terça-feira, 25 de agosto de 2020

O AGIR DE DEUS

 Se eu perguntasse às pessoas como elas sentem o agir de Deus nas suas vidas, acredito que as respostas iriam variar muito de acordo com cada experiência individual. Talvez umas dissessem que Deus age quando elas estudam e meditam na Palavra de Deus. Já outras talvez dissessem que sentem o agir de Deus quando louvam. Outras ainda poderiam citar milagres que ocorreram nas suas vidas.

Eu, por exemplo, sinto muito a presença de Deus quando preparo esses vídeos semanalmente. Frequentemente, quando vou gravar um vídeo, tenho todo o material necessário já preparado. Mas,  quando chego na frente da câmera e começo a falar, sai outra coisa bem diferente. E isso é Deus agindo.  Ele coloca palavras que gostaria que fossem ditas na minha boca.

Vejo também a ação de Deus quando recebo algum retorno sobre esses vídeos. Às vezes alguém comenta aqui no site ou manda um recado que a palavra dita em tal e qual vídeo foi justamente a que ele/a precisava ouvir naquele exato momento da sua vida. E aí me dá uma alegria porque percebo que Deus realizou algo através da minha vida.

Você quer ver Deus agir através da sua vida? É simples. Basta levantar a mão e dizer: "eis me aqui, Senhor, usa-me nisto ou naquilo" E se o que você estiver pensando em fazer for do agrado de Deus, pode ter certeza que Ele vai usar você de forma poderosa. Vai usar você de maneiras totalmente inesperadas e que até pareciam impossíveis. 

Portanto, basta querer e se apresentar como voluntário, que Deus vai fazer coisas tremendas através da sua vida, como tem feito através da minha.

E é sobre isso que o Rogers fala no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes dele aqui e aqui.

domingo, 23 de agosto de 2020

OS QUE NÃO AGRADECERAM

Por que é necessário reservar um dia para agradecer a Deus? Por exemplo, esse é papel do Dia Universal de Ação de Graças. 

A razão é simples: há muitos que não agradeceram a Ele as inúmeras bênçãos recebidas e precisam ser lembrados de fazer isso. A verdade é que as pessoas, quando deixadas por conta própria, não se mostram suficientemente gratas e se torna necessário lembrá-las dessa obrigação,  por isso existem datas comemorativas desse tipo. 

Os 10 leprosos  
Talvez você tenha ficado surpreendido/a com minha declaração a respeito da falta de gratidão das pessoas a Deus, mas, infelizmente, essa é a verdade. E há vários exemplos disso na Bíblia - vamos ver um deles, acontecido com o próprio Jesus. 

Certa vez, Jesus ia passando e ouviu o chamado desesperado de dez leprosos. Naquela época, eram considerados leprosos todas as pessoas que sofriam de alguma doença de pele grave como, por exemplo, a psoríase. Não era preciso ser portador da lepra propriamente dita (hanseníase) para ficar estigmatizado dessa forma.  

Os leprosos viviam segregados do convívio social por causa do medo do contágio e eram sustentados, de forma precária, pela caridade pública. Essas pessoas levavam uma vida terrível. Quem quiser ter uma percepção mais concreta sobre essa realidade basta assistir o filme "Ben-Hur", no qual o herói entra numa caverna habitada por leprosos em busca da mãe e da irmã.   

Portanto, os dez homens que apelaram para a misericórdia de Jesus viviam uma situação desesperadora - sua qualidade de vida era péssima. E Jesus atendeu o pedido e curou os homens doentes. Depois, Ele disse para os dez homens se apresentarem aos sacerdotes, por que, segundo a Lei Mosaica, cabia aos sacerdotes atestar a cura. Sem esse atestado, os homens continuariam sendo considerados impuros. Os ex-leprosos fizeram isso e tiveram sua cura confirmada (Lucas capítulo 17, versículos 11 a 19). 

Mas, de forma surpreendente, apenas um deles voltou para agradecer a Jesus a benção recebida. E, somente para esse Jesus reservou o prêmio maior: o perdão dos pecados (versículo 19). Os outros nove ganharam a cura física mas perderam a oportunidade de ganhar algo ainda mais importante. 

Realmente surpreende esse nível de ingratidão mas isso é muito comum. E posso dar o testemunho de já ter visto isso acontecer várias vezes. 

Um testemunho de gratidão: Maria 
Agora, há quem dê um testemunho totalmente diferente, expressando sempre a gratidão necessária a Deus. Um excelente exemplo disso é Maria, mãe de Jesus, o que confirma que ela foi mesmo uma mulher especial. 

