quarta-feira, 27 de novembro de 2019

POBRE DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS

Estamos comemorando o dia mundial de ação de graças. Essa tradição nasceu nos Estados Unidos e que acabou se espalhando por muitos países.  Lá é chamada de "Thanksgiving Day". No Brasil, sua comemoração fica restrita às igrejas evangélicas - na minha igreja sempre fazemos uma grande comemoração.

Infelizmente, há uma grande transformação para pior na comemoração do dia de Ação de Graças. Nos Estados Unidos, essa comemoração virou uma oportunidade para comer um farto almoço em família, que precisa incluir peru assado, e depois ver programações especiais na televisão. Bebe-se muito também.

E o dia seguinte, a chamada "sexta feira negra" ("black friday"), é quando o comércio faz promoções inacreditáveis, atraindo multidões de consumidores ávidos por aproveitar os preços baixos. E essa tradição está começando a pegar no Brasil também.

Comida e bebida em excesso, programação especial na televisão e grandes descontos para incentivar o consumo, a comemoração do dia de Ação de Graças está cada vez mais se afastando do seu propósito inicial, que é agradecer as bênçãos recebidas de Deus. Há cada vez menos orações, louvores e leituras bíblicas voltadas a demonstrar gratidão a Deus. As outras coisas tornaram-se muito mais importantes, acabaram virando a verdadeira razão para comemorar.

O mesmo está acontecendo com a comemoração do Natal, que acabou totalmente desvirtuada. Essa data, originalmente, era destinada a comemorar o nascimento de Jesus. A festa era para Ele e essa era a justificativa para enfeitar as casas e reunir a família - ler a Bíblia, cantar músicas especiais e encenar contos de Natal. Mas, o Natal acabou virando a festa do comércio: todo mundo nas ruas para comprar presentes, depois uma ceia no dia 24, com muita comida e bebida, e a distribuição dos presentes. E nada de lembrar de Jesus, exceto no presépio, nos poucos casos em que ele se faz presente.

A Páscoa, a data mais importante da cristandade, pois comemora a morte de Jesus na cruz e sua ressurreição, vai pelo mesmo caminho. Ao invés das pessoas meditarem sobre o significado do sacrifício de Jesus, virou o dia para comer chocolate. Quem dá as cartas é o "coelho" e, no máximo, as pessoas assistem um filme velho sobre a vida de Jesus na televisão.

O fato é que as datas religiosas importantes acabaram engolidas pelo comércio e pelo lazer. As práticas seculares desvirtuaram totalmente o significado do que deveria ser comemorado na Páscoa, no Natal e no Dia de Ação de Graças.

Amanhã, Dia de Ação de Graças, mesmo não sendo feriado no Brasil, lembre-se de dedicar uns bons minutos para agradecer a Deus as bençãos recebidas, juntando-se a milhões de pessoas que, felizmente, ainda não perderam o sentido original da comemoração. 

Somos totalmente dependentes das bençãos de Deus - afinal, tudo que existe foi criado e é mantido em funcionamento pelo seu poder. Simples assim.

E quando somos sinceramente gratos, deixamos de colocar a nós mesmos como o centro e a razão para tudo que existe. E encontramos, em Deus, um novo sentido, muito maior e mais profundo, para nossas vidas. 

Com carinho

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

TRAJES

Quando você vai num parque, é possível ver as pessoas usando os trajes os mais diversos. A maioria das pessoas, talvez, esteja com roupa esportiva, pois quer praticar exercícios. Mas, também há quem esteja com roupas de passeio e até mesmo com roupas de casamento, para tirar fotos.

Os trajes que as pessoas usam, portanto, representam seus interesses diretos naquele momento - o que querem fazer, a causa que estão apoiando e assim por diante.

Aí eu faço uma pergunta para você: que traje você usaria para representar Jesus? Algumas pessoas acham que basta vestir um camiseta estampadas com símbolos religiosos cristãos ou versículos bíblico, que imediatamente vão passar a mensagem que Jesus está na vida dela. Mas, não é bem assim.

Que adianta as pessoas estarem suando símbolos religiosos se, ao mesmo tempo, são mal educadas e agressivas com o próximo? Na verdade, para representar Jesus bem neste mundo é preciso passar para o próximo o amor que Ele nos ensinou a ter, a paz que vem dele ou a esperança que só a fé verdadeira trás. A forma de representar Jesus não é um traje externo e sim algo que vem de dentro, que está no interior.

