sábado, 3 de agosto de 2019

QUERENDO ACELERAR A AÇÃO DE DEUS...

Tem pessoas que querem acelerar a ação de Deus. E fazem isso porque acham que Ele está se atrasando na sua ação. É preciso que Deus ande mais depressa, pensam essas pessoas. Eu me explico:

O tempo de Deus (chamado na Bíblia de "kairos") é diferente do tempo em que vivemos ("chronos"). A Bíblia chega a dizer que para Deus um dia é como mil anos e mil anos como um dia (2 Pedro capítulo 3 versículo 8).

E essa diferença nos conceitos de tempo costuma trazer dificuldade para muitas pessoas, especialmente quando aguardam as promessas de Deus. Elas têm dificuldade para conseguir esperar pelo tempo de Deus, pois às vezes o prazo de espera é longo. Por exemplo, Isaque orou 20 anos para que sua mulher, Rebeca, viesse dar-lhe filhos.

Ora, duas coisas podem acontecer quando a promessa de Deus tarda em se cumprir (dentro do ponto de vista humano). Uma delas é a pessoa desistir, entregar os pontos. E acabar perdendo a promessa. A outra possibilidade é a pessoa tentar acelerar a promessa de Deus. Querer dar uma "ajudinha" para que ela se cumpra mais rápido.

Querer ajudar Deus para que alguma coisa aconteça mais depressa, pode parecer absurdo. Mas é mais comum do que parece. A Bíblia traz vários exemplos disso e um dos melhores é o caso de Sara, mulher de Abraão (Gênesis capítulos 16 e 21).

Sara era estéril. Mas havia uma promessa de Deus para Abraão que ela haveria de gerar um filho. E os anos se passaram e a promessa não se cumpria. E Sara sabia que estava ficando cada vez mais velha - já tinha passado há muito da idade certa para conceber filhos. Aí ela resolveu dar uma "ajudinha" a Deus. 

Ofereceu sua escrava, Hagar, para que Abraão gerasse um filho com ela. Tecnicamente tal filho, sendo Hagar uma escrava, pertenceria à sua senhora, Sara, segundo as leis da época. Se o plano funcionasse, pensou Sara, a promessa teria sido "cumprida". 

E o plano pareceu mesmo funcionar: Hagar deu à luz um menino, Ismael. Mas Deus tinha outros planos: o filho que cumpriria sua promessa, Isaque, nasceria da própria Sara. E quando Isaque nasceu, criou-se um problema. Ismael pensava lhe caber o direito de primogenitura. Mas o filho da promessa era Isaque, o mais novo. 

Criou-se aí uma rivalidade, um jogo de ciúmes, que acabou por levar Hagar e Ismael ao exílio - esse é um evento muito triste. Se Sara não tivesse tentado acelerar a promessa, nada disso teria acontecido. A fé de Sara não foi suficiente para aguardar o tempo de Deus e ela acabou gerando um problema para sua família. E a rivalidade entre os descendentes de Isaque (os judeus) e Ismael (os povos árabes) nunca cessou ao longo da história.

Se Deus fizer uma promessa para você, Ele haverá de cumpri-la integralmente e no tempo certo:

O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia... 2 Pedro capítulo 3 versículo 9

Portanto, se você estiver esperando por uma promessa de Deus, somente faça aquilo que for condição para seu cumprimento, conforme tiver sido estabelecido por Ele mesmo. Falo isso porque há promessas que são condicionais, isto é, dependem de alguma coisa que você faça. Nunca esquecendo que há promessas que são incondicionais, como aquela que Deus fez para Abraão e Sara, de dar-lhes um filho. Nesse segundo caso, não há nada que você deva fazer. E nunca caia na tentação de tentar acelerar a ação dele.

Em qualquer caso, ore para ter fé e conseguir esperar pelo kairós, o tempo de Deus. E pode ter certeza que, se você agir assim, verá Deus agir de forma maravilhosa na sua vida. Afinal, as coisas que vêm dele são sempre assim.

Veja mais sobre esse tema aqui.

