quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

SABER RECEBER É TÃO IMPORTANTE QUANTO DAR

Na noite em que comeu a última ceia com seus discípulos, logo antes de ser preso, Jesus lavou os pés dos homens que estavam com Ele (João capítulo 13, versículos 1 a 16). Ora, a lavagem dos pés de terceiros era tarefa muito humilde, normalmente reservada apenas aos servos (escravos). E, ao se submeter a ato que parecia humilhante, Jesus quis ensinar humildade e amor para seus discípulos. 

Mas é interessante perceber que Pedro se recusou a participar da cerimônia do "lava pés", pois julgou que Jesus se colocava em posição indigna e isso depunha contra seu ministério. Agora mais inesperada foi a reação de Jesus. Ele disse a Pedro que, se não participasse do "lava pés", deixaria de ser um discípulo. Diante de tal ameaça, Pedro concordou. 

Mas por que Jesus reagiu de forma tão dura? A resposta para essa pergunta precisa levar em conta o fato de que é difícil receber. Muitos pensam que o difícil é dar e receber muito mais fácil. Nada mais longe da verdade. 

Por exemplo, sabemos que é muito mais fácil dar conselhos do que recebê-los. Damos conselhos expontâneamente, mesmo a quem não nos pede. Mas quando os outros tentam nos dar conselhos, muitas vezes nos recusamos a aceitá-los. 

O ato de saber receber não é simples porque requer humildade. Para conseguir receber, é preciso ter consciência de precisar de algo que não é possível obter por conta própria. Saber aceitar a ajuda necessária. 

No ato de receber, está implícito o reconhecimento da nossa própria fragilidade, a realização do fato de que somos incompletos e imperfeitos. Foi por isso que o conhecido teólogo Henri Nouwen ensinou que receber é uma arte, pois significa permitir que outras pessoas façam parte das nossas vidas

Dar é muito importante, fundamental mesmo. Mas também é preciso saber receber. Afinal, aqueles que se preocupam apenas em dar, podem se tornar orgulhosos e se sentir independentes demais. 

Jesus reagiu à atitude de Pedro porque percebeu no apóstolo um orgulho disfarçado, uma recusa pecaminosa em receber. E cortou o mal pela raiz.

Agora, o maior exemplo de não saber receber tem a ver com o sacrifício de Jesus, quando nos deu seu corpo e sangue para que tivessemos acesso à salvação. Muitas pessoas não aceitam Jesus como Salvador pois acham que não precisam ser salvas - já são suficientemente boas e não precisam de qualquer oferta de ajuda. Uma grande pena.

Com carinho  

domingo, 26 de janeiro de 2014

FÉ CEGA, FACA AMOLADA

Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada  Agora não espero mais aquela madrugada...
A fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada...                     O brilho cego de paixão e fé, faca amolada               "Fé cega, faca amolada", música de Milton Nascimento e letra de Fernando Brant 

Já ouvi muitas vezes, mesmo de cristãos sinceros, que a fé precisa ser cega, caso contrário não tem valor, não é uma entrega completa a Deus. Segundo essas pessoas, é como a letra da música acima: é preciso ter fé, não perguntar para onde vai a estrada, manter o brilho cego da paixão e amolar a "faca" para enfrentar os obstáculos da vida.

A fé cega parece bonita e mais sincera, só que não é bíblica. Basta ver o que está escrito em 1 Pedro, capítulo 3, versículo 15:  "... estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós". 


A Bíblia ensina, portanto, que deve haver uma razão para a fé e é preciso estar preparado(a) para explicá-la para si mesmo(a) e para as demais pessoas. E, se há uma razão, não se trata de fé cega. Simples assim. 

E isso fica evidente na vida dos grandes heróis da fé: eles duvidaram, pediram explicações, e alguns, como Moisés e Abraão, até discordaram do que Deus pretendia fazer. E Deus aceitou isso muito bem.

Talvez você se surpreenda com o que acabei de dizer, mas a fé burra é ruim porque gera condições para que as pessoas sejam abusadas pelos seus líderes espirituais. A fé burra faz também com que as pessoas adquiram certezas que não deveriam ter, apenas porque precisam sempre se sentir seguras. 

