domingo, 31 de dezembro de 2017

HÁ MOTIVO PARA TER ESPERANÇA


Hoje acaba 2017 e a passagem do ano sempre é um bom momento para fazer uma avaliação do que aconteceu e renovar a esperança.

Esse é o tema do mais novo vídeo do Rogers. Nele, o Rogers analisa o que aconteceu com ele mesmo durante 2017, quando viveu um ano bem difícil. E sabemos que há muita gente como ele. 

Mas, há motivo para continuar a ter esperança, mesmo quando a situação parece difícil. E a razão é simples: a presença de Deus. Quando Ele está presente, não devemos olhar para as circunstâncias. Precisamos segurar na mão d´Ele e seguir em frente - veja o vídeo aqui

Veja outros vídeos meus aqui e aqui.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O PALHAÇO DESILUDIDO

Tiririca já era muito conhecido como palhaço quando resolveu se candidatar à Câmara de Deputados em 2010. Foi escolhido por uma dessas legendas políticas de "aluguel" para conseguir muitos votos e contribuir para eleger um grupo de outros deputados, pegando "carona" na sua popularidade. E assim aconteceu - ele foi o candidato a deputado federal mais votado em todo o país em 2010 e um dos mais populares em 2014, elegendo muita gente com ele.

Confesso que quando vi o Tiririca ser eleito pela primeira vez, fiquei desapontado. Não via nele a menor condição de ser um deputado que pudesse verdadeiramente contribuir para a democracia brasileira. 

Talvez meu julgamento tenha tido um certo fundo de preconceito - não vou negar - como acontece com quase todos os seres humanos (veja mais). O fato é que Tiririca levou a função de deputado federal a sério - passou a frequentar todas as sessões da Câmara e tentou contribuir de fato. 

Duas semanas atrás, depois de sete anos de mandato, Tiririca subiu à tribuna para dizer que não vai ser candidato de novo, por estar desiludido com a forma como a política é feita na Câmara dos Deputados. Ele descobriu que pouco podia fazer, a menos que passasse a fazer parte dos esquemas de poder existentes e participasse de atos que não seriam no melhor interesse público. 

Em resumo, o palhaço ficou desiludido com as "palhaçadas" que presenciou ao longo de sete anos de mandato. E que ensinamento podemos tirar desse fato para nossas vidas?

Quando parece ser possível fazer muito pouco 
Desanimar e querer abandonar a luta para melhorar as coisas, quando se perde a esperança de conseguir resultados concretos, é um sentimento muito comum, não é só do Tiririca - eu mesmo já passei por isso.

Quem pretende mudar uma organização (ou sistema de poder) para torná-la melhor certamente vai encontrar resistências e incompreensões de todos os tipos - lembro bem, no começo da minha carreira de engenheiro, quando trabalhava numa grande empresa internacional, ter ouvido a declaração que "aqui as coisas são feitas assim, não tente mudar nada".

O desânimo vem mesmo, pois não deveria haver resistência para mudar as coisas para melhor. Mas, quase sempre há, por questões de luta pelo poder, acomodação, interesses escusos e outras razões , que não vem ao caso discutir aqui. 

Desanimar e largar a luta, como está fazendo o palhaço bem intencionado, também não resolve nada. Apenas deixa o caminho livre para quem não quer mudar nada.

Jesus enfrentou uma situação similar a essa. Havia dois grupos religiosos que dominavam a sociedade judaica na sua época: os fariseus e os saduceus.

Os primeiros criavam e impunham regras e mais regras de comportamento sobre o povo judeu, transformando a vida das pessoas numa verdadeira prisão. Os saduceus (grupo formado pelos principais sacerdotes) se aliaram aos conquistadores Romanos e usaram essa relação política para extorquir dinheiro das pessoas, explorando as práticas religiosas existentes (p. ex. os saduceus vendiam, por valores altos, os animais aceitos para serem usados nos sacrifícios).

E, no meio dos saduceus e fariseus, ficava o povo, espremido, de um lado, pelo legalismo e, por outro, pela exploração dos sacerdotes. E as pessoas acabavam se conformando, pois entendiam não ter forças para conseguir mudar sua situação.

Jesus entrou de cabeça num projeto para mudar a sociedade judaica: usou sua autoridade para mostrar aos judeus que não precisavam se sujeitar às regras de vida impostas pelos fariseus, pois essa não era a vontade de Deus. E chegou a dizer que a religião dos fariseus era pura hipocrisia. 

E também denunciou a exploração dos saduceus, como no incidente em que expulsou os cambistas e vendedores de animais do Templo de Jerusalém, fato que contribuiu muito para que os principais sacerdotes conspirassem contra Ele e viessem a provocar seu martírio.

Por conta da ação de Jesus, uma nova realidade acabou nascendo no meio do povo judeu. Ela começou pequena, formada por um punhado de discípulos de Jesus, e foi crescendo, crescendo e acabou impactando toda a sociedade da época.

O "sistema" desse mundo tenta dominar os seres humanos, em proveito de poucas pessoas - sempre foi e sempre será assim e a Bíblia é clara a esse respeito. Mas o exemplo de Jesus, corroborado pelo ensinamento do apóstolo Paulo (Romanos capítulo 12, versículo 2) ensinaram que é preciso não nos conformarmos com o "sistema do mundo" e continuar a fazer o que estiver a nosso alcance para mudar as coisas.

Foi essa percepção que faltou ao palhaço bem intencionado, mas desiludido. 

Com carinho

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

AS SETE VOLTAS ENTORNO DE JERICÓ

Moisés comandou a saída do povo de Israel da escravidão no Egito, conforme o relatado do livro do Êxodo. Mas o plano de Deus não incluía apenas livrar o povo da escravidão. Era preciso também encontrar um novo lar para Israel, onde o povo pudesse prosperar.

Seguindo a promessa que Deus tinha feito para Abraão, esse lar deveria ser a Terra Prometida, também conhecida como Canaã (hoje em dia, chamamos de Palestina). E assim, cabia a Israel conquistar aquele território, sob a liderança de Josué (moisés não entrou na Palestina).

É preciso lembrar que o povo de Israel tinha sido escravo durante mais de 400 anos e, mesmo depois de uma preparação de 40 anos no deserto, ainda não tinha ainda experiência em guerrear. Portanto, as primeiras batalhas seriam um desafio muito grande. 

