sábado, 29 de novembro de 2014

TERMÔMETROS DA FÉ

Um termômetro mede a febre. E como a febre é um indicador de doença, o termômetro acaba sendo um medidor que algo está errado. Toda vez que ele indica uma temperatura elevada, especialmente quando acima de 39°C, é hora de consultar o médico. 

A fé é a base da relação do ser humano com Deus. A Bíblia chega a dizer que, sem fé, não é possível agradar a Deus (veja mais). Em resumo, a existência da fé é uma indicação da saúde espiritual da pessoa. 

Sendo assim, seria muito interessante contar com um "termômetro" para a fé, permitindo "medir" a saúde espiritual. Mas como "medir" uma coisa imaterial? É possível sim, mas não da mesma forma como se mede a temperatura. O caminho disponível é indireto. Mede-se a fé através dos seus efeitos na vida da pessoa. 

A forma de fazer isso foi ensinada por Tiago, irmão de Jesus: ele explicou que as obras indicam se a fé existe e está operante (capítulo 2, versículos 14 a 26). E obras, nesse contexto, significam mudanças na vida da pessoa, no seu comportamento. Tiago quis dizer que, se a pessoa diz ter fé, mas não demonstra mudanças nos seus caminhos, a fé alegada não serve para nada, está "morta" (versículo 17).

Infelizmente há muitas pessoas que se dizem cristãs mas vivem como se Deus não existisse ou se elas não o conhecessem. O cristianismo não tem qualquer impacto real na vida delas.  Basta lembrar dos(as) muitos(as) que somente vão à igreja em circunstâncias sociais (casamentos, batizados, enterros, etc). Sabem bem que Deus existe, mas não têm qualquer compromisso com Ele.

As mudanças de vida provam que a fé está viva e operante. Portanto, aí está um "termômetro" para a vida espiritual de qualquer pessoa. 

Mas há outro "termômetro" útil e cuja natureza talvez possa surpreender você. Quando a fé está viva e presente, a pessoa tem dúvidas sobre o significado e a forma de aplicar a doutrina cristã. Eu me explico melhor.

A doutrina cristão não é simples de entender: conceitos como a Trindade, salvação apenas pela fé, santificação e outros não são triviais. Mesmo depois que a pessoa os entende bem, ainda assim provavelmente terá dúvidas sobre sua aplicação na prática. E assim as perguntas costumam aparecer: Eu e os meus entes queridos seremos salvos? Por que os bons sofrem? Por que as pessoas iníquas prosperam? Estou pecando ao fazer tal coisa e quais serão as consequências dos meus atos? Posso perder a minha salvação? E assim por diante.

Pessoas que estão interessadas em conhecer e aplicar corretamente a doutrina cristã costumam ter dúvidas. E vão continuar a ter dúvidas por toda a sua vida espiritual. Eu estudo a doutrina cristã há quase 30 anos e, confesso, há muitos coisas que ainda não compreendo bem. Aprendo todos os dias com aquilo que leio e ouço.

Agora, quando a pessoa deixa de procurar respostas para questões intrigantes, uma das duas coisas está acontecendo. Pode ser que tenha perdido o interesse no cristianismo. A outra possibilidade é que a pessoa pense nada mais ter a aprender, pois já conhece todas as verdades necessárias. Em outras palavras, sua fé "congelou", ficou parada no tempo e espaço e isso não fala bem da saúde espiritual da pessoa que pensa assim. 

Portanto, a falta de interesse na doutrina cristã e na sua aplicação, é outro importante "termômetro" que serve para "medir" como anda a fé da pessoa.

Com carinho

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

EU TENHO UM SONHO...

Eu tenho o sonho que meus quatro filhos pequenos um dia irão viver numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele mas pelo conteúdo do seu caráter…
Rev. Martin Luther King, em 28/08/1963, no discurso mais importante discurso da história recente dos Estados Unidos.

O Rev. King sempre sonhou com o fim do racismo no seu país, mesmo quando, no sul dos Estados Unidos, os negros ainda eram massacrados por organizações de homens mascarados. E, apenas com a força desse sonho, ele conseguiu angariar apoio político para mudar as leis que discriminavam os negros naquele país. 

Um sonho parecido teve o Mahatma Ghandi, quando lutou para libertar, também de forma pacífca, a Índia do jugo colonial. John Wilberforce também sonhou e liderou a luta para abolição da escravidão na Inglaterra. 

Sonhos são coisas importantes e é preciso manter a capacidade de sonhar, mesmo quando há obstáculos pela frente. Afinal, os sonhos são tão necessários como o ar que se respira. 

É preciso não perder a esperança. Nunca. Foi isso que o apóstolo Paulo ensinou em sua primeira carta aos Coríntios (capítulo 13, versículo 13). 

E Deus se dispõe a apoiar seus filhos(as) a superar as dificuldades ou a encontrar novos sonhos que venham a dar sentido às suas vidas. Lembro bem do depoimento que um homem deu durante uma aula de Escola Dominical que eu estava dirigindo. Esse homem, hoje um pastor Metodista, teve seus sonhos achatados em 2000 por um problema de saúde, que quase o tornou um paralítico, e pela morte trágica de sua filha. Mas o Espírito Santo o conduziu amorosamente em nova direção e restaurou sua vida, fazendo-o encontrar novo sentido para viver, dentro do pastorado. 

O apoio de Deus para a realização dos sonhos é fundamental. Sem isso, tudo se torna mais difícil. Mas só é possível contar com esse apoio quando o sonho for adequado, o certo para a vida daquela pessoa. Se a pessoa resolver sonhar uma coisa que pensa ser boa, mas que Deus sabe não ser adequada, Ele não vai se envolver. Não pode se envolver.

Mas como saber se um sonho é aprovado por Deus? A resposta é simples: perguntando para Ele. E o meio mais simples e direto para fazer isso é através da oração. Algumas vezes Deus também vai falar através de profecias. 

