terça-feira, 31 de dezembro de 2013

FELIZ ANO NOVO

Vou fazer uma confissão para você; não sou muito fã da comemoração de Ano Novo. Já particpei de todo tipo de comemoração, inclusive algumas bem famosas, como a queima de fogos na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. E confesso que nunca me fiquei muito entusiasmado. 

Para mim, a comemoração da passagem de Ano Novo tem um sabor meio artificial. Afinal, a passagem de ano naquela data é uma simples convenção - ela poderia acontecer em qualquer outro dia do ano. Não há qualquer razão cósmica para que ela ocorra à meia noite do dia 31 de dezembro. 

Além disso, essa comemoração promove a ideia de deixar para trás os problemas e começar vida nova. E isso simplesmente não é verdade - amanhã, já no ano novo, você e eu continuaremos a ter os mesmos problemas de hoje. 

Mas não se importe muito comigo, se você é fã dessa comemoração. Essas são apenas reflexões pessoais, que refletem meu estado de espírito. Você tem todo direito de curtir muito essa festa. E se for esse o caso, aproveite bastante. 

Desejo para você um ano de 2014 muito feliz, pleno de realizações e das bençãos de Deus. E que, contando com a Graça d`Ele,  possamos continuar a nos encontrar muitas vezes neste mesmo blog, ao longo do ano novo.

Com carinho

domingo, 29 de dezembro de 2013

AS ENCHENTES NO ESPÍRITO SANTO E MINAS GERAIS

Chega o verão é os desastres causados por chuvas intensas voltam a acontecer. Agora foi no Espírito Santo e em parte de Minas Gerais. Mas, em anos anteriores, aconteceu na região serrana do Rio de Janeiro ou em Santa Catarina. 

Assim, ano após ano, as mortes e a destruição da propriedade da população pobre se repetem. Como também repetem-se as desculpas das autoridades. Primeiro, culpando o tempo, esquecendo-se que chuvas intensas nessa época do ano são perfeitamente normais num clima como o nosso. Depois, alegando que estão tomando todas as providências necessárias e, tempos depois, a imprensa noticia o quão pouco foi feito para reparar os danos - um bom exemplo é a situação de Petrópolis e Itaipava, no Rio de Janeiro, dois anos depois da catástrofe que ali ocorreu. 

O que nunca vejo são autoridades assumindo a responsabilidade pelo que deixaram de fazer: pela falta de sistemas de drenagem adequados, por não removerem o lixo que entope esses sistemas, por não retirarem as pessoas residentes em áreas de risco, dando-lhes um lugar mais seguro para morar, enfim, por não cumprirem sua obrigação.

Impressiona-me muito como a vida humana é "barata" no Brasil. Como a morte ou a perda dos bens das pessoas mais pobres é encarada com tanta naturalidade. Como quase todos os governantes são tão insensíveis.

Como será que esses governantes, permanentemente preocupados apenas com seus jogos de poder e as próximas eleições, podem dormir tranquilos?  O pior é que essas pessoas tornam-se tão insensíveis, com o coração tão "endurecido", que dormem perfeitamente bem, achando que não tem culpa nenhuma. É muito triste, mas é a mais pura realidade.

Fica aqui meu desabafo.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

ANIMAIS PODEM IR PARA O CÉU?

Outro dia uma adolescente me perguntou se animais podem ser salvos, se há um céu esperando por eles. Essa pergunta, aparentemente trivial, é importante porque os animais são muito importantes para várias pessoas: são seus companheiros de vida e fonte de carinho constante. Parte fundamental das suas vidas. Daí porque a ideia de que os seus queridos não tenham a possibilidade de um futuro no céu as deixe tristes, como a amiguinha que me fez a pergunta.

Para responder, é preciso entender, à luz da Bíblia, o que significa ir para o céu ou o inferno. Trata-se de definir como será o relacionamento de cada ser humano com Deus na chamada Vidas Eterna, aquela que irá existir no final dos tempos. O céu corresponde a uma vida junto d´Ele, cheia da felicidade que daí decorre. O inferno é exatamente o contrário disso.

E o caminho de cada pessoa será consequência direta das escolhas que ela tiver feito na sua vida. E quem aceitar Jesus como Salvador será salvo, irá para o céu. Assim, parece correto dizer que não é Deus quem coloca as pessoas no inferno e sim a própria pessoa, mediante suas escolhas.

Logo, só faz sentido falar sobre céu e inferno com quem tenha capacidade para fazer escolhas, ou seja quem disponha de livre arbítrio. Mas somente livre arbítrio não basta: é preciso conhecer a diferença entre o bem e o mal. Uma criança tem capacidade para fazer escolhas, mas não sabe a diferença entre certo e errado e, portanto, não é responsável pelas escolhas que faz.

Em resumo, somente quando existe livre arbítrio e consciência do que é certo faz sentido responsabilizar um ser vivo pelos seus atos - a Bíblia chama as escolhas erradas de pecados. 

Mas somente os seres humanos têm essa capacidade pois foram feitos à imagem e semelhança de Deus (Gênesis capítulo 1, versículo 26). Os animais agem por intinto, pois não têm consciência dos seus atos no sentido que acabei de definir. 

Assim, não faz qualquer sentido dizer que o leão é pecador por matar a zebra - ele faz isso instintivamente porque tem fome e precisa sobreviver. Não há como aplicar o mandamento "não matarás" para ele. Simples assim.

Os animais não tem capacidade para pecar e, portanto, o conceito de céu ou inferno não se aplica a eles. Não faz sentido falar em salvação para um cachorro ou um gato, pelo menos no sentido que a Bíblia dá a esses conceitos. 

Isso não significa que os animais estarão ausentes do céu. Acredito (mas isso é apenas uma opinião) que eles estarão presentes sim, pois fazem parte da criação de Deus. Agora, não sei como isso se dará, pois a Bíblia nada fala a respeito. 

Com carinho       

domingo, 15 de dezembro de 2013

OLHANDO COM "OLHOS DE VER"

Podemos aprender sobre Deus de várias: ler e estudar a Bíblia, frequentar cursos, ouvir pregações e assim por diante. Mas há uma forma que poucos usam: olhar para o mundo com "olhos de ver" para encontrar as "impressões digitais" d´Ele em todos os locais. 

Eu me explico. Como Deus criou tudo, a própria maneira como as coisas são organizadas, tanto no universo em geral, como na natureza em particular, nos fornecem pistas concretas de como a mente d´Ele funciona e sobre seus planos para os seres humanos. Mas somente conseguiremos perceber isso quando olharmos para as coisas que nos cercam com "olhos de ver". Quando olharmos não somente para a superfície das coisas, mas também procurarmos perceber o que Deus fez e continua a fazer.

Vou dar um exemplo. Somos criaturas que precisam de nutrientes externos a nossoa corpoa para nos mantermos vivos. Agora, Deus poderia ter-nos criado de forma a adquirir esses nutrientes de uma maneira que não envolvesse comer, por exemplo, via fotossíntese, como ocorre com as plantas.