Jericó foi a primeira cidade no caminho de Israel, ao entrar em Canaã. O primeiro desafio a ser vencido. E ela contava com muros altos e fortes.

É interessante perceber que Deus disse a Josué que não seria necessário o povo fazer muita coisa para conquistar Jericó, pois o próprio Deus derrubaria os muros que protegiam a cidade. Para tanto, bastaria que Israel circulasse em volta dos muros durante seis dias, enquanto os moradores de Jericó se sentiam seguros dentro do recinto fortificado. 

E, no sétimo dia, Israel precisaria circular os muros por mais sete vezes. Há uma conclusão importante a tirar desse fato: Jericó não podia ser uma cidade grande para nossos padrões - seria impossível circular por sete vezes uma grande cidade num único dia. 

Completados os sete círculos, as trombetas de Israel deveriam tocar e o povo gritar em alta voz. E os muros iriam cair. Assim foi feito, e os muros de fato caíram (Josué capítulo 6).

Agora, por que Deus pediu toda essa preparação?Por que Deus não fez o milagre no primeiro dia?

É interessante perceber que períodos de espera e de dificuldades, que parecem meio absurdos, são bastante comuns nos relatos bíblicos. Por exemplo, Isaque precisou orar por vinte anos para que sua mulher Rebeca engravidasse de Esaú e Jacó. José passou cerca de 20 anos sofrendo, no Egito, antes de vir a ser o principal ministro do faraó. Paulo teve que passar por inúmeros problemas (naufrágios, perseguições, fome, etc) para conseguir anunciar o Evangelho de Jesus Cristo.

Penso que tudo isso traz uma lição muito importante para nós, que pode ser dividida em duas partes. A primeira parte estabelece a necessidade de confiar em Deus, não importa o que Ele venha a pedir. É preciso sempre acreditar que Ele tem boas razões para fazer isso, razões essas que quase sempre são desconhecidas para os seres humanos.

A segunda parte do ensinamento é que as lutas e o período de espera fortificam o caráter da pessoa que está sendo preparada por Deus. Foi isso que aconteceu com José, que amadureceu muito durante o período de adversidades no Egito, deixando de ser um rapaz mimado e sonhador e virando um estadista.

Se o povo de Israel não tivesse circulado a cidade por treze vezes (seis vezes em dias anteriores e sete no último dia) e não tivesse cumprido integralmente a orientação dada por Deus, o milagre não teria ocorrido. 

Uma volta a menos parece não fazer muita diferença, mas significaria desobediência, falta de confiança em Deus e isso teria impedido o milagre de acontecer.

Com carinho

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

FELIZ NATAL

Para você, que nos acompanhou aqui no site durante todo o ano de 2017, e também vive diariamente o desafio de ser cristão/ã, nossos melhores votos de Feliz Natal, cheio das bençãos de Deus.

Não se esqueça do significado real do Natal - essa comemoração não tem a ver com comer bem, trocar presentes ou reunir a família, embora não haja nada errado em fazer essas coisas. O Natal marca o nascimento de Jesus, sua chegada ao mundo para cumprir uma missão. 

O Natal, sobretudo, representa a manifestação da Graça de Deus entre nós, porque foi através dela que Deus mandou seu Filho para viver entre nós. 

Gosto muito de ouvir hinos na época do Natal, hábito que aprendi com meu pai. Sempre me emociono ao cantar "Noite Feliz", "Pinheirinho de Natal" e tantas outras músicas tradicionais nessa época do ano. 

Agora, um dos hinos que mais gosto de ouvir no Natal não é tradicional para essa época do ano. Esse hino toca muito meu coração justamente por falar da Graça de Deus, que, conforme expliquei acima, tem tudo a ver com a chegada de Jesus ao mundo. 

"Maravilhosa Graça" (em inglês, "Amazing Grace") foi escrito por John Newton, um ex-traficante de escravos, cuja vida mudou totalmente depois da sua conversão. Talvez seja o hino mais conhecido e amado pelos evangélicos, embora não seja tão famoso entre nós. E tem sido usado em ocasiões marcantes da história, como no dia em que Nelson Mandela foi libertado, depois de muitos anos preso na África do Sul.

Ouça "Amazing Grace", com legendas em português, numa linda interpretação de Bill Gather, grande cantor gospel americano, onde ele conta um pouco da história de como o hino foi composto - clique aqui

Com carinho

sábado, 23 de dezembro de 2017

MANUAL DO CRENTE PARA AS FESTAS DE ANO NOVO

O que fazer e o que não fazer nas festas de fim de ano? Esta postagem traz como um "manual do crente" para dar dicas para você sobre como proceder.

As festas de passagem de ano costumam ser carregadas de superstições - tem gente que se veste de branco, tem gente que vá para a praia pular onda e outras coisas mais. Será que isso é válido?

Também são comuns as listas de promessas para o ano que se inicia, recheadas de coisas (quase nunca são cumpridas), como emagrecer, economizar dinheiro e assim por diante. Será que isso é bom?

Resumindo, a pastora Carol e a Alícia falam no seu novo vídeo sobre o que deve ser feito por ocasião da passagem de ano. São muitas dicas que vão ajudar você - veja aqui.

Outro vídeo sobre o mesmo tema - veja aqui.

Outros vídeos da pastora Carol
Se você quiser ver outros vídeos da pastora Carol, visite o canal dela no Facebook aqui.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

MUDANÇA DE PROPÓSITO

O que o chamado de Jesus para Pedro e João, para que mudassem o propósito das suas vidas e passassem a ser pescadores de homens, tem a ver com a história da calça jeans? Parece que nada, não é mesmo? Mas tem tudo a ver.

Essa questão toda traz um ensinamento muito importante para a sua e a minha vida. Confira o mais novo vídeo do Rogers, onde ele onde fala sobre esse tema - veja aqui.

Outros vídeos do Rogers:
Eu tenho muitos outros vídeos aqui no site, abordando os mais diversos temas. Veja dois exemplos abaixo:

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

SERÁ QUE DEUS ERROU NO PLANEJAMENTO DO PRIMEIRO NATAL?

Certa vez um amigo meu fez uma obervação muito interessante: “Se eu não tivesse absoluta confiança em Deus, pensaria que Ele não sabe planejar. Veja as condições nas quais Seu Filho chegou ao mundo.”

