terça-feira, 23 de outubro de 2012

DOIS TIPOS DE CRISTÃO: "ÁRVORE" E "CANO"

 "... Se alguém tem sede venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva."                                     João capítulo 7, versículos 37 e 38

Você sabe qual é a semelhança e a diferença entre uma árvore e um cano? A semelhança está no fato de tanto uma como o outro são bons condutores de água. Afinal, canos são fabricados especialmente para conduzir líquidos enquanto as árvores buscam água no solo, através das duas raízes e depois a levam, na forma de seiva, para alimentar toda a planta.

Agora, também há uma grande diferença: canos não são modificados pela passagem da água (exceto por alguns resíduos que ficam acumulados) enquanto árvores usam a água  para se manterem vivas. Canos simplesmente transportam a água ao longo de toda a sua vida útil, mas águas usam-na para viver. 

Você é "árvore" ou "cano"?
O versículo que abre este texto apresenta a metáfora de que Jesus é a fonte de "água viva", que nunca cessa de jorrar.


Agora, como você lida com essa "água viva"? Como "cano" ou como "árvore"? Se ela passa por você e praticamente não deixa nenhuma consequencia em sua vida, exceto alguns "resíduos", você é um cristão tipo "cano" - sua vida em nada é modificada pela presença de Jesus em sua vida.

Mas, se você é um cristão "árvore", a "água viva" vai fazer seu espírito crescer, frutificar e gerar sementes, que poderão dar origem a novas "árvores".

Com carinho

domingo, 21 de outubro de 2012

A CIÊNCIA DESMENTE A BÍBLIA NA CRIAÇÃO DO MUNDO?

A criação do universo é descrita em diversos locais da Bíblia, especialmente nos livros do Gênesis e de Jó (essa segunda fonte é um "segredo que pouco conhecem). O Gênesis conta que a criação do universo foi feita em seis dias e o ser humano foi formado no último dia (capítulo 1).

Ora, os relatos científicos demonstram que o universo tem quase 14 bilhões de anos, a Terra cerca de 4 bilhões de anos e o ser humano algo como algumas dezenas de milhares de anos, o que parece contradizer a Bíblia. 

Os cristãos fundamentalistas dizem que os cientistas é que estão equivocados e chegam a defender a tese absurda que a Terra tem pouco mais do que 10.000 anos (a chamada teoria da "terra jovem"). 

A maior parte dos cristãos fica no meio dessa "guerra" de declarações, sem saber bem no que e em quem acreditar. Será que a Bíblia é mesmo desmentida pela ciência, no que tange ao relato da criação do mundo? Ou então, como esclarecer essa confusão toda?

As raízes do problema
Os cristãos acreditam que tudo que está na Bíblia é verdade, por ser ela a Palavra de Deus. Até aí tudo bem. 

Mas os cristãos fundamentalistas costumam dar mais um passo, muito questionável: eles acreditam que os relatos contidos na Bíblia sobre a criação do universo descrevem literalmente, portanto com precisão científica, como as coisas aconteceram.

Ora, se pensarmos com cuidado, esse segndo passo não é razoável - afinal Deus teve que explicar para um povo ignorante em termos científicos, que viveu cerca de 3.500 anos atrás (época em que o Gênesis foi escrito), como o universo foi criado.

Certamente que a única forma de atingir esse objetivo foi descrever esse processo tão complexo através de símbolos e metáforas. Uma comparação simples permite explicar melhor o que quero dizer: imagine que eu precisasse explicar o que é um foguete espacial para um índio não aculturado. Provavelmente precisaria falar que se trata de um grande "passaro de fogo" voando para o céu. E isso não seria uma mentira, embora essa descrição não seja precisa do ponto de vista científico. E assim também foi feito na Bíblia. 

Portanto, é um erro tentar ler a Bíblia como um livro texto de física, pois ela não foi escrita com esse objetivo. Uma prova disso é o relato do descanso de Deus ao sétimo dia (Gênesis capítulo 2, versículos de 1 a 3) - é claro que Deus não precisou descansar, pois isso não faz sentido para um ser como Ele. Esse "descanso" foi a forma encontrada pelo autor do texto para informar ao povo que Deus decidiu santificar um dia da semana, para que o ser humano pudesse descansar, deixando de ser uma "máquina" única voltada para o trabalho.