A fé que Deus espera deve ser instruída pela mente, pelo entendimento. É preciso conhecer e entender aquilo que se crê. Portanto, não tenha medo de passar por dúvidas, de perguntar a Deus por que as coisas são de uma forma e não de outra. De demonstrar abertamente suas frustrações e até seu sentimento de ter sido injustiçado(a). 

Afinal, Ele entende você pois o(a) criou e conhece em detalhe cada uma das suas dificuldades e fraquezas.
  
Com carinho

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O MAIOR LÍDER CRISTÃO DA HISTÓRIA

Acredito que a figura mais importante dos 2.000 anos de história do cristianismo, depois do próprio Jesus, é o apóstolo Paulo. Suas realizações foram impressionantes - basta lembrar que ele escreveu mais da metade do Novo Testamento e foi quem levou o cristianismo até os gentios (não judeus).

Sua vida
Saul (Paulo era um apelido que queria dizer pequeno) nasceu de pais judeus, em Tarso, na Ásia Menor (atual Turquia). Passou o final da sua adolescência em Jerusalém, onde foi aluno do famoso rabino Gamaliel. Por conta disso, até se converter ao cristianismo, foi um rigoroso seguidor das leis Mosaicas, um fariseu.

Paulo era cidadão romano, coisa rara entre os judeus - essa regalia, que costumava ser comprada por boa quantia, foi herdada de seu pai, homem de certas posses. Por conta disso, Paulo era protegido pelas leis romanos, somente podendo ser julgado e condenado pelo próprio imperador, em Roma. E o apóstolo usou dessa regalia diversas vezes para se proteger das perseguições que sofreu ao longo do seu ministério.

Paulo ganhou a vida como fabricante de tendas, profissão essa que garantia nível de sustento razoável. Essa profissão tinha a vantagem de poder ser desenvolvida por pessoas que viajavam muito (caso de Paulo),  pois as ferramentas necessárias eram leves e fáceis de carregar.

O apóstolo não conheceu Jesus pessoalmente, embora tivesse sido seu contemporâneo. Quando os seguidores de Jesus começaram a pregar que Ele era o Messias, ressuscitado dentre os mortos, Paulo, assim como muitos outros judeus, enfureceu-se, considerando essa crença uma heresia. Esses judeus começaram a perseguir os cristãos, cometendo muitas ações violentas, algumas das quais terminaram com a morte de pessoas, como o diácono Estevão. E Paulo participou ativamente dessas agressões.

Em dado momento, o apóstolo foi enviado pelos principais sacerdotes judeus até Damasco, na Síria, para liderar a perseguição aos cristãos naquela cidade. No caminho, Paulo teve uma visão de Jesus e se converteu ao cristianismo. A partir daí, passou a ser outra pessoa.

Paulo fez três grandes viagens missonárias, durante seu ministério, com duração de alguns anos cada uma delas, cobrindo toda a Ásia Menor e a Grécia. Durante essas missões, ele fundou igrejas em Corinto, Éfeso, Filipos, Colossos, Tessalônica, etc, e pastoreou essas comunidades, ajudando as pessoas a manterem sua fé, em meio a perseguições e conflitos doutrinários.

Mais para o final da sua vida, Paulo foi preso em Jerusalém, a pedido dos líderes judeus, sob acusação de heresia. Como era cidadão romano, foi enviado para Roma, para ser julgado pelo imperador. Ficou lá, sob prisão domiciliar, por dois anos, sempre pregando o Evangelho. Acabou solto e tentou ir até a Espanha, mas não sabemos se conseguiu realizar esse intento. 

Foi preso novamente, em meio a uma nova grande onda de perseguição aos cristãos, essa promovida pelo próprio imperador romano Nero. Foi decapitado provavelmente no ano 66 da era cristã.

Seu legado
A contribuição teológica de Paulo foi imensa. Devemos a ele a explicação de conceitos como a salvação pela Graça, mediante a fé em Jesus Cristo. E não há como entender realmente o cristianismo sem passar pelas suas cartas aos Romanos, aos Coríntios (duas), aos Efésios e aos Gálatas. É razoável dizer que foi Paulo quem organizou e codificou a doutrina cristã.

Agora, seus textos não são de fácil entendimento. Isto tanto se deve aos conceitos complexos com os quais lidou, como principalmente pelo seu próprio estilo de escrita, que é meio tortuoso, cheio de frases longas e expressões sofisticadas. É preciso paciência e dedicação para entender o que Paulo ensinou, mas esse esforço é plenamente recompensado, pois suas cartas contêm verdadeiros tesouros de sabedoria.

