quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O PECADO SEM POSSIBILIDADE DE PERDÃO

Várias pessoas que escrevem para este site fazem uma pergunta comum: será que podem não ter sido perdoadas por algum dos seus pecados cometidos antes da conversão a Jesus? E a maioria delas se mostra apavorada com essa possibilidade. 

Será que existe razão para tal tipo de medo? À primeira vista parece que não, pois mediante o sangue derramado por Jesus na cruz, nossos pecados são perdoados (1 João capítulo 2, versículos 1 e 2 e Colossenses capítulo 2, versículos 13 e 14). 

Mas, a Bíblia fala sim de um pecado para o qual não há perdão. E quem alertou para esse tipo de situação foi o próprio Jesus. Veja o que Ele falou (Marcos capítulo 3, versículos 28 e 29):
...tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno
O fato é que Deus pode perdoar todo e qualquer pecado, independentemente da sua natureza, duração e alcance, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não pode ser perdoada e, confesso, isso não deixa de ser assustador. 
Portanto, parece existir alguma razão para muitas pessoas ficarem aflitas. Mas que pecado é esse, para o qual não há possibilidade de perdão?

Explicando o "pecado sem perdão"
Blasfemar significa "falar de forma injuriosa sobre alguém". Portanto, será que o pecado sem perdão seria injuriar o Espírito Santo?

É importante lembrar que a Bíblia relata vários casos de pessoas que falaram injuriosamente contra Deus Pai ou Deus Filho e foram perdoadas (por exemplo, Mateus capítulo 12, versículos 24 a 29). Não teria sentido, portanto, a injúria contra Deus Pai ou Deus Filho ser perdoada e somente a injúria contra o Espírito Santo não. O tal pecado sem perdão deve ser diferente disso. Deve ter outra natureza.

Ao longo da história, muito teólogos tentaram esclarecer essa dúvida, e deram diferentes interpretações à natureza do pecado sem perdão. Uma dessas interpretações afirma que esse pecado se refere à rejeição do povo judeu a Jesus, como o Messias. Tratar-se-ia, portanto, de um pecado coletivo. 

Mas, é importante observar que, no alerta dado pelo próprio Jesus, Ele usou as palavras “aquele/a que blasfemar”, ou seja, falou claramente de um pecado de cunho individual, cometido tanto no passado, como no presente, quanto no futuro. A explicação de relacionar o pecado sem perdão ao povo judeu, portanto, não é correta. Eu diria até que tem um sabor de anti-semitismo.

Uma segunda possibilidade é que o pecado sem perdão ocorra quando alguém atribuir a Satanás uma ação que a pessoa saiba ter sido inspirada pelo Espírito Santo. 

Acontece que a própria Bíblia ensina que devemos testar o que está por trás de cada manifestação espiritual (1 João capítulo 4, versículo 1). E parece absurdo pensar que, se a pessoa se confundir quanto a determinada ação ser devida ao Espírito Santo ou a Satanás, ela acabe condenada para sempre. 

A simples falta de discernimento espiritual poderia levar a pessoa à perdição eterna e isso não faz qualquer sentido, porque Deus sabe que nossa caminhada espiritual é um processo evolutivo, com avanços e recuos e o discernimento espiritual é uma das coisas mais difíceis de conseguir.
Outra possível explicação é que esse pecado se refira à falta de fé em Jesus, como Salvador. E a menção ao Espírito Santo, nesse caso, deve-se ao fato que cabe a Ele convencer o ser humano do pecado e da justiça divina (João capítulo 16, versículos 7 a 11). Portanto, quando alguém rejeita Jesus é porque rejeitou também a ação do Espírito na sua vida. 

Agora, parece um exagero chamar esse tipo de descrença de "blasfêmia". E a simples resistência à ação do Espírito Santo, mesmo por muito tempo, não parece fazer com que a pessoa perca a possibilidade de ser perdoada A Bíblia tem exemplos de pessoas que aceitaram Jesus só no final da sua vida e foram salvas, como o ladrão crucificado ao lado de Jesus, que inclusive reconheceu ter tido uma vida pecaminosa. Portanto, essa explicação também não faz sentido.