Mas Deus fez as coisas de forma diferente: precisamos adquirir nutrientes comendo vegetais e animais. E isso gera a necessidade que o ser humano encontre comida e a torne disponível para consumo. E por causa disso foram desenvolvidas a agricultura e a pecuária, as indústrias para processar o material produzido, os armazéns para guardar esses produtos e os transportes, visando levar produtos de um lugar para outro. E as coisas não terminam aí, pois ainda há a necessidade de fazer a preparação final dos alimentos (cozinhar) e seu consumo. Dessas necessidades surgiram mais indústrIas (eletrodomésticos como geladeiras e fogões) e serviços (como lanchonetes e restaurantes). Finalmente foram gerados hábitos sociais importantes, como as refeições em família.

Imaginem como nosso mundo seria diferente se os seres humanos não precisassem se alimentar, se adquirissem nutrientes de outra forma. Se Deus definiu que fosse assim, foi porque tinha um propósito. Não tenho espaço para desenvolver aqui para desenvolver esse tema em particular, o que será objeto de post futuro, mas posso adiantar que o ato de comer, de trocar experiências em torno de uma mesa, é fundamental para a sociedade humana. E não foi por acaso que Jesus estabeleceu um sacramento - a Santa Ceia - em torno de uma refeição, onde os cristãos devem comer pão e vinho em sua memória.

Mas voltando ao tema deste post, se não olharmos para o mundo com "olhos de ver", não perceberemos que o simples ato de comer molda toda a sociedade humana e que esse hábito revela um plano de Deus. 

Existem muitas outras coisas similares e posso citar outro exemplo para comprovar com mais força o que estou querendo dizer: Por que a reprodução humana é feita através do sexo, quando poderia ocorrer por simples divisão celular? Oara o sexo tem um impacto gigantesco na vida humana, mas poderia não ser necessário. E se existe, há um propósito de Deus nele. 

Os planos de Deus são muito mais complexos do que conseguiremos perceber se vivermos no mundo "sem olhos de ver", ou seja sem nos preocuparmos de perceber seus planos. E é por viverem assim, que muitos seres humanos tornam-se ateus ou, mesmo sabendo da existência de Deus,  lhe dão pouca importância - vivem como se Ele não existisse. 

Deus está presente em todos os lugares, mas, muito mais do que isso, suas decisões influenciam a forma como vivemos - somos totalmente dependentes d´Ele. 

E precisamos perceber isso, caso contrário Deus nunca vai assumir a importância que merece em nossas vidas. Somente a compreensão dessa verdade vai nos fazer viver de fato o mandamento que de colocar Deus em primeiro lugar, acima de qualquer outra coisa. Simples assim.

Com carinho

sábado, 7 de dezembro de 2013

O PODER DO PERDÃO

Morreu ontem, aos 95 anos, Nelson Mandela, talvez o maior líder político mundial dos últimos 30 anos. Sua trajetória, de prisioneiro político, até Presidente da República, parece enredo de filme. Sua grande contribuição para a África do Sul foi a política de reconciliação entre as populações barnca e negra, que ele instituiu e dirigiu. 

A África do Sul seguiu durante séculos uma política de discriminação racial oficial, que deixava os negros, maioria da população, sem boa parte dos seus direitos políticos e econômicos. E para manter os negros na linha, os dirigentes brancos cometeram inúmeras e muito sérias violações contra os direitos humanos. 

Mas, a política do apartheid foi ficando cada vez mais difícil de manter, até porque a ONU decretou um embargo econômico contra a África do Sul, e a elite branca percebeu que seria preciso promover uma abertura política. os brancos temiam que os negros, ao tomarem o controle do governo, viesse a retaliar a população branca, em vingança por tudo que tinham sofrido, como aconteceu em outros países da África, como a Rodésia (hoje Zimbabwe). 

Aí entrou em cena Mandela. Ele estava preso havia décadas, por conta da sua luta contra o apartheid e era um ídolo para os negros. O governo racista o procurou e perguntou se ele toparia conduziru um processo de transição do poder, que desse aos negros os direitos que eles tanto queriam, mas que garantisse a integridade física e econômica da população branca.

E Mandela aceitou, mesmo contra a opinião de mutios dos seus seguidores, que estavam sedentos por vingança. Foi libertado da cadeia, concorreu em eleições livres e foi eleito Presidente. E tornou-se, a partir daí, o garantidor da paz social na África do Sul.

Ele teve a grandeza de saber perdoar aqueles que lhe tinham causado sofrimento (foi torturado na cadeia) e pregou a conciliação para todoa a população. E, por conta da sua liderança e popularidade, os negros aceitaram esse compromisso e a transição foi feita de forma pacífica. 

Para facilitar esse processo, Mandela instituiu tribunais onde as violações dos direitos humanos feitas pelos brancos racistas eram colocadas a nú, mas as pessoas que tinham cometido esses delitos não sofriam qualquer punição física ou monetária. A punição era apenas moral. Com isso, aquelas pessoas que sofreram violência tiveram o direito a ter sua voz ouvida, mas isso foi feito sem desequilibrar a delicada construção política que precisava ser mantida, para conseguir reconciliar o país.

Philip Yancey fez, num dos seus livros, o relato de uma sessão de um tribunal desse tipo, onde uma mulher negra se levantou para acusar um policial branco de ter matado seu marido e filho e tocado fogo nos corpos, tudo isso na frente dela. Ao falar no tribunal, olhando para o criminoso, sentado à sua frente, a mulher disse que o perdoava e comentou que esperava receber visitas dele, pois não tinha mais família e queria fazer daquele homem parte da sua nova família. Aí o criminoso e aquela mulher se abraçaram e reconciliaram, dando um grande exemplo para todos. 

Foi exatamente por usar a arma do perdão e da tolerância que Nelson Mandela conseguiu evitar um banhi de sangue na África do Sul. E, por causa disso, ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Ao longo do tempo, até os brancos passaram a amá-lo, e hoje ele é o Madiba, o pai de toda a nação. 

Mandela era cristão (metodista) e encarnou, como ninguém, o ensinamento do perdão e da reconciliação que Jesus nos deu. E provou que Jesus estava certo, pois só o perdão constrói. 

O mundo ficou menor sem o Madiba. Descanse em paz, Nelson Mandela. Pode ter certeza que seu exemplo vai frutificar.

Com carinho

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A DISCUSSÃO SEM FIM SOBRE A DECORAÇÃO DE NATAL

Todo ano é a mesma coisa: chega dezembro, as decorações de Natal aparecem em todo lugar e o mundo evangélico acaba mergulhado numa discussão interminável: é aconselhável, ou não, para os cristãos, usar esse tipo de enfeite (árvores, bolas, figura de Papai Noel e outros) nas casas e igrejas? Será que a Bíblia proíbe tal tipo de prática?

