segunda-feira, 31 de outubro de 2016

VOCÊ PRECISA CONHECER A VERDADE TODA E NÃO PARTE

Jesus respondeu: "Eu lhes asseguro que, se vocês tiverem fé e não duvidarem, poderão fazer não somente o que foi feito à figueira, mas também dizer a este monte: ‘Levante-se e atire-se no mar’, e assim será feito. E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão". Mateus capítulo 21, versículos 21 e 22
Esses são dois dos versículos mais queridos da Bíblia, pois nos enchem de esperança. Eles ensinam que, com base na fé, podemos mover o poder do Espírito Santo a nosso favor - eu mesmo já vi muitas coisas extraordinárias acontecerem com base no exercício da fé pessoal. 

Agora, se formos sinceros, também acontece o inverso: pedidos feitos com fé ainda assim não são atendidos por Deus. Como explicar esse aparente contradição?

Algumas pessoas tentam simplificar a discussão dizendo que os pedidos sem resposta não foram embasados na fé necessária, o que, em muitos casos, não é verdade. Há outra coisa aí acontecendo aí. 

A confusão, acredito eu, nasce do fato que a Bíblia não é um "livro texto" de teologia e normalmente a tratamos como se fosse. Vou tentar me explicar melhor.

Quando você vai estudar determinado assunto na escola - por exemplo, química -, usa um livro-texto que apresenta toda a teoria de forma ordenada, passo a passo. Cada capítulo do livro discute um tema específico - por exemplo, como o átomo se organiza (prótons, nêutrons e elétrons) e causa as reações químicas - e nesse capítulo estará tudo que você precisa saber sobre esse tema específico. 

Assim, ao acabar de estudar um capítulo do seu livro-texto, você pode ter certeza que recebeu todo o conhecimento necessário relacionado com aquele tema específico - por exemplo, no capítulo sobre a organização do átomo, você terá tudo que precisa saber sobre esse tema para poder estudar química.

Mas a Bíblia não é um livro-texto. Não está organizada com base em capítulos que trazem todo o conhecimento relacionado com determinado tema.

Portanto, se você estudar um livro da Bíblia (p. ex. Mateus), não pode ter certeza que ali está todo o ensinamento bíblico sobre determinado tema (p. ex. a resposta a orações). Ocorre que, além do ensinamento em Mateus, há também algo importante sobre resposta a orações em outro livro da Bíblia, no caso Tiago (capítulo 4, versículo 3), onde está dito:
Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres.
O texto de Tiago ensina que se você pedir algo a Deus que seja errado, que contrarie os mandamentos dados por Ele, não vai ser atendido(a). E isso faz todo sentido.

Não basta apenas pedir com fé, conforme dito em Mateus - a fé é necessária, mas não é suficiente. Também é preciso saber pedir a coisa certa. E os dois requisitos se complementam - ainda há outros versículos na Bíblia contendo ensinamentos sobre esse tema, mas vou ficar apenas nesses dois.

Somente quando você tiver estudado tudo que todos os livros da Bíblia falam a respeito de um determinado tema é que poderá ter certeza de dispor do ensinamento bíblico completo. Não há dúvida que isso dificulta as coisas e você até pode não gostar do que estou dizendo, mas essa é a realidade.

E é por isso que existe um ramo do estudo bíblico chamado "teologia sistemática" que procura remediar essa dificuldade. Num livro-texto de teologia sistemática, o(a) autor(a) lida com cada tema importante da fé cristã - "salvação", "resposta a orações", "Trindade", etc - e apresenta, de forma articulada, todos os ensinamentos bíblicos sobre esse determinado tema. Aí sim, é possível ter um panorama completo do tema de interesse.

Pouca gente estuda livros de teologia sistemática - a maior parte das pessoas nunca nem viu um livro desses. E aí, na prática, as pessoas se limitam a estudar "pedaços" da verdade bíblica, a partir dos versículos que conhecem, acabando por cometer erros teológicos que nem percebem estar fazendo.

Outro problema relacionado com a característica bíblica de não apresentar os ensinamentos de forma sistematizada é o abuso do texto bíblico. Há quem propositadamente "pince" versículos e construa doutrina em cima daquele "pedaço" da verdade, sem se preocupar com o restante do ensinamento bíblico. E infelizmente acabam sendo gerados verdadeiros absurdos.

