domingo, 24 de setembro de 2017

UM PESO E DUAS MEDIDAS


Há um ditado popular muito conhecido que diz: “Aos amigos e à família tudo, aos inimigos a lei”. Ele indica que, para muita gente, o tratamento dado às pessoas a quem se quer bem deve ser melhor do que o previsto nas leis (regras), para beneficiá-las. Para as demais pessoas, as leis precisam ser aplicadas com rigor.

Esse ditado mostra que há na sociedade humana um padrão ético duplo: Algumas pessoas mereceriam um tratamento melhor do que as outras. É o que eu chamo de "um peso e duas medidas". 

Sem dúvida, isso é muito injusto, mas, infelizmente, também muito comum. O princípio de "um peso e duas medidas" está arraigado na cultura brasileira. É tão presente que chega até a ser esperado - quando alguém age de outra forma, gera notícia na mídia. Esse foi caso da mulher que entregou o filho, traficante de drogas, para que se entendesse com a lei - isso foi capa de jornais, no Rio de Janeiro, alguns anos atrás. 

Pior ainda, esse padrão ético injusto não vale só para pessoas. Ele é muito comum também entre as nações. E os exemplos históricos são muitos - vou dar apenas um dentre deles.

Há hoje uma grande "revolta" na opinião pública internacional pelo fato da Coréia do Norte ter a bomba atômica e o Irã tentar fazer o mesmo - e quero deixar bem claro, desde já, que não sou favorável nem ao regime da Coréia do Norte e muito menos ao do Irã, como também não defendo as armas nucleares. 

A realidade no mundo atual é que umas poucas nações - China, Estados Unidos, França, Rússia, etc - têm esse tipo de arma e as outras não. E quem não tem, é criticada quando tenta ter. A desculpa para essa assimetria é que as nações que já têm bombas atômicas seriam "confiáveis". 

Será que é possível concordar com essa afirmação em relação aos Estados Unidos, dirigido pelo Trump, ou a Rússia, dirigida pelo Putin? Parece-me que não. É claro que as razões da assimetria são outras. Caso clássico de "um peso e duas medidas". O correto seria ninguém ter armas nucleares e aí os países teriam moral para cobrar essa posição uns dos outros. 

O problema com a ética do "um peso e duas medidas" é que a confiança entre pessoas ou nações desaparece e o mundo, como um todo, passa a funcionar pior do que poderia. É por causa disso que a maioria dos países se protege atrás de fronteiras fortemente guardadas e gasta muito dinheiro para manter Forças Armadas fortes, para ter condições de fazer valer seus interesses. 

E vários países, para se proteger ainda mais, fazem redes de alianças, estabelecendo que se algum país aliado for atacado, todos os demais membros da aliança terão que vir em seu socorro - um bom exemplo é a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte)

As pessoas fazem o mesmo que os países: Vivem em casas gradeadas, contratam segurança particular, blindam seus carros e assim por diante. Procuram se proteger ainda mais através de redes de amizades, onde há trocas de favores. E buscam eleger políticos/as que prometem gerar leis e ações públicas que lhes favoreçam. 

A sociedade atual vive um grande engano: Tudo parece estar em ordem, na superfície, mas há graves problemas. E volta e meia esses problemas mostram sua cara tenebrosa. 

Nos anos de 2008 e 2009, o sistema capitalista mundial sofreu grave crise - houve perdas econômicas gigantescas na Europa e nos Estados Unidos e muita gente empobreceu da noite para o dia. Foram precisos vários anos para que essas sociedades se recuperassem. 

O terrorismo volte e meia ataca e nos lembra que há grandes tensões no mundo. A violência urbana, especialmente no Brasil, também nos alerta diariamente para a injusta da nossa sociedade. E assim por diante.

O remédio que realmente tornaria o mundo um lugar melhor, infelizmente, é pouco usado. Refiro-me ao mandamento do amor ao próximo dado por Jesus: "Aja com o outro como gostaria que ele/a agisse com você". 

Esse é um padrão ético perfeito e que pode ser aplicado sempre. Nele, não há lugar para "um peso e duas medidas". Assim, se quero me sentir seguro, não posso ameaçar o próximo; se quero viver confortavelmente, meu vizinho tem que viver igualmente bem; se não quero ser injustiçado, não devo ser injusto com quem depende de mim; e se quero ser apoiado nas minhas aflições, preciso apoiar outras pessoas que passam por dificuldades. 

Imagine como o mundo seria diferente se essa regra simples estivesse em vigor. Seria um lugar maravilhoso para se viver. 