E é sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

sábado, 23 de novembro de 2019

QUANDO O MEDO AJUDA

O medo é uma das emoções mais complicadas que existem. E às vezes o medo atrapalha e, noutras vezes, ele ajuda. O medo pode paralisar, impedindo que a pessoa progrida e venha a alcançar seus sonhos. Ele pode indicar também falta fé em Deus e uma vida espiritual pobre. Mas, também pode ser um amigo, alertando do perigo e fazendo a pessoa se prevenir.
Em diversos outros textos da série sobre o medo aqui no site, falei muito sobre o lado negativo do medo. Hoje é a hora de falar do outro lado: sobre quando o medo ajuda.

Outro dia li o depoimento de uma jovem executiva que sofria nas mãos de um chefe emocionalmente abusivo. Ele espalhava o terror entre seus subordinados e parecia sentir prazer com isso. O medo e o estresse dessa moça chegaram a um nível insuportável e isso obrigou-a a agir – era uma questão de sobrevivência.  

Quando entrou na reunião decisiva, onde estavam seu chefe, o chefe dele e outras pessoas, ela estava tremendo e suando frio. As pernas bambearam. Mas, não havia alternativa. A jovem enfrentou o chefe e, para surpresa dela mesma, venceu a parada.

Depois da reunião, ela sentiu grande alívio. Foi como se um peso enorme tivesse sido tirado das suas costas. E só aí ela se deu conta que o medo a tirara da sua zona de conforto. Empurrara-a para agir. O medo fora seu amigo.
A Bíblia também tem relatos de situações assim. Por exemplo, Davi, antes de subir ao poder, foi muito perseguido pelo rei Saul, que tinha ciúme da sua popularidade entre o povo de Israel. Davi precisou fugir várias vezes e viveu uma vida errante, sem ter pouso certo. A certa altura dos acontecimentos, Davi passou a morar na cidade de Queila, em relativo conforto. Tudo parecia bem. Mas, aí se deu conta de haver perigo à vista - veja o relato de 1 Samuel 23:10-13:
Então orou: "Ó Senhor, Deus de Israel, este teu servo ouviu claramente que Saul planeja vir a Queila e destruir a cidade por causa dele. Será que os cidadãos de Queila me entregarão a ele? Saul virá de fato, conforme teu servo ouviu? Ó Senhor, Deus de Israel, responde". E o Senhor disse: "Ele virá". Davi, novamente, perguntou: "Será que os cidadãos de Queila entregarão a mim e a meus soldados a Saul? " o Senhor respondeu: "Entregarão". Então Davi e seus soldados, que eram cerca de seiscentos, partiram de Queila, e ficaram andando sem direção definida. Quando informaram a Saul que Davi tinha fugido de Queila, ele interrompeu a marcha.
Davi ficou sabendo que Saul vinha no seu encalço. E sentiu medo. Como Queila era uma cidade murada, os muros da cidade o protegeriam de um ataque de surpresa, mas também poderiam se transformar numa arapuca, impedindo-o de fugir, caso fosse necessário. Tudo iria depender, portanto, da fidelidade dos líderes da cidade para com ele.
O medo de Davi fez com que ele ficasse alerta e perguntasse a Deus sobre sua situação. Perguntou o que iria lhe acontecer, caso continuasse em Queila. E Deus respondeu que ele seria traído e entregue a Saul. Essa passagem traz um ensinamento paralelo importante – Deus não sabe somente o que vai acontecer, mas também o que poderia ter acontecido em diferentes circunstâncias (o chamado conhecimento hipotético).

A partir da revelação que Deus lhe deu, Davi saiu do seu relativo conforto e fugiu de novo, voltando à vida errante. Mas, conservou a vida.
O medo ensina
Todo sentimento forte tem algo a informar e, portanto, precisa ser escutado. No caso do medo, antes de qualquer coisa, é preciso entender que se trata de um processo provocado por reações químicas no cérebro, começando com uma descarga de adrenalina, seguida de aceleração cardíaca, tremores e suores frios. O gatilho desse processo é um estímulo físico e/ou mental, ou seja, um sinal qualquer de perigo.
Essa resposta fisiológica tem por objetivo preparar o corpo humano para fugir ou reagir às ameaças. E sem ela, não haveria como a pessoa se antecipar ao perigo. Ela continuaria agindo normalmente, sem perceber a ameaça. Nesse sentido, o medo é uma reação útil, pois ajuda a manter a integridade física e emocional da pessoa.

