sábado, 22 de fevereiro de 2014

QUEM VOCÊ DIZ QUE JESUS É?

Certa vez Jesus perguntou aos seus discípulos quem as pessoas diziam que Ele era (Mateus capítulo 16, versículo 13). Queria saber qual a interpretação que o público em geral dava a Ele e ao seu ministério. Ora, sabemos que Jesus não era uma pessoa vaidosa e nem se preocupava com a imagem que passava para os outros. Por que então fez essa pergunta? Vou tentar explicar.

Jesus era uma pessoa muito especial - a Bíblia é cheia de depoimentos nesse sentido. Era diferente de todos os demais líderes religiosos que viviam na Palestina naquela época. As pessoas percebiam isso intuitivamente e construiram diversas teorias para explicar quem Ele era e o que fazia: rabino, profeta ou a re-encarnação de um profeta já morto, como Elias, João Batista ou Jeremias (versículo 14). E foi isso que os discípulos contaram para Jesus. Mas nenhuma dessas teorias foi ao centro da questão, pois ninguém reconheceu Jesus como o Salvador da humanidade. 

Depois de ser informado sobre o que as pessoas pensavam, Jesus fez outra pergunta: queria saber o que os próprios discípulos pensavam (versículo 15). Ora, além de ouvir as opiniões das pessoas com quem conviviam - parentes, amigos, vizinhos e demais líderes religiosos -, os discípulos também recebiam ensinamentos do próprio Jesus. Assim, estavam em posição privilegiada para entender quem Ele era. 

Mas os discípulos viviam o dilema de escolher entre a interpretação que ouviam das pessoas e o que Jesus falava sobre si mesmo. E provavelmente não conseguiam chegar a uma conclusão definitiva - só atingiram esse estágio depois da ressurreição. 

Por conta dessa dúvida ficaram calados. Normalmente quando Jesus fazia uma pergunta, vários discípulos tentavam responder, para "mostrar serviço". Mas não naquele caso. Não sabiam escolher entre as duas opções: Jesus era um homem comum ou era o Filho de Deus? 

Finalmente, Pedro se atreveu a falar e deu a resposta certa: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo". E, de forma surpreendente, Jesus não deu parabéns a Pedro por ter acertado. Lembrou que a resposta certa era fruto de uma benção, uma revelação do Espírito Santo (versículo 17). Pedro não chegou àquela conclusão sozinho, foi preciso ajuda do Espírito Santo.

Penso que há dois ensinamentos importantes nessa história simples. O primeiro é que precisamos nos definir quanto a Jesus. Precisamos dizer bem claramente, para nós mesmos e para os que nos cercam, quem pensamos que Jesus é. 

Alguns poderão dizer que Ele é apenas um filósofo - um pensador muito especial que nos deu ensinamentos maravilhosos -, parecido com Sócrates, Platão, ou Confúcio. Enquanto outros vão entender que Ele é muito mais do que isso, é o nosso Salvador. Não é possível ficar em "cima do muro" em relação a Jesus. Ele é Deus ou apenas mais uma grande figura da história. A escolha é de cada um de nós. 

O segundo ensinamento é que somente o Espírito Santo pode dar ao ser humano uma perspectiva plena de quem Jesus é. Foi assim com Pedro e é assim conosco. Não importa a qualidade do ensinamento que uma pessoa recebe na sua igreja, no seu discipulado ou nas fontes que consulta, somente o Espírito Santo pode revelar ao ser humano plenamente quem Jesus é. 

Você pode ler muitos textos aqui neste blog ou em outras fontes até melhores e se sentir inspirado por eles. Pode ouvir pregações que o(a) levem às lágrimas. Você vai aprender com tudo isso, vai poder tirar suas dúvidas, entender melhor o que deve ou não fazer para ser um bom cristão. Mas somente isso não vai dar a você a dimensão completa do significado que Jesus tem. Só o Espírito Santo pode fazer isso. 

Busque o Espírito Santo e coloque-se à sua disposição. Use todos os recursos disponíveis para se aproximar d´Ele: oração, meditação, louvor, estudo da Palavra, etc. Pode ter certeza que o Espírito Santo vai responder e vai lhe revelar o que você precisa saber. Pode confiar nisso.

Com carinho

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

ONDE ESTÁ O LIMITE?

O cristianismo é sempre muito criticado por ser uma religião intolerante, defender idéias estreitas e antiquadas. Ouço ou leio isso a toda hora.

