sábado, 31 de outubro de 2015

O ENSINAMENTO DO VERSÍCULO MAIS POPULAR DA BÍBLIA

Por favor, leia este mesmo post no meu novo site http://www.sercristao.org/2015/10/31/o-ensinamento-do-versiculo-mais-popular/ . 
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.João capítulo 3, versículo 16

O versículo acima é o mais popular da Bíblia, com base em diversas pesquisas feitas ao longo do tempo, várias inclusive usando recursos da Internet (veja mais).

Mas por que esse texto é tão querido? Por que inspira tanto as pessoas? A resposta é simples: está resumida nele toda a mensagem do Evangelho de Jesus. O versículo tem quatro partes que falam: 1) da causa para haver um Plano de salvação do ser humano instituído por Deus; 2) do preço do processo de salvação; 3) da condição para que a salvação ocorra; e 4) da sua consequência. Vamos ver isso tudo em maior detalhe. 

A causa para a salvação
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira...”

O plano para a salvação dos seres humanos foi instituído por Deus porque Ele nos ama muito. Já sabedor que ao dar o livre arbítrio para as pessoas elas iriam contrariar seus mandamentos (pecar), Deus montou um plano para poder dar-lhes seu perdão sem precisar abrir mão da sua justiça. E esse caminho é o da Graça.

O preço da salvação
“... que deu seu filho unigênito...”

Como os seres humanos pecam, a justiça de Deus demanda punição pelos pecados cometidos. O caminho tradicional para fazer isso seria Deus acertar contas com cada pessoa com base naquilo que ela fez, regulando a punição dela de forma proporcional aos seus pecados individuais. 

Mas essa abordagem gera um problema: como todos(as) pecam - a Bíblia é bem clara a esse respeito - a punição ser ia severa e ninguém conseguiria ser salvo(a). Portanto, era preciso haver uma alternativa. 

Deus, então, instituiu um caminho alternativo: sua Graça. Em outras palavras, Deus deu seu Filho para que Ele sofresse a punição em nome de cada pessoa. Jesus foi sacrificado na cruz por nós. Assim, Deus conseguiu manter sua justiça, pois houve um preço pelos pecados, e mesmo assim dar acesso às pessoas a sua salvação. É uma solução brilhante. Inacreditável mesmo.

A condição para a salvação

“... para que todo aquele que nele crê...”

O caminho para a salvação, via Graça de Deus, não tem um preço para o ser humano, mas tem uma condição: que a pessoa acredite que Jesus morreu por conta dos seus pecados. Reconheça essa realidade. É essa crença (fé) que abre o caminho da Graça para cada ser humano. 

Sem ela, a morte de Jesus não tem significado para a pessoa e, portanto, não pode purificá-la dos seus pecados. Simples assim.

A consequência da salvação
“... não pereça, mas tenha a vida eterna.”

A salvação é o processo pelo qual o acesso do ser humano a Deus, obstruído pelo pecado, fica restaurado. Os pecados da pessoa são perdoados (cobertos pelo sangue de Jesus) e a pessoa pode ser apresentar purificada diante de Deus, passando a ser aceita por Ele. 

E quando isso acontece a pessoa entra na vida eterna, ou seja passa a ter acesso a uma nova realidade que será instituída no final dos tempos - uma nova sociedade, sem pecados, perfeita no seu funcionamento, onde Deus será o centro de tudo. E essa nova realidade não acabará - terá começo mas não fim. 

Tecnicamente é errado usar a palavra eterna para se referir a essa nova forma de viver, pois eterno é algo que não tem nem começo nem fim - sempre existiu e sempre existirá - como Deus. Essa nova forma de vida tem um começo mas não acaba, portanto, tecnicamente, não é eterna. 

Mas falamos em "vida eterna" porque esse novo momento, uma realidade que ainda vai acontecer, sempre esteve presente na mente de Deus. E nesse sentido, é eterno. 

Conclusão
João capítulo 3, versículo 16, resume numa única frase todo o Plano de salvação que Deus concebeu para o ser humano. Daí a importância desse pequeno texto.

Esse Plano foi concebido por que Deus ama sobremaneira cada ser humano e quer todo mundo junto a si. Como todos(as) pecam, a forma de fazer isso é o caminho da Graça. Não é possível a ninguém liberar seu caminho até Deus por méritos próprios.

O preço da salvação pela Graça é que os pecados cometidos pela humanidade sejam todos resgatados através do sacrifício feito em nome delas por Jesus, na cruz, cerca de 2.000 anos atrás.

Agora, a Graça de Deus é oferecida de forma condicional: a pessoa precisa aceitar que Jesus morreu por ela e é seu Salvador pessoal. E não há como fugir desse requisito.

A Graça dá acesso à vida eterna, que será uma nova forma de funcionamento da sociedade, com início no final dos tempos, onde não mais haverá sofrimento nem injustiças. Deus será o centro de tudo e o garantidor da felicidade de todos(as).

Confesso que quando vejo a capacidade de síntese de João, de numa única frase dizer tudo que há para ser dito sobre esse tema - eu fico com "inveja santa". Eu preciso escrever muito mais para conseguir transmitir um significado dessa profundidade. 

Essa frase genial demonstra, sem dúvida, que o texto da Bíblia vai muito além da capacidade humana. É a Palavra de Deus pura e simplesmente.

Com carinho 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

PROVANDO A EXISTÊNCIA DE UM DEUS CRIADOR

Imagine que você foi convocado para ser jurado num julgamento criminal que irá definir se é possível condenar alguém por um crime. Você sabe que precisará analisar as provas juntadas pela acusação e ver se elas são convincentes - se forem, você votará pela condenação, caso contrário irá absolver o acusado. 

Agora, imagine que esse julgamento objetive definir se há provas suficientes para estabelecer que alguém criou o universo e tudo que nele há. Ou seja, trata-se de dar um veredito para definir se foi Deus mesmo o responsável pela criação do Universo, incluindo a vida.

Os ateus insistem que não há provas disso - basta ler os livros de Richard Dawkins, o mais famoso dentre eles, para ser bombardeado com uma série de declarações estabelecendo que acreditar em Deus é bobagem pura e simples.

Infelizmente muitos cristãos, por falta de conhecimento, acabam aceitando a tese de que não é possível provar a existência de Deus. Na verdade, aceitar essa premissa é fazer o jogo dos ateus, pois não é verdade que a existência de Deus não possa ser provada.

