segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O NOME CORRETO DO NOSSO SALVADOR

Ouvi, certa vez, uma pregação na qual a pastora disse mais ou menos o seguinte: "o nome verdadeiro do nosso Salvador é Yehoshua e se você quiser que Ele ouça quando você tentar falar com Ele, precisa chamá-lo pelo nome correto. Afinal, você só responde, quando te chamam pelo seu nome". 

Essa tipo de declaração polêmica levanta duas questões. A primeira refere-se à identificação do nome correto de Jesus. Teria sido esse nome distorcido ao longo dos séculos

A segunda questão, não menos importante, refere-se à forma como Jesus deve ser invocado. Será que há uma única forma correta de fazer isso

Algumas informações preliminares
Nomes nascidos numa língua, quando são usados por pessoas de outra língua, costumam ser transliterados. Essa palavra difícil significa simplesmente transpor os sons correspondentes a esse nome da língua original para a nova língua. Por exemplo, transliteramos o nome "New York" (em inglês) para "Nova Iorque" (em português). 

É comum que haja mais de uma forma de transliterar um nome, pois o mesmo som pode ser escrito de diferentes maneiras numa determinada língua. Por exemplo, usamos no português "ç" e "ss" para expressar sons iguais. 

Qual o nome correto do nosso Salvador?
Os nomes dos/as personagens bíblicos que usamos no dia-a-dia nasceram de transliterações das línguas originais (hebraico, aramaico ou grego) para o português, às vezes via uma língua intermediária, como o inglês. 

No caso do nosso Salvador, temos um ponto de partida sólido para essa discussão, pois a Bíblia conta qual foi o nome que Deus deu ao filho de Maria, conforme recado que lhe transmitido pelo anjo Gabriel (Lucas capítulo 1, versículo 31).

O nome que o anjo passou para Maria, transliterado da língua original para nossa língua, com a maior precisão possível, é "Yeshua", que significa "Deus salva" - a origem desse nome é a palavra "yeshuá", que significa salvação.

O nome "Yeshua" não é inédito na Bíblia, ou seja, nosso Salvador não tem o uso exclusivo desse nome. Esse nome aparece 29 vezes no Velho Testamento, como em Esdras capítulo 3, versículo 2, em referência a um sumo-sacerdote - ali o nome costuma ser traduzido como "Jesua" para diferenciar do nosso Salvador. 

Precisamos ainda ter em mente que "Yeshua" é uma abreviação do nome "Yehoshua", que é extremamente comum na Bíblia (aparece 219 vezes no Velho Testamento). A versão mais longa do nome costuma ser traduzida como Josué, por exemplo, o nome do segundo líder de Israel. 

Em alguns textos do Velho Testamento, como no livro de Neemias, as versões "Yeshua" e "Yehoshua" são usados de forma intercambiável (por exemplo, no capítulo 8, versículo 17), demonstrando que elas eram consideradas sinônimos. 

É provável que "Yeshua" fosse o nome usado no dia-a-dia, enquanto que nas ocasiões mais solenes - por exemplo, quando a pessoa era chamada na sinagoga para ler a Torah - prevalecesse a versão completa, "Yehoshua". Na cultura brasileira, seria como chamar a pessoa de "Zé" no dia-a-dia e de "José" nas ocasiões mais solenes. 

É possível que em alguns casos o nome tenha sido traduzido como Josué e em outros como Jesus pela vontade de diferenciar o nosso Salvador dos demais personagens bíblicos - não há dúvida que seria confuso chamar de Josué tanto o segundo líder da história de Israel como o nosso Salvador. Acredito que a praticidade acabou tendo um peso grande nessa escolha.

Agora, não há como ter certeza que o nome referido pelo anjo Gabriel tenha sido uma simples abreviação de um nome maior, ou a ideia fosse mesmo adotar o nome abreviado. Em outras palavras, simplesmente não sabemos se o nome do nosso Salvador é Yeshua, Yehoshua ou tanto faz.

Faz diferença invocar Jesus pelo nome certo?
Penso que não, por algumas razões. Primeiro, se não temos certeza qual era o nome certo, do nosso Salvador, conforme comentei acima, não faria sentido Deus impor essa obrigação ao povo cristão. 

Depois, também não me parece razoável pensar que Jesus possa fazer questão de que seu nome seja invocado de forma precisa, quando existem 2,5 bilhões de cristãos/ãs no mundo, tendo milhares de línguas maternas diferentes. 

