terça-feira, 14 de julho de 2020

O CRITÉRIO DE DEUS PARA NOS JULGAR


O tema de hoje é o critério que Deus usa para nos julgar. É um assunto de grande importância porque todos esperamos conseguir um resultado positivo no Julgamento Final, que acontecerá depois da segunda vinda de Cristo. Afinal, ninguém quer ser condenado e ir para o Inferno.

O problema é que a maioria das pessoas costuma olhar para essa questão de forma errada. Vou dar um exemplo. Outro dia, um amigo meu me disse que tem horror de certo pastor famoso, pois esse pastor costuma criticar as pessoas com muito rigor, sendo bem ácido com quem pensa ou se comporta de forma diferente dele mesmo. Repare que a crítica do meu amigo estava focada no ato de julgar e na eventual intolerância que esse pastor demonstra. Mas, o problema real é bem outro.

Respondi para meu amigo que ele deveria ter mesmo é pena desse pastor tão intolerante. Isso porque a Bíblia ensina que cada pessoa será julgada com o mesmo rigor (padrão) usado por ela para julgar o próximo (Mateus capítulo 7, versículo 2).

Portanto, se esse pastor é excessivamente rigoroso e intolerante, Deus usará a mesma regra para julgá-lo. E esse critério que Deus vai adotar para o julgamento de cada pessoa é brilhante. Funciona perfeitamente. Acompanhe meu raciocínio. 

Primeiro, Deus não poderia usar os mesmos padrões para julgar todo mundo. Afinal, a realidade das pessoas - conhecimento acumulado, cultura, oportunidades e experiência de vida - é muito diferente. Não seria justo colocar aplicar as mesmas regras para todo mundo.

Por exemplo, não seria justo eu ser julgado da mesma forma que um índio que viveu 50 anos atrás ou uma criança pobre de um país remoto da África. Eu tive muito mais oportunidades e muito mais acesso ao conhecimento que essas outras pessoas, portanto, tenho muito mais contas a prestar, pois recebi muito mais da vida.

Segundo, mesmo levando em conta a diversidade das pessoas, Deus não poderá favorecer ninguém. Haverá justiça absoluta no Julgamento Final. E é aí que a genialidade do critério estabelecido por Deus fica demonstrada: ninguém poderá achar injusto ser julgado com os critérios que ele mesmo estabeleceu para passar julgamento nas outras pessoas.
A diversidade é respeitada, pois cada pessoa será julgada por um critério que faz sentido para ela mesma, ou seja, conforme a luz que recebeu. E a justiça também será servida, pois será cobrado de cada pessoa ter feito aquilo que ela mesma cobrou das outras. Assim, se ela exigiu muito do próximo, muito também será exigido dela. Se foi tolerante, haverá tolerância com ela. 
O critério de julgamento de Deus é perfeito e nem poderíamos esperar outra coisa d´Ele.
Portanto, o pastor que incomoda tanto o meu meu amigo é digno de pena sim: haverá muito rigor no julgamento dele, já que ele julga os outros com tanta severidade.  

Lembre-se disso quando você tiver vontade de julgar o próximo. Cuidado para não cobrar das outras pessoas um padrão de comportamento que você mesmo não consegue seguir. Cuidado para não tornar seu caminho no Julgamento Final ainda mais árduo.

Com carinho 

domingo, 12 de julho de 2020

SEM DEUS NÃO HÁ LIMITE


O cristianismo é sempre muito criticado pelos intelectuais e pela mídia por tentar colocar um limite nas ações humana. Por isso é visto como uma religião intolerante, defensora de idéias estreitas e antiquadas. Ouço ou leio isso a toda hora.
Essa discussão está aprofundada numa series de estudos e áudios publicados aqui mesmo neste site  (veja aqui). 
A principal causa do desencontro entre a fé cristã e uma parte importante da intelectualidade e da mídia é que o cristianismo prega e defende valores absolutos. Para nós, cristãos, Deus estabeleceu o que é certo ou errado de fazer. Deus definiu o limite para nossa atuação. E precisamos seguir aquilo que Ele determinou.

Por exemplo, os famosos Dez Mandamentos resumem uma boa parte daquilo que Deus nos ordenou fazer e do limite a ser respeitado. E não há como pensar em eliminar um ou dois deles, por serem incômodos, ou ainda, acrescentar um mandamento novo, mais palatável para a sociedade atual.

