quarta-feira, 18 de março de 2020

A CULPA SE FOI

O pecado gera culpa. E essa, por sua vez, gera condenação por parte de Deus. Essas três coisas se conectam e geram um círculo vicioso no qual, muitas vezes, os seres humanos ficam preso e nunca conseguem sair.
Só há uma forma de quebrar esse círculo vicioso: o perdão de Deus. Reconhecer o que foi feito de errado, mostrar arrependimento e pedir a Deus que tenha misericórdia. E Deus é muito misericordioso.

Quando Deus perdoa, o círculo vicioso se quebra. E a Bíblia conta que Deus nem mais se lembra do pecado da pessoa, depois que ela é perdoada. E isso é uma coisa extraordinária. É algo que só Deus pode fazer. 

Quando perdoamos, dificilmente esquecemos daquilo que foi feito contra nós. Podemos até não mais cobrar o mal feito daqueles que nos prejudicaram de alguma forma. Podemos encontrar paz com essas pessoas. Mas, provavelmente lembraremos para sempre daquilo que aconteceu. Deus não é assim. Ele simplesmente apaga o que ficou foi por Ele perdoado. Não se lembra mais do pecado cometido e nem leva isso em conta no relacionamento com as pessoas.

E é sobre a culpa e seu perdão por Deus que falo neste vídeo - veja aqui

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

segunda-feira, 16 de março de 2020

OS MOTORES DA VIDA CRISTÃ


O tema hoje fala dos motores da vida cristão. E vou começar lembrando que o cristianismo é definido e movido pela graça de Deus. E a graça de Deus se faz presente porque o amor dele por nós é incondicional e esse amor tem relação direta com a própria natureza divina e não com o que fazemos ou deixamos de fazer. O amor de Deus por nós não é uma retribuição ao nosso amor por Ele. O amor de Deus simplesmente existe...
Agora, infelizmente, na prática não é a percepção da graça de Deus que costuma mover as práticas religiosas diárias da maioria dos cristãos. A graça deveria ser o motor da vida cristã, mas, na prática, não é isso que costuma acontecer. 
Os "motores" reais da vida cristã costumam ser coisas como, por exemplo, o medo. As pessoas sentem culpa por terem agido de forma errada (terem pecado) e ficam com medo de serem punidas por Deus. Aí tentam encontrar uma forma de "aplacar" Deus para evitar a justa punição. E fazem qualquer coisa que lhes pareça estar contribuindo para esse objetivo: penitência, jejum, retiro, etc.

Elas se esquecem que não é assim que Deus quer se relacionar com o pecador. Ele espera do pecador arrependimento verdadeiro e um coração humilde. Quer ver no pecador uma tentativa real de mudança de vida, para não reincidir nos pecados. E para quem se arrepende de fato, Deus oferece sua graça e seu perdão incondicional.

É interessante perceber que a grande maioria dos cristãos nunca consegue superar esse medo infantil de Deus. Nunca vão além da percepção que Deus fica vigiando e controlando continuamente todo mundo, como se a humanidade vivesse num grande programa do tipo "Big Brother Brasil".
Ao invés de se sentir assim, as pessoas deveriam caminhar pela vida aliviadas e agradecidas pelo que Deus já fez por nós, através da morte de Jesus Cristo, na cruz. 
Outro dos motores das práticas religiosas cristãs costuma ser o legalismo, ou seja, a exigência de obediência cega a determinadas regras de vida impostas pela liderança religiosa. Essa a religião do "não" ("não pode fazer isso ou aquilo"). E ela também costuma fazer uso do "motor" do medo: quem não se comporta como é estabelecido, é passível de crítica e ameaçado com o castigo divino. A maior parte das perguntas e comentários que recebo neste site tem o legalismo e o medo como pontos de partida.

Esse tipo de religião acaba submetendo as pessoas a um grande esquema de controle. No topo desse esquema ficam os líderes religiosos - pastores/as e outras pessoas - e abaixo os fiéis. E era exatamente assim que a religião judaica fazia no tempo de Jesus: ficavam no topo os sacerdotes, os escribas e os fariseus, enquanto mais baixo vinha a população. 

