domingo, 31 de agosto de 2014

A DANÇA COM DEUS

Uma boa forma de visualizar a relação do ser humano com Deus é de um casal dançando. 

E é Deus, através do Espírito Santo, quem se aproxima e "tira a pessoa para dançar". A iniciativa da relação precisa caber a Ele pois o ser humano, deixado por conta própria, nunca vai dar os passos necessários para se aproximar de Deus. 
  
Mas a pessoa precisa aceitar o convite. Afinal, o livre arbítrio lhe dá essa possibilidade de escolha, inclusive a de se recusar a "dançar", como acontece, por exemplo, com os ateus. E quando a pessoa aceita o convite do Espírito Santo e se aproxima de Deus, aceitando Jesus como seu Senhor e Salvador, a "dança" começa de fato. 

A dança é uma boa metáfora para a relação entre o ser humano e Deus porque nela os parceiros precisam ficar atentos e reagir adequadamente aos movimentos um do outro. É preciso haver harmonia para ser possível dançar bem. 

Os parceiros precisam estar de acordo quanto a uma série de coisas: o ritmo a ser seguido, quem guia (e quem é guiado), a duração da dança, a distância que vão guardar um do outro e assim por diante. 

O ser humano sempre tem voz ativa no que vai acontecer na sua relação com Deus. Definirá, em boa parte, o tipo de "dança" que será vivida. Pode "dançar" um pouco e parar. Recomeçar, no momento que desejar. Pode "dançar" de forma fria e distante, como se cumprisse uma obrigação. Ou pode se entregar de corpo e alma. 

Deus é um parceiro especial: sempre atento e desejoso de se relacionar bem. Ele nunca perde o interesse na "dança", mesmo tendo sido rejeitado anteriormente. E responde ao estímulo da pessoa: caso ela se aproxime mais, Deus fará o mesmo. 

Agora, a harmonia da "dança" só vai ocorrer de fato se a pessoa entender que cabe a Deus guiar, e a ela, seguir. Sempre. Pois quando o ser humano tenta liderar a "dança", os resultados nunca são são bons. 

Vou dar um exemplo tirado da Bíblia. Deus tinha prometido a Abraão que lhe daria um filho, embora ele e sua mulher já fossem velhos. Como a promessa demorou a se realizar, Sara, mulher de Abraão, resolveu "ajudar" a Deus - assumir a liderança na "dança". 

Sara deu sua escrava, Hagar, para Abraão, imaginando que a moça pudesse gerar um filho. E Hagar gerou Ismael. Mas, anos depois, quando a promessa de Deus se cumpriu, e Sara teve seu filho, Isaque, estabeleceu-se uma rivalidade entre as duas mulheres. E a situação somente acabou resolvida quando Hagar foi exilada. E muitos problemas foram gerados a partir daí.

Quando se "dança" com Deus, é preciso lembrar que Ele não somente deve guiar, como também foi quem contratou a "orquestra" e providenciou a "comida e bebida". Tudo ocorre por sua causa e iniciativa.

Esteja disponível para participar dessa "dança". Entre nela com vontade e dedicação. E nunca saia do "salão de baile", deixando-se distrair por outras prioridades. E aprenda a depender da liderança com Deus. Será melhor assim, pode ter certeza. 

Com carinho

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A FÉ DO ATEU


Existe um livro muito interessante, escrito por Norman Geisler, cujo título já diz tudo: “Não tenho fé suficiente para ser ateu”. 

A tese que originou o livro é que os ateus têm também uma forma de fé, pois acreditam  que o universo físico é tudo que existe e que não foi necessário haver uma força maior (Deus) para sua criação.  Os ateus ainda acreditam que, não havendo um criador, o universo é fruto do mero acaso

Parece-me que essa é uma crença e tanto. E muito, mas muito, mais difícil de sustentar do que a fé em Deus. 

Recentemente, li um artigo numa revista científica e fiquei surpreendido quando o autor, um cientista ateu, defendeu um ponto de vista parecido. Ele reconheceu que praticamente todos os aspectos do mundo moderno são governados por equações matemáticas que traduzem leis físicas. 

Por exemplo, os chips de memória dos computadores, hoje presentes em tudo, de celulares a fogões, nunca poderiam ter sido projetados sem uma equação chave da mecânica quântica, descoberta por um homem chamado Schrödinger. Os sinais de rádio, televisão, telefone celular, etc, não poderiam existir sem as equações descobertas por Maxwell. Os transportes (carros, aviões, satélites, etc) dependem das leis do movimento descobertas por Newton. A transmissão de calor é dominada pela transformada de Fourier. E assim por diante. 

Sem a descoberta dessas inúmeras leis físicas, e sua codificação em equações matemáticas, a maior parte da tecnologia moderna não existiria. 

Agora, é razoável imaginar que tudo isso foi gerado pelo acaso? Que não havia uma mente extremamente poderosa por trás? Confesso que não tenho fé bastante para crer nisso. 

Portanto, parece lógico admitir que houve sim uma mente por trás de toda essa ordem e é a essa mente, infinitamente poderosa, que chamamos de Deus Criador. 

Lembre-se disso quando conversar com um ateu. Faça esse raciocínio para ele. Você poderá ajudá-lo a entender uma verdade que talvez nunca lhe tenha ocorrido.

Com carinho

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

DEUS SÓ AJUDA A QUEM SE AJUDA?

Pensar que Deus somente ajuda a quem se ajuda faz todo o sentido. Portanto, a resposta para a pergunta que dá título a este post parece ser SIM. E acredito que muitos cristãos(ãs) concordam com essa declaração - afinal, esse tipo de pensamento está muito presente nas igrejas evangélicas. 

O interessante é que a frase "Deus ajuda a quem se ajuda" foi criada por um pagão, o escritor grego Esopo. Na origem, ele se referiu a "deuses", no plural, pois os gregos acreditavam em várias divindades (eram politeístas). Ela foi popularizada na cultura ocidental, quando o plural foi trocado pelo singular, por Benjamim Franklin, grande cientista (inventou o para-raios) e importante político norte americano, que nem cristão era de fato. 

Portanto, essa ideia não nasceu na Bíblia. Mas será que ela encontra suporte ali? Para responder, vou usar como ponto de partida uma parábola que Jesus contou (Lucas capítulo 15, versículos 3 a 7):
"...Se você tivesse 100 ovelhas e uma delas se perdesse, não deixaria as outras 99, para ir à procura da perdida até conseguir encontrá-la? E quando a encontrasse você a carregaria nos ombros, todo alegre e viria para casa... Ora, da mesma forma há muito mais alegria no céu por causa de um pecador que volta para Deus..."  
Essa parábola se refere a nós e mostra como o Espírito Santo vai atrás de cada pessoa com o objetivo de salvá-la. Deus ama a cada um de nós e quer que venhamos a estar com Ele - essa é a base para a salvação humana. 

Mas repare que a "ovelha perdida" nada fez (e nem poderia fazer) para se ajudar. A ovelha é um animal frágil e morre se deixada por pouco tempo sem os cuidados necessários. Ela foi simplesmente achada e trazida para casa.  

