terça-feira, 29 de setembro de 2015

A MENTIRA A RESPEITO DA MENTIRA

O pecado da mentira provavelmente é mais evidente no campo da política do que em qualquer outra área da sociedade humana, pelo menos no que se refere ao Brasil. Os níveis de mentira nessa área são tão altos que é comum os(as) políticos(as) mentirem até sobre suas próprias mentiras anteriores, isto é quando pegos(as) na mentira, mentem de novo, afirmando com convicção que foram mal interpretados na sua declaração anterior.

Como o mundo da política é pautado pela mentira e hipocrisia, todos(as) que nele habitam acabam perdendo credibilidade diante da opinião pública, mesmo quando tentam ter comportamento diferente. E é muito difícil mudar esse estado de coisas.

Agora, somos rápidos em identificar a mentira dos(as) outros (as) - como a dos(as) políticos(as) -, mas menos abertos a reconhecer o mesmo problema em nós mesmos. Mesmo a Bíblia advertindo que a mentira é um dos pecados mais comuns.

Por exemplo, quando chegamos atrasados, é mais fácil culpar o trânsito do que reconhecer que saímos tarde de casa. Quando não queremos falar com alguém, é mais confortável pedir para dizerem que não estamos em casa ou andamos ocupados(as). E assim por diante.

O fato é que a mentira é frequentemente o caminho mais fácil para sair de situações sociais desconfortáveis. O problema é que mentir pode acabar se tornando um padrão de comportamento, como ocorre na política. E a falta de compromisso com a verdade corrói a ética do ser humano e pode gerar desdobramentos muito ruins. 

Mas há quem procure se desculpar afirmando que as mentiras sociais (como alguns dos casos citados acima) não são muito sérias - seriam "brancas", isto é sem maiores consequências. Eu mesmo pensei assim durante bom tempo.

O problema é que mentiras, mesmo "brancas", podem gerar situações ruins inesperadas e as coisas simplesmente escapar ao controle. Lembro do caso de um conhecido que estava passando temporada nos Estados Unidos. Ele recebeu convite para uma festa pelo correio, coisa comum por lá. Não foi, por alguma razão pessoal, mas quando questionado, mentiu, dizendo que o Correio não tinha entregue o convite em tempo. O dono da festa, indignado, acionou o Correio na justiça e o mentiroso teve que reconhecer o que tinha feito e ficou desmoralizado.

A Bíblia nos conta várias histórias de pessoas que mentiram por razões variadas e os resultados relatados sempre foram muito ruins para os(as) envolvidos(as), direta ou indiretamente.

Por exemplo, Ananias e Safira mentiram para os apóstolos quando afirmaram que tinham entregue para eles todo o resultado da venda de um terreno, embora tivessem guardado parte do dinheiro. Naquela época, isto é no começo da história da igreja cristã, os(as) convertidos(as) mantinham seus bens em comum e o casal quis aparentar estar cumprindo com sua obrigação, mesmo mantendo parte do dinheiro como segurança pessoal. Ananias e Safira acabaram punidos com a morte.

Davi adulterou com Bate-Seba (que acabou grávida) e para esconder as consequências do que tinha feito, armou uma cilada para matar o marido dela e acabou severamente punido por Deus (2 Samuel capítulo 12).

Os líderes religiosos judeus mentiram sobre a culpa de Jesus, para conseguir sua condenação e execução em tempo recorde (veja mais) e acabaram atraindo desgraça para si mesmos e seu povo.

Os exemplos são incontáveis porque a mentira é um hábito muito comum. Eu poderia ficar aqui muito tempo contando as diferentes histórias bíblicas que falam sobre esse tema, como a mentira dos filhos de Jacó para o pai (quando venderam José como escravo); a mentira do próprio Jacó para Isaque, visando roubar a benção destinada ao irmão Esaú; a mentira de Judas Iscariotes para Jesus, no episódio da sua traição; e assim por diante.

O hábito de mentir é muito comum e essa questão precisa ser reconhecida com sinceridade e enfrentada com mais seriedade pelos(as) cristãos(ãs) verdadeiros(as). É isso que Deus espera de nós.

Com carinho    

domingo, 27 de setembro de 2015

O JARGÃO DOS EVANGÉLICOS

As verdades que Deus nos revela precisam ser descritas em linguagem humana. Não há como evitar isso. E a linguagem humana tem diversas limitações, dentre as quais quero ressaltar as modificações sofridas ao longo do tempo, seguindo as variações do contexto cultural - basta comparar uma Bíblia em português de cerca de 100 anos atrás com outra em linguagem atual para perceber que parecem dois textos distintos. 

E essa evolução da linguagem humana pode gerar bastante confusão, por diversas razões. Em primeiro lugar, porque às vezes uma mesma palavra ou expressão pode ser usada para significar coisas distintas. E frequentemente um dos novos significados acaba por "atropelar" o significado original. 

Quando eu era garoto, "batismo do Espírito Santo" ocorria quando a pessoa aceitava Jesus e o Espírito Santo passava a habitar nela. Sabíamos, naquela época, que há outra experiência possível com o Espírito Santo, quando a pessoa, já convertida, recebe uma unção especial para realizar a obra de Deus, também conhecido como "revestimento de poder". Agora, principalmente nas igrejas pentecostais e carismáticas, essa segunda experiência espiritual tornou-se tão importante que passou a ser chamada de "batismo do Espírito Santo". E esse uso acabou por se popularizar no meio evangélico. 

Hoje as duas experiências são chamadas indistintamente de "batismo no Espírito Santo" e o pior é que nem dá para dizer que o uso da expressão num caso ou no outro está errada.

Outra fonte de muita confusão é o jargão evangélico - palavras que têm significado especial somente para aqueles que pertencem a essa comunidade. 

O uso de jargão é comum em vários grupos sociais, como entre os jovens, os médicos ou o pessoal de informática. E muitas vezes esse jargão "aportuguesa" as palavras diretamente do inglês, como p. ex. no caso de "deletar" (que vem de do inglês "delete"). E assim ocorre também com os(as) evangélicos(as) - parece que eles(as) falam uma linguá diferente do restante da população.

O jargão evangélico é curioso pois mistura palavras da Bíblia com conceitos modernos e expressões que vem do inglês. Por exemplo, a palavra "levita" se refere na Bíblia a um homem descendente de Levi, filho de Jacó. Os sacerdotes saiam todos desse grupo de homens, mas muitos levitas se limitavam a cuidar de tarefas corriqueiras no Templo de Jerusalém (vigilância, limpeza, etc). Nas igrejas evangélicas hoje em dia, "levita" passou a significar uma pessoa que trabalha na área de música, ajudando a conduzir o louvor.