Finalmente, existe a possibilidade da pessoa não apenas resistir à ação do Espírito Santo, como na alternativa anterior, mas se voltar contra Ele, exigindo ser "deixada em paz". E quase sempre isso é feito com ódio e revolta, pois os esforços do Espírito Santo incomodam - eu já vi isso acontecer e a pessoa à qual me refiro chegou a desafiar Deus a fulminá-la naquele instante e, quando isso não aconteceu, afastou-se com um sorriso vitorioso nos lábios. 

O resultado desse tipo de escolha é que o Espírito Santo pode desistindo de tentar convencer a mudar e a deixa à sua própria sorte. E sem a ação do Espírito Santo, nunca essa pessoa vai ter consciência dos seus pecados e irá se converter, aceitando Jesus. E nunca será perdoada por Deus, pois a aceitação de Jesus é a chave para o perdão d´Ele.

E faz todo sentido que, nesse caso, não haja perdão e a condenação seja eterna. Afinal, quem se volta contra o Espírito Santo e o expulsa da sua vida, fica sem possibilidade de perdão.

E quem se converteu? 
A conclusão lógica disso é que quem aceitou Jesus no seu coração não cometeu e nem poderá cometer o tal pecado sem perdão. E a razão para isso é simples: se houve conversão e desenvolvimento espiritual, é porque há atuação do Espírito Santo na vida da pessoa. 

Assim, as pessoas que me escrevem preocupadas não precisam ter medo, apesar do passado bem complicado de algumas delas. Se alguém se converte, o Espírito Santo está agindo na vida dessa pessoa. Simples assim.

E há um paradoxo interessante aí: quem fica preocupado em ter cometido o pecado sem perdão com certeza não o cometeu. A simples preocupação comprova que o Espírito Santo continua atuando na vida da pessoa. 

Quem comete o pecado sem perdão nunca tem consciência da sua situação. Nunca se preocupa com isso. 

Com carinho

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

SEM DESCULPAS

Neste novo vídeo, o Rogers fala sobre as desculpas que as pessoas procuram para não seguir Jesus.

Elas são dos mais diferentes tipos, desde não terem recebido atenção suficiente (quando tentaram frequentar uma igreja), até a falta de tempo. Mas nenhuma delas tem peso aos olhos de Deus.

Afinal, a Bíblia explica que somente Jesus pode levar o ser humano até a salvação. Sem Ele, não há esperança. Portanto, pare de procurar desculpas para justificar aquilo que nunca pode ser justificado e passe a andar com Jesus - veja esse vídeo aqui

Se você quiser conhecer outros vídeos do Rogers, veja aqui e aqui.

domingo, 14 de janeiro de 2018

A TECNOLOGIA DIGITAL NO USO DA BÍBLIA

Sou inteiramente a favor do uso da tecnologia digital em todos os aspectos da vida cristã - não admitir isso seria ficar para trás e tornar mais difícil difundir a mensagem do Evangelho de Cristo no mundo atual. E isso se aplica, em particular, também à leitura e ao estudo da Bíblia. 

Agora, é preciso ter em mente que o uso de novas tecnologias costuma causar mudanças de comportamento inesperadas. E algumas dessas mudanças podem ser negativas. 

Por exemplo, a popularização do uso dos smart phones entre os/as jovens fez com que eles/as passassem a ficar totalmente alheios durante as reuniões familiares - mesmo estando presentes fisicamente, passam o tempo todo trocando mensagens com amigos/as e/ou navegando na Internet. 

Uma tecnologia maravilhosa (os smart phones) está causando grande impacto negativo nas relações familiares, coisa que ninguém tinha previsto.

Um exemplo histórico do impacto da tecnologia no uso da Bíblia
Cerca de 1.000 anos atrás, foram incorporados ao texto bíblico os números dos capítulos e dos versículos, que não existiam no texto original. Isso permitiu que as pessoas passassem a encontrar com muito mais rapidez a passagem que queriam ler, no meio de um texto que é enorme. 

Esse avanço tecnológico trouxe um efeito secundário que pouca gente esperava: as pessoas passaram a procurar na Bíblia apenas suas partes preferidas, como os versículos contendo promessas ou consolo. E, ao agirem assim, acabaram perdendo o "fio condutor" de cada relato da Bíblia - antes, elas precisavam ir lendo todo o texto para chegar no ponto desejado -, empobrecendo muito seu entendimento do texto. 