Pergunte e pode ter certeza que Deus irá responder. E se a confirmação vier, nunca perca a esperança, não importa o que venha a acontecer, pois nada poderá impedir a realização daquele sonho.

Que você, assim como o Rev. King, sempre possa dizer: “eu tenho um sonho e ele me alegra a alma”.

Com carinho

terça-feira, 25 de novembro de 2014

OS NOVE QUE NÃO VOLTARAM PARA AGRADECER

Por favor, leia este mesmo post no meu novo site http://www.sercristao.org/2014/11/25/os-nove-que-nao-voltaram-para-agradecer/ . 

Em dois dias vamos comemorar o dia mundial de Ação de Graças, tempo reservado para que todos lembrem do muito que Deus fez e faz todos os dias (veja mais).

Agora, por que é necessário reservar um dia para essa finalidade? A razão é simples: as pessoas, se deixadas por conta própria, não se mostram suficientemente gratas a Deus. É por isso que se torna necessário lembrá-las sempre desse dever. Daí haver um dia reservado para Ações de Graças.

Os 10 leprosos 
Na própria Bíblia há vários exemplos de falta de gratidão. Vejamos um caso que aconteceu com o próprio Jesus. Certa vez, Jesus ia passando e ouviu o chamado desesperado de dez leprosos. Naquela época, eram considerados leprosos todos os que sofriam de uma doença de pele grave como, por exemplo, a psoríase. Não era preciso ser portador da doença hoje chamada de hanseníase para ser estigmatizado como "leproso". 

Os leprosos viviam segregados do convívio social por causa do medo de contágio e eram sustentados, de forma precária, pela caridade pública. Levavam uma vida terrível - quem quiser ter uma percepção mais concreta de como era essa situação na prática, assista o filme clássico "Ben-Hur", onde o herói entra numa caverna habitada por leprosos em busca da mãe e da irmã.  

Portanto, os dez homens que apelaram para a misericórdia de Jesus viviam uma situação desesperadora. E Ele atendeu o pedido e curou aqueles homens. Depois, Jesus disse para que os dez se apresentassem aos sacerdotes, a quem, segundo a Lei Mosaica, cabia atestar a cura - sem esse atestado, os homens continuariam a ser considerados impuros. Os homens fizeram isso e tiveram sua cura confirmada (Lucas capítulo 17, versículos 11 a 19).

De forma surpreendente, apenas um deles voltou até Jesus para agradecer a benção recebida. E somente para o que voltou Jesus reservou o prêmio maior: o perdão dos pecados (versículo 19). Os outros nove ganharam a cura física e perderam a oportunidade de ganhar muito mais.

Realmente surpreende esse nível de ingratidão. Vários foram beneficiados, mas apenas um deu Graças a Deus pela benção recebida. E, posso dar o testemunho, que já vi isso acontecer muitas vezes - essa continua a ser uma realidade hoje em dia.

O caso de Maria
Maria, mãe de Jesus, dá exemplo totalmente diferente, confirmando que era mesmo uma mulher especial. Ela engravidou por obra do Espírito Santo, mesmo sendo virgem, e recebeu essa informação do anjo Gabriel. Ela sabia que iria passar por grande desgaste social, ao aparecer grávida, pois estava noiva de José e o filho não era dele.

Apesar de ser uma menina de apenas quatorze ou quinze anos, ainda assim ela teve fé que a ação de Deus na vida dela iria ser uma coisa boa. E, por conta dessa fé inquebrantável, derramou-se em agradecimentos a Deus, num cântico lindo, conhecido como "Magnificat" (Lucas capítulo 1, versículos 46 a 55).


Que contraste com os nove leprosos! Maria agradeceu o que ainda nem tinha visto, enquanto aqueles nove homens receberam a benção e não se deram ao trabalho de olhar para trás. É por isso que Maria é hoje uma das pessoas mais reconhecidas da história, enquanto aqueles homens servem apenas como exemplo do que não devemos fazer.


Palavras finais
Deus se agrada muito de um coração agradecido. Procure não se esquecer disso. E a quinta feira próxima será um momento especialmente reservado para essa tarefa.

Mas não devemos mostrar gratidão apenas nessa data. Gratidão precisa se tornar um estilo de vida para o cristão. E esse é um desafio diário.

Graças a Deus por tudo que Ele tem feito e ainda fará por nós! 

Com carinho

domingo, 23 de novembro de 2014

ALMA E ESPÍRITO

Acho que todos concordam que o ser humano é feito de uma parte material, o corpo, e outra imaterial, onde são produzidas as emoções, o raciocínio lógico, etc. Mas as concordâncias acabam por aí. 

Os materialistas pensam que essas duas partes formam um conjunto e, quando a pessoa morre, tudo se acaba. A parte imaterial - a mente - seria apenas uma função do cérebro e os pensamentos seriam nada mais do que o produto de reações químicas que nele ocorrem, algo semelhante, por exemplo, ao que acontece com o estômago durante a digestão. 

Já os cristãos pensam que as duas partes, embora trabalhem em harmonia, são coisas separadas. E é exatamente por isso que é possível falar em ressurreição num novo corpo, conforme aconteceu com Jesus e vai acontecer com todos no final dos tempos - a parte imaterial será preservada e agregada a um novo corpo.

Mas mesmo no meio cristão há diferenças quanto ao entendimento do que essa parte imaterial realmente é. Alguns acreditam que ela é constituída de duas coisas diferentes: alma e espírito (1 Tessalonicenses capítulo 5, versículo 23). Na alma seriam registrados os pensamentos e as emoções. Enquanto o espírito seria a parte que vem de Deus, a sede da vida (Gênesis capítulo 2, versículo 7). Por isso o espírito não morre. 

Mas há quem pense de forma diferente. Por exemplo, o livro do Apocalipse capítulo 6, versículo 9, mostra o apóstolo João tendo uma visão onde lhe foram mostradas as almas dos mártires da fé junto a Deus, aguardando sua ressurreição no final dos tempos. O que, no modelo da separação entre alma e espírito, não seria possível - os espíritos das pessoas é que deveriam estar junto a Deus e não suas almas. 

