sexta-feira, 31 de julho de 2015

A TERRÍVEL HISTÓRIA DE SIMÃO, O MAGO

E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava o Evangelho. E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia; pois que os espíritos imundos saíam ...e muitos paralíticos e coxos eram curados ...E estava ali um certo homem, chamado Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica, e tinha iludido o povo ...dizendo que era uma grande personagem ...Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres. E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe; e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito ...Pedro e João ...tendo descido [a Samaria], oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo (porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus). Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo. E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro, dizendo: Dai-me também a mim esse poder ...Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro. Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus.                                                     Atos dos Apóstolos capítulo 8, versículos 5 a 24.
Simão, o mago, é provavelmente a pior figura da igreja cristã. O legado que deixou foi tão ruim, que os Pais da Igreja (as primeiras gerações de cristãos que se seguiram aos apóstolos) consideraram Simão como o fundador de todas as heresias cristãs. O que será que Simão fez de tão terrível? Simples, ele tentou comprar dons espirituais visando usá-los para obter vantagens financeiras. 

E tudo começou quando Felipe chegou em Samaria, no norte da Palestina, para pregar o Evangelho. Ali encontrou Simão, o mago, que atraía muita atenção da comunidade em geral por praticar atos que pareciam sobrenaturais: curandeirismo, leitura de sortes, consulta aos astros sobre o futuro, práticas para atrair boa sorte, etc. Ele era reconhecido como uma pessoa que tinha poder e ganhava bom dinheiro com isso.

Felipe chegou ao lugar onde Simão vivia e começou a pregar o Evangelho e confirmou sua autoridade espiritual praticando milagres importantes, como curas e a expulsão de demônios. E Simão ficou impressionado com o que viu: o poder de Felipe era real. 

Ele então decidiu "converter-se" e foi batizado por Felipe. Simão pensou que o batismo iria acrescentar mais alguns recursos ao seu repertório de truques sobrenaturais. 

Foi nessa altura que chegaram os apóstolos Pedro e João, para reforçar o trabalho de Felipe. E Simão viu os apóstolos impondo as mãos sobre as pessoas, fazendo-as receber o poder do Espírito Santo (dons espirituais). 

E o mago cobiçou esse poder pois percebeu que podia ganhar muito dinheiro. Procurou os apóstolos e lhes ofereceu dinheiro. E acabou expulso do meio dos cristãos por Pedro, pois o que tinha feito provou ser sua vida espiritual uma completa farsa.

O relato da Bíblia acaba nesse ponto, mas os escritos dos Pais da Igreja expandem bastante a descrição dos fatos, mostrando ter acontecido um choque espiritual de grandes proporções. E, ao final, desse processo Simão tornou-se a imagem de tudo aquilo que os cristãos não devem ser.

E é fácil entender a razão para isso. Em primeiro lugar, é claro que a conversão de Simão não foi verdadeira. Ele talvez até tenha acreditado que tinha aceitado Jesus, mas isso não aconteceu. Houve naquela situação também um erro de Felipe que aceitou como verdadeira a tal conversão - ele não teve discernimento espiritual suficiente para perceber o que se estava passando com Simão. 

E esse tipo de conversão, onde as pessoas se iludem que aceitaram Jesus nas suas vidas, mas na realidade estão apenas buscando receber vantagens materiais, como bençãos, é muito comum. Basta passear pelas igrejas ditas pentecostais que você vai poder perceber isso acontecendo.

O segundo problema teve a ver com a vontade de "comprar" dons espirituais. Ou seja, pagar para receber um poder vindo de Deus. E novamente isso não é incomum. É claro que hoje em dia as coisas não são colocadas dessa forma, de maneira tão crua. O processo é mais sofisticado e vem "embrulhado" em intenções que parecem nobres. 

É comum encontrar pessoas que pedem dons espirituais e prometem retribuir Deus dessa ou daquela forma - por exemplo, trabalhando com afinco na sua obra. E tais pessoas não buscam só vantagens financeiras, mas também fama e status. Afinal, alguns dons, como a cura, a palavra inspirada e o louvor têm a capacidade de empurrar as pessoas rapidamente para o "estrelato" cristão. 

Isso não quer dizer que é errado pedir a Deus o recebimento de dons espirituais. Claro que não. A própria Bíblia ensina que devemos procurar os melhores dons. A questão é qual o propósito da pessoa ao pedir isso. Se ela deseja sinceramente fazer o Reino de Deus avançar, sem pensar em qualquer vantagem pessoal, não há qualquer problema. 

Simão queria obter vantagens pessoais e pagou um peso terrível: simplesmente perdeu sua salvação. E assim vai acontecer com quem agir da mesma forma.

Dons espirituais são manifestações do poder de Deus que nos permitem fazer sua obra. Não podem nunca gerar vantagens pessoais de qualquer espécie. O que passar disso não vem de Deus. Simples assim.

Com carinho 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

SUA IMAGEM PERANTE DEUS E OS HOMENS

"[Jesus] perguntou aos seus discípulos: Quem o povo está dizendo que o Filho do Homem é? E eles responderam: Alguns dizem que o Senhor é João Batista; outros que é Elias; e ainda outros que é Jeremias ou um dos outros profetas. Então Jesus perguntou: E vocês, quem vocês dizem que sou? Simão Pedro respondeu: O Senhor é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse Jesus: Deus abençoou você, Simão, filho de Jonas. Meu Pai que está no céu revelou isto pessoalmente a você. Isto não vem de nenhuma fonte humana."                                      Mateus capítulo 16, versículos 14 a 17
Todos temos uma imagem perante a sociedade em geral com a qual costumamos nos preocupar muito. Ninguém quer ser visto como pessoa problemática, mal educada ou fracassada. 

Agora, existe outra imagem, muito mais importante, que é aquela que Deus faz a nosso respeito. E é comum haver uma grande diferença entre essas duas imagens. Por exemplo, no diálogo citado acima fica claro que a imagem construída pelos judeus sobre Jesus foi bem distinta daquilo que Deus revelou para o apóstolo Pedro. Os judeus pensavam que Jesus era simplesmente mais um profeta importante, como Elias, Jeremias ou João Batista. Enquanto isso, Deus revelou para Pedro que Jesus era o Messias, o Salvador da humanidade, seu Filho unigênito. Coisas completamente diferentes.