Maria engravidou por obra do Espírito Santo, mesmo sendo virgem, e recebeu a revelação dessa realidade do anjo Gabriel. Ela imediatamente entendeu que iria passar por grande desgaste social, ao aparecer grávida sem explicação, pois era noiva de José e o filho evidentemente não era dele. 

Apesar de ser ainda uma adolescente (cerca de 15 anos), Maria teve fé que a ação de Deus na vida dela viria a ser positiva. E, por causa dessa confiança inabalável, derramou-se em agradecimentos a Deus, conservados num cântico lindo, conhecido como "Magnificat" (Lucas capítulo 1, versículos 46 a 55). 

Que contraste com os nove leprosos ingratos! Maria agradeceu o que ainda nem tinha visto, enquanto aqueles nove homens já tinham recebido a benção e nem se deram ao trabalho de olhar para trás. É por isso que Maria é hoje uma das pessoas mais reconhecidas pela história, enquanto aqueles homens servem apenas como exemplo do que não se deve fazer. 

Palavras finais 
Deus se agrada muito de um coração agradecido. Ele fica alegre quando a pessoa demonstra humildade e reconhece que, sem a ação divina, determinada coisa não poderia ter sido alcançada. Nunca se esqueça disso. 

Portanto, aproveite cada oportunidade para agradecer a Deus. A gratidão precisa se tornar um estilo de vida para o cristão.   Graças a Deus por tudo que Ele tem feito e ainda fará por cada um de nós!  

Com carinho

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

AS DOENÇAS DO CORAÇÃO

Hoje vou falar das doenças do coração. Vivemos numa sociedade onde o que mais se ouve é "eu mereço isso", "eu não gosto daquilo" e assim vai. O “eu” tornou-se o motor do nosso dia a dia. Ele conduz quase todas as nossas decisões.

A excessiva importância do "eu" contribui para gerar doenças emocionais e espirituais importantes, que eu apelidei neste texto de "doenças do coração". Vejamos alguns exemplos:

  1. Ira: 

    Pode ser descrita como "a pessoa acha que alguém deve a ela alguma coisa". Por exemplo, pensa que merecia um reconhecimento que não foi recebido ou mesmo um amor que lhe foi negado. A ira chega porque a pessoa se sente frustrada naquilo que entendia ser seu direito.     

  2. Culpa:

    Pode ser descrita como "a pessoa acha que deve alguma coisa para alguém e não consegue pagar essa dívida". Por exemplo, pensa que fez algo que não devia e se sente culpada por isso. 

  3. Egoísmo: 

    Pode ser descrito como “a pessoa acha que vem sempre em primeiro lugar”. Essa doença gera nela dificuldade de pensar nas necessidades do próximo. Ou de abrir mão do seu interesse em favor do interesse de terceiros.

  4. Inveja:   

    Pode ser descrita como “a pessoa pensa que Deus lhe deve algo, que deu para outro/a”. Pode ser que o/a outro/a tenha mais beleza, talento, dinheiro ou mesmo sucesso. Pode ser que o/a outro/a tenha menos problemas. E assim por diante. E ela conclui que a culpa de tudo isso só pode ser de Deus pois Ele pode tudo e poderia mudar essa situação. 

  5. Orgulho:   

    Pode ser descrito como “a pessoa se considera importante e digna de reconhecimento”.  Por isso deve ter prioridade, um tratamento melhor, certas vantagens, etc.

E comum a todas essas doenças é olhar para as situações sembre privilegiando o "próprio umbigo".  O que importa é sempre o que a própria pessoa faz, o que recebe, o que lhe é devido e assim por diante. O "eu" da pessoa tem prioridade sobre tudo.

O império do “eu” é provavelmente a maior dificuldade que existe para a construção de uma sociedade melhor e mais justa. Quando o “eu” manda e determina o que a pessoa vai fazer, coisas ruins podem acontecer: a ira explode em violência, o egoísmo vira cobiça desenfreada, a inveja se transforma em fofoca, o orgulho em arrogância e por aí vai.

Todos sofremos em algum grau com uma ou mais dessas doenças. Algumas delas estão mais presentes do que outras, mas todas se fazem notar em algum grau. E precisamos ter consciência clara disso. 

O ensinamento de Jesus
Jesus ensinou que o remédio para os "males do coração" é justamente tirar o foco do "eu". E é dessa percepção que nascem os dois grandes mandamentos dados por Ele que resumem tudo que devemos fazer: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. 

