sexta-feira, 1 de novembro de 2019

SOMOS ORIGINAIS

Somos produtos originais, criados por Deus. Não somos cópias falsas, empobrecidas, de um produto real. Somos produtos autênticos e, nesse sentido, originais.

E isso é uma coisa da qual precisamos ter sempre consciência e precisamos ser gratos. Precisamos sempre agradecer a Deus por aquilo que Ele fez e continua a fazer em nossas vidas - como Davi fez no belíssimo Salmo 100.

Mas, nunca se iluda: não somos produtos já prontos. A Bíblia ensina que estamos em contante desenvolvimento, pois somos continuamente moldados e transformados por Deus, através das experiências que vivemos no nosso dia-a-dia.

E assim temos oportunidade de ir crescendo moral e espiritualmente. Podemos nos tornar mais corajosos, pacientes, amorosos e capazes de perdoar. E também sermos mais atuantes na obra de Deus e ficarmos mais próximos dele.

Podemos modificar nossa natureza, com a ajuda de Deus, e ir corrigindo os nossos eventuais desvios de comportamento, acabando por nos tornar mais parecidos com nosso modelo de comportamento: o próprio Cristo. É como se nossa criação estivesse em andamento, nunca acabando de fato. Sempre podemos melhorar e fazer mais e melhor.

Esse é o tema do meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

NÃO FAÇA UMA SALADA COM A DOUTRINA CRISTÃ

Tem muita gente que faz uma salada com a doutrina cristã e isto é muito ruim. Afinal, ser cristão é seguir uma receita que estabelece aquilo que se deve acreditar e como se deve proceder.

Essa receita está pronta e se encontra na Bíblia. Mas, infelizmente, muita gente, não querendo passar uma imagem de intolerante ou quadrado, acaba por se se omitir quando temas mais controversos aparecem nas conversas sociais. Quando se conversa sobre coisas como o quê é pecado, como a pessoa pode ser salva, quem vai ou não para o inferno e por aí vai.

Omitir a verdade, para não incomodar ou escandalizar a pessoa com quem se está conversando, é o que poderia ser chamado de "bondade vazia". Parece ser algo bom, mas acaba prejudicando a pessoa com quem se está conversando. Afinal, ela acaba sendo privada de conhecer a verdade sobre aquilo que a Bíblia fala de fato a respeito de determinados assuntos e acaba tendo uma visão "adocicada" do cristianismo.

Não faça uma salada com a doutrina cristã. E é sobre isso que a Alícia e o pastor metodista Eduardo falam no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes da Alícia aqui e aqui.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

E QUANDO O SLOGAN NÃO ESTÁ NA BÍBLIA?

Slogan é uma frase curta que resume uma mensagem importante, que precisa ser bem fixada pelas pessoas. E isso é uma rama muito poderosa.

Lembro-me do slogan "Brasil grande", usado para divulgar os resultados obtidos pelo Governo militar brasileiro, apelando para o patriotismo das pessoas. E ninguém esquece de slogans usados na propaganda de produtos, famosos, como "Coca Cola tem sabor de festa".
As denominações cristãs também recorrem a slogans, que são martelados constantemente na cabeça dos seus frequentadores. Esses slogans tentam passar ensinamentos bíblicos poderosos em frases simples de lembrar.
Não há nada de errado em usar slogans desde que eles transmitam uma mensagem verdadeira. O slogan "Brasil grande" foi ruim porque ele não refletia a realidade do nosso país. E será que a Coca Cola tem mesmo gosto de festa? Acredito que não.

O mesmo problema aparece com os slogans cristãos. Alguns deles não refletem a realidade dos fatos, pois partem da leitura errada da Bíblia. E slogans cristãos imprecisos podem causar grande estrago na vida das pessoas, precisando ser combatidos. Vou dar um exemplo aqui.