Essas duas imagens costumam ser diferentes porque os critérios de avaliação da sociedade e de Deus são bem diferentes. A sociedade foca essencialmente nas aparências enquanto Deus olha para o interior, para as intenções da pessoa. Pessoas sem atrativo físico, sem sucesso profissional, sem boas conexões familiares, etc, costumam ser mal avaliadas pela sociedade, mas essas mesmas pessoas podem ser preciosas para o coração de Deus. 

Por exemplo, Deus considerou João Batista como o maior dentre os profetas (Mateus capítulo 11, versículos 7 a 11), mas para a sociedade da sua época ele era uma pessoa muito estranha, pois vivia no deserto, vestia pele de camelo, comia apenas gafanhotos e mel e ficava chamando todo mundo para se arrepender.

Acho que não há dúvida ser a imagem feita por Deus a certa, pois ela se baseia num conhecimento completo das pessoas e das suas intenções. Ora, se o julgamento que a sociedade faz a nosso respeito é imperfeito, incorreto mesmo, não deveríamos nos preocupar tanto com ele, mas não agimos assim.

E a preocupação indevida com nossa imagem junto à sociedade traz duas consequências muito negativas, pode gerar duas disfunções importantes no nosso comportamento. A primeira é a hipocrisia, isto é tentar passar uma imagem melhor do que a realidade. A outra é a insegurança, que nasce da percepção de não estarmos à altura da imagem que temos e buscamos manter.

A hipocrisia pode tornar a vida da pessoa num verdadeiro teatro, deixando-a incapacitada para ter convivência saudável com Deus e com as demais pessoas. Já a insegurança "come" a pessoa por dentro e gera muito estresse.

Jesus nos orientou a seguir um caminho diferente, muito melhor. Disse que deveríamos nos concentrar naquilo que Deus pensa a nosso respeito. Para Deus, não adianta querer mascarar a realidade (a hipocrisia não funciona) e não há porque sentir insegurança (Ele nunca vai construir uma imagem nossa além da nossa capacidade). 

Mudar a imagem que a sociedade faz a nosso respeito muitas vezes nem está ao nosso alcance. Afinal, não podemos ter beleza, força física ou inteligência que a natureza nos negou. Ou superar facilmente uma educação inadequada. Ou ainda vencer os traumas gerados por uma família disfuncional. 

Mas a boa imagem junto a Deus está ao alcance de todos, não importa origem, condição social, sucesso profissional, beleza, etc. Deus espera de nós apenas fidelidade e compromisso. Somente isso. 

E espera de cada um(a) de nós apenas aquilo que podemos dar, reconhecendo tudo aquilo que viermos a fazer. Tanto é assim, que nem um copo de água, dado com amor, ficará sem sua devida recompensa (Mateus capítulo 10, versículo 42).

Com carinho

segunda-feira, 27 de julho de 2015

QUANDO FALTA CADA VEZ MAIS MÊS NO FINAL DO SALÁRIO

Eu apresentei este texto antes. Mas com a crise econômica batendo às portas de todos nós, entendo que essa reflexão merece ser retomada, pois ela está mais atual do que nunca.
Mais de 95% das pessoas têm problemas financeiros – estão sempre lutando para fazer frente a seus compromissos mensais. E para fechar a conta vale tudo: parcelar o cartão de crédito, entrar no cheque especial, apelar para crédito consignado, pedir socorro a parentes ou amigos, etc. 

E isso ocorre tanto entre as pessoas com rendimentos mais baixos, que mal conseguem preencher suas necessidades básicas, onde essa situação seria mesmo de se esperar, mas também nas chamadas classe média e média-alta. Na verdade, essa é uma doença da sociedade moderna. O que está acontecendo? 

O problema
O ser humano sempre quer satisfazer suas necessidades: as básicas (comida, abrigo, saúde, segurança, etc) e as outras, essas desenvolvidas com base em sentimentos como inveja ou busca de status.

O efeito da inveja é bastante conhecido: as pessoas querem ter aquilo que as outras têm. As pesquisas sempre mostram que as pessoas sentem estar ganhando bem quando recebem mais do que aquelas que estão à sua volta, não importando muito o valor efetivo que recebam – por isso é mais fácil ser pobre numa região do interior do Nordeste brasileiro do que em Nova Iorque.

O desejo de ter status parte do princípio de quem está acima na escala social é mais passível de admiração e reconhecimento. Quem alcança um nível social maior, deve ser intrinsecamente melhor.  

O fato é que vivemos na sociedade do “ter” (quando deveríamos nos preocupar mais em “ser”) e essa é uma tendência que parece ter se solidificado. E as campanhas de marketing trabalham essas questões a seu favor e levam as pessoas a desejar consumir cada vez mais. 

Juntando tudo isso a uma grande facilidade de obter financiamento – o cartão de crédito, por exemplo, permite que as pessoas gastem sem que perceber que estão fazendo isso -, é fácil explicar porque a maioria das pessoas vive com dificuldades financeiras.

Na prática, quase todo mundo acaba por escolher viver um padrão de vida que constantemente pressiona seus rendimentos. Tanto é assim que, quando uma pessoa recebe um bom aumento de salário, sente momentaneamente um alívio financeiro, mas depois, lentamente, vai elevando novamente seu padrão de consumo e acaba por consumir a folga que tinha e volta à situação anterior.

A solução
Algumas poucas pessoas vivem com tranquilidade financeira porque escolheram conscientemente viver num padrão de vida menor do que poderiam ter. Não são muito afetadas pelo marketing – embora consumam – e não se preocupam muito com seu status social. Sendo assim, sempre têm folga para enfrentar qualquer contratempo da vida. 

Conheço uma senhora que tem rendimentos elevados, mas escolheu viver no mesmo apartamento há mais de 35 anos, mobiliado de forma confortável, mas absolutamente sem luxo. Não compra de grifes famosas e não troca de carro a todo ano. Em consequência, sempre tem dinheiro e ainda ajuda toda sua família. 