Não há nada na Bíblia que dê apoio à exigência de chamarmos nosso Salvador por um único nome. Na verdade, podemos chamá-lo de "Jesus", de "Yeshua", de Yehoshua" ou até mesmo de "Josué". Nenhum desses nomes estaria errado. 

Qualquer outra exigência é uma ideia que nasce na cabeça das pessoas, pura e simplesmente, sem ter qualquer respaldo bíblico.

O que Jesus quer mesmo é manter um relacionamento próximo e amoroso com as pessoas e não que elas cumpram filigranas do tipo de usar um nome preciso. Ainda mais que, como Ele é onisciente, sabe perfeitamente quando alguém o está invocando, seja lá com que nome for. 

Com carinho

sábado, 9 de dezembro de 2017

OS SÍMBOLOS DO NATAL SÃO PAGÃOS?


Todo ano, quando as decorações de Natal são colocadas, trava-se uma discussão interminável entre os/as evangélicos/as sobre se essas decorações (árvores, bolas e outros enfeites) devem ser usadas, já que tiverem origem em meio pagão. Afinal, é ou não errado usar decoração natalina em ambientes cristãos?

E há argumentos a favor e contra uma e outra posição. Isso gera confusão e muita gente fica sem saber bem em quem acreditar - eu mesmo já recebi muitas perguntas a esse respeito aqui no site. 

Vou tentar esclarecer essa questão para que você possa tomar suas próprias decisões de forma tranquila e segura.

As raízes da divergência
Quem é contra as decorações de Natal procura evitar fazer uso de coisas que tenham potencial para contaminar suas vidas (por terem tido origem em meio pagão), dando espaço para a ação do Inimigo. 

Os que pensam de forma contrária, defendem que o importante mesmo é o uso que se dá às coisas e não a origem delas. Portanto, não haveria mal nenhum em usar decoração tradicional natalina, dando a elas um cunho cristão.

Quem está com a razão?
Eu dou razão a quem aceita as tradições natalinas, por duas razões. Primeiro, se formos eliminar de nossas vidas todas as tradições que tiveram origem no meio pagão, não vai sobrar quase nada. A segunda razão é haver respaldo bíblico para a incorporação em nossas vidas tradições vindas de outras origens, quando elas são usadas com o espírito certo.

Vou começar por discutir a primeira razão. Não faz sentido aceitar um monte de tradições pagãs e discriminar especificamente as tradições natalinas. Se fosse o caso de afastar tradições de origem pagã, seria preciso expurgar todas elas e não somente algumas coisas, preservando outras.

A verdade é que incorporamos, em nossa vida cristã, inúmeras tradições que tiveram origem pagã. E começo lembrando que há conceitos usados na teologia cristã cuja origem está em filósofos gregos - Platão, Aristóteles e outros. Um belo exemplo é a ideia do Verbo Divino (Cristo), citada no começo do Evangelho de João (capítulo 1, versículo 1), que foi inspirada no conceito do "logos" da filosofia grega. 

Outro exemplo interessante vem da arquitetura. Toda igreja tem um púlpito, lugar especial, pois dali o/a pastor/a fala à congregação. Repare que os púlpitos tradicionalmente costumam colocar o/a dirigente em local mais elevado, para caracterizar que está sendo passada dali uma mensagem vinda de Deus.

A ideia do púlpito foi tirada das cadeiras para leitura existentes em diferentes locais públicos do mundo pagão, inclusive nos templos. Esse conceito não existia no Templo de Jerusalém, construído por Salomão. E o púlpito só foi adotado pelo judeus, nas suas sinagogas, bem mais tarde, embora eles não tivessem escrúpulos em adotar boas ideias dos pagãos. 

Foi de um local desse tipo que Jesus leu do livro do profeta Isaías para a comunidade judaica, na sinagoga em Nazaré (Lucas capítulo 4, versículos 16 a 18).

Ao longo da história da igreja cristã essa cadeira de leitura foi usada em diferentes lugares, primeiro atrás do altar e, depois, na sua lateral, quando passou a ser conhecida como púlpito. 

Outro exemplo de tradição pagã adotada no cristianismo é a forma como se ministra o sermão - o/a pregador/a fala e todos escutam. No tempo de Jesus e no início do cristianismo, a pregação era feita com a participação dos ouvintes, com base em perguntas e respostas, como podemos perceber em vários exemplos do Novo Testamento. A forma atual deriva da prática dos professores de retórica e dos debates em praça pública realizados nas cidades gregas, que eram pagãs. 