Jesus criticou muito o legalismo pois sabia o mal que ele causava à saúde espiritual das pessoas. Quando as pessoas procuravam Jesus para lhe perguntar como deviam agir no seu dia-a-dia, Ele não ditava normas de comportamento. Jesus contava parábolas, como a do "bom samaritano" (Lucas capítulo 10 versículos 25 a 37), apresentando os princípios práticos para uma vida santa e justa. E chamava as pessoas para refletirem sobre si mesmas e mudarem seu interior. 
E a razão para isso é simples: quando a mensagem cristã muda o interior da pessoas, ela pessoa passa automaticamente a fazer a vontade de Deus e não precisa de mais regras impostas sobre sua vida. Ela não precisa se tornar prisioneira do legalismo. 
Um terceiro dentre os motores que costuma estar presente na vida religiosa das pessoas é a necessidade. As pessoas buscam Deus para conseguir aquilo de que precisam: saúde, emprego, relacionamento emocional, bens materiais, etc. E quanto mais precisam, maior costuma ser sua dedicação a Deus. 

Aproximar-se de Deus para conseguir bençãos é subverter o caminho da graça. Na verdade, Deus até nos incentiva a busca bênçãos, mas essa não pode ser a razão para estabelecer um relacionamento com Ele, ou seja, a religião não pode ter como base o interesse. 

As bençãos virão e Deus se alegra em distribui-las. Afinal, qual é o Pai que não se alegra de presentear os filhos. Mas a busca pelas bênçãos nunca pode ser o "motor" do relacionamento com Deus.  

Vale a pena citar ainda um último motor que costuma estra presente nas práticas religiosas: a busca por mérito. Muitas pessoas buscam fazer boas obras para acumular mérito junto a Deus e acabarem recompensadas por conta disso.

Esse é um caminho parecido com o anterior, só que aqui a pessoa tenta "comprar" a benção através do mérito acumulado. É como se elas abrissem uma conta de poupança no céu, cujo saldo reverterá em bençãos.

Essa é a base da chamada Teologia da Prosperidade, que pode ser resumida de forma simples: "é dando que se recebe". É essa a lógica que está por trás de muitos propósitos que as pessoas fazem - se privam de algo para "ativar" a graça de Deus. Não estou aqui dizendo que propósitos sejam errados em si mesmos e sim que fazê-los com o objetivo de receber algo não tem qualquer respaldo bíblico.
Se Deus aceitasse a troca - mérito por bençãos - estaria reconhecendo que sua graça depende do merecimento das pessoas. E se a graça tivesse um preço, já não seria mais algo que Deus dá livremente. 
As pessoas podem e devem sim fazer obras no Reino de Deus mas nunca visando receber pagamento por elas. Sua motivação precisa ser a gratidão pelo que Deus já fez, através de Jesus, e em reconhecimento do amor dele. Afinal, é um privilégio ser usado como instrumento por Deus para levar adiante sua obra. 

Medo, legalismo, necessidade e busca por mérito são os motores que costumam mover as práticas religiosas das pessoas. Basta olhar ao seu redor, na igreja que você frequenta, e vai perceber isso com clareza. Não deveria ser assim, mas essa é a realidade.

Que Deus, na sua misericórdia, perdoe quando qualquer um/a de nós tentar seguir por esses caminhos. E que Ele transforme nossos corações para aprendermos a viver apenas motivados pela sua graça, que é plenamente suficiente.

Com carinho

sábado, 14 de março de 2020

DESEJOS SOMBRIOS:INVEJA, CIÚME E COBIÇA


Hoje vou falar dos desejos sombrios: inveja, ciúme e cobiça. Esses desejos quase sempre afastam as pessoas de Deus e por isso se tornam ruins. E fazem isso porque estão essencialmente baseados na vontade de ter alguma coisa ou proteger aquilo que já se tem.

