quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O ÚLTIMO NATAL DE MARIA

Texto de ficção apoiado nos relatos da Bíblia

Sentada à porta da sua casa, seus dedos hábeis teciam uma nova túnica para seu filho. Sua mente estava longe, bem longe, nos fatos ocorridos quase trinta anos antes. 

Ela ainda era uma garota, com apenas quatorze anos. Todos diziam que era bonita e por isso já estava até noiva de José, homem bom, temente a Deus e respeitado na sua comunidade. 

Inesperadamente uma figura parecida com um homem, usando trajes resplandecentes, lhe apareceu e disse  chamar-se Gabriel. Era um mensageiro do Deus Altíssimo que ali estava para trazer-lhe uma notícia maravilhosa: ela seria fecundada pela semente do próprio Deus e daria à luz um filho, que haveria de ser o tão esperado Messias.

Quando percebeu que estava grávida, passou a enfrentar um grande problema: como explicar sua situação? Todos sabiam que seu noivo ainda não tinha estado com ela, seguindo o costume. Alegar que tinha sido fecundada pelo próprio Deus seria cair no ridículo. Ninguém iria acreditar nela. Alías ninguém acreditava mesmo no que as mulheres afirmavam.  

Felizmente José veio em seu auxílio e evitou que fosse punida. Não somente aceitou a situação (falou algo a respeito de um sonho), escolheu o nome da criança, como defendeu sua noiva perante todos. E, o mais importante, casou-se com ela, tornando-se o pai de Jesus diante da Lei. 

Mas as fofocas nunca cessaram totalmente e voltaram com mais força depois da morte do seu marido, pois ele não estava mais ali para defendê-la com a força da sua autoridade. Recentemente passaram a identificar seu filho apenas como “filho de Maria”, como se José não fosse seu pai legal. Ela sabia que no íntimo Jesus sofria com isso, mas nada podia fazer.

Seu pensamento voltou para o final da sua gravidez, quando chegou a terrível notícia do recenseamento e da necessidade de irem até Belém da Judeia para se cadastrar. Ela estava pesada e não tinha mais posição para dormir. Não seria fácil viajar de Nazaré até Belém por estradas esburacadas e enlameadas. José fez o melhor que pode, arrumando emprestado um burrico, para que ela viajasse sentada, sem precisar caminhar.

Foram vários dias de viagem num terrível desconforto. Ela não sabia como Jesus não nascera durante o trajeto. Quando chegaram a Belém, ela estava morta de cansaço, tinha fome e frio. E a dorzinha no ventre, que vinha sentindo nas últimas horas, aumentara bastante.

Precisavam conseguir logo um lugar para ficar. José saiu perguntando para todos. Qualquer lugar serviria. Mas não encontraram nada, pois as hospedarias estavam todas ocupadas pelos viajantes que tinham vindo a Belém por causa do recenseamento.

Afinal, um dono de hospedaria, com pena dela, permitiu que ficassem no estábulo, junto com os animais. O lugar era escuro, muito sujo e o cheiro horrível. Mas não havia o que fazer. Pelo menos não ficariam ao relento, na noite fria.

As dores começaram a vir em intervalos regulares. Parecia que seu ventre ia rasgar. E ela entendeu que a hora chegara. Seu coração tinha uma ponta de tristeza por saber que seu filho viria ao mundo naquele lugar tão feio. Ele merecia coisa melhor, muito melhor. 

Não havia nenhuma parteira disponível e José teve que ajudar. Os partos eram arriscados e as mulheres sempre corriam risco de vida. Muita coisa podia dar errado, tanto com ela como com o bebê. Mas ela não tinha medo, pois confiava cegamente no Deus Altíssimo.

Perto da meia noite o bebê enfim nasceu. Foi um parto difícil, mas não dos piores. O bebê estava bem e era saudável. 

Esgotada pela viagem e pelo parto, ela mal tinha forças para abrir os olhos. Mas pegou o bebê, enrolou-o em faixas, como era tradição, e o colocou no cocho onde os animais comiam. Não era um bom lugar, mas era o melhor que tinham. 

Como por milagre, os animais ficaram imediatamente quietos e não reclamaram de perder seu lugar de comer. E ela e o bebê puderam dormir por umas poucas horas.

Quando acordou, José lhe contou que havia uma estrela nova no céu, que estava exatamente sobre Belém. Era um fato extraordinário e todos estavam dizendo que um rei havia nascido.

Logo depois chegaram uns pastores. Contaram que tinham recebido uma mensagem vinda do Deus Altíssimo, que o Messias estaria ali, deitado num cocho. Entraram no estábulo, mas nem se atreveram a chegar perto. E adoraram o menino de longe mesmo. 

José ficou muito confuso com aquilo, pois não era adequado para um judeu adorar outro ser humano, muito menos um simples bebê. Já ela disfarçou um sorriso, tendo a mensagem do anjo Gabriel ainda bem viva na sua mente. 

Quando os pastores saíram, ela aconchegou seu flho ao seio e lhe deu alimento pela primeira vez. O bebê comeu gulosamente e depois voltou a dormir em paz. Ela nunca esqueceria aquele momento, quando ela e Jesus dividiram uma intimidade somente reservado às mães e seus filhos.

Seus pensamentos voltaram ao presente, quase trinta anos depois. Os dedos teciam automaticamente e a túnica já estava quase pronta. Era uma túnica especial, pois não teria qualquer costura, já que fora tecida como peça única. Decidira tecê-la pouco dias antes, por causa do aniversário de Jesus. Seria seu presente para Ele. 

Sabia que Ele iria partir em breve, chamado pelo Deus Altíssimo para desenvolver sua missão. E a túnica que ela tecia iria sempre envolvê-lo com seu amor de mãe. Iria aquecê-lo no inverno e mantê-lo sempre bem apresentável. Era feita da melhor lã e iria durar bastante, mesmo com uso diário.

A comemoração do aniversário seria dali há dois dias. O último aniversário comemorado em família. Por isso precisaria ser especial. Dando um suspiro, afastou aqueles pensamentos da mente. Tinha muito serviço para fazer. Queria ainda preparar a comida que Ele mais gostava. Era seu papel de mulher e de mãe.


Com carinho
Vinicius

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

UM ALERTA CONTRA "COMIDA ENVENENADA"

A Internet trouxe muitas coisas boas para a nossa civilização, mas também muitas que são ruins, como o fácil acesso a pornografia. E uma das piores é a falsa atribuição de pensamentos a pessoas que são famosas e admiradas. Outro dia recebi de um amigo uma mensagem “linda” atribuída a Nelson Mandela, pessoa que muito admiro por sua capacidade de perdoar. A mensagem atribuída a Mandela dizia mais ou menos o seguinte: “O nosso maior medo não é o de sermos inadequados e sim o de sermos poderosos, acima de qualquer medida. É a nossa luz e não nossa escuridão que mais nos amedronta... À medida que sejamos liberados do nosso medo, nossa presença automaticamente libera os outros.”

