sábado, 30 de maio de 2015

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DE URIM E TUMIM?

Urim e Tumim são os nomes de duas pedras preciosas muito especiais, usadas para consultar a Deus. O sumo-sacerdote as carregava numa espécie de bolso que tinha no peitoral das suas vestes sacerdotais (Êxodo capítulo 28, versículo 30 e Levítico capítulo 8, versículo 8). Ali também ficava um pequeno pergaminho contendo o nome de Deus. 

Quando alguém precisava consultar a Deus sobre uma questão relevante - normalmente relacionada com o interesse de todo o povo de Israel - podia fazer uso do Urim e Tumim. Por exemplo, o rei Saul acabou por consultar uma médium, porque:
... quando consultou o Senhor, o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas... 1 Samuel capítulo 28, versículo 6
O procedimento de consulta era o seguinte. A pessoa que precisava da resposta se dirigia ao sumo-sacerdote. Esse virava-se para a Arca da Aliança, para invocar Deus, e a pessoa interessada, atrás dele, fazia a pergunta. E o sumo-sacerdote, então, manipulava as pedras. 

Há muita controvérsia sobre como a resposta de Deus se dava. Vejamos algumas possibilidades: 
  • As inscrições gravadas nas pedras se iluminavam e o sumo-sacerdote interpretava o significado da resposta dada. 
  • As pedras continham numa face a resposta positiva e na outra a negativa. Elas eram jogadas e a resposta era dada dependendo da face delas que caísse para cima. A resposta podia ser negativa (duas faces negativas para cima), positiva (duas faces positivas para cima) ou indeterminada (uma face de cada para cima). 
  • Há ainda quem diga que existia apenas uma pedra e Urim e Tumim eram os nomes das suas duas faces.
Há várias passagens da Bíblia que descrevem situações onde essas pedras foram usadas. Por exemplo, esse método de consulta a Deus foi usado para  validar a escolha de Josué como sucessor de Moisés (Números capítulo 27, versículo 21). Em alguns casos o uso do Umim e Tumim não é expressamente mencionado, mas esse parece ter sido o caso. Por exemplo, quando Deus escolheu os homens que seguiram Gideão para guerra (Juízes capítulo 7, versículos 1 a 4) ou quando Saul foi escolhido rei dentre todo povo de Israel (1 Samuel capítulo 10, versículos 20 a 24).

Nos dias de Esdras e Neemias, quando o povo de Israel voltou do cativeiro na Babilônia (meados do século V AC), esse método de consulta tinha caído em desuso por motivos que não conhecemos. Por exemplo, em Esdras capítulo 2, versículo 63, é contado que Zorobabel adiou a decisão com respeito ao direito de certas famílias terem seus membros reconhecidos como sacerdotes, até que se apresentasse alguém sabendo usar essas pedras. 

Elas desapareceram em algum momento da história de Israel, mas não se sabe quando isso aconteceu. O historiador Flavius Josephus deu uma pista dizendo nos seus escritos que isso se deu cerca de 200 anos antes da sua época, ou seja por volta de 150 AC. 

Concluindo, o costume de consultar a Deus usando essas pedras parece-nos meio estranho - usamos hoje métodos totalmente diferentes. Mas o uso do Urim e o Tumim foi uma realidade importante para Israel por cerca de 1000 anos. 

Com carinho

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O MILAGRE DE LUCIANO E ANGÉLICA

O Brasil se emocionou com a história do Luciano Huck e Angélica, que juntamente com seus filhos, duas babás e pilotos, escaparam de um desastre de avião terrível, no domingo passado.

Em depoimento ao Jornal Nacional da TV Globo, na noite de ontem, o casal falou sobre seu desespero, quando viu que o avião ia cair. E Angélica chegou a declarar que todos foram salvos pela mão de Deus. Ou seja, ela sabe que um milagre aconteceu na vida de sua família.

Esse casal me é muito simpático, não somente por ser uma ilha de sanidade no meio da loucura do mundo televisivo, que frequentemente dá exemplos péssimos. O casal está junto há muitos anos, parece viver bem e já tem três filhos. Apesar de ricos e famosos, não deixaram tais coisas influenciarem suas vidas - nunca foram flagrados dando testemunho ruim. E os programas de ambos na TV Globo costumam abraçar boas causas, voltadas a ajudar os menos favorecidos.

Alguns poderiam dizer que Luciano e Angélica foram salvos por Deus justamente porque são pessoas boas. Eu não gosto de pensar assim, pois já vi muita gente boa morrer em desastres ou doenças inesperadas e aí seria necessário explicar porque essas mortes não foram injustas. 

Eu já expliquei muitas vezes aqui neste blog que desastres acontecem por conta de erros humanos - no caso, combustível de má qualidade (contendo impurezas). E Deus não opera nas nossas vidas por conta dos nossos méritos. Suas razões são bem outras. Algumas conseguimos entender enquanto outras continuarão a ser misteriosas.

Agora, uma coisa é bem clara na Bíblia: toda vez que Deus se move, sempre tem como objetivo fazer sua obra avançar. É claro que Ele se alegra em fazer o bem para aqueles que ama, mas sempre há um objetivo maior por trás da sua ação. 

E aqueles que são beneficiados por um milagre assumem - embora muitas vezes não venham a se dar conta disso - a responsabilidade de contribuir para os objetivos de Deus.

Muitos anos atrás fui salvo de um atropelamento na porta da escola - tenho certeza que ali ocorreu um milagre. Eu sabia disso, mas vivi muitos anos da minha vida sem realmente me colocar à disposição da obra d´Ele - ia à igreja com regularidade, dava o dízimo e fazia algumas ofertas, mas não me envolvia de fato na obra. Hoje procuro fazer o que está a meu alcance e este blog é uma prova viva disso. Provavelmente poderia fazer ainda mais, mas sei que já avancei na direção certa.

A mesma responsabilidade bateu agora à porta de Luciano e Angélica. Cabe a eles entender isso e passar a agir de acordo.

A segunda reflexão que gostaria de fazer aqui é sobre a fragilidade da vida humana - ela é muito maior do que queremos reconhecer. A família do Luciano Huck estava bem num minuto, vivendo de forma privilegiada, e todos poderiam ter morrido no minuto seguinte. Hoje poderíamos estar acompanhando emocionados o enterro de todos eles.

Jesus lembrou essa realidade numa parábola bem conhecida (Lucas capítulo 12, versículos 16 a 21). Um lavrador muito rico teve uma colheita excepcional e resolveu aumentar seus celeiros para guardar todos os grãos que produziu. Aí disse para si mesmo que podia finalmente descansar e aproveitar o que tinha acumulado na vida. A parábola termina com a seguinte frase de alerta:
...Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado...?  
Precisamos aprender a não deixar para amanhã as ações espirituais que são necessárias, pois não sabemos o que vai acontecer. Afinal, nossa vida não está debaixo do nosso controle. Simples assim.

