terça-feira, 31 de dezembro de 2013

FELIZ ANO NOVO

Vou fazer uma confissão para você; não sou muito fã da comemoração de Ano Novo. Já particpei de todo tipo de comemoração, inclusive algumas bem famosas, como a queima de fogos na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. E confesso que nunca me fiquei muito entusiasmado. 

Para mim, a comemoração da passagem de Ano Novo tem um sabor meio artificial. Afinal, a passagem de ano naquela data é uma simples convenção - ela poderia acontecer em qualquer outro dia do ano. Não há qualquer razão cósmica para que ela ocorra à meia noite do dia 31 de dezembro. 

Além disso, essa comemoração promove a ideia de deixar para trás os problemas e começar vida nova. E isso simplesmente não é verdade - amanhã, já no ano novo, você e eu continuaremos a ter os mesmos problemas de hoje. 

Mas não se importe muito comigo, se você é fã dessa comemoração. Essas são apenas reflexões pessoais, que refletem meu estado de espírito. Você tem todo direito de curtir muito essa festa. E se for esse o caso, aproveite bastante. 

Desejo para você um ano de 2014 muito feliz, pleno de realizações e das bençãos de Deus. E que, contando com a Graça d`Ele,  possamos continuar a nos encontrar muitas vezes neste mesmo blog, ao longo do ano novo.

Com carinho

domingo, 29 de dezembro de 2013

AS ENCHENTES NO ESPÍRITO SANTO E MINAS GERAIS

Chega o verão é os desastres causados por chuvas intensas voltam a acontecer. Agora foi no Espírito Santo e em parte de Minas Gerais. Mas, em anos anteriores, aconteceu na região serrana do Rio de Janeiro ou em Santa Catarina. 

Assim, ano após ano, as mortes e a destruição da propriedade da população pobre se repetem. Como também repetem-se as desculpas das autoridades. Primeiro, culpando o tempo, esquecendo-se que chuvas intensas nessa época do ano são perfeitamente normais num clima como o nosso. Depois, alegando que estão tomando todas as providências necessárias e, tempos depois, a imprensa noticia o quão pouco foi feito para reparar os danos - um bom exemplo é a situação de Petrópolis e Itaipava, no Rio de Janeiro, dois anos depois da catástrofe que ali ocorreu. 

O que nunca vejo são autoridades assumindo a responsabilidade pelo que deixaram de fazer: pela falta de sistemas de drenagem adequados, por não removerem o lixo que entope esses sistemas, por não retirarem as pessoas residentes em áreas de risco, dando-lhes um lugar mais seguro para morar, enfim, por não cumprirem sua obrigação.

Impressiona-me muito como a vida humana é "barata" no Brasil. Como a morte ou a perda dos bens das pessoas mais pobres é encarada com tanta naturalidade. Como quase todos os governantes são tão insensíveis.

Como será que esses governantes, permanentemente preocupados apenas com seus jogos de poder e as próximas eleições, podem dormir tranquilos?  O pior é que essas pessoas tornam-se tão insensíveis, com o coração tão "endurecido", que dormem perfeitamente bem, achando que não tem culpa nenhuma. É muito triste, mas é a mais pura realidade.

Fica aqui meu desabafo.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

ANIMAIS PODEM IR PARA O CÉU?

Outro dia uma adolescente me perguntou se animais podem ser salvos, se há um céu esperando por eles. Essa pergunta, aparentemente trivial, é importante porque os animais são muito importantes para várias pessoas: são seus companheiros de vida e fonte de carinho constante. Parte fundamental das suas vidas. Daí porque a ideia de que os seus queridos não tenham a possibilidade de um futuro no céu as deixe tristes, como a amiguinha que me fez a pergunta.

Para responder, é preciso entender, à luz da Bíblia, o que significa ir para o céu ou o inferno. Trata-se de definir como será o relacionamento de cada ser humano com Deus na chamada Vidas Eterna, aquela que irá existir no final dos tempos. O céu corresponde a uma vida junto d´Ele, cheia da felicidade que daí decorre. O inferno é exatamente o contrário disso.

E o caminho de cada pessoa será consequência direta das escolhas que ela tiver feito na sua vida. E quem aceitar Jesus como Salvador será salvo, irá para o céu. Assim, parece correto dizer que não é Deus quem coloca as pessoas no inferno e sim a própria pessoa, mediante suas escolhas.

Logo, só faz sentido falar sobre céu e inferno com quem tenha capacidade para fazer escolhas, ou seja quem disponha de livre arbítrio. Mas somente livre arbítrio não basta: é preciso conhecer a diferença entre o bem e o mal. Uma criança tem capacidade para fazer escolhas, mas não sabe a diferença entre certo e errado e, portanto, não é responsável pelas escolhas que faz.

Em resumo, somente quando existe livre arbítrio e consciência do que é certo faz sentido responsabilizar um ser vivo pelos seus atos - a Bíblia chama as escolhas erradas de pecados. 

Mas somente os seres humanos têm essa capacidade pois foram feitos à imagem e semelhança de Deus (Gênesis capítulo 1, versículo 26). Os animais agem por intinto, pois não têm consciência dos seus atos no sentido que acabei de definir. 

Assim, não faz qualquer sentido dizer que o leão é pecador por matar a zebra - ele faz isso instintivamente porque tem fome e precisa sobreviver. Não há como aplicar o mandamento "não matarás" para ele. Simples assim.

Os animais não tem capacidade para pecar e, portanto, o conceito de céu ou inferno não se aplica a eles. Não faz sentido falar em salvação para um cachorro ou um gato, pelo menos no sentido que a Bíblia dá a esses conceitos. 

Isso não significa que os animais estarão ausentes do céu. Acredito (mas isso é apenas uma opinião) que eles estarão presentes sim, pois fazem parte da criação de Deus. Agora, não sei como isso se dará, pois a Bíblia nada fala a respeito. 

Com carinho       

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

SERÁ QUE DEUS ERROU NO PLANEJAMENTO DO PRIMEIRO NATAL?

Trocando ideias com um amigo da igreja, ele me fez uma obervação interessante: “Se eu não tivesse absoluta confiança em Deus, eu pensaria que Ele não sabe planejar. Veja a forma como Seu Filho chegou ao mundo.”

Meu amigo se referia ao fato de que José e Maria, grávida de nove meses, chegaram a Belém, não encontraram lugar onde ficar e acabaram instalados de maneira absolutamente precária, num curral, em meio a animais. O berço de Jesus foi um cocho (chamado naquela época de manjedoura), usado pelos animais para comer. Olhado de fora, tudo parece ter sido improvisado, fruto de falta de planejamento.

