sábado, 15 de agosto de 2020

INFORMAÇÕES SOBRE A BÍBLIA


Aí vão algumas informações interessantes sobre a Bíblia. E essas informações valem à conhecer porque a Bíblia tem, no meio cristão, uma autoridade que nenhum outro texto já teve ou poderá vir a ter. Afinal, ela é considerada pelo povo cristão como a Palavra de Deus. 
Nosso entendimento é que o Espírito Santo inspirou os autores dos 66 livros da Bíblia (cerca de quarenta pessoas), orientando-os sobre o que deveriam escrever. Agora, mesmo inspirados pelo Espírito Santo, os autores dos textos não perderam consciência do que faziam - a inspiração não é, como alguns pensam, semelhante à psicografia praticada por médiuns espíritas. É coisa bem diferente. 
A pessoa inspirada preservava sua consciência e mantinha total controle sobre sua vontade. Se o autor conhecia apenas uma língua, ele escrevia nessa língua. E seu estilo de escrita e vocabulário eram preservados - por isso as cartas de Paulo, um grande teólogo, são tão diferentes dos textos de Lucas, que era médico - leia Romanos, escrito pelo primeiro, e Atos dos Apóstolos, escrito pelo segundo, que você vai comprovar com facilidade o que acabei de dizer. 
Portanto, ao ler a Bíblia, você precisa ter em mente essas informações muito importantes. Em primeiro lugar, tudo que a Bíblia contém é verdade mas nem todas as verdades estão contidas na Bíblia. Afinal, a Bíblia tem escopo limitado, como não poderia deixar de ser.
Portanto, não vamos encontrar na Bíblia a maioria das verdades científicas, como, por exemplo, a Teoria da Relatividade ou as Leis da Termodinâmica. Não se deve procurar na Bíblia esse tipo de “verdade”. 

Em segundo lugar, é preciso lembrar que o texto bíblico foi escrito de forma a ser entendido pelos seus leitores daquela época, ou seja, gente que viveu milhares de anos atrás.  É claro que a Bíblia é completamente relevante hoje em dia, mas nunca podemos esquecer que as primeiras pessoas a ler esses textos não tinham os conhecimentos que temos hoje. 

Por exemplo, nos tempos bíblicos considerava-se que a sede do intelecto estava no coração e, naturalmente, essa visão permeia o texto bíblico. E isso não é um erro e sim uma adequação do texto ao público ouvinte daquela época. De igual forma, nos tempos bíblicos, as pessoas pensavam que a terra era plana, coisa que sabemos não ser verdade e os textos refletem esse pensamento das pessoas.
Terceira, dentre as informações relevantes, a Bíblia não descreve os fatos históricos como um livro texto de história faria hoje. Os textos atuais buscam a máxima precisão cronológica possível, indicam todas as suas fontes de referência e privilegiam a apresentação de provas que garantam a veracidade das conclusões tiradas. 
Na época em que a Bíblia foi escrita, esses princípios de historiografia - hoje amplamente aceitos - nem eram conhecidos e, portanto, as premissas usadas foram outras. Não seria razoável, então, cobrar dos autores da Bíblia fidelidade aos princípios historiográficos atuais e muito menos considerar que eles erraram por não fazer isso. 

Essa característica explica porque nem tudo que gostaríamos de conhecer sobre Jesus foi registrado nos Evangelhos. Nada sabemos, por exemplo, sobre sua infância e adolescência e muito menos os detalhes de como sua família viveu. Isso não é uma omissão, ou como pensam alguns críticos, uma tentativa de esconder algo. Simplesmente os autores dos Evangelhos tinham espaço limitado e acharam que essas informações não eram muito relevantes, coisa que seria impensável hoje em dia. 
Mas, como a Bíblia foi inspirada por Deus, você pode ter certeza que foram fornecidas todas as informações históricas mínimas, necessárias para o bom entendimento dos diversos relatos e, mais ainda, indispensáveis para o entendimento das mensagens que Deus quis nos transmitir. O Espírito Santo se encarregou de nos dar essa garantia.
Finalmente, é preciso levar em conta que o texto da Bíblia está cheio de símbolos e metáforas. Isso pode ser visto, por exemplo, na simbologia por trás de muitos números citados.

