quinta-feira, 27 de novembro de 2014

EU TENHO UM SONHO...

Eu tenho o sonho que meus quatro filhos pequenos um dia irão viver numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele mas pelo conteúdo do seu caráter…
Rev. Martin Luther King, em 28/08/1963, no discurso mais importante discurso da história recente dos Estados Unidos.

O Rev. King sempre sonhou com o fim do racismo no seu país, mesmo quando, no sul dos Estados Unidos, os negros ainda eram massacrados por organizações de homens mascarados. E, apenas com a força desse sonho, ele conseguiu angariar apoio político para mudar as leis que discriminavam os negros naquele país. 

Um sonho parecido teve o Mahatma Ghandi, quando lutou para libertar, também de forma pacífca, a Índia do jugo colonial. John Wilberforce também sonhou e liderou a luta para abolição da escravidão na Inglaterra. 

Sonhos são coisas importantes e é preciso manter a capacidade de sonhar, mesmo quando há obstáculos pela frente. Afinal, os sonhos são tão necessários como o ar que se respira. 

É preciso não perder a esperança. Nunca. Foi isso que o apóstolo Paulo ensinou em sua primeira carta aos Coríntios (capítulo 13, versículo 13). 

E Deus se dispõe a apoiar seus filhos(as) a superar as dificuldades ou a encontrar novos sonhos que venham a dar sentido às suas vidas. Lembro bem do depoimento que um homem deu durante uma aula de Escola Dominical que eu estava dirigindo. Esse homem, hoje um pastor Metodista, teve seus sonhos achatados em 2000 por um problema de saúde, que quase o tornou um paralítico, e pela morte trágica de sua filha. Mas o Espírito Santo o conduziu amorosamente em nova direção e restaurou sua vida, fazendo-o encontrar novo sentido para viver, dentro do pastorado. 

O apoio de Deus para a realização dos sonhos é fundamental. Sem isso, tudo se torna mais difícil. Mas só é possível contar com esse apoio quando o sonho for adequado, o certo para a vida daquela pessoa. Se a pessoa resolver sonhar uma coisa que pensa ser boa, mas que Deus sabe não ser adequada, Ele não vai se envolver. Não pode se envolver.

Mas como saber se um sonho é aprovado por Deus? A resposta é simples: perguntando para Ele. E o meio mais simples e direto para fazer isso é através da oração. Algumas vezes Deus também vai falar através de profecias. 

Pergunte e pode ter certeza que Deus irá responder. E se a confirmação vier, nunca perca a esperança, não importa o que venha a acontecer, pois nada poderá impedir a realização daquele sonho.

Que você, assim como o Rev. King, sempre possa dizer: “eu tenho um sonho e ele me alegra a alma”.

Com carinho

terça-feira, 25 de novembro de 2014

OS NOVE QUE NÃO VOLTARAM PARA AGRADECER

Por favor, leia este mesmo post no meu novo site http://www.sercristao.org/2014/11/25/os-nove-que-nao-voltaram-para-agradecer/ . 

Em dois dias vamos comemorar o dia mundial de Ação de Graças, tempo reservado para que todos lembrem do muito que Deus fez e faz todos os dias (veja mais).

Agora, por que é necessário reservar um dia para essa finalidade? A razão é simples: as pessoas, se deixadas por conta própria, não se mostram suficientemente gratas a Deus. É por isso que se torna necessário lembrá-las sempre desse dever. Daí haver um dia reservado para Ações de Graças.

Os 10 leprosos 
Na própria Bíblia há vários exemplos de falta de gratidão. Vejamos um caso que aconteceu com o próprio Jesus. Certa vez, Jesus ia passando e ouviu o chamado desesperado de dez leprosos. Naquela época, eram considerados leprosos todos os que sofriam de uma doença de pele grave como, por exemplo, a psoríase. Não era preciso ser portador da doença hoje chamada de hanseníase para ser estigmatizado como "leproso". 

Os leprosos viviam segregados do convívio social por causa do medo de contágio e eram sustentados, de forma precária, pela caridade pública. Levavam uma vida terrível - quem quiser ter uma percepção mais concreta de como era essa situação na prática, assista o filme clássico "Ben-Hur", onde o herói entra numa caverna habitada por leprosos em busca da mãe e da irmã.  

Portanto, os dez homens que apelaram para a misericórdia de Jesus viviam uma situação desesperadora. E Ele atendeu o pedido e curou aqueles homens. Depois, Jesus disse para que os dez se apresentassem aos sacerdotes, a quem, segundo a Lei Mosaica, cabia atestar a cura - sem esse atestado, os homens continuariam a ser considerados impuros. Os homens fizeram isso e tiveram sua cura confirmada (Lucas capítulo 17, versículos 11 a 19).