Podemos sim discutir a interpretação e a aplicação prática desses dez mandamentos e estudar sua correlação com as questões atuais. Mas, essa discussão sempre precisa ser balizada e limitada pelos ensinamentos da própria Bíblia e não por modismos ou ideias que são agradáveis à sociedade.

O que vemos na sociedade em geral é a relativização dos conceitos de "certo" e "errado". A ideia que o limite da atuação depende da própria vontade e opinião das pessoas. A tese adotada por muitos é: "cada pessoa tem seu ponto de vista e todas as opiniões devem ter o mesmo peso". E isso parece ser muito simpático e tolerante, encontrando cada vez mais apoio na sociedade.
Mas, o cristianismo pensa de forma diferente: o certo é aquilo que Deus estabeleceu. Mesmo quando isso incomode e traga desconforto, o certo estabelecido  precisa ser seguido. E daí vem as críticas que o cristianismo sofre.
O que as pessoas não percebem é que há um enorme risco embutido na relativização dos conceitos de "certo" e "errado". E isso fica evidente numa notícia que li anos atrás. Ela falava que, na Bélgica, passou-se a admitir a eutanásia (o morte provocada com a assistência de  médicos) mesmo no caso de crianças. Durante algum tempo, só adultos, conscientes da sua própria realidade,  podiam solicitar a eutanásia para si mesmos. Mas, a partir de certo momento, esse direito foi entendido a terceiros, como parentes e esposos. E, agora, até o governo pode solicitar que essa prática seja aplicada, visando poupar recursos da sociedade, quando há pessoas portadoras de doenças incapacitantes, sem esperança de tratamento. E isso hoje se aplica até a crianças, o que é um grande absurdo.

O argumento tradicional para justificar a eutanásia é que a pessoa tem direito de escolher se quer ou não continuar a viver, pois a vida seria uma propriedade sua. Mais recentemente, deu-se um perigoso passo adicional, ao qual acabei de me referir: esse "direito" foi estendido até ao governo, em alguns casos, mesmo para crianças. E nada garante que tal direito não virá a ser usado por alguma sociedade para eliminar totalmente pessoas com deficiências físicas ou mentais, ou mesmo, privilegiar certas características físicas das pessoas, em detrimento de outras.
Repare que a falta de um limite moral absoluto, definido por alguém que seja superior à sociedade, deixa todo mundo vulnerável. As escolhas morais vão se sucedendo, numa direção extremamente perigosa, usando argumentos que parecem lógicos e justificáveis à primeira vista. E fica muito difícil fechar a porta depois de aberta. O risco é enorme.
Décadas atrás, a Suprema Corte dos Estados Unidos  decidiu flexibilizar as regras para o aborto, usando como justificativa que o corpo da mulher seria sua propriedade individual e caberia a ela decidir o que quer fazer com o feto. Como resultado dessa decisão, já foram praticados naquele país muitas dezenas de milhões de abortos. Órgãos retirados de fetos foram explorados comercialmente. E a lista de horrores decorrentes dessa decisão da Suprema Corte americana é crescente.
E vemos isso acontecendo em diversos outros campos da moral, como a manipulação genética durante a concepção humana, a disseminação de armas de destruição em massa e assim por diante.
O grande escritor russo Fiódor Dostoiévski, num trecho do seu famoso livro "Os irmãos Karamazov", advertiu a sociedade contra esse problema, quando afirmou:
Se Deus não existe e a alma é mortal, tudo é permitido. 
O escritor russo advertiu contra os princípios do ateísmo: Deus não existe e alma humana é mortal (tudo acaba com a morte). Se isso é verdade, tudo se torna permitido, pois por que alguém deveria se privar de determinada coisa? A decisão do quê de seve ou não fazer ficaria totalmente balizada pela opinião individual.
O povo cristão acredita que nem tudo é permitido, não importa o quão rica, culta e desenvolvida a sociedade se torne. Há coisas contra as quais sempre precisaremos nos opor, mesmo sendo criticados por isso.
Os cristão seguem alguns princípios fundamentais. Por exemplo, a vida humana é uma dádiva de Deus e não pertence aos próprios seres humanos. E por causa disso, cada pessoa (nascida ou ainda em gestação) tem direitos e dignidade intrínseca, que precisam ser respeitados e preservados.