É claro que Deus espera que façamos aquilo que está a nosso alcance em cada situação que enfrentamos - afinal, Ele não aprecia pessoas preguiçosas e/ou acomodadas. 

Agora, fazermos o que está a nosso alcance em determinada situação não significa que influenciamos de fato o resultado final. Na verdade, em muitas situações, pouco podemos fazer face às nossas limitações. 

E o melhor exemplo é a salvação. Simplesmente não podemos salvar a nós mesmos - esse seria o caso se pudéssemos realizar boas obras em quantidade suficiente para nos dar merecimento para estarmos junto a Deus. Mas não podemos e por causa disso dependemos da Graça de Deus, caracterizada pelo sacrifício de Jesus Cristo por nós na cruz.

Em outras palavras, somos mesmos "ovelhas perdidas" que precisam ser encontradas e trazidas para casa, caso contrário morreremos. E todo trabalho de salvamento cabe ao pastor (Deus).

Portanto, no que tange à coisa mais importante das nossas vidas (a salvação), nossa dependência de Deus é total. E o mesmo pode ser dito em relação a várias outras coisas fundamentais. Por exemplo, o universo foi criado por  Deus e é Ele que sustenta tudo que existe. Sem Deus, nada existiria, e a humanidade nada poderia fazer a respeito.

É claro que há diversas áreas das nossas existências onde nossa ação pode fazer diferença - por exemplo, se você trabalhar de forma séria e dedicada terá maiores chances de ter sucesso profissional. Mas isso não pode ser generalizado, pois em coisas fundamentais dependemos única e exclusivamente de Deus. 

A frase original, na verdade, se apoia na percepção de que o ser humano pode juntar mérito suficiente para justificar tudo aquilo de bom que venha acontecer com ele(a). Mas isso simplesmente não é verdade. Dependemos da Graça de Deus muito mais do que percebemos à primeira vista. Simples assim.

Com carinho

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O RESULTADO DAS BOAS INTENÇÕES

Acabei de ler uma entrevista do Guga, o maior tenista da nossa história, onde ele falou sobre sua vida depois de abandonar as quadras. Ele comentou, em especial, sobre as sequelas que o esporte de alto rendimento deixou no seu corpo.

As atividades de alto rendimento normalmente acabam por ser prejudiciais. Vários ex-atletas famosos são testemunhas disso. Por exemplo, o ex-tenista André Agassi declarou que sofre dores tão fortes a ponto de não conseguir pegar direito os filhos no colo.

Acho que há dois pontos importantes sobre os quais vale a pena refletir aqui. O primeiro é: uma coisa boa pode se tornar prejudicial dependendo de como ela é feita. No exemplo do esporte, a fronteira entre o bem e o mal é a intensidade - atividades físicas em excesso, praticadas por muito tempo, acabam por destruir partes do corpo humano, como as articulações.

E assim também ocorre com a religião. Frequentar uma igreja e trabalhar na obra de Deus é uma coisa excelente. Mas fanatismo religioso é ruim e causa prejuízo. É o fanatismo que leva às perseguições, à intolerância, à violência e outras coisas ruins. 

A questão, portanto, é saber onde está a fronteira entre o bem e o mal. Esse é um tema que já tratei em outros posts e não tenho espaço para desenvolvê-lo aqui, mas não deixe de tentar refletir sobre ele.

O segundo ponto que merece ser lembrado é: boas intenções apenas não garantem bons resultados. Um atleta busca ganhar dinheiro para si e sua família e trazer alegria para milhões de torcedores. Nada disso pode ser considerado ruim - são intenções perfeitamente justificáveis. Mas na busca desses objetivos a pessoa pode acabar destruindo seu corpo. 

É por isso que o ditado "a estrada para o inferno está pavimentada de boas intenções" é uma verdade. Boas intenções somente garantem resultados adequados se estiverem alinhadas com a vontade de Deus. Simples assim. 

Com carinho   

sábado, 23 de agosto de 2014

AUTO-AJUDA OU AJUDA DO ALTO

Livros e palestras de auto-ajuda são extremamente populares hoje em dia. Os autores mais conhecidos acabam ricos e famosos tal o interesse do público por esse tipo de trabalho. Mas o que a Bíblia tem a ensinar a respeito da auto-ajuda? Ela deve ser considerada certa ou errada? É o que vamos discutir a seguir.

Na verdade, há aspectos positivos e negativos na auto-ajuda. O aspecto positivo tem a ver com o incentivo ao auto-conhecimento. E isso faz sentido pois o primeiro passo para qualquer mudança positiva é o entendimento de quais são os problemas a serem enfrentados. Portanto, o incentivo para a pessoa examinar-se a si mesma, entender onde estão suas dificuldades e se preparar para mudar é positivo e essa prática é apoiada pela Bíblia. Mas, a partir daí, os caminhos seguidos pelos textos de auto-ajuda e a Bíblia são bem diferentes. 

A auto-ajuda procura encontrar e liberar o potencial que as pessoas têm e que não usam de forma adequada. Essa é a abordagem seguida pelos maiores mestres dessa linha de pensamento. E isso explica a popularidade da auto-ajuda. Afinal, as pessoas gostam da ideia que podem fazer mais, muito mais, e voar mais alto. Que são mais poderosas do que conseguem imaginar. Que podem se tornar auto-suficientes.

A Bíblia discorda. Ela ensina que a natureza humana é voltada para o pecado e que somente a Graça de Deus pode colocar e manter a pessoa no caminho certo e dar-lhe condições para conseguir bons resultados. 

Assim, a pessoa precisa reconhecer as próprias fraquezas, arrepender-se delas e entregar seus caminhos a Deus. A partir daí, será transformada para melhor e ajudada por Ele na superação das suas dificuldades.

Nesse sentido, a Bíblia ensina que a pessoa não pode realmente se auto-ajudar. Pode apenas escolher aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador e perseverar nesse caminho. O resto cabe a Deus fazer. 

Um bom exemplo do que acabei de falar é a situação que Moisés viveu. A Bíblia conta que ele foi escolhido por Deus para liderar o povo de Israel na libertação da escravidão que vivia no Egito. Essa missão foi revelada a Moisés numa visão que lhe foi dada no Monte Sinai. Naquela oportunidade, Moisés respondeu que não poderia fazer o que Deus estava pedindo pois tinha dificuldade para falar em público (era gago). 

Ora, num modelo de auto-ajuda, Deus teria incentivado Moisés a liberar seu potencial interior, superando sua limitação. Mas não foi isso que Deus fez: Ele escalou Aarão, irmão de Moisés, para servir de porta-voz. Aarão falava bem e ajudou Moisés a convencer o povo de Israel.

As duas abordagens buscam um objetivo comum: ajudar a pessoa a superar seus problemas. Uma delas, a auto-ajuda, procura fazer isso dando auto-confiança às pessoas para superarem suas limitações e tornando-as auto-suficientes. 