"Varão", na Bíblia, era palavra usada para se referir a qualquer pessoa do sexo masculino. Mas em algumas igrejas evangélicas, passou a ser usada para se referir a um homem verdadeiro servo de Deus. E já é comum usar a palavra "varoa" (horrível, por sinal) para se referir às mulheres na mesma condição. 

A palavra Gospel quer dizer Evangelho em inglês. Mas hoje é usada para tudo que se refere às atividades ou coisas relacionadas com o mundo evangélico - assim, temos música gospel, roupa gospel, balada gospel, carnaval gospel e assim por diante. Quando o termo "gospel" é usado junto a um substantivo, passou a significar um selo de aprovação para uso no meio evangélico.  

O jargão evangélico é muito extenso. Vejamos alguns outros exemplos para ajudar quem não está acostumando com esses termos: 
  • "Benção pura": coisa muito boa.
  • "Está na benção": está tudo bem, tudo certo.
  • "Está no óleo": semelhante ao anterior.
  • "Não tocar no ungido": não criticar ou fazer alguma coisa contra um(a) pastor(a), mesmo que ele(a) dê motivos para isso.
  • "Graça e Paz": forma de saudação cristã, retirada das cartas de Paulo.
  • "Gadita": aquele(a) que participou do "Encontro com Deus", um tipo de retiro especial com fins evangelísticos.
  • "Célula": pequeno grupo de pessoas sendo discipuladas que normalmente se reúne na casa de alguém.
  • "Peniel": lugar abençoado, onde Deus se faz presente.
Quando o grupo de pessoas é homogêneo (p. ex., todos são da mesma denominação cristã e todos são jovens), há pouca confusão com o uso de jargão. Mas quando o grupo é heterogêneo, o jargão pode gerar erros sérios de comunicação - eu já vi isso acontecer diversas vezes.
 
É interessante lembrar que Jesus sempre tomou cuidado de adaptar seu discurso à plateia do momento. Quando ele pregava nas pequenas vilas da Galileia, usava exemplos tirados da vida rural, cuja realidade era conhecida por todos(as). Quando ia para Jerusalém, usava imagens mais urbanas. E nunca usou jargão - sempre empregou as palavras no seu significado mais geral, entendido por todos(as).

Mas não é bem assim que seus seguidores fazem e o uso do jargão é hoje amplamente difundido e não acredito que isso venha a mudar. Pelo contrário, mais e mais palavras são continuamente agregadas ao jargão evangélico.

Se você ouve pregações de pastores de diferentes denominações cristãs, tome cuidado para ter certeza que entendeu bem o que foi dito. Procure se informar bem do significado das palavras usadas - por exemplo, entre no site do pastor ou da igreja e leia textos referentes ao assunto ou pergunte a quem saiba. Eu faço isso com frequência e essa providencia simples já me evitou vários embaraços.

Com carinho  

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O QUE ACONTECEU NO DOMINGO DA RESSURREIÇÃO

Existem quatro relatos dos acontecimentos no dia da ressurreição de Jesus, devidos a Mateus, Marcos, Lucas/Atos dos Apóstolos e João. 

Como era de se esperar cada um deles contém detalhes que faltam aos demais. Por causa disso, às vezes fica difícil ter uma ideia clara da ordem cronológica dos acontecimentos pois não existe um relato global que junte todas as peças do quebra-cabeça. 

E é isso que tentei fazer neste post, com base nos textos de Mateus capítulo 28, Marcos capítulo 16, Lucas capítulo 24, Atos dos Apóstolos capítulo 1 e João capítulos 21 e 22.

Jesus foi crucificado numa sexta feira e enterrado numa gruta, às pressas, quase ao cair do sol, ainda antes do início do sábado judaico. E o corpo lá ficou até domingo bem cedo. E aí os fatos que discuto aqui tiveram início. 

Ao raiar do dia, Maria Madalena e algumas outras mulheres (Maria, mãe de João e Tiago, Salomé e outras), todas discípulas de Jesus, foram até o tumulo onde Ele estava enterrado, por que entendiam que o corpo não tinha sido adequadamente preparado, conforme as tradições judaicas em vigor, por causa da pressa em enterrá-lo.

Chegando ao local do sepulcro, viram com espanto que a pedra que selava a entrada da gruta tinha sido removida e os guardas romanos não estavam no local. Maria Madalena foi a primeira a reagir e, apesar do medo que sentiu, aproximou-se e foi olhar dentro do túmulo - era preciso se abaixar para fazer isso -, enquanto as outras ficaram à distância. 

Olhou e viu que o corpo não estava mesmo ali. Viu ainda dois homens, que pareciam anjos, sentados no local onde o corpo estivera. Ora, na cultura judaica, o corpo é extremamente importante - tanto assim que os judeus não cremam cadáveres - e o desaparecimento do corpo de Jesus deve ter dado um nó na cabeça de Maria Madalena, mulher simples, sem muita sofisticação mental. 

Confusa, Madalena gritou para suas companheiras que viessem ver por elas mesmas - sem dúvida, naquela situação era mesmo preciso ver para crer. E ela se afastou do local, sem saber bem o que fazer. Ficou andando pelo jardim onde o túmulo ficava, tentando colocar os pensamentos em ordem e decidir o que fazer.

Foi aí que Jesus lhe apareceu pessoalmente e se fez conhecido por ela - Madalena teve assim a enorme honra de ser a primeira pessoa a ver e falar com o Cristo ressurreto. Inicialmente ela ficou confusa - a ressurreição era uma possibilidade impensável - e imaginou que o homem que se aproximou para lhe falar era o jardineiro. Isso demonstra bem que havia diferenças do Cristo ressurreto em relação ao homem Jesus que ela tinha conhecido tão bem.

Depois de falar com Jesus e se emocionar profundamente, Madalena saiu correndo, deixando as outras mulheres para trás, pois queria contar tudo para os apóstolos - todos estavam em Jerusalém, aterrorizados quanto às possíveis consequências do que tinha acontecido com seu Mestre para a segurança deles próprios.

Enquanto isso, ainda no local do sepulcro, as outras mulheres finalmente juntaram coragem para se aproximar da tumba e ver o que tinha acontecido. E testemunharam que o túmulo estava mesmo vazio e certamente também ficaram desorientadas.

Foi quando os dois anjos se aproximaram delas e lhes anunciaram que Jesus tinha ressurgido dentre os mortos e que iria encontrar os apóstolos na Galileia.

