domingo, 30 de agosto de 2015

O POUCO QUE VIRA MUITO

"Então Jesus disse: ... dai-lhes vós mesmos de comer. Mas eles [os discípulos} responderam: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. Então Jesus disse: Trazei-mos ... E tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou ... Todos comeram e se fartaram ... E os que comeram foram cinco mil homens, além de mulheres e crianças."                                        Mateus capítulo 14, versículos 13 a 21
Uma tia minha, no final da sua vida, passou a fazer dezenas de assinaturas do "Cenáculo", revista cristã trimestral , contendo pensamentos diários, e a enviar os exemplares para uma lista de pessoas. E ela personalizava cada exemplar - por exemplo, se meu aniversário caísse no trimestre em questão, ela colocava uma pequena mensagem no dia certo, dando-me os parabéns. 

Foi isso que ela encontrou para fazer na obra de Deus, considerando suas limitadas condições físicas. E são muitos os testemunhos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pelas revistas por ela enviadas. 

Distribuir o "Cenáculo" foi uma iniciativa simples que gerou resultados muito importantes na obra de Deus. E essa iniciativa da minha tia serve como exemplo para cada um(a) de nós. Todos - independentemente da idade, condição social, situação física, etc - têm condição de fazer algo pela obra de Deus. Basta querer.

Jesus ensinou essa mesma lição quando realizou o milagre da multiplicação dos pais e peixes, relatado no texto que dá início a este post. Repare que antes de fazer o milagre Jesus perguntou aos discípulos o que eles tinham de alimentos. E multiplicou-os, ou seja operou a partir daquela realidade limitada e atingiu um resultado espetacular.

Em outras palavras, Deus parte daquilo que já temos para produzir resultados surpreendentes. Ele multiplica o que existe. Foi isso que Ele fez com a minha tia e assim também poderá fazer com você ou comigo.

Portanto, as únicas coisas necessárias para fazer diferença na obra de Deus são: 1) tomar a decisão de trabalhar nela e 2) ter compromisso com a decisão tomada. Só isso. 

Não é necessário ter talentos especiais, muito tempo, grandes recursos financeiros ou qualquer outra coisa assim. Basta querer e perseverar. 

Garanto para você que não há realização maior do que trabalhar na obra de Deus. De produzir resultados que levem pessoas a aceitar Jesus ou minorem o sofrimento daqueles que passam por dificuldades. E posso afirmar isso por experiência própria.

Com carinho

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

VENDO SATANÁS EM TODO LUGAR ...

Infelizmente, muitas igrejas evangélicas estão sofrendo os efeitos de uma verdadeira "epidemia" de diagnósticos atribuindo quase todos os problemas das pessoas à ação satânica. 

É claro que há situações onde é possível perceber o "dedo" do Diabo mas, na esmagadora maioria dos casos, os problemas das pessoas nada têm nada ver com isso - foram gerados pelas fraquezas e limitações delas mesmas. 

Um exemplo comum do que acabei de falar é atribuir à ação de Satanás de toda e qualquer doença. É claro que Satanás tem poder para causar doenças (por exemplo, veja Jó capítulo 2), mas isso não quer dizer que toda e qualquer doença seja trabalho dele. 

Doenças são parte da nossa vida e na maioria dos casos não têm qualquer componente espiritual. Caso contrário, os(as) verdadeiros(as) cristãos(ãs) nunca morreriam.

Outro exemplo interessante foi tirado de um curso sobre libertação (procedimentos para livrar as pessoas da ação demoníaca), ao qual assisti tempos atrás. Em dado momento, o pastor que dirigia o curso simulou o diálogo entre um evangelista e uma pessoa não convertida que estava rejeitando o Evangelho - essa simulação pretendia discutir o que deveria ser feito nesse tipo de situação. E o pastor afirmou que diria o seguinte para a tal pessoa: "espírito da incredulidade, sai dessa pessoa".

Ora, isso não é bíblico: Jesus e os apóstolos encontraram, durante seus ministérios, muitas pessoas que não aceitaram sua pregação e nenhum deles atribuiu a incredulidade dessas pessoas a espíritos demoníacos. 

