A edição do dia 08/08/2013 do jornal O Estado de São Paulo trouxe um entrevista muito importante com o Rabino Henry Sobel, que foi o Rabino Chefe da principal Sinagoga de São Paulo por muitos anos, até que se aposentou em 2007. Ele tem sido sempre uma figura muito respeitada pela opinião pública brasileira.
O Rabino Sobel foi uma importante figura na luta pela redemocratização do Brasil, na década de 80, tendo unido forças com outros religiosos importantes, como o Cardeal Arcebispo de São Paulo (D. Paulo Evaristo Arns) e o Pastor Benjamim Wright.
Em particular, o Rabino Sobel foi fundamental no esclarecimento do caso da morte violenta do jornalista Vladimir Herzog na sede do DOI-CODI, em São Paulo. Houve a tentativa dos torturadores do jornalista de transformar o ocorrido num suicídio. O Rabino não aceitou a versão oficial e permitiu que a vítima, que era de origem judaica, fosse enterrada em local normal do cemitério judaico - os judeus suicidas são enterrados em local à parte. Além disso compareceu a uma cerimônia ecumênica na Catedral da Sé em São Paulo, dirigida pelo Cardeal Arns, onde a memória do jornalista morto foi honrada e a atrocidade cometida exposta publicamente.
É preciso não esquecer que, naquela época, desafiar o regime militar colocava a vida das pessoas em perigo. E o Rabino Sobel aceitou correr esse risco para que a verdade viesse à tona e o assassinato de Herzog não ficasse impune. E sou um admirador dele por conta disso, assim como devem ser todos os democratas brasileiros.
Em 2007, porém, o Rabino foi preso nos Estados Unidos com algumas gravatas de grife roubadas de uma loja e esse episódio chocou toda a opinião pública brasileira. Na época, a explicação dada, confirmada depois no livro de memórias dele, foi que o Rabino cometeu esse ato sem precedentes sob o efeito de psicotrópicos que estava tomando à época. Essa explicação satisfez a opinião pública, mas o episódio levou o Rabino a se aposentar da direção da sua sinagoga.
Na entevista a que me referi, o Rabino confessou publicamente que de fato roubou as gravatas e que a versão dos remédios foi usada para proteger sua reputação. Confessou sua falha e pediu perdão, num ato de grande coragem e dignidade pessoal.
Todos nós, ao longo das nossas vidas, cometemos atos dos quais não nos orgulhamos. E ficaríamos muito envergonhados de ver essas verdades tornadas públicas. E o Rabino teve a coragem, mesmo depois de ter conseguido construr uma mentira que o protegia, de falar a verdade e dar um exemplo admirável. E sua atitude so fez aumentar minha admiração por ele.
E essa notícia também traz outro ensinamento importante: Deus é capaz de transformar coisas ruins em boas - nesse caso o ponto de partida foi uma experiência ruim (o roubo e a mentira que se seguiu), que deu origem a um exemplo de vida admirável (a coragem para reconhecer publicamente o erro e o pedido de perdão).
Com carinho
"De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Romanos 10:17)
sábado, 17 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
UM POUCO DE CIÊNCIA PARA MOSTRAR QUE DEUS EXISTE
Muitos afirmam que não é possível provar a existência de Deus. Mas essa afirmativa vem sendo cada vez mais desafiada por conta de uma série de argumentos filosóficos e científicos.
A existência de Deus não pode ser provada da mesma forma como provamos um teorema matemático. A prova da existência de Deus é feita da mesma forma como um investigador criminal e um promotor demonstram que alguém cometeu um crime de morte para o qual não houve testemunhas. Eles(as) vão juntando evidencias que de forma cumulativa acabam apontando para o culpado: impressões digitais, vestígios de DNA, falta de álibi, etc. E muita gente já foi condenada com base nesse tipo de investigação.
E uma das evidencias mais fortes para a existência de Deus é o argumento que leva em conta o início do universo. Ele é chamado na literatura de "argumento cosmológico kalam". A palavra "cosmológico" aponta para o cosmos (universo). E a palavra "kalam" vem do árabe e quer dizer "falar" - ela homenageia filósofos árabes que foram os primeiros a propor esse tipo de argumento.
O desenvolvimento do argumento
Ele tem três partes: duas premissas e uma conclusão que decorre delas - se as premissas forem verdadeiras, a conclusão automaticamente decorre delas, ou seja ela é obrigatoriamente verdadeira.
O argumento como um todo é o seguinte:
Premissa (1) Tudo que tem início precisa de uma causa como origem.
Premissa (2) O universo teve início.
E aí a conclusão - (3) o universo teve uma causa - decorre automaticamente das premissas.
Do nada, nada pode surgir
A primeira premissa - tudo que tem início precisa de uma causa como origem - parece lógica, afinal se alguma coisa surgiu é preciso ter havido uma causa para isso, porque coisas não podem surgir do nada, sem mais nem menos.
Alguns cientistas tentam sair pela tangente afirmando que coisas podem surgir de um "vácuo quântico", que seria como o "nada" - um livro recente do físico Stephen Hawkins defende exatamente essa posição. Mas, um "vácuo quântico", seja lá o que isso significa, não é "nada". Afinal, tal vácuo tem propriedades físicas e o "nada" simplesmente não pode ter qualquer tipo de propriedade.
Até porque, se fosse possível às coisas surgirem do nada, veríamos isso acontecendo de vez em quando: por exemplo, uma vaca apareceria de repente em algum lugar. E isso não acontece na prática. Portanto, a primeira premissa pode ser considerada como verdadeira.