Com carinho

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

A CORTINA RASGADA

Você já ouviu falar na cortina que existia dentro do Templo de Jerusalém e se rasgou quando Jesus morreu na cruz? Esse é um acontecimento muito interessante, e de grande importância, mas pouco conhecido pelas pessoas.

E vou começar explicando que cortina era essa:
Faça o tabernáculo de acordo com o modelo que lhe foi mostrado no monte. Faça um véu de linho fino trançado e de fios de tecidos azul, roxo e vermelho, e mande bordar nele querubins. Pendure-o com ganchos de ouro em quatro colunas de madeira de acácia revestidas de ouro e fincadas em quatro bases de prata. Pendure o véu pelos colchetes e coloque atrás do véu a arca da aliança. O véu separará o Lugar Santo do Lugar Santíssimo.   Êxodo capítulo 26, versículos 30 a 33
Israel teve dois locais especiais para cultuar a Deus. O primeiro deles foi o Tabernáculo, uma espécie de tenda portátil, que foi levada pelo povo durante toda a sua peregrinação pelo deserto do Sinai. O segundo, que substituiu o Tabernáculo, foi o Templo construído por Salomão em Jerusalém (veja mais). Essas locais eram tão importantes que uma série de cerimônias religiosas, como os sacrifícios, somente podiam ser realizadas ali.

Ambos locais tinham sua área mais sagrada dividida em duas partes: o Santo Lugar, onde ficavam o altar para incenso, o famoso candelabro de sete braços e outros objetos importantes, e o Santo dos Santos, onde ficava apenas a Arca da Aliança. Os sacerdotes de plantão entravam diariamente no Santo Lugar, para realizar certas cerimônias (entoar louvores, queimar incenso, etc), mas, no Santo dos Santos, só o sumo-sacerdote podia entrar. E ele entrava lá apenas uma vez durante o ano, no dia do Perdão (Yom Kippur).

A diferença do tratamento dado a esses dois lugares se devia à Shekinah (em hebraico, a "Presença de Deus"), pois ela se fazia notar especialmente no Santo dos Santos.

A separação física entre esses dois lugares era feita por uma cortina, cujas características estão descritas acima. Deus estabeleceu tudo a respeito dessa cortina: suas cores, tipo de bordado, forma de pendurar, etc. E ela devia ser uma magnífica obra de arte - a tradição dos escritos judaicos (Talmude, Mishná, etc) afirma que essa cortina tinha cerca de 10 cm de espessura. 

Naturalmente, nenhum homem do povo jamais viu essa cortina, pois seria necessário entrar no Santo Lugar e somente os sacerdotes tinham esse privilégio. Mas as pessoas sabiam que ela estava lá, separando o local onde Deus se fazia presente (o Santo dos Santos) daquele onde os sacerdotes realizavam suas práticas diárias (o Santo Lugar).  

Agora, havia um simbolismo claro na existência dessa cortina: as pessoas comuns de Israel estavam separadas de Deus e a mediação entre os dois lados o divino e o humano era feita pelos sacerdotes. E é exatamente assim que Deus se relacionou com o povo de Israel durante a Antiga Aliança - sempre havia um intermediário, como Moisés, Samuel ou o sumo-sacerdote, entre Ele e o povo. 

E assim foi durante mais de mil anos, até que Jesus foi crucificado. E aí algo extraordinário aconteceu (lucas capítulo 23, versículos 44 a 46):
E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol. E rasgou-se ao meio o véu do templo. E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou. 
Esse relato conta que Jesus agonizou por 3 horas, entre o meio dia e as três da tarde da sexta-feira. Houve escuridão na terra e a cortina do Templo rasgou-se sozinha. Logo depois Jesus morreu.

Imagine o impacto no meio do povo: nenhum judeu pode deixar de reconhecer que o fato da cortina ter se rasgado sozinha era um ato vindo de Deus. Primeiro, porque nenhum ser humano conseguiria rasgar com as mãos algo que tinha 10 cm de espessura e depois porque a cortina se rasgou na presença dos sacerdotes de serviço naquela hora no Santo Lugar. 