Um recurso simples (números dos capítulos e versículos) mudou a maneira como as pessoas se relacionavam com o texto bíblico e essa mudança trouxe vantagens (mais facilidade), como também desvantagens (em muitos casos, perda da ideia geral do texto). 

O perigo da tecnologia digital no uso da Bíblia
De igual forma, o uso da tecnologia digital para acessar a Bíblia pode vir a causar um problema importante. Na verdade, está sendo construída uma "camada" de tecnologia digital (os aplicativos) entre a Bíblia e os/as leitores/as, fazendo com que eles/as passem a se relacionar mais com essa "camada" do que com o texto bíblico propriamente dito.

Vou me explicar melhor. Os aplicativos têm várias vantagens. Por exemplo, evitam que seja preciso carregar um livro grosso (a Bíblia) por aí - basta ter o aplicativo adequado que o texto bíblico pode ser acessado de forma muito simples e prática. 

Outra vantagem é contar com diferentes tipos e tamanhos de letras, o que torna a leitura mais agradável. Outra vantagem importante é ter pronto acesso a várias traduções da Bíblia - eu tenho um aplicativo muito útil que permite colocar duas traduções para comparação imediata. Muito interessante também é a possibilidade de fazer notas sobre o texto bíblico e compartilhá-las com outras pessoas de determinado grupo.

Agora, o acesso à Bíblia passou a ser intermediado pelo aplicativo que a pessoa venha a usar. A forma como as coisas são organizadas nesse aplicativo em particular determina como a pessoa passa a interagir com o texto bíblico. 

Por exemplo, conheço um aplicativo onde a pessoa precisa digitar as duas letras iniciais do nome do livro da Bíblia que deseja ler, seguido do número do capítulo e do versículo desejado. Há outros aplicativos que apresentam uma lista alfabética dos livros da Bíblia e a pessoa escolhe qual deles quer ler, seguido do número do capítulo e versículo. 

É fácil se acostumar com essa forma de procurar o texto bíblico desejado, esquecendo que não passam de invenções de quem desenvolveu o aplicativo em uso e nada têm a ver com o texto da Bíblia em si. Quem procura os textos bíblicos dessa forma, não precisa mais conhecer a ordem dos livros da Bíblia e essa ordem é importante para entender a mensagem geral que está sendo passada, pois há uma lógica nela (veja mais).

Com os aplicativos, as pessoas ficam mais distantes do texto, pois deixou de ser necessário conhecer como ele está organizado, pois a "camada" digital faz esse trabalho por elas. 

Não é de estranhar, portanto, que as pessoas cada vez conheçam menos sobre as características da Bíblia e, frequentemente, não saibam onde se dirigir para encontrar aquilo que querem. 

Está se tornando popular também o uso de aplicativos que contém planos de leitura da Bíblia e que passam diariamente para as pessoas pequenos textos bíblicos para meditação. 

Já vi aplicativos com diversos "temas", como "consolo", "exortação", "promessas", etc. Há aplicativos que mandam também sugestões de textos bíblicos, com base em perguntas que são feitas pelas pessoas. 

Isso não deixa de ser bom, por um lado, pois incentiva as pessoas a se lembrarem sempre de ler a Bíblia e até a memorizarem versículos úteis em determinados momentos da vida. Mas, por outro lado, cada vez mais as pessoas deixam por conta de terceiros (no caso quem organizou os aplicativos) a decisão do que elas vão ler na Bíblia. 

Elas correm o risco de se limitar a ler os textos que lhes forem indicados pelo aplicativo que usam, sem nunca terem curiosidade de buscar por si mesmas aquilo que precisariam ler. 

Essa camada de "inteligência" (o aplicativo), situada entre o/a leitor/a e o texto bíblico, me lembra de um problema que existia na Idade Média, antes da Reforma Protestante. Naquela época, a Bíblia somente estava disponível diretamente para os sacerdotes, pois seus textos eram copiados à mão, o que tornava os exemplares da Bíblia muito caros.