A questão de fundo é que o cristianismo defende valores absolutos. Para nós, foi Deus quem estabeleceu o que é certo ou errado. Os Dez Mandamentos são aqueles que a Bíblia define e não há como pensar em eliminar um ou dois deles. Podemos no máximo discutir sua interpretação e como aplicá-los na prática, mas mesmo essa discussão é balizada pelos demais ensinamentos da Bíblia. E assim é com todos os demais mandamentos que Ele nos deu.

Agora, o que vemos na sociedade em geral é a relativização dos conceitos de certo e errado. A tese que "cada um tem seu ponto de vista e todas as opiniões devem ter o mesmo peso" é muito simpática e encontra cada vez mais adeptos. Mas o cristianismo não aceita essa linha de pensamento, daí as críticas que sofre.

O que as pessoas não percebem são os riscos embutidos na relativização dos conceitos da moral. E isso fica muito claro numa notícia publicada pela mídia na semana passada. A Bélgica já admitia a eutanasia - suicídio assistido por médicos - para evitar sofrimento desnecessário, em caso de doenças terminais. Antes só adultos podiam solicitar a eutanasia, mas agora esse direito foi estendido para as crianças, desde que os pais (ou responsáveis) aprovem.

O argumento tradicional para justificar a eutanasia é que a pessoa tem direito de escolher se quer ou não continuar a viver, pois a vida é um direito seu. Uma propriedade sua.E à primeira vista trata-se de um argumento razoável. 

Mas agora deu-se um passo adicional e muito perigoso: esse "direito", no caso das crianças, foi passado da própria pessoa para seus pais (ou responsáveis). E nada garante que esse direito não será usado por alguns pais para terminar a vida de filhos com deficiências físicas ou mentais muito sérias. Ou que sejam dados novos passos para flexibilização da ética pública e o direito de optar pela eutanasia passe para o Estado permitindo economizar recursos públicos e diminuir os impostos pagos por todos.

Repare que a falta de um limite moral absoluto, definido por alguém que nos seja superior, deixa a sociedade vulnerável. As escolhas vão se sucedendo com base em argumentos momentâneos e, quando se abre uma porta, fazendo uma concessão moral, fica muito difícil fechar depois. O risco é enorme. E já vemos isso acontecendo em diversos campos, além da eutanasia, como nas questões da liberdade sexual, do aborto, da manipulação genética e outras mais.

Os cristãos vão ser cada vez mais criticados quando se aferrarem aos princípios que Deus estabeleceu. Serão cada vez mais considerados intolerantes, atrasados, insensíveis, etc. Esse é o preço que teremos que pagar para sermos obedientes à sua voz.

Com carinho 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

PRESTE ATENÇÂO NAS PREMISSAS OCULTAS

Os cristãos discordam muito entre si quanto ao que é certo fazer segundo a Bíblia. Uns pensam que é pecado divorciar, enquanto outros acham que não. Uns defendem que o batismo tem que ser feito por imersão (e somente para adultos), enquanto outros batizam por aspersão (e incluem crianças). Uns acreditam que as pessoas são predestinadas, enquanto outros discordam totalmente. E assim por diante. 

Mas por que as pessoas lêem a mesma Bíblia e chegam a conclusões tão diferentes? Será que o problema é má intenção - uma vontade deliberada de distorcer o que a Bíblia diz -, ou falta de entendimento do que foi lido? Nem uma coisa nem outra - normalmente as pessoas que pensam diferente são igualmente sinceras e capazes. 

As diferenças de opinião se devem às premissas distintas que as pessoas usam para construir suas conclusões. Premissas são ideias consideradas como verdadeiras que servem como ponto de partida, como base, para qualquer raciocínio. Por exemplo, tenho como premissas que Jesus é Deus encarnado e que Ele veio ao mundo para nos salvar. Tudo o que penso sobre religião vai se apoiar nessas duas ideias. Já um ateu, diferentemente de mim, vai raciocinar partindo de duas premissas diferentes: não há nada além do mundo natural (físico) e Deus não existe, é uma ficção. 

E quase sempre as premissas não são adotadas pelas pessoas a partir de um raciocínio lógico. Por exemplo, um ateu não deixa de acreditar em Deus porque viu uma prova científica que Ele não existe, até porque essa prova é impossível de encontrar. Não, essa pessoa deixa de aceitar Deus por uma experiência frustrada com Ele, por ter sido criado num lar cristão excessivamente legalista que lhe fez muito mal, por não ter tido suas dúvidas repondidas no momento adequado e assim por diante. 