As cartas de Paulo começaram a ser escritas por volta do final da década de 40 da era cristã e são os textos mais antigos do Novo Testamento - em comparação, o primeiro Evangelho (Marcos) foi tornado público cerca de 15 anos depois.

Paulo foi muito criticado por ter assumido o título de apóstolo, porque esse título estava reservado para aqueles que tivessem sido discípulos diretos de Jesus, coisa que ele não foi. Mas Paulo se justificou, dizendo que recebeu ensinamentos diretos de Jesus nas visões que teve. Portanto, entendia ter a mesma autoridade espiritual que os demais apóstolos. 

A maioria dos cristãos aceitou essa alegação como verdadeira, tendo em conta as credenciais de um ministério abençoado por Deus que Paulo demonstrou ter ao longo de cerca de 30 anos. Mas algumas pessoas insistiram em questioná-lo, o que magoou muito o apóstolo - podemos perceber isso claramente nos seus escritos.  

Suas cartas foram quase que imediatamente reconhecidas como textos inspirados por Deus, ou seja parte das Escrituras. Os demais apóstolos, como Pedro, deram taribuiram de imediato esse "selo de qualidade" para o que Paulo escreveu.

Foi chamdo de "apóstolo para os gentios", pois levou o Evangelho para os não judeus da Ásia Menor e da Grécia. Mas também porque foi grande defensor da tese que as pessoas podiam se tornar cristãs sem precisar seguir as exigências da lei Mosaica (por exemplo, circuncisão ou abstinência de certos alimentos). Essa tese acabou sendo aceita pela liderança cristã, no Primeiro Concílio da Igreja, em Jerusalém, liderado por Paulo, Pedro e Tiago, irmão de Jesus. E isso foi fundamental para que o cristianismo se espalhasse rapidamente - afinal, medidas como a circuncisão não eram nada populares.

Paulo foi homem de enorme espiritualidade e sua dedicação à causa cristã somente encontra paralelo em poucas pessoas em toda história da igreja cristã. Sofreu muito ao longo do seu ministério, tendo passado por prisão, açoites, fome, naufrágios e outros perigos, mas nunca desanimou. 

Portanto, mais do que desenvolver uma teologia muito importante, Paulo viveu verdadeiramente aquilo que pregou. Um grande homem, sem dúvida. Nós, cristãos, devemos muito a ele.

Com carinho

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

MODERNIZAR SEM PERDER A ESSÊNCIA

Frequento classes de Escola Dominical há mais de 50 anos e as aulas hoje em dia continuam a ser conduzidas como o eram meio século atrásParece que vídeo-games, Internet, tablets, celulares inteligentes e outras maravilhas da tecnologia moderna não podem ser usados dentro das igrejas, o que é uma pena. Esse é um problema comum na vida das igrejas cristãs: a dificuldade em acompanhar a modernização das sociedades nas quais estão inseridas. 

É claro que dá para continuar a ensinar o Evangelho de Jesus Cristo da forma tradicional - a falta de modernização das Escolas Dominicais não é tão problemática assim. Mas as consequências da falta de modernização especialmente no campo das ideias é bem mais grave. Vale aqui um ditado conhecido: "idéias têm consequências".

Basta lembrar, por exemplo, o que vem acontecendo com a igreja Católica, que perde membros na maior parte dos países por conta de sua ideologia antiquada, problema que foi reconhecido pelo próprio Papa Francisco. Excessiva centralização do poder, levando quase à paralisia da organização; tratamento dado ao líder máximo equivalente ao de um semideus, impedindo que seus erros sejam apontados e questionados; mulheres totalmente alienadas das posições de liderança, desperdiçando uma enorme quantidade de talento, são algumas das consequências negativas dessa ideologia atrasada.

A falta de modernidade não é privilégio dos católicos, podendo ser encontrada também em muitas denominações evangélicas. Um bom exemplo está relacionado com os ensinamentos sobre a família. Na esmagadora maioria das igrejas cristãs, eles levam em conta apenas o padrão tradicional - um núcleo formado pelo pai (provedor), pela mãe e pelos(as) filhos(as) desse casal. Mas a realidade atual das famílias brasileiras é bem mais complexa. Mais de 50% delas contam com um único cabeça (pai ou mãe) e/ou mantém filhos(as) oriundos de diferentes casamentos convivendo sob o mesmo teto. E quase nada é feito para atender as questões específicas desses outros tipos de arranjos familiares.  

