quinta-feira, 27 de setembro de 2012

PESSOAS MUITO BOAS PODEM IR PARA O INFERNO?

Uma pessoa verdadeiramente boa - aquela que não rouba, não mata e cumpre com suas obrigações com a família, no seu trabalho, etc, pode ir para o inferno? A maioria das pessoas, incluindo muitos cristãos, pensa que não, porque alcançar a vida eterna seria uma questão de se comportar bem o suficiente, de ter mérito bastante. Assim, boas pessoas vão para o céu, enquanto o inferno é lugar das pessoas verdadeiramente ruins.

E infelizmente essa percepção leva muita gente a se acomodar e achar que é boa o suficiente, o que é um erro terrível.

A via da Lei
Ser bom o suficiente para alcançar a vida eterna pelos próprios méritos, é chamada de a "via da Lei". Agora, Jesus nos disse que para alcançar a vida eterna seria necessário cumprir dois mandamentos simples: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo (veja mais).

Agora, vamos fazer uma experiência simples: escolha algumas poucas pessoas que você considera muito boas, além da média, e pode se incluir nesse mesmo rol - esse é seu grupo de avaliação. 

E vamos então analisar se essas pessoas cumprem as duas Leis. A primeira Lei - amar a Deus sobre todas as coisas -, significa que nada deve ter maior importância na vida do que Ele: nem família, nem trabalho, nem amigos, nem o próprio conforto, nem a própria saúde, nem o lazer, nada enfim. Por exemplo, no limite, se o Espírito Santo chamar, a pessoa deve largar tudo e se concentrar em fazer a obra de Deus, como os apóstolos fizeram. Parece difícil? Mas é isso mesmo. 

Agora, examine as pessoas do "grupo de avaliação" e veja se essas pessoas atendem esse segundo requisito.

Vamos pensar então na segunda Lei: amar ao próximo como a si mesmo. Como alguém que ama os outros dessa forma pode dormir numa cama quente sabendo que existem pessoas ao relento? Como pode comer uma boa refeição num restaurante, sabendo que há crianças passando fome naquele mesmo momento?  E assim por diante.

Agora olhe de novo para o grupo de avaliação, incluindo você: essas pessoas perdem o sono com os que não tem casa ou não vão a restaurantes preocupadas com os que não têm o que comer? Provavelmente não.

Sendo assim, nem as melhores pessoas que você conhece, bem como você mesmo, tiram boa "nota" nesse teste simples que Jesus estabeleceu. Na verdade, essas pessoas podem até ser consideradas muito boas apenas em comparação com outras, que fazem ainda menos. Mas, comparadas com os padrões de Deus, nenhuma delas é verdadeiramente boa.

Portanto, nenhuma delas têm mérito próprio para conquistar a vida eterna. E há ainda outro problema com a "via da Lei": se fosse possível juntar mérito para alcançar a vida eterna, quanto mérito seria preciso juntar? Quando a pessoa poderia ter confiança de já ter feito o suficiente? A resposta é nunca.

Assim, se não houvesse outra alternativa além da via da Lei, seria o caso de sentar no meio fio e chorar de desespero.

A via da Graça 
Deus sabe disso e já sabia que seria assim antes de criar o ser humano e lhe dar o direito de escolher entre o bem e o mal (livre arbítrio).

Aí Ele mesmo providenciou uma alternativa: mandou seu Filho ao mundo, para viver entre nós, e morrer pelos nossos pecados. O sacrifício de um homem inocente - Jesus Cristo foi o único ser humano sem qualquer pecado - seria o preço a ser pago pelos nossos pecados (quando não fazemos a vontade de Deus).

Assim, a vida eterna não mais é alcançada por mérito e sim pela Graça de Deus, caracterizada pelo sacrifício de Jesus Cristo. Agora, essa Graça somente opera na vida de determinada pessoa se acontecerem três coisas. Primeiro, ela reconhecer que precisa dessa Graça, isto é que não vai conseguir a vida eterna pelos seus próprios méritos. Em outras palavras, a pessoa tem que reconhecer que precisa ser salva de seus próprios pecados.

Em segundo lugar, a pessoa precisa reconhecer e acreditar que o veículo da Graça de Deus é o sacrifício de Jesus Cristo, nada menos e nada mais.