Outro problema com a divisão entre alma e espírito aparece quando se discute a individualidade do ser humano. Seria ela repartida entre essas duas partes? Como essa divisão seria feita? Quando alma e espírito começariam a trabalhar juntos? Seria na concepção? 

É por causa disso que muitos cristãos defendem que não há separação real entre alma e espírito. Quando a Bíblia fala nessas duas coisas estaria, na verdade, descrevendo duas funções diferentes da nossa parte imaterial. A alma se referiria à função que tem a ver com nosso relacionamento com o mundo físico, incluindo as outras pessoas e daí vem as emoções, o raciocínio lógico, a memória, etc. A outra função, chamada de espírito, se refere ao relacionamento do ser humano com Deus, o que dá origem à fé, ao louvor, etc. 

E, por causa disso, a Bíblia usa as palavras de forma meio livre - em alguns momentos, usa as duas palavras para descrever a a parte imaterial do ser humano, enquanto, outras vezes, se limita a uma única palavra, dependendo da função descrita.

Mas ainda assim alma e espírito seriam uma coisa só, a parte imaterial do ser humano, o que garante sua individualidade. Essa parte não morre e será juntada ao novo corpo, no final dos tempos.  

Qual é a sua impressão a respeito?

Com carinho

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

E QUANDO A VIDA ESTÁ PESADA DEMAIS PARA CARREGAR?

"Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei."            Mateus capítulo 11, versículo 28
Sabe aquele dia em que você não quer nem se levantar da cama de manhã cedo. Não é preguiça. É que são tantos os problemas, tantas as lutas, que a vontade é fechar a porta do quarto e ficar na cama quentinha. Deixar tudo lá fora.

A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que passam por esse tipo de situação. Por exemplo, o grande profeta Elias, em certo momento do seu ministério, ficou tão deprimido que nem queria comer. Foi preciso que Deus mandasse os anjos alimentarem-no (1 Reis capítulo 19, versículos 1 a 8). E durante algum tempo, Elias viveu literalmente nos "braços" do Pai. 

Existe ainda o caso de Ana, que viria a ser a mãe do profeta Samuel. Desesperada por ser estéril, foi ao Tabernáculo e ficou ali chorando, na presença de Deus (1 Samuel capítulo 1, versículos 9 a 18).

Quando me sinto deprimido assim, sempre procuro me lembrar do versículo que abre este post. Nele, Jesus aborda essa questão com grande sensibilidade. E Ele entende exatamente como nos sentimos nesses momentos pois andou neste mundo e teve uma vida muito difícil.

É nesses momentos que a mensagem de Jesus precisa fazer eco nos nossos corações: Precisamos ir até Eleentregar-lhe nossos problemas. Mas o que é isso na prática? 

Trata-se de orar e deixar nas mãos d´Ele as dificuldades para as quais não temos resposta. Deixar com Ele os problemas que estão fora do alcance humano. E, depois de fazer isso, confiar e descansar. 

Equivale a agir como um filho pequeno, para quem o pai diz: “pode deixar que eu vou resolver isso para você”. E o menino, confiante, se alegra e esquece do problema. Essa é a confiança necessária para que você conseguir descansar em Deus. 

Mas alguém poderia dizer: “eu não consigo, quero, mas não consigo ter esse tipo de confiança”. E eu respondo: o remédio para isso é “mais Jesus”

Há uma passagem na Bíblia em que uma pessoa pede a Jesus que faça um milagre na sua vida. E Ele respondeu que, se a pessoa acreditasse, receberia a benção. E a pessoa respondeu com sinceridade cativante: “eu creio, mas me ajude na minha falta de fé”.

E é exatamente isso que devemos fazer: pedir ajuda a Deus para aprender a confiar mais n´Ele! Faça isso e eu garanto, garanto mesmo, que Deus vai responder. E a Paz d´Ele, que excede toda compreensão humana, vai invadir seu coração e ali permanecer.


Com carinho

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

AUTO-ENGANO

Auto-engano é o processo pelo qual as pessoas se iludem quanto ao que fazem e/ou quem são de fato. Todo mundo se auto-engana, de uma forma ou de outra e isso é da ordem natural das coisas. 

O processo mental que leva as pessoas ao auto-engano tem tanto um lado bom - que pode até ser considerado imprescindível para a sanidade mental das pessoas - como também uma face ruim. É o que vou discutir a seguir.

O lado bom
O auto-engano é uma forma de auto-proteção. As pessoas usam esse "mecanismo" para fugirem de coisas difíceis que não querem ou não conseguem enfrentar. E um excelente exemplo é a morte - as pessoas não conseguem pensar nessa realidade inevitável pois provavelmente ficariam deprimidas. Assim, elas se auto-enganam e vivem como se a morte não fosse uma certeza - até fazem piada sobre ela. 

O auto-engano também faz com que as pessoas acreditem serem capazes de fazer coisas que normalmente não estariam ao seu alcance. E, assim, algumas vezes acabam por praticar verdadeiras proezas. Por exemplo, em novembro de 2007, no município de Palmeiras, SC, o menino Riquelme dos Santos, de cinco anos, vestindo uma fantasia do Homem Aranha e se sentindo um super-herói, resgatou um bebê de dez meses de dentro de uma casa em chamas.

O lado ruim

Há diversas situações em que o auto-engano se torna prejudicial. E há muitas ramificações desse lado ruim mas vou me concentrar naquelas relacionadas com a vida espiritual das pessoas. 

A primeira situação ruim aparece quando as pessoas erram muito na avaliação que fazem de si mesmas - pensam ser muito melhores do que são. Na verdade, todo mundo tem uma avaliação de si mesmo melhor do que a realidade e normalmente isso não traz grandes consequências. 

