domingo, 31 de agosto de 2014

A DANÇA COM DEUS

Uma boa forma de visualizar a relação do ser humano com Deus é de um casal dançando. 

E é Deus, através do Espírito Santo, quem se aproxima e "tira a pessoa para dançar". A iniciativa da relação precisa caber a Ele pois o ser humano, deixado por conta própria, nunca vai dar os passos necessários para se aproximar de Deus. 
  
Mas a pessoa precisa aceitar o convite. Afinal, o livre arbítrio lhe dá essa possibilidade de escolha, inclusive a de se recusar a "dançar", como acontece, por exemplo, com os ateus. E quando a pessoa aceita o convite do Espírito Santo e se aproxima de Deus, aceitando Jesus como seu Senhor e Salvador, a "dança" começa de fato. 

A dança é uma boa metáfora para a relação entre o ser humano e Deus porque nela os parceiros precisam ficar atentos e reagir adequadamente aos movimentos um do outro. É preciso haver harmonia para ser possível dançar bem. 

Os parceiros precisam estar de acordo quanto a uma série de coisas: o ritmo a ser seguido, quem guia (e quem é guiado), a duração da dança, a distância que vão guardar um do outro e assim por diante. 

O ser humano sempre tem voz ativa no que vai acontecer na sua relação com Deus. Definirá, em boa parte, o tipo de "dança" que será vivida. Pode "dançar" um pouco e parar. Recomeçar, no momento que desejar. Pode "dançar" de forma fria e distante, como se cumprisse uma obrigação. Ou pode se entregar de corpo e alma. 

Deus é um parceiro especial: sempre atento e desejoso de se relacionar bem. Ele nunca perde o interesse na "dança", mesmo tendo sido rejeitado anteriormente. E responde ao estímulo da pessoa: caso ela se aproxime mais, Deus fará o mesmo. 

Agora, a harmonia da "dança" só vai ocorrer de fato se a pessoa entender que cabe a Deus guiar, e a ela, seguir. Sempre. Pois quando o ser humano tenta liderar a "dança", os resultados nunca são são bons. 

Vou dar um exemplo tirado da Bíblia. Deus tinha prometido a Abraão que lhe daria um filho, embora ele e sua mulher já fossem velhos. Como a promessa demorou a se realizar, Sara, mulher de Abraão, resolveu "ajudar" a Deus - assumir a liderança na "dança". 

Sara deu sua escrava, Hagar, para Abraão, imaginando que a moça pudesse gerar um filho. E Hagar gerou Ismael. Mas, anos depois, quando a promessa de Deus se cumpriu, e Sara teve seu filho, Isaque, estabeleceu-se uma rivalidade entre as duas mulheres. E a situação somente acabou resolvida quando Hagar foi exilada. E muitos problemas foram gerados a partir daí.

Quando se "dança" com Deus, é preciso lembrar que Ele não somente deve guiar, como também foi quem contratou a "orquestra" e providenciou a "comida e bebida". Tudo ocorre por sua causa e iniciativa.

Esteja disponível para participar dessa "dança". Entre nela com vontade e dedicação. E nunca saia do "salão de baile", deixando-se distrair por outras prioridades. E aprenda a depender da liderança com Deus. Será melhor assim, pode ter certeza. 

Com carinho

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A FÉ DO ATEU


Existe um livro muito interessante, escrito por Norman Geisler, cujo título já diz tudo: “Não tenho fé suficiente para ser ateu”. 

A tese que originou o livro é que os ateus têm também uma forma de fé, pois acreditam  que o universo físico é tudo que existe e que não foi necessário haver uma força maior (Deus) para sua criação.  Os ateus ainda acreditam que, não havendo um criador, o universo é fruto do mero acaso

Parece-me que essa é uma crença e tanto. E muito, mas muito, mais difícil de sustentar do que a fé em Deus. 

Recentemente, li um artigo numa revista científica e fiquei surpreendido quando o autor, um cientista ateu, defendeu um ponto de vista parecido. Ele reconheceu que praticamente todos os aspectos do mundo moderno são governados por equações matemáticas que traduzem leis físicas. 

Por exemplo, os chips de memória dos computadores, hoje presentes em tudo, de celulares a fogões, nunca poderiam ter sido projetados sem uma equação chave da mecânica quântica, descoberta por um homem chamado Schrödinger. Os sinais de rádio, televisão, telefone celular, etc, não poderiam existir sem as equações descobertas por Maxwell. Os transportes (carros, aviões, satélites, etc) dependem das leis do movimento descobertas por Newton. A transmissão de calor é dominada pela transformada de Fourier. E assim por diante. 

Sem a descoberta dessas inúmeras leis físicas, e sua codificação em equações matemáticas, a maior parte da tecnologia moderna não existiria. 

Agora, é razoável imaginar que tudo isso foi gerado pelo acaso? Que não havia uma mente extremamente poderosa por trás? Confesso que não tenho fé bastante para crer nisso. 

Portanto, parece lógico admitir que houve sim uma mente por trás de toda essa ordem e é a essa mente, infinitamente poderosa, que chamamos de Deus Criador. 

Lembre-se disso quando conversar com um ateu. Faça esse raciocínio para ele. Você poderá ajudá-lo a entender uma verdade que talvez nunca lhe tenha ocorrido.

Com carinho

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

DEUS SÓ AJUDA A QUEM SE AJUDA?

Pensar que Deus somente ajuda a quem se ajuda faz todo o sentido. Portanto, a resposta para a pergunta que dá título a este post parece ser SIM. E acredito que muitos cristãos(ãs) concordam com essa declaração - afinal, esse tipo de pensamento está muito presente nas igrejas evangélicas. 

O interessante é que a frase "Deus ajuda a quem se ajuda" foi criada por um pagão, o escritor grego Esopo. Na origem, ele se referiu a "deuses", no plural, pois os gregos acreditavam em várias divindades (eram politeístas). Ela foi popularizada na cultura ocidental, quando o plural foi trocado pelo singular, por Benjamim Franklin, grande cientista (inventou o para-raios) e importante político norte americano, que nem cristão era de fato. 