Assim, cabia a esses sacerdotes mediar o uso do texto bíblico pelas pessoas, escolhendo as passagens a serem lidas, lendo essas passagens para elas e explicando-lhes seu significado. E esse controle sobre o texto bíblico gerou enormes abusos por parte dos sacerdotes e essa foi uma das razões para a Reforma Protestante - não por acaso, uma das primeiras providencias de Lutero foi traduzir a Bíblia para alemão (até, então, ela só existia em latim) e incentivar a impressão de exemplares dela, barateando o seu custo. 

Por outros caminhos, a situação que hoje se desenha vai se tornando similar - as pessoas que concebem e gerenciam esses aplicativos podem acabar, de certa forma, controlando que partes da Bíblia os/as usuários/as vão ler 

A "camada" tecnológica corre o risco de, cada vez mais, se interpor entre as pessoas e o texto da Bíblia, por um lado, facilitando sem dúvida o acesso ao texto bíblico, mas, de outro, tornando as pessoas dependentes das regras e forma de funcionamento dos aplicativos.

Concluindo, nada deve substituir seu acesso direto ao texto da Bíblia. Você precisa saber como o texto está organizado e o que cada livro contém (pelo menos em termos gerais), para que saiba sempre encontrar aquilo que deseja.

Você precisa fazer seu próprio plano de leituras bíblicas, conforme seja do seu interesse e necessidade, nunca se limitando a programas pré-estabelecidos por terceiros, que podem influenciar você de forma indevida. 

Muito cuidado com essa questão, pois o domínio da Bíblia é vital para a vida espiritual de qualquer cristão/ã. A Bíblia é seu manual de vida dado diretamente por Deus e você precisa conhecer bem o que esse manual contém. 

Use a tecnologia digital, mas nunca se deixe influenciar demais ou escravizar por ela.

Com carinho

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

TEVE SUCESSO NO TRABALHO MAS FRACASSOU NA FAMÍLIA

Há pessoas que apresentam uma história de vida com resultados distintos nas diferentes áreas. Por exemplo, é comum encontrar quem alcance grande sucesso na profissão, enquanto fracassa fragorosamente nas relações pessoais e familiares.

Há vários exemplos na Bíblia de pessoas exatamente assim e o melhor deles talvez seja o rei Davi.

A história de Davi
Davi foi o maior rei da história de Israel, um político habilidoso, general invencível e um líder carismático. Pegou o reino de Israel semi-destruído, depois do reinado desastroso do rei Saul e deixou para seu filho (Salomão) uma nação rica e poderosa.

Além de tudo, ainda era um grande poeta e músico talentoso - escreveu a maior parte do livro de Salmos, onde existem textos maravilhosos que nos inspiram até hoje. 

Finalmente, a Bíblia conta ainda que ele era um homem "segundo o coração de Deus" (Atos capítulo 13, versículo 22), ou seja Davi tinha sintonia total com Deus. 

Davi teve grande sucesso como rei e por isso é reverenciado até hoje. Agora, na vida familiar, foi péssimo, um autêntico fracasso. E alguns exemplos servem para comprovar isso. 

Os problemas familiares de Davi começaram quando ele cometeu adultério com Bate-Seba, a esposa de um dos seus oficiais (Urias). Como a mulher engravidou, Davi bolou um plano para forçar a morte de Urias em batalha e poder, então, se casar com a viúva, escondendo o mal feito. Naturalmente, isso gerou um grande escândalo e nunca mais houve paz na família de Davi. 

Outro caso grave aconteceu quando um dos seus filhos (Amnon) estuprou uma meio-irmã (Tamar) e Davi nada fez para punir esse ato terrível, que destruiu a vida da moça. Outro irmão da mesma moça (Absalão) fez justiça com as próprias mãos e matou o ofensor (2 Samuel capítulo 13), gerando uma enorme crise familiar. 

Mais adiante, o mesmo Absalão, que era o filho preferido de Davi e seu herdeiro, revoltou-se contra o pai e tentou tomar-lhe o trono. Absalão acabou morto por um dos generais de Davi.

A partir da morte de Absalão, a sucessão de Davi ficou em aberto e as intrigas palacianas se multiplicaram, sem que Davi fizesse qualquer coisa para pacificar a situação. O segundo filho de Bate-Seba com Davi (Salomão) acabou herdando o trono e precisou matar alguns dos seus meio-irmãos para conseguir se consolidar no poder. 