Como os desejos humanos baseados no ter são muitos e variados (dinheiro, poder, realização, relacionamentos amorosos, etc), indo muito além das necessidades humanas básicas (alimento, roupa e abrigo), é natural que muitos deles acabem sendo frustrados. E essa frustração (ou o medo dela acontecer) é a matriz dos sentimentos sombrios. Vamos ver como esses sentimentos funcionam na prática.
Inveja: o ressentimento por não ter
É o ressentimento que a pessoa pode desenvolver por não ter alguma coisa que deseja e ver que outros já possuem o objeto do seu desejo. E esse tipo de ressentimento pode assumir contornos muito sérios. Por exemplo, veja o que Asafe sentiu, quando se comparou a outras pessoas que considerava mais afortunadas, conforme consta no relato de Salmo 73:1-5:
Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração. Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos. Pois eu tinha inveja dos néscios, quando via a prosperidade dos ímpios. Porque não há apertos na sua morte, mas firme está a sua força. Não se acham em trabalhos, nem são afligidos como outros homens.
O foco da inveja de Asafe era a prosperidade dos ímpios. Ele devia lutar com dificuldades para manter um padrão de vida adequado e percebeu que os ímpios – corruptos, mentirosos e outros – prosperavam, sem passar por qualquer problema aparente. E é exatamente isso que a inveja faz: quem é invejado parece estar em muito melhor condição do que de fato está, enquanto quem inveja se sente pior do que sua realidade é.
Ciúme: o ressentimento por medo de perder o que já se tem
É o ressentimento da pessoa pelo medo de perder o que já tem, ou pensa ter. Trata-se de um perigo frequentemente imaginado.
O ciúme é muito frequente nos relacionamentos amorosos, mas não se limita a eles. Há também ciúme de coisas materiais – eu, por exemplo, sou ciumento dos meus livros. Bem como está presente em muitos outros tipos de relacionamento, como entre pais e filhos, entre irmãos, entre amigos e até no ambiente profissional.
O ressentimento causado pelo ciúme é muito destrutivo. Veja o que aconteceu com José, filho de Jacó (Gênesis 37:3-4 e 26-28):
E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores. Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos eles, odiaram-no, e não podiam falar com ele pacificamente…Então Judá disse aos seus irmãos: Que proveito haverá que matemos a nosso irmão e escondamos o seu sangue? Vinde e vendamo-lo a estes ismaelitas, e não seja nossa mão sobre ele; porque ele é nosso irmão, nossa carne. E seus irmãos obedeceram. Passando, pois, os mercadores midianitas, tiraram e alçaram a José da cova, e venderam José por vinte moedas de prata, aos ismaelitas, os quais levaram José ao Egito.
O ciúme dos irmãos de José era tão grande que os levou a cometer um crime bárbaro. E muitos crimes tão bárbaros como esse já foram praticados por causa de ciúme.
Cobiça
É desejo extremamente forte de ter alguma coisa. Esse desejo costuma dominar a pessoa e fazer com que ela fique cega para as consequências dos seus atos  - por isso a cobiça também é conhecida como ambição cega.
Esse tipo de sentimento é muito evidente em políticos, artistas e empresários – essas pessoas costumam fazer qualquer coisa para conseguir o que querem. Veja um exemplo bíblico da cobiça em ação: o caso do adultério de Davi com Bate-Seba (2 Samuel 11:2-4):
E aconteceu que numa tarde Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real, e viu uma mulher que estava se banhando; era esta mulher mui formosa à vista. mandou Davi indagar quem era; e disseram: Porventura não é esta Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu? Então enviou Davi mensageiros, e mandou trazê-la; ela veio, e ele se deitou com ela; então voltou ela para sua casa.
Davi estuprou Bate-Seba – esse é o termo correto para essa situação. Afinal, Davi se valeu do seu poder para conseguir uma mulher que não era sua de direito, somente por tê-la cobiçado. E sabemos que as consequências desse ato foram terríveis.
A cobiça é tão perigosa que está especificamente proibida nos Dez Mandamentos (Êxodo 20:17):
Não cobiçarás a casa do teu próximo, a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.
Os problemas gerados pelos desejos sombrios
Há vários problemas, mas vou me limitar aqui a discutir três. O primeiro deles é que inveja, ciúme e cobiça costumam andar juntos com outros sentimentos destrutivos, especialmente a ira não justificada. Isso porque o ressentimento pela frustração de um desejo forte frequentemente é tomado como uma violação de um “direito” e isso gera ira (veja mais). E essa ira costuma gerar vontade de retaliar quem esteja atrapalhando – por exemplo, foi isso que aconteceu com os irmãos de José.
O segundo problema é que os desejos sombrios podem acabar por destruir aquilo que tanto se quer. Isso fica evidente no caso de empresários e políticos corruptos, hoje presos por terem apelado para práticas ilegais para conseguir dinheiro e poder. Também é comum ver relações amorosas destruídas pelo ciúme sem medida, ou amizades que acabam por causa da inveja. Repare que Asafe comentou que sua inveja quase fez com que ele perdesse sua relação com Deus – ele alegou que seus pés quase resvalaram.

