quarta-feira, 30 de julho de 2014

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Há um ditado popular muito conhecido que diz: “aos amigos e à família tudo, aos inimigos a lei”. Ou seja, o tratamento dado às pessoas que amamos deve ser melhor do que o previsto nas regras e vale até fazer algo ilegal para beneficiá-las. Para as demais pessoas, a lei deve ser aplicada com rigor.

Esse ditado aponta para um padrão ético duplo. Vivemos debaixo do conceito dos “dois pesos e duas medidas”: o que é permitido para a pessoa de quem gosto, pode até ser proibido para as demais

Esse padrão ético duplo está muito arraigado na nossa sociedade, onde o favorecimento a parentes e amigos é tão comum que chega a ser até esperado. A surpresa quando as pessoas se comportam de forma diferente é tanta que acaba gerando notícia na mídia - esse foi o caso, alguns anos atrás, de Nilza Maria, a mãe que entregou à polícia o filho traficante de drogas, para que ele pudesse mudar de vida. 

O duplo padrão ético vale tanto para as pessoas como para as nações. E os exemplos históricos são muitos. Por exemplo, há hoje uma grande revolta internacional pelo fato do Irã estar adquirindo capacidade de ter uma bomba atômica - quero deixar bem claro, desde já, que não sou favorável ao regime do Irã, nem tão pouco à disseminação de armas nucleares. Mas o fato é que no mundo hoje a situação é a seguinte: umas nações têm a bomba e outras não têm e nem podem ter. A desculpa para essa assimetria é que as nações que têm bombas atômicas são "confiáveis" e não vão fazer uso errado dessas armas.

O Brasil abdicou, corretamente, das armas nucleares. Mas quem garante que um país que as possui não vai nos chantagear para obter alguma vantagem? Na verdade, ninguém deveria poder ter arma nuclear e aí os países teriam moral para cobrar isso uns dos outros. Mas não é isso que ocorre.  

Em outro escala, o mesmo ocorre quando uma família poderosa usa seus contatos para conseguir vantagens indevidas para um dos seus filhos, como um emprego público bem remunerado, em detrimento de quem tem mais mérito. O fato é que quem tem poder e riqueza procura preservar sua posição privilegiada e usa os recursos de que dispõe para conseguir se manter em vantagem em relação às demais pessoas.

O problema com a ética dupla - "dois pesos e duas medidas" - é que a confiança das pessoas (ou das nações), umas nas outras, desaparece e a sociedade como um todo passa a funcionar pior. É por isso que um país sempre acha que o vizinho vai querer tirar vantagem de suas fraquezas e se protege atrás de fronteiras guardadas, barreiras comerciais rigorosas, um exército poderoso e outras coisas mais. 

As pessoas procuram se proteger através de redes de troca de amizade e favores, de leis que as privilegiem (por exemplo, aquela que garante a quem tem diploma superior tratamento diferenciado em caso de cometer crime), de seguranças particulares, etc.

O fato é que o remédio que realmente tornaria o mundo um lugar melhor nunca é usado. Refiro-me à lei do amor ao próximo que Jesus ensinou. Essa lei - "faça com o outro como gostaria que ele fizesse com você" - define um padrão ético único e universal

Se quero me sentir seguro, devo deixar de ameaçar o próximo; se quero viver bem, meu vizinho tem que viver bem também; se não quero ser injustiçado, não devo ser injusto com quem depende de mim; se quero ser apoiado nas aflições, preciso apoiar os outros quando passarem por dificuldades; e assim por diante. 

Imagine como o mundo seria diferente se essa regra simples estivesse em vigor. Mas, por não seguir essa receita, as pessoas vão vivendo um grande engano. Tudo parece estar em ordem na superfície, mas no fundo há graves problemas presentes e suas consequências ruins volta e meia afloram com força destruidora. 

Assim, cinco anos atrás vivemos o desequilíbrio do capitalismo, quando houve perdas econômicas gigantescas na Europa e nos Estados Unidos. Lidamos toda hora com a miséria, a violência urbana, as guerras, o terrorismo, os efeitos nocivos da poluição, etc.

Num quadro como esse, o que cabe a você fazer? A resposta é simples: faça sua parte todos os dias, como se tudo dependesse apenas de você. É claro que a sua (ou a minha) influência no mundo é muito pequena. Mas não importa, faça aquilo que é certo. Sempre. 

Portanto, se você vir alguém necessitado e puder ajudar, não deixe de fazê-lo; tenha cuidado para poluir o mínimo possível; resista ao apelo do consumo desenfreado; ajude quem está caído emocionalmente; apoie as políticas públicas que diminuam a injustiça social; e assim por diante. 

Não espere que os outros façam algo para começar a agir corretamente: afinal, nós, cristãos, precisamos dar o exemplo. E, se milhões de cristãos fizerem o que Deus espera deles, o mundo será bem diferente, pode ter certeza.
 
Com carinho

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O DESAFIO DA GRAÇA DE DEUS

Os estudos sobre as religiões têm avançado muito na área que trata da comparação entre as diferentes crenças. Isso se explica porque hoje em dia é muito comum a ideia que não há um único caminho que leva à Verdade. E encontrar pontos comuns nas diferentes religiões ajuda a comprovar essa ideia.

E, por conta disso, cada vez mais os cristãos são desafiados a demonstrar porque pensam que sua crença é superior, por exemplo, ao budismo ou aos muitos movimentos exotéricos. Para fazer frente a esse desafio, os cristãos precisam primeiro dar resposta a uma pergunta crucial: o que o cristianismo tem que nenhuma outra religião apresenta? Afinal, se você e eu defendemos que o cristianismo é especial, torna-se preciso demonstrar que essa crença responde melhor aos dilemas da vida.


O que só o cristianismo tem
Os estudos aos quais me referi acima mostram que há um conceito teológico exclusivo do cristianismo: a Graça de Deus. E, portanto, se nenhuma outra religião fala sobre algo parecido, esse conceito deve encapsular aquilo que o cristianismo tem de melhor. E não há como escapar disso.

A Graça de Deus é algo que ninguém merece – existe porque Deus assim o quer. Ela é gerada e alimentada pela sua misericórdia e amor por nós. 

E é pela Graça, e não pelos seus méritos, que as pessoas têm acesso a Deus. Isso porque todas elas são imperfeitas demais para agradar a Ele unicamente por conta dos seus atos. 

A Graça funciona assim: Deus mandou seu Filho, Jesus, morrer por nós numa cruz. E essa morte pagou o preço dos nossos pecados. Assim, todo aquele que reconhecer seus pecados e aceitar Jesus como seu Salvador, é perdoado, mediante a Graça, e pode ser salvo (João capítulo 3, versículo 16).

