quarta-feira, 29 de abril de 2020

O ESTRANHO CASO DE ANANIAS E SAFIRA

O caso de Ananias e Safira é uma daquelas situações relatadas na Bíblia que são difíceis de entender e até mesmo aceitar (dentro dos padrões atuais de julgamento). 

A história desse casal é simples e está relatada em Atos dos Apóstolos capítulo 5, versículos 1 a 11: Eles venderam uma propriedade que tinham e doaram boa parte do valor recebido para o caixa comum que os membros da primeira igreja cristã mantinham - esse dinheiro ficava sob a guarda dos apóstolos. O restante do valor obtido na venda o casal guardou, para ter alguma segurança. 

O problema apareceu quando os dois afirmaram para os apóstolos que tinham entregue para eles todo o produto da venda da sua propriedade. Ananias e Safira quiseram o melhor dos dois mundos: posar de bons cristãos e ter a segurança de um dinheiro guardado.

O casal mentiu para seus líderes espirituais e foi hipócrita, achando que podia enganar o Espírito Santo. E foram castigados com a morte. Será que essa dureza com Ananias e Safira foi justificada?

Acredito que sim, mas para que você possa entender todo o alcance daquela situação espiritual, preciso primeiro falar da vida na primeira comunidade cristã, fundada pelos apóstolos, em Jerusalém.

Os membros daquela comunidade decidiram ter todos os bens em comum, para que cada pessoa recebesse aquilo que precisava para viver com dignidade (Atos capítulo 2, versículos 44 a 47; capítulo 4, versículos 32 a 37). Essa medida foi tomada porque boa parte daquelas pessoas tinha vindo de outras regiões do império romano e teria dificuldade para se manter em Jerusalém, local onde não tinham raízes. Além disso, os primeiros cristãos enfrentaram discriminação social por causa da sua fé, o que tornou vários deles incapazes de prover o próprio sustento.

A prática de ter tudo em comum somente funcionou naquela comunidade e ela não pode ser tomada como mandamento de Deus - foi uma escolha livre de daquelas pessoa. E tanto foi assim, que a Bíblia, em outra passagem (Atos capítulo 11, versículos 27 a 30), fala de uma doação feita pela igreja cristã em Antioquia em favor dos irmãos mais pobres de Jerusalém. Nesse outro momento não houve compartilhamento de bens e sim uma oferta de ajuda financeira, como é comum acontecer hoje em dia. 

A ideia de ter bens em comum somente teve sentido na primeira comunidade cristã, em Jerusalém, grupo com forte sentido de coesão e comunhão, com uma liderança (os apóstolos) especialmente preparada por Jesus (veja Atos capítulo 5, versículos 3 e 4 para maiores detalhes). 

Se Ananias e Safira tivessem sido sinceros e assumido, perante os apóstolos, terem guardado parte do dinheiro, nada lhes teria acontecido. Certamente teriam sido olhados com desagrado e desconfiança por membros da igreja de Jerusalém, mas não teria passado disso.

Mas o casal pensou que podia enganar o Espírito Santo e isso foi um pecado muito sério. Afinal, tudo que aconteceu naquela primeira comunidade foi fundamental para o desenvolvimento do cristianismo. E Deus não poderia permitir que a mentira e a hipocrisia prosperasse naquele meio. Por isso a punição foi tão severa.

Ensinamentos para os dias de hoje
Quais ensinamentos podemos tirar para os dias de hoje? Há muitos, mas vou me concentrar em três deles.

Primeiro, é preciso dar com alegria. Se você tiver alguma dúvida no seu coração quando for fazer uma oferta para a obra de Deus, é preferível não dar nada. Só dê com o coração leve, com alegria de ter o privilégio de estar contribuindo para o Reino de Deus.

Segundo, nunca assuma compromissos com Deus que não tenha intenção de cumprir. Infelizmente, vejo isso acontecendo com frequência nas igrejas - por exemplo, as pessoas se inscrevem como voluntárias para cumprir determinadas tarefas (ou seja dizem que vão dar do seu tempo para a obra de Deus) e depois nada fazem. E, ainda pior, não demonstram qualquer preocupação ao agir assim.

Finalmente, com Deus não se brinca. Ananias e Safira acharam que poderiam enganar o Espírito Santo, demonstrando falta de temor e respeito por Deus. E isso não pode acontecer. Nunca.