Meu amigo se referia ao fato que José e Maria, grávida de nove meses, chegaram a Belém e não encontraram lugar onde ficar. Acabaram instalados de maneira absolutamente precária, num curral, em meio a animais. O berço de Jesus foi um cocho (chamado naquela época de manjedoura), local usado pelos animais para comer. 

Olhado de fora, tudo parece ter sido muito improvisado, fruto de falta de planejamento. Mas, essa impressão de improvisação acaba quando vemos a mensagem que foi recebida pelos pastores, através de um anjo (Lucas capítulo 2, versículos 11 e 12): 
É que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura. 
Em outras palavras, Jesus nasceu onde tinha mesmo que nascer, por mais incrível que possa parecer. Era o plano de Deus que as coisas ocorressem exatamente assim!

A discussão então muda de figura: passa ficar centrada na diferença que existe entre a forma de Deus pensar e a nossa. Eu me explico.

Acredito que ninguém escolheria conscientemente que seu filho nascesse numa estrebaria. Deus fez uma coisa que parece loucura aos olhos dos seres humanos. Aliás, foi isso mesmo que o apóstolo Paulo quis dizer em 1 Corintios, capítulo 1, versículos 27 e 28: 
Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e as coisas fracas do mundo para envergonhar os fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas e aquelas que não são, para reduzir a nada os que são... 
Essa diferença de forma de pensar fica ainda mais evidente quando refletimos sobre vários outros aspectos da vida de Jesus, como, por exemplo:
  • Por que Jesus precisou sofrer tanto nesse mundo? Afinal, Ele nasceu num lugar horrível, viveu em pobreza, foi discriminado pelos moradores da cidade onde foi criado (porque sua mãe engravidou antes de se casar com seu pai legal, José).
  • Por que Ele tinha que ser perseguido pelos líderes religiosos da sua época?
  • Por que foi necessário que Ele passasse por morte tão horrível, pregado numa cruz?
Se eu reservasse uma vida assim para qualquer um dos meus dois filhos, eles provavelmente pensariam o pior de mim e todo mundo ao meu redor pensaria o mesmo.

É claro que cada uma dessas aparentes "loucuras" de Deus tinha uma razão de ser, dentro do Seu Plano de Salvação para o ser humano. E dá para provar isso com explicações contidas na própria Bíblia, mas eu não tenho espaço aqui para apresentar todos esses argumentos. 

Portanto, vou me limitar aqui a explicar um dos pontos levantados acima, a título de exemplo. Refiro-me ao fato de Jesus ter sido tão perseguido pelos líderes religiosos judeus. 

Na verdade, Jesus encontrou entre os judeus uma religião hipócrita, onde as aparências valiam mais do que tudo. E Ele se insurgiu contra essa situação, pois, para Deus, o que vale verdadeiramente é o que a pessoa pensa e faz, não o que aparenta ser. 

Ao comemorar o Natal, lembre-se que a vinda de Jesus ao mundo, da forma como se deu, é um dos atos de Deus que menos conseguimos entender. 

Concluindo, não se surpreenda se você não entender os desígnios de Deus em relação a determinadas coisas ocorridas na sua própria vida, bem como na vida das pessoas que você ama. Lembre-se que Ele pensa mesmo de forma diferente de nós.

Com carinho

domingo, 17 de dezembro de 2017

CURIOSIDADES SOBRE O NASCIMENTO DE JESUS

Estamos vivendo o Advento, o período que abrange os 4 domingos antes do Natal. O objetivo dessa comemoração é fazer os cristãos refletirem sobre o nascimento de Jesus e seu significado para a humanidade. 

Isso é especialmente importante para evitar que fiquemos totalmente tomados pelo espírito festivo do final do ano (troca de presentes e comemorações as mais diversas) e deixemos de celebrar aquilo que realmente importa, a vinda de Jesus.

Dentro desse espírito, apresento abaixo algumas curiosidades sobre o nascimento de Jesus que vão ajudar você a entender melhor o que realmente aconteceu dois mil anos atrás, numa pequena cidade da província Romana da Judeia, chamada Belém Efrata. 

Por que Jesus nasceu em Belém?
A explicação tradicional é que houve um censo promovido pelos Romanos e José, sendo da família do rei Davi, precisou ir até a cidade onde aquele rei tinha nascido (Belém) para cumprir as formalidades legais. 

Agora, é importante perceber que o nascimento de Jesus em Belém foi profetizado cerca de 700 anos antes, conforme está registrado no Velho Testamento, em Miqueias capítulo 5, versículo 2:
E tu, Belém Efrata, pequena demais ... de ti sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.
Portanto, o censo convocado pelos Romanos foi o instrumento que Deus usou para que seu plano fosse cumprido.

Como foi o nascimento na estrebaria?
A imagem que fica em nossas mentes, quando olhamos para os presépios espalhados por aí é "adocicada". Parece tudo bonito - o bebê deitado na manjedoura, cercado de animais e pastores. 

Mas, não foi nada disso. Jesus nasceu numa estrebaria suja, escura e mal cheirosa, enfim, o pior lugar possível para um bebê nascer. Um parto que viesse a acontecer, hoje em dia, no meio da rua de uma cidade brasileira, teria condições melhores do que aquelas que Maria teve.

O "berço" onde Jesus foi colocado não passava de um cocho, onde os animais comiam capim e outros vegetais - nada higiênico ou edificante.

Sabemos que os pastores apareceram por lá, viram o bebê e louvaram a Deus. Agora, pastores, na época de Jesus, eram pessoas num nível muito baixo nível da escala social. Eram considerados homens grosseiros e sujos. A imagem "bonita" do pastor somente nasceu bem depois, quando Jesus chamou a si mesmo de "o bom pastor". 

Na época de Jesus, seria até vergonhoso para José relatar para seus amigos e parentes que o recém nascido foi visitado por pastores.

Já a vista dos magos, que vieram do Oriente para visitar Jesus e lhe levar presentes (ouro, incenso e mirra) não aconteceu na estrebaria, mas bem depois, quando a família de José já tinha arranjado uma casa para ficar (Mateus capítulo 2, versículos 1 a 12). Portanto, os presépios estão historicamente errados ao mostrarem os magos presentes na estrebaria.