De forma surpreendente, apenas um deles voltou até Jesus para agradecer a benção recebida. E somente para o que voltou Jesus reservou o prêmio maior: o perdão dos pecados (versículo 19). Os outros nove ganharam a cura física e perderam a oportunidade de ganhar muito mais.

Realmente surpreende esse nível de ingratidão. Vários foram beneficiados, mas apenas um deu Graças a Deus pela benção recebida. E, posso dar o testemunho, que já vi isso acontecer muitas vezes - essa continua a ser uma realidade hoje em dia.

O caso de Maria
Maria, mãe de Jesus, dá exemplo totalmente diferente, confirmando que era mesmo uma mulher especial. Ela engravidou por obra do Espírito Santo, mesmo sendo virgem, e recebeu essa informação do anjo Gabriel. Ela sabia que iria passar por grande desgaste social, ao aparecer grávida, pois estava noiva de José e o filho não era dele.

Apesar de ser uma menina de apenas quatorze ou quinze anos, ainda assim ela teve fé que a ação de Deus na vida dela iria ser uma coisa boa. E, por conta dessa fé inquebrantável, derramou-se em agradecimentos a Deus, num cântico lindo, conhecido como "Magnificat" (Lucas capítulo 1, versículos 46 a 55).


Que contraste com os nove leprosos! Maria agradeceu o que ainda nem tinha visto, enquanto aqueles nove homens receberam a benção e não se deram ao trabalho de olhar para trás. É por isso que Maria é hoje uma das pessoas mais reconhecidas da história, enquanto aqueles homens servem apenas como exemplo do que não devemos fazer.


Palavras finais
Deus se agrada muito de um coração agradecido. Procure não se esquecer disso. E a quinta feira próxima será um momento especialmente reservado para essa tarefa.

Mas não devemos mostrar gratidão apenas nessa data. Gratidão precisa se tornar um estilo de vida para o cristão. E esse é um desafio diário.

Graças a Deus por tudo que Ele tem feito e ainda fará por nós! 

Com carinho

domingo, 23 de novembro de 2014

ALMA E ESPÍRITO

Acho que todos concordam que o ser humano é feito de uma parte material, o corpo, e outra imaterial, onde são produzidas as emoções, o raciocínio lógico, etc. Mas as concordâncias acabam por aí. 

Os materialistas pensam que essas duas partes formam um conjunto e, quando a pessoa morre, tudo se acaba. A parte imaterial - a mente - seria apenas uma função do cérebro e os pensamentos seriam nada mais do que o produto de reações químicas que nele ocorrem, algo semelhante, por exemplo, ao que acontece com o estômago durante a digestão. 

Já os cristãos pensam que as duas partes, embora trabalhem em harmonia, são coisas separadas. E é exatamente por isso que é possível falar em ressurreição num novo corpo, conforme aconteceu com Jesus e vai acontecer com todos no final dos tempos - a parte imaterial será preservada e agregada a um novo corpo.

Mas mesmo no meio cristão há diferenças quanto ao entendimento do que essa parte imaterial realmente é. Alguns acreditam que ela é constituída de duas coisas diferentes: alma e espírito (1 Tessalonicenses capítulo 5, versículo 23). Na alma seriam registrados os pensamentos e as emoções. Enquanto o espírito seria a parte que vem de Deus, a sede da vida (Gênesis capítulo 2, versículo 7). Por isso o espírito não morre. 

Mas há quem pense de forma diferente. Por exemplo, o livro do Apocalipse capítulo 6, versículo 9, mostra o apóstolo João tendo uma visão onde lhe foram mostradas as almas dos mártires da fé junto a Deus, aguardando sua ressurreição no final dos tempos. O que, no modelo da separação entre alma e espírito, não seria possível - os espíritos das pessoas é que deveriam estar junto a Deus e não suas almas. 

Outro problema com a divisão entre alma e espírito aparece quando se discute a individualidade do ser humano. Seria ela repartida entre essas duas partes? Como essa divisão seria feita? Quando alma e espírito começariam a trabalhar juntos? Seria na concepção? 

É por causa disso que muitos cristãos defendem que não há separação real entre alma e espírito. Quando a Bíblia fala nessas duas coisas estaria, na verdade, descrevendo duas funções diferentes da nossa parte imaterial. A alma se referiria à função que tem a ver com nosso relacionamento com o mundo físico, incluindo as outras pessoas e daí vem as emoções, o raciocínio lógico, a memória, etc. A outra função, chamada de espírito, se refere ao relacionamento do ser humano com Deus, o que dá origem à fé, ao louvor, etc. 