Num quadro como esse, o que cabe a você fazer? A resposta é simples: Faça sua parte todos os dias. Aja como se tudo dependesse apenas de você e sempre procure fazer a coisa certa. 

É claro que a sua (ou a minha) influência no mundo é pequena. Mas, se todos agissem corretamente, o mundo iria mudar. Portanto, cumpra seu papel. Sempre. 

Se você vir alguém necessitado e puder ajudar, não deixe de fazer isso; resista ao apelo do consumo desenfreado; ajude quem está caído emocionalmente; apoie as políticas públicas que diminuam a injustiça social; e assim por diante. 

Nós, cristãos/ãs, precisamos dar o exemplo. Simples assim.

Com carinho

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

AS LIÇÕES DE JONAS

Jonas é aquele profeta que desobedeceu e fugiu de Deus. A história dele, que está contada no livro de mesmo nome, é muito interessante e traz enormes lições para nossas vidas.

É sobre isso que o Rogers fala no seu mais novo vídeo. Veja aqui.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

VOCÊ É FILHO/A DE DEUS?

Antes de responder à pergunta que dá título a este post, é preciso entender que há diferentes significados na Bíblia para a expressão "filho/a de Deus". Se você e eu nos enquadramos em algum desses casos, a resposta deve ser sim. Caso contrário, deve ser não.

Aquele/a criado/a diretamente por Deus 
A Bíblia se refere a Adão e aos anjos como filhos de Deus, pois são (ou foram) seres criados diretamente por Ele. 

Ora, os seres humanos, com exceção de Jesus Cristo, são gerados a partir de um processo de reprodução criado por Deus, mas sem o envolvimento direto d´Ele. Por isso a Bíblia não costuma se referir aos seres humanos como filhos/as de Deus e sim criaturas d´Ele.

No caso de Jesus: quando o anjo revelou a Maria que ela ficaria grávida de um filho, por obra e graça do Espírito Santo, foi-lhe dito que a criança seria chamada filho de Deus (Lucas capítulo 1, versículos 26 a 33). Isso porque a natureza humana de Jesus foi criada diretamente por Deus, através do corpo de uma mulher. 

Os herdeiros de Davi
Deus fez um pacto com Davi e lhe prometeu que seus herdeiros seriam tratados por Ele como filhos (2 Samuel capítulo 7, versículos 12 a 14). E assim foi com Salomão. 

A mesma promessa garantiu também que o trono de Israel nunca se afastaria da linhagem de Davi. E a promessa se mantém, mesmo não havendo reis em Israel há mais de 2.500 anos, porque seu cumprimento está ligado à chegada do Messias, que é Jesus. 

E o povo cristão?
Na verdade, o povo cristão não se enquadra em nenhuma das categorias acima. Mas, há um quarto significado para a expressão "filho/a de Deus" que nos interessa muito mais de perto. 

O apóstolo Paulo disse que todos aqueles que aceitam Jesus Cristo como seu Salvador passam a ser considerados filhos/as de Deus, pois são perfilhados por adoção (Romanos capítulo 8, versículos 13 a 17). 

E é nesse sentido que você, e eu, somos filhos/as de Deus, tendo todas as regalias que decorrem dessa condição. E essa é uma grande honra. Graças a Deus por isso.

Mas, repare que somente aqueles que aceitam Jesus se enquadram nessa condição. Os demais seres humanos não podem se qualificar como filhos/as de Deus. 

Portanto, a expressão tão usada que afirma que "todos/as somos filhos(as) de Deus" não tem qualquer respaldo na Bíblia. Quem não aceitou Jesus como seu Salvador é criatura de Deus, no sentido que expliquei acima. E nada mais do que isso.

Com carinho

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A QUEM MUITO FOI DADO...

"Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão." Lucas capítulo 12, versículo 48
No texto acima Jesus estabeleceu um princípio muito importante: Seremos cobrados por Deus na mesma medida em que tivermos recebido bençãos d´Ele. Quem recebe mais, passa a ter responsabilidade maior em relação ao Reino de Deus. Simples assim. 

E acho que ninguém pode contestar a justiça dessa declaração. Mas quais são as consequências desse ensinamento para a sua e a minha vidas?

O quê são essas bençãos 
É preciso, antes de tudo, entender quais são essas bençãos às quais Jesus se referiu: Trata-se de qualidades, recursos e talentos que a pessoa recebe de Deus ao longo da sua vida. 

