domingo, 8 de setembro de 2019

ENFRENTANDO O MEDO DE SOFRER

Acredito que quase todo mundo tenha medo de sofrer. Esse é um sentimento praticamente universal. E o medo de sofrer marca a vida das pessoas e interfere muito no seu comportamento.
Agora, o que fazer quando o medo de sofrer bate às portas? O que fazer quando aparece uma ameaça importante na sua frente e você vier a sentir medo? A primeira coisa a fazer é qualificar esse medo. Todos os estudos apontam que menos de 1% dos nossos medos se transforam de fato em coisas negativas. Ou seja, sofremos por antecipação com problemas que nunca se tornam realidade. E a própria ciência explica a razão para isso.
Por exemplo, o Centro de Saúde Mental da Universidade do Texas, em Dallas, fez um estudo que contou com a participação de 26 adultos (19 mulheres e 7 homens) jovens (idades entre 19 e 30 anos). As pessoas precisavam reagir a informações que lhes eram passadas. Os resultados mostraram que o cérebro prioriza a informação ameaçadora em relação a qualquer outra. Trata-se de uma defesa natural do organismo.
Portanto, uma análise racional do seu medo de sofrer pode afastar muitos temores que não têm de fato apoio na realidade. E se você não conseguir fazer isso sozinho/a, peça ajuda a alguém que tenha cabeça boa e em quem você confie. Só essa providência simples já vai reduzir muito o seu sofrimento com esse tipo de situação. Provavelmente vai fazer com que você perceba que o perigo do qual você foge não é o perigo real à sua frente.
Não estou dizendo que o mesmo medo não vai aparecer de novo, mas você o verá de outro ponto de vista. Em lugar dele parecer um gigante, ele se tornará mais manuseável.

A segunda coisa é ajustar suas expectativas na vida. E isso passa por entender que somos seres mortais e vivemos num mundo onde o pecado se faz presente. E, portanto, o sofrimento é parte da vida. Ele é esperado e não há como fugir dessa condição. Jesus mesmo nos alertou sobre isso em João 16:33:

"Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo".
Essa redução de expetativas também vai ajudar muito, pois impedirá que você ache não estar recebendo de Deus um tratamento com a consideração que merece e por isso acabe por rejeitá-lo. A rejeição a Deus, fruto do sofrimento, é uma das maiores causas para as pessoas perderem sua fé. 
As primeiras duas providencias são de cunho mais prático, mas o passo seguinte já requer fé. A terceira coisa é trabalhar a certeza que Deus sempre se faz presente no sofrimento dos seus filhos/as. Isso porque Ele nos ama e também sabe o que é sofrer. Você nunca pode se esquecer que Jesus viveu entre nós e passou por coisas terríveis: traição, tortura, privações e assim por diante. Portanto, Deus sabe o que é viver todas essas dificuldades e isso o torna ainda mais solidário com o sofrimento humano. E como consequência, Ele manda ajuda: consolo através da ação do Espírito Santo.
E não é por acaso que muitas pessoas se aproximam de Deus e crescem espiritualmente justamente no período de sofrimento, pois aí sentem mais a presença de Deus nas suas vidas. O famoso escritor cristão C. S. Lewis, autor do conhecido livro “As crônicas de Narnia”, ensinou que a voz de Deus soa muito mais alta nos momentos de sofrimento. É aí que ela se sobrepõe a todas as distrações que o mundo gera.   

A quarta coisa é usar sua fé para ter confiança que Deus vai usar seu eventual sofrimento para gerar frutos bons. Em outras palavras, Deus faz do “limão” uma “limonada”.  Não estou afirmando que Deus cause o sofrimento das pessoas para fazer seus objetivos na terra avançarem (infelizmente, há quem pense dessa forma). Não é isso. Deus simplesmente usa o inevitável sofrimento humano para dele gerar bons frutos.


Um excelente exemplo disso é José, filho de Jacó, que foi vendido como escravo por seus enciumados irmãos. José sofreu muito no Egito, mas acabou se tornando o braço direito do faraó. E, nessa condição, conseguiu ajudar sua família a sobreviver um grande período de fome em Canaã, onde moravam. O mal que os irmãos de José lhe desejaram, acabou se tornando um bem para a família de Jacó, através da ação de Deus (Gênesis 50:20).