Nunca podemos esquecer que, tanto no hebraico, como no grego, as linguagens originais dos textos bíblicos, não havia símbolos especiais para escrever números, como temos no português. Eram usadas letras do alfabeto normal para escrever os números - os chamados números romanos usam exatamente esse princípio. E como os números eram escritos com letras, eles também podiam ser lidos como palavras, ou seja, tinham duplo significado: o numeral em si e palavra resultante.

E muitas vezes a palavra que representava determinado número tinha mais importância do que o numeral em si - o célebre número da Besta do Apocalipse (666) talvez seja o exemplo mais conhecido. 

Além disso, determinados números podiam adquirir significado específico. Por exemplo, Jacó teve 12 filhos, que deram origem às 12 tribos de Israel. A partir daí, o número 12 passou a representar Israel - por isso, Jesus chamou 12 apóstolos, para simbolizar que um novo povo de Deus (a igreja cristão) estava se formando (a igreja cristã). Outro bom exemplo é o número que representa uma geração (40 anos), usado inúmeras vezes em diferentes locais da Bíblia. 
Ora, ninguém deveria tentar usar esses números para tirar conclusões matemáticas. Mas, há quem tente fazer isso e acabe propondo doutrinas absurdas. Você pode ver isso facilmente buscando a interpretação do número da Besta do Apocalipse (666) na Internet.
Problemas semelhantes ocorrem quando algumas pessoas tentam aplicar na prática conceitos que deveriam ser tomados apenas como simbólicos - por exemplo, os "olhos", as "mãos" ou as "asas" de Deus, metáforas que não têm correspondência prática, pois Ele é um espírito e não tem esses órgãos.  
Provas da autoridade bíblica
Quais são as provas da autoridade bíblica? Essas provas existem, mas seria um processo muito longo apontar todas aqui. Vou me concentrar, a título de exemplo, em apenas duas dentre elas. 
A primeira delas é a coerência interna da Bíblia, que demonstra haver um "projeto" global para esse conjunto de textos, ou seja, uma “mão” superior guiando tudo. Não podemos esquecer que os textos bíblicos foram escritos por dezenas de autores, que viveram ao longo de cerca de 1.500 anos, sendo originários de lugares distintos e condições de vidas as mais diversas.

Assim, seria de se esperar que houvesse profundas divergências e contradições no conteúdo da Bíblia, o que não ocorre. Isso comprova a uma direção geral inteligente (Espírito Santo). 

A segunda evidencia concreta da autoridade da Bíblia é a importância que seus textos têm tido para os seres humanos ao longo de milhares de anos, inspirando, instruindo, consolando e guiando as pessoas ao longo das suas vidas. Somente textos muito especiais poderiam ter cumprido esse papel. E nenhum outro texto se aproxima da influência que a Bíblia tem tido na história humana.
As traduções
Os textos da Bíblia não foram escritos em português, portanto, só podemos lê-los através de traduções. A primeira tradução para o português foi feita em meados do séc XVIII, por um missionário católico, que se tornou evangélico, chamado João Ferreira de Almeida.
Ao longo do tempo essa tradução foi revista, corrigida e atualizada, dando origem às diversas variantes hoje disponíveis. “João Ferreira de Almeida” é a tradução da Bíblia mais popular e inúmeras gerações de evangélicos, inclusive eu, conheceram a Palavra de Deus através dela.
Outras excelentes traduções disponíveis são “Linguagem de Hoje”, “Nova Versão Internacional” e, mais recentemente, a "Versão Transformadora". A Igreja Católica tem suas próprias traduções, que correm em paralelo às traduções que acabei de comentar.