Um exemplo é o texto de 1 Tessalonicenses capítulo 5, versículo 22, que recomenda para os(as) cristãos(ãs) "afastarem-se de toda forma de mal". Mas esse versículo não explica o que é "o mal" do qual é preciso fugir. Será Satanás? Ou hábitos e pensamentos errados? Ou tudo isso junto?

Para entender o ensinamento completo, é preciso recorrer a inúmeras outras passagens da Bíblia. Mas infelizmente muitos(as) líderes não fazem isso e simplesmente usam esse versículo e interpretam o conceito de "mal" como querem. E aí nascem doutrinas dizendo que cristãos(ãs) não podem ver esse ou aquele programa de televisão, não devem colocar enfeites de Natal, não podem dançar ou ir a determinadas festas e assim por diante, pois tudo isso é parte do "mal", quando não há respaldo bíblico para essas afirmações.

Concluindo, sempre tenha em mente, ao ler a Bíblia, que os versículos que você estiver lendo provavelmente reflete apenas um "pedaço" da verdade bíblica sobre aquele tema. Pode haver mais, bem mais, em outras partes da Bíblia. E somente o ensinamento completo vai dar a você a direção certa.

Com carinho

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A VIDA NA PALESTINA NA ÉPOCA DE JESUS

As pessoas na época de Jesus e dos apóstolos viviam de forma muito diferente de nós. Moradias, comida, roupas, relações familiares, etc, nada disso era similar ao que temos hoje. As coisas mudaram muito.

Os(as) historiadores(as) conseguiram compor um quadro bastante preciso de como era a vida no tempo de Jesus, na Palestina, com base nos relatos do Novo Testamento, nos estudos de documentos históricos e nas descobertas arqueológicas. E isso é de grande utilidade para quem estuda a Bíblia.

Faço a seguir um breve relato de como essa vida era no dia-a-dia. O quadro que emerge não é nada bonito: as pessoas eram muito pobres e tinham vida muito difícil, para os padrões atuais.

As pessoas viviam muito pouco - a expectativa de vida era de apenas quarenta anos -, não tinham qualquer conforto, passavam dificuldades de toda sorte. Mal tinham o suficiente para matar a fome. Na realidade, as pessoas pobres hoje em dia tem padrão de vida melhor do que as pessoas de uma forma geral no tempo de Jesus. Vejamos alguns detalhes:

Forma de moradia
As pessoas viviam em casas feitas de tijolos, fabricados com barro e palha, secos ao sol. Esse material era muito parecido com o que os israelitas faziam para os egípcios durante seu período de escravidão, cerca de 1.500 anos antes de Jesus.

O piso dessas casas era normalmente de terra batida - apenas em residências mais ricas, o piso era de pedras. 

Os telhados eram planos e feitos de vigas de madeira entrelaçadas com ramos de árvores, com os espaços vedados por argila seca. Naturalmente, quando chovia, a água amolecia e removia parte dessa argila e apareciam goteiras... 

O pé-direito das casas era pouco maior do que dois metros, bem menos do que os padrões atuais, comprovando que as pessoas eram baixas - isso faz sentido, considerando os padrões nutrição deficientes daquela época.

O telhado também servia como local para dormir nos dias mais quentes do ano. Por isso costumava ter um parapeito de madeira para impedir que as pessoas caíssem. Um lance de escadas externo levava do térreo até o telhado.

As casas eram pequenas, abafadas e escuras, porque quase não haviam janelas, por motivo de segurança. A iluminação era ruim, tanto pela falta de luz natural, como também porque a luz artificial, vinda de lâmpadas de óleo, era precária.

As moradias não tinham água corrente e nem esgoto e, portanto, eram sujas para nossos padrões atuais. A água era conseguida em poços comunitários, sendo colhida e transportada em jarros de barro, tarefa muito cansativa.

A moradia de uma família mais simples, como a de Jesus e da maioria dos seus discípulos, costumava ser formada por um único cômodo, sendo uma parte elevada, onde eram colocadas esteiras de dormir, arcas para roupas e utensílios de cozinha. À noite, os animais normalmente ocupavam a parte mais baixa do cômodo, para ficarem protegidos. Quando os animais não estavam ali, as crianças usavam o espaço livre para brincar.