E, finalmente, ela precisa confessar essa fé em voz alta, dando testemunho sobre ela.

Feito isso, a Graça opera na vida da pessoa e as portas da vida eterna se abrem para ela, enquanto sua fé se mantiver viva (veja mais).  

Concluindo, a resposta para a pergunta que deu início a esse texto é: todas as pessoas verdadeiramente boas irão para o céu, sem dúvida. O problema é que, aos olhos de Deus ninguém é verdadeiramente bom (Romanos capítulo 3, versículos 10 a 12), logo esse caminho não funciona na prática. 

Assim, só nos resta a via da Graça, aberta para nós pela fé em Jesus Cristo (Romanos capítulo 5, versículos 6 a 8).

Com carinho



domingo, 23 de setembro de 2012

UM BOM EXEMPLO, A SER IMITADO

Antes de ler o texto, veja este vídeo.

Frequentemente o marketing é usado de forma negativa, para gerar falsas necessidades e levar as pessoas a consumir aquilo de que não precisam - esse é um fenômeno muito conhecido na chamada sociedade consumo. 

Mas o exemplo acima é exatamente o oposto: o uso do marketing em uma iniciativa altamente positiva - incentivar a doação de orgãos para transplantes. A experiência mostrada foi feita numa das melhores padarias de São Paulo. O local é muito frequentado e sempre é preciso pegar senha para ser atendido. E quem bolou a campanha ligou esse fato à questão da fila de pessoas para conseguir doações de orgão - uma ideia tanto simples como comovente. Portanto, se você ainda não é doador, e é jovem, se inscreva.

Mas, esse vídeo também me fez refletir também sobre como as prioridades da nossa sociedade estão erradas, já que as vidas humanas não têm o valor que deveriam ter. E é sobre esse ponto de vista que eu vejo a iniciativa desse vídeo - um esforço para ensinar as pessoas a adquirir novas prioridades -, o que é extremamente importante. 

E é aí que nós, cristãos, precisamos ter um papel relevante, tanto para apoiar propostas boas, como essa, quanto para denunciar medidas ruins, venham de onde vierem. Não podemos nos omitir, pois nossa missão é ser "luz para o mundo", conforme Jesus nos ensinou. 

Com carinho

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O QUE ACONTECEU COM A MULHER DO KAKÁ?

Caroline Celico é esposa do famoso jogador Kaká. Ficou conhecida, depois do casamento com ele, pela fidelidade à Igreja Renascer em Cristo e pela imagem de certinha. Hoje, ela quer mudar essa imagem: fez um ensaio fotográfico “ousado” para a revista RG e disse que não frequenta mais qualquer igreja, faz suas orações em casa e lê a Bíblia sozinha:
Não me considero evangélica porque eu acredito que a única coisa que me liga a Deus é Jesus. Acabei me envolvendo numa doutrina religiosa e quando vi estava amando mais o local físico da igreja do que Deus realmente. Fazia as coisas para agradar aos outros, achando que assim estaria agradando a Deus. Eu não comungo mais dessas ideias”.
 O que aconteceu?
O casal era um dos seguidores mais famosos da Igreja Renascer e fazia aparições em apoio à denominação. Carolina até se disse interessada em ser pastora. O afastamento da Igreja Renascer veio depois dos episódios da prisão dos fundadores daquela denominação nos Estados Unidos e da queda do telhado da sede da Igreja em São Paulo, que causou a morte vários fiéis. 
 
Temos aqui o caso clássico de decepção de fiéis com a denominação cristã a qual seguem fervorosamente, fenômeno muito comum entre os evangélicos. E a decepção é proporcional ao comprometimento - quanto maior o comprometimento maior a decepção -, podendo até levar ao abandono do cristianismo. Veja, por exemplo, a continuação da declaração de Carolina: 
Hoje eu faria de outra maneira, mas acredito que todas as coisas acontecem para nos levar para algum lugar melhor. Sou como sou porque passei por alguns episódios traumáticos e outros muito bons. Mas sou curiosa e continuo superaberta a novas ideias”.
O quadro relatado não parece promissor: ela vai tentar levar a própria fé para diante, sozinha, decepcionada, e aberta a “novas ideias”. Só futuro dirá o resultado disso. 