O slogan "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" é muito repetido nas igrejas cristãs. Ele se baseia no texto de Romanos capítulo 8, versículo 28, o terceiro versículo mais popular da Bíblia (veja mais). Esse slogan ficou famoso por ser entendido como uma promessa de Deus estabelecendo que os cristãos não vão ser atingidos pelo mal.

E aí as pessoas ficam sabendo que o filho querido de um pastor morreu atropelado ou que toda uma paroquia foi destruída, durante um culto, por uma enxurrada ocorrida. Como explicar que desgraças como essas aconteçam com cristãos sinceros? 

Não conseguindo encontrar uma explicação viável para a contradição entre a promessa de proteção definida pelo slogan famoso e os fatos da vida, muitas pessoas acabam desapontadas com Deus. E fraquejam na sua fé. 

Essa situação é equivalente àquela em que a pessoa acredita que a Coca Cola tem mesmo gosto de festa. Aí compra e bebe o conteúdo de uma lata e se desaponta com o que sentiu. O problema não está no refrigerante em si e sim na expectativa criada pelo slogan famoso.
Deus nunca fez uma promessa de proteger os cristãos de todo mal, conforme muita gente acredita. Afinal, Jesus nos alertou que no mundo teremos aflições (João capítulo 16, versículo 33). E o erro do slogan famoso vem de uma interpretação errada do que significa a palavra "bem" na Bíblia.
As pessoas costumam entender "bem" como coisas boas e/ou realizações dos seus sonhos - saúde, paz, felicidade no amor, prosperidade, etc. Logo, se a Bíblia disse que tudo contribui para nosso bem, não deveríamos ser atingidos pelo mal. Deveríamos estar seguros contra os problemas.

Mas, Paulo, o autor desse versículo, sabia que a vida é cheia de problemas que acontecem com todos, inclusive os cristãos. A própria vida dele prova isso - Paulo foi preso diversas vezes, torturado, passou todo tipo de necessidade, naufragou e assim por diante (2 Coríntios 11:16-33). Portanto, Paulo não se referia ao conceito de "bem" usado no mundo secular.

Paulo falou de outro tipo de "bem". E o versículo 29 do capítulo 8 de Romanos, explica isso perfeitamente:
"... também os predestinou para serem conformes a imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos".
A definição correta de "bem" aqui é estar cada vez mais de acordo com o exemplo de vida dado por Jesus - esse é o significado de ter a mesma imagem que Ele. Significa passar por um processo de mudança interior que Paulo chama de santificação (veja mais). Ter o bem na própria vida é parecer como Jesus.
Não há como negar que os cristãos passam por problemas, mas Deus trabalha para transformar essas experiências negativas em avanços na vida espiritual das pessoas. Ele faz do "limão" uma "limonada". Esse é sentido real do slogan que diz todas as coisas contribuem para nosso bem.
O ensinamento de Paulo é que tudo, até o sofrimento e a injustiça, gera ensinamentos para levar os cristãos para mais perto de Cristo. E isso é um "bem" que não tem preço. 

Agora, explicar isso não é tão atrativo para as pessoas como dizer para elas que Deus lhes prometeu que não vão ter problemas (a aforma açucarada do slogan). E por isso essa segunda interpretação do slogan é preferida e se tornou tão popular. O preço de fazer isso é a decepção com Deus quando os problemas batem à porta.

Com carinho

sábado, 26 de outubro de 2019

VIVENDO COMO SE DEUS NÃO EXISTISSE

Há cristãos que vivem como se Deus não existisse. Em outras palavras, são pessoas que se acreditam cristãos e talvez até sigam alguns ritos dessa religião, mas, naquilo que importa de fato - suas atitudes -, não levam Deus em conta.

No Apocalipse capítulo 3, versículos 14 a 21, João, o autor do texto, recebeu sete mensagens de Cristo, dirigidas a igrejas localizadas na Ásia Menor. Na mensagem para a igreja de Laodiceia, Cristo alertou que aquela comunidade era morna (nem fria e nem quente) na sua fé e por causa disto poderia ser “vomitada” da sua boca. Palavras assustadoras.