O que foi a "estrela de Belém"?
Essa estrela (Mateus capítulo 2, versículo 2) foi um fenômeno astronômico que marcou os céus da Judeia, nos tempos do nascimento de Jesus. Os reis magos, que eram astrônomos, usaram a estrela como referencia para guiar seus passos na busca por Jesus, da mesma forma como os navegadores portugueses costumavam usar a constelação do Cruzeiro do Sul para trazer suas caravelas para o Brasil.

Até hoje há muita discussão sobre a tal "estrela". As hipóteses científicas oferecidas são um cometa, considerada a hipótese mais provável, uma supernova (a explosão de uma estrela envelhecida) ou uma conjunção muito rara de planetas. 

Não há nenhuma concordância sobre qual dessas hipóteses é a mais provável, mas sem dúvida aconteceu um fenômeno astronômico naqueles dias. 

Por que Jesus era chamado "o Nazareno"?
Naquela época, as pessoas não tinham sobrenomes. Por causa disso, para evitar confusão, já que os nomes que recebiam eram muito comuns, elas eram identificadas pelo nome do pai e pela profissão dele - por exemplo, Jesus, filho de José, o carpinteiro. Frequentemente, era também era usado o local onde a pessoa tinha nascido e/ou sido criada - por exemplo, Maria de Magdala (ou Magdalena).

Jesus ficou conhecido como "o Nazareno" embora tenha nascido em Belém, na Judeia, porque foi criado em Nazaré, pequena vila da província Romana da Galileia. Por isso também era conhecido como "o Galileu".

Jesus nasceu em Belém quase como por "acidente", conforme expliquei acima, mas não tinha qualquer identidade com aquela cidade.

Por que os pais levaram o bebê ao Templo? 
A lei mosaica dizia que todo primeiro filho pertencia a Deus (as "primícias" do útero materno). Assim, a família precisava "resgatar" a criança, através de um sacrifício feito no Templo de Jerusalém.

Para cumprir essa ordenança, os pais de Jesus o levaram até Jerusalém, dias depois do seu nascimento. Como tinham poucas posses, ofereceram o sacrifício mais simples possível: duas rolinhas (Lucas capítulo 2, versículos 22 a 24).

Foi durante essa visita que Jesus foi reconhecido por dois profetas - Simeão e Ana - e proclamado, pela primeira vez, o Messias de Israel (Lucas capítulo 2, versículos 25 a 38).

Com carinho

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

AS FESTAS RELIGIOSAS DA BÍBLIA


A Bíblia estabelece, no Velho Testamento, uma série de festas que deveriam ser respeitadas pelo povo de Israel e essa orientação é seguida até hoje. 

São sete grandes festas anuais. e como o calendário do povo judeu é lunar (contado com base nas fases da lua), essas festas não caem sempre no mesmo dia do ano (como acontece com o nosso Carnaval). 

É interessante perceber que todas essas festas apontam para a figura do Messias de Israel, Jesus. Vejamos o significado de cada uma delas:

Páscoa
A Páscoa foi comemorada pela primeira vez na noite anterior ao dia em que o povo de Israel saiu da escravidão no Egito. Deus mandou que cada família comesse um cordeiro assado, juntamente com ervas amargas e pães sem fermento, representando a aflição que o povo passou no Egito e a pressa que tiveram em sair dali. 

O sangue daquele cordeiro deveria ser pintado na porta da casa para que o anjo da morte não causasse nenhum mal ao passar, quando cumpria a décima praga lançada contra o Egito, a morte dos primogênitos (Êxodo capítulo 12).

A Páscoa sempre teve uma relação muito forte com o Messias: os judeus sempre acreditaram que, assim como Deus salvou seu povo da escravidão no Egito, na Páscoa, usando Moisés como seu instrumento, uma nova salvação viria naquela mesma data, dessa vez através do Messias. 

Essa libertação veio sim na Páscoa, pois foi nessa época que Jesus foi preso e crucificado, para que seu sangue servisse como expiação para nossos pecados. 

Pães Ázimos
Essa festa devia começar na ceia da Páscoa, onde já eram servido pães sem fermento (ázimos). E por sete dias os judeus somente podem comer esse tipo de pão e outros alimentos sem fermento (Deuteronômio capítulo 16, versículos 1 a 3). 

A razão para isso é que o fermento é como uma "infecção" (micro-organismos que nascem, crescem e depois morrem), que faz com que a massa cresça e fique aerada. 

Para os judeus, o fermento sempre foi relacionado com as "infecções" causadas por pecados como orgulho e hipocrisia - vale lembrar que Jesus chamou esses pecados de "fermento" dos fariseus (Lucas capítulo 12, versículo 1). Por causa disso, nenhuma oferta de alimento feita para Deus podia conter tal ingrediente (Levítico capítulo 2, versículo 11 e capítulo 6, versículo 17).

Ora, Jesus foi uma pessoa sem pecado e passou por grande sofrimento (aflição) e, portanto, seu corpo é perfeitamente representado pelo pão ázimo. Logo, não é surpresa que ele tenha morrido exatamente no dia em que essa festa começou a ser comemorada. 

Primeiros Frutos 
Essa festa era comemorada no primeiro dia depois do sábado que se seguia à Páscoa. Celebrava o primeiro dia da colheita da cevada e assim uma pequena parte do cereal colhido era oferecida a Deus. No sábado que precedia essa festa, a passagem lida nas sinagogas vinha de Ezequiel capítulo 37, versículo 5, quando o profeta profetizou para um monte de ossos secos: 
Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós e vivereis
No ano em que Jesus morreu, a Páscoa ocorreu na quinta feira, portanto a festa dos Primeiros Frutos caiu no domingo (contado a partir do cair do sol no sábado). Portanto, no sábado antes da ressurreição, quando o texto de Ezequiel acima citado foi lido nas sinagogas, Jesus ainda estava morto e enterrado. E o texto de Ezequiel serviu como profecia para a ressurreição, que aconteceu exatamente no dia da comemoração da festa dos Primeiros Frutos. 

Quando Paulo disse (1 Coríntios capítulo 15, versículos 20 a 23) que Jesus era como "os primeiros frutos daqueles que dormem", os judeus certamente fizeram a ligação com a festa comemorada no dia da sua ressurreição.

Pentecostes (semanas)
Sete semanas após a festa dos Primeiros Frutos vinha o Pentecostes (Deuteronômio capítulo 16, versículos 9 a 12). E foi no dia em que essa festa estava sendo comemorada que o Espírito Santo chegou e as pessoas falaram em línguas que não conheciam (Atos capítulo 2, versículos 1 a 4).

