quinta-feira, 23 de novembro de 2017

DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS

Hoje comemoramos o dia mundial de Ação de Graças. Essa é uma tradição que começou nos Estados Unidos e acabou se espalhando por muitos países. No Brasil, apenas as igrejas evangélicas/protestantes comemoram de fato essa data, pois ela não consta da tradição católica. 

Nos Estados Unidos, o "Thanksgiving" é o dia em que a família come junta um farto almoço, onde não pode faltar peru assado, e depois as pessoas ficam na frente da televisão acompanhando as programações especiais. Bebe-se muito e come-se mais ainda. 

E no dia seguinte, o chamado "Black Friday", o comércio faz grandes promoções, dando descontos gigantescos, que atraem multidões às lojas e aos sites da Internet. 

Assim, como acontece no Natal e na Páscoa, a grande questão no dia de Ação de Graças é preservar o significado espiritual da data, quase sempre abafado pelas comemorações e promoções do comércio. 

Esse é um dia dedicado a mostrar gratidão a Deus pelas inúmeras bênçãos que recebemos ao longo do ano, a começar pelo dom da vida. E gratidão é algo que agrada muito a Deus.

Um exemplo de gratidão na Bíblia
A Bíblia conta que, certo dia, Jesus ia passando e ouviu o chamado desesperado de dez leprosos, pedindo para serem curados. 

Naquela época, eram consideradas leprosas todas as pessoas que sofressem de doença na pele, como a psoríase - não era necessário ter lepra (hanseníase) de fato para ser taxado de leproso/a. 

O problema para os/as leprosos/as era a exclusão da sociedade. Essas pessoas viviam totalmente segregadas do convívio social, inclusive das suas famílias, por causa do possível contágio da lepra. Como não podiam trabalhar, elas eram sustentadas, de forma muito precária, pela caridade pública. Era uma vida terrível, por isso é perfeitamente compreensível o pedido desesperado daqueles dez homens a Jesus (Lucas capítulo 17, versículos 11 a 19). 

E Jesus atendeu o pedido e disse para aqueles homens se apresentarem aos sacerdotes, a quem, de acordo com a Lei Mosaica, cabia atestar a cura e reintegrar as pessoas à sociedade. Os ex-leprosos foram falar com os sacerdotes e foram considerados curados.

Agora, o que surpreende nesse relato é o que aconteceu depois: apenas um dentre eles voltou para agradecer a Jesus. Somente um homem mostrou gratidão, enquanto os demais, preocupados em comemorar sua restauração, se esqueceram do que Jesus tinha feito. 

E somente para quem foi grato, Jesus reservou a benção maior: a cura espiritual e a salvação (versículo 19). Os outros tiveram a saúde física restaurada, mas perderam o mais importante.

Experimentando a gratidão
Gratidão é o reconhecimento explícito de termos experimentado a Graça de Deus, na forma de alguma benção derramada nas nossas vidas. 

E também o reconhecimento de que somos totalmente dependentes d´Ele. Afinal, é por causa da sua Graça que o sol continua a nos aquecer e dar luz, a chuva cai na medida correta, a Terra não é destruída pelo impacto de um asteroide, a vida se multiplica e por aí vai. 

Tudo que existe é mantido em funcionamento pelo poder de Deus. É simples assim. E quando reconhecemos isso, de forma sincera, e nos curvamos diante d´Ele, em gratidão, aprofundamos nosso relacionamento com Deus e a vida passa a ter mais sentido.

E um coração reconhecido atrai mais bênçãos de Deus, como aconteceu com o único ex-leproso que voltou para agradecer. Portanto, gratidão é sentimento que precisamos enfatizar hoje. Precisamos ser gratos/as por tudo aquilo que Deus já fez, vem fazendo e ainda fará em nossas vidas. 

Feliz dia de Ação de Graças.

Com carinho

terça-feira, 21 de novembro de 2017

BASTA A CADA DIA O SEU MAL?


"Portanto,... não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal." Mateus capítulo 6, versículos 34

Jesus ensinou a não ficarmos ansiosos/as quanto ao dia de amanhã e a confiarmos mais em Deus. Agora, é interessante perceber que, na última parte desse importante ensinamento, Ele falou do "mal de cada dia". O que será que Jesus quis dizer com isso?

Para responder essa pergunta, vou começar dando o exemplo de um homem gordo que precisa perder peso por causa da sua saúde. Como esse homem pode vir a conseguir fazer isso? Há três formas dele tentar atingir esse objetivo:
  1. Submeter-se uma dieta radical para perder todo o excesso de peso de uma só vez - e pode ser preciso até tomar remédios. A ideia é voltar à vida normal depressa, assim que o peso ficar ideal. O princípio que governa essa estratégia é sofrer tudo de uma só vez e acabar logo com o sofrimento.
  2. Seguir uma dieta menos radical, menos sofrida, mas que vai durar longo tempo. O princípio que governa essa alternativa é minimizar o sofrimento, mesmo sabendo que ele vai durar bom tempo (talvez até o fim da vida). 
  3. Reeducar os hábitos alimentares, aprendendo a comer coisas saudáveis e nas quantidades certas. O princípio que governa essa estratégia é mudar para não precisar sofrer. 
Acho que ninguém tem dúvida que a terceira alternativa é a melhor e mais eficiente. Mas, na prática, a maioria das pessoas segue a primeira alternativa (dieta radical) ou a segunda (dieta limitada). Poucas pessoas mudam seus hábitos alimentares e nunca mais sofrem com o problema do excesso de peso. 