Com carinho

segunda-feira, 27 de abril de 2020

SERVIR E SER SERVIDO

Todo cristão passa por momentos na vida em que é servido, ou seja, precisa de ajuda e encontra irmãos na fé que se dispõem a sair do seu conforto e empregar tempo e recursos para ajudá-lo. Mas, todo cristão também passa por momentos em que aparece a oportunidade de servir o próximo, ao cruzar com alguém no seu caminho que precisa de apoio, carinho e ajuda.

E é sobre isso que a apóstolo Paulo nos fala em sua carta aos Filipenses: a vida cristã tanto envolve a possibilidade de servir o próximo, como também de ser servido por ele. O próprio Paulo relata que passou pelas duas experiências. E, assim como Paulo, eu também já passei pelas duas possibilidades. Sei bem como é isso.

Todo mundo gosta de ser servido, de receber ajuda nos momentos de necessidade. Portanto, esse é o lado fácil da equação. Não precisa haver grande incentivo para que aprendamos a fazer essa parte.

Mas, servir os outros, dando do próprio tempo e recursos, sem esperar retorno, é coisa bem mais difícil. Esse é um exercício que precisamos aprender a fazer. É algo que é preciso exercitar.

É sobre isto que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

sábado, 25 de abril de 2020

COMO LIDAR COM A CRISE

Estamos em crise mundial por causa do coronavírus. Veja o vídeo em que a Alicia comenta essa situação.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

POR QUE MATARAM JESUS?


Você sabe porque mataram Jesus? Isto é, porque os poderosos daquela época resolveram matar de forma tão horrível alguém que nunca fez mal aos outros? Para explicar isso, vamos começar lendo um texto do Evangelho de Marcos: 
Chegando a Jerusalém, Jesus entrou no templo e ali começou a expulsar os que estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas e não permitia que ninguém carregasse mercadorias pelo templo. E os ensinava, dizendo: "Não está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? Mas vocês fizeram dela um covil de ladrões". Os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei ouviram essas palavras e começaram a procurar uma forma de matá-lo, pois o temiam, visto que toda a multidão estava maravilhada com o seu ensino. Marcos capítulo 11, versículos 15 a 18
Encontrar a razão pela qual mataram Jesus é muito importante porque nos permite entender melhor o que aconteceu durante a Semana Santa, ou seja, o período de tempo que vai do Domingo de Ramos, quando Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém, até sua crucificação, na Sexta-Feira Santa. Um período de tempo que mudou a história da humanidade para sempre.

A resposta que buscamos está na elite religiosa judaica no tempo de Jesus, que foi o principal agente da sua morte. Esse grupo de pessoas era formado pelo sumo-sacerdote e outros sacerdotes importantes, bem como pelos intérpretes da Lei Mosaica que os assessoravam. Eles tiravam seu grande poder do controle que tinham sobre o Templo de Jerusalém, centro da religião judaica.

Todas as grandes comemorações religiosas - por exemplo, do Dia do Perdão, ou Yom Kippur - tinham como centro o Templo de Jerusalém. Além disso, eram exclusivamente ali que os sacrifícios de animais previstos na Lei Mosaica podiam ser realizados. Portanto, quem controlava o Templo, também controlava a religião judaica. Simples assim. 

E o controle do Templo também proporcionava lucros enormes. Primeiro, porque todo judeu tinha que pagar uma taxa para o Templo. E os líderes religiosos estabeleceram que essa taxa precisava ser paga numa moeda pouco usada - a didracma de Tiro. Como as pessoas comuns não tinham acesso a tal moeda, elas iam até Jerusalém levando a quantia devida na moeda corrente onde viviam e faziam ali o câmbio para a moeda aceita pelos sacerdotes. Por isso existiam mesas de cambistas no pátio do Templo.

E quem dominava essas mesas de câmbio? Tenho certeza que você adivinhou a resposta certa: a liderança religiosa. E os sacerdotes auferiam enorme lucro com isso.

Além disso, somente podiam ser usados nos sacrifícios feitos no Templo animais considerados apropriados (sem defeitos, sem manchas, etc). E eram os sacerdotes que estabeleciam quais animais eram ou não adequados.

Como as pessoas não queriam correr o risco de ir até o Templo - muitas vezes vindas de locais distantes -, levando um animal que poderia ser rejeitado, consideravam mais prático levar o dinheiro necessário e comprar em Jerusalém os animais certificados com o "selo de aprovação" dos sacerdotes. E quem vendia esses animais "certificados"? Você acertou de novo: os líderes religiosos, que enriqueciam com isso.