Outro exemplo, ainda melhor, é o próprio Jesus. Sua morte na cruz foi um ato injusto e terrível. Mas, é dela que vem uma enorme benção: a salvação humana. Foi o sacrifício de Jesus na cruz que abriu as portas da salvação para todos os seres humanos.  
Resumindo, você precisa entender essas coisas importantes que a Bíblia nos ensina:
  • Muito sofrimento que você teme nunca vai lhe acontecer – a maior parte do seu medo de sofrer é uma armadilha da sua mente
  • O sofrimento é coisa natural nesta vida.
  • Deus não vai abandonar você durante os momentos de dificuldade - o Espírito Santo sempre estará ao seu lado.
  • Ele, de alguma forma, vai usar o eventual sofrimento para gerar frutos bons, fazendo do “limão” uma “limonada”.
O entendimento disso tudo gera uma consequência muito importante: você tira o foco da ameaça que o assombra e o coloca em Deus, naquilo que Ele irá fazer na sua vida. E se você conseguir dar esse importante passo, vai conseguir fazer uma outra coisa, ainda mais importante. Vai conseguir reinterpretar a ameaça à sua frente e mesmo o seu eventual sofrimento. Em outras palavras, vai conseguir dar outro significado a tudo isso.
Jesus passou sua última noite de liberdade participando de uma ceia com seus discípulos. Foi como uma despedida da sua vida terrena, antes do início das dores. Um último momento de paz antes da tempestade que se aproximava.
Durante essa ceia, Jesus tomou o pão e o partiu, e disse que aquilo era seu corpo, entregue ao martírio para salvação dos seres humanos. Depois tomou o vinho, e disse que aquilo era seu sangue, derramado por todos nós. E mandou que os discípulos continuassem a se lembrar do seu sacrifício, comendo juntos o pão e bebendo o vinho (Marcos capítulo 14, versículos 22 a 26). E mediante esse simples ato, Jesus instituiu o sacramento da santa ceia, praticado até hoje pelos cristãos.

Ele reinterpretou seu sofrimento, mostrando para os discípulos o que viria de bom como fruto das suas dores. E, ao fazer isso, deu para os discípulos um motivo para ter esperança. Toda vez que eles participaram da santa ceia, ao longo das suas vidas, eles relembraram do sacrifício de Jesus e das promessas de Deus relacionadas com a salvação. Assim, os discípulos passaram a se sentir herdeiros do grande plano de Deus para salvação do ser humano.

A reinterpretação dos fatos mudou o significado do sofrimento de Jesus. Ele olhou além do mundo material, além da ameaça à sua sempre, e do seu sofrimento físico, e focou em Deus. E ao conseguir fazer isso, tudo mudou.
Manter seu foco em Deus, não importa a ameaça à sua frente ou o medo que vier bater à sua porta, vai permitir que você reinterprete sua situação. Você vai conseguir dar um outro sentido aos problemas e circunstâncias da sua vida.  Sei que isso é difícil de fazer, especialmente quando a ameaça é grande e o medo muito forte. Mas, se você aprender a fazer isso, sua vida será transformada. E você conseguirá perceber muito melhor a presença de Deus na sua vida. Portanto, quando o medo do sofrimento bater à sua porta, lembre-se que a resposta é focar em Deus.

Com carinho

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O QUE VOCÊ QUER?

O que você quer? Essa é uma pergunta fundamental na vida de qualquer pessoa. E uma das coisas que todo mundo quer é viver para sempre. Mas, isso não parece ser possível, pois o corpo envelhece e se deteriora, e a morte acaba sendo inevitável.

Portanto, não é possível viver para sempre nesse corpo que temos. Mas, é possível viver sim para sempre se você aceitar Jesus. Pois aí você terá acesso à vida eterna. Irá ressuscitar, ganhará novo corpo e viverá para sempre junto a Deus. Essa é a promessa que Ele deu para nós. E você pode ter certeza e se apossar dela.

Então, como tornar isso realidade? Simples, basta aceitar Jesus como seu salvador pessoal. Crer que Ele veio ao mundo para tirar seus pecados e pagou o preço disso com seu sacrifício numa cruz. Portanto, se você acreditar de todo coração em Jesus, essas promessas de Deus irão se realizar na sua vida. Você terá acesso à vida eterna.