Em resumo, a vida familiar de Davi foi um desastre completo, mesmo ele tendo sido um grande rei. E essa situação guarda um grande ensinamento para todos/as nós.

A necessidade de alcançar o equilíbrio 
Sucesso absoluto numa área, fracasso completo na outra, o que pensar de Davi? E essa mesma pergunta se aplicaria há muitos artistas, empresários, políticos, etc, que tem o mesmo perfil de vida. 

Há duas explicações possíveis para esse tipo de desequilíbrio. A primeira delas é a má distribuição do tempo - as pessoas tendem a gostar mais daquilo que fazem bem feito e acabam por dedicar uma parte muito grande do seu tempo e atenção às coisas onde alcançam sucesso, pois se sentem vitoriosas naquela área da vida.

Com isso, acabam tendo menos tempo para as áreas onde não costumam se sair tão bem, agravando suas dificuldades ali. 

Conheci um grande pastor que simplesmente não tinha tempo para sua família. Vivia meio "flutuando", somente pensando nas coisas de Deus e do seu ministério, deixando para sua mulher a pesada tarefa de educar um monte de filhos/as. 

Somando a essa situação as dificuldades financeiras naturais na vida de qualquer pastor realmente comprometido com o Reino de Deus, a vida da esposa dele tornou-se muito difícil e sacrificada. O resultado é que ela se tornou uma mulher muito amarga e difícil de se lidar, tornando a vida familiar desse pastou numa "zona de guerra".

Como tinha dificuldades no tratamento das relações familiares, aquele pastor se escondeu atrás do seu ministério e só tinha tempo para as coisas de Deus, negligenciando totalmente sua família, o que só fez tornar as coisas piores. 

Penso que esse também foi o caso de Davi - simplesmente não investiu tempo suficiente na sua família e deixava as coisas ali correrem ao sabor dos acontecimentos e deu no que deu.

A outra razão para algumas pessoas terem grande sucesso numa área da vida e simplesmente fracassarem na outra é que tentam usar as técnicas de resolução de problemas que funcionam muito bem na área onde são competentes nas outras áreas e isso nunca dá muito certo. 

O filme "A noviça rebelde", um belíssimo musical que encantou a minha infância, retrata a história real de uma família liderada por um viúvo, oficial do Exército aposentado. Ele tentou liderar seu bando de filhos/as como tinha feito com seus soldados no quartel, usando o mesmo tipo de disciplina e rigor e o resultado naturalmente foi desastroso. Somente com a chegada de uma governanta, que passou a funcionar como "mãe" para as crianças, o problema foi superado.

As pessoas que aplicam numa área da vida as técnicas que somente se aplicam a outras áreas, normalmente têm dificuldade de aceitar que estão errando e insistem no mesmo caminho, achando que vão obter resultados melhores, se fizerem um esforço maior.

Conheci um outro pastor, também muito bem sucedido no ministério, que passou a vida tentando pastorear os/as filhos/as, quando seu papel com eles/as deveria ter sido exclusivamente de pai. Ele acabou não sendo um bom pastor para os/as filhos, pois tinha demasiado envolvimento emocional com eles/as, e nunca conseguiu ser o pai que os/as filhos/as precisavam. 

E quando as reclamações dos/as filhos/as chegavam até esse pastor, ele tentava ser um pastor melhor para eles/as, fazendo mais do mesmo, quando não era isso que a família precisava.

Como corrigir esse tipo de situação
Uma vida cristã plena pressupõe equilíbrio em todos os seus campos: trabalho, família, lazer, espiritual, etc. Desequilíbrios são sempre ruins, mesmo quando o campo espiritual é aquele privilegiado. É preciso, portanto, investir na correção dos eventuais desequilíbrios. 

Isso passa, em primeiro lugar, pela percepção do problema - saber que alguma coisa está errada e que há um desequilíbrio. Davi nunca teve essa percepção, como também não a teve o pastor que só cuidava das coisas de Deus, deixando a esposa sozinha cuidar dos/as filhos/as. 

Percebido o desequilíbrio, a coisa a fazer é passar a dedicar muito mais atenção naquela área onde as coisas não vão indo bem. Por exemplo, se há problemas com filhos/as adolescentes, é preciso ter tempo disponível para eles/as e até, se for o caso, fazer uma terapia familiar. 