Essa impressão de improvisação acaba quando vemos a mensagem que foi recebida pelos pastores, através de um anjo (ver Lucas capítulo 2, versículos 11 e 12): “É que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura.”  Ou seja, Jesus nasceu onde tinha mesmo que nascer, por mais incrível que possa parecer.

A discussão então muda de figura: parece ser que Deus pensa mesmo de forma diferente de nós, pois ninguém escolheria para seu filho nascer numa estrebaria, se pudesse evitar. Alíás, foi isto nesmo que o apóstolo Paulo quis dizer em 1 Corintios, capítulo 1, versículos 27 e 28: "Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e as coisas fracas do mundo para envergonhar os fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas e aquelas que não são, para reduzir a nada os que são..."

Para comprovar que é como o apóstolo Paulo falou, basta pensar na vida de Jesus:  

  • Por que Jesus precisou se sacrificar para que seu sangue nos desse a porta de entrada para a salvação? Não haveria uma outra forma, menos penosa para Jesus? 
  • Por que Jesus precisou sofrer tanto nesse mundo? Ele nasceu num lugar horrível, viveu em pobreza, foi discriminado pelos moradores da cidade onde foi criado por causa do fato de sua mãe ter engravidado antes de casar com seu pai legal (José). 
  • Por que Ele tinha que ser discriminado pela sua própria família?
  • Por que tinha que ser perseguido pelos líderes religiosos da sua época?
  • Por que teve que ser abandonado pelos seus maiores amigos (os apóstolos), quando foi preso?
  • Por que foi necessário que Ele passasse por morte tão horrível, pregado numa cruz?
Se eu reservasse uma vida assim para qualquer dos meus dois filhos, eles provavelmente pensariam o pior de mim, assim como todos que estivessem ao meu redor.

É claro que cada uma dessas "loucuras" de Deus tinha uma razão, dentro do Seu Plano de Salvação e dá para provar isso com explicações contidas na própia Bíblia, mas eu não tenho espaço aqui para apresentar todos esses argumentos. Vou me limitar, portanto, a um dos pontos, a título de exemplo. Trata-se daquele que se refere à perseguição dos líderes religiosos. Jesus encontrou uma religião hipócrita, onde as aparências valiam mais do que qualquer outra coisa. E Ele se insurgiu contra isso, pois os ensinamentos de Deus sempre foram na direção de que o importante é o que verdadeiramente se pensa e se faz, não o que se aparenta ser.

Ao comemorar o Natal, lembre-se que a vinda de Jesus ao mundo, da forma como se deu é um dos atos de Deus que menos conseguimos entender. Acostumamo-nos com a ideia de Jesus ter estado entre nós e, muitos de nós, somos gratos a Deus por isso. Mas isso não quer dizer que possamos entender o “por quê” e o “como” Deus fez tudo isto.
 

Portanto, quando você não entender certas coisas vindas de Deus, que tenham ocorrido tanto na sua própria vida, como na vida daqueles que te cercam, saiba que é assim mesmo que Deus age. Ele sempre nos surpreende a todos.
 

Com carinho
Vinicius

domingo, 15 de dezembro de 2013

OLHANDO COM "OLHOS DE VER"

Podemos aprender sobre Deus de várias: ler e estudar a Bíblia, frequentar cursos, ouvir pregações e assim por diante. Mas há uma forma que poucos usam: olhar para o mundo com "olhos de ver" para encontrar as "impressões digitais" d´Ele em todos os locais. 

Eu me explico. Como Deus criou tudo, a própria maneira como as coisas são organizadas, tanto no universo em geral, como na natureza em particular, nos fornecem pistas concretas de como a mente d´Ele funciona e sobre seus planos para os seres humanos. Mas somente conseguiremos perceber isso quando olharmos para as coisas que nos cercam com "olhos de ver". Quando olharmos não somente para a superfície das coisas, mas também procurarmos perceber o que Deus fez e continua a fazer.

Vou dar um exemplo. Somos criaturas que precisam de nutrientes externos a nossoa corpoa para nos mantermos vivos. Agora, Deus poderia ter-nos criado de forma a adquirir esses nutrientes de uma maneira que não envolvesse comer, por exemplo, via fotossíntese, como ocorre com as plantas.

Mas Deus fez as coisas de forma diferente: precisamos adquirir nutrientes comendo vegetais e animais. E isso gera a necessidade que o ser humano encontre comida e a torne disponível para consumo. E por causa disso foram desenvolvidas a agricultura e a pecuária, as indústrias para processar o material produzido, os armazéns para guardar esses produtos e os transportes, visando levar produtos de um lugar para outro. E as coisas não terminam aí, pois ainda há a necessidade de fazer a preparação final dos alimentos (cozinhar) e seu consumo. Dessas necessidades surgiram mais indústrIas (eletrodomésticos como geladeiras e fogões) e serviços (como lanchonetes e restaurantes). Finalmente foram gerados hábitos sociais importantes, como as refeições em família.

Imaginem como nosso mundo seria diferente se os seres humanos não precisassem se alimentar, se adquirissem nutrientes de outra forma. Se Deus definiu que fosse assim, foi porque tinha um propósito. Não tenho espaço para desenvolver aqui para desenvolver esse tema em particular, o que será objeto de post futuro, mas posso adiantar que o ato de comer, de trocar experiências em torno de uma mesa, é fundamental para a sociedade humana. E não foi por acaso que Jesus estabeleceu um sacramento - a Santa Ceia - em torno de uma refeição, onde os cristãos devem comer pão e vinho em sua memória.

Mas voltando ao tema deste post, se não olharmos para o mundo com "olhos de ver", não perceberemos que o simples ato de comer molda toda a sociedade humana e que esse hábito revela um plano de Deus. 

Existem muitas outras coisas similares e posso citar outro exemplo para comprovar com mais força o que estou querendo dizer: Por que a reprodução humana é feita através do sexo, quando poderia ocorrer por simples divisão celular? Oara o sexo tem um impacto gigantesco na vida humana, mas poderia não ser necessário. E se existe, há um propósito de Deus nele. 

Os planos de Deus são muito mais complexos do que conseguiremos perceber se vivermos no mundo "sem olhos de ver", ou seja sem nos preocuparmos de perceber seus planos. E é por viverem assim, que muitos seres humanos tornam-se ateus ou, mesmo sabendo da existência de Deus,  lhe dão pouca importância - vivem como se Ele não existisse. 

Deus está presente em todos os lugares, mas, muito mais do que isso, suas decisões influenciam a forma como vivemos - somos totalmente dependentes d´Ele. 

E precisamos perceber isso, caso contrário Deus nunca vai assumir a importância que merece em nossas vidas. Somente a compreensão dessa verdade vai nos fazer viver de fato o mandamento que de colocar Deus em primeiro lugar, acima de qualquer outra coisa. Simples assim.