Conforme comentei, nenhuma outra religião prega tal tipo de coisa. Algumas religiões - por exemplo, o budismo e o espiritismo - pregam um processo de aperfeiçoamento interior constante, alcançado através de múltiplas experiências de vida. As pessoas vão melhorando, na base da tentativa e erro, e terão tantas chances (novas vidas) quantas forem necessárias para fazer esse aprendizado. Se aprenderam mais depressa, melhor para elas.

Numa visão desse tipo, a Graça de Deus não se faz necessária. Na verdade, não espaço para ela. A pessoa passa por um processo de aperfeiçoamento e seu mérito é reconhecido. 

O desafio gerado pela Graça
Mas aqui cabe uma pergunta: por que a Graça é necessária? Simplesmente porque um esquema baseado no mérito, onde as pessoas conquistam sua salvação pelo bem que fazem, não é viável. Simples assim. E Deus explicou o por quê. 

Primeiro, Ele nos deu a lei – aquela transmitida aos israelitas por Moisés, detalhada por diversos outros profetas e, finalmente, Jesus e Paulo. É isso que Deus espera que as pessoas cumpram para atender seus requisitos mínimos. Até aí tudo bem.

O problema é que a esses requisitos são impossíveis de atingir. Basta, por exemplo, pensar na exigência de amar o próximo como a si mesmo. Você conhece alguém assim? Eu não conheço.

As pessoas foram se conscientizando disso aos poucos e perguntaram para Deus: “E agora, o que vamos fazer? Assim, ninguém vai ser salvo”. E Deus, em resposta a esse grito angustiado, mostrou o caminho da Graça - basta a pessoa reconhecer seus pecados e aceitar aquilo que lhe é dado sem qualquer custo. Ou seja, a pessoa precisa entender que a salvação não é e nem poderia ser por mérito.

Parece simples e fácil, não? Afinal, como diz um famoso ditado: “de graça, até injeção na veia...”. Deveria ser fácil para todos aceitarem a Graça de Deus e serem sempre gratos por isso. 

Por que, então, tantas pessoas deixam de aceitar essa Graça ao rejeitar Jesus? O problema é que, ao aceitar a Graça de Deus, as pessoas precisam também aceitar diversas outras coisas que são consequência direta dessa Graça. E isso as pessoas têm dificuldade em fazer. 

A primeira delas é que se a salvação vem sem mérito pessoal, Deus tem direito de salvar quem quiser e ninguém pode questionar o que Ele vier a fazer. Mas as pessoas questionam isso a todo momento: por exemplo, quando vêem alguém particularmente ruim encontrar o caminho da salvação, acham isso injusto.

Outro aspecto que afasta as pessoas de Jesus é a percepção de que é preciso fé em Cristo para fazer a Graça de Deus efetiva nas suas vidas. E essa fé não é, como pode parecer à primeira vista, uma simples declaração de intenções, feita num momento de emoção, como ocorre com frequência nas igrejas, depois de pregações inspiradas. 

Essa fé precisa mudar a pessoa, transformar sua forma de ser e a levar a viver mais de acordo com aquilo que Deus deseja do ser humano. Em outras palavras, essa fé precisa gerar obras (Tiago capítulo 2, versículos 14 a 26). 

Não são as obras que salvam e sim a fé. Mas as obras são um termômetro da fé que a pessoa tem. Se elas não existem, isso comprova que a fé também não existe de verdade e a porta da Graça não está aberta.

A questão real, nesse caso, é que muitas pessoas não querem mudar. Não desejam deixar seus caminhos que desagradam a Deus ou não acreditam que isso seja necessário. Assim, permanecem nos seus caminhos e a Graça não se faz presente na vida delas. Essa talvez seja a causa mais comum da falta de aceitação de Jesus pelas pessoas. 

Concluindo, a Graça de Deus é a resposta à pergunta sobre o que faz o cristianismo especial. Trata-se de algo maravilhoso, oferecido às pessoas sem qualquer custo. Não existe nada no mundo que seja assim, afinal tudo o mais tem seu "custo", sua contrapartida. 

Mas, não há dúvida que aceitar essa Graça também é um desafio na vida das pessoas. E esse é o verdadeiro desafio de ser cristão.

Com carinho

sábado, 26 de julho de 2014

SOMOS IMPORTANTES PARA DEUS

           "...E apesar dessa Glória que tens,                             Tu te importas comigo também..."                               Trecho da letra de hino evangélico             
Outro dia uma amiga minha afirmou que pede a Deus para ajudá-la em tudo, até para encontrar vaga em estacionamento de shopping. Não vejo nada errado nesse tipo de procedimento, afinal a Bíblia nos ensina a orar sem cessar e a fazer conhecidas de Deus todas as nossas necessidades. 

E o argumento que procura caracterizar esse comportamento como errado - "não devemos incomodar Deus com coisas pequenas" - não se sustenta porque, na verdade, não contamos nenhuma novidade para Deus quando passamos nossas dificuldades e desejos para Ele. Afinal, Deus já sabe de tudo mesmo, pois é onisciente. 

O que me surpreende não é o fato das pessoas pedirem a Deus muitas coisas, tanto pequenas como grandes, e sim d´Ele atender esses pedidos. Surpreende-me que Deus encontre motivação e tenha paciência para cuidar de questões de todas as questões que afetam nossas vidas

Se você não se surpreende, como eu, é porque nunca pensou na dimensão de Deus - basta lembrar que Ele criou e sustenta o Universo. É justamente isso que o trecho da letra de conhecido hino, citado no começo deste post, reconhece. 

Eu não me canso de ficar maravilhado com essa atitude de Deus. A Bíblia chega a dizer que até os fios de cabelo das nossas cabeças (no meu caso, são bem poucos) estão contados e não caem sem que Ele saiba. Isso é incrível.

A única explicação que encontro para essa forma de Deus agir está relacionada com sua própria natureza. Afinal, Deus é amor - essa é a sua essência. Ele faz tudo isso por amor a nós. Simples assim.

Outro dia li a declaração de um escritor ateu que disse não aceitar um Deus que fica vigiando nosso comportamento para ver se cometemos pecados. Mas essa afirmação só demonstra que ele não entende como Deus atua. 

Se Deus se dá ao trabalho de olhar para nossas necessidades diárias e intervir para nos ajudar, por que seria surpreendente imaginar que Ele também acompanha nossos erros? É tudo parte de um mesmo "pacote". Não podemos ter uma parte sem a outra.