Portanto, essa ideia não nasceu na Bíblia. Mas será que ela encontra suporte ali? Para responder, vou usar como ponto de partida uma parábola que Jesus contou (Lucas capítulo 15, versículos 3 a 7):
"...Se você tivesse 100 ovelhas e uma delas se perdesse, não deixaria as outras 99, para ir à procura da perdida até conseguir encontrá-la? E quando a encontrasse você a carregaria nos ombros, todo alegre e viria para casa... Ora, da mesma forma há muito mais alegria no céu por causa de um pecador que volta para Deus..."  
Essa parábola se refere a nós e mostra como o Espírito Santo vai atrás de cada pessoa com o objetivo de salvá-la. Deus ama a cada um de nós e quer que venhamos a estar com Ele - essa é a base para a salvação humana. 

Mas repare que a "ovelha perdida" nada fez (e nem poderia fazer) para se ajudar. A ovelha é um animal frágil e morre se deixada por pouco tempo sem os cuidados necessários. Ela foi simplesmente achada e trazida para casa.  

É claro que Deus espera que façamos aquilo que está a nosso alcance em cada situação que enfrentamos - afinal, Ele não aprecia pessoas preguiçosas e/ou acomodadas. 

Agora, fazermos o que está a nosso alcance em determinada situação não significa que influenciamos de fato o resultado final. Na verdade, em muitas situações, pouco podemos fazer face às nossas limitações. 

E o melhor exemplo é a salvação. Simplesmente não podemos salvar a nós mesmos - esse seria o caso se pudéssemos realizar boas obras em quantidade suficiente para nos dar merecimento para estarmos junto a Deus. Mas não podemos e por causa disso dependemos da Graça de Deus, caracterizada pelo sacrifício de Jesus Cristo por nós na cruz.

Em outras palavras, somos mesmos "ovelhas perdidas" que precisam ser encontradas e trazidas para casa, caso contrário morreremos. E todo trabalho de salvamento cabe ao pastor (Deus).

Portanto, no que tange à coisa mais importante das nossas vidas (a salvação), nossa dependência de Deus é total. E o mesmo pode ser dito em relação a várias outras coisas fundamentais. Por exemplo, o universo foi criado por  Deus e é Ele que sustenta tudo que existe. Sem Deus, nada existiria, e a humanidade nada poderia fazer a respeito.

É claro que há diversas áreas das nossas existências onde nossa ação pode fazer diferença - por exemplo, se você trabalhar de forma séria e dedicada terá maiores chances de ter sucesso profissional. Mas isso não pode ser generalizado, pois em coisas fundamentais dependemos única e exclusivamente de Deus. 

A frase original, na verdade, se apoia na percepção de que o ser humano pode juntar mérito suficiente para justificar tudo aquilo de bom que venha acontecer com ele(a). Mas isso simplesmente não é verdade. Dependemos da Graça de Deus muito mais do que percebemos à primeira vista. Simples assim.

Com carinho

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

UM LIVRO MARAVILHOSO

Anne Frank foi uma adolescente judia que viveu em Amsterdã, capital da Holanda, durante a segunda guerra mundial. Quando a perseguição nazista começou, sua família (ela, o pai, a mãe e uma irmã) se escondeu num sótão de uma casa, cuja entrada foi disfarçada por uma parede falsa. Uma outra família de judeus (pai, mãe e irmão) se juntou a eles no esconderijo. 

Essa casa, inclusive o sótão, pode ser visitada em Amsterdã, no Museu Anne Frank. Tive oportunidade de conhecer aquele local e confesso que foi uma das experiências mais emocionantes da minha vida.

As duas famílias viveram escondidas durante alguns anos, ajudadas por amigos holandeses abnegados, que lhes levavam comida, roupas e as demais coisas de que necessitavam. É impressionante que tenham conseguido se manter escondidos por tanto tempo.

Acabaram presos pelos nazistas e mandados para um campo de concentração, onde foram mortos, exceto o pai de Anne - a adolescente morreu poucos meses antes do campo de concentração onde estava presa ser libertado pelos soldados aliados. 

Durante seu período no esconderijo, Anne escreveu um diário, onde falou da vida que viveu ali, dos seus sonhos, do encontro do amor (apaixonou-se pelo filho da outra família) e de suas angústias. O diário foi encontrado por uma amiga, depois que as famílias foram presas. O último texto do diário foi escrito exatamente 70 anos atrás, o que deu origem a muitas comemorações no mundo inteiro.  

Depois que o pai de Anne foi solto do campo de concentração, ele organizou o material encontrado e o publicou. "O diário de Anne Frank" tornou-se um sucesso mundial e deu origem a filmes e peças de teatro. Pode ser encontrado com facilidade em português. Se você puder, não deixe de lê-lo. Garanto que será uma experiência inesquecível. 

O legado que Anne deixou para todos nós não tem preço. É uma lição de vida e uma prova que o ser humano pode criar algo belo e bom mesmo nas condições mais difíceis. 

Com carinho

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O RISCO DE NÃO SER CRISTÃO

Outro dia recebi um comentário muito interessante aqui no blog que merece ser discutido em maior profundidade. O comentário foi feito sobre um texto meu recente, a respeito da Graça de Deus. A pessoa que fez o comentário é provavelmente um agnóstico e levantou a seguinte questão: "como não é possível provar com certeza absoluta nem que Deus existe, nem que não existe, a coisa correta a fazer seria não tomar qualquer decisão a esse respeito". 

Essa declaração parece fazer todo sentido, afinal quando não temos certeza sobre alguma coisa é preciso tomar cuidado quanto ao que se vai fazer. Assim, segundo defendeu o leitor agnóstico, se não é possível ter conhecimento certo sobre a existência de Deus, o melhor seria ficar quieto, não tomando partido nem contra nem a favor d´Ele, evitando o risco de escolher a opção errada e fazer bobagem. 

Como as pessoas lidam com a incerteza
Mas, na verdade, não é bem assim que as pessoas lidam com a incerteza. Elas não costumam ficar paradas. Normalmente, o que fazem é levantar as várias alternativas disponíveis e avaliar o risco envolvido em cada curso de ação. Aí optam pelo caminho que oferece risco menor. Fazer nada é evidentemente uma das opções mas nem sempre a melhor e/ou aquela escolhida. 

Vejamos alguns exemplos práticos. Quando alguém vai decidir se abre um negócio, certamente enfrenta incertezas (mercado, preço a ser cobrado, forma de funcionamento, etc). O risco da opção de nada fazer é perder a oportunidade e deixar de ganhar um bom dinheiro. Por outro lado, se o negócio for aberto, existe o risco de perder dinheiro. Aí a pessoa vai escolher dentre esses dois riscos qual o que vai preferir correr. 

Se um médico não sabe as causas de uma doença, isso não quer dizer que deve ficar parado, deixando a pessoa morrer. Nesse caso, fazer alguma coisa é melhor que nada fazer. E é assim que os médicos costumam agir. 

O risco da escolha por Jesus
Vamos voltar à questão da impossibilidade de se provar, com certeza absoluta, que Deus existe e dos riscos relacionados com as escolhas que podem ser feitas a partir dessa constatação. 

Primeiro, é preciso entender que, de acordo com a doutrina cristã, a pessoa não decidir se aceita Jesus (conforme propõe o leitor do blog) ou rejeitá-lo são equivalentes em termos de risco (resultado final). Isso porque em ambos os casos a pessoa não gozará da Graça de Deus, pois essa somente vem mediante a aceitação de Jesus. 

Portanto, na prática são duas as opções a discutir: aceitar Jesus ou não. É será preciso avaliar os riscos inerentes a cada uma e a escolha lógica deve ser pela opção de risco menor. 

O risco de rejeitar Jesus aparecerá apenas se o cristianismo estiver certo. Nesse caso a consequência será muito séria: a pessoa irá perder sua salvação. Não existe risco maior. 

É claro que aceitar Jesus também envolve um risco. Se Deus não existir, a pessoa que aceitou Jesus estará adorando um ser inexistente. Fará algumas coisas desnecessárias (orar, louvar, tomar a Santa Ceia, estudar a Bíblia, etc) e se privará de outras tantas (aquelas proibidas pelo cristianismo) que poderia ter vivenciado. Esse é o risco e ele parece moderado. Até porque a maioria das coisas que o cristianismo proíbe (vícios, mentira, inveja, etc) são mesmo nocivas e as pessoas deveriam evitá-las, se desejam ter uma vida boa.  

Resumindo, o risco de não aceitar Jesus é gigantesco e o risco contrário é moderado. Portanto, a lógica também aponta na direção da pessoa aceitar Jesus. Essa seria a coisa certa a fazer. 

Palavras finais
Sei muito bem que ninguém aceita Jesus com base num raciocínio lógico e sim pela fé. Então, qual é o valor de toda a discussão que acabei de fazer? 

Primeiro, é sempre muito bom saber que se fez uma escolha que é lógica. Que faz sentido. Isso reafirma e robustece a fé. 

Depois, esse tipo de discussão ajuda os cristãos a não ficarem abalados com os argumentos contra a fé cristã, como aquele apresentado pelo leitor agnóstico citado no começo deste post. Simples assim.

Com carinho

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O NOVO "TEMPLO DE SALOMÃO" EM SÃO PAULO

Acabou de ser inaugurada, em São Paulo, uma igreja evangélica gigantesca, obra luxuosa que custou quase R$ 700 milhões. Nela foram utilizados materiais da melhor qualidade, boa parte deles importados. Impressiona a quem olha.

Essa nova igreja foi denominada "Templo Salomão", pois alega seguir o modelo que foi utilizado pelo rei Salomão no templo de Jerusalém, construído cerca de 3.000 anos atrás. Mas, na verdade, a nova igreja apresenta mais diferenças do que semelhanças com o templo original - basta lembrar que o templo de Salomão media apenas 27 m x 9 m, uma bagatela perto da igreja que acabou de ser construída.

A pergunta que cabe, então, é porque houve essa preocupação dos donos da nova igreja de "ancorar" sua imagem à do templo de Jerusalém? Penso que existiram duas motivações.

A primeira foi angariar como que um "selo de aprovação" divina para a nova igreja. Afinal, foi o próprio Deus quem orientou a construção do templo original e há na Bíblia uma detalhada descrição do que foi construído (1 Reis capítulos 6 e 7). Talvez por isso quase não houve críticas à nova obra no meio evangélico - pelo contrário, a maioria das pessoas com quem tenho falado se mostra entusiasmada com o que foi feito. 

O segundo aspecto tem a ver com o modelo de religião para o qual essa nova igreja aponta: rico e grandioso. Mas esse é o modelo errado de religião para o cristianismo, como mostro a seguir. 

Foi a partir de Moisés (alguns séculos antes de Salomão) que a religião dos israelitas se tornou consolidada e sistematizada. Deus estabeleceu quem deveria ser sacerdote, a liturgia que deveria ser seguida nas cerimônias religiosas, quais festas precisariam ser comemoradas (como Yom Kippur e Páscoa) e assim por diante. 

Salomão foi o rei mais rico de Israel e foi justamente durante seu reinado que a religião adquiriu um cunho rico e grandioso. Construiu o templo de Jerusalém e conduziu ali grandes festividades, onde milhares de animais foram sacrificados. E infelizmente essa riqueza e poder gerou enormes distorções - toda vez que a religião se torna poderosa e rica, isso acaba acontecendo. 

Tanto foi assim que, cerca de 1.000 anos depois de Salomão, Jesus denunciou com vigor essas distorções, chegando a expulsar os vendedores e cambistas de moeda que operavam no recinto do templo de Jerusalém. Ele criticou muito a classe sacerdotal, que se preocupava mais em enriquecer, do que em pastorear o povo.  

Assim, se alguém procurar encontrar na Bíblia referencias a uma religião rica, para poder justificar uma igreja como aquela que acabou de ser construída, vai ter que olhar para Salomão e para os reis que o sucederam. Se olhasse para Jesus e para os seus apóstolos, jamais conseguiria justificar um prédio desse tipo.

Não é de estranhar, portanto, que a nova igreja tenha sido "ancorada" em Salomão. E é aí que reside minha perplexidade. Como uma denominação que se diz cristã toma como modelo aquilo que Salomão e seus sucessores fizeram e se esquece daquilo que o próprio Jesus criticou? 

Não faz qualquer sentido. E fico triste de precisar fazer essa constatação.

Com carinho   

sábado, 9 de agosto de 2014

UMA BOA CAUSA JUSTIFICA QUALQUER COISA?

Cerca de 69 anos atrás, os Estados Unidos jogaram, na cidade de Hiroshima (Japão), a primeira bomba atômica. O mundo da época assistiu, em estado de choque, à morte quase instantânea de dezenas de milhares de pessoas. E os efeitos posteriores da radiação ainda se fazem presentes até hoje. Dias depois, foi lançada uma segunda bomba, na cidade de Nagasaki, com resultados semelhantes.

A lógica usada pelo governo norte-americano para justificar o uso das duas bombas foi forçar a rendição do Japão, acabando de vez com a guerra e poupando milhares de vidas. Essa ainda é a posição oficial dos Estados Unidos hoje em dia. 

Portanto, a tese oficial é que foi necessário fazer algo ruim (sacrificar dezenas de milhares de vidas) para obter algo muito bom (o fim da guerra, poupando dezenas de milhares de vidas). É claro que essa conta somente faz sentido quando se considera que as vidas sacrificadas eram japonesas e as vidas poupadas de soldados americanos. Em outras palavras, para o governo norte americano a vida de um americano vale muito mais do que a vida de uma pessoa de outro país. 

Eu entendo essa posição, embora não concorde com ela, pois, pela lógica do mundo, o dever de um governo é, antes de tudo, zelar pelo bem estar do seu próprio povo. Portanto, o governo americano tinha que estar mais preocupado com seus soldados do que com o povo japonês.

E vemos a mesma lógica presente nos dias de hoje, na guerra entre Israel e os palestinos. Justificando suas ações com a defesa da segurança do seu próprio povo, Israel fez uma incursão na faixa de Gaza e matou quase duas mil pessoas, a maior parte composta de civis.    

E as discussões sobre se esse tipo de ação - se está certo ou errado - são intermináveis. No passado, muitos defenderam que os Estados Unidos deveriam fazer um bloqueio naval do Japão, não deixando passar combustíveis, alimentos e outros produtos dos quais aquele país precisava para continuar lutando, o que forçaria a rendição japonesa, evitando as bombas atômicas. Os de posição contrária respondiam que os japoneses eram fanáticos e usavam pilotos suicidas, colocando  em risco a segurança da frota naval americana. E a discussão nunca chegou a conclusão alguma.

Na guerra atual, os que são contra as ações de Israel acusam o governo daquele país de cometer um massacre. Os que defendem o outro lado alegam que Israel não pode viver com foguetes sendo continuamente lançados, pelos palestinos, sobre seu território. Mais uma vez, não se chega a nenhuma conclusão.

Considerando tudo isso, qual deve ser a posição dos cristãos? Essa não é uma resposta fácil de dar. Muitos evangélicos estão do lado de Israel, não por concordar com o governo daquele país, mas sim porque entendem que Israel tem direito divino à Palestina, pois aquele território foi dado por Deus à Abraão, Patriarca de Israel, conforme relato da Bíblia.

Eu confesso que aceito menos esse argumento "espiritual" do que o argumento secular (um governo tem obrigações antes de tudo com sua própria população). Primeiro, porque quem pode afirmar com certeza que o atual governo de Israel é o legítimo sucessor de Abraão. Ninguém pode ter certeza disso. Depois porque o Jesus que encontro na Bíblia nunca iria aprovar a morte de inocentes, seja pelo motivo que for. 

Minha posição pessoal - e você tem todo o direito de discordar dela - é que cabe ao mais forte usar de misericórdia e limitar o uso de seu poder ao estritamente necessário. Isso os Estados Unidos não fizeram com o Japão, quando lançaram as bombas, nem Israel tem feito com os palestinos. Para mim, essa é a posição que a Bíblia nos orienta a seguir.

Afinal, misericórdia é algo muito precioso para Deus. Tanto assim, que Ele a usa com cada um de nós, quando não nos pune pelos pecados que cometemos, oferecendo, em lugar da justa punição, sua Graça, representada pelo sacrifício de Jesus na cruz. É por esse caminho que deve começar qualquer raciocínio para resolver a situação atual entre Israel e os palestinos.

Com carinho 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

COMO DEMONSTRAR AMOR AO PRÓXIMO

Há muitas formas de demonstrar amor ao próximo. Algumas, como a caridade e a misericórdia, são bem conhecidas, mas outras acabam passando meio despercebidas. 

Gostaria de discutir aqui cinco formas importantes de demonstrar amor ao próximo:

1) Ouvir
As pessoas tem cada vez menos tempo e disposição para ouvir os outros. Por exemplo, o marido ocupado pode achar que a esposa perde muito tempo contando todos os detalhes do que aconteceu na sua vida ao longo do dia. Ou ainda pode ser que o chefe pense não ter tempo suficiente para ouvir as "bobagens" dos subordinados. E assim por diante.

Jesus sempre teve disposição e dedicou tempo para ouvir os outros, mesmo aqueles que eram contra ele, como os escribas e fariseus. E ouvia as pessoas exatamente porque as amava - Ele investia seu tempo nelas. 

E é isso que devemos fazer. O ato de ouvir atentamente, por si só, já é uma forma de afirmar para a outra pessoa que ela é importante.

2) Respeitar
A falta de respeito é um problema muito comum. E pode haver várias causas para isso. Por exemplo, o excesso de intimidade, como ocorre depois de vários anos de casamento. Outra causa é o desnível social: as pessoas com nível social mais elevado muitas vezes olham para as de nível inferior com falta de respeito, pois lá no fundo se acham melhores.

A Bíblia ensina que cada ser humano é digno de respeito por carregar em si o sopro da vida dado por Deus - é exatamente esse ensinamento que deu origem ao conceito de "direitos humanos". Portanto, não há como amar de fato sem respeitar. 
 
3) Orar
Orar pelas outras pessoas - interceder pelos seus problemas junto a Deus - é prova de amor. E fazer isso, quando se tem os próprios problemas batendo à porta, é prova ainda maior.

Nunca perca uma oportunidade de ajudar os outros através da oração. Nunca deixe que seus próprios problemas tornem você insensível aos que estão à sua volta. 

4) Compartilhar

É comum que as pessoas compartilhem seus problemas umas com as outras. Mas muito menos comum é compartilharem as coisas boas. 


Por exemplo, muitas pessoas resolvem reservar para si mesmas e aqueles poucos(as) a quem amam os bens que conseguiram amealhar - dinheiro, casa de praia, etc. 

Outras pessoas se recusam a compartilhar os seus conhecimentos. Por isso é comum nas empresas que determinadas coisas somente sejam conhecidas por algumas poucas pessoas, que guardam essas informações zelosamente para manter seu "poder". Também é comum tentar manter para si mesmo(a) as informações que podem gerar vantagens, como a referencia das lojas onde é possível fazer compras a preço baixo (se a notícia se espalhar, outras também vão querer aproveitar e os preços vão acabar subindo). 

Dividir o próprio tempo com aqueles que precisam - de um conselho, de ajuda física, etc - é outra forma de demonstrar amor. Deixar o próprio conforto ou interesses por colocar à frente os outros(as) é prova fundamental de amor. Mas infelizmente isso é pouco comum - é mais fácil conseguir que as pessoas doem dinheiro do que seu tempo à obra de Deus. 

E nunca esqueça que o outro nome que damos para quem guarda apenas para si e uns poucos queridos aquilo que tem de bom é simplesmente egoismo.

5) Reconciliar-se
Perdoar e reconciliar-se são coisas diferentes: o perdão pode vir sem reconciliação e às vezes é necessário que seja assim. 

Mas aquelas pessoas que têm capacidade de perdoar e realmente deixar para trás aquilo que as magoou, retomando o relacionamento em bases zeradas, demonstram enorme capacidade de amar. Afinal, reconciliar-se é muito mais difícil do que apenas perdoar.

Ouvir, respeitar, orar, compartilhar e reconciliar-se são formas bem avançadas de demonstrar amor pelo próximo. E ter capacidade de exercê-las é sem dúvida indicação de grande maturidade espiritual.

Com carinho

terça-feira, 5 de agosto de 2014

DESAFIOS PARA INTERPRETAR A BÍBLIA

A Bíblia é a Palavra de Deus, a revelação que deu para os seres humanos sobre uma série de coisas muito importantes, tais como a forma do ser humano se relacionar com Ele, o que é certo (ou errado) fazer e assim por diante. Trata-se de um livro fundamental para os cristãos, pois toda sua fé é construída em cima dos ensinamentos nele contidos. 

Sendo assim, a capacidade de interpretar corretamente os textos bíblicos é de grande importância. Uma interpretação errada, mesmo que feita com as melhores intenções, pode ser um desastre. Por exemplo, veja os depoimentos colocados neste blog sobre a questão do divórcio, que muitos cristãos consideram pecado - as pessoas separadas que pensam assim sofrem muito, especialmente se entram em outros relacionamentos. 

Gostaria de concentrar este post em dois aspectos importantes da interpretação bíblica. São verdadeiros desafios que todas as pessoas enfrentam no processo de interpretar bem a Bíblia.

O desafio da passagem do tempo
O primeiro desafio tem a ver com a passagem do tempo. Isso porque não há como deixar de reconhecer que a Bíblia retrata os costumes da época em que os autores dos seus textos viveram  - entre 2.000 e 3.500 anos atrás. 

Essa ancoragem numa época bem antiga gera o desafio de saber usar ensinamentos originalmente dirigidos para o povo daquele tempo nos dias de hoje, pois quase tudo mudou. Por exemplo, na época em que os Dez Mandamentos foram dados a Moisés, a sociedade admitia poligamia. Ora, num ambiente assim, é claro que a questão do adultério era encarada de forma diferente da hoje hoje. 

Outro bom exemplo refere-se aos contratos de casamento. Nos tempos bíblicos eram feitos com base em negociações entre o homem que tinha posse de uma mulher (seu pai ou irmão mais velho) e o candidato à mão dela (ou seu representante). Essas negociações sempre envolviam pagamentos, pois se tratava essencialmente de um negócio - não havia qualquer espaço para considerar os eventuais sentimentos do casal um pelo outro. Hoje as pessoas buscam essencialmente encontrar a própria felicidade no casamento, através do “par perfeito”. 

E se essa felicidade não for encontrada, as pessoas se sentem livres para romper o vínculo matrimonial e tentar novo casamento. Ora, isso era impossível na época bíblica, quando a mulher sempre era propriedade de alguém - depois de casada, pertencia ao marido. Portanto, é preciso muito cuidado ao transportar para os dias de hoje as regras de vida sobre o casamento que foram estabelecidas na Bíblia. Simples assim.  

O mesmo pode ser dito sobre uma série de outras coisas, como a moralidade sexual, a compra de propriedades, a forma de governo ou a organização da religião. 

As diferenças na forma de viver são tantas que é até surpreendente os ensinamentos bíblicos continuarem relevantes para as pessoas hoje em dia. E acredito que isso somente acontece por duas razões simples. A primeira é que a essência dos seres humanos não mudou ao longo do tempo – seus desejos, suas falhas de caráter (inveja, cobiça), etc são os mesmos hoje que eram milhares de anos atrás. 

A segunda razão é os textos bíblicos nasceram de uma iniciativa de Deus, sendo assim seus escritores foram inspirados a escrever coisas que seriam sempre relevantes. Nesse sentido, a Bíblia não deixa de ser um pequeno milagre com o qual temos contato diariamente.

Concluindo, sempre que olharmos para os textos bíblicos é preciso perguntar qual é o significado que eles teriam para as pessoas da época em que foram escritos e construir, a partir daí, o sentido correto para os dias de hoje.

O desafio do tipo literário
Há outro desafio para a interpretação correta dos textos bíblicos. Trata-se da existência de diferentes tipos literários entre os 66 livros que compõem a Bíblia, como poesia (Salmos), relatos históricos (por exemplo, Êxodo, Samuel, Reis ou Atos dos Apóstolos), pensamentos (Eclesiastes e Provérbios), visões (Apocalipse), estudos teológicos (Romanos) e até literatura erótica (Cantares de Salomão). É um conjunto bem variado e interessante.

Acho que ninguém tem dúvida que não se deve interpretar uma poesia da mesma forma que um texto histórico. Poesias usam linguagem simbólica para passar seu significado, enquanto um texto histórico pretende apenas descrever, da forma mais fiel possível, como determinados fatos ocorreram. São propósitos diferentes.

Por conta disso, um texto histórico deve ser interpretado literalmente, isso é entendido exatamente como foi escrito. Assim, se está escrito que o rei montou num cavalo, a interpretação correta é que uma pessoa subiu num animal para se locomover de um lado para o outro. Já se o mesmo está escrito numa poesia, o significado correto pode se referir a coisa bem diferente. Um bom exemplo são os 4 cavalos descritos no Apocalipse que significam morte, fome, guerra e peste.

Infelizmente o tipo literário muitas vezes não é levado em conta quando as pessoas tentam interpretar a Bíblia. Já cansei de ver pregadores lerem um salmo (poesia) e buscarem nele a descrição de um fato. Por causa disso, há pessoas que pensam que Deus tem braços ou olhos porque há salmos que dizem para nos “aninharmos nos braços do Pai” ou sabermos que “seus olhos enxergam tudo”.

Palavras finais
Concluindo, quando você estudar um texto da Bíblia sempre leve em conta esses dois aspectos: a diferença entre os costumes da época e os costumes atuais, e a variação de estilos literários. São providencias simples que podem interpretações da Bíblia totalmente erradas. 

Com carinho

domingo, 3 de agosto de 2014

COMO CONFIAR MAIS EM DEUS

Por favor, leia este mesmo post no meu novo site http://www.sercristao.org/2014/08/03/como-confiar-mais-em-deus/ . 

Meu pai teve um grande amigo, que conheceu na igreja que ambos frequentaram durante muitos anos. Meu pai ajudou muito esse amigo, que vinha de família pobre. Era uma amizade que parecia ser para toda a vida.

Mas o tal amigo traiu nossa família de maneira vergonhosaFoi um choque tão grande, que meu pai ficou doente por um tempo. Afinal, ser traído por pessoa na qual se confia muito é extremamente doloroso - só quem já passou sabe o estrago que esse tipo de coisa pode fazer. 

Essa crise na vida da minha família ensinou-me bem cedo - tinha cerca de 14 anos apenas - a importância de escolher as pessoas certas em quem confiar. Isso porque somos vulneráveis em relação às pessoas em quem confiamos. E esse é um risco presente na vida de cada um de nós.

Como adquirimos confiança em alguém
Depositamos nossa confiança aos pés de determinada pessoa somente depois de algum tempo de convivência com ela. Durante essa "fase de teste", avaliamos o seu caráter, construindo uma imagem mental de quem ela é, e aí definimos se essa pessoa é (ou não ) digna da nossa confiança. Os testemunhos de outros amigos e parentes sobre aquela pessoa também acaba por ter muita influência na construção da imagem dela.  

Portanto, adquirimos confiança, na verdade, nessa imagem. E infelizmente muitas vezes essa imagem se mostra distante da realidade e aí sentimos que nossa confiança foi violada. 

E é interessante perceber que, quando isso acontece, não culpamos a nós mesmos pelo erro de julgamento, ao construirmos uma imagem errada, e sim a pessoa que teria "traído" nossa confiança. 

O problema é que frequentemente vemos nos outros aquilo que queremos ver. Por exemplo, uma pessoa solitária e carente pode acabar imaginando haver amor sincero nos atos de alguém que se aproxima dela, usando palavras carinhosas, mas movido apenas por interesse material.

Assim, muitas vezes escolhemos confiar em quem não merece essa confiança. E pagamos o preço por isso.


Confiando em Deus
A confiança que depositamos em Deus passa pelo mesmo processo. Tudo se apoia na imagem que construímos de Deus com base nas nossas experiências de vida com Ele. Nessa caso, as experiências são as leituras que fazemos da Bíblia, as pregações que ouvimos, as respostas de oração que obtivemos, os testemunhos de outras pessoas sobre a ação d´Ele nas suas vidas e assim por diante. 

Naturalmente, o conteúdo das informações colhidas e a forma como cada um de nós processa esses dados varia muito e assim acabamos construindo imagens muito diferentes de Deus - Ele é um só mas cada um de nós olha-o de forma diferente.