O que você quer? Essa é uma reposta que você precisa ter na sua vida. E é sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo - veja o vídeo aqui

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

O JOGO DO EMPURRA

Você já ouviu falar do jogo do empurra? Ele é muito comum. Trata-se de empurrar a própria culpa para outra pessoa, para evitar enfrentar as consequências do que se fez. Vejamos um exemplo na Bíblia:
"... [Deus perguntou ao homem]: Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? Então disse o homem: A mulher que me destes por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. ... Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi." Gênesis capítulo 3, versículos 11 a 13 
Esse é um diálogo que está logo no começo do livro do Gênesis. Deus tinha dito para Adão e a Eva que poderiam fazer qualquer coisa, menos comer o fruto da "árvore do bem e do mal". Aí veio a serpente (Satanás) e tentou a mulher. Ela comeu e deu para Adão também comer. E aí começou a queda do ser humano.

É interessante perceber que quando Deus questionou Adão sobre sua culpa, o homem não assumiu o que tinha feito e lançou a responsabilidade sobre a mulher. Essa, ao ser questionada por Deus, por sua vez, culpou a serpente. A serpente não foi questionada, mas se tivesse sido, talvez tivesse culpado o homem ou devolvesse a bola para a mulher. Nasceu aí o jogo do empurra.

Essa é uma situação clássica que acontece toda hora no âmbito da família, da empresa e até da igreja. Ninguém quer ficar com a culpa por algo que saiu errado. E os esforços se concentram em jogar a responsabilidade para cima de outra pessoa ou mesmo atribuir o problema a uma circunstância fora do controle de todos.

E assim as pessoas vão encontrando formas de viver com seus erros e acalmando suas próprias consciências. Chegam atrasadas não porque saíram depois do horário devido, mas porque o trânsito estava ruim. Deixam de cumprir suas tarefas na igreja não porque lhes falte compromisso com o Reino de Deus, mas porque acham não ter tempo. Falam mal do próximo não porque são maledicentes, mas porque precisavam falar a verdade. E assim por diante.

Agora, o pior mesmo acontece quando as pessoas culpam Satanás pelo seu próprio pecado, como Eva fez. Eu costumo dizer que Satanás tem "ombros largos" e é culpado até pelo que não faz, embora certamente faça muita coisa ruim.

É claro que Satanás usa as fraquezas das pessoas para fazê-las cair em pecado - isso é da sua natureza. Mas são as pessoas que escolhem pecar, pois elas não são forçadas a fazer nada. Por isso a responsabilidade é sempre delas, aos olhos de Deus.

Todos nós erramos e fazemos escolhas ruins. Agora, se ao pecarmos, não formos capazes de reconhecer nossos próprios erros, se jogarmos a culpa do que fizermos nas outras pessoas, nas circunstâncias ou em Satanás, as coisas só vão piorar. E digo isso por três razões.

Primeiro, porque a atitude de negar o erro e de se esconder do malfeito, é prova de arrogância, o que desagrada a Deus. Ter humildade para reconhecer o próprio erro e pedir perdão a Deus são os primeiros passos para a redenção, pois, sem isso, não haverá perdão de Deus.

Depois, culpar outras pessoas ou circunstâncias pelos próprios erros é nocivo porque quem faz isso certamente vai repetir o erro. É simples assim. Tomar consciência do erro cometido é um poderoso antídoto para não repeti-lo.

E, finalmente, a tentativa de esconder o pecado pode nos levar a cometer outros pecados, como mentir ou lançar falso testemunho contra o próximo. Ou seja, o pecado inicial vira uma bola de neve, que vai rolando ladeira abaixo e crescendo sempre. 

O jogo do empurra é uma coisa muito perigosa para a vida espiritual de qualquer pessoa. Portanto, fuja disso. Reconheça o que você vier a fazer de errado, o quanto antes, peça perdão e lute para melhorar. É isso que agrada a Deus.

Com carinho

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

AS RAZÕES DE DEUS

As pessoas frequentemente querem saber as razões de Deus para agir de determinada forma. Fazem perguntas do tipo: Por que Deus agiu dessa forma e deixou de fazer determinada coisa? Por que isso aconteceu comigo (ou com quem eu amo)?