Com carinho

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A REGRA DE OURO

Jesus nos disse que a Lei do Amor - "amar a Deus sobre todas as coisas" e "amar ao próximo como a ti mesmo" - resume todos os mandamentos da Bíblia. Quem cumpri-las, irá atender tudo aquilo que Deus espera do ser humano.
No caso do mandamento do amor ao próximo, há dúvidas de ordem prática de como cumprir essa Lei. O que deve ser feito? Como saber se faço o suficiente? 

É interessante perceber que a melhor resposta para essa pergunta não é encontrada na Bíblia, embora sem dúvida esteja também ali o esclarecimento dessa questão. A melhor resposta vem da filosofia e é chamada de Regra de Ouro: 
"Aja com o outro assim como gostaria que o outro agisse com você".
Ela tem exatamente o mesmo significado do mandamento de amar ao próximo, mas a formulação da Regra de Ouro torna mais simples entender o que Deus espera que seja feito. 

Vários filósofos importantes, cristãos e não cristãos, em vários momentos da história, concluiram que a Regra de Ouro resume tudo que é importante para a boa convivência entre as pessoas. E chegaram a essa mesma conclusão a partir de caminhos de raciocínio distintos, comprovando que as pessoas têm uma noção intuitiva desse ensinamento. É como se ele estivesse escrito nos corações humanos.

Em termos práticos, a Regra de Ouro elimina duas dúvidas comuns que a Lei do amor ao próximo gera. A primeira é: o que devo fazer para demonstrar que amo o próximo como amo a mim mesmo

A resposta é imediata: em cada situação, devo agir em relação à outra pessoa exatamente como gostaria que ela agisse comigo, se a situação fosse a inversa. Assim, se não gosto de ser roubado, não devo roubar. Se não gosto de ser traído, não devo trair. Se não gosto que façam, fofoca a meu respeito, não devo fazer fofoca. Se gostaria que alguém me socorresse num momento de dificuldade, devo fazer o mesmo por aqueles que precisam de ajuda. E assim por diante.

A segunda dúvida que a Regra de Ouro esclarece refere-se a quem é o meu próximo. Seguindo esse ensinamento, devo inverter a situação, pensando, por exemplo, que eu precisasse de ajuda. Ora, estando nessa situação, gostaria de ser ajudado por qualquer pessoa que, sabendo da minha necessidade, pudesse fazer alguma coisa por mim. Não importa se conheço pessoalmente ou não quem vier a me ajudar ou se a ajuda for feita através de contato pessoal ou pela Internet. O importante é que a ajuda chegue. Portanto, o meu próximo, a quem devo amar, é toda pessoa por quem eu possa fazer alguma coisa

Essa mesma pergunta foi feita a Jesus, que respondeu contando a parábola do bom samaritano (Lucas capítulo 10, versículos 25 a 37), onde um homem, que ia passando, cuidou de uma pessoa desconhecida dele, encontrada caída à beira da estrada, sem esperar qualquer retribuição. E a resposta que Jesus deu foi exatamente a mesma.

Se todos seguissem a Regra de Ouro, não seriam necessárias leis, para obrigar os seres humanos a agir corretamente; polícia, para fazer cumprir essas leis; ou sistema judiciário, para punir quem viola as leis. E o mundo seria um lugar maravilhosos para se viver.

Guarde essa Regra no seu coração e use-a como guia para suas ações. Toda vez que tiver dúvida quanto a algo que pense em fazer (ou deixar de fazer), coloque-se na situação inversa e veja se gostaria que a outra pessoa fizesse (ou deixasse de fazer) com você aquiloSe sua resposta for negativa, evite de tomar aquela atitude, não importa suas razões, por amor ao próximo. Se sua resposta for positiva, vá em frente e tenha paz no seu coração. Simples assim.

Com carinho

sábado, 7 de dezembro de 2013

O PODER DO PERDÃO

Morreu ontem, aos 95 anos, Nelson Mandela, talvez o maior líder político mundial dos últimos 30 anos. Sua trajetória, de prisioneiro político, até Presidente da República, parece enredo de filme. Sua grande contribuição para a África do Sul foi a política de reconciliação entre as populações barnca e negra, que ele instituiu e dirigiu. 

A África do Sul seguiu durante séculos uma política de discriminação racial oficial, que deixava os negros, maioria da população, sem boa parte dos seus direitos políticos e econômicos. E para manter os negros na linha, os dirigentes brancos cometeram inúmeras e muito sérias violações contra os direitos humanos. 

Mas, a política do apartheid foi ficando cada vez mais difícil de manter, até porque a ONU decretou um embargo econômico contra a África do Sul, e a elite branca percebeu que seria preciso promover uma abertura política. os brancos temiam que os negros, ao tomarem o controle do governo, viesse a retaliar a população branca, em vingança por tudo que tinham sofrido, como aconteceu em outros países da África, como a Rodésia (hoje Zimbabwe). 

Aí entrou em cena Mandela. Ele estava preso havia décadas, por conta da sua luta contra o apartheid e era um ídolo para os negros. O governo racista o procurou e perguntou se ele toparia conduziru um processo de transição do poder, que desse aos negros os direitos que eles tanto queriam, mas que garantisse a integridade física e econômica da população branca.

E Mandela aceitou, mesmo contra a opinião de mutios dos seus seguidores, que estavam sedentos por vingança. Foi libertado da cadeia, concorreu em eleições livres e foi eleito Presidente. E tornou-se, a partir daí, o garantidor da paz social na África do Sul.

Ele teve a grandeza de saber perdoar aqueles que lhe tinham causado sofrimento (foi torturado na cadeia) e pregou a conciliação para todoa a população. E, por conta da sua liderança e popularidade, os negros aceitaram esse compromisso e a transição foi feita de forma pacífica. 

Para facilitar esse processo, Mandela instituiu tribunais onde as violações dos direitos humanos feitas pelos brancos racistas eram colocadas a nú, mas as pessoas que tinham cometido esses delitos não sofriam qualquer punição física ou monetária. A punição era apenas moral. Com isso, aquelas pessoas que sofreram violência tiveram o direito a ter sua voz ouvida, mas isso foi feito sem desequilibrar a delicada construção política que precisava ser mantida, para conseguir reconciliar o país.

Philip Yancey fez, num dos seus livros, o relato de uma sessão de um tribunal desse tipo, onde uma mulher negra se levantou para acusar um policial branco de ter matado seu marido e filho e tocado fogo nos corpos, tudo isso na frente dela. Ao falar no tribunal, olhando para o criminoso, sentado à sua frente, a mulher disse que o perdoava e comentou que esperava receber visitas dele, pois não tinha mais família e queria fazer daquele homem parte da sua nova família. Aí o criminoso e aquela mulher se abraçaram e reconciliaram, dando um grande exemplo para todos. 

