terça-feira, 22 de maio de 2018

SEM DEUS NÃO HÁ LIMITE PARA A AÇÃO HUMANA

O cristianismo é sempre muito criticado pelos/as intelectuais e a mídia, sendo visto como uma religião intolerante, defensora de idéias estreitas e limites antiquados. Ouço isso a toda hora.

Por causa disso, até desenvolvemos (a pastora Carol e eu), na igreja onde frequentamos, uma série de aulas de Escola Bíblica Dominical, que trata exatamente da dificuldade que o povo cristão encontra hoje para viver numa sociedade em boa parte hostil às suas convicções (veja aqui). 

A principal razão por trás dessa situação é que o cristianismo prega e defende valores absolutos. Para nós, cristãos/ãs, foi Deus quem estabeleceu o que é certo ou errado. E precisamos seguir aquilo que Ele determinou.

Os Dez Mandamentos são aqueles que a Bíblia transcreve e não há como pensar em eliminar um ou dois deles, ou ainda acrescentar um mandamento novo, por exemplo, que trate de questões ligadas às redes sociais. 

Podemos sim discutir a interpretação e a aplicação prática desses mandamentos e ver sua correlação com questões atuais, mas essa discussão é balizada pelos demais ensinamentos da Bíblia. E assim é com tudo aquilo que Deus nos mandou fazer.

Por exemplo, podemos discutir a questão das fake news olhando para a Bíblia, embora ela nada fale diretamente, como era de se esperar, sobre essa questão. Para chegar alguma conclusão nesse caso vamos precisar olhar para o mandamento que nos proíbe dar falso testemunho contra o próximo e, a partir daí, construir um raciocínio que leve à condenação das fake news. E assim será com muitas outras coisas. 

E ao final dessa tipo de reflexão, vamos chegar a uma posição sobre o que é certo ou errado fazer num caso como esse, posição que será absoluta, pois referendada pelos ensinamentos de Deus. 

Agora, o que vemos na sociedade em geral é a relativização dos conceitos de "certo" e "errado". A tese que "cada pessoa tem seu ponto de vista e todas as opiniões devem ter o mesmo peso" é muito simpática e encontra cada vez mais adeptos/as. Mas o cristianismo pensa de forma diferente - o que vale é aquilo que Deus determina - daí as críticas que sofre.

O que as pessoas não percebem são os riscos embutidos na relativização dos conceitos de "certo" e "errado". E isso fica muito claro nas notícias publicadas na mídia na semana. Por exemplo, lembro que tempos atrás li uma notícia que na Bélgica passou-se a admitir a eutanásia (o morte provocada com a assistência de médicos), visando evitar sofrimento desnecessário nas pessoas doentes sem esperança, mesmo no caso de crianças. Antes só adultos, conscientes da sua realidade, podiam solicitar a eutanásia, mas, a partir de certo momento, esse direito foi estendido aos pais (ou responsáveis) de crianças doentes de forma terminal.

O argumento tradicional para justificar a eutanásia é que a pessoa tem direito de escolher se quer ou não continuar a viver, pois a vida é um direito seu, uma propriedade sua. E, mais recentemente, deu-se um passo adicional e muito perigoso: esse "direito" foi estendido aos pais (ou responsáveis) das crianças, como se a vida deles lhes pertencesse. 

E nada garante que tal direito não será usado por alguns pais para terminar a vida de filhos/as com deficiências físicas ou mentais muito sérias, poupando-lhes muita despesa e trabalho. Ou que sejam dados novos passos para flexibilização dos princípios éticos aplicados nesse caso e o direito de optar pela eutanásia seja estendido ao Estado, permitindo-lhe economizar recursos públicos gastos com doentes sem esperança de cura.

Repare que a falta de um limite moral absoluto, definido por alguém que seja superior à sociedade, deixa a todos/as vulneráveis. As escolhas vão se sucedendo, vai-se avançando numa direção extremamente perigosa, com base em argumentos que parecem lógicos e justificáveis. E, quando se abre uma porta desse tipo, fazendo uma concessão moral, fica muito difícil fechar depois. O risco é enorme. 