E, por causa disso, a Bíblia usa as palavras de forma meio livre - em alguns momentos, usa as duas palavras para descrever a a parte imaterial do ser humano, enquanto, outras vezes, se limita a uma única palavra, dependendo da função descrita.

Mas ainda assim alma e espírito seriam uma coisa só, a parte imaterial do ser humano, o que garante sua individualidade. Essa parte não morre e será juntada ao novo corpo, no final dos tempos.  

Qual é a sua impressão a respeito?

Com carinho

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

AUTO-ENGANO

Auto-engano é o processo pelo qual as pessoas se iludem quanto ao que fazem e/ou quem são de fato. Todo mundo se auto-engana, de uma forma ou de outra e isso é da ordem natural das coisas. 

O processo mental que leva as pessoas ao auto-engano tem tanto um lado bom - que pode até ser considerado imprescindível para a sanidade mental das pessoas - como também uma face ruim. É o que vou discutir a seguir.

O lado bom
O auto-engano é uma forma de auto-proteção. As pessoas usam esse "mecanismo" para fugirem de coisas difíceis que não querem ou não conseguem enfrentar. E um excelente exemplo é a morte - as pessoas não conseguem pensar nessa realidade inevitável pois provavelmente ficariam deprimidas. Assim, elas se auto-enganam e vivem como se a morte não fosse uma certeza - até fazem piada sobre ela. 

O auto-engano também faz com que as pessoas acreditem serem capazes de fazer coisas que normalmente não estariam ao seu alcance. E, assim, algumas vezes acabam por praticar verdadeiras proezas. Por exemplo, em novembro de 2007, no município de Palmeiras, SC, o menino Riquelme dos Santos, de cinco anos, vestindo uma fantasia do Homem Aranha e se sentindo um super-herói, resgatou um bebê de dez meses de dentro de uma casa em chamas.

O lado ruim

Há diversas situações em que o auto-engano se torna prejudicial. E há muitas ramificações desse lado ruim mas vou me concentrar naquelas relacionadas com a vida espiritual das pessoas. 

A primeira situação ruim aparece quando as pessoas erram muito na avaliação que fazem de si mesmas - pensam ser muito melhores do que são. Na verdade, todo mundo tem uma avaliação de si mesmo melhor do que a realidade e normalmente isso não traz grandes consequências. 

Por exemplo, uma pesquisa do jornal "O Globo", de março de 2008, pediu aos entrevistados que dessem uma nota para si mesmos no quesito “respeito aos direitos humanos”. Em seguida, foi pedido que as pessoas dessem uma nota para o “brasileiro médio”. Ora, a média das notas dadas pelas pessoas para si mesmas deveria se aproximar da média das notas dadas por elas ao “brasileiro médio”. Mas, como as pessoas pensam ser melhores do que verdadeiramente são, 60% dos entrevistados(as) deram para si mesmos(as) notas entre 9 e 10. E apenas 17% dos entrevistados atribuíram a mesma nota para o “brasileiro médio”.

Agora, quando há muita diferença entre a percepção que a pessoa tem de si mesma e a realidade, aparece um grande problema. A pessoa deixa de ter consciência dos seus próprios pecados - pensa que não faz nada de muito errado. Portanto, não tem porque temer desagradar a Deus. 

Para quem pensa assim - e é muita gente mesmo - salvação não faz sentido. Não é necessária. Assim, quando essa pessoa ouve falar de Jesus, não se deixa impressionar. E esse é um risco muito sério. 

Outra faceta ruim do auto-engano aparece quando as pessoas criam certezas que não deveriam ter. Por exemplo, esse é o caso do fanático religioso que pensa conhecer melhor do que ninguém a verdadeira “vontade” de Deus. 

E como a vontade de Deus deve prevalecer, essa pessoa pensa estar justificada ao empregar qualquer meio, até a violência, para conseguir isso. Um bom exemplo se deu com o apóstolo Paulo, antes dele se converter ao cristianismo. Ele foi um dos líderes de uma terrível perseguição movida aos cristãos, que resultou na morte de diversas pessoas. Paulo agiu dessa forma por entender que os cristãos representavam perigo para a fé verdadeira por serem hereges. 

Outra situação preocupante acontece quando as pessoas atribuem poder a coisas que não têm essa condição. Por exemplo, há quem acredite em simpatias para trazer boa sorte ou siga rigorosamente o que diz seu horóscopo. Conheço um homem que, para trazer sorte, sempre passa seu aniversário no local estabelecido pelo seu astrólogo e assim, a cada ano, viaja para um país diferente. 