Por exemplo, uma pesquisa do jornal "O Globo", de março de 2008, pediu aos entrevistados que dessem uma nota para si mesmos no quesito “respeito aos direitos humanos”. Em seguida, foi pedido que as pessoas dessem uma nota para o “brasileiro médio”. Ora, a média das notas dadas pelas pessoas para si mesmas deveria se aproximar da média das notas dadas por elas ao “brasileiro médio”. Mas, como as pessoas pensam ser melhores do que verdadeiramente são, 60% dos entrevistados(as) deram para si mesmos(as) notas entre 9 e 10. E apenas 17% dos entrevistados atribuíram a mesma nota para o “brasileiro médio”.

Agora, quando há muita diferença entre a percepção que a pessoa tem de si mesma e a realidade, aparece um grande problema. A pessoa deixa de ter consciência dos seus próprios pecados - pensa que não faz nada de muito errado. Portanto, não tem porque temer desagradar a Deus. 

Para quem pensa assim - e é muita gente mesmo - salvação não faz sentido. Não é necessária. Assim, quando essa pessoa ouve falar de Jesus, não se deixa impressionar. E esse é um risco muito sério. 

Outra faceta ruim do auto-engano aparece quando as pessoas criam certezas que não deveriam ter. Por exemplo, esse é o caso do fanático religioso que pensa conhecer melhor do que ninguém a verdadeira “vontade” de Deus. 

E como a vontade de Deus deve prevalecer, essa pessoa pensa estar justificada ao empregar qualquer meio, até a violência, para conseguir isso. Um bom exemplo se deu com o apóstolo Paulo, antes dele se converter ao cristianismo. Ele foi um dos líderes de uma terrível perseguição movida aos cristãos, que resultou na morte de diversas pessoas. Paulo agiu dessa forma por entender que os cristãos representavam perigo para a fé verdadeira por serem hereges. 

Outra situação preocupante acontece quando as pessoas atribuem poder a coisas que não têm essa condição. Por exemplo, há quem acredite em simpatias para trazer boa sorte ou siga rigorosamente o que diz seu horóscopo. Conheço um homem que, para trazer sorte, sempre passa seu aniversário no local estabelecido pelo seu astrólogo e assim, a cada ano, viaja para um país diferente. 

No meio cristão, é muito frequente o uso de coisas como relíquias de pessoas consideradas santas, água do rio Jordão, solo da Terra Santa e assim por diante. De alguma forma as pessoas pensam que esse tipo de coisa lhes permite canalizar poder de Deus para alguma finalidade específica.  

Finalmente, ainda gostaria de citar a situação em que as pessoas se auto-enganam criando desculpas para acalmar suas próprias consciências. Convencem a si mesmas que ao cair numa certa tentação, fazendo isso ou aquilo, não causaram tanto mal assim. E assim vão procedendo até que fazem algo de que virão a se arrepender muito, mas aí o mal já está feito. 

Acho que esses exemplos são suficientes para mostrar quão perigoso o auto-engano pode ser na vida das pessoas. 

A luta contra o auto-engano
Essa é uma luta difícil. É um exercício diário. E sem a ajuda do Espírito Santo não é possível vencer. A derrota é certa.

O Espírito Santo é quem nos acompanha a cada momento das nossas vidas e fala às nossas mentes toda vez que nos desviamos do caminho certo - é como uma pequena "voz" que fica nos incomodando. Na estória "Pinocchio", que virou um desenho muito famoso da Disney, essa voz é representada por um grilo falante que incomoda o boneco quando ele está por fazer algo errado.  

Mas para que o Espírito Santo esteja ao nosso lado nessa luta diária precisamos ter intimidade com Deus. Precisamos de uma relação sólida com Ele e falei sobre como fazer isso em outro post (veja mais).

Com carinho

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

SERÁ QUE TODOS OS CAMINHOS LEVAM A DEUS?

Nesses dias li a entrevista que uma artista da Rede Globo deu, falando sobre uma novela que acabou de estrear. Como está ficando cada vez mais comum, a tal novela apresenta uma visão do mundo baseada na doutrina espírita e esse era o tema da entrevista.

Essa atriz vai fazer o papel da mocinha da estória, que se envolve pesadamente com experiências espíritas. Ela disse que está se sentindo muito bem porque acredita em todo tipo de experiência espiritual. Completou sua declaração dizendo que quem defende haver apenas uma fé verdadeira (como é o caso dos cristãos) demonstra ter mente estreita e intolerante.

A posição que essa atriz defende é muito comum e pode ser resumida na famosa frase: "todos os caminhos levam a Deus". Essa tese pode ser simpática e até parece boa, por expressar respeito pelo próximo, mas o problema é que está errada. 

E se for aceita pelas pessoas, pode levá-las a tomar decisões ruins. E, portanto, ser contra ela e combatê-la não é uma posição intolerante - trata-se apenas de estabelecer a verdade dos fatos e de proteger as pessoas. 

Nem todas as crenças podem ser verdadeiras
É fácil de perceber que nem todos os caminhos espirituais existentes podem estar certos. Isso é logicamente impossível. E explico a razão.  

Se olharmos para o conjunto de religiões existentes, fica evidente a grande diversidade de concepções do mundo espiritual que elas defendem. Algumas falam de uma força impessoal que não tem plano de ação ou vontade própria. Outras, como o cristianismo, entendem que Deus é um Ser racional, com vontade e emoções próprias, que criou e controla tudo que existe. Existem ainda as religiões politeístas, que defendem a existência de inúmeros deuses - os hinduístas adoram centenas deles -, cada um(a) com seu papel e área de atuação no campo espiritual.

A diversidade de crenças é até maior do que esse resumo simples mostra. Mas o que falei já basta para demonstrar que as diversas crenças se contradizem na forma como vêem o funcionamento do campo espiritual. Sendo assim, não é possível que todas elas estejam certas e afirmar que todos os caminhos espirituais levam ao fim desejado contraria a lógica. 