Os cristãos certamente têm um núcleo de crenças em comum - por exemplo, Jesus é o Salvador e a Bíblia a Palavra de Deus -, mas partem de premissas muito distintas em relação a muitos temas de grande importância como, por exemplo, a figura de Deus. Quando a pessoa olha para Deus como se fosse um Pai, perceberá os atos d´Ele de forma distinta do que faria se o percebesse como um Juiz severo. As premissas fazem toda a diferença.

Um fator que complica bastante as coisas é que a maioria das premissas que as pessoas usam são "ocultas", estão presentes mas não são percebidas com clareza. Por exemplo, se uma pessoa vê Deus como um Juiz severo porque teve um mau relacionamento com seu próprio pai, normalmente não se dá conta disso. 

Identificando as premissas ocultas
Vou explicar melhor o que quero dizer com um exemplo. Acho que todos conhecem a declaração que Jesus fez, referindo-se ao divórcio: "aqueles que Deus juntou, não os separe o homem". Nos comentários ao texto que escrevi aqui no blog sobre o divórcio (veja mais), várias pessoas usaram esse versículo para tentar derrubar meus argumentos, alegando que o divórcio, exceto por infidelidade, é pecado (equivalente ao adultério), conforme Jesus estabeleceu.

Ora, quem argumenta assim está partindo da seguinte premissa: quando o casamento foi feito numa igreja, a união foi feita por Deus. Essa é, por exemplo, a posição da Igreja Católica e de muitas denominações evangélicas. Muitos podem até nem se dar conta que usam essa premissa, mas ela é que está na base da conclusão de que não podemos "separar quem Deus juntou".


Mas não há qualquer suporte bíblico para essa premissa. É claro que o casamento feito na igreja e aquele sancionado por Deus podem até coincidir e eu até diria que isso acontece com frequência, mas não é possível concluir que isso sempre aconteça. Pense num casamento onde as pessoas não têm qualquer vínculo com a igreja onde vão se casar e simplesmente participam daquele ato para dar uma satisfação para a sociedade - conheço casos em que um dos noivos era ateu. E esse tipo de situação é muito frequente. Onde está a garantia que Deus abençoou a união de quem nem acredita n´Ele?

Portanto, quando as pessoas estão discutindo o divórcio, na verdade discutem, sem perceber, a premissa que o casamento na igreja equivale ao casamento feito por Deus. 

Esse exemplo demonstra que, para identificar as premissas usadas, é preciso raciocinar ao contrário, partindo da conclusão e ir caminhando para trás. 

Mais dois exemplos 
Um outro caso bem conhecido é o do aborto. A maioria dos cristãos (dentre os quais me incluo) considera o aborto um pecado, por violar o mandamento de não matar. Já aqueles que aceitam o aborto, sejam cristãos ou não, entendem que a mulher tem o direito de escolher como vai usar seu corpo. 

A questão oculta aqui é: a partir de qual momento o feto é considerado um ser humano? Aqueles que são contra o aborto, entendem que já na concepção existe um ser humano formado. Os que admitem o aborto entendem que somente haverá um ser humano num estágio mais avançado da gravidez e, portanto, abortar antes não é pecado - há como uma "janela de oportunidade" para praticar o ato sem pecar.


Essa é a questão verdadeira e não se a mulher tem ou não direito sobre seu corpo. É claro que a mulher tem esse direito, mas nunca em detrimento de outra vida. Ou seja, quando a vida humana é constatada, a criança em gestação passa a ter direito à vida, que é superior ao direito da mulher sobre seu corpo, e ninguém discute isso, nem os que defendem o aborto. A questão então é decidir a partir de que ponto isso se dá. Mas esse ângulo da questão é pouco discutido.

Outro exemplo interessante é o que trata da autoridade espiritual. Recentemente ouvi uma pessoa defender a tese que, segundo a Bíblia, precisamos ser submissos às autoridades espirituais que Deus coloca no nosso caminho. E essa pessoa citou exemplos bíblicos para justificar seu raciocínio. Concluiu afirmando que, numa igreja, as pessoas precisam ser submissas aos seus pastores e aos demais líderes locais que sejam legalmente instituídos, porque essas pessoas têm autoridade espiritual sobre a membresia daquela igreja. 