Mas por que a cortina se rasgou? Esse acontecimento representa uma mudança estrutural na vida espiritual do povo. Deus mudou a forma de se relacionar com os seres humanos. Para entender o significado disso é preciso relembrar que a cortina separava simbolicamente os seres humanos de Deus. E quando a cortina se rasgou por conta própria, Deus se tornou acessível a qualquer pessoa. Não mais haveria necessidade de intermediários (Hebreus capítulo 9 e capítulo 10, versículos 19 a 22). 

Nunca podemos esquecer, entretanto, que o fato que gerador do rompimento da cortina foi a morte de Jesus. Ou seja, foi seu sacrifício na cruz, que acabou com a separação entre Deus e os seres humanos. Passamos a ter acesso direto a Deus ao aceitar Jesus como Salvador.

E nosso acesso a Deus é hoje muito maior do que o próprio sumo-sacerdote do povo judeu tinha naquela época. Afinal, ele só entrava no Santo dos Santos uma vez por ano, no dia do Perdão. Hoje podemos acessar Deus todos os dias, a qualquer hora, em qualquer lugar, o que é um enorme privilégio.

Gostaria aqui de fazer um comentário paralelo: muitas pessoas afirmam que se tivessem presenciado os milagres que a Bíblia relata, seria mais fácil para elas crer em Jesus Cristo. Mas isso não é verdade. 

Os judeus daquela época viram os fatos descritos na Bíblia acontecerem - o céu escurecer, a cortina se rasgar e muito mais. E a esmagadora maioria deles preferiu não aceitar Jesus. Não quiseram optar pelo novo, mesmo quando esse novo estava profetizado no Velho Testamento, a parte da Bíblia que conheciam. Preferiram buscar outras explicações para o que tinham visto e continuaram sua vida normal. 

Poucas pessoas foram realmente transformadas por aqueles eventos extraordinários e inauguraram uma nova era na história da humanidade.

Com carinho

terça-feira, 30 de julho de 2019

O VERDADEIRO LAR DE JESUS

Será que Jesus teve um lar durante sua passagem pela terra? precisamos lembrar que, imediatamente antes de dar início ao seu ministério, Ele deixou a casa paterna, onde passou infância, adolescência e alguns anos da vida adulta. E por ter abandonado a casa paterna, foi rejeitado por quase todos com quem tinha convivido até então. Isso inclui os moradores de Nazaré, seus amigos de infância e sua própria família (Marcos capítulo 6, versículo 4 e João capítulo 7, versículo 5). 

A partir daí, Jesus, viu-se em busca de um lar alternativo. Um lugar onde se sentisse amado, onde ficasse à vontade e pudesse descansar. E acabou encontrando isso na casa da família de Lázaro, Simão, Marta e Maria, que ficava em Betânia, um vilarejo 4 km a oeste de Jerusalém. 

Jesus sempre ia até lá e ficava quanto tempo podia. E as portas daquela casa sempre estiveram abertas para Ele (Lucas capítulo 10, versículo 38). Veja alguns fatos importantes acontecidos durante suas estadias em Betânia: 
Dormiu ali todas as noites da semana que antecedeu sua morte. Ele ia para Jerusalém durante o dia e voltava para dormir (Marcos capítulo 11, versículo 11).

Sempre foi valorizado pela família de Lázaro. Pouco antes da sua morte, Maria pegou um vidro de perfume caríssimo (provavelmente parte do seu dote de casamento) e o derramou aos pés de Jesus para honrá-lo (João capítulo 12, versículo 3). 

Foi ali onde Jesus se despediu dos seus discípulos, antes de ser elevado aos céus (Lucas capítulo 24, versículos 50 a 52)

Qualquer lugar onde Jesus se considere em casa certamente se torna muito especial para Deus. Assim, não resta dúvida que, durante o ministério de Jesus, aquele foi um dos lugares mais abençoados de toda a terra. 

Assim, não foi por acaso, que foi ali que Jesus trouxe ressurreição para Lázaro, o dono daquela casa (João capítulo 11, versículos 43 e 44). Betânia certamente foi mesmo o lar de Jesus durante seu ministério.