Fica claro, então, que o medo é inevitável e, portanto, não se trata de tentar evitá-lo, coisa impossível. Lembro que até Jesus teve medo, na noite em que foi preso, quando estava orando no jardim do Getsêmani – Ele chegou a suar sangue. A questão real é aprender a lidar com esse sentimento de forma positiva. Transformá-lo num amigo. Trata-se de conquistar o medo.
Uma boa metáfora para explicar a postura adequada diante do medo é a luz amarela de um semáforo. Trata-se de um sinal de alerta, levando o motorista a tomar cuidado. Em outras palavras, a presença do medo indica ser preciso avaliar a situação e tomar as necessárias cautelas, antes de prosseguir. O medo avisa sobre o perigo de agir de forma impulsiva, pois poderá isso poderá trazer grande arrependimento.
Agora, o medo não pode ser visto como uma luz vermelha, aquela que manda parar imediatamente e não mais seguir em frente. Considerar o medo como uma luz vermelha, sem qualquer análise mais profunda da situação, faz com que a pessoa fique paralisada e inibida, que já discutimos em outro momento (veja mais).

Outro aspecto importante do medo é que ele é bom nas doses certas e quando dirigido para o alvo correto. Quando leva você a refletir e se acautelar. E é ruim quando extrapola do razoável e/ou é focado no lugar errado. Como, então, separar o medo “bom” do medo “ruim”? De que forma diferenciar entre o medo que ajuda daquele que atrapalha? Você precisa desenvolver discernimento e há cinco coisas que ajudam muito a fazer isso:
A primeira delas é orar sempre. Pedir a Deus sabedoria e discernimento para entender a situação à sua frente, as causas do seu medo e assim por diante. Todos os grandes heróis da fé tinham na oração constante seu principal trunfo.
Segundo, aprenda a fazer seu “inventário” emocional. Isto é, passe a entender os próprios sentimentos e como eles influenciam seu comportamento. Torne-se consciente dos sinais que seu corpo emite e aprenda a decodificar essas informações. E uma coisa que ajuda muito nesse aprendizado é fazer “autópsias”, ou seja, analisar suas reações em eventos passados e as consequências delas. Tentar entender qual foi o encadeamento de pensamentos que levou você a agir de uma forma e não de outra.

A terceira delas é adquirir a capacidade de separar o “joio” do “trigo”, isto é, passar a entender claramente o que é importante em cada situação que vier a desafiar você. Isso parece simples de fazer, mas as pessoas costumam ter muita dificuldade em separar o “joio” do “trigo”, pois confundem o importante com aquilo que é acessório.
Há um exemplo disso na Bíblia que é muito bom. Certa vez Jesus estava na casa de Lázaro, Marta e Maria. E estava ensinando às pessoas presentes. Maria sentou-se aos pés de Jesus e ouvia seus ensinamentos, mas Marta ficou pela casa, atarefada com os trabalhos domésticos, e acabou se incomodando com a aparente “folga” da irmã. Veja o relato de Lucas 10:38-42):
Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo-lhe a palavra. Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: "Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude!" Respondeu o Senhor: "Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada".
Marta tinha boa intenção, apenas queria receber bem seu hóspede (Jesus). Mas, perdeu noção daquilo que importava verdadeiramente. Maria, sua irmã, entendeu melhor qual deveria ser sua prioridade e focou naquilo que de fato importava.
Assim como aconteceu com Marta, é comum a pessoa focar naquilo que importa pouco, mas, por algum motivo, lhe angustia. E o que importa, no caso do medo, é entender os gatilhos que levam a pessoa a reagir dessa forma, os dados da realidade à sua frente e as possíveis consequências dos seus atos. As outras importam menos.
Em quarto lugar, é preciso ter capacidade de aprender. Há pessoas que conseguem usar suas próprias experiências de vida para crescer. Já outras repetem continuamente seus passos, fazendo as mesmas escolhas repetidamente e, mesmo assim, se irritam quando colhem os mesmos resultados ruins.
José aprendeu com sua experiência. Ele era um adolescente mimado, por ser o filho preferido de Jacó. Não tinha muita sensibilidade para o ciúme que despertava nos dez irmãos mais velhos – não se importava muito com isso. Nunca se deu conta dos sinais de perigo.