Acho que, com o passar do tempo, o cristianismo será cada vez mais criticado. E esse será o preço que precisaremos pagar para sermos obedientes à voz de Deus.

Com carinho

sexta-feira, 10 de julho de 2020

A VOZ DO POVO NÃO É A VOZ DE DEUS


Vou falar sobre um ditado bem conhecido: A voz do povo é a voz de Deus. Muita gente aceita essa ideia como verdade absoluta, mas será que ela encontra suporte na Bíblia? Creio que não. 
A voz do povo
A voz do povo tem várias facetas. Uma delas é a chamada "sabedoria popular", que abrange um monte de ensinamentos, alguns com pouca importância (por exemplo, dizia-se no passado ser perigoso comer manga com leite), já outros com a capacidade de moldar o comportamento da sociedade (por exemplo, o ditado “quem tem padrinho não morre pagão” ensina que a ajuda de familiares ou amigos é mais importante do que o mérito para o sucesso na vida).
Outra faceta da voz do povo é o chamado "clamor das ruas": multidões se levantam para cobrar determinada medida do governo ou em protesto, como aconteceu no Brasil, em 1984, no famoso "Movimento das Diretas Já".

Hoje em dia, conhecemos o "clamor das ruas"  através das passeatas e outras formas de protestos coletivos, mas também pelos ecos nas redes sociais. Através  das postagens no Facebook, Instagram, Twitter é fácil perceber quando determinada ideia ou política pública encontra suporte na população.
A voz de Deus
A voz de Deus chega até nós de diferentes formas.  Uma dessas formas é a Bíblia, que é a Palavra do próprio Deus. Ele fala também pela boca dos profetas, pessoas especialmente escolhidas por Deus para transmitir sua vontade, como, por exemplo, o profeta Jonas, enviado a Nínive pregar o arrependimento do povo, ou, mais recentemente, o pastor Martin Luther King, que liderou o movimento pelo fim da discriminação racial nos Estados Unidos, na década de 60 do século passado.
Finalmente, Deus também pode falar de forma direta e aberta, como, por exemplo, quando deu a Lei ao povo de Israel, no monte Sinai (Êxodo capítulo 20).
As duas vozes podem falar a mesma coisa?
Sim, é possível que as duas vozes falem a mesma coisa. Por exemplo, a Bíblia descreve a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, no Domingo de Ramos. Ela conta que o povo saiu atrás do Mestre, cantando e clamando salva-nos (significado de "hosana" em hebraico). Os fariseus estranharam e pediram que Jesus repreendesse as pessoas, para que se calassem. E Jesus lhes respondeu: “se eles se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lucas capítulo 19, versículos 37 a 40). 
Naquela oportunidade, o povo falou exatamente o que Deus queria, mesmo sem entender ainda a missão  que Jesus estavam desempenhando. Falo isso porque os judeus esperavam outro tipo de Messias - queriam alguém que viesse libertá-los do jugo dos romanos. 
Mas, essa coincidência entre a voz de Deus e a voz do povo é pouco comum. A razão é que a voz do povo costuma conter erros - como ocorre muito no caso da dita sabedoria popular". Muitas vezes, a voz do povo é simplesmente a voz da ignorância ou do medo, como, por exemplo, quando os judeus clamaram para que Jesus fosse crucificado e um bandido (Barrabás) fosse solto (Lucas capítulo 23, versículos 13 a 25).  
A voz do povo é imperfeita pois ela é simplesmente a soma das vozes de muitas pessoas, todas elas imperfeitas. Um bom exemplo de como a voz do povo pode errar é o que aconteceu no Rio de Janeiro, no começo do século passado. Naquela oportunidade, o médico sanitarista Oswaldo Cruz liderou uma campanha para a vacinação da população contra a febre amarela, doença que matava muita gente. O povo se revoltou porque achava que a vacina fazia mal e isso gerou uma situação política muito complicada. Só o tempo deu razão a Oswaldo Cruz.
Já a voz de Deus é sempre perfeita, amorosa e só fala a verdade. Portanto, frequentemente ela difere da voz do povo. E o que devemos fazer quando isso acontece? Simples, a Bíblia ensina que devemos prestar atenção na voz de Deus e esquecer o resto.
Quando a voz do povo defende o que é bom e certo - como liberdade e justiça para pessoas oprimidas - e concorda com o que a Bíblia fala, devemos sim nos juntar à voz do povo. Mas, quando a voz do povo contraria a vontade de Deus, devemos ficar contra a voz das ruas, por mais difícil que isso seja.
A Bíblia fala sobre isso na descrição de um evento no qual os apóstolos Pedro e João receberam ordem dos líderes judeus, falando em nome de todo o seu povo,  para que não mais pregassem o Evangelho. Veja o que os apóstolos responderam (Atos dos Apóstolos capítulo 5, versículo 29):
Pedro e os outros apóstolos responderam: "É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!
É isso aí. Procure sempre seguir a voz de Deus e tome cuidado com a voz do povo, pois muitas vezes ela não é boa conselheira.