Fui verificar a autenticidade do texto – esse é um lado bom da Internet - e acabei achando a verdadeira autora dessa citação: ele pertence à guru da autoajuda Marianne Williamson. Ou seja, alguém pegou deliberadamente o texto dessa escritora e o “embalou” como se fosse de Nelson Mandela, para ganhar mais penetração e credibilidade.

O problema é que muitas pessoas de boa fé acreditam nessas mensagens e as reproduzem para seus amigos, sem verificar a autenticidade. E sem perceber que, ao circular esse tipo de mensagem, colocam sobre ela o “selo” da sua própria credibilidade. 


Lembro bem – e até escrevi neste blog sobre o tema – que depois das inundações da região serrana do Rio de Janeiro, uma pessoa cristã e bem intencionada, repassou, num blog de discussões do qual participo, um texto atribuído a uma autoridade sanitária internacional, dizendo que tinham morrido muito mais pessoas e que haveria uma epidemia na região, o que certamente causou pânico em muitas pessoas. Seis meses depois, como nada aconteceu, cobrei no mesmo blog, da pessoa que tinha divulgado o texto falso. Ela se defendeu dizendo que foi um texto que tinha recebido de um corretor de imóveis, do seu conhecimento e simplesmente repassou. Ela não percebeu que, ao repassar um texto falso sem o verificar, também tinha colaborado para as consequências ruins que ele porventura causou. 

Agora imagine o estrago que um pensamento atribuído a Jesus pode causar? E infelizmente a Internet está cheia desses textos também. Aliás, esse fenômeno de atribuir pensamentos falsos a Jesus e seus apóstolos não é novo. Ao longo dos primeiros 100 anos após a morte e ressurreição Dele, muitas pessoas escreveram Evangelhos e os atribuíram a Pedro, Maria Madalena, Tiago e outras pessoas de prestígio no relato da Bíblia. Por causa disso esses textos são chamados de Evangelhos Apócrifos. O mais recente e famoso é o tal Evangelho de Tiago, que muitos estudiosos chegam a dar a mesma importância que aos quatro evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João).

E os relatos desses Evangelhos, tais como os textos modernos da Internet, têm as coisas mais absurdas – por exemplo, um deles fala de Jesus quando criança fazendo milagres para punir outras crianças que tinham feito ironias.

Tome cuidado com mensagens que você receber, especialmente aquelas que dizem conter pensamentos de Jesus. Muitas vezes se trata de “comida envenenada”, que pode desviar você do caminho certo. E lembre-se que, se você repassá-los para alguém, sem verificar a autenticidade, está colaborando para espalhar o “veneno” ali contido.

Se tiver dúvidas quanto ao conteúdo faça uma pesquisa na própria Internet para verificar a autenticidade. Se não conseguir respostas fale com seu pastor ou com alguém da sua igreja que conheça melhor a Bíblia do que você. Pode também escrever para mim, que eu responderei com prazer. Mas tome cuidado para não se deixar “envenenar”, ou colaborar sem perceber, para prejudicar os outros.

Com carinho
Vinicius

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS

Ontem comemorou-se o dia mundial de Ação de Graças. Essa é uma tradição dos Estados Unidos, que acabou se espalhando por muitos países. No Brasil, apenas as igrejas ditas evangélicas/protestantes comemoram  essa data. Na minha igreja mesmo, tivemos uma grande comemoração.

Nos Estados Unidos, o chamado Thanksgiving, é o dia de comer um farto almoço em família, que precisa incluir peru assado, e depois ver programações especiais na televisão. Bebe-se muito e come-se mais ainda. No dia seguinte, o comércio faz grandes promoções, com enormes descontos, que atraem multidões.

Assim, como no Natal e na Páscoa, a grande questão com o dia de Ação de Graças é o significado espiritual da comemoração, que acaba abafado pelas festividades. Esse é um dia dedicado para mostrar gratidão a Deus pelas inúmeras bênçãos que recebemos, a começar pelo dom da vida. E gratidão é algo que Deus aprecia muito.

O caso dos 10 leprosos
A Bíblia nos conta que, em determinado dia, Jesus ia passando e ouviu o chamado desesperado de 10 leprosos. Naquela época, leprosos eram todos aqueles que sofriam de qualquer doença na pele, como psoríase. Eles não tinham, necessariamente, a doença hoje chamada de hanseníase, também conhecida como lepra. 

Os leprosos viviam totalmente segregados do convívio social, para não contagiar as demais pessoas e eram sustentados, de forma precária, pela caridade pública. Levavam uma vida terrível. 

Esses 10 homens, em desespero, imploraram que Jesus os curasse (ver Lucas capítulo 17, versículos 11 a 19). Jesus atendeu o pedido e os curou. Depois disse para eles se apresentarem aos sacerdotes, a quem, segundo a Lei Mosaica, cabia atestar esse tipo de cura.  Os homens assim fizeram e foram considerados limpos, podendo voltar para o convívio normal em sociedade.

Mas, surpreendentemente, apenas um deles voltou para agradecer a Jesus. E, por isso mesmo, para aquele que voltou e somente para ele, Jesus reservou o maior prêmio: a cura espiritual e a salvação (ver versículo 19). Os demais nove perderam essa oportunidade e ficaram apenas no plano material.

Experimentando a gratidão
Gratidão é o reconhecimento explícito que Deus derrama sua Graça sobre nós. E a história da humanidade demonstra o quão dependentes nós somos das bençãos Dele: que o sol continue a nos aquecer, que a chuva caia na meida correta, que nenhum asteroide destrua a terra e por aí vai. Tudo que existe foi criado e é mantido funcionamento pelo poder Dele. É simples assim.

E quando nós reconhecemos isso de forma sincera, deixamos de considerar a nós mesmos como o centro e a razão para tudo nque existe. E, paradoxalmente, acabamos nos beneficiando, porque encontramos um novo sentido na vida, muito maior e significativo. Ao perceber o grandioso papel de Deus em nossas vidas, tudo que nos cerca adquire maior coerência. 

E um coração reconhecido leva a mais bênçãos, como aconteceu com aquele único ex-leproso que voltou para agradecer a Jesus - ele recebeu muito mais do que os demais. 

E é essa gratidão que deveríamos enfatizar no dia de Ação de Graças.

Com carinho
Vinicius

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A CRISE FINANCEIRA É UM PASSO PARA O FIM DO MUNDO?

Diversas pessoas têm me perguntado se a crise financeira seria mais um sinal que o final do mundo está próximo.  Antes de responder, é preciso esclarecer, para aqueles que não sabem, que o fim da civilização, tal como a conhecemos, ocorrerá com a volta de Cristo. A maioria dos teólogos defende que, antes dessa volta, haverá um período de 7 anos de terríveis dificuldades, período esse que a Bíblia chama de Grande Tribulação. O nome em si já é assustador, mas a descrição do que irá ocorrer (ver Apocalipse capítulos 8 a 11) é verdadeiramente de arrepiar.