A existência de Deus pode ser sim estabelecida, desde que mantenhamos as expectativas corretas de como isso pode ser feito. É claro que não podemos esperar ter testemunhas oculares da criação do universo ou da vida - não será possível buscar isso. É preciso tomar outro caminho. Mas isso não significa que se trata de tarefa impossível.

Provas diretas ou circunstanciais? 
Vou começar, lembrando que existem dois tipos de provas que podem ser usadas num julgamento criminal: diretas e circunstanciais. O primeiro tipo é composto pelas evidencias que atestam diretamente o que aconteceu. Por exemplo, um testemunho ocular confiável sobre quem cometeu o crime, o DNA do suspeito no corpo da vítima, etc. 

É claro que nem sempre é possível ter esse tipo de prova por isso os promotores recorrem a outro tipo: provas circunstanciais. Trata-se daquela prova através da qual se infere a autoria do crime, por ser a explicação mais viável para a situação. 

Agora, provas circunstanciais só funcionam bem de forma cumulativa - quantas mais delas forem acumuladas, mais forte fica o caso contra o acusado. 

Uma única prova direta - por exemplo, o DNA no corpo da vítima - pode ser suficiente para provar que determinada pessoa é culpada. Mas serão necessárias muitas provas circunstanciais para construir um argumento forte para condenar alguém. 

Por exemplo, vamos imaginar que haja uma testemunha de do crime que consiga apenas dar uma descrição aproximada do assassino - por exemplo, alto, moreno, forte e com cabelo curto. Assim, se um suspeito não bater com tal descrição, já se sabe que essa pessoa é inocente. Mas se o suspeito for parecido com a descrição da testemunha, isso não provará definitivamente sua culpa, mas somará alguns pontos nesse sentido.

Álibi é outra prova circunstancial: se a pessoa tem álibi adequado, fica claro que é inocente. Se não tem um bom álibi, isso não prova que é culpada, mas tal lacuna soma mais pontos na direção da culpabilidade.

Vamos imaginar ainda que o suspeito tem um carro igual ao que foi visto no local do crime.  Trata-se de mais um ponto a favor da culpabilidade. Digamos também que se conhece outro detalhe importante: o criminoso calçava botas de couro verde. E vamos imaginar que uma busca na casa do suspeito encontre botas desse tipo. Essa prova soma mais pontos em direção à culpabilidade. 

Juntando tudo: o suspeito não tem álibi, sua descrição bate com a do assassino, dirige um carro igual ao visto no local e tem botas iguais às percebidas nos pés do assassino. Aí as coisas começam a ficar complicadas para o suspeito. Mais algumas provas circunstanciais desse tipo e os(as) jurados(as) terão condições de condenar o acusado sem medo de cometer uma injustiça.

Provas circunstancias, portanto, funcionam por acumulação - nenhuma prova sozinha consegue provar a culpa do acusado, mas o conjunto delas apontando numa mesma direção pode sim comprovar a autoria do crime e levar à condenação. E esse tipo de abordagem é amplamente usado no julgamento de crimes.

E é assim que a existência de um deus criador pode ser provada. Ninguém estava presente quando o universo foi criado ou quando a vida começou a existir, portanto, não há provas diretas da existência de Deus. Precisamos recorrer a provas circunstanciais.

As provas de que Deus criou o mundo
Será que há provas circunstanciais suficientes para provar que Deus criou o mundo? Sim e as provas são bem convincentes.

Num debate ocorrido na Universidade Purdue, nos Estados Unidos, cerca de dois anos atrás, o filósofo William Craig Lane apresentou 8 diferentes provas circunstanciais fortes de que Deus criou o universo e a vida. Não é pouca coisa.

Não tenho espaço aqui para discutir todas elas, assim vou me restringir a três, para dar uma ideia para você de como esse argumento pode ser construído:
  • O universo teve início (não é eterno) - esse é um fato comprovado pela ciência, com base na descoberta do Big Bang. Ora, o universo não pode ter surgido do nada, pois isso não é possível, nem lógico. Foi preciso haver uma força incomensurável para conseguir fazer isso. Os ateus não tem uma explicação para o surgimento do universo, mas nós temos: essa força é Deus (veja mais).
  • O funcionamento do universo é corretamente descrito através de equações matemáticas - por exemplo, o Boson de Higgs (a partícula de Deus), observado poucos anos atrás (veja mais), foi prevista muito tempo antes por um físico com base em fórmulas matemáticas por ele desenvolvidas. Ora, não seria razoável imaginar que um universo formado por mero acaso - como postulam os ateus - possa ter esse tipo de organização. Foi necessária uma mente muito sofisticada para estruturar tal organização. E que mente pode ter sido essa? Os cristãos têm a resposta: Deus.
  • A existência do código genético como o mapa para a vida - o DNA é formado por enorme quantidade de informações organizadas de maneira impecável. Depois que os cientistas conseguiram decifrar esse código, passaram a poder modificar organismos de todos os tipos. Os ateus creditam a formação do DNA ao simples acaso (com base na teoria da evolução descrita por Darwin). Mas informação nunca é organizada por acaso - é preciso sempre ter uma mente inteligente por trás. E no caso do DNA, foi necessária uma mente extremamente sofisticada. E a explicação cristã para isso é Deus. 
Acho que já deu para você perceber que essas são provas circunstanciais fortes e cumulativamente apontam para Deus. É muito pouco razoável imaginar que o início do universo (via Big Bang), a existência do DNA regendo a vida e a organização "matemática" do universo possam ter ocorrido por simples acaso. A probabilidade disso tudo ter acontecido sem planejamento é simplesmente desprezível.

E a essas provas se juntam diversas outras, por exemplo a formação da consciência humana (que não pode ter vindo de compostos químicos, como querem os ateus) ou a organização do universo para permitir o desenvolvimento da vida na terra (o chamado princípio antrópico) (veja mais). Assim, é praticamente impossível deixar de reconhecer que há provas suficientes para apontar para um deus criador. 

Com carinho 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A BENÇÃO ESQUECIDA

Por favor, leia este mesmo post no meu novo site http://www.sercristao.org/2015/10/27/a-bencao-esquecida/ . 

Há uma importante promessa feita pelo próprio Jesus que é esquecida por boa parte dos(as) cristãos(ãs) - acredito que muitos(as) nem mesmo sabem que ela existe.

