quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

ONDE ESTAVA DEUS QUANDO OCORREU A TRAGÉDIA?

A trágica morte de quase 300 jovens, num incêndio em uma casa noturna no RS, chocou o país e o mundo. A dor dos familiares desses jovens é algo que corta o coração e também aterroriza os pais, quando pensam nos riscos por que passam seus próprios filhos.

É inevitável que nesses momentos as pessoas se voltem para Deus: muitos em busca de consolo e forças para enfrentar esse martírio, enaquanto que outros para questionar o por quê. O que mais recebo nessas horas são perguntas do tipo: Onde estava Deus que não evitou essa desgraça?

Deus é mesmo responsável?
Esse é um tema, infelizmente, sempre atual, pois as tragédias se repetem, ano após ano - desde que comecei esse blog já tivemos a enchente na serra fluminense, dois grandes massacres nos Estados Unidos, dentre outros eventos assustadores. 

Resumindo o que já disse em post anterior (veja mais), essas catástrofes têm sempre como causa as escolhas erradas dos próprios seres humanos e esse caso não é diferente:
  • Os agentes do poder público não fiscalizaram adequadamente, permitindo o funcionamento de uma casa noturna sem obediência às necessárias normas de segurança. 
  • Os proprietários da casa noturna, para não reduzir seu lucro, mantiveram o local funcionando de forma irregular. E permitiram que a superlotação do local no dia da tragédia.
  • A banda que usou fogos de artifício "quentes", para tornar seu show interessante, num local fechado, o que é totalmente contra indicado. E o pior que já há experiência de incêndio, em outras casas noturnas, por conta do uso de fogos e nem assim os responsáveis pela banda aprenderam a lição.
  • O público (nós mesmos) que não é rigoroso com o cumprimento de itens de segurança - imagine o que aconteceria se ninguém mais frequentasse casas noturnas funcionando em situação irregular?
São muitos os responsáveis, em grau maior ou menor, e houve toda uma cadeia de decisões desastrosas que infelizmente geraram esse terrível resultado. Portanto, atribuir a Deus a culpa pelo que aconteceu é desviar a atenção da causa real: a responsabilidade humana

É certo que essas decisões erradas puderam ser tomadas porque Deus nos dá o livre arbítrio, ou seja o direito de decidir livremente. Sendo assim, o que poderia de fato ser questionado é o seguinte: Por que Deus não obriga o ser humano a sempre agir de forma correta? Ou seja, por que Deus deu o livre arbítrio para o ser humano?

Já apresentei essa resposta no post a que me referi acima e não tenho espaço para repetir todo o argumento aqui. Mas a razão fundamental é que Ele deseja o que o amemos de forma livre e essa forma de amor é aquela que todos buscam, nós aí incluídos. 

Além disso, sempre haverá coisas relacionadas com Deus que não vamos entender inteiramente, senão Ele não seria quem é e sim um ser humano como nós.

Como consolar?
É duro falar essas coisas em meio a uma grande tragédia como essa, pois parece uma reflexão meio fria, apenas teológica. Mas é ela que dá condições àqueles que querem entender o papel de Deus nessas situações e, quando não obtem resposta adequada, acabam se afastando d´Ele.   