O universo teve início
A segunda premissa - o universo teve início - gera muito mais discussões. Aqueles que acham que Deus não existe defendem a tese que o universo sempre existiu - ele é eterno e, portanto, sua duração é infinita. Assim, não é preciso encontrar uma causa para ele.
Ocorre que a própria ciência vem desmentindo essa posição. Vou citar três fatos que apontam nessa direção. O primeiro deles decorre da Segunda Lei da Termodinâmica, a qual comprovou que a energia de um sistema fechado se esgota com o tempo.
E, para que isso não venha a ocorrer, é preciso que o sistema possa receber contribuições do ambiente externo, em outras palavras, seja aberto para o exterior. Por exemplo, se o ser humano fosse um sistema fechado e não pudesse ser alimentado com nutrientes externos, ele consumiria toda a energia acumulada nos seus tecidos e depois morreria. E assim é com todos os demais sistemas - por exemplo, um carro precisa receber combustível senão para de funcionar.
Mas o universo é um sistema fechado por definição, pois nada existe fora dele. Portanto, a energia do universo vai acabar com o passar do tempo, pois ele não pode ser "alimentado" de fora. E se o universo não tivesse tido um início (ou seja, se sua duração fosse infinita), como defendem alguns, essa energia já deveria ter acabado, o que não é verdade. Assim, a Segunda Lei da Termodinãmica demonstra cientificamente que o universo precisa ter tido um início.
A outra evidencia é a chamada Teoria do Big Bang - o universo começou na expansão de um "ovo" cósmico de materia muito densa -, que já foi comprovada cientificamente. Não tenho espaço aqui para apresentar todas as evidencias disso, mas elas são contundentes. Portanto, o Big Bang também aponta para um início físico do universo.
A terceira evidencia é a expansão do próprio universo, que tem sido contínua, a partir do tal "ovo" inicial, conforme também já provado cientificamente. Ora, três importantes fisícos - Arvind Borde, Alan Guth e Alexander Vilenkin - provaram matematicamente que qualquer universo que esteja sempre em expansão obrigatoriamente teve um início (seria como "rodar" o filme da vida do universo ao contrário).
Com base nessas três evidencias e em outras que não tenho espaço para discutir aqui, fica claro que nosso universo teve início e a segunda premissa apresentada também é válida.
Qual foi a causa para o universo?
Portanto, mostrei que as duas premissas originais - (1) tudo que tem início precisa ter uma causa como origem e (2) o universo teve início.- são ambas verdadeiras. E, em consequência, a conclusão - o universo teve uma causa - decorre obrigatoriamente dessas premissas. Mas qual foi essa causa que deu início ao universo? O que podemos dizer sobre as características (propriedades) dela?
Primeiro, essa causa precisa ser eterna, ou seja não pode ter sido causada por outra coisa qualquer. Essa propriedade responde a uma objeção comum à existência de um Criador - quem teria criado o Criador? A resposta é simples: Ele não precisa ter sido criado se for eterno.
Em segundo lugar, essa causa não pode ser um mecanismo automático, como uma lei física - por exemplo, como a gravidade, que nunca pode ser "desligada". Isso porque, como essa causa é eterna, caso ela funcionasse de forma automática, incontáveis universos já teriam sido criados e não apenas um. Mas, como apenas um único universo foi criado, é preciso, portanto, que essa causa possa ser "ligada" e "desligada" de acordo com uma vontade, o que possibilitou um único caso de criação.
E, se há uma vontade, podemos dizer que há um Ser que funcionou como Criador do universo, desde que definamos ser como algo que tem vontade própria.
Esse Ser precisa estar fora do tempo. Isso porque o tempo começou junto com o início do universo. E também precisa estar fora do espaço físico, pelas mesmas razões. E apelidamos como "espírito" ao ser que está fora do espaço físico, ou seja é imaterial.
Essa Ser também precisa ter um poder além de qualquer imaginação, senão não seria possível causar o início do universo.
Em resumo, podemos concluir que o Criador é um Ser muito especial: é um espírito eterno, com vontade própria, imensamente poderoso e fora do tempo. Ora, tudo isso bate com a descrição que a Bíblia faz de Deus. Portanto, estamos no bom caminho - começa a emergir um retrato que aponta para Deus.
É claro que é preciso comprovar também que esse Ser tem outros atributos - como perfeição e amor -, para podermos dizer que se trata de Deus. Mas, como disse antes, é preciso juntar um conjunto de evidencias para montar o caso completo. Neste post dei apenas um passo - apresentei o "argumento cosmológico kalam" -, mas há muito mais para falar a respeito da comprovação da existência de Deus, o que fica para posts futuros.
PS Quem estiver interessado em estudar essa questão com mais profundidade, sugiro o livro "Em guarda", de William Lane Craig. O site desse autor - www.reasonablefaith.org - tem muitas informações adicionais e até um pequeno filme sobre tudo que discuti aqui, embora em inglês.
Com carinho
A existência de Deus não pode ser provada da mesma forma como provamos um teorema matemático. A prova da existência de Deus é feita da mesma forma como um investigador criminal e um promotor demonstram que alguém cometeu um crime de morte para o qual não houve testemunhas. Eles(as) vão juntando evidencias que de forma cumulativa acabam apontando para o culpado: impressões digitais, vestígios de DNA, falta de álibi, etc. E muita gente já foi condenada com base nesse tipo de investigação.