Assim, quando as pessoas ficam em dúvida se o fim do mundo está se aproximando, é porque estão eventualmente percebendo possíveis paralelos entre as descrições bíblicas do que ocorrerá durante a Grande Tribulação e os eventos do dia a dia.

Em alguns casos é simples fazer essa correlação. Por exemplo, foi profetizada a volta do povo judeu para seu território, a Palestina, o que se confirmou com a fundação do Estado de Israel em 1948. Mas outros eventos, como catástrofes naturais - terremotos, pestes, vulcões, etc -, são mais difíceis de caracterizar como profecias cumpridas pois esse tipo de problema sempre ocorreu ao longo da história da humanidade.

Mas, recentemente, temos tido problemas de outra natureza: quebra de organizações colossais e muito poderosas, que se desfizeram em questão de meses. Tudo começou com os Estados Unidos, em 2007/2008, onde literalmente quebraram vários dos maiores bancos, a General Motors, a maior seguradora, etc. A maioria dessas organizações ainda existe porque o governo americano injetou cerca de 1 trilhão de dólares – quase meio Brasil – nessas empresas para salvá-las.

Depois vieram os países. A pequena Islândia quebrou ainda em 2008, depois, no ano passado, quebraram a Grécia (que voltou a quebrar esse ano), a Irlanda e Portugal. Agora é a Itália que está quebrando, com uma dívida de “apenas” 2 trilhões de dólares. E atrás dela, caso a Itália quebre mesmo, virão outros países. Isso sem contar os Estados Unidos que são uma “bomba" relógio pois devem 14 trilhões de dólares – um buraco quase seis vezes o tamanho do Brasil.

Não posso afirmar que aí está o fim do mundo, até porque a Bíblia nos diz com clareza que ninguém sabe quando isso se dará e, portanto, seria perda de tempo ficar especulando. Mas isso tudo prova que há algo muito errado com o sistema capitalista, tão cantado em prosa e verso. 

Trata-se de uma crise estrutural profunda, que vai forçar a sociedade mundial a repensar muitas coisas para não perecer. Não dá mais para as pessoas, empresas e países desfrutarem de um padrão de vida acima daquilo que podem e o sustentarem com empréstimos, que não são nunca pagos, mas sim substituídos por outros empréstimos. 

E essa crise decorre da sociedade moderna estar estruturada em torno de uma permanente luta para “ter”, mais e mais dinheiro, conforto, sucesso, etc. Nessa luta, o que importa é a vitória e não os meios para obtê-la. Vale tudo para “chegar lá”. 

Assim, a pessoa ao lado pode se tornar um obstáculo para a “vitória”, um “inimigo” a ser derrotado”. Não é por acaso que a literatura de negócios tem tantos livros com referencias militares: "Marketing de Guerra", "Marketing de Guerrilha" ou "Como vencer a guerra do seu negócio". Isso explica também porque os esportes são tão populares: um jogo de futebol é como uma “guerra” em que uma torcida acaba vitoriosa sobre a outra.

A sociedade tornou-se, assim, um campo de batalha, onde não se pode nem pensar em misericórdia. E o impacto dessa postura é, muitas vezes terrível. Por exemplo, nos Estados Unidos, os alunos das escolas se classificam a eles mesmos como “perdedores” e “ganhadores”. O “perdedor/a” não é popular, não consegue namorar com pessoas interessantes, é feio/a e/ou gordo/a, etc. É claro que essa classificação acaba por gerar grandes traumas nos “perdedores” - há alguns anos, dois alunos classificados assim promoveram um massacre na escola Columbine para se vingar. Já na Coréia do Sul, cujo sistema educacional estimula a disputa entre alunos pela obtenção dos melhores resultados escolares, a taxa de suicídio entre os jovens vem crescendo muito.

A luta constante pelo “ter” incentiva e faz aflorar o que há de pior no ser humano: egoísmo, vaidade, inveja, etc. Ao invés de procurar “domar” esse pior lado, exercitando o amor ao próximo, como Jesus nos ensinou, a sociedade faz o contrário. O lema da moda é "eu mereço". E para obter aquilo que se merece vale usar quaisquer armas, inclusive mentira, corrupção e violência. 

Nós, cristãos, precisamos entender o que se passa em torno de nós para podermos resistir a essas influências tão poderosas, quanto negativas. Por exemplo, evitar a contaminação do consumo desenfreado, da obtenção do prazer a qualquer custo, de medir o sucesso pelos bens materiais e status que a pessoa tem e assim por diante. 

Não é tarefa fácil pois somos bombardeados diariamente por esses conceitos, presentes em todas as campanhas de marketing divulgadas na mídia. Eu mesmo enfrento essa luta diariamente e tenho às vezes que tapar os ouvidos para não cair no "canto da sereia", tão lindo quanto mortal. 

Estude sempre a Bíblia para entender o que verdadeiramente importa para Deus; ore sempre para buscar forças junto Ele para conseguir ser diferente dos padrões esperados; e busque sempre a companhia daqueles que também colocam os ensinamentos de Jesus antes de tudo, onde você poderá encontrar palavras de conforto e incentivo.

Com carinho
Vinicius 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A ESCOLHA

Há um filme (infelizmente não me lembro o nome) onde a personagem principal, uma mãe de dois filhos, precisa fazer uma escolha terrível: qual deles vai salvar de um campo de concentração e qual deles vai deixar morrer. A escolha era moralmente muito difícil, mas precisava ser feita pois, no enredo do filme, se a mãe não escolhesse, os dois filhos morreriam. Era imperativo escolher.

Nos últimos dias, a mídia divulgou amplamente uma escolha também muito difícil, ocorrida em Israel. Tratou-se da libertação de um soldado israelense pelo Hamas, em troca de 1020 prisioneiros palestinos, alguns deles réus condenados por operações terroristas. O governo de Israel tinha, por um lado, que avaliar o dever do Estado de zelar pela vida dos seus filhos, especialmente daqueles que são enviados em combate e, de outro, a necessidade de punir pessoas que concorreram para o sofrimento de vários cidadãos israelenses, ao matar ou ferir pessoas inocentes por causas políticas. De que lado ficar? Do lado da vida ou do lado da justiça?

Isso é o que se chama um “dilema ético”, onde há argumentos importantes para qualquer uma das opções e é imperativo fazer uma escolha. No filme, foi escolhida a criança que tinha mais chance de sobreviver. Na vida real, foi feita uma escolha pela vida.

Em situações assim, qualquer que seja a escolha, ela acaba gerando críticas, no que se refere ao critério usado para escolher. Haverá sempre alguém que pense diferentemente e junte argumentos poderosos contra a escolha feita. Por exemplo, no caso da troca acima mencionada, alguns pais (não todos) de jovens mortos por terroristas se disseram horrorizados pela sua libertação e pela falta de justiça para as vítimas.