Já a outra abordagem, a bíblica, coloca a pessoa nas mãos de Deus, dando a Ele a primazia na solução dos problemas. É claro que a pessoa sempre será chamada a fazer sua parte, mas a resposta final virá mesmo de Deus.

A consequência dessas duas abordagens é bem diferente. Se é a pessoa que resolve seus próprios problemas, contando apenas com as próprias forças, ela deve se sentir feliz e orgulhosa pelo sucesso alcançado. Não precisará agradecer a ninguém, além dela mesma. 

Agora, se cabe a Deus a orientação e a criação de condições para solução dos problemas, a pessoa deverá ser grata a Ele. Precisará reconhecer que depende sempre da Graça de Deus. 

A auto-ajuda, de certa forma, acaba por levar a pessoa para longe de Deus, ao tentar torná-la auto-suficiente. E aí reside o enorme perigo dessa abordagem. Afinal, nenhum caminho que torna a pessoa independente de Deus é aconselhável e bom. 

PS Agradeço à Mariana a dica para este post.

Com carinho   

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

UM LIVRO MARAVILHOSO

Anne Frank foi uma adolescente judia que viveu em Amsterdã, capital da Holanda, durante a segunda guerra mundial. Quando a perseguição nazista começou, sua família (ela, o pai, a mãe e uma irmã) se escondeu num sótão de uma casa, cuja entrada foi disfarçada por uma parede falsa. Uma outra família de judeus (pai, mãe e irmão) se juntou a eles no esconderijo. 

Essa casa, inclusive o sótão, pode ser visitada em Amsterdã, no Museu Anne Frank. Tive oportunidade de conhecer aquele local e confesso que foi uma das experiências mais emocionantes da minha vida.

As duas famílias viveram escondidas durante alguns anos, ajudadas por amigos holandeses abnegados, que lhes levavam comida, roupas e as demais coisas de que necessitavam. É impressionante que tenham conseguido se manter escondidos por tanto tempo.

Acabaram presos pelos nazistas e mandados para um campo de concentração, onde foram mortos, exceto o pai de Anne - a adolescente morreu poucos meses antes do campo de concentração onde estava presa ser libertado pelos soldados aliados. 

Durante seu período no esconderijo, Anne escreveu um diário, onde falou da vida que viveu ali, dos seus sonhos, do encontro do amor (apaixonou-se pelo filho da outra família) e de suas angústias. O diário foi encontrado por uma amiga, depois que as famílias foram presas. O último texto do diário foi escrito exatamente 70 anos atrás, o que deu origem a muitas comemorações no mundo inteiro.  

Depois que o pai de Anne foi solto do campo de concentração, ele organizou o material encontrado e o publicou. "O diário de Anne Frank" tornou-se um sucesso mundial e deu origem a filmes e peças de teatro. Pode ser encontrado com facilidade em português. Se você puder, não deixe de lê-lo. Garanto que será uma experiência inesquecível. 

O legado que Anne deixou para todos nós não tem preço. É uma lição de vida e uma prova que o ser humano pode criar algo belo e bom mesmo nas condições mais difíceis. 

Com carinho

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A FORÇA MAIS PODEROSA DO MUNDO

Damian Aspinall é um especialista em cuidar de animais. Ele criou um filhote de gorila num zoológico britânico, desde o nascimento do animal, até quando foi solto na selva (já adulto). Cinco anos depois, Damian resolveu visitar Kwibi (o nome daquele gorila) no seu habitat, na selva africana. Damian queria saber se Kwibi iria reconhecer quem o tratou como a um filho.

Algumas pessoas tentaram demover Damian da ideia, pois lidar com gorilas selvagens é tarefa muito perigosa. Mas Damian insistiu e viajou para a África. Quando chegou ao local, ficou andando de barco, chamando pelo nome do gorila. Até que ele apareceu. O encontro de Damian e Kwibi (veja aqui) foi super emocionante - dá um arrepio ver o olhar de amor na face do gorila. 

Amor entre seres humanos e animais domésticos, como cachorros e gatos, é muito comum - há animais que se tornam como membros da família com a qual vivem. Não há nenhuma novidade aí. Mas amor envolvendo animais selvagens, que não têm hábito de conviver com seres humanos, é realmente surpreendente. Mais ainda foi o fato do animal ter-se lembrado, anos depois, do sentimento que teve pelo seu "pai" humano.

O amor inspira tudo
Depois de ver o vídeo do encontro, fiquei pensando sobre o amor. Para a Bíblia, trata-se da maior fonte de poder que existe. E não por acaso, a essência de Deus é exatamente o amor.

Acho que dois exemplos são suficientes para comprovar o que acabei de falar. O primeiro é a salvação do ser humano: ela foi totalmente construída em cima do amor de Deus por nós. É por conta desse amor que Ele mandou seu Filho, Jesus, morrer por nós na cruz. 

O outro exemplo é a "Lei do Amor", o conjunto de dois mandamentos que, segundo o próprio Jesus, resumem tudo que Deus espera de nós: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a nós mesmos (veja mais). É claro que esses dois mandamentos não são ordens para que venhamos a ter um determinado sentimento e sim uma orientação para agir como se o amor existisse. Quando fazemos isso, na prática, tudo funciona como se esse sentimento fosse real.

E as guerras demonstram exatamente o que acontece quando o amor entre as pessoas desaparece: o sofrimento, especialmente dos inocentes - o que está acontecendo em Gaza, entre israelenses e palestinos, é um triste exemplo disso. A exploração dos seres humanos por outros, mais fortes, gerando miséria e violência, é outro exemplo sempre presente da falta de amor.

Se a sociedade moderna desse mais valor ao amor e menos às coisas materiais, viveríamos outra realidade. E é triste saber que não é assim. Mas também é um consolo saber que onde o amor está presente, coisas maravilhosas acontecem. 

Com carinho

domingo, 17 de agosto de 2014

O QUANTO VOCÊ JÁ CAMINHOU?

Certa vez um amigo me disse mais ou menos o seguinte: “Quando leio seu blog, percebo que estou muito distante daquilo que deveria, em relação à minha caminhada espiritual, e isso me desanima”. 

Respondi que eu também me considero muito distante da meta e também às vezes me sinto desanimado. Completei dizendo que uma coisa é saber racionalmente sobre um assunto, e escrever sobre ele, e outra bem diferente é vivenciar aquilo que se escreveu. Acho que minha resposta surpreendeu meu amigo.

Nunca devemos esquecer que, antes de ser uma religião organizada, o cristianismo era conhecido como o Caminho. E gosto muito desse nome, pois acho que ele reflete bem a essência do que é o desafio de ser cristão. Trata-se de caminhar sempre, olhando para Cristo (a meta). Às vezes paramos, porque faltam forças, mas é preciso sempre recomeçar. De vez em quando até caímos, porque somos feitos de carne e sangue, mas é preciso levantar e seguir em frente. Essa é a história da minha vida e também a de qualquer outra pessoa que siga a Jesus. 