Eu já me pronunciei sobre isso aqui no blog e, portanto, não vou repetir meus argumentos - minha opinião pessoal é que esse tipo de enfeite não tem impacto espiritual negativo e pode ser usado (veja mais). Mas compreendo perfeitamente, e respeito, aqueles que não aceitam essa prática e querem banir esses enfeites da sua prática de vida. 

Na verdade, qualquer tipo de conclusão sobre essa questão, seja pró ou contra, vai sempre depender de interpretações indiretas dos ensinamentos da Bíblia, já que o tema não é tratado diretamente nela (nem poderia ter sido). Tanto é assim, que várias denominações evangélicas sérias - como é o caso do Metodismo, onde congrego - não se colocam formalmente sobre essa questão, deixando a decisão para a consciência de cada pastor, liderança de igreja local e membro. 

Portanto, a controvérsia não vai acabar. O que fazer então? Como uma comunidade cristã deve agir num caso como esse? Minha receita envolve dois passos, ambos igualmente importantes. 

O primeiro passo é eliminar as decorações que incomodam várias pessoas dos espaços coletivosO ensinamento bíblico que dá suporte a esse tipo de postura é que, se algo escandaliza meu irmão, eu devo evitar fazer isso quando estiver junto dele, como prova de amor cristão e respeito pela sua sensibilidade (1 Corintíos capítulo 8, versículos 8 a 13). Os enfeites podem não incomodar a mim, mas se atrapalham o irmão(ã) que senta ao meu lado no banco da igreja, é um erro insistir neles nos espaços comuns. 

O segundo passo, igualmente importante, é tratar do tema em classes de Escola Dominical ou de estudo bíblico, quando devem ser apresentadas as duas posições - contra e a favor -,  de preferencia por pessoas que pensem de forma diferente. 

Deve ser ainda explicado que os defensores das duas posições são igualmente sinceros, na sua tentativa de seguir fielmente o que a Bíblia ensina. E também deve ser esclarecido que haver duas posições teológicas concorrentes, num caso onde o tema em discussão não questiona os fundamentos da fé cristã, é perfeitamente aceitável. E, finalmente, precisa ser dito que, num caso como esse, as pessoas devem adotar o comportamento que suas consciências ditarem, nos seus espaços de vida pessoal. 

O primeiro passo demonstra amor cristão. Já o segundo, respeita a inteligência e o livre arbítrio de cada ser humano. Acredito que essa postura evitaria que as comunidades cristãs ficassem perdendo tempo com disputas teológicas que não vão levar a lugar nenhum. E, o pior, que a disputa teológica venha a tirar o foco da pessoa de Jesus, razão principal da comemoração do Natal. 

Afinal, os cristãos já enfrentam o problema da erosão contínua do significado do Natal, por conta do apelo excessivo ao consumo. Portanto, tudo que não precisamos é um debate como esse para tornar as coisas ainda mais difíceis. 

Com carinho

domingo, 1 de dezembro de 2013

O QUE SE DEVE AGRADECER A DEUS?

O Dia de Ação de Graças foi comemorado três dias atrás. Nessa data os evangélicos se dedicam a agradecer a Deus as bençãos recebidos. Eu não tenho dúvida quanto à enorme importância dessa prática, pois Deus se agrada de corações gratos, conforme a Bíblia ensina. 

Agora, as questões relacionadas com o reconhecimento das bençãos recebidas de Deus não são simples e, confesso, nem tudo faz sentido. Eu me explico.

Um exemplo vai ajudar a explicar o tipo de situação que costuma incomodar muitas pessoas. Houve um desastre de avião, no qual todos os passageiros, menos um, morreram. O sobrevivente era um cristão e, ao ser entrevistado, após seu resgate dos destroços, agradeceu a Deus o milagre da sua salvação. 

Ora, se aceitarmos que aquela pessoa foi salva por Deus, também precisaremos aceitar que as demais não o foram. Em outras palavras, que Deus escolheu salvar um e condenar (ou pelo menos não interferir quanto) os demais e isso não parece estar de acordo com o caráter de Deus. 

Uma situação parecida ocorre quando, num culto de Ação de Graças, dois cristão sinceros estão juntos: um louva para agradecer as enormes bençãos materiais recebidas, enquanto o outro pratica o chamado "sacrifício de louvor" (louvar mesmo sem vontade de fazer isso), pois vem passando por enormes dificuldades. Eu já vivi essa experiência nas duas condições e sei bem como é isso. 

Como entender o fato de uns parecerem mais abençoados do que outros, mesmo quando não há diferença de mérito para justificar essa assimetria? 

O fato é que não entendemos todas as razões de Deus. Não mesmo. Mas devemos nossa existência a Ele - não existiríamos se Deus não tivesse nos criado e a tudo que nos rodeia. Assim, Ele tem direitos sobre a nossa existência e nós, criaturas, não temos como questionar nosso Criador. 

Muitos não querem reconhecer essa verdade, pois atribuem a si mesmos uma importância que não têm de fato. E por conta disso se julgam no direito de questionar o que entendem ser as "injustiças" de Deus. 

Precisamos aceitar a soberania de Deus, mesmo quando não entendemos suas razões - especialmente quando elas nos parecem "injustas". A Bíblia chama a essa atitude ter "temor" a Deus. 

Mas essa aceitação não deve ser simplesmente conformada, por não haver o que fazer. Deve ser mais: trata-se de aceitar porque existe total confiança em Deus. Que suas razões, mesmo incompreensíveis, são sempre as melhores e somente visam o bem. 

E essa certeza deve nos sustentar. Por isso agradeça a Deus hoje, amanhã e sempre - não apenas no Dia de Ação de Graças. Não importa sua situação ou o que você vê acontecer com as outras pessoas no seu entorno. Seja grato pela sua vida e pelo que Ele está fazendo, mesmo que você não saiba ou não entenda. 

Com carinho

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

JESUS TEVE IRMÃOS E IRMÃS?

"Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe." Mateus capítulo 12, versículo 46
A controvérsia sobre a existência de irmãos/irmãs de Jesus tem dividido os cristãos há séculos: de um lado, a Igreja Católica e alguns outros poucos grupos afirmam que Jesus não teve irmãos/irmãs de sangue, por parte de Maria; enquanto, de outro, praticamente todos os grupos evangélicos afirmam que Jesus, sim, teve esse tipo de parentes. 

Essa questão é mais do que uma simples curiosidade histórica, pois está no centro da discussão sobre o papel que Maria deve ter no cristianismo. Para o primeiro grupo, essencialmente os católicos, Maria tem um papel muito fundamental, pois, assim como Jesus, não teria pecado, foi transladada para os céus e também atua como mediadora entre Deus e os homens (o que está presente na oração da "Ave Maria", na parte em que é dito "... rogai por nós pecadores...". E a virgindade perpétua de Maria é parte importante da doutrina relacionada com ela. 