E penso que há duas razões para as pessoas insistirem em conhecer as razões de Deus, em saberem como Deus pensa. Uma delas é legítima e positiva, já a outra, nem tanto:

Melhorar o relacionamento com Deus
A primeira razão para se tentar enter as razões de Deus é procurar melhorar o relacionamento com Ele. Afinal, como em qualquer tipo de relacionamento, quanto mais uma parte conhece a outra, melhor fica. Deus já sabe tudo sobre as pessoas, mas a recíproca não é verdadeira. Assim, é legítimo que elas desejem saber mais sobre o pensamento de Deus e conhecer suas razões.

O problema é que o ser humano tem limitações inerentes à sua própria natureza e nunca poderá entender Deus em toda sua grandeza. Isso simplesmente está fora do nosso alcance. Nunca vamos conseguiríamos entender o pensamento integral de Deus, mesmo que Ele revelasse tudo o que pensa. Seria como imaginar que uma criança de 3 anos de idade possa entender a Teoria da Relatividade formulada por Einstein. Simplesmente não é possível.

Manipular o Sagrado
A outra razão para querer conhecer como Deus pensa e age é menos nobre. E seu ponto de partida é muito parecido com a motivação que leva os cientistas a buscarem entender o funcionamento da natureza.

A sede dos cientistas por saber a razão para o funcionamento de tudo que existe não se deve apenas a uma curiosidade natural. Em outras palavras, não se trata da busca do conhecimento apenas pelo conhecimento em si. Eles também buscam o conhecimento para desenvolver tecnologias, isto é, para encontrar formas para manipular o mundo físico a favor de determinados objetivos, como melhorar as condições da vida das pessoas e/ou obter lucro.

Por exemplo, o conhecimento de biologia serve para desenvolver remédios, fertilizantes, sementes mais produtivas, etc. Já o estudo da eletricidade e do magnetismo serve para o desenvolvimento de geradores e motores elétricos, a transmissão de energia a longa distância, etc.

Esse mesmo tipo de comportamento pode ser visto com clareza nas religiões mais primitivas - as pessoas tentam entender como seus deuses pensam e agem para obter seu favor através de oferendas, amuletos e encantamentos. Em outras palavras, tentam manipular o sagrado. Aliás, não foi por acaso que o começo da ciência moderna guarda estreita relação com o cristianismo.

Mesmo no meio cristão, as pessoas querem entender como Deus pensa para poder extrair bençãos dele. Conseguir que Deus as favoreça. Só que a doutrina cristã ensina com clareza que o favor de Deus é obtido através do exercício da fé, da oração, da obediência aos seus mandamentos, das obras de caridade, etc. 

Deus não se deixa manipular. Simples assim. Ele não muda de humor ou altera sua decisão porque alguém pratica um ritual específico ou dá mais dinheiro na igreja. Afinal, se fosse possível manipular Deus de alguma forma, Ele não seria digno do respeito e da adoração que lhe devemos. Ele não seria o Ser fantástico que sabemos que é.

O conhecimento sobre Deus é limitado mas suficiente
Conhecemos sobre Deus aquilo que Ele escolheu contar (revelar). A natureza, por exemplo, revela seu espírito criador e o brilhantismo da sua mente.

Sabemos mais detalhes sobre quem Ele é - por exemplo, sobre a Trindade formada por Pai, Filho e Espírito Santo - e sobre o plano da salvação - caracterizado pela vinda de Jesus ao mundo para nos salvar - através da revelação contida na Bíblia.

Deus ainda revela coisas específicas para as pessoas. Conta para elas coisas sobre seu futuro e também as adverte sobre possíveis desvios na sua conduta. Ele faz isso diretamente para a pessoa - através de sonhos e visões - ou indiretamente, através de profecias.

Apesar de todo esse conjunto de revelações, somente é possível entender Deus até certo ponto. É preciso aceitar que Deus guarda vários mistérios para si mesmo, ou seja, coisas que Ele não revelou e nunca vai contar

E precisamos aprender a nos contentar com essas limitações. As informações que temos são suficientes para podermos nos relacionar adequadamente com Ele. Para conseguirmos amá-lo, respeitá-lo, fortalecer nossa confiança nele e obedecer seus mandamentos. Em resumo, sabemos o suficiente para poder exercer adequadamente nossa fé.

