domingo, 14 de junho de 2020

SÓ UM SEGUNDO

A Bíblia ensina que a vida é como um sopro, pois pode  acabar em apenas um segundo. E precisamos saber como lidar com essa realidade. 

O tempo que temos é escasso e ele diminui a cada  segundo vivido. Portanto, sobra cada vez menos tempo para fazermos aquilo que é necessário e, sobretudo, para conseguirmos deixar alguma marca positiva neste mundo.

E há duas coisas de enorme importância que precisamos fazer durante nossas vidas. A primeira delas, que se aplica essencialmente a quem ainda não está convertido, é aceitar de Jesus como salvador pessoal. Esse é o passo que abre para qualquer pessoa as portas da salvação e, portanto, é de extrema importância.

A segunda coisa, que se aplica a todos os cristãos, indistintamente, é a necessidade de fazer o máximo possível pela obra de Deus. Isso inclui ajudar quem precisa, pregar o Evangelho, orar, louvar e assim por diante. Significa ouvir o chamado de Deus e responder positivamente.

Você precisa aproveitar o tempo que tem e utilizá-lo bem, porque a vida é breve, muito breve, e pode acabar num segundo. 

O Rogers fala sobre isso no seu novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

AS VIRTUDES CRISTÃS


Hoje vou falar de virtudes cristãs. Todo mundo espera que os cristãos sejam pessoas virtuosas. Mas o que isso quer dizer na prática? Quais são as virtudes cada cristão deveria ter?

Antes de discutir as virtudes cristãs propriamente ditas, gostaria de lembrar a você que virtudes são coisas meio misteriosas, não  sendo tão simples de discutir como pode parecer à primeira vista.

Gostaria de alertar você para três coisas em relação às virtudes. Primeiro, nem tudo que parece ser uma virtude, de fato é isso mesmo. Por exemplo, ser educado (polido) parece ser uma virtude – afinal, todo mundo gosta de lidar com uma pessoa com essa característica. Mas, essa não é uma virtude verdadeira, e tanto é assim, que os maiores estelionatários normalmente são pessoas muito agradáveis e educadas. O mesmo pode ser dito de vários assassinos seriais.
 
Segundo, aquilo que parece ser virtude numa situação, pode não ser classificado da mesma forma em outra - como diz o ditado, às vezes, nossas maiores qualidades são também nossos maiores defeitos. Por exemplo, todo mundo quer ter um chefe democrático, alguém que ouça e leve em conta as opiniões e necessidades dos subordinados. Mas, seria recomendável que o chefe da equipe de bombeiros fizesse uma reunião para ouvir a opinião dos subordinados antes de atacar um incêndio? É claro que não, pois a rapidez é essencial nesse tipo de situação. Ser democrático é uma qualidade num caso mas não é igualmente positivo no outro.
Finalmente, é importante sempre considerar que a virtude precisa ser exercida na medida adequada. Por exemplo, coragem é uma virtude importante. Mas, quando ela existe em medida menor do que o necessário, vira covardia, já quando é excessiva, vira temeridade. Portanto, existe um meio termo saudável tanto para a coragem, como para qualquer outra virtude. 

Definição de virtudes cristãs
Virtudes cristãs são aquelas ensinadas na Bíblia e elas são sempre verdadeiras, valem em qualquer circunstância e não tem restrição de medida (quanto mais, sempre é melhor). Nisso elas diferem de outras virtudes. Então, quais são essas virtudes especiais? São sete. Vejamos quais são elas:
Mente pura
Ter pensamentos puros é fundamental, já que de maus pensamentos nunca podem nascer ações boas. Aprender a pensar corretamente - evitando  hipocrisia, auto-engano, preconceitos, mentiras, imoralidades e assim por diante - é fundamental para a vida de qualquer cristão e essa é uma virtude que ajudaria qualquer pessoas a viver melhor.

Confiança absoluta em Deus
É a capacidade de manter sempre vivas a confiança (a fé) em Deus e a esperança naquilo que Ele afirmou e prometeu (como a salvação), independentemente das circunstâncias da vida. 