As principais traduções que citei foram construídas de forma independente umas das outras, isto é, todas elas partiram de textos básicos nas línguas originais (hebraico e grego na variante koine). Elas são o resultado de um enorme esforço desenvolvido por grandes equipes de estudiosos. E o resultado final passa por sucessivas correções (edições), onde os poucos erros existentes vão sendo eliminados aos poucos.  
Sendo assim, não podemos nunca esquecer que a inspiração (o "selo de qualidade" dado por Deus) se refere apenas aos textos originais e não às traduções. Em outras palavras, qualquer tradução pode ter erros. E isso acontece, embora esses erros sejam pequenos por causa dos controles que citei acima. Por isso é sempre bom usar mais de uma tradução e comparar seus textos. Isso porque como as diferentes traduções foram desenvolvidas de forma independente, certamente elas não conterão erros da mesma natureza e exatamente no mesmo local da Bíblia. Isso seria impossível.  A comparação entre diferentes traduções é uma garantia muito poderosa que você estará lidando com as informações certas.
 Com carinho

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

O RENASCIMENTO DEPOIS DA PANDEMIA

O dicionário define renascimento como “nova existência” ou “nova vida”. No caso do estudo de hoje, estou considerando a primeira definição: uma nova forma de viver depois da pandemia.  

Thomas Friedman, o brilhante e conhecido colunista New York Times, comentou, em entrevista recente (12/07/2020), dada ao Estado de São Paulo, que a sociedade humana está passando por um renascimento:
Acho que estamos prestes a ver uma explosão de inovação, um dos grandes pontos de mudança de direção da história ... Esse quadro [acesso a ferramentas baratas de inovação e enorme poder computacional a um preço muito baixo] vai nos proporcionar uma demolição criativa de um jeito que eu nunca vi antes. Vai ser o equivalente a uma guerra mundial em termos de disrupção ...
Thomas Friedman parece ter razão pois os sinais de uma nova forma de levar a vida são cada vez mais evidentes. Mas, o renascimento, que começamos a experimentar, não é um processo inédito. A sociedade humana já passou por outros períodos de renascimento. Vamos ver alguns deles:
A Renascença: o renascimento europeu
Tradicionalmente essa designação se refere a um período que vai mais ou menos do meio do século XIV até o final do século XVI. A Renascença trouxe o fim da Idade Média e representou um sopro de ar fresco no pensamento humano (artes, ciência, teologia, etc), gerando também desenvolvimento econômico e progresso científico. É desse período a difusão da imprensa, as grandes navegações, a construção de grandes catedrais, esplendorosas obras de arte (como o teto da Capela Sistina, no Vaticano) e outras coisas mais. Viveram na Renascença gênios como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael, Galileu, Lutero e muitos outros.
Os renascimentos do povo de Israel
A Bíblia descreve pelo menos três períodos de renascimento ao longo de cerca dois mil anos de história de Israel:
1. O fim da escravidão no Egito
O povo passou cerca de 430 anos em escravidão no Egito, sendo usado como fonte de mão de obra barata para que os faraós construíssem grandes monumentos. Aí Deus convocou Moisés para liderar o processo de libertação do povo. E uma vez saído do Egito, o povo de Israel peregrina cerca de 40 anos pelo deserto do Sinai, onde recebeu, de Deus, leis, orientações e incentivo para organizar-se como nação e adquirir um ânimo vencedor. Isso está descrito em detalhes nos livros Êxodo, Números e Josué contidos na Bíblia.
E foi por causa desse grande avanço social e emocional que Israel conseguiu se estabelecer como nação e dominar boa parte de Canaã.
2. O renascimento na Babilônia
Em 587 AC, os babilônios, comandados por Nabucodonosor, conquistaram Jerusalém, destruíram o Templo e levaram a liderança judaica para o exílio na Babilônia, onde os judeus acabaram constituindo uma importante comunidade. São dessa fase os relatos do final do livro de 2 Reis e 2 Crônicas, bem como o livro do profeta Ezequiel.
Mais adiante (538 AC), o rei Ciro conquistou a Babilônia e fundou o grande império persa. Ciro era muito mais liberal com os povos sob seu domínio e resolveu permitir que os judeus voltassem para sua terra. Muitos voltaram, embora parte tenha permanecido onde estava.