Que a família do Luciano e da Angélica tenha uma vida abençoada. Mas que eles também possam ser uma benção na obra de Deus. Esse é meu desejo sincero para eles.

Com carinho 

terça-feira, 26 de maio de 2015

O MUNDO ESTÁ PARA ACABAR?

A direção da Igreja Universal declarou nesses dias que o recente terremoto no Tibet é uma prova de que o mundo está para acabar. Na verdade, esse tipo de declaração volta e meia aparece, feita por diferentes pessoas. 

Lembro de ter ouvido a mesma coisa logo após o tsunami que matou centenas de milhares de pessoas na Indonésia. Lembro também de uma conhecida pastora afirmando que Sadam Hussein era a Besta descrita no Apocalipse, logo depois que ele invadiu o Kuwait, cerca de 15 anos atrás.

O que essas pessoas fazem é "ler" alguma desgraça importante que ocorreu como prova de que os fatos catastróficos relatados no Apocalipse começaram a acontecer. E, sendo assim, o mundo vai acabar em breve. Mas será que o mundo está mesmo para acabarA resposta para essa pergunta é: não é possível afirmar nada sobre essa questão

Grandes catástrofes têm ocorrido desde o início da existência do mundo. Por exemplo, um meteorito caiu no atual território do México cerca de 60 milhões de anos atrás e seus efeitos destruíram muitas espécies de animais, como os dinossauros. Erupções vulcânicas destruíram cidades - como Herculano e Pompéia (na Itália) - e terremotos arrasaram civilizações inteiras. Epidemias - como a peste bubônica - dizimaram populações de inúmeros países. E conflitos, como a Segunda Mundial, levaram centenas de milhões de pessoas à morte.

E o mundo não acabou. Assim como não há sinais concretos de que venha a acabar proximamente. Em outras palavras, as catástrofes por si só não são indicadoras do final dos tempos. Elas têm ocorrido com regularidade e continuarão a ocorrer. E isso não prova nada.

Além disso, a Bíblia é clara quanto ao fato que ninguém sabe quando o mundo vai acabar. Jesus disse que nem Ele sabia disso: só Deus conhece o dia e a hora certas (Mateus capítulo 24, versículos 36 a 39). Jesus disse também que irá voltar num momento inesperado, da mesma forma como o ladrão ataca (Mateus capítulo 24, versículos 43 e 44). 

Em conclusão, não sabemos quando o mundo irá acabar. E não podemos concluir que desastres por si só indicam que essa época está próxima.

Com carinho

domingo, 24 de maio de 2015

ESCONDENDO-SE DA GRAÇA DE DEUS

É estranho mas muitas pessoas se escondem da Graça de Deus. E o resultado é sempre ruim, afinal a Graça é o instrumento através do qual Deus perdoa o ser humano e o recebe de volta no seu convívio, do qual tinha se afastado por causa do pecado.

E há três formas de se esconder da Graça de Deus. Uma delas é bem fácil de identificar, enquanto as outras duas são bem mais sutis e, portanto, potencialmente mais perigosas.

Escolha consciente
Nesse caso a pessoa se afasta da Graça simplesmente por se recusar a aceitar Jesus como seu Salvador. E essa é uma decisão consciente tomada com base no livre arbítrio. E a pessoa que a toma precisará enfrentar as consequências da sua escolha. 

Indecisão
Essa é uma forma mais sutil de se esconder da Graça. Não há uma recusa concreta e consciente a Jesus, mas o resultado prático é o mesmo. Isso porque a pessoa nunca faz o que é necessário para realmente aceitá-lo como Salvador - por exemplo, alega que ainda não está em condições de dar esse passo. Vai adiando a decisão. 

A pessoa pode mostrar-se indecisa por perceber que vai precisar mudar sua vida e talvez não queira fazer isso - sente-se confortável como está. Pode ser também que não esteja totalmente convencida de quem Jesus é. Há várias outras possibilidades.

O grande problema é que a pessoa nem percebe que está se escondendo da Graça de Deus e das consequências desastrosas dessa escolha. É igual ao fumante que se intoxica um pouco a cada dia, mas somente toma consciência do mal que fez a si mesmo muitos anos depois, quando aparece um câncer.

Legalismo 
Essa é a forma mais sutil de se esconder da Graça de Deus. O problema surge porque a pessoa pensa, bem lá no fundo, ser possível aproximar-se de Deus por mérito. Pensa que pode realizar boas obras em quantidade suficiente para merecer a salvação - é o que a Bíblia chama de "caminho da Lei".

Mas o apóstolo Paulo ensinou (Romanos capítulo 7, versículos 7 a 25) que a Lei foi dada por Deus para que o ser humano soubesse distinguir com clareza entre o que é certo e o errado. E, em consequência, percebesse que o grau de exigência de Deus não pode ser atingido por ninguém, não importa o quanto a pessoa venha a se esforçar. 

Agora, há quem mesmo assim continue a se agarrar à ideia de ser possível agradar a Deus por mérito, por esse caminho parecer mais justo. E aí a pessoa passa a dar enorme atenção aos mandamentos e às regras de comportamento de todo tipo, muitas delas inventadas pela loucura humana. E quem faz isso costuma cobrar dos outros que façam o mesmo. 

Isso se chama legalismoE existe uma armadilha terrível, na qual há duas formas de cair. A primeira é tornar-se orgulhoso(a): acreditar sinceramente ter conseguido juntar mérito suficiente, alcançando a santidade necessária. 

Há uma parábola contada por Jesus (Lucas capítulo 18, versículos 9 a 14) onde dois homens entraram no Templo de Jerusalém para orar. Um deles era fariseu, estrito cumpridor dos mandamentos bíblicos, e ele orou dizendo estar grato por não ser um pecador, como a pessoa ao seu lado, um coletor de impostos. Esse segundo homem mal levantou os olhos para o altar, com vergonha da sua conduta. E na sua oração, pediu perdão e misericórdia a Deus. 

Jesus concluiu a parábola dizendo que ambos pecaram, mas o coletor de impostos, que reconheceu seus pecados, foi para casa justificado por Deus, enquanto o fariseu, por causa do seu orgulho, não. 

