domingo, 11 de maio de 2014

O QUE FAZER PARA AJUDAR DIANTE DA DESGRAÇA

Nesses últimos dias a família da minha mulher sofreu um grande baque: um rapaz de 20 anos morreu num acidente de carro. Junto com ele, morreram outros dois. O acidente de carro foi daqueles que infelizmente acontecem frequentemente com os jovens: viagem de noite por estrada não muito boa, excesso de velocidade, alguma chuva e um caminhão vindo em direção contrária. O resultado vai marcar profundamente a vida de dezenas de pessoas. Uma tristeza.

Quando esse tipo de coisa acontece, você talvez fique se perguntando o que fazer. Deve tentar consolar ou permanecer calado(a)? Se a pessoa em sofrimento fizer uma pergunta, tentando encontrar sentido para a tragédia, deve procurar responder? E o que dizer?

O que fazer nos primeiros momentos
Minha recomendação é simples: sente-se ao lado da pessoa que sofre, abraçe-a e chore junto com ela. Apenas isso. Passe a mensagem que está solidário(a). Que a dor da outra pessoa também é sua.

Evite falar muito. Comunique-se mais através de atitudes solidárias do que de palavras. E nunca procure dar explicações nesses momentos iniciais. Não há coisa pior do que alguém chegar num enterro e tentar consolar, dizendo coisas como: “Conforme-se, pois foi Deus quem quis assim”. Já vi isso acontecer e, acredite, o resultado nunca é bom. 

Nada do que você falar naquele momento vai ajudar e basta uma palavra infeliz, mesmo com a melhor das intenções, para deixar uma marca ruim. Há sim coisas que podem ser ditas, mas depois, quando os ânimos serenarem um pouco.

E se a pessoa, no seu desespero, se revoltar contra Deus, não se escandalize. Inúmeros homens da Bíblia fizeram isso. Pode ter certeza que Deus compreende. E Ele não vai usar palavras desesperadas contra quem está sofrendo. 

O que fazer mais tarde
Passados os momentos iniciais, aqueles(as) que sofreram a tragédia passam realmente a vivenciar sua perda. É quando “cai a ficha”, conforme se diz popularmente. A perda passa a ser sentida no dia-a-dia e a vida muda para pior. E a maior parte das pessoas que se solidarizou nos primeiros momentos precisou voltar para suas próprias vidas. 

É aí que você pode ser mais útil. Primeiro fazendo-se presente na vida de quem sofre. E depois ajudando a responder às dúvidas que vão surgir.

Essas dúvidas são bem comuns: Por que isso aconteceu? Por que Deus permitiu que a desgraça afetasse tanto minha vida? Posso continuar a confiar nesse Deus? Há respostas para essas questões, mas infelizmente elas não são fáceis de dar e muito menos de receber, pois contrariam a lógica humana.

O fato é que Deus não nos revela todas as razões para aquilo que faz ou permite que aconteça. E a razão é simples: há limites para a mente humana. Para o que conseguimos entender. 

Aceitamos essa limitação em relação a muitas questões. Por exemplo, não sabemos bem como será o final dos tempos. E vivemos com essa ignorância sem maiores problemas. 

Mas é muito mais difícil aceitar a falta de explicação para uma catástrofe. As pessoas querem entender. Precisam entender para sentir que têm algum controle sobre suas vidas. A desgraça as faz sentir vulneráveis e inseguras - o que garante que ela não vai se repetir? 

A solução que Deus oferece para esse impasse é estranha para a lógica humana: a fé. Ele nos pede para aceitar aquilo que não é possível entender pela razão através da fé n´Ele, da confiança que Deus é amoroso, misericordioso e sempre interessado naquilo que é melhor para os seres humanos.

É isso que você precisa dizer para quem está sofrendo. E reconheço que não é fácil seguir por esse caminho. Em meio à dor e ao sentimento de fragilidade gerado pela catástrofe, encontrar sentido nas coisas da vida apenas mediante a confiança em Deus não é um pedido fácil de ser atendido. 

Alguns vão conseguir dar esse passo, mas muitos outros infelizmente não. Esses últimos vão procurar outros caminhos que fornecem respostas mais faceis, como o espiritismo, através da comunicação com os mortos (sabemos que isso não é possível, mas essa não é a questão aqui).

Se a pessoa que sofre não aceitar o caminho que Deus oferece, não a culpe e nunca diga que ela está pecando. Afinal, as pessoas reagem de diferentes formas à dor. 

