você é obra dele. Ele ama como o artista ama suas boas obras (Efésios 2:10):
Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.
Portanto, você pode até ser rejeitado pelo mundo, por não se adequar aos padrões da sociedade e/ou por seguir ideias que pareçam quadradas ou estranhas para muita gente. Mas isso não importa. E se sua firmeza de propósito gerar rejeição, você pode se consolar lembrando que Jesus foi rejeitado pelos judeus. Paulo também passou por inúmeras rejeições ao longo do seu ministério.
E eles sabiam que seria assim mesmo. Sabiam que essa seria a coisa a esperar da sociedade ao seu redor, pois as coisas do cristianismo parecem loucura para o mundo. E o mesmo pode acontecer com você. Mas, você nunca será rejeitado por quem de fato importa: pelo seu criador.
Portanto, confie em Deus e deixe esse medo para trás.

Com carinho

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

SOMOS ORIGINAIS

Somos produtos originais, criados por Deus. Não somos cópias falsas, empobrecidas, de um produto real. Somos produtos autênticos e, nesse sentido, originais.

E isso é uma coisa da qual precisamos ter sempre consciência e precisamos ser gratos. Precisamos sempre agradecer a Deus por aquilo que Ele fez e continua a fazer em nossas vidas - como Davi fez no belíssimo Salmo 100.

Mas, nunca se iluda: não somos produtos já prontos. A Bíblia ensina que estamos em contante desenvolvimento, pois somos continuamente moldados e transformados por Deus, através das experiências que vivemos no nosso dia-a-dia.

E assim temos oportunidade de ir crescendo moral e espiritualmente. Podemos nos tornar mais corajosos, pacientes, amorosos e capazes de perdoar. E também sermos mais atuantes na obra de Deus e ficarmos mais próximos dele.

Podemos modificar nossa natureza, com a ajuda de Deus, e ir corrigindo os nossos eventuais desvios de comportamento, acabando por nos tornar mais parecidos com nosso modelo de comportamento: o próprio Cristo. É como se nossa criação estivesse em andamento, nunca acabando de fato. Sempre podemos melhorar e fazer mais e melhor.

Esse é o tema do meu mais novo vídeo - veja aqui.

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