O Deus que servimos se preocupa conosco. E isso é muito bom. E deve ser motivo de gratidão de nossa parte. Sempre.

Com carinho 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

POR QUE DEUS USA O SOFRIMENTO HUMANO?

Outro dia conversava com um amigo sobre o que acontece de fato com as pessoas que se recusam a aceitar o Evangelho de Jesus Cristo. Por mais que sejam mostradas a importância dos ensinamentos de Jesus e as consequências de não aceitar a Graça de Deus que Ele representa (a condenação eterna), ainda assim essas pessoas não se convencem. Mas por que isso acontece?

Há várias razões como, por exemplo, a desconfiança básica que muitas pessoas têm do cristianismo por causa do mau exemplo de vários líderes cristãos. Pode ser também que as explicações sobre os ensinamentos cristãos sejam mal apresentadas (por exemplo, de forma confusa e/ou ilógica). 

Mas gostaria de discutir hoje uma outra razão que, pela minha experiência, talvez seja a comum: trata-se do desconforto por precisar mudarIsso ocorre porque as pessoas sabem que, ao aceitar Jesus, entrarão num processo de mudanças da sua forma de ver o mundo e também dos seus hábitos de vida. A fé cristã verdadeira sempre gera esse tipo de consequência. 

E muitas pessoas, quando entendem isso, preferem permanecer na sua "zona" de conforto. Afinal, a mudança real e permanente sempre envolve algum tipo de perda - é preciso desistir de alguma coisa para colocar algo novo no lugar. 

Assim, quando as pessoas aceitam entrar num processo de mudança é porque passaram a acreditar que o ganho a ser obtido compensará as perdas. Por exemplo, a perda do prazer de fumar será compensada pelo ganho representado por uma saúde melhor. 

Ocorre que na maioria das vezes as perdas relacionadas com as mudanças trazidas pelo cristianismo têm custo alto demais e assim as pessoas decidem continuar como estão. Em outras palavras, os hábitos que precisam ser abandonados - por exemplo, os vícios, o consumo excessivo  ou a promiscuidade sexual - proporcionam conforto e/ou prazer que as pessoas não querem perder. Simples assim.  

Exatamente por isso é que a maior parte das conversões ao Evangelho de Jesus se dá em meio ao sofrimento - a pessoa decide mudar porque precisa, pois sua vida vai de mal a pior. Aí o custo de mudar cai e o benefício gerado pela mudança cresce. 

É no sofrimento que as pessoas se mostram disponíveis a mudar, a sair da sua "zona" de conforto e abraçar um caminho novo. Assim, podemos dizer que Deus usa o sofrimento humano como uma motivação para mudanças na direção certa - Deus faz do "limão uma limonada".

É claro que seria muito melhor, e tenho certeza que Deus preferiria assim, convencer as pessoas a mudar quando tudo ainda estivesse bem. Mas infelizmente são poucas, realmente poucas, as pessoas que conseguem fazer isso.

Infelizmente, o sofrimento acaba sendo uma necessidade para levar as pessoas a aceitar Jesus. É assim que acontece na prática.

Com carinho 

terça-feira, 22 de julho de 2014

CONHECENDO A VERDADE

"... conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". João capitulo 8, versículo 32
Há três formas de saber se determinada afirmação é verdadeira: experiência própria, uso da lógica ou acreditar no depoimento de terceiros. Usamos essas diferentes alternativas com tanta naturalidade que nem percebemos -  o processo é quase automático.

A primeira alternativa é a mais usada e simples. Trata-se de saber que algo é verdade pela própria experiência. Sei que não estava chovendo hoje de manhã porque não caiu água na minha cabeça em momento nenhum. E o chão não estava molhado. Simples assim.

A segunda alternativa é usar a lógica. As pessoas sabem intuitivamente que há relações entre as coisas que acontecem e usam esse conhecimento para avaliar a verdade das afirmações. Por exemplo, se estou num quarto escuro, sem acesso ao exterior, e ouço o barulho de trovões, sei que existem raios caindo. Afinal, os trovões são o barulho gerado pelos raios - uma coisa sempre anda junto com a outra.

A terceira alternativa é usar o depoimento de terceiros. Por exemplo, leio um artigo de jornal onde é citado um estudo científico falando que determinado alimento dá câncer. Aceito isso como verdade e deixo de comer o tal alimento. É por causa disso que você sabe que a famosa equação de Einstein (E= mc²) reflete uma verdade científica. Foram conduzidos inúmeros experimentos e observações que comprovaram que  essa equação é verdadeira. 

As pessoas tendem a acreditar naquilo que ouvem de terceiros caso também acreditem na credibilidade de quem está falando. Os filhos se acostumam a aceitar determinadas verdades ensinadas pelos pais. Quando crescem, os amigos passam as ser fontes "confiáveis" que usam. Depois vem os professores, os chefes, os pastores, etc. 

Portanto, quando um(a) artista conhecido(a) recomenda um produto na televisão, ele(a) está tentando transferir a credibilidade que acumulou para convencer os telespectadores(as) que aquele produto é bom mesmo. Ele(a), de certa forma, está "vendendo" a credibilidade que acumulou junto à opinião pública. E é pela mesma razão que ninguém mais acredita em promessa de político - eles(as) não têm qualquer credibilidade.

Conhecendo as verdades sobre Deus
As pessoas acabam por conhecer as verdades sobre Deus - seus mandamentos, sua forma de agir ou como se relacionar com Ele - da maneira como indiquei acima.

Primeiro, podem conhecer essas verdades com base na sua própria experiência. E esse conhecimento vem própria vivência da ação d´Ele nas suas vidas, através da oração, do louvor e/ou do testemunho direto de milagres. 

A Bíblia está cheia de relatos de experiências que tiveram efeito transformador na vida das pessoas. Por exemplo, Paulo vinha pela estrada de Jerusalém para Damasco, onde iria liderar a perseguição aos cristãos. No caminho, ele teve uma experiência pessoal com Jesus - uma visão - que mudou sua vida (Atos dos Apóstolos capítulo 9, versículos 1 a 9).

Depois, vem a lógica que permite à pessoa tirar conclusões sobre quem Deus é e como atua com base na análise lógica das evidências disponíveis. Esse é o domínio da teologia, do estudo da doutrina cristã. 

Por exemplo, a Bíblia conta que, quando Jesus foi batizado por João Batista, ouviu-se a voz de Deus dizendo que ali estava seu Filho amado. No mesmo momento o Espírito Santo apareceu na forma de uma pomba (Mateus capítulo 3, versículos 13 a 17). Com base nessa informação (e em muitas outras, que não vem ao caso aqui), somos levados a concluir que Deus é uma Trindade - Pai, Filho e Espírito Santo -, embora a Bíblia nunca use essa palavra para se referir a Deus. 