Usando o relato da criação de forma correta
Se a Bíblia for lida da forma correta, você pode ficar tranquilo que ela em nada contraria a ciência, muito ao contrário. Para comprovar isso, escolhi três perguntas que normalmente são feitas, dentre as muitas existentes, para desacreditar a descrição da criação feita pela Bíblia, e como elas podem ser tranquilamente respondidas, sem contrariar a ciência:

Pergunta 1: O mundo foi criado em 6 dias de 24 horas?  
É claro que não e nem a Bíblia diz isso. Na verdade a palavra em hebraico que pode ser traduzida como "dia", também pode ser entendida como "espaço de tempo". Ou seja, os seis dias da criação são, na verdade, seis "espaços de tempo" ou seja seis fases de criação. Logo, não há nada na Bíblia que contrarie o fato do universo ter quase 14 bilhões de anos.

Pergunta 2: A Bíblia comete um erro científico ao descrever que os céus e a terra foram criados juntos?
Gênesis capítulo 1, versículo 1, diz: "No princípio criou Deus os céus e a terra". Sem dúvida, parece estar sendo descrita aí a criação conjunta do universo (céus) e da Terra. Mas como há uma diferença de tempo muito grande entre o Big Bang (origem do universo) e a criação da Terra - quase dez bilhões de anos - parece haver um grave erro na descrição bíblica. 

O problema, nesse caso, decorre do fato de que o Hebraico antigo (lingua usada no Velho Testamento) ter um número reduzido de palavras, muito menos do que o Português: por exemplo, não há palavras equivalentes a "cosmos" ou "universo" no Hebraico antigo. Essa dificuldade era então resolvido mediante o uso de expressões compostas: p. ex. "os céus e a terra" significava o conjunto de todas as coisas físicas do universo, incluindo matéria e energia (radiações).  Portanto, o versículo do Gênesis citado se refere apenas ao "Big Bang", ou seja quando tudo começou. 

Pergunta 3: Como as plantas, criadas no terceiro "dia", poderiam ter sobrevivido sem o sol, criado depois?
Realmente, o Gênesis descreve que muitas plantas foram criadas no terceiro "dia" (capítulo 1, versículos 9 a 13), enqaunto o sol apenas no quarto "dia" (versículos 14 a 19), o que contraria as leis da biologia, pois as plantas precisam da radiação solar para fazer a fotosíntese.

Mas, se olharmos com cuidado o texto, no primeiro "dia" (versículos 2 a 5) é descrito que a Terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre sua superfície. Ora, essa escuridão podia ser fruto de duas coisas: falta de luz ou impossibilidade dessa radiação (na faixa do espectro visível) chegar até a superfície da terra. 

Como Deus tinha dito literalmente "haja luz" (versículo 1) e a luz se fez - desde a explosão do "Big Bang", a radiação luminosa (visível ou não) passou a ser emitida por uma série de corpos celestes (p. ex. estrelas) -, a resposta deve estar na segunda opção: a radiação luminosa visível não chegava até a superície da Terra. E a descrição encontrada no livro de Jó capítulo 38,  versículos 4 e 9, confirma essa interpretação: 
"Onde estavas tu [Jó] quando eu [Deus] lançava os fundamentos da Terra... quando eu lhe pus as nuvens por vestidura, e a escuridão por fraldas."
Ou seja, nuvens formavam uma barreira tão espessa que não deixava a luz visível passar - o que não quer dizer, por exemplo, que a chamada luz "ultravioleta" não conseguisse Atravessar. Somente aos poucos é que essa atmosfera foi sendo limpa. Aliás, é exatamente esse o relato que a ciência faz da formação da atmosfera terrestre. Portanto, não há nada na descrição bíblica que contrarie a ciência.

Conclusão
Assim com em todas as demais coisas, a Bíblia também está correta na descrição da criação, desde que a leitura seja feita entendendo o espírito do texto, que usa símbolos e metáforas. 

Com carinho

sábado, 13 de outubro de 2012

OS FINS, OS MEIOS E O PROCESSO DO MENSALÂO

O processo do "mensalão" vai chegando ao seu final, depois de despertar grande interesse do público e dos meios de comunicação. Mas meu tema aqui não é a questão do saneamento das práticas políticas brasileiras - embora eu torça muito para que isso aconteça. 