Essa festa comemora o dia em que os israelitas chegaram ao Monte Sinai, depois de sair do Egito (data comemorada na Páscoa). Foi no dia de Pentecostes que eles receberam a Lei de Deus (os Dez Mandamentos), conforme Êxodo capítulo 19, versículos 1 a 20. E a Lei é o símbolo da Primeira (Velha) Aliança, aquela que Deus fez com o povo judeu.

O episódio em que Deus apareceu para dar a Lei para Israel foi marcado por fogo e outros sinais maravilhosos. E o texto ensinado nas sinagogas no dia em que se comemora essa festa está em Ezequiel (capítulos 1 e 2), onde o profeta relata uma visão caracterizada por ventos e fogo.

Conforme já disse, para os cristãos, o Pentecostes marca a chegada do Espírito Santo, em meio a forte vento, quando apareceram línguas de fogo sobre as cabeças das pessoas. E é isso que marca o início da Nova Aliança, a inauguração da história da igreja cristã. Mas, ao invés de inscrever seus mandamentos em tábuas de pedra, como fez no Monte Sinai, desta vez Deus escreveu seus mandamentos nos corações dos seres humanos, através do Espírito Santo. 

Ano Novo (Trombetas)
A festa de Ano Novo abre um segundo ciclo de festas, que acontece cerca de seis meses depois das outras quatro festas. Nesse dia os judeus começam a contar seu ano civil. Essa festa também é conhecida como Trombetas, pois tem início com o toque do "shofar" (veja mais). 

O Ano Novo comemora a criação do mundo, por isso, nessa data, é lido em todas sinagogas o texto de Gênesis capítulo 1 que relata esses acontecimentos. E aí tem início o período de dez dias no qual os judeus precisam examinar seu comportamento ao longo do ano que passou, como preparação para o dia do Perdão.

Para o cristão, essa festa marca a esperança de que Cristo vai voltar, ao som da trombeta, conforme Paulo ensinou em 1 Corintios capítulo 15, versículos 51 e 52. Mas sua chegada não será apenas motivo de alegria, pois ainda haverá o Julgamento Final. 

Perdão
Já escrevi detalhadamente sobre a comemoração desse dia (veja mais), o mais solene do ano judaico, data em que o povo pede precisa pedir perdão tanto pelos seus pecados individuais como pelos pecados coletivos.

Para o cristão, o Yom Kippur simboliza o dia do Julgamento Final, quando Deus pedirá contas a cada ser humano.

Tendas
Essa festa ocorre cinco dias depois do Yom Kippur. Nos dias de Jesus, acontecia uma grande celebração no Templo de Jerusalém, com duração de sete dias. 

A festa comemora o período que o povo passou no deserto do Sinai, quando Deus cuidou de todas suas necessidades, mandando comida e água (Deuteronômio capítulo 16, versículos 13 a 17). 

Durante esse período, as pessoas habitavam cabanas provisórias, daí a festa procurava reproduzir essa situação pois as pessoas habitavam em tendas por alguns dias. 

Essa festa também comemorava a principal colheita do ano (trigo), marcando o fim do período seco anual na Palestina, que dura seis meses, quando não cai uma gota de chuva. Por causa disso, no final da festa das Tendas, os sacerdotes faziam uma libação com água, pedindo a chegada da chuva.

E foi exatamente durante a comemoração dessa data que Jesus disse que quem viesse até Ele nunca mais teria sede (João capítulo 7, versículos 37 e 38). 

Resumo
As sete grandes festas judaicas relembravam periodicamente para os judeus fatos importantes da sua relação com Deus. Os cristãos copiaram a ideia de ter um calendário litúrgico (Sexta Feira Santa, Páscoa, Pentecostes, Natal e outros dias mais), com grande sucesso. 

Todas as festas estabelecidas na Bíblia têm grande relação com Jesus Cristo. As quatro primeiras (Páscoa, Pães Ázimos, Primeiros Frutos e Pentecostes) falam diretamente sobre sua morte e sacrifício, bem como a respeito da Nova Aliança que sua morte estabeleceu. 

Já as três outras (Ano Novo, Perdão e Tendas) se relacionam com fatos que ainda vão acontecer, no Final dos Tempos.

Com carinho

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

PRESTE ATENÇÃO NA PALAVRA DE DEUS

Muitas vezes estamos na igreja, ouvindo alguém pregar a Palavra de Deus, mas, na verdade, não estamos ali de fato, pois nossa atenção está em coisas muito distantes, que acabam ocupando a nossa mente. 

Isso é mais comum do que parece e, certamente, já aconteceu com você, como também comigo. 

Nos relatos da Bíblia, quando a Palavra de Deus era lida e explicada, as pessoas prestavam toda a atenção. Não se preocupavam com mais nada, somente em prestar atenção no que estava sendo dito.

É sobre isso que eu falo no meu mais novo vídeo. Trata-se de um alerta que, quando ouvimos a Palavra de Deus, é ela que deve dominar nossos pensamentos - veja aqui

Veja outros vídeos meus:
Como dar consolo - veja aqui
Não se deixe desviar da sabedoria de Deus - veja aqui

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O NOME CORRETO DO NOSSO SALVADOR

Ouvi, certa vez, uma pregação na qual a pastora disse mais ou menos o seguinte: "o nome verdadeiro do nosso Salvador é Yehoshua e se você quiser que Ele ouça quando você tentar falar com Ele, precisa chamá-lo pelo nome correto. Afinal, você só responde, quando te chamam pelo seu nome". 

Essa tipo de declaração polêmica levanta duas questões. A primeira refere-se à identificação do nome correto de Jesus. Teria sido esse nome distorcido ao longo dos séculos

A segunda questão, não menos importante, refere-se à forma como Jesus deve ser invocado. Será que há uma única forma correta de fazer isso

Algumas informações preliminares
Nomes nascidos numa língua, quando são usados por pessoas de outra língua, costumam ser transliterados. Essa palavra difícil significa simplesmente transpor os sons correspondentes a esse nome da língua original para a nova língua. Por exemplo, transliteramos o nome "New York" (em inglês) para "Nova Iorque" (em português). 

É comum que haja mais de uma forma de transliterar um nome, pois o mesmo som pode ser escrito de diferentes maneiras numa determinada língua. Por exemplo, usamos no português "ç" e "ss" para expressar sons iguais. 