É claro que a pessoa, mesmo sendo abençoada, ainda assim será responsável por desenvolver e dar bom uso àquilo que recebeu gratuitamente de Deus. Por exemplo, se alguém receber d´Ele um talento especial para música, ainda assim vai ter que estudar anos a fio antes de conseguir se tornar um músico de qualidade. E sendo assim, aquele músico terá sua parcela de mérito naquilo que vier a conseguir ao longo da sua carreira. Mas a "matéria prima" (seu talento) foi recebida gratuitamente de Deus e sem ela o sucesso do músico não teria sido possível. 

Em outras palavras, sem a benção inicial, a pessoa nada irá conseguir alcançar, não importa o quanto venha a se esforçar. E as palavras de Jesus nascem exatamente dessa constatação. 

As áreas de bençãos
O ser humano pode ser abençoado em muitas áreas. A primeira delas é no seu corpo, que pode ser agraciado com beleza e/ou habilidades físicas especiais. Pessoas bonitas têm uma série de possibilidades não disponíveis para seres humanos, digamos assim, mais comuns - trabalhar no cinema, na televisão, na modelagem de moda e em áreas afins, setores onde a beleza tem grande importância. E habilidades físicas especiais - força, velocidade, coordenação motora, etc - permitem a algumas poucas pessoas serem atletas de alto rendimento, dançarinos profissionais, etc.

A segunda área de bençãos envolve os talentos intelectuais, nos seus vários aspectos, como memória, inteligência, etc. São esses talentos que permitem a algumas pessoas tornarem-se cientistas importantes, escritores/as famosos/as, compositores/as populares, marqueteiros/as de talento, etc. 

A terceira área onde as bençãos podem afluir é a espiritual - já comentei neste site que o Espírito Santo distribui dons espirituais de acordo com sua vontade, sempre com o objetivo de dar poder às pessoas para fazer a obra de Deus (veja mais). 

E alguns desses dons são especialmente valorizados, como a profecia, a capacidade de curar ou de louvar. 

O uso das bençãos
Não há dúvida que bençãos físicas, intelectuais e/ou espirituais costumam dar condições mais favorecidas às pessoas que delas dispõem para ocupar papel de destaque na sociedade, conseguindo fama, dinheiro e/ou poder. 

E aqui está o ponto crucial de toda essa discussão: cada pessoa tem responsabilidade de usar adequadamente as bençãos que recebe. E quem mais receber bençãos, mais responsabilidade passa a ter.

E essa responsabilidade envolve diversos aspectos. - vou dar três exemplos aqui. Primeiro, não usar as bençãos que recebe de forma egoísta, isto é apenas para proporcionar uma vida boa para si mesmo/a ou a quem ama. É preciso sempre lembrar das pessoas menos afortunadas, que, por algum motivo, não conseguiram o mínimo necessário para sustentar uma vida decente.

Segundo, é preciso não abusar do próprio corpo, exigindo dele mais do que é razoável. É comum que atletas, no afã de ganharem prêmios, forcem seu corpo além do limite e acabem doentes e/ou deformados. Ou atrizes, querendo a qualquer custo manter a própria beleza, abusem de cirurgias plásticas, prejudicando saúde. 

Terceiro, dons espirituais não podem nunca gerar ganhos materiais ou poder para quem os recebeu. Dons espirituais servem para desenvolver o Reino de Deus, nunca para gerar honra e glória para os seres humanos.

Concluindo, você certamente recebeu e continua a receber bençãos de Deus, de diversas naturezas. Será que você vem usando o que recebeu de forma adequada? Será que você está alegrando ou decepcionando Deus com sua forma de agir? 

Com carinho

sábado, 16 de setembro de 2017

MINHA FAMÍLIA NÃO É CRISTÃ. O QUE EU FAÇO?

Se você é cristão/ã e sua família não é convertida, o que fazer? Como enfrentar essa questão difícil no dia-a-dia? 

É sobre isso que a pastora Carol e a Alícia conversam no seu mais novo vídeo. Veja aqui.

Se você quiser ver outros vídeos da pastora Carol, confira o canal dela aqui.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

APARANDO NOSSAS ARESTAS

Todos nós temos "arestas": problemas de temperamento, comportamento inadequado, etc. E essas "arestas" precisam ser aparadas, o que nunca é fácil de fazer, pois ninguém gosta de receber críticas e muito menos perceber que cometeu erros.

Ás vezes, Deus usa nossos/as amigos/as para fazer esse trabalho difícil. E é sobre esse tema que o Rogers fala no seu mais novo vídeo. Veja aqui.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

ÀS VEZES É MELHOR NÃO DAR A AJUDA PEDIDA

Volta e meia recebemos apelos para ajudar organizações ou causas que precisam de apoio material. E muitas vezes ficamos motivados a ajudar, pensando estarmos fazendo o bem e até mesmo a vontade de Deus. 