No meio cristão, é muito frequente o uso de coisas como relíquias de pessoas consideradas santas, água do rio Jordão, solo da Terra Santa e assim por diante. De alguma forma as pessoas pensam que esse tipo de coisa lhes permite canalizar poder de Deus para alguma finalidade específica.  

Finalmente, ainda gostaria de citar a situação em que as pessoas se auto-enganam criando desculpas para acalmar suas próprias consciências. Convencem a si mesmas que ao cair numa certa tentação, fazendo isso ou aquilo, não causaram tanto mal assim. E assim vão procedendo até que fazem algo de que virão a se arrepender muito, mas aí o mal já está feito. 

Acho que esses exemplos são suficientes para mostrar quão perigoso o auto-engano pode ser na vida das pessoas. 

A luta contra o auto-engano
Essa é uma luta difícil. É um exercício diário. E sem a ajuda do Espírito Santo não é possível vencer. A derrota é certa.

O Espírito Santo é quem nos acompanha a cada momento das nossas vidas e fala às nossas mentes toda vez que nos desviamos do caminho certo - é como uma pequena "voz" que fica nos incomodando. Na estória "Pinocchio", que virou um desenho muito famoso da Disney, essa voz é representada por um grilo falante que incomoda o boneco quando ele está por fazer algo errado.  

Mas para que o Espírito Santo esteja ao nosso lado nessa luta diária precisamos ter intimidade com Deus. Precisamos de uma relação sólida com Ele e falei sobre como fazer isso em outro post (veja mais).

Com carinho

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

REINTERPRETANDO O SOFRIMENTO

Uma mãe foi apresentar suas três filhas para uma visita. Apontou para a mais velha e disse: “essa é a minha filha mais feinha”. Essa história aconteceu cerca de 70 anos atrás e me foi contada, com lágrimas nos olhos, pela própria filha “mais feinha”. A filha nunca esqueceu - interpretou a declaração da mãe como uma rejeição, mesmo que essa não tenha sido a intenção original da mãe. 

Na verdade, os fatos que ocorrem na vida de cada pessoa acabam por ter o significado que ela lhes atribui. Um mesmo fato pode ter significado positivo para uma pessoa e negativo para outra. 

Como o significado vem da interpretação que cada pessoa dá aos fatos, é possível mudar o significado, por exemplo, tornando uma coisa ruim em algo bom, reinterpretando os fatos. E o cristão é ensinado a fazer exatamente isso. 

Vou tentar explicar isso melhor através de um exemplo, muito conhecido, que aconteceu com o próprio Jesus exatamente na noite em que foi preso. Ele sabia o que estava para acontecer e certamente sofreu a expectativa do sofrimento que estava por vir - a Bíblia chega a dizer que Ele suou sangue por conta da enorme tensão. Jesus aproveitou as últimas horas que tinha para comemorar a Páscoa dos judeus, participando de uma ceia em “família” (seus discípulos mais próximos). 

Para Jesus, aquela comemoração foi uma despedida da sua vida terrena e o início de um período de muitas dores. Durante a ceia, Jesus tomou o pão e o partiu e disse que aquilo era seu corpo, entregue ao martírio para salvação dos seres humanos. Depois tomou o vinho e disse que aquilo era seu sangue, a ser derramado por todos nós. E mandou que os discípulos continuassem a fazer o mesmo tipo de cerimônia em memória do seu sacrifício - foi instituída ali o sacramento da Santa Ceia (Marcos capítulo 14, versículos 22 a 26). 

A reinterpretação dos fatos feita por Jesus transformou um evento profundamente triste, num motivo de esperança para todos os seres humanos. E como Jesus conseguiu fazer isso? Olhando além dos fatos humanos - a abordagem humana somente conseguiria ver medo e tristeza. 

Quando Jesus colocou Deus na equação, o significado mudou. Haveria sofrimento sim, mas o sacrifício de Jesus iria abrir as portas da salvação para todos os seres humanos. O sofrimento de Jesus deixou de ser motivo de angústia e tristeza para se tornar no motivo de esperança. E foi isso que deu motivação aos discípulos para enfrentar todas as dificuldades que estavam por vir e pregar o Evangelho de Jesus a todos que viram pela frente.

Jesus ensinou que é preciso olhar para os fatos, especialmente aqueles que trazem sofrimento, buscando ver neles "as impressões digitais" de Deus. Sei que isso é muito difícil, especialmente quando o sofrimento é grande, mas quem consegue fazer isso tem sua vida inteiramente transformada.  

