quarta-feira, 3 de abril de 2019

O VALE DA BENÇÃO

A Bíblia traz num livro do Velho Testamento (2 Crônicas): a história do vale da benção. O rei Josafá estava enfrentando uma guerra praticamente perdida, pois seus inimigos eram muito mais numerosos e fortes. Mas, ele orou e Deus mandou a resposta e transformou sua derrota numa vitória. E isso aconteceu num lugar chamado Vale da Benção. 

Esse relato traz grandes ensinamentos para nós. Quando o problema for grande demais, quando tudo parecer perdido e fora do controle, ore e peça ajuda a Deus. E Ele vai responder e livrar você. Aconteceu com o rei Josafá e pode acontecer também com você. Basta ter fé e pedir ajuda.

É sobre isso que falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

O ADULTÉRIO ONTEM E HOJE: O SÉTIMO MANDAMENTO

O sétimo dentre os famosos Dez Mandamento diz simplesmente o seguinte: “não adulterarás” (Êxodo capítulo 20, versículo 14). E a definição de adultério é manter relações sexuais ilícitas, que violem as regras estabelecidas pela sociedade.

Isso parece ser relativamente simples de entender e cumprir. Mas na prática não é bem assim. Afinal, há grandes diferenças de entendimento entre as pessoas quanto ao significado do casamento e de outros tipos de relações estáveis entre homens e mulheres desde o tempo bíblico até os dias de hoje.

O adultério na época da Bíblia
Israel era uma sociedade patriarcal, dominada pelos homens, onde a poligamia (um homem ter várias esposas) era admitida. E havia uma razão prática para isso, além do machismo: os homens morriam cedo por causa das doenças e das guerras e era necessário garantir a continuidade das linhagens. E isso era mais fácil se um homem pudesse ter várias mulheres. E a única condição estabelecida para a pluralidade de esposas era que o homem tivesse condições financeiras de sustentar todas (incluindo seus filhos) adequadamente.

Acho que já deu para você perceber que, num ambiente assim, o conceito de adultério necessariamente teria que ser um pouco diferente daquele que usamos hoje. Naquela época, portanto, adultério era o sexo que um homem qualquer (israelita ou não) viesse a fazer com a mulher legalizada (isto é, a esposa ou a concubina) de um homem israelita. Portanto, um homem israelita já casado poderia ter sexo com todas as mulheres que desejasse, e pudesse, desde que essas mulheres não fossem legalmente vinculadas a outro homem israelita.

E o adultério, definido dessa forma, não era um crime apenas contra o homem a quem pertencia a mulher adúltera, mas um crime contra todo o povo israelita, pois esse erro colocava em risco a pureza das linhagens de sangue - Israel era o povo da promessa e o direito a fazer parte dela era herdado (vinha pelo sangue), daí a preocupação em manter as linhagens puras. 

Concluindo, o mandamento sobre o adultério foi estabelecido para garantir a estabilidade da sociedade israelita e controlar o acesso à promessa que Deus tinha feito à Abraão (participavam dela os filhos de sangue, legítimos, dos homens judeus).

O adultério hoje em dia
Nossa sociedade é organizada de forma diferente. As mulheres não são mais propriedade do marido e os núcleos familiares são monogâmicos (um único homem e uma única mulher), embora uma mesma pessoa possa participar de diferentes núcleos ao longo do tempo, desde que não seja ao mesmo tempo. Em outras palavras, um homem deve se relacionar sempre com uma única mulher, embora possa ter mais de uma mulher ao longo da vida, caso venha, por exemplo, a casar-se, divorciar-se e casar-se de novo. E o mesmo vale para as mulheres.

E também não há muita preocupação em garantir a pureza da linhagem, como havia entre o povo de Israel.

Ora, num ambiente como esse, como fica o adultério? Para responder à pergunta, é preciso lembrar qual é a base da sociedade atual: a família, estabelecida a partir de uma relação monogâmica. Portanto, é isso que precisa ser preservado.

Outro princípio muito importante que temos hoje em dia e que não havia nos tempos bíblicos, é o da igualdade de direitos entre homens e mulheres. Aliás essa igualdade é um conceito encontrado na Bíblia, embora não fosse seguido naquela época. Afinal, homens e mulheres têm o mesmo valor aos olhos de Deus. E foi o cristianismo que levou a bandeira dessa igualdade adiante, tanto é assim que ela se faz presente nos países ocidentais, cujos valores são tradicionalmente cristãos, e não nos países muçulmanos ou de outras religiões.