Com carinho

domingo, 28 de julho de 2019

O MAIOR CONVITE

A gente recebe todo tipo de convite. Convites para festas, eventos na igreja, comemorações familiares e assim por diante. Alguns deles são muito bons e agente aceita com prazer, especialmente quando incluem churrasco. Outros nem tanto, e a gente tem que ir para não magoar quem convidou.

Mas há um convite que você não pode recusar: o chamado para a salvação. E é sobre isso que o profeta Isaías fala num lindo texto, no capítulo 55 do seu livro, nos versículos 1 a 7. O profeta fala do convite para um evento em que tudo é oferecido grátis. Você não paga nada para entrar ou para permanecer naquela "festa". E tudo é grátis porque a salvação vem pela graça de Deus. E a maneira de conseguir entrar nessa "festa" é crer em Jesus como seu salvador. Só isso. Não precisa mais nada.

Você não pode perder essa oportunidade, se ainda não conseguiu entrar na "festa da salvação". Não deixe de aceitar esse convite que o Espírito Santo está fazendo para você, pois ele pode mudar o rumo da sua vida. É sobre isso que o Rogers fala no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes dele aqui e aqui.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

UMA RELAÇÃO SAUDÁVEL COM O PRÓPRIO CORPO

Será que você tem uma relação saudável com seu próprio corpo? Será que você aceita como seu corpo é fisicamente? Muita gente não se aceita e se vê como uma pessoa feia e imperfeita. E sofre muito com isso.

A pastora Carol fala de um estudo feito com adultos e crianças, onde lhes era perguntado o que fariam, se pudessem, para mudar seu próprio corpo. Os adultos queriam mudar para ficar mais bonitos. Já as crianças queriam ter rabo de sereia ou asas para voar, na verdade, queriam ter funções novas. Para as crianças, a beleza não era tão importante assim.

As pessoas muitas vezes passam pela vida sofrendo por não conseguirem se aceitar. Por não conseguirem ter uma relação saudável com o próprio corpo. E é interessante perceber que nossa aparência física não é importante para Deus. Ele nos ama e nos aceita como somos - magros, gordos, bonitos, feios, altos e baixos. Na primeira carta de Paulo aos Coríntios, o apóstolo nos lembra que somos o templo do Espírito Santo. E certamente o Espírito Santo não iria querer morar num lugar ruim e feio. Se Ele habita em nós é porque nossa aparência exterior em nada importa.

Aprenda a se aceitar como você é. E se você não consegue fazer isso, procure ajuda. Não deixe a insatisfação com seu próprio corpo trazer sofrimento para sua vida. É sobre isso que a pastora Carol e a Alícia falam no seu mais novo vídeo - veja o vídeo aqui.

Veja outros vídeos da pastora Carol e da Alícia aqui e aqui.

Veja o canal da pastora Carol no Instagram aqui.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

A MÃO DE DEUS NA CRIAÇÃO DA BÍBLIA

A Bíblia é a Palavra de Deus - essa é a crença dos cristãos. E vemos nela a mão de Deus. E há muitas provas de que o texto bíblico, embora escrito por diferentes autores, teve uma única supervisão, do Espírito Santo. 

E tanto foi assim, que a Bíblia, mesmo tendo sido escrita ao longo de cerca de 1.500 anos, demonstra uma unicidade surpreendente. Todos os textos apontam numa mesma direção e apresentam ensinamentos coerentes entre si. E é aí que vemos a mão de Deus. 

Uma das provas dessa supervisão única do Espírito Santo, ou seja, da mão de Deus, é um fato curioso. Há uma "mensagem" embutida no texto dos livros que relatam a história do povo de Israel. Essa história começa no Êxodo e termina em Reis. Essa mensagem liga a história de Israel a violações dos Dez Mandamentos. Cada livro, na ordem em que aparece na Bíblia, corresponde à violação de um mandamento, também na ordem apresentada no texto bíblico.

É evidente que uma organização tão sofisticada não poderia acontecer por acaso. Ela requereu que uma mente única concebesse esse conjunto de textos. E, mais ainda, que influenciasse os autores dos vários livros da Bíblia a escrever a coisa certa. Foi preciso que a mão de Deus se fizesse presente. 