Já para os evangélicos, Maria foi uma pessoa muito especial - a Bíblia a chama de "abençoada entre as mulheres" - e, não por acaso, foi escolhida para ser mãe de Jesus. Portanto, ela é digna de toda consideração. Mas, seu papel não vai além disso. E, sendo assim, ela teve uma vida normal com José, tendo tido inclusive vários filhos com ele.

Análise da questão
Aqueles que afirmam que Maria não teve mais filhos/filhas precisam explicar as inúmeras referencias aos irmãos e irmãs de Jesus existentes na Bíblia, como exemplificado no início deste post. E há duas explicações que procuram enfrentar esse desafio. 

Uma delas praticamente já caiu em desuso, pois tem pouca base. Trata-se daquela que explica as referencias bíblicas como tendo sido feitas a primos/primas e não irmãos/irmãs. Digo que há pouca base porque a palavra usada na Bíblia nessas referencias significa sem qualquer dúvida irmãos/irmãs e tentar fazê-la significar primos/primas é "forçar a barra".

A outra possível explicação é bem mais plausível: José já tinha filhos/filhas de um casamento anterior, não registrados na Bíblia. E esses filhos/filhas seriam considerados pelos contemporâneos de Jesus como seus irmãos/irmãs, mesmo não tendo sido gerados por Maria.  

Há um argumento forte para essa interpretação que pode ser encontrado na passagem onde Jesus entregou sua mãe aos cuidados do apóstolo João, pouco antes de morrer (João capítulo 19, versículos 26 e 27). Caso Maria tivesse outros filhos de sangue, para cuidar dela, não haveria necessidade de Jesus ter feito isso. 

Mas também há argumentos fortes contra essa tese. Por exemplo, na descrição feita na Bíblia sobre a família de Jesus, antes do seu nascimento, somente são citados José e Maria, não havendo qualquer referencia a outros filhos/filhas de José, que certamente ainda haveriam de estar sob sua responsabilidade naquela fase da sua vida. Além disso, quando os pais de Jesus fugiram para o Egito e lá ficaram exilados por pelo menos dois anos, esses filhos/filhas de José teriam sido deixados à própria sorte, em Nazaré, cidade de origem de José. Isso tudo parece bem improvável, considerando o tom dos relatos bíblicos. 

E o fato de Jesus ter entregue Maria para João tomar conta, mesmo tendo ela outros filhos de sangue, pode ser explicado pelo fato de que eles não aceitavam Jesus como Messias, situação da qual a Bíblia dá testemunho - esses homens vieram a se converter bem mais tarde. Assim, Jesus teria entregue sua mãe para João cuidar porque ela queria ficar no meio de cristãos, que reverenciavam a memória do seu filho, o que não teria acontecido se ela viesse a viver com um dos seus demais filhos de sangue.  

Conclusão 
Esse é apenas um resumo dos argumentos pró e contra relacionados com essa controvérsia e servem para dar uma ideia sobre o alcance dessa polêmica. Minha avaliação pessoal, levando em conta todos os argumentos, é que há mais suporte bíblico para a tese que atribui outros filhos/filhas a Maria. Agora, penso também que se os irmãos/irmãs de Jesus foram filhos de outro casamento de José, nem assim há qualquer suporte bíblico para a tese de que Maria permaneceu virgem e não teve uma vida de casada normal com José, conforme defendem os católicos. 

Ainda mais, a Bíblia é muito clara que apenas Jesus é o intermediário entre Deus e os seres humanos, portanto falta base à doutrina que atribue a Maria um papel como mediadora entre Deus e os seres humanos. 

Com carinho

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O QUE DIFERENCIA O CRISTIANISMO DAS OUTRAS RELIGIÕES

Com frequência recebo perguntas sobre as diferenças que existem entre o cristianismo e outras religiões. Essas diferenças não são fáceis de identificar algumas vezes, especialmente quando a outra religião usa, ou alega usar, conceitos teológicos cristãos.

Por exemplo, muitos espíritas se apresentam como cristãos, pois procuram seguir os ensinamentos de Jesus (e fazem constante referencia à Bíblia). Mas, se olharmos mais de perto, isso não é correto e é fácil de mostrar o por quê. O principal aspecto do cristianismo é ter Jesus como Salvador. Ora, o espiritismo não tem esse conceito já que sua teologia aceita a ideia de aperfeiçoamentos sucessivos do espírito, obtidos ao longo de múltiplas vidas (reincarnações), até atinjir um nível de aperfeiçoamento pleno. Assim, Jesus, para os espíritas, é apenas um espírito que atingiu o maior nível de aperfeiçoamento possível, sendo digno de admiração e de ter seus ensinos seguidos, mas não o Salvador. 

Por outro lado, entre os cristãos muitas vezes ocorre uma guerra fraticida, onde aqueles que deveriam ser considerar irmãos acusam-se mutuamente ensinarem doutrinas que não levam o ser humano à salvação. E na maioria das vezes são diferenças doutrinárias - como predestinação, forma de batismo, governo da igreja, etc - que claramente nada tem a ver com a questão da Graça de Deus e a salvação do ser humano. 

O problema aqui é extamente o oposto do que ocorre quando religiões que não seguem o cristianismo se dizem cristãs, mas sem o ser de fato. São denominações verdadeiramente cristãs que se acusam mutuamente de não seguirem a doutrina correta e, portanto, não serem dignas de ser consideradas cristãs. 

Portanto, a questão do que é preciso acreditar para que alguém possa ser caracterizado como criistão - digamos assim, as doutrinas cristãs mínimas - é bem importante. Bem mais do que muitso imaginam.

Às vezes, quando trato desse tema, recebo a resposta que a Bíblia diz que basta acreditar em Jesus como Salvador e confessar isso de público. Isso realmente é fato. Mas, o que não fica claro, nessa declaração, é que para uma pessoa acreditar em Cristo como Salvador, é preciso ter outras crenças que dêem sustentação a essa fé. 

Por exemplo, se existe um Salvador, é porque o ser humano precisa ser salvo de alguma coisa. E essa linha de raciocínio leva à doutrina do pecado humano - sem acreditar que o ser humano tem tendência para o pecado, se deixado por conta própria, não há como aceitar a necessidade de haver um Salvador.

Outra doutrina necessária é o Julgamento Final, quando Deus haverá de avaliar tudo o que cada ser humano fez durante sua vida e alguns irão para junto deles e outros para o inferno. Sem acreditar nisso não haveria porque ser necessária a salvação, pois não haveria qualquer consequência ruim para os pecados cometidos. E assim por diante - uma doutrina leva à outra. O cristianismo, mesmo na sua versão mínima, é um conjunto de doutrinas que se apoiam e, de forma lógica, levam umas às outras. 

E é esse núcleo de doutrinas que constitue a base da nossa crença. Todas elas são necessárias e, em conjunto, culminam por levar a pessoa a entender e aceitar Jesus como Salvador, ponto culminante da fé cristã. 