No caso da troca do soldado pelos prisioneiros, a pergunta, para nós cristãos, é que critério deveríamos usar, se a escolha nos coubesse? O que a Bíblia nos ensina a respeito?

Se olharmos com calma as leis apresentadas na Bíblia, vemos que a vida é o principal guia das escolhas a serem feitas. Por exemplo, se eu precisar mentir para salvar uma vida, estou justificado em fazê-lo. Idem para o roubo – aliás, Davi roubou os pães que ficavam no Templo de Jerusalém, para matar a fome dos seus homens. 

E é exatamente por isto que os cristãos devem ser contra o aborto (como ação para evitar a concepção) e a pena de morte. O respeito à vida é a base da moral cristã.

Portanto, no caso que está nas manchetes, o governo israelense, a meu ver, agiu corretamente: entre salvar uma vida e garantir justiça para aqueles que, infelizmente, já estavam mortos, o governo decidiu pela vida. E a escolha precisava ser feita, pois o soldado morreria, caso não houvesse acordo para a troca. Assim, acredito que os governantes de Israel tiveram as bênçãos de Deus para essa difícil decisão.

O que você, leitor, acha?

Com carinho
Vinicius

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O "EVANGELHO" DE STEVE JOBS

Existe um ditado popular que diz assim: “todo mundo que morre vira santo”. Estamos assistindo mais uma vez a confirmação da sabedoria popular com o caso de Steve Jobs, mentor da empresa Apple.  Os jornais, sites, Twitter, Facebook, etc estão cheios de manifestações sobre o “gênio” que mudou o mundo em que vivemos.

Tenho todo o respeito pela figura de Jobs, pois acho que ele fez coisas admiráveis. E me solidarizo muito com a dor da família dele (deixou 4 filhos), ao perder um ente querido de forma tão trágica – câncer aos 56 anos de idade apenas. Sem dúvida Jobs deixou sua marca no mundo dos negócios e na sociedade de consumo e realizou em vida muito mais do que a média das pessoas.

Mas daí a elevá-lo quase à figura de "santo" e atribuir a ele uma mudança do mundo, vai uma grande distância. Se Jobs mudou o mundo, por contribuir para o desenvolvimento de vários produtos de grande sucesso – iPod, iPad, iPhone e outros – que palavras teríamos para elogiar os inventores da lâmpada elétrica, do telefone, do microchip ou da Internet;  ou para quem desenvolveu a penicilina ou a vacina contra a poliomielite? Indo para o campo das ideias, onde verdadeiramente acontecem as mudanças de rumo da humanidade, o que deveríamos dizer então do apóstolo Paulo, de Platão, de Ghandi, de Mandela e de outros mais, que revolucionaram o mundo?


Jobs, pois mais admirável que tenha sido sua trajetória, foi apenas uma pessoa com fantástica capacidade de perceber o que as pessoas queriam, no mundo da informática e do entretenimento, e em desenvolver produtos adequados para preencher essas necessidades. Ficou rico por isso e fez muita gente rica com ele. Mas daí a dizer que o mundo mudou por causa dele, é exagerar.

Além disso, coisa que não é comentada pela imprensa, Jobs tentou ter um impacto no mundo espiritual também, fundando quase uma “religião” própria, que levou muita gente a se afastar de Cristo. No post de 21/07/2011, intitulado “Encontrando sentido na vida”, discuti exatamente esse aspecto - naquele post citei um comentário de Jobs, que volto a repetir aqui:
 “Ninguém quer morrer. Mesmo pessoas que querem ir para o céu, não querem morrer para chegar lá. E mesmo assim, a morte é o destino que todos compartilhamos. Ninguém escapou dela. E isto é o que deveria ser mesmo, porque a morte é muito provavelmente a invenção mais importante da vida. É o agente de mudança da vida; ela nos livra do velho, para dar espaço ao novo... Desculpe ser tão dramático, mas é a pura verdade. Seu tempo é limitado, então não o desperdice vivendo a vida de outra pessoa. Não se deixe entrar na armadilha, que é resultado do pensamento de outras pessoas. Não deixe o barulho das opiniões dos outros afogar a sua própria voz interior, seu coração e a sua intuição...”  
Acho que os comentários que fiz lá atrás, que cito abaixo, continuam extremamente válidos:
Jobs ... foi adiante e criou também um novo “evangelho”, totalmente materialista e secular. Essa nova filosofia de vida não tem nenhum dogma e não faz qualquer promessa, a não ser deixar as pessoas viverem suas próprias vidas, pois elas são sempre únicas, já que nenhuma vida pode ser igual a outra. Jobs, de certa forma, está tentando se posicionar como o “pastor” de uma comunidade que somente acredita no próprio ser humano ... e naquilo que é material e, portanto, pode ser tratado pela ciência e a tecnologia.

O problema é que o evangelho de Jobs e daqueles que pensam igual a ele, não oferece nenhuma esperança que não seja gerada pela própria pessoa e o único conforto que proporciona é aquele da pessoa ter sido fiel a si mesma. Mas, nenhuma pessoa pode viver  sem esperança de algo que dê um sentido maior à sua vida e ter sido fiel a si mesma - seja lá o que isto significa - não pode prover esse sentido. 

As palavras de Jobs são bonitas, mas seu discurso é vazio, pois não consola ninguém que passe por problemas na vida.  Imagine você chegar para alguém que perdeu tragicamente um ente querido e procura consolo, para dizer: "fulano morreu, é verdade, mas pelo menos ele foi fiel a si mesmo". Tenho para mim que nem Jobs ficou realmente consolado com suas belas palavras ...

Muitos que já passaram por essas ideias e encontraram a porta de saída, aprenderam como é difícil construir uma vida que não esteja baseada em nenhum sentido mais profundo, que simplesmente o de estar vivo, e não compartilhe da esperança de algo maior e mais duradouro, do que a vida material nessa terra. 

E só Jesus Cristo nos dá acesso a esse sentido profundo e permanente nas nossas vidas. 

Com carinho
Vinicius

domingo, 25 de setembro de 2011

DEPOIMENTO DE UM EX RACISTA

O pastor John Piper dirige uma das maiores igrejas evangélicas dos Estados Unidos - a Bethlehem Baptist Church –, tem muitos livros publicados , vários deles best sellers, e é uma das vozes mais respeitadas no mundo cristão atual. Recentemente publicou um novo livro, ainda não traduzido, chamado “Bloodlines” (algo como “Fronteiras pelo sangue”). Ele descreve ali , de forma até comovente, sua trajetória, que o levou de um racista a ser o pai adotivo de uma criança negra. Eis um extrato do que ele disse:

O depoimento de Piper
Eu fui criado, no final da década de 40 e início da de 50, na cidade de Greenville, Estado de Carolina do Sul (comentário de Vinicius: um estado americano bem racista, naquele época). Depois mudei para outras cidades e até morei no exterior. Mas aqueles anos na Carolina do Sul são a raiz da minha questão racial.