Em contrapartida, sou amigo de um casal - ambos executivos com cargos importantes e rendimentos altos - que gastam o seu rendimento para manter o alto padrão de vida da família. Têm uma vida bem mais confortável do que a senhora a que me referi acima, mas vivem apertados e  estressados com a possibilidade de perder o emprego. 

Baixar voluntariamente o padrão de consumo e deixar de gastar em coisas que parecem imprescindíveis, mas não são, é a única soluçãoEu dei esse passo, de forma consciente, cerca de cinco anos atrás e posso garantir que minha qualidade de vida melhorou muito. Sou muito menos preocupado e estressado.

E a Bíblia dá todo suporte a esse tipo de decisão. Aliás, foi assim que Jesus agiu quando andou por esse mundo. E assim como Ele, os apóstolos também viveram de forma modesta.

Todos os ensinamentos de Jesus nos incentiva a juntar tesouros espirituais e não materiais (Mateus capítulo 6, versículos 19 a 21). A vida deve ser vivida de forma mais simples e sem tantas preocupações - Jesus chegou a dizer para que olhássemos as flores do campo ou os pássaros do céu, que vivem de forma simples e são cuidadas pelo nosso Pai (Mateus capítulo 6, versículos 25 a 34).

Afinal, a luta por alcançar e manter o status social e por conseguir tudo o que se deseja em termos materiais, consome muito tempo e esforço - quase todas as energias da pessoa acabam investidas nessa direção. 

Aí sobra pouco tempo para aproveitar a convivência com o(a) esposo(a), com os filhos(as), com os amigos(as), etc. E não há tempo nem disposição para olhar o céu numa noite de lua, para observar uma flor, enfim para curtir as coisas simples e belas da vida. E principalmente não sobra tempo para adquirir e conservar uma intimidade maior com Deus.

Com carinho

sábado, 25 de julho de 2015

A MÃO DE DEUS NA CRIAÇÃO DA BÍBLIA

A Bíblia é a Palavra de Deus - essa é a crença dos cristãos(ãs). E há muitas provas de que o texto bíblico foi escrito por diferentes autores debaixo de uma única supervisão (do Espírito Santo). Tanto foi assim, que a Bíblia, mesmo tendo sido escrita ao longo de cerca de 1.500 anos, demonstra ter unicidade - todos os livros apontam na mesma direção e apresentam ensinamentos coerentes entre si. 

Uma das provas dessa supervisão única na elaboração da Bíblia é a existência de uma "mensagem" embutida no texto dos livros que relatam a história do povo de Israel (Êxodo a Reis). Tal mensagem liga indiretamente a história de Israel a violações dos Dez Mandamentos - a cada livro, na ordem em que aparece na Bíblia, corresponde a violação de um mandamento, também na ordem em que é apresentado no texto bíblico. 

É evidente que uma organização tão sofisticada não poderia acontecer por acaso, foi preciso que uma mente única concebesse essa mensagem e influenciasse os autores desses vários livros a fazer as referencias necessárias. 

Estão cobertos, no texto que vai de Êxodo a Reis, nove mandamentos, não havendo referencia direta apenas ao último deles, que proíbe cobiçar. Mas é claro que a violação desse mandamento está implícita, pois o roubo ou o adultério, por exemplo, somente acontecem se antes a pessoa tiver se deixado levar pela cobiça daquilo que não lhe pertencia.

Os pecados em Israel eram coletivos
Mas antes de tudo é importante compreender que os pecados no Velho Testamento são sempre tomados de forma coletiva, mesmo quando praticados por uma única pessoa. Veja um exemplo em Juízes capítulo 7, versículo 1:
Mas os israelitas foram infiéis com relação às coisas consagradas. Acã, filho de Carmi, filho de Zinri, filho de Zerá, da tribo de Judá, apossou-se de algumas delas. E a ira do Senhor acendeu-se contra Israel.
Repare que quem cometeu o pecado foi um homem, Acã, mas o texto diz que o povo como um todo foi infiel. E tanto isso é verdade que o povo foi punido com a derrota na batalha pela cidade de Aí, que se seguiu ao pecado de Acã. Somente depois que Acã foi punido, o povo recebeu o perdão de Deus e pode seguir em frente.

Esse procedimento parece estranho aos nosso olhos pois entendemos os pecados como individuais. Mas essa diferença se dá porque vivemos na Nova Aliança, marcada pelo sangue de Jesus, conforme o relato do Novo Testamento. 

No Antigo Testamento, a Aliança de Deus com o povo era coletiva: a promessa foi dada para o conjunto das pessoas e era o fato de pertencer a Israel (por laços de sangue) que dava à pessoa acesso às bençãos de Deus. Havia, portanto, uma ligação íntima entre o individual e o coletivo: o pecado pessoal se refletia sobre todo o povo e vice versa.

É claro que com Jesus, essa realidade mudou: as promessas passaram a ser individuais e o relacionamento com Deus tornou-se responsabilidade de cada pessoa, não mais de uma coletividade.

O relato das nove violações de mandamentos
Vejamos então onde esses nove pecados aparecem no relato dos diferentes livros da história de Israel:

1) Êxodo
Esse livro fala da violação dos dois primeiros mandamentos: não ter outros deuses diante do nosso Deus e não adorar imagens de escultura.  

Ora, quando Israel foi se encontrar com Deus no Monte Sinai, ficou esperando durante muitos dias por Moisés, que tinha subido nesse monte. Durante esse período, o povo se revoltou e construiu um bezerro de ouro e adorou outros deuses (Êxodo capítulo 32, versículos 1 a 8). 

Vemos aí o padrão sendo estabelecido: o primeiro livro da história de Israel fala também do descumprimento dos dois primeiros mandamentos. 

2) Levítico
O terceiro mandamento é aquele que proíbe tomar o nome de Deus em vão. E esse mandamento é violado no livro de Levítico, que segue o Êxodo.

No Levítico é relatada a história de um homem da tribo de Dã que blasfemou contra o nome de Deus (capítulo 24, versículos 10 a 23). O homem foi preso e a comunidade aguardou que Deus se manifestasse. Ele mandou que o homem fosse apedrejado pela congregação como um todo. 