E uma das evidencias mais fortes para a existência de Deus é o argumento que leva em conta o início do universo. Ele é chamado na literatura de "argumento cosmológico kalam". A palavra "cosmológico" aponta para o cosmos (universo). E a palavra "kalam" vem do árabe e quer dizer "falar" - ela homenageia filósofos árabes que foram os primeiros a propor esse tipo de argumento.
O desenvolvimento do argumento
Ele tem três partes: duas premissas e uma conclusão que decorre delas - se as premissas forem verdadeiras, a conclusão automaticamente decorre delas, ou seja ela é obrigatoriamente verdadeira.
O argumento como um todo é o seguinte:
Premissa (1) Tudo que tem início precisa de uma causa como origem.
Premissa (2) O universo teve início.
E aí a conclusão - (3) o universo teve uma causa - decorre automaticamente das premissas.
Do nada, nada pode surgir
A primeira premissa - tudo que tem início precisa de uma causa como origem - parece lógica, afinal se alguma coisa surgiu é preciso ter havido uma causa para isso, porque coisas não podem surgir do nada, sem mais nem menos.
Alguns cientistas tentam sair pela tangente afirmando que coisas podem surgir de um "vácuo quântico", que seria como o "nada" - um livro recente do físico Stephen Hawkins defende exatamente essa posição. Mas, um "vácuo quântico", seja lá o que isso significa, não é "nada". Afinal, tal vácuo tem propriedades físicas e o "nada" simplesmente não pode ter qualquer tipo de propriedade.
Até porque, se fosse possível às coisas surgirem do nada, veríamos isso acontecendo de vez em quando: por exemplo, uma vaca apareceria de repente em algum lugar. E isso não acontece na prática. Portanto, a primeira premissa pode ser considerada como verdadeira.
O universo teve início
A segunda premissa - o universo teve início - gera muito mais discussões. Aqueles que acham que Deus não existe defendem a tese que o universo sempre existiu - ele é eterno e, portanto, sua duração é infinita. Assim, não é preciso encontrar uma causa para ele.
Ocorre que a própria ciência vem desmentindo essa posição. Vou citar três fatos que apontam nessa direção. O primeiro deles decorre da Segunda Lei da Termodinâmica, a qual comprovou que a energia de um sistema fechado se esgota com o tempo.
E, para que isso não venha a ocorrer, é preciso que o sistema possa receber contribuições do ambiente externo, em outras palavras, seja aberto para o exterior. Por exemplo, se o ser humano fosse um sistema fechado e não pudesse ser alimentado com nutrientes externos, ele consumiria toda a energia acumulada nos seus tecidos e depois morreria. E assim é com todos os demais sistemas - por exemplo, um carro precisa receber combustível senão para de funcionar.
Mas o universo é um sistema fechado por definição, pois nada existe fora dele. Portanto, a energia do universo vai acabar com o passar do tempo, pois ele não pode ser "alimentado" de fora. E se o universo não tivesse tido um início (ou seja, se sua duração fosse infinita), como defendem alguns, essa energia já deveria ter acabado, o que não é verdade. Assim, a Segunda Lei da Termodinãmica demonstra cientificamente que o universo precisa ter tido um início.
A outra evidencia é a chamada Teoria do Big Bang - o universo começou na expansão de um "ovo" cósmico de materia muito densa -, que já foi comprovada cientificamente. Não tenho espaço aqui para apresentar todas as evidencias disso, mas elas são contundentes. Portanto, o Big Bang também aponta para um início físico do universo.
A terceira evidencia é a expansão do próprio universo, que tem sido contínua, a partir do tal "ovo" inicial, conforme também já provado cientificamente. Ora, três importantes fisícos - Arvind Borde, Alan Guth e Alexander Vilenkin - provaram matematicamente que qualquer universo que esteja sempre em expansão obrigatoriamente teve um início (seria como "rodar" o filme da vida do universo ao contrário).
Com base nessas três evidencias e em outras que não tenho espaço para discutir aqui, fica claro que nosso universo teve início e a segunda premissa apresentada também é válida.
Qual foi a causa para o universo?
Portanto, mostrei que as duas premissas originais - (1) tudo que tem início precisa ter uma causa como origem e (2) o universo teve início.- são ambas verdadeiras. E, em consequência, a conclusão - o universo teve uma causa - decorre obrigatoriamente dessas premissas. Mas qual foi essa causa que deu início ao universo? O que podemos dizer sobre as características (propriedades) dela?
Primeiro, essa causa precisa ser eterna, ou seja não pode ter sido causada por outra coisa qualquer. Essa propriedade responde a uma objeção comum à existência de um Criador - quem teria criado o Criador? A resposta é simples: Ele não precisa ter sido criado se for eterno.
Em segundo lugar, essa causa não pode ser um mecanismo automático, como uma lei física - por exemplo, como a gravidade, que nunca pode ser "desligada". Isso porque, como essa causa é eterna, caso ela funcionasse de forma automática, incontáveis universos já teriam sido criados e não apenas um. Mas, como apenas um único universo foi criado, é preciso, portanto, que essa causa possa ser "ligada" e "desligada" de acordo com uma vontade, o que possibilitou um único caso de criação.
E, se há uma vontade, podemos dizer que há um Ser que funcionou como Criador do universo, desde que definamos ser como algo que tem vontade própria.