As mulheres resolveram nada contar do que tinham visto e ouvido -  é importante perceber que o testemunho das mulheres, naquela época, não tinha credibilidade. Assim, elas tinham medo de serem ridicularizadas ao relatar fatos tão surpreendentes.

Foi aí que Jesus também falou com elas e reforçou o recado que os anjos tinham dado - Ele iria ver os apóstolos, com mais calma, na Galileia, longe da pressão política de Jerusalém. Afinal, a Galileia era a terra natal da maioria dos apóstolos e eles ali encontrariam apoio e cobertura.

Enquanto isso, Pedro e João, já alertados dos fatos por Maria Madalena, já vinham correndo em direção ao túmulo, para verificar tudo pessoalmente. Quando chegaram lá, confirmaram tudo mas não viram Jesus pessoalmente.

Ao mesmo tempo, o grupo de mulheres chegou até os apóstolos e repetiram o relato de Maria Madalena. Os apóstolos responderam que Pedro e João tinham ido até lá pessoalmente e não se mostraram muito dispostos a acreditar no que tinham ouvido, como era de se esperar.

Aí Pedro e João voltaram e confirmaram o relato que o túmulo estava vazio. E o clima entre os apóstolos mudou totalmente, de tristeza e preocupação com seu futuro, para a euforia, pois finalmente eles se deram conta de que estavam testemunhando algo extraordinário.

A notícia correu como um rastilho de pólvora pela cidade de Jerusalém e, naturalmente, chegou aos ouvidos das autoridades religiosas judaicas, sempre preocupadas em manter a situação política sob controle. Tendo confirmação que o corpo desaparecera mesmo, os sacerdotes subornaram os guardas que tinham estado tomando conta da tumba, para que dissessem que tinham dormido e os discípulos aproveitaram esse descuido para roubar o corpo. Prometeram também proteger os guardas caso seus superiores viessem lhes cobrar a responsabilidade por aquela infração - a pena num caso como esse era a morte.

No meio da tarde, dois discípulos de Jesus, um deles chamado Cleópas, foram até Emaús, vilarejo que ficava a cerca de 12 km de Jerusalém. Provavelmente pretendiam espalhar naquele vilarejo as boas novas da ressurreição. Os dois foram pela estrada debatendo o significado dos acontecimentos tão extraordinários.

Então apareceu outro homem, que se juntou à conversa. O interessante é que o homem desconhecido contou para eles que aqueles acontecimentos estavam previstos na Bíblia dos judeus (o nosso Velho Testamento).

Chegando a Emaús, Cleópas e seu companheiro pediram ao desconhecido para pernoitar com eles, pois tinham gostado muito da conversa anterior. E durante a refeição comum, o desconhecido tomou o pão, o partiu e deu graças, assim como Jesus fizera tantas vezes. E somente aí, Ele foi reconhecido pelos discípulos, em meio a grande alegria. Mas Jesus não permaneceu com eles.

Os dois discípulos voltaram correndo para relatar o que viram - eles foram os primeiros homens a ver Jesus ressurreto. Enquanto faziam seu relato, o próprio Jesus apareceu no meio deles e chegou a ceiar ali - foi nessa oportunidade que Tomé duvidou da ressurreição e Jesus lhe permitiu que colocasse os dedos nas sua feridas, conservadas mesmo no seu novo corpo.

Aí termina o relato dos acontecimentos do domingo da ressurreição. Jesus voltou a aparecer para os discípulos na Galileia, conforme tinha prometido e chegou a comer com eles - foi nessa oportunidade que Pedro foi perdoado de ter negado a Jesus, depois de confessar, por três vezes, que amava seu Salvador.

Ao longo de 40 dias, Jesus fez outras aparições: para Tiago, seu irmão, para um grupo de cerca de 500 pessoas, para Pedro individualmente e outras mais, embora as datas em que esses fatos aconteceram não sejam referenciadas no relato bíblico.

Durante essas aparições, além de provar que tinha ressuscitado, Jesus encorajou os discípulos e lhes explicou qual tinha sido sua missão no mundo. E antes de subir aos céus, Jesus lhes deu instrução para voltar para Jerusalém e aguardar ali a chegada do Espírito Santo, o que se deu no dia do Pentecostes (nascimento da igreja cristã).

Finalmente, Jesus subiu ao céus, de Betânia, local onde moravam Marta, Maria e Lázaro - essa aldeia fica ao lado do monte das Oliveiras, a leste de Jerusalém. Jesus desapareceu entre as nuvens e dois anjos vieram para os discípulos avisar que Ele não estava mais nesse mundo e voltaria (da mesma forma como viram-no desaparecer), no final dos tempos.

Com carinho

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

CUIDADO! HÁ PODER EM SUAS PALAVRAS

Lembro-me do caso de um senhor que vivia em conflito permanente com seu filho mais velho. Muito rígido e bastante autoritário - tinha formação militar -, não aceitava que o filho não seguisse o padrão de pessoa que tinha idealizado. E sempre que podia, demonstrava seu desagrado, chamando o filho de burro e afirmando que ele nunca seria mais do que simples carroceiro. É claro que o rapaz teve enormes dificuldades na sua vida estudantil e profissional, parcialmente superadas à custa de muita terapia, oração e sofrimento. E algumas marcas nunca foram apagadas. 

Infelizmente esse tipo de situação é muito mais comum do que se pensa.  Já presenciei esse tipo de coisa diversas vezes, em alguns casos de forma mais sutil, mas sempre com efeitos devastadores sobre os(as) filhos(as). 

E o estrago causado não decorre somente da carga emocional lançada sobre o(a) filho(a) atacado(a). Há mais, muito mais. Há também uma questão espiritual envolvida. 

Ocorre que os pais têm autoridade espiritual sobre os(as) filhos(as), tanto para abençoá-los(as), como para amaldiçoá-los. E quando ficam profetizando coisas ruins para a vida deles(as), trazem maldição para eles(as), mesmo sem perceber.

O problema não está restrito aos pais com relação aos(às) filhos(as). Qualquer pessoa que tenha alguma autoridade espiritual sobre outra - como maridos sobre suas esposas (e vice–versa) e pastores sobre membros do seu rebanho - pode cometer o mesmo tipo de erro. Por isso é preciso ter cuidado com o que se fala, especialmente nos momentos de raiva e amargura.

Um exemplo chocante
Há um exemplo na Bíblia que comprova o que acabei de dizer e tudo aconteceu com Jacó. 