É certo, em termos bíblicos, que precisamos ser submissos às autoridades espirituais. Mas a questão verdadeira é: quem são as autoridades espirituais na nossa vida? A pessoa a que me referi acima usou a premisssa oculta que toda pessoa apontada para cargo de liderança numa igreja, seguindo principios institucionais (canônicos) legais, é automaticamente uma autoridade espiritual. Mas onde isto está escrito na Bíblia? Será que um padre legalmente apontado para uma paróquia, mas que abusa de ciranças, tem autoridade espiritual? Ou um pastor que rouba os dízimos deve ser obedecido? Duvido muito.

Pessoas podem ter sido legalmente apontadas para uma posição de liderança, mas isso lhes garante apenas autoridade institucional não autoridade espiritual. São duas coisas diferentes. A autoridade institucional vem dos homens e a espiritual de Deus. 
É por isso que os profetas do Velho Testamento não tinham qualquer autoridade institucional - um deles era pastor de cabras e ovelhas -, mas tinham grande autoridade espiritual. 

Por confundir autoridade institucional com espiritual, muitos membros de igrejas ficam à mercê de lideranças religiosas desqualificadas e não encontram forças para reagir. Vemos isso acontecer toda hora.

Palavras finais

Procure sempre por aquilo que está oculto por trás de declarações como "tal coisa é pecado" ou "a Bíblia manda fazer tal coisa". Você pode se surpreender com as descobertas que fará.

Com carinho

domingo, 16 de fevereiro de 2014

MUDANÇA DE HÁBITOS

Há hábitos de todos os tipos, inofensivos, como cantar no chuveiro, e destrutivos, como fumar ou beber em excesso. Basta conhecer o dia-a-dia de qualquer pessoa para perceber os hábitos que ela tem. Eu, por exemplo, tenho o hábito de ler, mas também gosto de ver séries de televisão e futebol.

Os hábitos são adquiridos por responderem a necessidades interiores da própria pessoa: facilitarem sua vida, gerarem algum tipo de prazer (ou evitarem sofrimento), etc. Por exemplo, sou preguiçoso, mas também curioso no campo intelectual, portanto a leitura se encaixa perfeitamente nessas duas necessidades. 

E por causa disso é difícil controlar hábitos já estabelecidos e frequentemente as pessoas é que acabam sendo controladas pelos seus hábitos - conheço uma senhora que gosta tanto de ver novela que deixa qualquer coisa de lado quando chega a hora do seu programa preferido. 

Mudando de hábitos
É evidente que hábitos ruins precisam ser eliminados. E nessa categoria incluo não somente os hábitos errados pela sua própria natureza, mas também os que parecem bons mas se tornam negativos ao dominarem a vida da pessoa. Por exemplo, fazer exercício físico é bom, mas atividade física em excesso acaba por fazer mal.

O cristianismo pode ser de grande ajuda para a mudança de hábitos. Em primeiro lugar, ajudando a pessoa a identificar quais hábitos a prejudicam, o que nem sempre fica claro, como o exemplo do excesso de ginástica demonstra.  

A ajuda, nesse caso, vem do fato que as leis de Deus ensinam aquilo que é certo ou errado. Fornecem uma perspectiva do caminho certo aos olhos de Deus, independentemente da cultura ou de outra qualquer circunstância histórica. 

As leis de Deus também indicam com clareza quando um hábito bom na sua essência torna-se nocivo por dominar a vida da pessoa. Isso fica claro no mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas - nada pode ser mais importante do que Ele. Assim quando um hábito passa a controlar alguém, Deus fica em segundo plano na vida daquela pessoa, o que é pecado. Simples assim.

Mas, além de identificar o que é certo ou errado, o cristianismo também ajuda a pessoa a fazer as mudanças interiores necessárias, pois não há outra forma de combater hábitos negativos. Por exemplo, quando uma pessoa decide lidar com um problema relacionado com a comida apenas fazendo dieta e/ou tomando remédios, entra numa guerra perdida, pois cedo ou tarde vai acabar comendo o que não deve. Ela precisa passar por uma reeducação alimentar, uma mudança interior, o que é muito mais difícil de fazer, para superar o problema.

E foi exatamente isso que Jesus ensinou as pessoas a fazerem - mudar seu interior. Não é um caminho simples e fácil - este blog tem centenas de posts que falam dos problemas que as pessoas encontram ao seguir por esse caminho.  Mas dá resultado. Eu já vi dezenas de pessoas terem suas vidas transformadas. 