Os que voltaram tiveram que enfrentar o desafio de reconstruir os muros de Jerusalém e o Templo, bem como reorganizar a sociedade judaica em Canaã - esse é o relato que está nos livros de Esdras e Neemias. Os que ficaram na Babilônia passaram a gozar de muito maior liberdade e a colônia judaica floresceu – vemos ecos disso nos relatos dos livros de Daniel e Ester. Em resumo, o povo judaico como que renasceu nos dois locais.
3. O renascimento trazido pelo Messias
O terceiro renascimento aconteceu com a vinda de Jesus ao mundo. Mas, o grosso do povo judeu não percebeu bem o que estava acontecendo, pois as pessoas esperavam um Messias que as viesse libertar do domínio romano, re-estabelecendo no trono judeu a linhagem de Davi. Esse é o significado dos gritos que deram quando da entrada de Jesus em Jerusalém, montado num burrico, no domingo de Ramos: Hosana, em hebraico, significa “salva-nos”, ou seja, o povo clamou para que Deus o libertasse.
Quando Jesus afirmou que seu reino não era deste mundo, muitos judeus se frustraram, pois queriam um libertador, quem os liderasse em batalha, como Moisés, Josué ou Davi. Mas, Jesus veio pregar o amor ao próximo.

Isso não significa que o renascimento não aconteceu, pois uma verdadeira revolução mundial começou ali, com o nascimento do cristianismo. O renascimento não foi cultural, econômico ou político. O renascimento trazido por Jesus foi emocional e espiritual.
E o seu renascimento?
O renascimento de uma sociedade passa essencialmente pelo renascimento individual dos seus integrantes. Se Thomas Friedman estiver certo, e tudo indica que ele está, cada um de nós vai ter que, de certa forma, renascer depois dessa quarentena. 
Períodos de renascimento costumam gerar um resultado geral positivo e acabam sendo bons. Mas, sempre embutem problemas e muita ansiedade, especialmente por conta da resistência das pessoas às mudanças inevitáveis. Afinal, estruturas econômicas e sociais acabam sendo modificadas, algumas profissões desaparecem, enquanto outras surgem, alguns hábitos apreciados mudam e assim por diante. E isso não é fácil de fazer.

Precisaremos aprender a fazer as coisas de formas diferentes no trabalho, no estudo, nas compras, no lazer e até nas práticas religiosas. E mais do que isso, vamos precisar aprender a olhar para as coisas de forma diferente: nem tudo que é maior é melhor, a natureza precisa ser mais preservada, a vida humana é o valor maior e assim por diante.

A dificuldade de fazer essa transição fica bem clara num comentário que Thomas Friedman fez na entrevista que citei acima:
Estamos começando a viver mais da metade das nossas vidas no ciberespaço ... [Mas] não sinais de trânsito no ciberespaço. Não há tribunais ... A questão da ética e dos valores se torna muito importante ...
O ciberespaço ainda é em boa parte desconhecido e uma “terra” meio sem lei. Mais do que nunca vamos precisar de valores que nos guiem a fazer a coisa certa, mesmo onde não há controle e onde a liberdade de ação é quase total.

A Bíblia ensina que isso só é possível com uma mudança de dentro para fora. A partir de um renascimento pessoal. E Jesus falou exatamente sobre isso.
Certa noite Ele foi procurado por um homem importante chamado Nicodemos. E o diálogo entre Jesus e Nicodemos é extremamente revelador (João 3:1-16):
Havia um fariseu chamado Nicodemos, uma autoridade entre os judeus. Ele veio a Jesus, à noite, e disse: "Mestre, sabemos que ensinas da parte de Deus, pois ninguém pode realizar os sinais miraculosos que estás fazendo, se Deus não estiver com ele". Em resposta, Jesus declarou: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo". Perguntou Nicodemos: "Como alguém pode nascer, sendo velho? É claro que não pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer! " Respondeu Jesus: "Digo-lhe a verdade. Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito ... Perguntou Nicodemos: "Como pode ser isso?" Disse Jesus: "Você é mestre em Israel e não entende essas coisas? Asseguro-lhe que nós falamos do que conhecemos e testemunhamos do que vimos, mas mesmo assim vocês não aceitam o nosso testemunho. Eu lhes falei de coisas terrenas e vocês não creram; como crerão se lhes falar de coisas celestiais? ... Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.”
Jesus falou de renascimento individual no campo espiritual e ensinou que isso se dá através da aceitação dele como Salvador. A última frase desse texto (João 3:16) é o versículo mais conhecido e usado da Bíblia e resume o “nascer de novo” do cristão, bem como sua entrada na estrada aberta por Jesus.
Concluindo, precisaremos fazer grande esforço de adaptação ao “novo normal” que se apresenta diante de nós. Haverá riscos e ansiedade, mas, em compensação, novas portas vão se abrir e oportunidades inesperadas vão aparecer em muitos campos da vida humana.