Mas o que dizer, então, para quem está sofrendo muito? Começo listando, por estranho que possa parecer, o que não deve ser dito, pois, acredite, já ouvi todas essas barbaridades diversas vezes, ditas por pessoas até bem intencionadas:
  • Foi a vontade de Deus: essa não é em abosluto a vontade d´Ele e pode ter certeza que as pessoas que concorreram para que a tragédia ocorresse não agiram dentro do que Ele queria. Infelzimente nem sempre a vontade d´Ele é feita nessa terra.
  • Chegou a hora da pessoa: acreditar nisso é aceitar que todos viemos com o destino traçado e, portanto, não haveria livre arbítrio. Na verdade, somos responsáveis pelos nossos atos e sofremos as consequências de nossas escolhas. 
  • De alguma forma o ocorrido foi para o bem: essa declaração chega a insultar a inteligência de quem está sofrendo. É claro que acreditamos que Deus quer o melhor para nós e pode fazer do "limão uma limonada", mas isso não quer dizer que a tragédia era o desejo d´Ele. Não mesmo.
O que, então, fazer nessas situações:
  • Falar o mínimo possível: é um momento de demonstrar afeto, apoio, etc, especialmente com gestos de carinho - um simples abraço apertado pode falar muito mais do que todo um discurso.      
  • Leia um pequeno texto da Bíblia para confortar a pessoa, se houver espaço para isso: há vários textos na Bíblia apropriados, pois as pessoas cuja vida é ali relatada também sofream muito. Escolha esse texto antes de encontrar a pessoa, para não se atrapalhar na hora.
  • Diga para a pessoa que Jesus sabe o que é sofrer: Ele viveu entre nós e passou por situações terríveis também. Por isso, nos entende perfeitamente quando sofremos. 
  • Diga também que Jesus nunca vai a abandonar: Ele estará sempre presente, dando forças, reavivando a esperança e reforçando a fé de que as coisas não acabam aqui - há toda uma vida ainda por vir.     
  • Fale o mínimo possível: grandes pregações nessa hora só atrapalham e a chance de acabar dizendo bobagem é muito grande.
Com carinho 

  

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A IGREJA CRISTÃ COMO NEGÓCIO

A revista Veja desta semana trouxe uma reportagem bastante contundente sobre as práticas de determinada denominação no treinamento de seus pastores e na abertura de novas igrejas. Ficou claro ali que aquela denominação vê o cristianismo como um negócio. E, infelizmente, é preciso reconhecer que ela não está sozinha: diversas outras denominações fazem a mesma coisa e arrecadam milhões das pessoas que as frequentam. 

Isso é muito triste de registrar, mas não posso ficar calado, sob pena passar para você a impressão que estou de acordo com essa atitude de líderes cristãos menos responsáveis. É claro que nem toda denominação evangélica comete esse tipo de erro e me arriscaria a dizer que a maioria segue práticas corretas. Mas, infelizmente, há muita gente que se enquadra na situação de "lobos no meio dos cordeiros".

Agora, é preciso separar uma coisa da outra - o "joio do trigo" -, para que o justo não seja incriminado junto com o pecador. E isso a reportagem da Veja não faz, pois não explica que nem todos os evangélicos são assim e, para os desavisados, todos acabam jogados no mesmo "saco", o que é injusto. Afinal "evangélico" é uma palavra guarda-chuva que "abriga" um monte de coisas: igrejas liberais e conservadoras, carismáticas e tradicionais, sérias e corrompidas.

Uma pergunta que me fazem com frequencia é a seguinte: será que o Espírito Santo opera nessas igrejas? Opera sim, em consideração aos inúmeros fiéis, pessoas simples e sinceras na sua fé em Cristo - a Bíblia os chama carinhosamente de "pequeninos" -, que não têm culpa do que faz a liderança da igreja que frequentam. 

Mas é claro que esses fiéis podem acabar feridos espiritualmente, quando perceberem que foram enganadas e/ou usadas - isso é bastante comum e já tratei desse problema aqui no blog.

E como Deus vê esses líderes que abusam do Evangelho de Cristo? Vou deixar a resposta para quem tem muito mais autoridade do que eu - o próprio Jesus:
 "Qualquer porém que fizer tropeçar a um desses pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar... porque é inevitável que venham escândalos, mas aí do homem pelo qual o escândalo vem". Mateus capítulo 18, versículos 6 e 7.
 Com carinho

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

COMO SABER NA PRÁTICA SE DEUS FALOU MESMO COM VOCÊ

Confesso que a pergunta que está no título deste post é delicada, porque hoje há uma verdadeira "avalanche" de pessoas dizendo ouvir Deus. E, infelizmente, em boa parte, essas alegações não são corretas - as pessoas confundem desejos pessoais com comunicações vindas de Deus.
Eu acredito que Deus fala e tenho experiências concretas na minha vida disso. Mas não acredito que Deus esteja falando da forma como todas essas pessoas alegam, até porque, muitas vezes, as mensagens que são atribuídas a Ele não passam de disparates. 