Foi exatamente por usar a arma do perdão e da tolerância que Nelson Mandela conseguiu evitar um banhi de sangue na África do Sul. E, por causa disso, ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Ao longo do tempo, até os brancos passaram a amá-lo, e hoje ele é o Madiba, o pai de toda a nação. 

Mandela era cristão (metodista) e encarnou, como ninguém, o ensinamento do perdão e da reconciliação que Jesus nos deu. E provou que Jesus estava certo, pois só o perdão constrói. 

O mundo ficou menor sem o Madiba. Descanse em paz, Nelson Mandela. Pode ter certeza que seu exemplo vai frutificar.

Com carinho

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

AS FESTAS RELIGIOSAS DA BÍBLIA

Recentemente comentei que o entendimento pleno da figura de Jesus somente pode ser alcançado se for levado em conta o contexto judaico em que Ele viveu (veja mais). E, como para os judeus nada era mais importante do que as festas religiosas anuais, deve haver uma correlação forte entre essas festas e Jesus, na condição do Messias tão esperado pelos judeus. E de fato há, como vou demonstrar. 

As festas judaicas

Os judes comemoravam no tempo de Jesus - e ainda comemoram - sete grandes festas relifgiosas. E como seu calendário é contado com base nas fases da lua, elas não caem sempre no mesmo dia do ano. Vejamos o significado de cada uma delas.


Páscoa

A Páscoa foi comemorada pela primeira vez na noite anterior ao dia em que o povo de Israel saiu da escravidão no Egito. Deus mandou que cada família comesse um cordeiro assado, juntamente com ervas amargas e pães sem fermento, representando a aflição que passaram no Egito e a pressa que tiveram em sair dali. O sangue daquele cordeiro deveria ser pintado na porta da casa para que o anjo da morte não causasse nenhum mal ao passar para cumprir a décima praga, a morte dos primogênitos (Êxodo capítulo 12).



A Páscoa sempre teve uma relação muito forte com o Messias: os judeus sempre acreditaram que assim como Deus salvou seu povo da escravidão no Egito na Páscoa, usando Moisés como instrumento, uma nova salvação viria naquela mesma data, através do Messias. 



Ora, a libertação veio sim na Páscoa, pois Jesus foi preso logo depois de comer a refeição da Páscoa, quando instituiu o sacramento da Santa Ceia. E o simbolismo do derramento do sangue do "Cordeiro de Deus" na cruz, que aconteceu no dia seguinte à Páscoa, tem tudo a ver com o sangue que marcou as casas dos judeus para livrá-los do anjo da morte. 



Mas é preciso lembrar que, diferentemente do que os udeus esperavam, Jesus libertou sim o ser humano, embora não do domínio de uma potência militar, como os romanos, mas da escravidão do pecado. 


Pães Ázimos
Essa festa devia começar na ceia da Páscoa, onde já eram servido pães sem fermento (ázimos). E por sete dias os judeus somente podem comer pães e outros alimentos sem fermento (Deuteronômio capítulo 16, versículos 1 a 3). 



O fermento é como uma "infecção" que faz com que a massa cresça e fique aerada (micro-organismos que nascem, crescem e depois morrem). E, para os judeus, o fermento sempre foi relacionado com as "infecções" causadas por pecados como orgulho e hipocrisia - lembre-se que Jesus chamou esses pecados de "fermento" dos fariseus (Lucas capítulo 12, versículo 1). E como o fermento tinha essa conotação negativa, nenhuma oferta de alimento feita para Deus podia conter tal ingrediente (Levítico capítulo 2, versículo 11 e capítulo 6, versículo 17).



O pão ázimo também era chamado de "pão da aflição" (Deuteronômio capítulo 16, versículo 3), por conta do período de escravidão no Egito. 



Ora, Jesus foi uma pessoa sem pecado e passou por grande sofrimento (aflição) e, portanto, seu corpo é perfeitamente representado pelo pão ázimo. Logo, não é surpresa que ele tenha morrido exatemente no dia em que essa festa começou a ser comemroada. 



Primeiros Frutos  

Era comemorada no primeiro dia depois do sábado que se seguia à Páscoa. Celebrava o primeiro dia da colheita da cevada e assim uma pequena parte do cereal colhido era oferecida a Deus. E, no sábado que precedia essa festa, a passagem lida nas sinagogas vinha de Ezequiel capítulo 37, versículo 5, quando o profeta pregou para um monte de ossos secos: 
"Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós e vivereis". 
No ano em que Jesus morreu, a Páscoa ocorreu na quinta feira, portanto a festa dos Primeiros Frutos caiu no domingo (contado a partir do cair do sol no sábado). Ora, no sábado, quando o texto de Ezequiel citado acima foi lido nas sinagogas, Jesus estava morto e enterrado. E nele Ezequiel profetizou a ressurreição que aconteceu exatamente no dia seguinte, dia dos Primeiros Frutos. 



Quando Paulo, em 1 Coríntios (capítulo 15, versículos 20 a 23), disse que Jesus era como "os primeiros frutos daqueles que dormem", os judeus da época de Jesus certamente fizeram a ligação entre o que acontecera com Ele e a festa comemorada no dia da sua ressurreição.



Pentecostes (semanas)

Sete semanas após a festa dos Primeiros Frutos vinha o Pentecostes (Deuteronomio capítulo 16, versículos 9 a 12). Foi nesse mesmo dia em que a igreja cristã teve início, quando o Espírito Santo chegou e as pessoas falaram em línguas que não conheciam (Atos capítulo 2, versículos 1 a 4).


Essa festa comemora o dia em que os israelitas chegaram ao Monte Sinai, depois de sair do Egito (na Páscoa). Foi nesse dia em que eles receberam a Lei de Deus (os Dez Mandamentos), conforme o relato de Êxodo (capítulo 19, versículos 1 a 20). E Lei é o símbolo da Primeira Aliança (ou Velha Aliança), aquela que Deus fez com o povo judeu.




O episódio em que Deus apareceu para dar a Lei aos judeus é marcado por fogo e outros sinais maravilhosos. E o texto ensinado nas sinagogas no dia da festa do Pentecostes está em Ezequiel (capítulos 1 e 2), onde o profeta teve uma visão caracterizada por ventos e fogo.



O Pentecostes para os cristãos foi a chegada do Espírito Santo, em meio a forte vento, quando apareceram línguas de fogo sobre as cabeças das pessoas. E é isso que marca o início da Nova Aliança, a inauguração da história da igreja. Mas, ao invés de inscrever seus mandamentos em tábuas de pedra, como fez no Monte Sinai, desta vez Deus escreveu seus mandamentos nos corações dos seres humanos, através do Espírito Santo. 