Ou seja, todos, inclusive aqueles que testemunharam o crime e nada fizeram para impedi-lo, precisaram participar da punição e deixar claro que não concordavam com o que tinha sido feito.

3) Números
A lei seguinte se refere à guarda do sábado. E no livro que se segue, Números, essa lei é violada (capítulo 15, versículos 32 a 36): um homem é pego colhendo lenha (trabalhando) no dia do sábado.

E ocorre a mesma coisa que no caso anterior: o homem é preso, Deus dá a sentença de morte e toda a comunidade participa do apedrejamento. Aparece aí mais uma vez a questão do pecado individual transbordando para o coletivo.

4) Deuteronômio
A lei que se segue é aquela que manda honrar pai e mãe. O livro seguinte é o Deuteronômio e não por acaso, há nele o relato indireto de uma violação a essa lei (capítulo 21, versículos 18 a 21):
Se um homem tiver um filho obstinado e rebelde que não obedeça nem ao pai nem à mãe, ainda que estes o castiguem para o corrigir, então seus pais deverão trazê­-lo perante os anciãos da cidade e declarar: ‘Este nosso filho é obstinado e rebelde e não quer obedecer; além disso é um comilão e beberrão incorrigível.’ Os homens da cidade apedrejá­-lo-­ão até morrer. Dessa forma tirarão o mal do vosso meio; e todos os outros jovens de Israel ouvirão isso que aconteceu e terão medo.
Repare que os Dez Mandamentos aparecem pela primeira vez no Êxodo (capítulo 20, versículos 2 a 17) e são repetidos no Deuteronômio (capítulo 5, versículos 6 a 12). No texto acima, do Deuteronômio, é detalhado um exemplo concreto de violação ao quinto mandamento - o caso de um filho obstinado e rebelde, que também comia e bebia demais. Esse caso foi usado para exemplificar bem o tipo de situação abrangido pela lei.

5)  Josué
Antes de falar da violação em si é preciso discutir a questão da ordem dos Dez Mandamentos. Há uma ordem apresentada no relato do Êxodo e do Deuteronômio, onde os mandamentos seis a oito são: não matarás, não adulterarás e não roubarás. Mas em Jeremias capítulo 7, versículo 9, os mesmos mandamentos são citados numa ordem diferente: não roubarás, não matarás e não adulterarás. 

Isso comprova que a ordem exata em que os mandamentos foram reconhecidos pelo povo de Israel variou um pouco, o que não muda seu conteúdo ou significado espiritual. E a discussão que faço aqui segue a ordem estabelecida em Jeremias. 

Então, está na vez do mandamento que proíbe o roubo. E o livro da vez é Josué, onde há o relato da desobediência de Acã, que já foi citada no começo deste post. Os israelitas tinham sido ordenados por Deus a nada pegarem do espólio obtido como fruto da conquista da cidade de Jericó. Acã desobedeceu, guardando (roubando) para si parte do espólio e acabou punido e morto (capítulo 7, versículos 14 a 26). 

6) Juízes
O mandamento seguinte refere-se a não matar. E com efeito há uma referencia a ele no livro de Juízes (capítulos 19 e 20). Trata-se da história da concubina de um levita, que foi estuprada e morta pelos homens da cidade de Gibeá (tribo de Benjamim) - esse crime está descrito no capítulo 19, versículo 30 como o pior da história de Israel.

E a tribo de Benjamim cometeu o crime adicional de se recusar a colaborar na investigação e punição do mal feito. As demais tribos se reuniram e derrotaram Benjamim, restabelecendo a justiça e impedindo que houvesse um racha no povo de Israel. 

7) Samuel
O oitavo mandamento, na ordem que escolhemos, fala contra o adultério. E há um único caso na Bíblia em que esse tipo de pecado é tratado com todos os seus detalhes sórdidos e isso está exatamente no livro de 2 Samuel (capítulos 11 e 12): trata-se do adultério do rei Davi com Bate Seba, que levou à morte de Urias, o marido traído.

O relato bíblico mostra que esse adultério foi de grande importância para a vida de Davi, como também para todo o povo de Israel - todos os problemas que o rei sofreu a partir daí, como a rebelião do seu filho Absalão, estão de alguma forma ligados ao pecado por ele cometido.  

8) Reis
Chegamos ao último mandamento, que proíbe o falso testemunho e ao último livro da série histórica, que é o de Reis. E a violação do nono mandamento envolve outro rei, agora Acabe.

O rei cobiçava a vinha de um homem, Nabote e tentou comprar aquela propriedade por meios legais, mas o dono recusou-se a vender. Aí a rainha Jezebel montou uma acusação falsa contra Nabote que acabou sendo julgado e morto. E Acabe se apossou da vinha (1 Reis capítulo 21).

Palavras finais
A Bíblia foi escrita por dezenas de autores diferentes ao longo de muitos séculos. Em alguns casos o texto original ainda foi editado, depois de escrito, como aconteceu com os cinco livros iniciais do Velho Testamento. 

Ainda assim nota-se nesse conjunto de textos uma unicidade, uma comunhão de propósitos e uma coerência que não pode ser devida a mãos humanas. E sabemos que isso foi obra do Espírito Santo, que inspirou cada autor a escrever aquelo que deveria. 

Por causa disso a Bíblia é, para nós, cristãos(ãs), a Palavra de Deus. Completa e sem erros. Simples assim.

Com carinho

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O PERIGO INVISÍVEL

Tenho uma recordação da qual não me orgulho. Eu era jovem e tudo tinha dado certo na minha vida até então. Além disso, meu pai estava muito bem em termos profissionais e minha família tinha vida confortável.

Foi aí que eu consegui mais uma vitória - conclui meu primeiro mestrado, na Universidade Federal do RJ. Em dado momento, uma pessoa da igreja que eu frequentava se aproximou e lembrou-me que eu tinha muito a agradecer a Deus. E eu pensei - não falei em voz alta pois a censura me impediu: "por que tenho que agradecer se o esforço foi todo meu?

