quinta-feira, 30 de outubro de 2014

LÍNGUA, UMA ARMA MORTAL

Cena 1: O marido chega em casa estressado: a situação anda difícil no trabalho e ele está cansado, muito cansado. Pouco depois, por um motivo menor, ele explode com alguém da sua família e joga para fora todo fel que tinha acumulado dentro de si. Diz poucas e boas, descontando no familiar (filho(a) ou esposa) sua frustração. Mais tarde, cai em si e pensa: “eles vão entender que estou passando por um momento difícil”.

Cena 2: Aquela mulher conhece detalhes da vida de muitas pessoas da igreja que frequenta – seus problemas, desencontros familiares, etc. Todo domingo, ao final do culto matutino, ela vai passando de grupo em grupo, como se fosse um passarinho pousando aqui e ali, para trocar informações com as pessoas. E o início de cada conversa é sempre o mesmo: "vocês sabem da última?” E aí a mulher conta para seus ouvintes algo “suculento” sobre outra pessoa que todos conhecem. Ela não vê mal no que faz pois acha que é seu "dever" todos(as) bem informados(as).

Cena 3: Ele é um político jovem, bonito e bem falante. Traz um monte de ideias novas e motiva as pessoas a segui-lo. Mas, lá no fundo, sua agenda verdadeira é obter vantagens pessoais, garantindo sua independência financeira. Ele acalma a própria consciência pensando que, embora tire vantagens do seu cargo, faz coisas boas para um monte de gente. E pensa ser melhor do que a maioria dos seus colegas políticos.

Cena 4: Ela é insegura e o que mais preza é ficar bem com todos. E para ficar bem com todo mundo, vai contando umas mentirinhas “brancas” aqui e ali. Por exemplo, chega para Joana e diz que a apoia naquilo que falou, mas depois procura as pessoas eventualmente magoadas por Joana e diz que está solidária com elas. Mas, pensa ela, não é por mal. Só não quer brigar com ninguém.

Palavras iradas (cena 1), fofoca (cena 2), hipocrisia (cena 3) e mentiras (cena 4) são exemplos de pecados da língua. Esse tipo de pecado é muito comum – todos nós os praticamos vez por outra. 

Os pecados da língua causam muito mal. Veja o que Tiago diz (capítulo 3, versículos 6 a 9):
Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade... contamina o corpo inteiro e não só põe em chamas toda carreira da existência humana, como é posta ela mesma em chamas pelo Inferno... a língua, porém, nenhum homem consegue domar; é mal incontido carregado de veneno mortífero. Com ela bendizemos ao Senhor e Pai; também com ela amaldiçoamos os homens...

A língua é um instrumento tão poderoso que permitiu a Adolf Hitler dominar a Alemanha e gerar um horror gigantesco, ao pastor Jim Jones levar seus seguidores ao suicídio coletivo, aos acusadores dos donos da Escola de Base, em São Paulo, destruírem o negócio de pessoas honestas e dedicadas. 

É uma arma mortal pois faz pior do que matar o corpo: destruir a alma das pessoas, rouba-lhes a paz de espírito e pode até afastá-las de Jesus Cristo. 

Mas quem comete os pecados da língua também é prejudicado: os mentirosos se enrolam nas próprias mentiras e perdem sua credibilidade, os fofoqueiros perdem o respeito dos outros, os hipócritas cedo ou tarde são expostos e os irados acabam rejeitados pelas pessoas no seu entorno. 

O passo mais importante na luta contra os pecados da língua é a pessoa reconhecer sua existência. Perceber quando pratica tal tipo de coisa. 

Se você não fizer isso, nunca vai ficar livre desse tipo de problema, pois sempre vai encontrar desculpas para sua própria forma de agir. Simples assim. 

Com carinho

terça-feira, 28 de outubro de 2014

O CHAMADO DE CADA UM

A Bíblia conta diversos eventos onde Deus chamou pessoas para desenvolver sua obra. E essas situações têm muito a nos ensinar. Vejamos três exemplos.

O primeiro envolveu Moisés, no episódio da "sarça ardente". Ele pastoreava rebanhos do sogro quando viu algo estranho no Monte Sinai. Subiu e encontrou um arbusto ardendo em chamas, mas que não se consumia. De dentro da sarça ardente, Deus falou com Moisés e lhe deu a missão de libertar o povo de Israel da escravidão no Egito (Êxodo capítulo 3).

O segundo exemplo aconteceu com Isaías: o profeta teve uma visão do trono de Deus. Um anjo purificou sua boca com uma brasa viva e Deus o enviou para anunciar sua vontade para o povo de Israel (capítulo 6, versículos 1 a 10).

O terceiro caso envolveu Jesus e um de seus apóstolos, Pedro, aquele que o negou três vezes. Os discípulos vinham num barco e se aproximavam da praia, quando viram um homem - o próprio Jesus ressuscitado - assando peixes num braseiro. Pedro reconheceu seu Senhor e nadou até a praia para encontrá-lo. Ali, Jesus lhe pediu, por três vezes, para pastorear suas ovelhas (João capítulo 21).

Repare bem nas diferenças entre os três casos. Isaías era um sacerdote e a visão que teve fez referência à liturgia usada no Templo de Jerusalém, coisa que o profeta conhecia bem. Moisés falou com Deus pela primeira vez em um monte, perto de onde pastoreava animais - sua atenção foi chamada por uma planta que lhe pareceu estranha. Jesus falou com Pedro numa praia, onde uma refeição simples estava sendo preparada, cenário bem familiar para pescadores. 

Deus fala com cada um respeitando sua forma de ser, suas necessidades, as circunstâncias em que vive e assim por diante. Isso prova que Ele respeita as pessoas integralmente. 

O fato é que somos chamados por Deus para atuar na sua obra da maneira que somos. Ele somente espera que venhamos a mudar, passando a viver mais de acordo com aquilo que a Bíblia ensina, depois que esse chamado é aceito. E essa mudança será uma decorrência natural da intimidade que a pessoa passa a ter com o Espírito Santo ao fazer a obra de Deus.  

Lembro-me de ouvir, certa vez, um rapaz, afastado da igreja, dizer que precisava corrigir seus caminhos antes de voltar. Ele pensava que era preciso primeiro mudar para depois poder se aproximar de Deus. Esse é erro terrível - se tentar agir assim, nunca vai conseguir voltar a conviver com Deus. A forma correta é exatamente a oposta: a mudança vem justamente como consequência da proximidade com Deus.

Cada um de nós é chamado por Deus para atuar na sua obra exatamente nas condições em que nos encontramos - com as falhas e limitações que enfrentamos. E precisamos seguir em frente a partir desse chamado. Sem hesitações.