Tenha paciência e continue a falar sobre Deus para ela. E peça ajuda ao Espírito Santo para mudar a mente daquela pessoa - nunca se esqueça que Deus tem meios que não estão ao seu alcance. Apenas faça sua parte e confie em Deus.

Com carinho  

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O FILME SOBRE NOÉ

Toda vez que aparece um novo filme baseado na Bíblia acontecem muitas discussões. Tenho para mim que todo filme bíblico, desde que seja respeitoso, vale a pena, porque, no mínimo, gera debate sobre alguns temas importantes. Além disso, as pessoas normalmente têm dificuldade de visualizar o que aconteceu milhares de anos atrás e um filme, quando bem feito, ajuda as pessoas a terem um melhor entendimento quanto aos tempos bíblicos.

Lembro que, quando eu era pequeno, foi lançada uma versão espetacular da história da saída do povo de Israel do Egito. O filme, intitulado “Os Dez Mandamentos”, tornou famoso o ator Charlton Heston, que representou Moisés. Algumas cenas - como a abertura do Mar Vermelho para passagem do povo de Israel - causaram muito impacto. Como nota negativa houve o fato do filme ter romantizado bastante a história, inclusive "criando" um romance entre Moisés e a rainha do Egito. Mas toda obra literária, quando filmada, passa por mesmo esse processo e a Bíblia não iria ser a exceção.  

O fundamental é que aqueles que viram o filme, como eu, saíram do cinema com uma percepção mais clara daqueles fatos fundamentais da história de Israel - o período de escravidão de Israel no Egito, os milagres que Deus realizou para que o povo pudesse sair dali e, sobretudo, a importância da figura de Moisés. Até hoje, quando penso no êxodo de Israel, vem à minha mente as imagens daquele filme.

O caso mais recente é o filme sobre Noé, uma obra milionária que está gerando enorme bilheteria e também muita discussão. Foi assim mesmo que aconteceu? Noé existiu de fato? A arca cabia todos os animais? E assim por diante.

Noé existiu mesmo?
Há um erro muito comum quando as pessoas vão discutir os relatos da Bíblia: elas costumam partir para o tudo ou nada. Ou aceitam que os fatos aconteceram exatamente como uma leitura literal do texto bíblico dá a entender ou, se concluirem que não aconteceu assim, passam a pensar que a Bíblia mentiu. Não há meio termo possível.

Ora, quem age assim não tem muita ideia do que são as obras literárias. É comum que essas obras - e a Bíblia não é exceção - contenham textos que precisam ser interpretados de forma figurativa, pois fazem uso de símbolos para transmitir ideias importantes. E a existência de símbolos não torna a mensagem menos verdadeira. 

Um bom exemplo são as parábolas que Jesus contou. Não são necessariamente relatos de fatos reais - o "bom samaritano" ou o "filho pródigo" não existiram necessariamente -, mas nem por isso os ensinamentos que essas parábolas trazem deixam de ser menos verdadeiros. O livro do Apocalipse está cheio de imagens como a “besta que sai do mar”, o “dragão”, a “grande meretriz”, etc e ninguém em sã consciência acredita nessas coisas literalmente. É claro que são símbolos de outras coisas, como o Anti-Cristo, o diabo, o sistema desse mundo, etc. 

E ocorre exatamente assim com o relato da grande enchente da época de Noé (Gênesis capítulos 7 e 8): há muito simbolismo nesse texto da Bíblia. Por exemplo, o arco iris como memória da promessa que Deus não vai trazer outro dilúvio para punir o mundo.

Na verdade, a memória coletiva da humanidade inclui o relato de uma enchente catastrófica. E essa memória vai muito além da Bíblia – por exemplo, o chamado “Épico de Gilgamesh” é um relato muito parecido ao da história de Noé, escrito pelo povo sumério, muito antes da Bíblia ser composta. É claro que a Bíblia interpreta os fatos relacionados com essa enchente à luz da crença do povo de Israel em Deus, enquanto relatos como o de Gilgamesh olham para os mesmos fatos do ponto de vista das religiões pagãs. E é absolutamente natural que seja assim.

Houve sim uma grande enchente e um homem que conseguiu salvar sua família construindo um barco. Mas há diversas questões adiocinais a serem esclarecidas. Por exemplo, houve realmente uma enchente universal? 