A segunda maneira de cair na armadilha gerada pelo legalismo é a hipocrisia: a pessoa sabe que não consegue fazer tudo aquilo que Deus deseja mas tenta manter uma fachada de santidade

A hipocrisia talvez seja ainda pior do que o orgulho pois a pessoa passa a viver uma mentira, apenas para ficar bem aos olhos dos(as) outros(as)

E Jesus advertiu que os(as) hipócritas são como "túmulos caiados", isto é bonitos por fora mas cheios de podridão (Mateus capítulo 23, versículos 27 e 28). Coisa terrível.

Palavras finais
Aceite que você, assim como eu, precisa de ajuda para chegar até Deus. E a Bíblia ensina que essa ajuda está materializada na Graça. Portanto, não se esconda dela. 

A Bíblia ensina ainda que a Graça de Deus só se torna efetiva na vida de cada pessoa através da fé verdadeira, isto é da aceitação de Jesus como único Salvador. 

E como não há mérito - não é pelas obras que é possível chegar até Deus -, só resta a cada um(a) de nós ser profundamente grato pela Graça recebida. Simples assim.

Com carinho

sexta-feira, 22 de maio de 2015

UMA DOUTRINA MUITO PERIGOSA

O pastor John Piper é uma voz muito respeitada no meio evangélico - eu mesmo já publiquei um post sobre um livro comovente que ele escreveu sobre o racismo (ver mais detalhes). 

Infelizmente, uma utra contribuição teológica sua é desastrosa, levando-me até a questionar se Ele serve o mesmo Deus que eu.  

A divergência parte do debate sobre as guerras travadas pelo povo de Israel contra os canaanitas durante a conquista da Terra Prometida. E no relato bíblico, há textos onde Deus aparece dizendo aos israelitas para matar toda a população inimiga. 

Olhada sob a ótica moderna - dos direitos humanos -, essa orientação parece ser cruel e injusta. Eu já comentei neste blog (ver mais detalhes) que avaliar práticas políticas e sociais em vigor cerca de 3.000 anos atrás com base em critérios vigentes hoje em dia, é um erro chamado anacronismo

O povo de Israel estava inserido numa realidade onde não havia piedade para com os perdedores de uma guerra. Era uma questão de matar ou morrer, até porque a terra existente não conseguia prover alimentos para todos - a agricultura ainda era muito rudimentar. 

E é nesse contexto que devemos analisar o que a Bíblia relata sobre aquelas guerras. Portanto, a forma de encarar o que aconteceu e o papel de Deus naqueles fatos precisa levar isso em conta. 

O fato é que Deus estabeleceu um relacionamento com seu povo através do qual lhe foi ensinando, aos poucos, quais eram os caminhos corretos. E isso pode ser percebido claramente quando se compara a forma de tratar inimigos estabelecida no Velho Testamento - retribuir na mesma medida o mal recebido, isto é “olho por olho” - e no Novo Testamento - “amai os inimigos”. 

Deus sabia que o povo iria evoluir pouco a pouco nas suas práticas sociais. Assim, a revelação plena e final da sua vontade somente veio com o Evangelho de Jesus, cerca de 1.400 a 1.200 anos depois das guerras dos israelitas com os canaanitas.

Tenho certeza que o Pastor John Piper sabe isso tudo, pois tem uma formação acadêmica excelente. Mas, quando lhe foi apresentada a mesma questão - porque Deus teria orientado o massacre de populações inimigas de Israel -, Piper saiu-se com a seguinte resposta: 
É correto que Deus chacine mulheres e crianças em qualquer momento em que Ele assim o deseje. Deus dá a vida e pode tomar a vida. Todas as pessoas que morrem, morrem por que Deus assim o deseja ... Ele não faz nenhum mal para ninguém quando tira a vida daquela pessoa, quer com a idade de 2 semanas ou de 92 anos.”  
Eu confesso que fico meio sem palavras ao ler tal tipo de declaração - a mídia  aproveitou para fazer o maior barulho com essa frase, acusando o cristianismo de intolerante. 

Não consigo ver como esse tipo de hiper-realismo pode levar as pessoas a aceitar o evangelho de Jesus. E nem como esse tipo de abordagem pode ajudá-las a enfrentar suas dificuldades. É mais ou menos dizer o seguinte, para quem sofre de doença incurável: 
Deus é o soberano do universo e Ele pode escolher destruir sua vida e/ou dos seus entes queridos quando e onde quiser. Ele não deve nada a você, portanto, você não pode acusá-lo de nada se Ele fizer isso agora.” 
Infelizmente essa posição hiper-realista encontra outros defensores além do Pastor Piper. São aqueles(as) que entendem que a soberania de Deus é absoluta e por isso Ele faz o que bem quer e ninguém pode reclamar nada. 

O problema com essa doutrina é ela ser apenas parcialmente verdadeira. Realmente Deus é soberano, mas uma coisa é o potencial que Deus tem para fazer tudo aquilo que quiser e outra bem diferente é aquilo que Ele realmente faz. E a diferença entre uma coisa e outra está relacionada com o caráter de Deus e isso faz toda a diferença.

Eu prefiro acreditar - e acho ter base bíblica para tanto - que Deus quase sempre segue o caminho da misericórdia e do amor. Só em ocasiões extraordinárias, onde não mais esperança de recuperação das pessoas, como no caso de Sodoma e Gomorra, Ele é rigoroso. Mas na maioria dos casos, Deus é misericordioso - por exemplo, Ele perdoou o povo de Nínive, quando as pessoas se arrependeram, após o chamado feito pelo profeta Jonas.   

Outro ponto de discordância que tenho com o Pastor Piper é que, bem lá no fundo, há um certo sentimento de superioridade em quem defende o mesmo ponto de vista dele. Duvido que Piper tivesse a mesma tranquilidade se pessoas chacinadas fossem da sua família ou os seus amigos. 

Vejo o mesmo problema na teologia da predestinação - Deus teria escolhido de antemão algumas pessoas para serem salvas e outras para mandar para o inferno. Nunca li um livro, onde essa doutrina seja defendida, no qual o(a) autor (a) reconheça que foi predestinado(a) para o inferno. Tais livros são sempre escritos sob o ponto de vista de quem se julga predestinado para a salvação e aí fica fácil afirmar tal tipo de coisa. 

Finalmente, discordo também porque vejo nesse tipo de postura teológica a matriz onde é gerado o radicalismo, que tanto mal já causou e ainda causa no mundo, sob a desculpa de fazer a vontade de Deus. 

E é por doutrinas radicais desse tipo que cristãos(ãs) "sinceros(as)" matam médicos que fazem abortos, agridem gays, invadem e destroem terreiros de religiões afro, dentre outros absurdos, dando testemunho de intolerância e crueldade para a sociedade onde vivem. 