Mais adiante na minha vida, quando as vitórias começaram a se misturar com as derrotas, percebi que existiam situações onde os resultados eram sempre piores do que eu tinha planejado, apesar de meus melhores esforços. Em outras palavras, havia mais por trás das vitórias do que meu esforço pessoal. 

Consegui perceber que tinha estado errado, muito errado. E o tipo de reação que tinha sido comum em mim até então, era fruto da arrogância intelectual e da auto-suficiência, ambos pecados muito sérios. Pedi perdão a Ele e finalmente aprender que, sem Deus, eu não nunca conseguiria obter nada na minha vida.

Essa pequena história mostra bem o perigo que as pessoas correm quando tudo vai bem na sua vida. Isto porque elas tendem a esquecer-se de Deus. Algumas, como no meu caso, por se tornarem auto-suficientes, supervalorizando as próprias forças. Outras por não reservarem tempo de qualidade para Ele - o tempo disponível é todo gasto com trabalho, lazer, família, etc.


Quando isso acontece, Deus acaba intervindo para resgatar as pessoas. Para levá-las de volta para Ele - foi isso que aconteceu comigo. Se as pessoas não se voltam para Deus por vontade própria, acabam sendo levadas a Ele pelo sofrimento. 

De repente, as coisas deixam de dar certo e quanto mais as pessoas tentam fazer, menos resultados obtêm - o mundo delas parece desmoronar aos poucos. É aí, como último recurso, que as pessoas se lembram de Deus. E correm para Ele.

Já ouvi pessoas dizerem que Deus não deveria usar o sofrimento humano para levar as pessoas de volta para Ele. Mas se essa é a única forma de resgatar uma pessoa, trata-se de um ato de amor por parte de Deus. Ele poderia simplesmente deixar as pessoas que o abandonaram de lado, não mais se importar com elas. Mas continua a se importar, ao ponto de intervir na vida delas. 

Eu tenho uma percepção muito clara que se minha vida tivesse continuado a dar certo em tudo, provavelmente eu teria perdido a vida eterna. Foi o sofrimento que me colocou de volta no caminho certo. 

O problema por trás dessa questão é que o ser humano não lida bem com o próprio sucesso. Nem o rei Salomão, homem extremamente sábio, conseguiu fazer isso. Ele teve muita riqueza, poder e centenas de mulheres, tudo a partir da sabedoria que Deus lhe deu. Mas acabou se deixando levar por algumas de suas mulheres e prestou culto a deuses estranhos (sua descendência pagou um preço alto por causa disso). 

Lembre-se disso quando sua vida estiver correndo bem, com você gozando de saúde, prosperidade, paz, etc. Seja sempre grato(a) a Deus. Tenha sempre tempo de qualidade para dedicar a Ele - para orar, louvá-lo, estudar a Bíblia, ajudar o próximo, etc. 

Jamais permita que os bons tempos se tornem uma armadilha que irá cobrar de você um preço pesado, mais adiante. 

Com carinho

terça-feira, 21 de julho de 2015

O QUE É A LEI DO AMOR?

A "Lei do Amor" foi nos dada por Jesus (Mateus capítulo 22 versículo 36) e diz o seguinte: devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos

Talvez nenhum ensinamento de Jesus seja mais conhecido, embora o significado do que Ele quis de fato dizer seja frequentemente mal compreendido. Começo por perguntar o seguinte: como Jesus pode ordenar que venhamos a ter um sentimento (amor)Afinal, sentimentos parecem ter vida própria e não mandamos neles, no máximo podemos controlá-los. 

A resposta é simples: Jesus está nos convocando a PRATICAR o AMOR, ou seja tomar a decisão de AGIR de determinada forma. Ele não está falando de sentimentos. E ao agir como se amássemos a Deus e ao próximo, em termos práticos, tudo se passará como se o sentimento existisse de fato.

E Deus nos convoca a demonstrar amor em situações onde não escolheríamos fazer isso por vontade própria. Isso porque, por exemplo, jamais daríamos ao próximo (exceto talvez à própria família) a mesma importância que damos a nós mesmos  se não fossemos cobrados a fazer isso. 

O amor a Deus
A segunda questão tem a ver com o significado real de amar a Deus sobre todas as coisas. Isso quer dizer simplesmente colocar Deus em primeiro lugar. 

Todos sabem que isso está longe de ser verdade, mesmo no meio de pessoas que se dizem religiosas. Muita coisa passa na frente de Deus - família, emprego, viagens de lazer e até o time de futebol. Deus, na lista de prioridades, costuma ficar bem lá atrás.

O mandamento nos conclama a ter COMPROMISSO com Deus. E é fácil de entender a razão. Quando um homem ama de fato uma mulher, decide assumir compromisso com ela e isso é o que todos (inclusive ela mesma) esperam. E por que seria diferente com Deus? 

Se não há compromisso com Deus, se damos a Ele apenas o tempo e os recursos que nos sobram, quando sobra alguma coisa, certamente não podemos dizer que Ele importa de fato nas nossas vidas. 

O amor ao próximo
A última questão tem a ver com o significado real de amar o próximo como a nós mesmos. Talvez a melhor forma de esclarecer isso seja mudando a forma de apresentar essa parte da Lei do Amor: faça aos outros da mesma forma como quer que façam a você.

Se não você quiser passar fome, não deixe quem está próximo passar fome; se não quer ser humilhado, não humilhe o outro; se você quer ser consolado quando estiver triste, console a quem estiver entristecido; e se você quer ser visitado quando doente, faça a mesma coisa pelo próximo. É simples assim. 

Palavras finais
A Lei do Amor resume tudo que Deus espera de nós – nem mais e nem menos. Ela não é difícil de entender mas é muito exigente, mais do que parece à primeira vista. 

Para aprender a obedecer à Lei do Amor é preciso caminhar aos poucos, passo a passo, mudando a própria forma de viver - as prioridades, os compromissos, etc. 

Dê logo o primeiro passo. Não fique esperando. Pode ter certeza que vai valer a pena. 

Com carinho

domingo, 19 de julho de 2015

O APÓSTOLO PAULO DISCRIMINOU AS MULHERES?