O problema é que há pouca orientação quanto a essa questão: o material que existe ou é muito teórico (teologia pura) e acaba ajudando pouco no dia a dia, ou não passa de uma simples coleção de relatos pessoais, mas que não permite formar doutrina sólida. 

Vem daí o meu incentivo para escrever este post e outros que virão mais adiante: vou tentar dar alguns conselhos práticos, com base em doutrina bíblica sólida. E vou começar analisando um caso concreto - onde, com certeza, recebi um recado de Deus -, e os passos que dei para autenticar essa mensagem. 

O fato real
Aconteceu no último dia de setembro de 2011. Até então eu tinha estado profundamente envolvido na administração da igreja que frequento - eu era uma liderança leiga, eleita pela comunidade, atuando em diversas áreas da vida comunitária, incluindo aspectos administrativos.

Naquele dia eu me aborreci profundamente com alguns fatos ocorridos numa reunião da igreja - você nunca deve se esquecer que todas as igrejas são tripuladas por seres humanos e, portanto, imperfeitas. E fui para casa, depois da reunião, e confesso que não consegui dormir direito.


Já de madrugada, minha cabeça ainda "fervia" com pensamentos de todo tipo. De repente, uma ideia cruzou minha mente: "Seu chamado, Vinicius, não é para gastar tempo em questões desse tipo e sim para ensinar e divulgar a Bíblia. Largue tudo isso e se dedique ao que importa de fato". E esse pensamento ficou martelando minha mente, até que, finalmente, consegui dormir. 


Acordei, horas depois, cansado, mas em paz - o "turbilhão" tinha acabado. Logo cedo, conversei sobre essa ideia com minha mulher e dois amigos e, quanto mais falava sobre ela, mais me convencia que era a coisa certa a fazer. No final do dia a decisão estava tomada - o processo de afastamento de todas aquelas atividades durou cerca de 3 meses. 

Aos poucos, fui dando mais atenção a este blog, que já mantinha em paralelo. E aí uma coisa interessante começou a acontecer: o público do blog começou a crescer lentamente e depois cada vez mais depressa. Hoje, o tráfego que tenho aqui é cerca de 20 VEZES o que era antes. E aqui todo meu tempo é dedicado à discussão das questões relacionadas com os ensinamento da Bíblia, exatamente como é o meu chamado.

Para mim, Deus falou comigo naquela madrugada e, depois que segui sua orientação, Ele fez meu trabalho aqui frutificar de forma que eu nem esperava. Simples assim.

Como verificar se a mensagem veio de Deus
Deus pode falar de diferentes maneiras: por exemplo, sonho (como fez com Jacó), voz audível (como fez com Moisés), visão (como a de Daniel) ou colocando pensamentos na mente da pessoa (como ocorria com os profetas bíblicos). 

Essa última forma é a mais comum e talvez também a mais difícil de atestar a veracidade do comunicado. Isso porque, nesse caso, a mente humana funciona como um aparelho de rádio que "capta" uma mensagem externa emitida por Deus. Mas essa mensagem é "captada" pela mesma mente que gera pensamentos da própria pessoa. Assim é preciso ter discernimento para perceber qual a origem de cada pensamento: "captado" de fora) ou nascido na própria pessoa.

Naquela madrugada, confesso, que não percebi de imediato que o pensamento para mudar minha forma de atuar na obra de Deus, respeitando mais o meu chamado, tinha vindo d´Ele - somente fui entender isso mais adiante. Mas como consegui atestar que aquele comunicado tinha vindo mesmo de Deus?