Por que então devemos fazer isso hoje em dia? Não devemos esquecer que Deus deu o livre arbítrio para as pessoas e elas podem fazer as escolhas que desejarem, inclusive rejeitar Jesus Cristo. E se vimos ação demoníaca na recusa de uma pessoa, certamente iremos desenvolver uma ação evangelística desconectada da orientação bíblica.

Outro exemplo, muito mais sério, aconteceu com uma querida amiga, moça solteira, que foi receber ministração de um obreiro em determinada igreja. E esse homem revelou-lhe uma palavra que disse ter "recebido" de Deus para ela: a razão para ela continuar solteira seria a ação de Satanás fruto dela manter hábitos considerados pecaminosos.

Essa palavra desastrada teve um efeito muito ruim sobre minha amiga - trouxe-lhe grande sofrimento espiritual. E eu pergunto: onde na Bíblia esse obreiro desastrado encontrou respaldo para fazer tal tipo de afirmação? Onde leu que o pecado pode impedir que as pessoas se casem? 

não estou nem discutindo aqui se o obreiro estava certo na sua análise de atribuir pecado às atitudes da minha amiga (desconfio que não). A verdade é que, se os(as) pecadores fossem punidos opor Deus com o celibato, ninguém se casaria, nem mesmo os líderes religiosos que pensam assim, pois todo mundo peca, sem exceção. 

Portanto, tenha muito cuidado quando alguém lançar sobre você um diagnóstico atribuindo à ação de Satanás os problemas da sua vida. Antes de tudo, veja se a Bíblia dá suporte para tal afirmação e se não há respostas muito mais simples e naturais para as questões pelas quais você está passando.

Se ficar em dúvida, peça a Deus confirmação desse diagnóstico mas vindo de outra pessoa que nada tenha a ver com quem fez a afirmação original. Se a primeira revelação foi mesmo de Deus, ela será confirmada. E se não for confirmada, desconheça o que lhe foi falado. 

Concluindo, fuja das pessoas - sejam elas pastores(as) ou obreiros(as) - que aficam atribuindo a Satanás todos os problemas da vida pois isso não é saudável. Simples assim.

Com carinho

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O MUNDO FOI CRIADO EM SETE DIAS?

O relato da criação do mundo contido no capítulo 1 do Gênesis fala que o universo foi feito em 7 dias. E isso sempre gerou muitas dúvidas. Será que os "dias" citados na Bíblia são mesmo períodos de 24 horas? E como reconciliar esse relato com as descobertas recentes da ciência que apontam para uma idade do universo de alguns bilhões de anos? Será que o relato bíblico está errado? São essas as dúvidas que vou procurar esclarecer a seguir:

A teoria da terra "jovem"
Aqueles que fazem uma leitura literal do texto do Gênesis defendem que Deus usou mesmo um período de 7 dias de 24 horas para criar o universo. Essa doutrina é apelidada de "teoria da terra jovem" pois esse entendimento leva forçosamente à conclusão que a terra tem cerca de 10 mil anos apenas de idade, ou seja é bem "jovem". 

Ora, tal teoria não pode ser reconciliada com o entendimento da ciência, que defende uma idade de cerca de 4 bilhões de anos para nosso planeta - esse cálculo é feito a partir de diversos tipos de estudos, como os que estudam a idade das rochas (análises geológicas). E "brigar" contra fatos científicos bem comprovados é muito ruim.

Os(as) que defendem a "teoria da terra jovem" fazem diversos "contorcionismos" para justificar a divergência da sua abordagem com os estudos científicos - por exemplo, alegam que os instrumentos de medição existentes não conseguem fazer avaliações corretas da idade da terra. 

Mas acho sua posição muito frágil e assim é preciso encontrar outra explicação. Afinal, sabemos que a Bíblia não tem erro e deve haver uma explicação convincente.

"Dias" como períodos de tempo indefinidos
Não há qualquer necessidade de defender sete dias normais para aceitar o texto de Gênesis - há outra interpretação possível e muito melhor. 

A palavra no texto original que quer dizer "dia" ("yom" em hebraico) pode significar tanto 24 horas como também um período de tempo qualquer - ela é usada dessa segunda forma em Oseias capítulo 6, versículo 2. 