Com carinho 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

VEJAM O LIVRAMENTO DE DEUS ...

O relato abaixo foi publicado no site UOL em 30/03/2011. Vejam como Deus livrou Karina.

História de Karina Aparecida Chicória (27 anos em 2011)
Faltavam quatro meses para meu aniversário de 15 anos. Uma colega, que queria visitar o namorado na cadeia, me pediu um favor. Em troca, me daria R$ 80,00. Era uma época que eu andava meio revoltada e andava com más companhias. Nunca havia experimentado droga, só maconha, nem vendido. 
Ela me deu 28 papelotes de cocaína. Vendi um deles, mas depois percebi que havia perdido um. Então tive então uma ideia. Sabia que as meninas abriam os papelotes, pegavam um pouco de cada e montavam um novo para vender. Pensei em fazer o mesmo para repor a perda. 
Estava terminando quando o dono da droga chegou. Ele ficou furioso com minha colega e ela brava comigo, porque perdeu o emprego. Eu estava encostada no portão quando senti um negócio passar no meu pescoço. Era ela, que veio por trás e me deu uma facada na nuca.”
Minha cirurgia durou oito horas. Depois, foram 18 dias em coma e seis meses no CTI. Acordei com minha mãe me chamando. Eu me lembrava de tudo. Só xingava e queria me vingar da menina. 
Três meses depois a médica veio e disse que eu ia ficar tetraplégica. Perguntei o que era aquilo. Ela disse que eu tinha perdido os movimentos do pescoço para baixo e que ficaria dependente de um respirador. Eu perguntei até quando. Ela respondeu: "Até quando Deus quiser". 
Eu só chorava. Era conversar comigo, que eu chorava. Foi assim por uns quatro meses. Até que o médico me deu uma bronca: "Já te expliquei várias vezes o que você tem e não é para ficar chorando. Essa é a última vez que quero ver você chorar." E não chorei mais, só quando ficava muito triste. 
Fiz muitos amigos aqui (Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto). É uma segunda família. Voltei a estudar. Agora, já conclui o ensino fundamental. Também aprendi a pintar com a boca. Fiz oito quadros. A internet me ajuda também. Converso com os pacientes novos, com os acompanhantes.
Dois anos atrás, entrei numa depressão feia, até tentei me matar. Tentei tirar o respirador à noite, mexendo o pescoço. Mas não consegui. 
Acho que Deus falou: "Vou dar um susto nela, para ela acordar para a vida". Isso porque, outro dia, estava dormindo e o respirador saiu sozinho, sem eu querer. Quando as enfermeiras chegaram, estava perdendo a consciência. Pedi perdão a Deus, vi que não queria morrer. Eu queria viver.”
Hoje me despedi dos meus amigos do hospital pois volto para casa. Planejei como seria a festa de despedida. Teve até convite. Tudo graças ao respirador que o Estado enviou, à ajuda do pessoal do HC e também porque minha mãe poderá ficar comigo. 
Quero continuar estudando, terminar o ensino médio. No começo, queria fazer enfermagem. Agora estou pensando em jornalismo, porque no hospital criei um jornal mural. 
Meu desejo era ir para casa. E esse é o primeiro sonho que estou realizando.
O ensinamento que tiro desse relato impressionante é que Deus restaura vidas, mesmo quando parece não haver mais esperança. É o que a Bíblia chama de "livramento de Deus.

Quando o povo de Israel saiu do Egito, liderado por Moisés, houve um momento em que as pessoas se viram espremidas entre o mar Vermelho e as tropas do faraó que avançavam. Quando o desespero começou a bater, Moisés disse
“... não temais, estais quietos e vede o livramento de Deus...”   Êxodo, capítulo 14, versículo 13 
Karina experimentou o livramento de Deus. E qualquer um(a) pode fazer o mesmo quando precisar. Basta abrir seu coração para Ele.

Com carinho

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O TEMPLO DE JERUSALÉM

 
A esplanada onde ficava o Templo de Jerusalém hoje está ocupada por mesquitas - aquela com a cúpula dourada é o "Domo da Rocha".

O templo de Jerusalém era o local mais sagrado para o povo de Israel. O centro da religião judaica. E somente ali eram podiam ser feitos sacrifícios e outras cerimônias demandadas pela Lei Mosaica (a Torah). 

Por causa disso, Jerusalém era o local de grandes romarias para festas como Páscoa e dia do Perdão - vinham judeus de toda parte para congregar ali. 

Muitas passagens do ministério de Jesus se deram nesse Templo - milagres, pregações, discussões teológicas com sacerdotes e doutores da lei e a expulsão dos vendedores que exploravam o povo. 

Não é possível entender bem os textos do Novo Testamento sem ter noção clara do papel fundamental que o Templo de Jerusalém tinha naquela época.

A origem
Quando o povo de Israel saiu do Egito, liderado por Moisés, Deus ordenou ao povo que fabricasse uma tenda, que passou a ser usada como templo portátil (Êxodo capítulo 36). Essa tenda (Tabernáculo) passou a ser montada em cada lugar que Israel acampava, ao longo das suas andanças pelo deserto do Sinai. O Tabernáculo foi a primeira construção humana onde a glória do SENHOR se fez presente (Êxodo capítulo 40).

Quando Israel passou a habitar na Terra Prometida, o Tabernáculo foi instalada de forma mais permanente na cidade de Shiló. Cerca de 200 anos depois, quando Davi já era rei de Israel, a cidade de Jerusalém foi conquistada e elevada à condição de capital do reino. Foi aí que Davi decidiu levar o Tabernáculo para Jerusalém, para marcar bem o novo status daquela cidade. 

O Templo de Salomão
Anos depois, Davi teve a ideia de construir um Templo para substituir o Tabernáculo, entendendo que Deus merecia uma “moradia” mais digna do que uma simples tenda. Essa tarefa, entretanto, somente foi levada adiante cerca de 30 anos depois, pelo filho de Davi, Salomão. A construção produto desse esforço é chamada de "Primeiro Templo" ou "Templo de Salomão". 

Ele foi construído num monte que ficava no centro de Jerusalém - a tradição diz foi no mesmo local onde Abraão esteve para sacrificar seu filho, Isaque, por ordem de Deus. Próximo ao Templo, Salomão construiu também um palácio para si e outro para sua principal esposa, filha do faraó do Egito.