Com carinho

quarta-feira, 8 de julho de 2020

AMNÉSIA

Nabucodonosor foi um rei muito importante da história da Babilônia. E ficou conhecido porque sofreu uma amnésia, do tipo que estou apelidando aqui de "espiritual".

Por ser um homem muito poderoso e importante, ficou orgulhoso e passou a se considerar um ser especial. E se esqueceu de Deus. Deixou de lembrar que nada seria sem a permissão dele.

Por causa dessa postura orgulhosa, Nabucodonosor foi punido e perdeu a razão. Ficou anos vivendo como se fosse um animal. E esse castigo perdurou até que ele entendesse que precisava mudar seu comportamento. Quando isso aconteceu, o rei recobrou a razão e teve seu reino restituído e sua posição restaurada.

Há aí um grande ensinamento para nós: precisamos reconhecer sempre que nada somos sem Deus. É claro que, se a pessoa se esforçar por conseguir um resultado e for competente para obter o resultado que deseja, há mérito aí. E não há como negar isso.

Mas, sem a mão de Deus dando sustentação nenhum resultado positivo seria possível. E é preciso nunca esquecer disso. É preciso não cair na armadilha da amnésia espiritual. E é sobre isso que o Rogers fala no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes dele aqui e aqui.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

O PODER DO BOM EXEMPLO


Tenho um texto neste site falando sobre a responsabilidade dos pais de educarem os/ filhos dentro da religião cristã (veja mais). Ali mostrei que essa responsabilidade somente pode ser cumprida com muito esforço, pois não é fácil ensinar alguém a viver de forma cristã. 

Comentei ainda que é requerido dos pais algo mais ainda: dar o bom exemplo para os filhos. E é sobre isso que vou falar hoje.
O custo da hipocrisia
Jesus foi um rabino e, nessa condição, teve discípulos que viviam com Ele dia e noite. Isso aconteceu porque os judeus acreditavam que um rabino precisava ensinar principalmente pelo seu exemplo pessoal. 
Assim como os rabinos no tempo de Jesus, os pais também precisam dar exemplo de vida para seus filhos, que são os seus discípulos. E não há como fugir dessa  responsabilidade, pois os filhos olham para seus pais em busca de dicas sobre como viver. 

Se os pais tentarem fazer com que os filhos sigam caminhos por onde eles mesmos não andam, essa hipocrisia vai gerar um custo. Quando os filhos  atingirem certo grau de entendimento - normalmente, a partir da adolescência - os pais hipócritas serão cobrados pelos filhos. Já vi isso acontecer diversas vezes.

Não estou dizendo que os pais precisam ser pessoas perfeitas, sem qualquer pecado, pois ninguém cumpriria esse requisito. Certamente os pais vão pecar e, quando isso acontecer, e os filhos perceberem o erro, os pais devem ser sinceros, pedir desculpas e confessar suas fraquezas. Sem hipocrisia. 
Os resultados do bom exemplo
Apenas a boa educação religiosa não garante que os filhos de pais cristãos vão se manter no caminho certo, pois esses filhos têm livre arbítrio e farão suas próprias escolhas, acabando por cometer seus próprios pecados. 
Mas, a experiência mostra que uma boa educação religiosa é uma excelente forma de proteger os jovens para que eles não se percam na vida. 
E o bom exemplo aumenta ainda mais esse fator de proteção, coisa que é claramente reconhecida na Bíblia.  No livro do Êxodo capítulo 20, versículo 6, Deus garantiu que, se os pais andassem nos caminhos dele, sua descendência seria enormemente abençoada. As palavras de Deus foram essas:
...faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam meus mandamentos.
As boas ações dos pais geram bençãos que frutificam e os resultados positivos duram por várias gerações. Essa foi a promessa de Deus. E isso acontece porque as famílias bem estruturadas prosperam em todos os aspectos: materiais, emocionais e espirituais. E é fácil perceber a verdade dessas palavras olhando para a  sociedade que nos cerca. 