Raquel, a mulher amada por ele (dentre as quatro que teve), morreu muito jovem, no parto de Benjamim, seu segundo filho (e caçula de Jacó). E a raiz dessa desgraça, segundo o relato bíblico, pode ser encontrada numa maldição que Jacó sem perceber lançou sobre ela.

O problema começou quando Raquel roubou os ídolos domésticos do seu pai, Labão, como vingança pelo fato dele ter dado preferência a Lia, sua irmã mais velha, para se casar com Jacó. Isso ocorreu pouco antes de toda a família de Jacó partir de Harã de volta para Canaã, sua terra natal (Gênesis, capítulo 31).

Quando percebeu que tinha sido roubado, Labão perseguiu a família de Jacó e o confrontou. Sem saber o que tinha acontecido, Jacó mostrou-se muito ofendido e fez um juramento: se entre os membros da sua família fosse encontrado o(a) ladrão(a), tal pessoa morreria (Gênesis capítulo 31, versículo 32). Mas nada foi encontrado, pois Raquel escondera muito bem as imagens roubadas. Ela, por sua vez, não ficou sabendo da promessa de Jacó, pois estava na sua tenda com o primeiro filho (José). 

E o juramento de Jacó teve consequências catastróficas para Raquel. Ao chegaram a Betel, Jacó mandou que os membros da sua família se livrassem de todos os objetos ligados a cultos estranhos e se purificassem, antes de encontrar Deus (Gênesis capítulo  35, versículo 32). Certamente foi aí que Raquel mostrou a Jacó o que havia roubado e ele ficou sabendo que, sem perceber, amaldiçoara a própria mulher. Deve ter ficado com medo também das consequências da sua promessa sobre seus filhos com Raquel (Benjamim ainda estava no seu ventre). Logo após, ela deu a luz e morreu, embora Benjamim tenha sobrevivido (Gênesis capítulo 35, versículos 18 e 19).  

Todo esse drama ajuda a explicar por que, cerca de 15 anos depois, Jacó ficou tão devastado com a suposta morte de José, no episodio em que os irmãos o venderam como escravo (Gênesis capítulo 37, versículo 34). Explica, também, porque ele relutou tanto em deixar que Benjamim, fosse com os outros irmãos para o Egito, buscar comida. Jacó temia que a maldição atingisse também a Benjamim.

A culpa certamente acompanhou Jacó por todo o resto da sua vida. Tanto foi assim que, no seu leito de morte, ao abençoar os filhos de José, Jacó lembrou da morte de Raquel (Gênesis capítulo 48, versículo 7)

Palavras finais
Há poder nas palavras que falamos, mesmo nos momentos de raiva e de forma impensada. Especialmente quando essas palavras são dirigidas contra alguém sobre quem temos autoridade espiritual, como filhos(as), esposo(a), etc. 

É preciso ter muito cuidado com o que falamos. Tenha isso sempre em mente.

Com carinho

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

PEDRO, UM EXEMPLO PARA NÓS

Mateus capítulo 16, versículos 13 a 22 e capítulo 26, versículos 31 a 35 e 69 a 75. Lucas capítulo 6, versículos 13 e 14. João capítulo 1 versículos 35 a 44 e capítulo 21, versículos 15 a 18

Gosto muito da figura do apóstolo Pedro. O que agrada nele é sua humanidade o que o torna muito parecido comigo ou com você. Suas qualidades e defeitos são bem aparentes no relato bíblico e não há qualquer intenção ali de “dourar a pílula”.

Pedro “pisou na bola” muitas vezes - a falha mais conhecida foi ter negado Jesus por três vezes. Mas não ficou só nisso: ele criou caso com Paulo (conforme o relato da carta aos Gálatas, capítulo 2, versículos 11 a 16), arrumou confusão com outros discípulos, queria brigar com os servos do sumo-sacerdote e assim por diante - um rosário de erros.

Era impetuoso, vigoroso, emotivo, presunçoso, sem discernimento e medroso. E dava importância demasiada à opinião das outras pessoas. Mas suas qualidades também eram enormes: generoso, comprometido e amoroso. E alguns fatos marcantes da sua vida comprovam isso:
  • Foi o primeiro apóstolo a confessar Jesus como o Salvador. 
  • Explicou ao povo em Jerusalém o que tinha acontecido no evento do Pentecostes, quando o Espírito Santo chegou, dando início à vida da igreja (Atos capítulo 2, versículos 14 a 36).
  • Abriu as portas da igreja para os gentios (não judeus), conforme relato de Atos capítulo 10, versículo 44 a capítulo 11, versículo 18.

E foi recompensado por suas qualidades:
  • Jesus apareceu somente para ele, após sua ressurreição (1 Coríntios capítulo 15, versículo 5).
  • Tornou-se um dos mais importantes líderes da igreja cristã, com uma contribuição só comparável à de Paulo.

Conhecemos muitos detalhes sobre a vida de Pedro. O apóstolo nasceu em Betsaida e se chamava Simão (Simeão). Foi apelidado por Jesus de Pedro (ou Cefas, em aramaico). Era casado (Lucas capítulo 4, versículo 38) e seu pai se chamava Jonas (João), tanto assim que Jesus se referiu a ele como “Simão Barjonas” (a palavra “bar”, em hebraico, significa “filho”).

O apóstolo foi pescador no mar (lago) da Galileia, juntamente com o pai e o irmão André. Sua família trabalhava em sociedade com Zebedeu e seus filhos Tiago e João (Lucas capítulo 5, versículo 10) – é interessante perceber que todos eles, Pedro, André, Tiago e João tornaram-se apóstolos. 

Pedro morava em Cafarnaum, à beira do lago da Galileia (Lucas capítulo 4, versículo 38), quando foi chamado por Jesus para segui-lo. E daí não mais se afastou do Mestre, até sua morte e ressurreição. Depois, seguiu em frente, já como um dos líderes da igreja cristã em Jerusalém. Mais tarde mudou-se para Roma, onde morreu, segundo a tradição, crucificado de cabeça para baixo, por volta de 67-68 da nossa era. Ele foi bispo da igreja em Roma por cerca de 25 anos.

A figura de Pedro é alvo de algumas controvérsias religiosas importantes, pois os Católicos Romanos vêm nele o chefe da igreja cristã. Essa controvérsia nasce na interpretação divergente da passagem de Mateus capítulo 16, versículos 15 a 19:
E Simão Pedro, respondendo [a Jesus], disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque foi carne e sangue que te revelaram isso, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

Os Católicos Romanos leem na frase que começa com “tu és Pedro” uma “nomeação” do apóstolo como chefe da Igreja cristã. Já a interpretação dos evangélicos, que eu sigo, entende ser a tal “pedra”, sobre a qual a Igreja foi edificada, a fé de Pedro, demonstrada nos versículos anteriores, onde foi o primeiro a reconhecer Jesus como o Messias.