Ligando esse exemplo com o ensinamento de Jesus, o "mal diário" é similar ao desejo de comer mais do que se deve ou aquilo que não se pode que as pessoas enfrentam a cada dia. Trata-se dos problemas que parecem fugir ao controle e as soluções fáceis para eles, mas que levam as pessoas a fazerem o que é errado (mentir, ser hipócritas, cometer pequenas desonestidades, promover fofocas, etc), bem como as tentações de toda sorte. 

As três estratégias que comentei acima, usando o exemplo da necessidade de perder peso, são mais ou menos aquelas que as pessoas usam para enfrentar o "mal diário". 

Sofrer de uma vez só 
A estratégia radical acha ser possível eliminar o mal e a tentação da vida através de um grande esforço concentrado. A pessoa se converte e meio que suspende sua vida secular, passando a se dedicar quase tempo integral à sua religião. Vai a todos grupos de oração e cultos que pode frequentar, vive agarrada à Bíblia, só ouve música gospel e quer converter todo mundo à sua volta. 

Deixa de lado qualquer lazer, pouco se dá com amigos/as (a menos daqueles que sigam a mesma fé), deixam de se interessar pela situação política e social do Brasil e assim por diante. Passam a viver como numa "bolha".

O problema é que essas estratégia só funciona bem por pouco tempo. A pessoa faz um grande esforço para viver dessa maneira nova, mas não de fato, não deixou verdadeiramente de lado os hábitos antigos que dominavam sua vida. Apenas suprimiu essas vontades que antes a dominavam. Como o homem que suprime a fome artificialmente com remédios.

O problema é que quem segue esse tipo de estratégia cedo ou tarde acaba por voltar, aos poucos, à situação anterior. Como o homem gordo que cedo ou tarde vai precisar deixar de tomar remédios, pois não pode fazer isso o resto da vida, e aí a fome volta.

As pessoas acabam cansando dessa estratégia radical e se consolam com o pensamento que já fizeram o suficiente para ficarem livres para sempre dos maus hábitos e tentações. E sem perceber, voltam à condição anterior. São vencidas pelo "mal diário".

A verdade, é que fraquezas e tentações que corroem as vidas das pessoas teimam em continuar vivas - são como "pecados de estimação" - e um tratamento de choque não as vence. 

Já cansei de ver pessoas agindo assim e que quase sempre acabam de volta onde começaram. E o pior é que elas passam a ter muita dificuldade para novamente tentar mudar novo, pois já fracassaram.

A estratégia de minimizar o sofrimento 
Muita gente gosta da estratégia "sofrer um pouco a cada dia". É como quem tenta fazer dieta limitada por longo tempo e fica sempre lutando contra a balança. 

As pessoas se convertem mas mantém suas prioridades de vida e boa parte do comportamento anterior anterior à conversão (os tais "pecados de estimação"), mesmo que muitos dos seus hábitos são errados.

Elas se convenceram que não faz mal continuar com seus "pecados de estimação" e que será possível mantê-los sob controle. E lutam diariamente para manter tentações e hábitos ruins sob controle, para vencer o "mal de cada dia".

É uma luta diária, cansativa, pois não acaba nunca. Um bom exemplo é a pessoa que gosta muito de consumir, além do que precisa, e fica sempre lutando para não gastar mais do que ganha - frequentemente, acaba estourando o orçamento e se endividando.

Essas pessoas acham que vão conseguir viver uma vida correta aos olhos de Deus sem precisar se sacrificar muito. Aceitam mudar nalguns aspectos, mas não em outros, pois seu compromisso com Deus é limitado. E passam a vida lutando com as mesmas dificuldades, sem nunca superá-las de fato.

Foi assim que o governo brasileiro agiu durante décadas, como respeito à inflação: Aceitava um pouco de inflação para não prejudicar o crescimento do país e poder ficar bem com o eleitorado. O resultado sempre foi uma inflação que tendia a escapar ao controle. Só quando o governo adquiriu consciência que a inflação é um real mal a ser combatido sempre com rigor, foi que o Brasil superou esse problema.

A estratégia de mudar de fato
A terceira alternativa é a pessoa mudar seu interior, ajustando suas prioridades e hábitos, colocando-os em dia com a vontade de Deus. A Bíblia apelidou essa estratégia de santificação. 

E trata-se de mudar, aprendendo a valorizar outras coisas, conseguir tirar prazer de novas coisas. É equivalente ao caso do homem gordo que aprende a comer de forma mais saudável e efetiva e passa a gostar do alimento que é lhe faz bem. Ele nunca mais vai precisar passar pelo sofrimento de fazer dieta. 

Mudança interior não significa se abster de fazer todas as coisas da vida das quais a pessoa antes gostava. Eu tenho uma experiência pessoal nesse sentido, com o futebol. 