Ano Novo (Trombetas)

A festa de Ano Novo abre um segundo ciclo de festas, que acontece cerca de seis meses depois das outras quatro festas. Nesse dia os judeus começam a contar seu ano civil. Essa festa também é conhecida como Trombetas, pois tem início com o toque do shofar (veja mais). 



O Ano Novo comemora a criação do mundo, por isso o texto de Gênesis onde isto é relatado (capítulo 1) é lido em todas as sinagogas. E tem início aí o período de dez dias em que os judeus precisam examinar seu comportamento no ano que passou, como preparação para o dia do Perdão.



Para o cristão, essa festa marca a esperança de que Cristo vai voltar, ao som da tombeta, conforme Paulo nos ensinou em 1 Corintios (capítulo 15, versículos 51 e 52). Mas sua chegada não vai ser apenas motivo de alegria, pois ainda haverá o Julgamento Final. 



Perdão

Já escrevi detalhadamente sobre esse dia (veja mais), o mais solene do ano judaico, oportunidade em que os judeus pedem perdão pelos seus pecados individuais e coletivos.


Para o cristão, o Yom Kippur simboliza o dia do Julgamento Final, quando Deus pedirá contas a cada ser humano.



Tendas

Essa festa ocorre cinco dias depois do Yom Kippur. Nos dias de Jesus, acontecia uma grande celebração no Templo de Jerusalém, com duração de sete dias. A festa comemora o período que o povo passou no deserto do Sinai, quando Deus cuidou de todas suas necessidades, mandando comida e água (Deuteronomio capítulo 16, versículos 13 a 17). 


Por isso, as pessoas habitavam cabanas provisórias (hoje em dia obviamente isso já não acontece) - ao não terem paredes sólidas ao seu redor, a ideia é que as pessoas lembrassem que a segurança vem apenas de Deus. 



Essa festa também comemorava a principal colheita do ano (trigo), marcando o fim de período seco anual na Palestina, que dura seis meses, quando não cai uma gota de chuva. Por causa disso, no final da festa, os sacerdotes faziam uma libação com água, pedindo a chegada da chuva - a água que trazia vida. 



E foi exatamente num dia desses que Jesus disse para as pessoas que quem viesse até Ele nunca mais teria sede (João capítulo 7, versículos 37 e 38). Mas essa é uma verdade que somente vai se tornar plena no final dos tempos, quando os salvos irão residir permanentemente com Jesus. 



Resumo

As sete grandes festas judaicas relebravam periodicamente para os judeus fatos importantes da sua relação com Deus. Os cristãos copiaram a ideia de ter um calendário litúrgico (Sexta Feira Santa, Páscoa, Pentecostes, Natal e outros dias mais), com grande sucesso. 



Todas as festas judaicas tem grande relação com Jesus Cristo. As quatro primeiras (Páscoa, Pães Ázimos, Primeiros Frutos e Pentecostes) falam diretamente sobre sua morte e sacrifício, bem como a respeito da Nova Aliança que sua morte estabeleceu. 



Já as três outras (Ano Novo, Perdão e Tendas) se relacionam com fatos que ainda vão acontecer, no Final dos Tempos.



Com carinho 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A DISCUSSÃO SEM FIM SOBRE A DECORAÇÃO DE NATAL

Todo ano é a mesma coisa: chega dezembro, as decorações de Natal aparecem em todo lugar e o mundo evangélico acaba mergulhado numa discussão interminável: é aconselhável, ou não, para os cristãos, usar esse tipo de enfeite (árvores, bolas, figura de Papai Noel e outros) nas casas e igrejas? Será que a Bíblia proíbe tal tipo de prática?

Eu já me pronunciei sobre isso aqui no blog e, portanto, não vou repetir meus argumentos - minha opinião pessoal é que esse tipo de enfeite não tem impacto espiritual negativo e pode ser usado (veja mais). Mas compreendo perfeitamente, e respeito, aqueles que não aceitam essa prática e querem banir esses enfeites da sua prática de vida. 

Na verdade, qualquer tipo de conclusão sobre essa questão, seja pró ou contra, vai sempre depender de interpretações indiretas dos ensinamentos da Bíblia, já que o tema não é tratado diretamente nela (nem poderia ter sido). Tanto é assim, que várias denominações evangélicas sérias - como é o caso do Metodismo, onde congrego - não se colocam formalmente sobre essa questão, deixando a decisão para a consciência de cada pastor, liderança de igreja local e membro. 

Portanto, a controvérsia não vai acabar. O que fazer então? Como uma comunidade cristã deve agir num caso como esse? Minha receita envolve dois passos, ambos igualmente importantes. 

O primeiro passo é eliminar as decorações que incomodam várias pessoas dos espaços coletivosO ensinamento bíblico que dá suporte a esse tipo de postura é que, se algo escandaliza meu irmão, eu devo evitar fazer isso quando estiver junto dele, como prova de amor cristão e respeito pela sua sensibilidade (1 Corintíos capítulo 8, versículos 8 a 13). Os enfeites podem não incomodar a mim, mas se atrapalham o irmão(ã) que senta ao meu lado no banco da igreja, é um erro insistir neles nos espaços comuns. 

O segundo passo, igualmente importante, é tratar do tema em classes de Escola Dominical ou de estudo bíblico, quando devem ser apresentadas as duas posições - contra e a favor -,  de preferencia por pessoas que pensem de forma diferente. 

Deve ser ainda explicado que os defensores das duas posições são igualmente sinceros, na sua tentativa de seguir fielmente o que a Bíblia ensina. E também deve ser esclarecido que haver duas posições teológicas concorrentes, num caso onde o tema em discussão não questiona os fundamentos da fé cristã, é perfeitamente aceitável. E, finalmente, precisa ser dito que, num caso como esse, as pessoas devem adotar o comportamento que suas consciências ditarem, nos seus espaços de vida pessoal. 

O primeiro passo demonstra amor cristão. Já o segundo, respeita a inteligência e o livre arbítrio de cada ser humano. Acredito que essa postura evitaria que as comunidades cristãs ficassem perdendo tempo com disputas teológicas que não vão levar a lugar nenhum. E, o pior, que a disputa teológica venha a tirar o foco da pessoa de Jesus, razão principal da comemoração do Natal. 

Afinal, os cristãos já enfrentam o problema da erosão contínua do significado do Natal, por conta do apelo excessivo ao consumo. Portanto, tudo que não precisamos é um debate como esse para tornar as coisas ainda mais difíceis. 