O Templo de Salomão, seguindo a orientação de Deus, era formado por 5 partes: 
  • O pátio externo onde eram conduzidos sacrifícios de animais e a liderança religiosa se dirigia ao povo.
  • O átrio (hall de entrada), ainda externo à construção principal, demarcado por duas enorme colunas de sustentação.
  • O Santo Lugar, um primeiro cômodo, já dentro do edifício principal, onde ficavam o incensório (local para queimar incenso), uma mesa com doze pães (representando as doze tribos de Israel) e o famoso candelabro de sete braços.
  • O Santo dos Santos, que era um segundo cômodo, separado do primeiro por uma cortina decorada, onde ficava apenas a arca da Aliança.
  • Construções auxiliares para guardar alimentos, instrumentos de culto, riquezas, etc.
O povo podia acessar apenas o pátio externo do Templo, sendo que os homens ficavam na frente e as mulheres atrás. 

No Santo Lugar só entravam os sacerdotes, que se revezavam 24 horas por dia na queima de incenso e entoando louvores. Somente o sumo-sacerdote podia entrar no Santo dos Santos e isso uma única vez por ano, no dia do perdão (Yom Kippur). Essa determinação era tão séria que o sumo sacerdote era amarrado por uma corda, para ser puxado caso não conseguisse sair sozinho. A razão para tal restrição era o fato que o Santo dos Santos estava cheio da glória de Deus,

A estrutura do Templo era de pedra e madeira, mas a face interna do edifício principal era forrada com placas de ouro. Também eram desse mesmo metal todos os utensílios usados no Santo Lugar e no Santo dos Santos. 

A restauração do Templo
Cerca de 400 anos depois da construção do Templo, a cidade de Jerusalém foi invadida e saqueada pelos babilônios e toda a liderança judaica foi levada para o exílio. 

Cerca de 50 anos depois, após a Babilônia ter sido conquistada pelos persas, um grupo de judeus foi autorizado a voltar para Jerusalém, sob a liderança de Neemias. Esse grupo reparou as muralhas da cidade e restaurou, da melhor forma que pode, o Templo original, para permitir que a vida religiosa fosse normalizada.

O Segundo Templo
Cerca de 500 anos depois, nos tempos do rei Herodes - o mesmo que tentou matar Jesus quando bebê -, esse rei resolveu construir um Templo maior e mais suntuoso do que o existente. 

Herodes não tinha 100% de sangue judeu e era muito questionado pela população por causa disso e imaginou que tal medida lhe traria legitimidade junto ao povo. O resultado dos seus esforços é chamado de "Segundo Templo" ou "Templo de Herodes". Foi essa versão do Templo que Jesus conheceu.

O rei começou os trabalhos alargando a esplanada onde o Templo de Salomão tinha sido construído, no topo de um pequeno monte. Para isso foi preciso construir muros muito altos e fazer um enorme aterro - são essas as muralhas que podem ser vistas na foto acima. A muralha que fica no lado ocidental é o local hoje conhecido como "Muro das Lamentações", onde os judeus vêm para orar.

O Templo de Herodes era magnífico, revestido de mármore branco por fora e de ouro nas paredes internas. A construção brilhava à luz do sol. 

A nova versão do Templo conservou a mesma organização básica da construção original (pátio, átrio, Santo Lugar e Santo dos Santos), mas os edifícios auxiliares foram muito ampliados.

Herodes levou algumas décadas para concluir o novo Templo e morreu sem ver a obra totalmente pronta. Ainda havia trabalhos ali no tempo de Jesus, mais de 30 anos depois da morte daquele rei (Marcos capítulo 13, versículos 1 e 2)

Cerca de 40 anos depois da morte e ressurreição de Jesus, o povo judeu se revoltou contra os romanos e foi reprimido - a guerra durou 4 anos. No ano 70 da nossa era, o Templo de Herodes foi destruído pelas tropas do general Tito, que saquearam todas as riquezas ali acumuladas. O saque foi tão rico que custeou a construção do Coliseu em Roma.

A situação hoje  
O chamado Monte do Templo - a tal esplanada construída por Herodes - ficou longo tempo abandonado e muito material foi retirado dali para ser usado em outras construções. Somente quando os muçulmanos, chefiados por Saladino, conquistaram Jerusalém, já na Idade Média, é que o lugar voltou a ter status especial, pois a tradição islâmica diz que Maomé subiu aos céus a partir da mesma rocha que estava na base do Templo. 

Por causa disso, nessa esplanada foram construídas duas mesquitas muito importantes - "Aksa" e "Domo da Rocha". Essa última está situada exatamente onde o Templo ficava.

Portanto, embora o Monte do Templo esteja hoje sob controle de Israel, não podem ser feitas escavações arqueológicas ali, pois elas iriam danificar as mesquitas. Certamente tais pesquisas iriam encontrar coisas extraordinárias, mas a situação política impede tal tipo de esforço. Os estudos arqueológicas atuais, portanto, se concentram na região externa fora dos muros que demarcam a esplanada. 

Os judeus e certos cristãos mais radicais desejam construir o Terceiro Templo, mas os muçulmanos se opõem, porque isso significaria a destruição das mesquitas sagradas que estão no mesmo lugar. E o impasse permanece até hoje, sendo uma fonte de tensão constante.

Alguns chegam a afirmar que por causa disso irá acontecer a terceira guerra mundial. Esperemos que não.

Com carinho  

sábado, 16 de maio de 2015

BUSQUE A CURA E NÃO APENAS O ALÍVIO PASSAGEIRO

Os sintomas de doenças - febre, dores, cansaço, náuseas, etc - não são um mal em si mesmos. Eles causam desconforto mas cumprem um papel fundamental: alertam que há algo errado, uma doença que precisa ser tratada.  

Mas como os sintomas causam desconforto, frequentemente as pessoas se contentam apenas em obter alívio e deixam de ir mais fundo, de tratar de fato a doença. Tomam um comprimido aqui, usam uma pomada ali e vão levando. Assim que os sintomas melhoram, até esquecem da doença. 

Aliviar sintomas sem cuidar de eliminar sua causa é muito, mas muito perigoso. Muita gente boa já morreu por causa disso.

Buscando a cura espiritual
Doenças que têm componente espiritual - depressão, remorso, amargura, etc - também geram “sintomas”. E as pessoas podem repetir o mesmo tipo de erro: buscar apenas alívio deixando de investir na cura. 

Por exemplo, a tristeza pode ser sintoma de remorso profundo. Assistir um culto bem alegre, onde o pregador promete "mundos e fundos", pode trazer alívio temporário mas a doença espiritual continua lá. E o incômodo vai voltar, mais cedo ou mais tarde. Apenas quando a pessoa enfrentar as causas do seu remorso (os pecados que cometeu) e conseguir se sentir perdoada por Deus (e eventualmente pelas outras pessoas) é que o problema vai desaparecer.