Um dia os irmãos decidiram ser ver livre dele e o venderam como escravo para uma caravana que ia para o Egito. Chegando naquele país, José teve uma vida muito difícil, mas, com a ajuda de Deus, acabou progredindo e chegou a ser o primeiro-ministro do faraó. E, nesse cargo, José conseguiu salvar sua família, quando ela passou por grave crise de falta de alimentos em Canaã.
José aprendeu com seu sofrimento e mudou. Tanto assim, que perdoou os irmãos e conseguiu entender que sua trajetória cumpriu um plano divino. José entendeu que Deus tinha feito do “limão” uma “limonada” na sua vida e aprendeu com essa constatação.
Finalmente, é preciso pedir ajuda quando o medo bate às portas. E essa ajuda pode vir de mentores, pastores, terapeutas e/ou familiares. O importante é encontrar alguém que possa ajudar você a analisar suas questões de vida, de forma racional. E, inclusive, entender os eventuais desdobramentos espirituais das suas possíveis decisões.

Os homens têm muito mais dificuldade de fazer isso do que as mulheres. Eles frequentemente acham que buscar ajuda é prova de fraqueza e negam-se a dar esse passo. E com isso jogam fora um instrumento que poderia vir a ajudá-los muito.

Mulheres usam melhor esse recurso, mas, às vezes, cometem o erro oposto. Falam com gente demais, procuram conselhos em todos os lugares e acabam confusas, pois recebem sugestões contraditórias. Isso quando não dão origem a fofocas por sua incontinência verbal.

Esses cinco passos vão ajudar você a entender se o medo à sua frente é do tipo “bom” ou “ruim” e orientá-lo na melhor forma de lidar com ele. Sempre com ajuda de Deus. Amém.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

JESUS E O BATISMO DE ARREPENDIMENTO


Você sabia que Jesus foi batizado para arrependimento? Esse é um dos fatos mais importantes da vida de Jesus e ocorreu logo no início do seu ministério.

O batismo de Jesus foi ministrado por João Batista (veja mais), que vinha chamando o povo de Israel para o arrependimento – o povo devia abandonar seus caminhos maus e se arrepender dos pecados cometidos (Mateus capítulo 3, versículos 1 a 10).

Agora, por que Jesus se deixou batizar para arrependimento já que não tinha pecados e, portanto, é não tinha do que se arrepender? Essa é uma pergunta muito coerente que merece atenção.
Como Deus lidou com o povo de Israel
Deus lidou com o povo de Israel, segundo o relato do Velho Testamento, de forma diferente do que Ele lida conosco hoje em dia. Israel era o povo escolhido e estava debaixo da promessa dada a Abraão e depois reafirmada a Moisés, Davi, etc.
Portanto, quem nascia dentro desse povo herdava automaticamente todas as promessas feitas por Deus e passava a fazer parte da Aliança feita com Abraão. Mas, assim como havia promessas coletivas para Israel, cuja posse podia ser reivindicada por qualquer pessoa que pertencesse a esse povo, também havia responsabilidades coletivas.
Assim, certos pecados cometidos por um único israelita podia ter reflexo no povo como um todo. Um bom exemplo disso é o caso de Acã, que desobedeceu a Deus e causou a derrota de Israel na batalha pela cidade de Aí (Josué capítulo 7).

É claro que também existiam pecados - como o adultério ou o roubo - para os quais a responsabilização era individual, como foi o caso do rei Davi, ao adulterar com Bate-Seba.