"...conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar, mas estejam submissas como também a lei o determina."                         1 Coríntios capítulo 14, versículo 34
Este texto, escrito pelo apóstolo Paulo cerca de 1.950 anos atrás, tem sido explorado de forma muito negativa. Homens machistas têm se apoiado nele para negar às mulheres um papel mais relevante dentro das igrejas cristãs - tanto assim, que algumas igrejas impedem até hoje que as mulheres sejam ordenadas sacerdotes ou mesmo ensinem a Bíblia (a não ser para outras mulheres).

Negar às mulheres o direito a ter um papel de liderança nas igrejas equivale a desprezar as vocações e dons da esmagadora maioria dos seus membros - não podemos esquecer que as mulheres somam de 65 a 80% dos membros das igrejas evangélicas segundo todos os levantamentos feitos. A postura de discriminação das mulheres, além de cruel e injusta, empobrece as igrejas, privando-as de talentos que poderiam ser extremamente úteis.

Por causa desse estado de coisas, muitos(as) intelectuais e boa parte da mídia acusam o cristianismo em geral (e o apóstolo Paulo em particular) de discriminação contra a mulher. E tal crítica sem dúvida contribui para afastar muitas pessoas bem intencionadas da fé cristã.

O que Paulo realmente disse
Temos aí mais um caso, dentre muitos outros, em que o texto da Bíblia é completamente distorcido. Paulo não era machista e nunca pretendeu afastar as mulheres da liderança da igreja cristã, até porque, na sua época, inúmeras mulheres já exerciam esse papel (Romanos capítulo 16, versículos 1 a 16). 

O erro de interpretação se deve sobretudo pela diferença de perspectiva cultural entre entre a época em que Paulo viveu e os dias de hoje. Naquele tempo, a maioria dos homens sabia ler e as mulheres não. Os homens eram educados para participar de cerimônias públicas, inclusive as de cunho religioso, e as mulheres para ficar em casa, realizando trabalhos domésticos, num ambiente informal. 

Ora, com o advento do cristianismo as mulheres passaram a ter participação religiosa muito mais ativa, quando comparado, por exemplo, ao judaísmo. Mas essa participação maior e mais livre gerou um problema: as mulheres, de forma geral, não tinham o traquejo social necessário para se comportar adequadamente durante as cerimônias religiosas. 

Acostumadas apenas com atividades domésticas, onde lhes era permitido falar a qualquer momento, fazer brincadeiras, etc, elas tinham dificuldade de se comportar adequadamente durante os cultos, bem mais solenes, marcados por um ritual. Em outras palavras, havia um problema localizado, gerado pela falta de traquejo social das mulheres dentro daquele contexto social. Era uma questão daquela sociedade e presente naquela época.

O que Paulo fez no texto acima foi um comentário admoestando as mulheres a se comportar melhor durante os cultos. Ele não estava em absoluto se referindo ao papel das mulheres no ministério cristão de uma forma geral. Ensinou que durante as cerimônias religiosas não era momento para as mulheres ficarem conversando e nem mesmo para tirarem dúvidas sobre o que estava sendo dito. 

No que tange a essa última questão, Paulo alegou (versículo 35) que as mulheres deviam contar com seus maridos para esclarecer suas dúvidas, pois os homens eram mais versados na interpretação da Bíblia.  

Ora, tudo isso faz amplo sentido e nada tem de discriminação contra a mulher. Paulo fez apenas recomendações cheias de bom senso. Portanto, erram tanto aqueles(as) que se aproveitam do texto para limitar o ministério feminino dentro das igrejas cristãs, como também os(as) que querem pregar no cristianismo o rótulo do machismo.  

Com carinho

sexta-feira, 17 de julho de 2015

FAZER DISCÍPULOS: A ESTRATÉGIA DE JESUS

Por que há tantos conflitos entre as pessoas e as igrejas que frequentam? Por que muitos cristãos(ãs) mudam de igreja como se mudassem de roupa? Acredito que a resposta para essas perguntas nasce na diferença dos objetivos das pessoas e das igrejas. Vou tentar me explicar melhor.

Uma organização pode ser definida como um grupo de pessoas que se junta na busca de objetivos comuns (sua missão). Vejamos alguns exemplos: governar o país mantendo a ordem e promovendo a justiça social (o governo), dar lucro para os investidores (as empresas), converter almas a Cristo (as igrejas cristãs), etc. 

São os objetivos que verdadeiramente definem os caminhos de uma organização. Se forem bons, como ajudar o próximo, a organização tende a ser boa, se forem ruins, como obter o lucro a qualquer custo, elas caminham para o lado ruim.
 

Por outro lado, cada pessoa também tem seus objetivos de vida - p. ex. segurança, prosperidade, poder, etc. E tais objetivos costumam ser diferentes daqueles perseguidos pelas organizações. E quando há falta de compatibilidade entre os objetivos pessoais e os das organizações, há grande chance de conflito. P. ex., uma empresa que busca maximizar o lucro tende a entrar em conflito com seus funcionários, dispostos a lutar por melhores remuneração e condição de trabalho.

Quando não há compatibilidade de objetivos, é preciso trabalhar para aproximar as diferenças - p. ex., no caso da empresa anterior, a solução poderia ser distribuir pelos funcionários parte dos lucros, fazendo-os sentir-se  “sócios” da empresa. Em outras palavras, essa abordagem alinha melhor os objetivos das pessoas com os da empresa. 

Os(as) cristãos(ãs) não são diferentes das demais pessoas e, portanto, almejam mais ou menos as mesmas coisas: conforto, prosperidade, segurança, etc. A diferença é que cristãos(ãs) verdadeiros(as) não almejam só coisas terrenas, mas também se empenham por herdar a vida eterna. assim, sabem que precisam impor certos limites aos seus objetivos terrenos para não prejudicar seu acesso à vida eterna. 

Agora, as igrejas têm por objetivo primordial implantar o Reino de Deus neste mundo: evangelizar, acolher e discipular as pessoas, dar assistência material aos menos favorecidos, etc. E é fácil perceber que não há compatibilidade total entre esses objetivos e os das pessoas. 

Afinal, os requisitos necessários para a implantação do Reino de Deus são sacrifício, dedicação, desprendimento pessoal e assim por diante. Enquanto os objetivos pessoais têm a ver com prosperidade, conforto, segurança, etc. No primeiro caso, é preciso "domar" o eu, enquanto no segundo, ele impera.

