segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

QUEM É E QUEM NÃO É CRISTÃO

Com frequência as pessoas ficam em dúvida sobre quem é cristão de fato. Sobre quem professa as crenças mínimas que qualquer cristão deve ter.

Essas dúvidas aparecem porque muitas vezes as diferenças entre o cristianismo e outras religiões não são fáceis de identificar, principalmente quando essas outras religiões usam, ou alegam usar, conceitos da doutrina cristã. Isso acontece, por exemplo, com as Testemunhas de Jeová, com os mórmons, com os espíritas e várias outras religiões.

Tomando o caso dos espíritas como exemplo, muitos se consideram porque procuram seguir os ensinamentos de Jesus e até fazem referencia constante ao Novo Testamento (como no caso do livro "O Evangelho segundo Alan Kardek). 

Mas, se olharmos mais de perto, o espiritismo não segue de fato a matriz cristã e fácil de explicar a razão. O principal aspecto do cristianismo é Jesus como o Salvador da humanidade. Ora, o espiritismo não tem o conceito de salvação, logo não há como Jesus ter o papel que o cristianismo dá a Ele.

Para o espiritismo, o espírito de cada pessoa passa por aperfeiçoamentos sucessivos, ao longo de múltiplas vidas (reincarnações), sendo que em cada vida a pessoa paga pelos pecados cometidos nas reincarnações anteriores. E assim vai até a pessoa atingir o nível de aperfeiçoamento pleno, quando não mais é preciso reincarnar. 

Assim, Jesus, para o espiritismo, é apenas um espírito que atingiu o maior nível de desenvolvimento possível ("espírito de luz"), sendo digno de admiração e de ter seus ensinamentos seguidos. Mas Ele não é o Salvador da humanidade. 

Sendo assim, não é possível afirmar que um/a espírita é cristão/ã, pois lhe falta a crença básica do cristianismo. Agora, isso não significa que ele/a seja má pessoa, pois conheço espíritas que são pessoas excelentes. 

A confusão existe também entre as denominações tradicionalmente aceitas como cristãs. Existe muita disputa sobre questões doutrinárias entre elas e, por causa disso, pessoas que deveriam se considerar irmãs na fé, ficam se acusando mutuamente de ensinarem doutrinas erradas e até fazer a obra de Satanás.

É comum que católicos/as não considerem os evangélicos/as cristãos/ãs de fato, por não seguirem a "igreja verdadeira" (a Igreja Católica Romana). E muitos/as evangélicos retribuem afirmando que os/as católicos/as não são cristãos/ãs verdadeiros por causa da idolatria em relação a Maria. Também há evangélicos/as que afirmam não haver salvação se a pessoa não for batizada da forma correta. E assim por diante. 

Nesses casos o erro parece-me estar em dar peso demais a determinados aspectos laterais da doutrina cristã (como a forma de batizar), que muitas vezes nos afastam, e deixar de enfatizar aquilo que nos une, as doutrinas fundamentais (por exemplo, Jesus como Salvador).

Acho que já deu para você perceber que a questão de fundo nessa discussão toda é definir quais doutrinas cristãs são de fato fundamentais, isso é, sem acreditar nelas não é possível caracterizar a pessoa como cristã. 

O ponto de partida parece ser Jesus como Salvador - acreditar e confessar publicamente isso, como o apóstolo Paulo ensinou no capítulo 10 da carta aos Romanos. Mas há mais crenças necessárias para dar sustentação à fé cristã. 

Por exemplo, se existe um Salvador, é porque o ser humano precisa ser salvo de alguma coisa. E essa linha de raciocínio leva à doutrina do pecado humano - sem acreditar que o ser humano tem tendência para o pecado e sempre acaba pecando, não há porque falar em salvação. 

Existe ainda o requisito que o ser humano possa ser responsabilizado pelos pecados que comete e isso só é possível se a pessoa tem liberdade de fazer suas escolhas. E isso aponta para a doutrina do livre arbítrio.