Quando eu tinha 9 anos de idade, a segregação (comentário de Vinicius: estabelecia que os lugares e os recursos públicos deviam ser separados para negros e brancos) era absoluta: bebedouros, banheiros públicos, escolas públicas, lugares para sentar nos ônibus, restaurantes, salas de espera de hospitais, e igrejas, incluindo a que eu frequentava. Não era respeitoso, não era justo, não era amoroso e, portanto, não era cristão. Era feio e iníquo.  E, por causa da minha cumplicidade, eu tenho muito que lamentar.  

Era assim a cidade onde eu cresci. Eu era um racista. Como criança e adolescente, minhas atitudes e ações levavam em conta a superioridade da minha raça, sem conhecer ou querer conhecer qualquer pessoa negra, exceto a Lucy. 

Lucy vinha à nossa casa aos sábados para ajudar minha mãe na limpeza. Eu gostava da Lucy mas toda a estratura do nosso relacionamento era iníqua. Aqueles que se defendem dizendo-se bons e caridosos e que os empregados negros até frequentam suas festividades familiares, são ingênuos no que tange ao que torna um relacionamento degradante. (comentário do Vinicius: eu pensei assim por muito tempo - na casa da minha avó havia duas empregadas negras que nos serviam a qualquer tempo e hora e que eu pensava "serem como da família".) 

É claro que éramos agradáveis com ela. Nos amávamos a Lucy. Ela foi convidada para o casamento da minha irmã. Mas isso desde que ela e sua família soubessem onde era o seu lugar. Sermos agradáveis, termos afeição e permitirmos participação em nossas vidas, é o que fazemos também com nossos animais de estimação. E isto não tem nada a ver com honrar, respeitar e ser igual aos olhos de Deus. E minha amizade por Lucy não restringia em nada minhas atitudes racistas, quando eu estava com meus amigos.

Em 1962, minha igreja local votou por não permitir acesso aos negros aos nossos cultos. A razão, pelo que me lembro, é que, no meio das disputas políticas por igualdade social, havia receio que os únicos negros que quereriam frequentar a nossa igreja seriam aqueles com uma agenda política e a igreja não estava lá para isso.  Eu me lembro que a minha mãe foi a única voz que se levantou contra isso. 

Em Dezembro do mesmo ano, minha irmã se casou e a família da Lucy foi convidada para o casamento. E eles vieram - foi um momento muito tenso e estranho, quando eles chegaram no saguão da igreja. Os introdutores não sabiam o que fazer. Um deles ameaçou levá-los para o balcão, que raramente era usado pelos membros da igreja. Minha mãe – com todos os 1,55m de altura dela – interveio e tomou essas pessoas pelo braço e as levou para sentar no meio da congregação.  

Minha mãe, depois de Deus, foi a semente da minha salvação. Enquanto eu via o drama se desenrolar, eu sabia bem dentro de mim que as minhas atitudes eram uma ofensa à minha mãe e a Deus. Sou muito grato pela convicção e coragem da minha mãe.  

Outro momento memorável do meu despertar para o racismo, ocorreu no ultimo ano do meu curso superior. Noël, com quem eu casaria um ano depois, foi comigo a uma conferência sobre Missões, em Dezembro de 1967.  Durante as perguntas e respostas, diante de milhares de estudantes, foi feita a seguinte pergunta ao pastor Warren Webster, ex-missionário no Paquistão:  "O que você faria se sua filha se apaixonasse por um paquistanês e quisesse casar com ele?"  Webster respondeu:  "Melhor um cristão paquistanês do que um americano sem Deus!" 

O impacto em Noël e em mim foi enorme. Naquele momento eu percebi que tinha muito “dever de casa" para fazer. Afinal a inadequação dos casamentos inter-raciais tinha sido, até então, para mim, uma das razões mais fortes para justificar a segregação racial. 

No ano seguinte, 1969, quando eu comecei meus estudos no Seminário, Martin Luther King Jr. foi assassinado. Foram dias explosivos e eu sou grato aos meus professores que tinham preocupação com essas questões e compromisso em nos ensinar perspectivas bíblicas para essas questões. Um desses professores, Paul Jewett, compilou uma apostila de 208 páginas intitulada "Leituras sobre o preconceito racial.” Essas leituras me chocaram – eu nunca tinha lido ou ouvido nada assim. Até hoje tenho essa apostila no meu escritório, em frente à minha mesa. A introdução de Jewett, na apostila, termina assim: "Precisamos lembrar que se Deus nos deu uma revelação sobre a verdadeira natureza do ser humano, nós seremos cobrados por não viver de acordo com a luz dessa revelação...".

Ao terminar o Seminário eu fui estudar na Alemanha e tive oportunidade de visitar o campo de concentração de Dachau, que ficava há poucas milhas de Munique, onde eu morava. Todo aquele horror – câmaras de gás, fornos crematórios, etc – foi montado em nome da crença da superioridade da raça ariana. E essa percepção me ajudou muito a mudar minha concepção racista.  
  
Logo depois que eu completei 50 anos (Comentário de Vinicius: Piper já era o pastor titular da igreja onde está até hoje), Noël recebeu um telefonema de uma amiga, assistente social, que disse para ela: "Eu tenho uma garotinha que precisa de uma família. Eu penso que ela é para você”.  

Será que essa era resposta das muitas orações da minha mulher por uma filha, depois de ter tido 4 filhos? Não foi uma decisão fácil, pois a criança era negra. E recomeçar na função de pais, com idade de 50 anos, não era o nosso plano.  Muitos pensaram que eu estava louco. 

Noël e eu oramos muito. Finalmente eu soube a resposta: ame sua mulher, ame sua nova filha como se fosse do seu sangue e assuma o compromisso, até o final dos seus dias, com a questão da harmonia racial (nada pode fazer um pastor se comprometer mais com uma causa, do que quando ela está presente na sua própria família). 

Deus vai me julgar um dia. E eu espero ter sido um bom mordomo dos meus talentos e tempo. Mas a confiança que tenho não está nisso. E sim na perfeição de Jesus que Deus me creditou através da fé.  Eu acredito que haverá no meu ministério suficientes frutos imperfeitos do amor para testemunhar que a minha união com Jesus, através da fé, foi real. 

Comentário final 
É especialmente importante essa discussão nesse momento em que se debate o futuro da Palestina, separada ao longo de linhas raciais, conforme comentei nos meus dois últimos posts. 

Serve também para refletirmos, aqui no Brasil, onde ainda temos uma forte discriminação racial, que está mascarada no nosso dia a dia. Sem contar as discriminações  de caráter social, onde os mais pobres são prejudicados de muitas formas por uma sociedade injusta.

Com carinho
Vinicius 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A PALESTINA DENTRO E FORA DA BÍBLIA - PARTE 2

O domínio romano
Esse período nos interessa de perto pois nele que Jesus viveu. Os romanos procuraram nomear reis locais, que tinham autoridade limitada, mas os ajudavam a controlar a situação. Um desse reis foi Herodes o Grande, que estabeleceu uma dinastia que durou muitos anos - é essa família que aparece em vários episódios da vida de Jesus e dos Apóstolos. 