O mesmo poderíamos dizer das vestes litúrgicas (estolas sacerdotais), da decoração do altar com cores representativas das diferentes épocas do ano, da arquitetura das catedrais, etc. Em todas essas práticas estão presentes tradições que vieram do paganismo.

O que fazer então? Devemos abandonar tudo isso? Penso que seria impossível e nem isso se faz necessário. E aqui entra a segunda razão pela qual defendo o uso das tradições natalinas: Deus não nos pede para fazer isso. 

E há um excelente exemplo na Bíblia do uso de tradições pagãs nas práticas religiosas do povo de Israel, uso esse aprovado por Deus. Refiro-me ao Templo de Jerusalém, construído por Salomão, segundo as orientações dadas pelo próprio Deus. O edifício principal desse tinha, na entrada, duas colunas enormes, decoradas com romãs (1 Reis capítulo 7, versículos 15 a 22). 

Ora, esse tipo de arquitetura (especialmente as duas colunas na entrada principal) era muito comum em templos pagãos, anteriores ao Templo de Salomão, conforme a arqueologia já demonstrou. Em outras palavras, a planta do Tempo de Salomão foi inspirada em tradições pagãs.

Além disso, os israelitas que trabalharam na construção do Templo de Jerusalém aprenderam seu ofício com artesãos do Líbano, considerados os melhores do mundo na época (1 Reis capítulo 5, versículos 13 e 14). Os artesãos israelitas usaram no Templo de Jerusalém a mesma arte que aprenderam dos seus professores libaneses, que eram pagãos. 

Por causa disso Deus desprezou o Templo de Jerusalém? De forma nenhuma: Ele encheu o local com sua presença (1 Reis capítulo 8, versículo 11). 

Concluindo, respeito quem pensa de forma diferente, evitando esse ou aquele simbolo natalino. Isso é questão de fôro íntimo que não cabe a ninguém discutir. 

Agora, mostrei aqui não ser possível estabelecer doutrina proibindo essas coisas. Porque são incontáveis os exemplos de tradições de origem pagã incorporadas ao nosso dia-a-dia, como também porque há exemplos bíblicos que referendam essa prática. 

Cada um faça aquilo que entende ser o correto - o que sua consciência lhe disser para fazer -, mas não é correto tentar impor às pessoas proibição do uso dos símbolos natalinos, como algumas lideranças cristãs tentam fazer.

Com carinho

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

SOBREVIVENDO ÀS FESTAS DE FIM DE ANO

As festas de fim de ano costumam ser momentos de muita alegria e comemoração. A mídia quase que só mostra reportagens de festas maravilhosas, com um monte de gente feliz. 

Mas muita gente não compartilha desse clima e sente-se triste, inadequada, frustrada ou até alheia às comemorações.

Neste novo vídeo, a pastora Carol e a Alícia refletem sobre essa questão e dão dicas sobre como fazer para sobreviver bem a esse período de festas que se avizinha, mesmo que você ache que não tenha qualquer motivo para se alegrar - veja aqui.

Leia mais sobre festas de fim de ano 
Veja essa postagem aqui.

Outros vídeos da pastora Carol
Visite o canal da pastora aqui.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

NÃO SE DEIXE DESVIAR DA SABEDORIA DE DEUS

Salomão, filho de Davi, foi um homem afortunado. Além de herdar o trono do pai, mesmo não sendo o filho mais velho, ele recebeu tudo de Deus: sabedoria, riquezas, poder, fama e vida longa. Sem dúvida, Salomão foi extremamente abençoado, mas ainda assim conseguiu se desviar da sabedoria de Deus.

Salomão desviou-se e acabou mal espiritualmente, deixando uma herança pesada para seu filho, que acabou levando à divisão do Reino de Israel.

A vida de Salomão guarda grandes ensinamentos para nós e é exatamente isso que o Rogers discute no seu mais novo vídeo - veja aqui.

Outros vídeos meus aqui no site


domingo, 3 de dezembro de 2017

A CIÊNCIA DESMENTE A BÍBLIA NA CRIAÇÃO DO MUNDO?

A criação do universo é descrita em diversas passagens da Bíblia, especialmente nos livros do Gênesis e de Jó. O Gênesis, nossa referencia principal, conta que a criação foi feita em seis "dias", sendo que o ser humano foi formado no último "dia" (capítulo 1).