A situação da igreja em Laodiceia é exatamente a mesma de muitos cristãos hoje em dia, portanto a mensagem do Apocalipse continua muito atual. Essas pessoas dizem acreditar em Jesus, como o Salvador de suas vidas, mas vivem, na prática, como se isso não fosse verdade. Vivem como se Deus não existisse. 

Cristãos "mornos” são aqueles que nada fazem para modificar suas vidas, para torná-las mais de acordo com os ensinamentos de Jesus. Essas pessoas até pensam ser sinceras na sua fé, mas sua crença não é suficiente para modificar sua vida. 

A verdade é que a fé dessas pessoas não tem raízes suficientemente profundas para produzir resultados concretos. Ora, a Bíblia (Tiago capítulo 2, versículos 17 e 18) fala que a fé sem resultados (obras) é morta e para nada serve. Em outras palavras, os resultados concretos é que medem a "saúde" da fé de cada pessoa. 
E que resultados são esses? Em primeiro lugar, é preciso colocar Deus antes de tudo. Isso significa, dentre outras coisas, confiar n´Ele inteiramente, estar constantemente com Deus (em oração e louvor) e levar a sério tudo que Ele nos pede para fazer. 
Cristãos mornos não dão muito espaço para Deus em suas vidas - outras coisas são bem mais importantes, como lazer, trabalho, família e até o time de futebol. E isso não está certo.

O segundo resultado fundamental é ter amor para com o próximo. Essa exigência pode ser resumida na seguinte frase: aja com os outros como você gostaria que eles agissem com você. 

Há muitas outras coisas que são derivadas desse mandamento. Uma delas é a necessidade de você fazer um esforço constante para levar outras pessoas para Cristo. E a razão para isso é simples: se você acha que Cristo é imprescindível em sua vida, deve querer o mesmo para as demais pessoas. Você não pode ficar calado/a ou omisso/a em relação à pregação do Evangelho de Cristo.

Mas, o amor ao próximo inclui também coisas, como paciência, boa disposição, gentileza, caridade, perdão, etc. Sem esquecer o autocontrole no trato do próximo. 
É verdade que o progresso obtido nessas diferentes áreas da vida costuma ser desigual. Alguém pode ser caridoso, mas ter muita dificuldade em perdoar ou ter baixo autocontrole. Eu mesmo, tenho tido dificuldades com a questão da oração. Confesso sentir inveja “santa” daquelas pessoas que conseguem ficar longo tempo orando, sem perder a concentração, coisa difícil para mim.
O importante não é tirar nota dez em todos esses quesitos e sim avançar sempre, melhorar continuamente, ainda que seja mais numa área do que na outra. É viver um processo de aperfeiçoamento contínuo, rumo a um ideal traçado por Jesus. 

Agora, se o tempo vai passando e nenhuma transformação significativa na vida do cristão acontece - se a pessoa não abandona seus maus hábitos e coloca outros melhores no lugar - é preciso fazer um autoexame para verificar se a fé não está “doente”. Se aquela pessoa não se tornou espiritualmente "morna". Se não vive , na prática, como se Deus não existisse.

E se for esse o caso, a pessoa espiritualmente "morna" não pode e nem deve hesitar em procurar ajuda. E essa ajuda pode vir através de pastores e irmãos na fé, bem como pela participação em grupos de estudo da Bíblia e em reuniões de oração.  
Não corra o risco de deixar sua fé esfriar. Não viva como se Deus não existisse. Faça algo a esse respeito, corrigindo as deficiências enquanto houver tempo. E quanto antes melhor.
Com carinho

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

QUAIS NORMAS SOCIAIS VOCÊ SEGUE?

Você obedece uma série de normas sociais das quais talvez nem se dê conta. Por exemplo, quando entra no elevador, normalmente sempre fica sempre de frente para a porta pois é considerado pouco educado ficar encarando as outras pessoas. Quando vai numa festa, cumprimenta todas as pessoas que conhece, pois seria deselegante entrar e sair sem fazer isso. E assim por diante.