Outra doutrina necessária é a da justiça de Deus, que culmina no Julgamento Final, quando Ele haverá de avaliar tudo que cada ser humano fez e escolher algumas pessoas para permanecerem junto d´Ele (salvação) e outras para ficar longe da sua presença (condenação).

Só para citar mais uma doutrina, só podemos saber sobre o papel de Jesus como Salvador, sobre a justiça de Deus e outras coisas mais porque aprendemos sobre essas doutrinas na Bíblia. E isso é relevante porque acreditamos que a Bíblia é a Palavra de Deus, crença extremamente importante. 

Concluindo, várias crenças adicionais são necessárias para dar suporte ao conceito de salvação. E como você pode ver, essas doutrinas vão se se apoiando umas nas outras - como um edifício sendo construído andar a andar. 

Ser cristão/ã, portanto, é atributo de quem acredita nesse conjunto de doutrinas que culmina no papel de Jesus como nosso Salvador. E se você quiser saber mais detalhes sobre esse conjunto mínimo de doutrinas, veja essa outra postagem

Com carinho

sábado, 17 de fevereiro de 2018

DEUS FALOU COMIGO

Deus falou comigo. Eu tive essa experiência maravilhosa em janeiro passado, quando admirava o cenário mais bonito que já vi na minha vida, no Jalapão. 

Eu me senti no jardim do Éden, aquele que a Bíblia descreve no livro do Gênesis (capítulo 2, versículos 8 a 20). E naquele momento Deus falou.

E me disse que sua criação, ali exposta diante dos meus olhos, tinha sido feita para mim (assim como foi feita para você também). E Ele fez isso simplesmente porque nos ama. Essa é a única razão.

É essa experiência que quero compartilhar com você no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja também outros vídeos meus recentes aqui e aqui.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

ANIMAIS PODEM IR PARA O CÉU?

Outro dia uma adolescente me perguntou se animais podem ser salvos, se há um céu esperando por eles. Essa pergunta, aparentemente trivial, é importante porque os animais são muito importantes para várias pessoas: são seus companheiros de vida e fonte de carinho constante. Parte fundamental das suas vidas. Daí porque a ideia de que os seus queridos não tenham a possibilidade de um futuro no céu as deixe tristes, como a amiguinha que me fez a pergunta.

Para responder, é preciso entender, à luz da Bíblia, o que significa ir para o céu ou o inferno. Trata-se de definir como será o relacionamento de cada ser humano com Deus na chamada Vidas Eterna, aquela que irá existir no final dos tempos. O céu corresponde a uma vida junto d´Ele, cheia da felicidade que daí decorre. O inferno é exatamente o contrário disso.

E o caminho de cada pessoa será consequência direta das escolhas que ela tiver feito na sua vida. E quem aceitar Jesus como Salvador será salvo, irá para o céu. Assim, parece correto dizer que não é Deus quem coloca as pessoas no inferno e sim a própria pessoa, mediante suas escolhas.

Logo, só faz sentido falar sobre céu e inferno com quem tenha capacidade para fazer escolhas, ou seja quem disponha de livre arbítrio. Mas somente livre arbítrio não basta: é preciso conhecer a diferença entre o bem e o mal. Uma criança tem capacidade para fazer escolhas, mas não sabe a diferença entre certo e errado e, portanto, não é responsável pelas escolhas que faz.

Em resumo, somente quando existe livre arbítrio e consciência do que é certo faz sentido responsabilizar um ser vivo pelos seus atos - a Bíblia chama as escolhas erradas de pecados. 

Mas somente os seres humanos têm essa capacidade pois foram feitos à imagem e semelhança de Deus (Gênesis capítulo 1, versículo 26). Os animais agem por intinto, pois não têm consciência dos seus atos no sentido que acabei de definir. 

Assim, não faz qualquer sentido dizer que o leão é pecador por matar a zebra - ele faz isso instintivamente porque tem fome e precisa sobreviver. Não há como aplicar o mandamento "não matarás" para ele. Simples assim.