Compaixão
Essa virtude vai além de simplesmente sentir pena do sofrimento do próximo.  Inclui também a capacidade ser movido a fazer alguma coisa para ajudar quem precisa: doar recursos materiais, levar consolo emocional, orar, etc.

Humildade
Nenhuma virtude verdadeira pode se sustentar em cima do orgulho - é fundamental ser humilde. E isso vai além de se preocupar menos em enaltecer os próprios méritos. Envolve também ter uma visão clara e realista da dependência absoluta que cada ser humano tem de Deus. Nada somos ou podemos fazer sem o apoio dele, pois a soberania de Deus é total. 
Capacidade de perdoar
O cristianismo coloca grande ênfase no perdão - trata-se da decisão de quem foi prejudicado de abdicar dos sentimentos de mágoa e da necessidade de retribuição do mal sofrido. E o perdão não depende da atitude de quem fez o mal para você, pois é uma decisão unilateral sua.

Paciência
A Bíblia chama essa virtude de longanimidade - trata-se da capacidade de suportar problemas, desconforto e/ou dificuldades de qualquer ordem, sem se revoltar ou reclamar de Deus (o termo bíblico para isso é "murmurar").

Frugalidade
Aprender a viver com menos, não se deixando levar pelo consumismo que invadiu nossa sociedade.  

Conclusão
Nem todos os cristãos têm ou virão a conseguir ter essas virtudes exatamente na mesma dimensão. É normal que as pessoas sejam mais desenvolvidas numa área do que em outra. Por exemplo, é possível que a pessoa seja muito frugal, mas tenha dificuldade em perdoar, embora se esforce para isso.
O que Deus espera de cada um de nós é um processo de crescimento e amadurecimento especial contínuo, que vá acontecendo pouco a pouco. Ele sabe que mudar hábitos e costumes das pessoas, especialmente aqueles que já estão bastante arraigados, é tarefa difícil. Mas, Deus espera progresso contínuo do cristãos, e que ele vá adquirindo as virtudes que ainda não tem e aprofundando as que já possui. A Bíblia chama isso de santificação. Portanto, é a santificação aquilo que o cristão deve buscar.

Com carinho

quarta-feira, 10 de junho de 2020

OS INVISÍVEIS


Hoje vamos falar sobre os invisíveis, ou seja, as pessoas que não notadas pela sociedade. E nada melhor para falar desse tipo de pessoa que a letra de uma famosa música de Chico Buarque, chamada "Construção", que trata da morte de um operário da construção civil:
...Subiu a construção como se fosse máquina. Ergueu no patamar quatro paredes sólidas. Tijolo com tijolo num desenho mágico. Seus olhos embotados de cimento e lágrima. Sentou pra descansar como se fosse sábado ...E tropeçou no céu como se fosse um bêbado.  flutuou no ar como se fosse um pássaro.  E se acabou no chão feito um pacote flácido. Agonizou no meio do passeio público.  Morreu na contramão atrapalhando o tráfego...
Não temos uma casta de “intocáveis”, como a Índia teve durante séculos, mas temos uma coisa quase tão ruim: uma enorme massa de “invisíveis”. Gente humilde que quase não é notada no dia a dia.
Parece que elas não existem, são invisíveis aos olhos da sociedade. Refiro-me a garis, porteiros/as, faxineiros/as, operários/as da construção civil, pedintes nos sinais de tráfego, etc. 
O sofrimento de ser invisível
Tempos atrás vi um programa de televisão no qual o repórter se vestiu de gari e passou alguns dias circulando pela cidade. No seu relato, ele falou da angústia que sentiu ao não ser "visto" pelas demais pessoas. Ficou deprimido.
Imagina, então, o que acontece com quem vive esse tipo de experiência todos os dias, muitas vezes sem qualquer perspectiva de mudança. A auto-estima dessa pessoa fica reduzida a nada.

Ninguém gosta de ser invisível e a propaganda trabalha exatamente esse desejo, chamando atenção para as coisas que parecem nos tornar mais notados. Queremos nos tornar bem visíveis para a sociedade.