Afinal, se existe um único deus, quem afirma existir muitos deuses está errado. E vice versa. Se alguém adora um deus com vontade própria e raciocínio, não pode também acreditar que a base de tudo é uma força impessoal. E vice versa.

Palavras finais

As contradições entre as várias crenças obrigam necessariamente que alguém esteja certo e alguém errado. É impossível, em termos lógicos, que todas as religiões estejam igualmente certas. E não há como fugir disso. 

Portanto, afirmar que há crenças certas e outras erradas pode não ser simpático mas é a coisa certa a fazer. E quem defende a igualdade de todos os caminhos espirituais, como a artista que citei no começo deste post, não parou para pensar bem no significado dessa afirmação ou, o que é ainda pior, sabe que está contrariando a lógica e segue em frente, porque essa é uma posição simpática.  

A consequência direta de tudo isso é que as pessoas precisam ser incentivadas a encontrar o caminho espiritual certo. Precisam acreditar na coisa certa. Afinal, defender a igualdade de todos os caminhos torna as pessoas abertas a experiências que deveriam evitar. 


Agora, se há doutrinas espirituais certas e erradas é preciso procurar a verdade. Assim é razoável que o cristianismo seja questionado por aqueles que pensam diferente. Como também que os cristãos questionem as outras doutrinas. E não há nada de intolerante nisso. 

Antes de terminar é preciso deixar claro que eu não falei nada aqui para comprovar ser o cristianismo a doutrina verdadeira. Mas tenho inúmeros outros escritos no blog que tratam exatamente disso. Hoje quis apenas mostrar que a afirmação "todos os caminhos levam a Deus" é errada e perigosa. 

Com carinho 

sábado, 15 de novembro de 2014

MELHORANDO O RELACIONAMENTO COM DEUS

O relacionamento das pessoas com Deus varia muito. Umas conseguem se aproximar muito d´Ele, enquanto outras permanecem numa relação morna. Mas o que torna a relação do ser humano com Deus melhor

Para poder responder essa pergunta, primeiro é preciso entender as motivações que cada parte - Deus e o ser humano - tem para manter essa relação. 

A grande motivação de Deus é seu amor por cada um(a) de nós. É claro que agrada a Deus que venhamos a amá-lo de volta, mas Ele não coloca essa reciprocidade como condição para nos amar. Portanto, a explicação para o amor de Deus só pode ser encontrada n´Ele mesmo, na sua forma de ser. É por isso que a Bíblia afirma: "Deus é amor" (1 João capítulo 4 versículo 8). 

O ser humano tende a se relacionar com Deus por motivo bem diferente. Quase sempre a pessoa é motivada a entrar nessa relação para receber de Deus coisas que entende importantes - salvação, proteção ou bençãos. Não deveria ser assim - os nossos motivos deveriam ser mais nobres - mas essa é a pura verdade. 

Ora, quando as partes têm suas motivações preenchidas, a relação entre elas tende a se fortalecer e aprofundar. E isso é fácil de entender sob o ponto de vista do ser humano: quando os pedidos feitos a Deus são atendidos, a pessoa tende a se aproximar d´Ele. Em contra partida, quando a pessoa entende que Deus não fez por ela o que imaginava merecer, é muito comum afastar-se d´Ele. 

Mas, sob o ponto de vista de Deus, a coisa fica um pouco mais difícil de entender. Como o amor de Deus por nós só depende d´Ele mesmo e não podemos fazer com que Ele nos ame mais (ou menos), o que nos cabe fazer?

A resposta para essa questão está em Hebreus capítulo 11, versículo 6: "sem fé é impossível agradar a Deus". Sim, podemos agradar a Deus quando mostramos confiança n´Ele. E quanto maior essa confiança, melhor. 

Mas ainda fica uma dúvida: o que a confiança (fé) tem a ver com o amor a Deus? Qual é a conexão entre as duas coisas? A resposta a essa questão fica evidente quando se entende o significado da expressão "amor a Deus". 

Não se trata - e nem Deus espera isso de nós - de um sentimento como aquele que mantemos por quem é próximo de nós - marido/mulher, filhos(as), parentes ou amigos(as). Deus é um ser incorpóreo e que vive em outra dimensão, logo dificilmente vamos sentir um amor por Ele desse tipo. 

O amor a Deus, na verdade, não é um sentimento e sim uma atitude. Uma escolha. Trata-se de decidir agir como se Ele fosse importante. E, agindo assim, tudo se passa, na prática, como se o amor a Deus fosse um sentimento concreto. 

E a decisão de colocar Deus em primeiro lugar somente será tomada quando a pessoa se convence que de fato Deus é importante para sua vida, isto é quando confia que Ele é a razão para tudo que existe. E aí entramos no território da fé.

Resumindo, somente podemos amar a Deus, no sentido bíblico do termo, quando temos confiança (fé) n´Ele. E é por isso que não podemos agradar a Deus sem demonstrar fé.  

Portanto, a diferença no relacionamento das pessoas com Deus tem como ponto de partida a confiança que elas têm n´Ele. As que têm mais fé se tornam íntimas d´Ele. As demais ficam num relacionamento morno. As primeiras agradam mais a Deus e Ele responde mais a elas. Simples assim.

Assim, há uma escolha diante de cada um de nós. E os rumos do relacionamento de cada um de nós com Deus depende de qual caminho escolhermos. 

Qual é a sua escolha?

Com carinho   

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

REINTERPRETANDO O SOFRIMENTO

Uma mãe foi apresentar suas três filhas para uma visita. Apontou para a mais velha e disse: “essa é a minha filha mais feinha”. Essa história aconteceu cerca de 70 anos atrás e me foi contada, com lágrimas nos olhos, pela própria filha “mais feinha”. A filha nunca esqueceu - interpretou a declaração da mãe como uma rejeição, mesmo que essa não tenha sido a intenção original da mãe. 