Como algumas igrejas administram esse conflito
Ao longo do tempo, foram desenvolvidas várias estratégias para administrar essa diferença de objetivos. Vou dar alguns exemplos:
  • Liberalismo excessivo                                                  Há igrejas que ajustam seus objetivos para torná-los mais "palatáveis" para as pessoas – algumas chegam a fazer estudos de marketing para entender melhor o que seu público quer ouvir. Liberalizam as práticas e costumes, tornando as exigências feitas às pessoas mais “leves”. Para dar suporte teológico para essa postura, relativizam os ensinamentos da Bíblia, especialmente os mais incômodos. O problema com essa abordagem é que a igreja se torna parecida com o mundo e acaba irrelevante. Tudo se passa como se ela igreja abandonasse seus objetivos e adotasse os das pessoas, isto é o "sal deixa de ter sabor"
  • Promessas excessivas                                                 Há igrejas que se especializam em divulgar doutrinas simplistas mas que falam ao coração das pessoas. Fazem muitas promessas - prosperidade, saúde absoluta, etc - mas, infelizmente, sem qualquer respaldo bíblico. As pessoas aderem a essas igrejas de forma entusiasmada e elas crescem rapidamente. Mas, quando as promessas não se materializam, as pessoas ficam decepcionadas. E a explicação dada pelas igrejas é que a benção não veio porque faltou fé, ou seja foi culpa da própria pessoa. O que acontecesse nesse caso é que as igrejas tentam convencer as pessoas que não há diferenças de objetivos, mas a realidade acaba se impondo.  
  • Controle pelo medo                                                      Há igrejas que recorrem ao medo do Inferno para controlar as pessoas. Apavoradas, muitas delas, especialmente aquelas com menor instrução, se deixam “escravizar”. Abrem mão dos seus objetivos pessoais em prol dos objetivos das igrejas. As consequências são cristãos com medo e um ambiente propício à hipocrisia.
  •  Acomodação                                                                 Há igrejas que mantém seus objetivos mas, na prática, não lutam por eles. E as continuam mais ou menos vivendo suas vidas numa zona de conforto, sem serem desafiadas a nada. Tudo se passa como se cada um(a) pudesse manter sua posição, sem haver conflito, mas isso não dá certo, pois normalmente os objetivos humanos acabam prevalecendo. 
Como Jesus resolveu esse conflito
Ele agiu de forma criativa: trabalhou para que seus seguidores mudassem a forma como viam o mundo. Mudassem seus objetivos para outros mais em linha com o Reino de Deus. E fizessem isso de forma voluntária, com o coração alegre. Em outras palavras, Jesus empenhou-se para que seus seguidores passassem a "sonhar os sonhos de Deus". 

E Ele fez isso investindo pesadamente no discipulado dos seus seguidores: foram três anos convivendo com essas pessoas e ensinando-as através de cada atitude e palavra suas. Trabalho difícil e lento mas que produziu mudanças duradouras – basta ver o caso do apóstolo Pedro, antes um homem instável e depois um dos pilares da igreja cristã.  

E durante o processo de formação dessas pessoas, Jesus não se afastou um milímetro da vontade de Deus - não fez concessões, muito menos permitiu que as pessoas se acomodassem numa zona de conforto. Em resumo, fez a vontade de Deus. Simples assim.

É claro que essa estratégia não gerou resultados imediatos - depois de três anos, Jesus tinha feito apenas um punhado de discípulos fiéis. Mas os resultados atingidos foram duradouros. Os(as) discípulos(as) formados multiplicaram o trabalho de Jesus, formando novos(as) discípulos(as) e levando a mensagem cristã a todo lugar. A igreja cristã cresceu de forma segura e confiável, sem fazer concessões, mas também sem escravizar as pessoas.  

Infelizmente, essa estratégia não é muito popular hoje em dia, por ser demorada e requerer muito esforço. Boa parte dos(as)  líderes religiosos(as)  atuais tem pressa e mede seu sucesso pelo crescimento rápido das suas igrejas. Assim, não há tempo para discipular, só para fazer promessas e mais promessas.

Essa estratégia "fast food" também agrada às pessoas, sedentas por resultados imediatos. Poucas têm paciência para frequentar uma igreja por um bom tempo, participando dos cultos, Escola Bíblica e grupos de discipulado, para consolidar seu caráter cristão.  

Essa é uma situação onde se juntam "a fome com a vontade de comer": todo mundo quer resultados rápidos e investir o mínimo de esforço. O conflito de objetivos é simplesmente "empurrado para baixo do tapete" e nunca resolvido. 

Reconhecer que os objetivos do Reino de Deus e os das pessoas não são sempre compatíveis entre si é muito importante, pois isso dá bem a dimensão do desafio a ser enfrentado pelas igrejas. Não há respostas fáceis e que geram resultados imediatos. 

Afinal, trata-se de mudar as pessoas. Ensiná-las a deixar de lado seu próprio eu e passar a priorizar o Reino de Deus, com ênfase no próximo. Esse é o único caminho possível. Pena que seja tão pouco adotado

Com carinho

quarta-feira, 15 de julho de 2015

INFELIZMENTE, O DIABO NÃO É FEIO

Os livros, filmes e programas de televisão costumam apresentar o Diabo como um ser feio, repelente mesmo. Chifres, rabo, cheiro de enxofre, etc costumam estar presentes. Ora, ninguém iria se sentir atraído por um ser assim e seria fácil fugir dele, caso isso fosse verdade. 

A realidade é completamente diferente: Satanás não é horrível. É preciso lembrar que ele foi originalmente um arcanjo muito bonito, Lúcifer, chamado na Bíblia de "Estrela da Manhã" (Isaías capítulo 14, versículos 12 a 15)Sendo assim, não é difícil para ele se disfarçar como um "anjo de luz" (2 Corintios capítulo 11, versículo 14)Em outras palavras, trata-se de um ser bonito e sedutor, que tem poder para encantar as pessoas. E essa é uma das razões porque ele é tão perigoso. 