Quando a pessoa ama Deus sobre todas as coisas, tal amor passa a conduzir sua vida. E assim ela passa a seguir os princípios de vida que Deus estabeleceu, mesmo quando eles contrariam seu próprio interesse pessoal. O "eu" é domado e se torna dependente de algo maior. 

Depois, quando a pessoa decide fazer pelo próximo as coisas que gostaria que fossem feitas por ela mesma, seu “eu” muda de função. Deixa de ser a razão da vida e passa a ser uma referencia para aquilo que precisa ser feito pelo próximo. 

Agora, passar da teoria à prática não é fácil. Domar o próprio "eu", e torná-lo dependente de Deus, não é simples. Mas felizmente há instrumentos que podem ajudar você a conseguir fazer isso. Refiro-me às disciplinas espirituais e indico cinco delas a seguir:

Confissão
O programa de luta contra o alcoolismo proposto pelos Alcoólicos  Anônimos começa exatamente pelo reconhecimento do vício e sua confissão pública. E como somos viciados no "eu", é por aí que você precisa começar também, reconhecendo esse problema. Esse é o ponto de partida.
Perdão
Cancelar as "dívidas" emocionais que outras pessoas possam ter com você é um passo importante. Isso vai livrar seu “eu” de uma carga de mágoas, do desejo de vingança e, sobretudo, do risco de manter sua vida congelada no passado veja mais
Doação
Dedicar parcelas importantes do seu tempo ao desenvolvimento do Reino de Deus aqui na terra é uma forma muito boa de combater o egoísmo. A auto-doação tira o foco saia de cima das suas necessidades e desejos e o transfere para as outras pessoas. A experiência mostra que quanto mais a pessoa se dá, maiores frutos são gerados e eles estimulam e gratificam quem se doa.
Alegria com o sucesso dos outros
Procurar se alegrar com as realizações das pessoas que geram inveja em você é uma disciplina espiritual muito importante. E é fundamental aprender a expressar essa alegria em voz alta. E não se trata de uma atitude hipócrita, porque ela é fruto de uma decisão real de não se deixar aprisionar pela inveja.  
Realização de trabalhos aparentemente humildes
Foi isso que Jesus ensinou ao lavar os pés dos discípulos - não há melhor remédio contra o orgulho. Eu, por exemplo, quando participei de retiros espirituais, procurei sempre me auto-escalar para lavar pratos e outras coisas simples (embora frequentemente também desempenhasse tarefas consideradas mais "importantes"). Isso me ajudou a manter o foco no serviço a Deus e não na importância da minha contribuição. E posso garantir que as melhores recordações que tenho desses eventos são justamente as que fiz fazendo essas tarefas simples. 

Com carinho

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O RISCO DE NÃO ACEITAR JESUS

Hoje vou falar sobre o risco de não aceitar Jesus. Essa minha reflexão nasceu de um comentário muito interessante postado aqui no site. Ele foi feito por um leitor, em cima de um texto meu falando sobre a Graça de Deus. O leitor que fez o comentário -  alguém que não tem certeza se Deus existe de fato (agnóstico) - escreveu o seguinte:

"...como não é possível provar com certeza absoluta nem que Deus existe, nem que não existe, a coisa correta a fazer seria não tomar qualquer decisão a esse respeito". 

Essa declaração, à primeira vista, parece fazer sentido. Afinal, quando não temos certeza sobre alguma coisa é preciso cautela na tomada de qualquer decisão. Como, segundo o leitor, não é possível ter certeza sobre a existência de Deus, o melhor seria ficar quieto. Não tomar qualquer partido - nem contra nem a favor d´Ele. Evitando assim o risco de escolher a opção errada e fazer besteira. 

Como as pessoas lidam com a incerteza
Mas, se você prestar bem atenção, não é bem assim que as pessoas costumam agir quando não tem certeza. Elas não costumam ficar paradas. Normalmente, levantam as várias alternativas disponíveis e avaliam o risco de cada uma delas. Aí escolhem a alternativa que oferece menor risco. E a alternativa de não fazer nada também costuma embutir algum tipo de risco (por exemplo, perder uma oportunidade).

Vejamos um exemplo prático: quando uma pessoa vai decidir se abre um negócio, enfrenta muita incerteza. Sempre há o risco de fazer o negócio e perder dinheiro. Agora, também há um risco em nada fazer: perder a oportunidade e eventualmente deixar de ganhar um bom dinheiro. Aí a pessoa avalia os dois riscos e acaba decidindo o que fazer. 