Assim, uns poucos têm confiança quase ilimitada n´Ele – igual àquela que uma criança pequena tem no seu pai ou na sua mãe. Já a maioria de nós confia em Deus de forma limitada. Não deveria ser assim, mas essa é a realidade.

E é possível aferir o tamanho da confiança que cada pessoa deposita em Deus pelas dúvidas que ela têm. Em outras palavras, as perguntas que cada pessoa costuma fazer a si mesma e aos outros sobre Deus são um bom indicador do seu grau de confiança n´Ele. 

Não estou dizendo que é errado ter dúvidas e questionar. Dúvidas são naturais na caminhada espiritual de cada um de nós e Deus compreende e aceita isso. Afirmei apenas que a natureza dessas dúvidas e as respostas que encontradas para elas refletem bem a imagem que cada um construiu de Deus e, portanto, o grau de confiança depositado n´Ele. Simples assim. 

Vejamos dois tipos comuns de dúvidas e o que elas significam no que tange à forma como a pessoa vê a Deus: 

  • Dúvida 1                                                                 Como é possível que fulano, que não segue os ensinamentos da Bíblia, seja mais abençoado do que eu, que sou um cristão sincero(a)? Essa pergunta denota falta confiança na capacidade de Deus de retribuir as pessoas de forma justa (sua justiça). Pode também caracterizar uma falta de confiança no amor d´Ele - “se Ele me amasse mesmo, não me permitiria ficar nessa situação”.
  • Dúvida 2                                                                    Por que Deus estabeleceu um plano de vida que me traz tanto sofrimento? A dúvida aqui se refere à sabedoria e à eficácia de Deus. Ele deveria saber melhor o que a pessoa precisa e agir de acordo com essa necessidade. Pode também caracterizar falta de confiança no amor Deus.


A imagem que construímos de Deus e, portanto, a confiança que depositamos n´Ele, vão mudando ao longo do tempo, junto com o amadurecimento espiritual da pessoa. É um processo e não uma situação estática - podemos crescer (ou diminuir) nessa confiança.

Agora, por que a maioria das pessoas tem tanta dificuldade em confiar em Deus? Uma possível resposta é que as pessoas conhecem pouco sobre a real natureza de Deus e como Ele escolheu agir nesse mundo. 

Outra possibilidade é que elas ainda não construíram uma experiência pessoal real com Ele - há pouca coisa em comum entre essas pessoas e Deus. E assim elas têm dificuldade em entender as mensagens que Deus lhes transmite e acabam interpretando de forma errada os seus atos. 

Essas pessoas, bem lá no fundo, pensam que Ele sabe muito, mas não sabe tudo e, sendo assim, talvez haja algumas coisas que elas conhecem melhor do que Deus, especialmente as que se referem às suas próprias vidas. Ou talvez sintam que Ele controla muita coisa, mas não tudo e aí precisam se garantir, controlando algumas coisas por si mesmas. Ou ainda imaginam que Ele é justo, mas não totalmente, pois pessoas boas sofrem, enquanto pessoas ruins prosperam. 


Palavras finais

Confiança limitada em Deus é muito comum - a maioria esmagadora das pessoas pensa assim. E enquanto essa confiança não se solidifica, a fé da pessoa fica muito limitada. 

Você quer melhorar sua vida espiritual? Acredito que sim. Então, você precisa confiar mais em Deus. E precisa trabalhar nesse sentido. 


Comece fazendo um autoexame sincero e identifique porque sua confiança em Deus não é aquela que deveria ser. Onde sua desconfiança nasce? Será no senso de justiça de Deus? Na sua sabedoria? No seu amor? 


Entendida a origem do problema, procure trabalhar as lacunas que percebeu. Converse com outras pessoas sobre essas questões - pergunte a elas como fizeram para chegar lá e aprenda com a experiência delas. Procure neste blog posts onde discuto e esclareço diversas dessas dúvidas - como Deus age no mundo, como exerce seu amor, etc. Estude sempre a Bíblia pois nada substitui uma experiência pessoal com a Palavra de Deus. E, finalmente, ore sempre - confesse suas dificuldades para Deus e peça a ajuda d´Ele. 

Pode ter certeza que sua vida espiritual vai mudar muito e para melhor.

Com carinho

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

E QUANDO DECEPCIONAMOS OS OUTROS...

Jesus passou por duas grandes crises pessoais ao longo dos trinta e poucos anos de sua vida. Uma delas teve a ver com sua família e a outra com seus seguidores. Ambas causaram ferimentos emocionais em Jesus, conforme podemos depreender da leitura da Bíblia. 

E o que aconteceu com Jesus não é muito diferente do que pode vir a acontecer (ou está acontecendo) comigo ou com você. Daí a importância de estudar o que aconteceu com Ele, para podermos aprender ensinamentos valiosos.

Os papéis que desempenhamos na sociedade
Mas antes de tudo, preciso falar sobre o conceito dos "papéis" desempenhados por determinada pessoa dentro da sociedade. 

Todos desempenhamos vários papéis: pai(mãe), filho(a), funcionário(a), amigo(a), chefe, etc. E passamos a vida tentando conciliar os compromissos que esses papéis geram, ora dando mais atenção a um papel ora a outro. 

Crises relacionadas com um ou mais desses papéis podem gerar problemas sérios, impactando toda a vida da pessoa. Por exemplo, uma mãe em crise com sua filha adolescente pode perder até a alegria de viver.

É importante entender que os papéis vividos por qualquer pessoa estão sempre mudando - por exemplo, não posso ser o mesmo pai que já fui, pois hoje meus filhos são adultos. Novos papéis vão sendo acrescentados (por exemplo, um recém casado agrega o papel de "esposo" à sua vida), enquanto outros papéis desaparecem (por exemplo, meus pai morreram e eu deixei de ser filho). 

E que muitas vezes há conflitos entre os diferentes papéis - por exemplo, para a pessoa ser um(a) funcionário(a) extremamente bem sucedido(a) talvez ele(a) tenha que sacrificar seu papel de pai(mãe). 