Sendo assim, aquilo que se aplica aos homens - direitos e deveres - também se aplica às mulheres. Não pode haver diferença entre eles e elas.

Deve, então, ser considerado adultério todo sexo realizado, pelo homem ou pela mulher, fora da relação monogâmica que eles estabeleceram consensualmente, como é o caso do casamento, embora não se limite a essa situação.

E essa definição já responde imediatamente a outra questão: como ficam as relações estáveis mas não oficializadas por casamento, coisa muito comum no Brasil? Quando um homem e uma mulher estabelecem consensualmente um núcleo familiar, mesmo não sendo casados, o mandamento do adultério também passa automaticamente a se aplicar a eles.

É importante perceber que não estou defendendo relações informais e deixando de dar importância ao casamento, mas apenas reconhecendo que há no Brasil muitas uniões estáveis sem casamento e não posso fechar os olhos para essa realidade.

Antes de concluir, preciso ainda lembrar que Jesus colocou uma "pimenta" na questão do adultério. Ele ensinou que a fidelidade apenas física não é o bastante. Também constituem violação do mandamento do adultério os pensamentos adúlteros, mesmo que não venham ser (Mateus capítulo 5, versículos 27 e 28). Portanto, Jesus foi muito mais abrangente na exigência que fez. 

Com carinho

sábado, 30 de março de 2019

VOCÊ PODE PERDER A SALVAÇÃO?

Uma pessoa que aceitou Jesus, e foi salva, pode perder sua salvação? Há diferentes respostas para essa importante questão, cada uma delas defendida por pessoas sérias e estudiosas da Bíblia. Ou seja, não existe consenso entre os estudiosos sobre essa questão. 

E há coisas na Bíblia que vão gerar debate até o final dos tempos e esse tema é uma dentre elas. Somente vamos ter certeza absoluta sobre quem está certo ou errado quando do julgamento final. 

Existem quatro formas diferentes de responder a essa pergunta, conforme discuto a seguir:

Universalismo 
Essa linha de pensamento defende que um Deus amoroso não poderia punir ninguém com o inferno e, portanto, todos acabarão salvos, de uma forma ou de outra. Para os universalistas, a pergunta que abre este texto - você pode perder sua salvação? - não tem significado, pois não se pode perder o que todos vão ganhar.

Mas, gostemos ou não, a Bíblia é muito clara quanto à existência do inferno e à existência de pessoas salvas e condenadas (Mateus capítulo 25, versículos 31 a 46). E, antes que alguém saia por aí acusando Deus de insensível, é preciso entender que quem se coloca no inferno é a própria pessoa, quando deliberadamente escolhe se afastar de Deus e não aceitar Jesus como salvador. Deus apenas respeita essa decisão e se afasta e é por isso que alguns teólogos afirmam que as portas do inferno estão trancadas por dentro. 

Tudo depende das obras realizadas 
A base da salvação é a fé no sacrifício de Jesus (veja mais). Mas, em Tiago capítulo 2, versículos 17 a 24, aparece a seguinte afirmação: 
Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem obras e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé...Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente... 

Há quem interprete esse texto afirmando que as obras têm papel importante na salvação. Ou seja, a pessoa seria salva tanto por conta daquilo que acredita (sua fé) como também por aquilo que faz (suas obras). Essa é essencialmente a doutrina seguida pela igreja católica. 

Mas, penso que isso está errado por duas razões. Primeiro, porque a Bíblia é clara quanto ao fato que a salvação se deve apenas à fé da pessoa e à atuação da graça de Deus (por exemplo, Efésios capítulo 2, versículos 8 e 9). 

Segundo, se as obras pesassem na salvação, ninguém poderia ter certeza dela. Afinal, quais e quantas obras seriam necessárias para satisfazer os requisitos de Deus? A Bíblia nada fala a esse respeito. Portanto, para uma pessoa que crê assim, nunca haverá segurança quanto à salvação. E a pergunta que abre este texto - você pode perder sua salvação? -, não faz sentido, pois não se pode perder o que ainda não se ganhou.

Acho que essa linha de pensamento parte de uma interpretação errada do que Tiago quis dizer. O que ele disse de fato é que as obras são como um “medidor” da fé pessoal: se você tem dentro de si a fé que realmente traz a salvação, essa mesma fé vai criar em você o desejo de realizar obras. A fé que salva não é estéril, ela necessariamente gera mudanças na vida da pessoa e resultados práticos. Portanto, as obras simplesmente dão testemunho da fé existente. 