Décadas atrás, a Suprema Corte dos Estados Unidos deu uma decisão flexibilizando as regras para o aborto, dentro da linha de defesa que o corpo da mulher é sua propriedade individual e cabe a ela decidir o que quer fazer. Como resultado, já forma praticados naquele país centenas de milhões de abortos, órgãos de fetos foram explorados comercialmente e a lista de horrores é crescente. 

E já vemos isso acontecendo em diversos outros campos, como na manipulação genética durante a concepção humana, na disseminação de armas de destruição em massa e outras mais.
O grande escritor russo Fiódor Dostoiévski, num trecho do seu famoso livro "Os irmãos Karamazov", reconheceu esse dilema, quando disse o seguinte:
Se Deus não existe e a alma é mortal, tudo é permitido
O povo cristão acredita que nem tudo é permitido para o ser humano, não importa o quão rico, culto e desenvolvido ele se torne. Há coisas contra as quais sempre iremos nos opor, mesmo sendo criticados por isso. 

Por exemplo, para nós, a vida humana é uma dádiva de Deus e não pertence aos próprios seres humanos e por causa disso cada pessoa (nascida ou não) tem direitos e uma dignidade intrínsica que precisa ser respeitada. 

Acho que, com o passar do tempo, sofreremos cada vez o tipo de crítica que hoje enfrentamos. Esse será o preço que precisaremos pagar para sermos obedientes à voz de Deus.

Com carinho

domingo, 20 de maio de 2018

E QUANDO A VIDA ESTÁ PESADA DEMAIS PARA CARREGAR?

Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Mateus capítulo 11, versículo 28
Hoje vou falar sobre o alívio de Jesus para nossos problemas. E esse tipo de ajuda se torna especialmente necessária naquele dia em que você não quer nem levantar da cama de manhã cedo. E não é por preguiça. É que são tantos os problemas, tantas as lutas, que a vontade é fechar a porta do quarto e ficar na cama, deixando todos os problemas lá fora.

A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que passaram por esse tipo de aflição. Por exemplo, o profeta Elias, em certo momento do seu ministério, ficou tão deprimido que nem queria comer. Foi preciso que Deus mandasse os anjos darem comida para Ele (1 Reis capítulo 19, versículos 1 a 8). E durante algum tempo, Elias viveu literalmente dependendo em tudo do Pai.

Existe ainda o caso de Ana, que viria a ser a mãe do profeta Samuel. Desesperada por não conseguir ter filhos, foi ao Tabernáculo e ficou ali chorando, na presença de Deus (1 Samuel capítulo 1, versículos 9 a 18). 

Quando me sinto triste assim - e isso já aconteceu algumas vezes na minha vida -, sempre procuro me lembrar do versículo que abre esta postagem. Nele, Jesus aborda a aflição humana com grande sensibilidade e dá uma resposta definitiva para ela. 

E Jesus pôde fazer isso porque Ele entendia exatamente como nos sentimos nesses momentos pois passou pelas mesmas dificuldades que nós passamos - não podemos esquecer que, certa vez, de tão angustiado que estava, Ele chegou a suar sangue. 

O ensinamento de Jesus é que nesses momentos, mais do que em quaisquer outros, você precisa contar com Ele. Precisa ir até Ele e entregar-lhe todos os seus problemas. Mas o que é isso na prática?

Trata-se de orar, confessando a Ele suas dificuldades e entregando nas suas mãos o encaminhamento das soluções. Em outras palavras, buscar o alívio de Jesus, deixando com Ele os problemas que estão fora do seu alcance resolver. Essa é a primeira parte.

A segunda parte é confiar n'Ele e descansar. Passar a agir como uma criança pequena, que tem confiança total e completa no seu pai. E que, quando o pai lhe garante que vai resolver o problema, pára de chorar e se esquece da dificuldade, confiante que a solução virá - afinal, foi seu pai quem prometeu isso. 

Esse é o tipo de confiança necessária para que você consiga descansar em Deus. Mas alguém poderia me perguntar: “Eu não consigo. Até gostaria de ter esse descanso, mas não consigo ter tanta confiança assim. O que preciso fazer?”. E eu respondo: o remédio para isso é mais Jesus ainda.