Essa promessa foi feita no contexto de uma troca de mensagens entre Jesus e João Batista - esse último foi um profeta de enorme importância pois veio ao mundo com a missão de preparar o caminho para a chegada do próprio Jesus.

Mas estando preso, aguardando sua execução (foi decapitado), João Batista duvidou que Jesus fosse mesmo o Messias - e é perfeitamente compreensível que tivesse fraquejado naquela situação terrível. João então mandou alguns emissários perguntarem a Jesus se Ele era mesmo o Messias tão esperado. E Jesus respondeu afirmativamente, citando seu ministério de cura e libertação como testemunho da sua missão (Mateus capítulo 11, versículos 2 a 5).

Agora, no final da sua resposta, Jesus disse algo surpreendente (versículo 6): “E bem-aventurado é aquele que não encontra em mim pedra de tropeço” - outras traduções dizem ”abençoado aquele que não é escandalizado por mim.”

Em outras palavras, prometeu uma benção para quem não vir n´Ele uma pedra de tropeço e também não se sentir escandalizado pelo seu Evangelho. E qual foi a benção prometida aqui?

A resposta está no mesmo texto, um pouco à frente (João capítulo 12, versículos 44 a 50). E acredito nenhuma promessa feita por Jesus é mais importante: Ele prometeu servir de advogado de defesa, diante de Deus, para quem cumprir essas condições, por ocasião do julgamento final.

Vou repetir: aquele(a) que não se sentir ofendido(a) pelo Evangelho e nem vier a atrapalhar sua difusão ("servir de pedra de tropeço"), contará com Jesus como seu advogado, o que certamente lhe abrirá as portas para a vida eterna. 

Mas ainda falta esclarecer o que seja "não se escandalizar" com o Evangelho e "não servir de pedra de tropeço" para sua difusão. A primeira condição significa não se deixar envergonhar com a declaração que Jesus é o Salvador da humanidade e muito menos sentir-se incomodado(a) em falar sobre isso. 

Ora, essa condição é equivalente ao mandamento que Jesus deu pedindo que todo(a) cristão(ã) anunciasse o Evangelho (Mateus capítulo 28, versículos 18 a 20). Infelizmente, há cristãos(ãs) que se sentem constrangidos(as) em fazer isso, pois não querem ser vistos(as) como carolas, quadrados(as), chatos(as), intransigentes, etc. 

Bem lá no fundo, essas pessoas se envergonham do Evangelho - essa é a verdade. Calam-se por conveniência. O pior é que normalmente não assumem o que fazem, escondendo-se atrás de desculpas esfarrapadas, como "não ter encontrado o momento adequado para falar" ou “não saber o que dizer”. Para quem age assim, o momento adequado nunca chega e nunca há tempo suficiente para aprender o que se deve dizer.

Há também quem deixe de seguir o caminho certo por achar que o Evangelho exige demais. A pessoa sabe que para seguir Jesus vai ter que mudar de vida - deixar hábitos e práticas de comportamento erradas. Vai ter que aprender a perdoar. Passar a olhar o próximo de forma amorosa. E assim por diante. E isso não é fácil.

Certa vez, conversei com um amigo que se dizia ateu e tentei lhe mostrar a importância do Evangelho. Depois de longa conversa, ele me disse que eu quase o tinha convencido mas que tinha muito tempo para pensar, para decidir mudar de vida. Essa conversa faz mais de 30 anos e o meu amigo ainda não se decidiu.

Recusar-se a mudar a própria vida é mais um exemplo de como a pessoa pode se escandalizar com o Evangelho. E há muitos outras possibilidades que poderia citar, mas acho que já deu para você entender do que Jesus estava falando.

A segunda condição para se apossar da promessa de Jesus é não servir de "pedra de tropeço" - trata-se de não atrapalhar a difusão do Evangelho. E há várias formas de alguém atrapalhar. Uma delas talvez surpreenda você: trata-se de não ter compromisso com a obra, isto é assumir responsabilidades de fazer coisas para ela e não cumprir com o prometido, deixando uma lacuna.  

Outra forma de se tornar "pedra de tropeço" é "adocicar" a mensagem do Evangelho para torná-la mais palatável para as pessoas. A verdade é que essa mensagem incomoda, e muito. O próprio Jesus advertiu seus discípulos para essa questão. 

É por isso que hoje em dia muitos pastores(as) pregam um Evangelho politicamente correto, que é parece mais conveniente - exemplos disso são nunca falar sobre pecado e defender que Jesus é "bonzinho" e por isso não irá mandar ninguém para o inferno (todos serão salvos).

Ora, quem faz isso está tropeçando - modificando o Evangelho -, erro muito sério. E fazendo as outras pessoas tropeçarem junto por deixarem de ensinar o que precisa ser dito. 

Com carinho

domingo, 25 de outubro de 2015

A PAZ DE JESUS

[Disse Jesus:] Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não permitais que vosso coração se preocupe, nem vos deixeis amedrontar. João capítulo 14 versículo 27

No texto acima Jesus usou a palavra hebraica "shalom" que foi traduzida como "paz", mas essa palavra significa muito mais do que isso. Significa também harmonia, completude, bem estar e segurança. Refere-se a um processo, um movimento em direção a algo bom que faz o ser humano sentir-se bem, completo. 

Esse conceito amplo de "shalom" também é usado para caracterizar os resultados esperados da missão do Messias (Jesus) aqui na terra. Dai lhe ser atribuído o título de "Príncipe da Paz" (Isaías capítulo 9, versículo 6 e Miqueias capítulo 5, versículos 4 e 5).

Assim, a declaração que Jesus fez no texto citado acima tem grande importância. Sem dúvida essa mensagem foi bem entendida com clareza pelos discípulos, que conheciam bem a importância da palavra "shalom". 

Jesus falou muitas coisas importantes nessas poucas palavras. Começo notando que Ele falou da "sua paz", ou seja colocou-se claramente na posição de Deus, pois somente Ele pode trazer "shalom" completa. Somente Deus tem poder para isso.

Depois, Jesus explicou que a paz d´Ele é diferente da paz humana. A paz que vem dos seres humanos é apenas a ausência de guerra - uma trégua entre um conflito e outro. 