Qual o nome correto do nosso Salvador?
Os nomes dos/as personagens bíblicos que usamos no dia-a-dia nasceram de transliterações das línguas originais (hebraico, aramaico ou grego) para o português, às vezes via uma língua intermediária, como o inglês. 

No caso do nosso Salvador, temos um ponto de partida sólido para essa discussão, pois a Bíblia conta qual foi o nome que Deus deu ao filho de Maria, conforme recado que lhe transmitido pelo anjo Gabriel (Lucas capítulo 1, versículo 31).

O nome que o anjo passou para Maria, transliterado da língua original para nossa língua, com a maior precisão possível, é "Yeshua", que significa "Deus salva" - a origem desse nome é a palavra "yeshuá", que significa salvação.

O nome "Yeshua" não é inédito na Bíblia, ou seja, nosso Salvador não tem o uso exclusivo desse nome. Esse nome aparece 29 vezes no Velho Testamento, como em Esdras capítulo 3, versículo 2, em referência a um sumo-sacerdote - ali o nome costuma ser traduzido como "Jesua" para diferenciar do nosso Salvador. 

Precisamos ainda ter em mente que "Yeshua" é uma abreviação do nome "Yehoshua", que é extremamente comum na Bíblia (aparece 219 vezes no Velho Testamento). A versão mais longa do nome costuma ser traduzida como Josué, por exemplo, o nome do segundo líder de Israel. 

Em alguns textos do Velho Testamento, como no livro de Neemias, as versões "Yeshua" e "Yehoshua" são usados de forma intercambiável (por exemplo, no capítulo 8, versículo 17), demonstrando que elas eram consideradas sinônimos. 

É provável que "Yeshua" fosse o nome usado no dia-a-dia, enquanto que nas ocasiões mais solenes - por exemplo, quando a pessoa era chamada na sinagoga para ler a Torah - prevalecesse a versão completa, "Yehoshua". Na cultura brasileira, seria como chamar a pessoa de "Zé" no dia-a-dia e de "José" nas ocasiões mais solenes. 

É possível que em alguns casos o nome tenha sido traduzido como Josué e em outros como Jesus pela vontade de diferenciar o nosso Salvador dos demais personagens bíblicos - não há dúvida que seria confuso chamar de Josué tanto o segundo líder da história de Israel como o nosso Salvador. Acredito que a praticidade acabou tendo um peso grande nessa escolha.

Agora, não há como ter certeza que o nome referido pelo anjo Gabriel tenha sido uma simples abreviação de um nome maior, ou a ideia fosse mesmo adotar o nome abreviado. Em outras palavras, simplesmente não sabemos se o nome do nosso Salvador é Yeshua, Yehoshua ou tanto faz.

Faz diferença invocar Jesus pelo nome certo?
Penso que não, por algumas razões. Primeiro, se não temos certeza qual era o nome certo, do nosso Salvador, conforme comentei acima, não faria sentido Deus impor essa obrigação ao povo cristão. 

Depois, também não me parece razoável pensar que Jesus possa fazer questão de que seu nome seja invocado de forma precisa, quando existem 2,5 bilhões de cristãos/ãs no mundo, tendo milhares de línguas maternas diferentes. 

Não há nada na Bíblia que dê apoio à exigência de chamarmos nosso Salvador por um único nome. Na verdade, podemos chamá-lo de "Jesus", de "Yeshua", de Yehoshua" ou até mesmo de "Josué". Nenhum desses nomes estaria errado. 

Qualquer outra exigência é uma ideia que nasce na cabeça das pessoas, pura e simplesmente, sem ter qualquer respaldo bíblico.

O que Jesus quer mesmo é manter um relacionamento próximo e amoroso com as pessoas e não que elas cumpram filigranas do tipo de usar um nome preciso. Ainda mais que, como Ele é onisciente, sabe perfeitamente quando alguém o está invocando, seja lá com que nome for. 

Com carinho

sábado, 9 de dezembro de 2017

OS SÍMBOLOS DO NATAL SÃO PAGÃOS?


Todo ano, quando as decorações de Natal são colocadas, trava-se uma discussão interminável entre os/as evangélicos/as sobre se essas decorações (árvores, bolas e outros enfeites) devem ser usadas, já que tiverem origem em meio pagão. Afinal, é ou não errado usar decoração natalina em ambientes cristãos?

E há argumentos a favor e contra uma e outra posição. Isso gera confusão e muita gente fica sem saber bem em quem acreditar - eu mesmo já recebi muitas perguntas a esse respeito aqui no site. 

Vou tentar esclarecer essa questão para que você possa tomar suas próprias decisões de forma tranquila e segura.

As raízes da divergência
Quem é contra as decorações de Natal procura evitar fazer uso de coisas que tenham potencial para contaminar suas vidas (por terem tido origem em meio pagão), dando espaço para a ação do Inimigo. 

Os que pensam de forma contrária, defendem que o importante mesmo é o uso que se dá às coisas e não a origem delas. Portanto, não haveria mal nenhum em usar decoração tradicional natalina, dando a elas um cunho cristão.

Quem está com a razão?
Eu dou razão a quem aceita as tradições natalinas, por duas razões. Primeiro, se formos eliminar de nossas vidas todas as tradições que tiveram origem no meio pagão, não vai sobrar quase nada. A segunda razão é haver respaldo bíblico para a incorporação em nossas vidas tradições vindas de outras origens, quando elas são usadas com o espírito certo.

Vou começar por discutir a primeira razão. Não faz sentido aceitar um monte de tradições pagãs e discriminar especificamente as tradições natalinas. Se fosse o caso de afastar tradições de origem pagã, seria preciso expurgar todas elas e não somente algumas coisas, preservando outras.

A verdade é que incorporamos, em nossa vida cristã, inúmeras tradições que tiveram origem pagã. E começo lembrando que há conceitos usados na teologia cristã cuja origem está em filósofos gregos - Platão, Aristóteles e outros. Um belo exemplo é a ideia do Verbo Divino (Cristo), citada no começo do Evangelho de João (capítulo 1, versículo 1), que foi inspirada no conceito do "logos" da filosofia grega. 

Outro exemplo interessante vem da arquitetura. Toda igreja tem um púlpito, lugar especial, pois dali o/a pastor/a fala à congregação. Repare que os púlpitos tradicionalmente costumam colocar o/a dirigente em local mais elevado, para caracterizar que está sendo passada dali uma mensagem vinda de Deus.