O terceiro problema é que os desejos sombrios costumam crescer e virar obsessão. A relação entre o rei Saul e Davi demonstra bem isso. No início, o rei amou o jovem pastor – a lira de Davi acalmava a mente de Saul. E Saul era grato pelo ato de bravura do jovem de Davi, quando enfrentou e matou Golias. Mas, a partir de certo ponto, Saul ficou enciumado (1 Samuel 18:9):
Sucedeu, porém, que, vindo eles, quando Davi voltava de ferir os filisteus, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, cantando e dançando, com adufes, com alegria, e com instrumentos de música. E as mulheres respondiam umas às outras, dizendo: Saul feriu milhares, porém, Davi dez milhares. Então Saul se indignou muito, e aquela palavra pareceu mal aos seus olhos, e disse: Dez milhares deram a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão o reino? desde aquele dia Saul tinha Davi em suspeita.
E o ciúme do rei foi crescendo, à medida em que ele comparava suas habilidades com as de Davi. E isso tornou-se uma obsessão, chegando ao ponto em que Davi foi obrigado a fugir da corte, no que foi ajudado pelos próprios filhos de Saul, inconformados com a atitude do pai.
O antídoto contra os desejos sombrios
A grande resposta aos desejos sombrios é o conhecimento de Deus: criar intimidade com Ele e passar a discernir sua ação no mundo em geral e na própria vida.
Em dado momento da sua luta espiritual, Asafe entendeu essa verdade e percebeu que a punição dos ímpios não se daria da forma como ele desejava e achava justa. Cabia a ele aprender a confiar na justiça divina (Salmo 73:22-28):
Assim me embruteci, e nada sabia; fiquei como um animal perante ti. Todavia estou de contínuo contigo; tu me sustentaste pela minha mão direita. Guiar-me-ás com teu conselho e depois me receberás na glória. Quem tenho eu no céu senão a ti? E na terra não há quem eu deseje além de ti. Minha carne e meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração, e minha porção para sempre. Pois eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu tens destruído todos aqueles que se desviam de ti. Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus; pus minha confiança no Senhor DEUS, para anunciar todas as tuas obras.
Asafe percebeu que nada se compara a uma relação estreita com Deus. É por isso que inveja, ciúme e cobiça indicam para uma relação distorcida com nosso Pai celestial. Primeiro, porque demonstra que Deus não está em primeiro lugar na vida da pessoa. Depois, porque esses sentimentos indicam que a pessoa confia mais nos próprios recursos do que na ação de Deus.
Concluindo, desejar algo, por si só, não é ruim. A diferença entre um desejo puramente carnal - aquele que costuma levar a sentimentos sombrios - e o desejo que agrada a Deus depende essencialmente do objeto do desejo e do propósito dele. O desejo puramente carnal é voltado para ter, não leva em conta a presença de Deus e menos ainda o impacto dos próprios atos na vida das outras pessoas. Nesse caso o objetivo é simplesmente satisfazer a própria vontade. E, nesse sentido, o desejo não engrandece a Deus e sim ao próprio ser humano.
O desejo que agrada a Deus não tem como objetivo conquistar alguma coisa pelo simples prazer da posse. Aqui, o desejo aparece pela vontade de criar, de fazer, refletindo o ato de criação do próprio Deus. E, portanto, nesse sentido, glorifica a Ele.
O desejo abençoado por Deus ainda tem uma outra vantagem: tira a pessoa da sua zona de conforto e a faz buscar a excelência, imitando aquilo que o próprio Deus, quando criou o mundo.
Com carinho

quinta-feira, 12 de março de 2020

O SIGNIFICADO DA QUARESMA


Hoje vamos falar de quaresma, que é uma importante comemoração da liturgia cristã.