E a mesma coisa acontece com a amargura derivada da falta de perdão, com a depressão causada pela decepção com Deus e com tantas outros problemas espirituais que "comem" a pessoa por dentro.

Agora, a cura das doenças espirituais, assim como acontece com as doenças de cunho físico, depende de algumas coisas. Primeiro, de um diagnóstico corretoNão há nada pior que diagnosticar a doença de forma errada, pois isso leva a pessoa a tomar medidas inadequadas.

Por exemplo, uma pessoa sofreu uma injustiça que nunca foi reparada e isso lhe gerou amargura. E como não consegue perdoar quem lhe prejudicou, essa raiz ruim só faz crescer. Mas ela pode pensar que seu problema está no fato de não ter recebido uma reparação. Diagnóstico errado.

Enquanto a pessoa amargurada não entender que o perdão unilateral é a solução, não vai conseguir resolver o problema. Vai continuar a esperar que quem lhe prejudicou faça algo - por exemplo, lhe peça perdão -, quando a solução depende apenas dela mesma.

Se você tiver dificuldade em identificar a causa dos seus incômodos espirituais, procure se informar sobre o tema (há vários textos neste blog que podem ser consultados) e peça ajuda de alguém mais experiente (pastor, professor, conselheiro de casais, etc).

Em segundo lugar, decida enfrentar a doença, custe o que custar. Voltando ao exemplo acima, a pessoa amargurada tem que decidir perdoar unilateralmente, sem esperar mais por alguma reparação (se isso acontecer melhor, mas não dá para ficar esperando).

Depois, exerça sua fé (tenha confiança em Deus). Sem isso, não há como ter certeza que se está fazendo a coisa certa. Isso significa também obedecer a Deus, mesmo que Ele lhe peça algo que contrarie sua vontade

É como num tratamento médico. A pessoa precisa escolher um(a) médico(a) de sua confiança e seguir o tratamento recomendado por ele(a), mesmo que não entenda bem as razões para o que lhe foi pedido e/ou lhe seja requerido passar por um procedimento doloroso. Mas sem confiança no(a) médico(a) não há como fazer isso.

Sem confiança no "médico" espiritual que temos - o Espírito Santo - não há como passar pelo processo de cura espiritual. Voltando ao mesmo exemplo, a pessoa precisa confiar que conceder o perdão unilateralmente é a coisa certa a fazer - não vai lhe prejudicar

Finalmente, tenha persistência. Problemas espirituais não são curados num passe de mágica - requerem tempo para serem superados. Isso porque a sua cura sempre têm a ver com mudanças interiores e isso nunca é feito com muita facilidade.

E a persistência num propósito espiritual modifica para melhor o caráter da pessoa. A Bíblia ensina que a persistência gera experiência e essa, por sua vez, traz esperança (Romanos capítulo 5, versículo 4). 

Resumindo, a cura de uma doença espiritual requer: diagnóstico correto, decisão de enfrentar o problema (não se contentando apenas com o alívio passageiro), confiança no "médico" (Espírito Santo) e persistência no tratamento.    

Com carinho 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A LUTA ESPIRITUAL

Vivemos entre dois universos que correm em paralelo: o físico e o espiritual. É fácil entender o primeiro deles, pois é onde vivemos, onde experimentamos nosso dia-a-dia. Agora, o mundo espiritual é diferente: trata-se de um universo não material, onde habitam anjos e demônios. 

O fato é que os dois universos se influenciam. Uma ação errada desenvolvida no mundo físico tem consequências não somente materiais mas também espiritual. Por exemplo, quando a pessoa comete um pecado - digamos, um roubo - a consequência material é que alguém acaba prejudicado e sofre por causa disso. Mas também há consequências espirituais, sendo a principal delas o afastamento de Deus, que não suporta o pecado. Outra consequência é a abertura que o pecador dá para Satanás operar na sua vida.

Consequências materiais costumam ser evidentes mas as de cunho espiritual frequentemente passam meio despercebidas. Por isso as pessoas costumam tomar providencias para consertar os problemas físicos e pouco fazem em relação ao lado espiritual.  

As janelas entre os dois universos
De vez em quando, aparecem "janelas" de comunicação entre os dois universos. Nesses momentos as pessoas conseguem perceber com clareza o que está se passando do "outro lado". 

A Bíblia traz um exemplo muito interessante desse tipo de situação. O profeta Eliseu estava na sua casa, que se encontrava cercada pelas tropas do general Naamã. Seu servo, apavorado com a situação, apelou para o profeta, pedindo-lhe que intercedesse para Deus enviar ajuda. E a resposta de Eliseu foi surpreendente: pediu a Deus que abrisse os olhos do rapaz. E o servo viu a casa de Eliseu cercada por gigantesca milícia de carros de fogo com anjos (2 Reis capítulo 6, versículos 13 a 17).

Eliseu era muito próximo de Deus e por causa disso via sempre o lado espiritual. Mas seu servo, como a maioria das pessoas, vivia apenas o lado material e nada sabia do "outro lado". Só quando se abriu uma "janela" entre os dois universos, o rapaz percebeu o tamanho da proteção que estava a seu redor.

São muitos os exemplos descritos na Bíblia de "janelas" abertas para o mundo espiritual. Jacó viu, num sonho, uma escada ligando a terra ao céu e anjos subindo e descendo por ela (Gênesis capítulo 28, versículos 10 a 16). Outro exemplo é a transfiguração de Jesus, quando os discípulos o viram em toda a sua majestade e Deus falou com eles (Mateus capítulo 17, versículos 1 a 9). Mais um exemplo é a visão do trono de Deus que o profeta Isaías teve (capítulo 6, versículos 1 a 8).

Assim como Eliseu, há pessoas que têm o dom do "discernimento espiritual", isso é a capacidade de ver com constância as conexões entre os dois universos - para elas, há como uma "passagem" permanentemente aberta entre essas duas realidades. Mas para a maioria de nós, "janelas" somente se abrem em momentos especiais.

Batalha espiritual 
Sabemos que há conflitos no mundo físico pois as pessoas e os países têm interesses conflitantes. E aí são geradas brigas e guerras, que costumam ter consequências muito ruins.

No mundo espiritual, também há disputas entre as forças de Deus e as de Satanás. Mas é importante perceber que não são dois lados com poder igual: o poder maior e incontestável é o de Deus. Satanás é um arcanjo caído e, portanto, uma criatura de Deus, assim seu poder é infinitamente menor do que o do Criador. Mas precisamos ficar constantemente alertas contra a ação do mal porque o poder de Satanás é respeitável. 