Palavras finais
Se você luta com algum hábito do qual precisa se ver livre ou controlar - uso excessivo da Internet, consumo desenfreado, dependencia de programas de televisão, fumo, comida em excesso, etc - entregue seu problema para o Espírito Santo e deixe que Ele haja na sua vida. Fale também com outros cristãos(ãs), que poderão lhe ajudar, com sua experiência e apoio emocional, ao dar os primeiros passos. 

Mudança de hábitos não é fácil, mas pode ser feita. Mas somente com a ajuda de Deus.

Com carinho

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

OS CAMELOS E A BÍBLIA

Diversos jornais importantes, como o New York Times, publicaram nesta semana os resultados de estudo feito numa Universidade de Israel usando ossos de camelos descobertos em escavações recentes. Os resultados indicaram que esses animais só apareceram no cenário da Palestina por volta do ano 1.000 Antes de Cristo. Como a Bíblia cita camelos na época dos Patriarcas (Abraão, Isaque e Jacó), mais ou menos 800 anos antes, os pesquisadores apontam para um erro no texto bíblico.  

Situações desse tipo - estudos tentando provar erros na Bíblia - são frequentes e o script do "drama" é quase sempre o mesmo. O estudo é publicado, a midia dá destaque, muitos cristãos ficam assustados com as possíveis consequências da descoberta - eu mesmo já recebi diversas perguntas - e muitos livros e filmes são produzidos para lucrar com a polêmica. . 

E a resposta para esse tipo de "ataque" é sempre a mesma, abrangendo dois aspectos: o significado da descoberta em si e o possível impacto dela sobre a crença cristã. 

Começando com a descoberta em si, se os resultados forem analisados com cuidado, fica claro que eles não são conclusivos e nem poderiam ser. Foram descobertos ossos de camelos que parecem ser os mais antigos na história da Palestina e eles datam mais ou menos do ano 1.000 AC. Daí decorreu a conclusão que é um erro falar em camelos antes desse período.  

Há nesse tipo de conclusão uma falácia, um erro de lógica bem conhecido: confundir ausência de evidência com evidência de ausência. Vou dar um exemplo desse tipo de situação. Até cerca de 20 anos atrás, não havia qualquer registro arqueológico relacionado com o rei Davi - todas as referencias àquele rei estavam na Bíblia. Por conta disso, muitos arqueólogos cronstruiram a teoria que Davi não tinha existido de fato, era uma figura lendária, o que seria um golpe terrivel para acredibilidade da Bíblia. 

Até que em 1993 foi encontrada uma placa comemorativa que citava claramente a casa (linhagem) de Davi. Os "minimalistas" - os estudiosos que defendiam que o rei era uma lenda - ainda tentaram afirmar que a tal placa era forjada, mas não conseguiram convencer ninguém e sua teoria caiu em desgraça. Hoje praticamente não resta mais duvida que Davi existiu.

Repare que o erro dos "minimalistas" foi exatamente aquele que eu citei acima: tomar a ausencia de evidencia arqueológica concreta da existência do rei Davi como prova que tal rei nunca existiu. Mas nunca é possível construir um raciocínio desse tipo que seja totalmente seguro. Isso porque podem aparecer novas evidências a qualquer momento e, mesmo que elas nunca apareçam, isso não significa que não existam, mas apenas que não foram encontradas. 

E é exatamente isso que acontece com o estudo feito com os ossos dos camelos. O fato de não haver evidencia de camelos antes do ano 1.000 AC não prova de forma definitiva que eles não existiram. Portanto, não aconteceu nenhuma descoberta que prove de forma definitiva que há um erro na Bíblia. No máximo, os autores desse estudo podem dizer é que há probabilidade significativa de haver esse erro. Mas nunca certeza. 

O segundo aspecto a considerar é o significado desse possível erro. Se ele existir, o que assumo aqui apenas para efeito do argumento, qual seria o impacto na crença cristã? 

O impacto direto seria irrelevante. Afinal, o que o fato de camelos terem ou não existido no tempo dos Patriarcas mudaria, por exemplo, o papel de Jesus como Salvador da humanidade? É claro que em nada. 

O possível impacto na verdade seria indireto, através da credibilidade da Bíblia. Se erros forem identificados, a Bíblia perderia sua autoridade e ninguém mais poderia ter certeza que as demais afirmações que ela faz - por exemplo, que Jesus é o Salvador da humanidade - são verdadeiras. 

Ora, a possível perda de autoridade da Bíblia não caracteriza que as afirmações sobre Jesus são erradas. Apenas, que elas não podem ser aceitas unicamente porque a Bíblia assim o diz. 