Liturgia é um recurso utilizado pelas religiões para lembrar as pessoas de conceitos teológicos importantes. Atos litúrgicos são extremamente necessários porque as pessoas tendem a ter memória curta, pois sua atenção costuma estar centrada na luta do dia a dia. Aí é estabelecido um ato de liturgia e isso obriga as pessoas a se lembrarem de certas coisas importantes.
Por exemplo, na Santa Ceia, pão e vinho (suco de uva) são usados para simbolizar e trazer lembrança da morte de Jesus na cruz. Esse memorial foi estabelecido pelo próprio Jesus durante sua última ceia com os discípulos e hoje é um importante ato litúrgico nas igrejas cristãs.
O ano litúrgico é o calendário anual das comemorações mais importantes, como a Páscoa e o Natal. Como várias dessas comemorações (como é o caso da Páscoa) são feitas em datas que mudam de um ano para outro, é preciso estabelecer esse calendário com antecedência e cuidado.
 
E o ano litúrgico costuma ser dividido em quatro períodos com diferentes significados: Quaresma, Semana Santa (Páscoa), Advento e Natal. Natal e Semana Santa tem significado conhecido por todos. Resta entender o que significam Advento e Quaresma.
 
O Advento corresponde às 4 semanas anteriores ao Natal, sendo encerrado no último domingo antes do dia 24 de dezembro. Em cada domingo do Advento, a liturgia manda acender uma vela que simboliza a esperança da chegada de Jesus ao mundo.
 
E a Quaresma? A tradição cristã escolheu separar os 40 dias anteriores à Semana Santa como um período dedicado à reflexão, arrependimento e preparação para a data mais importante de cristianismo, que é a Páscoa, com a comemoração da ressurreição de Cristo. Esses 40 dias lembram o período que Jesus passou no deserto, isolado, em jejum completo, preparando-se para dar início ao seu mistério.
 
O período da Quaresma termina no Domingo de Ramos (o domingo anterior à Páscoa), que abre o período da Semana Santa. E o início desse período de 40 dias, que sempre cai numa quarta-feira, é definido contando para trás no calendário, a partir do Domingo de Ramos.

E o primeiro dia da Quaresma foi denominado Quarta-Feira de Cinzas. Isso porque, nessa data, muitas pessoas, como símbolo de penitência, costumam marcar seus rostos ou mãos com cinzas, costume tirado do Velho Testamento.
 
Como a Quaresma é um período marcada por oração, penitência e jejum, o povo passou a comemorar os dias imediatamente anteriores a ela, para se despedir da "vida boa". E como o jejum durante a Quaresma costumava envolver a abstinência de carne, essa comemoração ficou conhecida como "festa da carne" ou Carnaval.
 
É por isso que o Carnaval precede o período litúrgico da Quaresma. E, com o tempo, e especialmente no nosso país, o Carnaval tornou-se mais importante do que a Quaresma. E pouca gente sabe hoje em dia o que a Quarta-Feira de Cinzas de fato significa e para que existe a Quaresma.
 
Concluindo, a Quaresma é um período litúrgico de grande importância, onde precisamos nos preparar para a Semana Santa. Trata-se de um período que deve ser especialmente dedicado à oração e reflexão, onde todos deveriam meditar sobre a vinda de Jesus ao mundo para nos salvar. 
 
Estamos na Quaresma. Aproveite-se disso e faça algo diferente na sua vida espiritual e estreite seu relacionamento com Deus.
 
Com carinho  

terça-feira, 10 de março de 2020

SOFRIMENTO E ALEGRIA

Hoje vou falar de sofrimento e alegria. Dois sentimentos que geram enorme contraste. Duas coisas que parecem totalmente incompatíveis entre si.