Com carinho      

domingo, 26 de outubro de 2014

VOCÊ TAMBÉM PODE SER UM PASTOR

Ao longo dos anos tenho me envolvido bastante nos trabalhos sociais conduzidos pela igreja que frequento. E, volta e meia, pessoas das famílias que ajudamos insistem de me chamar "pastor". Preocupado em aceitar um título que não me pertence, pois não sou ordenado por qualquer igreja, costumo corrigi-los, mas não adianta, eles voltam a me chamar assim. 

Recentemente me dei conta que Jesus nunca usou a palavra "pastor" no sentido de sacerdote ordenado. Para Ele, "pastor" é quem cuida das "ovelhas". O "pastor" se importa com elas e não deixa uma só dentre elas se perder (Lucas capítulo 15, versículos 1 a 7).

Jesus é o modelo de "pastor" - veja o que Ele disse no final da sua vida (João capítulo 17, versículos 9 a 20):
É por eles [os discípulos] que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqules que me destes por que são teus... Quando eu estava com eles, guardava-os no   teu nome que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição [Judas, que o traiu]... Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra."
Outras pessoas, além de Jesus, são também chamadas de "pastores" na Bíblia. Por exemplo, depois da sua ressurreição, Jesus apareceu para Pedro e, por três vezes, perguntou ao apóstolo se ele o amava - isso porque Pedro tinha negado a Jesus por três vezes. E quando Pedro respondeu que sim, Jesus emendou: "pastoreia as minhas ovelhas" (João capítulo 21, versículos 15 a 19).

Ou seja, quem ama a Jesus deve cuidar das ovelhas d´Ele. E quem são suas ovelhas? Todos aqueles que o seguem, mas especialmente os pequeninos, os pobres e os sem condições de se defender. Ou seja, aqueles que precisam de ajuda para não acabarem perdidos. 

É claro que, com o correr do tempo, a palavra "pastor" mais e mais foi se tornando exclusiva dos ministros ordenados. E assumir esse título, para quem não é legalmente ordenado, acabou se tornando um abuso, assim como seria errado chamar de médico quem não cursou medicina. 

E, por conta desse legalismo, perdeu-se um pouco do sentido original do ensinamento de Jesus. Ele ensinou que todos aqueles que o seguem podem e devem pastorear, dependendo das circunstâncias e necessidades. 

Até porque, se essa tarefa ficar restrita aos ministros ordenados, não haverá mão de obra suficiente para atender todas as necessidades do "rebanho" cristão, que são enormes.

Assim, toda vez que você cuidar de uma "ovelha", estará sendo um "pastor" para essa pessoa. E, ao fazer isso, estará apenas obedecendo aquilo que Jesus mandou seus seguidores fazerem.

Com carinho

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

ONDE ESTAVA O ADÚLTERO?

Jesus viveu uma experiência que acho ter grande aplicação hoje em dia. Refiro-me ao caso da mulher que foi pega adulterando e levada por uma turba de homens até Jesus. 

A lei de Israel determinava que, no caso de adultério, o(a) adúltero(a) deveria ser morto(a) por apedrejamento. Os homens que levaram a mulher até Jesus, sedentos de sangue, esperavam que Ele confirmasse a condenação da adúltera. 

A resposta de Jesus foi inesperada e magistral: “aquele dentre vós que estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire pedra”. Os homens ficaram envergonhados e foram embora, um a um, sem nada fazer contra a mulher (João capítulo 8, versículos 1 a 11). 

O ensinamento tradicional desse texto se relaciona com a hipocrisia - aqueles homens tinham considerado a mulher culpada, mas não tinham moral para passar qualquer tipo de julgamento pois eram pecadores maiores do que ela. 

Mas eu queria aqui tratar de outro ensinamento, também muito importante. E começo com a pergunta: onde estava o adúltero? O texto bíblico conta que apenas a mulher foi pega em flagrante delito. E aquela mulher certamente não adulterou sozinha. Por que então o adúltero não foi execrado junto com ela?  

A razão para isso é simples: o homem adúltero era a parte forte daquela história, pois a sociedade daquela época era muito machista. A corda arrebentou no lado mais fraco. 

E quantos vezes isso não acontece hoje em dia? Os mal feitos são descobertos e somente as pessoas mais vulneráveis são penalizados. Por exemplo, o funcionário público é pego em corrupção e vai para as primeiras páginas dos jornais, enquanto os corruptores - empreiteiros, fornecedores de equipamento, etc - continuam tranquilos. Mas eles são tão culpados quanto e deviam ser igualmente punidos. 

Tempos atrás, a esposa de um homem importante, que era muito apaixonada por seu marido, tendo inclusive deixado sua carreira para acompanhá-lo aonde ele ia, se viu às voltas com a traição dele. Desesperada, sem esperanças de recuperar o homem amado, ela se matou. A imprensa noticiou apenas o desequilíbrio emocional dela - o que certamente aconteceu - mas nunca citou o adultério que tinha detonado a tragédia. Meses depois o viúvo se casou com a amante e continua a viver muito bem até os dias de hoje, sempre presente nas colunas sociais dos jornais. 

Quando as enchentes causam deslizamentos nas encostas dos morros, as pessoas pobres que moram ali, porque na maioria das vezes não têm para onde ir, são apresentadas pela mídia como pouco responsáveis. E as autoridades públicas, que deixam de usar as verbas de combate a enchentes e gastam milhões com propaganda dos seus governos, se saem sempre bem. E tudo continua igual, até a próxima enchente. 

Certa vez  um Ministro da Fazenda, num momento de rara sinceridade, disse que aquilo que era ruim ele escondia e o que era bom ele mostrava. E é assim mesmo que acontece. 

Infelizmente isso também é verdade em muitas igrejas cristãs. Por exemplo, há pastores que só pensam em tirar proveito material da sua posição, mas não podem ser criticados porque são "ungidos" do Senhor. Já conheci muitas beatas fofoqueiras que eram desculpadas porque prestavam serviços à obra de Deus e tinham "bom coração". E há muitos outros exemplos, como os padres pedófilos escondidos pela hierarquia da Igreja Católica ou os(as) "voluntários(as)" que trabalham nas instituições assistência social não para ajudar de fato a quem precisa e sim para ajudar a si mesmos(as). 

Os(as) cristãos(ãs) não podem entrar nesse tipo de "jogo", enxergando os mal feitos apenas dos mais fracos. Não é porque alguém tem "costas quentes" que deve ser poupado(a), enquanto os(as) demais levam toda a responsabilidade. 