Deus pré-estabelece quem vai ser salvo 
Essa linha de pensamento é defendida pelos seguidores de Calvino (como os presbiterianos). Ela afirma que Deus já pré-definiu (predestinou) aqueles que serão salvos. Afinal, o poder de Deus é incontestável e se Ele resolveu criar uma pessoa para ser salva, ninguém pode questionar isso. 
Ainda na mesma linha de pensamento, a graça de Deus é irresistível, ou seja, ninguém pode deixar de aceitá-la plenamente. Portanto, quem foi escolhido para ser salvo nunca pode perder sua salvação.

Penso que o problema com essa linha de pensamento é a outra face da moeda: se há também quem seja predestinado para ser salvo, também há quem seja predestinado para o inferno. E não importa o que essas pessoas pensem ou façam, elas vão acabar condenadas. 

Acho que é muito difícil reconciliar essa visão com a ideia de um Deus que ama incondicionalmente suas criaturas. Não discuto que Deus tenha poder para predestinar as pessoas conforme deseje, mas questiono se Ele age mesmo dessa forma. 

E, além disso, se Deus já fez tal escolha antes mesmo das pessoas nascerem, parece-me que toda a discussão bíblica sobre convencer o pecador dos seus erros, levá-lo ao arrependimento e assim por diante, não faz qualquer sentido. É vazia.

Finalmente, nunca vi qualquer um dos defensores dessa abordagem reconhecerem-se como predestinados para o inferno. Todos sempre escrevem ou pregam do ponto de vista de quem já está salvo. E aí fica muito fácil defender esse ponto de vista. 

Salvação se ganha e se perde
Essa é a posição com a qual simpatizo. Ela alerta que a salvação pode ser ganha, quando a pessoa abraça a fé verdadeira. E perdida, quando a pessoa deixa essa fé morrer.

Salvação é o nosso bem mais precioso, mas ela é como uma planta que precisa de cuidado, carinho e atenção. Deixada por sua própria conta, essa planta pode morrer. Na parábola do semeador (Mateus capítulo 13, versículos 1 a 23), Jesus falou de sementes que chegavam a frutificar, mas as plantas acabavam morrendo porque as raízes não eram suficientemente profundas (a prática de vida delas as afastou de Deus) ou foram abafadas pelos espinhos (as preocupações com o mundo secular acabaram por predominar).

E lembro que olhar para as obras - como a pessoa vive e o que ela faz de fato - é uma boa forma de "medir" a saúde da fé. Obras abundantes e efetivas apontam para uma fé viva e atuante. Obras inexistentes são um grande sinal de alerta.

Com carinho

quinta-feira, 28 de março de 2019

O QUE JESUS FEZ DURANTE OS ANOS "SILENCIOSOS"

Jesus passou por anos silenciosos, isto é um período de tempo com duração de cerca de 20 anos sobre o qual a Bíblia nada conta. Os anos silenciosos vão desde o seu "bar mitzvah", ou seja, sua maioridade religiosa, quando Ele tinha 13 anos, até o início do seu ministério, já com trinta e poucos anos.

A mídia e os escritores sensacionalistas sempre inventam alguma coisa para tentar preencher esse vazio. Há uma grande industria de livros e filmes que busca explicar o que aconteceu nesses cerca de 20 anos. E foram produzidos todos os tipos de absurdos. Vejamos alguns exemplos: 

Alguns afirmam que Jesus teria emigrado para a Índia, onde foi instruído nos mistérios da fé hindu; já outros dizem que Ele teria sido educado pelos essênios, seita judaica muito estrita nos princípios de vida; e ainda há quem defenda que Jesus teria ido até a Inglaterra, onde conheceu a religião celta. 

A maioria dos estudiosos mais responsáveis, e eu concordo com eles, pensa que Jesus passou esses 20 anos no mesmo lugar, na vila de Nazaré. Foi para lá que os pais levaram Jesus quando Ele era ainda um bebê. E foi por isso que Jesus ficou conhecido como o "Nazareno" (Mateus capítulo 2, versículo 23). 

A melhor explicação para a ausência de informação na Bíblia sobre esse período de tempo e que nada significativo tenha acontecido com Jesus. E esse raciocínio faz todo sentido por uma razão simples. O espaço disponível num pergaminho (o rolo feito de couro usado para escrever nos tempos bíblicos) era muito limitado. Assim, os autores dos textos precisavam escolher que informações incluir ou deixar de fora para seu relato caber no espaço disponível. 