Há quatro testes que você deve fazer com esse objetivo. A mensagem que "passar" pelos quatro testes têm alta probabilidade de ter vindo de Deus

Teste 1: O pensamento em questão seria normal para você (está de acordo com sua forma de pensar) ou segue um padrão diferente?    

É mais provável que um pensamento vindo de Deus siga um padrão diferente - Deus nos alerta na Bíblia que "seus epnsamentos não são como os nossos pensamentos". Por exemplo, eu normalmente não me afastaria dos meus compromissos formais na liderança da igreja, pois entendia que Deus queria essa dedicação minha. 



Teste 2: O pensamento em questão é coerente com o que sabemos sobre Deus?   


A resposta precisa ser positiva, pois Deus nunca vai se contradizer e criar confusão. No meu caso, essa contastação foi simples pois a Bíblia ensina que os dons vindos de Deus precisam ser usados em todo o seu potencial, o que não estava ocorrendo comigo, pelas minhas atividades administrativas na igreja. 

Teste 3Houve confirmação da mensagem original? 

Essa confirmação pode ser dada a você mesmo/a em outro momento (a Bíblia relata casos em que as pessoas pediram isso e Deus atendeu), ou para outras pessoas (p. ex. alguém que estiver orando por você). No meu caso, recebi diversas confirmações, todas vindas de outras pessoas. E essas confirmações vieram naturalmente, sem que eu as tivesse pedido.

Teste 4: Seu coração ficou em paz, quando você aceitou a mensagem como vinda de Deus? 

A paz de Deus é diferente, pois ela pode chegar até você em qualquer situação - até no meio de uma "guerra". Enquanto a paz dos homens sempre depende das circunstâncias, pois só chega no fim da "guerra". Conforme comentei acima, à medida que a ideia de mudar minha forma de atuar na obra de Deus se solidificava na minha mente, senti uma enorme paz - tão grande, que fiquei até me perguntando porque não tinha tomado aquela decisão antes. 

Análise dos resultados
Quando você receber uma mesnagem de Deus, nunca deixe de verificar os resultados obtidos. No meu caso, foi muito simples, pois o resultado apareceu de imediato, neste blog, com o enorme aumento de leitores. Em outros casos, o resultado pode ser mais lento e/ou difícil de atestar: um relacionamento que vai melhorando aos poucos, uma doença que vai sendo superada, etc. 

E, ao atestar o "dedo" de Deus na sua vida, não deixe de agradecer, e muito. E nunca se esqueça que o Ser, que criou e controla todo o universo, deu-lhe a enorme honra de vir ao seu encontro e mandar uma mensagem especial para você!

Com carinho 



segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

UMA MENSAGEM PARA QUEM ESTÁ TRISTE NESTE NATAL

Eu sempre sinto certa nostalgia no Natal, pois lembro das comemorações na casa da minha avó, quando minha irmã caçula ficava esperando o Papai Noel chegar e eu me sentia orgulhoso, porque já sabia que o "bom Velhinho" não existe. Tudo isso passou, como também passaram os maravilhosos almoços de Natal, sempre no dia 25 de dezembro, na casa da minha mãe. Ficou apenas a saudade.

Muitas pessoas também têm momentos de nostalgia no Natal, ao relembrar as coisas boas que passaram. Mas, para muitas outras, o problema é muito mais sério do que uma saudável nostalgia - trata-se de tristeza profunda e cruel. 

E esse sentimento pode vir de famílias irremediavelmente fraturadas, onde as pessoas não podem nem mais comemorar o Natal em conjunto. Ou pode vir de sonhos frustrados pelas circunstâncias da vida, como desemprego, falta de dinheiro, etc. Pode ter vir também de doença incapacitante de alguém querido. Ou ainda pode se dever àquela sensação de profunda solidão ou completo fracasso, que se traduz na chamada “noite escura da alma”.         

É para você, que se sente triste assim neste Natal, que escrevo este texto. E escrevo porque sei bem como é terrível estar triste num momento em que o mundo parace cobrar uma grande alegria de todos - "afinal, é Natal", dizem os outros. 