Na minha experiência, ninguém se converte por conta do conhecimento teológico acumulado. A importância desse tipo de conhecimento é outra: serve para superar barreiras psicológicas que as pessoas possam ter contra a fé em Jesus, por exemplo, por considerá-la ilógica. O conhecimento teológico também é importante para evitar que as pessoas sigam práticas religiosas contrárias à vontade de Deus, colocando suas vidas espirituais em risco.  

Finalmente, vem o testemunho de terceiros. O testemunho mais importante que podemos ter é o da Bíblia - trata-se de um depoimento que Deus passou para os seres humanos, ao inspirar diversos homens a escreverem sobre os fatos que viveram, as lutas espirituais que enfrentaram, etc. E a própria Bíblia fala sobre a importância do testemunho que proporciona - veja o versículo que está no cabeçalho deste blog ("a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus"). 

Mas, para que as pessoas aceitem o testemunho da Bíblia, é preciso que ela tenha credibilidade - é por isso que os contrários ao cristianismo procuram destruir o conceito de que a Bíblia goza. E também é pela mesma razão que os cristãos se preocupam em defender essa credibilidade.

Problemas para conhecer a verdade
Há diversos problemas que podem surgir quando as pessoas tentam conhecer verdades sobre Deus. E tudo têm a ver com o mau uso das possibilidades que discuti acima.

O primeiro tipo de problema é causado pelo excesso de ênfase nas experiências pessoais - isso é muito comum nas igrejas cristãs de corte pentecostal e carismático. As igrejas que seguem esse caminho não se preocupam muito com o ensino de doutrina cristã pois pensam que o Espirito Santo vai revelar diretamente para cada pessoa o que for necessário.

E aí as pessoas acabam tendo um entendimento muito "raso" do cristianismo e aceitam qualquer tipo de doutrina que lhes for passada, desde que "validada" por alguma experiência pessoal. Mas nunca podemos esquecer que nossos sentidos nos enganam quando tentamos conhecer a verdade - às vezes pensamos ter visto coisas que não vimos de fato. Portanto, construir toda uma vivência espiritual apenas com base nas experiências vividas é um risco muito grande.

O segundo tipo de problema aparece quando há excessiva ênfase nos ensinamentos teológicos. Quando a teologia é separada da vida, intelectualizada demais e fria. Uma teologia que, ao invés de ajudar, atrapalha. Vemos isso acontecer com muita frequência no meio acadêmico, por exemplo quando jovens entram nos seminários bastante entusiasmados e acabam perdendo sua fé ali.

O terceiro tipo de problema vem da excessiva ênfase no testemunho de terceiros. Por exemplo, das pregações que pastores "iluminados" fazem - infelizmente, nas suas igrejas o que eles falam acaba virando uma "verdade" com o mesmo peso do texto bíblico. 

Concluindo, uma vida cristã saudável deve incluir as três formas de validação da verdade - a experiência direta com Deus, o uso lógico de uma doutrina sólida para testar as informações que a pessoa acumulou e o testemunho de terceiros (da Bíblia e de pessoas que tenham credibilidade). Todas essas formas de busca da verdade são válidas e importantes. E precisam ser usadas de forma equilibrada, complementando-se entre si.

Com carinho

domingo, 20 de julho de 2014

A FÉ CRISTÃ DEVE SER CEGA?

"... Estando sempre preparados para para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós."      1 Pedro 3, vs 15
Muitas pessoas acham que o cristianismo é uma fé irracional. E o interessante é que alguns cristãos, sem perceber, dão força a essa ideia, quando defendem que a fé verdadeira precisa ser cega, sem ter qualquer compromisso com a razão. 

Mas não é isso que a Bíblia ensina, conforme pode ser visto no texto acima: precisamos estar sempre preparados para explicar as razões que nos levam a crer em Jesus Cristo. E se precisamos apresentar razões, é porque a fé precisa ser racional e, portanto, não pode ser cega. 

O apóstolo Paulo ensinou que, se Jesus Cristo não ressuscitou dentre os mortos, o cristianismo não tem qualquer base para existir. E ao fazer essa afirmação, Paulo convidou a todos - simpatizantes e adversários do cristianismo - a examinar os fatos relacionados com a ressurreição de Jesus, evento histórico do qual se conhece a época, o lugar e as pessoas envolvidas, a partir dos relatos da Bíblia.

Portanto, a Bíblia pede aos cristãos para usarem sua razão e avaliarem os argumentos contra e a favor. E tal postura demonstra grande segurança de que o cristianismo se apoia em base racional e sólida. 

Agora, sei que a esmagadora maioria das pessoas não chega à fé depois de avaliar argumentos contra e a favor do cristianismo e sim pela ação do Espírito Santo. Mas não é viável se manter firme na fé se não for possível entender as bases racionais da crença que a pessoa mantem. As dúvidas vão surgir, pois são naturais, e a pessoa precisa encontrar explicações que façam sentido lógico. 

O que não pode ser provado pela ciência é irracional?
Os materialistas - aqueles que não acreditam na existência do mundo espiritual - afirmam, até com certa arrogância, que a fé cristã é irracional porque não pode ser provada cientificamente. 

É certo que experimentos científicos (físicos) não vão conseguir provar a existência do mundo espiritual (não físico). É como se eu quisesse medir o peso de uma pessoa com uma régua - não vai ser possível. Mas isso não quer dizer que a pessoa não tenha peso e sim que a régua não é adequada para verificar isso - é preciso uma balança. 

A falta de evidencia científica do mundo espiritual não é prova que ele não existe. No máximo, indica que não é possível provar isso cientificamente. Só isso.  

Mas isso não quer dizer que acreditar ou não no mundo espiritual é irracional. E um exemplo explica melhor a razão para o que acabei de afirmar. Imagine duas pessoas começando a andar por uma estrada que não sabem onde vai dar. Não há placas indicativas e ninguém a quem perguntar. A primeira pessoa acha que a estrada vai dar na cidade A e outra na cidade B. E durante a caminhada não haverá como garantir quem está certo - somente ao chegar no final é que isso será esclarecido. 

Mas o primeiro viajante fica acusando o outro de ser irracional por acreditar que a estrada vai dar numa cidade diferente. Ora, isso não é justo, pois não há como provar quem tem razão.

É claro que, ao longo do caminho, os viajantes tentarão coletar evidências para corroborar se escolheram o caminho certo. E as evidencias podem fortalecer suas crenças. Por exemplo, no caso dos cristãos, uma benção obtida como resposta de oração ou uma profecia que se cumpre, reforçam a convicção que o mundo espiritual existe mesmo. Da mesma forma, os materialistas vão tentar colher provas para reforçar a tese de que não há mundo espiritual. 

Mas nunca serão colhidas evidencias suficientes. E somente depois que as pessoas saírem dessa vida física é que poderão saber definitivamente quem tinha razão. Portanto, a fé, para um lado ou para outro, sempre será necessária.  

A fé com base no testemunho da Bíblia é irracional?
A segunda objeção feita ao cristianismo tem a ver com o fato de que essa fé é baseada apenas no testemunho de um livro considerado pouco confiável (a Bíblia). Mas essa crítica também não é válida. Primeiro, porque todas as crenças são construídas da mesma forma, isto é com base em testemunhos considerados confiáveis. 

Por exemplo, as pessoas usam um GPS porque acreditam que a informação nele contida é a expressão correta da geografia do território coberto, ou seja têm fé no "testemunho" daquele produto. Eu nunca vi um elétron, mas acredito na sua existência porque confio naquilo que os cientistas relataram, ou seja acredito no testemunho deles. 

Praticamente tudo que sabemos é baseado em testemunhos de terceiros - até nosso nome e dia de nascimento. E é esse mesmo processo que permite a transmissão do conhecimento e o desenvolvimento da ciência e da cultura. 

Assim, manter crenças com base em testemunhos confiáveis é inteiramente racional - todas as pessoas procedem dessa forma. A questão verdadeira então é a escolha de quais testemunhos podem ser considerados confiáveis. 

E é interessante perceber que essa escolha é feita com base nas próprias crenças que as pessoas já têm e nem poderia ser diferente. Em outras palavras, na prática, as pessoas escolhem (de forma consciente ou não) aquilo em que irão acreditar. Portanto, o teólogo cristão Anselmo de Canterbury estava certo quando disse: "creio para poder entender". 

Para os materialistas, a Bíblia é um testemunho não confiável, cheio de fantasias. Afinal, eles não acreditam no mundo espiritual que ela relata. E o contrário pode ser dito quanto aos cristãos. Em ambos os casos, a fé vem antes e a escolha do que é confiável como fonte de testemunho aparece depois.

Muito pode ser dito para mostrar que a Bíblia é um documento historicamente correto, cheio de informações preciosas. Mas para aqueles que não acreditam no mundo espiritual, os relatos de milagres, aparições de anjos, etc, são lendas e, portanto, a Bíblia não é confiável. 

E como não é possível provar nem que o mundo espiritual existe nem que não existe, conforme vimos na primeira parte do post, não há como sair desse impasse. Voltamos ao exemplo dos dois caminhantes na estrada, que não sabem qual é o destino real dela.

Em resumo, não é irracional usar a Bíblia como base para construir numa fé. É tão racional quanto acreditar que apenas experiências científicas podem mostrar aquilo que existe existe de fato.

Portanto, é arrogância intelectual acusar a fé cristã de irracional. É claro que muitos cristãos pregam uma fé cega, mas esse é um problema deles, de como encaram sua fé e não do cristianismo em si. E esse tipo de falta de perspectiva estreita também ocorre do lado daqueles contrários ao cristianismo. Lembro bem do depoimento de um cientista que disse saber que as evidencias científicas apontam para um início do universo (o Big Bang), mas que preferia não acreditar nelas pelas consequências que geram, isto é a necessidade de incluir na análise um Criador para tudo que existe. 

Com carinho

sexta-feira, 18 de julho de 2014

EXISTE DESTINO?

"Chegou a hora dele", foi o que ouvi alguém da minha igreja dizer ao falar sobre a morte trágica de determinada pessoa. Esse tipo de declaração é comum, pois existe na sociedade uma cultura "fatalista" que atribui ao destino determinados acontecimentos na vida das pessoas. 

Será que a doutrina cristã dá suporte à ideia de destinoAcredito que não e explico o por quê. A Bíblia ensina que temos livre arbítrio - a capacidade de fazer escolhas por conta própria - e tal visão é incompatível com um destino pré-estabelecido por Deus. Afinal, se tal destino existisse, as pessoas não poderiam fugir dele e assim não poderiam fazer de fato escolhas livres.

Portanto, o que acontece com as pessoas é em boa parte fruto das suas próprias escolhas. Mas é claro que há coisas que acontecem independentemente da vontade delas - por exemplo, serem atingidas por uma viga que cai de um viaduto.

Na verdade, tal tipo de fato pode parecer inesperado para quem estava passando debaixo do viaduto mas foi fruto das escolhas livres feitas por outras pessoas - no caso, os construtores do viaduto ou o projetista, quem quer que tenha cometido o erro que levou ao acidente.  

Portanto, não é correto nesse caso falar num destino que vitimou determinada pessoa - o acidente também é fruto de escolhas feitas, mas nesse tipo de caso feitas por outras pessoas que não a vítima.

Agora, ainda pode haver dúvida quanto a duas questões adicionais. A primeira é a onisciência de Deus - se Ele sabe tudo, inclusive o que vamos fazer, será que não há nesse fato prova de haver um destino?

Na realidade, não. É preciso entender que Deus nos conhece melhor do que nós mesmos - lembre-se que Ele pode até ler nossos pensamentos. Portanto, Deus sabe o que vai acontecer porque conhece como todos pensam e as escolhas que farão no futuro. 

Um exemplo desse tipo de situação, mas em grau menor, ocorre quando os pais acertam de antemão o que os filhos vão escolher ou fazer em determinadas circunstâncias, somente pelo fato de conhecê-los muito bem - as roupas que vão escolher, o tipo de divertimento que lhes interessa, etc. Os filhos fazem suas escolhas livremente, mas os pais sabem de antemão o que vai acontecer em muitas situações.

E assim também ocorre com Deus, mas em grau muito maior - Ele sabe tudo que vai acontecer não porque tenha predefinido todas as coisas mas sim pela abrangência do seu conhecimento (onisciência).

A outra dúvida que pode surgir é referente aos planos de Deus. Sabemos que Ele é onipotente e soberano, portanto, seus planos sempre se realizam. Assim, realmente há coisas pré-definidas por Deus. Por exemplo, Ele estabeleceu que Jesus viria ao mundo, sofreria e seria morto. 

Mas os planos de Deus não estabelecem um destino fixo para as pessoas. Por exemplo, se Deus tivesse pré-estabelecido que Judas seria o traidor de Jesus, como aquele homem poderia ser culpado por ter cometido o tipo de ato previsto para ele, cumprindo o plano de Deus? Não seria justo que Judas fosse condenado por tal tipo de situação.

Na verdade, Deus não estabeleceu quem seria o traidor e sim que haveria uma traição. Afinal, Jesus iria incomodar os poderosos e naturalmente seria perseguido por eles. E quando seus discípulos fossem colocados sob pressão, algum dentre eles iria acabar cedendo - a corda sempre tem um ponto mais fraco. Acabou sendo Judas, mas poderia ter sido outro. Por isso, mesmo o plano de Deus tendo sido cumprido, Judas ainda assim foi inteiramente responsável pelo que fez.

Concluindo, a Bíblia não dá suporte para o conceito de destino - as próprias escolhas das pessoas ou as escolhas feitas por terceiros definem aquilo pelo qual elas irão passar. Tudo isso é fruto direto do livre arbítrio. Simples assim.

Com carinho   

quarta-feira, 16 de julho de 2014

COMO RESOLVER CONFLITOS NA IGREJA

Conflitos acontecem em todos os tipos de relacionamentos humanos. Marido e mulher entram em conflito (e como), pais e filhos também, amigos(as) idem. Portanto, não é de se estranhar que os conflitos existam também dentro das igrejas. Eles certamente vão acontecer mais cedo ou mais tarde. Simples assim.

O que deve diferenciar as igrejas dos demais grupos sociais não é a inexistência dos conflitos, porque isso seria impossível de pedir, mas sim a forma como lidam com esse tipo de problema - aí sim deve haver uma diferença. As igrejas devem resolver conflitos não com base na lei do mais forte, ou de quem grita mais, mas a partir daquilo que o cristianismo ensina. 

Lidando com conflitos
Jesus nos ensinou a lidar com esse tipo de questão (Mateus capítulo 18, versículos 15 a 17). E o resumo dos seus ensinamentos é o seguinte: 
  • Quando há um conflito, as partes devem manter contato, de boa fé, visando resolver a questão (versículo 15). Isso pode ser feito por iniciativa delas ou por proposta de algum líder da igreja, como o pastor.
  • As conversas devem ser em particular, nunca na frente de toda a comunidade (versículo 15). Há pastores que cometem o erro sério de logo envolver a comunidade como um todo, talvez até para aumentar seu poder de pressão na busca da solução e isso deve ser evitado.
  • Se o entendimento não avançar, pelo menos duas outras pessoas devem ser chamadas para ajudar, servindo como mediadores e/ou testemunhas. E os contatos devem continuar privados (versículo 16). 
  • O(s) líder(es) e outras pessoas da comunidade que estiver(em) participando das conversas deve(m) sempre encarecer a necessidade de que a solução para o conflito respeite as ideias do cristianismo (versículo 16).
  • As conversas devem continuar enquanto houver uma expectativa razoável de se chegar a uma solução adequada (versículo 16). 
  • Esgotadas as possibilidades de entendimento, aí então o problema deve ser trazido para a igreja como um todo, para que a comunidade possa se posicionar. É nesse
  • estágio que podem ser impostas sanções às pessoas envolvidas no conflito - por exemplo afastando da igreja aqueles(as) que insistam em criar problemas ou não aceitem uma solução adequada (versículo 17). 
Palavras finais
Esses ensinamentos são úteis porque você pode se ver envolvido na solução de algum tipo de conflito. Quer por ser parte dele, ou ainda por ter sido chamado a mediar algum tipo de entendimento, ou ainda por precisar participar de deliberações da igreja ao qual pertence.

E você precisa saber como conduzir sua participação caso alguma dessas situações aconteça. Não será agradável, certamente, mas isso é parte da vida de todos, incluindo dos cristãos.

Com carinho  

segunda-feira, 14 de julho de 2014

CAMINHANDO COM BASE NA FÉ

Fé em Deus é, sobretudo, confiança n´Ele. Nas suas intenções, na correção das suas leis, na sua fidelidade e assim por diante. 

E essa confiança é fundamental para você conseguir manter uma boa relação com Deus - a Bíblia chega a dizer que é impossível agradá-lo sem fé. E não é difícil entender a razão: numa relação entre duas pessoas - por exemplo, num casamento -, é fundamental que haja confiança e boa fé mútuas, pois sem isso o relacionamento não vai funcionar direito. Como marido e mulher podem ficar juntos se um não confiar no outro? 

E não haveria porque ser diferente no caso do relacionamento de cada ser humano com Deus - se não existir confiança, o canal de comunicação fica "entupido".

Além disso, a fé é o "gatilho" que gera o mover de Deus, através do Espírito Santo, na sua vida. E como Deus poderia agir na sua vida se bem lá no fundo você duvidar que essa ação possa acontecer?

Imagine que Deus lhe abençoasse, resolvendo um grande problema da sua vida, mesmo sem você ter fé n´Ele. Naturalmente, você iria atribuir as boas novas a qualquer outro fator - sorte, bondade de um amigo ou sua própria competência em lidar com o problema -, e nunca à intervenção de Deus. E isso Ele não pode aceitar.

Há uma história na Bíblia sobre um general israelita chamado Gideão, que foi chamado a enfrentar inimigos muito poderosos. E, para se garantir, Gideão procurou mobilizar o maior exército possível. Mas, uma vez mobilizado o exército, Deus foi orientando Gideão a dispensar a maior parte dos soldados, sob diversos pretextos, até que ficaram apenas 300 homens. 

Ora, com tropa tão pequena qualquer resultado positivo somente poderia ser creditado a Deus e nunca aos méritos de Gideão e/ou de seus soldados. E os israelitas conseguiram uma grande vitória (Juízes capítulos 7 e 8). 

Mas o que caracteriza a fé em Deus? Há três aspectos a considerar. O primeiro é acreditar naquilo que você não vê (Hebreus capítulo 11, versículo 1).

Um bom exemplo é Noé. Recebeu uma missão meio louca de Deus - construir um grande barco para uma enchente que iria acontecer anos depois. Foi ridicularizado pelos seus vizinhos, pois não fazia qualquer sentido construir um enorme barco num local seco. 

Mas pela fé, ele obedeceu a Deus e acreditou no dilúvio, embora sem vê-lo. E quando a chuva forte veio, somente Noé estava preparado  (Hebreus capítulo 11, versículo 7).

Portanto, é pela fé que você vai conseguir aceitar sua salvação que somente será experimentada de fato depois da segunda vinda de Cristo. E será essa mesma fé que lhe permitirá identificar a mão de Deus nas coisas mais inesperadas - por exemplo um dinheiro que aparece na última hora para ajudá-lo(a) a resolver um problema.

O segundo aspecto relevante da fé é a capacidade de obedecer mesmo quando você não compreende. Foi isso que Abraão fez (Hebreus capítulo 11, versículos 8 a 10). Certamente ele não entendeu porque Deus lhe pediu para sair da sua terra (Mesopotâmia) e ir para a Palestina - não fazia qualquer sentido, pois Abraão já era velho. E mesmo assim ele foi.   

Deus não espera de nós obediência com base no entendimento da situação, pois então a fé não seria necessária. Bastaria usar a razão. Ele espera de nós um "passo no escuro". 

Lembro de um filme do Indiana Jones, no qual ele saía em busca do cálice que Jesus tinha usado na Santa Ceia. Em dado momento, ele tinha que atravessar um desfiladeiro muito profundo e não havia ponte. Depois de pensar, ele deu um passo na direção do abismo, pela fé de que haveria uma ponte ali. E foi exatamente isso que ele encontrou. Mas a ponte só foi vista por ele depois daquele passo de fé.

O terceiro aspecto é a necessidade de persistir mesmo quando você não tiver mais vontade de seguir adianteE há vários personagens da Bíblia que precisaram agir assim. 

Moisés foi um deles (Hebreus capitulo 11, versículo 27): o processo de libertação do povo de Israel do jugo do Egito foi lento. Levou cerca de 2 anos - foram precisos dez pragas. Ao longo desse tempo, os israelitas continuamente se queixavam que estava demorando. Depois, foram precisos 40 anos de andanças pelo deserto, sob a liderança de Moisés, para que o povo aprendesse finalmente a confiar em Deus .

Portanto, é a fé que vai fazer você persistir mesmo em meio a dificuldades que parecem não ter fim. E é ela que vai lhe sustentar quando Deus parecer calado e distante - sei por experiência própria que isso não é fácil de fazer. 

Concluindo, quando a doutrina cristã afirma que basta ter fé, parece que isso é fácil e simples de fazer. Mas a realidade é bem diferente. É um desafio diário, como diz o nome deste blog. E o resultado final é o produto de inúmeras pequenas batalhas diárias vencidas, muitas delas até mesmo contrariando a sabedoria e os desejos humanos. 

Mas nunca se esqueça que o Espírito Santo estará a seu lado, a cada momento. Mantenha, portanto, o bom ânimo (veja mais).

Com carinho 

sábado, 12 de julho de 2014

O MAIOR DOS AMIGOS

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração...                                                     
Amigo é coisa para se guardar                                           
No lado esquerdo do peito                                           
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"           
Canção da América de Milton Nascimento 

Ter amigos é uma das melhores coisas da vida. O ser humano foi feito para ter amizades, tanto assim que um filósofo chegou a dizer: "ninguém deveria ser uma ilha". Em outras palavras, ninguém deveria viver sozinho, sem vínculos com outras pessoas.

A Bíblia tem muito a ensinar sobre a amizade. Ela diz que o(a) amigo(a), dentre outras coisas, ...
  • é constante, fiel e não abandona a pessoa que ama quando ela passa por dificuldades. 
  • diz a verdade - aquilo que essa pessoa precisa ouvir -, mesmo que doa e seja difícil. 
  • verdadeiramente se alegra com o sucesso dessa pessoa.
  • é capaz de fazer sacrifícios por ela. 
Acho que essas características definem bem o que um amigo deve ser. E certamente há poucas pessoas na vida de cada um de nós que preenchem todas elas (Provérbios capítulo 18, versículo 24). 

Um amigo muito especial
Quero falar aqui de um amigo muito especial: Jesus Cristo. Ele é especial porque tem todas as características acima comentadas no mais alto grau. Jesus ...
  • é fiel pois nunca abadona aqueles que são seus. Não importa a situação ou a circunstância. 
  • exorta, orienta e acalma. Sempre fala aquilo que você precisa ouvir. Sua verdade está na Bíblia e é papel do Espírito Santo transmitir essa mensagem no seu dia a dia, tornando-a presente na sua vida. 
  • se alegra com seu sucesso, entendido como aqueles atos que aproximam você d´Ele e o(a) fazem avançar pela estrada que leva à salvação. Afinal, é esse tipo de sucesso que verdadeiramente conta. 
  • seu sacrifício por você foi supremo - Ele morreu na cruz para abrir para você as portas do caminho que leva à salvação.
Nunca se esqueça que você tem em Jesus o maior dos seus amigos. Quando estiver se sentindo sozinho(a), sem esperanças e/ou sem motivação para ir em frente, lembre-se d´Ele. Recorra a Ele, pedindo ajuda. Garanto que você não vai se decepcionar.

Com carinho

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A MAIOR DE TODAS AS MENTIRAS

"Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações. Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exalterei meu trono, e no monte da congregação me assentarei...Contudo serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo."               Isaías 14, vs 12 a 15  
O texto acima explica como foi a queda de Lúcifer, o principal arcanjo, que acabou expulso da corte celeste e virou Satanás, o nosso Inimigo. A queda se deu por um motivo simples: Lúcifer deixou que orgulho e vaidade entrassem na sua mente. Achou que podia ser igual a Deus. 

E aí está a "a maior de todas as mentiras", continuamente usada por Satanás para desviar as pessoas do bom caminho: convencê-las que podem ser aquilo que desejarem ser. E é interessante perceber que tal mentira é vendida todos os dias na mídia, com frases como "se você usar o produto tal, ninguém vai poder resistir a você...". E até países são "vendidos" dessa forma: por exemplo, os Estados Unidos são vistos como o país das oportunidades, onde qualquer pessoa pode se tornar um sucesso e conseguir aquilo que desejar. 

É saudável que as pessoas procurem preencher todo seu potencial e conseguir ser aquilo que sonham. Não há dúvida quanto a isso. Mas isso não quer dizer que você ou eu possamos tornar-nos o que desejarmos. Isso é uma mentira - não importa o quanto nos esforcemos, sempre teremos limites. E em alguns casos é fácil perceber isso. 

Por exemplo, você ou eu nunca vamos conseguir correr 100 m em 10 segundos. Isso é coisa para profissional - atletas extraordinários, com o biotipo certo e anos de treinamento. Também nunca vamos descobrir uma teoria como aquelas que Einstein criou e que mudaram a história da ciência. Nem seremos tão charmosos quanto muitos artistas de cinema. 

Em outros casos essa percepção não aparece de forma tão clara, mas ainda assim os limites estão lá, balizando a sua e a minha vidas. E isso não quer dizer que não tenhamos valor - o próprio fato de Deus nos amar de forma incondicional comprova isso. 