Os textos que vão de Êxodo a Reis, oito livros no total, cobrem nove mandamentos, não havendo referencia direta apenas ao último dos Dez. Trata-se do mandamento que proíbe cobiçar aquilo que é dos outros. Mas é claro que a violação desse último mandamento está implícita na violação dos demais. Afinal o roubo ou o adultério, por exemplo, somente podem acontecer se antes a pessoa tiver se deixado levar pela cobiça daquilo que não lhe pertencia.

Os pecados em Israel eram coletivos
Vamos ver como essa mensagem é apresentada passo a passo. Mas, antes de tudo, é importante compreender que os pecados no Velho Testamento são sempre tomados de forma coletiva, mesmo quando praticados por uma única pessoa. Veja um exemplo disso em Juízes capítulo 7, versículo 1:
Mas os israelitas foram infiéis com relação às coisas consagradas. Acã, filho de Carmi, filho de Zinri, filho de Zerá, da tribo de Judá, apossou-se de algumas delas. E a ira do Senhor acendeu-se contra Israel.
Repare que quem cometeu o pecado foi um homem, Acã, mas o texto diz que o povo como um todo foi infiel. E tanto essa abordagem coletiva é verdadeira que o povo foi punido com a derrota na batalha pela cidade de Aí, que se seguiu ao pecado de Acã. Somente depois que Acã foi punido, o povo recebeu o perdão de Deus e pode seguir em frente.

Esse procedimento parece estranho aos nosso olhos pois hoje entendemos os pecados como individuais. Mas hoje vivemos na Nova Aliança, marcada pelo sangue de Jesus, conforme o relato do Novo Testamento. No Antigo Testamento, na Velha Aliança com Deus, a promessa foi dada para os descendentes de Abraão. E era o fato de pertencer a Israel, por laços de sangue, que dava à pessoa acesso às bençãos de Deus prometidas a Abraão. Portanto, havia na Velha Aliança uma ligação íntima entre o individual e o coletivo: a bênção coletiva migrava para cada pessoa, mas o pecado pessoal também se refletia sobre todo o povo.

É claro que com Jesus, essa realidade mudou: as promessas passaram a ser individuais e o relacionamento com Deus tornou-se responsabilidade de cada pessoa, não mais de uma coletividade.

Vejamos, então, onde a violação dos nove primeiros dos Dez Mandamentos aparece no relato dos oito primeiros livros da história de Israel. Vamos ver como a mão de Deus se faz presente nesses relatos:

1) Êxodo
Esse livro fala da violação dos dois primeiros mandamentos: não ter outros deuses diante do nosso Deus e não adorar imagens de escultura.

Ora, quando Israel foi se encontrar com Deus no Monte Sinai, ficou esperando durante muitos dias por Moisés, que tinha subido no monte. Durante esse período, o povo se revoltou e construiu um bezerro de ouro e adorou outros deuses (Êxodo capítulo 32, versículos 1 a 8).

Vemos aí o padrão sendo estabelecido: o primeiro livro da história de Israel fala também do descumprimento dos dois primeiros mandamentos.

2) Levítico
O terceiro mandamento é aquele que proíbe tomar o nome de Deus em vão. E esse mandamento é violado no livro de Levítico, que segue o livro do Êxodo. No Levítico é relatada a história de um homem da tribo de Dã que blasfemou contra o nome de Deus (capítulo 24, versículos 10 a 23). 

Esse homem foi preso e a comunidade aguardou que Deus se manifestasse. E Deus mandou que o homem fosse apedrejado pela congregação como um todo. Em outras palavras, todos, inclusive aqueles que testemunharam o crime e nada fizeram para impedi-lo, precisaram participar da punição e deixar claro que não concordavam com o que tinha sido feito.

3) Números
O mandamento seguinte se refere à guarda do sábado. E no livro que se segue, Números, essa lei é violada (capítulo 15, versículos 32 a 36): um homem é pego colhendo lenha (trabalhando) no dia do sábado. E ocorre a mesma coisa que no caso anterior: o homem é preso, Deus dá a sentença de morte e toda a comunidade participa do apedrejamento. 