Se você quiser relembrar em detalhe quais são as doutrinas cristãs mínimas veja esse post

Com carinho   

domingo, 17 de novembro de 2013

A FALTA DE ESPERANÇA DO ARNALDO JABOR

"Sempre o mal esteve relacionado com com as intenções de quem o cometeu. Os horrores do século 20 deviam nos ter ensinado que isso é uma ilusão. O absurdo é que um mal imenso ... possa caminhar junto com uma total ausência de más intenções."     Jean Pierre Depuy no livro "Por um catastrofismo esclarecido"
Em coluna publicada em 12/11/2013, no jornal O Estado de São Paulo, de onde tirei a citação acima, o cineasta Arnaldo Jabor comentou que o mal da sociedade hoje em dia não se deve a erros de ordem moral pois é sistêmico, isto é está embutido na forma como funciona a própria sociedade. Citou como exemplo a catástrofe ecológica, que não se deve à maldade do ser humano ou à sua estupidez, mas a uma forma de pensamento errada, torta mesmo. 

Concluiu que hoje, contra o mal, só temos o fraco recurso de fazer cumprir os chamados "direitos humanos". E somente se pode ser feliz hoje em dia "fechando os olhos" para as injustiças, para as catástrofes e para as violências. 

O artigo é muito interessante e não tenho espaço aqui para discuti-lo em detalhe. Mas o que me interessa analisar é que esse tipo de pensamento vai em direção totalmente contrária à do cristianismo.

Agora, por que é importante saber qual visão de mundo é a correta, a do Jabor ou a cristã? Porque quando o diagnóstico dos problemas é errado, a solução para eles também será. Jabor, de forma coerente com sua análise, não propõe nenhuma saída - se limita a mostrar como as coisas são - porque essa saída não existe. As coisas são assim porque são assim e não há muito o que possa ser feito. Não há esperança enfim.

O cristianismo diagnostica que o mal do mundo se deve ao pecado, ou seja ao fato dos seres humanos agirem de forma contrária à vontade (Lei) de Deus. Basta pensar como o mundo seria se todos seguissem verdadeiramente o mandamento de "amar ao próximo como a si mesmo". 

O tal mal sistêmico, aquele inserido na forma como a sociedade funciona, se deve, digamos assim, ao "estoque" de pecados passados. Afinal, a sociedade onde vivemos é fruto de bilhões de decisões tomadas ao longo do tempo pelos nossos antepassados e nós mesmos. E se muitas dessas decisões foram erradas, por conta do egoismo, da ganância e de outros pecados, não é de admirar que as estruturas da sociedade sejam injustas e suas regras desumanas e tudo isso concorra para infelicitar os mais fracos. 

Acho que Isso fica bem claro na questão ecológica. Diferentemente da conclusão de Jabor, foram os pecados que impediram os países de agirem de forma correta. Por exemplo, trinta anos atrás, quando a ciência entendeu verdadeiramente os problemas relcionados com a destruição do meio ambiente, para reduzir a energia baseada no carbono, trocando-a por energia limpa, um país veria seus custos de produção aumentados e perderia espaço nos mercados internacionais. E ninguém queria abrir mão de nada que tinha conquistado. 

Aí todos os governos adotaram a posição de que fariam o certo apenas se todos os países fizessem o mesmo. Essa posição cautelosa, gerada pela falta de confiança, vem atrasando a solução dos problemas e a situação piorou muito nesses trinta anos.

Agora, se o cristianismo está certo e o problema é o pecado, há esperança. Afinal, a transformação dos corações das pessoas, através da conversão a Jesus, faria com que elas se comportassem de forma diferente, mais de acordo com os desejos de Deus. E aí a situação iria melhorar - o ciclo do pecado seria quebrado e hábitos melhores passariam a imperar.

Só Jesus Cristo pode mudar esse mundo, encontrar curas para seus males e fechar suas feridas. Foi por isso que Ele, pouco antes de voltar para o Pai, ordenou a seus seguidores que fossem por todo o mundo, pregando o Evangelho a toda criatura" (Marcos capítulo 16, versiculo 15). 

Com carinho 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O TAXISTA MISSIONÁRIO

Recentemente, passei por uma experiência muito interessante. Estava no meu carro com a minha mulher, quando um taxista parou ao lado e pediu para falar. Depois que abrimos o vidro, ele começou a falar de Jesus e nos deu um folheto escrito na frente e verso, intitulado "Carta aberta a todos os religiosos em geral".

Nesse papel ele apresenta a tese que Jesus é o verdadeiro caminho para Deus e aconselha as pessoas a reconhecerem isso. Um texto simples, sem gerandes pretensões, mas cheio de verdades.

Esse homem causou--me profunda impressão pela alegria com que falou sobre Jesus e sua dedicação ao evangelizar - seguimos seu carro por alguns quarteirões e ele entregou o mesmo papel para um monte de gente. 

Trata-se de um verdadeiro missionário, sendo seu campo de atuação as pessoas com quem cruza no trânsito de São Paulo. É alguém que cumpre realmente o mandamento que Jesus nos deu em Marcos capítulo 16, versículo 15"Indo pelo mundo, pregai o Evangelho a toda criatura."

Com carinho 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

OBAMA DISSE QUE MATA MUITO BEM

Acabou de ser lançado nos Estados Unidos um livro - "Double Down: Game Change 2012" - sobre a campanha eleitoral de 2012 que re-elegeu o Presidente Barack Obama. 

Os autores - Mark Halperin e John Heilemann - afirmam literalmente no livro que, durante a campanha, o Presidente várias vezes se vangloriou dizendo que era muito bom para matar pessoas. Estava se referindo ao sucesso das atividades que seu Governo tem tido ao conseguir matar pessoas consideradas terroristas mediante ataque de drones (aviões não tripulados).

Ora, como a Casa Branca não desmentiu essa afirmação e tentou explicá-la, dizendo que foi tirada do contexto, etc, etc, fica claro que Obama disse mesmo isso, o que é uma lástima, para um homem que se declara cristão.

Esse caso mais uma vez prova que o poder corrompe. E a corrupção aqui não é desvio de dinheiro, tão comum no Brasil, e sim desvio de propósitos. Isso ocorre principalmente quando os fins - os objetivos de um governo, por exemplo, de defender seus cidadãos - justificam os meios que são empregados, como ocorre com os ataques de drones.

Matar pessoas com a justificatica de que são "inimigas" é muito preocupante. O Governo que faz isso se arroga os direitos de policia, promotor, juiz e executor da pena de morte. Tudo de uma vez só. E uma sociedade democrática não pode agir assim.

Já se sabe que foram cometidos erros nesses ataques, pois pessoas inocentes forem mortas - hoje há até uma séire de televisão muito famosa nos Estados Unidos, chamada Homeland, cujo ponto de partida é uma situação como essa. 

E o que pode ser feito pelo Governo Obama quando percebe que cometeu tal tipo de erro? No máximo pedir desculpas, o que não adianta muito. As autoridades norte-americanas se defendem dizendo que esses são "danos colaterais", um nome pomposo para terrível expressão: "coisas ruins que acontecem durante as guerras". 