Na verdade, os fatos que ocorrem na vida de cada pessoa acabam por ter o significado que ela lhes atribui. Um mesmo fato pode ter significado positivo para uma pessoa e negativo para outra. 

Como o significado vem da interpretação que cada pessoa dá aos fatos, é possível mudar o significado, por exemplo, tornando uma coisa ruim em algo bom, reinterpretando os fatos. E o cristão é ensinado a fazer exatamente isso. 

Vou tentar explicar isso melhor através de um exemplo, muito conhecido, que aconteceu com o próprio Jesus exatamente na noite em que foi preso. Ele sabia o que estava para acontecer e certamente sofreu a expectativa do sofrimento que estava por vir - a Bíblia chega a dizer que Ele suou sangue por conta da enorme tensão. Jesus aproveitou as últimas horas que tinha para comemorar a Páscoa dos judeus, participando de uma ceia em “família” (seus discípulos mais próximos). 

Para Jesus, aquela comemoração foi uma despedida da sua vida terrena e o início de um período de muitas dores. Durante a ceia, Jesus tomou o pão e o partiu e disse que aquilo era seu corpo, entregue ao martírio para salvação dos seres humanos. Depois tomou o vinho e disse que aquilo era seu sangue, a ser derramado por todos nós. E mandou que os discípulos continuassem a fazer o mesmo tipo de cerimônia em memória do seu sacrifício - foi instituída ali o sacramento da Santa Ceia (Marcos capítulo 14, versículos 22 a 26). 

A reinterpretação dos fatos feita por Jesus transformou um evento profundamente triste, num motivo de esperança para todos os seres humanos. E como Jesus conseguiu fazer isso? Olhando além dos fatos humanos - a abordagem humana somente conseguiria ver medo e tristeza. 

Quando Jesus colocou Deus na equação, o significado mudou. Haveria sofrimento sim, mas o sacrifício de Jesus iria abrir as portas da salvação para todos os seres humanos. O sofrimento de Jesus deixou de ser motivo de angústia e tristeza para se tornar no motivo de esperança. E foi isso que deu motivação aos discípulos para enfrentar todas as dificuldades que estavam por vir e pregar o Evangelho de Jesus a todos que viram pela frente.

Jesus ensinou que é preciso olhar para os fatos, especialmente aqueles que trazem sofrimento, buscando ver neles "as impressões digitais" de Deus. Sei que isso é muito difícil, especialmente quando o sofrimento é grande, mas quem consegue fazer isso tem sua vida inteiramente transformada.  

Trata-se de sempre tentar entender as coisas olhando para elas sob o ponto de vista de Deus. Já dei o exemplo do próprio Jesus, transformando seu sofrimento numa celebração periódica do plano da salvação de Deus. Um outro exemplo, esse relacionado com uma coisa boa, pode ser útil nessa discussão. 

Imagine que você recebeu uma promoção no emprego. É claro que isso é motivo de alegria e de realização pessoal - essa é a visão humana. Mas tente entender também o que Deus está mostrando para você a partir desse fato. Será que faz sentido pensar que Deus esteja esperando apenas que você passe a consumir mais, por ter mais dinheiro? Ou espera mais de você? 

Essa outra reflexão traz Deus para o centro da discussão e certamente vai levar você a conclusões bem distintas daquelas que chegaria se pensasse apenas no benefício material de um salário maior.

Portanto, tente sempre olhar para os fatos que acontecem na sua vida tanto sob o ponto de vista humano - aquele que normalmente é usado -, mas também tentando ver como Deus está olhando para aquilo que aconteceu. Isso é muito mais difícil de fazer quando há sofrimento envolvido, mas isso não deve desanimar você. Procure o sentido mais profundo das coisas, aquele que Deus dá. 

É claro que muitas vezes somente é possível ver o significado mais profundo do sofrimento anos depois. O sofrimento cega as pessoas e isso é natural. Muitas vezes somente é possível entender o lado de Deus tempos depois, quando há distanciamento emocional dos fatos.

Um bom exemplo disso é José, vendido como escravo, ainda adolescente, pelos próprios irmãos. Os irmãos cometeram essa barbaridade porque estavam enciumados com a preferencia que o pai deles, Jacó, demonstrava por José. O rapaz foi levado ao Egito, onde passou por muito sofrimento, mas eventualmente acabou se tornando o segundo homem mais poderoso daquele país - braço direito do faraó. Por conta disso, José teve condições de acolher sua família no Egito, salvando-a da grande fome que quase vinte anos depois aconteceu naquela região. 

Já velho, olhando sua vida em retrospectiva, José reinterpretou os fatos e percebeu naquilo tudo um plano de Deus para salvar sua família (Gênesis capítulo 50, versículos 15 a 21). E ele conseguiu perdoar os irmãos.

É claro que, se José fosse perguntado, quando ainda era escravo, o que estava achando daquilo tudo, provavelmente diria que Deus tinha se esquecido dele - que estava sofrendo de forma injusta. E seria normal esse tipo de reação. 

Com a perspectiva dos anos, José conseguiu olhar para o seu sofrimento com outro olhos e transformar algo ruim em uma coisa boa. E isso somente foi possível quando José percebeu a presença de Deus em tudo o que aconteceu.

Concluindo, quais são os fatos da sua vida que têm lhe causado sofrimento e podem ser reinterpretados, introduzindo Deus no quadro da sua análise? Será que seu sofrimento, embora duro e difícil, não pode passar a ter outro significado?

A Bíblia está cheia de relatos de pessoas - como Jesus ou José - que comprovam não ser possível evitar o sofrimento humano. Queiramos ou não, sofrer é parte da vida humana. E sempre é possível dar um novo significado à experiência vivida, mais positivo, que permite livrar você de sentimentos ruins, como raiva, mágoa, necessidade de vingança, etc.  

E a forma para conseguir fazer isso é entender o ponto de vista de Deus. O que Ele espera? O que pretende ensinar ou mostrar? E, como já disse antes, quem consegue fazer isso tem sua vida transformada. 