4) Deuteronômio
A lei que se segue é aquela que manda honrar pai e mãe. O livro seguinte na história de Israel é o Deuteronômio. E, não por acaso, há nele o relato indireto de uma violação a essa lei (capítulo 21, versículos 18 a 21):
Se um homem tiver um filho obstinado e rebelde que não obedeça nem ao pai nem à mãe, ainda que estes o castiguem para o corrigir, então seus pais deverão trazê­-lo perante os anciãos da cidade e declarar: ‘Este nosso filho é obstinado e rebelde e não quer obedecer; além disso é um comilão e beberrão incorrigível.’ Os homens da cidade apedrejá­-lo-­ão até morrer. Dessa forma tirarão o mal do vosso meio; e todos os outros jovens de Israel ouvirão isso que aconteceu e terão medo.
No texto acima, é detalhado um exemplo concreto de violação ao quinto mandamento - o caso de um filho obstinado e rebelde, que também comia e bebia demais. Esse caso foi usado para exemplificar bem o tipo de situação abrangido pela lei.

5) Josué
Antes de falar da violação em si é preciso discutir a questão da ordem dos Dez Mandamentos. Há uma ordem apresentada no relato do Êxodo e do Deuteronômio, onde os mandamentos seis a oito são: não matarás, não adulterarás e não roubarás. Mas em Jeremias capítulo 7, versículo 9, os mesmos mandamentos são citados numa ordem diferente: não roubarás, não matarás e não adulterarás.

Isso comprova que a ordem exata em que os mandamentos foram reconhecidos pelo povo de Israel variou um pouco, o que não muda seu conteúdo ou significado espiritual. E a discussão que faço aqui segue a ordem estabelecida em Jeremias.

Então, está na vez do mandamento que proíbe o roubo. E o livro da vez é Josué, onde há o relato da desobediência de Acã, que já foi citada no começo desta postagem. Os israelitas tinham sido ordenados por Deus a nada pegarem do espólio obtido como fruto da conquista da cidade de Jericó. Acã desobedeceu, guardando (roubando) para si parte do espólio. E acabou punido e morto (capítulo 7, versículos 14 a 26).

6) Juízes
O mandamento seguinte refere-se a não matar. E com efeito há uma referencia a ele no livro de Juízes (capítulos 19 e 20). Trata-se da história da concubina de um levita, que foi estuprada e morta pelos homens da cidade de Gibeá. Esse crime está descrito no capítulo 19, versículo 30 como o pior da história de Israel.

E a tribo de Benjamim, em cujo território ficava a cidade de Gibeá, cometeu o crime adicional de se recusar a colaborar na punição do mal feito. As demais tribos se reuniram e derrotaram Benjamim, restabelecendo a justiça e impedindo que houvesse um racha no povo de Israel.

7) Samuel
O oitavo mandamento, na ordem que escolhemos, fala contra o adultério. E há um único caso na Bíblia em que esse tipo de pecado é tratado com todos os seus detalhes sórdidos. E isso está exatamente no livro de 2 Samuel (capítulos 11 e 12). Trata-se do adultério do rei Davi com Bate Seba, que levou à morte de Urias, o marido traído.

O relato da Bíblia indica que esse adultério foi de grande importância para a vida de Davi, como também para todo o povo de Israel - todos os problemas que o rei sofreu a partir daí, como a rebelião do seu filho Absalão, estão de alguma forma ligados ao pecado por ele cometido.

8) Reis
Chegamos ao último mandamento, que proíbe o falso testemunho e ao último livro da série histórica, que é o de Reis. E a violação do nono mandamento envolve outro rei, agora Acabe.

O rei cobiçava a vinha de um homem, Nabote e tentou comprar aquela propriedade por meios legais, mas o dono se recusou a vender. Aí a rainha Jezebel montou uma acusação falsa contra Nabote que acabou sendo julgado e morto. E Acabe se apossou da vinha (1 Reis capítulo 21).

Palavras finais
A Bíblia foi escrita por dezenas de autores diferentes, ao longo de muitos séculos. Em alguns casos o texto original ainda foi editado, depois de escrito, como aconteceu com os cinco livros iniciais do Velho Testamento.