Quando perceber algo errado, que precise de correção, posicione-se com clareza. Oponha-se àqueles(as) que merecem, sejam essas pessoas figuras de poder ou não. Foi assim que Jesus agiu quando condenou inclusive os poderosos de "plantão", como os principais líderes religiosos judeus ou os conquistadores romanos.

Com carinho

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

LIBERDADE AINDA QUE TARDIA


Muitas pessoas com quem converso sobre o cristianismo se surpreendem quando falo que se trata de uma religião libertadora do ser humano. Isso por que a imagem do cristianismo que tem sido passada, em muitos casos, é exatamente a oposta: uma religião que oprime com seus dogmas, regras de comportamento, ameaças de punição com o inferno, etc. 


Acho que essas duas percepções têm seu núcleo de verdade. O cristianismo é sim uma religião libertadora, quando entendido e praticado da forma correta. Por outro lado, muitas vezes essa religião tem sido abusada, tornando-se uma caricatura daquilo que Jesus defendeu e lutou para implantar. 

E a razão para isso é fácil de entender: as religiões são desenvolvidas e conduzidas por seres humanos e a imperfeição deles muitas vezes acaba por impactar as práticas religiosa do dia a dia, mesmo quando a doutrina básica é maravilhosa. Um excelente exemplo disso é o caso do Pastor Jim Jones que levou centenas de seguidores ao suicídio coletivo. Outro exemplo bem ilustrativo é a Inquisição conduzida pela Igreja Católica.

Jesus nos disse que a verdade haveria de libertar as pessoas. E também que Ele mesmo era o caminho, a verdade que liberta e a vida eterna para as pessoas. Onde Jesus está, a liberdade floresce. E se existem cadeias é porque Jesus está muito longe dali.

E quando a religião se torna "tóxica", a primeira coisa que fica perdida é a liberdade pessoal. E isso ocorre por causa de três coisas, às quais você precisa ficar atento:

Legalismo 
Trata-se da "ditadura" das regras. Os dirigentes religiosos estabelecem padrões de comportamento que devem ser seguidos por todos(as) e quem não faz isso, por qualquer motivo, é considerado pecador(a), discriminado(a) pela comunidade e ameaçado(a) com o inferno. 

Os que defendem o legalismo apontam para as mais de 600 regras que a Bíblia apresenta no Velho Testamento, para provar que Deus gosta de controlar o comportamento humano. Ora, essas pessoas esquecem que, quando estabeleceu essas regras, Deus estava construindo uma nação a partir de um povo (Israel) formado por escravos fugidos do Egito. E toda sociedade precisa de leis para funcionar bem. Basta lembrar, por exemplo, das milhares de leis federais que temos em nosso país. Somos muito mais legalistas do que a sociedade que Israel construiu sob a inspiração de Deus. 

O principal problema com o legalismo é a criação de regras que não deveriam existir. Um bom exemplo é usar o Velho Testamento para estabelecer um código de vestimenta para os dias de hoje, o que é absurdo. Mas muitos líderes religiosos fazem isso. 

E há um poderosos incentivo para os líderes religiosos serem legalistas: o poder. Afinal, ter condição de ditar o comportamento das outras pessoas dá poder para quem estabelece e controla o cumprimento das regras. E era isso que acontecia com os escribas e fariseus na época de Jesus e a principal razão porque Ele se desentendeu tanto com aquelas pessoas.

Patrulhamento
Essa prática normalmente acompanha o legalismo - é outra face da mesma moeda. Para entender bem seu funcionamento, vou recorrer ao regime comunista, hoje já quase desaparecido do mundo. Aquele tipo de regime nunca teria conseguido se manter no poder se não tivesse tido a cooperação da própria população por ele oprimida. As pessoas eram ensinadas desde cedo pela cartilha comunista e se tornavam os “olhos e ouvidos” do regime, denunciando qualquer desvio de conduta – houve casos até de filhos denunciando os próprios pais.

O mesmo acontece em muitas igrejas hoje em dia: discipuladas por uma cartilha de comportamento rígida, as passam a se controlar umas às outras, denunciando à liderança os "pecados" percebidos. E, quando pegas em "delito", as pessoas denunciadas são disciplinadas publicamente, muitas vezes não lhes sendo permitido tomar comunhão, liderar ministérios da igreja ou participar de certas atividades, como o louvor. Há casos até em que as pessoas precisam fazer confissão pública dos seus pecados. 

Quando há patrulhamento, vai-se embora a liberdade e passa a imperar a hipocrisia – o importante deixa de ser "fazer o certo" e passa a ser "parecer que se faz o certo".

Controle do acesso a Deus
Tal desvio se caracteriza quando o líder religioso tenta regular o acesso das pessoas a Deus - por exemplo, tudo deve ser feito através dele(a) ou com seu conhecimento. As pessoas precisam confessar seus pecados para ele(a), as bênçãos são ministradas apenas por ele(a), a doutrina é estabelecida por ele(a) e assim por diante.

Ora, quando o relacionamento das pessoas com Deus passa a ser controlado por alguém há um enorme risco dessa pessoa conduzir as demais por caminhos errados - o caso do Jim Jones, a que me referi acima, mostra exatamente isso. Os desvios da Igreja Católica na Idade Média, quando os fiéis eram desincentivados a lerem a Bíblia e, portanto, somente conheciam a doutrina pelo que os padres lhes ensinavam, é outro exemplo real desse tipo de situação. 

Palavras finais
Se sua igreja mostra sinais fortes de um ou mais desses três sintomas e se você se sente acuado e sem "espaço para respirar", o erro não está em você, mas na sua igreja. Mude de igreja pura e simplesmente, sem qualquer remorso. E, se puder, dê esse depoimento para outros(as) frequentadores dessa igreja - sua coragem poderá ajudá-los(as) a tomar a mesma decisão.

Vá para um lugar onde o Evangelho pregado seja aquele que Jesus defendeu, qual seja aquele que salva o ser humano e o(a) liberta dos vícios, ódio, hipocrisia, etc. A igreja é um lugar de liberdade e, se não for, não é uma igreja como aquela que Jesus estabeleceu. Simples assim.

Com carinho

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PROVA DE CONFIANÇA

A melhor forma de entender o conceito de fé é pensar em CONFIANÇA. Se você confia em alguém pode dizer, então, que tem fé nessa pessoa. 

E isso se aplica também à relação com Deus. Assim, se você tem fé em Deus, confia que Ele é bom, misericordioso e sempre atua no sentido de lhe trazer benefícios. Simples assim.