Trata-se de sempre tentar entender as coisas olhando para elas sob o ponto de vista de Deus. Já dei o exemplo do próprio Jesus, transformando seu sofrimento numa celebração periódica do plano da salvação de Deus. Um outro exemplo, esse relacionado com uma coisa boa, pode ser útil nessa discussão. 

Imagine que você recebeu uma promoção no emprego. É claro que isso é motivo de alegria e de realização pessoal - essa é a visão humana. Mas tente entender também o que Deus está mostrando para você a partir desse fato. Será que faz sentido pensar que Deus esteja esperando apenas que você passe a consumir mais, por ter mais dinheiro? Ou espera mais de você? 

Essa outra reflexão traz Deus para o centro da discussão e certamente vai levar você a conclusões bem distintas daquelas que chegaria se pensasse apenas no benefício material de um salário maior.

Portanto, tente sempre olhar para os fatos que acontecem na sua vida tanto sob o ponto de vista humano - aquele que normalmente é usado -, mas também tentando ver como Deus está olhando para aquilo que aconteceu. Isso é muito mais difícil de fazer quando há sofrimento envolvido, mas isso não deve desanimar você. Procure o sentido mais profundo das coisas, aquele que Deus dá. 

É claro que muitas vezes somente é possível ver o significado mais profundo do sofrimento anos depois. O sofrimento cega as pessoas e isso é natural. Muitas vezes somente é possível entender o lado de Deus tempos depois, quando há distanciamento emocional dos fatos.

Um bom exemplo disso é José, vendido como escravo, ainda adolescente, pelos próprios irmãos. Os irmãos cometeram essa barbaridade porque estavam enciumados com a preferencia que o pai deles, Jacó, demonstrava por José. O rapaz foi levado ao Egito, onde passou por muito sofrimento, mas eventualmente acabou se tornando o segundo homem mais poderoso daquele país - braço direito do faraó. Por conta disso, José teve condições de acolher sua família no Egito, salvando-a da grande fome que quase vinte anos depois aconteceu naquela região. 

Já velho, olhando sua vida em retrospectiva, José reinterpretou os fatos e percebeu naquilo tudo um plano de Deus para salvar sua família (Gênesis capítulo 50, versículos 15 a 21). E ele conseguiu perdoar os irmãos.

É claro que, se José fosse perguntado, quando ainda era escravo, o que estava achando daquilo tudo, provavelmente diria que Deus tinha se esquecido dele - que estava sofrendo de forma injusta. E seria normal esse tipo de reação. 

Com a perspectiva dos anos, José conseguiu olhar para o seu sofrimento com outro olhos e transformar algo ruim em uma coisa boa. E isso somente foi possível quando José percebeu a presença de Deus em tudo o que aconteceu.

Concluindo, quais são os fatos da sua vida que têm lhe causado sofrimento e podem ser reinterpretados, introduzindo Deus no quadro da sua análise? Será que seu sofrimento, embora duro e difícil, não pode passar a ter outro significado?

A Bíblia está cheia de relatos de pessoas - como Jesus ou José - que comprovam não ser possível evitar o sofrimento humano. Queiramos ou não, sofrer é parte da vida humana. E sempre é possível dar um novo significado à experiência vivida, mais positivo, que permite livrar você de sentimentos ruins, como raiva, mágoa, necessidade de vingança, etc.  

E a forma para conseguir fazer isso é entender o ponto de vista de Deus. O que Ele espera? O que pretende ensinar ou mostrar? E, como já disse antes, quem consegue fazer isso tem sua vida transformada. 

Com carinho    

terça-feira, 11 de novembro de 2014

DONS E MINISTÉRIOS

Lá por volta de 1985, eu estava numa reunião de oração. Minha vida espiritual não estava boa, o que é muito comum em pessoas jovens, no auge da sua carreira profissional.

Confesso que estava meio distraído durante as orações, até que um pastor olhou para mim e disse: “Deus me faz saber que o irmão tem dois dons espirituais, sendo o primeiro deles o ensino (da Palavra de Deus). Você conhecerá o segundo mais tarde...

Confesso que  não acreditei muito naquela revelação e cheguei a pensar: “esses pastores têm mania de encontrar dom espiritual para todo mundo”. E a minha vida seguiu.

Três anos depois, entrei numa livraria – mania que me faz comprar mais livros do que realmente consigo ler. De repente, vi um livro (em inglês) de introdução ao Velho Testamento. E tive vontade irresistível de comprá-lo, embora naquela época eu quase não lesse textos cristãos, exceto a Bíblia, de vez em quando. Só fui começar a ler aquele livro quase dois meses depois e um novo mundo se abriu para mim. 