Quando era mais jovem, minha devoção ao meu time do coração era enorme. Na hora de um jogo importante, eu não via mais nada na minha frente. Se o time ganhava, ficava alegre e sentia a vida mais leve. Se perdesse, o mal humor era certo. 

O futebol, de certa forma, me dominava, embora eu não percebesse isso. Até que tomei consciência desse problema e trabalhei para mudar minhas prioridades. Hoje, continuo a gostar de futebol e não me privo desse prazer quando é possível. Mas, o destino do meu time não mais controla a minha vida.

Mudei porque entendi que o hábito anterior não era saudável. Não era bom minha vida ser controlada por um time de futebol pois há coisas muito mais importantes que precisam vir antes. Aprendi a mudar minha prioridade e não sofro quando não assisto a um jogo. 

A santificação funciona exatamente isso mas em grande escala. A pessoa coloca Deus em primeiro lugar na sua vida e aprende a ter prazer nisso. Aprende a gostar de estar na igreja, de estudar e discutir a Bíblia, de louvar e de ajudar quem precisa. Passa a fazer isso tudo porque tem prazer e não porque é obrigada. Adquire novos hábitos e se sente bem com isso.

Pode até continuar a gostar de muitas coisas que apreciava antes, mas aprende a vê-las sob uma perspectiva maior, aquela estabelecida por Deus. E nunca mais será dominada por maus hábitos.

Portanto, não há mais sacrifício em se manter no bom caminho. O "mal diário" não mais conseguirá desestabilizar a pessoa. 

A mudança do interior - a santificação - consegue dar à pessoa uma estrutura muito mais sólida para lutar e vencer o "mal diário". 

Com carinho

domingo, 19 de novembro de 2017

DEVEMOS DISCUTIR RELIGIÃO?


Existe um ditado que diz: “Religião, política e futebol não se discutem”. E a razão para esse conselho é simples: Esses temas tendem a gerar discussões acaloradas e facilmente descambam para brigas, que podem até acabar com amizades antigas. 

Mas será que a Bíblia ensina que não devemos mesmo evitar discutir nossa religião com quem pensa diferente? Ou será que o cristão tem obrigação de defender sua fé, sempre que tiver oportunidade, apesar das situações onde haja resistência?

O que a Bíblia diz 
Na verdade a Bíblia é clara em dizer que precisamos sim falar sobre nossa fé. Por exemplo, veja o que está dito na primeira carta de Pedro capítulo 3, versículo 15:
...estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós.
Portanto, é nossa obrigação, como cristãos/ãs, estarmos sempre em condições de falar sobre nossa fé e justificá-la perante quem pense diferente. Trata-se de um mandamento.

E a primeira consequência desse mandamento é que você precisa adquirir o preparo necessário para desempenhar essa tarefa. 

Por exemplo, ter capacidade de explicar porque tem certeza ser a Bíblia a autêntica Palavra de Deus (veja mais), conhecer os versículos fundamentais sobre a fé cristã (veja mais), saber falar sobre o plano de salvação de Deus, através de Jesus Cristo, etc.

Outra consequência direta desse mandamento é que você não pode se omitir, ficando numa posição confortável de “agente secreto/a" de Jesus Cristo (mais detalhes). 

Mas, isso tudo não significa que você deva brigar, partir para o confronto. Ser desrespeitoso/a. Ao contrário, o objetivo deve ser argumentar, trocar ideias e esclarecer dúvidas que as outras pessoas possam ter sobre o cristianismo. 

Nunca se esqueça que o cristianismo prega o amor ao próximo e uma atitude agressiva somente daria testemunho contraditório da nossa fé. 

Eu já tive inúmeras conversas sobre religião e nunca precisei brigar. Sempre respeitei e fui respeitado. Uma única vez as coisas passaram dos limites e, por minha culpa, pois era muito jovem e afoito. Mas, aprendi muito com aquela experiência ruim.

Cuidados para discutir religião 
Agora, para que a conversa sobre religião seja produtiva, é preciso tomar alguns cuidados. Em primeiro lugar, tenha sempre em mente que a luta não é contra as pessoas e sim contra as ideias erradas delas (Efésios capítulo 6, versículo 12). 

Lembre-se que gente tão sincera como você pode estar seguindo um caminho espiritual errado, acreditando estar fazendo a coisa certa. Basta lembrar do caso do pastor Jim Jones, que levou toda sua congregação ao suicídio, com o poder da sua pregação.

Depois, não tente "enfiar seus argumentos pela goela abaixo” da outra pessoa. Muitas vezes ficamos tão motivados a tirar a pessoa do caminho espiritual errado, que acabamos por forçar demais. 

A partir de determinado ponto da conversa, a pessoa que discorda do seu pensamento vai se fechar para novos argumentos e não adianta insistir. O melhor é parar e, se possível, aguardar outra oportunidade.

Afinal, ninguém gosta de reconhecer que vem seguindo ideias erradas durante muito tempo. É necessária uma grande dose de humildade que pouca gente costuma ter. 

Lembre-se que a palavra sobre Jesus Cristo, dada durante a conversa, não foi em vão (Isaías capítulo 55, versículo 11). De alguma forma, o Espirito Santo vai fazer com que ela frutifique no coração da pessoa, mesmo que o resultado final somente apareça tempos depois. 

