sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A ESCOLHA

Há um filme (infelizmente não me lembro o nome) onde a personagem principal, uma mãe de dois filhos, precisa fazer uma escolha terrível: qual deles vai salvar de um campo de concentração e qual deles vai deixar morrer. A escolha era moralmente muito difícil, mas precisava ser feita pois, no enredo do filme, se a mãe não escolhesse, os dois filhos morreriam. Era imperativo escolher.

Nos últimos dias, a mídia divulgou amplamente uma escolha também muito difícil, ocorrida em Israel. Tratou-se da libertação de um soldado israelense pelo Hamas, em troca de 1020 prisioneiros palestinos, alguns deles réus condenados por operações terroristas. O governo de Israel tinha, por um lado, que avaliar o dever do Estado de zelar pela vida dos seus filhos, especialmente daqueles que são enviados em combate e, de outro, a necessidade de punir pessoas que concorreram para o sofrimento de vários cidadãos israelenses, ao matar ou ferir pessoas inocentes por causas políticas. De que lado ficar? Do lado da vida ou do lado da justiça?

Isso é o que se chama um “dilema ético”, onde há argumentos importantes para qualquer uma das opções e é imperativo fazer uma escolha. No filme, foi escolhida a criança que tinha mais chance de sobreviver. Na vida real, foi feita uma escolha pela vida.

Em situações assim, qualquer que seja a escolha, ela acaba gerando críticas, no que se refere ao critério usado para escolher. Haverá sempre alguém que pense diferentemente e junte argumentos poderosos contra a escolha feita. Por exemplo, no caso da troca acima mencionada, alguns pais (não todos) de jovens mortos por terroristas se disseram horrorizados pela sua libertação e pela falta de justiça para as vítimas.

No caso da troca do soldado pelos prisioneiros, a pergunta, para nós cristãos, é que critério deveríamos usar, se a escolha nos coubesse? O que a Bíblia nos ensina a respeito?

Se olharmos com calma as leis apresentadas na Bíblia, vemos que a vida é o principal guia das escolhas a serem feitas. Por exemplo, se eu precisar mentir para salvar uma vida, estou justificado em fazê-lo. Idem para o roubo – aliás, Davi roubou os pães que ficavam no Templo de Jerusalém, para matar a fome dos seus homens. 

E é exatamente por isto que os cristãos devem ser contra o aborto (como ação para evitar a concepção) e a pena de morte. O respeito à vida é a base da moral cristã.

Portanto, no caso que está nas manchetes, o governo israelense, a meu ver, agiu corretamente: entre salvar uma vida e garantir justiça para aqueles que, infelizmente, já estavam mortos, o governo decidiu pela vida. E a escolha precisava ser feita, pois o soldado morreria, caso não houvesse acordo para a troca. Assim, acredito que os governantes de Israel tiveram as bênçãos de Deus para essa difícil decisão.

O que você, leitor, acha?

Com carinho
Vinicius

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O "EVANGELHO" DE STEVE JOBS

Existe um ditado popular que diz assim: “todo mundo que morre vira santo”. Estamos assistindo mais uma vez a confirmação da sabedoria popular com o caso de Steve Jobs, mentor da empresa Apple.  Os jornais, sites, Twitter, Facebook, etc estão cheios de manifestações sobre o “gênio” que mudou o mundo em que vivemos.

Tenho todo o respeito pela figura de Jobs, pois acho que ele fez coisas admiráveis. E me solidarizo muito com a dor da família dele (deixou 4 filhos), ao perder um ente querido de forma tão trágica – câncer aos 56 anos de idade apenas. Sem dúvida Jobs deixou sua marca no mundo dos negócios e na sociedade de consumo e realizou em vida muito mais do que a média das pessoas.

Mas daí a elevá-lo quase à figura de "santo" e atribuir a ele uma mudança do mundo, vai uma grande distância. Se Jobs mudou o mundo, por contribuir para o desenvolvimento de vários produtos de grande sucesso – iPod, iPad, iPhone e outros – que palavras teríamos para elogiar os inventores da lâmpada elétrica, do telefone, do microchip ou da Internet;  ou para quem desenvolveu a penicilina ou a vacina contra a poliomielite? Indo para o campo das ideias, onde verdadeiramente acontecem as mudanças de rumo da humanidade, o que deveríamos dizer então do apóstolo Paulo, de Platão, de Ghandi, de Mandela e de outros mais, que revolucionaram o mundo?


Jobs, pois mais admirável que tenha sido sua trajetória, foi apenas uma pessoa com fantástica capacidade de perceber o que as pessoas queriam, no mundo da informática e do entretenimento, e em desenvolver produtos adequados para preencher essas necessidades. Ficou rico por isso e fez muita gente rica com ele. Mas daí a dizer que o mundo mudou por causa dele, é exagerar.

Além disso, coisa que não é comentada pela imprensa, Jobs tentou ter um impacto no mundo espiritual também, fundando quase uma “religião” própria, que levou muita gente a se afastar de Cristo. No post de 21/07/2011, intitulado “Encontrando sentido na vida”, discuti exatamente esse aspecto - naquele post citei um comentário de Jobs, que volto a repetir aqui:
 “Ninguém quer morrer. Mesmo pessoas que querem ir para o céu, não querem morrer para chegar lá. E mesmo assim, a morte é o destino que todos compartilhamos. Ninguém escapou dela. E isto é o que deveria ser mesmo, porque a morte é muito provavelmente a invenção mais importante da vida. É o agente de mudança da vida; ela nos livra do velho, para dar espaço ao novo... Desculpe ser tão dramático, mas é a pura verdade. Seu tempo é limitado, então não o desperdice vivendo a vida de outra pessoa. Não se deixe entrar na armadilha, que é resultado do pensamento de outras pessoas. Não deixe o barulho das opiniões dos outros afogar a sua própria voz interior, seu coração e a sua intuição...”  
Acho que os comentários que fiz lá atrás, que cito abaixo, continuam extremamente válidos:
Jobs ... foi adiante e criou também um novo “evangelho”, totalmente materialista e secular. Essa nova filosofia de vida não tem nenhum dogma e não faz qualquer promessa, a não ser deixar as pessoas viverem suas próprias vidas, pois elas são sempre únicas, já que nenhuma vida pode ser igual a outra. Jobs, de certa forma, está tentando se posicionar como o “pastor” de uma comunidade que somente acredita no próprio ser humano ... e naquilo que é material e, portanto, pode ser tratado pela ciência e a tecnologia.

O problema é que o evangelho de Jobs e daqueles que pensam igual a ele, não oferece nenhuma esperança que não seja gerada pela própria pessoa e o único conforto que proporciona é aquele da pessoa ter sido fiel a si mesma. Mas, nenhuma pessoa pode viver  sem esperança de algo que dê um sentido maior à sua vida e ter sido fiel a si mesma - seja lá o que isto significa - não pode prover esse sentido. 

As palavras de Jobs são bonitas, mas seu discurso é vazio, pois não consola ninguém que passe por problemas na vida.  Imagine você chegar para alguém que perdeu tragicamente um ente querido e procura consolo, para dizer: "fulano morreu, é verdade, mas pelo menos ele foi fiel a si mesmo". Tenho para mim que nem Jobs ficou realmente consolado com suas belas palavras ...

Muitos que já passaram por essas ideias e encontraram a porta de saída, aprenderam como é difícil construir uma vida que não esteja baseada em nenhum sentido mais profundo, que simplesmente o de estar vivo, e não compartilhe da esperança de algo maior e mais duradouro, do que a vida material nessa terra. 

E só Jesus Cristo nos dá acesso a esse sentido profundo e permanente nas nossas vidas. 

Com carinho
Vinicius