Jesus falou exatamente sobre confiança ao discutir o tipo de fé que o ser humano deve ter em Deus. Chegou a dizer que seus seguidores deveriam ser como crianças pequenas, que confiam de forma cega e absoluta. Portanto, a fé que Deus espera se baseia em confiança irrestrita, igual à das crianças pequenas. 

Mas, na maioria absoluta dos casos, não é isso que acontece na prática, mesmo com os(as) cristãos(ãs) sinceros(as). Na verdade, normalmente confiamos em Deus, mas sem confiar totalmente. E essa é a pura verdade. 

Confiamos n´Ele mas queremos ter respostas racionais para aquilo que acontece. Queremos, por exemplo, entender os motivos de Deus para permitir que haja sofrimento no mundo. Confiamos n´Ele mas, em troca, esperamos ser protegidos e receber bençãos - a fé das pessoas quase nunca é totalmente desinteressada.   

E Deus entende nossas dificuldades e não as volta contra nós. Ele sabe como nossa cabeça e nossos sentimentos funcionam e é paciente conosco, aceitando a confiança que conseguirmos depositar n´Ele - Deus trabalha com a fé que existe em nós e sempre a usa em nosso favor.

Agora, não há dúvida que algumas pessoas têm capacidade maior de ter fé em Deus. A Bíblia chega a apresentar relações de "heróis e heroínas" da fé, pessoas que confiarem em Deus além da média dos demais seres humanos. 

Mas o que permitiu a essas pessoas construir uma fé tão forte a ponto de sustentá-las em todos os momentos de suas vidas? E desde já quero afastar a ideia que os "heróis e heroínas" da fé eram pessoas crédulas. Muito pelo contrário, estamos falando de pessoas inteligentes, competitivas e com mentes inquisitivas, tais como Davi e Paulo. Gente que não iria confiar em qualquer coisa que ouvisse.  

O fato é que a confiança no outro é construída com o tempo e com a proximidade que passa a existir. Por exemplo, eu confio na minha mulher, a ponto de dar um "cheque em branco" para ela, mas esse sentimento foi construído ao longo da convivência, experimentando como ela se comporta e conhecendo os seus princípios éticos. É óbvio que o sentimento inicial - a paixão - abriu as portas para a relação, mas a confiança só veio com o tempo.

E não é diferente com Deus. Quando a pessoa se converte, a emoção inicial tem grande peso, como acontece com a paixão na construção das relações amorosas. Mas esse é só o começo. É preciso ir construindo a relação, passo a passo, aprender como Deus funciona, criar canais de comunicação com Ele, etc. 

Essa é a razão pela qual a "fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus". O estudo da Bíblia e sua discussão ajudam poderosamente na construção da relação com Deus. 

Mas há outras coisas que podem ser feitas, como a oração constante, que deve ser vista como um diálogo entre a pessoa e Deus. Ou o louvor, que é uma manifestação concreta da alegria que a relação com Deus proporciona ao ser humano.

Invista na sua relação com Deus e veja sua fé crescer, dia a dia. Você só vai se beneficiar com isso.

Com carinho  

sábado, 18 de outubro de 2014

A CHUVA CAI IGUALMENTE SOBRE TODOS

Em 2008 e 2009 o mundo viveu uma grande crise econômica - foi um tempo sombrio. Muitas pessoas perderam o emprego e sua poupança pessoal, sendo lançadas na miséria sem qualquer aviso.

Durante a Segunda Guerra Mundial, centenas de milhões de pessoas, boas e más, cristãs ou não, pagaram igualmente um preço muito alto pelos acontecimentos.

O fato inescapável é que os problemas chegam para os justos e os injustos. Quando as crises chegam não há separação entre cristãos(ãs) verdadeiros(as) e as demais pessoas. Todos(as) são afetados(as) de alguma forma. 

Por que, então, entregar a vida a Deus se isso não garante um tratamento especial por parte d´Ele? Essa pergunta se faz presente na mente dos(as) cristãos(ãs) há milhares de anos e parece fazer todo sentido. E o que pode ser dito em resposta?

Começo por lembrar que a aceitação de Jesus como Salvador não é, e nem pode ser, uma relação de troca - "eu aceito Jesus para ganhar salvo-conduto contra os problemas da minha vida". Uma fé verdadeira não pode ser construída nessa base. 

A aceitação de Jesus como Salvador tem a ver não com o fato de Deus livrar o(a) cristão(ã) das dificuldades do mundo e sim de dar a essa pessoa acesso à vida eterna - uma coisa é bem diferente da outra. E o acesso à vida eterna é suficientemente importante para justificar a presença de Jesus na vida da pessoa. 

Agora, Deus é tão bom que, sim, Ele também traz bençãos para seus seguidores. Mas muitas vezes essa ajuda não se faz presente como as pessoas desejariam. Vejamos algumas coisas que Deus normalmente faz por nós nos momentos de dificuldade:     
  • Manda consolo o que pode vir através de um texto lido na Bíblia, de um louvor poderoso ouvido na igreja, de uma resposta a um pedido de oração e assim por diante. 
  • Levanta pessoas para trazer socorro – eu mesmo já tive oportunidade de ajudar e ser ajudado em momentos de dificuldade. 
  • Ensina nos momentos de dor - eu até já dei depoimento pessoal aqui no blog sobre isso. Isso não é fácil de aceitar e muitas vezes somente nos damos conta do que foi aprendido muitos anos depois.

Mesmo que a “chuva caia igualmente sobre todos”, aqueles que têm Jesus em suas vidas enfrentam o "tempo ruim" com mais segurança e em melhores condições. 

Com carinho

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

UMA AGENDA POSITIVA É SEMPRE MELHOR

As pessoas costumam ter dois tipos de agenda, a negativa e a positiva. A agenda negativa se caracteriza por coisas que as pessoas combatem, aquelas que são contra. 

A agenda positiva trata de construir coisas. É formada essencialmente pelas propostas que as pessoas querem implementar ou desenvolver. 

A propaganda eleitoral no nosso país se caracteriza pelas agendas negativas - isso acontece com quase todos os(as) candidatos(as). Perdem mais tempo criticando os(as) adversários(as) e falando das coisas das quais discordam do que apresentando sugestões concretas para resolver os problemas da sociedade. 

O problema é que agendas negativas não geram progresso - podem no máximo evitar ou reduzir problemas. É o esforço em prol de fazer coisas novas, de construir, que leva a sociedade para diante.  

Infelizmente os cristãos também são reconhecidos como pessoas cujas agendas são muito mais negativas do que positivas. São muito bons para falar sobre aquilo que combatem, especialmente aquilo que é pecado, mas bem piores quando a questão é dizer o que precisa ser feito, por exemplo, em prol do próximo. 