Com carinho    

terça-feira, 11 de novembro de 2014

DONS E MINISTÉRIOS

Lá por volta de 1985, eu estava numa reunião de oração. Minha vida espiritual não estava boa, o que é muito comum em pessoas jovens, no auge da sua carreira profissional.

Confesso que estava meio distraído durante as orações, até que um pastor olhou para mim e disse: “Deus me faz saber que o irmão tem dois dons espirituais, sendo o primeiro deles o ensino (da Palavra de Deus). Você conhecerá o segundo mais tarde...

Confesso que  não acreditei muito naquela revelação e cheguei a pensar: “esses pastores têm mania de encontrar dom espiritual para todo mundo”. E a minha vida seguiu.

Três anos depois, entrei numa livraria – mania que me faz comprar mais livros do que realmente consigo ler. De repente, vi um livro (em inglês) de introdução ao Velho Testamento. E tive vontade irresistível de comprá-lo, embora naquela época eu quase não lesse textos cristãos, exceto a Bíblia, de vez em quando. Só fui começar a ler aquele livro quase dois meses depois e um novo mundo se abriu para mim. 

Poucos meses depois, participei de um pequeno grupo de estudo bíblico realizado no consultório de uma amiga. Num dos encontros semanais, o mesmo pastor que tinha me dado a revelação inicial pediu-me para preparar um estudo para o grupo. Para minha surpresa, senti prazer em cumprir aquela tarefa. Não demorou muito e eu estava dirigindo o grupo. E nunca mais parei. 

Levou algum tempo até eu me dar conta que a revelação dada três anos antes tinha se cumprido: eu realmente recebera o dom de ensinar a Palavra de Deus. E falo isso com humildade, pois não se trata de mérito meu e sim de uma dádiva do Espírito Santo. 

Por que Deus me escolheu para essa atividade? Não tenho a menor ideia, mas fato é que essa escolha passou a determinar o rumo da minha vida.

Dons espirituais e ministérios
Dons espirituais são o revestimento de poder que as pessoas recebem do Espírito Santo para realizar a obra de Deus. Qualquer pessoa que se disponha sinceramente a trabalhar na obra de Deus receberá os dons necessários para isso. Não é privilégio de ninguém.

Assim, dons são dados não para proveito pessoal de quem quer que seja - por isso não se pode ganhar dinheiro com eles.

Agora, gostaria de introduzir outro conceito importante: ministério. Trata-se da missão que cada pessoa executa na obra de Deus. Por exemplo, este blog é um ministério de ensino da Palavra de Deus. Uma pessoa que visite doentes terminais em hospitais públicos, para levar-lhes conforto, estará exercendo o ministério de misericórdia. Um pregador, que trabalha para ajudar a converter pessoas para Cristo, estará exercendo o ministério de evangelista. E assim por diante.

Algumas igrejas, como a metodista (a qual frequento), chamam as diferentes áreas da sua organização de “ministérios”. E isso acaba gerando confusão, pois um ministério como o que tenho aqui no blog é diferente do que acontece numa igreja local. Aqui não tenho nenhuma organização por trás de mim. Agora, quando atuo na minha igreja local, por exemplo na área de ação social, preciso seguir as normas que foram estabelecidas ali. 

Dons e ministérios precisam se complementar. Para exercer um determinado ministério, a pessoa precisa dos dons que a capacitem para os desafios a serem enfrentados. Por outro lado, se a pessoa tem um dom e não o coloca em uso num ministério, estará desperdiçando aquilo que o Espírito Santo lhe deu e será cobrada por isso. 

Há uma parábola em que Jesus conta que certo rei (Deus) saiu em viagem e deu determinada quantia de dinheiro (dons espirituais) para três diferentes servos. Dois deles fizeram o dinheiro crescer, aplicando-o em atividades rentáveis (usaram com sucesso o poder recebido na obra de Deus). O terceiro, com medo de perder o que lhe tinha sido dado, enterrou o dinheiro (desperdiçou o poder que Deus lhe deu). Quando o rei voltou, os dois que fizeram o dinheiro render foram premiados, enquanto o que nada fez, foi punido (Mateus capítulo 25, versículos 14 a 30). 

Em outras palavras, quem recebe dons espirituais precisa aplicá-los para que a obra de Deus prospere. Se não fizer isso, seremos cobrado(a) por Deus. Agora, com base na minha própria experiência, posso garantir que usar um dom e ver a obra de Deus prosperar é motivo para enorme satisfação e realização pessoal. Quando a pessoa realmente se coloca a disposição da obra fará aquilo que for necessário sem sacrifício e com alegria. 

Você quer usar os dons que Deus tem reservados para você? Antes de qualquer coisa, ore e peça a orientação do Espírito Santo, porque a obra é dirigida por Ele.

Aí faça aquilo que seu coração mandar: ensine a Palavra, ajude um necessitado, console alguém caído, visite doentes, etc. Pode ter certeza que você não vai se arrepender.

Com carinho

domingo, 9 de novembro de 2014

AS HERESIAS MAIS COMUNS

Heresias são conceitos teológicos que fogem da doutrina considerada correta (ortodoxia). Em outras palavras, heresias são interpretações da doutrina cristã que fogem daquilo que é o entendimento geral do que seja certo, de acordo com o ensinamento da Bíblia. Por exemplo, dizer que Jesus não é o Salvador da humanidade é uma heresia, pois foge do entendimento geral, dentro do cristianismo. 

Heresias são perigosas porque levam as pessoas a uma fé confusa e a fazer aplicações práticas distorcidas. Portanto, elas precisam ser combatidas. Antigamente, eram combatidas a "ferro e fogo", com punições físicas - as pessoas eram até queimadas - o que é um absurdo. Heresias são ideias e precisam ser combatidas com outras ideias. Somente assim.