A ideia do púlpito foi tirada das cadeiras para leitura existentes em diferentes locais públicos do mundo pagão, inclusive nos templos. Esse conceito não existia no Templo de Jerusalém, construído por Salomão. E o púlpito só foi adotado pelo judeus, nas suas sinagogas, bem mais tarde, embora eles não tivessem escrúpulos em adotar boas ideias dos pagãos. 

Foi de um local desse tipo que Jesus leu do livro do profeta Isaías para a comunidade judaica, na sinagoga em Nazaré (Lucas capítulo 4, versículos 16 a 18).

Ao longo da história da igreja cristã essa cadeira de leitura foi usada em diferentes lugares, primeiro atrás do altar e, depois, na sua lateral, quando passou a ser conhecida como púlpito. 

Outro exemplo de tradição pagã adotada no cristianismo é a forma como se ministra o sermão - o/a pregador/a fala e todos escutam. No tempo de Jesus e no início do cristianismo, a pregação era feita com a participação dos ouvintes, com base em perguntas e respostas, como podemos perceber em vários exemplos do Novo Testamento. A forma atual deriva da prática dos professores de retórica e dos debates em praça pública realizados nas cidades gregas, que eram pagãs. 

O mesmo poderíamos dizer das vestes litúrgicas (estolas sacerdotais), da decoração do altar com cores representativas das diferentes épocas do ano, da arquitetura das catedrais, etc. Em todas essas práticas estão presentes tradições que vieram do paganismo.

O que fazer então? Devemos abandonar tudo isso? Penso que seria impossível e nem isso se faz necessário. E aqui entra a segunda razão pela qual defendo o uso das tradições natalinas: Deus não nos pede para fazer isso. 

E há um excelente exemplo na Bíblia do uso de tradições pagãs nas práticas religiosas do povo de Israel, uso esse aprovado por Deus. Refiro-me ao Templo de Jerusalém, construído por Salomão, segundo as orientações dadas pelo próprio Deus. O edifício principal desse tinha, na entrada, duas colunas enormes, decoradas com romãs (1 Reis capítulo 7, versículos 15 a 22). 

Ora, esse tipo de arquitetura (especialmente as duas colunas na entrada principal) era muito comum em templos pagãos, anteriores ao Templo de Salomão, conforme a arqueologia já demonstrou. Em outras palavras, a planta do Tempo de Salomão foi inspirada em tradições pagãs.

Além disso, os israelitas que trabalharam na construção do Templo de Jerusalém aprenderam seu ofício com artesãos do Líbano, considerados os melhores do mundo na época (1 Reis capítulo 5, versículos 13 e 14). Os artesãos israelitas usaram no Templo de Jerusalém a mesma arte que aprenderam dos seus professores libaneses, que eram pagãos. 

Por causa disso Deus desprezou o Templo de Jerusalém? De forma nenhuma: Ele encheu o local com sua presença (1 Reis capítulo 8, versículo 11). 

Concluindo, respeito quem pensa de forma diferente, evitando esse ou aquele simbolo natalino. Isso é questão de fôro íntimo que não cabe a ninguém discutir. 

Agora, mostrei aqui não ser possível estabelecer doutrina proibindo essas coisas. Porque são incontáveis os exemplos de tradições de origem pagã incorporadas ao nosso dia-a-dia, como também porque há exemplos bíblicos que referendam essa prática. 

Cada um faça aquilo que entende ser o correto - o que sua consciência lhe disser para fazer -, mas não é correto tentar impor às pessoas proibição do uso dos símbolos natalinos, como algumas lideranças cristãs tentam fazer.

Com carinho

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

SOBREVIVENDO ÀS FESTAS DE FIM DE ANO

As festas de fim de ano costumam ser momentos de muita alegria e comemoração. A mídia quase que só mostra reportagens de festas maravilhosas, com um monte de gente feliz. 

Mas muita gente não compartilha desse clima e sente-se triste, inadequada, frustrada ou até alheia às comemorações.

Neste novo vídeo, a pastora Carol e a Alícia refletem sobre essa questão e dão dicas sobre como fazer para sobreviver bem a esse período de festas que se avizinha, mesmo que você ache que não tenha qualquer motivo para se alegrar - veja aqui.

Leia mais sobre festas de fim de ano 
Veja essa postagem aqui.

Outros vídeos da pastora Carol
Visite o canal da pastora aqui.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

NÃO SE DEIXE DESVIAR DA SABEDORIA DE DEUS

Salomão, filho de Davi, foi um homem afortunado. Além de herdar o trono do pai, mesmo não sendo o filho mais velho, ele recebeu tudo de Deus: sabedoria, riquezas, poder, fama e vida longa. Sem dúvida, Salomão foi extremamente abençoado, mas ainda assim conseguiu se desviar da sabedoria de Deus.

Salomão desviou-se e acabou mal espiritualmente, deixando uma herança pesada para seu filho, que acabou levando à divisão do Reino de Israel.

A vida de Salomão guarda grandes ensinamentos para nós e é exatamente isso que o Rogers discute no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Outros vídeos meus aqui no site


domingo, 3 de dezembro de 2017

A CIÊNCIA DESMENTE A BÍBLIA NA CRIAÇÃO DO MUNDO?

A criação do universo é descrita em diversas passagens da Bíblia, especialmente nos livros do Gênesis e de Jó. O Gênesis, nossa referencia principal, conta que a criação foi feita em seis "dias", sendo que o ser humano foi formado no último "dia" (capítulo 1).

Ora, os estudos científicos demonstram que o universo tem quase 14 bilhões de anos e a Terra cerca de 4 bilhões de anos. O ser humano apareceu sobre a terra cerca de 20 mil anos atrás, o que parece contradizer a Bíblia. 

Os/as cristãos/ãs fundamentalistas dizem que a ciência está errada e há quem chegue a defender a tese absurda que a Terra tem pouco mais do que 10.000 anos de existência (a chamada teoria da "terra jovem"). 

A maior parte do povo cristãos fica no meio dessa "guerra" de declarações, sem saber bem no que e em quem acreditar. Será que a Bíblia é mesmo desmentida pela ciência? Quem tem razão? Como esclarecer essa confusão toda?