Os pecados que tinham impacto coletivo eram aqueles relacionados diretamente com a Aliança de Israel com Deus - adoração a outros deuses, desobediência a Deus, revolta contra os líderes indicados por Ele, etc.
Jesus e o pecado do povo de Israel
Jesus era judeu e participou das práticas religiosas daquele povo – respeitava os feriados religiosos, foi circuncidado, não comia alimentos proibidos, etc. Pode parecer estranho afirmar isso, mas, Jesus, como parte do povo escolhido, estava dentro da Aliança feita por Deus com Abraão. Assim, Jesus também era coletivamente responsável pelos pecados cometidos por outros judeus contra a Aliança com Deus, mesmo não tendo cometido nenhum pecado individual.
Em outras palavras, Jesus não pecou pessoalmente mas carregou sua parte da culpa coletiva de Israel. E a Bíblia deixa isso claro: quando Jesus se aproximou para ser batizado, João Batista lhe disse que não podia batizá-lo, pois não era digno de fazer isso. E Jesus respondeu: "...Deixa, por enquanto, para que se cumpra toda a justiça..." (Mateus capítulo 3, versículos 13 a 15).
"Justiça" na frase acima tem o significado de cumprimento da lei dada por Deus a Moisés. Ou seja, como judeu, Jesus carregava seu quinhão dos pecados coletivos de Israel, embora não fosse diretamente responsável por nenhum deles. Daí fazia sentido que Jesus se batizasse pelo arrependimento coletivo do povo, cumprindo a lei dada por Deus a Moisés.
Comentários finais
Vivemos hoje dentro da chamada Nova Aliança, caraterizada pela morte de Jesus na cruz para remissão dos nossos pecados (Mateus capítulo 26, versículos 26 a 28). A nova Aliança não é coletiva, como é a Aliança feita por Deus com o povo de Israel. A  nova Aliança é individual.
Cada pessoa entra na nova Aliança quando aceita Jesus como seu Salvador e não por ser descendente de outra (como acontecia na Aliança com Israel). Assim, na nova Aliança ninguém pode transferir sua salvação para outra pessoa, mesmo seus descendentes. Casa pessoa precisará tomar esse passo por si mesma. 

Em contrapartida, na nova Aliança ninguém precisa carregar pecados coletivos. Cada pessoa é responsável apenas pelo que faz individualmente e só precisa se arrepender disso. 

Portanto, na nova Aliança o gesto de Jesus - deixar-se batizar por João Batista para arrependimento - não faz sentido, pois Ele não tinha pecados pessoais. Mas, como Jesus viveu dentro da Aliança com israel, esse batismo passa a fazer todo sentido.

Com carinho 

terça-feira, 19 de novembro de 2019

DIALOGANDO EM SITUAÇÕES DE CONFLITO

Dialogar de forma construtiva em situações de conflito é tarefa difícil e delicada.  O desafio é sempre o mesmo: entender as outras pessoas e fazer-se entender por elas. Não permitir que as emoções embaralhem a razão. E isso é válido em todas as situações, seja com pessoas da família, amigos, colegas de trabalho ou irmãos na fé.

As livrarias estão cheias de livros de autoajuda que pretendem ensinar as pessoas a navegar bem pelo mar tempestuoso das suas relações e lidar bem com o conflito. Já li diversos deles e confesso que aproveitei pouco - normalmente estão cheios de clichês e conselhos vazios.

E isso ocorre porque os conselhos dados nesses livros partem de uma visão adocicada do ser humano e das suas motivações. Esses livros não levam em conta que, frequentemente, as pessoas escolhem o mal por que gostam disso. Entram em situações de conflito porque querem se vingar, estão com raiva e/ou guardam mágoas.

Os livros de autoajuda vendem a imagem que o ser humano é bom e só erra por ignorância e/ou precipitação, nunca pela decisão consciente de optar pelo mal. E isso não é verdade, considerando o que a Bíblia ensina.  

Os melhores conselhos que já li sobre como se relacionar melhor com as outras pessoas em situações de conflito são aqueles que Deus nos deu e estão registrados na Bíblia. Muitas vezes, não são conselhos fáceis de seguir até porque costumam contrariar a natureza humana, ou seja, as tendências naturais dos seres humanos.  

Mas, quais são esses conselhos? Aí vai o resultado de breve pesquisa que fiz sobre esse tema na Bíblia. Espero que esses conselhos sejam úteis para você, como foram para mim:
1.  Ouça com atenção as razões da outra pessoa
Se você se apressa em dar sua opinião, antes de ouvir os fatos, é um tolo e passará vergonha. Provérbios capítulo 18, versículo 13 
2.  Seja paciente
...nunca se esqueça de que cada um deve estar pronto para ouvir, deve demorar para falar e mais ainda para ficar irado. Tiago capítulo 1, versículo 19
3.  Não guarde rancor 
...jamais guarde rancor. Perdoe como o Senhor perdoou vocêColossenses capítulo 3, versículo  13
4. Você não sabe tudo ou é "dono" da verdade
O tolo sempre acha que sua opinião é a certa, mas o sábio ouve os conselhos recebidos com atençãoProvérbios capítulo 12, versículo 15
5. Evite falar demais
...quem fala demais acaba arruinando sua vidaProvérbios capítulo 13, versículo 3
6. Cuidado com o quê você fala 
Uma resposta amiga acalma o furor, mas quem responde com raiva provoca a iraProvérbios capítulo 15, versículo 1
O tolo explode em gritos... mas o homem de bom senso controla suas reações. Provérbios capítulo 29, versículo 11 
7. Nunca discuta
Começar uma discussão é como a primeira rachadura numa barragem, por isso procure fazer as pazes antes que a discussão comeceProvérbios capítulo 17, versículo 14
Siga esses sábios conselhos e você vai se relacionar muito melhor com as pessoas à sua volta.