Alguns conseguem andar mais depressa, cair menos e desanimar menos. Outros seguem trajetória mais difícil e conturbada e às vezes até se desviam do Caminho, para mais adiante retomar a jornada.

Essa é a natureza do processo. Não há nada para estranhar quando essas coisas acontecem na vida das pessoas. Portanto, você não deve desanimar se os requerimentos da vida cristã parecerem exigentes. E há várias razões para isso. 

Primeiro, o caminho não precisa ser trilhado sozinho(a). O Espírito Santo está presente no mundo exatamente para ajudar você em todo momento. Basta orar e pedir ajuda. 

Depois você também tem os(as) irmãos(ãs) na fé, que passam pelas mesmas lutas e podem ajudar muito com seu testemunho e seu apoio espiritual. Exatamente por isso é tão importante ser parte de uma comunidade cristã.

Além disso, toda vez que você se afastar da rota ou mesmo cair, basta reconhecer o erro e pedir perdão a Deus. Ele conhece suas dificuldades e está sempre pronto para perdoar, colocando você de volta no caminho certo.

Finalmente, você pode olhar para trás e ver o quanto já caminhou. Você entrou no Caminho quando aceitou Jesus como seu Salvador. Quando aprendeu aquilo que Jesus espera das pessoas -  perdão, amor ao próximo, etc -  e como praticar isso, você já andou um bom pedaço. Quando aprendeu a importância da oração e seu poder sobre a vida do ser humano, mais alguns quilômetros ficaram para trás. Quando conseguiu perdoar alguém de verdade, outra distância foi percorrida. Quando deixou hábitos de vida que prejudicavam sua vida, foi mais um grande avanço, E assim você tem caminhado.

Não olhe somente para aquilo que você ainda não conseguiu, mas também para o que já fez. Talvez você se surpreenda ao perceber o quanto já conseguiu caminhar.

Continue a andar por esse Caminho. Essa é a tarefa mais importante da sua vida.

Com carinho

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O RISCO DE NÃO SER CRISTÃO

Outro dia recebi um comentário muito interessante aqui no blog que merece ser discutido em maior profundidade. O comentário foi feito sobre um texto meu recente, a respeito da Graça de Deus. A pessoa que fez o comentário é provavelmente um agnóstico e levantou a seguinte questão: "como não é possível provar com certeza absoluta nem que Deus existe, nem que não existe, a coisa correta a fazer seria não tomar qualquer decisão a esse respeito". 

Essa declaração parece fazer todo sentido, afinal quando não temos certeza sobre alguma coisa é preciso tomar cuidado quanto ao que se vai fazer. Assim, segundo defendeu o leitor agnóstico, se não é possível ter conhecimento certo sobre a existência de Deus, o melhor seria ficar quieto, não tomando partido nem contra nem a favor d´Ele, evitando o risco de escolher a opção errada e fazer bobagem. 

Como as pessoas lidam com a incerteza
Mas, na verdade, não é bem assim que as pessoas lidam com a incerteza. Elas não costumam ficar paradas. Normalmente, o que fazem é levantar as várias alternativas disponíveis e avaliar o risco envolvido em cada curso de ação. Aí optam pelo caminho que oferece risco menor. Fazer nada é evidentemente uma das opções mas nem sempre a melhor e/ou aquela escolhida. 

Vejamos alguns exemplos práticos. Quando alguém vai decidir se abre um negócio, certamente enfrenta incertezas (mercado, preço a ser cobrado, forma de funcionamento, etc). O risco da opção de nada fazer é perder a oportunidade e deixar de ganhar um bom dinheiro. Por outro lado, se o negócio for aberto, existe o risco de perder dinheiro. Aí a pessoa vai escolher dentre esses dois riscos qual o que vai preferir correr. 

Se um médico não sabe as causas de uma doença, isso não quer dizer que deve ficar parado, deixando a pessoa morrer. Nesse caso, fazer alguma coisa é melhor que nada fazer. E é assim que os médicos costumam agir. 

O risco da escolha por Jesus
Vamos voltar à questão da impossibilidade de se provar, com certeza absoluta, que Deus existe e dos riscos relacionados com as escolhas que podem ser feitas a partir dessa constatação. 

Primeiro, é preciso entender que, de acordo com a doutrina cristã, a pessoa não decidir se aceita Jesus (conforme propõe o leitor do blog) ou rejeitá-lo são equivalentes em termos de risco (resultado final). Isso porque em ambos os casos a pessoa não gozará da Graça de Deus, pois essa somente vem mediante a aceitação de Jesus. 

Portanto, na prática são duas as opções a discutir: aceitar Jesus ou não. É será preciso avaliar os riscos inerentes a cada uma e a escolha lógica deve ser pela opção de risco menor. 

O risco de rejeitar Jesus aparecerá apenas se o cristianismo estiver certo. Nesse caso a consequência será muito séria: a pessoa irá perder sua salvação. Não existe risco maior. 

É claro que aceitar Jesus também envolve um risco. Se Deus não existir, a pessoa que aceitou Jesus estará adorando um ser inexistente. Fará algumas coisas desnecessárias (orar, louvar, tomar a Santa Ceia, estudar a Bíblia, etc) e se privará de outras tantas (aquelas proibidas pelo cristianismo) que poderia ter vivenciado. Esse é o risco e ele parece moderado. Até porque a maioria das coisas que o cristianismo proíbe (vícios, mentira, inveja, etc) são mesmo nocivas e as pessoas deveriam evitá-las, se desejam ter uma vida boa.  

Resumindo, o risco de não aceitar Jesus é gigantesco e o risco contrário é moderado. Portanto, a lógica também aponta na direção da pessoa aceitar Jesus. Essa seria a coisa certa a fazer. 

Palavras finais
Sei muito bem que ninguém aceita Jesus com base num raciocínio lógico e sim pela fé. Então, qual é o valor de toda a discussão que acabei de fazer? 

Primeiro, é sempre muito bom saber que se fez uma escolha que é lógica. Que faz sentido. Isso reafirma e robustece a fé. 

Depois, esse tipo de discussão ajuda os cristãos a não ficarem abalados com os argumentos contra a fé cristã, como aquele apresentado pelo leitor agnóstico citado no começo deste post. Simples assim.

Com carinho

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O NOVO "TEMPLO DE SALOMÃO" EM SÃO PAULO

Acabou de ser inaugurada, em São Paulo, uma igreja evangélica gigantesca, obra luxuosa que custou quase R$ 700 milhões. Nela foram utilizados materiais da melhor qualidade, boa parte deles importados. Impressiona a quem olha.

Essa nova igreja foi denominada "Templo Salomão", pois alega seguir o modelo que foi utilizado pelo rei Salomão no templo de Jerusalém, construído cerca de 3.000 anos atrás. Mas, na verdade, a nova igreja apresenta mais diferenças do que semelhanças com o templo original - basta lembrar que o templo de Salomão media apenas 27 m x 9 m, uma bagatela perto da igreja que acabou de ser construída.