Há uma passagem na Bíblia em que uma pessoa pediu a Jesus que fizesse um milagre na sua vida e Ele respondeu que, se a pessoa acreditasse, caso tivesse fé suficiente, receberia a graça desejada. E a pessoa respondeu-lhe com sinceridade cativante: “Eu creio, mas me ajude na minha falta de fé”.

Aquela pessoa até acreditava, mas sabia que sua fé não era o bastante. E o que ela fez? Acreditou que Jesus também poderia ajudá-la nessa outra dificuldade. E isso bastou: o milagre aconteceu. 

E é exatamente isso que você deve fazer, se sentir que sua fé não é suficiente: peça ajuda a Deus para aprender a conseguir confiar mais n´Ele! Faça isso e eu garanto, garanto mesmo, que Deus vai responder. 

E quando Deus responder, a sua Paz, que excede toda a compreensão humana, vai invadir seu coração e ali permanecer até o fim dos seus dias. 

Busque sempre o alívio de Jesus. Essa é a grande reposta para os problemas da vida.

Com carinho

sexta-feira, 18 de maio de 2018

O RESULTADO DAS BOAS INTENÇÕES

Tempos atrás, Guga, o maior tenista da história do Brasil, deu uma entrevista onde falou sobre sua vida depois de abandonar as quadras. Uma das partes mais interessantes foi quando ele comentou sobre as sequelas que o esporte de alto rendimento deixou no seu corpo - hoje Guga tem dificuldade para andar normalmente.

Está comprovado que o esporte de alto rendimento (tênis, futebol, vôlei, basquete, ginástica olímpica, dentre outros) normalmente gera consequências muito prejudiciais à saúde dos/as atletas. Vários ídolos do esporte dão testemunhas disso - por exemplo, o ex-tenista André Agassi, que ganhou muitos títulos, declarou sofrer dores tão fortes que não conseguiu pegar direito os filhos no colo, quando eles eram pequenos.

Penso que essas informações nos permitem fazer duas reflexões importantes para nossas vidas. A primeira delas é a seguinte: uma coisa que parece boa pode se tornar ruim, dependendo de como é feita. 

No caso do esporte, a fronteira entre o bem e o mal está na intensidade das atividades físicas praticadas. Quando feitas em excesso e por muito tempo, elas podem destruir partes do corpo humano, como as articulações, causando problemas permanentes.

E o mesmo pode ser dito do cristianismo: frequentar uma igreja cristã e trabalhar na obra de Deus são coisas excelentes, que só fazem bem. Mas obsessão religiosa - a situação onde a pessoa só vive para sua religião - não é saudável. O mesmo pode-se dizer do fanatismo religioso - é esse tipo de fanatismo que costuma levar à intolerância religiosa e, daí, para passar à violência física contra quem pensa diferente, é um passo muito pequeno. 

É preciso saber definir onde está a fronteira entre uma prática saudável e outra que causa prejuízo à pessoa. Ou seja, é necessário saber estabelecer onde está a fronteira entre o bem e o mal. 

Eu não tenho espaço para desenvolver com muita profundidade essa questão, mas já tratei dela em inúmeras outras postagem (por exemplo, aqui e aqui). Mas, de forma resumida, é preciso sempre ter em mente os ensinamentos dados por Deus na Bíblia - ali estão as regras de comportamento que precisamos seguir.

A segunda reflexão importante é a seguinte: boas intenções não garantem bons resultados. Por exemplo, um atleta busca ganhar dinheiro para si e sua família, como também trazer alegria para milhões de fãs. E nada disso pode ser considerado ruim - são intenções que parecem ser boas. 

Mas, na busca por esses objetivos, como vimos nos exemplos acima, muitos/as atletas acabam por destruir seu próprio corpo. De igual forma, sabemos que ajudar pessoas a aceitarem Jesus como seu Salvador é uma coisa muito boa - esse é até um mandamento que nos foi dado. Mas a história está cheia de exemplos - como a Inquisição, durante a Idade Média - onde a conversão de muitas pessoas foi feita à força. As pessoas "aceitavam" Jesus simplesmente para não morrerem e isso é uma completa subversão do Evangelho de Jesus Cristo. 

É por isso que o ditado "a estrada para o inferno está pavimentada de boas intenções" trata de uma grandes verdade. As boas intenções sozinhas não garantem que os resultados finais sejam bons. É preciso também olhar para os caminhos que serão seguidos para transformar essas boas intenções em realidade. Por exemplo, usar de força para converter pessoas é extremamente errado e só gera sofrimento, ao invés de trazer libertação.