Agora, a melhor resposta que podemos, dar ao receber esse tipo de apelo, é primeiro analisar o pedido e só depois ajudar de fato. Nunca ajudar de olhos fechados, levado/a apenas pela emoção. 

Mas que precisa ser analisado nesses pedidos? Três coisas importantes. A primeira delas é avaliar o destino real da ajuda a ser dada. Por exemplo, você se lembra dos donativos recolhidos para ajudar as pessoas atingidas pela enchente na região serrana do Rio de Janeiro vários anos atrás? Muita gente morreu naquele evento e muitas mais perderam tudo naquele evento terrível. 

Houve uma grande mobilização no país todo para ajudar. E sabemos hoje que boa parte dos donativos foi desperdiçada (alimentos e roupas nunca distribuídos) ou desviada. Em outras palavras, não havia uma estrutura adequada para distribuir os donativos e controle para evitar desperdícios e abusos. Simples assim.

Aprendi há muito tempo atrás que é preciso ter muito cuidado com o dinheiro destinado à obra de Deus. Esse dinheiro é sagrado e, portanto, cabe também a quem fez a doação se certificar que ela está tendo a aplicação correta. 

A segundas coisa é verificar se a entidade que fez o pedido atua de forma regular. Tempos atrás deparei-me com o caso de uma entidade beneficente cristã voltada a ajudar dependentes químicos. A questão é que ela funcionava de forma totalmente informal, portanto, irregular, sem respeitar a legislação fiscal e de controle de saúde, coisa inaceitável para uma instituição cristã. 

O pastor responsável por aquele trabalho, questionado sobre essa situação, justificou-se assim: "Minha preocupação é com a salvação de almas e não com a burocracia". Ele disse, em outros termos, que os fins (a salvação de almas) justificam os meios (administrar uma organização de forma irregular). 

Será que isso está certo? Claro que não e um simples exemplo demonstra isso muito bem: Não seria correto vender drogas (o meio utilizado, nesse caso) para financiar uma entidade que fizesse uma bela obra social (o fim almejado). Portanto, tanto o fim como o meio usado para alcançá-lo precisam estar alinhados com os ensinamentos cristãos. 

Por causa disso, sempre procuro saber a história da entidade que vou ajudar: o que ela fez (passado) e faz (presente), a quem ajudou e ajuda, como trabalhou e trabalha, e quem a dirigiu e dirige. Quem sabe, ao conhecer melhor a entidade que está pensando em ajudar, você poderá até se convencer a dar mais do que lhe pediram e até investir seu tempo nessa obra.

Se percebo que a entidade não faz as coisas corretamente, não colaboro com ela e não importa se a causa defendida é boa.

O terceiro aspecto que costumo verificar é se a ajuda dada não gera acomodação em quem a recebe. É claro que há pessoas que quase nada podem fazer para ajudar a si mesmas, como doentes terminais, deficientes graves, crianças muito pequenas e outras. Mas fora esses casos, todas as demais pessoas ajudadas precisam ser incentivadas a fazer algo por si mesmas. Crianças precisam estudar (e ter bom aproveitamento), adolescentes precisam estudar e aprender uma profissão e adultos precisam trabalhar, produzir algo, não importa o quê.

É preciso ainda analisar se a entidade não virou uma forma de vida para seus dirigentes. E essa questão me faz recordar uma piada antiga. Diz a estória que, muitos anos atrás, um médico do interior conseguiu que seu filho se formasse numa faculdade de medicina da capital. E, depois de formado, o rapaz voltou para sua cidade para ajudar o pai. 

E o pai resolveu tirar férias pela primeira vez na vida. Terminadas as férias, o pai voltou e perguntou ao filho se estava tudo bem. E o filho todo orgulhoso respondeu: “Tudo ótimo. Consegui até curar aquela ferida que a dona Mariquinha [senhora muito rica que morava na cidade] tinha na perna há tempos.” E o pai apavorado com essa informação respondeu: “Você matou a galinha dos ovos de ouro. Foi tratando essa ferida que consegui custear seus estudos na capital”. 

Infelizmente, a ação social virou negócio para muita gente e essas pessoas, na prática, exploram determinados problemas sociais para seu proveito pessoal. 

Concluindo, se você for chamado/a a ajudar uma entidade, não reaja apenas com base na emoção. Afinal, apelos emocionados podem ser pura chantagem emocional. 

Veja sempre se a entidade em questão merece apoio. Se faz as coisas da forma certa. Tome cuidado para destinar sua ajuda para quem de fato a merece.

Com carinho