A pergunta que cabe, então, é porque houve essa preocupação dos donos da nova igreja de "ancorar" sua imagem à do templo de Jerusalém? Penso que existiram duas motivações.

A primeira foi angariar como que um "selo de aprovação" divina para a nova igreja. Afinal, foi o próprio Deus quem orientou a construção do templo original e há na Bíblia uma detalhada descrição do que foi construído (1 Reis capítulos 6 e 7). Talvez por isso quase não houve críticas à nova obra no meio evangélico - pelo contrário, a maioria das pessoas com quem tenho falado se mostra entusiasmada com o que foi feito. 

O segundo aspecto tem a ver com o modelo de religião para o qual essa nova igreja aponta: rico e grandioso. Mas esse é o modelo errado de religião para o cristianismo, como mostro a seguir. 

Foi a partir de Moisés (alguns séculos antes de Salomão) que a religião dos israelitas se tornou consolidada e sistematizada. Deus estabeleceu quem deveria ser sacerdote, a liturgia que deveria ser seguida nas cerimônias religiosas, quais festas precisariam ser comemoradas (como Yom Kippur e Páscoa) e assim por diante. 

Salomão foi o rei mais rico de Israel e foi justamente durante seu reinado que a religião adquiriu um cunho rico e grandioso. Construiu o templo de Jerusalém e conduziu ali grandes festividades, onde milhares de animais foram sacrificados. E infelizmente essa riqueza e poder gerou enormes distorções - toda vez que a religião se torna poderosa e rica, isso acaba acontecendo. 

Tanto foi assim que, cerca de 1.000 anos depois de Salomão, Jesus denunciou com vigor essas distorções, chegando a expulsar os vendedores e cambistas de moeda que operavam no recinto do templo de Jerusalém. Ele criticou muito a classe sacerdotal, que se preocupava mais em enriquecer, do que em pastorear o povo.  

Assim, se alguém procurar encontrar na Bíblia referencias a uma religião rica, para poder justificar uma igreja como aquela que acabou de ser construída, vai ter que olhar para Salomão e para os reis que o sucederam. Se olhasse para Jesus e para os seus apóstolos, jamais conseguiria justificar um prédio desse tipo.

Não é de estranhar, portanto, que a nova igreja tenha sido "ancorada" em Salomão. E é aí que reside minha perplexidade. Como uma denominação que se diz cristã toma como modelo aquilo que Salomão e seus sucessores fizeram e se esquece daquilo que o próprio Jesus criticou? 

Não faz qualquer sentido. E fico triste de precisar fazer essa constatação.

Com carinho   

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A IMPORTÂNCIA DA CORAGEM MORAL

Coragem moral é simplesmente a capacidade de agir de acordo com o que é certo, mesmo quando as circunstâncias não forem favoráveis. Pessoas com coragem moral são importantes para que a sociedade, em geral, e os poderosos, em particular, ouçam aquilo que precisam. Infelizmente pessoas com coragem moral são cada vez menos encontradas no mundo de hoje.  

Na Alemanha, durante o período nazista, um jurista muito respeitado (seus livros eram citados em tribunais de todo o mundo) acabou sendo condenado pelo Tribunal de Crimes de Guerra, em Nuremberg, exatamente porque lhe faltou coragem moral. Ele mesmo explicou o que tinha acontecido, quando testemunhou no banco dos réus. Sua carreira perdeu o rumo na primeira vez em que violou sua consciência e deu um veredicto injusto para agradar o regime nazista. Sua queda começou exatamente quando lhe faltou coragem moral.

A Bíblia tem uma história muito interessante que trata desse tema. Tudo se passou no tempo do rei Acabe (1 Reis, capítulo 22). Ele foi um rei arrogante, injusto e infiel a Deus (permitiu que sua mulher, Jezebel, incentivasse o paganismo). 

Acabe queria guerrear seus inimigos e convocou um grupo de "profetas" para lhe aconselhar. Todos deram razão ao rei - ninguém se atrevia a discordar dele. Aí um importante general, desconfiando daquela unanimidade, perguntou a Acabe se não havia outro profeta para ser consultado. Acabe respondeu que havia ainda o profeta Micaías que nunca era chamado à sua presença porque só falava coisas que o desagradavam.

O aliado insistiu e um mensageiro foi enviado para convocar Micaías à presença do rei. E, ao transmitir o chamado, o mensageiro aconselhou o profeta a dizer somente aquilo que o rei queria ouvir. Micaías respondeu: "...o que o Deus me disser, isso falarei". Assim fez e foi a única pessoa a ser contra a guerra. Não foi ouvido. Acabe atacou seus inimigos e acabou sendo morto.

Outro exemplo famoso de coragem moral é Thomas More, primeiro ministro e amigo do rei Henrique VIII da Inglaterra (aquele que se casou várias vezes). O rei queria se separar da sua primeira mulher para se casar com Ana Bolena. E pediu a More que encontrasse uma forma legal de fazer isso. O primeiro ministro, pessoa muito religiosa, se recusou por entender que aquele ato seria contra a vontade de Deus. Por conta disso, More acabou tornando-se inimigo do rei, renunciou, foi acusado de traição e executado. E outros vieram, depois de More, para fazer a vontade do rei.

Charles Colson, grande escritor cristão, foi auxiliar do Presidente Richard Nixon na época do escândalo de Watergate. Acabou indo para a cadeia por conta das irregularidades que cometeu durante seu período no governo. E foi na cadeia que se converteu. 

Em vários de seus livros, Colson relatou que Nixon recebeu a visita de diversos pastores importantes, mas que nenhum deles teve coragem de dizer para o Presidente dos Estados Unidos aquilo que precisava ouvir - que estava errado, tinha caído em pecado e precisava mudar seu comportamento.

Os falsos profetas aconselharam Acabe a fazer uma guerra que não deveria ter travado. E Nixon teve que renunciar à Presidência, porque não mudou seu rumo. Faltou-lhes conselheiros com coragem moral para dizer o que precisavam ouvir. 

Henrique VIII teve um conselheiro com coragem moral - Thomas More - mas não quis ouvi-lo porque não gostou do conselho que recebeu. Não respeitou a pessoa que lhe transmitia a vontade de Deus e pagou um preço político terrível. 

Portanto, tome cuidado com quem você ouve e cujos conselhos segue. Não escolha ouvir determinados pregadores apenas porque gosta deles ou são bons de palavra. Escolha aqueles(as) que dizem a verdade transmitida por Deus. 

E tenha como amigos(as) verdadeiros(as) aquelas pessoas que dizem, por conta do amor que têm por você, o que você precisa ouvir, principalmente quando está errado(a). 

Afinal, se você tiver um doença grave não vai querer consultar um médico que minta e lhe diga que você está saudável, mas sim aquele que vai lhe contar a doença que tem e lhe apontar o tratamento necessário, por mais doloroso que seja. Vale a pena sempre ouvir as pessoas que têm coragem moral.