Os resultados somente serão bons se tanto as intenções iniciais, como os caminhos seguidos para concretizá-las, estiverem ambos alinhados com a vontade de Deus. 

Com carinho

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O QUE SERÁ?

Vivemos num mundo meio caótico, onde há problemas de toda ordem: corrupção, violência, falta de serviços essenciais e assim por diante. E há quem pergunte: o que será de mim? Como encontrar forças para viver essa realidade tão difícil?

Na verdade, a Bíblia ensina que só estamos neste mundo de passagem e que o nosso lugar é mesmo junto a Deus, onde não há trevas, problemas e tristeza. Onde Ele é tudo para cada pessoa e preenche todas as necessidades dela.

E é sobre essa esperança que eu falo no meu mais novo vídeo - veja aqui.

Veja outros vídeos recentes meus aqui e aqui.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

AUTO-AJUDA OU AJUDA DE DEUS?


Livros e palestras de auto-ajuda são extremamente populares. Os/as autores/as mais conhecidos dessa área acabam ricos/as e famosos/as, tal o interesse do público por esse tipo de assunto. 

Mas o que a Bíblia tem a ensinar a respeito da auto-ajuda? Ela deve ser considerada como uma coisa boa ou ruim? É o que vamos discutir a seguir.

Na verdade, há aspectos positivos e negativos na auto-ajuda, embora os pontos negativos sejam mais numerosos e mais fortes. O principal aspecto positivo tem a ver com o incentivo ao auto-conhecimento. E isso faz sentido, pois o primeiro passo para alguém conseguir mudar, e melhorar, é que essa pessoa consiga entender seus problemas pessoais e tome a decisão de passar a agir de forma diferente. E isso é positivo e trata-se de prática também apoiada pela Bíblia. 

Mas, tirando esse ponto em comum, os caminhos seguidos pelos livros de auto-ajuda e a Bíblia são bem diferentes. A essência da auto-ajuda é trabalhar para que a pessoa encontre e libere o potencial que ela tem e que não está usando de forma adequada. E isso explica a popularidade dessa linha de pensamento - afinal, as pessoas gostam da ideia que são melhores do que pensam e podem voar mais alto. Gostam de se sentir mais poderosas do que aparentam. E principalmente gostam de perceber que são auto-suficientes.

A Bíblia discorda dessas ideias. Ela ensina que a natureza humana é voltada para o pecado e que somente a Graça de Deus pode colocar e manter a pessoa no caminho certo, dando-lhe condições para conseguir atingir bons resultados na vida. 

Depois de reconhecer as próprias fraquezas, a Bíblia ensina que a pessoa precisa arrepender-se delas e entregar seus caminhos a Deus, para ser modificada pela ação do Espírito Santo. Ou seja, não é a pessoa que consegue se transformar, ao encontrar dentro de si mesma um potencial inexplorado, mas é a obra do Espírito Santo nela que causa a mudança e a melhoria.

A Bíblia ensina que a pessoa não pode realmente se auto-ajudar. Tudo que pode fazer é escolher aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador e se manter firme nesse caminho. A sua regeneração propriamente dita cabe ao Espírito Santo. 

Um bom exemplo de tudo que acabei de falar é a situação que Moisés viveu. A Bíblia conta que ele foi escolhido por Deus para liderar o povo de Israel e tirá-lo da escravidão que vivia no Egito. Essa missão foi revelada a Moisés numa visão no Monte Sinai, quando Deus falou com Ele, com a voz vindo de uma planta que estava em chamas, mas não se queimava (Êxodo capítulo 3, versículos 1 a 10). 

E Moisés ficou inseguro de assumir essa enorme responsabilidade e deu uma série de desculpas para Deus, culminando por comentar que tinha dificuldade de falar em público, pois era gago (Êxodo capítulo 4, versículos 1 a 13). 

Ora, num modelo de auto-ajuda, Deus teria incentivado Moisés a liberar seu potencial interior, superando sua limitação. E teria até lhe ensinado a fazer isso. Mas não foi isso que Deus fez: Ele escalou Aarão, irmão de Moisés, para servir como seu porta-voz (Êxodo capítulo 4, versículos 14 a 16) - Aarão falava bem em público e ajudou Moisés a convencer o povo de Israel.