As camas eram feitas de esteiras colocadas diretamente sobre o piso, cobertas por mantas - somente pessoas mais ricas tinham camas. Não haviam mesas e nem cadeiras - a mobília era muito escassa. 

Comida
Os judeus costumavam comer duas refeições por dia: uma por volta do meio dia e outra no começo da noite. Sua dieta consistia de pão (aquele tipo que hoje chamamos de “árabe”), leite e queijo de cabra, vegetais e frutas. Em locais próximo do mar ou lagos, contavam também com peixes. Carne (cabrito ou carneiro), assada ou cozida, e vinho, diluído em água, somente eram consumidos em dias especiais.

As pessoas comiam reclinadas (nas ocasiões mais formais), acocoradas ou sentadas no chão. 

Vestuário
Os homens usavam túnicas, que iam até os joelhos. Um cinto era usado na altura da cintura, onde eram penduradas facas, ferramentas, etc. No inverno, usavam um manto ou capa pesada para se abrigar melhor. As roupas eram normalmente brancas.

As mulheres usavam uma túnica curta, como roupa de baixo, e sobre ela, uma túnica colorida, que ia até os pés. Os adornos eram fitas coloridas e miçangas - as joias eram raras. Mantos eram usados para abrigar melhor no inverno.

Vida em família
Grupos familiares grandes, formados por várias gerações de pessoas, eram comuns. A família era a base da sociedade e as relações de parentesco tinham grande importância.

O nascimento de um bebê do sexo masculino era motivo de grande alegria, mas bebês do sexo feminino eram motivo de desapontamento. No oitavo dia de vida, o garoto era circuncidado e recebia um nome, enquanto a menina podia ficar até um mês sem nome.

As famílias não tinham sobrenome para diferenciá-las. Por causa disso, as pessoas de mesmo nome eram distinguidas mediante o uso do nome do pai e até do avô - por exemplo, há uma passagem na Bíblia que Jesus se refere a Pedro como "Simão Barjonas", que quer dizer "Simão" (seu nome) "filho" (bar) de "Jonas" (nome do seu pai). Também podia ser feita referencia à convicção política da pessoa (p. ex. "Simão, o Zelote"), à sua profissão (p. ex. "José, o carpinteiro") ou ao local de onde a pessoa vinha (p. ex "José de Arimateia" ou "Maria de Magdala ou Madalena").

Casamentos eram ocasiões festivas, que geravam comemorações de mais de um dia. As pessoas vestiam suas melhores roupas, a comida incluía os melhores pratos, havia música e dança. As pessoas se casavam muito cedo, assim que amadureciam sexualmente e podiam gerar filhos(as), já que a vida era curta.

As mortes eram frequentes e os enterros eram caracterizados por atos exteriores de sofrimento, como rasgar as próprias roupas, jejuar e cobrir-se de cinzas. Também eram usadas carpideiras, profissionais contratadas para chorar.

Palavras finais
A dificuldade da vida nos tempos de Jesus deve fazer apreciar ainda mais o que aquelas pessoas conseguiram fazer, contando com tão poucos recursos e tendo que superar tantas dificuldades. Seu exemplo de vida é uma grande lição para nós.

Com carinho

terça-feira, 25 de outubro de 2016

NOÉ

A história de Noé é bastante conhecida: a arca, o dilúvio, etc. O que talvez não seja tão conhecido assim é o fato que essa história é um chamado de Deus para sermos íntegros. Para vivermos uma vida digna aos seus olhos.

Eu falo sobre a história de Noé e os ensinamentos que ela traz para nossas vidas num novo vídeo. Aproveite:


domingo, 23 de outubro de 2016

A CASA VAZIA

E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso e não o encontra. Então diz: Voltarei para a minha casa, de onde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Mateus capítulo 12, versículos 43 a 45
A Bíblia ensina que os demônios - espíritos do mal - agem sobre os seres humanos para causar-lhes mal. E essa ação pode ser de três tipos: em ordem crescente do impacto causado, tentação, opressão e possessão. Tentação - a exploração pelos demônios das necessidades e desejos da pessoa para levá-la ao pecado - é uma experiência pela qual todo mundo passa. Até Jesus sofreu tentação (Mateus capítulo 4, versículos 1 a 11), portanto, não é disso que a passagem trata. 