Portanto, se você é pai ou mãe, não deixe de se esforçar para dar bom exemplo. Isso será muito importante para a vida dos seus filhos.

Com carinho  

sábado, 4 de julho de 2020

O "SATISFATÓRIO" NÃO SATISFAZ?


Temos o vício de aceitar apenas o satisfatório no lugar do que seria o ótimo. E o satisfatório pode não satisfazer. Eu me explico
Décadas atrás, o professor Herbert Simon,  ganhador do Prêmio Nobel de Economia, explicou que as empresas não procuram maximizar seus lucros, conforme estabelece a teoria econômica, pois isso é muito difícil de fazer. Há muitas variáveis a serem controladas para se chegar ao lucro máximo.
As organizações, na prática, procuram apenas obter um  lucro suficiente para atender as expectativas de acionistas, analistas de mercado e outros, coisa que é muito mais simples de conseguir. Herbert Simon chamou esse comportamento de satisfazer em lugar de otimizar. 

A postura de apenas satisfazer, em lugar de maximizar, também é aplicada em vários outros campos da vida humana, além da economia. Por exemplo, um estudo publicado anos atrás,  no livro "Marriage confidential" (a tradução seria "Casamento confidencial"), de Pamela Haag, indicou que a esmagadora maioria dos casamentos nos Estados Unidos se equilibra na faixa do satisfatório ou até menos do que isso.

Esse estudo mostrou que desde o início da relação, as pessoas vão se acostumando em aceitar resultados mais modestos, porém mais fáceis de conseguir, e por causa disso frequentemente acabam presas em relacionamentos empobrecidos.

Aceitar o que parece possível, por ser mais fácil de conseguir, ao invés de procurar obter o melhor, também ocorre na vida espiritual das pessoas. A maioria dos cristãos, logo depois de se converter, costuma dar passos para aperfeiçoar suas práticas de vida, mas depois acaba se acomoda, após algum progresso, numa zona de conforto. 
Pensando já ter a salvação garantida e livres dos pecados considerados socialmente mais graves, como roubo, embriaguez, adultério, etc, as pessoas imaginam ter feito o suficiente. Seu comportamento já se tornou satisfatório.
Elas imaginam que não é necessário fazer as mudanças mais difíceis, como colocar Deus em primeiro lugar nas suas vidas ou dedicar-se mais profundamente ao bem-estar do próximo. Pensam ainda que não é necessário livrar-se dos pecados de "estimação" - aqueles que parecem causar pouco mal e mas geram muito prazer, como o consumo excessivo, falar mal da vida alheia, o vício do uso da Internet e outros mais. É mais fácil se acomodar.

Também é frequente encontrar acomodação entre aqueles que ficam com medo de não estar à altura das tarefas que Deus lhes pede para fazer e acabam se encolhendo. E nunca desafiam a própria fé. Há até quem tente se esconder de Deus, como fez o profeta Jonas (aquele que foi engolido pelo peixe).

A maioria dos cristãos satisfatórios e acomodados deixa de viver experiências espirituais fantásticas, como conversões que parecem impossíveis, curas, o resgate de necessitados e assim por diante. Eles nunca experimentam do melhor que Deus tem para lhes dar.
Posso garantir para você que Deus não concorda com essa postura “morna”, nem "quente" e nem "frio". Deus  espera muito mais de nós. Ele deseja que cada um dê o melhor de si na sua vida espiritual. Que cada um busque preencher todo o seu potencial espiritual. 
E é fácil provar isso. Repare que o primeiro dentre os dois grandes mandamentos é amar a Deus sobre todas as coisas, de toda a alma e entendimento (Mateus capítulo 22, versículo 37). Ora, isso é buscar o melhor possível e nunca apenas o satisfatório.