As duas abordagens - "auto-ajuda" e a "ajuda de Deus" buscam um objetivo comum: fazer a pessoa conseguir superar seus problemas. A "auto-ajuda" apelando para as forças interiores da própria pessoa, procurando dar-lhe auto-confiança e auto-estima, de certa forma tornando a pessoa auto-suficiente. A ideia é fazer a pessoa realmente acreditar que pode fazer qualquer coisa que deseje realizar. 

Já a abordagem, a bíblica, coloca a pessoa nas mãos de Deus, dando-lhe a primazia na solução dos problemas. É claro que a pessoa sempre será chamada a fazer sua parte (esforçar-se, perseverar, etc), mas o mérito cabe mesmo ao Espírito Santo. Aqui também a pessoa é incentivada a acreditar que pode fazer tudo, mas não por suas forças, mas sim através do poder de Deus colocado à sua disposição. Como disse o apóstolo Paulo: "tudo posso naquele que me fortalece" (Filipenses capítulo 4, versículo 13).

É claro que a consequência dessas duas abordagens é bem diferente. Se é a pessoa que resolve seus próprios problemas, contando apenas com as próprias forças, ela vai se sentir feliz e orgulhosa pelos bons resultados. Não precisará agradecer a ninguém pois o mérito será todo seu. 

Agora, se a orientação quanto ao que fazer, a criação de condições favoráveis e a força necessária para superar os obstáculos vieram de Deus, a pessoa deverá ser grata a Ele. Precisará reconhecer que depende do Espírito Santo em tudo. 

É por causa disso que a experiência mostra que a auto-ajuda frequentemente acaba por levar a pessoa para longe de Deus, ao fazê-la acreditar que é auto-suficiente. E isso é um perigo enorme para a vida espiritual de qualquer pessoa. Afinal, nenhum caminho que procura tornar a pessoa independente de Deus é pode ser bom. 

Com carinho

sábado, 12 de maio de 2018

O QUE É CERTO OU ERRADO?


O que você acha certo ou errado? Qual a referência que você usa para chegar a essa conclusão? O que influencia as escolhas que você faz na vida? 

A experiência mostra que há três caminhos alternativos que as pessoas costumam adotar para definir o que é certo ou errado no seu dia-a-dia: 
  • priorizar aquilo que é melhor para elas mesmas, rotulando como "certo" aquilo que está de acordo com suas necessidades pessoais e "errado" o que alguma forma vai contra seus objetivos.
  • rotular como "certo" aquilo que contribui para o bem estar da coletividade (o grupo social com o qual as pessoas se identificam). 
  • confiar que "certo" é aquilo que Deus definiu dessa forma. 
Pessoas diferentes escolhem caminhos distintos, conforme sua formação, fé e experiência de vida, e, naturalmente, chegam a conclusões diferentes sobre o que é "certo" e o que é "errado". E nasce aí a grande divergência de opiniões na sociedade atual, que atinge até contornos agressivos durante a discussão de questões polêmicas como o enfrentamento da miséria, a pena de morte, o aborto, a eutanásia, o homossexualismo, etc.

Vamos ver mais de perto como funciona cada uma dessas formas alternativas de pensar o mundo: 

A necessidade pessoal é o mais importante
Muitas pessoas pensam que devem sempre privilegiar aquilo que contribui para satisfazer suas necessidades pessoais (reais ou imaginadas). E para que isso seja possível, entendem que é preciso ter ampla liberdade de ação - só assim poderão buscar e/ou conquistar o que desejam/precisam. 

Essa a ideia básica por trás do capitalismo. Ela envolve o princípio que os agentes econômicos (pessoas e empresas) precisam ser inteiramente livres para tomar suas próprias decisões (o que comprar, vender ou produzir), que naturalmente irão ser tomadas buscando o máximo de ganho possível para esses mesmos agentes. 