O Templo de Jerusalém, portanto, era a fonte de poder político e de lucro da elite religiosa judaica, que não se constrangia em explorar seu povo para enriquecer. 

Feita essa explicação, podemos voltar aos fatos da Semana Santa. No Domingo de Ramos, Jesus entrou em Jerusalém, saudado pelo povo judeu (Marcos capítulo 11, versículos 1 a 11). Ele comprovou ali ser muito popular e, portanto, o que Ele dizia e fazia atraia a atenção de todos. 

No dia seguinte ao Domingo de Ramos, Jesus foi até o Templo e viu no pátio inúmeros cambistas de moedas e vendedores de animais fazendo seu comércio vergonhoso - a expressão que Ele usou para falar sobre aquela situação foi que o Templo tinha se tornado um "covil de salteadores".

E Jesus fez um gesto de enorme importância simbólica: expulsou aqueles comerciantes e purificou o Templo. Essa ação foi apenas simbólica pois o pátio era enorme e milhares de pessoas transitavam por ali todos os dias - seria fisicamente impossível Jesus ter expulsado todos os comerciantes presentes.

Esse protesto teve grande peso porque colocou o dedo na "ferida": apontou para um pecado enorme da liderança religiosa, que já era conhecido por todo o povo judeu. Jesus teve coragem e falou abertamente em público aquilo que quase todos criticavam nos bastidores.

Seu ato, de certa forma, significou uma declaração de guerra à liderança religiosa judaica. E isso fica bem claro no final do texto que citei acima, onde está dito que, a partir desse evento, a liderança religiosa decidiu matar Jesus.

Foi por causa do que Jesus fez naquele dia, no pátio do Templo, que uma sentença de morte foi estabelecida sobre Ele. Essa foi a razão pela qual mataram Jesus. E essa sentença cumprida quatro dias depois. Afinal, os principais sacerdotes contavam com o poder e o relacionamento político (com o governador romano, Pôncio Pilates) necessários para conseguir que Jesus fosse pendurado numa cruz.

É razoável concluir também que Jesus sabia disso. Não havia como Ele deixar de ter consciência das consequências dos seus atos. E isso também fica claro na Bíblia: em várias passagens Jesus indicou ter certeza que sua morte estava próxima. Por exemplo, quando foi ungido por uma mulher, na cidade de Betânia, na casa de Simão, o leproso, Jesus afirmou que ela tinha feito aquilo para antecipar sua morte (Marcos capítulo 14, versículo 8).

Essa foi a razão porque mataram Jesus, um homem que não tinha pecados e amou a todos a quem encontrou pelo caminho. Bastou um bando de pessoas poderosas, querendo proteger sua fonte de poder e lucros, para a morte de Jesus ser decretada e executada. 

Com carinho

terça-feira, 21 de abril de 2020

A ALIANÇA DE DEUS CONOSCO


Uma aliança é um pacto feito por duas partes para atingir determinado objetivo comum que, em princípio, vai beneficiar a ambas. As partes entram em aliança porque percebem haver vantagens para os dois lados.
Para que esse compromisso se sustente, normalmente é preciso que as partes cumpram certas condições pré-estabelecidas. Os contratos são escritos justamente para estabelecer as condições para o acordo estabelecido.
Exemplos de alianças são os pactos de defesa mútua entre países, como o Tratado do Atlântico Norte (OTAN), visando defender a Europa da Rússia. Ou acordos comerciais entre empresas, para dividir recursos logísticos, para apoio mútuo nos esforços de marketing, etc.

Agora, o tipo de aliança mais comum que existe é o casamento. As partes (os noivos) entram em acordo mútuo com o objetivo de constituir uma nova família. E o acordo feito pode definir até como os bens serão tratados depois da união (por exemplo, em comunhão ou em separação).
A condição para a manutenção do casamento é a honestidade de propósitos das partes, caracterizada pela fidelidade sexual, pela garantia de cuidados mútuos, pela moradia debaixo de um único teto, etc. O símbolo dessa aliança é o anel que cada parte passa a usar na mão esquerda, não por acaso chamado de "aliança".
A aliança com Deus
A Bíblia fala de várias alianças feitas por Deus com os seres humanos. Nelas, Deus é quem dá tudo, pois não há nada que Ele precise receber das pessoas com quem entra em aliança. Mas, Deus pode estabelecer condições que as pessoas precisem cumprir para se manter na aliança com Ele.
Um bom exemplo é a aliança de Deus com Abraão (Gênesis capítulo 15, versículos 12 a 21). Nela, Abraão representou não somente a si mesmo, mas também seus descendentes (o povo de Israel).
 