Aí vão então algumas sugestões, testadas por mim na prática, quando enfrentei minha própria “noite escura da alma”:

1) Admita a tristeza para si mesmo e, se necessário, para os outros. Não tente mascarar o que está acontecendo. E deixe claro para os outros que você não quer estragar a comemoração de ninguém, mas que não vai aceitar pressões para “ficar alegre” - ninguém merece enfrentar horas de tortura numa festa, onde não quer estar.

2) Faça um bom exame de consciência sobre a causa dessa tristeza. O que deu errado? Em alguns casos isso é evidente. Mas, é muito comum que sentimentos como raiva, angústia, inveja e medo estejam sejam difíceis de identificar e “organizar” na mente.

3) É aí que entra a Deus: fale com Ele e abra seu coração. Diga tudo que vai na sua alma - não precisa usar meias palavras, pois Ele já sabe mesmo de tudo. Ao falar, você estabelecerá um vínculo espiritual com Ele, como aquele que existe entre dois confidentes, e isso é muito importante.  

4) Peça ajuda para Ele e reconheça sua dependência total d´Ele. E insista: fale com Deus mais de uma vez - isso foi o que Jesus nos ensinou a fazer. Sua insistência demonstrará seu compromisso com uma solução.

5) Tenha confiança que Deus vai vir em seu socorro: não sei quando, nem como, pois Ele não segue a lógica humana. Mas Ele virá a tempo, posso garantir isso para você.

6) Finalmente, esteja atento/a para perceber quando e como a ajuda está sendo dada. Uma vez eu precisava de   certa quantia, para pagar uma prestação de um apartamento - aí por volta de 1990. Vinha orando para que Deus mandasse ajuda. Aí minha madrasta ligou, oferecendo dinheiro emprestado. Minha primeira reação foi dizer que não precisava, pois confiava na solução que viria de Deus. Então ela me disse algo que nunca vou esquecer: “como você sabe que não foi justamente Deus que me enviou para ajudar você”. Portanto, Ele vai ajudar da forma como entende ser a melhor, que não é necessariamente aquela que você imagina. 

Faça da tristeza deste Natal o início de uma nova caminhada, tendo Jesus como guia e protetor. Posso garantir que não há nada melhor.

Com todo o meu carinho, um bom Natal para você

domingo, 9 de dezembro de 2012

O DIVÓRCIO É PECADO?

Esse é um tema muito, mas muito controvertido, entre os cristãos. Hesitei um pouco em me pronunciar sobre ele pois, como sou divorciado, poderia não ter a necessária isenção para tratar dele. Mas, pensando melhor, acho que não posso me furtar a dizer o que penso, mesmo que seja criticado por isso - os leitores deste blog merecem isso de mim.

E quero deixar bem claro, desde o início, que o divórcio não é uma boa saída para os problemas conjugais. Pode ser até a única saída disponível, em determinados casos, mas o divórcio sempre traz sofrimento, tanto para o casal, como para os filhos. E sempre deixará atrás de si a sensação de fracasso, pois o divórcio é exatamente isso - o fracasso de manter uma relação muito importante. Portanto, todo esforço deve ser feito para preservar os casamentos, sempre que possível.

Mas ainda assim é preciso ter uma resposta para as inúmeras pessoas cristãs, como foi meu caso, que se vêem ante o divórcio. Divorciar-se é pecado? Divorciar-se e casar de novo é adultério?

Uma discussão apropriada do tema, em todas as usas nunaces, seria muito longa para o espaço que tenho aqui. Assim, poderei apenas esboçar os principais argumentos para tentar tirar o peso que muitas vezes é jogado sobre os ombros das pessoas, que já sofrem com a separação em si, quando esse ato é rotulado de "pecado" grave.
O que Jesus disse 
A base dessa discussão está em dois textos bíblicos, um de Jesus e outro do apóstolo Paulo e vou começar pelo que Jesus disse. 