Com carinho

domingo, 1 de dezembro de 2013

O QUE SE DEVE AGRADECER A DEUS?

O Dia de Ação de Graças foi comemorado três dias atrás. Nessa data os evangélicos se dedicam a agradecer a Deus as bençãos recebidos. Eu não tenho dúvida quanto à enorme importância dessa prática, pois Deus se agrada de corações gratos, conforme a Bíblia ensina. 

Agora, as questões relacionadas com o reconhecimento das bençãos recebidas de Deus não são simples e, confesso, nem tudo faz sentido. Eu me explico.

Um exemplo vai ajudar a explicar o tipo de situação que costuma incomodar muitas pessoas. Houve um desastre de avião, no qual todos os passageiros, menos um, morreram. O sobrevivente era um cristão e, ao ser entrevistado, após seu resgate dos destroços, agradeceu a Deus o milagre da sua salvação. 

Ora, se aceitarmos que aquela pessoa foi salva por Deus, também precisaremos aceitar que as demais não o foram. Em outras palavras, que Deus escolheu salvar um e condenar (ou pelo menos não interferir quanto) os demais e isso não parece estar de acordo com o caráter de Deus. 

Uma situação parecida ocorre quando, num culto de Ação de Graças, dois cristão sinceros estão juntos: um louva para agradecer as enormes bençãos materiais recebidas, enquanto o outro pratica o chamado "sacrifício de louvor" (louvar mesmo sem vontade de fazer isso), pois vem passando por enormes dificuldades. Eu já vivi essa experiência nas duas condições e sei bem como é isso. 

Como entender o fato de uns parecerem mais abençoados do que outros, mesmo quando não há diferença de mérito para justificar essa assimetria? 

O fato é que não entendemos todas as razões de Deus. Não mesmo. Mas devemos nossa existência a Ele - não existiríamos se Deus não tivesse nos criado e a tudo que nos rodeia. Assim, Ele tem direitos sobre a nossa existência e nós, criaturas, não temos como questionar nosso Criador. 

Muitos não querem reconhecer essa verdade, pois atribuem a si mesmos uma importância que não têm de fato. E por conta disso se julgam no direito de questionar o que entendem ser as "injustiças" de Deus. 

Precisamos aceitar a soberania de Deus, mesmo quando não entendemos suas razões - especialmente quando elas nos parecem "injustas". A Bíblia chama a essa atitude ter "temor" a Deus. 

Mas essa aceitação não deve ser simplesmente conformada, por não haver o que fazer. Deve ser mais: trata-se de aceitar porque existe total confiança em Deus. Que suas razões, mesmo incompreensíveis, são sempre as melhores e somente visam o bem. 

E essa certeza deve nos sustentar. Por isso agradeça a Deus hoje, amanhã e sempre - não apenas no Dia de Ação de Graças. Não importa sua situação ou o que você vê acontecer com as outras pessoas no seu entorno. Seja grato pela sua vida e pelo que Ele está fazendo, mesmo que você não saiba ou não entenda. 

Com carinho

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

JESUS TEVE IRMÃOS E IRMÃS?

"Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe." Mateus capítulo 12, versículo 46
A controvérsia sobre a existência de irmãos/irmãs de Jesus tem dividido os cristãos há séculos: de um lado, a Igreja Católica e alguns outros poucos grupos afirmam que Jesus não teve irmãos/irmãs de sangue, por parte de Maria; enquanto, de outro, praticamente todos os grupos evangélicos afirmam que Jesus, sim, teve esse tipo de parentes. 

Essa questão é mais do que uma simples curiosidade histórica, pois está no centro da discussão sobre o papel que Maria deve ter no cristianismo. Para o primeiro grupo, essencialmente os católicos, Maria tem um papel muito fundamental, pois, assim como Jesus, não teria pecado, foi transladada para os céus e também atua como mediadora entre Deus e os homens (o que está presente na oração da "Ave Maria", na parte em que é dito "... rogai por nós pecadores...". E a virgindade perpétua de Maria é parte importante da doutrina relacionada com ela. 

Já para os evangélicos, Maria foi uma pessoa muito especial - a Bíblia a chama de "abençoada entre as mulheres" - e, não por acaso, foi escolhida para ser mãe de Jesus. Portanto, ela é digna de toda consideração. Mas, seu papel não vai além disso. E, sendo assim, ela teve uma vida normal com José, tendo tido inclusive vários filhos com ele.

Análise da questão
Aqueles que afirmam que Maria não teve mais filhos/filhas precisam explicar as inúmeras referencias aos irmãos e irmãs de Jesus existentes na Bíblia, como exemplificado no início deste post. E há duas explicações que procuram enfrentar esse desafio. 

Uma delas praticamente já caiu em desuso, pois tem pouca base. Trata-se daquela que explica as referencias bíblicas como tendo sido feitas a primos/primas e não irmãos/irmãs. Digo que há pouca base porque a palavra usada na Bíblia nessas referencias significa sem qualquer dúvida irmãos/irmãs e tentar fazê-la significar primos/primas é "forçar a barra".

A outra possível explicação é bem mais plausível: José já tinha filhos/filhas de um casamento anterior, não registrados na Bíblia. E esses filhos/filhas seriam considerados pelos contemporâneos de Jesus como seus irmãos/irmãs, mesmo não tendo sido gerados por Maria.  

Há um argumento forte para essa interpretação que pode ser encontrado na passagem onde Jesus entregou sua mãe aos cuidados do apóstolo João, pouco antes de morrer (João capítulo 19, versículos 26 e 27). Caso Maria tivesse outros filhos de sangue, para cuidar dela, não haveria necessidade de Jesus ter feito isso. 

Mas também há argumentos fortes contra essa tese. Por exemplo, na descrição feita na Bíblia sobre a família de Jesus, antes do seu nascimento, somente são citados José e Maria, não havendo qualquer referencia a outros filhos/filhas de José, que certamente ainda haveriam de estar sob sua responsabilidade naquela fase da sua vida. Além disso, quando os pais de Jesus fugiram para o Egito e lá ficaram exilados por pelo menos dois anos, esses filhos/filhas de José teriam sido deixados à própria sorte, em Nazaré, cidade de origem de José. Isso tudo parece bem improvável, considerando o tom dos relatos bíblicos. 

E o fato de Jesus ter entregue Maria para João tomar conta, mesmo tendo ela outros filhos de sangue, pode ser explicado pelo fato de que eles não aceitavam Jesus como Messias, situação da qual a Bíblia dá testemunho - esses homens vieram a se converter bem mais tarde. Assim, Jesus teria entregue sua mãe para João cuidar porque ela queria ficar no meio de cristãos, que reverenciavam a memória do seu filho, o que não teria acontecido se ela viesse a viver com um dos seus demais filhos de sangue.  