Portanto, não perca seu tempo tentando obter respostas que vão além daquilo que Deus decidiu lhe revelar. Você pode e deve investir tempo e esforço para entender melhor aquilo que a Bíblia conta - e esse é um dos objetivos deste site. Mas você nunca vai conseguir saber tudo que gostaria. Há coisas que ficarão ocultas para você e todos os demais seres humanos. Isso é inevitável.

Portanto, o que lhe cabe fazer quando não entender algo, quando não souber porque Deus fez isso ou deixou de fazer aquilo, é exercer sua fé. Isto é, continuar a confiar nele, mesmo sem entender seus objetivos e razões.

Não se conformar com esse estado de coisas e tentar penetrar nos mistérios de Deus poderá trazer dois tipos de consequências ruins para você. A primeira delas é chegar respostas erradas, fruto da construção de interpretações fantasiosas da Bíblia. E é isso que muitos líderes religiosos inescrupulosos têm feito ao longo da história. Por exemplo, foi isso que os seguidores do pastor Jim Jones a participarem de um suicídio coletivo.

A segunda possível consequência ruim dessa busca é a frustração, por não conseguir encontrar as respostas desejadas. E essa frustração pode se transformar em revolta e levar você a se afastar de Deus. Já vi isso acontecer inúmeras vezes.

Concluindo, aprenda a aceitar as coisas como Deus as estabeleceu. E confie nele: no seu amor e na sua decisão inabalável de fazer o melhor por você. Amém.

Com carinho

sábado, 31 de agosto de 2019

OS CINCO AMIGOS DO MEDO

O medo tem amigos. Vários amigos. E hoje vamos falar dos cinco mais importantes - os verdadeiros “amigos do peito” do medo. E lembre-se sempre que os amigos do medo não são seus amigos. Eles até tentam parecer que são, porque isso ajuda o trabalho deles, mas querem mesmo é ver você derrubado. Portanto, muito cuidado com eles.
Amigo do medo 1: Sentimento de culpa
Num estudo anterior, mostrei que o medo entrou na vida humana quando Adão e Eva pecaram, ao comer o fruto proibido. Ao tomarem consciência do pecado cometido, seu sentimento de culpa gerou medo da reação de Deus (veja mais).
É importante entender bem a ligação entre culpa e medo. A culpa faz com que a pessoa entre numa espiral descendente, onde ela foca no tamanho da própria culpa e no tipo de punição pode vir a receber de Deus, esquecendo-se da misericórdia dele. Um dos melhores exemplos desse tipo de situação é Judas, o apóstolo que traiu Jesus. Depois de cometer a traição e se dar conta da enormidade do seu pecado, Judas foi esmagado pelo sentimento de culpa e acabou se suicidando. Judas nem considerou a hipótese de pedir perdão e apelar para a misericórdia de Deus.

Não há como deixar de reconhecer o poder que o medo e a culpa têm quando andam juntos. Um famoso pregador norte-americano, cerca de 270 anos atrás, fez um sermão que ficou famoso na história: Pecadores nas mãos de um Deus irado. O sermão foi tão forte e perturbador, que vários ouvintes desmaiaram de emoção. Milhares de cópias desse sermão foram impressas e ele é conhecido até hoje. O sermão teve tanto efeito justamente porque apelou para a culpa e o medo da punição divina. O objetivo era fazer com que as pessoas abandonassem suas vidas cheias de pecado.

Apelar para o medo e a culpa sem dúvida é uma estratégia efetiva e por isso usada por muitos líderes religiosos. O problema é que esse caminho tolhe a liberdade humana e impede que as pessoas construam um relacionamento construtivo com Deus. Afinal, como seria possível amar de fato um ser tão temido, como Deus?
Aí a relação com Deus se torna disfuncional e gera respostas muito estranhas por parte dos seres humanos. Algumas pessoas agem como Judas - pensam que seu caso é mesmo perdido, pois não há como Deus vir a perdoá-las - e simplesmente desistem de Deus. Outras pessoas vão por caminho diferente: ganhar o favor de Deus, tentam merecer seu amor. Isso as leva a um frenesi de atividades religiosas, que as fazem se sentir melhores e mais dignas do amor de Deus. Mas, sabemos que o amor de Deus não se ganha assim.
É preciso que você enfrente o sentimento de culpa e não deixe que ele prospere no seu coração. A forma de fazer isso é acreditar de fato na misericórdia de Deus e no seu amor por você. Afinal, esse amor é tão grande que Deus mandou seu filho ao mundo para morrer na cruz, visando o perdão dos seus pecados.
Amigo do medo 2: Dúvida
Outro, dentre os amigos do medo, é a dúvida. Ela alimenta a hesitação e rouba a confiança da pessoa na tomada de decisão. E aí o medo fica com caminho livre para florescer. Alimentar a dúvida, ficar questionando o que já se decidiu fazer e ficar olhar continuamente para trás, gera instabilidade, conforme a Bíblia ensina em Tiago 1:5-8:
Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois, aquele que dúvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. Não pense tal homem que receberá coisa alguma do Senhor; é alguém que tem mente dividida e é instável em tudo o que faz.
O melhor exemplo desse tipo de situação é a mulher de Ló, que olhou para trás, por ter ficada apreensiva e curiosa para saber o que estava acontecendo em Sodoma, de onde sua família estava fugindo, por orientação de um anjo. E ela acabou transformada em estátua de sal (Gênesis 19:15-26).