Pensar numa enchente que cobriu toda a terra seca existente no mundo, somente deixando de fora os picos dos montes mais altos, não parece muito razoável. Seria necessária uma quantidade de água absurda, que não teria depois para onde escoar - o processo descrito no relato bíblico como as "águas baixaram". É mais razoável pensar - e essa ideia não contraria em absoluto a Bíblia - que houve uma grande enchente afetando todas regiões onde essas tradições nasceram e foram registradas.

E é fácil entender que quando a Bíblia se refere a uma enchente que atingiu "todo mundo" está usando uma figura de linguagem. Por exemplo, quando eu digo que “todo mundo” esteve, na minha casa na minha festa de aniversário, não estou dizendo que 7 bilhões de pessoas estiveram ali e sim que todas as pessoas que importavam para mim vieram. 

É exatamente assim que o relato bíblico deve ser entendido. Tratou-se de um fenômeno que aconteceu numa determinada região da terra – os estudos atuais indicam que tudo se passou na região da Mesopotâmia e do chamado Mar Negro, onde a civilização no Oriente Médio começou. Parece ser que houve uma ruptura do istmo que tornava o Mar Negro um lago, hoje o estreito da cidade Isatambul (Constantinopla), ocasionando a invasão desse lago pelas águas do Mediterrâneo, gerando uma inundação catastrófica nas suas margens.

Onde o filme acerta?
Há erros no filme, como os tais gigantes de pedra, coisa que não tem qualquer sentido. Mas prefiro me concentar aqui nos vários acertos. Primeiro, a indicação que a natureza daquela época – pelo menos 10.000 atrás – era bem diferente daquela que conhecemos hoje. Animais e plantas eram distintos e se comportavam de outra forma. E isso é razoável, pois sabemos que os seres vivos mudam ao longo do tempo, inclusive para se adaptar às mudanças do ambiente como, por exemplo, a tal “era do gelo”.

Sabemos que muitas espécies de seres vivos desapareceram e outras surgiram, inclusive por causa da intervenção dos seres humanos. Portanto, o filme acerta em mostrar uma natureza distinta daquela que conhecemos hoje. Não sei se era tão distinta como o filme mostra, mas certamente era diferente.

Acho que o filme também acerta em mostrar a precariedade da vida humana naquela época. A população era muito pobre e simplesmente lutava para sobreviver – qualquer problema fazia com que as pessoas morressem de fome. Assim, num ambiente daqueles, é notável que alguém tenha conseguido construir um barco para salvar sua família.

Finalmente, acho também positivo o filme mostrar as dúvidas de Noé como ser humano - a dificuldade dele para entender exatamente qual era seu papel no meio daquele evento catastrófico e o que Deus esperava dele. 

Resumindo, mesmo com diversas falhas, é um filme que vale a pena ser visto e depois comparado com o relato da Bíblia. Certamente você vai aprender bastante se fizer isso.


Com carinho

sexta-feira, 4 de abril de 2014

A MENINA QUE FAZ FILMES PORNOGRÁFICOS

A imprensa internacional publicou nesses últimos dias uma história chocante. Uma menina de apenas 18 anos - seu apelido é Belle Knox - aluna da Universidade de Duke, uma das mais importantes dos Estados Unidos, viu-se em dificuldades financeiras para pagar os custos de seu curso, que entre mensalidade, moradia e outras despesas, somam cerca de R$ 12 mil por mês.

A solução que encontrou foi fazer filmes pornográficos, que hoje estão espalhados pela Internet e alcançaram enorme "sucesso" de público. Fatalmente ela acabou reconhecida por seus colegas de Universidade e o assunto ganhou as manchetes da mídia. Nos últimos dias ela foi entrevistada por diversas redes de televisão, como a CNN, onde apresentou as razões para sua escolha.

Naturalmente houve muita rejeição ao que ela fez por parte de diversas pessoas, tanto assim que ela sofreu ameçsas físicas e teve que ser protegida ao andar pelo campus da Universidade.

Uma história dessas choca muito, tanto pela pouca idade da moça, quase uma menina, como também pelo seu significado. E, penso que nós, cristãos, não podemos simplesmente ficar na posição de "atirar pedras", apontando para o pecado cometido. 