Por conta da frase em que Jesus disse ter dado para ele as “chaves do reino dos céu”, os Católicos Romanos entendem que ele receberá cada um(a) de nós nas portas do Paraíso. Mas isso é um erro pois a referência de Jesus é claramente alegórica - afinal o céu não tem portas. Jesus se referiu ao fato que a ação apostólica de Pedro, levando as pessoas à conversão, seria a chave para a entrada delas no céu. Só isso.   

A transformação espiritual de Pedro
O que aconteceu com Pedro – passar de pessoa comum, cheia de fraquezas, a herói da fé -, acredito, dá esperanças para todos. Se ele conseguiu fazer essa transição, eu e você também podemos - essa transformação está ao alcance de todos(as). Simples assim.

Essa transformação está relatada na Bíblia em muitos detalhes e conseguimos perceber com clareza cinco fases diferentes. E há avanços e retrocessos, comprovando que o desenvolvimento espiritual das pessoas não é linear:
  1. Foi chamado para ser discípulo e apóstolo e aceitou com entusiasmo.
  2. Discipulado ao longo de três anos de convivência diária com Jesus.
  3. Caiu quando negou a Jesus, por ter tido medo (João capítulo 20, versículo 19). E quase se perdeu.
  4. Arrependeu-se e foi recuperado pelo próprio Jesus, já depois da sua ressurreição, no episódio em que se encontraram numa praia do mar da Galileia (João capítulo 21).
  5. Chegou à maturidade espiritual. Assumiu papel de liderança na Igreja, a partir do discurso do Pentecoste. São dessa fase as inúmeras curas (Atos capítulo 5, versículos 14 e 15) e a abertura da igreja cristã para os gentios, assim como a direção da igreja em Roma – é interessante que, a partir de Atos capítulo 15, Pedro praticamente desaparece do relato bíblico.

Com carinho

sábado, 19 de setembro de 2015

EXISTEM ANJOS DA GUARDA?

... [falando de anjos] "Não são todos eles espíritos ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação?"                                    Hebreus capítulo 1, versículo 14
Anjos são mensageiros enviados por Deus para cumprir determinadas tarefas e a Bíblia está cheia de relatos sobre esses seres especiais. Ela nos conta que há muitos tipos de anjos que cumprem diferentes funções: arcanjos (anjos de maior graduação que chefiam hostes de anjos), querubins (seres celestiais que estão junto ao trono de Deus), anjos "comuns" e outros.

O texto de Hebreus acima diz que há anjos cuja missão é proteger (trabalhar a favor) daqueles que serão salvos, ou seja dos verdadeiramente convertidos. E foi a partir desse texto que nasceu a ideia do "anjo da guarda", abraçada por muitos cristãos. 

Os católicos romanos defendem a ideia que há um anjo da guarda para cada pessoa, mas o texto acima não permite tirar essa conclusão, embora não seja possível também dizer que está errada. A posição mais correta, neste caso, é reconhecer que não podemos saber com certeza.

Seja qual for a conclusão que você prefira tirar desses poucos dados, algumas coisas são claras. Por exemplo, não devemos orar ou pedir qualquer coisa para os anjos, como fazem alguns católicos romanos, pois eles são simples mensageiros que cumprem ordens. Orações e pedidos devem ser sempre dirigidos a Deus e somente a Ele.

Quando a proteção dos anjos começa na vida da pessoa salva? Desde o seu nascimento ou somente depois que ela realmente se converte? O texto não permite concluir diretamente por uma alternativa ou por outra. Mas ainda assim é possível tirar uma conclusão, com base no que conhecemos da Bíblia como um todo. 

Começo por lembrar que Deus sabe quem será (ou não) salvo(a), não porque Ele tenha determinado isso de antemão - como pensam alguns evangélicos -, mas por causa da sua onisciência. Portanto, é plenamente possível que Ele envie seus anjos para ajudar as pessoas que virão a ser salvas desde seu nascimento e antes delas se converterem. Isso para garantir que elas tenham oportunidade de aceitar Jesus. Acredito firmemente nessa possibilidade e acho que ela está de acordo com a graça de Deus que é ampla. 

Penso que essa ajuda dos anjos se faz bem presente no dia-a-dia das pessoas. Especialmente na vida das crianças, pois essas não têm condições de tomar conta de si sozinhas e seus pais, mesmo que queiram, não conseguem ficar 24 horas por dia de olho nelas.

Eu mesmo vivi duas experiências em que senti essa intervenção divina com clareza e vou relatar uma delas aqui. Tudo aconteceu quando eu tinha uns 10 anos e achava que já sabia nadar, mas de fato não sabia. E essas são as pessoas que se afogam - quem sabe que não sabe nadar, não se arrisca sem necessidade. 

Aí, "corajosamente", resolvi atravessar a nado a piscina olímpica (50 metros) do Fluminense, clube onde era sócio. E cansei no meio do caminho - lembro-me claramente da sensação estava me afogando. Nesse momento crítico, um rapaz, a quem mal conhecia, me segurou. Em meio a um monte de gente que estava na piscina, que é enorme, o rapaz ficou me observando e percebeu minha dificuldade. E ele me salvou.

Senti claramente a mão de Deus ali. Se eu tivesse me afogado, a culpa teria sido minha e dos adultos que me acompanhavam, por não term me cuidado como deveriam. Mas acho que Deus tinha planos para mim e não permitiu que isso acontecesse.

Já ouvi histórias parecidas de muitas pessoas e tenho certeza absoluta que anjos nos ajudam e protegem em determinados momentos. Nós é que podemos não perceber.

E encerro, lembrando de uma história que aconteceu com Eliseu, quando sua casa foi cercada pelas tropas do rei da Síria, que estava incomodado com o fato desse profeta sempre antecipar seus planos para o rei de Israel. O criado de Eliseu ficou apavorado, quando viu as tropas sírias, enquanto o profeta se manteve calmo. E Eliseu pediu a Deus que "abrisse" os olhos do rapaz e o moço conseguiu ver uma enorme hoste de anjos e "carros de fogo" em torno da casa do profeta para protegê-los (2 Reis capítulo 6, versículos 1 a 17). É isso aí.