Outa justificativa comum - que seria difícil pegar essas pessoas e julgá-las pelos meios convencionais - também não "cola". Se fosse assim, deveríamos voltar ao período do linchamento, quando as pessoas presas no meio da rua eram justiçadas ali mesmo pela multidão enfurecida. Os meios legais tornam a condenação das pessoas realmente mais difícil, mas também protegem os inocentes de serem condenados pelo que não fizeram.

Um país que se diz civilizado e cristão deveria usar seu poder para fazer a coisa certa - identificar seus inimigos, e puni-los, usando os meios legais a sua disposição. E, no caso de um país poderoso como os Estados Unidos, os recursos disponíveis para fazer isso são muito grandes. E, ao fazer isso, o país ganharia estatura moral perante todo o mundo.

Outra coisa a notar é que a pena de morte agora passou a ser executada à distância, como se fosse um jogo de videogame - uma pessoa opera alguns comandos, vê o que está acontecendo numa tela e explode o "inimigo". Fica fácil, muito fácil matar alguém - no final do expediente, o perador do drone vai para casa, pensando que cumpriu seu dever e fez o bem para seu país. Não há qualquer remorso.

Pelo menos, no caso da guerra real, os soldados que matavam sabiam que faziam algo de terrível, pois viam as consequencias dos seus atos nos corpos destruídos dos inimigos. Pori sso todos aqueles que participaram de conflitos como a Segunda Guerra Mundial sempre foram unânimes em reconhecer que a guerra é um negócio terrível.

Em resumo, como o comportamento de Obama e seus principais auxiliares está distante daquilo que Jesus ensinou: amar ao próximo como a si mesmo. Será que Obama gostaria ser alvo de um ataque por avião não tripulado? De receber desculpas por que familiares e amigos seus foram mortos, com a justificativa de que não passaram de danos colaterais? Certamente não. Por que então se arroga o direito de fazer isso com os outros?

Que Deus tenha piedade daqueles que cometem esses erros e daqueles que sofrem as suas consequencias.

Com carinho

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O PAPA DISSE QUE DEUS NÃO PERTENCE A NINGUÉM

O novo Papa tem surpreendido o mundo com inúmeros gestos positivos, como o perdão para os teólogos relacionados com a Teologia da Libertação, a reforma da burocracia da Igreja Católica e o abandono dos principais sinais de luxo e ostentação.

No primeiro dia de Outubro, ele surpreendeu mais uma vez declarando saber que Deus não pertence à Igreja Católica, pois é maior do que qualquer denominação cristã, inclusive aquela que ele dirige. Ora, para o chefe de uma Igreja que sempre se considerou a única representante real de Jesus Cristo na terra, esse é um enorme avanço. 

O papa reconheceu uma verdade simples: se Deus é mesmo quem pensamos que é, Ele não cabe em nenhuma denominação. Mas é preciso humildade para dar esse passo. 

Acho que esse avanço da Igreja Católica deveria servir de inspiração para os evangélicos. Digo isso porque recentemente tornou-se comum entre os evangélicos dizer que os católicos não são cristãos verdadeiros. E a razão apontada é a questão da devoção aos santos, a aceitação de Maria como intermediadora entre Deus e os homens e outras diferenças teológicas importantes. É verdade que nenhuma dessas doutrinas é bíblica e somente encontram apoio no ensino da Igreja Católica. 

Mas será que esse desvio teológico justifica uma posição tão radical por parte dos evangélicos? E os evangélicos não têm também distorcido a palavra de Deus? O que dizer da ênfase excessiva no dízimo, na Teologia da Prosperidade (quanto mais se dá a Deus, mais se recebe d´Ele), na Confissão Positiva (quem tem fé não passa por doenças, crises financeiras, etc), dos abusos de ver ação satânica onde ela não existe e assim por diante?  Se os católicos tem o problema dos padres pedófilos, os evangélicos têm os pastores que fazem das suas igrejas um negócio. 

Não somos melhores do que os católicos e pensar assim, acredito eu, é arrogância pura e simples. E é de se esperar mesmo que evangélicos e católicos não sejam uns melhores do que os outros, afinal todos são humanos, pois pecam igualmente, como ensinou o apóstolo Paulo.

Deus não cabe dentro da Igreja Católica, pois é maior, muito maior do que ela. Mas também não cabe, pela mesma razão, dentro das dezenas de milhares de denominações evangélicas. Os católicos e os evangélicos são irmãos na sua fé e partes integrantes da Igreja de Cristo.

Em resumo, penso que a atitude do Papa deve ser saudada e aproveitada pelos evangélicos para uma aproximação. Acredito que agradaria muito ao Espírito Santo ver todas as denominações cristãs dialogando de forma construtiva para promover o avanço do Reino de Deus nesta terra.  

Com carinho   

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

QUEM ESTÁ DENTRO E QUEM ESTÁ FORA

Há um ponto comum nas histórias de as pessoas cuja história está contada na Bíblia, que pode ser resumido numa única pergunta: ao final da sua trajetória na vida, aquela pessoa se viu incluída ou excluída do povo de Deus? E entendo povo de Deus aqui como Israel (no Velho Testamento) e igreja cristã (no Novo). 

Há pessoas que nasceram pertencendo a esse povo, mas acabaram fora dele por conta das suas atitudes. Já outras, começaram fora e acabaram incluídas nele. Aqui vão alguns exemplos de pessoas que fizeram essas trajetórias diferentes para ajudar na sua e na minha reflexão a respeito das nossas próprias vidas:

Quem saiu 
(1) Esaú
Era o irmão gêmeo mais velho de Jacó. Não foi o escolhido por Deus para dar continuidade à linhagem da Promessa de Deus a Abraão, papel que coube a Jacó. Mas, apesar de não ser o líder do processo, poderia ter continuado como parte do povo de Deus - acabou sendo o Patriarca dos edomitas, que foi um povo rival de Israel. 

Seu principal problema é que nunca deu muita importância à herança espiritual que vinha dentro de sua família, desde Abraão. Isso ficou claro quando vendeu seu direito de primogenitura para Jacó, em troca de um simples prato de cozido de lentilhas (Gênesis capítulo 25, versículos 27 a 34). 

(2) Acã
O povo de Israel estava conduzindo uma guerra contra vários reinos pagãos que habitavam a Palestina. Aquela terra tinha sido prometida por Deus a Israel, mas foi necessário lutar pela sua posse. 

Antes da batalha pela cidade de Jericó, Deus orientou que ninguém pegasse qualquer despojo de guerra ali. Acã descumpriu aquela ordenança a guardou alguns objetos valiosos. Por causa daquele pecado, Deus retirou seu apoio a Israel e esse povo foi derrotado na batalha seguinte - é preciso não esquecer que Deus tratava com Israel de forma coletiva, logo o pecado de uma pessoa gerava consequência sobre as demais. 