Conclusão 
Esse é apenas um resumo dos argumentos pró e contra relacionados com essa controvérsia e servem para dar uma ideia sobre o alcance dessa polêmica. Minha avaliação pessoal, levando em conta todos os argumentos, é que há mais suporte bíblico para a tese que atribui outros filhos/filhas a Maria. Agora, penso também que se os irmãos/irmãs de Jesus foram filhos de outro casamento de José, nem assim há qualquer suporte bíblico para a tese de que Maria permaneceu virgem e não teve uma vida de casada normal com José, conforme defendem os católicos. 

Ainda mais, a Bíblia é muito clara que apenas Jesus é o intermediário entre Deus e os seres humanos, portanto falta base à doutrina que atribue a Maria um papel como mediadora entre Deus e os seres humanos. 

Com carinho

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O QUE DIFERENCIA O CRISTIANISMO DAS OUTRAS RELIGIÕES

Com frequência recebo perguntas sobre as diferenças que existem entre o cristianismo e outras religiões. Essas diferenças não são fáceis de identificar algumas vezes, especialmente quando a outra religião usa, ou alega usar, conceitos teológicos cristãos.

Por exemplo, muitos espíritas se apresentam como cristãos, pois procuram seguir os ensinamentos de Jesus (e fazem constante referencia à Bíblia). Mas, se olharmos mais de perto, isso não é correto e é fácil de mostrar o por quê. O principal aspecto do cristianismo é ter Jesus como Salvador. Ora, o espiritismo não tem esse conceito já que sua teologia aceita a ideia de aperfeiçoamentos sucessivos do espírito, obtidos ao longo de múltiplas vidas (reincarnações), até atinjir um nível de aperfeiçoamento pleno. Assim, Jesus, para os espíritas, é apenas um espírito que atingiu o maior nível de aperfeiçoamento possível, sendo digno de admiração e de ter seus ensinos seguidos, mas não o Salvador. 

Por outro lado, entre os cristãos muitas vezes ocorre uma guerra fraticida, onde aqueles que deveriam ser considerar irmãos acusam-se mutuamente ensinarem doutrinas que não levam o ser humano à salvação. E na maioria das vezes são diferenças doutrinárias - como predestinação, forma de batismo, governo da igreja, etc - que claramente nada tem a ver com a questão da Graça de Deus e a salvação do ser humano. 

O problema aqui é extamente o oposto do que ocorre quando religiões que não seguem o cristianismo se dizem cristãs, mas sem o ser de fato. São denominações verdadeiramente cristãs que se acusam mutuamente de não seguirem a doutrina correta e, portanto, não serem dignas de ser consideradas cristãs. 

Portanto, a questão do que é preciso acreditar para que alguém possa ser caracterizado como criistão - digamos assim, as doutrinas cristãs mínimas - é bem importante. Bem mais do que muitso imaginam.

Às vezes, quando trato desse tema, recebo a resposta que a Bíblia diz que basta acreditar em Jesus como Salvador e confessar isso de público. Isso realmente é fato. Mas, o que não fica claro, nessa declaração, é que para uma pessoa acreditar em Cristo como Salvador, é preciso ter outras crenças que dêem sustentação a essa fé. 

Por exemplo, se existe um Salvador, é porque o ser humano precisa ser salvo de alguma coisa. E essa linha de raciocínio leva à doutrina do pecado humano - sem acreditar que o ser humano tem tendência para o pecado, se deixado por conta própria, não há como aceitar a necessidade de haver um Salvador.

Outra doutrina necessária é o Julgamento Final, quando Deus haverá de avaliar tudo o que cada ser humano fez durante sua vida e alguns irão para junto deles e outros para o inferno. Sem acreditar nisso não haveria porque ser necessária a salvação, pois não haveria qualquer consequência ruim para os pecados cometidos. E assim por diante - uma doutrina leva à outra. O cristianismo, mesmo na sua versão mínima, é um conjunto de doutrinas que se apoiam e, de forma lógica, levam umas às outras. 

E é esse núcleo de doutrinas que constitue a base da nossa crença. Todas elas são necessárias e, em conjunto, culminam por levar a pessoa a entender e aceitar Jesus como Salvador, ponto culminante da fé cristã. 

Se você quiser relembrar em detalhe quais são as doutrinas cristãs mínimas veja esse post

Com carinho   

domingo, 17 de novembro de 2013

A FALTA DE ESPERANÇA DO ARNALDO JABOR

"Sempre o mal esteve relacionado com com as intenções de quem o cometeu. Os horrores do século 20 deviam nos ter ensinado que isso é uma ilusão. O absurdo é que um mal imenso ... possa caminhar junto com uma total ausência de más intenções."     Jean Pierre Depuy no livro "Por um catastrofismo esclarecido"
Em coluna publicada em 12/11/2013, no jornal O Estado de São Paulo, de onde tirei a citação acima, o cineasta Arnaldo Jabor comentou que o mal da sociedade hoje em dia não se deve a erros de ordem moral pois é sistêmico, isto é está embutido na forma como funciona a própria sociedade. Citou como exemplo a catástrofe ecológica, que não se deve à maldade do ser humano ou à sua estupidez, mas a uma forma de pensamento errada, torta mesmo. 

Concluiu que hoje, contra o mal, só temos o fraco recurso de fazer cumprir os chamados "direitos humanos". E somente se pode ser feliz hoje em dia "fechando os olhos" para as injustiças, para as catástrofes e para as violências. 

O artigo é muito interessante e não tenho espaço aqui para discuti-lo em detalhe. Mas o que me interessa analisar é que esse tipo de pensamento vai em direção totalmente contrária à do cristianismo.

Agora, por que é importante saber qual visão de mundo é a correta, a do Jabor ou a cristã? Porque quando o diagnóstico dos problemas é errado, a solução para eles também será. Jabor, de forma coerente com sua análise, não propõe nenhuma saída - se limita a mostrar como as coisas são - porque essa saída não existe. As coisas são assim porque são assim e não há muito o que possa ser feito. Não há esperança enfim.

O cristianismo diagnostica que o mal do mundo se deve ao pecado, ou seja ao fato dos seres humanos agirem de forma contrária à vontade (Lei) de Deus. Basta pensar como o mundo seria se todos seguissem verdadeiramente o mandamento de "amar ao próximo como a si mesmo". 

O tal mal sistêmico, aquele inserido na forma como a sociedade funciona, se deve, digamos assim, ao "estoque" de pecados passados. Afinal, a sociedade onde vivemos é fruto de bilhões de decisões tomadas ao longo do tempo pelos nossos antepassados e nós mesmos. E se muitas dessas decisões foram erradas, por conta do egoismo, da ganância e de outros pecados, não é de admirar que as estruturas da sociedade sejam injustas e suas regras desumanas e tudo isso concorra para infelicitar os mais fracos. 