Esse Ser precisa estar fora do tempo. Isso porque o tempo começou junto com o início do universo. E também precisa estar fora do espaço físico, pelas mesmas razões. E apelidamos como "espírito" ao ser que está fora do espaço físico, ou seja é imaterial.
Essa Ser também precisa ter um poder além de qualquer imaginação, senão não seria possível causar o início do universo.
Em resumo, podemos concluir que o Criador é um Ser muito especial: é um espírito eterno, com vontade própria, imensamente poderoso e fora do tempo. Ora, tudo isso bate com a descrição que a Bíblia faz de Deus. Portanto, estamos no bom caminho - começa a emergir um retrato que aponta para Deus.
É claro que é preciso comprovar também que esse Ser tem outros atributos - como perfeição e amor -, para podermos dizer que se trata de Deus. Mas, como disse antes, é preciso juntar um conjunto de evidencias para montar o caso completo. Neste post dei apenas um passo - apresentei o "argumento cosmológico kalam" -, mas há muito mais para falar a respeito da comprovação da existência de Deus, o que fica para posts futuros.
PS Quem estiver interessado em estudar essa questão com mais profundidade, sugiro o livro "Em guarda", de William Lane Craig. O site desse autor - www.reasonablefaith.org - tem muitas informações adicionais e até um pequeno filme sobre tudo que discuti aqui, embora em inglês.
Com carinho
sábado, 25 de maio de 2013
O PEQUENO CAMINHO DE RUTH LEMING
Era uma vez uma família que morava numa pequena cidade - cerca de 2.000 habitantes - no interior dos Estados Unidos. A família teve dois filhos - um menino (Rod) e uma menina (Ruth) - e levou uma vida bastante normal, como tantas outras. Era uma família religiosa que frequentava uma pequena igreja Metodista, como é muito comum no interior dos Estados Unidos.
Mas a família tinha um problema incomum que causou muito sofrimento. Rod era um intelectual e não uma pessoa voltada para atividades físicas. Ora, no tipo de ambiente em que moravam, a prova de masculinidade era gostar de atividades ao ar livre - caçar, pescar e acampar. Mas o prazer de Rod era frequentar bibliotecas e frequentar encontros políticos.
Por conta disso, ele sofreu bullying na escola e nunca se sentiu adaptado àquela pequena cidade. E assim que pode foi para a cidade grande. Formou-se em jornalismo e passou a ter uma vida intelectual muito ativa, escrevendo para vários jornais, escrevendo livros e mantendo diversos blogs.
A irmã, Ruth, era diferente: sempre se adaptou perfeitamente à vida no interior, pois achava que ali estava tudo o que queria e precisava. Formou-se professora, casou-se com seu primeiro namorado, teve três filhas e ficou morando na mesma cidade onde nasceu.
E Ruth era uma pessoa especial, extremamente bondosa e gentil, querida pela cidade toda. E, de certa forma, era o filho que o pai deles queria ter tido, pois gostava da vida ao ar livre. É claro que Ruth não era perfeita, pois rejeitou seu irmão, já que não podia entender sua forma diferente de ser.
Rod, sentindo-se rejeitado pela própria família, reagiu de forma agressiva e a família acabou meio rachada, embora ele nunca tenha deixado totalmente de frequentar a casa dos pais. E esse processo negativo acabou por levar Rod a uma vida espiritual confusa, conforme ele mesmo reconhece, durante a qual ele passou por diversas religiões, sem se sentir "em casa" em qualquer delas. E isso gerou outra fonte de crítica a ele, pois Ruth nunca entendeu a inquietude do irmão: "Será que meu irmão pensa que os metodistas não são suficientemente bons para ele?"
Anos depois, Ruth foi diagnosticada com um câncer intratável no pulmão e não durou muito (menos de dois anos). Sua doença teve um impacto enorme na cidade - uma coisa muito boa nas cidades do interior é a solidariedade que elas conservam, coisa que ficou meio perdida nas cidades grandes.
Os vizinhos fizeram uma coleta para levantar fundos para o tratamento dela e entradas para o evento foram vendidas a R$ 20 por pessoa. E veio gente durante toda a noite e muitos pagavam com notas de cem e deixavam o troco.
Certo homem voltou a orar, depois de muitos anos, pois queria fazer algo por Ruth e isso era o que estava ao seu alcance. Pessoas separadas por questões políticas - algo muito sério em cidades pequenas - se reconciliaram, porque participaram de reuniões onde todos oravam por ela. O homem que foi o principal responsável pelo bullying que Rod sofreu, quando jovem, telefonou-lhe para fazer as pazes. Exemplos como esses se multiplicaram.
E, ao longo desse processo todo, Rod acabou fazendo as pazes com sua cidade, com suas origens. Mas somente teve consciência plena disso depois do enterro da irmã, quando finalmente percebeu que toda a mágoa tinha acabado - ela acabou por voltar a morar na sua cidade para ficar perto da sua família.
Naturalmente, durante a doença de Ruth, as pessoas da cidade se perguntavam porque uma pessoa tão boa tinha que passar por aquele sofrimento. Qual seria o objetivo de Deus ao permitir esse tipo de coisa?
Ruth sempre disse para todos não ficarem zangados com Deus, para verem o lado positivo das coisas e que sabia que Deus estava com ela. E sua fé tornou-se um exemplo para todos.
O fato é que naquela cidade Deus usou o sofrimento de uma mulher para mudar a vida espiritual de toda uma comunidade. Injusto com a mulher, poderia pensar alguém, pois, de certa forma pagou, foi ela que pagou o preço pelo BEM que aconteceu.