Na verdade, a mundo nunca teve paz completa, pois mesmo quando não há guerras maiores, aquelas entre grandes potências, sempre há conflitos regionais onde essas mesmas potências se enfrentam em busca de conquistas estratégicas - é isso que temos hoje no Afeganistão, Iraque, Síria, Palestina e outros mais.

Não podemos esquecer também as guerras econômicas, onde os países mais fortes subjugam os mais fracos através de controles financeiros, batalhas comerciais, etc. Somos também envolvidos em guerras políticos - o Brasil vive um momento onde os ânimos estão muito exaltados, com divisões profundas entre aqueles(as) que defendem ou são contra o atual governo. E assim por diante.

Em resumo, o mundo nunca tem paz de fato, apenas momentos maiores ou menores de trégua, de ausência de hostilidade aberta. Mas a paz de Deus, conforme Jesus disse,  é diferente: faz-se presente até mesmo em meio aos conflitos. 

Isso porque a paz de Deus está dentro das pessoas. Reside no seu interior. Tem a ver com suas crenças e valores pessoais e isso não é afetado pelas circunstâncias que vivem. Por exemplo, se elas têm fé (confiança) em Deus, acreditam que Ele cuida e vela por suas vidas, não vão se amedrontar nos momentos difíceis. Não vão desanimar nos momentos de dificuldade.

A paz de Deus não é dada da mesma forma como o mundo gera sua paz. A sociedade chega à paz conseguindo reunir as circunstâncias adequadas - por exemplo, a harmonização dos interesses básicos das potências. 

Trata-se de uma construção externa, de conseguir lidar adequadamente com as circunstâncias. Já a paz de Deus vem através da transformação interior das pessoas. Através da mudança da sua forma de ser e se comportar. Portanto, não depende das circunstâncias. A paz de Deus se faz presente apesar das circunstâncias. Foi isso que Jesus quis ensinar na declaração citada acima.

E Ele falou isso num momento em que preparava seus discípulos para o que haveria de vir - sua crucificação e um período de grande instabilidade política. Jesus estava lhes pedindo para não ficarem amedrontados com seu sofrimento e morte. Para não se deixar impressionar. Para aceitar sua paz e se sentir tranquilos, seguros e motivados para seguir em frente.

Acho que você não tem dúvida que precisa dessa paz na sua vida, assim como eu. Somente ela pode nos fazer viver de forma plena. E aí cabe uma pergunta: como alcançar essa paz?

O texto de João deu a resposta no versículo 26, imediatamente anterior àquele onde Jesus falou sobre a paz: Ele disse que isso é papel do Espírito Santo. Quando Ele se faz presente, a pessoa consegue mudar sua forma de ser, a ponto de conquistar e manter dentro de si a paz que só Jesus pode dar.

Com carinho

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A TRISTE HISTÓRIA DE DINÁ

A opressão da mulher é uma chaga social presente no mundo há milhares de anos. Somente nas últimas décadas é que as sociedades dos países considerados desenvolvidos ficaram mais conscientes desse problema e tomaram medidas para acabar com esse problema. No Brasil, estamos no meio do caminho - muitas conquistas já foram feitas (medidas para fazer valer a igualdade dos direitos, Lei Maria da Penha, etc), mas ainda há muito por fazer. 

Infelizmente, um dos maiores focos de discriminação das mulheres é a própria família - velhos hábitos demoram a morrer... Para exemplificar o que acabei de dizer, basta pensar num típico almoço de domingo na casa de uma família brasileira. A família está toda reunida em torno da mesa. Pergunto: quem está na cozinha nesse momento? E depois, quem vai lavar a louça? Acredito que todos saibam a resposta: na esmagadora maioria dos casos, serão as mulheres. Os homens ficarão batendo papo, comendo e vendo televisão.

Uma dos mais importantes aspectos da opressão da mulher dentro da própria família é a usurpação do direito dela a ter voz própria. E há um exemplo muito triste na Bíblia que demonstra bem como isso é feito:

A história de Diná (Gênesis capítulo 34 versículos 1 a 29)
Diná, filha de Jacó, saiu de casa sozinha para ver as "filhas da terra” - possivelmente outras moças da região onde morava. Foi um comportamento estranho, naquela época, pois as mulheres virgens nunca saiam de casa sozinhas.

Diná foi vista por Siquem, um príncipe da cidade de mesmo nome, e ele aparentemente usou de força para ter relações sexuais com a jovem – a Bíblia usa a palavra "humilhar" para se referir ao que ele fez com Diná. Mas depois do ato, Síquem tomou-se de amores pela moça e pediu ao seu pai, Hamor, que a conseguisse em casamento. 

Hamor foi até Jacó e prometeu um dote pela moça e ofereceu aliança entre seu povo e o clã de Jacó. Durante essa negociação, Diná foi mantida na casa de Hamor (versículo 26).

Simeão e Levi, irmãos de Diná, responderam que somente poderiam consentir no casamento se Siquem e todos os demais homens da sua cidade fossem circuncidados. Hamor concordou e assim foi feito. Aproveitando-se do período de convalescença dos habitantes de Siquem, após a dolorosa cirurgia, Simeão e Levi mataram a todos e pilharam seus bens. 

Levaram, também, Diná de volta para casa de Jacó, onde terminou seus dias, de forma melancólica - não sendo mais virgem, não podia se casar com outro homem e quem queria se casar com ela, Siquem, tinha sido morto.

A interpretação tradicional dessa história apela para a sociologia dos clãs.  A cultura daquela época se baseava no princípio da força - quem podia mais, chorava menos. Então, para ter alguma segurança, as pessoas passaram a se organizar em clãs. Dentro de um clã, todos os homens eram obrigados a defender e vingar as afrontas sofridas por qualquer membro do grupo. E fazendo parte dum grupo as pessoas se sentiam mais protegidas.

Atacar uma pessoa significava provocar a ira de todo seu clã. Assim, a chave de tudo era a capacidade do clã de reagir às ofensas e quem não fazia isso demonstrava fraqueza, tendo sua existência ameaçada. Logo, quando um clã tomava vingança por uma afronta, o objetivo não era somente punir a ofensa em si, mas também demonstrar força.

E a violência contra as mulheres - como o estupro de uma virgem - era uma ofensa particularmente grave. É nesse contexto que a história acima precisa ser considerada – a reação exagerada de Simeão e Levi teria servido como demonstração que o clã de Jacó não estava indefeso.