Outros exemplos de idéias antiquadas são a proibição do uso de métodos anticoncepcionais, a teimosa defesa da tese que a mulher deve ser submissa ao marido, ou ainda a demonização do divórcio (com frequência tornado equivalente ao adultério). 

Ideias antiquadas, além de gerarem ineficiência, causam o afastamento das pessoas, especialmente daquelas com maior capacidade de pensamento crítico - ao ficarem insatisfeitas com os ensinamentos recebidos e os compromissos que lhes são impostos, as pessoas procuram outros caminhos para sua vida. E assim as igrejas vão aos poucos se tornando irrelevantes, como já vem acontecendo em boa parte da Europa Ocidental. 

A dificuldade para a modernização nasce no medo que muitas pessoas têm de mudar - de cometer erros durante o processo de mudança. E de serem rejeitadas por Deus por conta disso. Aí as pessoas preferem se manter onde estão, seguindo as mesmas idéias e práticas por medida de segurança.

Não tenha medo de mudar, de aceitar idéias que lhe pareçam novas, de sair da sua zona de conforto. Essa é uma necessidade real da vida. Afinal, aquilo que não muda, acaba por perder a vitalidade.

O outro lado da mesma moeda
Agora, a modernização de idéias não pode ser feita às custas do abandono dos princípios fundamentais do cristianismo. Um bom exemplo desse tipo de erro é aceitar a tese que "todos os caminhos levam a Deus", para evitar parecer intolerante. Ora, a doutrina cristã estabelece com clareza que Jesus Cristo é o único caminho para a salvação do ser humano - Ele mesmo nos ensinou isso. Deixar esse ensinamento de lado, para parecer "moderno", é comprometer a essência do crisitianismo. 

Outros exemplos importantes de compromissos que não deveriam ser feitos são a plena aceitação de práticas sexuais promíscuas e do aborto, o uso de técnicas de marketing para facilitar a "venda" dos serviços religiosos e o tratamento das igrejas como negócios.

Ao deixarem de lado as verdades básicas do cristianismo que pareçam incômodas, as igrejas cristãs correm sério risco de ficarem parecidas demais com o mundo que as cerca. De perderem sua razão de ser, pois não mais poderão servir de contraponto para esse mesmo mundo, apontando suas falhas e lutando para corrigi-las. 

E ficar parecido demais com o mundo significa, para o cristianismo, perder a "guerra" pelo coração e mente das pessoas - em igualdade de condições, elas sempre preferirão o mundo por ser bem mais interessante.

Não tenha medo de defender as idéias centrais do cristianismo. De parecer intolerante ou atrasado(a). De ser diferente do mundo que o(a) cerca. Muitos cristãos passaram por esse mesmo desafio e conseguiram vencer. 

Com carinho

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O SUPERVULCÃO E O FIM DO MUNDO

Reportagem publicada nesta semana em diversos jornais trouxe notícias sobre o supervulcão que existe dentro do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos. Estudos recentes, publicados na revista “Nature Geoscience“, revelaram que uma erupção pode acontecer ali sem qualquer "gatilho" - basta o acúmulo de pressão dentro do próprio vulcão.

Os supervulcões são centenas de vezes mais poderosos do que os vulcões comuns e são uma enorme ameaça para a humanidade. Segundo os cientistas, uma erupção supervulcânica baixaria as temperaturas médias globais em cerca de 10º C durante uma década, o que levaria a uma mudança no modo de vida na Terra.

A última erupção supervulcânica aconteceu cerca de 70 mil anos atrás, no local que hoje se encontra o Lago Toba, em Sumatra, Indonésia. As suas cinzas bloquearam o sol por um período entre seis e oito anos, o que causou um período de resfriamento global que durou cerca de mil anos.

Quando leio uma notícia dessas, não consigo deixar de pensar em como a vida na terra é frágil. A qualquer momento, um supervulcão ou um grande asteroide (que venha a cair na terra) pode mudar tudo que conhecemos. E o pior é que desastres dessa natureza já aconteceram no passado - por exemplo, foi a queda de um grande asteroide que destruiu os dinossauros, cerca de 60 milhões de anos atrás.