Há sentido nesse argumento, mas não podemos esquecer que o sacrifício de Jesus foi exatamente isso, mas em escala muito maior: Ele carregou sobre si nossos pecados até a cruz. E se Deus não hesitou em usar seu próprio Filho dessa forma, não há porque estranhar o que aconteceu com Ruth.
Rod escreveu um livro maravilhoso para relatar toda essa experiência, mas que ainda não foi traduzido para o Português ("The little way of Ruthie Leming", cuja tradução deveria ser "O pequeno caminho de Ruthie Leming").
E ele conta que, quando estava orando por Ruth, em dado momento sentiu uma presença maravilhosa que lhe revelou que ela não iria sobreviver, mas que haveria muito BEM vindo de tudo aquilo. Em paralelo, Ruth também teve uma experiência espiritual que lhe tirou todo o medo, comprovando o cuidado que Deus teve com ela.
E quero terminar com um ensinamento que está no livro: "a vida não é um mistério a ser decifrado, mas uma experiência a ser vivida com fé e em comunidade".
Com carinho
Mas a família tinha um problema incomum que causou muito sofrimento. Rod era um intelectual e não uma pessoa voltada para atividades físicas. Ora, no tipo de ambiente em que moravam, a prova de masculinidade era gostar de atividades ao ar livre - caçar, pescar e acampar. Mas o prazer de Rod era frequentar bibliotecas e frequentar encontros políticos.
Por conta disso, ele sofreu bullying na escola e nunca se sentiu adaptado àquela pequena cidade. E assim que pode foi para a cidade grande. Formou-se em jornalismo e passou a ter uma vida intelectual muito ativa, escrevendo para vários jornais, escrevendo livros e mantendo diversos blogs.
A irmã, Ruth, era diferente: sempre se adaptou perfeitamente à vida no interior, pois achava que ali estava tudo o que queria e precisava. Formou-se professora, casou-se com seu primeiro namorado, teve três filhas e ficou morando na mesma cidade onde nasceu.
E Ruth era uma pessoa especial, extremamente bondosa e gentil, querida pela cidade toda. E, de certa forma, era o filho que o pai deles queria ter tido, pois gostava da vida ao ar livre. É claro que Ruth não era perfeita, pois rejeitou seu irmão, já que não podia entender sua forma diferente de ser.
Rod, sentindo-se rejeitado pela própria família, reagiu de forma agressiva e a família acabou meio rachada, embora ele nunca tenha deixado totalmente de frequentar a casa dos pais. E esse processo negativo acabou por levar Rod a uma vida espiritual confusa, conforme ele mesmo reconhece, durante a qual ele passou por diversas religiões, sem se sentir "em casa" em qualquer delas. E isso gerou outra fonte de crítica a ele, pois Ruth nunca entendeu a inquietude do irmão: "Será que meu irmão pensa que os metodistas não são suficientemente bons para ele?"
Anos depois, Ruth foi diagnosticada com um câncer intratável no pulmão e não durou muito (menos de dois anos). Sua doença teve um impacto enorme na cidade - uma coisa muito boa nas cidades do interior é a solidariedade que elas conservam, coisa que ficou meio perdida nas cidades grandes.
Os vizinhos fizeram uma coleta para levantar fundos para o tratamento dela e entradas para o evento foram vendidas a R$ 20 por pessoa. E veio gente durante toda a noite e muitos pagavam com notas de cem e deixavam o troco.
Certo homem voltou a orar, depois de muitos anos, pois queria fazer algo por Ruth e isso era o que estava ao seu alcance. Pessoas separadas por questões políticas - algo muito sério em cidades pequenas - se reconciliaram, porque participaram de reuniões onde todos oravam por ela. O homem que foi o principal responsável pelo bullying que Rod sofreu, quando jovem, telefonou-lhe para fazer as pazes. Exemplos como esses se multiplicaram.
E, ao longo desse processo todo, Rod acabou fazendo as pazes com sua cidade, com suas origens. Mas somente teve consciência plena disso depois do enterro da irmã, quando finalmente percebeu que toda a mágoa tinha acabado - ela acabou por voltar a morar na sua cidade para ficar perto da sua família.
Naturalmente, durante a doença de Ruth, as pessoas da cidade se perguntavam porque uma pessoa tão boa tinha que passar por aquele sofrimento. Qual seria o objetivo de Deus ao permitir esse tipo de coisa?
Ruth sempre disse para todos não ficarem zangados com Deus, para verem o lado positivo das coisas e que sabia que Deus estava com ela. E sua fé tornou-se um exemplo para todos.
O fato é que naquela cidade Deus usou o sofrimento de uma mulher para mudar a vida espiritual de toda uma comunidade. Injusto com a mulher, poderia pensar alguém, pois, de certa forma pagou, foi ela que pagou o preço pelo BEM que aconteceu.
Há sentido nesse argumento, mas não podemos esquecer que o sacrifício de Jesus foi exatamente isso, mas em escala muito maior: Ele carregou sobre si nossos pecados até a cruz. E se Deus não hesitou em usar seu próprio Filho dessa forma, não há porque estranhar o que aconteceu com Ruth.
Rod escreveu um livro maravilhoso para relatar toda essa experiência, mas que ainda não foi traduzido para o Português ("The little way of Ruthie Leming", cuja tradução deveria ser "O pequeno caminho de Ruthie Leming").