Agora, essa história admite uma leitura completamente diferente: um caso de amor proibido. Teria havido aí a tentativa do casal Diná e Siquem de “forçar a barra para conseguir o consentimento da família da moça para seu casamento. E essa versão explica muito melhor os fatos ocrridos.

Primeiro, a saída de Diná para ver as “filhas da terra”. Isso foi um ato de enorme imprudência e só faz sentido se Diná tinha um objetivo em mente que não contou para ninguém - encontrar-se com Siquem e dar início ao processo que levaria ao seu casamento. 

Depois, nenhuma das palavras usadas no texto da Bíblia pode ser traduzida exatamente como “estupro”: a palavra “humilhar” refere-se a qualquer relação sexual ilícita, como a que houve entre os jovens, pois eles não eram casados. 

O amor repentino de Siquem não teria feito sentido depois de um estupro, mas tem tudo a ver com a versão de um amor proibido. Na verdade, Siquem já amava Diná em segredo e depois que a relação dos dois se tornou pública, ele declarou seus sentimentos e implorou ao pai que conseguisse a mão da moça em casamento. 

O fato da moça ter sido mantida na casa de Siquem durante as negociações entre as famílias também fala muito a favor da hipótese de um amor proibido.

A opressão da mulher
Existe um importante aspecto a ser considerado, ao qual os analistas não costumam dar muita importância: a voz da própria Diná nunca foi ouvida. Em momento nenhum os irmãos a consultaram para saber qual seria sua vontade, muito menos pensaram de fato no que seria melhor para ela. 

Pelo contrário, quando mataram Siquem, eles tiraram dela qualquer possibilidade de reconstruir sua vida e a condenaram a viver como morta-viva na casa paterna. Tanto foi assim, que Deus condenou a atitude dos irmãos de Diná e os puniu com a perda do direito de primogenitura  (Gênesis capítulo 49, versículos 5 a 7). O maior mal foi causado a Diná pela sua própria família.

É claro que a sociedade da Bíblia era muito mais machista do que a sociedade brasileira atual. Mas o mesmo tipo de opressão feita a Diná continua a ocorrer, não pelas mesmas razões e certamente não da mesma forma. 

O pior é que muitas vezes a própria Bíblia é usada como "instrumento" desse processo - são comuns leituras distorcidas do texto bíblico que mostram a mulher como menos capaz intelectualmente ou mesmo mais fraca diante da tentação (por exemplo, quando se afirma que Eva teria levado Adão a pecar). 

Uma estratégia sutil, mas não menos cruel, muito usada atualmente é alegar que decisão sendo tomada, contrária à vontade da própria mulher, é para seu "bem". Alguns exemplos de justificativas que já em diferentes momentos da minha vida foram: o marido tem mais experiência do que a esposa para decidir e ele é o "cabeça do casal"; ou o pai deve resolver tudo para que a filha não precise esquentar a cabeça; ou ainda a mãe viúva precisa ser tutelada pelos filhos para ser defendida dos perigos do mundo.  

O pior é que muitas vezes as mulheres são as primeiras a dar apoio ao processo que as vitimiza - porque se sentem inferiores (talvez por terem menos estudo) ou mesmo porque foram educadas assim (paradoxalmente, por outras mulheres). 

Nós, cristãos(ãs), precisamos aprender a reconhecer essas situações e aprender a dizer não para elas. Lutar para que todas as pessoas, homens e mulheres, sejam tratadas da mesma forma e tenha seus seus direitos igualmente reconhecidos tanto na sociedade em geral, como na igreja e também na família. Afinal, perante Deus, todas as pessoas são consideradas iguais.

Com carinho

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

MAS NÃO É BEM ISSO QUE A BÍBLIA DIZ ...

Slogans são frases curtas que resumem uma mensagem importante  que precisa ser bem fixada pelas pessoas. E slogans são armas muito poderosas.

Lembro-me do slogan "Brasil grande", usado para divulgar os "sucessos" do Governo militar brasileiro. E ninguém esquece de slogans famosos usados na propaganda de alguns produtos, como "Coca Cola tem sabor de festa".

Slogans cristãos, martelados constantemente na cabeça daqueles(as) que frequentam as igrejas, também são bastante comuns. Mas há um problema com alguns deles: não são verdadeiros pois partem de leitura errada da Bíblia. 

E slogans cristãos errados podem causar grande estrago na vida das pessoas e precisam ser combatidos. E vou tratar aqui de um deles.

O famoso slogan "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" é muito repetido e se baseia no texto de Romanos capítulo 8, versículo 28, que é o terceiro versículo mais popular da Bíblia (veja mais). Esse slogan é tão famoso por ser entendido como uma promessa de Deus referente à proteção dos cristãos(ãs) - eles(as) não vão ser atingidos(as) pelo mal. 

Aí as pessoas ficam sabendo que o filho querido de um pastor morreu atropelado ou que toda uma igreja metodista foi destruída, durante um culto, por causa de uma enxurrada ocorrida na serra fluminense. Como explicar essas desgraças acontecidas com cristãos(ãs) sinceros(as)?

E sem conseguir encontrar uma explicação viável para a contradição entre a promessa de proteção e os fatos, muitas pessoas acabam desapontadas com Deus e fraquejam na sua fé. E isso é uma pena. 

Essa situação é equivalente àquela em que a pessoa acredita que Coca Cola tem mesmo "gosto de festa". E compra e bebe o conteúdo de uma lata e se desaponta com o que experimentou. O problema aí não está no refrigerante e sim na crença original, no slogan em si. 

No caso estou discutindo aqui, o problema decorre do fato que Deus não fez uma promessa de proteger os(as) cristãos(ãs) conforme muita gente acredita. Essa conclusão errada parte de uma interpretação equivocada do que significa a palavra "bem" no texto de Romanos citado acima. 

Lançada sem maior explicação, as pessoas costumam entender a palavra "bem" como coisas boas: saúde, paz, prosperidade, etc. E se tudo contribui para trazer coisas boas para os(as) cristãos(ãs), eles(as) estão protegidos(as) do mal. 

Mas não foi isso que Paulo quis dizer. Afinal, ele sabia que a vida é cheia de tragédias que acontecem com todos(as), inclusive os(as) cristãos(ãs). E a própria vida de Paulo prova isso - ele foi preso diversas vezes, torturado, passou necessidades, naufragou e assim por diante -, conforme confessou em diversas de suas cartas. 