Você precisa consultar Deus antes de tomar decisões importantes na sua vida. Ore muito e ouça o que Ele tem para falar. Depois, tome a decisão e seja resoluto. Não fique hesitando e nem deixe a dúvida tomar conta. Há muito poder no ato de tomar uma decisão, confiar no amor e na proteção de Deus, e ir em frente.
Amigo do medo 3: Sentimento de rejeição
Outro dentre os amigos do medo é o sentimento de rejeição. Ele faz com que a pessoa se sinta separada do amor das demais pessoas e também do amor de Deus. E isso faz com que ela perca a conexões com quem está no seu entorno. E quando a pessoa se sente sozinha, separada de todos, e especialmente de Deus, o medo é um intruso que entra automaticamente no seu coração.
O medo, junto com o sentimento de rejeição, costuma levar a pessoa a usar medidas que parecem garantir sua sobrevivência, mas no fundo só trazem prejuízo. Por exemplo, ela pode construir muros emocionais, para não mais poder ser ferida pelos outros, esquecendo que acabou ficando prisioneira dentro desses mesmos muros. Ou ela pode afivelar uma máscara, para parecer mais adequada aos olhos do mundo, mas impedindo que seu “eu” verdadeiro seja visto e correndo o risco de investir tudo no pecado da hipocrisia. Ou também a pessoa pode canalizar todos os seus esforços para obter fama e riqueza, imaginando que assim será aceita por todos e por Deus, esquecendo-se que as coisas importantes da vida são espirituais e não materiais.

A solução para o sentimento de rejeição é a certeza de ter sido adotado por Deus como filho ou filha. Veja o que Paulo disse em Romanos 8:15:
Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temer, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: "Abba, Pai".
Rejeição é o contrário de adoção. E Deus oferece adoção a todo aquele que aceitar Jesus como seu Salvador. E essa adoção é gratuita, pois não depende de quem a pessoa é (qualidades ou defeitos), seu status, seu saldo bancário ou outra coisa qualquer. A adoção por Deus é automática para quem aceitou Jesus, portanto, não há mais qualquer risco de rejeição. Portanto, só é preciso que você entenda e aceite essa poderosa verdade no seu coração e passe a se sentir aceita.  
Amigo do medo 4: Sentimento de condenação 
Outro dentre os amigos do medo, é o sentimento de condenação. Ele é primo-irmão do sentimento de rejeição, pois ambos são pensamentos que condenam a pessoa. Embora Jesus não tenha vindo ao mundo para nos condenar, muitos crentes ficam continuando se condenando, lamentando suas fraquezas e imperfeições.
Ora, o sentimento de condenação é uma das formas que Satanás encontra para acusar e desqualificar o crente. É como uma “fake News”: espalha a ideia mentirosa da desaprovação e rejeição de Deus, especialmente por conta de coisas acontecidas no passado. E é impressionante como muita gente fica preso a esse tipo de coisa.