Há momentos na vida em que o sofrimento bate à porta e não há como escapar dele. Mas, para aqueles que estão em Jesus, aqueles que entregaram sua vida para Ele, há a plena certeza que, no final, a tristeza vai se transformar em pura alegria. No final, todos seremos vencedores junto a Ele.

Jesus falou exatamente sobre isso. No relato contido no capítulo 16 do Evangelho de João, Jesus comparou o sofrimento do cristão às dores do parto. Essas dores logo são esquecidas pela mãe, quando seu bebê nasce, quando ela pega o/a filho/a nos braços pela primeira vez. Aí ela não lembra mais do que passou.

A própria vida de Jesus é um testemunho vivo disso. Ele morreu na cruz, em meio a enorme sofrimento. E com Ele sofreram todos aqueles que o amavam, como sua mãe e seus discípulos. Mas, esse sofrimento virou alegria, pois Ele ressuscitou e abriu as portas para a salvação de cada ser humano. 

Sofrimento e alegria. Esse é o tema do meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

domingo, 8 de março de 2020

TENTAÇÃO, ONTEM E HOJE


O relato da queda de Adão e Eva (Gênesis capítulo 3) fala de tentação. Ele conta sobre como os primeiros seres humanos pecaram, ao comer o fruto proibido de uma árvore situada no meio do Jardim do Éden, onde viviam. Adão e Eva desobedeceram a Deus depois de serem tentados pela serpente (Satanás). E, por causa do que fizeram, acabaram expulsos do Jardim do Éden e foram forçados a viver uma vida de dificuldades.

O desejo de Adão e Eva de desobedecer veio por conta de três coisas. Em primeiro lugar, o fruto da tal árvore era bonito, atraente e parecia gostoso (versículo 6). E é exatamente assim que o pecado costuma se apresentar - bom aspecto, desejável, até mais do que isso, alguma coisa que a pessoa julga merecer ter.
Se o pecado tivesse cara feia ou fosse ruim, ninguém pecaria. Simples assim. Pecamos, dentre outras coisas, porque o pecado é agradável e gera prazer. Porque ele preenche desejos que vão nos nossos corações.
Por isso o pecado é extremamente perigoso: torna-se muito difícil ficar livre dos maus hábitos, depois deles se instalarem na vida da pessoa.

Segundo, Adão e Eva pecaram também por não acreditar que Deus cumpriria sua palavra e iria castigá-los por desobedecer (versículos 3 e 4). A realidade é que muita gente simplesmente não tem temor (respeito) a Deus. Pensam que têm direito de fazer as coisas que quiserem e se não cometerem erros considerados graves (matar, roubar, etc), estão no bom caminho e vai dar tudo certo no final.

Mas não é isso que a Bíblia diz - ali está dito que muitas pessoas serão salvas e outras tantas condenadas. Isto é, o pecado tem sim consequências terríveis e é preciso ter temor a Deus.

A terceira é última razão para o pecado de Adão e Eva foi a vontade deles de serem parecidos com Deus (versículo 5). A serpente usou essa ideia para argumentar que Deus não queria que eles tivessem mais conhecimento pois temia que os seres humanos se tornassem divinos. Em outras palavras, o argumento de Satanás foi que Deus tinha ciúme do crescimento intelectual dos seres humanos.
Ora, isso é um absurdo pois os seres humanos foram criados por Deus e nunca poderão ser como Ele. Não há comparação possível dos seres humanos com um Ser que sabe tudo, pode fazer tudo, está fora do tempo e do espaço e por aí vai.
Essa percepção - de alguma forma o ser humano pode competir com Deus -, que chamo de "arrogância intelectual", continua muito presente nos dias de hoje. Boa parte dos cientistas não acredita em Deus e pensa, de certa forma, ocupar seu lugar, quando os segredos do universo e da natureza são desvendados e manipulados.

O fato é que os seres humanos têm conhecimento limitado e sempre será assim, pois são entidades limitadas. Só Deus tem conhecimento absoluto e sabe tudo aquilo que há para saber. 