Opressão é a situação onde a pessoa torna-se foco da ação de um demônio, para causar-lhe sentimentos ruins e incontroláveis, como ataques de raiva inexplicáveis, medos sem sentido, ansiedade sem medida, etc. Não foi à opressão que Jesus se referiu porque essa é uma influência externa à pessoa e, na passagem acima, Jesus claramente descreveu uma ação interna - o demônio entrando na "casa", ou seja controlando a alma e a mente da pessoa.

O texto se refere, portanto, ao terceiro tipo de ação demoníaca: a possessão, onde a pessoa chega a perder, por tempo determinado ou até permanentemente, o controle sobre sua mente e corpo. Veja como a Bíblia descreveu a situação de um homem endemoniado, com quem Jesus encontrou:
E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, o qual tinha a sua morada nos sepulcros e nem ainda com grilhões o podia alguém prender. Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, esses foram por ele feitas em pedaços, e ninguém o podia amansar. E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras. Marcos capítulo 5, versículos 2 a 5
Jesus explicou que quando alguém é liberto(a) da possessão, sua mente e alma (a "casa") ficam "vazias", isto é limpas da ação maligna mas ainda não preenchida por qualquer outra coisa. E se não houver tal preenchimento e a "casa"continuar vazia, quando o demônio tentar retornar - e não se iluda, ele sempre tenta fazer isso - acabará ocupando de novo o espaço perdido e, ainda pior, trará reforços, na figura de outros demônios ainda mais poderosos, para garantir essa ocupação. E o resultado final será a pessoa mergulhar numa condição ainda pior do que estava no início. 

O que pode preencher o vazio da "casa"? Só uma coisa: o Espírito Santo, o Deus que habita em nós, segundo a Bíblia. Somente Ele pode ocupar a mente e a alma da pessoa e assim evitar o retorno do espírito maligno.

O preenchimento com o Espírito Santo ocorre, depois da libertação da ação do demônio, quando a pessoa se converte, aceitando verdadeiramente Jesus como seu Salvador, e é discipulada na fé cristã, passando a viver vida reta aos olhos de Deus. Isso significa abandonar velhos hábitos pecaminosos, que levaram essa pessoa à situação em que estava antes de ser libertada.

Esse alerta de Jesus, no texto que abre este post, portanto, se refere a duas coisas. A primeira é a intervenção espiritual sem os necessidades cuidados.

Se você acompanha programas evangélicos na televisão, verá com frequência a transmissão de cultos onde há libertações, onde pastores(as) expulsam demônios que tomavam conta da vida das pessoas. E os(as) presentes aplaudem entusiasmados(as).

Agora, o que nunca é mostrado é o atendimento espiritual posterior às pessoas libertas, depois que a "a casa" é limpa. O atendimento que ocorre longe das câmeras da televisão. Será que isso está ocorrendo? Temo que, em muitos casos, não. Caso contrário os programas religiosos se preocupariam em mostrar essa segunda fase do atendimento, até para deixar claro sua importância.

Infelizmente, muitos(as) pastores(as) gostam dos atos de libertação, por conta da fama e atenção que eles geram. Mas não se preocupam igualmente com o que deve se seguir, o discipulado, quando as "casas" que ficaram "vazias" são "preenchidas" permanentemente pelo Espírito Santo.

Essa segunda fase é trabalhosa, só traz resultados lentamente e não chama a atenção. Mas sem ela, conforme Jesus alertou, as pessoas libertas podem retornar a uma condição pior do que a inicial.

O segundo alerta de Jesus é para o perigo da inconstância, ou seja começar o discipulado e parar pelo meio do caminho. Ou seja, não preencher a "casa" vazia permanentemente. Isso pode acontecer por falta de comprometimento da pessoa que está sendo tratada, que muitas vezes não consegue superar seus velhos hábitos e acaba por retornar a eles. E quando isso acontece, conforme Jesus alertou, as consequências são muito sérias.

Concluindo, a ação espiritual sobre a vida de outra pessoas é coisa muito séria e não pode ser iniciada de forma impensada e leviana. É preciso sempre tomar cuidado de proporcionar a continuação dessa ação, através do discipulado na fé cristã. Além disso, é preciso haver perseverança e compromisso de quem está sendo tratado. E caso essas duas coisas não aconteçam, o resultado final dessa intervenção espiritual será muito ruim.