E ele conta que, quando estava orando por Ruth, em dado momento sentiu uma presença maravilhosa que lhe revelou que ela não iria sobreviver, mas que haveria muito BEM vindo de tudo aquilo. Em paralelo, Ruth também teve uma experiência espiritual que lhe tirou todo o medo, comprovando o cuidado que Deus teve com ela.
E quero terminar com um ensinamento que está no livro: "a vida não é um mistério a ser decifrado, mas uma experiência a ser vivida com fé e em comunidade".
Com carinho
quarta-feira, 15 de maio de 2013
O DEPOIMENTO DE UMA MULHER CORAJOSA
"...Eu tenho um gene defeituoso, BRCA1, que aumenta radicalmente minha chance de desenvolver cancer de mama e dos ovários. Meus médicos estimaram que tinha 87% de chance de desenvolver câncer de mama e 50% de ovário, embora esse risco varie para cada mulher.
Assim que fiquei sabendo dessa realidade, decidi ser pró-ativa e minimizar o risco o quanto pudesse. Tomei a decisão de fazer uma mastectomia dupla preventiva. Comecei com os meus seios, porque o risco de cêncer ovariano é menor e a cirurgia dos seios é muito mais complicada.
... Estou divulgando essa informação porque espero que outras mulheres possam se beneficiar da minha experiência. O câncer ainda é uma palavra que causa medo no coração das pesoas, produzindo um profundo sentimento de impotência. Mas hoje é possível saber através de um simples exame de sangue se você é altamente suscetível de de desenvolver esses tipos de câncer e fazer algo a respeito.
... A decisão de fazer uma mastectomia não foi simples. Mas eu me alegro de tê-la tomado. Minhas chances de desenvolver câncer de mama cairam de 87% para apenas 5%. Posso dizer para meus filhos que não precisam mais ter medo de me perder para o câncer de mama.
... Em termos pessoais, eu não me sinto menos mulher. Sinto-me fortalecida por ter feito uma escolha importante que de nenhuma maneira diminuiu minha feminilidade... Angelina Jolie, artista, 37 anos
Achei esse depoimento tão importante que quis dividi-lo com vocês. Embora Angelina não seja cristã, o que ela disse e fez está em total acordo com o que a Bíblia ensina.
Primeiro, ela não teve medo de dar seu testemunho - falar sobre o que viveu e os resultados que obteve. Testemunho é uma palavra bonita para propaganda boca-a-boca, coisa que fazemos normalmente, recomendando lojas, restaurantes, etc. Mas muitas vezes não dividimos dificuldades por vergonha ou para manter a imagem que temos. Testemunho é sobretudo um ato de amor ao próximo, uma forma de ajudar os outros a não cometerem os mesmos erros.
Em segundo lugar, Angelina foi pró-ativa - conheceu seu problema e foi atrás da melhor solução ao seu alcance. Não ficou sentada, adiando a decisão.
Depois, ela teve responsabilidade com seu corpo, coisa que poucas pessoas fazem de forma efetiva. As pessoas sabem que não podem fazer certas coisas (como comer determinados alimentos) ou que precisam fazer outras (como exercícios) e não fazem o que precisam - ficam adiando (eu mesmo nunca faço os exercícios físicos que preciso). Nosso corpo, ensina a Bíblia, é uma dádiva de Deus e o templo do Espírito Santo e é nossa obrigação cuidar bem dele.
Em quarto lugar, ela passou uma mensagem de esperança - de que é possível olhar os problemas da vida de frente, ao invés de ficar se lamentando e culpando Deus e/ou os outros.
Finalmente, ela provou que ser mulher é muito mais do que simplesmente manter um corpo perfeito - e precisamos lembrar que ela é uma artista, para quem a imagem física é muito importante.
Bravo, Angelina. Belo exemplo.
sábado, 11 de maio de 2013
PECADO POR OMISSÃO
A foto acima causou-me uma enorme impressão - trata-se de um casal abraçado na morte, que chegou para eles pelo desmoronamento de um prédio em Bangladesh.
Trabalhavam naquele prédio milhares de pessoas em condições de semi-escravidão - mais de mil dentre elas morreram no desastre -, fabricando roupas baratas, que eram exportadas para os mercados internacionais.
Fquei pesnando sobre como ouço falar com frequencia sobre como as roupas são baratas em locais como Miami e Nova Iorque - as pessoas chegam a viajar sem levar qualquer nada para comprarem um enxoval completo lá a preços inacreditáveis.
E é evidente que algo não pode estar certo para que esses artigos custem tão barato. No caso, o que está envolvido é o trabalho escravo de milhares de infelizes. Mas isso só acontece porque há quem tira proveito disso tudo.
As empresas ganham ao vender mais por terem preços menores e os consumidores também ganham porque conseguem artigos aos quais nunca poderiam ter tido acesso se eles fossem vendidos a preços normais. Assim, todos ficam felizes e o mal se perpetua.
É parecido ao que acontece quando alguém oferece um celular que custa cerca de 2 mil reais por 10% desse valor - é claro que se trata ou de uma falsificação ou de mercadoria roubada. Mas há pessoas que, por ignorancia ou não se importarem, acabam comprando.
Depois desse desastre ganhar as manchetes internacionais, lojas americanas importantes se dissseram "horrorizadas" e asseguraram que vão cancelar seus contratos com os fornecedores que operavam no prédio que desmoronou. O que não conatarm é que vão assinar contratos com fornecedores semelhantes, de outros lugares. E vai tudo continuar no mesmo.