E o texto bíblico contem pelo menos quatro indícios claros de que não está se referindo a períodos de 24 horas no relato da criação do universo. 

Em primeiro lugar, o sol é criado apenas no terceiro "dia" (versículos 14 a 19). Portanto, não faria sentido considerar os dois primeiros períodos de tempo descritos como dias comuns, referenciados ao nascer ou ao por do sol. 

Os defensores da "terra jovem" tentam argumentar que poderiam ter sido períodos de tempo com duração de 24 horas mesmo sem ainda existir o sol. Os dois primeiros dias não seriam dias medidos pelo avanço do sol mas ainda assim períodos de tempo equivalentes a 24 horas cada um. Em outras palavras, seriam dias simbólicos.

Ora, essa explicação é uma contradição, pois são os(as) defensores da "terra jovem" que fazem uma leitura literal do texto bíblico. E não podem fazer isso onde lhes interessa e, quando deixa de ser conveniente, passam para uma leitura simbólica. Isso não faz sentido.

O segundo ponto que comprova não estarmos lidando com dias normais é a indicação dos versículos 11 e 12, onde Deus ordenou a terra a produzir plantas. Isto é, Ele não criou as plantas já maduras, mas sim deu condições ao solo para germinar as sementes nele lançados. Ora, as plantas não crescem do dia para a noite - no caso das árvores, podem ser precisos vários anos. E o texto não leva em conta o tempo necessário para esse crescimento - trata como se tivesse sido instantâneo.

Ora, Deus poderia ter eliminado o tempo necessário para as plantas crescerem mas o processo de criação não se deu assim: Ele estabeleceu as leis da natureza, deu o impulso inicial e as coisas começaram a ocorrer como previsto - natureza funciona como um relógio. Esse é o espírito do texto. Assim, o tempo necessário para o crescimento das plantas demonstra que se passou um tempo longo, nessa fase, muito maior do que um dia normal de 24 horas.

Em terceiro lugar, o texto diz que o homem foi criado no sexto dia e o detalhamento do que aconteceu nesse dia especial está contido no capítulo 2 do Gênesis. Ora, ao ler esse outro capítulo, fica claro que as atividades relatadas - a nomeação de todos os animais, a criação da mulher, etc - ocuparam bem mais do que 24 horas. Esse é um argumento parecido com o anterior.

Finalmente, o texto da criação conclui o relato do que Deus fez em cada "dia" dizendo que "houve tarde e manhã". Isto porque o dia sempre foi contado, na tradição hebraica, a partir do por do sol. Agora, no relato do sétimo "dia" - aquele em que Deus "descansou" - o texto não fala que "houve tarde e manhã". Ou seja, não há declaração sobre o fim do sétimo "dia". Em outras palavras, o sétimo "dia" ainda não acabou. 

E essa interpretação faz sentido.:O relato do Gênesis está dizendo apenas que Deus criou tudo nos seis períodos anteriores e o sétimo "dia" se refere ao período de tempo em que a criação passa a funcionar normalmente - é exatamente onde estamos hoje. Por isso esse sétimo "dia" não acabou e nem vai acabar tão cedo (só no final dos tempos). 

Palavras finais
Ficou claro, eu espero, que a descrição da criação do mundo relatada no Gênesis não se refere a sete dias de 24 horas cada um. O texto está apontando para sete períodos de tempo de duração indefinida - cada "dia" desses durou muitas centenas de milhões de anos.

E assim torna-se perfeitamente possível reconciliar o texto bíblico da criação com os achados científicos que indicam que o universo tem bilhões de anos de idade.

Com carinho    

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O "NÃO" SINCERO E O "SIM" SEM COMPROMISSO

Frequentemente é preciso pedir para um(a) frequentador(a) que ajude nas atividades desenvolvidas por sua igreja. Afinal, nenhuma igreja tem recursos para contratar toda mão de obra de que precisaria para desenvolver todas as suas atividades (cerimônias religiosas, escola bíblica, ação social, recreação, etc). Assim, a obra de Deus depende essencialmente do trabalho voluntário dos cristãos(ãs). 

Quando tal pedido de ajuda é feito, uma resposta comum é a pessoa consultada dizer que não tem tempo. Até gostaria, mas não tem condições para ajudar. 

Essa é uma resposta que desaponta - em princípio, parece-me que ninguém é tão ocupado a ponto de não ter tempo para fazer aquilo que Deus lhe pede.

Agora, há uma outra resposta que entendo ser ainda pior do que o "não": o "sim" sem compromisso. Isto é, a pessoa compromete-se a ajudar mas nada faz na prática. A pessoa disse "sim" apenas para não se sentir constrangida e ficar bem no "filme". 

Eu acho o "não" sincero menos prejudicial do que o "sim" sem compromisso pois o "não" me dá condições de saber a quantas ando. Quando a pessoa promete fazer algo e não cumpre, ela causa um estrago grande na obra de Deus. Isso porque sua falta de compromisso gera um "buraco" na escala de execução de atividades da igreja - outra pessoa precisará cobrir o(a) faltoso(a) e ficará sobrecarregada.

Naturalmente, o "sim" sem compromisso também prejudica o relacionamento da pessoa faltosa com Deus. E acredito que quem age assim não parou para pensar antes sobre as consequências da sua atitude. 

Imagina se Deus agisse com ela da mesma forma? Digamos que essa pessoa pediu a Deus ajuda num momento de dificuldade e Ele prometeu ajudar mas nada fez. Como essa pessoa iria se sentir? Provavelmente, revoltada e traída por Deus. 

E por que deveria ser diferente com Deus. Por que Ele não deveria se sentir indignado quando a pessoa promete ajudar na sua obra e nada faz?

Concluindo, se você assumir um compromisso qualquer com a obra de Deus, cumpra o que prometeu. Simples assim. 

Se não quiser fazer ou tiver qualquer dúvida quanto à sua possibilidade de fazer o que prometeu, diga não. É melhor fazer isso do que não cumprir a palavra dada.

Com carinho  

sábado, 22 de agosto de 2015

O QUE JESUS FEZ DURANTE OS ANOS "SILENCIOSOS"

Existe um período da vida de Jesus sobre o qual a Bíblia silencia. Refiro-me aos cerca de 20 anos que vão desde seu "bar mitzvah" (quando Ele tinha 12 anos) até o início do seu ministério (com trinta e poucos anos).

E a mídia sempre arruma alguma coisa para tentar preencher esse vazio - isso gerou uma grande industria de livros e filmes que busca explicar o que aconteceu com Jesus nesses 20 anos produzindo todo tipo de absurdo. 

Vejamos alguns exemplos: Jesus teria emigrado para a Índia, onde foi instruído nos mistérios da fé hindu; ou teria sido educado pelos essênios, seita judaica muito estrita nos seus princípios de vida; ou ainda teria ido para a Inglaterra, onde conheceu a religião celta. 

Agora, a maioria dos estudiosos(as) pensa - e eu concordo - que Jesus passou esses 20 anos no mesmo lugar, Nazaré, para onde seus pais o levaram quando era um bebê. Foi por isso que Ele ficou conhecido como o "Nazareno" (Mateus capítulo 2, versículo 23). 

Para esses(as) estudiosos(as), a ausência de informação na Bíblia indica apenas que nada de significativo aconteceu com Jesus nesse período - Ele levou uma vida simples e pacata. 

Esse raciocínio faz sentido por uma razão simples. O espaço disponível num pergaminho - o rolo feito de couro usado para escrever - era muito limitado. Assim, era preciso escolher o que incluir (ou deixar de fora) nos relatos para economizar o espaço gasto. 

Ora, como nada aconteceu de importante com Jesus, não é de surpreender que os autores bíblicos tenham preservado espaço precioso para poder relatar o que importava de fato (seu ministério, a crucificação e a ressurreição). 

Mas sem dúvida cabe a pergunta: o que Jesus fez nesses 20 anos? E a resposta é simples: várias coisas importantes, mas simples, que não chamam atenção. 

Em primeiro lugar, trabalhou como carpinteiro para sustentar sua família. A Bíblia não fala de José após o bar mitzvah de Jesus, logo é razoável supor que ele tenha morrido algum tempo depois dessa cerimônia. E Jesus, como filho mais velho, passou a ser responsável pelo sustento da família. 

Ele precisou então trabalhar pesadamente como carpinteiro e operário especializado da construção civil - suas mãos certamente ficaram calejadas por muitas horas de trabalho diário. 

Em segundo lugar, Jesus usou esse longo período para aprofundar seu relacionamento pessoal com Deus, à medida em que foi tomando consciência da missão que lhe estava reservada. 

Finalmente, Ele foi instruído na Palavra de Deus. Como Jesus não teve formação em estudos teológicos (reservada apenas para os sacerdotes e escribas), foi preciso que Deus o instruísse naquilo que precisava saber. Tanto foi assim, que quando lhe perguntaram como um simples operário conhecia tanta teologia (João capítulo 7, versículos 16 e 17), Ele respondeu: "O meu ensino não é meu, e sim, d`Aquele que me enviou"Foi esse ensinamento precioso deu a Jesus condições de ensinar com autoridade, desafiando aqueles que questionavam sua doutrina.  

Em resumo, durante cerca de 20 anos, Jesus trabalhou duro, quase sem descanso, para sustentar sua família, e preparou-se para seu futuro ministério. Não foi um período cheio de glamour ou de experiências memoráveis, mas de grande importância. 

Lembre-se disso quando você chegar em casa desanimado(a) ao final do dia, por conta do trabalho duro, que não lhe traz realização pessoal e/ou quando desempenhar tarefas simples na sua igreja, que parecem não ter muita importância. 

Esse tempo pode ser muito útil, se for usado adequadamente, para aprendizado e crescimento espiritual e emocional. Afinal, a Bíblia diz (1 Coríntios capítulo 10, versículo 31) que mesmo as coisas mais simples da vida - como comer e beber - são importantes se feitas para honra e glória de Deus. 

E foi isso que Jesus fez: santificou cada gota de suor que derramou. Cada hora que dedicou ao estudo ou à oração. E você pode fazer o mesmo, dando novo sentido para sua vida.

Com carinho

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A PESSOA CERTA, NA HORA CERTA E NO LOCAL CERTO

Deus age no mundo através das pessoas. E faz isso segundo seus planos, essencialmente colocando a pessoa certa, no lugar certo e na hora certa. 

Deus é como se fosse um chefe de cozinha, que busca os ingredientes, coloca-os numa panela na ordem certa e deixa tudo cozinhar pelo tempo certo visando ter um prato delicioso. O ingrediente errado ou o ingrediente certo colocado na ordem errada ou ainda um tempo de cozimento excessivo, qualquer falha pode arruinar o prato. 

Mas com Deus isso nunca acontece, pois seus planos são sempre perfeitos. Dão sempre certo. E vou dar um exemplo para mostrar como Deus age:

O apóstolo para os não judeus 
Paulo passou para a história como o apóstolo cristão para os gentios (os não judeus). Foi o principal responsável para levar o Evangelho de Jesus para fora da Palestina, onde essa ideia nasceu. Ele é um excelente exemplo do homem certo, no local certa e no local certo. Vejamos a razão para essa afirmação. 

Paulo era judeu mas foi criado fora da Palestina, lar histórico do seu povo. Nasceu e cresceu em Tarso, na Asia Menor, sendo exposto desde cedo à cultura grega,  que dominava o mundo daquela época - por causa disso certamente conhecia bem a língua e a filosofia gregas. Foi por isso que quando esteve em Atenas, cidade que era o centro da cultura grega, pode discutir de igual para igual com os filósofos que lá encontrou. 

Paulo também era judeu fariseu e, portanto, profundo conhecedor da teologia judaica - estudou com o grande rabino Gamaliel, em Jerusalém. 

Sendo assim, Paulo transitava perfeitamente bem entre as duas culturas a grega (romana), a cultura da sociedade (e do governo), e a judaica, o meio religioso onde estava inserido. 

O apóstolo era cidadão do Império romano por herança do seu pai. Tinha, portanto, livre trânsito nos territórios imperiais, além de contar com a proteção das leis romanas. Isso facilitou muito suas viagens missionárias.

Finalmente, Paulo era extremamente dedicado às causas que abraçava. Antes de se converter ao cristianismo, perseguiu ferozmente os cristãos por considerá-los hereges. Depois, durante seu mistério apostólico, passou fome, foi preso e torturado, mas nunca desanimou. 

Em resumo, Paulo foi o homem certo para levar o Evangelho de Jesus ao mundo não judaico (gentio). Ele tinha facilidade para explicar para quem não era judeu as nuances dos ensinamentos de Jesus, desenvolvidos dentro da cultura judaica. Por outro lado, conseguiu convencer os líderes cristãos, todos judeus, a eliminar os pré-requisitos que impunham aos gentios - como a circuncisão e a observância de restrições alimentares - antes de serem aceitos no meio cristão. Essas exigências não faziam qualquer sentido para os gentios e se tivessem sido mantidas teriam impedido o crescimento do cristianismo. 

O lugar também foi certo. Paulo atuou basicamente na Asia menor, atual Turquia, onde fundou igrejas importantes (Corinto, Efésios, Galácia, etc), fez incursões até a Grécia (Corinto, Atenas, etc), esteve em Roma e visitou Jerusalém várias vezes. Foi nessa região onde o cristianismo nasceu e deu os primeiros passos. 

E, finalmente, a época foi certa. Paulo viveu no período em que aquela parte do mundo esteve sob domínio de um Império, o romano, extremamente poderoso e organizado, que trouxe paz e estabilidade. A paz romana, é verdade, foi mantida a ferro e fogo, mas dava condições às pessoas de levarem uma vida normal e produtiva. 

Os romanos construíram estradas excelentes (algumas das quais ainda podem ser usadas hoje), calçadas com pedras e contando com infraestrutura de apoio (hospedarias e entrepostos comerciais) para os viajantes. Também estabeleceram várias rotas marítimas pelo Mediterrâneo, para levar e trazer produtos até Roma.

Paulo aproveitou esses recursos e a paz reinante para fazer diversas viagens missionárias para divulgar o Evangelho e fundar igrejas, caminhando ou navegando milhares de quilômetros. 

Agora, se olharmos para o desenrolar da história daquela região é fácil perceber que se Paulo tivesse vivido cem anos antes, ou depois, as condições ambientes não teriam sido tão favoráveis. 

Palavras finais
Podemos ficar surpresos com as pessoas que Deus escolhe - p. ex. simples pescadores foram tornados apóstolos. Podemos ainda achar que Deus está demorando pois vivemos debaixo de um ponto de vista imediatista. E finalmente podemos pensar que o lugar não é o melhor - p. ex. Jesus viveu todo o começo da sua vida e boa parte do seu ministério na Galileia, a parte mais atrasada da Palestina e motivo de piada para os demais judeus. 

Mas Deus sabe o que faz, como faz e quando faz. É n´Ele, portanto, que devemos depositar nossa confiança e esperança.

Com carinho  

terça-feira, 18 de agosto de 2015

A IMPORTANCIA DAS LISTAS DE ANTEPASSADOS

A Bíblia tem diversas listas de antepassados, chamadas "genealogias" - por exemplo em 1 Crônicas capítulos 1 a 8. Trata-se de relações sem fim de nome após nome de chefes das famílias israelitas, onde é indicado quem foi o pai de quem - algumas vezes são informadas ainda as idades dos pais quando tiveram seus filhos e de quando morreram. Algumas vezes são citados também os nomes das mães. 

Essas listas parecem acrescentar muito pouco ao relato bíblico pois essas informações poderiam ser tiradas dos relatos contidos no próprio texto. E, devo confessar, parecem meio aborrecidas. Por que então o Espírito Santo inspirou os autores da Bíblia a essas listas de antepassados? 