Precisaremos passar por um renascimento espiritual. E isso começará com a aceitação de Jesus e a decisão de verdadeiramente andar nos caminhos que Ele indicou. E esses caminhos podem ser resumidos em dois aspectos: 1) amar a Deus sobre todas as coisas e 2) amar ao próximo como a nós mesmos.

O renascimento proporcionado por Jesus não é apenas ter uma fé intelectualizada e/ou estéril. Trata-se de viver aquilo que se acredita. É ter uma fé que muda tudo, que faz tudo novo.

Amém

terça-feira, 11 de agosto de 2020

TUDO COOPERA PARA O NOSSO BEM?


Há um versículo do apóstolo Paulo que é muito conhecido e querido pelo povo cristão. Trata-se de uma promessa: tudo coopera para o nosso bem (Romanos capítulo 8: versículo 28). Será que isso é mesmo verdade? Tudo coopera mesmo para o nosso bem, até as coisas ruins?
Para responder, precisamos entender melhor o contexto em que Paulo falou isso. Para tanto vamos começar nossa análise alguns versículos antes daquele que nos interessa mais de perto. 
O sofrimento do povo de Deus
Nos versículos 23 a 25 do mesmo capítulo de Romanos, Paulo disse o seguinte:
E não somente ela [a criação], mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. Porque na esperança fomos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança. Pois quem espera o que está vendo? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.
Paulo alerta nesse texto que os crentes verdadeiros/as vivem num mundo dominado imerso no mal. E sofrem por causa disso e esse sofrimento é inevitável. Sua esperança, portanto, deve estar na redenção que virá no final dos tempos (veja o versículo 18), que deve ser esperada com fé. 
A intercessão do Espírito Santo
O apóstolo diz, em continuação, nos versículos 26 e 27, o seguinte:
Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza. Porque não sabemos orar como convém, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus.
O sofrimento e angustia geram fraqueza nos fiéis e Deus lhes manda ajuda através do Espírito Santo, pois, em meio à crise, as pessoas nem mesmo conseguem pedir a Deus as coisas certas. É por causa disso que o próprio Espírito intercede junto a Deus por nós.  
O trabalho de Deus e do Espírito Santo coopera em favor dos fiéis
Aí Paulo fez outra declaração, preparando o terreno para a conclusão que está um pouco mais adiante.  No versículo 27, o apóstolo lembrou que Deus sonda a mente do Espírito Santo. E não podemos esquecer que, em outra de suas cartas, Paulo também ensinou que o Espírito Santo conhece a mente de Deus (1 Coríntios 2:10-11). Ou seja, há uma relação íntima e um trabalho conjunto entre Deus e o Espírito Santo. Aí Paulo chega, então, à conclusão desse raciocínio (versículos 28 e 29):
Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo seu propósito. Pois aqueles que Deus de antemão conheceu Ele também predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Paulo alertou que os crentes recebem outro tipo de ajuda importantíssimo. O Pai e o Espírito Santo atuam em conjunto, para que tudo coopere para o bem dos fiéis. A palavra que Paulo usa no texto - coopera - vem do termo grego synergei, de onde nasce o conhecido termo "sinergia". Essa palavra indica trabalho conjunto de duas ou mais pessoas para produzir o melhor resultado possível. Exatamente aquilo que o Pai e o Espírito Santo fazem: atingem sinergia em favor dos crentes.