Preocupado com o que estava acontecendo, Josué, o líder de Israel, pediu a Deus que identificasse o desobediente, que acabou sendo punido (apedrejado até a morte) e sua memória foi eliminada do povo de Israel para sempre (Josué capítulo 7).

(3) Ananias e Safira (veja mais)
Esse casal era membro da comunidade cristã que se reunia em Jerusalém sob liderança direta dos apóstólos. Aquela igreja seguia a prática de ter todos os bens materiais em comum. 

Em dado momento, Ananias e Safira venderam uma propriedade e resolveram passar para os líderes da igreja apenas parte do valor recebido, embora tivessem dito para os apóstolos que tinham dado tudo para a igreja. Ora, ninguém era obrigado a compartilhar seus bens, mas foi um pecado sério tentar enganar os apóstolos.

Isso aconteceu porque o casal quis manter a imagem de bons cristãos e, ao mesmo tempo, contar com a segurança que parte do dinheiro lhes garantiria. Foram hipócritas. O apóstolo Pedro os advertiu que tinham tentado mentir para o Espírito Santo e sua punição seria pesada - acabaram mortos (Atos dos Apóstolos capítulo 5, versículos 1 a 11).  

(4) Judas Iscariotes
Foi o apóstolo que traiu Jesus, vendendo-o para os líderes religiosos judeus por trinta moedas de prata. Quando percebeu a gravidade do que tinha feito, suicidou-se, pois não confiou que poderia ser perdoado (Mateus capítulo 27, versículos 1 a 10). A Bíblia chama Judas de "Filho da Perdição" caracterizando bem o seu destino.

Alguns que entraram
(1) Raabe
Era uma prostituta em Jericó, a primeira cidade que foi conquistada pelo povo de Israel na Palestina. Ela recebeu os espiões que Josué tinha mandado para ver o que ocorria na cidade e protegeu-os, porque percebeu que o Deus de Israel era o verdadeiro Deus. Por causa da sua atitude, foi salva, quando Jericó caiu, e acabou sendo assimilada por Israel (Josué capítulo 6, versículos 22 a 27), terminando por entrar na linhagem de Jesus Cristo.

(2) Rute
Era nora de uma mulher israelita, chamada Noemi, mas ela mesmo vinha de outro povo (Moabe). Seu marido, assim como os demais homens da família de Noemi, morreram, deixando as mulheres totalmente desamparadas - naquela época elas dependiam totalmente das figuras masculinas para sobreviver. 

Noemi resolveu voltar para Israel e passar a viver da caridade pública. Rute resolveu ficar fiel a sua sogra e a frase que disse naquela oportunidade - "o teu povo é o meu povo, o teu Deus, o meu Deus" - caracteriza bem a importância da escolha que fez (Rute capítulo 1). Acabou casando-se com um parente de Noemi, Boaz, e foi a avó do rei Davi, entrando na linhagem de Jesus Cristo.

(3) Zaqueu
Era o chefe dos coletores de impostos de Jericó. Esse tipo de função era desempenhado por judeus que adquiriam dos romanos o direito de explorarem seus próprios irmãos, extraindo deles valores de impostos escorchantes. Por isso eram detestados, sendo considerados pecadores e traidores - quem assumia essa função era excluído do povo de Deus.

Certo dia, Jesus ia passando por Jericó e, como Zaqueu era baixinho, subiu numa árvore para poder ver melhor. Jesus, notando sua presença, parou e disse que queria visitá-lo, o que era uma grande honra para um homem tão desprezado como ele. E assim o Mestre jantou com Zaqueu e sua família. 

Impressionado com os ensinamentos de Jesus, o coletor de impostos se converteu, prometeu restituir tudo o que tinha roubado de seus irmãos judeus e mudar de vida. Jesus respondeu que tinha havido salvação naquela casa (Lucas capítulo 19, versículos 1 a 10). Zaqueu saiu do povo de Deus, por seus pecados, mas foi recebido de volta, por conta do seu arrependimento e conversão.

Palavras finais 
Dar pouca importância à relação com Deus, desobediência, hipocrisia e traição são pecados que excluem as pessoas do povo de Deus. Fé em Deus, fidelidade e arrependimento são atitudes que incluem as pessoas nesse povo, mesmo que o tenham deixado antes. 

Onde você acha que está hoje em dia? Dentro ou fora?

Com carinho 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

PRISCILA E ÁQUILA: CONSTRUTORES DE IGREJAS

Prisca (no diminutivo, Priscila) e Áquila formaram o casal mais famoso da Igreja Apostólica. Foram hospedeiros de Paulo em Corinto (Atos capítulo 18, versículos 2 e 3) e depois dirigiram igrejas tanto em Éfeso (1 Coríntos capítulo 16, versículo 19) como em Roma (Romanos capítulo 16, versículos 3 a 5). Sua presença proeminente nessas três importantes comunidades cristãs daquela época dá uma idéia do seu peso na história da Igreja Apóstólica. 

Curiosamente, das seis vezes em que o casal é citado no texto bíblico, em quatro delas o nome de Priscila aparece antes do de Àquila, provando que a esposa era a personalidade mais importante do casal.

Áquila (águia em latim) era um judeu originário do Ponto, cidade localizada ao sul do mar Negro, que imigrou para Roma, onde sua profissão de fabricante de tendas era muito requisitada. Essa profissão, na qual trabalhava com sua mulher, lhes garantiu um sustento confortável. 

Converteram-se ao cristianismo mas foram expulsos de Roma, por um decreto do imperador Cláudio, provavelmente no ano de 41 (Atos capítulo 18, versículo 2). A alegação do imperador foi que a comunidade cristã perturbava a ordem pública, talvez como consequencia das discordâncias que existiam entre cristãos e judeus.

O casal acabou se estabelecendo em Corinto, onde encontrou Paulo, que chegou ali por volta do ano 50. A profissão comum (Paulo também fabricava tendas) deve tê-los aproximada e os três passaram a trabalhar juntos na residência do casal. Quando Silas e Timóteo se juntaram a Paulo,  eles trouxeram uma doação em dinheiro (Filipenses capítulo 4, versículo 1 e  2 Coríntios capítulo 11, versículos 8 e 9) que permitiu ao apóstolo dedicar-se em tempo integral à pregação do Evangelho de Cristo.

Priscila e Áquila tiveram papel muito importante na formação da igreja em Corinto. Mais adiante, de forma muito corajosa, o casal deixou sua clientela, formada ao longo de 10 anos, e foi para Éfeso, acompanhando Paulo, onde ficou para preparar a volta do apóstolo (ocorrida quando da sua terceira viagem missionária). Isto demonstra a dedicação que o casal teve com as coisas de Deus, justificando o reconhecimento que Paulo sempre tributou a eles. 