Com carinho

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A PAZ A QUALQUER PREÇO?

O mundo tem acompanhado com atenção a negociação do acordo de paz na Colômbia, entre o governo e o grupo guerrilheiro FARC, visando por fim à guerra que já dura muitas décadas e tem causado sofrimento em muita gente. O Presidente da Colômbia tem se empenhado em implantar esse acordo e acabou de ganhar o prêmio Nobel da Paz por causa dos seus esforços.

Ocorre que o acordo inicialmente assinado foi submetido a um plebiscito e acabou rejeitado pela população colombiana por margem estreita de votos. E a razão da rejeição foram as concessões feitas pelo governo aos guerrilheiros que muita gente achou excessivas.

Caiu-se num impasse: todo mundo quer a paz mas não há acordo quanto ao custo a ser pago por essa paz. A verdade é que toda vez que se negocia um acordo de paz, torna-se necessário fazer concessões - se não fosse assim, não haveria necessidade de negociações e um acordo.

A grande questão, portanto, é qual o preço que cada lado concorda em pagar para fazer a paz. Quanto mais fraco ou mais cansado da guerra um determinado lado estiver, maior o preço que aceitará pagar. 

E aí reside a discordância na população da Colômbia: muita gente acha que o preço para a paz previsto no acordo é muito alto, pois, de certa forma, premiaria guerrilheiros, que cometeram atos de violência verdadeiramente bárbaros.

Essa discussão toda me fez refletir sobre outro tipo de acordo de paz: aquele que cada uma de nós precisa estabelecer com Deus. Digo isso porque o pecado - todos(as) pecamos - nos afasta e, de certa forma, nos coloca em "guerra" com Ele. E precisamos fazer a paz.

Essa paz é feita quando nos arrependemos sinceramente dos nosso erros, pedimos perdão e confiamos na Graça de Deus - manifesta no sangue de Jesus derramado por nós na cruz -, para nos garantir a aceitação de Deus. E aí a paz é restabelecida - a relação com Deus se normaliza.

Agora, muita gente, ao tentar estabelecer essa paz, age como o grupo guerrilheiro FARC: faz, até sem perceber, uma série de exigências a Deus. Coloca condições ("se eu fizer isso, espero que Deus faça aquilo"), impõe limitações nas mudanças de vida que irá fazer (por exemplo, "não vou abrir mão do meu lazer no domingo para ir à igreja") e assim por diante. Essas pessoas cobram um preço de Deus para fazer a paz com Ele.

E é interessante como há toda uma linha de pensamento que defende essa postura. Por exemplo, o livro "A Cabana", que tem feito muito sucesso no meio cristão, vai nessa direção. Nele, o autor atribui a Deus a declaração que irá atrás de nós, não importa a circunstância e o que tivermos feito.

A ideia aqui é que Deus quer tanto se relacionar conosco, valoriza tanto esse contato, que vai atrás das pessoas, estejam elas onde estiverem, não importam o que pensem ou tenham feito.

Ora, não é isso que a Bíblia ensina. Na parábola do filho pródigo (veja mais), o pai (Deus) espera que o filho perdido se arrependa, depois de se convencer que a vida que tinha escolhido para si mesmo somente ia lhe causar problemas, e decida voltar para casa. Quando o filho dá esse passo, o pai abre as portas e o aceita de volta, sem impor condições.

Repare, o pai (Deus) não foi atrás do filho perdido. Não fez paz a qualquer preço. Foi preciso primeiro que o filho reconhecesse seu erro e decidisse mudar. O filho precisou fazer a paz unilateralmente, sem impor condições com o pai, para depois ser aceito.

Quando decidimos fazer paz com Deus, sem impor condições ou limites, aí sim Ele age de forma misericordiosa e nos aceita de de volta plenamente. Mas rendição do(a) pecador(a) precisa vir antes. Simples assim.

Você quer ter paz com Deus? Renda-se completamente a Ele. Acene com a bandeira branca (veja um vídeo falando mais sobre isso). Você vai se surpreender com os resultados. 

Com carinho

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

PARÁBOLA DO RICO E DO LÁZARO

Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele; E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá. E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos... Lucas capítulo 16, versículos 19 a 31
O tema dessa parábola é a escolha que Deus faz sobre quem vai para o céu ou para o inferno e as consequências disso.