Herodes reconstruiu o Templo de Jerusalém, o que foi feito em escala gigantesca para a época. É esse o Templo que Jesus conheceu, chamado de Segundo Templo (ver Mateus capítulo 13, versículos 1 e 2).

Os judeus se revoltaram duas vezes contra os romanos e acabaram, ao final, perdendo sua terra: o nome da região passou a ser Síria Palestina e o da cidade de Jerusalém, Aelia Capitolina. No lugar do Templo de Herodes foi construído um templo a um deus romano, sendo que os judeus foram impedidos de morar na cidade. 

No final do domínio romano (início dos século IV), a religião oficial passou a ser o cristianismo e data dessa época a re-descoberta dos chamados lugares santos, onde foram construídas igrejas cristãs (Natividade, Santo Sepulcro, etc), que existem até hoje.
Sem pátria
Assim, durante séculos, os judeus ficaram sem pátria. Depois de expulsos pelos romanos, eles foram voltando aos poucos, mas sempre sobre domínio de outro povo. A Palestina passou sucessivamente para as mãos dos gregos, árbes, dos cristãos (na época das cruzadas), dos turcos, até chegar á mão dos ingleses. O interessante é que, durante o período árabe, muçulmanos e judeus viviam lado a lado, em regime de tolerância mútua. Já os cruzados foram absolutamente intolerantes e massacraram indistintamente muçulmanos e judeus.

A fundação do Estado de Israel
Ao final da Primeira Guerra Mundial, a Palestina virou um Protetorado Britânico – nessa época existiam cerca de 500.000 muçulmanos e 50.000 judeus morando na região. Os judeus inicialmente tiveram apoio dos ingleses para se estabelecer na região e aumentaram em muito a sua presença. Entretanto, com as crescentes tensões na disputa pelas terras, os ingleses começaram a impor limites e dificuldades para novas migrações judaícas.

Após o Holocausto – quando cerca de seis milhões de judeus foram mortos pelos nazistas - passou a haver na comunidade internacional o sentimento de que os judeus deveriam ter um lar seu. Com isso, em 1947, a ONU declarou a Partilha da Palestina entre árabes e judeus.

Naquele momento, a Palestina tinha cerca dois milhões de habitantes, sendo 600.000 judeus e 1.400.000 árabes. Os judeus foram favorecidos, pois ficaram com cerca de 55% do território. Em maio de 1948, Israel proclamou sua independência. 

O conflito árabe-israelense
Imediatamente, os países árabes (Egito, Jordânia, Líbano, Síria e Iraque) declararam guerra ao recém criado estado, que esteve no limiar de ser destruído por seus adversários. Ao final da guerra, Israel prevaleceu, por sua melhor organização e conquistou mais terra, acabando com cerca de 68% do território.  600.000 árabes fugiram da Palestina, tornando-se eles e seus descendentes refugiados, problema não resolvido até hoje.

Diversos conflitos se sucederam, sendo o mais importante deles ocorreu em 1967. Em seis dias, Israel obteve grande vitória, tomando diversas regiões chave como as colinas de Golan (da Síria), a península do Sinai e a faixa de Gaza (do Egito) e Cisjordânia e a cidade de Jerusalém (da Jordânia) - a conquista de Jerusalém é, sem dúvida, um sinal do cumprimento das profecias bíblicas.

Hoje há cerca de seis milhões de judeus e seis milhões de árabes palestinos convivendo diariamente em um ambiente de constante tensão. Um verdadeiro abismo separa as duas populações, em termos culturais, sócio-econômicos, políticos e religiosos.

O ponto de vista espiritual e as promessas bíblicas
Se Deus fez promessas a Abraão e seus descendentes de que a terra da Palestina seria deles, porque permitiu que os judeus fossem expulsos de lá e ficassem dispersos por 1.800 anos?

A Bíblia nos explica isso em várias passagens: por exemplo, ver Jeremias capítulo 25, versículos 2 a 11. A causa está clara: a infidelidade. As promessas dadas ao povo estavam ligadas diretamente ao seu relacionamento íntimo e fiel com Deus. Longe Dele, Israel era somente um pequeno reino entre impérios mais poderosos. Quando Deus retirou o seu apoio, eles rapidamente sucumbiram.

Mas não acaba aí. Deus também revelou (ver Jeremias capítulo 30) que o povo de Israel será restaurado. Na verdade, estamos vivendo no período histórico em que essa promessa está sendo cumprida, aos poucos - o renascimento da nação de Israel é um prova disto. Porém ainda falta muito para esse processo chegar ao final.

É certo que somente haverá paz na Palestina caso se chegue a algum tipo de acordo com os árabes palestinos. Entretanto, até nossos dias nenhum acordo pôde ser alcançado. Os dilemas são inúmeros pois os radicais de ambos os lados anseiam pela destruição do inimigo, achando que possuem mandato de Deus para isto. Enquanto isso, ambos os povos sofrem de forma constante com a violência e o potencial destrutivo desse conflito é capaz de desencadear uma guerra mundial.

Somente em Deus reside a solução para tão difícil questão. Quando todos os povos ali envolvidos entenderem isto, é que uma solução duradoura será alcançada.


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A PALESTINA DENTRO E FORA DA BÍBLIA - PARTE 1

Introdução
A Palestina, também conhecida como Terra Santa, Israel ou Canaã, está outra vez nas manchetes, com o possível reconhecimento de um Estado não judeu pela Assembléia Geral da ONU. O nome Palestina para designar a região é hoje o mais difundido, inclusive na imprensa brasileira, por isto será usado neste post. 

A Palestina é um pequeno território (25.000 km²) espremido entre nações maiores. Ao sul, a potência sempre foi o Egito, enquanto que ao norte sempre há uma potência de plantão na região da Mesopotâmia (atual Iraque) ou próxima a ela, como a Assíria, a Babilônia, e a Pérsia (hoje Irâ). Invasores de outras regiões também dominaram a Palestina, como os gregos, os romanos, os árabes, os turcos e os ingleses.

Jerusalém é a cidade principal e razão de discórdia permanente entre judeus e muçulmanos, por ser sagrada para ambas as religiões. Lá está localizada a “Esplanada das Mesquitas”, ou "Monte do Templo", onde ficava o Templo consagrado a Deus, construído por Salomão e reconstruído por Herodes (na época de Jesus). Nessa mesma Esplanada estão localizadas duas mesquitas, Al Aksa e o Domo da Rocha. Esse último possui uma cúpula revestida de ouro e é considerado o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos (para eles, foi da rocha localizada dentro dele que Maomé subiu aos céus).

Jerusalém foi também o lugar onde Jesus Cristo morreu nas mãos dos romanos e onde ressuscitou após três dias na tumba, por isto sua importância para os cristãos e enorme.