Vejamos outro exemplo: se um médico não sabe as causas de uma doença, isso não quer dizer que deva ficar parado. Deixar a pessoa morrer. Nesse caso, fazer alguma coisa, mesmo correndo o risco de ter se baseado no diagnóstico errado, é melhor que nada fazer. E é assim que os médicos costumam agir. 

O risco de aceitar ou não Jesus
É preciso entender que, de acordo com a doutrina cristã, se a pessoa decidir nada fazer a respeito da sua fé em Jesus (conforme propôs o leitor agnóstico), o resultado final é o mesmo que rejeitá-lo. Isso porque em ambos os casos a pessoa não terá a Graça de Deus, pois essa somente se manifesta quando a pessoa aceita Jesus. 

Portanto, na prática, a decisão de nada fazer equivale à decisão de recusar Jesus e assim somente existem duas alternativas a analisar: aceitar Jesus ou não. E usando a metodologia que expliquei acima, será preciso avaliar os riscos relacionados com cada uma dessas duas alternativas e, naturalmente, escolher aquela de risco menor. 

O risco de rejeitar Jesus aparece apenas se o cristianismo estiver certo. Nesse caso, a consequência será muito séria: a pessoa irá perder sua salvação. Não existe risco maior - trata-se de acabar condenada ao inferno para sempre. 
É claro que aceitar Jesus também envolve um risco. Se o cristianismo estiver errado, a pessoa que aceitou Jesus estará seguindo uma ilusão. E, por causa disso, fará algumas coisas sem qualquer sentido prático (orar, louvar, tomar a Santa Ceia, estudar a Bíblia, etc) e se privará de outras tantas (tudo aquilo que é proibido pelo cristianismo), sem qualquer necessidade.
Esse risco parece moderado. Até porque muitas coisas que o cristianismo proíbe (vícios, adultério, matar, roubar, etc) costumam ser proibidas pela maioria das sociedades através de leis. Portanto, seria necessário não fazer essas coisas.
Palavras finais
Resumindo, o risco de não aceitar Jesus é gigantesco (perder a vida eterna) e o risco contrário é moderado (fazer algumas coisas e se privar de outras, sem necessidade). Portanto, a lógica aponta com clareza na direção de ser aconselhável aceitar Jesus. Essa seria a decisão menos arriscada, mesmo quando a pessoa não tem muita certeza quanto ao que deve fazer. 
Sei muito bem que ninguém aceita Jesus com base num raciocínio lógico e sim pela fé. Então, qual é o valor de toda essa discussão? Há duas coisas importantes aí:

Primeiro, para quem já decidiu aceitar Jesus, é sempre muito bom saber ter feito uma escolha amparada pela lógica, que faz sentido. Isso reafirma e robustece a fé do/a cristão/ã. 

Depois, para quem ainda não aceitou Jesus, como o leitor agnóstico, esse tipo de discussão ajuda a tirar a pessoa da sua inércia. A empurra para dar um passo inicial na direção de Jesus e, uma vez feito isso, o Espírito Santo vai entrar e completar a obra.

Com carinho

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

TERRAS DISTANTES

O livro de Isaías fala de terras distantes e chama essas terras de Sião e Jerusalém. O profeta estava se referindo às terras celestiais, para onde iremos quando acabar essa vida e Deus nos chamar para estar junto a ele. 

Nunca devemos esquecer que estamos neste mundo apenas de passagem - vivemos aqui apenas ao longo de algumas décadas. Nosso destino verdadeiro e permanente é o paraíso, onde estaremos junto a Deus para sempre. 

O livro do Apocalipse se refere a esse lugar como Jerusalém celestial, fazendo eco ao que disse o profeta Isaías. Portanto, tenha sempre em mente que, aconteça o que acontecer, esteja você na situação que estiver, você só está aqui de passagem. 

O melhor de Deus na sua vida ainda está por vir. E você só verá esse melhor no final dos tempos, quando chegar ao Paraíso. Isso não quer dizer que você não deve pedir a Deus coisas melhores para o aqui e o agora. Não quer dizer que você não deve pedir a Deus alívio para suas dificuldades e dores terrenas. E não espere a ajuda dele para melhorar sua situação. É claro que você deve fazer tudo isso. 