Os animais não tem capacidade para pecar e, portanto, o conceito de céu ou inferno não se aplica a eles. Não faz sentido falar em salvação para um cachorro ou um gato, pelo menos no sentido que a Bíblia dá a esses conceitos. 

Isso não significa que os animais estarão ausentes do céu. Acredito (mas isso é apenas uma opinião) que eles estarão presentes sim, pois fazem parte da criação de Deus. Agora, não sei como isso se dará, pois a Bíblia nada fala a respeito. 

Com carinho       

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

JESUS TEVE IRMÃOS E IRMÃS?

Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lheMateus capítulo 12, versículo 46

A controvérsia sobre a existência de irmãos/irmãs de sangue de Jesus, por parte de Maria, tem dividido o povo cristão há séculos: de um lado, a Igreja Católica e alguns outros grupos afirmam que Jesus não teve irmãos/irmãs de sangue, enquanto, do outro lado, praticamente todos os grupos de protestantes e evangélicos afirmam que Jesus, sim, teve irmãos/ãs de sangue. 

Essa questão é mais do que uma simples curiosidade histórica, pois está no centro da discussão sobre o papel que Maria deve ter na fé cristã. 

Para os católicos, Maria é a mãe de Deus e isso já diz tudo. Portanto, assim como Jesus, ela não teria pecado e foi transladada para os céus, atuando como mediadora entre Deus e os homens - esse conceito está presente na famosa oração "Ave Maria", na parte em que se diz "... rogai por nós pecadores...". 

E a virgindade perpétua de Maria, com a exclusão da possibilidade de ter tido outros filhos/as, é parte importante da doutrina católica relacionada com ela.

Já para os protestantes e evangélicos, Maria foi uma pessoa muito especial - a Bíblia a chama de "abençoada entre as mulheres". E, não foi escolhida para ser mãe de Jesus por acaso. Portanto, ela é digna de toda consideração. 

Mas, seu papel não vai além disso. Para esses grupos de cristãos, Maria é mãe de Jesus, ou seja da manifestação humana (encarnação) do Filho de Deus. Portanto, ela não é mãe de Deus, simplesmente porque Deus é eterno e não pode ter mãe.

A diferença é bem expressiva: sendo Maria apenas a mãe de Jesus, ela não tem qualquer papel de intermediação para entre os seres humanos e Deus. 

E não há porque deixar de considerar que Maria teve uma vida normal com José, após o nascimento de Jesus, tendo tido inclusive vários /as filhos/as, o que significa que Jesus teve sim irmãos e irmãs

Análise da controvérsia
Quem afirma que Maria não teve mais filhos/filhas precisa explicar as inúmeras referências aos irmãos e irmãs de Jesus existentes na Bíblia, como aquela citada no início deste post. 

Há duas explicações que tradicionalmente têm sido dadas pelos católicos para enfrentar esse desafio. Uma delas praticamente já caiu em desuso, pois tem pouca base - trata-se de considerar as referencias bíblicas como tendo sido feitas a primos/primas e não irmãos/irmãs de Jesus. 

Há pouca base para essa alegação porque a palavra usada em todas essas referências bíblicas significa, sem qualquer dúvida, irmãos/irmãs e interpretá-la como primos/as é simplesmente "forçar a barra".

A outra possível explicação é mais realista e ainda largamente adotada pelos católicos. Essa alternativa parte do princípio que José era viúvo, quando se casou com Maria, e já tinha filhos/filhas doe casamento anterior. E Bíblia se refere a esses/as meio-irmãos/ãs. E Jesus foi de fato o único filho de Maria.

Há um argumento importante para justificar essa interpretação que se apoia na passagem onde Jesus entregou Maria aos cuidados do apóstolo João, pouco antes de morrer (João capítulo 19, versículos 26 e 27). Segundo os que defendem essa tese, caso Maria tivesse outros filhos de sangue, não haveria necessidade de Jesus ter feito isso, pois os outros filhos haveriam de cuidar dela. 