Ora, os estudos científicos demonstram que o universo tem quase 14 bilhões de anos e a Terra cerca de 4 bilhões de anos. O ser humano apareceu sobre a terra cerca de 20 mil anos atrás, o que parece contradizer a Bíblia. 

Os/as cristãos/ãs fundamentalistas dizem que a ciência está errada e há quem chegue a defender a tese absurda que a Terra tem pouco mais do que 10.000 anos de existência (a chamada teoria da "terra jovem"). 

A maior parte do povo cristãos fica no meio dessa "guerra" de declarações, sem saber bem no que e em quem acreditar. Será que a Bíblia é mesmo desmentida pela ciência? Quem tem razão? Como esclarecer essa confusão toda?

As raízes do problema
O povo cristão, de forma geral, acredita que o conteúdo da Bíblia é verdadeiro, por ser ela a Palavra de Deus. Eu também acredito nisso. Até aí tudo bem. 

Mas os/as cristãos/ãs fundamentalistas costumam ir além disso, dando um passo adicional questionável: essas pessoas também acreditam que os relatos contidos na Bíblia sobre a criação do universo descrevem literalmente, portanto, com precisão científica, como as coisas aconteceram.

Ora, se pensarmos com cuidado, esse passo não parece razoável. Deus precisou explicar para um povo ignorante em questões científicas, que viveu cerca de 3.200 anos atrás - época em que o Gênesis foi escrito - como o nosso universo foi criado.

Certamente, a única forma de conseguir fazer isso foi descrever o processo de criação, coisa extremamente complexa, usando símbolos e metáforas. Uma comparação simples permite explicar melhor o que quero dizer com isso. 

Imagine que eu precise explicar um avião a jato para um índio não aculturado. Provavelmente, eu falaria que se trata de um grande "pássaro de fogo" voando pelo céu. E isso não seria uma mentira, embora essa descrição não seja precisa do ponto de vista científico. 

A metáfora do "pássaro de fogo" permite que o índio não aculturado entenda o que estou falando, pois os conceitos "pássaro" e "fogo" são familiares para ele, enquanto a noção de "avião" não é. 

E assim também foi feito na Bíblia. A descrição da criação do universo é cheia de símbolos e metáforas para permitir que um povo sem qualquer noção científica entendesse o que estava sendo explicado. Portanto, é um erro tentar ler a Bíblia como um livro texto de física, pois ela não foi escrita com esse objetivo. 

Uma prova disso é o relato do descanso de Deus ao sétimo dia (Gênesis capítulo 2, versículos de 1 a 3): é claro que Deus não precisou descansar, pois isso não faz sentido para um ser como Ele. 

Esse "descanso" foi a forma encontrada para informar ao povo que Deus decidiu santificar um dia da semana, reservando-o para o descanso das pessoas, evitando que elas se tonassem "máquinas" escravizadas pelo trabalho.

Usando o relato da criação de forma correta
Se a Bíblia for lida da forma correta, você pode ficar tranquilo que ela não contraria a ciência, muito ao contrário. E para comprovar isso, escolhi três perguntas muito comuns, explicando como elas podem ser tranquilamente respondidas, sem contrariar a ciência e respeitando o que a Bíblia diz:

Pergunta 1: O mundo foi criado em 6 dias de 24 horas
É claro que não e nem a Bíblia diz isso. Na verdade, a palavra em hebraico que pode ser traduzida como "dia", também pode ser entendida como "espaço de tempo". Ou seja, os seis dias da criação são, na verdade, seis "espaços de tempo", seis fases de criação, com duração indefinida. 

Logo, não há nada na Bíblia que contrarie o fato do universo ter quase 14 bilhões de anos, pois essas fases pode ter durado um tempo muito longo, umas mais e outras menos. Não há problema aí.

Pergunta 2: A Bíblia comete um erro científico ao descrever que os céus e a terra foram criados juntos?
Gênesis capítulo 1, versículo 1, diz: "no princípio criou Deus os céus e a terra". Sem dúvida, parece estar sendo descrita a criação conjunta do universo (céus) e da Terra. Mas como há uma diferença de tempo muito grande entre o Big Bang (origem do universo) e a criação da Terra - quase dez bilhões de anos - parece haver um erro na descrição bíblica. 