O conceito de bem
Outra coisa importante no texto de Paulo é o significado de "bem". Para Deus, "bem" significa uma coisa um pouco diferente do que costumamos pensar. Afinal, os seres humanos, mesmo quando cristãos verdadeiros, costumam ser imediatistas - querem as coisas para já - e são muito apegados às coisas materiais.

O bem, do ponto de vista de Deus, é uma coisa diferente, embora, certamente Ele também se sensibiliza com as necessidades materiais do seu povo. O bem para Deus está ligado ao relacionamento das pessoas com Ele mesmo, afinal tudo que é bom emana do próprio Deus. 
Contribuir para o nosso "bem" significa que os acontecimentos nos aproximam de Deus, tudo coopera para nosso bem e nada pode nos afastar do amor dele. 
Por que Deus não torna nosso caminho mais fácil?
Acredito que a resposta esteja em Hebreus capítulo 11, versículos 1 a 6:
Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos... Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam.
Se você tivesse todas a garantias de Deus para sua vida, teria certezas absolutas e não mais iria precisar da fé, perdendo uma coisa fundamental no relacionamento com Deus. Viver pela fé envolve riscos, mas é isso que Deus espera que façamos.

E concluo com outro ensinamento de Paulo (Filipenses capítulo 4, versículos 12 e 13):
Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece.
Amém.

domingo, 9 de agosto de 2020

PONTO SEM VOLTA

Gosto muito de um texto da carta de Tiago que fala sobre o mal que pode ser causado pelas palavras que proferimos e sobre a necessidade de controlar a própria língua. Trata-se de coisa muito difícil de fazer e, por isso frequentemente, nos vemos falando coisas que não deveríamos dizer. É o que eu chamei de ponto sem volta.

Digo isso porque, quando falamos algo que não deveríamos ter dito, levados pelo calor do momento, atingimos um ponto sem volta. Magoamos alguma pessoa e, mesmo quando tentamos pedir desculpas e consertar o mal que foi feito, ainda assim o estrago feito pode deixar uma cicatriz evidente, uma marca que dificilmente conseguirá ser apagada. Um minuto de distração, de se deixar levar pelos sentimentos, pode gerar consequências por muito tempo.

O texto de Tiago ensina como domar a própria língua é uma coisa quase impossível de fazer. Daí a importância de manter, o mais possível, bons pensamentos preenchendo nossas mentes. Os bons pensamentos funcionam como proteção contra a tendencia deixarmos nossas palavras correrem soltas e causarem estrago nas outras pessoas.

É sobre isso que o Rogers fala no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes dele aqui e aqui.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

O PÂNICO É UM PÉSSIMO CONSELHEIRO


O pânico pode causar um enorme estrago na vida das pessoas já que é um péssimo conselheiro. Ele faz as pessoas fazerem coisas absurdas, que nunca fariam numa situação normal. 

O pânico parece ser um sentimento meio inevitável e leva as pessoas a quase sempre agirem de modo irracional. Por exemplo, quando as pessoas estão num ambiente público fechado (um cinema, teatro ou outro lugar assim) e ocorre um incêndio, todo mundo entra em pânico e as pessoas querem sair ao mesmo tempo. E acaba se formando um grande tumulto junto às portas de saída. Aí as pessoas mais fracas podem acabar sendo lançadas ao chão e pisoteadas pelas demais. E acabam morrendo dos ferimentos recebidos e não do incêndio em si. Se todos agissem com calma e de forma disciplinada, seria possível deixarem o local, correndo risco muito menor. 

O mesmo efeito "manada" pode ser visto quando aparece algum problema na economia - todo mundo corre para vender suas ações na Bolsa de Valores, com medo da queda das cotações, e aí as vendas maciças jogam os preços das ações lá para baixo, gerando o prejuízo que todos temiam. Vimos isso no mês de abril passado, quando estourou a crise do coronavírus - a Bolsa brasileira caiu quase 40%.

O pânico precisa ser combatido pelos efeitos desastrosos que causa e Jesus apresentou o remédio: a confiança (fé) em Deus

Certa vez, Ele estava com seus apóstolos num pequeno barco, no lago (mar) da Galileia e armou-se grande tempestade, que ameaçava afundar o barco. Os companheiros de Jesus entraram em pânico e se voltaram para Ele para pedir socorro. E encontraram Jesus dormindo tranquilamente (Marcos capítulo 4, versículos 35 a 41). A confiança de Jesus em Deus era tão grande, que nada o abalava.