Agora, também há argumentos fortes contra essa tese do casamento anterior de José. Primeiro, na descrição feita na Bíblia sobre a família de Jesus, antes do seu nascimento, somente são citados José e Maria, não havendo qualquer referencia a outros filhos/filhas de José. 

Além disso, quando os pais de Jesus fugiram para o Egito (por causa da perseguição que o rei Herodes fazia aos recém nascidos judeus) e lá ficaram exilados por pelo menos dois anos, os/as filhos/filhas de José teriam sido deixados à própria sorte, em Nazaré, e isso parece bem improvável. 

E o fato de Jesus ter entregue Maria para o apóstolo João tomar conta, mesmo tendo ela outros filhos de sangue, pode ser perfeitamente explicado pelo fato que esses filhos, até então, não aceitavam Jesus como o Messias e tinham até se voltado contra Ele (Marcos capítulo 3, versículo 21) - os outros filhos de Maria somente vieram a se converter mais adiante. 

Assim, Jesus teria entregue sua mãe para João cuidar porque ela queria ficar no meio do povo cristão e ali ela não contava com o apoio dos seus outros filhos.

Finalmente, quando a Bíblia se refere a Maria e aos irmãos de Jesus, ela os trata como uma unidade, um conjunto familiar. Se os outros filhos de José não fossem também filhos de Maria, isso não aconteceria - a Bíblia tem vários relatos de famílias com filhos de múltiplas mulheres e cada núcleo familiar é tratado de forma independente, como no caso dos filhos de Jacó.

Conclusão 
Esse é apenas um resumo dos argumentos pró e contra relacionados com essa controvérsia e servem para dar uma ideia de como o assunto pode ser tratado, de forma respeitosa, mas com clareza e de forma conclusiva. 

Minha avaliação pessoal é que há muito mais suporte bíblico para a tese que atribui outros/as filhos/filhas a Maria - inclusive os/as historiadores/as independentes (não cristãos/ãs), de forma quase unânime, concordam com essa abordagem. 

Penso também que mesmo Jesus não tendo tido outros/as irmãos/irmãs de sangue, nem assim há suporte bíblico para a tese que Maria permaneceu virgem e não teve uma vida normal com José, conforme defendem os católicos. Muito menos para sua vida sem qualquer pecado e sua subida aos céus.

Finalmente, a Bíblia é muito clara que apenas Jesus é o intermediário entre Deus e os seres humanos, portanto não há como atribuir esse papel também a Maria.

Agora, nada disso desmerece a figura e a atuação dessa mulher extraordinária, que se viu grávida ainda na adolescência (com quatorze ou quinze anos), enfrentou grandes dificuldades e ficou ao lado de Jesus até sua morte. E esse grande mérito ninguém pode tirar dela.

Com carinho

domingo, 11 de fevereiro de 2018

ENCONTRANDO SEGURANÇA NO LUGAR ERRADO

É muito comum que pessoas que sofram com a insegurança encontrem consolo no chamado “falso positivo” - alguma coisa que, se conseguida, a pessoa pensa que vai torná-la mais segura ou lhe dar melhores condições para tocar sua vida. 

"Falsos positivos" bem comuns são emagrecer, ter um bom emprego, ter dinheiro ou manter aparência jovem. 

Ocorre que o "falso positivo" não dá garantia nenhuma a quem o conquista. Tudo não passa de um auto-engano que a pessoa constrói para si mesma, buscando fugir da insegurança que a vitima. 

A Bíblia tem um excelente exemplo de "falso positivo". Jacó, neto de Abraão, teve duas esposas: Lia e Raquel. E essa última era a esposa amada por ele, enquanto Lia era apenas tolerada. Lia era feia e somente tinha conseguido se casar por que seu pai (Labão) enganou Jacó, prometendo-lhe entregar Raquel e entregando Lia no seu lugar. 