É preciso ainda ter em conta que as necessidades de atenção das diversas áreas da vida mudam com o tempo - por exemplo, filhos/as tomam mais tempo quando pequenos/as ou se alguém fica doente, essa pessoa vai ser objeto de maior atenção. 

A segunda coisa é ver se os métodos de ação adotados em cada área são adequados. Por exemplo, não é certo tentar tratar empregados/as como filhos/as e filhos/as como empregados/as - são coisas totalmente diferentes. O que dá certo num caso, não vai dar no outro. 

Finalmente, procure ajuda do/a pastor/a, de um /a amigo/a com mais experiência ou de um/a terapeuta se você perceber que não consegue agir bem em determinada área da sua vida. Há profissionais muito competentes que podem ajudar você a lidar com essas situações e lembre-se que não há vergonha nenhuma em buscar esse tipo de ajuda.

Com carinho

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O LUCRO É PECADO?

Um principio muito aceito no meio cristão é a separação entre as coisas do mundo secular (aquelas relacionadas com a sociedade em geral) e as do mundo sagrado (aquelas voltadas exclusivamente para Deus e sua obra). É entendimento comum que o mundo secular está contaminado pelo pecado, enquanto o mundo sagrado não (ou bem menos).

A esse respeito, veja o depoimento dado, anos atrás, por John Beckett, fundador e dirigente de empresas, que também atua como pastor: 
Durante anos, pensei que meu envolvimento com os negócios era uma atividade de segunda classe – necessária para colocar pão na mesa, mas menos nobre do que ações mais sagradas, como estar no ministério pastoral ou ser missionário. A impressão que tinha era que, para servir a Deus verdadeiramente, seria preciso entrar no ministério tempo integral. Ao longo dos anos eu encontrei incontáveis pessoas que pensavam da mesma forma.
Essa restrição parece ficar ainda mais forte quando se trata de atividades de negócios, que , naturalmente, visam o lucro. A sensação de muita gente é que o lucro é pecado, pois tem a ver com a ganância e a exploração dos mais fracos.

O grande teólogo A. W. Tozer, analisando essa questão, fez uma advertência muito séria contra essa separação entre o mundo secular e o mundo sagrado:
Um dos maiores obstáculos para haver paz com os cristãos é o hábito arraigado de dividir as coisas em duas áreas, secular e sagrado. Se essas áreas tivessem sido concebidas para existir separadas, sendo moral e espiritualmente incompatíveis, e nós fôssemos compelidos pela necessidade de viver sempre cruzando essa fronteira, para trás e para frente, de uma lado para outro, nossa vida interior tenderia a quebrar e nós viveríamos uma vida partida ao invés de uma vida unificada... A maioria dos cristãos cai nessa armadilha.
Agora, é interessante perceber que Jesus nunca mostrou desprezo pelo mundo dos negócios, até porque, de certa forma, Ele foi um pequeno empresário, antes de começar seu ministério.

Com efeito, na época em que Jesus viveu, artesãos e operários especializados (como Jesus) trabalhavam por conta própria e agiam como pequenos empresários, usando a própria família como mão-de-obra.

Jesus trabalhou por quase duas décadas como "tektōn" - pequeno construtor, que trabalhava com madeira, pedra e até metal para construir ou fabricar coisas (Marcos capítulo 6, versículo 3). A palavra usada para referir-se a essa profissão (carpinteiro) não caracteriza bem a natureza da profissão de Jesus. 

E, como filho mais velho de José, Jesus certamente herdou de seu pai a liderança do pequeno negócio que sustentava a família (Mateus capítulo 13, versículos 55 e 56).

A experiência de Jesus no mundo dos negócios explica porque quase metade das suas parábolas são ambientadas nesse mundo. Por exemplo, ao falar do custo do discipulado cristão, Jesus mencionou que a pessoa devia ter os fundos necessários para completar uma construção, antes de dar início à obra (Lucas capítulo 14, versículo 28), que é um conselho muito prático. 

Jesus nunca se colocou contra as atividades lucrativas, tendo criticado sim, até com veemência, a cobiça, a ganância e outros sentimentos pecaminosos. Mas não o lucro em si, quando obtido de forma honesta e haver exploração dos mais fracos. 