Mais adiante, foram para Roma e não é por acaso que Paulo também desejava ir para lá - mais uma vez o casal foi parte do grupo precursor do apóstolo (Romanos capítulo 1, versículos 10 a 13 e capítulo 15, versículo 24). Não sabemos quanto tempo eles permaneceram em Roma, já que depois aparecem novamente em Éfeso (2 Timóteo capítulo 4, versículo 19). 

Concluindo, Priscila e Àquila são exemplos de trabalhadores na obra de Deus. Primeiro, por sua dedicação e fidelidade, não se cansando de abrir portas para o apóstolo Paulo e também de pastorear o rebanho de cristãos que foi se formando nos locais onde habitaram. 

Depois, porque deram o exemplo de como trabalhar em conjunto na obra de Deus, sem vaidades, apoiando-se mutuamente e ao apóstolo Paulo. E é especialmente interessante perceber que naquele casal a mulher era mais importante na obra do que o marido. 

Isso serve para demonstrar para aqueles que ainda defendem a primazia dos homens na obra de Deus - infelizmente um grupo grande de cristãos -, que essa postura está errada. Mulheres têm o mesmo papel e direitos na obra de Deus que os homens, pois Ele não faz acepção de gênero e usa quem desejar. 

Com carinho   

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

UM ESTUDO DO APOCALIPSE - PARTE 6

A duração da grande tribulação 
A duração da grande tribulação está indicada no livro do profeta Daniel, capítulo 9: o anjo Gabriel disse ao profeta que seriam necessárias “setenta semanas” para os acontecimentos que levarão ao final dos tempos. Semana, nesse contexto, indica ano e, portanto, serão 490 anos. 
As profecias relacionadas às primeiras sessenta e nove semanas já foram cumpridas. Logo, falta uma “semana” ou 7 anos, que será a duração da grande tribulação.


A Trindade Satânica (capítulos 13 a 19) 
Satanás tem inveja de Deus e quer imitá-lo. É por isto que tentará estabelecer sua "Trindade", procurando confundir os seres humanos. Nela, Satanás ocupa a figura do “Pai”.

Já a figura do “Filho” será ocupada pelo Anti-Cristo. Há várias referências a essa figura na Bíblia: em Daniel capítulo 8, vesículos 9 a 25, um anjo explica seu significado; e no capítulo 11, versículos 20 a 45, são dadas informações sobre suas realizações. Ao longo da história humana, muitos personagens, como Hitler, Stalin, e até alguns Papas foram identificados com o Anti-Cristo, mas é claro que tudo isso estava errado. A Bíblia nos diz que ele comecará a atuar na história repentinamente, assim qualquer tentativa de identificá-lo previamente estará fadada ao fracasso.
Finalmente, o papel equivalente ao do Espírito Santo será cumprido pelo Falso Profeta, apresentado como a "besta que emerge da terra" (Apocalipse capítulo 13, versículos 11 a 18). O Falso Profeta procura fazer com que os seres humanos adorem o Anti-Cristo e, por conseguinte, Satanás. 

O ministério do Anti-Cristo
Durante a primeira parte da grande tribulação, 3,5 anos, o Anti-Cristo aparecerá como um homem de paz e fará alianças com muitos povos. 
O Anti-Cristo fará um grande milagre e adquirirá a admiração de grande número de pessoas, que passarão a adorá-lo. 

Depois disso essas promessas serão quebradas e ele mostrará sua verdadeira face. O Anti-Cristo fará perseguições ao povo de Deus - físicas e de natureza econômica, pois sem a marca da Besta não será possível comprar ou vender (Apocalipse capítulo 13, versículos 16 e 17).
O Anti-Cristo chegará a assumir uma posição de domínio no mundo (Daniel capítulo 11, versículos 20 a 45) e somente será parado pela volta de Cristo.

A segunda vinda de Cristo
Em Mateus capítulo 24, versículos 29 e 30, Jesus nos contou que, logo após o terremoto final, o sinal do Filho do Homem será visto por todos no céu - será um evento grandioso, causando temor entre aqueles que adoraram o Anti-Cristo.

Cristo voltará - a imagem simbólica é que estará montado num belo cavalo branco, coroado e armado com a espada da Palavra de Deus (Apocalipse capítulo 19, versículo 11) - acompanhado de seus anjos e da igreja (capítulo 19, versículo 4), para combater as forças do mal. Será travada, então, no terreno espiritual, uma batalha como nunca houve nem haverá outra igual. 
Como resultado, o Anti-Cristo e o Falso Profeta serão atirados vivos no inferno e seus seguidores mortos (espiritualmente) pelo poder da Palavra de Deus. Satanás será então acorrentado durante um período (capítulo 20, vesículos 1 a 3). 

O milênio (capítulo 20, versículos 1 a 6)
O milênio se refere a um período real, quando Cristo reinará na terra juntamente com o povo de Deus arrebanhado durante toda a história humana (Daniel capítulo 7, versículos 29 e 2 Timóteo capítulo 2, versículo 12)Esse período maravilhoso terá tudo aquilo pelo que a humanidade sempre ansiou e será a resposta final à oração "venha a nós o teu reino e seja feita a tua vontade, assim na terra, como nos céus"
A vida será farta, saudável e feliz, segundo nos conta Isaías capítulo 65, versículos 17 a 25. Será semelhante àquela que conhecemos hoje, com lares, atividades profissionais, etc –, sendo que haverá justiça para todos.  

Mas, há duas perguntas sobre o Milênio para as quais não temos respostas: 
Por que, após a segunda vinda de Cristo, não se segue imediatamente o julgamento final e o novo mundo? Por que Satanás, naquela altura dos fatos, continuará a ter um papel nos planos de Deus? 

A derrota final de Satanás (capítulo 20, versículos 7 a 10)
Ao final do milênio, Satanás será solto e, por incrível que possa parecer, voltará a enganar e seduzir muitas pessoas. Isto prova cabalmente como o coração do ser humano é enganoso. 
Mas, finalmente, será derrotado e atirado no inferno, onde ficará para a eternidade. Em outras palavras, Satanás não tem o domínio total nem do inferno

O julgamento final (capítulo 20, versículos 11 a 15)
Todos serão então julgados diante do Trono de Deus. 
O versículo 12 fala que serão abertos livros - como o relato é referente ao mundo espiritual, o símbolo do livro serve para representar a memória divina. As referências bíblicas nos permitem caracterizar três “livros”:

  • A própria Bíblia que servirá como base para estabelecer o que é certo ou errado (João capítulo 12, versículo 48).
  • O registro das obras individuais (Apocalipse capítulo. 20, versículo 13).
  • O "livro da vida" contendo o nome dos salvos (Filipenses capítulo 4, versículo 3).

Mas, se a salvação é por fé, por que então registrar as obras de cada um? Ocorre que os salvos serão julgados para recebimento de galardões (prêmios), com base no que fizeram em vida. Quanto aos condenados, o registro das suas obras servirá para provar porque estarão nessa condição.

A humanidade estará então finalmente pronta para receber o novo paraíso – a "nova Jerusalém" (Apocalipse capítulo 21).