Uma vez estava num táxi e o motorista me contou sobre uma palavra dada a ele, por outra pessoa, um tempo antes da nossa conversa. Essa palavra não saia da cabeça dele e ele me pediu mais explicações sobre seu significado. 

Ele saiu da conversa comigo afirmando que iria procurar uma igreja. Não sei se isso aconteceu, mas tenho certeza que o Espírito Santo estava trabalhando no coração daquele homem.

Em terceiro lugar, nunca se aproxime da outra pessoa com críticas diretas ao que ela acredita ou faz. Ao invés de dizer, por exemplo, que a religião dela é "coisa do Demônio", fale das coisas boas do cristianismo - sua agenda deve ser sempre positiva. 

Outras dicas importantes
Apoie-se nos ensinamentos de Jesus para construir sua argumentação e pode ter certeza que não haverá argumentos melhores. 

E lembre-se que você não é dono da verdade. É sempre possível que você esteja errado/a em algum aspecto da doutrina cristã. Afinal, todo mundo erra, mesmo quando quer acertar. 

Certa vez vi um pastor subir ao púlpito da sua igreja e dizer que, depois de estudar e orar muito, tinha chegado à conclusão que determinada doutrina, que sempre ensinara, estava errada. E explicou que iria conduzir a igreja a uma mudança de posição teológica. 

A atitude desse pastor foi correta – ele se convenceu que estava errado e não teve vergonha de reconhecer isso e mudar.

Finalmente, lembre-se sempre que quem muda a outra pessoa não é o seus poder de argumentação, por melhor que ele seja. Quem gera mudança verdadeira é o Espírito Santo. 

Se Ele não agir, você poderá ficar até rouco de tanto falar, que nada vai acontecer. Faça sempre sua parte, mas lembre-se que sem o Espírito Santo, não haverá resultados concretos.

Com carinho

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

HÁ PROVAS HISTÓRICAS DA RESSURREIÇÃO DE JESUS?

A religião cristã está ancorada num fato histórico: A ressurreição de Jesus. Portanto, é necessário que esse fato seja verdadeiro para dar sentido ao cristianismo. O apóstolo Paulo reconheceu isso em 1 Coríntios capítulo 15, versículo 14, onde declarou: "... se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé." 

Em outras palavras, se estudos históricos comprovarem que Jesus não ressuscitou dentre os mortos, o cristianismo não se sustenta

É exatamente por causa disso que historiadores/as contrários/as ao cristianismo tentam encontrar falhas nos relatos históricos do Novo Testamento. Estudam cada detalhe do texto para achar erros e provar que Jesus não existiu ou não foi quem a Bíblia afirma. E publicam livro sobre livro tentando desacreditar nossa fé.

Ora, cabe a nós, povo cristão, manter nossa fé - e há sólidos motivos para isso -, mas também dar respostas adequadas para quem questiona sua veracidade (2 Pedro capítulo 3, versículo 15). E há muito que pode ser dito a esse respeito. 

A prova da existência de Jesus
A esmagadora maioria dos historiadores/as, mesmo aqueles/as contra o cristianismo, aceita que o homem Jesus existiu, ensinou, realizou curas e acabou crucificado pelos romanos. 

E essa certeza decorre de provas históricas muito convincentes. Elas começam nos escritos da própria Bíblia, textos que têm peso como relatos históricos (mesmo para quem não os reconhece como a Palavra de Deus). 

Os/as historiadores identificaram na Bíblia três tradições diferentes relatando a história de Jesus: a que deu origem ao Evangelho de Marcos (e, depois dele, aos de Mateus e Lucas); a que está por trás do Evangelho de João; e as cartas do apóstolo Paulo. E todas essas tradições confirmam a mesma coisa: Jesus viveu neste mundo.

Há também diversas confirmações fora da Bíblia, como, por exemplo, os escritos de Flávio Josefo, historiador judeu que escreveu diversos livros cerca de 40 anos depois da morte de Jesus. Ele não era cristão, o que torna seu depoimento extremamente importante - Josefo citou Jesus e também Tiago, seu irmão, que foi figura importante em Jerusalém entre os anos 30 e 60 da nossa era. 

Em relação a Tiago, há também uma descoberta arqueológica muito importante: Recentemente foi encontrado seu ossuário – escrevi sobre esse achado em postagem anterior

Outra fonte que atesta a existência de Jesus é o Talmude, coleção de escritos de rabinos judeus, onde Ele é citado, embora lhe sendo atribuída uma origem espúria (Jesus seria o fruto de um estupro sofrido por Maria). Não podemos escrever que os rabinos autores do Talmude eram ferozmente contra o cristianismo e mesmo assim reconhecem que Jesus existiu e foi crucificado. 

Temos ainda o depoimento de diversos historiadores romanos, como Tácito, que também mencionam Jesus nos seus textos, corroborando historicamente sua vida e morte numa cruz romana. 

Resumindo, não há qualquer dúvida que Jesus existiu e viveu por cerca de trinta e poucos anos, tendo sido crucificado pelos romanos, a mando de Pôncio Pilatos. Também há certeza histórica que Jesus foi considerado mestre e profeta pelos judeus e curou diversas pessoas. 