Temos aqui o caso clássico do que a Bíblia chama de "pecado por omissão" - as pessoas se omitem porque não querem saber e permitem a perpetuação do mal. Elas olham para o lado e seguem com suas vidas, sem perceber que seu estilo de vida contribui para manter a perversidade da sociedade moderna. Pense nisto.
A MORTE DE UM HOMEM ESPECIAL
Morreu nesta semana, aos 77 anos, depois de longa batalha contra o cancer, o filósofo cristão Dallas Willard. Ele é o autor de vários livros muito importantes, dentre os quais recomendo dois: "A Conspiração Divina" e "O Espírito das Disciplinas".
Transcrevo abaixo parte do depoimento dado por outro filósofo vcristão à revista Christianity Today a respeito dos ensinamentos deixados por Dallas, que têm tido grande influência no meio cristão:
" Muitos de nós na igreja cristã fomos influenciados pelos ensinamentos de Dallas, normalmente caracterizados como voltados para 'formação espiritual', embora a preocupação real dele sempre tenha sido o 'Reino de Deus' ou, como ele sempre disse 'a vida com Deus'.
Dallas nos ensinou que há quatro grandes questões que os seres humanos precisam responder: O que é a realidade? O que é uma vida boa? Quem é uma boa pessoa? E como eu posso me tornar uma boa pessoa?
Sua meta sempre foi responder essas perguntas, e viver plenamente as respostas. E ele tinha a certeza que ninguém fez isso melhor do que Jesus Cristo".
Eu devo muito aos ensinamentos dele, presentes em vários posts deste blog. Dallas, que Deus o recompense por tudo que fez. Descanse em paz na glória do Senhor.
Com carinho
domingo, 28 de abril de 2013
O PODER DA MíDIA
Alguns anos atrás, duas noticias chamaram minha atenção, por provarem mais uma vez o poder da mídia. Além disso, demonstram como esse poder pode estar a serviço não de informar o público, mas sim de outros interesses.
A piada de mau gosto
Uma simples piada de mau gosto custou alguns bilhões de dólares para alguns investidores. Alguém invadiu a conta de Twitter da Associated Press e soltou uma mensagem dizendo que tinha havido um atentado terrorista e o então Presidente Obama tinha sido ferido.
Essa mensagem provocou a queda da Bolsa de Valores de Nova Iorque durante quase meia hora. Bilhões de dólares foram perdidos por alguns investidores que venderam suas ações na pressa. Enquanto isso, outros lucraram exatamente aquilo que foi perdido. E assim que a notícia foi desmentida, a Bolsa de Valores voltou a subir.
Eu fico chocado com o poder que um único órgão de mídia tem de mudar o humor da Bolsa de Valores. Basta escrever e publicar algumas poucas palavras.
O carniceiro
Você já ouviu falar de Kermit Gosnell? Acredito que não. Poucas pessoas sabem quem ele é e o que fez. E isso porque a grande mídia construiu uma barreira de silêncio sobre o caso dele, que começou nos Estados Unidos, onde mora, e se espalhou por outros países, inclusive o Brasil.
Não sei se você sabe que o aborto é permitido nos Estados Unidos, desde que a gestação ainda não tenha passado de determinado prazo (normalmente, 20 semanas). Basta a gestante ir até uma clínica especializada nesse tipo de atendimento, assinar um papel e o procedimento de aborto é feito de forma legal. Nenhuma pergunta é feita.
Gosnell é um médico que tocava uma dessas clínicas de aborto. Mas, com detalhe diferente: ele fazia abortos em fetos com muito mais tempo de gestação. Acabou preso e seu julgamento virou um show de horrores.
Não vou entrar aqui nos detalhes, mas basta saber que ele abortava crianças que já tinham condições de sobreviver sozinhas, fora do útero materno, e as matava cortando sua coluna cervical com uma tesoura.
É claro que as alegações de sempre foram feitas: as mães que procuravam esse tipo de ajuda eram pobres, sem condições de cuidar dos filhos e assim por diante. Mas, a grande mídia americana (assim com a brasileira) nunca reconheceu que naquela clínica foram cometidos assassinatos em série. Gosnell é um dos maiores assassinos da história, pelo número de bebês que matou, embora somente cinco deles foram amplamente provados e usados na sua condenação.
Porque a mídia, que adora relatar assassinatos e outras violências, praticamente nada falou sobre esse caso? Foi a mídia especializada cristã quem pegou o assunto e não deixou a notícia morrer.
A razão para esse silêncio absurdo é clara: não havia interesse em falar disso. Isso porque a grande mídia, de forma geral, é a favor do aborto sem grandes restrições, considerando isso como uma conquista da mulher. E um caso como esse é muito negativo para quem defende essa causa. Mais um exemplo de uso do poder sem limites que a grande mídia tem.
Não se esqueça, portanto, que as notícias que chegam até você são somente aquelas que a grande mídia deseja divulgar. Essa é uma realidade triste que não pode ser nunca esquecida. Portanto, procure outros meios de informação - como sites independentes, blogs de autores confiáveis e assim por diante. Lá você vai encontrar as informações que lhe são muitas vezes negadas.
Com carinho
segunda-feira, 22 de abril de 2013
PESSOAS DIFERENTES, VALORES DESIGUAIS
Acho que todos acompanharam as notícias sobre o atentado ocorrido dias atrás durante a Maratona de Boston, que matou 3 pessoas e feriu dezenas de outras de forma grave - várias pessoas tiveram membros amputados.