Mas, nunca perca de vista seu destino final. Nunca perca de vista as terras distantes, ou seja, o lugar para onde você irá no final dos tempos e que será seu destino definitivo. Até lá, você, assim como cada ser humano, é um peregrino num local que de fato não lhe pertence. 

E é sobre isso que o Rogers fala no seu mais novo vídeo - veja aqui. Veja outros vídeos dele recentes aqui e aqui.

sábado, 15 de agosto de 2020

INFORMAÇÕES SOBRE A BÍBLIA


Aí vão algumas informações interessantes sobre a Bíblia. E essas informações valem à conhecer porque a Bíblia tem, no meio cristão, uma autoridade que nenhum outro texto já teve ou poderá vir a ter. Afinal, ela é considerada pelo povo cristão como a Palavra de Deus. 
Nosso entendimento é que o Espírito Santo inspirou os autores dos 66 livros da Bíblia (cerca de quarenta pessoas), orientando-os sobre o que deveriam escrever. Agora, mesmo inspirados pelo Espírito Santo, os autores dos textos não perderam consciência do que faziam - a inspiração não é, como alguns pensam, semelhante à psicografia praticada por médiuns espíritas. É coisa bem diferente. 
A pessoa inspirada preservava sua consciência e mantinha total controle sobre sua vontade. Se o autor conhecia apenas uma língua, ele escrevia nessa língua. E seu estilo de escrita e vocabulário eram preservados - por isso as cartas de Paulo, um grande teólogo, são tão diferentes dos textos de Lucas, que era médico - leia Romanos, escrito pelo primeiro, e Atos dos Apóstolos, escrito pelo segundo, que você vai comprovar com facilidade o que acabei de dizer. 
Portanto, ao ler a Bíblia, você precisa ter em mente essas informações muito importantes. Em primeiro lugar, tudo que a Bíblia contém é verdade mas nem todas as verdades estão contidas na Bíblia. Afinal, a Bíblia tem escopo limitado, como não poderia deixar de ser.
Portanto, não vamos encontrar na Bíblia a maioria das verdades científicas, como, por exemplo, a Teoria da Relatividade ou as Leis da Termodinâmica. Não se deve procurar na Bíblia esse tipo de “verdade”. 

Em segundo lugar, é preciso lembrar que o texto bíblico foi escrito de forma a ser entendido pelos seus leitores daquela época, ou seja, gente que viveu milhares de anos atrás.  É claro que a Bíblia é completamente relevante hoje em dia, mas nunca podemos esquecer que as primeiras pessoas a ler esses textos não tinham os conhecimentos que temos hoje. 

Por exemplo, nos tempos bíblicos considerava-se que a sede do intelecto estava no coração e, naturalmente, essa visão permeia o texto bíblico. E isso não é um erro e sim uma adequação do texto ao público ouvinte daquela época. De igual forma, nos tempos bíblicos, as pessoas pensavam que a terra era plana, coisa que sabemos não ser verdade e os textos refletem esse pensamento das pessoas.
Terceira, dentre as informações relevantes, a Bíblia não descreve os fatos históricos como um livro texto de história faria hoje. Os textos atuais buscam a máxima precisão cronológica possível, indicam todas as suas fontes de referência e privilegiam a apresentação de provas que garantam a veracidade das conclusões tiradas. 
Na época em que a Bíblia foi escrita, esses princípios de historiografia - hoje amplamente aceitos - nem eram conhecidos e, portanto, as premissas usadas foram outras. Não seria razoável, então, cobrar dos autores da Bíblia fidelidade aos princípios historiográficos atuais e muito menos considerar que eles erraram por não fazer isso. 

Essa característica explica porque nem tudo que gostaríamos de conhecer sobre Jesus foi registrado nos Evangelhos. Nada sabemos, por exemplo, sobre sua infância e adolescência e muito menos os detalhes de como sua família viveu. Isso não é uma omissão, ou como pensam alguns críticos, uma tentativa de esconder algo. Simplesmente os autores dos Evangelhos tinham espaço limitado e acharam que essas informações não eram muito relevantes, coisa que seria impensável hoje em dia. 
Mas, como a Bíblia foi inspirada por Deus, você pode ter certeza que foram fornecidas todas as informações históricas mínimas, necessárias para o bom entendimento dos diversos relatos e, mais ainda, indispensáveis para o entendimento das mensagens que Deus quis nos transmitir. O Espírito Santo se encarregou de nos dar essa garantia.
Finalmente, é preciso levar em conta que o texto da Bíblia está cheio de símbolos e metáforas. Isso pode ser visto, por exemplo, na simbologia por trás de muitos números citados.