A comprovação da ressurreição
A comprovação de um fato histórico, como a ressurreição, é feita da mesma forma que um detetive demonstra que um suspeito matou outra pessoa, quando esse crime não teve testemunhas. 

O detetive coleta um conjunto de evidências - impressões digitais, álibis, informações sobre uma possível relação entre a vítima e o suspeito, etc - e monta uma teoria para os acontecimentos que procura explicar essas evidências. É essa teoria que, eventualmente, aponta o suspeito como responsável pelo assassinato.

Durante o julgamento, a defesa tenta construir uma teoria alternativa, uma outra narrativa para as mesmas evidências, procurando mostrar que as coisas poderiam ter acontecido de forma diferente. Ao fazer isso, a defesa tenta colocar dúvidas na cabeça dos/as jurados/as e para conseguir a absolvição do suspeito. E ganha o julgamento, portanto, quem conseguir construir a teoria que melhor explique as evidências coletadas.

É exatamente assim que fatos históricos, como a ressurreição de Jesus, são comprovados. Assim, cabe a quem quiser comprovar a ressurreição coletar evidências históricas e construir uma teoria que as explique com solidez. E essa narrativa precisa ser superior às teorias alternativas, construídas por quem duvida da ressurreição, que também procuram explicar as mesmas evidências de outra forma. 

Vou mostrar abaixo que a teoria da ressurreição de Jesus é a que melhor explicas as evidências históricas, portanto, deve ser aceita. 

Mas, antes de discutir as teorias alternativas, preciso listar as evidências históricas com as quais vamos trabalhar. Essas evidências são aceitas pela esmagadora maioria dos historiadores/as e são elas que precisam ser levadas em conta por quem quiser explicar o que aconteceu: 

  1. Jesus foi enterrado logo após sua morte na cruz, ainda na sexta feira. 
  2. No domingo de manhã, o túmulo apareceu vazio (veja mais). Por isso nem os líderes religiosos judeus, nem os romanos, não puderam apresentar publicamente o cadáver de Jesus, para destruir o cristianismo no nascedouro.
  3. Os discípulos relataram inúmeras experiências nas quais viram Jesus ressuscitado. 
  4. Essas experiências mudaram suas vidas, a ponto de eles aceitarem morrer pela sua fé.
As diferentes teorias sobre as evidências históricas
É evidente que a teoria da ressurreição explica perfeitamente todas essas evidências. Ela explica porque o túmulo apareceu vazio, porque os discípulos disseram ter encontrado com Jesus e também porque eles mudaram sua vida após esses encontros.

Agora, existem várias teorias alternativas à ressurreição e vou me concentrar aqui nas duas mais conhecidas: 

A primeira alternativa defende que tudo não passou de uma fraude. Na verdade, os discípulos teriam roubado e escondido o corpo de Jesus - essa teoria é inclusive citada na Bíblia (Mateus capítulo 28, versículos 11 a 15). 

Ora, se tudo não passou de uma fraude comandada pelos discípulos, por que eles adquiriram uma fé tão grande a ponto de se deixar martirizar? Só um/a louco/a se deixaria martirizar por uma fé que sabe ser uma fraude e os discípulos eram pessoas normais e pragmáticas. 

Alguém poderia alegar que os terroristas muçulmanos sacrificam suas vidas por uma fé que não é verdadeira. Isso é fato, mas o caso deles é diferente: Esses terroristas não têm nenhuma informação que sua fé se baseia numa fraude. Eles estão dispostos a morrer por estarem errados, mas trata-se de um erro no qual eles acreditam piamente. Se tivessem certeza que sua fé é fraudulenta, certamente agiriam de forma diferente, pois ninguém aceita morrer por uma mentira. 

Se os discípulos tivessem roubado o corpo, eles seriam parte de uma enorme fraude e saberiam disso, sendo assim, seu comportamento posterior não faz qualquer sentido. 

Portanto, a teoria da fraude não consegue explicar a mudança ocorrida na vida dos discípulos. 

Outra teoria é que os discípulos experimentaram alucinações coletivas quando afirmaram ter visto Jesus ressuscitado. Essa teoria é a mais aceita hoje em dia por quem nega a ressurreição de Jesus, mas ela não explica duas evidências importantes. 

A primeira delas é: onde foi parar o corpo? Ora, sabemos que o túmulo estava vazio, portanto, onde o cadáver de Jesus foi parar? Não há explicação para essa evidência.

Outro problema com essa teoria é a que a ideia de alucinações coletivas não consegue explicar as experiências dos discípulos, que, segundo os relatos, abrangeram pessoas diferentes (Pedro, Tiago, os doze apóstolos em conjunto, um grupo de 500 pessoas e assim por diante), em locais e circunstâncias distintos.

Ora, alucinação é um processo essencialmente individual, conforme os estudos científicos comprovam. Se duas pessoas alucinarem ao mesmo tempo - por exemplo, porque ambas estão morrendo de sede -, elas verão coisas diferentes, nunca a mesma coisa. 

Portanto, a teoria de alucinações coletivas não explica as múltiplas experiências dos discípulos. Além disso, alucinações, que são experiências de natureza mental, não explicam porque algumas pessoas - como Maria Madalena ou Tomé - conseguiram tocar em Jesus. 