Veja mais sobre esse tema aqui.

Com carinho

domingo, 17 de novembro de 2019

ESTOU ASSUSTADO

Todo mundo já passou por algum momento em que ficou muito assustado por uma notícia ou informação ruim. Algo que apontava que havia um grave risco à frente. Por exemplo, a possibilidade de uma doença grave, de perder o emprego, de uma crise familiar, de sofrer uma violência e ou outra coisa assim.

Lembrei disso recentemente ao ver um programa de televisão que contava sobre o caso de uma moça muito assutada ao saber que havia risco do retorno de um câncer que ela entendia já ter sido erradicado da sua vida. Pensou que aquele risco tinha sido superado, mas de repente deu-se conta que o perigo continuava bem presente na sua vida.

O que fazer nesse tipo de situação. Qual a conduta certa quando se está assustado porque o perigo bateu à porta e não parece haver uma saída boa para aquela situação? O ensinamento da Bíblia é olhar para Deus. Entregar o problema para Ele e ter fé que Deus haverá de fazer o melhor em cada circunstância. A única resposta, portanto, é o exercício da própria fé. 

É sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

AS DUAS NATUREZAS DE JESUS

A doutrina cristã ensina que Jesus tem duas naturezas: humana e divina. Mas, esse entendimento nem sempre foi aceito por todos e outras interpretações apareceram ao longo da história, gerando muito debate. Por exemplo:
  • Houve quem defendesse que Jesus foi apenas um homem, mas tão especial ,que Deus o ressuscitou e o chamou para junto de si. Essa linha teológica foi defendida, por exemplo, pelos Ebionitas.
  • Outros acreditavam que Jesus é Deus, mas viveu na terra "disfarçado" de homem - sua morte, na verdade, teria sido uma grande encenação. Essa doutrina foi defendida pelos docetistas.
Somente no começo do século V, no Concílio de Calcedônia, a igreja cristã resolveu de uma vez por todas essas questões e aceitou a doutrina que Jesus tem duas naturezas simultâneas - humana e divina.

Mas, aí a dúvida somente mudou de lugar. As pessoas passaram a questionar como essa dupla natureza funciona na prática - afinal, não parecia haver nenhum paralelo para essa ideia na natureza. Em outras palavras, a dupla natureza de Jesus parecia não ser mais do que uma invenção dos teólogos cristãos. E, em resposta, os cristãos só podiam oferecer sua fé.

Quando a física ajuda a teologia
Por incrível que pareça, foram os cientistas que vieram em "socorro" dos teólogos cristãos, apesar de muitos deles serem ateus. Eles encontraram um exemplo de dupla natureza no mundo físico. Refiro-me ao comportamento da luz, somente entendido mais completamente ao longo da primeira metade do século XX.

Tradicionalmente a luz sempre foi vista como uma onda, como acontece com o som. A famosa experiência do prisma, que divide a luz branca em faixas de cores (desde infra-vermelho até ultra-violeta) leva em conta exatamente esse tipo de comportamento.

Mas, o avanço da ciência mostrou algumas "anomalias" no comportamento da luz como onda. Sabe-se que ondas precisam de um meio físico para se difundir - é por isso que, no vácuo, não há som. A luz, porém, anda pelo espaço vazio sem qualquer problema.

E os cientistas acabaram descobrindo que a luz também funciona como um feixe de partículas - como se um "canhão" ficasse disparando balas minúsculas (chamadas fótons), uma atrás da outra. Essas "balas" andam em qualquer meio, mesmo no vácuo.

Portanto, a luz tem duas naturezas - ora se comportando como onda, e ora como feixe de partículas. São naturezas que se "complementam" e é preciso usar as duas para explicar como a luz funciona de fato.