Por outro lado, tenha a coragem moral para dizer a verdade para os outros, mesmo que ela seja desagradável. É claro que você deve fazer isso de forma educada e gentil, mas nunca deixe de dizer o que é preciso. É isso que Deus espera de você. 

Com carinho

sábado, 9 de agosto de 2014

UMA BOA CAUSA JUSTIFICA QUALQUER COISA?

Cerca de 69 anos atrás, os Estados Unidos jogaram, na cidade de Hiroshima (Japão), a primeira bomba atômica. O mundo da época assistiu, em estado de choque, à morte quase instantânea de dezenas de milhares de pessoas. E os efeitos posteriores da radiação ainda se fazem presentes até hoje. Dias depois, foi lançada uma segunda bomba, na cidade de Nagasaki, com resultados semelhantes.

A lógica usada pelo governo norte-americano para justificar o uso das duas bombas foi forçar a rendição do Japão, acabando de vez com a guerra e poupando milhares de vidas. Essa ainda é a posição oficial dos Estados Unidos hoje em dia. 

Portanto, a tese oficial é que foi necessário fazer algo ruim (sacrificar dezenas de milhares de vidas) para obter algo muito bom (o fim da guerra, poupando dezenas de milhares de vidas). É claro que essa conta somente faz sentido quando se considera que as vidas sacrificadas eram japonesas e as vidas poupadas de soldados americanos. Em outras palavras, para o governo norte americano a vida de um americano vale muito mais do que a vida de uma pessoa de outro país. 

Eu entendo essa posição, embora não concorde com ela, pois, pela lógica do mundo, o dever de um governo é, antes de tudo, zelar pelo bem estar do seu próprio povo. Portanto, o governo americano tinha que estar mais preocupado com seus soldados do que com o povo japonês.

E vemos a mesma lógica presente nos dias de hoje, na guerra entre Israel e os palestinos. Justificando suas ações com a defesa da segurança do seu próprio povo, Israel fez uma incursão na faixa de Gaza e matou quase duas mil pessoas, a maior parte composta de civis.    

E as discussões sobre se esse tipo de ação - se está certo ou errado - são intermináveis. No passado, muitos defenderam que os Estados Unidos deveriam fazer um bloqueio naval do Japão, não deixando passar combustíveis, alimentos e outros produtos dos quais aquele país precisava para continuar lutando, o que forçaria a rendição japonesa, evitando as bombas atômicas. Os de posição contrária respondiam que os japoneses eram fanáticos e usavam pilotos suicidas, colocando  em risco a segurança da frota naval americana. E a discussão nunca chegou a conclusão alguma.

Na guerra atual, os que são contra as ações de Israel acusam o governo daquele país de cometer um massacre. Os que defendem o outro lado alegam que Israel não pode viver com foguetes sendo continuamente lançados, pelos palestinos, sobre seu território. Mais uma vez, não se chega a nenhuma conclusão.

Considerando tudo isso, qual deve ser a posição dos cristãos? Essa não é uma resposta fácil de dar. Muitos evangélicos estão do lado de Israel, não por concordar com o governo daquele país, mas sim porque entendem que Israel tem direito divino à Palestina, pois aquele território foi dado por Deus à Abraão, Patriarca de Israel, conforme relato da Bíblia.

Eu confesso que aceito menos esse argumento "espiritual" do que o argumento secular (um governo tem obrigações antes de tudo com sua própria população). Primeiro, porque quem pode afirmar com certeza que o atual governo de Israel é o legítimo sucessor de Abraão. Ninguém pode ter certeza disso. Depois porque o Jesus que encontro na Bíblia nunca iria aprovar a morte de inocentes, seja pelo motivo que for. 

Minha posição pessoal - e você tem todo o direito de discordar dela - é que cabe ao mais forte usar de misericórdia e limitar o uso de seu poder ao estritamente necessário. Isso os Estados Unidos não fizeram com o Japão, quando lançaram as bombas, nem Israel tem feito com os palestinos. Para mim, essa é a posição que a Bíblia nos orienta a seguir.

Afinal, misericórdia é algo muito precioso para Deus. Tanto assim, que Ele a usa com cada um de nós, quando não nos pune pelos pecados que cometemos, oferecendo, em lugar da justa punição, sua Graça, representada pelo sacrifício de Jesus na cruz. É por esse caminho que deve começar qualquer raciocínio para resolver a situação atual entre Israel e os palestinos.

Com carinho 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

COMO DEMONSTRAR AMOR AO PRÓXIMO

Há muitas formas de demonstrar amor ao próximo. Algumas, como a caridade e a misericórdia, são bem conhecidas, mas outras acabam passando meio despercebidas. 

Gostaria de discutir aqui cinco formas importantes de demonstrar amor ao próximo:

1) Ouvir
As pessoas tem cada vez menos tempo e disposição para ouvir os outros. Por exemplo, o marido ocupado pode achar que a esposa perde muito tempo contando todos os detalhes do que aconteceu na sua vida ao longo do dia. Ou ainda pode ser que o chefe pense não ter tempo suficiente para ouvir as "bobagens" dos subordinados. E assim por diante.

Jesus sempre teve disposição e dedicou tempo para ouvir os outros, mesmo aqueles que eram contra ele, como os escribas e fariseus. E ouvia as pessoas exatamente porque as amava - Ele investia seu tempo nelas. 

E é isso que devemos fazer. O ato de ouvir atentamente, por si só, já é uma forma de afirmar para a outra pessoa que ela é importante.

2) Respeitar
A falta de respeito é um problema muito comum. E pode haver várias causas para isso. Por exemplo, o excesso de intimidade, como ocorre depois de vários anos de casamento. Outra causa é o desnível social: as pessoas com nível social mais elevado muitas vezes olham para as de nível inferior com falta de respeito, pois lá no fundo se acham melhores.

A Bíblia ensina que cada ser humano é digno de respeito por carregar em si o sopro da vida dado por Deus - é exatamente esse ensinamento que deu origem ao conceito de "direitos humanos". Portanto, não há como amar de fato sem respeitar. 
 
3) Orar
Orar pelas outras pessoas - interceder pelos seus problemas junto a Deus - é prova de amor. E fazer isso, quando se tem os próprios problemas batendo à porta, é prova ainda maior.

Nunca perca uma oportunidade de ajudar os outros através da oração. Nunca deixe que seus próprios problemas tornem você insensível aos que estão à sua volta. 

4) Compartilhar

É comum que as pessoas compartilhem seus problemas umas com as outras. Mas muito menos comum é compartilharem as coisas boas. 


Por exemplo, muitas pessoas resolvem reservar para si mesmas e aqueles poucos(as) a quem amam os bens que conseguiram amealhar - dinheiro, casa de praia, etc. 

Outras pessoas se recusam a compartilhar os seus conhecimentos. Por isso é comum nas empresas que determinadas coisas somente sejam conhecidas por algumas poucas pessoas, que guardam essas informações zelosamente para manter seu "poder". Também é comum tentar manter para si mesmo(a) as informações que podem gerar vantagens, como a referencia das lojas onde é possível fazer compras a preço baixo (se a notícia se espalhar, outras também vão querer aproveitar e os preços vão acabar subindo). 