E não há nada que os seres humanos possam fazer para evitar ou mesmo limitar os riscos de desastres desse tipo. Se algum deles acontecer, simplesmente vamos ter que enfrentar as consequências.

A Bíblia é clara sobre o fato de que o mundo vai ter um fim. O livro do Apocalipse traz uma descrição detalhada de coisas terríveis que vão acontecer - esses relatos não são fáceis de entender, por serem cheios de símbolos e metáforas, alguns deles meio obscuros. Mas sabemos o suficiente para entender que não será nada agradável.

E esse fim vai chegar em momento inesperado. Jesus usou uma metáfora para caracterizar bem esse fato - esse momento vai chegar como um ladrão, quando ninguém esperar.

Sendo assim, é surpreendente que os seres humanos vivam como se a sociedade que construíram fosse durar para sempre. Uma explicação é que não gostamos de enfrentar a ideia da morte - um autor chegou a dizer que pensar sobre a morte é como "olhar para o sol", ninguém consegue fazer isso por muito tempo.

Outra explicação é a arrogância: os seres humanos estão tão seguros da sociedade que construíram que não conseguem acreditar verdadeiramente no risco que correm. Pensam que sempre irão encontrar uma saída. Que tudo vai dar certo no final.

Deveríamos ser mais conscientes da realidade que nossa vida nesse mundo, tanto em termos individuais, como em sociedade, é frágil, muito frágil. De que somos totalmente dependentes da misericórdia de Deus. Da sua vontade de nos manter vivos e de conservar o legado que criamos.

Sem Deus nada somos. Não temos qualquer garantia ou futuro. Se tivermos isso em mente, vamos mudar a forma de nos relacionarmos com Ele. Vamos agradecê-lo pelo dom da vida toda vez que acordarmos de manhã. Toda vez que alcançarmos algum resultado. Toda vez que encontramos razão para nos alegrar.

Com carinho

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

PENA DE MORTE E MAIORIDADE PENAL AOS 16 ANOS

Outro dia participei de uma discussão sobre a questão da pena de morte e da redução da maioridade penal para 16 anos. É compreensível que os brasileiros, ameçados pela violência urbana crescente, queriam encontrar formas para se proteger. Será que ter a possibilidade de condenar à morte os criminosos mais sérios e/ou baixar a maioridade para assumir responsabilidades penais para 16 anos são medidas adequadas? Será que essas medidas contrariam o ensinamento bíblico? É o que vou discutir a seguir.

Pena de morte
A questão inicial a ser discutida é se a pena de morte contraria o mandamento para não matar. Já respondi isso em post anterior (veja mais), quando esclareci que o mandamento se refere a matar de forma ilegal. E há situações previstas na Bíblia para as quais a punição era a morte. Assim como não havia restrições para matar na guerra. Portanto, não há impedimento bíblico para a pena de morte.  

Os problemas que vejo são bem outros. E começam pela falta de confiabilidade do nosso sistema judiciário, marcado pela ineficiência, falta de estrutura, corrupção e outros males. E, se adotarmos a pena de morte, certamente vamos acabar condenando, e executando, pessoas inocentes. Isso tão certo como 2 mais 2 é igual a 4.

Depois, porque a maior justificativa para adotar a pena de morte é criar uma forma de dissuação contra a prática de crimes graves. Mas a experiência em outros países não confirma essa ideia. Por exemplo, os Estados Unidos são um dos únicos países do chamado primeiro mundo que ainda adotam a pena de morte e há muito mais violência ali do que nos demais países de igual nível de desenvolvimento. 

Portanto, a pena de morte provavelmente causaria mais males do que benefícios em nosso país, embora não seja prática proibida pela Bíblia. 

Maioria penal aos 16 anos
Não há qualquer manifestação direta na Bíblia sobre esse tema. Portanto, será preciso levar em conta outros argumentos. 

É certo que muitos países abaixaram a idade penal, como a Inglaterra. E esse exemplo poderia ser um incentivo para que seguíssemos pelo mesmo caminho. Mas o problema é que nosso sistema penitenciário é um desastre total, ficando muito aquém do que existe nesses outros países. Aqui, celas feitas para 8 pessoas são usadas por 200, não há trabalho sério para ressocializar os internos, que acabam saindo da cadeia pior do que entraram, a corrupção campeia e a violência entre os internos é terrível. E seria nesse tipo de ambiente que iríamos atirar os jovens infratores. E provavelmente eles(as) seriam perdidos para sempre para um convívio social normal.