Portanto, a teoria de alucinações coletivas não consegue explicar nem o túmulo vazio e nem as experiências dos discípulos. 

É fácil perceber que a tese da ressurreição explica muito melhor o conjunto de evidências históricas do que as alternativas a ela. Portanto, é teoria mais provável e a que tem mais suporte histórico. E, nesse sentido, podemos dizer que a teoria da ressurreição está comprovada historicamente.

É claro que muitos/as historiadores/as não concordam com essa conclusão e se aferram a uma das teorias alternativas, especialmente a da alucinação coletiva, porque não acreditam na possibilidade de Jesus Cristo ter sido quem a Bíblia afirma. E vão morrer negando a ressurreição e tentando encontrar outras explicações para as evidências das quais dispomos.

Palavras finais
A existência de Jesus, seu ministério neste mundo, sua morte na cruz e sua ressurreição são fatos que gozam de grande solidez do ponto de vista histórico. 

Portanto, fique tranquilo/a e seguro/a que sua fé está embasada numa realidade concreta. Agora, quem não quiser acreditar nessa realidade, faz isso por sua conta e risco.

Com carinho

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

POR QUE AS PESSOAS SAEM DA IGREJA?

Já vi muitas pessoas afirmarem que não gostam de ir à igreja. Não conseguem se encontrar em nenhuma das comunidades cristãs que já conheceram.

Até tentaram, testando locais que seguem diferentes orientações ideológicas (mais rígidas ou mais liberais, mais tradicionais na visão dos dons do Espírito Santo ou mais carismáticas), formas diversas de ser e praticar a fé cristã, etc, mas não se sentiram em casa em lugar nenhum. 

Em muitos desses casos, o problema real está nas próprias pessoas - na sua falta de compromisso com o Evangelho de Cristo. Falo sobre isso em diversas postagens aqui no site (por exemplo, aqui e aqui). 

Mas, conheço muitos casos de pessoas feridas pelas comunidades cristãs que frequentaram ou que não conseguiram efetivamente se encontrar em nenhum lugar. Nesta postagem, portanto, vou falar do "outro lado da moeda": os problemas que afastam as pessoas das igrejas cristãs.

Muitas delas simplesmente não conseguem cumprir sua missão adequadamente, pois não dão às pessoas o que elas de fato precisam para exercer bem sua fé cristã. Vamos ver alguns dos problemas que são comuns por aí: 

A geração de ansiedade
Hoje em dia ficou difícil viajar de avião para o exterior, principalmente para os Estados Unidos. Os incômodos tornaram-se enormes, por causa das regras de segurança impostas aos passageiros nos aeroportos. 

Viajar para o exterior de avião - uma coisa que deveria ser boa - virou motivo de ansiedade. E há aí um ponto de semelhança com algumas igrejas.

Elas também geram ansiedade nas pessoas que as frequentam e fazem isso por duas razões. Primeiro, porque estabelecem um monte de regras de conduta e acusam de pecadoras todas as pessoas que não as seguem - há pastores/as que ameaçam as pessoas com o inferno com a maior facilidade.

Pior ainda, é frequente existir nas igrejas pessoas que se auto-elegem "vigilantes da moral e dos bons costumes" e ficam permanentemente fiscalizando as outras. E não é fácil enfrentar essas pessoas acusadoras, especialmente se surge algum problema.

Era exatamente assim que agiam os fariseus no tempo de Jesus: eles transformaram a religião judaica numa coisa legalista, tornando pecado até curar um doente no sábado. E os fariseus ficavam vigiando todo mundo à sua volta, apontando o dedo acusador para quem entendiam estar em pecado. 

Jesus travou uma longa batalha de ideias contra os fariseus, mostrando que essa religião estava alienando as pessoas, afastando-as de Deus e, de certa forma, incentivando-as a serem hipócritas. E é exatamente isso que se deve dizer a respeito das igrejas cristãs que se tornam legalistas e fiscalizadoras da vida dos frequentadores/as.

O tratamento de "rebanho"
Outra questão que torna os aeroportos tão desagradáveis hoje em dia é que as pessoas são tratadas ali como um "rebanho", tangido daqui para ali. Todo mundo tem que passar pelos mesmos controles, esperar nos mesmos lugares e entrar na mesma hora, com exceção de alguns pequenos privilégios para gestantes, crianças e idosos. 

Seres humanos não gostam de ser tratados assim. Elas preferem ver suas individualidades e necessidades específicas levadas em conta. 

Infelizmente, a maioria das igrejas atua da mesma forma que os aeroportos: tudo nelas é pré-estabelecido e rígido, até os momentos de oração. Existe uma programação para ser cumprida e todo mundo precisa segui-la, não importa suas necessidades individuais.

Já conversei com lideranças de diferentes igrejas sobre essa questão e sempre ouvi que não é possível fazer as coisas de forma diferente, pois os recursos são limitados. Mas preste atenção: Há um tipo de organização que consegue individualizar o tratamento dado às pessoas, mesmo com recursos limitados. Refiro-me aos hospitais. 