Assim, tudo contribuía para que Lia se sentisse insegura em relação ao marido e essa foi uma carga que carregou por toda a vida. Lia, então, criou um "falso positivo": se desse filhos homens a Jacó, o marido acabaria por amá-la. Os filhos lhe dariam a segurança que tanto precisava. 

O fato é que Lia teve uma penca de filhos homens, mas isso não resolveu o problema, para sua grande tristeza (Gênesis capítulo 29, versículos 32 a 34). O relacionamento de Lia com Jacó nasceu torto e não eram os filhos homens que iriam mudar a situação. Lia foi respeitada pelo marido (acabou até enterrada ao lado dele), mas nunca foi amada. 

"Falsos positivos", conforme já comentei, não passam fontes de auto-engano para quem sofre com a insegurança. Parecem conter a solução, mas são vazios de significado. Alcançar um "falso positivo" é como colocar um dedo em um dos inúmeros vazamentos de uma represa - o vazamento cessa onde o dedo foi colocado, mas continua nos outros locais. 

Insegurança é um problema estrutural e o "falso positivo", quando alcançado, não resolve nada e só causa frustração e, muitas vezes, acaba tornando a pessoa ainda mais insegura. 

Um pequeno exercício mental pode ajudar você a descobrir alguns dos seus falsos positivos: pense numa pessoa do mesmo sexo e mais ou menos da sua idade que você considera ser melhor e mais segura. Depois, identifique as características que essa pessoa tem (e você não), como beleza, dinheiro, poder, sucesso, etc, que você não tem. Essas coisas tendem a ser seus falsos positivos. 

Se você se sente muito inseguro/a em alguma área da sua vida, não caia no erro de achar que você vai conseguir resolver isso conquistando algo que lhe faz falta. Algo que outras pessoas têm e você não.

Não espere que coisas materiais, a melhoria das circunstâncias da sua vida e outras coisas assim vão lhe garantir a segurança tão desejada. A resposta não está aí.

Sua segurança só pode vir de Deus. Ele é a sua verdadeira garantia. Nada mais pode ter esse efeito em sua vida (veja mais).

E nunca se esqueça que Deus já lhe disse quão importante você é para Ele - afinal, Deus mandou seu filho para morrer por você e lhe dar acesso à salvação (João capítulo 3, versículo 16). 

Portanto, deixe que o Espírito Santo trate sua insegurança e abra novos caminhos para sua vida! 

Com carinho

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

PROMESSAS DE DEUS SÃO SEMPRE CUMPRIDAS

Há uma enorme diferença entre as promessas feitas por Deus e as feitas por seres humanos. As promessas humanas costumam falhar, mesmo quando feitas com objetivos honestos, o que nem sempre é verdade (veja o caso dos políticos brasileiros). 

As promessas de Deus são diferentes: elas se cumprem. Sem exceção. Aconteça o que acontecer. 

Além disso, elas são sempre feitas para nos beneficiar. Visam o nosso bem. E o melhor exemplo é a promessa de Deus de enviar um Salvador para a humanidade, cumprida em Jesus Cristo. E esse é o maior bem que Deus poderia nos fazer.

É sobre isso que falo no meu mais novo vídeo - veja aqui

Para acompanhar outros vídeos meus recentes, veja aqui e aqui

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

QUANDO TENTAM IMPOR PROIBIÇÕES DEMAIS SOBRE SUA VIDA

Líderes evangélicos costumam gerar muitas polêmicas por causa das proibições a práticas normais da vida que tentam impor ao povo cristão. 

Costumam entrar nessas proibições coisas como música secular (não gospel), comida de origem afro, enfeites de Natal, certos filmes, livros ou programas de televisão, alguns tipos de roupas e por aí vai. O rol de itens é tão grande que é difícil enumerar tudo aqui.