Imagine que um professor está olhando para a prova de um aluno e encontra um erro numa questão. Isso não prova que há erros nas outras questões. Significa apenas que o professor vai ter que olhar uma questão por vez para chegar à conclusão se ela está certa. 

Mas é exatamente isso que a Bíblia nos manda fazer, quando diz que precisamos estar sempre em condições de explicar e justificar a razão da esperança (fé) que existe em nós (1 Pedro capítulo 3, versículo 15). Ela nunca nos pede para crer cegamente.  

Concluindo, o estudo publicado não prova de forma conclusiva que a Bíblia contem um erro. E, mesmo se provasse, nada de significativo iria mudar na fé cristã.

Com carinho

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A GRAÇA DE DEUS TODO O TEMPO

A Bíblia começa e termina falando da Graça de Deus. E isso não acontece por acaso. Há um grande ensinamento aí para nossas vidas.

Mas o que é a Graça de Deus? Quando uma loja diz que algo é grátis afirma que o consumidor vai receber aquele produto sem pagar nada, sem dar qualquer retribuição. E a palavra grátis tem a mesma raiz da palavra graça, apontando para o mesmo conceito.

A Graça de Deus, portanto, é aquilo que Ele dá para o ser humano sem que haja qualquer merecimento por parte das pessoas. A maior manifestação da Graça de Deus é o sacrifício de Jesus na cruz para nos salvar. Nenhum de nós fez nada para merecer esse presente. Trata-se de uma manifestação pura da Graça.

Voltando ao que a Bíblia diz, o texto começa falando da criação do mundo (Gênesis capítulo 1, versículo 1):
"No princípio criou Deus o céu e a terra."
Ora, Deus não tinha qualquer obrigação de criar o universo e muito menos a vida que nele existe, incluindo os seres humanos. Fez isso porque entendeu que era bom. Assim, a vida é um presente. Em outras palavras, a criação é um produto da Graça de Deus. E é exatamente sobre isso que a Bíblia começa falando.

A Bíblia termina no livro do Apocalipse, que traz uma série de visões dadas ao apóstolo João sobre o que acontecerá no final dos tempos (veja mais). E o livro termina, no capítulo 22, versículo 21, da seguinte forma:
"A graça do Senhor Jesus seja com todos". 
A Graça de Deus é lembrada aqui como fonte de bençãos para o ser humano. Ninguém merece ser abençoado, portanto quando recebemos algum benefício de Deus é por conta da sua Graça em ação. Simples assim.

A Graça de Deus abre e fecha o relato da Bíblia. E isso é um ensinamento muito importante. Significa que a Graça está presente em toda a história da relação de Deus com seu povo, começando com Israel (Velho Testamento) e concluindo com a igreja cristã (Novo Testamento).

Essa mensagem significa que o ser humano depende da Graça de Deus para tudo, começando pela sua existência, continuando pela proteção que precisa contra os desafios da vida, e finalizando para sua salvação. 

A nós, cabe reconhecermos esse fato e sermos gratos a Deus, sempre.

Com carinho 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

TRÊS ANOS DE BLOG

Este blog fez três anos de vida. São cerca de 500 textos postados (o equivalente a três livros), mais de 100.000 acessos, centenas de comentários trocados. É muito. Bem mais do que eu imaginei possível.

Confesso que comecei não sabendo muito o que esperar. Acredito que consegui dividir com vocês minhas experiências e o que venho apredendo ao longo de algumas décadas enfrentando o "desafio de ser cristão". Ensinei mas acho que também aprendi muito. E, em especial, aprendi três coisas importantes.

A primeira é que há as pessoas têm interesse real em participar de discussões sérias sobre o cristianismo. E, por sérias, refiro-me àquelas que não visam o lucro ou qualquer vantagem pessoal, não partem para apelações baratas e, sobretudo, não fazem concessões fáceis ao pensamento predominante da sociedade, procurando fazer com que as pessoas se sintam bem. 

Sobre esse último aspecto, é importante lembrar que o cristianismo não é politicamente correto, pois defende que as verdades de Deus são absolutas, nem todas as crenças são corretas e nem todas as pessoas serão salvas. E isso causa desconforto numa sociedade que cada vez mais defende a relatividade das verdades e opiniões, do que é certo ou errado), e defende que "todos os caminhos levam a Deus". 