Os invisíveis, no Brasil, morrem nas filas dos hospitais públicos, por não serem atendidos em tempo. Habitam lugares de risco, pois não tem condições de morar em áreas melhores. Sofrem com as brutalidades dos policiais. E passam necessidade, enquanto outras pessoas se fartam e até desperdiçam os recursos.

Essas pessoas não contam, não opinam, não influem, enfim não valem quase nada para a sociedade. No máximo, são estatísticas nos relatórios do governo.

Elas só costumam se tornar “visíveis” quando acontece uma grande tragédia, como uma inundação, uma pandemia (como a crise do coronavírus), um incêndio, ou um grande desastre.   E também quando, de alguma forma, sua desgraça pessoal interfira no cotidiano da cidade em que moram. É exatamente disso que a letra da música "Construção" trata: o operário "morreu na contra mão", atrapalhando o tráfego” do sábado. 
O ensinamento de Jesus
Os leprosos, na época de Jesus, eram considerados/as impuros e por isso viviam afastados do convívio social, dependendo da caridade pública para sobreviver.
Os leprosos tornavam-se invisíveis para quase toda a sociedade. E, o pior, é que havia a percepção de que essas pessoas tinham feito por merecer sua sorte, pois teriam pecado diretamente ou sofriam as consequências dos pecados de seus pais.
Hoje não é muito diferente. Já cansei de ouvir, a respeito dos nossos invisíveis, comentários do tipo: “são assim por que não se esforçam para serem melhores” ou ainda "no fundo, eles gostam de viver esse tipo de vida". 

Jesus interagiu muitas vezes com os leprosos e curou vários deles. E somente pelo fato de falar com essa pessoas, Ele foi muitas vezes criticado pelas autoridades religiosas, por estar se "contaminando" ao ter contacto com quem seria pecador.

Jesus via invisíveis e nos ensinou a fazer o mesmo, inclusive com seu exemplo pessoas. E Ele nos ensinou que nenhum gesto de bondade, que venhamos a fazer para com essas pessoas, deixará de ser recompensado por Deus (Mateus capítulo 10, versículo 42). Disse ainda mais: ao vermos os invisíveis, estaríamos vendo a Ele  mesmo (Mateus capítulo 25, versículos 35 a 45). 
Palavras finais
Quantas vezes você leva em conta essas palavras de Jesus? Você já tentou se colocar no lugar de qualquer desses invisíveis para tentar entender como eles se sentem? O que você sabe da vida e dos problemas deles? Quando eles recorrem a você para pedir ajuda, o que você faz? 
Se você ainda não vê invisíveis que Deus colocou no seu caminho, lembre-se que Jesus espera que você mude seu comportamento. E passe a se relacione de forma carinhosa e misericordiosa com essas pessoas. Quase sempre, elas precisam de muito pouco: um sorriso, uma palavra amorosa e alguma atenção.

PS Veja mais sobre este tema aqui.
Com carinho

segunda-feira, 8 de junho de 2020

DECISÕES GERAM CONSEQUÊNCIAS


Tomamos decisões de todos os tipos diariamente, tratando dos mais diversos assuntos. Essas decisões  podem ser muito simples - por exemplo, se devo levar um guarda-chuva -, até bem sérias - mudar ou não de emprego.

Toda decisão gera consequências, que podem ser pequenas - por exemplo, choveu e eu fiquei molhado por não ter levado guarda-chuva -, ou grandes - por exemplo, fiquei profundamente infeliz no novo emprego.
E essas consequências são o preço a ser pago pelas decisões tomadas. E o preço pago pode tomar forma material - por exemplo, ficar sem dinheiro -, emocional - por exemplo, sofrer uma desilusão amorosa -, ou espiritual - por exemplo, perder a salvação.