A mesma exigência pode ser percebida no segundo grande mandamento (aquele relacionado com o amor ao próximo), onde Deus também pede de nós o melhor, ao estabelecer que o amor ao próximo deve ser igual ao amor que a pessoa tem por si mesma. 

No livro do Apocalipse, Cristo mandou um recado para as sete igrejas localizadas na Ásia Menor. Ao se dirigir à igreja de Laodiceia, Jesus a acusou de ser "morna" e disse que iria vomitá-la da sua boca (Apocalipse capítulo 4, versículos 14 a 16). Isto é, Jesus não se conforma com uma postura acomodada, apenas satisfatória.

Os "mornos" são aquelas pessoas que se comportam meio como "zumbis" espirituais - parecem vivas, mas, na verdade, estão mortas por dentro. Esperam pouco e se contentam com menos ainda. Entram e saem das igrejas, mas nunca deixam sua marca na obra de Deus.
Deus deseja ter uma relação especial com você. Uma relação onde você consiga preencher todo o seu potencial espiritual. Onde você faça o melhor e não apenas o satisfatório. 
Pode ter certeza que Ele quer fazer coisas extraordinárias por você e através de você. A Bíblia explica isso muitas vezes. Só depende que você deixe sua zona de conforto e se abra para o Espírito Santo entrar e atuar de fato na sua vida. 

Com carinho

quinta-feira, 2 de julho de 2020

VOCÊ É FILHO DE DEUS?

Você é filho de Deus? Antes de responder essa pergunta, é preciso entender que há diferentes significados na Bíblia para essa expressão. Se você e eu nos enquadramos em algum desses casos, a resposta será sim. Caso contrário, deve ser não, mesmo que não gostemos dessa conclusão.

Aquele criado diretamente por Deus  
A Bíblia se refere a Adão e aos anjos como filhos de Deus, pois são (ou foram) seres criados diretamente por Ele.

Já os seres humanos, com exceção de Jesus Cristo, foram gerados a partir de um processo de reprodução, processo esse criado por Deus, mas que atua sem o envolvimento direto dele. Por isso a Bíblia não costuma se referir aos seres humanos como filhos de Deus e sim criaturas dele.

No caso de Jesus: quando o anjo revelou a Maria que ela ficaria grávida de um filho, por obra e graça do Espírito Santo, foi-lhe dito que a criança seria chamada filho de Deus (Lucas capítulo 1, versículos 26 a 33). Repare que o anjo precisou fazer essa distinção, explicando que a natureza humana de Jesus seria diretamente gerada por Deus. E isso também significa que a expressão filho de Deus não se aplica diretamente aos demais seres humanos.

Os herdeiros de Davi
Deus fez um pacto com Davi e lhe prometeu que seus herdeiros seriam tratados por Ele como filhos (2 Samuel capítulo 7, versículos 12 a 14). E assim foi com Salomão. 

A mesma promessa garantiu também que o trono de Israel nunca se afastaria da linhagem de Davi e essa promessa se mantém, mesmo não havendo reis em Israel há mais de 2.500 anos, porque seu cumprimento está ligado à chegada do Messias, que é Jesus, o qual, na sua natureza humana era descendente de Davi. 

E o povo cristão?
O povo cristão não se enquadra em nenhuma das categorias descritas anteriormente. Mas, há um terceiro significado para a expressão filho de Deus, que nos interessa muito mais de perto. O apóstolo Paulo ensinou que todos aqueles que aceitam Jesus Cristo como seu Salvador passam a ser considerados filhos de Deus, pois são perfilhados por adoção (Romanos capítulo 8, versículos 13 a 17). E é nesse sentido que você, e eu, somos filhos de Deus, tendo todas as regalias que decorrem dessa condição. E essa é uma grande honra. 

Mas, repare que somente aqueles que aceitam Jesus como seu Salvador pessoas se enquadram nessa condição. Os demais seres humanos não podem se qualificados assim. Essas pessoas são apenas criaturas de Deus.   

Portanto, o ditado tão conhecido, que afirma sermos todos filhos de Deus, não tem qualquer suporte na Bíblia. Somente quem aceitou Jesus pode, de fato, ser considerado assim. 

Com carinho