Não se envergonhar do que a Bíblia ensina, mesmo daquilo que pareça ser intolerante, e buscar sempre obedecer a Deus, não é fácil no mundo de hoje. Mas é o único caminho que devemos seguir. 

A segunda coisa que aprendi está relacionada com as enormes oportunidades que as mídias sociais abrem para a divulgação do cristianismo. Ao longo desses três anos falei para pessoas que nunca poderia ter imaginado alcançar. Gente que provavelmente nunca vou conhecer pessoalmente, mas que estão próximas de mim, há poucos cliques do mouse. 

E os cristãos precisam aprender a usar esses recursos de forma efetiva, evidentemente sem distorcer a mensagem passada. Mas também sem se apegar a formas de ensino e debate que estão ficando ultrapassadas, somente porque fazem parte da nossa tradição. 

O terceiro ponto de aprendizado - ensinamento que já tinha recolhido antes e mais uma vez foi comprovado na prática - refere-se à fidelidade de Deus. Quando a pessoa faz aquilo que agrada a Deus, o fruto aparece e acaba sendo maior do que o esperado. Basta lembrar que o cristianismo começou cerca de 2000 anos atrás, com poucas dezenas de seguidores, e hoje cerca de 2,5 bilhões de pessoas se dizem cristãs em todo o mundo. E o cristianismo mudou o mundo - suas impressões digitais podem ser encontradas na defesa dos direitos humanos, nas instituições de assitência social e em dezenas de outras causas nobres.

De forma modesta, vi isso também acontecer aqui, pois os resultados que alcancei com este blog, conforme já comentei acima, foram bem acima do esperado. E sou muito grato a Deus por me usar dessa forma. O que somente aumenta minha responsabilidade para o futuro. 

Com carinho

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O USO DE SÍMBOLOS

O uso de símbolos é uma das coisas que distingue o ser humano dos demais animais. Por exemplo, todos os animais se alimentam, mas apenas os seres humanos fazem refeições à luz de velas, com música ambiente, louça bonita, tudo para criar um clima romântico. Animais alimentam-se apenas para matar a fome, mas os humanos podem dar ao ato de comer um significado simbólico bem diferente. 

Estudos sociológicos mostram que símbolos dão sentido à vida humana. Criam identidade para as pessoas. Bandeiras, por exemplo, são muito mais do que simples pedaços de pano coloridos, elas representam entidades, como times de futebol ou países, com as quais as pessoas se identificam. Por isso as bandeiras são tão populares.


Deus tem feito grande uso de símbolos para tornar sua relação com os seres humanos mais concreta, mais física. Afinal, Ele sabe que não é fácil para as pessoas sentirem a presença de um Ser invisível nas suas vidas, especialmente nos momentos de maior ansiedade. 

Símbolos que Deus estabeleceu
Esses símbolos aparecem tanto no Velho Testamento, sendo voltados para o povo de Israel, quanto no Novo Testamento, nesse caso voltados para os cristãos. 

No caso do Velho Testamento, gostaria de citar dois exemplos. O primeiro é a Arca da Aliança, pequena urna de cerca de 1 metro comprimento por meio metro de largura, feita de madeira, coberta por placas de ouro, que simbolizava a presença de Deus em meio ao povo de Israel. O outro símbolo é a ceia da Páscoa, cerimônia na qual cada família judaica come um cordeiro assado, acompanhado de ervas amargas e pães sem fermento, simbolizando a libertação de Israel do cativeiro no Egito. 

No Novo Testamento, Jesus estabeleceu a Santa Ceia como um símbolo do seu sacrifício em prol da salvação da humanidade: o pão representa seu corpo e o vinho seu sangue. Já o 
batismo simboliza a morte daquele que se converte para a velha vida, dominada pelo pecado, e o nascimento para uma nova existência, em Cristo. 

Agora, nem todos os símbolos religiosos com os quais nos identificamos foram estabelecidos diretamente por Deus. Ao longo da história, líderes religiosos perceberam a importância desse tipo de recurso e estabeleceram alguns símbolos, como a cruz vazia, que identifica o cristianismo em qualquer lugar do mundo hoje em dia - no seu início, o cristianismo era simbolizado pelo peixe. 

O problema 
Símbolos podem ser, e frequentemente são, abusados. A primeira forma de abuso é a instituição de símbolos indevidos. Por exemplo, são bem conhecidas as relíquias humanas - línguas, pedaços de ossos, cabelos - atribuídas a santos, veneradas por muitos católicos. Não me parece que tais itens sejam símbolos saudáveis para a fé cristã.