Poucos meses depois, participei de um pequeno grupo de estudo bíblico realizado no consultório de uma amiga. Num dos encontros semanais, o mesmo pastor que tinha me dado a revelação inicial pediu-me para preparar um estudo para o grupo. Para minha surpresa, senti prazer em cumprir aquela tarefa. Não demorou muito e eu estava dirigindo o grupo. E nunca mais parei. 

Levou algum tempo até eu me dar conta que a revelação dada três anos antes tinha se cumprido: eu realmente recebera o dom de ensinar a Palavra de Deus. E falo isso com humildade, pois não se trata de mérito meu e sim de uma dádiva do Espírito Santo. 

Por que Deus me escolheu para essa atividade? Não tenho a menor ideia, mas fato é que essa escolha passou a determinar o rumo da minha vida.

Dons espirituais e ministérios
Dons espirituais são o revestimento de poder que as pessoas recebem do Espírito Santo para realizar a obra de Deus. Qualquer pessoa que se disponha sinceramente a trabalhar na obra de Deus receberá os dons necessários para isso. Não é privilégio de ninguém.

Assim, dons são dados não para proveito pessoal de quem quer que seja - por isso não se pode ganhar dinheiro com eles.

Agora, gostaria de introduzir outro conceito importante: ministério. Trata-se da missão que cada pessoa executa na obra de Deus. Por exemplo, este blog é um ministério de ensino da Palavra de Deus. Uma pessoa que visite doentes terminais em hospitais públicos, para levar-lhes conforto, estará exercendo o ministério de misericórdia. Um pregador, que trabalha para ajudar a converter pessoas para Cristo, estará exercendo o ministério de evangelista. E assim por diante.

Algumas igrejas, como a metodista (a qual frequento), chamam as diferentes áreas da sua organização de “ministérios”. E isso acaba gerando confusão, pois um ministério como o que tenho aqui no blog é diferente do que acontece numa igreja local. Aqui não tenho nenhuma organização por trás de mim. Agora, quando atuo na minha igreja local, por exemplo na área de ação social, preciso seguir as normas que foram estabelecidas ali. 

Dons e ministérios precisam se complementar. Para exercer um determinado ministério, a pessoa precisa dos dons que a capacitem para os desafios a serem enfrentados. Por outro lado, se a pessoa tem um dom e não o coloca em uso num ministério, estará desperdiçando aquilo que o Espírito Santo lhe deu e será cobrada por isso. 

Há uma parábola em que Jesus conta que certo rei (Deus) saiu em viagem e deu determinada quantia de dinheiro (dons espirituais) para três diferentes servos. Dois deles fizeram o dinheiro crescer, aplicando-o em atividades rentáveis (usaram com sucesso o poder recebido na obra de Deus). O terceiro, com medo de perder o que lhe tinha sido dado, enterrou o dinheiro (desperdiçou o poder que Deus lhe deu). Quando o rei voltou, os dois que fizeram o dinheiro render foram premiados, enquanto o que nada fez, foi punido (Mateus capítulo 25, versículos 14 a 30). 

Em outras palavras, quem recebe dons espirituais precisa aplicá-los para que a obra de Deus prospere. Se não fizer isso, seremos cobrado(a) por Deus. Agora, com base na minha própria experiência, posso garantir que usar um dom e ver a obra de Deus prosperar é motivo para enorme satisfação e realização pessoal. Quando a pessoa realmente se coloca a disposição da obra fará aquilo que for necessário sem sacrifício e com alegria. 

Você quer usar os dons que Deus tem reservados para você? Antes de qualquer coisa, ore e peça a orientação do Espírito Santo, porque a obra é dirigida por Ele.

Aí faça aquilo que seu coração mandar: ensine a Palavra, ajude um necessitado, console alguém caído, visite doentes, etc. Pode ter certeza que você não vai se arrepender.

Com carinho

domingo, 9 de novembro de 2014

AS HERESIAS MAIS COMUNS

Heresias são conceitos teológicos que fogem da doutrina considerada correta (ortodoxia). Em outras palavras, heresias são interpretações da doutrina cristã que fogem daquilo que é o entendimento geral do que seja certo, de acordo com o ensinamento da Bíblia. Por exemplo, dizer que Jesus não é o Salvador da humanidade é uma heresia, pois foge do entendimento geral, dentro do cristianismo. 

Heresias são perigosas porque levam as pessoas a uma fé confusa e a fazer aplicações práticas distorcidas. Portanto, elas precisam ser combatidas. Antigamente, eram combatidas a "ferro e fogo", com punições físicas - as pessoas eram até queimadas - o que é um absurdo. Heresias são ideias e precisam ser combatidas com outras ideias. Somente assim.