O problema é que muitas vezes tomamos decisões sem avaliar antes seu impacto sobre nossas próprias vidas, bem como sobre as vidas de outras pessoas. 
Um exemplo: a decisão sobre o aborto
Vejamos um exemplo histórico de consequências desastrosas, e não previstas, de uma decisão. Algumas décadas atrás, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu liberar a prática do aborto, quando houvesse  decisão expressa da gestante nesse sentido e a gestação estivesse limitada a 20 semanas.
As estatísticas mostram que mais de 50 milhões de bebês foram abortados desde essa decisão. Um número simplesmente estarrecedor. E as investigações comprovaram que acabou se desenvolvendo uma verdadeira indústria de abortos, tanto para promover esses os atos médicos propriamente ditos, como também para vender partes dos corpos dos fetos abortados para serem usados em pesquisas ditas científicas.
Não vou entrar aqui no mérito da discussão do aborto (evidentemente sou contra), mas aqueles juízes do Supremo americano tomaram uma decisão que continua a ter repercussões imensas cerca de 50 anos depois. Será que aqueles juízes tinham noção dos efeitos da sua decisão? 
Depoimento recentes de ex-assessores daqueles juízes indicam que aqueles magistrados não tinham ideia clara das consequências totais da sua decisão - nunca imaginaram que as coisas chegariam onde chegaram. Tomaram uma decisão com a melhor intenção possível, pensando fazer o que era certo, mas acabaram se tornando co-responsáveis por resultados catastróficos.
As consequências das suas decisões
Você precisa tomar muito cuidado com as decisões que toma na vida, especialmente aquelas que não têm volta, isto é, que dificilmente podem ser desfeitas.
Vou dar alguns exemplos.  Se você não levar um guarda-chuva e chover, é possível entrar na loja da esquina e comprar um novo por, digamos, R$ 10,00. Portanto, corrigir o erro, nesse caso é relativamente simples e barato. Mas, se você escolher errado seu novo emprego, sua carreira profissional pode nunca mais se recuperar. 

Sem dúvida, sua escolha mais importante na vida é a decisão de aceitar Jesus como seu senhor e salvador pessoal. Afinal, deixar de dar esse passo poderá levar você a se afastar de Deus e a perder sua salvação.

Tem gente que pensa poder adiar essa escolha, por não querer mudar sua vida agora. E usam o exemplo do ladrão que apenas aceitou Jesus quando já estava morrendo na cruz, e mesmo assim foi salvo (João 19:31-33), para justificar o adiamento.

É verdade que sempre há tempo, enquanto houver vida, para dar o passo em aceitar Jesus e esse aproximar de Deus. Mas, adiar essa aceitação gera um enorme risco, pois pode não dar tempo.

E há um outro risco que aqueles que se recusam a tomar a decisão já não percebem: as consequências dos pecados cometidos no passado. Por exemplo, uma pessoa que viva uma vida desregrada por muitos anos e venha a se converter já idosa, não conseguirá apagar  as consequências do tipo de vida que escolheu, tanto no seu próprio corpo, como nas suas emoções, sem contar em outras pessoas. Essa pessoa será salva sim, mas as consequências dos pecados passados vão permanecer, de uma forma ou de outra. E algumas dessas consequências podem se perpetuar de geração em geração, como no caso de filhos e filhas traumatizados  para sempre por pais péssimos. Foi sobre isso que Deus quis alertar quando disse que visitaria a iniquidade dos pais na vida dos filhos, até a quarta geração (Êxodo capítulo 20, versículo 5).

Portanto, pense bem ao tomar suas decisões. Leve em conta as consequências para você e aqueles que ama, tanto a curto, como a longo prazo.

Com carinho

sábado, 6 de junho de 2020

UM POUCO DE PARAÍSO

O Paraíso deve ser a meta de todo cristão. Afinal, é para lá que esperamos ir, graças à salvação que nos foi proporcionada pelo sacrifício de Jesus na cruz.

Mas, você já reparou que falamos do Paraíso de forma meio leviana, sem dar a esse lugar a importância que ele tem? O Paraíso é motivo de brincadeiras, batiza lugares e é tratado como uma outra coisa qualquer. E não é assim, pois se trata de lugar muito especial.

A Bíblia conta, na carta de Paulo aos Romanos, que o mundo natural geme enquanto aguarda a redenção. E esse sofrimento aconteceu por causa do pecado humano. Essa redenção virá no final dos tempos, quando Jesus voltará para o julgamento final de todos os seres humanos. Aí as coisas se farão novas e os salvos - e esperamos estar entre eles - habitarão com Deus para sempre. A Bíblia refere-se a esse lugar como a "nova Jerusalém" (no livro do Apocalipse) ou como Paraíso (em diversos outros livros, como nos Evangelhos).