Portanto, Paulo falou de outro tipo de "bem". E o versículo seguinte do mesmo texto de Romanos (capítulo 28, versículo 29), demonstra isso perfeitamente: 
"... também os predestinou para serem conformes a imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos".
A definição correta de "bem" aqui é estar cada vez mais de acordo com o exemplo de vida dado por Jesus - esse é o significado de ter a mesma imagem que Ele. Significa passar por um processo de mudança interior que Paulo chama de santificação.

Coisas ruins acontecem na vida dos(as) cristãos(ãs), e não há como negar isso, mas Deus trabalha para transformar essas experiências negativas em avanços na vida espiritual das pessoas - Ele "transforma o limão numa limonada". 

Concluindo, o ensinamento de Paulo é que tudo, até o sofrimento e a injustiça, gera ensinamentos para levar os(as) cristãos(ãs) para mais perto de Cristo. E isso é um "bem". O que não significa ser o sofrimento uma coisa boa e agradável - afinal, pensar assim seria brigar contra os fatos.

Agora, um slogan que refletisse essa verdade nunca seria tão atrativo como aquele que promete proteção de Deus. E por isso a forma "açucarada" do slogan é preferida e sempre repetida. E a decepção que causa, infelizmente, também se repete.

Com carinho   

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

QUANDO A PROGRAMAÇÃO DE TELEVISÃO TEM MÁ QUALIDADE...

Recentemente ocorreu um fato interessante com a TV Globo, a mais poderosa rede de televisão em nosso país. Uma novela das nove - Babilônia - foi rejeitada pelo público porque seu enredo era absolutamente imoral. 

Ora, programas de má qualidade são comuns no meio televisivo. São comuns programas que de alguma forma ensinam as pessoas o que há de pior - uso de drogas, promiscuidade, traições de todo tipo, desonestidade, etc. E normalmente os personagens que deveriam apresentar algum princípio moral, como as pessoas religiosas, são retratadas como hipócritas ou como chatas e intolerantes. 

Tudo isso é bastante comum. Agora, o que aconteceu com a TV Globo não foi. As pessoas rejeitaram a novela Babilônia e reagiram mudando de canal, indo atrás de outro programa. A alternativa encontrada foi a novela Dez Mandamentos da Rede Record, baseada numa história bíblica. 

Essa outra novela, mesmo tendo qualidade artística inferior, acabou por ganhar enorme audiência. E a Globo teve que mudar o enredo da novela Babilônia, para torná-la mais ao gosto do seu público, e como não teve sucesso, encurtou a duração da novela, tendo enorme prejuízo.

Esse fato comprovou uma coisa muito importante: quem tem poder de fato é o público. É ele quem manda de fato na programação das redes de televisão - afinal, sem audiência, não há anunciantes, e sem anunciantes, falta dinheiro para financiar a programação. Simples assim.

Essa experiência mostra que o público pode e deve demonstrar sua insatisfação com a má qualidade da programação de forma simples e efetiva, mudando de canal. E isso é muito mais efetivo do que a outra alternativa que costuma ser aventada para melhorar a qualidade das programações da televisão, isto é o controle através da censura. Muitas pessoas pensam que programas ruins deveriam ser simplesmente proibidos de aparecer ou serem relegados para horários muito tardios (de madrugada).

O problema com estabelecer censura é que é preciso dar poderes ao governo ou a outra organização qualquer para escolher o que pode ou não ser veiculado. E isso gera mais problemas do que aqueles que evita: incentiva a burocracia governamental, dá poder excessivo aos(às) censores(as), cria um mercado ilegal para os programas proibidos, etc. 

Censura não é a solução. Mudar de canal é a resposta para quem luta por programações de melhor qualidade, que não sejam fontes de informação e incentivo à prática de um monte de coisas imorais que contrariam a vontade de Deus. 

Retirar a audiência dos programas ruins acaba por matá-los, cortando o oxigênio que os alimenta e os mantem vivos. E as igrejas cristãs podem ter um papel importante nesse processo, inclusive liderando boicotes contra programas especialmente ruins, como aconteceu com a novela Babilônia. 

As igrejas podem e devem dar alertas contra programas ruins, esclarecendo as pessoas quanto aos erros morais neles difundidos. Podem também indicar programas alternativos que sejam agradáveis e tenham melhor qualidade. 

Agora, essas ações não devem nunca envolver proibições ou ameaças contras as pessoas - por exemplo, dizer que quem vier a assistir tal ou qual programa vai desagradar a Deus e/ou acabar indo para o inferno, como já vi algumas igrejas fazerem. Isso seria corrigir um erro fazendo outro maior ainda. 

Eu defendo aqui um processo de esclarecimento das pessoas para que aprendam a fazer as escolhas certas, sem deixar de exercer seu direito à escolha. É isso que a Bíblia nos orienta a fazer.

Com carinho 

sábado, 17 de outubro de 2015

O QUE BUSCAR NUMA IGREJA

Muitas pessoas me perguntam sobre que igreja deveriam frequentar, quais denominações cristãs seriam boas ou ruins e essas são perguntas importantes. Mas ao invés de fazer uma lista nominal de denominações cristãs "aprovadas", prefiro responder dando às pessoas instrumentos para que possam refletir e avaliar, por si mesmas, que igrejas seriam mais adequadas. 

Em outras palavras, procuro explicar para elas o que deveriam procurar encontrar numa igreja cristã, antes de escolher frequentá-la. E aí vai um resumo dessas reflexões: 

Local de liberdade 
A igreja deve ser um ambiente de liberdade. Ali a pessoa deve poder ser autêntica - mostrar quem verdadeiramente é, inclusive suas dificuldades e dúvidas. A pessoa não pode nunca se sentir constrangida pela comunidade que frequenta. 

Até porque, a igreja que julga pessoas – separando “bons(as)” dos(as) “maus(ás)” - não segue o Evangelho de Jesus. Simples assim. 

A igreja precisa saber que as mudanças para melhor na vida de qualquer pessoa precisam vir de dentro e não serem impostas de fora. 

Tratamento do dinheiro 
As pessoas devem fugir das igrejas que não são transparentes sobre sua vida financeira: não contam o quanto arrecadam e, principalmente, onde gastam o dinheiro recebido. Igrejas onde os pastores mostram sinais de uma prosperidade muito maior do que a média dos(as) seus(uas) frequentadores(as). 