As raízes do problema
O povo cristão, de forma geral, acredita que o conteúdo da Bíblia é verdadeiro, por ser ela a Palavra de Deus. Eu também acredito nisso. Até aí tudo bem. 

Mas os/as cristãos/ãs fundamentalistas costumam ir além disso, dando um passo adicional questionável: essas pessoas também acreditam que os relatos contidos na Bíblia sobre a criação do universo descrevem literalmente, portanto, com precisão científica, como as coisas aconteceram.

Ora, se pensarmos com cuidado, esse passo não parece razoável. Deus precisou explicar para um povo ignorante em questões científicas, que viveu cerca de 3.200 anos atrás - época em que o Gênesis foi escrito - como o nosso universo foi criado.

Certamente, a única forma de conseguir fazer isso foi descrever o processo de criação, coisa extremamente complexa, usando símbolos e metáforas. Uma comparação simples permite explicar melhor o que quero dizer com isso. 

Imagine que eu precise explicar um avião a jato para um índio não aculturado. Provavelmente, eu falaria que se trata de um grande "pássaro de fogo" voando pelo céu. E isso não seria uma mentira, embora essa descrição não seja precisa do ponto de vista científico. 

A metáfora do "pássaro de fogo" permite que o índio não aculturado entenda o que estou falando, pois os conceitos "pássaro" e "fogo" são familiares para ele, enquanto a noção de "avião" não é. 

E assim também foi feito na Bíblia. A descrição da criação do universo é cheia de símbolos e metáforas para permitir que um povo sem qualquer noção científica entendesse o que estava sendo explicado. Portanto, é um erro tentar ler a Bíblia como um livro texto de física, pois ela não foi escrita com esse objetivo. 

Uma prova disso é o relato do descanso de Deus ao sétimo dia (Gênesis capítulo 2, versículos de 1 a 3): é claro que Deus não precisou descansar, pois isso não faz sentido para um ser como Ele. 

Esse "descanso" foi a forma encontrada para informar ao povo que Deus decidiu santificar um dia da semana, reservando-o para o descanso das pessoas, evitando que elas se tonassem "máquinas" escravizadas pelo trabalho.

Usando o relato da criação de forma correta
Se a Bíblia for lida da forma correta, você pode ficar tranquilo que ela não contraria a ciência, muito ao contrário. E para comprovar isso, escolhi três perguntas muito comuns, explicando como elas podem ser tranquilamente respondidas, sem contrariar a ciência e respeitando o que a Bíblia diz:

Pergunta 1: O mundo foi criado em 6 dias de 24 horas
É claro que não e nem a Bíblia diz isso. Na verdade, a palavra em hebraico que pode ser traduzida como "dia", também pode ser entendida como "espaço de tempo". Ou seja, os seis dias da criação são, na verdade, seis "espaços de tempo", seis fases de criação, com duração indefinida. 

Logo, não há nada na Bíblia que contrarie o fato do universo ter quase 14 bilhões de anos, pois essas fases pode ter durado um tempo muito longo, umas mais e outras menos. Não há problema aí.

Pergunta 2: A Bíblia comete um erro científico ao descrever que os céus e a terra foram criados juntos?
Gênesis capítulo 1, versículo 1, diz: "no princípio criou Deus os céus e a terra". Sem dúvida, parece estar sendo descrita a criação conjunta do universo (céus) e da Terra. Mas como há uma diferença de tempo muito grande entre o Big Bang (origem do universo) e a criação da Terra - quase dez bilhões de anos - parece haver um erro na descrição bíblica. 

O problema, nesse caso, decorre do fato que o Hebraico antigo (língua usada no Velho Testamento) tem um número reduzido de palavras, bem menor, por exemplo, que o Português. Não há, no hebraico antigo, palavras equivalentes a "cosmos" ou "universo". 

Essa dificuldade era contornada mediante o uso de expressões compostas: p. ex. "os céus e a terra" significava o conjunto de todas as coisas físicas que integram o universo, incluindo a matéria e a energia (radiações). Portanto, o versículo do início do Gênesis se refere apenas ao "Big Bang", ou seja, à explosão do "ovo cósmico" que deu origem a tudo. 

Pergunta 3: Como as plantas, criadas no terceiro "dia", poderiam ter sobrevivido sem o sol, criado no quarto "dia"?
Realmente, o Gênesis descreve que muitas plantas foram criadas no terceiro "dia" (capítulo 1, versículos 9 a 13), enquanto o sol teria sido criado depois (versículos 14 a 19). Ora, isso contraria as leis da biologia, pois as plantas precisam da radiação solar para fazer a fotossíntese.

Mas, se olharmos o texto com cuidado, veremos que, no primeiro "dia" (versículos 2 a 5), a Terra era sem forma e vazia, havendo trevas sobre sua superfície. E essa escuridão podia ser fruto de duas coisas: falta de luz ou impossibilidade dela chegar até a superfície da terra, na faixa do espectro visível ao olho humano. 

Como Deus tinha dito logo no início (versículo 1) "haja luz" e a luz se fez (desde a explosão do "Big Bang"), radiação luminosa, visível ou não, passou a ser emitida por uma série de corpos celestes (p. ex. as estrelas), logo quando são descritas as primeiras plantas (versículos 9 a 13), já havia radiação luminosa. Mas, provavelmente, a radiação luminosa que chegava até a superfície da Terra não era visível. A descrição encontrada no livro de Jó capítulo 38, versículos 4 e 9, confirma essa interpretação: 
Onde estavas tu [Jó] quando eu [Deus] lançava os fundamentos da Terra... quando eu lhe pus as nuvens por vestidura, e a escuridão por fraldas.
Ou seja, o texto de Jó descreve nuvens formando uma barreira tão espessa que não deixavam a luz visível passar - o que não quer dizer, por exemplo, que a chamada luz "ultravioleta" não conseguisse atravessar a camada de nuvens. 

Somente aos poucos a atmosfera foi sendo limpa e a luz visível começou a passar até sua superfície. Aliás, é exatamente esse o relato que a ciência faz da formação da atmosfera terrestre. Portanto, não há nada na descrição bíblica que contrarie a ciência.

Conclusão
A Bíblia também está correta na descrição da criação do universo, desde que a leitura desse texto seja feita entendendo o espírito do relato, baseado no uso de símbolos e metáforas. 

Quando isso é feito, é impressionante a concordância da Bíblia com aquilo que a ciência descobriu, milhares de anos depois.

Com carinho