Há várias causas para esse tipo de decepção. E é fácil identificar duas delas nesse caso:

Problema 1: Confiança no lugar errado
Algumas denominações crsitãs atribuem excessiva importância às suas lideranças - normalmente seus fundadores. Quando a denominação fica importante no cenário religioso brasileiro, essas pessoas alcançam um status especial e algumas viram quase semi-deuses - ficam acima do bem e do mal - e demonstram isso atribuindo a si mesmos títulos pomposos: "apóstolo", "bispo primaz", "patriarca", etc.

O problema é que todos pecam, inclusive "apóstolos", "bispos primazes" e "patriarcas". Não há com escapar disso. E aí quando o pecado transparece, a reação normal é o líder não reconhecer que pecou - atribue o que ocorreu à perseguição da imprensa e/ou a ações demoníacas, para acabar com seu ministério. E, ao não reconhecer seu erro, esse líder não se purifica do seu pecado e seu ministério fica comprometido. Vimos isso acontecer recentemente no caso da igreja Renascer.

Quando o líder pego em falta, corajosamente faz um ato de contrição pública, reconhecendo seu erro e pedindo perdão, ele tende a ver sua obra destruída. Isso porque quanto maior for a devoção que ele desperta nos fiéis, maior será a revolta contra ele - na verdade, a mesma mão que aplaude é aquela que apedreja. Aqui no Brasil, tivemos o exemplo do pastor Caio Fábio em relação à Fábrica da Esperança e à VInde, por ele fundadas e dirigidas. Por isso, muito poucos escolhem esse caminho, que é o certo.

Poucas denominaçãoes sabem lidar bem com a presença de líderes fortes e carismáticos. A maioria acaba permitindo  devoção excessiva a ele, muitas vezes instigada pelo próprio líder. Mas algumas denominações conseguem fazer isso, ao despersonalizar a liderança - por exemplo, no metodismo, que eu sigo, os bispos são eleitos a cada 5 anos e não têm garantia de reeleição. Assim, um líder problemático será naturalmente substituído por outro, sem gerar grandes problemas 

Problema 2: teologia tóxica
Carolina também sofreu o efeito de uma teologia tóxica (já falei outras vezes sobre isto, por exemplo). 

A Renascer, assim como diversas outras denominações evangélicas, defende a teologia da prosperidade: se as pessoas tiverem fé suficiente poderão se apropriar de inúmeras promessas de prosperidade que Deus fez para seus filhos. Vemos isso com clareza numa declaração anterior de Carolina, onde ela afirmou convicta que Deus tinha dado dinheiro para que o Real Madrid contratasse o Kaká (seu salário atual, por contrato, é de cerca de R$ 4 milhões). 

É claro que ela não pensou nos inúmeros outros jogadores de futebol que também são cristãos fervorosos, mas que nunca tiveram acesso a contratos iguais aos do Kaká. Será que falta fé a essas pessoas, enquanto essa fé sobra para o Kaká? Dificilmente. Ou o que falta a esses outros jogadores é a qualidade do futebol que Kaká sempre demonstrou? Acho que a resposta é óbvia.

Teologias como essa causam grande estrago, pois fazem promessas que não podem ser cumpridas, por não serem sancionadas por Deus, causam grande estrago. E o não cumprimento da falsa promessa pode nem ocorrer com a própria pessoa, pois basta que ela olhe em torno e veja o que acontece com os outros, como parece ter sido o caso de Carolina.

Palavras finais
Há muitas outras causas para decepção que não se fizeram presentes no caso em análise, mas impactam muitos outros cristão sinceros. Por exemplo, a promiscuidade de igrejas cristãs com políticos; a ganância de líderes religiosos que procuram extrair dinheiro das pessoas a qualquer custo; ou ou mesmo tentativa de obter controle da vida das pessoas através da imposição de códigos de comportamente sem sentido. Mas não tenho espaço para discutir todos esses casos aqui. 

A reflexão que quero deixar é que os cristãos precisam se defender dos "lobos em pele de cordeiro", para não acabar decepcionados. E, se mesmo assim a decepção ocorrer, é preciso lembrar que nem todos os líderes religiosos são iguais. Sempre há cristãos sérios e dedicados em fazer a obra de Deus. 

Com carinho