Vejo isso com muita frequência quando as pessoas apontam pecados nas outras e depois complementam com a famosa frase: "Deus detesta o pecado, mas ama o pecador". É claro que isso é verdade, mas, na prática, é muito mais fácil apontar para o pecado alheio do que mostrar amor pelo(a) pecador(a). 

Está mais do que na hora dos cristãos se preocuparem em construir agendas positivas. E sem deixar de condenar aquilo que entendem ser errado. Veja a seguir alguns tópicos sobre o qual os cristãos pouco falam e com os quais poderiam se preocupar mais: 
  • Tratamento mais correto do meio ambiente.
  • Erradicação do analfabetismo funcional - afinal, como alguém que é analfabeto funcional pode ler a Bíblia?
  • Melhoria da eficiência do serviço público.
  • Erradicação da pobreza.
Um agenda com itens desse tipo nos tornaria mais "luz" para o mundo e aumentaria nossa influência positiva na sociedade atual.

Com carinho

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O CRITÉRIO DE DEUS PARA NOS JULGAR

Um amigo meu, outro dia, me dizia que tem horror de certo pastor, bem conhecido da mídia. Pensa que aquele homem costuma criticar as pessoas com muito rigor, especialmente aqueles(as) que têm comportamento diferente daquele considerado por ele, pastor, ideal. 

Eu respondi que, ao invés de ter raiva daquele homem, meu amigo deveria ter pena dele. Digo isso porque a Bíblia ensina que "cada pessoa será julgada no final dos tempos com o mesmo rigor (mesmos padrões) com que julgar as outras". Se esse pastor é tão rigoroso assim, Deus terá o mesmo rigor no julgamento dele. Simples assim.

Se você pensar bem, esse critério que Deus adotou para fins do julgamento de cada pessoa - usar os padrões dela mesma contra ela - é brilhante. Acompanhe meu raciocínio.

Deus não poderia usar os mesmos padrões para julgar a todos, independentemente de sua origem, oportunidades na vida, etc. Não seria justo. Uma intelectual, com acesso à melhor cultura que o ser humano já desenvolveu, não pode ser julgada da mesma forma que uma mulher analfabeta, pobre, que passou sua vida cuidando de diversos filhos e filhas. 

Essa abordagem está em linha com outro ensinamento da Bíblia: "a quem foi dado mais, dele(a) também será exigido mais". E isso envolve tudo: inteligência, saúde, recursos financeiros, cultura, conforto, etc.

Agora, ao mesmo tempo em que respeita a diversidade das pessoas, a lógica que Deus vier a usar nesse julgamento precisa ser a mesma para todos(as), pois não pode haver favorecimento a ninguém. E é aí que aparece o brilhantismo da escolha de Deus: a lógica é a mesma já que cada um(a) estabelece, com seu próprio comportamento, os padrões que serão usados contra si mesmo(a).

A diversidade está respeitada - cada pessoa é julgada segundo padrões que façam sentido para ela mesma - e há uma lógica única, que ninguém pode considerar injusta. Afinal, ninguém pode considerar que os padrões que usa como errados e injustos - seria muita hipocrisia admitir isso. 

Em resumo, Deus conseguiu estabelecer um critério de julgamento perfeito - exatamente como Ele faz com tudo o mais. Portanto, o pastor que incomoda meu amigo é sim digno de pena: haverá maior rigor no julgamento dele do que na maioria das demais pessoas. 

Pense bem nisso quando começar a julgar os outros. Procure lembrar que você nunca pode cobrar dos outros padrões de comportamento que você mesmo(a) não consegue seguir. E, se fizer isso, tal fato será usado contra você no seu próprio julgamento.

Com carinho 

domingo, 12 de outubro de 2014

É JUSTO QUE A SALVAÇÃO SEJA IGUAL PARA TODOS?

Certa vez um grande amigo fez-me a seguinte pergunta:
"Como é possível que o criminoso crucificado ao lado de Jesus tenha ido para o mesmo céu que o apóstolo Paulo? Isso não parece justo."
A pergunta faz todo sentido. Afinal, o criminoso crucificado ao lado de Jesus somente se converteu na hora da sua morte e ele tinha reconhecido que seus pecados tinham sido enormes, justificando sua condenação à morte. Já o apóstolo Paulo passou a maior parte da sua vida pregando o Evangelho e ajudando na fundação de igrejas cristãs. E escreveu cerca de 60% do Novo Testamento. Como os dois podem ter recebido a mesma recompensa de Deus? Não parece justo.

A parábola dos boia fria
Jesus sabia que essa tipo de dúvida iria ocorrer e se antecipou a ela, contando uma parábola muito interessante (Mateus capítulo 20, versículos 1 a 16). É a estória de um dono de terras que procurou alguns boia-fria para trabalhar uma diária na sua lavoura. E combinou com eles um preço mais do que justo pela sua jornada de trabalho. 

Passaram-se algumas horas e o dono de terras viu que ia precisar de mais mão de obra e foi contratar trabalhadores adicionais, para completar a jornada de trabalho. Mas, surpreendendo a todos, combinou pagar o mesmo salário para esses novos trabalhadores, embora o tempo de trabalho deles fosse ser bem menor. E fez isso de novo, algumas horas depois.

No final do dia, o dono de terras pagou todos os trabalhadores a mesma quantia, conforme combinado com eles. Mas os que trabalharam mais horas se queixaram do contratante por entender que havia sido cometida uma injustiça - trabalharam mais e receberam o mesmo. 

Aí o dono de terras perguntou a esses trabalhadores onde estava a injustiça, pois ele tinha pago exatamente o combinado com cada um. Ele tinha cumprido exatamente o que tinha prometido. E, acrescentou, se quis beneficiar os trabalhadores que trabalharam menos tempo usando seu próprio dinheiro, e sem prejudicar os demais, quem tinha direito de questioná-lo? 

Nessa parábola, o dono de terras é Deus e os boia-fria somos nós e o salário é a salvação. Portanto, a estória trata da mesma questão levantada acima: como é possível que pessoas com histórias de vida diferentes possam ir para o mesmo céu?

E a resposta de Jesus para essa questão foi simples: a salvação não é merecida por ninguém. Trata-se de um presente dado por Deus, pela sua Graça (veja mais). Logo, se é um presente, ninguém pode se queixar de como esse presente é distribuído. Cada um de nós deveria ficar feliz de receber essa Graça não merecida e não pode se preocupar com o que acontece com quem está ao lado.