O Paraíso será um lugar maravilhoso, onde não mais haverá morte e sofrimento. Onde toda lágrima será enxugada e onde os salvos viverão em permanente alegria por estarem juntos a Deus.

E é sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

NOVOS TEMPOS, NOVAS PRIORIDADES

Vou falar hoje sobre as prioridades da vida. Falar sobre isso agora faz sentido porque a história ensina que as prioridades mudam muito durante as grandes crises.

Por exemplo, muitas centenas de milhares de jovens norte-americanos foram convocados para servir nas Forças Armadas e nas fábricas de material bélico durante a Segunda Guerra Mundial. Por causa disso, milhares de postos de trabalho ficaram vagos nas demais indústrias, no comércio e nos escritórios. Aí as mulheres foram chamadas para preencher esse espaço vazio. Ora, a prioridade das famílias americanas, até então, tinha sido manter as mulheres em casa tomando conta da família. Repentinamente, a prioridade mudou totalmente e as mulheres foram para o mercado de trabalho. E depois do fim da guerra, boa parte delas continuou trabalhando, o que gerou profundas mudanças socioeconômicas nos Estados Unidos. E já começamos a perceber mudanças nas prioridades também no Brasil, por conta da crise atual: a longa quarentena priorizou as vidas humanas, mesmo prejudicando a atividade econômica.

Quais, então, devem ser suas prioridades de vida daqui para frente? O que passar a orientar sua vida? É o que vamos discutir a seguir, tomando, como sempre, a Bíblia como referência.
O conceito de prioridade
Definir prioridades é essencialmente escolher aquilo que vem antes, aquilo que tem preferência. Essas escolhas precisam ser feitas porque os recursos humanos, como tempo e dinheiro, são sempre escassos. Nunca há o suficiente para se fazer tudo o que seria desejado.
Por exemplo, a capacidade financeira de uma empresa é limitada e ela precisa priorizar os seus investimentos. Se a escolha for a de priorizar a qualidade dos seus produtos, a empresa vai dar preferência em investir na melhoria dos seus processos de fabricação. Agora, se a empresa escolher priorizar a conquista de novos mercados, vai precisar investir mais em marketing e no desenvolvimento de novos produtos. Pode ser ainda que ela decida fazer um pouco de cada coisa, mas aí não vai extrair o máximo de nenhuma das duas opções, ou seja, não vai melhorar ao máximo seus produtos, como também não vai conquistar todos os novos mercados possíveis.

Para as pessoas, o recurso mais escasso costuma ser o tempo - só temos 24 horas por dia e nunca teríamos tempo para fazer tudo que gostaríamos. Todos os dias precisamos desenvolver algumas obrigatórias: dormir, comer, cuidar da higiene pessoal, deslocar-se daqui para lá, cuidar da casa e ganhar o sustento. O tempo que sobra é o que se chama tempo livre e somente nesse período é possível fazer livremente aquilo que se deseja.  

Os estudos indicam que morador de uma grande cidade costuma ter entre 2 a 4 horas de tempo livre por dia, tendo um pouco mais de folga no sábado e no domingo. Isso é pouco, algo entre 15 e 25% do tempo total. Por isso existe a necessidade de priorizar bem o uso desse tempo que sobra. Em outras palavras, torna-se preciso escolher o quê fazer e o quê deixar de fazer.
Essas são escolhas difíceis e até dolorosas. É melhor estudar mais ou ter mais lazer, é melhor dar mais atenção à família ou dedicar mais tempo ao trabalho? E assim por diante.
Deus reconheceu a limitação do tempo útil do ser humano quando nos deu o mandamento para descansar um dia por semana, conforme estabelecido no livro do Êxodo capítulo 28, versículos 8 a 10. Através desse mandamento, Deus nos ensinou que é necessário ter tempo livre para fazer coisas importantes como descanso, lazer e, sobretudo, manter convivência com Ele.