É claro que poucas pessoas atingem tal grau de fé em Deus durante sua vida espiritual. Mas, qualquer pessoa pode trabalhar para aumentar a própria fé.

Para conseguir fazer isso, há duas coisas que precisam ser entendidas. A primeira é como Deus age. Por exemplo, se eu pular de uma janela pensando que Deus vai mandar um anjo me segurar provavelmente ficarei decepcionado (se viver para contar a história). 

Estudar as experiências de intervenção divina relatadas na Bíblia, bem como refletir sobre as próprias experiências, ajuda bastante - já publiquei vários textos aqui no site que tratam dessa questão (por exemplo, aqui). 

Entender como Deus age vai evitar que você venha a esperar coisas que Ele não irá mesmo fazer, ou seja, irá impedir que você tenha fé em coisas erradas e acabe decepcionado por pura falta de conhecimento. 

A segunda coisa importante é aprender a exercitar a própria fé. Se você nunca exercitar sua fé em Deus, quando a crise chegar, não estará preparado e não terá como evitar o pânico.

Por exemplo, imagine que você precisa levar seu filho pequeno para fazer uma cirurgia. Antes  de tudo você vai escolher o cirurgião, conversar com ele, entender os riscos e fazer os exames prévios, em resumo, tomar todas as medidas para adquirir confiança que seu filho estará recebendo o melhor tratamento possível. E enquanto você não tiver adquirido confiança integral no médico, não vai autorizá-lo a fazer a cirurgia. 

O mesmo ocorre na relação com Deus - enquanto você não tiver confiança (fé) integral nele, não vai entregar sua vida aos seus cuidados. Não vai conseguir descansar nele. 

A melhor forma para exercitar sua fé é testá-la em situações mais simples do dia-a-dia. É exatamente como acontece com os músculos do corpo: todo dia eles precisam ser exercitados pelo menos um pouco, para que se mantenham firmes. E é claro que ninguém vai começar um programa de exercícios, se estiver fora de forma, já correndo uma maratona. O preparo físico necessário para correr uma maratona somente virá  após muito tempo de treinamento. 

Para aprender a exercitar sua fé no dia-a-dia, escolha algum hábito seu que lhe incomoda e precisa ser mudado. Por exemplo, não comer o que lhe faz mal ou não se deixar escravizar pela Internet. Faça um propósito de mudar o hábito indesejado. Peça ajuda a Deus para conseguir fazer isso e procure confiar que essa ajuda virá da melhor forma e na hora certa (Salmo 28, versículos 13 e 14). 

E quando tiver sucesso, ou seja, ficar livre do hábito indesejado, reflita sobre sua experiência - o que foi fácil e o que foi difícil de fazer. Procure na Bíblia exemplos de pessoas que passaram por situação semelhante (se não souber, converse com alguém que saiba). E estude o que aconteceu com essas pessoas. 

Depois de conseguir uma vitória num desafio menor, passe para um maior - por exemplo, tente mudar um hábito ruim que seja mais complicado, mais difícil de vencer, como um vício. E assim vá caminhando passo a passo, testando a sua fé e aprendendo a usá-la a seu favor.

Pode ter certeza que você vai se surpreender com os resultados. E quando o momento difícil chegar, você terá uma fé provada e saberá como usá-la para poder enfrentar os desafios que a vida vier a lhe apresentar.

Com carinho

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

QUANTO VOCÊ JÁ CAMINHOU?


Quanto você já caminhou na estrada da sua vida espiritual cristã desde que se converteu? Certa vez um amigo me disse o seguinte:
Quando leio seu site, me dou conta que estou muito distante daquilo que deveria. E isso às vezes me desanima”. 
Respondi para ele que eu também me considero muito distante da meta que Deus tem para mim e, assim com ele, às vezes me sinto meio incapaz, incompetente espiritualmente. Acho que minha resposta surpreendeu...
O cristianismo era conhecido como "O Caminho", antes de se tornar uma religião organizada. Gosto muito desse nome, pois acho que ele reflete bem a essência do que é o desafio de ser cristão. Trata-se de caminhar sempre, olhando para Cristo, nossa meta.