Antes de tudo, é preciso entender o pano de fundo para o pronunciamento de Jesus. Em Deuteronômio capítulo 24, versículo 1, a lei que diz que o marido podia se divorciar da mulher no caso de "coisa indecente" praticada por ela. A questão que havia, então, era como definir "coisa indecente" - é importante perceber que a discussão é sempre dos direitos do homem quanto a pedir o divórcio, pois a mulher nunca podia tomar essa iniciativa.

Havia duas escolas rabínicas que competiam entre si: a de Hillel e a de Shamai. Hillel sempre interpretava as leis de forma mais liberal e, quase sempre, Jesus concordava com suas abordagens. E na controvérsia sobre o divórcio, Shamai interpretou a lei dizendo que o divórcio somente poderia ser possível se a esposa fosse infiel ou se deixasse de prover cuidado emocional e material ao marido (Êxodo capítulo 21, versículos 10 e 11). Já Hillel, entendeu que "coisa indecente" se aplicava a muitas situações e, portanto, um homem podia se divorciar até por não gostar da comida da esposa ou por ela ter envelhecido. 

Jesus foi pressionado pelos fariseus a se pronunciar sobre essa controvérsia e ele respondeu da seguinte forma (Mateus capítulo 19, versículo 9): 
"Quem repudiar sua mulher, não sendo por relações sexuais ilícitas, e casar com outra, comete adúlterio (e o que casar com a repudiada comete adultério"
Em outras palavras, Jesus disse que, nesse caso, Ele apoiava a interpretação mais restritiva de Shamai, limitando as razões válidas para divórcio. E a razão foi simples: a posição mais rígida era a que melhor defendia a mulher, a parte mais fraca no casamento.

Infelizmente há muitos que olham para as palavras de Jesus e as tomam ao pé da letra: entendem que Ele proibiu o divórcio, em qualquer situação, exceto em caso de adultério. Mas essa interpretação é muito problemática, pois se levarmos o texto ao pé da letra, a proibição se aplicaria apenas ao divórcio por iniciativa dos homens e as mulheres estariam livres para se divorciar sem restrição, pois elas não foram citadas por Jesus.

Mas é claro que Jesus não se referiu às mulheres porque elas não podiam pedir divórcio e certamente o ensinamento se aplica também a elas. Ora, para chegar a essa conclusão é preciso considerar as circunstâncias em que o ensinamento foi dada e aí a interpretação não é mais apenas ao pé da letra. 

E, se vamos levar em conta as circunstâncias, é preciso considerar a questão entre Hillel e Shamais, que mencionei acima e que Shamais, com quem Jesus concordou, também também admitia como válidas, para fins de divórcio, a negação de cuidados físicos e emocionais. 

Portanto, a melhor leitura do ensinamento de Jesus é: o divórcio não pode ser fator de injstiça, quer contra o homem, como contra a mulher. Quando isso ocorre, o divórcio é pecado. E a injustiça está sempre presente quando não motivo aceitável: infidelidade e negação de cuidados físicos ou emocionais.

O que Paulo disse                                                              (1 Coríntians capítulo 7, versículos 3 a 15)
"O marido conceda à esposa o que lhe é devido e também semelhantemente a esposa a seu marido...Ora, aos casados, ordeno, não eu mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se que não se case, ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte da sua mulher ... Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos não fica sujeito à servidão, nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamdo à paz."
Paulo começa por dizer que os esposos devem conceder um ao outro o que lhe é devido. E não detalha o que é isso, exceto no que tange aos direitos relacionados com o direito ao sexo. Isso porque todos os leitores daquela época conheciam os textos de Êxodo e Deuteronômio que citei acima, que se referem à fidelidade e obrigação de cuidados físicos e emocionais.
 
A seguir Paulo usa palavras fortes proibindo o divórcio. Mas, pela ordem do texto, onde ele colocou antes a obrigação e depois a proibição, fica claro, a meu ver, que a proibição se aplica desde que a obrigação tenha sido cumprida. Ou seja, se a esposa (ou o marido) cumprir for fiel, der apoio moral e material ao seu marido, é proibido divorciar-se dela. 