As normas sociais variam de país para país e é por isso que às vezes se torna tão difícil adaptar-se à vida num país estranho. Aqui no Brasil, se você for convidado/a para uma festa às oito da noite, calibrará sua chegada para mais ou menos meia hora depois. Nos Estados Unidos ou na Alemanha, esse atraso seria considerado falta de educação. Os donos da festa esperam que você seja pontual.

Essas normas controlam nossas vidas em todos os campos: família, trabalho e até na igreja. Elas estão presentes em todos os momentos. E, muitas delas, mesmo quando não são tão boas assim (como o brasileiro aceitar certa impontualidade), não geram grabes consequências. Mas, há casos em que normas sociais inadequadas têm potencialidade de casuar estragos significativos.

Por exemplo, cerca de 55 anos atrás, alguns jovens da igreja metodista do Catete, no Rio de Janeiro, quiseram introduzir guitarras e bateria no louvor, durante os cultos. Até então, a música na igreja estava restrita ao tradicional órgão. A troca de instrumentos  era uma quebra das normas sociais em vigor e as pessoas mais conservadoras reagiram fortemente.

Os jovens foram muito criticados e não acabaram indo embora da igreja, o que teria sido um desastre, porque alguns dirigentes, mais flexíveis, instituíram o "culto jovem", onde a mocidade passou a ter espaço para tocar música no seu estilo. É interessante observar que hoje quase toda a música nas igrejas evangélicas usa guitarras e bateria e o órgão ficou restrito a ocasiões bem especiais. As normas sociais a esse respeito mudaram totalmente.

Agora, há hoje uma norma social muito seguida pelo público evangélico e que eu acho muito ruim. Ela diz que "evangélicos devem dar preferência para outros evangélicos". Assim, evangélico deve votar em candidato evangélico porque tal candidato vai defender no governo as causas que são importantes para os crentes. E não importa para muitos que boa parte dos políticos evangélicos eleitos tenha comportamento muito pouco ético no trato dos interesses públicos.

A mesma norma diz que evangélico só deve fazer terapia com profissional cristão para ter garantia que seu pensamento não vai ser subvertido. E essa norma não leva em conta que há vários terapeutas evangélicos mal formados, que frequentaram cursos simples de aconselhamento cristão sem grande base científica e conduzem terapias totalmente inadequadas. Já vi isso acontecer. 

Mais recentemente, essa norma foi levada ao ponto de dizer que evangélico deve comprar roupa de loja evangélica, porque ali são fabricadas roupas apropriadas para mulheres e jovens cristãs. Nunca esquecendo que esse tipo de loja costuma fazer patrocínio de conjuntos de música gospel e de ações de evangelização. Agora, tempos atrás, o programa Profissão Repórter, da Globo, fez uma corajosa denúncia sobre trabalho escravo no ramo de confecção. E na denúncia apareceu uma das mais importantes lojas de roupas evangélicas, revendendo tranquilamente produtos que tinham sido fabricados com base nesse tipo de trabalho. Questionados, os donos da tal grife negaram saber que seus fornecedores cometiam esse crime, portanto, ou eram completamente desavisados ou estavam lucrando de forma incompatível com os ensinamentos cristãos.

Acho que já ficou claro para você que essa norma pode causar grande estrago e nunca pode ser seguida cegamente. Nós, como cristãos, devemos sempre buscar pessoas sérias e competentes e, se forem evangélicas, melhor ainda. Mas, ser evangélico, por si só, não deve dar caminho livre para ninguém, pois há muita hipocrisia no mundo. 