Outra coisa a ter em mente é que as prioridades da vida seguem uma escala de importância: há prioridades mais importantes do que outras. E duas prioridades nunca serão igualmente importantes, pois, quando for preciso escolher, uma delas acabará tendo a preferência.

Por exemplo, a preservação da vida humana e a garantia da liberdade são duas prioridades fundamentais da sociedade e ambas constam da Declaração dos Direitos Humanos da ONU. E elas parecem ser igualmente importantes. Mas, durante a Segunda Guerra Mundial, a sociedade deu prioridade ao resgate da liberdade, o que gerou a necessidade de sacrificar centenas de milhares de vidas na luta contra o nazismo. Já na crise atual, cedemos parte da nossa liberdade, ao ficarmos retidos em casa, em prol de salvar vidas humanas. Nesses dois momentos foi preciso escolher qual prioridade iria comandar os acontecimentos. E é interessante perceber que as escolhas foram diferentes nos dois momentos históricos.
E aqui cabe uma terceira observação interessante: Tanto as prioridades, como sua importância relativa, mudam ao longo do tempo. Cerca de 80 anos atrás, a preservação da liberdade foi a prioridade maior, já na crise atual o que pesou mais foi a preservação de vidas humanas.
A minha própria vida fornece um outro exemplo interessante. Quando eu era jovem, minha maior prioridade era alcançar a estabilidade financeira para minha família. Hoje, décadas depois, minhas prioridades são bem diferentes: Ter paz de espírito e ajudar as outras pessoas. 
Como você determina suas prioridades?
Você estabelece suas prioridades a partir da sua visão de mundo, ou seja, com base na perspectiva que você tem para sua própria vida. Por exemplo, quando eu era jovem, minha visão do mundo estava muito ligada às coisas materiais. E essa perspectiva da vida guiou as escolhas que fiz, determinou minhas prioridades.
Sua visão de mundo estabelece aquilo que você considera bom ou ruim, fornece a métrica com a qual você avalia seu sucesso ou fracasso e determina os objetivos para sua vida. E é a partir disso tudo que você faz suas escolhas e organiza suas prioridades. Portanto, visões de mundo diferentes levam a prioridades de vida distintas.

Li, recentemente, um texto do pastor John Piper, intitulado “Não desperdice o seu tempo”. Nele, o autor contrasta a história de vida de dois grupos de pessoas. O primeiro grupo era composto por duas missionárias. Essas mulheres decidiram, após se aposentar, passar a dedicar suas vidas ao trabalho missionário na África, em meio a populações muito carentes. E fizeram isso por muitos anos, até que um acidente de carro as matou.

O outro grupo de pessoas era formado por um casal, sem filhos, que estabeleceu como sua prioridade curtir a vida após a aposentadoria. E alcançaram seu objetivo: ele se aposentou por volta dos 60 anos e ela com mais ou menos 55. Mudaram-se para a Flórida, local de clima quente e cheio de condomínios para pessoas ricas. Compraram um veleiro de 10 metros de comprimento e passaram muitos anos curtindo sua vida, até o fim dos seus dias. Em paralelo, montaram uma enorme coleção de conchas.
O pastor Piper fez no seu texto uma pergunta muito relevante: Qual das duas histórias de vida é marcada por um sucesso e qual é marcada por uma tragédia? Se olharmos para essas histórias pela óptica tradicional do mundo mais comum, a tragédia marcou a vida das duas missionárias, enquanto o casal de aposentados é um caso de sucesso.
Aí Piper fez uma observação decisiva. No dia do Julgamento Final, todos seremos reunidos perante Deus, para prestarmos contas.  E quando Deus pedir às missionárias para dizerem o que fizeram com seus talentos, elas terão algo relevante para mostrar. Vão poder apontar para os trabalhos que desenvolveram em meio a um povo muito sofrido e alegar que ajudaram muita gente. Já quando Deus pedir para o casal de aposentados mostrar o que fez com seus grandes talentos, tudo o que eles terão para mostrar será uma grande coleção de conchas...