Por isso tudo, essa pequena área tem uma grande importância política no mundo e cada evento que lá acontece tem repercussões globais.

Tendo em vista as inúmeras perguntas que tenho recebido sobre o assunto nos últimos dias, entendi que seria de interesse fazer um resumo do que se conhece da história da região, usando a Bíblia e as outras fontes históricas disponíveis. Naturalmente que a minha perspectiva, como não poderia deixar de ser, será cristã.

Os Patriarcas
A história da Palestina começa com um homem, Abraão, que acredita numa promessa de Deus, que seria o Patriarca de uma nação (Israel). Esta promessa está contida em diversos pontos do livro de Gênesis, como por exemplo no capítulo 17, versículos 5 a 8: "E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti; E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti. E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus."

Os Judeus, assim como a maioria dos cristãos, entendem que essa promessa é a base de seu pleito para ter a posse da Palestina. Enquanto isso os muçulmanos não aceitam a Bílblia como autoridade final sobre o assunto e alegam que Ismael - primeiro filho de Abraão e que, pela tradição, é o pai dos povos árabes - seria o verdadeiro e legítimo herdeiro da promessa de Deus a Abraão. Essa já é uma boa indicação de como o tema é difícil de discutir em bases equilibradas.

Um dos netos de Abraão, Jacó, teve doze filhos que foram os Patriarcas das 12 tribos (clãs) em que Israel se organizou. Jacó teve depois seu nome mudado por Deus para Israel (“o que lutou com Deus”). 

A família morava na Palestina mas acabou migrando para o Egito, após um período de grande fome. Ficaram lá por bom tempo, em boas condições de vida, mas acabaram escravizados. Deus levantou um libertador, Moisés, que livrou o povo do cativeiro. Esse povo peregrinou cerca de 40 anos pelo deserto do Sinai (atual Egito) e entrou na Palestina sob a liderança de Josué, o sucessor de Moisés. É nesse momento histórico, entre a saída do Egito e a entrada na Palestina, que nasce Israel como nação, história contada no livro de Josué. 

Israel jamais dominou totalmente a Palestina. Os Filisteus, por exemplo, habitavam numa faixa costeira ao sul, conhecida como Gaza (hoje Faixa de Gaza) e sempre mantiveram autonomia em relação a Israel. Jerusalém mesma, somente foi conquistada por volta do ano 1000 AC, muito depois da entrada do povo de Israel na Palestina.

O reino unido
Tempos depois, devido a crescente pressão que os Israelitas sofriam por parte dos Filisteus e outros inimigos, o povo pediu ao profeta Samuel, que lhes escolhessem um rei, para que passassem a ter um governo centralizado, juntando as 12 tribos, e mais forte. A escolha de Deus recaiu sobre Saul, que começou então o processo de unificação das tribos, conforme relato da primeira parte do livro de 1 Samuel.

O reinado de Saul foi conturbado com muitos desafios externos e constantes guerras. Saul perdeu o rumo e foi substituído por Davi, que foi um dos maiores líderes da história de Israel.Num golpe de gênio, Davi escolheu a cidade de Jerusalém para capital do reino, por que tal escolha não causaria ciúme a nenhuma das tribos, já que pertencia a um povo diferente, os jebuseus. 

Foi em Jerusalém que Davi se propôs a edificar um Templo para Deus, tarefa que foi concluída por seu filho, Salomão - por isto o edifício erguido passou a ser conhecido como Templo de Salomão. Assim Jerusalém passou a ser não somente o centro político de Israel, mas também o seu centro de culto, isto cerca de uns 3.000 anos atrás.

Os reinos separados
Depois houve uma rebelião das dez tribos do norte, que se separaram sob a liderança de um rei, Jeroboão. Esse novo reino passou a se chamar Israel, com capital em Samaria. Enquanto isso, ao sul, Roboão, filho de Salomão, continuou a reinar sobre o reino menor, chamado Judá, com sede em Jerusalém. 

Israel e Judá caminharam ao longo da história por vezes unidos e algumas vezes em conflito, havendo até momentos de guerra entre eles. Divididos, eles ficaram mais fracos e acabaram sendo destruídos pelos impérios que os cercavam. 

Israel, ao norte, viveu muitos altos e baixos, sendo governado por nada menos do que nove diferentes dinastias em cerca de 200 anos. Foi destruído, pelos Assírios, no ano de 722 AC. Boa parte da população foi levada cativa e nunca mais retornou, tendo perdido sua identidade cultural e nacional - estas são as chamadas “dez tribos perdidas de Israel”. O reino de Judá (ao sul) perseverou por mais cento e cinqüenta anos, mas foi destruído por Nabucodonosor, da Babilônia, em 586 AC. Nessa invasão foi destruído o Templo de Salomão, que teve seus tesouros saqueados (2 Reis capítulo 25). 

O retorno do exílio
O destino do povo judeu, após a destruição de Jerusalém e do Templo, pareceu tornar-se sem esperança. Mas, Deus uma vez mais se interveio, levantando um rei entre os persas, Ciro, o Grande, que derrotou os babilônios no ano de 539 AC. Ciro manteve uma política muito mais liberal para com os exilados e inclusive permitiu seu retorno. 

Um grupo de líderes judeus voltou então para Israel (Neemias, Esdras e outros) e Ciro inclusive permitiu que eles reconstruíssem o Templo de Jerusalém, por volta de 515 AC, mas mais pobre e simples que o original.

Mesmo de volta à sua terra, os judeus permaneceram submetidos a diferentes potências estrangeiras, que se sucederam ao longo da história. Primeiro pelos gregos e depois pelas dinastias derivadas de Alexandre, o Grande: os Selêucidas (na Síria) e os Ptolomeus (no Egito).

Houve então uma revolta, liderada pela família Macabeus, que trouxe a independencia por cerca de 100 anos apenas, mas por volta do ano 60 AC chegaram os romanos. E tudo ficou mais difícil.

Continua na parte 2

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A LUTA CONTRA O CRISTIANISMO

Há uma guerra de comunicação em curso entre ateus e cristãos em diversos países do mundo, inclusive no Brasil. No último Natal, nos Estados Unidos, os ateus colocaram um outdoor, próximo a uma das mais importantes entradas da cidade de Nova York, com o seguinte texto: “Você sabe que é um mito. Neste ano, celebre a razão”. Em contra partida, um grupo cristão, colocou o seguinte outdoor, um pouco mais adiante: “Você sabe que é real. Neste ano, celebre Jesus”.

Anúncios ateus semelhantes foram colocados em ônibus de algumas capitais brasileiras no ano passado, pagos por uma associação chamada ATEA. Neles, o cristianismo é chamado de genocida enquanto que os ateus são figuras boas e simpáticas. Essa iniciativa, por sua vez, se inspirou emações  que são frequentes hoje na Europa.