Com carinho  

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

AS CRENÇAS MÍNIMAS DE UM CRISTÃO

Há doutrinas que são fundamentais para o cristianismo. Ninguém pode se "auto-intitular" cristão(ã) sem aceitá-las integralmente. O melhor exemplo de uma delas é a crença que Jesus é o Salvador do ser humano. 

Esse conjunto de doutrinas constitui o "cerne" do cristianismo. Agora, existem outras doutrinas que também fazem parte do conjunto de crenças da maioria dos(as) cristãos(ãs), mas que podem ser ou não aceitas pela pessoa e ainda assim ela continuará a ser qualificada como seguidora de Cristo. Um bom exemplo é a forma como o batismo deve ser conduzido (aspersão, derramamento ou imersão em água) - as denominações cristãs usam diferentes umas das outras e algumas (como os metodistas) chegam a praticar as três formas de batismo.

Essas doutrinas, que aqui vou denominar de complementares, na prática simplesmente vão caracterizar, de acordo com quem as segue ou não, os diferentes grupos (denominações) existentes dentro do universo do cristianismo. É por conta dessas crenças complementares que a pessoa é rotulada como presbiteriana, assembleísta, metodista, batista, católica romana, etc

As doutrinas essenciais do cristianismo
Acredito que as doutrinas essenciais do cristianismo estão resumidas nos nove pontos abaixo:
  1. Deus Pai é um ser com vontade própria, inteligente, onipotente e onisciente, que criou tudo o que há a partir do nada.
  2. Jesus Cristo é o único Filho de Deus, tendo a mesma natureza de Deus Pai.
  3. O Espírito Santo, "o Deus que habita em nós", é a terceira pessoa da Trindade Santa.
  4. O Filho se fez humano, por ação do Espírito Santo, e nasceu de uma virgem, Maria. Viveu entre nós, sem pecado algum. Foi morto na cruz e sepultado. Ressurgiu dentre os mortos, ao terceiro dia, por ação do Espirito Santo, e foi para junto do Pai.
  5. Jesus é o único Salvador do ser humano: sua morte ocorreu para que todos aqueles que n´Ele creem tenham seus pecados perdoados mediante a Graça de Deus.
  6. Jesus vai voltar, no final dos tempos, quando os seres humanos já mortos vão ressurgir, em corpos novos, diferentes daqueles que tiveram em vida. Os que estiverem vivos também terão seus corpos igualmente transformados. 
  7. Todos os seres humanos serão julgados e apenas aqueles que tiveram seus pecados perdoados (item 5) terão acesso à Vida Eterna. 
  8. A igreja cristã foi instituída por Jesus e sua missão é pregar o Evangelho de Cristo e implantar o Reino de Deus aqui na terra. 
  9. A Bíblia é a revelação de Deus para o ser humano, onde todas essas coisas são contadas.
Agora, analise todas essas doutrinas com calma. Se você crer nelas, sem dúvida é um(a) cristão. Se tiver dúvida sobre o que significam, consulte outros posts no blog, pois já escrevi aqui sobre cada uma, em alguns casos, mais de uma vez. Você também pode me enviar alguma pergunta, caso a dúvida persista, que eu vou responder. 

Com carinho

terça-feira, 15 de setembro de 2015

O PODER DA ORAÇÃO

Confesso que não tenho falado muito sobre oração aqui no blog. Não porque o assunto careça de importância - oração é fundamental para a vida espiritual de qualquer pessoa. Trata-se de uma falha minha, na escolha dos assuntos a serem tratados aqui e que pretendo começar a corrigir com este post.

A oração é tão importante que chega a ser uma ordenança: em Mateus capítulo 26, versículo 41, Jesus nos manda vigiar e orar para não cair em tentação; já em 1 Tessalonicense capítulo 5, versículo 17, o apóstolo Paulo nos pediu para orar sem cessar.

Por isso o exemplo que encontramos na Bíblia é o da oração contínua. Jesus orou muito – ele se retirava para locais ermos para orar por muitas horas e até ensinou os discípulos a orar (Mateus capítulo 6, versículos 9 a 13). O mesmo pode ser dito de Pedro e dos demais apóstolos. Os primeiros cristãos também oravam muito (Atos capítulo 2, versículo 42). E até o Espírito Santo ora, intercedendo por nós com gemidos impressionantes (Romanos, capítulo 8, versículo 26).

Mas o que é a oração? A resposta é simples: trata-se de uma forma de comunicação com Deus. Orar é falar com Deus, abrir o coração e conversar com Ele. Essa não é a única forma de comunicação com Ele possível, existem outras, como o louvor.

Motivos para orar
Há inúmeros motivos pelos quais orar: 
  • Pedir socorro: o livro dos Salmos está cheio de orações assim (p. ex. 86, versículos 1 a 8). Até Jesus orou para pedir socorro (Lucas capítulo 22, versículos 41 a 44).
  • Adorar e agradecer a Deus (Filipenses capítulo 4, versículo 6)
  • Confessar pecados e mostrar arrependimento (Salmo 51)
  • Interceder por terceiros (João capítulo 42, versículo 10)
  • Afastar tentações

Como orar
Não é necessário usar palavras bonitas para fazer uma oração que seja atendida por Deus. Falo isso porque é muito frequente encontrar pessoas que se recusam a orar em público por acharem que não sabem como convém. Não há uma “receita” certa do que dizer nessas situações e também não é verdade que Deus só atende as orações bonitas, eloquentes. Nada disso. O que Deus espera é sinceridade de coração e demonstração de confiança (fé).

É claro que há coisas que precisam ser evitadas nas orações. Por exemplo, decorar um texto e ficar repetindo-o sem nem saber bem o que se está fazendo. Esse, por exemplo, é um costume muito comum entre os católicos, quando fazem novenas, usando o rosário. Jesus chamou isso de fazer “vãs repetições” (Mateus capítulo 6, versículo 7) e condenou tal procedimento.

A oração deve sempre ser feita em nome de Jesus (João capítulo 15, versículo 16), pois esse nome tem poder. A palavra “amem”, que quer dizer “assim seja”, sempre usada para encerrar as orações, não é obrigatória. Não vejo qualquer problema quando isso não é feito, mas eu acho a prática muito útil, pois deixa claro, quando se ora em público, que a oração acabou, evitando mal-entendidos.

A oração pode ter seu efeito potencializado com jejum (Mateus capítulo 17, versículos 18 a 21).

A prática de fechar os olhos não é obrigatória, mas também é muito útil, pois evita que as pessoas se distraiam – eu, por exemplo, não consigo prestar atenção na oração se não fechar os olhos.