Nunca podemos esquecer que, tanto no hebraico, como no grego, as linguagens originais dos textos bíblicos, não havia símbolos especiais para escrever números, como temos no português. Eram usadas letras do alfabeto normal para escrever os números - os chamados números romanos usam exatamente esse princípio. E como os números eram escritos com letras, eles também podiam ser lidos como palavras, ou seja, tinham duplo significado: o numeral em si e palavra resultante.

E muitas vezes a palavra que representava determinado número tinha mais importância do que o numeral em si - o célebre número da Besta do Apocalipse (666) talvez seja o exemplo mais conhecido. 

Além disso, determinados números podiam adquirir significado específico. Por exemplo, Jacó teve 12 filhos, que deram origem às 12 tribos de Israel. A partir daí, o número 12 passou a representar Israel - por isso, Jesus chamou 12 apóstolos, para simbolizar que um novo povo de Deus (a igreja cristão) estava se formando (a igreja cristã). Outro bom exemplo é o número que representa uma geração (40 anos), usado inúmeras vezes em diferentes locais da Bíblia. 
Ora, ninguém deveria tentar usar esses números para tirar conclusões matemáticas. Mas, há quem tente fazer isso e acabe propondo doutrinas absurdas. Você pode ver isso facilmente buscando a interpretação do número da Besta do Apocalipse (666) na Internet.
Problemas semelhantes ocorrem quando algumas pessoas tentam aplicar na prática conceitos que deveriam ser tomados apenas como simbólicos - por exemplo, os "olhos", as "mãos" ou as "asas" de Deus, metáforas que não têm correspondência prática, pois Ele é um espírito e não tem esses órgãos.  
Provas da autoridade bíblica
Quais são as provas da autoridade bíblica? Essas provas existem, mas seria um processo muito longo apontar todas aqui. Vou me concentrar, a título de exemplo, em apenas duas dentre elas. 
A primeira delas é a coerência interna da Bíblia, que demonstra haver um "projeto" global para esse conjunto de textos, ou seja, uma “mão” superior guiando tudo. Não podemos esquecer que os textos bíblicos foram escritos por dezenas de autores, que viveram ao longo de cerca de 1.500 anos, sendo originários de lugares distintos e condições de vidas as mais diversas.

Assim, seria de se esperar que houvesse profundas divergências e contradições no conteúdo da Bíblia, o que não ocorre. Isso comprova a uma direção geral inteligente (Espírito Santo). 

A segunda evidencia concreta da autoridade da Bíblia é a importância que seus textos têm tido para os seres humanos ao longo de milhares de anos, inspirando, instruindo, consolando e guiando as pessoas ao longo das suas vidas. Somente textos muito especiais poderiam ter cumprido esse papel. E nenhum outro texto se aproxima da influência que a Bíblia tem tido na história humana.
As traduções
Os textos da Bíblia não foram escritos em português, portanto, só podemos lê-los através de traduções. A primeira tradução para o português foi feita em meados do séc XVIII, por um missionário católico, que se tornou evangélico, chamado João Ferreira de Almeida.
Ao longo do tempo essa tradução foi revista, corrigida e atualizada, dando origem às diversas variantes hoje disponíveis. “João Ferreira de Almeida” é a tradução da Bíblia mais popular e inúmeras gerações de evangélicos, inclusive eu, conheceram a Palavra de Deus através dela.
Outras excelentes traduções disponíveis são “Linguagem de Hoje”, “Nova Versão Internacional” e, mais recentemente, a "Versão Transformadora". A Igreja Católica tem suas próprias traduções, que correm em paralelo às traduções que acabei de comentar.

As principais traduções que citei foram construídas de forma independente umas das outras, isto é, todas elas partiram de textos básicos nas línguas originais (hebraico e grego na variante koine). Elas são o resultado de um enorme esforço desenvolvido por grandes equipes de estudiosos. E o resultado final passa por sucessivas correções (edições), onde os poucos erros existentes vão sendo eliminados aos poucos.  
Sendo assim, não podemos nunca esquecer que a inspiração (o "selo de qualidade" dado por Deus) se refere apenas aos textos originais e não às traduções. Em outras palavras, qualquer tradução pode ter erros. E isso acontece, embora esses erros sejam pequenos por causa dos controles que citei acima. Por isso é sempre bom usar mais de uma tradução e comparar seus textos. Isso porque como as diferentes traduções foram desenvolvidas de forma independente, certamente elas não conterão erros da mesma natureza e exatamente no mesmo local da Bíblia. Isso seria impossível.  A comparação entre diferentes traduções é uma garantia muito poderosa que você estará lidando com as informações certas.
 Com carinho

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

O RENASCIMENTO DEPOIS DA PANDEMIA

O dicionário define renascimento como “nova existência” ou “nova vida”. No caso do estudo de hoje, estou considerando a primeira definição: uma nova forma de viver depois da pandemia.  