Afinal, muita gente de talento se esforça e acaba conseguindo obter excelentes resultados do seu trabalho honesto. E lucrando com isso, não havendo qualquer pecado aí. 

Esse tipo de lucro é positivo, pois impulsiona as pessoas a crescerem, a se esforçarem e a correrem riscos. As pessoas ganham e a sociedade, como um todo também ganha e prospera. 

Concluindo, qualquer atividade lucrativa desenvolvida honestamente e dentro dos preceitos cristãos é agradável aos olhos de Deus. Não há, para Deus, atividades de segunda categoria. 

Com carinho

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A SEGUNDA CHANCE

Deus dá uma segunda chance para todo mundo. Esse é o tema do meu mais mais novo vídeo.

Para falar sobre essa questão, eu uso como referência o caso de um menino de doze anos, que danificou um quadro muito valioso, sem ter ideia do que estava fazendo. O menino causou um mal sem ter bem consciência do que fazia.

Faço uma ligação desse caso com o que Jesus disse na cruz, quando Ele pediu a Deus que perdoasse seus algozes, pois aqueles homens não sabiam o que estavam fazendo - veja o vídeo aqui.

Veja outros vídeos meus aqui ou aqui.

sábado, 6 de janeiro de 2018

QUAL A FÉ QUE VOCÊ QUER TER NA SUA VIDA?

Hoje vou falar sobre uma coisa muito importante: fé. E começo lembrando de um caso ocorrido com Jesus. Certo dia, Ele e seus discípulos navegavam no lago da Galileia e sobreveio enorme tempestade, colocando o barco deles em risco de naufrágio. E enquanto esse drama se desenrolava, Jesus dormia confortavelmente. 

Depois de hesitar um pouco, os discípulos resolveram acordar Jesus para que Ele os salvasse. Jesus repreendeu o vento e a tempestade se acalmou (Lucas capítulo 8, versículos 22 a 25).

O fato é que os discípulos tiveram fé suficiente para saber que Jesus poderia salvá-los, mas sua fé não foi o bastante para que eles mesmos executassem o milagre. Embora o mesmo poder que Jesus usou - o Espírito Santo - também estava disponível para os discípulos. 

Faltou fé para aqueles homens e foi por isso que Jesus, logo depois de acalmar o vento, perguntou aos discípulos sobre sua confiança em Deus.

Para que ter uma fé maior?
Frequentemente, ouço pedidos das pessoas para que Deus aumente sua fé. Mas, para que elas querem isso? Quando faço para as pessoas essa pergunta, a resposta que quase sempre ouço é que a fé move a mão de Deus. Em outras palavras, as pessoas esperam conseguir uma resposta maior d´Ele às suas demandas. Esperam conseguir receber mais bençãos d´Ele. 

Não digo que essa resposta esteja errada, mas acho que ela barateia a ideia da fé em Deus, pois ela serve para muito mais do que conseguir bençãos. E penso que é exatamente por causa disso que a confiança em Deus da maioria das pessoas nunca aumenta muito. 

Afinal, uma fé maior serve para levar as pessoas a fazerem mais em prol do Reino de Deus. A amarem mais ao seu próximo e a darem a Deus um papel mais importante nas suas vida. Mas, raramente ouço alguém mencionarem essas coisas. 

O ensinamento de Tiago
Tiago, irmão de Jesus, escreveu uma carta onde ensinou que a fé sem obras é morta. Assim, se quisermos ver como está a fé de alguém, basta olhar para suas obras (Tiago, capítulo 2, versículos 17 e 18). 

E se formos olhar para o conceito de obras na Bíblia, veremos que elas se referem essencialmente àquilo que edifica o Reino de Deus, que atende à sua vontade (veja mais sobre isso aqui).

Tenho certeza que Deus nunca deixará de atender a quem que peça sinceramente para ter mais confiança n´Ele para poder produzir mais frutos na sua obra. 

Você quer mais fé? Acredito que sim. Eu também quero. Cabe então a pergunta: se você receber isso de Deus, no que pretende usar essa fé maior? 

Ela servirá apenas para acalmar as "tempestades" da sua vida? Para impedir que seu "barco" afunde"? Ou servirá, mais do que tudo, para você se dedicar mais à obra de Deus?

Com carinho