O problema, nesse caso, decorre do fato que o Hebraico antigo (língua usada no Velho Testamento) tem um número reduzido de palavras, bem menor, por exemplo, que o Português. Não há, no hebraico antigo, palavras equivalentes a "cosmos" ou "universo". 

Essa dificuldade era contornada mediante o uso de expressões compostas: p. ex. "os céus e a terra" significava o conjunto de todas as coisas físicas que integram o universo, incluindo a matéria e a energia (radiações). Portanto, o versículo do início do Gênesis se refere apenas ao "Big Bang", ou seja, à explosão do "ovo cósmico" que deu origem a tudo. 

Pergunta 3: Como as plantas, criadas no terceiro "dia", poderiam ter sobrevivido sem o sol, criado no quarto "dia"?
Realmente, o Gênesis descreve que muitas plantas foram criadas no terceiro "dia" (capítulo 1, versículos 9 a 13), enquanto o sol teria sido criado depois (versículos 14 a 19). Ora, isso contraria as leis da biologia, pois as plantas precisam da radiação solar para fazer a fotossíntese.

Mas, se olharmos o texto com cuidado, veremos que, no primeiro "dia" (versículos 2 a 5), a Terra era sem forma e vazia, havendo trevas sobre sua superfície. E essa escuridão podia ser fruto de duas coisas: falta de luz ou impossibilidade dela chegar até a superfície da terra, na faixa do espectro visível ao olho humano. 

Como Deus tinha dito logo no início (versículo 1) "haja luz" e a luz se fez (desde a explosão do "Big Bang"), radiação luminosa, visível ou não, passou a ser emitida por uma série de corpos celestes (p. ex. as estrelas), logo quando são descritas as primeiras plantas (versículos 9 a 13), já havia radiação luminosa. Mas, provavelmente, a radiação luminosa que chegava até a superfície da Terra não era visível. A descrição encontrada no livro de Jó capítulo 38, versículos 4 e 9, confirma essa interpretação: 
Onde estavas tu [Jó] quando eu [Deus] lançava os fundamentos da Terra... quando eu lhe pus as nuvens por vestidura, e a escuridão por fraldas.
Ou seja, o texto de Jó descreve nuvens formando uma barreira tão espessa que não deixavam a luz visível passar - o que não quer dizer, por exemplo, que a chamada luz "ultravioleta" não conseguisse atravessar a camada de nuvens. 

Somente aos poucos a atmosfera foi sendo limpa e a luz visível começou a passar até sua superfície. Aliás, é exatamente esse o relato que a ciência faz da formação da atmosfera terrestre. Portanto, não há nada na descrição bíblica que contrarie a ciência.

Conclusão
A Bíblia também está correta na descrição da criação do universo, desde que a leitura desse texto seja feita entendendo o espírito do relato, baseado no uso de símbolos e metáforas. 

Quando isso é feito, é impressionante a concordância da Bíblia com aquilo que a ciência descobriu, milhares de anos depois.

Com carinho

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O INVISÍVEL

...Subiu a construção como se fosse máquina. Ergueu no patamar quatro paredes sólidas. Tijolo com tijolo num desenho mágico. Seus olhos embotados de cimento e lágrima. Sentou pra descansar como se fosse sábado ...E tropeçou no céu como se fosse um bêbado.  E flutuou no ar como se fosse um pássaro.  E se acabou no chão feito um pacote flácido. Agonizou no meio do passeio público.  Morreu na contramão atrapalhando o tráfego...
“Construção” (música e letra de Chico Buarque - fala sobre a morte de um operário da construção civil)

Não temos uma casta de “intocáveis”, como na Índia, mas temos algo quase tão ruim: uma enorme massa de “invisíveis”. Gente humilde que quase não é notada no dia a dia - parece que elas não existem, são "invisíveis". Refiro-me a garis, porteiros/as, faxineiros/as, operários/as da construção civil, pedintes nos sinais de tráfego, etc. 
O sofrimento de ser invisível
Tempos atrás vi um programa de televisão no qual o repórter se vestiu de gari e passou alguns dias circulando pela cidade. No seu relato, ele falou da angústia que sentiu ao não ser "visto" pelas demais pessoas. Ficou deprimido.
Imagina, então, o que acontece com quem vive esse tipo de experiência todos os dias, muitas vezes sem qualquer perspectiva de mudança? A auto-estima dessa pessoa fica reduzida a nada.