Um artigo recente da conhecida revista "Christianity Today" mostrou uma pesquisa sobre as heresias mais comuns entre os evangélicos. É claro que essa pesquisa se refere aos Estados Unidos, mas achei interessante comentar esse assunto aqui por que muitas dessas heresias são comuns também no Brasil.

Todas as heresias relacionadas introduziram controvérsias teológicas bem no início da história da Igreja Cristã (século IV). Naquela época a Igreja ainda não tinha se dividido Católica, Ortodoxa e as inúmeras denominações evangélicas. 

As dúvidas introduzidas geraram muito debate e quase dividiram a Igreja Cristã, o que acabou acontecendo depois, por outras razões. 

Já foram encontradas respostas teológicas, embasadas na Bíblia, para todas essas heresias. Mas ainda assim essas ideias erradas permanecem vivas - eu encontro esse tipo de argumentação a toda hora, nas conversas que mantenho por aí. 



As quatro heresias mais comuns, segundo a pesquisa, listadas a seguir, se referem à Trindade Santa (Pai, Filho e Espírito Santo). Isso significa que as pessoas têm muita dificuldade para entender esse conceito:

Heresia 1: Deus Pai é mais divino do que o Filho (Jesus).
Heresia 2: Jesus foi o primeiro Ser criado por Deus Pai.
Heresia 3: O Espírito Santo não é uma pessoa e sim uma força.
Heresia 4: O Espírito Santo é menos divino do que o Pai e o Filho.



A discussão histórica
As dúvidas sobre a natureza de Jesus nasceram da análise de expressões bíblicas como “unigênito” (João capítulo 3 versículo 16) e “o primogênito de toda a criação” (Colossenses capítulo 1 versículo 15). 



No século IV, um religioso chamado Arius declarou: “Se o Pai gerou o Filho, então aquele que foi gerado teve um início … Portanto, houve um momento que o Filho não existia...”. Em outras palavras, para Arius, Deus Pai seria maior do que Deus Filho. 

Essa análise ganhou suporte entre muitos líderes religiosos da época, mas também enfrentou grande oposição, essa liderada pelo bispo de Alexandria, Atanásio. Os que se opuseram ao chamado arianismo alegaram que sua interpretação negava a divindade plena de Jesus. 

A questão somente foi resolvida em alguns Concílios de bispos da Igreja Cristã, convocados com esse objetivo. O primeiro Concílio aconteceu no ano de 325, na cidade de Niceia. Cerca de 300 bispos rejeitaram o arianismo e reafirmaram que Jesus têm a mesma natureza que Deus Pai - sendo, portanto, não criado. 

Mas foi preciso mais um Concílio, o de Constantinopla, em 381, para por fim às dúvidas. Ali foi aprovado como doutrina oficial da Igreja Cristã (que todas as denominações atuais aceitam) o chamado Credo de Niceia, estabelecendo expressamente que o Filho é da mesma natureza que o Pai. 

A confusão sobre a natureza do Espírito Santo começou quando alguns começaram a defender a tese que o Espírito Santo não era uma pessoa (com raciocínio e vontades próprias) mas apenas uma força (ou poder) e tem natureza diferente de Deus Pai e Filho. A palavra usada para descrever o Espírito Santo no hebraico - Ruach (vento) - parecia dar apoio a essa interpretação. 

No Concílio de Constantinopla, os 150 bispos reunidos reafirmaram que o Espírito Santo tinha a mesma natureza que Deus Pai e Filho e era uma pessoa. Ficou reafirmada assim a doutrina da Trindade. Pela doutrina então afirmada e que continua a ser aceita por praticamente todos os cristãos, as três pessoas da Trindade merecem a mesma honra e detém co-soberania. Oficialmente, as controvérsias para essas questões foram então encerradas.

As razões teológicas
Não falei nada ainda sobre as razões teológicas que levaram aqueles Concílios a decidir pela doutrina da Trindade. Resumo a seguir os principais argumentos usados. E começo por discutir a controvérsia relacionada com Jesus Cristo. 

Se Ele tivesse sido criado, teria natureza limitada e não seria divino, pelo menos não da mesma forma que Deus Pai. Mas, se não fosse divino, seu sacrifício não teria o alcance que teve, o que destruiria toda a doutrina da Salvação. 

Jesus morreu pelos pecados dos seres humanos e seu sacrifício é válido tanto para aqueles que viveram antes d´Ele (aqueles que esperavam a vinda do Messias), para os que conviveram com Ele na terra e também para os que vieram depois d´Ele (como nós). Em outras palavras, o sacrifício de Jesus não tem limites.

Quanto aos termos bíblicos que parecem indicar que Jesus foi criado por Deus, precisamos entender as afirmações bíblicas como formas simplificadas de explicar uma verdade muito complexa. É pela mesma razão que a Bíblia fala dos "braços" ou dos "olhos" de Deus Pai, embora Ele seja um Ser incorpóreo.   

As declarações que parecem indicar que o Filho foi criado, na verdade, procuram explicar o relacionamento do Pai com o Filho - os próprios termos "Pai" e "Filho" apontam para a tentativa de usar conceitos humanos para explicar essa realidade complexa. 



Quanto ao Espírito Santo, a Bíblia é clara ao dizer que Ele intercede por nós junto ao Pai, assim precisa ter raciocínio e vontade. Se fosse apenas uma força - um "vento divino" - não poderia fazer nada disso. Forças da natureza não intercedem pelas pessoas.



Além disso, Jesus disse, pouco antes de voltar para junto do Pai, que o Espírito Santo viria substitui-lo junto à humanidade (João capítulo 14, versículos 16 e 17). Uma simples força não poderia substituir Jesus, que orientou e ensinou as pessoas a seguirem caminhos que agradam a Deus.



Finalmente, a Bíblia ensina que devemos batizar as pessoas no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mateus capítulo 28, versículo 19). Isso indica claramente que estamos falando de três realidades que têm o mesmo significado e importância. 



Com carinho

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

PROVA ARQUEOLÓGICA DA EXISTÊNCIA DE DAVI

Cerca de 25 anos atrás, havia uma grande discussão histórica: será que o rei Davi realmente existiu mesmo ou não passa de uma figura mitológica? 

Para nós, cristãos, que acreditamos no testemunho da Bíblia, essa dúvida nunca existiu. Davi é uma figura fundamental da história de Israel.

Mas o fato é que não havia nenhum artefato arqueológico que provasse a existência de Davi. Somente textos, como a Bíblia ou escritos dos rabinos judeus, faziam referência a ele. Ora, alguns historiadores e arqueólogos, que passaram a ser conhecidos como minimalistas, lançaram dúvidas sobre a existência de Davi. Para eles, esse homem não passa de um mito - uma figura de fantasia criada pela cultura judaica que estava em busca de um herói que inspirasse as pessoas. 

O debate continuou durante muito tempo e muita gente deu atenção aos minimalistas. Muitos cristãos se sentiam confusos, achando que havia aí um grande problema com o relato bíblico. Até que foi encontrada uma inscrição, numa escavação arqueológica no local de Tel Dan, fazendo referência à "casa (dinastia) de Davi", que reinava sobre Judá à época. A inscrição foi feita em 830 AC, cerca de 150 anos depois do reinado de Davi - a parte realçada na foto abaixo é onde é feita essa referência. 


Ora, o costume daquela época era que cada dinastia fosse referenciada pelo nome do seu fundador. E a dinastia que reinava sobre Judá, a parte sul do reino de Israel (depois que ele se dividiu), descendia de Davi. Além disso, como a inscrição data de apenas 150 anos depois do reinado de Davi, não haveria tempo hábil para um mito ser criado - os estudos mostram que a criação de mitos leva várias centenas de anos. Portanto, essa inscrição é uma prova real da existência do homem Davi - confirma exatamente aquilo que a Bíblia afirma. 

É claro que os minimalistas tentaram reagir, primeiro dizendo que a inscrição era forjada e depois questionando a tradução fazendo referência à "casa de Davi". Mas eles acabaram sendo desmentidos por outros especialistas e a veracidade da inscrição se sustentou. E, a partir daí, os minimalistas foram perdendo credibilidade e embora ainda resistam, gozam de pouca reputação hoje em dia. 

Os minimalistas cometeram um erro conhecido: tomaram a ausência de evidencias (provas) concretas como evidencia da ausência de alguma coisa (no caso, Davi). Esse tipo de erro lógico infelizmente é muito comum - tropeçamos nele a toda hora. Por exemplo, quando os ateus alegam que não encontram provas que Deus existe e, portanto, isso prova que Ele não existe, estão cometendo o mesmo tipo de erro.   
A inscrição encontrada em Tel Dan chamou recentemente a atenção da mídia pois é parte de uma grande exposição de artefatos arqueológicos que está sendo apresentada no Museu Metropolitano de Nova Iorque. Pena que não posso ir a Nova Iorque vê-la de perto. Se você for, não perca essa chance. 

Com carinho