Vou falar de algo que me chamou atenção ao longo do processo judicial: pelo menos um dos réus - refiro-me a José Genoino - tem perfil diferente dos demais, levando vida modesta e tendo uma história de vida bonita, marcada pela luta a favor da democracia e da justiça social.

Então, como é possível que uma pessoa assim entre numa "roubada" dessas, participando de algo em desacordo com sua própria história de vida? Acho que esse é mais um caso de erro com base no princípio "os fins justificam os meios". 

Penso que o que aconteceu nesse caso foi mais ou menos o seguinte: como o dinheiro ia ser usado para uma boa causa - manter no controle do Governo Federal um partido que Genoino acreditava privilegiar corretas -, era razoável ser "flexível" quanto à forma a ser usada para conseguir e distribuir esse dinheiro. Como a causa era nobre, não importava muito os meios usados para realizá-la com sucesso.  

Esse mesmo tipo de erro esteve presente muitas vezes na história do cristianismo. Por exemplo, na Idade Média, os cristãos acreditavam que aqueles que não eram batizados iam direto para o inferno. Daí era elogiável fazer qualquer esforço no sentido de batizar o maior número possível de pessoas, mesmo que fosse preciso empregar a força. E, por causa, índios, judeus, africanos e outras populações não cistãs sofreram graves perseguições e abusos.

Infelizmente também há muitos exemplos atuais para apresentar: agressão a pessoas consideradas "pecadoras" (por exemplo, gays e prostitutas), assassinato de médicos que realizaram abortos, invasão e destruição de terreiros de religião afro, etc. E a lógica é sempre a mesma: para combater um mal ou fazer um bem, vale qualquer coisa.

Ora, a Bíblia nos ensina postura totalmente diferente. Numa religião calcada no amor ao próximo, nunca deve ser possível esquecer a qualidade dos meios usadaos para se chegar a determinado fim. Fazer o bem ou evitar um mal não justifica desenvolver ações erradas aos olhos de Deus. Isso simplesmente contraria o cerne daquilo que Jesus ensinou e viveu. 

Nesse momento em que vemos diversos políticos sendo condenados pela justiça, alguns até com possibilidade de ir para a cadeia, ao invés de exultarmos com a desgraça dessas pessoas, melhor seria refletir sobre os erros cometidos por eles - como procurei fazer neste texto -, para não seguirmos também por caminhos errados. 

Com carinho

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

POR FAVOR, ALGUÉM SALVE O RIO JORDÃO

O rio Jordão liga o lago de Tiberíades (ou mar da Galileia), no norte de Israel, ao Mar Morto, no sul, junto ao deserto do Sinai. Margeia todo o território de Israel a leste e é uma fonte fundamental de água para aquela região. 

O Jordão foi extremamente importante na história do povo de Israel, inclusive no ministério de Jesus Cristo. E basta citar dois fatos para comprovar isso.  O primeiro ocorreu quando o povo de Israel, saído do Egito e após 40 anos de peregrinação no deserto do Sinai, foi entrar na Terra Prometida e teve que atravessar o Jordão. Para que essa travessia desse certo, ocorreu um milagre parecido ao da travessia do Mar Vermelho, pois as águas do rio Jordão se separaram e Israel passou no leito seco (Josué capítulo 3).
 

Foi também no Rio Jordão que João Batista exerceu seu ministério e batizou a Jesus (veja mais).

O rio Jordão hoje em dia
 
 


A foto acima retrata o grau de poluição que existe hoje no rio. O cenário é desolador - o rio está morrendo, assim como acontece com diversos rios que cortam as cidades brasileiras, como o Tietê, em São Paulo.
 

Resíduos agrícolas e esgoto são lançados no Jordão em diversos pontos. Barragens nesse rio e nos seus afluentes, como o Jaboque (onde Jacó teve a luta com o anjo), diminuíram radicalmente o fluxo de água, o que está fazendo o mar Morto encolher a olhos vistos. O fluxo de hoje é apenas 4% daquele que existia cerca de 100 anos atrás.
 

A situação ficou tão grave que o governo de Israel finalmente resolveu agir e lançou um plano para despoluição. Mas como existe uma grande distância entre os planos que os governos formulam e o que é feito na prática, ainda não há qualquer razão para nos alegrarmos. 

Vamos pedir a Deus que esse plano resulte em algo positivo, antes que seja tarde demais, e o rio Jordão vire apenas um registro nas páginas dos livros de história e na própria Bíblia.

Com carinho