Agora, a Bíblia também afirma que não devemos ter medo de Satanás. É preciso sim cautela - saber do que ele é capaz e jamais subestimá-lo. Mas não devemos ter receio, pois basta resistir - não aceitar suas mentiras e promessas enganosas - que ele foge (Tiago capítulo 4, versículo 7). 

Precisamos entender ainda que Satanás não tem poder para nos obrigar a fazer sua vontade. Pode tentar nos convencer e até nos seduzir, levando-nos a seguir um caminho errado, mas a escolha final é sempre nossa, pois temos livre arbítrio. 

Mas se o poder de Satanás é limitado, também é preciso entender que não podemos nos esconder atrás dele, atribuindo-lhe a ele nossas próprias ações erradas. Usando-o como desculpa para justificar nossos eventuais erros. O que fazemos de errado é nossa responsabilidade e iremos responder a Deus por isso. Simples assim. 

Com carinho

segunda-feira, 13 de julho de 2015

JESUS FOI CASADO?

Terá sido Jesus casado com Maria Madalena? Esse é um assunto que volta e meia aparece na mídia, fazendo manchetes.

O livro "Código da Vinci" rendeu milhões para seu autor, explorando exatamente essa ideia. Cerca de dois anos atrás, uma professora da Universidade de Harvard, Karen King, causou furor ao apresentou o que seria uma nova evidência do casamento de Jesus com Maria Madalena. Ela encontrou um pequeno pedaço de papiro - ver foto - onde Jesus aparece falando sobre sua esposa e dizendo que ela poderia ser uma boa discípula.


A bem da verdade, a professora King não afirmou que o pedaço de documento prova que Jesus foi casado com Maria Madalena, mas apenas que o documento demonstra ter havido uma corrente de pensamento entre os cristãos que considerava isso como um fato.

Ora, a mídia gosta de sensacionalismo e a declaração da Professora, bastante comedida, foi exagerada de todas as formas - o pequeno pedaço de papiro chegou a ser apelidado de "Evangelho da Esposa de Jesus".

Tudo isso torna interessante discutir essa questão: terá sido jesus casado com Maia Madalena? E se isso tiver acontecido, quais seriam as consequências para a fé cristã?

O que a Bíblia diz? 
A Bíblia não fala concretamente se Jesus foi casado ou não. O apóstolo Paulo, por exemplo, afirmou claramente que era solteiro, mas nada é dito no texto bíblico sobre Jesus. 

Agora, a conclusão de que Ele era solteiro decorre de três razões:
  • Naquela época praticamente todos os homens eram casados e um caso como o de Paulo era considerado exceção. Assim, se os Evangelhos tivessem se referido a uma esposa para Jesus, isso não teria sido considerado nada demais. Em outras palavras, se a tal esposa tivesse existido, não teria havido qualquer razão para escondê-la. Portanto, o fato de não haver qualquer referencia a ela - por exemplo, quando a família de Jesus é mencionada - é forte indício de que Jesus era solteiro.
  • Em diversas passagens da Bíblia a igreja cristã é citada como a "noiva" de Cristo. E seria estranho haver tal tipo de citação se Jesus fosse casado.
  • Não há qualquer evidencia concreta de ter havido um relacionamento amoroso entre Jesus e Maria Madalena, a candidata favorita de todos que defendem a tese do casamento. Pelo contrário, as evidências existentes apontam em sentido contrário. P. ex., quando Jesus ressuscitou, Maria Madalena foi a primeira pessoa a vê-lo. E ela procurou abraçá-lo, mas Jesus se afastou e não permitiu o contacto físico (João capítulo 20, versículos 11 a 18). Ora, essa não é a reação que teria sido natural se eles fossem casados e tivessem se reencontrado de forma dramática. 
  • Toda a tradição cristã aponta para o fato de Jesus ter sido solteiro. Se o fato d´Ele ter sido casado fosse algo bem conhecido, tal tradição nunca poderia ter prosperado.
Portanto, a doutrina de que Jesus permaneceu solteiro parece bastante segura. E afirmar o contrário é pura especulação.

E se Jesus tivesse se casado?
Quero discutir agora se isso teria feito diferença para o cristianismo. Acho que não, pois o papel de Jesus como nosso Salvador não teria sofrido qualquer mudança por conta de um possível casamento. 

Afinal, para que esse papel tivesse se sustentado foi preciso que algumas premissas fossem confirmadas: Jesus ter sido gerado pelo Espírito Santo e por uma mulher (isto é, ser tanto homem como Deus), ter vivido sem pecado, haver morrido na cruz por nós e ter ressuscitado dentre os mortos. 

Ora, nenhuma dessas premissas ficaria prejudicada pelo fato de Jesus ter se casado. Em outras palavras, se por absurdo amanhã ficasse provado que Jesus se casou, ainda assim Ele continuaria a ser o nosso Salvador - o cristianismo iria em frente da mesma forma.

Na verdade, o incômodo que alguns cristãos(ãs) demonstram com essa possibilidade decorre do fato que, para eles(as), o sexo é pecaminoso, mesmo quando feito no âmbito do casamento. Para essas pessoas, se Jesus tivesse sido casado, Ele teria pecado e cairia por terra seu papel como Salvador da humanidade. 

Ora, não há qualquer respaldo bíblico para a tese de que sexo é sempre pecaminoso, mesmo quando feito da forma certa. Basta ler o Cântico dos Cânticos, escrito por Salomão, para comprovar isso.

O problema que poderia haver, caso Jesus tivesse se casado, seria a possibilidade de ter havido algum descendente. Se tivesse existido um(a) filho(a) d´Ele, como tal pessoa teria sido encarada pelos cristãos(ãs)? Provavelmente como um semi-deus(a) - alguém digno(a) de honras e adoração. Aliás, é exatamente essa a possibilidade que o autor do "Código da Vinci" explora nesse livro.

E para mim, essa é mais uma razão para Jesus não ter se casado (e deixado descendentes). Afinal, Deus conhece tudo, especialmente nossas fraquezas. E Ele não iria permitir que o legado de Jesus fosse usado de forma errada, ao se estabelecer um culto para seus(suas) descendentes.

Com carinho