Não faria sentido uma médica aparecer na emergência de um hospital particular e dizer para todos/as os/as pacientes esperando por atendimento ali: "Dentro de meia hora vamos começar a dar a mesma medicação para todo mundo". Ninguém aceitaria porque o atendimento hospitalar, por definição, precisa ser individualizado. 

Por que, então, aceitamos tratamento impessoal nas igrejas? Afinal, todo domingo, há em qualquer comunidade cristã algumas pessoas "doentes" espiritual e/ou emocionalmente, que precisam de atenção individual e não conseguem receber.

E a forma de resolver essa questão não é tão difícil como parece. Começa por decidir que o atendimento personalizado é uma prioridade e as atividades devem ser organizadas com esse objetivo em mente. Pode existir um "pronto socorro" espiritual para atender emergências e devem ser treinadas lideranças leigas para auxiliar os/as pastores/as, seguindo o exemplo de Jesus, que preparou diversos discípulos. E há várias outras providencias nessa mesma linha.

A exigência de adesão completa
Outro problema muito comum é a exigência de que as pessoas adotem integralmente o "pacote" doutrinário pregado pela denominação à qual pertencem, sob pena de serem rejeitadas.

Um tipo de organização que também lida com a questão da fidelidade às ideias é o partido político - se você se filia num deles é porque, em princípio, acredita e apoia as ideias defendidas ali. 

Agora, mesmo nos partidos políticos, o que é cobrado na prática não é a adesão total às ideias e sim a fidelidade às decisões partidárias. Por exemplo, se houver orientação partidária para os/as deputados/as da bancada na Câmara Federal votarem de determinada forma, todos/as precisam seguir essa determinação. 

Mas, repare, é preservado o direito desses/as deputados/as de discordar e lutar pelos seus pontos de vista dentro do partido, durante o debate político que precede cada votação.
E porque as igrejas não podem agir de forma semelhante, preservando algum espaço para ideias divergentes? Por que uns poucos "luminares" podem decidir por todas as demais pessoas e quem discordar torna-se rebelde e/ou pecador/a?

Certa vez uma denominação evangélica perdeu seu líder e fundador. E assumiu seu lugar o filho do líder morto, o que já não me parece uma coisa boa. Mas, deixando isso de lado, o novo líder decidiu, seguindo sua própria convicção teológica, que a denominação não podia mais ter pastoras ordenadas. E isso gerou um enorme problema para várias mulheres que vinham servindo a Deus naquela denominação.

Evidentemente precisa haver uma disciplina doutrinária dentro das igrejas, pois se cada pessoa praticar livremente o que lhe der na mente, vira bagunça. Mas é preciso haver espaço para discutir ideias e para acomodar pessoas que pensem de forma um pouco diferente. 

O desvio do foco
Uma lâmpada gera tanto calor quanto luz. O calor é indesejado, mas acaba aparecendo no processo de gerar a luz. As lâmpadas mais eficientes (p. ex. as frias) são aquelas que transformam a maior parte da energia elétrica em luz, minimizando o calor.

Há organizações que são pouco eficientes, pois geram mais "calor" do que "luz". Um bom exemplo é, de forma geral, o serviço público no Brasil - uma parte importante dos recursos se perde na ineficiência da máquina por falta de treinamento das pessoas, infraestrutura inadequada, desinteresse, corrupção, etc. Gasta-se muito dinheiro para se obter resultado final pouco expressivo.

Existem igrejas que também são assim: Tornam-se ineficientes por causa da sua estrutura complexa, burocracia excessiva, concentração de poder, etc. Acabam desperdiçando seu "capital espiritual". 

Um exemplo clássico é a igreja católica, com a enorme burocracia e os problemas de comportamento da Cúria Romana, instalada no Vaticano. Mas há diversas denominações evangélicas que sofrem do mesmo mal, no afã de ter controle de tudo e fazer tudo certinho e acabam produzindo pouco resultado em termos de vida salvas, no atendimento de pessoas necessitadas, etc.

Nunca podemos esquecer que Jesus conseguiu resultados fantásticos usando estrutura muito simples (um punhado de discípulos/as). O mesmo aconteceu com o apóstolo Paulo.
 
Palavras finais
Igrejas acolhedoras e produtivas não podem gerar ansiedade, precisam tratar adequadamente a individualidade dos/as frequentadores/as, não podem exigir adesão ideológica completa à sua visão teológica, porque seria a única forma de ir para o céu e muito menos gastar boa parte dos seus recursos e tempo em questões burocráticas e internas. 

Se sua igreja sofre de um ou mais desses problemas, você precisa olhar com atenção se está frequentando o lugar certo. Se você ainda não tem igreja, e procura uma, preste atenção nesses sinais, antes de escolher. E nunca desanime de procurar, pois certamente há comunidades que conseguem lidar bem com a maioria dessas questões, tornando-se fonte de luz para o mundo.

Com carinho

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O TRIÂNGULO DA LIBERDADE

A ideia da liberdade está sob ataque no Brasil. Vivemos tempos difíceis - corrupção generalizada, grande violência, injustiça social muito presente, desgaste dos valores familiares e outras coisas assim -, quadro que vem gerando profundo "mal-estar" na sociedade. Hoje ninguém parece estar satisfeito. 