Onde está o sucesso e onde está a tragédia agora? Sem dúvida, a avaliação torna-se totalmente diferente, quando é feita com base em outra visão do mundo, levando em conta a óptica de Deus. 
E Jesus falou exatamente sobre essa questão na parábola dos talentos (Mateus 25:14-30):
...um homem... partindo para fora da terra, chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens. E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe... [O] que recebera cinco talentos negociou com eles e granjeou outros cinco talentos. Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois. Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e pediu que os servos prestassem contas. Então aproximou-se o que recebera cinco talentos e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos. Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo... Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos...Lançai, pois, o servo inútil nas trevas; ali haverá pranto e ranger de dentes.
O ensinamento dessa parábola é muito claro. O servo que recebeu um talento nada fez com ele – agiu exatamente igual ao casal de aposentados. O que muda entre os dois casos é a motivação para a falta de ação: No caso do servo, ela foi fruto do medo de errar; já no caso do casal de aposentados, ela foi fruto do egoísmo. Mas, o resultado foi exatamente igual: uma vida estéril.
Suas novas prioridades
A crise atual está gerando um empuxo para que as pessoas mudem suas prioridades. Por exemplo, a importância do consumo desenfreado e da luta para conseguir mais status está em baixa, enquanto a importância de passar mais tempo com a família está em alta.
Use você também essa experiência toda para refletir sobre sua própria vida. Para escolher quais devem ser suas prioridades a partir de agora. E, se você for sincero/a com você mesmo/a, acho que há mudanças à vista.

Penso que essa crise comprovou que a vida humana é um valor fundamental: Tudo perde importância e empalidece quando coloca em risco a vida. Portanto, você precisa viver de forma mais saudável, sem correr tanto, sem se preocupar com tantas coisas. Sem sofrer tanto desnecessariamente. Cuidando mais de você mesmo/a e dos seus entes queridos.
E para que sua vida de fato floresça, é preciso uma coisa fundamental: Deus no centro de tudo. Foi exatamente isso que Jesus nos ensinou através do mandamento que está registrado em Marcos capítulo 12, versículo 30, que diz: 
Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
Jesus nos disse que o relacionamento com Deus deve ser a prioridade. Portanto, Ele precisa vir antes de tudo (família, carreira profissional ou lazer). E isso não é uma coisa fácil de fazer – não era fácil no tempo de Jesus e continua sendo difícil hoje em dia. O apóstolo Pedro era casado e deixou sua família para seguir Jesus. E sempre me pergunto sobre as pressões que deve ter sofrido quando mudou sua prioridade de vida. Certamente não foram poucas.

Deus como a prioridade maior não significa sair do mundo, não significa abandonar tudo. Afinal, precisamos continuar a ser o “sal da terra”. Significa de fato que as coisas materiais não podem mais colocar obstáculos na sua relação com Deus. Você nunca pode alegar falta de tempo para estar na sua presença ou fazer sua obra. Amém.

terça-feira, 2 de junho de 2020

UM PESO E DUAS MEDIDAS

Há um ditado popular muito conhecido que diz: Aos amigos e à família tudo, aos inimigos a lei. Esse é um dos pontos de partida da ideia de usar um peso e duas medidas.
Esse ditado indica que, para muita gente, o tratamento dado às pessoas a quem se quer bem deve ser o melhor possível, mesmo que viole as leis, enquanto, para os demais, valem as leis e as regras, aplicadas com rigor. O ditado ensina que se deve tratar pessoas diferentes segundo padrões distintos, beneficiando mais a quem se ama. 
Esse padrão ético duplo, infelizmente, é uma realidade arraigada na sociedade em que vivemos. A ideia de usar um peso e duas medidas está tão presente que esse comportamento chega até a ser esperado. E tanto isso é verdade que, quando alguém age de forma diferente, fazendo aquilo que é de fato o certo, esse comportamento gera até notícia na mídia.
Anos atrás, uma mulher entregou o próprio filho, que era traficante de drogas, à polícia do Rio de Janeiro porque entendeu que ele estava em dívida com a lei e a sociedade. E esse fato foi até capa de jornais. 
O que se espera mesmo é ver filhos, esposas e familiares contratados para cargos públicos para os quais não têm a necessária qualificação; funcionários injustamente promovidos, em detrimento de outros, por causa de laços de amizade ou políticos; a leniência da justiça quando o acusado tem dinheiro e/ou poder; e assim por diante.