O objetivo de Deus com essa aliança foi preparar um povo que servisse de exemplo para toda a humanidade, mergulhada na idolatria e tomada por comportamento corrompido. E era no meio desse povo que viria a nascer o Messias (Jesus).

As vantagens para Abraão foram inúmeras. Garantiu uma descendência (até então ele não tinha herdeiros oficiais) e recebeu a posse da Terra Prometida (a Palestina), sem contar outras bençãos de natureza material e espiritual.

A condição básica para Abraão e seus descendentes manterem essa aliança era a fidelidade a Deus. Embora, em diversos momentos da sua história, o povo de Israel tenha se desviado, essa aliança nunca foi rompida por Deus, embora algumas vantagens relacionadas com ela, como a posse da Terra Prometida, por exemplo, tenham sido perdidas.

O sinal dessa aliança era a circuncisão, obrigatória para todo bebê do sexo masculino, com oito dias de vida.
Aliança de Deus conosco
Há outra aliança com Deus que está em vigor hoje em dia. Ela abrange mais do que um povo, pois inclui todas as pessoas que escolherem entrar nela. E é conhecida como "Aliança da Graça".
Esse pacto tornou-se necessário porque todos os seres humanos pecam, como consequência direta do livre arbítrio (o direito que cada ser humano tem de fazer suas próprias escolhas). E ao pecar, os seres humanos são passíveis de punição por parte de Deus, que não tolera o pecado.

Portanto, todos nós deveríamos ser punidos e estaríamos perdidos, se Deus não tivesse estabelecido conosco a "Aliança da Graça", que funciona assim: Jesus se sacrificou por nós na cruz e levou sobre si os nossos pecados. Assim, quem aceitar que é pecador e receber Jesus como seu Salvador, terá seus pecados perdoados e conseguira re-estabelecer sua relação com Deus, recebendo dele a vida eterna. 
Esse processo tem a ver com a graça de Deus porque não fizemos nada para merecer aquilo que recebemos dele. 
Agora, o que talvez você não saiba é que a "Aliança da Graça" foi concebida antes da criação do mundo. Veja o que a Bíblia diz:
Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver... Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado. O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós. 1 Pedro capítulo 1, versículos 18 a 20
Em outras palavras, antes mesmo do mundo ser criado, o Filho (Jesus), já era conhecido como "cordeiro" sem mácula. E essa é uma constatação maravilhosa.

O Filho aceitou esse sacrifício voluntariamente, fazendo a vontade do Pai (Filipenses capítulo 2, versículos 8). Já o Espírito Santo também fez a vontade do Pai e do Filho, dando poder ao Filho, quando esse viveu entre nós (Lucas capítulo 4, versículos 1, 14 e 18) e, mais adiante, entrando na vida dos seres humanos para convertê-los ao bom caminho .
Essa nova aliança é melhor que aquela que Deus tinha feito com Abraão, porque abrange todo mundo, enquanto a outra somente cobria os descendentes de Abraão. Outra vantagem é que ela oferece a graça de Deus, enquanto a aliança com Abraão tinha como base a fidelidade do povo de Israel. A própria Bíblia reconhece que a "Aliança da Graça" é superior - veja o que disse o profeta Jeremias, homem que estava debaixo da aliança feita com Abraão:
Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais... Mas esta é a aliança que farei... : Porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração. eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo... Jeremias capítulo 31, versículos 31 a 34
E foi o próprio Jesus quem explicou a abrangência desse novo pacto, firmado com seu sacrifício na cruz:
E, quando comiam, Jesus tomou o pão e abençoando-o, o partiu, o deu aos discípulos e disse: "Tomai, comei, isto é o meu corpo". tomando o cálice, dando graças, deu-o dizendo: "Bebei dele todos. Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. Mateus capítulo 26, versículos 26 a 28
Amém

domingo, 19 de abril de 2020

SE ...

E se ... ? Essa é uma pergunta que as pessoas se fazem com muita frequência, especialmente quando surgem problemas nas suas vidas. Elas ficam  perguntando para si mesmas sobre a possibilidade do resultado das suas vidas ter sido outro, e melhor do que o realmente obtido, caso tivessem feito escolhas diferentes. Será que um outro caminho teria sido melhor? 