O problema real 
Na verdade, a pergunta que meu amigo fez se baseia na percepção errada das pessoas quanto à salvação. Bem lá no fundo, elas acham que a salvação deveria ser alcançada por mérito e, se fosse assim, seria injusto que alguém com mais méritos recebesse o mesmo que outra pessoa com menos méritos.

Portanto, esse tipo de questionamento somente vai desaparecer quando as pessoas entenderem como a salvação se dá de fato. Quando deixarem de tentar ganhá-la e entenderem que não a fazem por merecer isso. Quem teve merecimento foi Jesus, que morreu por nós na cruz. Simples assim. Nosso papel é simplesmente aceitar isso, reconhecendo-o como Salvador.

Com carinho

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

SANTOS NÃO TÃO SANTOS ASSIM

Se você tivesse oportunidade de conviver com alguns dos grandes personagens da Bíblia - homens e mulheres como Abraão, Sara, Jacó, Rute, Davi, Pedro, Paulo, etc - o que pensaria sobre essas pessoas? Será que perceberia nelas super-homens e super-mulheres? Pessoas muito melhores do que as demais?

Dificilmente. A maioria dessas pessoas eram simples, como Pedro, pescador, ou Paulo, fabricante de tendas. E, quando olhados de perto todas elas mostraram seus defeitos. Por exemplo, Davi adulterou com a mulher de um dos seus mais fiéis auxiliares. E, quando a mulher engravidou e não mais podendo esconder seu erro, encontrou uma forma de fazer o marido dela ser morto em batalha. E depois se casou com a viúva (a mãe do futuro rei Salomão). 

Jacó enganou seu irmão gêmeo, Esaú, algumas vezes e inclusive roubou a benção que seu pai iria transferir para o irmão. Abraão vendeu sua mulher para o faraó, rei do Egito, e depois a recuperou, realizando um grande lucro nessa "transação". Pedro era um fanfarrão e um medroso, por isso negou Jesus por três vezes embora tivesse prometido irrestrita fidelidade a Ele. 

Mas, como sabemos que essas pessoas foram muito importantes na história da fé cristã, temos o hábito vê-las como seres humanos especiais, muito melhores do que as
demais. E o fato da Igreja Católica ter criado o conceito de "santos(as)", atribuído a muitos dentre eles(as), acabou por perpetuar essa noção. 

Essas pessoas não foram super-homens e super-mulheres. Eram como você e eu. E é exatamente isso que dá valor ao que conseguiram alcançar. Mesmo sendo pessoas normais, por conta da sua fé, persistência, coragem e capacidade de ouvir a voz de Deus, elas conseguiram realizar coisas extraordinárias - fizeram história. E isso tem muito mérito, justificando que sejam reconhecidas e admiradas pelo povo de Deus.  

Agora, acredito que o grande ensinamento derivado disso tudo é o fato de que todos nós podemos fazer a diferença na implantação do Reino de Deus aqui na terra. Se algumas pessoas conseguiram fazer isso, você e eu também podemos. Basta querer e seguir o que foi deixado nos relatos da Bíblia.

Com carinho       

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

TEOLOGIA TÓXICA E SUAS CONSEQUÊNCIAS


Pouco mais de dois anos atrás morreu precocemente a cantora Whitney Houston. Ela tinha voz de anjo, grande beleza e um talento musical extraordinário, o que fez dela uma das cantoras pop mais conhecidas e premiadas da sua época.

O que ficou escondido por trás de todas as homenagens que foram feitas a Whitney na época da sua morte foi o fato de que ela era profundamente cristã - a última música que cantou falava justamente do seu amor por Jesus. E foi muito triste perceber que uma pessoa tão abençoada e cristã verdadeira tenha tido final tão triste. 

O fato é que Whitney foi vítima de duas forças terríveis que acabaram destruindo sua vida física e emocional: o abuso doméstico e a obediência cega a uma teologia errada. Vejamos o que aconteceu.

Bobby Brown, o marido de Whitney, a quem ela amou profundamente (chegou a se declarar "viciada" em amá-lo), é um artista menor, que tinha inveja do sucesso da própria esposa. E ele fez tudo para acabar com a autoestima de Whitney, aproveitando-se de sua personalidade frágil, inclusive levando-a a consumir drogas. Amor sem medida dedicado a uma pessoa abusiva e manipuladora é caminho certo para o desastre. E foi isso que aconteceu com Whitney.

Mas ela também foi vítima de uma  teologia tóxica que escolheu seguir cegamente. O fato é que Whitney permaneceu por longos anos num casamento terrível porque achava que era isso que Deus queria dela. Numa entrevista que deu para Oprah Winfrey em 2009 (disponível no Youtube), ela disse que, como cristã, era seu dever ficar casada a qualquer custo e chegou a citar Mateus capítulo 19, versículo 6: “Portanto, o que Deus ajuntou, não o separe o homem”. Citou ainda a passagem bíblica que, na percepção dela, dava ao seu marido poder de dirigir sua vida (Efésios capítulo 5, versículos 22 a 33). 

Na mesma entrevista, ela contou que certo dia começou a pedir a Deus ajuda para sair daquele inferno. Orou para ter forças por apenas um dia e Deus atendeu seu pedido e ela saiu de casa apenas com a roupa do corpo. Mas seu afastamento do marido abusivo veio tarde: o mal físico e emocional que lhe tinha sido feito cobrou seu preço. Whitney nunca mais conseguiu se recuperar – basta ver suas últimas fotos. 

Os custos de uma teologia tóxica
O cristianismo é uma religião que liberta o ser humano e portanto nunca pode defender algo que o escravize. E qualquer teologia que aponte na direção dessa escravização deve ser considerada tóxica. Vejamos o que estava errado naquilo que ensinaram a Whitney. 

Sou um defensor do casamento e acho que sempre deve haver um grande esforço para preservá-lo. Mas essa preservação não pode ocorrer a qualquer custo, como aconteceu com aquela mulher. E o versículo de Mateus - nenhum ser humano deve separar aqueles que Deus juntou -, citado pela própria cantora, não a obrigava, como lhe foi ensinado por alguns pastores, a esse tipo de sacrifício. 

E é fácil de entender a razão para o que acabei de afirmar. Basta perguntar: quando é que Deus junta verdadeiramente um homem e uma mulher? A maioria dos evangélicos responderia que isso ocorre quando as pessoas se casam na igreja, frente a um pastor. Mas quem pode garantir que a união feita numa cerimônia religiosa é equivalente a uma união feita por Deus? Onde isso está dito na Bíblia? Posso afirmar que em lugar nenhum.