As causas do pecado de Adão e Eva - a atração do mal, a falta de temor a Deus e a arrogância intelectual - sempre estiveram presentes na história da humanidade. E a tentação gerada por elas continua levando as pessoas a pecar e a escolher caminhos que as afastam de Deus.

A tentação que destruiu a vida espiritual de Adão e Eva continua a se fazer presente hoje e é tão forte como era antes. E é preciso muito cuidado para também não cairmos nela.

Com carinho

sexta-feira, 6 de março de 2020

AS IGREJAS ONDE JESUS ESTÁ BATENDO À PORTA

Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo. Apocalipse capítulo 3, versículo 20
O versículo acima é muito conhecido e usado em campanhas de evangelização. Por isso vale a pena refletir sobre seu significado real, bem como sobre o impacto que isso tem sobre a vida dos cristãos. 

Qualquer análise do conteúdo teológico de um versículo bíblico precisa começar pela avaliação do contexto no qual a mensagem está inserida. Ou seja, é preciso entender quem escreveu, para quem o texto foi dirigido, quando tudo aconteceu, quais eram as circunstâncias, etc. 

O texto citado está no livro do Apocalipse, que é uma longa visão dada pelo Cristo Glorificado (Jesus já em glória junto ao Pai) para o apóstolo João. Tal visão fala sobre o final dos tempos e a segunda vinda de Cristo e é muito interessante (veja mais). 

O começo do livro contém sete recados para igrejas situadas na Ásia Menor (hoje Turquia) e Grécia. Cada recado foi formatado especificamente para a situação individual da igreja para a qual foi dirigido. Agora, como a situação dessas igrejas é típica do que continua a acontecer nas comunidades cristãs atuais, os recados do Cristo continuam muito atual. 

O versículo citado está no recado específico dirigido para a igreja da cidade de Laodiceia. Essa mensagem foi muito negativa pois aquela igreja era uma comunidade "morna", isto é, seguia o cristianismo mas sem muito empenho e compromisso, coisa que desagrada muito a Deus. 

Como o versículo em questão foi inserido no meio de um recado dado por Deus a determinada igreja, seu público alvo, portanto, é constituído por pessoas já convertidas. Portanto, é meio paradoxal que esse versículo seja tão usado em atividades de evangelização, que buscam converter pessoas. 

A importância desse versículo é que nele Jesus Cristo está falando que há igrejas (como Laodiceia) onde Ele não está presente! É de se ficar de boca aberta de espanto: nessas comunidades cristãs, Jesus continua do lado de fora, batendo à porta, pedindo para entrar. 

As comunidades ditas cristãs que não seguem a doutrina verdadeira, não tem muito compromisso com o Evangelho de Cristo e não concorrem para a implantação do Reino de Deus na terra, deixam Jesus do lado de fora. 

E é fácil entender a razão pela qual Jesus não está presente nessas comunidades. Será que Ele poderia estar presente em igrejas que exploram os fiéis, arrancando-lhes dinheiro com base em falsas promessas? Ou onde sacerdotes usam da sua autoridade espiritual para abusar sexualmente de crianças e adolescentes? Ou ainda, em comunidades onde milagres são forjados apenas para dar fama ao pastor? Com certeza Jesus não se faz presente nesses lugares. E nem poderia. 

Jesus só vai se fazer presente nessas comunidades quando elas mudarem suas práticas. Quando assumirem compromisso verdadeiro com o Evangelho, quando seus líderes se arrependerem e corrigirem seus caminhos e assim por diante. 

Alguns de vocês poderiam me perguntar: e aquelas pessoas que frequentam tais igrejas, mas são sinceras, embora se deixem enganar? Será que Deus não vai levar isso em conta? Certamente que sim. 

Pessoas de coração sincero mas que sejam enganadas por práticas erradas serão aceitas por Jesus por causa da sinceridade dos seus corações e por terem uma fé verdadeira. Por isso suas orações são recebidas por Deus e respondidas por Ele. Por causa disso acontecem milagres mesmo nos locais onde Jesus continua do lado de fora. 

Leia mais sobre esse tema aqui

Com carinho