Mas, esse exercício é meio inútil, pois as pessoas nada podem fazer quanto ao passado. não podem mais mudar o que aconteceu. O que podem fazer sim é quanto ao seu presente e seu futuro. E é a isso que devem dedicar seu tempo: analisar o que pode ser feito para mudar as coisas no presente e no futuro. Esse sim é um exercício que vale à pena.

Jesus viveu um momento de e se ... Refiro-me ao episódio da ressurreição de Lázaro. Quando Jesus chegou na residência daquela família, Lázaro já estava morto e as duas irmãs dele, Marta e Maria, em sucessão, afirmaram ao Mestre que Lázaro não teria morrido se Jesus estivesse estado ali. Elas olharam para trás, enquanto Jesus estava olhando para a frente, para aquilo que Ele iria fazer.

É sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

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sexta-feira, 17 de abril de 2020

A CARÊNCIA PÓS PÁSCOA

Hoje vamos falar de carência. Jesus foi crucificado na sexta-feira e ressuscitou domingo de madrugada. E aí foi visto pela primeira vez, por Maria Madalena (João 20:11-18). Jesus, já ressurrecto, ficou disponível para seus discípulos por cerca de 40 dias: Ele aparecia e desaparecia em diferentes momentos. E aí cabe uma pergunta importante: Por que isso foi necessário? A resposta é simples: Jesus precisava atender a carência dos seus discípulos. Ele precisava ajudar seus seguidores a superar a carência pós Páscoa.
Os discípulos estavam carentes pois viviam uma experiência traumática e inesperada, que começou quando Jesus foi preso. Diferente de tudo que já tinham experimentado nas suas vidas. A crucificação de Jesus gerou enormes necessidades psicológicas naqueles homens e mulheres. E essa carência precisava ser tratada por Jesus, antes que aquelas pessoas se tornassem líderes da igreja cristã que estava nascendo.
É fácil perceber que a carência experimentada pelos discípulos naquela oportunidade foi muito parecida com aquela que experimentamos hoje em dia, especialmente nesse tempo da crise gerada coronavírus. E as respostas que valem hoje são as mesmas que valeram naquela época, pois a essência do ser humano continua sendo a mesma.
Jesus precisou atender pacientemente diversos tipos de carência dos seus discípulos. Por causa de espaço limitado, vamos falar apenas de 4 deles:
Desorientação 
Mesmo sabendo por Maria Madalena e outras mulheres que Jesus tinha ressuscitado, os discípulos ainda assim continuaram desorientados, perdidos. Por causa disso estavam trancados numa casa em Jerusalém, sem saber como seguir adiante. E aí Jesus atuou (João 20:19-22):
Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco. dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor. FALOU-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.
Jesus chegou repentinamente, identificou-se, mostrando aos discípulos as marcas da cruz, e falou com eles. E a primeira coisa que fez foi dar-lhes um caminho, uma direção na vida: enviou-os a pregar o Evangelho. Jesus preencheu de imediato a carência de direção daquelas pessoas e as colocou no caminho certo. Aquelas vidas, que pareciam perdidas e sem propósito, tornaram-se extremamente produtivas e importantes - acabaram por mudar a história do mundo.
E o mesmo pode acontecer com você, que talvez esteja também dentro de casa, em quarentena, sem saber o que vai ser da sua vida.  Sentindo-se  talvez sem propósito e inútil. Jesus pode dar propósito para sua vida, bastando que você ouça o que Ele tem a dizer e, depois, entregue seus caminhos para Ele, deixando o Espírito Santo agir na sua vida.
Dúvida e medo
O texto acima conta também que os discípulos estavam apavorados e não era para menos. Afinal, o que acontecera com Jesus poderia acontecer com eles, se fossem descobertos pelos principais líderes religiosos judeus. A ansiedade e o medo dominavam a vida daquelas pessoas. E isso ficou claro num diálogo que Jesus teve com Tomé, oito dias depois (João 20:24-25): 
Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé.
Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; chega a tua mão, e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. Tomé respondeu: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.
Tomé não estava quando Jesus apareceu pela primeira vez, portanto, não tinha ainda tirado suas dúvidas pessoalmente. E foi preciso que Jesus se mostrasse de novo e convidasse Tomé a conferir as marcas da cruz para que aquele homem incrédulo resolvesse suas dúvidas de vez.
Dúvidas geram insegurança e medo. Você pode ter dúvidas em relação à sua saúde e à saúde dos seus entes queridos. Ou dúvidas em relação ao seu sustento. E mesmo duvidar sobre como será sua vida depois dessa crise. Ora, essas dúvidas são naturais. Mas, como combatê-las e impedi-las de paralisar você? 