É claro que as igrejas precisam de dinheiro para se manter, mas arrecadar não pode se transformar numa obsessão, na sua razão de ser. As igrejas nunca podem ser tratadas como negócios.

As pessoas também devem fugir das igrejas que tentam desafiar os(as) frequentadores(as) a assumir compromissos financeiros para ter acesso às bençãos de Deus, como se fosse uma troca. Pode ter certeza que Deus não faz qualquer tipo de barganha e sua Graça não tem, nem pode ter, preço - a Bíblia é bem clara a esse respeito. 

Casa de oração
Oração deve ser o alimento básico de qualquer comunidade cristã. Como bem diz um bispo da minha igreja: “oração deve estar sempre na ordem do dia”. Portanto, a pessoa deve procurar saber como é o hábito de oração da igreja que pretende frequentar.

Uma igreja saudável é uma casa de oração, como Jesus ensinou. Todos(as) na comunidade devem ser sempre incentivados(as) a orar de todo coração. E quem não sabe orar deve aprender a fazer isso ali.  

Mudança de vida
A igreja precisa pregar o Evangelho de Jesus e ajudar as pessoas a encontrar um sentido maior para suas vidas, isto é fazê-las entender o que é seguir Cristo de fato. A comunidade precisa ensinar as pessoas a colocar seus egos e vaidades de lado e servir à causa do Reino de Deus, da forma como puderem.

Em outras palavras, a igreja precisa ser um local onde as pessoas, indistintamente, se unam para “pegar no arado e preparar o terreno” para o Reino de Deus. Nenhum trabalho deve e pode ser considerado pequeno ou humilde demais, pois todas as atividades têm valor aos olhos de Deus. Finalmente, as lideranças da igreja, especialmente seus(uas) pastores(as), não podem ter privilégios e devem ser os(as) que mais trabalham.

Afinal, é esse exemplo de humildade e dedicação que frutifica no coração das pessoas e as faz deixar seu “eu” e suas necessidades pessoais de lado e se dedicar à causa de Deus, crescendo espiritualmente.  

Espaço para trabalhar na obra de Deus
Todos têm dons espirituais que podem ser utilizados no crescimento da obra de Deus. Pode ser, como no meu caso, o ensino e a divulgação da Palavra de Deus. Em outros casos, pode ser o louvor (cantar e/ou tocar um instrumento), a evangelização ou o cuidado com quem sofre. Há muitos dons espirituais porque a obra de Deus tem muitas necessidades.

E é o trabalho efetivo na obra de Deus que demonstram às pessoas os próprios dons. Sendo assim, a igreja precisa abrir espaços para que as pessoas possam trabalhar na obra. Uma igreja saudável nunca deve ficar fechada num grupo de “eleitos(as)”, a quem cabe fazer tudo. A igreja não pode ter “donos(as)”, além de Jesus Cristo.

Agora, a igreja precisa ajudar as pessoas a se prepararem para poder trabalhar na obra - por exemplo, para ensinar a Palavra de Deus, a pessoa precisará antes conhecê-la bem. Uma igreja séria não joga as pessoas no campo de batalha sem lhes dar apoio e instrumentos de trabalho adequados - infelizmente, muitas fazem isso justificando-se que a obra é do Espírito Santo e cabe a Ele preparar as pessoas.

Humildade
Finalmente, a pessoa deve fugir da igreja que não seja humilde, ou seja aquela que sempre se preocupa em tentar provar ser dona da verdade. A igreja que acredita na tese que só será salvo(a) quem a frequentar. 

Ora, ninguém tem o monopólio de Jesus Cristo. E um deus que pudesse ser totalmente compreendido e abarcado por uma única igreja ou denominação cristã, nunca poderia ser onipresente e infinito, como o nosso. Seria um deus menor. Nosso Deus é muito, mas muito maior, e não cabe dentro de nenhuma instituição estabelecida e gerenciada por seres humanos.

Portanto, humildade é um requisito fundamental para uma igreja que pretenda realmente seguir a Cristo.

Palavras finais
Ser um local libertador, transparente no tratamento do dinheiro e uma casa de oração. Pregar a Palavra de Deus e incentivar mudança positiva na vida das pessoas. Dar-lhes espaço para trabalhar na obra de Deus. E, finalmente, ser humilde. Aí estão os principais requisitos para uma igreja boa e saudável.

Nenhuma igreja atenderá todos esses requisitos igualmente bem - mesmo as melhores, serão boas em algumas coisas e não tão boas em outras. Afinal, as instituições humanas nunca são perfeitas. É preciso, portanto, ter tolerância ao analisar as igrejas que podem ser frequentadas.

E essa lista serve como um guia que pode ajudar você a fazer a escolha certa. Que Deus lhe guie quando precisar desenvolver essa tarefa.

Com carinho

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

CUIDADO COM O JOGO DOS "SES"

Muitas pessoas vivem dentro de um eterno jogo dos "ses”, que lhes causa muito mal:   
  • O “se” voltado para o passado: “se tal coisa não tivesse acontecido comigo ou se eu tivesse agido de outra forma minha situação hoje seria melhor”. Esse tipo de percepção pode causar frustração, rancor, tristeza e até depressão. 
  • O “se” voltado para o futuro: “se tal coisa acontecer preciso agir de tal e qual forma para evitar ter problemas”. Nesse caso, as consequências podem ser insegurança, ansiedade e medo.
Pessoas que vivem presas no passado sofrem por aquilo que já passou e não pode ser mudado – a única coisa que ainda pode ser alterada é a percepção da pessoa sobre o que aconteceu no seu passado. 

Já pessoas excessivamente preocupadas com o futuro tentam desesperadamente controlar as variáveis da sua vida para garantir, por exemplo, segurança e estabilidade. Mas essa é uma luta interminável pois as circunstâncias que influenciam sua vida mudam a partir de forças que não estão debaixo do seu controle (crises, doenças, desastres naturais, etc).

Agora, há dois ensinamentos importantes a tirar dessa reflexão sobre o jogo dos "ses". E o primeiro é aprender a viver mais no presente e menos no passado ou no futuro. A realidade é o presente, o momento que você vive e precisa ser bem aproveitado. Jesus falou sobre isso, num ensinamento sobre a ansiedade, quando afirmou: “basta a cada dia o seu mal...” (Mateus capítulo 6, versículo 34).