Agora, quando a pessoa se deixa convencer que não tem, nem deveria ter, limitações, vai ter dificuldades de aceitar os limites impostos por Deus para sua vida. E foi isso que aconteceu com Adão e Eva: Deus lhe disse que podiam fazer qualquer coisa no Jardim do Éden, exceto comer do fruto da árvore do "bem e do mal". Mas, incentivados por Satanás, Adão e Eva convenceram-se que aquela limitação era indevida e que mereciam mais, muito mais. E desobedeceram, comendo do fruto. E pagaram um preço pesado.

Você e eu podemos fazer muitas coisas e é bom que tentemos fazer sempre o melhor possível. Há muito que podemos fazer e nos orgulhar dos resultados obtidos.  mas precisamos conhecer nossas próprias limitações e aceitá-las como algo natural, sem sofrimentos, e sem achar que Deus foi injusto por não nos proporcionar isso ou aquilo. Isso é demonstração de maturidade espiritual. 

E é essa maturidade que vai impedir você ou eu de sermos seduzidos pela "maior de todas as mentiras".

Com carinho   

terça-feira, 8 de julho de 2014

SEU FUTURO NÃO TEM LIMITE...

Você sabia que seu futuro não tem qualquer limite de tempo? Pode ser que essa declaração surpreenda pois a morte é a coisa mais certa da vida. 

Mas essa é uma grande verdade, segundo a Bíblia. Ela afirma que a vida como um todo não acaba com a morte física. Nesse momento acaba apenas a vida física aqui na terra. Mas a alma/espírito da pessoa não morre junto com o corpo físico. Ou seja, a parte mais importante da pessoa, sua essência, continua a existir numa outra dimensão. 

E essa segunda fase da existência continuará até o "final dos tempos" (a segunda vinda de Jesus), quando todos vão receber um novo corpo (Mateus capítulo 25, versículos 31 a 46). Esse novo corpo é semelhante, em natureza, àquele que Jesus recebeu depois de ressurgir dentre os mortos. 

Aí, já de posse do novo corpo, as pessoas entrarão na terceira fase da sua existência, na qual viverão para sempre. E há duas possibilidades para como essa vida futura será desenvolvida: com Deus (no Céu) ou afastados d´Ele (no Inferno). Estar com Deus permanentemente será motivo de alegria e felicidade contínuas, enquanto que estar longe d´Ele significará sofrimento sem fim. 

Agora, a definição de qual será o caminho de cada pessoa - Céu ou Inferno - será feita com base no que ela fez durante sua vida aqui na terra. Os cerca de 80 anos em média que cada pessoa vive aqui vão acabar por definir seu futuro. Suas ações servirão como base para o julgamento ao qual cada pessoa será submetida no final dos tempos. Quem aceitar Jesus terá seus pecados perdoados e estará salvo. Quem o recusar estará fadado ao Inferno. 

Portanto, a vida aqui na terra tem muita importância e vai gerar consequências que serão definitivas. Pense nisso com cuidado ao decidir como vai conduzir sua vida. 

Não se deixe impressionar pelos benefícios aparentes deste mundo - sucesso, posição social, acesso ao consumo, prazer, etc - se eles o afastarem de Deus. Esses benefícios somente são realmente benefícios se não afastarem você da salvação. 

Com carinho

sexta-feira, 4 de julho de 2014

VOCÊ É FILHO(A) DE DEUS?

Antes de responder à pergunta que dá título a este post é preciso entender que há diferentes significados na Bíblia para a expressão "filho(a) de Deus". Se você e eu nos enquadramos em algum desses casos, a resposta deve ser sim. Caso contrário, deve ser não.

Aquele criado diretamente por Deus  
A Bíblia se refere a Adão e aos anjos como filhos de Deus, pois são (foram) seres criados diretamente por Ele. Os demais seres humanos, por outro lado, são gerados a partir de um processo de reprodução criado por Deus, mas sem o envolvimento direto d´Ele. Por isso a Bíblia não costuma se referir aos seres humanos como filhos(as) de Deus e sim criaturas d´Ele.

A exceção é Jesus: quando o anjo revelou a Maria que ela ficaria grávida de um filho, por obra e graça do Espírito Santo, foi-lhe dito que a criança seria chamada filho de Deus (Lucas capítulo 1, versículos 26 a 33). Isso porque a natureza humana de Jesus foi criada diretamente por Deus, através do corpo de uma mulher. 

O unigênito
A Bíblia fala que Deus tem um filho unigênito ("único gerado") que tem a mesma natureza divina. Foi esse Filho, Jesus, que encarnou e veio ao mundo como homem, para nos abrir as portas da salvação (João capítulo 3, versículo 16). Jesus também pode ser chamado de Filho de Deus nesse sentido.

O herdeiro do trono de Davi
Deus fez um pacto com Davi e lhe prometeu que seus herdeiros seriam tratados por Ele como filhos (2 Samuel capítulo 7, versículos 12 a 14). E assim foi com Salomão. 

A mesma promessa garantiu também que o trono de Israel nunca se afastaria da linhagem de Davi. Ora, o reinado dos descendentes da Davi acabou em 567 AC, com a invasão dos babilônios e a destruição de Jerusalém. Mas a promessa se mantém, porque seu cumprimento está ligado à chegada do Messias, tão esperado pelo povo de Israel. 

Para os cristãos, essa promessa foi cumprida em Jesus. Tanto assim que Ele, tanto por parte do seu pai adotivo (José), como de sua mãe carnal (Maria), era descendente direto de Davi. Sendo o Messias, Jesus pode ser chamado de Filho de Deus também nesse sentido da expressão. 

E como nós ficamos?
Não nos enquadramos em nenhuma das categorias acima. Mas há um quarto significado para a expressão "filho(a) de Deus" que nos interessa muito mais de perto. 

O apóstolo Paulo disse que todos aqueles que aceitam Jesus Cristo como seu Salvador passam a ser considerados filhos(as) de Deus, pois são perfilhados por adoção (Romanos capítulo 8, versículos 13 a 17). 

E é nesse sentido que você e eu somos filhos(as) de Deus, com todas as regalias que decorrem daí. E isso é uma grande honra. Graças a Deus por isso.

Mas repare que somente aqueles que aceitam Jesus se enquadram nessa condição. Os demais seres humanos não podem se qualificar como filhos(as) de Deus. Portanto, a expressão "todos somos filhos(as) de Deus" é incorreta à luz da Bíblia - aqueles que não aceitam Jesus são criaturas d´Ele mas não filhos(as).

Com carinho