Às vezes paramos porque faltam forças, mas é preciso perseverar e recomeçar a caminhar. De vez em quando até caímos, porque somos limitados e imperfeitos, mas é preciso levantar e seguir em frente.

Há quem consiga andar mais depressa, cair menos e desanimar menos, ao longo do caminho da vida espiritual. Outros seguem jornada mais difícil e atrapalhada, e às vezes até se desviam do caminho certo, para só mais adiante, em meio a grande sofrimento, retomá-lo.

Essa é a natureza da caminhada. E é a história da minha vida espiritual e também a de qualquer outra pessoa que decida seguir a Jesus. Portanto, você não deve desanimar com as dificuldades e tropeços, ou quando as exigências da vida cristã parecem muito grandes. 
E sempre lembre-se de algumas coisas. Primeiro, você não precisa caminhar sozinho. O Espírito Santo está presente no mundo exatamente para ajudar você em toda a sua jornada. Basta orar e pedir ajuda, que você será apoiado de todas as formas. 
E você terá também o apoio de irmãos na fé, que passam pelas mesmas lutas e podem ajudar muito  através do seu testemunho e orando junto com você. Exatamente por isso é tão importante ser parte de uma igreja (comunidade cristã).

Segundo, toda vez que você se afastar da rota certa ou mesmo tropeçar e cair - por exemplo, quando ceder à tentação e pecar novamente -, basta reconhecer seu erro e pedir perdão a Deus. Ele sabe das suas dificuldades e está sempre pronto para perdoar e se reconciliar com você, colocando você de volta no caminho certo.

Finalmente, sempre é bom olhar para trás e ver o quanto você já caminhou. Você entrou no caminho certo quando aceitou Jesus como seu Salvador. Ao aprender o que Deus espera de você -  perdão, amor ao próximo, etc -  e começar a praticar isso, mesmo que de forma imperfeita, você já andou mais um bom pedaço.

E quando aprendeu a importância da oração e seu poder sobre a vida do ser humano, mais alguns quilômetros ficaram para trás. Quando deixou hábitos que prejudicavam sua vida, como vícios, consumo excessivo, maledicência, etc, houve mais um grande avanço, E assim você vai caminhando.
Não olhe somente para aquilo que você ainda não conseguiu, o quanto falta caminhar. Encontre consolo e ânimo para prosseguir dando-se conta também do quanto já conseguiu. Talvez você se surpreenda ao perceber o quanto já caminhou na estrada da vida espiritual.
Concluindo, continue a andar pelo caminho que é Jesus Cristo. Eu tenho me esforçado por fazer o mesmo. Essa é a tarefa mais importante da sua e da minha vida.

Com carinho

sábado, 1 de agosto de 2020

A DIGITAL DE DEUS

Somos criaturas de Deus, obras da mão dele. E por isso cada um de nós tem em si a digital dele, a marca da sua criação e da presença de Deus. É isso que dá a cada ser humano uma dignidade própria e um valor sem medida. Somos importantes exatamente por ter a digital de Deus marcando nossas vidas.

E, nesse sentido, podemos dizer que cada um de nós é único aos olhos de Deus e também tem um papel único a desempenhar na ordem natural das coisas (isto é, na sociedade humana). Cada um tem seu papel exclusivo e também um chamado específico para fazer determinadas coisas na obra de Deus. Coisas que foram designadas para aquela pessoa fazer, coisas que são da responsabilidade dela e de ninguém mais.

Portanto, cabe a cada um reconhecer isso e se colocar à disposição do Reino de Deus para fazer aquilo que foi chamado a realizar. Cada pessoa precisa preencher seu chamado e se tornar útil e dar frutos para o Reino de Deus.

É sobre a importância da marca de Deus na vida de cada pessoa e da consequência que isso traz que o Rogers fala no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes dele aqui e aqui.