Há outras normas "furadas" operando nas igrejas. Por exemplo, "ninguém deve tocar nos ungidos de Deus"  - leia-se pastores não podem ser criticados façam o que fizerem. Ora, o fato de alguém ter a formação teológica que o leva a ser consagrado pastor e/ou se arrogar esse título, não o torna automaticamente ungido por Deus. Todos sabemos que há pastores ruins e até desonestos, causando muito mal aos seus rebanhos. Pastores podem ser criticados sim, como os outros seres humanos, caso se afastem das normas de conduta que a Bíblia estabelece. Simples assim.

Um outro exemplo de norma evangélica "furada" é aquela que aceita o rótulo "gospel" como uma coisa meio santificada e boa. Assim, a música gospel é boa e a música secular não. A literatura, se for gospel, serve para a juventude cristã, o outro tipo de literatura deve ser evitado. E tome de "balada gospel", "carnaval gospel" e talvez venhamos chegar a ter "inferno gospel", como bem me alertou um amigo meu outro dia. 

Nunca se esqueçam que rotular alguma atividade ou coisa de "gospel" é frequentemente um simples recurso de marketing, visando chamar atenção do público evangélico. A ideia que o "gospel" é bom e apropriado para o consumo dos crentes precisa ser olhada com cuidado.
Portanto, tome cuidado com as normas sociais que regem sua vida, especialmente aquelas que controlam o exercício da sua vida espiritual.

Com carinho. 

terça-feira, 22 de outubro de 2019

AS QUATRO LEIS ESPIRITUAIS

Você conhece as quatro leis espirituais que regem nossa relação com Deus? Se não conhece, este é um bom momento para parar alguns minutos e aprender sobre esse importante tema. Afinal, ele é fundamental no processo de evangelização de outras pessoas. É preciso falar dessas leis quando você estiver tentando converter alguém ao Evangelho de Cristo.

De forma resumida, as quatro leis espirituais estabelecem que:
1) Deus nos ama e esse amor é incondicional, ou seja, não depende de quem você é ou do que faz. Esse amor depende apenas de quem Deus é. Está relacionado com a natureza dele.

2) Todos pecam e, por isso, acabam se afastando de Deus. E a razão para esse afastamento é simples: Deus é santo e não tolera o pecado.

3) Cristo morreu na cruz pelos pecados dos seres humanos. Esse sacrifício abre as portas para sua reconciliação com Deus, ou seja, para sua salvação.

4) A pessoa precisa aceitar Cristo como seu salvador pessoal, para que esse sacrifício produza efeito. Você precisa aceitar Jesus como seu salvador e confessar isso abertamente.

É sobre esse tema que a Alícia e o pastor metodista Eduardo Seixas falam num novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes da Alícia aqui e aqui.

domingo, 20 de outubro de 2019

A ANSIEDADE QUE GERA MEDO

Ansiedade gera medo e desconforto. Quem nunca ficou com medo numa situação que envolvia risco, como uma mudança de emprego, o início de um novo relacionamento ou mesmo uma cirurgia de porte?
O problema é que o nível de ansiedade que gera medo não costuma ser proporcional ao tamanho do risco. Pessoas muito ansiosas sofrem com situações que não deveriam causar qualquer tipo de estresse. É um sentimento terrível que domina as vidas delas.
Outro dia li a história de uma senhora que sofre quando vai passar pela vistoria pessoal, antes de embarcar num avião. Seus batimentos cardíacos aumentam e ela sente o estômago apertado porque teme que alguma coisa venha a dar errado. E se ela for barrada e impedida de viajar? E se os agentes de segurança começarem a lhe fazer perguntas embaraçosas? Ela fica aliviada toda vez que passa pela inspeção sem problemas, mas fica sempre com o sentimento que algum dia sua sorte vai acabar…

Conheci um engenheiro, que era empregado de uma grande estatal. Durante o mês de entrega da declaração de imposto de renda, o nível de ansiedade desse homem atingia valor recorde. Ele acordava de madrugada para conferir suas contas, com medo de ter feito alguma coisa errada. E só entregava a declaração na última hora, pois tinha medo que o governo mudasse alguma coisa e ele fosse pego de “calças curtas”. Acabado o período de entrega da declaração, a ansiedade baixava, para voltar a crescer cerca de um ano depois…