É claro que a ação dessa moça é errada e merece crítica. A desculpa de que faltou dinheiro não justifica o que foi feito por ela e, inclusive, o impacto moral que causou na sua família. Seu pai é médico militar e ficou sabendo da história quando voltou de um período de serviço no Afganistão - coloco-me no lugar desse pai e acho que perderia o rumo se viesse a saber que uma filha minha fez isso. Não é fácil.

Mas é preciso ir além da crítica e da percepção do pecado. Há muito mais a ser analisado. E lembro que foi isso que Jesus fez, quando tratou de casos similares - na sua época Ele lidou com prostitutas. E sempre demonstrou compaixão. Nunca passou "a mão na cabeça" daqueles que pecavam, mas foi muito mais compreensivo do que os judeus que queriam perseguir e até matar essas mulheres. Precisamos fazer o mesmo, pois Jesus é nosso padrão de comportamento.

Quais os ensinamentos que podemos tirar de uma caso triste como esse? Em primeiro lugar, é preciso aprender com o depoimento dessa garota, quando ela explicou sua escolha. Ela declarou que consome pornografia desde os 12 anos de idade e pensou que seria muita hipocrisia consumir algo e achar que quem faz o "produto" consumido deve ser desprezado. Se consumia pornografia, pensou ela, não havia razão para não fazer o mesmo. Simples assim.

À sua maneira, essa menina de 18 anos apontou o dedo para a hipocrisia que existe na sociedade. Ora, um terço do tráfego na Internet é composto de pessoas em busca de pornografia e os sites que exploram esse tipo de "produto" ganham centenas de milhões de dólares. E se eles ganham esse dinheiro, é porque encontram "consumidores" para aquilo que vendem. Não há como negar esse fato. E é hipocrisia uma pessoa consumir esse tipo de "produto" e mostrar-se escandalizada com a história dessa moça.

A hipocrisia foi um dos pecados contra os quais Jesus foi mais rigoroso, pois Ele sabia o potencial de destruição aí contido. E eu fico preocupado por que não vejo a hipocrisia sendo discutida com frequencia nas igrejas - talvez seja por que incomoda muito.

O segundo ponto que chama minha atenção é como as pessoas não percebem as ramificações daquilo que fazem. Se elas conseguem consumir pornografia, é porque há uma verdadeira indústria por trás desse desejo, explorando pessoas, como essa moça, para permitir que o "produto" esteja disponível. Ao consumir pornografia, a pessoa está, de certa forma, participando dessa cadeia de ações malditas. E não há como fugir disso.  

O terceiro ponto a ser comentado é a total ausência de valores dessa moça. Ela simplesmente não consegue ver mal naquilo que faz e não me pareceu estar mentindo ou representando um papel, ao assumir essa posição. Ela, por incrível que pareça, acredita naquilo que está fazendo. 

E, como tem apenas 18 anos, acho que ela e seus pais são igualmente responsáveis por esse estado de coisas. Imagino que seus pais devem sentir uma culpa terrível por não terem conseguido dar à sua filha uma educação melhor. Por terem permitido, por exemplo, que ela consumisse pornografia desde os 12 anos e se acostumasse com esse tipo de "produto". Por não incutido nela valores de vida melhores.

A Bíblia adverte os pais quanto a essa reponsabilidade, quando diz que é preciso ensinar as crianças, desde cedo, a andar no caminho certo, para que elas não venham a se desviar depois. Infelizmente esses pais não conseguiram fazer isso.

Agora, achei interessante que, quando ela foi questionada se queria essa vida para a filha que vier a ter, a moça titubeou - foi o único momento em que senti certa fraqueza. É claro que há algo dentro dela dizendo que o que anda fazendo não está certo - a voz da sua consciência certamente não fica calada, como não fica no caso de nenhum de nós. Esse é papel do Espírito Santo nas nossas vidas. Ele faz isso diariamente e procura nos convencer a deixar os caminhos errados. E devemos ser muito gratos a Deus por isso.

O último comentário que gostaria de fazer é quanto à questão da relação dessa moça com sua família, a partir de agora. Ela, mesmo sem entrar em detalhes, deixou claro que suas relações com os pais estão estremecidas ao longo dos últimos meses. Declarou ter errado em não avisar aos pais que ia fazer aquilo que fez. Não se arrepende de ter feito, mas de ter exposto os pais dessa maneira. 

Disse também que sabe que os pais a amam e que, no fundo, tudo o que eles querem é vê-la segura. E, como ela vem tomando as precauções necessárias, ela acabará sendo aceita pelos pais.