Para confirmar o que acabei de dizer, basta lembrar de Isaías capítulo 1, versículos 13 e 14, onde Deus afirma que detesta liturgias religiosas vazias. Elas nada significam. 

E um dos casos de liturgia vazia pode ser o casamento. Por exemplo, cerimônias religiosas onde um dos noivos está ali apenas para cumprir uma obrigação social, já que nem acredita direito em Deus, não tem qualquer valor espiritual. Também não tem valor espiritual a cerimônia onde um dos noivos se casa por interesse ou esconde suas reais intenções em relação ao outro.  

O casamento religioso na igreja e a união feita por Deus são coisas diferentes. Até acredito que boa parte dos casamentos feitos nas igrejas envolve uniões feitas por Deus, mas certamente não é sempre assim que acontece. E o caso de Whitney certamente foi um caso em que Deus nada teve a ver com a união. Simples assim. 

Outro aspecto tóxico da teologia que a cantora seguia é a questão da autoridade absoluta e inquestionável do marido sobre a esposa. Muitos evangélicos entendem que o texto de Efésios capítulo 5 dá ao marido esse papel, o que não é verdade. Afinal, no mesmo texto, é dito que o marido deve amar a mulher como a seu próprio corpo, como Cristo faz com a igreja. 

Na verdade, o texto defende uma submissão mútua, já que o corpo (a esposa) cria limite físicos para a alma (o marido). Paulo defendeu que o marido e mulher devam se submeter um ao outro, ou ninguém se submete a ninguém. 

A situação em que a mulher se submete cega e unilateralmente ao marido, como aquela que Whtiney aceitou viver, não está prevista na Bíblia. E nem é razoável, não podendo ser do agrado de Deus. 

Por que a teologia tóxica permanece?
Há várias razões para isso. A primeira delas é a ignorância pura e simples - as pessoas não sabem que há algo errado no que lhes foi ensinado e simplesmente se limitam a repetir o que aprenderam. 

A segunda razão é que as pessoas se acomodam nos papéis que aprendem a desempenhar. E muitas vezes parece ser mais confortável deixar como estar, para ver como fica... As pessoas somente mudam quando a dor torna-se insuportável, pois mudar também incomoda. Doeu muito para Whitney abandonar seu casamento, conforme ela mesmo declarou e essa foi uma das razões pela qual ela hesitou tanto em fazer isso.

A terceira razão é que não interessa a algumas pessoas mudar essas doutrinas tóxicas, pois tiram vantagem delas. Por exemplo, para um homem machista, desejoso de controlar a vida da sua mulher, a visão teológica que estabelece a dominação da esposa pelo marido cai como uma luva. 

Palavras finais 
Uma boa teologia deve iluminar mentes, libertar almas e encaminhar pessoas na direção do Reino de Deus. A teologia tóxica pega pedaços da Bíblia, fora de contexto, e os usa para dominar e aprisionar pessoas. E aí daquele que tiver a audácia de se rebelar contra esses ensinamentos distorcidos pois, no mínimo, vai ser rotulado de fazer a obra de Satanás. 

Há inúmeros exemplos de teologias tóxicas, todas com resultados destrutivos. Falei aqui um pouco sobre a teologia errada que leva a esposa à submissão ao marido e a permanecer num casamento a qualquer custo, mas há outros exemplos importantes como aquela que defende que "cristãos verdadeiros não adoecem" (a chamada "confissão positiva") ou que "Deus nos quer ver a todos prósperos" (a teologia da prosperidade). Cuidado com elas.

Com carinho

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A FÉ CRISTÃ PRECISA SER CEGA?

... Estando sempre preparados para para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós.  1 Pedro 3, versículo 15
Muitas pessoas acham que o cristianismo é uma fé irracional. E o interessante é que alguns cristãos, sem perceber, dão força a essa ideia quando defendem a premissa que a fé verdadeira precisa ser cega, sem ter qualquer compromisso com a razão. 

Mas não é isso que a Bíblia ensina, conforme pode ser visto no texto acima: precisamos estar sempre preparados para explicar as razões que nos levam a crer em Jesus Cristo. E se precisamos apresentar razões, é porque a fé precisa ser racional e, portanto, não pode ser cega. 

O apóstolo Paulo ensinou que, se Jesus Cristo não ressuscitou dentre os mortos, o cristianismo não tem qualquer base para existir. E ao fazer essa afirmação, Paulo convidou a todos - simpatizantes e adversários do cristianismo - a examinar os fatos relacionados com a ressurreição de Jesus, evento histórico do qual se conhece a época, o lugar e as pessoas envolvidas, a partir dos relatos da Bíblia.

Portanto, a Bíblia pede aos cristãos para usarem sua razão e avaliarem os argumentos contra e a favor. E tal postura demonstra grande segurança de que o cristianismo se apoia em base racional e sólida. 

Agora, sei que a esmagadora maioria das pessoas não chega à fé depois de avaliar argumentos contra e a favor do cristianismo e sim pela ação do Espírito Santo. Mas não é viável se manter firme na fé se não for possível entender as bases racionais da crença que a pessoa mantem. As dúvidas vão surgir, pois são naturais, e a pessoa precisa encontrar explicações que façam sentido lógico. 

O que não pode ser provado pela ciência é irracional?
Os materialistas - aqueles que não acreditam na existência do mundo espiritual - afirmam, até com certa arrogância, que a fé cristã é irracional porque não pode ser provada cientificamente. 

É certo que experimentos científicos (físicos) não vão conseguir provar a existência do mundo espiritual (não físico). É como se eu quisesse medir o peso de uma pessoa com uma régua - não vai ser possível. Mas isso não quer dizer que a pessoa não tenha peso e sim que a régua não é adequada para verificar isso - é preciso uma balança. 

A falta de evidencia científica do mundo espiritual não é prova que ele não existe. No máximo, indica que não é possível provar isso cientificamente. Só isso.  

Mas isso não quer dizer que acreditar ou não no mundo espiritual é irracional. E um exemplo explica melhor a razão para o que acabei de afirmar. Imagine duas pessoas começando a andar por uma estrada que não sabem onde vai dar. Não há placas indicativas e ninguém a quem perguntar. A primeira pessoa acha que a estrada vai dar na cidade A e outra na cidade B. E durante a caminhada não haverá como garantir quem está certo - somente ao chegar no final é que isso será esclarecido. 

Mas o primeiro viajante fica acusando o outro de ser irracional por acreditar que a estrada vai dar numa cidade diferente. Ora, isso não é justo, pois não há como provar quem tem razão.