Em paralelo a isto, vários intelectuais, que se dizem cristãos, intencionalmente ou não, procuram minar os fundamentos da fé cristã. Por exemplo, um texto de 2010 de Plínio de Arruda Sampaio, publicado em vários sites da Internet,  intitulado “Cristão e Comunista”, diz textualmente:
“Muitas pessoas se surpreendem com o fato de alguém declarar-se cristão e comunista...A fé de quem é cristão consiste numa aposta baseada nos valores que o Cristo veio anunciar. Acontece que esses valores são os mesmos que o comunismo proclama: igualdade, liberdade, fraternidade. O fato de que um os atribua a Deus e outro à História não afeta a identidade entre eles e, portanto, a possibilidade das duas posições sem incidir em incoerência...”

Outro exemplo é o texto de Paulo Coelho, postado no começo deste ano no seu blog, com o título “Mito: Deus é sacrifício”:
“Muita gente busca o caminho do sacrifício, afirmando que devemos sofrer neste mundo, para ter felicidade no próximo... Estamos muito acostumados com a imagem de Cristo pregado na cruz, mas nos esquecemos que sua paixão durou apenas três dias: o resto do tempo passou viajando, encontrando as pessoas, comendo, bebendo, levando sua mensagem de tolerância....”

Ora, os valores do cristianismo vão muito além de liberdade, igualdade e fraternidade, pois envolvem principalmente a necessidade do ser humano ser redimido do pecado mediante o sacrifício de Jesus Cristo. Isto não é nem nunca poderá ser reconhecido pela doutrina comunista. Por outro lado, Jesus não sofreu apenas enquanto foi preso e crucificado, nem tão pouco passou seu tempo viajando, encontrando pessoas e se divertindo. Essa é uma distorção triste do ministério de Jesus na terra. Ele foi homem de dores (ver Isaias cap 53, versículos 3 a 7) e não tinha recursos materiais (ver Lucas capítulo 9, versículo 58). Sofreu diversos tipos de perseguições e discriminações, por causa da sua origem, considerada obscura (ver Mateus capítulo 13, versículos 53 a 58), por causa da incompreensão dos seus próprios familiares em relação à sua missão, e por causa do conteúdo da sua pregação.

Essas manifestações, tanto de ateus, como de pseudo-cristãos,  demonstram que há uma disputa em curso pelos corações e mentes das pessoas. De um lado, estão aqueles que defendem o cristianismo e, de outro, os que estão, de alguma forma, contra isso. 

A seguir, apresento alguns comentários sobre esses dois grupos de opositores ao cristianismo - os novos ateus e os pseudo-cristãos, para facilitar a identificação das suas estratégias básicas de atuação:

Novos ateus
Esse grupo é cada vez mais barulhento e tenta, a todo custo, livrar o mundo do “engodo” da crença em Jesus Cristo. “Apóstolos” dessa nova “fé” são escritores e cientistas como Richard Dawkins e Richard Denett. Seu “evangelho” é composto de livros como “Deus um Delírio”.

O novo ateísmo se baseia no materialismo -  tudo que existe é a matéria e o universo todo foi gerado somente por processos naturais. Na verdade, o novo ateísmo não deixa de ser uma “religião”, onde a crença básica, além do materialismo, envolve a primazia absoluta da ciência, como a única forma válida para se obter conhecimento em geral.

Por causa disto, os novos ateus não admitem, de forma nenhuma, que os cristãos  tenham uma fé racional. Num livro publicado no ano de 2000, contendo o debate entre o então Cardeal Ratzinger (hoje Papa Bento XVI) e o intelectual ateu Paolo Flores D’Arcais, o segundo disse literalmente que é perfeitamente possível haver boa convivência entre a fé cristã e o ateísmo, desde que os cristãos reconheçam que suas crenças não são racionais. Não foi dito, mas ficou claro pelo contexto, que uma fé racional (como defendo aqui neste blog) iria concorrer com a ciência, que precisa ter sempre a primazia.

O ponto fraco do novo ateísmo é ser uma fé “parasita” – não uso esse termo com qualquer tom pejorativo. Isto por que a “doutrina” do ateísmo é desenvolvida apenas para combater o cristianismo. Ela têm argumentos respeitáveis para aqueles pontos  que  são espinhosos  para o cristianismo – como, por exemplo, para explicar por que o mal existe – e é fraca nos demais aspectos.

Não tenho espaço neste post para discutir em detalhes os pontos fracos do novo ateísmo, mas basta lembrar que há coisas que não são materiais, como os sentimentos, mas que têm grande impacto em nossas vidas. Além disto, a ciência não explica e nem jamais explicará, por que este não é o campo de atuação dela, as questões relacionadas com o significado da vida - essas questões têm sido tradicionalmente o objeto de estudo da filosofia e da religião. E quando essas questões não são respondidas, a vida fica sem um sentido maior, que possa inspirar e iluminar a caminhada do ser humano.

Pseudo-cristãos
O outro grupo contrario ao cristianismo é formado por intelectuais, muitos dos quais se dizem cristãos, que querem podar dos ensinamentos de Jesus aquilo que incomoda: Ele disse, por exemplo, que é o único caminho para Deus (ver João, capítulo 14, versículo 6),  que o sofrimento faz parte da vida de todos, inclusive do cristão (ver Mateus, capítulo 10, versículos 38 e 39) e que existe um inferno (ver Mateus capítulo 26, versículos 31 a 46) e por aí vai.

Acho que esse grupo é até mais perigoso do que os neo-ateus, por que ele não “bate de frente” com a doutrina cristã, pelo contrário diz que a aceita, mas tenta desvirtuá-la.

A melhor forma de identificar se uma pessoa pertence a esse grupo é analisar como ela se refere a Jesus. Se Ele é visto como uma pessoa muito boa, com ensinamentos preciosos, que deveriam ser seguidos, mas nunca como o Salvador da humanidade, pode ter certeza que essa pessoa pertence ao grupo dos pseudo-cristãos.

Jesus foi amoroso e lutou pelos pobres, pelos marginalizados e mesmo pelos pecadores, mas nunca se preocupou em ser politicamente correto. Quando teve que criticar, o fez sem dó nem piedade: expulsou vendedores do Templo debaixo de chicotadas, chamou os fariseus de hipócritas – comparou-os a túmulos caídos de branco por fora e por dentro cheio de podridão –, chamou o rei Herodes de raposa e assim por diante.

O “adoçamento” do cristianismo faz com que ele perca parte de suas características mais importantes e deve ser combatido com firmeza. Não se trata de intolerância, mas sim de preservar a mensagem original de Cristo, tal qual nos foi transmitida cerca de 2.000 anos atrás.

Conclusão
Se o cristianismo não fosse tão importante e não incomodasse tanto, não haveria por que combatê-lo com tanta ênfase. Cabe a nós cristãos percebermos isso e defendermos a nossa fé, não com violência, mas sim com ideias e com o testemunho dos resultados que os ensinamentos vivos de Jesus têm trazido para tanta gente.


Esteja atento.


Vinicius