Os teólogos cristãos ficaram muito felizes com essa descoberta pois a luz tornou-se um excelente exemplo de como duas naturezas podem co-existir na prática. E a realidade das duas naturezas de Jesus deixou de parecer tão impossível assim, deixou de ser algo que só pode ser admitido pela fé. 

Os sinais da natureza divina de Jesus
Assim, se a dúvida sobre a natureza de Jesus for levantada na sua presença, basta responder: "pense nas duas naturezas de Jesus como se fosse o comportamento da luz..." E nunca podemos esquecer que Ele é mesmo a luz do mundo - que linda constatação!

Agora, como essas duas naturezas funcionaram na prática? A resposta é relativamente simples: para poder viver dentro do frágil invólucro do corpo humano, Jesus precisou se "esvaziar" da sua glória e majestade como Deus. Ele não perdeu as características divinas, apenas se "despiu" das vestes reais e passou a vestir a "roupa" de um simples cidadão.

Será que há provas da existência dessas duas naturezas? É fácil entender que Jesus foi homem, pois Ele viveu na terra e morreu numa cruz. Jesus sofreu e sangrou como qualquer pessoa.

Mas, e quanto à sua natureza divina? Há provas quanto a isso? A demonstração da divindade de Jesus está na tarefa que Ele cumpriu e  que nenhum outro ser humano, nem antes nem depois, poderia cumprir.
Não foram os milagres que Jesus fez que atestaram sua divindade, pois os apóstolos (Paulo, Pedro e João), bem como vários profetas (Moisés, Elias e Eliseu) fizeram milagres tão grandes quanto os d´Ele. E não foram também seus ensinamentos, pois outros homens também falaram e escreveram palavras sábias, como Salomão ou Moisés e até filósofos como Sócrates ou Confúcio.

Se não foram os milagres e os ensinamentos, o que foi então? Primeiro, Ele perdoou pecados: nenhum profeta tinha feito isso e nenhum apóstolo o fez depois d´Ele. Tanto assim que, quando Jesus fez isso, sempre causou escândalo, pois os judeus pensaram que Ele estaria usurpando uma atribuição divina.

Mas, os críticos do cristianismo sempre podem argumentar que não há como comprovar a veracidade desse tipo de perdão. Ou seja, é certo que Jesus declarou ter perdoado pecados, mas essa pode ter sido uma declaração gratuita, onde Ele tentou se fazer passar por mais do que de fato era.

Portanto, essa não é uma prova aceitável da natureza divina de Jesus. No máximo prova que Jesus acreditava ter natureza divina, só isso.

E o mesmo tipo de dúvida é levantada a respeito de outras declarações suas, como quando garantiu que algumas pessoas estavam salvas (como o ladrão crucificado ao seu lado na cruz) ou que vai voltar no final dos tempos. São declarações que somente podem ser validadas pela fé da pessoa, não por evidencias físicas.

Mas, há sim fatos que destacam Jesus dentre os demais seres humanos. Por exemplo, o episódio da sua transfiguração, quando suas vestes brilharam e Elias e Moisés apareceram para falar com Ele, evento testemunhado por três apóstolos (Mateus capítulo 17, versículos 1 a 8).

E também sua ressurreição, bem como seu comportamento logo depois, quando apareceu e desapareceu diante dos discípulos, conservou as marcas da tortura na cruz e foi elevado aos céus diante de muitas pessoas (Lucas capítulo 24, versículos 50 a 53). Essas são evidências que de fato demonstram a divindade de Jesus.

Mas, os críticos do cristianismo nunca vão se satisfazer: quando um dúvida é respondida pelos teólogos cristãos, aparecem outras. Por exemplo, em relação aos episódios que acabei de citar, os críticos alegam que as testemunhas mentiram ou exageraram.

E não há com escapar dessa "armadilha", ou seja, de serem pedidas mais e mais evidencias. Isso ficou bem claro para mim, certa vez, quando estava conversando com um ateu. Eu lhe perguntei qual evidencia seria suficiente para ele acreditar que Jesus era mesmo o Filho de Deus. A resposta demonstrou bem essa "armadilha": nada o faria se convencer disso. Se Deus escrevesse essa verdade nos céus, meu amigo disse que iria procurar uma explicação científica para tal evidencia. 

Portanto, para os cristãos, a Bíblia fornece provas claras sobre as duas naturezas de Jesus e o paralelo com o comportamento da luz é excelente para explicar como isso é possível. Mas, muita gente nunca vai acreditar nisso.

Com carinho