Thomas Friedman, o brilhante e conhecido colunista New York Times, comentou, em entrevista recente (12/07/2020), dada ao Estado de São Paulo, que a sociedade humana está passando por um renascimento:
Acho que estamos prestes a ver uma explosão de inovação, um dos grandes pontos de mudança de direção da história ... Esse quadro [acesso a ferramentas baratas de inovação e enorme poder computacional a um preço muito baixo] vai nos proporcionar uma demolição criativa de um jeito que eu nunca vi antes. Vai ser o equivalente a uma guerra mundial em termos de disrupção ...
Thomas Friedman parece ter razão pois os sinais de uma nova forma de levar a vida são cada vez mais evidentes. Mas, o renascimento, que começamos a experimentar, não é um processo inédito. A sociedade humana já passou por outros períodos de renascimento. Vamos ver alguns deles:
A Renascença: o renascimento europeu
Tradicionalmente essa designação se refere a um período que vai mais ou menos do meio do século XIV até o final do século XVI. A Renascença trouxe o fim da Idade Média e representou um sopro de ar fresco no pensamento humano (artes, ciência, teologia, etc), gerando também desenvolvimento econômico e progresso científico. É desse período a difusão da imprensa, as grandes navegações, a construção de grandes catedrais, esplendorosas obras de arte (como o teto da Capela Sistina, no Vaticano) e outras coisas mais. Viveram na Renascença gênios como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael, Galileu, Lutero e muitos outros.
Os renascimentos do povo de Israel
A Bíblia descreve pelo menos três períodos de renascimento ao longo de cerca dois mil anos de história de Israel:
1. O fim da escravidão no Egito
O povo passou cerca de 430 anos em escravidão no Egito, sendo usado como fonte de mão de obra barata para que os faraós construíssem grandes monumentos. Aí Deus convocou Moisés para liderar o processo de libertação do povo. E uma vez saído do Egito, o povo de Israel peregrina cerca de 40 anos pelo deserto do Sinai, onde recebeu, de Deus, leis, orientações e incentivo para organizar-se como nação e adquirir um ânimo vencedor. Isso está descrito em detalhes nos livros Êxodo, Números e Josué contidos na Bíblia.
E foi por causa desse grande avanço social e emocional que Israel conseguiu se estabelecer como nação e dominar boa parte de Canaã.
2. O renascimento na Babilônia
Em 587 AC, os babilônios, comandados por Nabucodonosor, conquistaram Jerusalém, destruíram o Templo e levaram a liderança judaica para o exílio na Babilônia, onde os judeus acabaram constituindo uma importante comunidade. São dessa fase os relatos do final do livro de 2 Reis e 2 Crônicas, bem como o livro do profeta Ezequiel.
Mais adiante (538 AC), o rei Ciro conquistou a Babilônia e fundou o grande império persa. Ciro era muito mais liberal com os povos sob seu domínio e resolveu permitir que os judeus voltassem para sua terra. Muitos voltaram, embora parte tenha permanecido onde estava.

Os que voltaram tiveram que enfrentar o desafio de reconstruir os muros de Jerusalém e o Templo, bem como reorganizar a sociedade judaica em Canaã - esse é o relato que está nos livros de Esdras e Neemias. Os que ficaram na Babilônia passaram a gozar de muito maior liberdade e a colônia judaica floresceu – vemos ecos disso nos relatos dos livros de Daniel e Ester. Em resumo, o povo judaico como que renasceu nos dois locais.
3. O renascimento trazido pelo Messias
O terceiro renascimento aconteceu com a vinda de Jesus ao mundo. Mas, o grosso do povo judeu não percebeu bem o que estava acontecendo, pois as pessoas esperavam um Messias que as viesse libertar do domínio romano, re-estabelecendo no trono judeu a linhagem de Davi. Esse é o significado dos gritos que deram quando da entrada de Jesus em Jerusalém, montado num burrico, no domingo de Ramos: Hosana, em hebraico, significa “salva-nos”, ou seja, o povo clamou para que Deus o libertasse.
Quando Jesus afirmou que seu reino não era deste mundo, muitos judeus se frustraram, pois queriam um libertador, quem os liderasse em batalha, como Moisés, Josué ou Davi. Mas, Jesus veio pregar o amor ao próximo.