Para falar desse tema, Jesus usou uma parábola baseada numa tradição judaica - a estória do pobre escriba e do rico coletor de impostos Bar Majan. Ele usou esse material conhecido pelos(as) ouvintes mas fez algumas adaptações - por exemplo, no lugar do escriba, colocou um mendigo.

Naturalmente, seus ouvintes reconheceram de imediato a estória que estava sendo contada, mesmo com as adaptações que Jesus fez. Assim, Ele não precisou dar todos os detalhes da estória - por exemplo, não descreveu os pecados do rico - para poder passar sua mensagem. 

É interessante perceber que Lázaro, o mendigo, é a única personagem de todas as parábolas de Jesus que recebeu um nome. E isso não aconteceu por acaso. Deve ter tido uma razão forte.

Acredito que tudo tenha a ver com o significado do nome Lázaro ("Deus ajuda"). O surpreendente é ver esse nome aplicado a uma pessoa que na vida terrena só teve sofrimentos.

Sem dúvida, os(as) ouvintes perceberam um outro paralelo no relato de Jesus: refiro-me ao caso de José, que depois de vendido pelos irmãos como escravo, enfrentou enormes dificuldades na sua vida no Egito. E a cada nova dificuldade que lhe era acrescentada, o relato bíblico (Gênesis capítulo 39, versículos 2, 21 e 23) faz questão de dizer que "Deus estava com José". Ora, como Deus estar com alguém que só vê sua situação piorar? 

No caso de José, a resposta a essa pergunta era imediata: Deus mudou a sorte de José e ele se tornou a segunda pessoa mais importante do Egito, logo abaixo do faraó. Ou seja, Deus realmente estava com José...

Mas é no caso do mendigo? Será que Deus o ajudou? Não morreu o mendigo na miséria? Jesus surpreende os(as) ouvintes mostrando que essa ajuda não veio na vida terrena e sim depois da morte de Lázaro. Tanto assim que ele acabou no melhor lugar possível para um judeu - o "seio de Abraão".

Esse era o lugar para onde iam as pessoas mais exaltadas pelos judeus, aquelas de maior fé em Deus e comportamento irrepreensível. Logo, Jesus falou que o mendigo teve sua vida transformada - passou de pobre e doente, desprezado por todos, a pessoa exaltada, digna de reconhecimento. E aí está a ajuda de Deus.

A parte mais interessante da parábola, entretanto, é o diálogo de Abraão com o rico. Nessa conversa ficou claro que o julgamento de quem vai para o céu (ou para o inferno) é definitivo. Irrevogável. 

Existe hoje uma vertente teológica que tenta fazer as pessoas acreditarem no conceito que, ao final, todos(as) serão salvos(as) por causa da bondade e da misericórdia de Deus. Mas essa parábola demonstra que não é bem assim: Deus decide quem vai ser salvo (ou não) e essa decisão é definitiva.

Este relato também deixa claro que o conceito de "purgatório" - local onde as pessoas ficariam provisoriamente até que seja tomada a decisão sobre sua salvação -, defendido pela Igreja Católica, não tem suporte bíblico. Ele não cabe na parábola contada por Jesus.

Outra coisa que essa parábola deixou claro é não haver permissão de Deus para espíritos de pessoas que morreram voltarem para falar com quem está vivo. E isso contraria totalmente a doutrina espírita, que defende a comunicação com os mortos.

Concluindo, essa parábola é muito rica de ensinamentos. Esclarece diversas dúvidas que as pessoas têm a respeito da misericórdia de Deus, da diferença entre a vida terrena e a vida após a morte, sobre o julgamento de Deus e assim por diante.

Com carinho

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O SALMO DO ARREPENDIMENTO

O Salmo 32 é conhecido como "o salmo do arrependimento". Nele, Davi reflete sobre o pecado humano e a necessidade da pessoa se arrepender para conseguir reconciliar-se com Deus.

Davi fez essa reflexão tendo como pano de fundo seus próprios pecados - o adultério com Bate-Seba e a ordem para matar o marido dela -, só reconhecidos por ele tempos depois, depois da intervenção do profeta Natã (2 Samuel capítulo 12, versículos 1 a 15). 

Aproveite o vídeo: