domingo, 28 de fevereiro de 2016

DEUS SE AUTO-LIMITA PARA NOS BENEFICIAR

Num vídeo que vi certa vez um jogador de basquete profissional dos Estados Unidos disputou um jogo-treino com alguns alunos pré-adolescentes de uma escola. Durante o jogo-treino, a diferença de capacidade entre os garotos e o atleta profissional não parecia ser tão grande assim - desavisados(as) poderiam até pensar que os garotos eram bons jogadores ou o atleta não era tão bom assim.

Agora, quando o jogo-treino acabou, o atleta profissional deu uma exibição, quando enfim mostrou todo o seu talento. Aí a diferença de categoria entre ele e os garotos ficou evidente.

Isso exemplifica bem a distinção que há entre a capacidade da pessoa para fazer determinada coisa e seu desempenho real. O atleta profissional propositadamente limitou seu desempenho durante o jogo-treino para dar emoção aos garotos - se tivesse jogado tudo o que sabia, nem teria havido graça de olhar o jogo-treino.

Talvez eu surpreenda você ao afirmar que Deus faz exatamente isso na sua relação com as pessoas: há uma significativa diferença entre sua capacidade real e o que Ele de fato faz. E age assim exclusivamente para nos beneficiar. 

O melhor exemplo que posso dar em relação a isso é a questão do livre arbítrio: Deus deu às pessoas a capacidade de escolher o que querem fazer (livre arbítrio) e isso é um enorme bem. Afinal, sem livre arbítrio, não poderia haver amor sincero, criatividade artística, invenções, etc.

O livre arbítrio só é possível porque Deus, embora seja onipotente, limita voluntariamente sua ação sobre a vida das pessoas para dar-lhe espaço para fazer suas próprias escolhas. Isso não quer dizer que Deus tenha perdido a capacidade de obrigar as pessoas a fazer o que Ele quer, mas sim que escolheu não agir assim, resolveu se auto-limitar.

Essa auto-limitação divina tornou-se uma necessidade porque  Deus não poderia, ao mesmo tempo, dar o livre arbítrio para as pessoas, por um lado, e forçá-las a cumprir seus mandamentos (evitando que venham a pecar), por outro, pois isso contraria a lógica. E nem Deus pode contrariar as lógica. 

Era preciso fazer uma escolha e Deus preferiu se auto-limitar para poder permitir às pessoas escolher o que desejam, mesmo correndo o risco de pecar. Infelizmente, essa realidade não é bem entendida e muita gente culpa Deus pelo mal que existe no mundo, achando que Ele poderia evitar todos os problemas, esquecendo-se que as coisas ruins são fruto das escolhas das próprias pessoas.

Outro exemplo de auto-limitação de Deus pode ser encontrado na dupla natureza (humana e divina) que Jesus teve quando viveu na terra. E essa convivência das duas naturezas somente foi possível, segundo a própria Bíblia, porque Jesus "esvaziou-se" da sua natureza divina. Ou seja, conservou o poder associado à sua natureza divina intato, mas nunca o usou. 

Por isso, enquanto viveu aqui, Jesus não podia tudo, nem sabia tudo, nem esteve em todos os lugares ao mesmo tempo, como acontece com Deus Pai e o Espírito Santo. E isso fica bem claro quando o relato bíblico fala, por exemplo, das inúmeras vezes em que Jesus perguntou coisas que desconhecia.

Sendo assim, os milagres feitos por Ele não tiveram por base seu próprio poder, como Deus. Jesus realizou essas obras maravilhosas usando apenas sua fé e invocando o poder do Espírito Santo. Por isso Ele também pode afirmar que seus seguidores conseguiriam fazer o mesmo, bastando ter fé suficiente - foi assim que Paulo, Pedro e outros discípulos conseguiram fazer muitos milagres, ressuscitando pessoas, promovendo curas impressionantes, dentre outras realizações.

Outros exemplos de situações onde Deus se auto-limitou podem ser facilmente encontrados na Bíblia, como quando Ele interagiu com Moisés ou Elias, no Monte Sinai, ou fez aliança com Abraão. Esses contatos não teriam sido possíveis se Deus tivesse demonstrado todo o seu poder e majestade - nenhum ser humano poderia chegar perto d´Ele nessas condições. Ele teve que se auto-limitar. Simples assim.

Deus é um Ser impressionante - sua dimensão, poder e santidade chegam a ser incompreensíveis. Só pode interagir conosco porque se auto-limita. E você precisa se lembrar disso quando se dirigir a Ele em oração ou louvor, ou quando pedir a presença do Espírito Santo em sua vida.

Com carinho 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O ENSINAMENTO DO ENXERTO NO LIVRO DE PROVÉRBIOS

Não tenha o teu coração inveja dos pecadores; antes no temor do SENHOR perseverarás todo dia.     Provérbios capítulo 24, versículo 17
O livro de Provérbios, de acordo com a tradição, foi escrito pelo rei Salomão, considerado por muitos o homem mais sábio da história - tal sabedoria lhe foi dada pelo próprio Deus (1 Reis capítulo 3).

Trata-se de texto escrito por Salomão para ensinar seu filho a viver uma vida correta e governar bem - infelizmente, isso não funcionou muito bem pois o rapaz teve um reinado desastroso e acabou perdendo a maior parte do reino para um rival. 

Mas esse resultado não invalida a qualidade dos conselhos dados por Salomão e foi exatamente por isso que Provérbios foi incluído na Bíblia. Veja, por exemplo, o versículo acima, onde Salomão ensinou a não termos inveja da prosperidade dos pecadores, como os políticos corruptos que acabam ricos nos dias de hoje - pensamento muito importante e útil. 

Agora, talvez seja uma grande surpresa para você saber que um pedaço do livro de Provérbios - do capítulo 22, versículo 17 ao capítulo 24, versículo 22 - não foi originalmente escrito por Salomão. Esse mesmo texto é encontrado em escritos atribuídos ao faraó Amenotep, que viveu muito antes de Salomão. Tais ensinamentos foram considerados relevantes por Salomão e, depois das necessárias adaptações (como fazer referencias a Deus), incluídos nos Provérbios.

Esse fato, comprovado por muitos estudiosos da Bíblia, gera consequências importantes. A primeira delas é nos ensinar a não rejeitar ideias somente por não estarem expressamente incluídas na Bíblia, posição defendida por muitos(as) líderes cristãos(ãs). Para quem pensa assim, só é verdade o que foi incluído na Bíblia e nada mais. 

Mas quando percebemos o que Salomão fez - aproveitar um texto que não era seu - e que sua ação foi sancionada pelo Espírito Santo, fica claro que essa posição exclusivista não é sustentável. 

Salomão simplesmente colheu algumas verdades que julgou importantes, mesmo tendo sido formuladas por um rei pagão, e entendeu que elas deveriam ser incluídas na Bíblia. Fica claro, portanto, que o critério para incluir uma verdade na Bíblia não é sua origem e sim sua relevância para os propósitos de Deus.

Como a Bíblia tem espaço limitado, não caberiam nela todas as verdades existentes e, portanto, houve necessidade de fazer uma seleção do que seria incluído, tarefa que foi orientada pelo próprio Espírito Santo. Assim, tudo que está na Bíblia é verdadeiro, mas nem toda a verdade existente foi incluída ali.

Assim, há muitas verdades importantes que podem ser encontradas em livros seculares e usadas para orientar nossas vidas. Mas elas não podem ter contradições entre elas e o que a Bíblia estabelece.

Quando parece haver contradição entre um ensinamento extra-bíblico, que parece ser verdadeiro (por exemplo, algo sancionado pela ciência) e aquilo que está escrito na Bíblia, aí sim é preciso tomar cuidado.

Primeiro, é preciso verificar se existe mesmo tal contradição ou se é possível harmonizar as coisas. Por exemplo, a Bíblia afirma que Deus criou o universo a partir do nada e a Teoria do Big Bang fala de um "ovo cósmico" de energia que se expandiu para formar o universo. Parece ser que essas declarações são contraditórias, mas não é bem assim: basta entender que Deus foi o criador do tal "ovo cósmico" e o usou para promover a criação do universo. E tudo se encaixa. Perfeitamente.

Existe também a possibilidade que a contradição nasça de uma interpretação errada do texto bíblico. Afinal, nem sempre aquilo que as pessoas entendem estar escrito na Bíblia está correto. Por exemplo, durante muito tempo os principais teólogos entenderam que a Bíblia estabelecia ser a terra o centro do universo - foi por isso que Galileu teve problemas com a Igreja Católica, pois defendeu que a terra girava em torno do sol. Mas sabemos hoje que a Bíblia não afirma nada disso.

Agora, quando não é possível reconciliar a sabedoria humana (extra-bíblica) com o que a Bíblia diz, aí sim é preciso dar prioridade ao que está na Palavra de Deus. Simples assim.

Com carinho

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A VIDA NÃO É PERMANENTE...

Toda vez que vou a um enterro - à medida que envelheço, coisa que infelizmente vai se tornando mais frequente - sempre penso na brevidade da vida e em como as coisas podem mudar rapidamente para pior. 

A verdade é que ficamos tão envolvidos com nossas atividades e preocupações diárias que vivemos como se as coisas fossem permanentes. Como se as pessoas que amamos fossem estar sempre à nossa volta. Mas esse é uma grande engano - a vida humana é transitória. Como Bíblia mesmo adverte, tudo passa, mais cedo ou mais tarde.

Penso que a falta de percepção da transitoriedade da vida é uma defesa da nossa mente para nos proteger. Um escritor conhecido disse que pensar na morte é como olhar para o sol - trata-se de coisa que só se consegue fazer por pouco tempo de cada vez. Assim, na maior parte do tempo vivemos como se tudo fosse permanente, como se as pessoas e coisas fossem continuar por aqui para sempre. Mas não vão.

E como nos enganamos a respeito do futuro, muitas vezes deixamos de demonstrar o amor e a apreciação pelas pessoas que deveríamos, talvez por achar que sempre haverá tempo para fazer isso amanhã... 

Às vezes, temos sorte e essa oportunidade realmente aparece - por exemplo, meu pai, pouco antes de morrer, passou vários dias no hospital e eu tive oportunidade de conversar muito com ele e despedir-me de uma pessoa muito, mas muito importante para mim.

Outras vezes, a oportunidade não aparece e quando percebemos já é tarde demais. Um amigo meu certa vez me disse, com lágrimas nos olhos, que nunca tinha falado para seu pai que o amava.

Há uma história na Bíblia que lida com essa questão. Ela se passa depois que Pedro negou Jesus por três vezes - esse foi um pecado horrível e Pedro se arrependeu amargamente do que tinha feito - deve ter pensado que nunca mais iria ser perdoado.

Mas, para surpresa de Pedro e dos demais apóstolos, Jesus ressuscitou. E Pedro teve uma nova oportunidade. Ele estava pescando no lago da Galiléia, juntamente com outros discípulos, quando Jesus apareceu na praia. Pedro reconheceu seu Mestre e se aproximou e Jesus chamou-o de lado para uma conversa particular. E lhe perguntou, por três vezes, se Pedro o amava. Pelo mesmo número de vezes o apóstolo respondeu que sim. E ao final de cada resposta de Pedro Jesus disse-lhe a mesma coisa: pediu-lhe para cuidar do seu povo (João capítulo 21, versículos 15 a 17).

Além de perdoar a Pedro, Jesus ensinou com sua atitude que é preciso aproveitar cada oportunidade para aprofundar os relacionamentos que estabelecemos. Se Jesus não tivesse iniciado aquela conversa, certamente Pedro não teria tido coragem para dizer ao seu Mestre que o amava e quão importante Ele era na sua vida, pois estava profundamente envergonhado e sem graça.

Jesus provocou Pedro a se posicionar - a hora seria aquela e não haveria outra. Pediu a Pedro que falasse o que sentia e Pedro correspondeu. E foi perdoado. Aquele evento mudou a vida de Pedro que se sentiu reconciliado com Jesus, recuperou a auto-estima e conseguiu se tornar um dos líderes da igreja cristã.

Aprenda com Jesus e não adie coisas importantes. Ainda hoje, se tiver oportunidade, diga uma palavra ou faça um gesto de amor dirigido a alguém que seja importante para você. E faça disso um hábito.

Afinal, tudo passa e é preciso dar valor ao que se tem, enquanto temos as pessoas que amamos em nossas vidas. 

Com carinho

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

FALTA DE AMOR

John Gottman é um cientista do comportamento que tem feito grande trabalho na área da comunicação dentro do casamento. Ele consegue prever com 90% de acerto se determinado casal vai ou não se separar depois de ouvi-los dialogar por apenas 10 minutos.

Segundo Gottman, um dos aspectos que caracteriza o fim do casamento é a indiferença, o que caracteriza o fim do amor. Casais que atingem esse estágio nem brigam mais, porque não vale mais à pena.

Gottman ensinou que o oposto do amor não é o ódio e sim a indiferença. Enquanto há ódio, ainda existe ligação e vontade para discutir os problemas, mesmo que seja pelos motivos errados (por exemplo, culpar a outra pessoa).

Esse ensinamento pode nos ajudar muito a aplicar na prática a chamada Lei do Amor, mandamento dado por Jesus para amarmos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (veja mais).

Se o contrário do amor é a indiferença, uma forma de avaliarmos se amamos mesmo a Deus é medirmos a importância que lhe damos no dia a dia. E basta responder a algumas perguntas para avaliar bem isso: você fala com frequência com Deus em oração, lembra-se dos seus ensinamentos e lê a Bíblia para reforçar sua fé? Ou seu contato com Ele se limita ao culto de domingo (isso quando você não está viajando, cansado(a) ou tem coisa melhor para fazer)? 

Se você briga com Deus - talvez porque ache que Ele não foi justo em determinada situação ou outro motivo qualquer -, a situação é um pouco melhor do que a indiferença. Se você ficou aborrecido(a) com Deus é porque tinha alguma expectativa, mesmo errada, a respeito do seu relacionamento com Ele. 

Houve decepção e provavelmente será preciso "discutir" a relação, mas pelo menos ainda há alguma relação. Mas muito pior é o vazio, temperado por religiosidade ocasional. Aí a situação é mesmo preocupante.

Agora, se alguém perguntar a quem estiver próximo, se você se preocupa com ele(a), o que essa pessoa vai responder? E não me refiro a membros da família ou amigos(as) queridos(as), pois aí é fácil. Falo de empregados(as), porteiros, manicures, cabeleiros, guardadores de carro, faxineiros, ou até mesmo pessoas com quem você cruza na rua. O que uma dessas pessoas diria a respeito do seu comportamento com ela? Indiferença ou amor?

Não se engane: o cristianismo não é uma forma de viver que permite deixar para amanhã aquilo que Deus nos mandou fazer, pois hoje as preocupações são outras e mais importantes. O amor de que Jesus falou - a Deus e ao próximo - não é algo que pode ser "ligado" no domingo e "desligado" na segunda feira ou quando for mais conveniente.

A relação de amor esfria quando não é alimentada, assim como ocorre dentro do casamento. E Deus não gosta disso nem um pouco. No livro do Apocalipse, Cristo fez uma análise de sete diferentes igrejas da Ásia Menor, que se tornaram "tipos" para todos(as) os(as) cristãos(ãs). Veja o que Ele disse para a igreja de Laodiceia (capítulo 3, versículos 14 a 20):
"Eu conheço bem suas obras, sei que você não é quente nem frio; eu desejaria que você fosse uma coisa ou outra! Porém, já que você é meramente morno, eu estou a ponto de vomitar você da minha boca."
Deus não tolera indiferença e falta de compromisso. E faz sentido. Afinal, depois de tudo que Jesus fez por nós, indiferença é no mínimo um desrespeito a Ele.

Sei bem como é viver um cristianismo "morno", pois agi assim durante muitos anos. E atribuo à misericórdia de Deus as oportunidades que tive para corrigir minha postura. Agora, pelo menos, vou caminhando embora ainda distante da meta que preciso atingir.

Se não for esse seu caso, mude o quanto antes.

Com carinho

sábado, 20 de fevereiro de 2016

O PEDIDO DE TIAGO E JOÃO

Então Tiago e João, filhos de Zebedeu, se aproximaram d´Ele [Jesus] e falaram: 'Mestre, nós queremos que nos faça um favor'. 'O que vocês querem', perguntou Ele. 'Queremos nos sentar à sua direita e à sua esquerda, na sua glória'.           Marcos capítulo 10, versículos 35 a 37
Uma única vez no relato da Bíblia, Deus disse para um ser humano fazer o pedido que quisesse. Fez isso para Salomão, o jovem filho de Davi, num momento importante da história do povo de Israel: ele estava assumindo o trono do pai, sem qualquer experiência para liderar seu povo. Daí precisava de todo apoio que pudesse conseguir. 

Salomão pediu sabedoria para governar. E Deus agradou-se tanto dessa resposta que além de sabedoria deu-lhe também poder e riquezas (1 Reis capítulo 5, versículos 5 a 15). Foi como se Deus tivesse dado previamente a Salomão a sabedoria necessária para que o jovem pedisse a coisa certa.

Na passagem acima as circunstâncias foram diferentes. Os irmãos João e Tiago tiveram coragem de pedir a Jesus aquilo que talvez os demais discípulos gostariam de ter também pedido: ter glórias no Reino de Deus que estava por vir. Repare que João e Tiago, quando fizeram esse pedido, ainda não tinham entendido o Reino do qual Jesus falava referia-se a uma entidade espiritual e não terrena (com riquezas e glória humanas).

O raciocínio de Tiago e João parece ter sido o seguinte: "Deixamos tudo para trás para acompanhar Jesus e nada mais justo do que sermos recompensados à altura do nosso sacrifício e dedicação". A glória que viria seria para eles a justa retribuição. 
 
Idolatria humana
Essa passagem fala da questão da idolatria humana. Idolatria não é apenas adorar imagens mas sobretudo colocar alguma coisa à frente ou no lugar de Deus. E pode ser qualquer coisa, como família, poder, dinheiro ou o time de futebol. É substituir Deus por algo que o coração humano verdadeiramente deseja. 

Agora, a forma mais comum de idolatria hoje em dia é aproximar-se de Deus não Ele ser quem é mas pelo que pode dar. Dar a Deus uma adoração interesseira, pois Ele passa a ser um meio efetivo para que a pessoa possa obter aquilo que deseja.

É interessante perceber que as pessoas chegam ao cúmulo de pedir ajuda a Deus para poder adorar melhor seus ídolos. Por exemplo: "Deus, por favor, faça meu time ganhar esse campeonato". Fazer isso equivale ao caso de um marido que pede um favor para sua mulher e ela prontamente se coloca à disposição, perguntando o que ele deseja. E o marido responde: "preciso que você me ajude a encontrar uma nova esposa". Sem comentários.

É importante que você examine seu coração e veja se não está indo pelo mesmo caminho. Há duas questões que precisam ser bem verificadas:
  • Será que bem lá no fundo você não pensa que, por ter se tornado cristão(ã), merece ser atendido(a) por Deus?
  • Ou será que você se esforça na obra de Deus, faz mais sacrifícios do que todos(as) e fica esperando que Deus perceba sua dedicação superior e lhe dê recompensa especial?
É muito interessante analisar a resposta que Jesus deu para Tiago e João: "não quero que vocês me sirvam, eu vim para servir vocês  - essa é a natureza da minha missão". Jesus não veio para ter glórias e recompensas e sim para fazer o obra de Deus, para morrer por nós e nos prestar o serviço possível: o perdão dos nossos pecados.

Tiago e João eventualmente acabaram aprendendo o que significa ser cristão. Em Atos dos Apóstolos capítulo 12, versículo 1, a Bíblia conta que Tiago foi martirizado. E segundo a tradição cristã, João morreu exilado na ilha de Patmos, onde escreveu o livro do Apocalipse (capítulo 1, versículo 9). 

Mas certamente ambos estarão junto com Jesus, para toda a eternidade, no seu Reino que ainda está por vir.

Com carinho

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS

A perseguição começou assim que o cristianismo nasceu. Os primeiros perseguidores foram os líderes judeus, que não se conformaram com o fato de Jesus ser considerado como o Messias.

O livro de Atos dos Apóstolos relata como tudo começou: Pedro e João foram presos e agredidos por pregarem o Evangelho de Jesus (capítulo 5, versículos 17 a 42). Depois, um dos primeiros diáconos, Estevão, foi apedrejado até a morte (capítulo 7, versículos 54 a 60). O texto relata também que Paulo, antes de se converter, foi enviado a Damasco para liderar a perseguição ao povo cristão naquela cidade (capítulo 9, versículos 1 e 2).

Mais adiante, a perseguição passou a ser liderada pelos próprios dominadores romanos, porque o povo cristão não aceitava adorar o Imperador, que era considerado pelos romanos como um deus. Muitos(as) cristãos(ãs) foram sacrificados(as) durante essa fase da perseguição, como os apóstolos Paulo e Pedro. As pessoas eram crucificadas, queimadas ou atiradas na arena para serem mortas por gladiadores ou animais ferozes. 

Já no reinado do Imperador Constantino, no começo do século IV da nossa era, a religião cristã foi aceita pelo Império romano e as perseguições cessaram. Mas, continuaram em outras regiões, especialmente quando missionários chegavam para falar da nova fé - muita gente foi torturada e martirizada. 

Minorias cristãs também sempre foram vulneráveis a perseguições ao longo da história, como aconteceu nos países de maioria muçulmana. E esse problema permanece até hoje, por incrível que possa parecer: cristãos(ãs) continuam a ser perseguidos em muitos países muçulmanos, como Nigéria, Senegal ou Egito, ou em ditaduras comunistas, como Coréia do Norte.

Se você quiser saber mais sobre esse assunto, veja este site - a organização internacional por trás desse trabalho tem feito um trabalho muito importante para ajudar pessoas perseguidas em diversos lugares do mundo, algumas em países onde você nunca poderia imaginar que isso acontecesse, como o Equador.

Agora, há uma promessa na Bíblia para as pessoas que vierem a passar por perseguição por conta da sua fé em Cristo - elas receberão atenção especial de Deus por ocasião do Julgamento Final. Jesus afirmou isso expressamente, conforme registrado no Evangelho de Mateus (capítulo 5, versículos 11 e 12). É a essa promessa que milhões de pessoas se agarraram (e continuam a se agarrar) para para conseguir enfrentar o sofrimento a que são submetidas.  

Portanto, quando você sentir preguiça de ir à igreja num domingo de manhã ou a um estudo bíblico durante a semana, lembre-se que há milhões de pessoas que nunca puderam (ou podem) fazer isso livremente. Precisaram (ou ainda precisam) arriscar sua segurança pessoal para fazer coisas simples como essas.

Com carinho

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

CUIDADO PARA NÃO "DEMONIZAR" O OUTRO

"Demonizar" outra pessoa é um erro muito comum. Trata-se de atribuir defeitos e/ou erros sérios a quem é visto(a) como adversário(a) - em caso extremo, chega-se a afirmar que tal pessoa faz o trabalho de Satanás. 

A demonização pode começar com coisas simples, como torcedores(as) de um time de futebol afirmando que os(as) torcedores(as) do time adversário não tem educação ou bom comportamento - isso fica bem evidente nos apelidos que são dados, como urubu, pó de arroz, bambi, porco e por aí vai. 

O processo torna-se mais sério quando o assunto é política: por exemplo, a esquerda acha que o pessoal da direita não se preocupa com as pessoas menos favorecidas e só defendem as elites. Por sua vez, a direita acha que a esquerda pretende dar vida mole para quem não trabalha, às custas dos impostos pagos pelo restante da sociedade. E assim por diante.

Basta frequentar as mídias sociais para perceber uma verdadeira guerra de opiniões acontecendo nos dias de hoje - as discussões sobre o impeachment da Presidente Dilma são excelente exemplo desse tipo de situação, pois há ofensas sendo trocadas pelos dois lados e amizades antes sólidas acabaram abaladas.

Agora, o processo de "demonização" costuma ser ainda mais perigoso quando envolve crenças religiosas. Quando as pessoas acham que quem pensa ou age de forma diferente está pecando e/ou fazendo a obra de Satanás. Por causa disso, rios de sangue foram derramados (e continuam a ser), por exemplo, entre cristãos e muçulmanos, ao longo da história. A perseguição religiosas aos judeus na Península Ibérica, o massacre dos cátaros pelos católicos e as lutas entre católicos e protestante após a Reforma são outros exemplos importantes desse tipo de situação. 

Falo tudo isso porque vejo a demonização por motivos religiosos acontecendo hoje em dia. Por exemplo, pregadores televisivos evangélicos costumam atacar a igreja católica, acusando-a de ser idólatra e fazer a obra de Satanás. E muitos(as) evangélicos(as) "compram" essas afirmações e nem verificam se isso está correto. 

O processo de demonização não atinge apenas a fé católica. Há disputas também entre as próprias denominações evangélicas. Até coisas simples, como a forma de batizar ou hábitos de comportamento, podem servir de motivo suficiente para afirmar que outras pessoas estão em pecado, não serão salvas e/ou fazem a obra de Satanás. Eu mesmo já fui acusado aqui no blog por ideias que defendi.

O procedimento é ainda pior quando outras religiões não cristãs entram na discussão. Aí é que o bicho pega mesmo: tudo que não vem do cristianismo é visto como obra do Demônio. Simples assim. 

As causas para a demonização

A principal razão para a demonização é a ignorância pura e simples. Recentemente, conversei com um rapaz - cristão bom e dedicado - e ele mostrou alguns vídeos de mágicas que achou na Internet, daquelas que deixam a gente pensando como foi possível fazer aquilo. E em certo momento, o rapaz declarou: "essas mágicas têm tudo a ver com Satanás". Expliquei para ele não ser nada disso - são apenas truques de ilusionismo. Não há qualquer aspecto espiritual envolvido.

Aquele rapaz não sabia explicar determinada coisa e pulou de imediato para uma conclusão simplista: ação satânica. Mas a consequência de sua atitude poderia ser séria... 

É muito frequente as pessoas fazerem o que aquele rapaz fez e atribuírem ao Inimigo aquilo que não conseguem explicar. Um exemplo histórico vem bem a propósito aqui: no início do cristianismo, as pessoas foram acusados de canibalismo pois "comiam" a carne e "bebiam" o sangue de Jesus e acabaram sendo perseguidos. Ora, sabemos que a referencia a carne e sangue é apenas uma metáfora que Jesus usou para falar da Santa Ceia (comunhão).

Outro exemplo bem fácil de encontrar por aí é a crítica da mídia à prática do dízimo. Não há nada de errado ou abusivo em dar o dízimo - trata-se de uma necessidade prática para poder sustentar as igrejas. É claro que podem existir abusos por parte de gente inescrupulosa, mas isso não invalida o conceito. Mas a mídia não entende a fé que está por trás do ato de dar com o coração alegre e acha que todas as pessoas que estão dando o dízimo estão sendo iludidas. 

A ignorância costuma ser fruto da preguiça mental e/ou da acomodação. A pessoa não quer fazer o esforço necessário para entender o que não consegue explicar e procura caminhos fáceis. Por exemplo, recorre a fontes pouco confiáveis mas bem acessíveis, como televisão ou Internet, para buscar respostas. E frequentemente encontra, e aceita, quase qualquer coisa, mesmo coisas francamente absurdas. 

É comum também a pessoa aceitar, sem questionar, simplesmente aquilo que alguém em quem confiam - por exemplo determinado(a) pastor(a) - fala. E esquecem que essa pessoa pode ter motivações próprias ou mesmo nem ter o conhecimento necessário para tratar o tema em questão.

Tempos atrás houve uma inundação séria na região serrana do Rio de Janeiro. Naquela época, uma pessoa, participante de determinado grupo de discussão evangélico na Internet, do qual eu também fazia parte, declarou ter sabido, de fonte confiável, que havia milhares de pessoas soterradas na lama e iria haver uma epidemia muito grave nos próximos dias naquela região. E, mais ainda, que as autoridades estavam escondendo esses fatos. É claro que choveram mensagens de revolta contra o governo no tal grupo, algumas até pedindo punição divina para os governantes da época.

Dois meses depois, como nada disso aconteceu, eu coloquei no mesmo grupo um comentário lembrando que o alarmismo tinha sido desnecessário, inclusive acusando pessoas de forma injusta, o que é pecado. A autora da mensagem original se defendeu dizendo que tinha ouvido a informação no cabeleireiro que frequentava... O moderador do grupo colocou "panos quentes" na discussão. E eu acabei saindo do grupo.

Voltando à questão da demonização da igreja católica, a esmagadora maioria dos(as) evangélicos(as) sabe muito pouco sobre a doutrina defendida por ela e o que sabe vem de pregadores que evidentemente têm interesse em demonizar quem pensa diferente deles. 

Qual evangélico(a) já leu sobre a posição oficial da igreja católica (exposta no seu catecismo) sobre santos, imagens ou sobre a figura de Maria? Praticamente ninguém. Alguns poderiam alegar que não precisam ler sobre isso, pois testemunham como os(as) católicos(as) se comportam (p. ex. agarrando-se de forma excessiva às imagens), e eu responderia lembrando que, se formos avaliar a doutrina evangélica com base no que alguns pastores inescrupulosos fazem, chegaríamos à conclusão que está tudo errado. 

É comum haver diferença entre o que a doutrina diz e o que as pessoas fazem com base nela (isto é como a aplicam na prática). A história conta que cristãos cometeram massacres, entendendo estar justificados pela sua fé, mas na verdade agiram de forma contrária ao que Jesus ensinou. Agora, esses atos maus não desqualificam os mandamentos de Jesus - comprovam apenas que quem os cometeu não eram seguidores do nosso Mestre. Somente isso.

A mesma ignorância costuma estar presente quando gente de uma denominação evangélica demoniza pessoas que seguem denominações diferentes. Por exemplo, alguém ouve do seu pastor que o batismo só vale se for assim ou assado e nem se preocupa de conhecer os argumentos contrários. E acaba concluindo que quem for batizado de forma diferente daquela aceita pela sua denominação não estará salvo. Pode ir além e pensar que um(a) pastor(a) que batiza da forma "errada" está fazendo a obra de Satanás. 

O mesmo pode acontecer quando pessoas de denominações diferentes discutem hábitos de vida (ouvir música dita "profana", ver determinados programas de televisão, colocar enfeites de Natal em casa, etc). Quem discorda dessas práticas pode demonizar quem as aceita.

Outro fonte de erro muito frequente e perigosa é a generalização. Trata-se de usar termos genéricos para classificar pessoas num mesmo grupo quando, na prática, elas são bem diferentes entre si. 

Por exemplo, "evangélico" é um termo aplicado tanto a pessoas liberais como conservadores(as), tanto a carismáticos(as), como tradicionais. Quando alguém faz uma crítica aos evangélicos - por exemplo, alegando que os pastores só estão atrás de dinheiro -, atinge tanto quem de fato faz isso como também quem se opõe a essa prática. 

Quem são os(as) evangélicos(as)? Os pentecostais (como a Assembléia de Deus), os protestantes históricos (como metodistas ou presbiterianos) e/ou os seguidores da Teologia da Prosperidade (como os fiéis da Universal do Reino de Deus)? Essas pessoas pensam de forma muito diferente mas acabam sendo todas jogadas num mesmo "saco". 

Mesmo onde parece haver unicidade, como na igreja católica, a realidade é diferente. Existem nela muitas vertentes, como a Renovação Carismática (Padre Marcelo Rossi e outros) e a Opus Dei (super conservadores). E o primeiro grupo está mais próximo teologicamente dos evangélicos carismáticos do que do segundo. E não é por acaso que a Renovação Carismática usa cânticos lançados pelos evangélicos, faz retiros e encontros iguais aos deles e assim por diante.

Cuidado cuidado com generalizações. Certifique-se sempre de estar identificando corretamente as pessoas (ou as ideias) sendo criticadas.

Palavras finais

Precisamos, como cristãos(ãs), assumir nossa responsabilidade: demonizar outras pessoas vai contra o que prega o cristianismo. Afinal, Jesus mandou que tratássemos o(a) próximo(a) como também gostaríamos de ser tratados e ninguém gostaria de ouvir que faz a obra de Satanás. 

É claro que há diferenças de pensamento que separam as pessoas, como acontece entre cristãos e muçulmanos. Devemos, quando necessário, argumentar a favor da nossa fé, mas precisamos fazer isso sempre de forma educada e respeitosa. Jamais construindo ataques pessoais e/ou incentivando discriminações contra quem quer que seja. E tomar muito cuidado quando alguém fizer correlação entre pessoas e Satanás. 

Não podemos esquecer que o apóstolo Paulo ensinou que nossa "luta" não é contra "carne e sangue" (outras pessoas) mas sim contra aquilo que está por trás das ideias que elas seguem (Efésio capítulo 6, versículo 12).

Com carinho

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O SEGREDO DOS VITORIOSOS

Estamos nos aproximando das Olimpíadas e Para-Olimpíadas do Rio de Janeiro. Certamente veremos atletas heroicos, fazendo o impensável na busca por resultados - lembro-me de edições anteriores quando atletas deram uma volta inteira pela pista do estádio olímpico com a perna quebrada,  saltaram com os ligamentos do joelho rompidos, lutaram com a mão fraturada e assim por diante. 

O exemplo desses atletas prova que há duas coisas fundamentais para sermos vitoriosos, tanto na vida material como espiritual: compromisso e atitude.

Compromisso  
É o comprometimento em fazer alguma coisa ou perseguir um ideal. Mesmo quando não há obrigação formal, quando o compromisso é assumido, passa a haver uma obrigação.

Atletas vencedores são os(as) compromissados(as) em ganhar medalhas - esse objetivo vem na frente de tudo. Lazer, família, vida amorosa ou qualquer outra coisa fica em em segundo plano.

Muitos cristãos tiveram compromisso verdadeiro com Jesus. Começo lembrando dos seus discípulos, que deixaram tudo para segui-lo e quase todos morreram martirizados. Não podemos esquecer de Paulo, incansável nas suas viagens missionárias, enfrentando todo tipo de dificuldade (fome, violência, falta de recursos, etc). Muito menos de Francisco de Assis (distribuiu tudo que tinha pelos pobres), de Dietrich Bonhoeffer (pastor martirizado pelos nazistas) e tanto outros.

Ter compromisso com Jesus significa dar a Ele o lugar de destaque na sua vida. Deus não pode ser alguém com quem você apenas fala rapidamente durante o culto de domingo ou em orações curtas, durante a semana, normalmente só para pedir coisas. Ou de quem você só se lembra nos momentos de aflição, para buscar socorro e alívio.

Deus precisa ser figura presente no seu dia-a-dia. E os ensinamentos de Jesus precisam realmente dirigir sua vida. É isso que significa ter compromisso de fato com Deus. 

Atitude
É agir de maneira coerente com o compromisso assumido. E a atitude têm dois componentes importantes: dedicação e persistência.

Atletas vencedores são dedicados: investem anos da sua vida em treinamentos extenuantes, evitam alimentos gostosos mas não saudáveis, deixam de lado atividades de lazer pois precisam dormir cedo e assim por diante.

Persistência é permanecer no rumo traçado, não se deixando desviar por distrações ou pelas dificuldades. E nos momentos cruciais, atletas persistentes são aqueles(as) que dão um passo a mais: por exemplo, passam por cima da própria dor e vão em frente.

Cristãos verdadeiros têm atitude. Basta lembrar, por exemplo, da vida de Madre Teresa entre os pobres de Calcutá, cuidando dos párias da sociedade hindu (leprosos, deficientes em geral, órfãos abandonados para morrer, etc) e enfrentando as autoridades que eram contra seu trabalho (pelo menos no início).

Dedicação às coisas de Deus - oração, louvor, estudo da Bíblia, caridade com quem precisa, etc - é o que se espera de cada cristão(ã). E essa deve ser a realidade diária.

Persistência também é fundamental na vida espiritual. Por exemplo, imagine a persistência necessária para andar em lombo de cavalo uma distância equivalente a três voltas ao mundo, enfrentando desconforto, mau tempo, perigos, etc. Foi isso que John Wesley fez para conseguir levar o Evangelho para muita gente na Inglaterra.

Palavras finais
Qual é o compromisso que você tem com Jesus? Qual é a importância real que Ele tem na sua vida?. Você é dedicado(a) e persistente na sua vida espiritual? Será que você é candidato(a) a ganhar uma medalha na "Olimpíada" da vida espiritual?

Com carinho

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

CONSELHOS DE GRANDES PENSADORES CRISTÃOS

Venho colecionando pensamentos de diversos autores cristãos que ensinam lições preciosas para nossas vidas. Aí vão alguns deles: 
  • Se você está contando quantas vezes perdoou alguém, não está realmente perdoando mas apenas adiando a vingança (N. T. Wright).
  • A Bíblia não é o livro da semana, nem do mês, nem do ano, mas o livro da eternidade  (Adrian Rogers).
  • Você é livre para fazer suas escolhas, mas prisioneiro das consequências geradas por elas (autor desconhecido).  
  • A falta de conhecimento sobre Deus tem tudo a ver com a falta de amor por Ele (Cornelius VanTil).
  • Se não houvesse pressão, não existiriam pedras preciosas; se não houvesse fogo, não existiria ouro puro; e se não houvesse dor, não existiriam pérolas  (Frank Viola).
  • Eu sei que Deus não vai me dar nenhuma dificuldade que não possa suportar. Mas gostaria que ele não tivesse confiado tanto em mim (Madre Teresa de Calcutá). 
  • Oração não é ficar fazendo pedidos. É nos colocarmos nas mãos de Deus e ouvir sua voz no fundo dos nossos corações (Madre Teresa de Calcutá).
  • Sabedoria é ter clareza quanto ao próximo passo que precisa ser dado, conhecimento é saber como dar esse passo e virtude é efetivar bem esse passo na prática (David Starr). 
  • Humildade não é pensar menos de você mesmo, mas sim pensar menos em você mesmo (C. S. Lewis).
Com carinho

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O SEU RETRATO

Há um belíssimo vídeo contendo uma propaganda de sabonete que é uma aula de vida, coisa que é rara no mundo da propaganda -  veja o vídeo .

O vídeo mostra a experiência comportamental feita com um grupo de mulheres contrastando a imagem que elas tinham de si mesmas com a imagem que elas passam para as outras pessoas. As auto imagens foram construídas a partir de retratos feitos por artistas a partir de descrições feitas por elas sobre si mesmas. As imagens externas  também foram feitas por artistas com base nas descrições fornecidas por outras pessoas.  

A propaganda procurou explorar o problema de auto-estima que as mulheres têm, já muito conhecido - elas sempre atribuem a si mesmas defeitos físicos que somente elas mesmas vêem. E sofrem com os defeitos que acreditam ter. 

Nas cenas mostradas, os retratos baseados na auto percepção sempre eram muito mais feios do que aqueles fruto da visão das outras pessoas.

Esse vídeo me faz lembrar de duas questões importantes que gostaria de compartilhar com vocês. A primeira é o perigo de deixamos de reconhecer as bençãos que recebemos de Deus por querermos mais, algo que ainda não temos. Por exemplo, uma mulher sempre pode ser mais bonita do que é, mas isso não quer dizer que ela não tenha atrativos físicos - vale aqui o conhecido ditado: "o inimigo do bom é o ótimo".

Às vezes, a pessoa tem um belo emprego mas não reconhece as vantagens de que tem até que o perde. O mesmo pode se dizer da família - um bando de filhos dá um trabalho danado, mas uma casa vazia é muito pior. E assim por diante.

Há outro ditado que também se aplica a essa situação: "eu era feliz e nem sabia". Às vezes, vivemos fases gloriosas das nossas vidas e não usufruímos delas como deveríamos e nem somos gratos a Deus como seria nossa obrigação. Eu, quando olho para minha vida entre os 18 e 35 anos, percebo claramente que cometi esse enorme erro. 

Você pode almejar coisas melhores mas não deixe de reconhecer e ser grato a Deus pelo que Ele já lhe deu.

A segunda questão que me chamou a atenção ao ver a tal propagando está relacionada com uma parábola que Jesus contou: o fariseu e o publicano (Lucas capítulo 18, versículos 9 a 14). O publicano era um coletor de impostos, tido por todos como pecador - o equivalente hoje em dia a um político corrupto. O publicano vai até o Templo de Jerusalém e estando consciente dos seus pecados, pediu perdão a Deus e nem teve coragem de elevar os olhos até o altar. 

Já o fariseu era um homem considerado "bom", obediente aos mandamentos dados por Deus. Ele orou a Deus, agradecendo por não ser como as outras pessoas, pecadoras, especialmente o publicano que estava a seu lado. 

Jesus ensinou que o pecador foi para casa perdoado, enquanto o fariseu não. O segundo tinha uma imagem de si mesmo muito melhor do que a realidade, aos olhos de Deus. Com o publicano acontecia o contrário - ele se via como um pecador sem possibilidade de perdão e Deus olhou para ele com olhos misericordiosos.

É aí que cabe uma importante pergunta: se você fosse convocado(a) para descrever como Deus lhe vê e seu "retrato" fosse comparado com aquilo que Ele de fato pensa, qual seria a diferença? Seu "retrato" feito por Deus, seria mais feio, ou mais bonito, do que a impressão que você tem de si mesmo(a)? 

Pense nisso.

Com carinho

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

VOCÊ SABE QUAL É A SUA MISSÃO?

Por favor, leia este mesmo post no meu novo site http://www.sercristao.org/2016/02/08/voce-sabe-qual-e-sua-missao/ . 
É muito comum que gerentes de uma grande empresa se reúnam para escreverem, em conjunto, a declaração da missão da organização à qual pertencem. Trata-se de alguns poucos parágrafos de texto estabelecendo o que a empresa se propõe a ser e a fazer no mercado que atende. 

Normalmente essa declaração é criada ao fim de longo processo onde essas pessoas analisam a empresa em todos seus aspectos - história, vocação, vantagens competitivas, desvantagens, riscos que corre, oportunidades que pode explorar, etc.

O documento contendo a missão da organização costuma ser amplamente divulgado para todos os(as) empregados(as) e colaboradores(as), sendo emoldurado em quadros espalhados pelos escritórios da organização. 

No melhor dos mundos, o conteúdo dessa declaração acaba por se tornar parte da cultura organizacional e termina por influenciar a forma como a organização opera no dia-a-dia. 

Infelizmente, na maioria das vezes as intenções ali descritas ficam limitadas ao papel, sem gerar maiores consequências práticas.

Jesus apresenta sua missão
Jesus também fez uma declaração de sua missão. E fez isso logo no começo do seu ministério, como seria de  se esperar. 

Quando Jesus visitou Nazaré, cidade onde fora criado, e visitou a sinagoga local, já era motivo de comentários entre o povo por causa da autoridade que tinha para falar sobre as coisas de Deus.  Logo, não foi por acaso, que os líderes da sinagoga de Nazaré convidaram-no a ler a Bíblia (Velho Testamento) durante sua visita. 

Afinal, o texto que Jesus escolhesse para ler poderia dar uma indicação mais clara sobre o que pretendia fazer durante seu ministério. E assim aconteceu: Jesus escolheu um texto do profeta Isaías (Lucas capítulo 4, versículos 18 a 19) que diz: 
O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor.
Depois de ler esse texto, Jesus enrolou o pergaminho e declarou para todos (versículos 20 e 21): Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir

Ele não poderia ter sido mais direto: o texto estabelecia sua missão e Ele já a estava cumprindo.  E foi exatamente isso que Ele fez durante os três anos em que atuou.

Por exemplo, quando João Batista já estava preso, mandou seus discípulos irem até Jesus e perguntarem a Ele se era mesmo o Messias. E Jesus respondeu reafirmando sua missão (Lucas capítulo 7, versículos 19 a 23) e concluiu perguntando: Estou ou não cumprindo tudo isso?

A missão da igreja
Deus estabeleceu uma declaração de missão para a Igreja cristã, que nos cabe obedecer. E essa declaração envolve três coisas. A primeira é agir sempre em comunidade, ou seja junto com outros(as) cristãos(ãs), para que uns possam ajudar e dar apoio aos(às) outros(as). 

É claro que as igrejas locais fatalmente terão defeitos pois são formadas por seres humanos imperfeitos. Mas Deus nos quer congregando - tanto é assim que a Bíblia diz que quando agimos nas igrejas locais, nos transformamos em sacerdotes de Deus  (1 Pedro capítulo 2, versículo 9). E foi esse o exemplo que Jesus deixou ao escolher doze apóstolos (veja mais).

O segundo aspecto da nossa missão é a obrigação de falar de Jesus em todas as oportunidades que tivermos (Marcos capítulo 16, versículos 15 e 16).

Finalmente, nossa missão também inclui olharmos pelos pequeninos, as pessoas despossuídas (Mateus capítulo 25, versículos 31 a 46), o que significa
  • Dar de comer aos famintos e de beber aos sedentos (tanto no aspecto material como espiritual)
  • Vestir os que estiverem nus, em outras palavras garantir a dignidade humana daquelas(as) que a perderam
  • Cuidar dos(as) que sofrem, como os(as) doentes
  • Visitar quem estiver preso, tanto fisicamente em cadeias, como também aqueles(as) aprisionados pelos vícios que escravizam
  • Agir de forma amigável e respeitosa com os(as) pecadores(as)
  • Acolher o(a) estrangeiro(a), tanto quem muda de país ou cidade, como quem chega na igreja onde congregamos sem conhecer nada e nem ninguém
  • Defender os(as) mais fracos(as).    

Palavras finais
Cabe a cada um(a) se auto examinar e ver se está cumprindo verdadeiramente sua parte na missão que Deus nos deu.

E o cumprimento dessa missão não pode se resumir a poucas  atividades desempenhadas aos domingos. Nossa missão deve pautar nossa vida em todos os momentos, no trabalho (ou local de estudo), na família, na igreja local e no lazer. 

Com carinho   

sábado, 6 de fevereiro de 2016

COMO APLICAR HOJE AS LEIS DO VELHO TESTAMENTO

O Velho Testamento contém um extenso conjunto de regras de vida (leis) dadas por Deus para o povo de Israel, através de Moisés. Esse conjunto é conhecido como "Lei Mosaica" ou simplesmente "Lei". 

A Lei foi transmitida por Deus depois da saída de Israel do cativeiro no Egito, conforme o relato dos livros Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Assim, é importante ter em mente que o povo de Israel já tinha presenciado inúmeros milagres - como as dez pragas lançadas contra o Egito, a abertura do Mar Vermelho e outros - antes de Deus transmitir seus mandamentos. Em outras palavras, a Lei foi dada para um povo que já tinha experimentado a Graça de Deus de forma intensa. 

Portanto, o povo de Israel sabia que a obediência à Lei não era um meio para garantir as bençãos de Deus, pois elas já vinham sendo derramadas. O objetivo da Lei era outro: estabelecer um padrão de vida que tornasse Israel uma sociedade onde os valores de Deus estivessem refletidos e que esse povo servisse de testemunha diante das outras nações. 

Deus deu um chamado missionário para Israel (Levítico capítulo 18, versículos 3 e 4 e Deuteronômio capítulo 4, versículos 6 e 8) e foi exatamente por isso que o Messias, Jesus, nasceu desse povo.

A Lei Mosaica continua válida? 
Precisamos continuar a seguir a Lei Mosaica hoje em dia? A posição predominante no meio cristão é: depende do mandamento do qual se está falando. Somente os mandamentos validados no Novo Testamento permanecem em vigor, continuando a ser obrigatórios para os(as) cristãos(ãs). Os demais não. 

Alguns mandamentos dados a Israel não foram validados pelo Novo Testamento pois se referem a questões que não mais se aplicam à realidade depois de Jesus. E é fácil de entender isso. 

Por exemplo, alguns mandamentos do Velho Testamento, como aqueles relacionados com o sistema de sacrifício de animais que acontecia no Templo de Jerusalém, retratavam uma realidade espiritual que deixou de existir depois da vinda de Jesus (Hebreus capítulo 5, versículos 1 a 10). 

O sistema de sacrifícios era usado para obter perdão dos pecados das pessoas e essa necessidade foi totalmente cumprido por Jesus Cristo na cruz - o sacrifício final e último - e não mais se faz necessário. Assim, todo o extenso conjunto de mandamentos que trata dessa questão no Velho Testamento não tem mais sentido para os(as) cristãos(ãs).

Outro exemplo semelhante é a questão da separação dos alimentos entre puros e impuros, abolido com base no relato de Atos dos Apóstolos capítulo 10, versículos 1 a 22. O objetivo do mandamento original era caracterizar a separação entre Israel e os demais povos, o que foi superado a partir do ministério de Jesus - todo aquele(a) que aceita Jesus passa a fazer parte do povo de Deus (a Igreja cristã), não importa sua origem (Efésios capítulo 2, versículos 11 a 22). 

Há leis que não mais têm validade porque deixaram de estar de acordo com as normas sociais vigentes - algumas práticas tratadas nessas leis seriam até consideradas ilegais hoje em dia, como é o caso da poligamia - leis desse tipo são culturalmente limitadas e somente aplicáveis em determinada época e local. 

O Velho Testamento tratou da poligamias por que era uma realidade. E essa prática deixava as mulheres em condição vulnerável - elas podiam ser rejeitadas pelos seus homens pelos motivos mais insignificantes e não tinham qualquer direito. Assim, a Lei Mosaica procurou garantir um tratamento mais justo para essas mulheres, mas nada do que foi nela tratado é aplicável hoje em dia.  

Há leis do Velho Testamento que se relacionam a práticas que continuam a existir, como o casamento. Mas é lógico que o casamento numa sociedade poligâmica não podia ser igual ao que praticamos hoje em dia - o nome é o mesmo, mas as situações são distintas. Dentre outras coisas, as esposas daquela época não tinham direitos iguais aos maridos, especialmente sobre filhos(as) e bens. A consequência lógica dessa constatação é que o rol de mandamentos do Velho Testamento relacionados com o casamento não pode ser diretamente aplicado à realidade atual.

Concluindo, há razões teológicas, sociais e legais para que alguns mandamentos incluídos no Velho Testamento não mais sejam aplicáveis aos(às) cristãos(ãs). Mas, cada caso deve ser analisado com cuidado, principalmente à luz do que fala o Novo Testamento.

Como usar a Lei Mosaica hoje 
O tipo de mandamento sob consideração tem grande importância para estabelecer sua aplicabilidade nos dias de hoje. Vejamos isso em maior detalhe: 
  • Leis Criminais: compreendiam ofensas sérias contra os fundamentos da sociedade israelita. A maioria era punida com a pena de morte para caracterizar sua seriedade - esses casos eram ligados direta ou indiretamente à violação de um dos Dez Mandamentos. 
  • Leis civis: regulavam as disputas entre cidadãos no que se refere à terra, propriedades, etc. Estabeleciam as compensações em caso de danos a uma das partes. 
  • Leis de família: envolviam questões como herança, casamento e divórcio. 
  • Leis relacionadas com o culto: falavam do sistema de sacrifícios, do sacerdócio, das festas religiosas, etc. 
  • Leis de compaixão: envolviam questões relacionadas com os pobres, os sem teto, as minorias étnicas, etc. 

Como já vimos, os mandamentos relacionados com o culto não tem qualquer aplicação hoje em dia, por isso não seguimos os feriados judaicos, não fazemos mais sacrifícios, etc. Já os mandamentos de compaixão continuam a ter aplicabilidade. 

Agora, mesmo que não possam ser mais aplicados, ainda assim os mandamentos da Lei Mosaica têm o que nos ensinar: precisamos entender a razão para sua existência e para não mais serem válidos. 

E a melhor forma para entender essas questões é fazer algumas perguntas sobre o mandamento que estiver sendo analisado: 
● Que tipo de situação o mandamento pretendia evitar?
● Que tipo de mudança na sociedade ou no comportamento humano aquele mandamento queria provocar?
● Que tipo de situação tornava o mandamento necessário?
● Quem seria protegido(a) pelo mandamento?
● Quem teria sua ação limitada pelo mandamento?
● Que valores morais foram priorizados pelo mandamento?
● No que o mandamento reflete o caráter de Deus?


O código de regras contido na Lei Mosaica deve funcionar como modelo de ética pessoal e social aplicável a todas as áreas da vida humana hoje em dia. Nele há prioridades claras estabelecidas por Deus como, por exemplo, a importância do amor ou a luta contra a injustiça social. E que essas questões têm precedência até sobre os rituais religiosos (1 Samuel capítulo 15, versículo 22 e Oseias capítulo 6, versículo 6). 

Agindo assim estaremos usando os mandamentos dados no Velho Testamento, mesmo que não mais precisem ser seguidos ao pé da letra, para serem luz para nosso caminho (Salmo 19, versículos 7 a 10). 

Com carinho