No meio, entre os dois lados, fica a maioria das pessoas, que não se posiciona claramente, por inércia, rebeldia contra Deus e ou por não conhecer bem o que acontece no mundo espiritual.  

Agora, Satanás estabeleceu como sua missão no mundo tentar atrapalhar os planos de Deus e levar as pessoas a se perderem, se afastarem d´Ele. Essa situação gera uma disputa constante - em linguagem teológica, isso se chama "batalha espiritual". 

A luta entre os seguidores de Deus e os de Satanás gera consequências enormes para o mundo material. E a Bíblia traz vários exemplos desse tipo de situação. Um dos mais interessantes ocorreu com o profeta Daniel, que vivia no exílio e estava passando por momento difícil. 

Ele pediu ajuda a Deus e a resposta da sua oração demorou 21 dias. E veja a declaração surpreendente do anjo que foi mandado por Deus em resposta à oração de Daniel (capítulo 10, versículos 12 a 14):
E o anjo prosseguiu me exortando: “Não temas, caro Daniel, porque as tuas palavras foram ouvidas sim; desde o primeiro dia em que aplicaste humildemente o teu coração a fim de buscar entendimento diante do teu Deus, as suas orações foram ouvidas, e eu vim em resposta ao teu clamor. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu durante vinte e um dias. Então Miguel, um dos príncipes supremos, veio me ajudar a vencer o inimigo, porquanto não pude mais continuar ali com os reis da Pérsia. Assim, estou aqui agora para explicar-te o que acontecerá ao seu povo nos tempos futuros, pois a visão que tiveste se refere a dias ainda muito distantes.”…
Preste bastante atenção no que foi dito acima: Deus mandou um anjo e Satanás ("o príncipe do Reino da Pérsia") impediu por três semanas que o anjo chegasse até Daniel. Foi preciso que viesse um poder maior - um arcanjo (Miguel) -, para que o anjo pudesse concluir sua missão. 

Outro exemplo interessante é a disputa entre o arcanjo Miguel e Satanás pelo corpo de Moisés (Judas versículo 9). O Inimigo queria ficar com o corpo para fazer dele um motivo de idolatria pelos israelitas, enquanto o arcanjo Miguel, tinha como missão evitar isso. No final, Miguel prevaleceu, mas não sem ter luta.

Palavras finais
Precisamos entender essas questões espirituais e nos prepararmos adequadamente para enfrentar batalhas espirituais - elas são vencidas com oração, jejum, etc. 

E há duas situações que precisamos evitar. A primeira é desconhecer ou minimizar as questões espirituais apenas porque não são visíveis. Isso é muito perigoso pois se não tivermos consciência clara dos riscos que corremos, deixaremos de nos preparar adequadamente para enfrentá-los.

A outra situação a ser evitada é o medo. Há pessoas que, depois de tomar consciência das questões espirituais, ficam apavoradas e passam a ver a ação de Satanás em tudo. Recebo muitos comentários aqui no blog falando sobre isso. 

Isso é muito ruim pois o medo é mau conselheiro. Não porque ter medo porque, se tomarmos as precauções necessárias, é perfeitamente possível nos protegermos adequadamente dos ataques de Satanás. 

Afinal, conforme ensina a Bíblia, "maior é o que está em [nós] do que o que está no mundo" (1 João capítulo 4, versículo 4). Em outras palavras, maior é o Espirito Santo (aquele que está em nós) do que o "príncipe deste mundo" (Satanás). Portanto, não há porque ter medo.

Com carinho 

terça-feira, 12 de maio de 2015

COMO MELHORAR SEU RELACIONAMENTO COM DEUS

Você quer melhorar seu relacionamento com Deus? Claro que sim. Mas não é todo mundo que consegue fazer isso, embora Deus esteja sempre de braços abertos, aguardando. 

Aí vão cinco coisas que você pode fazer se quiser de fato melhorar seu relacionamento com o Criador. E comece por assumir um compromisso real com Ele. Decida de fato que vai fazer todos os esforços necessários para se aproximar e se manter junto d´Ele. Simples assim.

Afinal, acredito que você não queira ser mais um(a) daqueles(as) filhos(as) que somente se lembra de Deus quando precisa de ajuda. E quando tudo está bem, simplesmente não se lembra muito d´Ele. 

A segunda coisa é eliminar certas percepções erradas sobre como Deus quer se relacionar com você. Vou dar alguns exemplos. 

Há quem pense que Ele é como uma super babá. Que Ele vai passar a  resolver todos os seus problemas. E quando a dificuldade chega (e ela vem mesmo), e Deus não age elimina a dificuldade, a pessoa se sente enganada e pode até acabar se afastando d´Ele. 

Deus prometeu que buscaria nosso bem, mas isto não significa que Ele vai acabar com todos os nossos problemas. E nunca podemos esquecer que problemas muitas vezes ensinam humildade, paciência, gratidão, amor, etc.

Há também quem pense que Deus pode ser manipulado, propondo barganhas do tipo: “se Ele fizer isto, eu então faço aquilo”. Ora, Deus não faz barganhas. Nunca. Tentar se relacionar com Ele dessa forma não vai levar a pessoa a lugar nenhum.

Há ainda quem imagine merecer determinadas coisas d´Ele, por ser indispensável para sua Obra. Pensam que têm alguns "direitos" especiais. Mas, na verdade, Deus não depende de ninguém. Por exemplo, o profeta Samuel pensou ser indispensável (1 Reis capítulo 19 versículos 13 a 18) e a Obra de Deus continuou com Eliseu, seu discípulo, e com quem veio depois dele.  

A terceira coisa a ser feita para melhorar o relacionamento com Deus é prestar atenção ao que Ele tem a dizer. Isso requer atenção contínua, até porque Deus muitas vezes fala em sussurros, como fez com Elias (1 Reis capítulo 19 versículos 11 a 13). 

A quarta coisa é se esforçar para entender o que Deus disse. Isto pode ser conseguido através de oração, estudo da Bíblia e consultas a quem tenha maior conhecimento teológico. E quando houver dúvida, a pessoa também pode pedir confirmação de alguma  mensagem que pense ter recebido de Deus, como fez Gideão (Juízes capítulo 6, versículos 36 a 40).  
Finalmente, é preciso estar disposto a obedecer. E isso pode ser especialmente difícil quando a mensagem não for aquela que a pessoa queria receber. É aí que, muitas vezes, as pessoas tentam “adaptar” o conteúdo da mensagem para que ela fique mais de acordo com sua vontade. Foi isto que o rei Saul tentou fazer, depois que o profeta Samuel lhe disse que Deus o tinha abandonado (1 Samuel capítulo 15). 