Não há dúvida que pais que amam seus filhos devem procurar aceitá-los da maneira que são. Não me parece ser correto colocar como condição para amar um(a) filho(a) que ele(a) deixe o pecado. Até porque os pais também pecam. 

Mas a moça não está certa ao imaginar que a preocupação dos pais se limita à garantia física dela. Há muito mais em jogo. Por exemplo, esses mesmos pais tem dois outros filhos(as) e precisam minimizar o impacto do que aconteceu sobre o restante da família.  

Agora, a aceitação do(a) filho(a) que erra não deve significar conivência com o erro dele(a). Na parábola do filho pródigo, que é o padrão bíblico para esse tipo de situação, o Pai (Deus) aceitou o filho desviado (pessoa que peca) depois que esse filho se arrependeu. Enquanto o filho permaneceu no seu caminho errado, por orgulho ou outra questão qualquer, o perdão não veio. 

Os pais dessa moça devem ajudá-la a reconstruir sua vida. Devem dar-lhe seu perdão pelo estrago que ela causou na vida deles e da família. Mas é preciso que essa moça entenda que errou e esteja disposta a mudar, atendendo àquilo que Jesus ensinou: "vai e não peques mais ...".

Com carinho 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

TRÊS ANOS DE BLOG

Este blog fez três anos de vida. São cerca de 500 textos postados (o equivalente a três livros), mais de 100.000 acessos, centenas de comentários trocados. É muito. Bem mais do que eu imaginei possível.

Confesso que comecei não sabendo muito o que esperar. Acredito que consegui dividir com vocês minhas experiências e o que venho apredendo ao longo de algumas décadas enfrentando o "desafio de ser cristão". Ensinei mas acho que também aprendi muito. E, em especial, aprendi três coisas importantes.

A primeira é que há as pessoas têm interesse real em participar de discussões sérias sobre o cristianismo. E, por sérias, refiro-me àquelas que não visam o lucro ou qualquer vantagem pessoal, não partem para apelações baratas e, sobretudo, não fazem concessões fáceis ao pensamento predominante da sociedade, procurando fazer com que as pessoas se sintam bem. 

Sobre esse último aspecto, é importante lembrar que o cristianismo não é politicamente correto, pois defende que as verdades de Deus são absolutas, nem todas as crenças são corretas e nem todas as pessoas serão salvas. E isso causa desconforto numa sociedade que cada vez mais defende a relatividade das verdades e opiniões, do que é certo ou errado), e defende que "todos os caminhos levam a Deus". 

Não se envergonhar do que a Bíblia ensina, mesmo daquilo que pareça ser intolerante, e buscar sempre obedecer a Deus, não é fácil no mundo de hoje. Mas é o único caminho que devemos seguir. 

A segunda coisa que aprendi está relacionada com as enormes oportunidades que as mídias sociais abrem para a divulgação do cristianismo. Ao longo desses três anos falei para pessoas que nunca poderia ter imaginado alcançar. Gente que provavelmente nunca vou conhecer pessoalmente, mas que estão próximas de mim, há poucos cliques do mouse. 

E os cristãos precisam aprender a usar esses recursos de forma efetiva, evidentemente sem distorcer a mensagem passada. Mas também sem se apegar a formas de ensino e debate que estão ficando ultrapassadas, somente porque fazem parte da nossa tradição. 

O terceiro ponto de aprendizado - ensinamento que já tinha recolhido antes e mais uma vez foi comprovado na prática - refere-se à fidelidade de Deus. Quando a pessoa faz aquilo que agrada a Deus, o fruto aparece e acaba sendo maior do que o esperado. Basta lembrar que o cristianismo começou cerca de 2000 anos atrás, com poucas dezenas de seguidores, e hoje cerca de 2,5 bilhões de pessoas se dizem cristãs em todo o mundo. E o cristianismo mudou o mundo - suas impressões digitais podem ser encontradas na defesa dos direitos humanos, nas instituições de assitência social e em dezenas de outras causas nobres.

De forma modesta, vi isso também acontecer aqui, pois os resultados que alcancei com este blog, conforme já comentei acima, foram bem acima do esperado. E sou muito grato a Deus por me usar dessa forma. O que somente aumenta minha responsabilidade para o futuro. 