Dividir o próprio tempo com aqueles que precisam - de um conselho, de ajuda física, etc - é outra forma de demonstrar amor. Deixar o próprio conforto ou interesses por colocar à frente os outros(as) é prova fundamental de amor. Mas infelizmente isso é pouco comum - é mais fácil conseguir que as pessoas doem dinheiro do que seu tempo à obra de Deus. 

E nunca esqueça que o outro nome que damos para quem guarda apenas para si e uns poucos queridos aquilo que tem de bom é simplesmente egoismo.

5) Reconciliar-se
Perdoar e reconciliar-se são coisas diferentes: o perdão pode vir sem reconciliação e às vezes é necessário que seja assim. 

Mas aquelas pessoas que têm capacidade de perdoar e realmente deixar para trás aquilo que as magoou, retomando o relacionamento em bases zeradas, demonstram enorme capacidade de amar. Afinal, reconciliar-se é muito mais difícil do que apenas perdoar.

Ouvir, respeitar, orar, compartilhar e reconciliar-se são formas bem avançadas de demonstrar amor pelo próximo. E ter capacidade de exercê-las é sem dúvida indicação de grande maturidade espiritual.

Com carinho

terça-feira, 5 de agosto de 2014

DESAFIOS PARA INTERPRETAR A BÍBLIA

A Bíblia é a Palavra de Deus, a revelação que deu para os seres humanos sobre uma série de coisas muito importantes, tais como a forma do ser humano se relacionar com Ele, o que é certo (ou errado) fazer e assim por diante. Trata-se de um livro fundamental para os cristãos, pois toda sua fé é construída em cima dos ensinamentos nele contidos. 

Sendo assim, a capacidade de interpretar corretamente os textos bíblicos é de grande importância. Uma interpretação errada, mesmo que feita com as melhores intenções, pode ser um desastre. Por exemplo, veja os depoimentos colocados neste blog sobre a questão do divórcio, que muitos cristãos consideram pecado - as pessoas separadas que pensam assim sofrem muito, especialmente se entram em outros relacionamentos. 

Gostaria de concentrar este post em dois aspectos importantes da interpretação bíblica. São verdadeiros desafios que todas as pessoas enfrentam no processo de interpretar bem a Bíblia.

O desafio da passagem do tempo
O primeiro desafio tem a ver com a passagem do tempo. Isso porque não há como deixar de reconhecer que a Bíblia retrata os costumes da época em que os autores dos seus textos viveram  - entre 2.000 e 3.500 anos atrás. 

Essa ancoragem numa época bem antiga gera o desafio de saber usar ensinamentos originalmente dirigidos para o povo daquele tempo nos dias de hoje, pois quase tudo mudou. Por exemplo, na época em que os Dez Mandamentos foram dados a Moisés, a sociedade admitia poligamia. Ora, num ambiente assim, é claro que a questão do adultério era encarada de forma diferente da hoje hoje. 

Outro bom exemplo refere-se aos contratos de casamento. Nos tempos bíblicos eram feitos com base em negociações entre o homem que tinha posse de uma mulher (seu pai ou irmão mais velho) e o candidato à mão dela (ou seu representante). Essas negociações sempre envolviam pagamentos, pois se tratava essencialmente de um negócio - não havia qualquer espaço para considerar os eventuais sentimentos do casal um pelo outro. Hoje as pessoas buscam essencialmente encontrar a própria felicidade no casamento, através do “par perfeito”. 

E se essa felicidade não for encontrada, as pessoas se sentem livres para romper o vínculo matrimonial e tentar novo casamento. Ora, isso era impossível na época bíblica, quando a mulher sempre era propriedade de alguém - depois de casada, pertencia ao marido. Portanto, é preciso muito cuidado ao transportar para os dias de hoje as regras de vida sobre o casamento que foram estabelecidas na Bíblia. Simples assim.  

O mesmo pode ser dito sobre uma série de outras coisas, como a moralidade sexual, a compra de propriedades, a forma de governo ou a organização da religião. 

As diferenças na forma de viver são tantas que é até surpreendente os ensinamentos bíblicos continuarem relevantes para as pessoas hoje em dia. E acredito que isso somente acontece por duas razões simples. A primeira é que a essência dos seres humanos não mudou ao longo do tempo – seus desejos, suas falhas de caráter (inveja, cobiça), etc são os mesmos hoje que eram milhares de anos atrás. 

A segunda razão é os textos bíblicos nasceram de uma iniciativa de Deus, sendo assim seus escritores foram inspirados a escrever coisas que seriam sempre relevantes. Nesse sentido, a Bíblia não deixa de ser um pequeno milagre com o qual temos contato diariamente.

Concluindo, sempre que olharmos para os textos bíblicos é preciso perguntar qual é o significado que eles teriam para as pessoas da época em que foram escritos e construir, a partir daí, o sentido correto para os dias de hoje.

O desafio do tipo literário
Há outro desafio para a interpretação correta dos textos bíblicos. Trata-se da existência de diferentes tipos literários entre os 66 livros que compõem a Bíblia, como poesia (Salmos), relatos históricos (por exemplo, Êxodo, Samuel, Reis ou Atos dos Apóstolos), pensamentos (Eclesiastes e Provérbios), visões (Apocalipse), estudos teológicos (Romanos) e até literatura erótica (Cantares de Salomão). É um conjunto bem variado e interessante.

Acho que ninguém tem dúvida que não se deve interpretar uma poesia da mesma forma que um texto histórico. Poesias usam linguagem simbólica para passar seu significado, enquanto um texto histórico pretende apenas descrever, da forma mais fiel possível, como determinados fatos ocorreram. São propósitos diferentes.

Por conta disso, um texto histórico deve ser interpretado literalmente, isso é entendido exatamente como foi escrito. Assim, se está escrito que o rei montou num cavalo, a interpretação correta é que uma pessoa subiu num animal para se locomover de um lado para o outro. Já se o mesmo está escrito numa poesia, o significado correto pode se referir a coisa bem diferente. Um bom exemplo são os 4 cavalos descritos no Apocalipse que significam morte, fome, guerra e peste.

Infelizmente o tipo literário muitas vezes não é levado em conta quando as pessoas tentam interpretar a Bíblia. Já cansei de ver pregadores lerem um salmo (poesia) e buscarem nele a descrição de um fato. Por causa disso, há pessoas que pensam que Deus tem braços ou olhos porque há salmos que dizem para nos “aninharmos nos braços do Pai” ou sabermos que “seus olhos enxergam tudo”.

Palavras finais
Concluindo, quando você estudar um texto da Bíblia sempre leve em conta esses dois aspectos: a diferença entre os costumes da época e os costumes atuais, e a variação de estilos literários. São providencias simples que podem interpretações da Bíblia totalmente erradas. 