Os exemplos desse tipo de comportamento são intermináveis e o resultado final é sempre o mesmo: enorme desconforto pessoal. Uma vida de qualidade baixa.
Jesus sabia que a ansiedade que gera medo ataca muitas pessoas e se referiu a esse problema mais de uma vez – por exemplo, em Mateus 6:25:
Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir
Ele alertou para que não fiquemos ansiosos quanto a termos o suficiente para viver nossas vidas. Se temos tempo bastante para fazer todas as tarefas do dia, se dispomos de recursos financeiros suficientes para enfrentar as despesas mensais, se temos competência bastante para fazer o trabalho que nos foi destinado e assim por diante.
E Ele concluiu explicando que a ansiedade que gera medo não adianta nada (versículo 27):
Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?
Ficar ansioso e amedrontado é como sentar numa cadeira de balanço e achar, porque há movimento, que se está saindo do lugar, se está alcançando algum resultado. E isso é pura ilusão. Ansiedade e medo não geram qualquer resultado prático, só atrapalham.

Há preocupações que são legítimas e até ajudam as pessoas a se prepararem para as eventualidades da vida. Mas, na esmagadora maioria dos casos, ansiedade e o medo dela decorrente não guardam muita ligação com a realidade dos fatos, com os riscos que a pessoa enfrenta, como a mulher que entra em pânico, sem razão, ao passar na inspeção no aeroporto ou o homem que sofre desnecessariamente com a declaração de imposto de renda.
A ansiedade que gera medo, conforme Jesus alertou, desconsidera a presença de Deus. Não leva em conta que temos um Pai para quem podemos apelar quando em dificuldades. Isso me lembra o relato de um pai sobre o que aconteceu com sua filha de 6 anos. A criança estava com pressa e ansiosa porque o ônibus da escola estava para chegar. E acabou fazendo uma grande bagunça com os cadarços do seu tênis. Como não conseguia resolver o problema, a ansiedade foi aumentando. Ela não se deu conta que, ao lado dela, estava o pai, que podia ajudá-la a sair do enrosco. Quando a menina começou a chorar, derrotada pelas circunstâncias, sentindo-se perdida e impotente, o pai se ajoelhou e resolveu facilmente o problema.
Nós frequentemente agimos exatamente como essa menina. E há uma passagem na Bíblia que fala exatamente sobre esse tipo de situação – veja o que diz Marcos 6:31-38:
Havia muita gente indo e vindo, a ponto de eles não terem tempo para comer. Jesus lhes disse: "Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco". Assim, eles se afastaram num barco para um lugar deserto. Mas muitos dos que os viram retirar-se, tendo-os reconhecido, correram a pé de todas as cidades e chegaram lá antes deles. Quando Jesus saiu do barco e viu uma grande multidão, teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar-lhes muitas coisas. 
Já era tarde e, por isso, os seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: "Este é um lugar deserto, e já é tarde. Manda embora o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar algo para comer". Ele, porém, respondeu: "Deem-lhes vocês mesmo algo para comer". Eles lhe disseram: "Isto exigiria duzentos denários! Devemos gastar tanto dinheiro em pão e dar-lhes de comer?" Perguntou ele: "Quantos pães vocês têm? Verifiquem". Quando ficaram sabendo, disseram: "Cinco pães e dois peixes".
Jesus já tinha ficado muito popular e era constantemente assediado pelo povo, sedento de ensinamentos e milagres. E os discípulos trabalhavam muito, recebendo as pessoas, fazendo triagem dos pedidos, organizando os atos públicos e até fazendo a segurança de Jesus.
Certo dia, notando que os discípulos estavam cansados, Jesus levou-os para um lugar mais afastado. Mas, o povo percebeu esse movimento e foi atrás de Jesus, chegando antes naquele lugar. E Jesus teve pena da carência das pessoas e passou a atende-las.