É claro que, ao longo do caminho, os viajantes tentarão coletar evidências para corroborar se escolheram o caminho certo. E as evidencias podem fortalecer suas crenças. Por exemplo, no caso dos cristãos, uma benção obtida como resposta de oração ou uma profecia que se cumpre, reforçam a convicção que o mundo espiritual existe mesmo. Da mesma forma, os materialistas vão tentar colher provas para reforçar a tese de que não há mundo espiritual. 

Mas nunca serão colhidas evidencias suficientes. E somente depois que as pessoas saírem dessa vida física é que poderão saber definitivamente quem tinha razão. Portanto, a fé, para um lado ou para outro, sempre será necessária.  

A fé com base no testemunho da Bíblia é irracional?
A segunda objeção feita ao cristianismo tem a ver com o fato de que essa fé é baseada apenas no testemunho de um livro considerado pouco confiável (a Bíblia). Mas essa crítica também não é válida. Primeiro, porque todas as crenças são construídas da mesma forma, isto é com base em testemunhos considerados confiáveis. 

Por exemplo, as pessoas usam um GPS porque acreditam que a informação nele contida é a expressão correta da geografia do território coberto, ou seja têm fé no "testemunho" daquele produto. Eu nunca vi um elétron, mas acredito na sua existência porque confio naquilo que os cientistas relataram, ou seja acredito no testemunho deles. 

Praticamente tudo que sabemos é baseado em testemunhos de terceiros - até nosso nome e dia de nascimento. E é esse mesmo processo que permite a transmissão do conhecimento e o desenvolvimento da ciência e da cultura. 

Assim, manter crenças com base em testemunhos confiáveis é inteiramente racional - todas as pessoas procedem dessa forma. A questão verdadeira então é a escolha de quais testemunhos podem ser considerados confiáveis. 

E é interessante perceber que essa escolha é feita com base nas próprias crenças que as pessoas já têm e nem poderia ser diferente. Em outras palavras, na prática, as pessoas escolhem (de forma consciente ou não) aquilo em que irão acreditar. Portanto, o teólogo cristão Anselmo de Canterbury estava certo quando disse: "creio para poder entender". 

Para os materialistas, a Bíblia é um testemunho não confiável, cheio de fantasias. Afinal, eles não acreditam no mundo espiritual que ela relata. E o contrário pode ser dito quanto aos cristãos. Em ambos os casos, a fé vem antes e a escolha do que é confiável como fonte de testemunho aparece depois.

Muito pode ser dito para mostrar que a Bíblia é um documento historicamente correto, cheio de informações preciosas. Mas para aqueles que não acreditam no mundo espiritual, os relatos de milagres, aparições de anjos, etc, são lendas e, portanto, a Bíblia não é confiável. 

E como não é possível provar nem que o mundo espiritual existe nem que não existe, conforme vimos na primeira parte do post, não há como sair desse impasse. Voltamos ao exemplo dos dois caminhantes na estrada, que não sabem qual é o destino real dela.

Em resumo, não é irracional usar a Bíblia como base para construir numa fé. É tão racional quanto acreditar que apenas experiências científicas podem mostrar aquilo que existe existe de fato.

Portanto, é arrogância intelectual acusar a fé cristã de irracional. É claro que muitos cristãos pregam uma fé cega, mas esse é um problema deles, de como encaram sua fé e não do cristianismo em si. E esse tipo de falta de perspectiva estreita também ocorre do lado daqueles contrários ao cristianismo. Lembro bem do depoimento de um cientista que disse saber que as evidencias científicas apontam para um início do universo (o Big Bang), mas que preferia não acreditar nelas pelas consequências que geram, isto é a necessidade de incluir na análise um Criador para tudo que existe. 

Com carinho

QUAIS SÃO AS SUAS BOAS NOVAS?


A palavra "evangelho" (do grego "evangelion") significa simplesmente boas novas. Mas não são boas novas comuns - do tipo "deram-me uma promoção no emprego" - e sim notícias tão importantes que precisam ser divulgadas para todos. Nos tempos bíblicos, esse tipo de boas notícias era apresentado por um arauto do rei em praça pública. Hoje, quem faz isso é a mídia - televisões, rádios, jornais e principais veículos da Internet.

Ora, a vinda de Jesus ao mundo para nos salvar e os ensinamentos que Ele passou para as pessoas são boas novas que precisam ser do conhecimento de todos. Os seguidores de Jesus reconheceram isso e começaram a se referir à sua mensagem como "Evangelho", as Boas Novas que o Salvador trouxe para o mundo. 

Quatro seguidores de Jesus - Mateus, Marcos, Lucas e João - escreveram relatos apresentando suas visões pessoais do significado da mensagem que Ele trouxe para o mundo. Esses relatos estão na Bíblia e abrem o Novo Testamento, são os chamados "Evangelhos canônicos".

O núcleo das Boas Novas de Jesus 
Qual é o núcleo do Evangelho de Jesus? Afinal Ele falou sobre muitas coisas e às vezes ficamos perdidos nos detalhes e perdemos de vista o significado mais amplo. 

O próprio Jesus respondeu essa pergunta, logo no início do seu ministério na terra, quando falou para os judeus numa sinagoga. Os dirigentes daquela sinagoga lhe deram uma Bíblia - naquela época, composta apenas pelo Velho Testamento - para ler e comentar, prática normal quando havia um rabi (mestre) visitante. 

E Jesus escolheu um texto do profeta Isaías, conforme Lucas relata no capítulo 4, versículo 18:
"O Espírito do SENHOR está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me para proclamar libertação para os cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos..."  

Ao final da leitura, Jesus disse que a profecia de Isaías, feita mais de 800 anos antes, acabara de se cumprir n´Ele. Jesus apresentou assim sua “plataforma de campanha”, ou seja disse publicamente a razão pela qual tinha vindo ao mundo.

Ele veio para implantar o Reino de Deus, tanto nesta terra, como no mundo que ainda virá, no final dos tempos. E Reino de Deus é todo local onde a vontade de Deus é feita, independentemente das circunstâncias.

Jesus falou sobre o Reino de Deus em muitos momentos do seu ministério, incluindo na famosa oração do "Pai Nosso" (Mateus capítulo 6, versículo 10). Ali Ele nos ensinou a pedir a Deus que mande seu Reino.

O evangelho de cada um de nós
Agora eu pergunto: qual é o seu Evangelho?  Que boas novas você gera a partir da sua vida para sua família, seus companheiros de trabalho, seus amigos, etc?  São elas que definirão seu legado neste mundo e também definirão como as demais pessoas reagirão à sua passagem nesta terra.

Será que suas novas são marcadas pelo perdão, pelo amor ao próximo, pela fé e pela misericórdia? 

Com carinho