Na prática, tudo aquilo que não tem origem no próprio cristianismo parece ser ruim e passível de proibição. Em especial, devem ser proibidas muitas coisas relacionadas com o folclore brasileiro (comida, música, roupas, etc), por causa das influências africanas, indígenas e/ou católicas nele existentes. O mesmo ocorre com os enfeites e outras comemorações de Natal (veja mais), os ovos de Páscoa, a música secular e assim por diante.

A batalha pela pureza
A primeira razão apresentada para essas proibições é manter a "pureza" do povo cristão - as práticas proibidas "contaminariam" as pessoas. 

É importante aqui fazer uma pausa para discutir o que contamina o coração dos/as cristãos/ãs e lembro que há na Bíblia uma resposta direta para essa questão, dada pelo próprio Jesus (Marcos capítulo 7, versículo 15): o que contamina o ser humano é aquilo que vem de dentro dele mesmo. 

A contaminação, portanto, vem de sentimentos ruins (inveja, orgulho, ganância, luxúria, raiva, etc), bem como das decisões e posturas pecaminosas dele decorrentes (hipocrisia, preconceitos, exploração dos mais fracos, etc). 

Repare que Jesus não fez qualquer referência à origem de coisas, hábitos e práticas de vida - Ele simplesmente não estava preocupado com isso. Ficar proibindo isso ou aquilo, por não ter origem cristã e gera contaminação, foge completamente do alvo apontado por Jesus. 

O que ajuda mesmo a resolver o problema da contaminação é discipular as pessoas para que elas aprendam a controlar os maus sentimentos e fazer as escolhas certas. 

Afastar influências malignas
A outra motivação para as proibições citadas é o receio de dar "brechas" para a ação de Satanás. Há alguma verdade nesse tipo de preocupação - por exemplo, eu nunca teria na minha casa um objeto consagrado num culto de umbanda, por prudência. 

Mas a tentativa de expurgar da vida cristã tudo aquilo que pode ter origem suspeita não faz qualquer sentido - isso é um exagero e beira o ridículo. Afinal, trata-se de coisa impossível de fazer. 

Essa tentativa me faz lembrar as pessoas que buscam seguir estritamente as leis sobre comida do Velho Testamento - não comem nada preparado no sábado, pois é proibido trabalhar nesse dia da semana. 

Essas pessoas olham o rótulo de cada alimento que consomem para verificar quando foi fabricado e não compram se isso tiver acontecido num sábado. Mas, como elas podem ter certeza que o alimento consumido por elas não foi transportado num sábado, ou que ovos, leite, trigo ou outros produtos usados na composição desse alimento não tenham sido colhidos num sábado? 

É claro que não conseguem garantir isso e, portanto, essas pessoas precisam "fechar os olhos", a partir de determinado ponto, para poder sobreviver. 

Da mesma forma acontece com a questão das influências não cristãs na nossa vida: elas são tantas e tão difundidas que simplesmente não é possível expurgá-las todas. Quem tenta fazer isso acaba necessariamente por adotar posições incoerentes: proíbe algumas coisas (por exemplo, um enfeite de Natal) e aceita outras (por exemplo, as vestes litúrgicas usados no culto), quando nos dois casos as origens são não cristãs. 

E não podemos esquecer que nem Deus fez esse tipo de exigência para o povo israelita. Por exemplo, o Templo de Jerusalém foi construído com base num modelo de arquitetura muito usado pelos pagãos e o rei Salomão recorreu a artesãos do Líbano para os trabalhos em pedra e a madeira (veja mais). E nem por isso Deus deixou de aceitar o Templo e se fazer presente nele.

Conclusão 
Concluindo, antes de aceitar proibições verifique bem o que a Bíblia ensina a respeito. Caso contrário, você corre o risco de ser vítima de legalismo. E Jesus travou uma luta incessante contra os fariseus, mestres em impor proibições indevidas - eram os legalistas daquela época. 

Jesus foi implacável com esse tipo de postura, por entender que uma religião legalista aprisiona o ser humano e o afasta de Deus.

Com carinho