Acho que Isso fica bem claro na questão ecológica. Diferentemente da conclusão de Jabor, foram os pecados que impediram os países de agirem de forma correta. Por exemplo, trinta anos atrás, quando a ciência entendeu verdadeiramente os problemas relcionados com a destruição do meio ambiente, para reduzir a energia baseada no carbono, trocando-a por energia limpa, um país veria seus custos de produção aumentados e perderia espaço nos mercados internacionais. E ninguém queria abrir mão de nada que tinha conquistado. 

Aí todos os governos adotaram a posição de que fariam o certo apenas se todos os países fizessem o mesmo. Essa posição cautelosa, gerada pela falta de confiança, vem atrasando a solução dos problemas e a situação piorou muito nesses trinta anos.

Agora, se o cristianismo está certo e o problema é o pecado, há esperança. Afinal, a transformação dos corações das pessoas, através da conversão a Jesus, faria com que elas se comportassem de forma diferente, mais de acordo com os desejos de Deus. E aí a situação iria melhorar - o ciclo do pecado seria quebrado e hábitos melhores passariam a imperar.

Só Jesus Cristo pode mudar esse mundo, encontrar curas para seus males e fechar suas feridas. Foi por isso que Ele, pouco antes de voltar para o Pai, ordenou a seus seguidores que fossem por todo o mundo, pregando o Evangelho a toda criatura" (Marcos capítulo 16, versiculo 15). 

Com carinho 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O TAXISTA MISSIONÁRIO

Recentemente, passei por uma experiência muito interessante. Estava no meu carro com a minha mulher, quando um taxista parou ao lado e pediu para falar. Depois que abrimos o vidro, ele começou a falar de Jesus e nos deu um folheto escrito na frente e verso, intitulado "Carta aberta a todos os religiosos em geral".

Nesse papel ele apresenta a tese que Jesus é o verdadeiro caminho para Deus e aconselha as pessoas a reconhecerem isso. Um texto simples, sem gerandes pretensões, mas cheio de verdades.

Esse homem causou--me profunda impressão pela alegria com que falou sobre Jesus e sua dedicação ao evangelizar - seguimos seu carro por alguns quarteirões e ele entregou o mesmo papel para um monte de gente. 

Trata-se de um verdadeiro missionário, sendo seu campo de atuação as pessoas com quem cruza no trânsito de São Paulo. É alguém que cumpre realmente o mandamento que Jesus nos deu em Marcos capítulo 16, versículo 15"Indo pelo mundo, pregai o Evangelho a toda criatura."

Com carinho 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

OBAMA DISSE QUE MATA MUITO BEM

Acabou de ser lançado nos Estados Unidos um livro - "Double Down: Game Change 2012" - sobre a campanha eleitoral de 2012 que re-elegeu o Presidente Barack Obama. 

Os autores - Mark Halperin e John Heilemann - afirmam literalmente no livro que, durante a campanha, o Presidente várias vezes se vangloriou dizendo que era muito bom para matar pessoas. Estava se referindo ao sucesso das atividades que seu Governo tem tido ao conseguir matar pessoas consideradas terroristas mediante ataque de drones (aviões não tripulados).

Ora, como a Casa Branca não desmentiu essa afirmação e tentou explicá-la, dizendo que foi tirada do contexto, etc, etc, fica claro que Obama disse mesmo isso, o que é uma lástima, para um homem que se declara cristão.

Esse caso mais uma vez prova que o poder corrompe. E a corrupção aqui não é desvio de dinheiro, tão comum no Brasil, e sim desvio de propósitos. Isso ocorre principalmente quando os fins - os objetivos de um governo, por exemplo, de defender seus cidadãos - justificam os meios que são empregados, como ocorre com os ataques de drones.

Matar pessoas com a justificatica de que são "inimigas" é muito preocupante. O Governo que faz isso se arroga os direitos de policia, promotor, juiz e executor da pena de morte. Tudo de uma vez só. E uma sociedade democrática não pode agir assim.

Já se sabe que foram cometidos erros nesses ataques, pois pessoas inocentes forem mortas - hoje há até uma séire de televisão muito famosa nos Estados Unidos, chamada Homeland, cujo ponto de partida é uma situação como essa. 

E o que pode ser feito pelo Governo Obama quando percebe que cometeu tal tipo de erro? No máximo pedir desculpas, o que não adianta muito. As autoridades norte-americanas se defendem dizendo que esses são "danos colaterais", um nome pomposo para terrível expressão: "coisas ruins que acontecem durante as guerras". 

Outa justificativa comum - que seria difícil pegar essas pessoas e julgá-las pelos meios convencionais - também não "cola". Se fosse assim, deveríamos voltar ao período do linchamento, quando as pessoas presas no meio da rua eram justiçadas ali mesmo pela multidão enfurecida. Os meios legais tornam a condenação das pessoas realmente mais difícil, mas também protegem os inocentes de serem condenados pelo que não fizeram.

Um país que se diz civilizado e cristão deveria usar seu poder para fazer a coisa certa - identificar seus inimigos, e puni-los, usando os meios legais a sua disposição. E, no caso de um país poderoso como os Estados Unidos, os recursos disponíveis para fazer isso são muito grandes. E, ao fazer isso, o país ganharia estatura moral perante todo o mundo.

Outra coisa a notar é que a pena de morte agora passou a ser executada à distância, como se fosse um jogo de videogame - uma pessoa opera alguns comandos, vê o que está acontecendo numa tela e explode o "inimigo". Fica fácil, muito fácil matar alguém - no final do expediente, o perador do drone vai para casa, pensando que cumpriu seu dever e fez o bem para seu país. Não há qualquer remorso.

Pelo menos, no caso da guerra real, os soldados que matavam sabiam que faziam algo de terrível, pois viam as consequencias dos seus atos nos corpos destruídos dos inimigos. Pori sso todos aqueles que participaram de conflitos como a Segunda Guerra Mundial sempre foram unânimes em reconhecer que a guerra é um negócio terrível.

Em resumo, como o comportamento de Obama e seus principais auxiliares está distante daquilo que Jesus ensinou: amar ao próximo como a si mesmo. Será que Obama gostaria ser alvo de um ataque por avião não tripulado? De receber desculpas por que familiares e amigos seus foram mortos, com a justificativa de que não passaram de danos colaterais? Certamente não. Por que então se arroga o direito de fazer isso com os outros?

Que Deus tenha piedade daqueles que cometem esses erros e daqueles que sofrem as suas consequencias.

Com carinho