Para quem pensa assim, qualquer lei que procure regular o livre mercado - por exemplo, estabelecendo o preço máximo pelo qual determinado produto pode ser vendido - é uma indesejada restrição à liberdade individual. Mesmo que o objetivo dessa lei seja corrigir injustiças ou distorções geradas pelo livre mercado. Para quem pensa assim, quanto menor for a ação do estado, melhor.

É certo que a liberdade individual é um direito fundamental e as sociedades que mais prosperam são aquelas que reconhecem isso. Mas também é fato que a liberdade individual irrestrita acaba por introduzir graves distorções na sociedade, pois os mais fortes acabam por prosperar às custas daqueles/as que são indefesos/as. 

O bem comum é o mais importante 
O segundo caminho alternativo é estabelecer que o mais importante é o bem comum do grupo social (por exemplo, o país onde se mora). Por isso cabe a esse mesmo grupo definir, através de leis e/ou regras de comportamento, o que é certo ou não fazer. 

Naturalmente, essas leis e regras reduzem a liberdade individual das pessoas e empresas tomarem suas próprias decisões e haverá momentos em que elas precisarão fazer sacrifícios em prol do bem comum. 

Por exemplo, na China, até bem recentemente, o governo se achava no direito de definir quantos filhos as famílias poderiam ter para evitar a superpopulação, que jogaria o país no caos. O governo podia até obrigar mulheres grávidas a abortar. Assim, violava-se a liberdade individual das famílias em prol do controle do crescimento da população. 

Outro exemplo muito comum hoje em dia são as leis e regras visando preservar o meio ambiente. Digamos que alguém comprou uma fazenda - essa pessoa não vai poder cortar todas as árvores que existem na sua terra, para ampliar a área de plantio, por causa das restrições ambientais. O dono da terra vai precisar abrir mão de ganhar mais, ao restringir sua liberdade de fazer o que quiser na sua terra, em prol do bem comum. 

Restrições desse tipo se aplicam em muitas outras áreas da vida em sociedade como, por exemplo, na questão dos direitos humanos. E costumam ser especialmente fortes em momentos especiais da história, como no caso de catástrofes, epidemias ou guerras. 

Algum grau de restrição à liberdade individual é imprescindível para a vida harmoniosa em sociedade - afinal minha liberdade precisa acabar onde começa a sua. Mas a história mostra que há sociedades onde esse princípio foi levado a extremos tais, que as liberdades individuais praticamente acabaram, como é o caso dos regimes comunistas. 

Obedecer a Deus é o mais importante
O terceiro caminho é acreditar que Deus já estabeleceu o que é certo ou errado e basta seguir suas orientações - afinal, Ele sabe melhor do que ninguém pois foi Ele criou o universo e as próprias pessoas. 

É claro que as leis dadas Deus (como "amar o próximo") certamente concorrem para o bem comum, como também enfatizam a liberdade individual (lembre-se que foi Deus quem nos deu o livre arbítrio), mas o motivo principal para obedecê-las é a obediência a Deus. Em outras palavras, confiamos que as leis de Deus promovem o melhor para todos/as porque foram propostas por Ele mesmo, que é a fonte de todo bem. 

As incoerências humanas
Resumindo o que vimos até agora, há três caminhos a escolher: dar prioridade às necessidades pessoais e à liberdade pessoal para satisfazer-las; priorizar o bem comum, abrindo mão de boa parte da liberdade pessoal; e obedecer a Deus, confiando que daí resultará o máximo de bem possível. 

Naturalmente, conforme o caminho escolhido, as conclusões às quais as pessoas vão chegar, quanto ao que é certo ou errado, vai variar muito. E basta olhar em torno para perceber isso com clareza. Por isso a vida num país capitalista, como os Estados Unidos, é tão diferente dum país comunista, como a Coréia do Norte. 

E é também por isso que, mesmo dentro de um mesmo país e numa mesma cidade, os grupos sociais diferem tanto entre si - por exemplo, os/as frequentadores de uma igreja evangélica se comportam de forma bem diversa dos membros de um partido político. 

A esse quadro, que já é complexo por si mesmo, se junta outro problema que torna as coisas ainda mais confusas: a incoerência das pessoas - ora elas fazem escolhas como se seguissem um desses caminhos e ora privilegiam aspectos do outro. 