E estão começando a aparecer "salvadores/as da pátria", líderes que garantem ter soluções rápidas e fáceis para todos os problemas brasileiros. Mas as ideias apresentadas ferem de morte a democracia e a noção de liberdade - ideias como intervenção militar, grande repressão policial, censura, maciça intervenção do governo nas atividades da sociedade e por aí vai.

Ora, liberdade individual e democracia são muito importantes, essenciais para a vida e esses direitos foram a duras penas no Brasil, depois de cerca de 20 anos de ditadura. E posso garantir que não é nada bom viver numa ditadura - sou testemunha disso.

O que fazer então? É preciso entender onde está o problema, senão vamos ficar atirando em todas as direções, sem nunca acertar o alvo. E o ponto de partida é analisar o que sustenta a ideia da liberdade. 

O autor cristão Os Guiness criou o conceito do "triângulo da liberdade" que ajuda muito nessa reflexão. Cada vértice desse "triângulo" trata de um conceito diferente e os três conceitos se apoiam mutuamente. 

O primeiro vértice é justamente a liberdade individual: Direito de crer livremente no que se desejar, de ir e vir como se quiser e agir segundo a própria vontade, naturalmente respeitando o direito das outras pessoas. Vamos aos outros vértices.

Liberdade requer virtude
O segundo vértice do triângulo é a virtude, ou seja, a ideia que as pessoas precisam ter princípios morais governando suas vidas. São esses princípios que caracterizam "quem você é quando ninguém está olhando" (veja mais). 

Ora, só é possível uma sociedade administrar bem a ideia de liberdade individual quando as pessoas tem virtude, ou seja, seguem padrões morais adequados. Só aí elas irão se comportar da forma correta mesmo quando não forem obrigadas a isso. 

Liberdade individual sem virtude (princípios morais) gera bagunça, desrespeito, a ideia de cada um por si.
 
Virtude requer fé
A virtude requer um processo para estabelecer os princípios morais, ensiná-los às pessoas e cobrar delas o compromisso de se submeter ao que tiver sido estabelecido. E é preciso ter fé (confiança) na integridade de todo esse processo. 

Portanto, a fé é o terceiro vértice do triângulo e, sem ela, a virtude nunca prospera.

Fé requer liberdade
Fechando o ciclo, precisamos lembrar que a fé requer liberdade de escolha e crença. E é preciso que a sociedade reconheça tal direito. 

É claro que, havendo tal tipo de liberdade, irão florescer crenças absurdas e estranhas, inclusive aquelas que promovem o mal, mas esse é o preço a pagar. 

O que está acontecendo com o Brasil
Resumindo, o "triângulo da liberdade" começa na liberdade. O segundo vértice é a virtude (a aceitação e o cumprimento de regras morais), sem o que a sociedade caminha para o caos. E para aceitar o processo que estabelece e faz cumprir esses princípios morais é preciso fé. Fechando o triângulo, sabemos que a fé só pode florescer num meio onde haja liberdade.

E onde o Brasil está falhando? Por que esse esse "triângulo está se rompendo entre nós? Acho que a resposta é evidente: O problema nasce na falta virtude, isto é na presença de princípios morais adequados. 

A sociedade brasileira é caracterizada pela ambiguidade no aspecto moral. Somos adeptos do "jeitinho", da ideia que é sempre bom levar vantagem em tudo e de outras pequenas espertezas. Os princípios morais no Brasil são frágeis e muita gente pensa ser possível viver assim. 

E o Brasil fez, em 1988, uma Constituição bastante liberal, garantindo a liberdade. Mas nada foi feito quanto à virtude, quanto à falta de princípios morias. O resultado é aquele que estamos vendo. 

Sentido na pele os efeitos dessa situação meio caótica, os/as brasileiros/as começaram a perder a fé no processo como um todo e aí passaram a aparecer as ideias de acabar com a liberdade, que parece ser a causa de tudo. Essa é a origem das ideias de um governo forte, de restringir a liberdade individuais, de aumentar a repressão, etc. 

Mas a raiz de todo o problema é a falta de virtude., de princípios morais adequados presentes e governando a vida das pessoas. E os/as cristãos/ãs têm papel muito importante nessa missão. 

Sabemos que os princípios morais nos quais acreditamos, dados por Deus, são os melhores. Portanto, temos total confiança neles. E precisamos passar isso para sociedade. Primeiro, dando o exemplo daquilo que pregamos e depois ensinando e mostrando que essa é a única saída. 

Enquanto isso não for alcançado, o "triângulo da liberdade" continuará instável e o Brasil sempre estará correndo o risco de aventuras políticas.

Com carinho

sábado, 11 de novembro de 2017

COMO DAR CONSOLO

Vez por outra, encontramos alguém que precisa de consolo. Uma pessoa que passa por grande sofrimento por ter perdido um ente querido. 

Queremos consolar a pessoa na sua dor, mas temos dúvida sobre o que devemos dizer. E também sobre o que não devemos falar.

Neste vídeo eu faço uma reflexão sobre o tema de "como dar consolo" e uso o exemplo de Jó, quando foi consolado pelos seus amigos - veja aqui

Outros vídeos meus aqui no site:
Um convite para você trabalhar na obra de Deus - veja aqui
Como lidar com os pesadelos que a vida nos trás - veja aqui