O que vemos aqui é Paulo falando mais ou menos o que Jesus já tinha dito: o divórcio por motivos fúteis, é pecado

Mais adiante, Paulo dá uma outra possibilidade que pode ser alegada para pedir divórcio: o abandono de um cônjuge pelo outro. E faz todo sentido, porque um cônjuge abandonado não pode receber apoio material e emocional. 


Ao final, Paulo diz ainda algo de grande importância: Deus nos chama para termos paz! Ou seja, aparece aí um qualificador para o casamento, que permite entender melhor quando é possível pedir divórcio, de forma lícita: onde não há mais esperança de haver paz.  


Palavras finais
Assim, situações onde um dos cônjuges nega ao outro amor, comete abusos emocionais e físicos, trai repetidamente ou abandona, dentre outras, podem caracterizar uma quebra de confiança irrecuperável dentro do casamento. E aí a paz conjugal não mais poderá ser reestabelecida. 

Abre-se, então, espaço para o divórcio, sem que haja pecado, bem como para reconstrução da vida daquele/a que se divorciou com outro/a parceiro/a. 

Concluindo, o divórcio em si não é pecado, desde que haja razões justas para ele. Pecado é aquilo que antecede e justifica o divórcio: desamor, falta de tolerância, quebra da confiança, e assim por diante.

Com carinho


 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O TAXISTA E EU

Dias atrás, precisei tomar um táxi na porta do meu escritório, pois minha mulher precisou do nosso carro e não conseguiu voltar a tempo para me buscar. Confesso que estava meio mau humor, pois achar um táxi, naquele começo de noite, ainda mais com ameaça de chuva, não ia fácil. De fato, a espera foi longa e, em dado momento, fiz o que é normal em momentos de dificuldade: pedi ajuda para Deus. 

Mas nada aconteceu. Pelo contrário, perdi duas oportunidades fáceis, que normalmente teria conseguido. E aí, veio claro na minha mente o seguinte pensamento: "Egoísta, você só pensa em resolver  seu problema"

Fiquei confuso com esse "puxão de orelhas" e procurei analisar meus atos para entender o que estava errado. A resposta veio de imediato: minha oração tinha sido inadequada! 

Voltei a falar com Deus e disse: "Por favor manda-me um táxi que seja dirigido por alguém a quem eu possa falar de Jesus". Oração corrigida, meu coração se aquietou e fiquei esperando. Cerca de 5 minutos depois, encostou um táxi e eu embarquei. 

O motorista era jovem, cabeça quase raspada, tatuagens, brincos, enfim tudo aquilo que os jovens gostam de usar. Ora, o ministério para os jovens nunca foi meu forte, pois sempre trabalhei com grupos de adultos. Conclui então que a tarefa não ia ser fácil.

Puxei assunto e a conversa fluiu muito melhor do que esperava. E qual não foi a minha surpresa ao perceber que se tratava de um rapaz de origem evangélica, que já tinha trabalhado muito pela obra de Deus. Mas estava afastado pois teve alguns problemas e sua igreja não tinha sabido lidar como lidar com a situação - era uma alma ferida, mas ainda aberta para Jesus.

Junto a tudo isso havia uma série de erros teológicos, fruto de um discipulado deficiente, como infelizmente é muito comum nas igrejas evangélicas. Assim, tive oportunidade de esclarecer coisas que estavam atrapalhando a retomada do seu diálogo com Deus. E concentrei-me na forma como ele podia reforçar essa relação, através de oração, louvor, e estudo bíblico. A conversa terminou com ele me pedindo o endereço deste blog. Espero sinceramente que meu amigo taxista volte a se aproximar de Deus. 