Da mesma forma como os discípulos fizeram: entrando em contacto direto com aquele que traz todas as certezas, Jesus. Como fazer isso? Através da oração, do louvor e do estudo da Bíblia. Essas disciplinas podem fazer toda a diferença na sua vida. Portanto, dedique seu tempo às coisas de Deus. Mesmo em meio à dúvida, ansiedade e medo, lembre-se que a solução está nele e não em outro lugar qualquer.
Culpa
Pedro tinha uma carência adicional, específica dele: sentia-se culpado porque negara Jesus três vezes. A culpa corroía seu coração e o apóstolo se sentia perdido. E aí Jesus resolveu esse carência (João 21:15-17):
depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. FALOU-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Pela terceira vez lhe falou: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E FALOU-lhe: Senhor, tu sabes tudo; sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.
Jesus perguntou a Pedro por três vezes se ele o amava. E o apóstolo respondeu que sim, embora, na última vez, tenha ficado aflito, achando que Jesus não estava entendendo sua resposta ou mesmo acreditando nela. Ele não tinha entendido ainda que aqueles três passos precisavam ser cumpridos, pois havia negado a Jesus também por três vezes.
Ao dar uma missão especial para Pedro, pedindo-lhe que cuidasse das suas ovelhas, Jesus demonstrou que o apóstolo estava perdoado e, mais ainda, passava a ter lugar importante na obra de Deus.
Pode ser que, assim como aconteceu com Pedro, a culpa esteja corroendo seu coração. Sua carência  pode estar relacionada com sentir-se perdoado. Se esse é o caso, lembre-se que não há nada que Jesus não possa perdoar. O pecado de Pedro tinha sido muito grave, mas ainda assim foi prontamente esquecido. E o mesmo pode acontecer com você: basta reconhecer seu erro, arrepender-se dele e pedir perdão. Você será perdoado e sentirá aliviado. E glórias a Deus por isso.
Cegueira espiritual
Uma das aparições de Jesus mais surpreendente foi aquela que Ele fez para dois homens no caminho para Emaús, vilarejo situado a cerca de 12 km de Jerusalém. O relato está em Lucas 24:13-24:
eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús. iam falando entre si de tudo aquilo que havia sucedido. aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e caminhava com eles. Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem. Jesus lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que estais tristes?
respondendo um, cujo nome era Cléopas, disse-lhe: És tu só peregrino em Jerusalém e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias?… As que dizem respeito a Jesus Nazareno, que foi homem profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; como os principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação de morte,  crucificaram-no. nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram.
É verdade que também algumas mulheres dentre nós nos maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro; não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive. alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém, a ele não o viram.
Aqueles homens estavam tão preocupados em falar, em desabafar, em mostrar seu desapontamento, que não perceberam a presença de Jesus ao seu lado. Eles estavam tão imersos nas sua própria carência que não deram espaço para Jesus se manifestar. A solução da sua carência estava ao alcance das suas mãos e eles não conseguiram ver. 
E o mesmo pode estar acontecendo com você. Talvez você esteja tão preocupado em desabafar, em se queixar, que esteja cego para ver o que o Espírito Santo já está fazendo na sua vida. E pode ser que a ajuda esteja bem ao seu lado, na figura de um pastor/pastora, ou irmão/irmã na fé.
Não perca a chance de ser ajudado pelo Espírito Santo. Você pode sim desabafar e falar das suas dificuldades - não há nada de errado nisso. Mas esse desabafo não pode ocupar toda a sua mente, impedindo que você veja e se aproprie da ajuda que Jesus mandou e pode estar bem ao seu lado.
Palavras finais
Todos temos carências, principalmente em momentos de crise, como aqueles que vivemos hoje. Pode ser que você esteja carente de direção na sua vida. Ou estar cheio de dúvidas e isso tenha gerado ansiedade e medo. Talvez se sinta culpado de coisas que fez. Ou mesmo está tão preocupado em desabafar, em colocar suas angústias para hora fora, que não consiga ver a presença do Espírito Santo na sua vida. 
Não importa sua carência, Jesus tem a resposta para ela. Ele é paciente (ficou na terra cerca de 40 dias tratando dos discípulos), atento às suas necessidades e poderoso para preenchê-las. Basta que você se abra e deixe o Espírito Santo entrar e encher sua vida. Amém. 
PS Veja mais sobre este tema aqui.