Isso não significa que o renascimento não aconteceu, pois uma verdadeira revolução mundial começou ali, com o nascimento do cristianismo. O renascimento não foi cultural, econômico ou político. O renascimento trazido por Jesus foi emocional e espiritual.
E o seu renascimento?
O renascimento de uma sociedade passa essencialmente pelo renascimento individual dos seus integrantes. Se Thomas Friedman estiver certo, e tudo indica que ele está, cada um de nós vai ter que, de certa forma, renascer depois dessa quarentena. 
Períodos de renascimento costumam gerar um resultado geral positivo e acabam sendo bons. Mas, sempre embutem problemas e muita ansiedade, especialmente por conta da resistência das pessoas às mudanças inevitáveis. Afinal, estruturas econômicas e sociais acabam sendo modificadas, algumas profissões desaparecem, enquanto outras surgem, alguns hábitos apreciados mudam e assim por diante. E isso não é fácil de fazer.

Precisaremos aprender a fazer as coisas de formas diferentes no trabalho, no estudo, nas compras, no lazer e até nas práticas religiosas. E mais do que isso, vamos precisar aprender a olhar para as coisas de forma diferente: nem tudo que é maior é melhor, a natureza precisa ser mais preservada, a vida humana é o valor maior e assim por diante.

A dificuldade de fazer essa transição fica bem clara num comentário que Thomas Friedman fez na entrevista que citei acima:
Estamos começando a viver mais da metade das nossas vidas no ciberespaço ... [Mas] não sinais de trânsito no ciberespaço. Não há tribunais ... A questão da ética e dos valores se torna muito importante ...
O ciberespaço ainda é em boa parte desconhecido e uma “terra” meio sem lei. Mais do que nunca vamos precisar de valores que nos guiem a fazer a coisa certa, mesmo onde não há controle e onde a liberdade de ação é quase total.

A Bíblia ensina que isso só é possível com uma mudança de dentro para fora. A partir de um renascimento pessoal. E Jesus falou exatamente sobre isso.
Certa noite Ele foi procurado por um homem importante chamado Nicodemos. E o diálogo entre Jesus e Nicodemos é extremamente revelador (João 3:1-16):
Havia um fariseu chamado Nicodemos, uma autoridade entre os judeus. Ele veio a Jesus, à noite, e disse: "Mestre, sabemos que ensinas da parte de Deus, pois ninguém pode realizar os sinais miraculosos que estás fazendo, se Deus não estiver com ele". Em resposta, Jesus declarou: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo". Perguntou Nicodemos: "Como alguém pode nascer, sendo velho? É claro que não pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer! " Respondeu Jesus: "Digo-lhe a verdade. Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito ... Perguntou Nicodemos: "Como pode ser isso?" Disse Jesus: "Você é mestre em Israel e não entende essas coisas? Asseguro-lhe que nós falamos do que conhecemos e testemunhamos do que vimos, mas mesmo assim vocês não aceitam o nosso testemunho. Eu lhes falei de coisas terrenas e vocês não creram; como crerão se lhes falar de coisas celestiais? ... Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.”
Jesus falou de renascimento individual no campo espiritual e ensinou que isso se dá através da aceitação dele como Salvador. A última frase desse texto (João 3:16) é o versículo mais conhecido e usado da Bíblia e resume o “nascer de novo” do cristão, bem como sua entrada na estrada aberta por Jesus.
Concluindo, precisaremos fazer grande esforço de adaptação ao “novo normal” que se apresenta diante de nós. Haverá riscos e ansiedade, mas, em compensação, novas portas vão se abrir e oportunidades inesperadas vão aparecer em muitos campos da vida humana.

Precisaremos passar por um renascimento espiritual. E isso começará com a aceitação de Jesus e a decisão de verdadeiramente andar nos caminhos que Ele indicou. E esses caminhos podem ser resumidos em dois aspectos: 1) amar a Deus sobre todas as coisas e 2) amar ao próximo como a nós mesmos.

O renascimento proporcionado por Jesus não é apenas ter uma fé intelectualizada e/ou estéril. Trata-se de viver aquilo que se acredita. É ter uma fé que muda tudo, que faz tudo novo.

Amém