Esse último ponto é crucial, pois ser obediente à vontade de Deus é a verdadeira "prova dos nove" de um bom relacionamento com Ele.

Com carinho

domingo, 10 de maio de 2015

VOCÊ PODE SER REVESTIDO DE PODER

O livro chamado "Atos dos Apóstolos", escrito por Lucas, um médico de origem grega, relata o início da vida da igreja cristã, abrangendo um período de trinta anos, a começar com a ressurreição de Jesus Cristo. É uma leitura bastante fácil e agradável - por sua importância, ela é altamente recomendada para todos os(as) cristãos(ãs).

E um versículo resume bem a mensagem do Ato dos Apóstolos: 

"...recebereis poder , ao descer sobre vós o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra..."  capítulo 1, versículo 8 

Isso aconteceu logo após a ressurreição de Jesus. Ocorre que sua morte na cruz tinha deixado os discípulos apavorados e nem os quarenta dias que Jesus passou com eles, já depois de ressuscitado, permitindo que todos comprovassem a verdade daquele milagre, tinham sido suficientes para acalmar as coisas. 



Os discípulos precisavam ser revestidos de um poder especial para poder exercer sua missão de espalhar o Evangelho de Jesus Cristo pelo mundo. Foi esse o poder derramado pelo Espírito Santo sobre eles durante os eventos do Pentecostes (Atos capítulo 2, versículos 1 a 4). 


Esse poder especial está tão disponível hoje em dia, como esteve na época do início da vida da igreja cristã. E é sobre ele que eu gostaria de conversar hoje.

Poder, seu objetivo e finalidade
Há várias definições para "poder". A que eu mais gosto é a capacidade de influenciar o comportamento das outras pessoas

Um diretor manda e o funcionário obedece - ou seja, ajusta seu comportamento à vontade do chefe – porque o diretor tem o poder que lhe foi dado pela forma como a empresa é constituída. E talvez também por que o diretor conheça mais sobre o negócio do que o funcionário. 

O Presidente da República tem poder sobre todos os cidadãos, dentro daquilo que é estabelecido pelas leis do país. Os pais têm poder sobre os(as) filhos(as) também conferido pela lei, bem como também pela dependência financeira e emocional que os(as) filhos(as) têm deles. Os pais têm ainda poder de cunho espiritual, que lhes permite abençoar (ou amaldiçoar) seus(uas) filhos(as). 

O meu médico tem poder sobre mim porque sabe melhor do que eu o que se passa com o meu próprio corpo. Um professor tem o mesmo tipo de poder do médico, gerado pelo conhecimento que tem. O pastor de uma igreja tem poder para abençoar, ensinar e exortar seu rebanho. Um país mais forte tem poder para impor sua vontade a um país mais fraco. E assim por diante.

Esses exemplos mostram que há vários tipos de poder: outorgado pelas leis (Presidente, diretor), aquele derivado da autoridade moral (pastor e pais), o que é originado no conhecimento (diretor, médico e professor), na força pura (o país forte) e o de cunho espiritual (pastor e pais). 

Outra coisa que diferencia o tipo de poder disponível é a finalidade do seu uso Pode ser fazer cumprir a lei e os objetivos do Governo (Presidente), ganhar dinheiro (diretor), ensinar (professor), curar (médico) e assim por diante.



Os dons: o poder do Espírito Santo em nós
De que poder Jesus estava falando quando pediu aos discípulos para aguardar em Jerusalém? Não era aquele outorgado pelas leis ou o fruto da força bruta. Portanto, Ele se referia ao poder do conhecimento (saber algo mais que as outras pessoas), moral (condição de apontar ao outro o que é certo ou errado) e espiritual (capacidade de abençoar, exortar, profetizar e realizar milagres).

E esse poder era necessário para que os discípulos pudessem se apresentar com as credenciais adequadas, comprovando que falavam em nome de Jesus. E também pudessem encorajar uns aos outros, nos momentos de dificuldade. E finalmente, conseguissem ensinar o Evangelho.

A finalidade desse poder, portanto, era fazer a obra de Deus. E aí está o primeiro grande ensinamento: o poder do Espírito Santo é transferido para a execução da obra de Deus e não para quem quer que seja lucrar individualmente.

Em linguagem teológica, o poder que descrevi acima, nas suas diferentes finalidades (ensino, cura, pastoreio, profecia, etc) é chamado dom espiritual (1 Coríntios capítulo 12, versículos 1 a 11). Esses dons foram derramados pelo Espírito Santo, durante o evento do Pentecostes, bem como em diversos outros momentos relatados na Bíblia, justamente para que as pessoas pudessem fazer a obra de Deus.

Aí vão uma série de perguntas normalmente feitas quando as pessoas aprendem sobre dons espirituais:  

  • Quem decide sobre a distribuição desse poder? Deus faz isso de acordo com sua própria vontade soberana. Como é um recurso dado por Ele, ninguém pode reclamar se não receber algum dom em particular. 
  • Todo mundo recebe dons espirituais? Sim, todos(as) aqueles(as) que se dispuserem sinceramente a fazer a obra de Deus receberão tal tipo de poder, na medida das suas necessidades.  
  • Há dons mais importantes? A Bíblia indica que sim (1 Corintios capítulo 12, versículos 28 a 31). Mas isso não quer dizer que uma pessoa se torna menos ou mais importante na obra por ter um dom considerado maior ou menor. O que importa é o uso que essa pessoa faz dos dons que receber. E os dons mais importantes não são aqueles que atraem mais publicidade (como cura, milagres ou louvor). E sim os que colaboram para a mudança de vida das pessoas, como o testemunho do Evangelho, a profecia ou o ensino. 
  • A pessoa pode ter mais de um dom?  Sim. O apóstolo Paulo tinha dons de pastoreio, ensino, profecia e cura, dentre outros.
  • Posso pedir a Deus um dom? Pode, segundo 1 Corintios capítulo 12, versículo 31
  • Como posso saber qual é o meu dom? Através de muita oração - Deus colocará no seu coração a resposta -, da profecia de outra pessoa e das oportunidades que aparecerem para colaborar na obra de Deus.  
  • E se eu não quiser o dom que recebi? A Bíblia nos ensina que as pessoas que recusaram acabaram voltando atrás – por exemplo, Moisés não queria ser o Libertador do povo de Israel (Êxodo capítulo 3). Se você está verdadeiramente disposto a trabalhar na obra de Deus, acabará aceitando aquilo que Ele lhe reservou.
Concluindo, o mesmo poder que revestiu os discípulos de Jesus está disponível para você e para mim hoje em dia. E essa é uma certeza gloriosa.



Com carinho