E se nada tiver acontecido de importante nesse período da vida de Jesus, não é de admirar que os autores dos Evangelhos nada tenham dito. Assim, eles economizaram espaço precioso para poder relatar o que importava de fato (seu ministério, a crucificação e a ressurreição). 

Mas, ainda assim, cabe a pergunta: o que Jesus fez nesses 20 anos? A resposta é simples: Ele trabalhou como carpinteiro para sustentar sua família. A Bíblia não se refere a José após o bar mitzvah de Jesus, logo é razoável supor que ele tenha morrido algum tempo depois dessa cerimônia. E Jesus, como filho mais velho, passou a ser responsável pelo sustento da família como um todo. 

Jesus precisou então trabalhar pesadamente como carpinteiro, que era uma espécie de operário especializado da construção civil. Suas mãos certamente ficaram calejadas por muitas horas de trabalho diário muito duro. 

E Jesus usou também esse longo período para aprofundar seu relacionamento pessoal com Deus, à medida em que foi amadurecendo e tomando consciência da missão que lhe estava reservada. 

Finalmente, foi nesse período em que Jesus foi instruído na Palavra de Deus. Como Ele não teve uma formação teológica sistematizada, coisa reservada apenas para sacerdotes e escriba. Então foi preciso que Deus instruísse Jesus naquilo que Ele precisava saber e não sabemos como isso se deu. E tanto foi assim, que, em determinado momento do ministério de Jesus, lhe perguntaram como um simples carpinteiro conhecia tanto a Palavra de Deus, Ele respondeu: "O meu ensino não é meu, e sim, d`Aquele que me enviou" (João capítulo 7, versículos 16 e 17). Foi esse ensinamento que deu a Jesus condições de ensinar o povo com autoridade, desafiando aqueles que questionavam sua doutrina. 

Em resumo, durante os anos silenciosos, Jesus trabalhou duro para sustentar sua família e se preparou para seu futuro ministério. Não foi um período cheio de glamour ou mesmo de experiências memoráveis, mas teve grande importância na sua vida. 

Lembre-se disso quando você chegar em casa desanimado/a, ao final do dia, cansado do trabalho ou do estudo. lembre-se que esse tempo pode vir a ser muito útil para aprendizado e crescimento espiritual e emocional. Afinal, a Bíblia diz, em 1 Coríntios capítulo 10, versículo 31, que mesmo as coisas mais simples da vida - como comer e beber - são importantes quando feitas para honra e glória de Deus. 

E foi isso que Jesus fez: santificou cada gota de suor que derramou. Cada hora que dedicou ao estudo ou à oração. 

Com carinho

terça-feira, 26 de março de 2019

ENCONTRANDO A VIDA

O tema de hoje é: encontrando a vida. E escolhi falar dele porque muitas pessoas passam pela vida pensando que não têm muito valor. E essa baixa auto-estima é fruto de muitos fatores diferentes, como a má relação com os pais, experiências de vida traumatizantes e assim por diante.

Pensando que não têm valor, essas pessoas sofrem muito e muitas até vão pelo caminho do suicídio. Mas, a Bíblia ensina que cada ser humano tem muito valor aos olhos de Deus. E a maior prova disso é que Jesus morreu na cruz por cada um/a de nós, sem qualquer distinção. 

Encontrando a vida. Pense nisso quando estiver se sentindo sem valor ou vir algum ente querido se sentindo assim. Veja o vídeo aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

domingo, 24 de março de 2019

CUIDADO COM O JOGO DO "SE"

Muitas pessoas vivem dentro de um eterno jogo do "se”: "se tivesse acontecido isso, minha vida teria sido melhor" ou "se tal coisa vier a acontecer, tudo vai se resolver". E esse jogo pode causar muito mal na vida das pessoas.

Há dois tipos de "ses" que costumam afetar as pessoas:
  • O “se” voltado para o passado: “se tal coisa não tivesse acontecido comigo...”. Esse tipo de percepção costuma causar frustração, rancor, tristeza e até depressão.
  • O “se” dirigido para o futuro: “se tal coisa vier a acontecer...”. Nesse caso, as consequências podem ser insegurança, ansiedade e medo.
Pessoas que vivem presas no passado sofrem por aquilo não pode ser mudado – a única coisa que ainda pode ser mudada sobre o passado é a interpretação da pessoa sobre o significado daquilo que lhe aconteceu.