Ninguém gosta de ser invisível e a propaganda trabalha exatamente esse desejo, chamando atenção para coisas que parecem nos tornar mais notados/as. Queremos ser bem visíveis para a sociedade.

Os/as invisíveis, no Brasil, morrem nas filas dos hospitais públicos, por não serem atendidos em tempo; habitam lugares de risco, pois não tem condições de morar em locais melhores; sofrem brutalidades dos policiais; passam necessidade, enquanto outras pessoas se fartam e até desperdiçam.

Eles/as não contam, não opinam, não influem, enfim não valem quase nada. No máximo, são estatísticas nos relatórios do governo. E só costumam se tornar “visíveis” quando acontece uma grande tragédia, como uma inundação, um incêndio, um grande desastre no trânsito, ou quando, de alguma forma, sua desgraça interfere no nosso cotidiano. É como fala a letra da música "Construção" de Chico Buarque: o operário "morreu na contra mão atrapalhando o tráfego” do sábado. 
O ensinamento de Jesus
Os/as leprosos/as, na época de Jesus, eram considerados/as impuros e viviam afastados/as do convívio social, dependendo da caridade pública para sobreviver. Tornavam-se invisíveis para quase toda a sociedade. E o pior, é que havia uma percepção de que essas pessoas tinham feito por merecer sua sorte, pois tinham pecado ou sofriam as consequências dos pecados de seus pais.
Hoje não é muito diferente. Já cansei de ouvir, a respeito dos nossos invisíveis, comentários do tipo: “são assim por que não se esforçam para serem melhores”; ou ainda "no fundo, eles gostam de viver essa vida". 

Jesus interagiu muitas vezes com os leprosos e curou vários deles. E somente pelo fato de falar com essa pessoas, Jesus foi muitas vezes criticado pelas autoridades religiosas, por estar se "contaminando".

Jesus via os/as "invisíveis" e nos ensinou a fazer o mesmo. E disse que nenhum gesto de bondade que viermos a fazer para com essas pessoas deixará de ser recompensado por Deus (Mateus capítulo 10, versículo 42). E disse ainda mais: ao vermos os/as invisíveis, estaríamos vendo a Ele próprio (Mateus capítulo 25, versículos 35 a 45). 

Palavras finais
Quantas vezes você leva em conta essas palavras de Jesus? Você já tentou se colocar no lugar de qualquer desses/as invisíveis para tentar entender como eles/as se sentem? O que você sabe da vida e dos problemas deles/as? Eles/as recorrem a você para pedir ajuda? 

Se você ainda não vê os/as invisíveis que Deus colocou no seu caminho, lembre-se que Jesus espera que você faça isso e se relacione de forma carinhosa com essas pessoas. E, quase sempre, elas só precisam de muito pouco: um sorriso, uma palavra amorosa e alguma atenção.

Com carinho

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O USO DE SÍMBOLOS

O uso de símbolos é uma das coisas que diferencia o ser humano dos demais animais. Por exemplo, todos os animais se alimentam, mas apenas seres humanos fazem refeições à luz de velas, com música ambiente, tudo para criar um clima romântico. Animais alimentam-se exclusivamente para matar a fome, mas os humanos muitas vezes dão ao ato de comer um significado simbólico bem diferente. 

Estudos sociológicos demonstram que os símbolos ajudam a dar sentido à vida humana. Eles criam identidade - por exemplo, bandeiras nacionais são muito mais do que simples pedaços de pano coloridos, pois representam entidades, como times de futebol ou países, com as quais as pessoas se identificam muito. 

Deus fez grande uso de símbolos para tornar sua relação com os seres humanos mais concreta. Afinal, Ele sabe que não é fácil para as pessoas se relacionarem de forma próxima com um Ser invisível, especialmente nos momentos de maior ansiedade. 

Alguns símbolos que Deus estabeleceu
Há símbolos estabelecidos tanto no Velho Testamento, esses mais voltados para o povo de Israel, quanto no Novo Testamento, nesse último caso voltados para o povo cristão. 

Vou citar três exemplos no Velho Testamento. O primeiro deles é o arco-iris, que simboliza o compromisso de Deus de não mais destruir o mundo através de um dilúvio. 

O segundo é a Arca da Aliança, uma pequena urna, de cerca de 1 metro comprimento por meio metro de largura, feita de madeira, coberta por placas de ouro. Ela simbolizava a presença de Deus em meio ao povo de Israel. 