Com carinho

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O SUPERVULCÃO E O FIM DO MUNDO

Reportagem publicada nesta semana em diversos jornais trouxe notícias sobre o supervulcão que existe dentro do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos. Estudos recentes, publicados na revista “Nature Geoscience“, revelaram que uma erupção pode acontecer ali sem qualquer "gatilho" - basta o acúmulo de pressão dentro do próprio vulcão.

Os supervulcões são centenas de vezes mais poderosos do que os vulcões comuns e são uma enorme ameaça para a humanidade. Segundo os cientistas, uma erupção supervulcânica baixaria as temperaturas médias globais em cerca de 10º C durante uma década, o que levaria a uma mudança no modo de vida na Terra.

A última erupção supervulcânica aconteceu cerca de 70 mil anos atrás, no local que hoje se encontra o Lago Toba, em Sumatra, Indonésia. As suas cinzas bloquearam o sol por um período entre seis e oito anos, o que causou um período de resfriamento global que durou cerca de mil anos.

Quando leio uma notícia dessas, não consigo deixar de pensar em como a vida na terra é frágil. A qualquer momento, um supervulcão ou um grande asteroide (que venha a cair na terra) pode mudar tudo que conhecemos. E o pior é que desastres dessa natureza já aconteceram no passado - por exemplo, foi a queda de um grande asteroide que destruiu os dinossauros, cerca de 60 milhões de anos atrás.

E não há nada que os seres humanos possam fazer para evitar ou mesmo limitar os riscos de desastres desse tipo. Se algum deles acontecer, simplesmente vamos ter que enfrentar as consequências.

A Bíblia é clara sobre o fato de que o mundo vai ter um fim. O livro do Apocalipse traz uma descrição detalhada de coisas terríveis que vão acontecer - esses relatos não são fáceis de entender, por serem cheios de símbolos e metáforas, alguns deles meio obscuros. Mas sabemos o suficiente para entender que não será nada agradável.

E esse fim vai chegar em momento inesperado. Jesus usou uma metáfora para caracterizar bem esse fato - esse momento vai chegar como um ladrão, quando ninguém esperar.

Sendo assim, é surpreendente que os seres humanos vivam como se a sociedade que construíram fosse durar para sempre. Uma explicação é que não gostamos de enfrentar a ideia da morte - um autor chegou a dizer que pensar sobre a morte é como "olhar para o sol", ninguém consegue fazer isso por muito tempo.

Outra explicação é a arrogância: os seres humanos estão tão seguros da sociedade que construíram que não conseguem acreditar verdadeiramente no risco que correm. Pensam que sempre irão encontrar uma saída. Que tudo vai dar certo no final.

Deveríamos ser mais conscientes da realidade que nossa vida nesse mundo, tanto em termos individuais, como em sociedade, é frágil, muito frágil. De que somos totalmente dependentes da misericórdia de Deus. Da sua vontade de nos manter vivos e de conservar o legado que criamos.

Sem Deus nada somos. Não temos qualquer garantia ou futuro. Se tivermos isso em mente, vamos mudar a forma de nos relacionarmos com Ele. Vamos agradecê-lo pelo dom da vida toda vez que acordarmos de manhã. Toda vez que alcançarmos algum resultado. Toda vez que encontramos razão para nos alegrar.

Com carinho

domingo, 29 de dezembro de 2013

AS ENCHENTES NO ESPÍRITO SANTO E MINAS GERAIS

Chega o verão é os desastres causados por chuvas intensas voltam a acontecer. Agora foi no Espírito Santo e em parte de Minas Gerais. Mas, em anos anteriores, aconteceu na região serrana do Rio de Janeiro ou em Santa Catarina. 

Assim, ano após ano, as mortes e a destruição da propriedade da população pobre se repetem. Como também repetem-se as desculpas das autoridades. Primeiro, culpando o tempo, esquecendo-se que chuvas intensas nessa época do ano são perfeitamente normais num clima como o nosso. Depois, alegando que estão tomando todas as providências necessárias e, tempos depois, a imprensa noticia o quão pouco foi feito para reparar os danos - um bom exemplo é a situação de Petrópolis e Itaipava, no Rio de Janeiro, dois anos depois da catástrofe que ali ocorreu. 

O que nunca vejo são autoridades assumindo a responsabilidade pelo que deixaram de fazer: pela falta de sistemas de drenagem adequados, por não removerem o lixo que entope esses sistemas, por não retirarem as pessoas residentes em áreas de risco, dando-lhes um lugar mais seguro para morar, enfim, por não cumprirem sua obrigação.