O que será que passa pela cabeça das pessoas que planejaram e cometeram um ato tão horrível? Fica até difícil encontrar uma explicação convincente, a não ser a prática do mal, puro e simples.
E o que os orgãos de segurança dos vários países podem fazer para evitar esse tipo de ameaça? Muito pouco. Infelizmente aconteceu mais uma vez e voltará a acontecer novamente.
Nessas horas só nos resta pedir a Deus que tenha misericórdia de nossa sociedade, tão fraturada, incapaz de fazer as pessoas felizes e torná-las equilibradas, apesar de toda a riqueza acumulada.
Agora, no meio disso tudo, eu vislumbro outro mal, disfarçado, mas tão grande quanto o primeiro: a diferença que existe no valor dado às vidas das pessoas.
Eu li uma estatística sobre o número de baixas causadas nos últimos meses por atentados a bombas no Iraque - foram muitas centenas de mortes e milhares de feridos. Mas esse ataque em Boston, sozinho, ocupou muito mais atenção da mídia internacional do que a soma de todos essas desgraças no Iraque. Por que será que isso ocorre?
Creio que há duas razões. A primeira é que as pessoas se acostumam até com o mal. Atentados no Iraque, Paquistão, Afganistão e alguns outros países pobres são tão frequentes, que acabaram caindo na rotina. E as pessoas tendem a se acostumar com as coisas que estão sempre presentes, mesmo aquelas que são ruins. Basta lembrar o sofrimento mudo de milhões de brasileiros/as, todos os dias, durante horas no trânsito ou nas filas do SUS.
A mídia se interessa apenas pelo novo e um atentado em Boston é algo que nunca aconteceu. Já no Iraque, acontece todo dia.
A segunda razão é ainda pior: por mais que se tente dizer o contrário, na prática, as vidas das pessoas têm valores diferentes. Um cidadão dos Estados Unidos vale muito mais do que um do Iraque. Ricos valem mais do que pobres. E, em muitos países, brancos valem mais do que negros. Não deveria ser assim, mas se ilude quem acha que é diferente.
Essa diferença vai contra os ensinamentos da Bíblia - Deus ama todas as suas criaturas de forma igual, sem levar em conta sexo, etnia ou origem cultural e cultural.
Mas, na sociedade moderna, a realidade com a qual temos que conviver diariamente é bem diferente e muito triste. Portanto, também não é por acaso, que a Bíblia nos diz que o mundo (a sociedade moderna) jaz no Maligno.
E essa é a realidade com a qual temos que aprender a viver. E felizmente contamos com a presença do Espírito Santo para nos ajudar nessa caminhada.
Com carinho
O que será que passa pela cabeça das pessoas que planejaram e cometeram um ato tão horrível? Fica até difícil encontrar uma explicação convincente, a não ser a prática do mal, puro e simples.
E o que os orgãos de segurança dos vários países podem fazer para evitar esse tipo de ameaça? Muito pouco. Infelizmente aconteceu mais uma vez e voltará a acontecer novamente.
Nessas horas só nos resta pedir a Deus que tenha misericórdia de nossa sociedade, tão fraturada, incapaz de fazer as pessoas felizes e torná-las equilibradas, apesar de toda a riqueza acumulada.
Agora, no meio disso tudo, eu vislumbro outro mal, disfarçado, mas tão grande quanto o primeiro: a diferença que existe no valor dado às vidas das pessoas.
Eu li uma estatística sobre o número de baixas causadas nos últimos meses por atentados a bombas no Iraque - foram muitas centenas de mortes e milhares de feridos. Mas esse ataque em Boston, sozinho, ocupou muito mais atenção da mídia internacional do que a soma de todos essas desgraças no Iraque. Por que será que isso ocorre?
Creio que há duas razões. A primeira é que as pessoas se acostumam até com o mal. Atentados no Iraque, Paquistão, Afganistão e alguns outros países pobres são tão frequentes, que acabaram caindo na rotina. E as pessoas tendem a se acostumar com as coisas que estão sempre presentes, mesmo aquelas que são ruins. Basta lembrar o sofrimento mudo de milhões de brasileiros/as, todos os dias, durante horas no trânsito ou nas filas do SUS.
A mídia se interessa apenas pelo novo e um atentado em Boston é algo que nunca aconteceu. Já no Iraque, acontece todo dia.
A segunda razão é ainda pior: por mais que se tente dizer o contrário, na prática, as vidas das pessoas têm valores diferentes. Um cidadão dos Estados Unidos vale muito mais do que um do Iraque. Ricos valem mais do que pobres. E, em muitos países, brancos valem mais do que negros. Não deveria ser assim, mas se ilude quem acha que é diferente.
E não é por acaso que as pessoas tentam emigrar dos países mais pobres para os mais ricos, para passarem a ter mais valor como seres humanos.
Essa diferença vai contra os ensinamentos da Bíblia - Deus ama todas as suas criaturas de forma igual, sem levar em conta sexo, etnia ou origem cultural e cultural.
Mas, na sociedade moderna, a realidade com a qual temos que conviver diariamente é bem diferente e muito triste. Portanto, também não é por acaso, que a Bíblia nos diz que o mundo (a sociedade moderna) jaz no Maligno.
E essa é a realidade com a qual temos que aprender a viver. E felizmente contamos com a presença do Espírito Santo para nos ajudar nessa caminhada.
Com carinho
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