Com carinho

domingo, 3 de agosto de 2014

COMO CONFIAR MAIS EM DEUS

Por favor, leia este mesmo post no meu novo site http://www.sercristao.org/2014/08/03/como-confiar-mais-em-deus/ . 

Meu pai teve um grande amigo, que conheceu na igreja que ambos frequentaram durante muitos anos. Meu pai ajudou muito esse amigo, que vinha de família pobre. Era uma amizade que parecia ser para toda a vida.

Mas o tal amigo traiu nossa família de maneira vergonhosaFoi um choque tão grande, que meu pai ficou doente por um tempo. Afinal, ser traído por pessoa na qual se confia muito é extremamente doloroso - só quem já passou sabe o estrago que esse tipo de coisa pode fazer. 

Essa crise na vida da minha família ensinou-me bem cedo - tinha cerca de 14 anos apenas - a importância de escolher as pessoas certas em quem confiar. Isso porque somos vulneráveis em relação às pessoas em quem confiamos. E esse é um risco presente na vida de cada um de nós.

Como adquirimos confiança em alguém
Depositamos nossa confiança aos pés de determinada pessoa somente depois de algum tempo de convivência com ela. Durante essa "fase de teste", avaliamos o seu caráter, construindo uma imagem mental de quem ela é, e aí definimos se essa pessoa é (ou não ) digna da nossa confiança. Os testemunhos de outros amigos e parentes sobre aquela pessoa também acaba por ter muita influência na construção da imagem dela.  

Portanto, adquirimos confiança, na verdade, nessa imagem. E infelizmente muitas vezes essa imagem se mostra distante da realidade e aí sentimos que nossa confiança foi violada. 

E é interessante perceber que, quando isso acontece, não culpamos a nós mesmos pelo erro de julgamento, ao construirmos uma imagem errada, e sim a pessoa que teria "traído" nossa confiança. 

O problema é que frequentemente vemos nos outros aquilo que queremos ver. Por exemplo, uma pessoa solitária e carente pode acabar imaginando haver amor sincero nos atos de alguém que se aproxima dela, usando palavras carinhosas, mas movido apenas por interesse material.

Assim, muitas vezes escolhemos confiar em quem não merece essa confiança. E pagamos o preço por isso.


Confiando em Deus
A confiança que depositamos em Deus passa pelo mesmo processo. Tudo se apoia na imagem que construímos de Deus com base nas nossas experiências de vida com Ele. Nessa caso, as experiências são as leituras que fazemos da Bíblia, as pregações que ouvimos, as respostas de oração que obtivemos, os testemunhos de outras pessoas sobre a ação d´Ele nas suas vidas e assim por diante. 

Naturalmente, o conteúdo das informações colhidas e a forma como cada um de nós processa esses dados varia muito e assim acabamos construindo imagens muito diferentes de Deus - Ele é um só mas cada um de nós olha-o de forma diferente.

Assim, uns poucos têm confiança quase ilimitada n´Ele – igual àquela que uma criança pequena tem no seu pai ou na sua mãe. Já a maioria de nós confia em Deus de forma limitada. Não deveria ser assim, mas essa é a realidade.

E é possível aferir o tamanho da confiança que cada pessoa deposita em Deus pelas dúvidas que ela têm. Em outras palavras, as perguntas que cada pessoa costuma fazer a si mesma e aos outros sobre Deus são um bom indicador do seu grau de confiança n´Ele. 

Não estou dizendo que é errado ter dúvidas e questionar. Dúvidas são naturais na caminhada espiritual de cada um de nós e Deus compreende e aceita isso. Afirmei apenas que a natureza dessas dúvidas e as respostas que encontradas para elas refletem bem a imagem que cada um construiu de Deus e, portanto, o grau de confiança depositado n´Ele. Simples assim. 

Vejamos dois tipos comuns de dúvidas e o que elas significam no que tange à forma como a pessoa vê a Deus: 

  • Dúvida 1                                                                 Como é possível que fulano, que não segue os ensinamentos da Bíblia, seja mais abençoado do que eu, que sou um cristão sincero(a)? Essa pergunta denota falta confiança na capacidade de Deus de retribuir as pessoas de forma justa (sua justiça). Pode também caracterizar uma falta de confiança no amor d´Ele - “se Ele me amasse mesmo, não me permitiria ficar nessa situação”.
  • Dúvida 2                                                                    Por que Deus estabeleceu um plano de vida que me traz tanto sofrimento? A dúvida aqui se refere à sabedoria e à eficácia de Deus. Ele deveria saber melhor o que a pessoa precisa e agir de acordo com essa necessidade. Pode também caracterizar falta de confiança no amor Deus.


A imagem que construímos de Deus e, portanto, a confiança que depositamos n´Ele, vão mudando ao longo do tempo, junto com o amadurecimento espiritual da pessoa. É um processo e não uma situação estática - podemos crescer (ou diminuir) nessa confiança.

Agora, por que a maioria das pessoas tem tanta dificuldade em confiar em Deus? Uma possível resposta é que as pessoas conhecem pouco sobre a real natureza de Deus e como Ele escolheu agir nesse mundo. 

Outra possibilidade é que elas ainda não construíram uma experiência pessoal real com Ele - há pouca coisa em comum entre essas pessoas e Deus. E assim elas têm dificuldade em entender as mensagens que Deus lhes transmite e acabam interpretando de forma errada os seus atos. 

Essas pessoas, bem lá no fundo, pensam que Ele sabe muito, mas não sabe tudo e, sendo assim, talvez haja algumas coisas que elas conhecem melhor do que Deus, especialmente as que se referem às suas próprias vidas. Ou talvez sintam que Ele controla muita coisa, mas não tudo e aí precisam se garantir, controlando algumas coisas por si mesmas. Ou ainda imaginam que Ele é justo, mas não totalmente, pois pessoas boas sofrem, enquanto pessoas ruins prosperam. 


Palavras finais

Confiança limitada em Deus é muito comum - a maioria esmagadora das pessoas pensa assim. E enquanto essa confiança não se solidifica, a fé da pessoa fica muito limitada. 

Você quer melhorar sua vida espiritual? Acredito que sim. Então, você precisa confiar mais em Deus. E precisa trabalhar nesse sentido. 


Comece fazendo um autoexame sincero e identifique porque sua confiança em Deus não é aquela que deveria ser. Onde sua desconfiança nasce? Será no senso de justiça de Deus? Na sua sabedoria? No seu amor? 


Entendida a origem do problema, procure trabalhar as lacunas que percebeu. Converse com outras pessoas sobre essas questões - pergunte a elas como fizeram para chegar lá e aprenda com a experiência delas. Procure neste blog posts onde discuto e esclareço diversas dessas dúvidas - como Deus age no mundo, como exerce seu amor, etc. Estude sempre a Bíblia pois nada substitui uma experiência pessoal com a Palavra de Deus. E, finalmente, ore sempre - confesse suas dificuldades para Deus e peça a ajuda d´Ele. 

Pode ter certeza que sua vida espiritual vai mudar muito e para melhor.

Com carinho