Em algumas situações, as pessoas podem privilegiar sua liberdade pessoal (por exemplo, quando defendem o direito à eutanásia ou ao aborto), enquanto em outras situações defendem o bem comum na frente de tudo, mesmo sob pena de restringir sua liberdade (por exemplo, quando defendem que a preservação do meio ambiente precisa ser conseguida a qualquer custo). Ou então, num momento dizem ser guiadas pela vontade de Deus (por exemplo, quando se colocam contra a pena de morte) e em outro privilegiam seus interesses pessoais (por exemplo, quando não querem fazer qualquer sacrifício em prol das pessoas menos favorecidas). 

Na prática, as pessoas variam sua abordagem de acordo com a circunstância e/ou tema que estão tratando, não tendo qualquer preocupação com a coerência de pensamento. E essa incoerência gera ainda mais confusão.

O que fazer?
Acho que nós, cristãos/ãs, precisamos adotar verdadeiramente a tese que a obediência a Deus precisa ser sempre nossa referência. Tudo que fazemos precisa passar pelo crivo da vontade d´Ele. 

Mas como manter a coerência das nossas escolhas e decisões nos vários momentos da vida? Aí vão algumas sugestões que acredito possam ser úteis: 
Toda vez que você tiver dúvida sobre qual decisão tomar, procure entender bem qual é a orientação real de Deus para aquela questão ou situação. E cuidado para não tomar uma decisão primeiro e depois tentar encontrar versículos bíblicos para dar suporte ao que você já decidiu. 
Aceite desde já que coerente com sua fé nem sempre será fácil ou deixará você em posição simpática aos olhos das outras pessoas. Jesus não agradou todas as pessoas com quem lidou, especialmente os poderosos da época e não foi por acaso, Ele acabou crucificado. 
Nunca pense que você é o "dono/a da verdade". Em outras palavras, esteja sempre aberto a discutir suas razões com outras pessoas, especialmente aquelas cuja opinião você respeita. Afinal, seu entendimento sobre o que é a vontade de Deus certamente pode variar ao longo do tempo à medida em que você amadureça espiritualmente. Por exemplo, o apóstolo Paulo se considerava um fiel seguidor da vontade de Deus e por isso participou da perseguição aos primeiros cristãos. Até que teve uma visão e Jesus lhe mostrou que ele estava errado e Paulo se converteu ao cristianismo.
Tenha coragem para mudar seu pensamento quando perceber que está errado/a. Essa talvez seja a parte mais difícil, especialmente se você tiver investido muito tempo e esforço na defesa de certa ideia ou posição. É preciso humildade e coragem intelectual para fazer isso. Eu mesmo já mudei de opinião ao longo da minha vida religiosa - nunca deixei de acreditar em Jesus, como meu Salvador pessoal, mas deixei de lado vários "penduricalhos" teológicos que antes tinha aceitado sem questionar direito.

Com carinho

quinta-feira, 10 de maio de 2018

O EQUILÍBRIO DO SER HUMANO

O ser humano geralmente enfrenta grandes desafios para manter seu equilíbrio pleno, para conseguir levar uma vida com saúde física e emocional, desfrutando de paz e alegria, bem como manter-se em harmonia com Deus e seu próximo. 

Problemas como doenças físicas, insegurança, medo, ansiedade, rancor, depressão e remorso são como ervas daninhas, pois se manifestam em qualquer pessoa, a qualquer momento, e acabam por afetar seriamente a manutenção desse equilíbrio.

O cristianismo e a ciência sempre procuraram encontrar as causas dos problemas humanos e a forma de tratar essas questões, embora tenham seguido por caminhos diferentes. As abordagens defendidas por esses dois campos costumam ser totalmente separadas entre si e muitas vezes um campo rejeita o que o outro tem a oferecer.

Estudiosos do comportamento humano, como Freud e outros, entendem que as respostas para os problemas humanos só podem ser encontradas na psicoterapia, que pode seguir diferentes abordagens (como a psicanálise ou a terapia comportamental).

Boa parte dos psiquiatras e outros partidários da chamada “solução Prozac” entendem que os remédios têm a resposta mais rápida e fácil para as dificuldades humanas – basta identificar o medicamento adequado e a dosagem certa que o equilíbrio é re-estabelecido.