A noite se aproximava e os discípulos ficaram ansiosos: aquele lugar era deserto e como fariam para dar comida para a multidão (cerca de 5 mil pessoas)? Foram até Jesus e lhe disseram para dispensar as pessoas, para que elas pudessem procurar o que comer. Reparem que, ao longo desse diálogo, os discípulos não trataram Jesus com a costumeira deferência. Sua ansiedade tornou-os ríspidos.
Jesus surpreendeu-os dizendo para eles mesmos encontrarem a comida necessária. E os discípulos responderam que isso seria muito caro – custaria o equivalente a 8 meses de salário de um trabalhador. E um inventário da comida existente indicou haver apenas 5 pães e dois peixes.
A ansiedade e o medo dos discípulos devem ter chegado ao máximo naquele momento: o que eles deveriam fazer? Uma multidão daquele tamanho, irritada e descontrolada, poderia causar muitos problemas.
Os discípulos nunca perceberam que havia resposta para sua preocupação. Diante deles estava o Mestre que continuamente lhes ensinara:
Por isso lhes digo: Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Lucas 11:9 
Portanto, eu lhes digo: tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim lhes sucederá. Marcos 11:24
Mas, os discípulos nunca apelaram para Jesus, segundo o relato de Marcos. Foi preciso que Jesus mesmo tomasse a iniciativa para que o problema fosse resolvido.

A ansiedade gera medo porque as pessoas querem ter certezas, precisam de segurança completa. E não conseguem isso porque lhes falta fé, confiança em Deus.

Talvez, bem lá no fundo, a pessoa ansiosa ache que Deus não quer se envolver com os pequenos problemas da sua vida – Ele seria muito ocupado para fazer isso. Ou, talvez pense que ela mesma sabe melhor daquilo que precisa e Deus não irá tomar conta das coisas tão bem quanto ela mesma. Ou outra possibilidade qualquer.
Jesus ensinou que, se a pessoa confiar mesmo em Deus, não terá razão para ficar ansiosa. Não terá razão para sentir medo. Essa constatação dá possibilidade de montar uma receita para enfrentar a ansiedade e o medo dela decorrente:
  • Passo 1: Ore entregue sua ansiedade e seu medo nas mãos de Deus. Por exemplo, não fique andando para lá e para cá na sala de espera do hospital: ore pela cirurgia e pelos médicos. Não fique com medo do emprego novo: ore para ter sabedoria para enfrentar a situação e para que seu novo chefe e novos companheiros de trabalho recebam bem sua presença. Esse procedimento segue o ensinamento de Filipenses 4:6-7:
Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.
  • Passo 2: Entregue sua ansiedade para Deus. Escreva sua preocupação num pedaço de papel, date e coloque-o o papel numa caixa com o rótulo “entregue a Deus”. Ao fazer isso, você estará entregando aquela ansiedade nas mãos de Deus.
  • Passo 3: Se a preocupação voltar, lembre-se que dar espaço para ela seria como pegar o papel. Seria como tirar o problema das mãos de Deus e você não vai querer fazer isso. Portanto, resista.
Sugiro ainda que, periodicamente, você pegue os papéis que estão dentro dessa caixa e leia-os. E rememore o que aconteceu. Tenho certeza que você vai se dar conta de algumas coisas. A primeira delas é que a esmagadora maioria das suas ansiedades e medos não tinham qualquer suporte na realidade – simplesmente estavam dentro da sua cabeça.
Depois, você vai se surpreender com a ação de Deus na sua vida. As muitas coisas que Ele fez por você. E aí será um bom momento para agradecer-lhe e louvá-lo. E isso sempre me faz lembrar de um hino muito conhecido, cuja letra diz:

                             Conta as bênçãos, dize quantas são
                             Recebidas da divina mão
                             Vem dizê-las, todas de uma vez
                             E verás surpreso, quanto Deus já fez