Esse padrão ético injusto não vale só para pessoas,  sendo bastante comum também nas relações entre nações. E os exemplos históricos são muitos - vou dar aqui apenas um deles.
Hoje há uma grande preocupação na opinião pública  mundial pelo fato da Coréia do Norte ter a bomba atômica e o Irã tentar fazer o mesmo. E quero deixar bem claro, desde já, que não sou favorável nem ao regime da Coréia do Norte e muito menos ao do Irã, como também sou contra as armas nucleares. 
Ora, a realidade atual é que umas poucas nações - por exemplo, China, Estados Unidos, França e Rússia - têm armas nucleares e as outras não.  E a nação que não tem esse tipo de armamento é criticada quando tenta obter-lo para se sentir mais segura. E a desculpa dada para essa assimetria é que as nações que já têm bombas atômicas seriam "confiáveis" e é preciso evitar a disseminação das armas nucleares.

Mas, será possível concordar com o rótulo de "confiável" para os Estados Unidos dirigido pelo Trump, ou a Rússia dirigida pelo Putin ou para o regime totalitário da China? Parece-me que não.

É claro que as razões dessa assimetria são bem outras: quem tem armas nucleares adquire poder e é preciso limitar as nações com acesso a tal poder. Esse é um caso clássico de um peso e duas medidas. O correto seria ninguém ter armas nucleares e aí os países teriam moral para cobrar essa posição uns dos outros. 
O problema com a ideia de um peso e duas medidas é que a confiança entre pessoas ou nações desaparece. E a sociedade, como um todo, passa a funcionar pior do que poderia. E é por causa desse tipo de ética torta que a maioria dos países se protege atrás de fronteiras fortemente guardadas e gasta muito dinheiro para ter manter forças armadas fortes, garantindo seus interesses. 
As pessoas com mais condições fazem o mesmo nas sociedades onde vivem. Moram em casas gradeadas, contratam segurança particular, blindam seus carros, usam advogados extremamente caros para defender seus interesses e assim por diante. Procuram se proteger também através de redes de amizades, onde há trocas de favores. E sempre tentam eleger políticos que lhes possam favorecer. 

Por causa dessas atitudes, a sociedade atual acaba vivendo um grande engano: tudo parece estar em ordem aparente, mas há graves problemas. E esses problemas mostram sua cara tenebrosa quando alguma crise bate às portas, destruindo o equilíbrio precário. Esse foi o caso da crise financeira que se abateu sobre os mercados internacionais em 2008-2009 e, hoje em dia, a crise trazida pela pandemia do coronavírus.

O terrorismo mundial volte e meia ataca e lembra o mundo que há grandes tensões políticas e sociais não resolvidas. E a violência urbana também nos alerta diariamente a sociedade para as injustiças sociais.
Mas, será que há um remédio para esses males todos? Há sim, mas, infelizmente, ele é pouco usado. Refiro-me ao mandamento do amor ao próximo dado por Jesus, que pode ser resumido assim: Aja com o outro como gostaria que ele agisse com você.
Esse é um padrão ético perfeito e que pode ser aplicado em qualquer situação e com qualquer pessoa. Nele, não há lugar para um peso e duas medidas. 
Assim, se quero me sentir seguro, não posso ameaçar o próximo; para eu viver confortavelmente, meu vizinho tem precisa viver igualmente bem; se não gostaria de ser injustiçado, não devo ser injusto com quem depende de mim; e se preciso de apoio nas minhas aflições, também preciso apoiar outras pessoas quando elas passarem por dificuldades. Imagine como o mundo seria  muito melhor de se viver, se essa regra simples estivesse em vigor. 

Então, o que cabe a você fazer? Afinal, você sabe que não pode mudar o mundo sozinho. A resposta para essa pergunta é simples: Faça sua parte. Aja como se tudo dependesse apenas de você e procure sempre fazer a coisa certa. Você não vai mudar o mundo sozinho, mas pode, e deve, dar sua contribuição.

Nós, cristãos, precisamos dar o exemplo, pois é isso que Deus espera de nós.

Com carinho