O terceiro símbolo é a ceia da Páscoa, cerimônia na qual cada família judaica come um cordeiro assado, acompanhado de ervas amargas e pães sem fermento, simbolizando a libertação de Israel do cativeiro no Egito, depois das dez pragas. 

No Novo Testamento, Jesus estabeleceu a Santa Ceia como um símbolo do seu sacrifício em prol da salvação da humanidade: O pão representa seu corpo e o vinho seu sangue. E Ele nos ordenou tomar a Santa Ceia regularmente para nos lembrarmos sempre desse sacrifício.

Já o batismo simboliza a morte de quem se converte para a velha vida, dominada pelo pecado, e o nascimento de nova existência, em Jesus Cristo. 

Outros símbolos cristãos
Agora, nem todos os símbolos cristãos foram estabelecidos diretamente por Deus. Ao longo da história, os líderes cristãos perceberam a importância desse tipo de recurso e estabeleceram outros símbolos, como a cruz vazia, que identifica o cristianismo em qualquer lugar do mundo. 

No início da sua história, o cristianismo era simbolizado pelo peixe, lembrando o chamado de Jesus para sermos pescadores/as de seres humanos. 

A chama passou a simbolizar o Espírito Santo, por conta do dia do Pentecostes, quando o Espírito se manifestou como pequenas chamas pousadas sobre a cabeça das pessoas. Também é muito comum simbolizar o Espírito Santo como uma pomba, lembrando que um pássaro desse tipo apareceu no momento do batismo de Jesus.

O problema com os símbolos
Conforme disse, símbolos são coisas muito importantes e geram grande impacto sobre as pessoas. O problema é que eles são frequentemente abusados. 

A primeira forma de abuso é a instituição de símbolos indevidos. Por exemplo, as relíquias humanas - línguas, pedaços de ossos, cabelos - atribuídas a santos, veneradas pela Igreja Católica. Não me parece que tais itens sejam símbolos saudáveis da vida de pessoas santas e da fé cristã.

A segunda forma de abuso é a atribuição aos símbolos de um papel que eles não podem ter. Muitas vezes as pessoas são levadas a considerar símbolos como coisas sagradas, quando não são. Tal tipo de postura pode levar à idolatria, coisa que a Bíblia condena. 

Aliás, Deus demonstrou preocupação com essa possibilidade, segundo conta a Bíblia. Por exemplo, Ele mandou que Moisés destruísse a serpente de bronze, feita por instrução do próprio Deus para imunizar os judeus contra picadas de cobra, durante a jornada do povo pelo deserto do Sinai. Ao ordenar sua destruição, Deus evitou que aquele artefato virasse uma relíquia adorada pelos judeus. Pela mesma razão, Deus nunca revelou o local onde Moisés foi enterrado.

A terceira forma de abuso dos símbolo é seu uso visando obter poder ou tirar vantagens indevidas. Por exemplo, o governador romano da Judeia, na época de Jesus, mantinha sequestrado a vestimenta cerimonial que o sumo-sacerdote judeu precisava usar quando dirigia determinadas cerimônias, como o Dia do Perdão. Com isso, o governador garantia a obediência dos líderes religiosos judeus. 

Interesses financeiros escusos também podem gerar esse tipo de abuso. Por exemplo, ainda na época de Jesus, os principais sacerdotes judeus cobravam uma taxa anual de todo homem judeu adulto para garantir-lhes acesso ao Templo de Jerusalém, centro simbólico da religião judaica. 

E continuamos a ver o mau uso dos símbolos cristãos hoje em dia. Por exemplo, na imposição de restrições indevidas para que as pessoas recebam os sacramentos (batismo ou ceia) ou na venda de relíquias sem sentido (por exemplo, água "miraculosa" do rio Jordão ou óleo "ungido"). 
Palavras finais

Precisamos de símbolos para ajudar a estabelecer nossa identidade, para encontrar sentido no mundo que nos cerca e, especialmente, para nos sentirmos mais próximos de Deus. 

Símbolos, quando bem usados, são muito importantes. Na verdade, não podemos viver sem eles - mesmo Deus recorreu com frequência a eles.

O perigo mora no abuso do uso dos símbolos, para gerar situações de poder, para adquirir vantagens pessoais indevidas ou para controlar coisas ditas sagradas. Portanto, muito cuidado com isso. 

Com carinho