Anos atrás, passei por problemas financeiros difíceis e durante muito tempo interpretei essa experiência como uma coisa ruim, sofrida. Com o passar do tempo, entendi que aquele período de sofrimento me trouxe maturidade e me fez entender melhor e ter muito mais empatia com o sofrimento das outras pessoas. Em outras palavras, meu passado não mudou, mas minha interpretação do que havia acontecido comigo, é bem diferente hoje em dia.

O "se" voltado para o futuro se torna muito pesado para as pessoas excessivamente preocupadas em controlar as variáveis da sua vida, para garantir segurança, estabilidade, felicidade e assim por diante. 

Mas a luta por manter o controle sobre a própria vida é interminável e nunca pode ser de fato vencida, pois as circunstâncias que nos afetam mudam a partir de forças que não estão debaixo do nosso controle. Um bom exemplo desse tipo de situação são as doenças inesperadas ou os desastres naturais.

Penso que há dois ensinamentos importantes a tirar dessa reflexão sobre o jogo do "se". Primeiro, aprender a viver mais no presente e menos no passado ou no futuro. A realidade é o presente, o momento que você vive agora e ele precisa ser bem aproveitado. Jesus se referiu a isso, num ensinamento sobre a ansiedade, quando afirmou: “basta a cada dia o seu mal...” (Mateus capítulo 6, versículo 34).

Viva mais o presente e deixe de sofrer com o que aconteceu no passado e não mais pode ser mudado, como também não fique se preocupando tanto com o futuro, pois você tem muito pouco controle sobre o que vai de fato acontecer na sua vida.

Segundo, concentre-se num um outro tipo de "se", muito melhor do que os outros dois. E o episódio da ressurreição de Lázaro explica bem sobre o que estou falando. 

Jesus chegou à casa de Lázaro cerca de 4 dias depois da morte dele. Marta, irmã do falecido, recebeu Jesus com um “se” voltado para o passado: se Jesus tivesse chegado antes, Lázaro não teria morrido (João capítulo 11, versículo 21). Mas, Jesus lidou com a situação de forma totalmente inesperada, ao dizer para Marta (João capítulo 11, versículo 40): se você tiver fé, verá Deus agir. E aí foi lá e ressuscitou Lázaro.

O terceiro tipo “se” é aquele que leva o ser humano a focar sua atenção em Deus e não em si mesmo e nas suas circunstâncias de vida. Esse outro "se" leva a pessoa a depositar sua confiança em Deus. Assim, ela não congela sua vida num passado problemático, pois sabe que pode ser perdoada e mudar sua vida, como também não fica ansiosa pela tentativa inútil de controlar um futuro que nunca pode ser domesticado.

Mas, isso é mais fácil de falar do que de fazer. Acreditar que o passado vai assumir um significado melhor, uma vez "coberto" pelo sangue de Jesus e descansar, confiando inteiramente em Deus, vai contra a natureza humana. mas esse é o único tipo de jogo do "se" que vale, de fato, à pena ser jogado.

Com carinho

sexta-feira, 22 de março de 2019

NÃO MATARÁS: ANALISANDO O SEXTO MANDAMENTO

O sexto mandamento, da lista de dez que Deus nos deu, diz simplesmente o seguinte: não matarás (Êxodo capítulo 20, versículo 13). Esse é o primeiro mandamento, dentre os dez, que se refere diretamente ao estabelecimento das bases de comportamento mínimas para o funcionamento da vida em sociedade. 

O princípio que está por trás desse mandamento é o respeito incondicional à vida humana, que a Bíblia ensina ser um dom de Deus. 

O mandamento parece ser bem fácil de cumprir: não podemos matar e pronto. Mas a realidade é muito mais complexa do que isso. Há vários dilemas éticos – situações em que é difícil diferenciar o que está certo do que está errado - para serem considerados. Vamos ver alguns deles mais de perto:

Pena de morte
A Bíblia traz diversas leis que estabelecem pena de morte, em outras palavras, há sim crimes que merecem esse tipo de punição. 

A primeira consequência dessa constatação é que o significado real do sexto mandamento é: não assassinarás. Em outras palavras, não se pode matar por conta própria, de forma ilegal. Mas é aceito matar em certas situações, como quando há condenação judicial, em defesa própria ou de outra pessoa, e também na guerra.