Crises relacionadas com expectativas erradas
Esse tipo de crise aparece quando aqueles(as) no entorno de determinada pessoa - família, amigos, colegas de trabalho, etc - por algum motivo criam expectativas muito diferentes dela mesma sobre determinado papel. Aí cria-se um abismo entre a expectativa externa e o pensamento da própria pessoa a respeito da execução desse papel. 

Por exemplo, se a concepção de certo homem sobre o que é preciso fazer para ser um bom pai for muito diferente daquilo que a sociedade espera dele, ele passará a ser criticado e, no limite, poderá até sofrer um processo judicial, perdendo a guarda de seus filhos. Não importa quais sejam as intenções desse pai, a diferença de expectativas certamente vai impactar sua vida. 

Da mesma forma, se os frequentadores de uma igreja tiverem uma percepção muito diferente do seu pastor quanto à forma correta de um ministro de Deus agir, pode até acabar havendo uma ruptura no relacionamento desse pastor com sua congregação - já vi isso acontecer várias vezes.

Jesus passou por duas crises geradas por diferenças de expectativas entre o que as pessoas pensavam e o que Ele entendia ser o certo a fazer em relação a dois papéis cruciais na sua vida, um deles relacionado com sua família e outro com seu ministério. Vamos começar discutindo a crise familiar.

Jesus era o filho mais velho e, assim, todos os seus familiares e amigos próximos entendiam caber a Ele cuidar da sua família depois da morte do pai (José). E Jesus fez isso por bom tempo, até mais ou menos os 30 anos. 

Mas a partir daí, seu ministério na obra de Deus passou a ter prioridade e Ele deixou tudo para trás, tanto seu trabalho como sua família. Foi como se, em dado momento, Ele tivesse assumido que sua missão com a família estava cumprida e houvesse outra missão mais importante à sua frente. 

É óbvio que sua família não se conformou e tentou de todas as formas trazê-lo de volta, inclusive alegando que Jesus não gozava de suas faculdades normais. Isso gerou uma grande tensão, ao ponto que, quando sua família chegava onde Jesus estava e era a anunciada, Ele afirmava que sua família verdadeira era composta por aqueles que o seguiam (Mateus capítulo 12, versículos 46 a 50). 

A outra crise de papel que Jesus enfrentou teve a ver com seu ministério. A sociedade judaica esperava havia séculos a chegada de um líder, o Messias, para libertá-la do jugo dos dominadores que, sucessivamente, iam se revezando na tarefa de oprimi-la - no tempo de Jesus, os romanos eram os opressores. 

Quando Jesus começou a ser reconhecido por alguns judeus como o Messias tão esperado - por exemplo, no Domingo de Ramos, quando Ele entrou em Jerusalém saudado por todos -, as pessoas passaram a esperar que Ele preenchesse o papel de Messias conforme o entendiam - um líder militar que iria promover uma revolta armada. 

Mas, Jesus preencheu o papel de Messias de forma totalmente diferente - Ele veio para falar da libertação do ser humano do pecado, dar às pessoas acesso à salvação e inaugurar a chegada do Reino de Deus na terra. Por causa disso, muitos dos seus seguidores se decepcionaram (João capítulo 6, versículos 60 a 66) e alguns, como Judas Iscariotes, até se voltaram contra Ele. 

O ensinamento que fica
Todos, incluindo você e eu, vivem crises de papéis geradas pelas diferenças entre as expectativas daqueles(as) em volta e as que estabelecem para si mesmos(as). O que fazer quando você passa por esse tipo de situação? 

Primeiro é preciso ver de onde vem essa diferença de expectativas: por que as pessoas esperam de você algo que vai além da sua capacidade ou vontade de fazer?  

Se a diferença de ponto de vista dever-se ao fato que você tem uma expectativa errada do que deva fazer para cumprir bem determinado papel, a Bíblia ensina que cabe a você ter humildade, reconhecer seu erro e mudar. Em outras palavras, você precisa corrigir seus caminhos.

Mas há outra possibilidade: a diferença de expectativas pode dever-se a erros de percepção daqueles que estão à sua volta, como aconteceu com Jesus. E pode ser que, por conta disso, você sofra críticas injustas. 

Lembro-me do caso de uma mulher que se converteu a Jesus e o marido não. Aquele homem era machista e esperava que a mulher estivesse sempre à sua disposição. E como a esposa passou a ir à igreja aos domingos pela manhã, o marido ficou ressentido e começou a reclamar e fazer ameças. Suas reclamações encontraram apoio junto ao seu sogro e sua sogra, preocupados que a filha viesse a perder um bom marido por conta do seu "erro" de conduta. E a pobre mulher foi pressionada de todos os lados, o que gerou muito sofrimento para ela.

Quando você enfrentar uma situação em que as pessoas esperem de você aquilo que não seja justo ou correto, é preciso seguir o exemplo de Jesus. Continuar a fazer o que é certo e confiar que Deus haverá de mudar as circunstâncias que o afetam. 

Por isso Jesus não mudou seu ministério para torná-lo mais adequado ao gosto dos judeus daquela época - continuou a desempenhar sua missão da forma como Deus definira. Da mesma forma, não mudou o que precisava fazer por conta das pressões da sua família. Persistiu no seu caminho. E o mesmo fez a esposa do exemplo que dei acima - resistiu a todas as pressões, até que o marido se converteu.

Portanto, não mude sua vida naquilo que está certo para satisfazer as opiniões e as pressões daqueles(as) que estão à sua volta. É claro que isso tem um preço, pois há grande desconforto em decepcionar as pessoas, especialmente aquelas de quem gostamos. Mas mudar apenas para ficar bem com os outros é ainda pior. 

Se você estiver vivendo esse tipo de situação, fique firme e peça ajuda a Deus para suportar as pressões. Resista e pode ter certeza que a vontade de Deus na sua vida vai prevalecer, sempre.

Com carinho