Mas quero voltar à minha oração inicial, que é de fato o tema deste texto. A Bíblia diz que pedimos e não recebemos porque não sabemos pedir - pedimos mal. E minha primeira oração foi exatamente desse tipo: queria resolver meu problema e pronto. Nada mais interessava naquele momento que não fosse meu conforto pessoal. E Deus não atendeu ao meu pedido.

Não só não atendeu, como "puxou minha orelha", alertando-me que já estava mais do que na hora de agir de outra forma. Daí a mudança na minha oração, reformulando meu pedido para dar prioridade àquilo que deve sempre vir em primeiro lugar: a obra de Deus. E aí meu pedido foi atendido. E pude transformar um momento de mau humor em alegria, pois feliz de ter podido ajudar alguém na sua caminhada cristã.

Portanto, quando você estiver buscando uma graça e, apesar de pedir com fé e constância, ela não chegar às suas mãos, examine-se e veja se seu pedido está de acordo com a vontade de Deus. Se não estiver, você nunca será atendido, por mais amor que Ele sinta por você. 

Ter uma nova perspectiva sobre aquilo que você deseja, pode ser a diferença entre ser atendido ou não por Deus. E lembre-se que, quando Deus não responde, isso não deixa de ser uma resposta - pode ser que Ele esteja apenas esperando que você mude, antes de agir.

Com carinho

sábado, 13 de outubro de 2012

OS FINS, OS MEIOS E O PROCESSO DO MENSALÂO

O processo do "mensalão" vai chegando ao seu final, depois de despertar grande interesse do público e dos meios de comunicação. Mas meu tema aqui não é a questão do saneamento das práticas políticas brasileiras - embora eu torça muito para que isso aconteça. 

Vou falar de algo que me chamou atenção ao longo do processo judicial: pelo menos um dos réus - refiro-me a José Genoino - tem perfil diferente dos demais, levando vida modesta e tendo uma história de vida bonita, marcada pela luta a favor da democracia e da justiça social.

Então, como é possível que uma pessoa assim entre numa "roubada" dessas, participando de algo em desacordo com sua própria história de vida? Acho que esse é mais um caso de erro com base no princípio "os fins justificam os meios". 

Penso que o que aconteceu nesse caso foi mais ou menos o seguinte: como o dinheiro ia ser usado para uma boa causa - manter no controle do Governo Federal um partido que Genoino acreditava privilegiar corretas -, era razoável ser "flexível" quanto à forma a ser usada para conseguir e distribuir esse dinheiro. Como a causa era nobre, não importava muito os meios usados para realizá-la com sucesso.  

Esse mesmo tipo de erro esteve presente muitas vezes na história do cristianismo. Por exemplo, na Idade Média, os cristãos acreditavam que aqueles que não eram batizados iam direto para o inferno. Daí era elogiável fazer qualquer esforço no sentido de batizar o maior número possível de pessoas, mesmo que fosse preciso empregar a força. E, por causa, índios, judeus, africanos e outras populações não cistãs sofreram graves perseguições e abusos.

Infelizmente também há muitos exemplos atuais para apresentar: agressão a pessoas consideradas "pecadoras" (por exemplo, gays e prostitutas), assassinato de médicos que realizaram abortos, invasão e destruição de terreiros de religião afro, etc. E a lógica é sempre a mesma: para combater um mal ou fazer um bem, vale qualquer coisa.

Ora, a Bíblia nos ensina postura totalmente diferente. Numa religião calcada no amor ao próximo, nunca deve ser possível esquecer a qualidade dos meios usadaos para se chegar a determinado fim. Fazer o bem ou evitar um mal não justifica desenvolver ações erradas aos olhos de Deus. Isso simplesmente contraria o cerne daquilo que Jesus ensinou e viveu. 

Nesse momento em que vemos diversos políticos sendo condenados pela justiça, alguns até com possibilidade de ir para a cadeia, ao invés de exultarmos com a desgraça dessas pessoas, melhor seria refletir sobre os erros cometidos por eles - como procurei fazer neste texto -, para não seguirmos também por caminhos errados. 

Com carinho