Podemos orar em diversas posições – é muito comum, por exemplo, as pessoas orarem deitadas – e nada há de errado nisso. Agora, é preciso sempre manter a reverência, pois a pessoa está falando com Deus.

Um problema comum no ato de orar é a interrupção. O telefone toca, o filho entra no quarto, o marido chama e assim por diante. O ideal é orar em local e horário em que não se possa ser interrompido. Mas isso nem sempre é possível conseguir.

Então, se você for interrompido, lembre-se sempre que está falando com Deus e Ele é prioridade. Para ajudar você a entender a situação, imagine que você está falando com a pessoa mais importante do mundo – um rei ou presidente – e seja interrompido. Como agiria? Deixaria o rei ou presidente esperando e iria atender o filho ou marido ou o telefone que tocou? E nunca devemos esquecer que Deus é muito mais importante do que qualquer rei ou presidente.

Resultados da oração
O poder da oração é tão grande que gera tremores de terra, como aconteceu com os primeiros cristãos (Atos, capítulo 4, versículo 31). Isto significa que a oração pode gerar resultados físicos (concretos) – não estou falando, portanto, apenas de consequências espirituais.

Há muitos exemplos de resultados trazidos por oração. São curas, bênçãos diversas alcançadas, mudanças de vida e assim por diante. A Bíblia está cheia de relatos falando disso. Por exemplo, em 2 Reis capítulo 20, versículos 1 a 6, é contada a história do rei Ezequias, que recebeu uma mensagem de Deus sobre sua morte iminente. O rei se humilhou perante Deus e orou pedindo livramento. Seu pedido foi atendido - o profeta que dera o aviso ao rei, Isaías, foi mandado de volta ao rei com nova mensagem: sua vida seria acrescida em quinze anos. E é fácil ver o mesmo tipo de resultado na convivência diária dentro de qualquer comunidade cristã.

Especificamente no campo espiritual, o contato constante com Deus, através da oração, evita que a pessoa caia em tentação, isso é em armadilhas colocadas no seu caminho pelo Inimigo e que poderiam levá-la a desvios de conduta (pecados).

Palavras finais
Ore sempre que puder. Da forma que conseguir. Com as palavras que souber dizer. Quanto mais você puder fazer isso, melhor.

Com carinho

domingo, 13 de setembro de 2015

AS PARÁBOLAS DO REINO DE DEUS

Jesus usou muitas parábolas – pequenas estórias que simbolizam determinadas verdades – nas suas pregações. As parábolas de Jesus cobrem os mais diversos assuntos e variam muito no tamanho e complexidade.

Ele falava sobre o mesmo tema em diferentes momentos e lugares, contando parábolas diferentes. Mas a mensagem de fundo era a mesma. Por causa disso, as suas parábolas podem ser agrupadas por assunto -  p. exe. Salvação e Reino de Deus – que é a melhor forma de estudá-las, pois uma estória ajuda a explicar e iluminar a outra.

O Reino de Deus foi um dos assuntos preferidos de Jesus. E o que é isso? O Reino de Deus é todo local e/ou circunstância onde a vontade d´Ele é feita. Simples assim. Isso está bem claro na oração do Pai Nosso, onde Jesus nos ensinou a pedir: “...venha a nós o teu Reino e seja feita sua vontade assim na terra como nos céus...” (Mateus capítulo 6, versículo 10). Em outras palavras, Jesus devemos pedir que o Reino de Deus se faça presente nas nossas vidas, e quando isso acontecer, sua vontade será feita aqui na terra da mesma forma como já é feita nos céus.

A Bíblia relata no livro de Atos dos Apóstolos (capítulo 2) a chegada do Reino de Deus, a partir da descida do Espírito Santo durante a festa de Pentecostes. O mesmo evento também marcou o início da Igreja Cristã. Assim, é possível dizer que a história da Igreja relata a implantação do Reino de Deus na terra.

Há pelo menos oito parábolas de Jesus onde Ele tratou do Reino de Deus:
  • A semente, contada aos discípulos (Marcos capítulo 4, versículos 26 a 29)
  • O semeador, contada a uma multidão (Mateus capítulo 13, versículos 3 a 9)
  • O joio e o trigo, contada a uma multidão (Mateus capítulo 13, versículos 24 a 30)
  • A rede, contada aos discípulos (Mateus capítulo 13, versículos 47 a 50)
  • O grão de mostarda, contada a uma multidão (Mateus capítulo 13, versículos 31 e 32)
  • O fermento, contada a uma multidão (Mateus capítulo 13, versículo 33)
  • O juiz iníquo, contada aos fariseus (Lucas capítulo 18, versículos 2 a 8)
  • O amigo que pede ajuda, contada aos discípulos (Lucas capítulo 11, versículos 5 a 10)

Nas suas parábolas, Jesus deixou claro que embora o Reino de Deus tenha chegado com a descida do Espírito Santo e venha frutificando ao longo da história humana, somente vai alcançar sua plenitude no final dos tempos, depois do julgamento final, quando todos os salvos estarão enfim reunidos. Por isso várias parábolas desse grupo temático apontam para o juízo final.

Vamos ver em algum detalhe o que cada uma dessas oito parábolas diz:

1. A definição do Reino de Deus (parábola da semente)
Jesus usou uma imagem rural – o agricultor que lança uma semente na terra e espera o crescimento da planta – para descrever como é o Reino de Deus.

A semente é a Palavra, logo o semeador é aquele(a) que prega o Evangelho de Jesus. O crescimento da planta é desenvolvimento da fé nos corações das pessoas e sua mudança de vida, gerando crescimento do Reino aqui na terra. A colheita tanto é o resultado que essas pessoas convertidas geram na sociedade onde vivem, fruto das suas boas obras, como também o resultado a ser obtido por Deus no final dos tempos.

Para a planta frutificar, a semente precisa ser enterrada e morrer. É exatamente a mesma coisa simbolizada no batismo: a velha natureza humana, dominada pelo pecado, morre e “nasce” uma nova pessoa, em Jesus Cristo.

E ao agricultor, uma vez feita a semeadura, só resta aguardar as plantas germinarem. Isso quer dizer que o(a) pregador(a) deve passar a mensagem para as pessoas, mas a conversão não é obra dele(a) e sim do Espírito Santo.

Jesus contou essa parábola porque seus discípulos lhe cobravam ação mais concreta porque tinham a ideia errada que o Messias seria como Moisés, cabendo-lhe libertar fisicamente o povo judeu da opressão do Império Romana. Jesus veio sim libertar seu povo, mas da escravidão do pecado – seu Reino era espiritual e não material.