O segundo ensinamento a ser tirado é concentrar nossa mente numa uma terceira alternativa, um outro tipo de "se", muito melhor. E o episódio da ressurreição de Lázaro demonstra bem que alternativa é essa - fala de outra forma de jogar o jogo dos "ses". 

Jesus chegou à casa de Lázaro  cerca de 4 dias depois da morte dele. Marta, irmã do falecido, recebeu Jesus com um “se” voltado para o passado: afirmou que se Jesus tivesse chegado antes, Lázaro não teria morrido (João capítulo 11, versículo 21). Agora, Jesus lidou com a situação de forma totalmente inesperada e disse para Marta (João capítulo 11, versículo 40): se você tiver fé, verá Deus agir. E ressuscitou Lázaro. 

O terceiro tipo “se”, ao qual me refiro aqui, leva o ser humano a focar sua atenção em Deus e não em si mesmo e nas suas circunstâncias de vida, que determinaram seu passado e indicam qual será seu futuro. Esse outro "se" leva a pessoa a depositar sua confiança em Deus. Assim, ela não congela sua vida num passado problemático nem fica ansiosa pela tentativa inútil de controlar um futuro que teima em não se deixar domesticar. 

É claro que essa terceira via não é fácil: confiar e descansar em Deus vai contra nossa natureza. Queremos agir, ser protagonistas e não ficar aguardando. Mas um esforço consciente nessa direção pode trazer grandes resultados. 

Pode fazer você aprender a viver melhor o dia de hoje. Passar a se preocupar apenas com "o pão nosso de cada dia", como está na oração do Pai Nosso. Fazendo sim a sua parte, mas confiando que Deus cuida e vai continuar a cuidar de você. 

Com carinho

terça-feira, 13 de outubro de 2015

PERDÃO NÃO É RECONCILIAÇÃO

Perdão é um tema que sempre gera dúvidas e ansiedades. Por um lado, trata-se de ordenança - é coisa tão séria que o perdão de Deus vem na mesma medida em que a pessoa conseguir perdoar seu próximo, como está na oração do Pai Nosso: "...e perdoa-nos as nossas dívidas assim como temos perdoado aos nossos devedores..." (Mateus capítulo 6, versículo 12).

Mas não vou discutir aqui sobre a necessidade de  perdoar - já fiz isso em outro post que você pode consultar (aqui). A discussão hoje é sobre reconciliação, como consequência do perdão. 

E começo definindo reconciliação: é a recomposição do relacionamento, trazendo-o de volta às bases anteriores, isto é voltar ao que era antes apesar do acontecido.  Agora, será que também há mandamento para haver reconciliação com quem ofendeu e/ou fez mal, como o que existe mandando perdoar

Por exemplo, uma mulher que foi agredida pelo marido é obrigada a voltar a viver com ele como se nada tivesse acontecido? Ou ainda, um pai que foi roubado pelo filho dependente de drogas deve continuar a mantê-lo dentro da sua casa? Em outras palavras, o cristão(ã) é obrigado(a) a retomar o relacionamento nas mesmas bases anteriores, mesmo correndo o risco de passar pelos mesmos problemas? 

Perdão é diferente de reconciliação
Essa questão gera muita insegurança e pode ter certeza que a confusão entre perdão e reconciliação é uma das principais razões para a dificuldade das pessoas em perdoar. Muitas acham que, se perdoarem, serão também obrigadas a se reconciliar e não desejam isso de forma nenhuma.

Repito o que disse antes: perdão e reconciliação são coisas diferentes e o primeiro não implica obrigatoriamente no segundo. Deve haver perdão - há um mandamento para isso - mas a reconciliação não é uma obrigação. Simples assim. 

E a Bíblia está cheia de situações em que houve perdão mas não reconciliação. Por exemplo, quando estava morrendo, Jesus pediu a Deus que perdoasse seus algozes porque não sabiam o que faziam (Lucas capítulo 23, versículo 34). Ele perdoou mas não fez qualquer tentativa de se reconciliar com os soldados romanos que o martirizavam.

A grande diferença que existe entre perdão e reconciliação é que o primeiro deve ser unilateral. Isto é, a pessoa deve perdoar sem levar em conta o que pensa seu(ua) ofensor(a). Pode até ser que quem ofendeu não tenha se arrependido do que fez, mas ainda assim o perdão precisa acontecer. Até porque o perdão beneficia quem perdoa pois dos ombros dessa pessoa uma carga de rancor e amargura que pode acabar por corroê-la por dentro.

Mas a reconciliação depende em muito do que faz e pensa aquela pessoa que ofendeu ou causou mal. Trata-se de um processo bilateral

As condições para reconciliação
Para que haja reconciliação, é preciso que quem ofendeu se arrependa sinceramente, reconheça o mal que causou e peça perdão. Sem isso, não há qualquer chance de recuperar o estrago feito.

Mas mesmo isso não pode não ser suficiente. A viabilidade da reconciliação depende também da natureza do estrago gerado pois, em muitas casos, deixa de ser possível voltar à situação anterior. 

Imagine uma mulher que, num ataque de ciúmes, mata um filho do primeiro casamento do homem que ama. O pai enlutado pode até perdoar, mas não será possível recompor sua relação com a assassina. A reconciliação nesse caso é impossível.

Uma mulher que tenha sido agredida pelo marido a ponto de guardar marcas físicas e emocionais permanentes, não vai ter como se reconciliar com seu agressor. Simplesmente não conseguirá mais confiar nele e viver de forma despreocupada em sua companhia. Um homem que passou pela traição da mulher que ama talvez não consiga mais retomar seu casamento. E assim por diante.

Lembro que não há na Bíblia qualquer mandamento em relação à reconciliação e nem poderia haver, considerando que isso pode não ser viável, conforme os exemplos que acabei de dar demonstram. É claro que quando possível, é preciso tentar promover a reconciliação, pois preservar relacionamentos é importante. Mas há fatores que podem impedir que a reconciliação ocorra. 

Concluindo, não hesite em perdoar - trata-se de mandamento de Deus. E essa é uma atitude boa para sua saúde espiritual e emocional. Agora, não deixe de perdoar por receio de ter obrigação de se reconciliar - uma coisa não obriga a outra. Você não é obrigado a retomar um relacionamento de amor ou de amizade que seja falido, doente e prejudicial para sua vida. Deus não pede isso de você.

Com carinho