Ainda assim se nota nesse conjunto de textos unicidade, comunhão de propósitos e coerência. E isso não pode ser devido a mãos humanas. Trata-se da mão de Deus. Com efeito, sabemos que tudo foi obra do Espírito Santo, que inspirou cada autor a escrever aquilo que deveria. 

Por causa disso, a Bíblia é, para nós, cristãos, a Palavra de Deus. Completa e sem erros. E a mão de Deus pode ser notada no seu texto. 

Com carinho

segunda-feira, 22 de julho de 2019

POR QUE DEUS ESPERA LOUVOR?

Durante muitos anos, eu tive uma grande dúvida: por que Deus requer o louvor dos seus adoradores? Por que Deus tem essa necessidade? Não seria isso vaidade, coisa incompatível com a santidade e perfeição de Deus?

Como você também pode ter a mesma dúvida, acho que vale à pena contar aqui as respostas que encontrei.

O conceito de vaidade 
E começo por discutir o conceito de vaidade. Segundo os dicionários, trata-se de uma visão inflada que a pessoa tem de si mesma. Ser vaidoso é ter uma falsa percepção da própria importância e tentar obter um crédito não devido. Em outras palavras, vaidade é uma manifestação de um ego inchado, maior do que deveria ser.

Sendo assim, Deus nunca pode ser vaidoso. Primeiro, porque como Ele sabe tudo, tem uma visão realista dele mesmo. Sabe aquilo que é e não cai em auto-enganos. Depois, porque todo reconhecimento (louvor) que Ele espera é sempre devido, pois tudo nasce n´Ele e depende d´Ele para existir. Somos totalmente dependentes d´Ele para existir (1 Coríntios capítulo 4, versículo 7).

O louvor como proteção 
Mas, ao cobrar louvor, Deus também está nos protegendo. E talvez isso surpreenda você, como surpreendeu a mim, quando entendi essa questão. 

O ser humano é uma criatura espiritual - o livro do Eclesiastes (capítulo 3, versículo 11) diz que Deus colocou a eternidade nos nossos corações. Fomos "projetados" para ter ligação espiritual estreita com algo que nos seja superior.

Sendo assim, se não estivermos intimamente ligados a Deus, acabaremos ligados espiritualmente a outra coisa, como dinheiro, poder ou outra divindade qualquer. E esse outro deus vai passar a dirigir as nossas vidas.

Quando estamos louvando ao Deus verdadeiro, estamos protegidos desse tipo de perigo. Nosso foco está colocado na direção certa, adoramos e prestamos fidelidade a quem de direito. 

Uma expressão do amor a Deus
Outra coisa que aprendi é que louvor sincero não é um simples ato de elogio a Deus, mas sim um reflexo do amor que sentimos por Ele. 

Basta olhar em torno para ver que o mundo está cheio de louvor. O namorado louva as qualidades da namorada, usando versos, cartas, serenatas, etc. Os fãs de futebol louvam seus ídolos ao aplaudi-los nos estádios e ao segui-los nas redes sociais. Os adolescentes louvam seus artistas preferidos com gritos histéricos e pedidos de autógrafos, ou mesmo esperando dias numa fila para comprar ingressos para um show. E assim por diante. 

O louvor a Deus é importante porque aponta para a apreciação que sentimos por Ele. Quando amamos Deus verdadeiramente, o louvor brota de forma espontânea (Salmos capitulo 147, versículo 1). Portanto, a capacidade de louvar de verdade é um bom "termômetro" da dimensão do amor que temos por Deus.

Palavras finais 
As categorias para a avaliação de Deus são diferentes da do ser humano. Essas categorias nunca poderiam ser as mesmas, pois Deus é um Ser muito, mas muito, especial. Muito diferente de nós. E Ele está acima da nossa compreensão.

Deus não é vaidoso e a maior prova disso é a humildade que Jesus demonstrou quando viveu neste mundo. O louvor é um instrumento que Deus usa para nos manter numa relação saudável e estreita com Ele. E também é uma consequência inevitável dessa relação floresce. O louvor é fruto direto do amor que sentimos por Ele. 

Concluindo, louve a Deus sempre que puder, de todas as formas e com todo o seu ser.

Com carinho