Essa parábola procura passar confiança para os(as) ouvintes: o resultado final (a colheita) virá, sem dúvida, uma vez que a semeadura tenha sido feita. Tudo sempre irá ocorrer de acordo com os planos de Deus.
  
2.  A chegada do Reino (parábola do semeador)
As técnicas usadas para semear hoje em dia são muito diferentes e mais eficazes do que as de 2.000 anos atrás. Hoje, o agricultor estuda previamente o solo onde vai plantar para ver onde as sementes devem ser jogadas. Mas época de Jesus, o semeador saia a semear e jogava as sementes por onde ia passando. Assim, elas caiam em todo tipo de solo. Quando caiam em solo ruim, as plantas não germinavam ou logo morriam, quando eram lançadas em solo bom, aí sim produziam bom resultado.

Lembrando que a semente é a Palavra de Deus e a planta que cresce são as pessoas que se convertem e passam a andar nos caminhos de d´Ele, a semeadura em solo ruim representa as pessoas não receptivas à mensagem do Evangelho – com elas nenhum resultado é gerado. Resultado diferente acontece quando a pregação é feita para pessoas receptivas ao Evangelho. E essa diferença no resultado é normal pois as pessoas têm livre arbítrio.

Essa parábola foi usada por Jesus para tirar dúvidas quanto ao resultado do seu ministério. Nem sempre as pessoas se convertiam (Mateus capítulo 6, versículo 5). Muitas vezes havia descrença (João capítulo 6, versículo 60) e até inimizades foram geradas (Marcos capítulo 3, versículo 6).

3. A consolidação do Reino (parábolas do fermento e do grão de mostarda)
Essas parábolas responderam uma pergunta importante: será que as pessoas que Jesus convertia – pescadores, prostitutas, camponeses pobres, dentre outras – poderiam consolidar o Reino de Deus? Ou seria preciso pregar para as elites econômicas e religiosa?

A parábola do fermento enfatiza o poder transformador da Palavra de Deus: uma pequena quantidade de fermento leveda toda a massa (símbolo do povo, como em Romanos capítulo 11, versículo 6). 

Já a parábola da mostarda fala de uma semente muito pequena que cresce até virar uma enorme árvore. O ensinamento aí é que o potencial de crescimento do Reino é gigantesco: poucas pessoas, mesmo as mais simples, dedicadas realmente a difundir a palavra podem causar um enorme impacto na sociedade. E foi exatamente isso que aconteceu na história do cristianismo.

4. Os perigos para o Reino (parábolas do joio/trigo e da rede)
Uma plantação que mistura trigo (planta boa) e joio (ruim) corre risco E como o joio venenoso é muito parecido com o trigo em grão, quando as plantas são pequenas, é difícil destruir as plantas ruins, sem danificar as boas. Daí, passa a ser necessário deixar as plantas crescerem para poder separar o joio do trigo.

O joio é o(a) cristão(ã) não sincero e o trigo o(a) cristão(ã) verdadeiro(a). E olhadas de fora, eles(as) podem ser muito parecidos(as). Ambos(a) podem frequentar a mesma igreja e participar das mesmas cerimônias, comportando-se nelas de forma muito semelhante.  Assim, a comunidade cristã nunca vai conseguir diferenciar bem um caso do outro - se tentar, vai errar e cometer injustiças. Somente Deus, que conhece o interior das pessoas, consegue fazer isso.

O Inimigo (Diabo) somente semeou o joio (a mensagem ruim) porque quem devia cuidar da plantação estava dormindo. Em outras palavras, o pastor do rebanho bobeou e deu margem à ação do Inimigo que fez um estrago na plantação.

E será preciso ter paciência - deixar as plantas crescerem – para poder separar a coisa boa da ruim. Perceba também que o joio é poupado por causa do trigo. Ou seja, o lavrador poderia atear fogo à plantação e acabar com o joio, antes mesmo das plantas crescerem, mas aí mataria também as plantas boas. E por causa do trigo, dos(as) cristãos(ãs) sinceros(as) que Deus tem paciência com as plantas ruins.

Jesus sabia que o joio se encontra em todo lugar – mesmo sua pequena comunidade de discípulos não era homogênea na sua sinceridade (Mateus capítulo 7, versículos 21 a 23). Basta lembrar que quando a parábola foi contada, Judas Iscariotes ainda fazia parte do grupo de apóstolos.

A parábola da rede trata do mesmo tema, mas a imagem usada é outra – uma rede cheia de peixes. O mar (lago) da Galiléia tinha 24 espécies de peixes, sendo que várias delas não podiam ser comidas pelos judeus (Levítico capítulo 11, versículo 10).  Assim, o pescador lançava a rede e arrastava para a margem tudo que conseguia pegar. Somente quando chegava ali conseguia identificar os peixes que lhe interessavam.

Os peixes ruins têm o mesmo papel do joio e os bons do trigo. A separação dentre os peixes na margem é como a separação das plantas na colheita. Trata-se do mesmo ensinamento.
  
5. Por que podemos confiar? (parábolas do juiz iníquo e do amigo que pede ajuda)
Na parábola do juiz iníquo, é contada a estória de uma viúva que procurou por um juiz incansavelmente, pedindo-lhe que julgasse sua causa – como ela se dirigia ao juiz e não ao tribunal devia ser um assunto de dinheiro, segundo os costumes da época. A viúva era pobre e não tinha como dar “presentes” para acelerar seu processo, assim só lhe restava incomodar o juiz. E ele só julgou a causa logo para ficar livre da amolação.

Deus é o juiz e a mola que move sua ação é a perseverança da pessoa, provocada pela confiança (fé) n´Ele. Essa parábola foi dirigida a alguns discípulos que ficaram angustiados quando Jesus começou a contar sobre os sofrimentos pelos quais haveria de passar. A discussão entre os discípulos era sobre quem conseguiria se manter firme, daí o ensinamento sobre a perseverança

A outra parábola fala de um amigo que pede ajuda, já tarde da noite, quando todos estavam deitados, porque tinha necessidade real e imediata. Ora, naquela época, a família dormia toda junta, num único cômodo, e atender o amigo que solicitava ajuda significava acordar a todos, inclusive as crianças pequenas, o que era um grande incômodo. Mas ainda assim a ajuda foi fornecida.

O ensinamento, neste caso, está no final da parábola (Lucas capítulo 11, versículos 9 e 10):  quem pede, recebe; quem bate tem a porta aberta. Ao que pede, Deus dá.

Com carinho