A condenação contínua impede a pessoa de aceitar a si mesma. Aí ela luta desesperadamente para fazer tudo com perfeição, coisa impossível para o ser humano, e se abate muito com seus erros ou fraquezas. E o antídoto contra essa doença é você abraçar o poder da graça de Deus e aprender a descansar nele. É permitir que o Espírito Santo reconstrua uma fundação de amor na sua vida e deixe que a graça de Deus entre nela e tome conta. E essa é uma das experiências mais libertadoras que existem.
Amigo do medo 5: Sentimento de autopiedade
Uma reação comum ao medo é a desesperança. E quando a pessoa segue por esse caminho, a autopiedade acaba por tomar conta. E a autopiedade funciona como areia movediça, pois não deixa a pessoa seguir adiante. Os próprios esforços que vier a fazer para se libertar, acabam fazendo com que afunde ainda mais no poço onde já se encontra. E aí se seguem tristeza e até depressão.
A autopiedade amarra a pessoa pois faz com que ela não mais encontre qualquer motivo para sentir esperança e conseguir se libertar da escravidão em que vive. A autopiedade traz um sentimento de derrota que parece definitivo. E aí o medo chega com toda a força.
Certa vez Jesus encontrou um paralítico tomado pela autopiedade – vejam João 5:5-9:
Um dos que estavam ali era paralítico fazia trinta e oito anos. Quando o viu deitado e soube que ele vivia naquele estado durante tanto tempo, Jesus lhe perguntou: "Você quer ser curado?" Disse o paralítico: "Senhor, não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar, outro chega antes de mim". Então Jesus lhe disse: "Levante-se! Pegue a sua maca e ande". Imediatamente o homem ficou curado, pegou a maca e começou a andar…
Quando Jesus perguntou ao paralítico se ele queria mesmo ser curado, a resposta que recebeu do paralítico foi surpreendente: uma queixa sobre a sua condição limitada. O paralítico não respondeu à pergunta e focou nas suas dificuldades, sem perceber que a solução para seus problemas estava diante dele!
O combate efetivo à autopiedade começa quando você reconhece a presença dela na sua vida. reconhecendo sua presença. Alguns sintomas são típicos dessa condição, como, por exemplo, a dificuldade de aceitar palavras de encorajamento, mesmo quando elas vêm da Bíblia.
E aí cabe uma pergunta que você precisa fazer a si mesmo: Você quer mesmo ser curado ou prefere ficar sentindo pena de si mesmo e com medo? É claro que o caminho é resolver se levantar e mudar a vida de rumo. E com a ajuda do Espírito Santo, a vitória contra a autopiedade e o medo pode estar ao seu alcance. Pode estar bem diante de você!
Palavras finais
Enfrentar o medo é muito mais do que somente exercer a própria fé em Deus. É claro que a fé é fundamental nessa luta, mas ela não é tudo, como mostrei na discussão acima.
Você precisa aprender a identificar e neutralizar os cinco amigos do medo. Esses cinco tipos de sentimento dão poder ao medo, fazendo com que ele crie raízes na sua vida. Portanto, não deixe que sentimento de culpa, autopiedade e outras coisas assim criem raízes na sua vida. Lute diariamente contra isso, com apoio dos ensinamentos da Bíblia, da oração e da ajuda dos seus irmãos e irmãs na fé. Amém.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

DIA DO DESCANSO

O dia do descanso é uma instituição de Deus. O mandamento que Ele deu é muito claro e simples. Você precisa tirar um dia por semana para descansar. Esse dia serve para estar com Deus e para poder fazer as coisas que alimentam sua alma. Aquelas coisas que agradam você trazem prazer para sua vida.

Deus sempre entendeu que esse dia era necessário na vida de cada ser humano. Por isso, já na saída do povo de Israel da escravidão no Egito, onde certamente não havia dia de descanso, Deus orientou Moisés a estabelecer que o povo devia tirar o dia de descanso semanal. E para deixar isso claro, tornou essa exigência um mandamento. Assim, o dia do descanso tornou-se um dentre os Dez Mandamentos. 

E a primeira referência referência a esse mandamento aparece justamente no livro do Êxodo. Afinal, esse é o livro da Bíblia onde está descrita a saída do povo de Israel da escravidão, sob a liderança de Moisés. A partir daí, Israel passou a adotar o hábito extremamente saudável de descansar uma vez por semana. 

E é exatamente sobre o mandamento de tirar um dia para descanso que falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

SUA IMAGEM PARA DEUS

Você tem duas imagens diferentes. Uma imagem é aquele que você tem diante dos homens. E a outra imagem é aquela que você tem diante de Deus. E elas podem ser bem diferentes entre si.