A maioria dos líderes cristãos, especialmente aqueles de linha evangélica, costuma pensar que a dimensão espiritual predomina sobre qualquer aspecto físico ou emocional do corpo humano e por isso ela precisa ter prioridade. E, com base nessa percepção, foram desenvolvidas duas abordagens tradicionais, distintas entre si, para lidar com os problemas humanos. 

A primeira abordagem privilegia a ideia que todos os problemas humanos, no fundo, se devem à influência negativa de espíritos malignos, da qual a pessoa precisa ser libertada – essa é a essência da abordagem recomendada nas igrejas de corte pentecostal. 

A outra abordagem adotada pelos líderes evangélicos parte da noção que praticamente todas as questões humanas têm raiz no pecado e, em consequência, a solução delas sempre passa pelo arrependimento e o perdão de Deus – essa é a linha de pensamento do movimento chamado “Aconselhamento Cristão”, seguido por muitos psicólogos/as e terapeutas evangélicos/as.

Infelizmente, as duas abordagens desenvolvidas no meio cristão geraram uma consequência indesejada: a crença firme que cristão/ã não precisa tomar remédio ou fazer terapia para resolver seus problemas. Afinal, para que tomar remédio ou fazer terapia se o problema é a ação de espíritos malignos ou uma consequência do pecado? Esse pensamento está hoje em dia muito arraigado no meio evangélico. 

Ouvindo a voz da razão
Felizmente, sempre existe quem ouça a voz da razão em meio a essa confusão toda. E esse caminho sábio começa quando se reconhece haver enorme complexidade no ser humano. Ele têm múltiplas dimensões (física, emocional e espiritual) e elas se interligam, trazendo impacto umas sobre as outras. Portanto, não há mais lugar para pensar o ser humano como um ser formado por três “compartimentos” independentes entre si, como as abordagens tradicionais costumam fazer.

É preciso deixar de lado tanto os “dogmas” da ciência, como aqueles trazidos pela religião, e olhar para as questões humanas com maior flexibilidade. 

Aí ficará mais fácil compreender que, muitas vezes, o problema da pessoa é realmente físico e somente vai ser curado com remédios, mesmo que ela seja uma boa cristã. Esse é o caso, por exemplo, de muitos tipos de depressão, como a pós-parto, que têm a ver com o desequilíbrio da química do cérebro. São os remédios que permitem re-estabelecer a saúde em casos como esses.

Outras vezes será possível entender que as dificuldades são de fundo exclusivamente emocional e somente uma psicoterapia bem conduzida vai conseguir libertar a pessoa do seu sofrimento. Por exemplo, as sequelas causadas por abuso sexual sofrido durante a infância ou pelo abandono dos pais costumam requerer esse tipo de abordagem. 

E também reconhecer que existem sim questões causadas essencialmente por aspectos espirituais e não haverá como tratar a pessoa sem reconhecer isso. Por exemplo, sem dúvida existe a ação de espíritos malignos - Jesus mesmo expulsou demônios de um homem tido como louco e ele se curou (Marcos capítulo 5 versículos 1 a 20). E pecado também pode gerar sérios problemas, por exemplo, a depressão, como aconteceu com Davi depois de cometer adultério com Bate–Seba (ver Salmo 38).

Agora, o mais importante é entender que há uma interconexão entre as consequências físicas, mentais e espirituais. Males físicos ou emocionais quase sempre geram consequências espirituais - por exemplo, a pessoa doente pode rifar Deus da sua vida, por não se conformar com o próprio sofrimento e culpar Deus por isso. Num caso como esse, será necessário um acompanhamento espiritual paralelo ao tratamento físico e/ou psicoterapêutico.

De igual forma, questões espirituais também podem gerar doenças físicas e/ou emocionais, as quais precisarão ser tratadas por profissionais capacitados, ao mesmo temo em que o/a pastor/a ou o/a conselheiro/a espiritual faz seu trabalho.

Repito, não devemos nunca ser dogmáticos, declarando não aceitar medicação pois basta orar para o problema ir embora, ou desprezar totalmente a dimensão espiritual por achar que o mal é todo físico. 

As contribuições da ciência e da religião podem e devem ser combinadas, buscando enfrentar todas as dimensões das dificuldades presentes na vida humana. E essa é uma lição que precisamos aprender. 

Com carinho