Impressiona-me muito como a vida humana é "barata" no Brasil. Como a morte ou a perda dos bens das pessoas mais pobres é encarada com tanta naturalidade. Como quase todos os governantes são tão insensíveis.

Como será que esses governantes, permanentemente preocupados apenas com seus jogos de poder e as próximas eleições, podem dormir tranquilos?  O pior é que essas pessoas tornam-se tão insensíveis, com o coração tão "endurecido", que dormem perfeitamente bem, achando que não tem culpa nenhuma. É muito triste, mas é a mais pura realidade.

Fica aqui meu desabafo.

sábado, 7 de dezembro de 2013

O PODER DO PERDÃO

Tempos atrás morreu Nelson Mandela, o Madiba, aos 95 anos de idade. Ele talvez tenha sido o maior líder político mundial das últimas décadas. E sua trajetória, indo de prisioneiro político, até Presidente da República, parece enredo de filme. Mas, sua grande contribuição para a África do Sul foi a política de reconciliação entre as populações branca e negra.

A África do Sul adotou durante séculos uma política oficial de discriminação racial (o apartheid), que deixava os negros, maioria da população local, destituída de boa parte dos direitos políticos e econômicos. E para manter os negros obedientes, os dirigentes do país cometeram muitas e sérias violações aos direitos humanos.

Mas, com o passar do tempo, a política do apartheid foi ficando cada vez mais difícil de manter. A ONU chegou a decretar um embargo econômico contra a África do Sul. E a elite branca finalmente percebeu que seria preciso promover uma abertura política. Os brancos temiam que os negros, ao tomarem o controle do governo, viessem a se vingar, como aconteceu em outros países da África, como a Rodésia (hoje Zimbabwe).

Então, Mandela entrou em cena. Ele estava preso havia décadas, por conta da sua luta contra o apartheid e era um ídolo para os negros. O governo racista o procurou e perguntou se ele toparia conduzir um processo de transição do poder, que desse aos negros os direitos devidos, mas que garantisse a integridade física e econômica da população branca.

Mandela aceitou, mesmo contra a opinião de muitos dos seus seguidores, que estavam sedentos por vingança. Ele foi libertado da cadeia, concorreu em eleições livres e foi eleito Presidente. E tornou-se, a partir daí, o garantidor da paz social na África do Sul.

Mandela teve a grandeza de saber perdoar aqueles que lhe tinham causado sofrimento, pois tinha sido torturado na cadeia. E pregou a conciliação para toda a população. E, por conta da sua forte liderança, os negros aceitaram esse compromisso e a transição foi feita de forma pacífica.

Para facilitar a transição, Mandela instituiu tribunais onde as violações dos direitos humanos cometidas pelos brancos racistas foram reveladas, mas as pessoas que tinham cometido esses delitos não sofreram qualquer punição. A punição foi apenas moral. Assim, quem tinha sofrido violência teve sua voz ouvida, mas isso foi feito sem desequilibrar o delicado equilíbrio político do país.

O famoso autor cristão Philip Yancey fez, num dos seus livros, o relato de uma sessão desse tribunal. Naquela vez, uma mulher negra se levantou para acusar um policial branco de ter matado seu marido e filho e tocado fogo nos corpos deles, tudo isso na presença dela. Ao falar no tribunal, olhando para o criminoso, sentado à sua frente, a mulher disse que o perdoava. E comentou que esperava receber visitas dele, pois não tinha mais família e queria que aquele homem passasse a fazer parte da sua nova família. O criminoso e aquela mulher se abraçaram, aos prantos, e se reconciliaram, dando um grande exemplo para todos.

Foi exatamente por usar a arma do perdão e da tolerância que Nelson Mandela conseguiu evitar um banho de sangue na África do Sul. E, por causa disso, ganhou um muito merecido Prêmio Nobel da Paz. Ao longo do tempo, até os brancos passaram a amá-lo, e ele se tornou o "Madiba", o pai de toda a nação.

Mandela era cristão (metodista) e encarnou, como ninguém, o ensinamento do perdão e da reconciliação que Jesus nos deu. E provou que Jesus estava certo, pois só o perdão constrói. O mundo ficou menor quando o Madiba morreu. Descanse em paz, Nelson Mandela. Pode ter certeza que seu exemplo frutificou.

Com carinho