O segundo problema é a atribuição aos símbolos um papel que não podem ter. Muitas vezes as pessoas são incentivadas a considerar os símbolos como coisas sagradas e não uma simples representação de algo maior. Esse tipo de postura pode levar à idolatria, coisa que a Bíblia condena com ênfase. 

Aliás, Deus demonstrou preocupação com essa possibilidade, segundo o relato da Bíblia. Por exemplo, mandou que Moisés destruisse a serpente de bronze feita, por instrução d´Ele mesmo, para proteger os judeus das picadas de cobra, durante sua jornada de 40 anos pelo deserto do Sinai. Com isso evitou que aquele artefato virasse uma relíquia adorada pelos judeus. Foi por isso também que Deus nunca revelou o local onde Moisés foi enterrado.

O terceiro problema é o mau uso dos símbolos visando obter poder ou vantagens indevidas, o que é feito normalmente por quem tem controle sobre esses mesmos símbolos. Por exemplo, o governador romano da Judeia, na época de Jesus, mantinha sequestrado a vestimenta cerimonial que o sumo-sacerdote precisava usar quando dirigia determinadas cerimônias, como o Yom Kippur, para garantir a obediência dos líderes religiosos judeus. 

Esse tipo de abuso também pode ter origem  em interesses financeiros escusos. Por exemplo, ainda na época de Jesus, os principais sacerdotes judeus cobravam uma taxa anual de todo homem adulto para garantir-lhes acesso ao Templo de Jerusalém, centro simbólico da religião judaica.  

Seja qual for a motivação - simples uso indevido de poder, ganho financeiro ou de outras vantagens - continuamos a ver o mau uso dos símbolos religiosos cristãos hoje em dia. Por exemplo, na imposição de restrições indevidas para que as pessoas recebam os sacramentos (batismo ou ceia) ou na venda de relíquias sem sentido (por exemplo, àgua "miraculosa" do rio Jordão ou óleo "ungido"). 

Palavras finais
Precisamos de símbolos para ajudar a definir nossa identidade, para encontrar sentido no mundo que nos cerca e, especialmente, para nos sentirmos mais próximos de Deus. 

Símbolos, quando bem usados, são muito importantes. Na verdade, não podemos viver sem eles - mesmo Deus recorreu com frequência ao uso de símbolos.

O perigo mora no abuso desse recursos. Muito cuidado com isso. 

Com carinho

domingo, 2 de fevereiro de 2014

85 PESSOAS VALEM O MESMO QUE 3,5 BILHÕES

Um relatório da Organização Internacional do Trabalho indicou que 85 multibilionários, em conjunto, têm patrimônio equivalente às 3,5 bilhões de pessoas mais pobres do mundo. É como dizer que cada um desses bilionários tem a mesma riqueza que cerca de 41 milhões de pessoas (uma Argentina). 

Não estou afirmando que esses bilionários sejam más pessoas e/ou tenham ganho suas fortunas explorando os mais pobres. Não, vários deles, como Bill Gates, fundador da Microsoft, são pessoas decentes, religiosas, e até preocupadas com os pobres (doam bilhões para a caridade). Ganharam seu dinheiro de maneira honesta, sendo criativos, competitivos e sabendo aproveitar as oportunidades que surgiram. 

O que me deixa chocado é o tamanho da distorção na distribuição de riqueza mundial para a qual esse relatório aponta. Isso significa que o sistema deste mundo a forma como a sociedade funciona, seus objetivos, etc - está errado, muito errado, e doente. Afinal, não é aceitável, por qualquer padrão de análise, que uma única pessoa tenha a mesma riqueza que 41 milhões de outras.

É por isso que a Bíblia ensina que o "mundo jaz no Maligno", isto é o sistema deste mundo é controlado pela lógica doentia de Satanás. 

O problema não está tanto naqueles que têm muito e sim na gigantesca quantidade daqueles que têm muito pouco. É escandaloso que num mundo com a riqueza e o avanço tecnológico atual ainda existam pessoas que morram de fome, que não tenham suas necessidades básicas atendidas. Não consigam ter uma vida com o mínimo de dignidade humana. 

E, ainda pior, que os governos se desculpem, afirmando não ter recursos para acabar com a pobreza, quando gastam bilhões com sistemas de armas sofisticadas, com obras inúteis e permitam a corrupção em larga escala. Muito triste. 

Com carinho