A Bíblia não questiona a validade da pena de morte em si, mas discute sim a forma pela qual essa punição é decretada e aplicada. Há alguns princípios a serem seguidos: ela somente pode ser decretada e aplicada por quem tem autoridade legal e também moral para fazer isso. 

E há uma passagem que exemplifica esses conceitos com clareza. Uma mulher adúltera, que, pela Lei Mosaica, deveria ser morta por apedrejamento, é trazida até Jesus. E os homens questionam nosso Mestre o que deveria ser feito. Aí Jesus lhes disse: 
...aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra. João capítulo 8, versículo 7 
Em outras palavras, a pena de morte, naquele caso, seguia a Lei, era legal. Mas, os homens que iriam aplicá-la não tinham autoridade moral para fazer isso, pois estavam cobertos de pecados. E é claro que ninguém atirou pedra na mulher adúltera.

E é exatamente por causa disso que sou contra a pena de morte na prática: não vejo nos sistemas legais dos diferentes países e, muito menos ainda, no sistema brasileiro, legitimidade moral para aplicar esse tipo de pena. Os sistemas legais costumam privilegiar pessoas com mais recursos e deixam desprotegidos os pobres e mais fracos. 

Assim, se tivermos pena de morte no Brasil, certamente vamos acabar matando pessoas inocentes, provavelmente pobres e humildes, porque os erros judiciais são uma realidade em nosso país, especialmente contra quem não consegue se defender com vigor.

A pena de morte não viola o sexto mandamento, mas sua aplicação precisa seguir princípios de legalidade e moralidade que raramente estão presentes na vida real. Portanto, em termos práticos, não acho que ela seja uma medida certa.

Aborto
Acredito que nenhum cristão pode ser a favor do aborto. Ainda mais se tiver tido oportunidade de ver filmes de fetos sendo extraídos do útero materno – são imagens que causam arrepios, pois os corpos são despedaçados.

Mas, há situações relacionadas com a gravidez que envolvem dilemas éticos muito complicados. E um caso desses é quando a vida da mãe corre risco se a gravidez for levada a termo. Há, portanto, uma escolha a ser feita: qual vida deveria ser preservada, a do feto ou a da mãe? 

Conheço situações em que mães resolveram dar continuidade à gravidez e algumas até pagaram essa decisão com a própria vida. Já, em outros casos, as mães escolheram interromper a gravidez. 

É uma decisão difícil, de foro íntimo, e cabe exclusivamente à mãe (se ela estiver lúcida) decidir o que fazer e ela precisa contar com o apoio do pai. E ninguém tem direito de passar julgamento sobre a decisão tomada, pois a interrupção na gravidez, nesse caso, não me parece ser uma violação do sexto mandamento, caindo mais na linha da defesa própria.

Eutanásia
Há duas situações a considerar. A primeira delas é a orto-eutanásia, ou seja, os médicos deixam de fazer novos procedimentos, que prolongariam a vida da pessoa de forma artificial, porque os familiares decidem deixar a natureza seguir seu curso. 

Ora, como todos vamos mesmo morrer, essa é uma posição aceitável e que não contraria o que diz a Bíblia. A natureza segue seu curso normal e a pessoa morre. E a maioria das igrejas cristãs concorda com essa posição.

A outra situação é quando se provoca a morte através, por exemplo, da ministração de medicamentos (como uma injeção letal). O objetivo pode até parecer nobre, como diminuir o sofrimento ou poupar recursos (por exemplo, é muito caro manter uma pessoa internada em UTI por longo tempo). Ou seja, aqui a participação para abreviar a vida da pessoa é ativa.

Eu penso que fazer isso viola o sexto mandamento, pois quem se sente com direito de decidir apressar o fim de uma vida, está invocando um direito que não tem, pois a vida é um dom de Deus. E a maioria das igrejas cristãs concorda com essa posição.

Palavras finais
Há muitas outros dilemas éticos não abordados nesta postagem: aborto no caso de feto sem cérebro ou fruto de estupro, uso de cobaias humanas para testar tratamentos novos e assim por diante. São situações com alta carga emocional e que dividem as pessoas, mesmo aquelas que querem fazer o certo e obedecer as leis de Deus.

Não tenho espaço para discutir cada uma dessas possibilidades aqui, mas acredito que meus comentários anteriores tenham ajudado você a entender como olhar para essas questões e aplicar o sexto mandamento na prática. 

Com carinho