O segundo argumento que tenho contra essa iniciativa vem em resposta à constatação de que os criminosos usam os adolescentes para fazerem parte do seu serviço sujo, justamente porque os menores de idade não poderão ser condenados. Mas baixar a maioridade penal não vai resolver esse problema porque os traficantes vão passar a usar meninos de quinze e quatorze anos. 

O último argumento contrário àa adoção dessa medida vem da constatação que a raiz do problema da criminalidade não está nesses adolescentes e sim na pobreza, nas famílias destruídas, na falta de educação formal, no alcoolismo dos pais e assim por diante. Os adolescentes infratores são uma consequência e não a causa desse problema. E não são eles que compram a droga que é traficada, ou importam armamento pesado ilegal, ou corrompem policiais e políticos para facilitar práticas criminosas. Tudo isso fica por conta dos adultos.

Baixar a maioridade penal para 16 anos não iria de fato contribuir para resolver o problema da violência e ainda traria consequências negativas. Portanto, sou contra essa medida também. 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

DECISÕES PARA O ANO NOVO

A passagem de ano costuma trazer a vontade de fazer um balanço da própria vida. De avaliar o que foi feito de certo ou de errado. E, principalmente, decidir a respeito do que é preciso melhorar.

Essa reflexão costuma levar a uma lista de coisas para se fazer ao longo do novo ano. Começar a fazer aquela dieta tantas vezes adiada e ter disciplina para fazer exercícios físicos constantes. Talvez mudar de emprego, procurando algo mais desafiador. Fazer aquela viagem tão sonhada. Ou mesmo gastar mais tempo com a própria família. 

O mesmo pode ser dito sobre a vida espiritual. Há muitas coisas que gostaríamos de fazer no campo espiritual e não fazemos. Começar um estudo sério da Bíblia. Envolver-se mais em obras de assistência social. Tirar mais tempo para orar e adquirir intimidade com Deus. Abandonar algum vício. Ou ainda conseguir perdoar determinada pessoa . 

Medidas como essas são passos seguros no caminho da santificação. Isto é, na direção de ficar mais parecido com Jesus, o alvo de todo cristão sincero, segundo o ensinamento do apóstolo Paulo.

Mas essas coisas parecem ser mais fáceis de fazer do que verdadeiramente são. Afinal, avançar no processo de santificação significa mudar comportamentos já bem estabelecidos. Significa alterar prioridades. Deixar de lado hábitos considerados agradáveis. 

E até eventualmente enfrentar a incompreensão daqueles que estão próximos e podem não aceitar essas mudanças. Por exemplo, o estudo sério da Bíblia toma tempo, que vai ter que ser tirado de algum lugar, talvez do lazer. O mesmo acontece com uma dedicação maior a obras para assistência social. E a família pode pensar que teve sua prioridade reduzida. 

Assim, minha sugestão é que você escolha alguma meta no caminho da santificação e se esforce para dar apenas esse passo. Não tente fazer várias coisas ao mesmo tempo, pois as chances de sucesso cairão muito - tentar fazer tudo pode levar você a não conseguir fazer nada.

Afinal, todas as coisas importantes na vida são obtidas passo a passo. Você aprende matemática ou uma nova língua ao longo de vários meses ou anos, um pouco a cada dia. E também é assim que você entra em forma física ou muda seus hábitos não saudáveis de alimentação. 

Amar o próximo não se aprende de um dia para o outro. E ninguém passa a conhecer a Bíblia em profundidade de repente. Abandonar um vício também requer esforço e normalmente causa desprazer. 

Portanto, ecolha uma meta qualquer na sua vida espiritual - uma área onde você sabe que realmente precisa melhorar. E concentre-se em realizar essa meta. 

Atingido esse objetivo, aí você pode estabelecer um novo. E o progresso que você tiver feito para alcançar o primeiro objetivo certamente vai ajudar a dar o passo seguinte - o crescimento espiritual torna a pessoa mais forte e capaz de passos mais ambiciosos.

Feliz 2014.

Com carinho