Certa vez Jesus quis saber qual a imagem que Ele tinha diante dos judeus e perguntou isso a seus discípulos - veja o texto:
...perguntou aos seus discípulos: Quem o povo está dizendo que o Filho do Homem é? E eles responderam: Alguns dizem que o Senhor é João Batista; outros que é Elias; e ainda outros que é Jeremias ou um dos outros profetas. Então Jesus perguntou: E vocês, quem vocês dizem que sou? Simão Pedro respondeu: O Senhor é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse Jesus: Deus abençoou você, Simão, filho de Jonas. Meu Pai que está no céu revelou isto pessoalmente a você. Isto não vem de nenhuma fonte humana. Mateus capítulo 16, versículos 14 a 17
No diálogo citado acima fica claro que a imagem construída pelos judeus sobre Jesus era bem distinta daquilo que Deus revelou para o apóstolo Pedro. Os judeus pensavam que Jesus era um profeta importante, como Elias, Jeremias ou João Batista. Enquanto isso, Deus revelou para Pedro que Jesus era o Messias, o Salvador da humanidade, o seu Filho unigênito. Coisas completamente diferentes.

A imagem que temos junto às pessoas e a que temos junto a Deus costumam ser diferentes simplesmente porque os critérios de avaliação da sociedade humana e de Deus são muito diferentes entre si. A sociedade humana, quando olha para uma pessoas, foca essencialmente na aparência da pessoa, ou seja, aquilo que ela aparenta ser, enquanto Deus olha para o interior, para as intenções da pessoa. 

Pessoas sem atrativo físico, sem sucesso profissional, sem boas conexões familiares ou profissionais costumam ser mal avaliadas pela sociedade, mas essas mesmas pessoas podem ser preciosas para Deus. 

Um ótimo exemplo dessa diferença de pontos de vista é João Batista. Jesus disse que ele tinha sido o maior dentre todos os profetas (Mateus capítulo 11, versículos 7 a 11). Mas para a sociedade judaica daquela época, João foi mesmo uma figura muito estranha: vivia no deserto, vestia pele de camelo, comia apenas gafanhotos e mel. E ficava incentivando todo mundo a se arrepender dos próprios pecados. 

Sem dúvida, a imagem feita por Deus de cada pessoa é a certa, pois ela se baseia num conhecimento completo das coisas e até das intenções do coração humano. E o julgamento da sociedade humana é imperfeito - basta ver que Jesus, sem qualquer pecado, foi crucificado. Portanto, não deveríamos nos preocupar tanto com o julgamento das pessoas, mas não é assim que agimos. A imagem que as outras pessoas fazem de nós pesa e pesa muito.

E a preocupação indevida com aquilo que as pessoas pensam a nosso respeito traz duas consequências muito negativas. A primeira delas é a hipocrisia - tentar passar para os outros uma imagem melhor do que a realidade. A segunda consequência negativa é a insegurança, que nasce da percepção de não estarmos à altura das expectativas que nós próprios e/ou os outros têm.

A hipocrisia acaba por tornar a vida do hipócrita num verdadeiro teatro, deixando essa pessoa incapacitada para ter convivência saudável tanto com Deus como com as demais pessoas. Enquanto isso, a insegurança "come" a pessoa por dentro e gera muito estresse.

Jesus nos orientou a seguir um caminho diferente e muito melhor. Ele disse que deveríamos nos concentrar naquilo que Deus pensa. Para Deus, não adianta querer mascarar a realidade (ou seja, a hipocrisia não funciona) e não há porque sentir insegurança (Ele nunca vai esperar de nós algo além da nossa capacidade). 

Mudar a imagem que a sociedade faz a seu respeito muitas vezes nem está a seu alcance. Afinal, nem todo mundo pode ter beleza, inteligência e/ou sucesso. Mas alcançar boa imagem junto a Deus está ao alcance qualquer pessoa, não importa a origem, a condição social, o sucesso, a beleza e assim por diante. Deus espera de nós apenas fidelidade e compromisso com seu Reino. 

Em outras palavras, Ele espera de você apenas aquilo que você pode dar. E tudo que você vier a fazer pelo Reino de Deus será reconhecido. E tanto é assim, que nem um copo de água, dado com amor, ficará sem sua devida recompensa (Mateus capítulo 10, versículo 42).

Com carinho