Um artigo recente da conhecida revista "Christianity Today" mostrou uma pesquisa sobre as heresias mais comuns entre os evangélicos. É claro que essa pesquisa se refere aos Estados Unidos, mas achei interessante comentar esse assunto aqui por que muitas dessas heresias são comuns também no Brasil.

Todas as heresias relacionadas introduziram controvérsias teológicas bem no início da história da Igreja Cristã (século IV). Naquela época a Igreja ainda não tinha se dividido Católica, Ortodoxa e as inúmeras denominações evangélicas. 

As dúvidas introduzidas geraram muito debate e quase dividiram a Igreja Cristã, o que acabou acontecendo depois, por outras razões. 

Já foram encontradas respostas teológicas, embasadas na Bíblia, para todas essas heresias. Mas ainda assim essas ideias erradas permanecem vivas - eu encontro esse tipo de argumentação a toda hora, nas conversas que mantenho por aí. 



As quatro heresias mais comuns, segundo a pesquisa, listadas a seguir, se referem à Trindade Santa (Pai, Filho e Espírito Santo). Isso significa que as pessoas têm muita dificuldade para entender esse conceito:

Heresia 1: Deus Pai é mais divino do que o Filho (Jesus).
Heresia 2: Jesus foi o primeiro Ser criado por Deus Pai.
Heresia 3: O Espírito Santo não é uma pessoa e sim uma força.
Heresia 4: O Espírito Santo é menos divino do que o Pai e o Filho.



A discussão histórica
As dúvidas sobre a natureza de Jesus nasceram da análise de expressões bíblicas como “unigênito” (João capítulo 3 versículo 16) e “o primogênito de toda a criação” (Colossenses capítulo 1 versículo 15). 



No século IV, um religioso chamado Arius declarou: “Se o Pai gerou o Filho, então aquele que foi gerado teve um início … Portanto, houve um momento que o Filho não existia...”. Em outras palavras, para Arius, Deus Pai seria maior do que Deus Filho. 

Essa análise ganhou suporte entre muitos líderes religiosos da época, mas também enfrentou grande oposição, essa liderada pelo bispo de Alexandria, Atanásio. Os que se opuseram ao chamado arianismo alegaram que sua interpretação negava a divindade plena de Jesus. 

A questão somente foi resolvida em alguns Concílios de bispos da Igreja Cristã, convocados com esse objetivo. O primeiro Concílio aconteceu no ano de 325, na cidade de Niceia. Cerca de 300 bispos rejeitaram o arianismo e reafirmaram que Jesus têm a mesma natureza que Deus Pai - sendo, portanto, não criado. 

Mas foi preciso mais um Concílio, o de Constantinopla, em 381, para por fim às dúvidas. Ali foi aprovado como doutrina oficial da Igreja Cristã (que todas as denominações atuais aceitam) o chamado Credo de Niceia, estabelecendo expressamente que o Filho é da mesma natureza que o Pai. 

A confusão sobre a natureza do Espírito Santo começou quando alguns começaram a defender a tese que o Espírito Santo não era uma pessoa (com raciocínio e vontades próprias) mas apenas uma força (ou poder) e tem natureza diferente de Deus Pai e Filho. A palavra usada para descrever o Espírito Santo no hebraico - Ruach (vento) - parecia dar apoio a essa interpretação. 

No Concílio de Constantinopla, os 150 bispos reunidos reafirmaram que o Espírito Santo tinha a mesma natureza que Deus Pai e Filho e era uma pessoa. Ficou reafirmada assim a doutrina da Trindade. Pela doutrina então afirmada e que continua a ser aceita por praticamente todos os cristãos, as três pessoas da Trindade merecem a mesma honra e detém co-soberania. Oficialmente, as controvérsias para essas questões foram então encerradas.

As razões teológicas
Não falei nada ainda sobre as razões teológicas que levaram aqueles Concílios a decidir pela doutrina da Trindade. Resumo a seguir os principais argumentos usados. E começo por discutir a controvérsia relacionada com Jesus Cristo. 

Se Ele tivesse sido criado, teria natureza limitada e não seria divino, pelo menos não da mesma forma que Deus Pai. Mas, se não fosse divino, seu sacrifício não teria o alcance que teve, o que destruiria toda a doutrina da Salvação. 

Jesus morreu pelos pecados dos seres humanos e seu sacrifício é válido tanto para aqueles que viveram antes d´Ele (aqueles que esperavam a vinda do Messias), para os que conviveram com Ele na terra e também para os que vieram depois d´Ele (como nós). Em outras palavras, o sacrifício de Jesus não tem limites.

Quanto aos termos bíblicos que parecem indicar que Jesus foi criado por Deus, precisamos entender as afirmações bíblicas como formas simplificadas de explicar uma verdade muito complexa. É pela mesma razão que a Bíblia fala dos "braços" ou dos "olhos" de Deus Pai, embora Ele seja um Ser incorpóreo.   

As declarações que parecem indicar que o Filho foi criado, na verdade, procuram explicar o relacionamento do Pai com o Filho - os próprios termos "Pai" e "Filho" apontam para a tentativa de usar conceitos humanos para explicar essa realidade complexa. 



Quanto ao Espírito Santo, a Bíblia é clara ao dizer que Ele intercede por nós junto ao Pai, assim precisa ter raciocínio e vontade. Se fosse apenas uma força - um "vento divino" - não poderia fazer nada disso. Forças da natureza não intercedem pelas pessoas.



Além disso, Jesus disse, pouco antes de voltar para junto do Pai, que o Espírito Santo viria substitui-lo junto à humanidade (João capítulo 14, versículos 16 e 17). Uma simples força não poderia substituir Jesus, que orientou e ensinou as pessoas a seguirem caminhos que agradam a Deus.



Finalmente, a Bíblia ensina que devemos batizar as pessoas no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mateus capítulo 28, versículo 19). Isso indica claramente que estamos falando de três realidades que têm o mesmo significado e importância. 



Com carinho