Penso que há várias razões importantes para isso:
  • As genealogias provam que os personagens citados na Bíblia viveram de fato. O cristianismo e o judaísmo são religiões históricas e, portanto, os relatos nela contidos referem-se a coisas reais. E as genealogias ajudam a comprovar isso.  
  • Elas servem para identificação dos diferentes personagens. Uma alternativa seria identificá-los com base nos lugares onde nasceram ou viveram - como, por exemplo, Maria Madalena (de Magdala). Mas a Bíblia preferiu quase sempre usar os nomes dos pais para fazer isso, como quando Jesus chamou o apóstolo Pedro de "Simão, filho de Jonas" ou "Barjonas" (Mateus capítulo 16, versículo 17).
  • As listas de antepassados comprovam que Jesus teve uma família humana. E há duas genealogias incluídas na Bíblia, sendo a primeira (Mateus capítulo 1, versículos 1 a 17) referente ao lado do pai adotivo (José) - essa era a genealogia oficial de Jesus. A outra é pelo lado de Maria (Lucas capítulo 3, versículos 23 a 38), a descendência de sangue. Em ambas, Jesus aparece como descendente de Davi, conforme tinha sido profetizado. 
  • As genealogias indicam como a Promessa (Aliança) de Deus com o povo de Israel foi transmitida de geração em geração. E mostra como Ele trabalhou, para atingir seus objetivos, com pessoas que à primeira vista poderiam parecer não ter a qualificação adequada, como a prostituta Raabe (Mateus capítulo 1, versículo 5). 

Concluindo, nada no texto bíblico está lá por acaso. Nada é supérfluo. Tudo ali tem sua razão de ser. 
Com carinho

domingo, 16 de agosto de 2015

AS LEIS DE TRÂNSITO E A SALVAÇÃO

Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.                  Romanos capítulo 10 versículo 9
O texto acima está dizendo duas coisas: (1) quem crer de fato que Jesus é o Salvador e (2) afirmar isso alto e bom som será salvo. A segunda parte da declaração não deixa qualquer dúvida: é preciso afirmar que se aceita Jesus. Mas a primeira parte - "crer no coração" - não é tão simples de entender quanto parece à primeira vista.

É fácil de perceber que "crer" é muito mais do que apenas "saber", ter certeza, pois até os demônios sabem que Jesus é o Filho de Deus (p. ex. Mateus capítulo 8, versículos 28 e 29). O "crer" que leva à salvação tem o sentido de "aceitar" aquilo que se sabe. 

Para tornar essa diferença mais clara, vou dar um exemplo prático. Imagine que certo motorista trafegue a 100 km/h por uma estrada cujo limite de velocidade seja de 60 km/h. Será que o motorista conhece o limite de velocidade? Claro que sim - há muitas placas de sinalização falando sobre isso. Mas será que ele aceitou o limite imposto a ponto de ajustar o próprio comportamento? A resposta é não.

O "crer" de que a Bíblia fala tem o sentido de aceitar uma verdade a ponto dela gerar mudança de vida. A crença em Jesus precisa fazer diferença. Portanto, aquele que se diz cristão(ã), mas não vive de fato sua fé (veja mais), é como o motorista que trafega pela estrada se recusando a cumprir o limite de velocidade - sabe algo mas não o aceita de fato.

Ora, quem trafega em excesso de velocidade não pode ficar surpreendido(a) se vier a ser multado(a). Se tiver de pagar pelo seu erro. Da mesma forma, a pessoa que sabe quem Jesus é mas não ajusta sua vida de acordo, não poderá se surpreender com o fato de sua salvação estar em risco. 

E foi exatamente isso que Jesus disse (João capítulo 8, versículo 31): "...se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos". E só discípulos verdadeiros são salvos. Simples assim.

Com carinho

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

SEU DESCANSO AGRADA A DEUS

As pessoas têm agendas muito carregadas. Parece ser que a única forma de viver hoje em dia é aproveitar o próprio tempo ao máximo para fazer coisas "produtivas" ou "recompensadoras". Por isso a desculpa que mais se ouve para não conseguir fazer isso ou aquilo é a falta de tempo. 

Por que falta tempo?
Há três razões:
  • Assumir responsabilidades excessivas - p. ex. para sustentar a família em padrão elevado ou obter sucesso profissional rapidamente. Trata-se da geração de expectativas de vida superdimensionadas.
  • Adotar a premissa de que a vida é curta e precisa ser aproveitada ao máximo como se tudo fosse acabar amanhã.   
  • Tentar manter controle total sobre as coisas relacionadas com a própria vida.

O ensinamento da Bíblia
Ela propõe um estilo de vida totalmente diferente, privilegiando coisas como repouso da luta diária, meditação, oração e estudo bíblico, atividades que estou aqui agrupando sob o rótulo de "descanso". Nenhuma delas pode ser considerada como "produtiva" ou "recompensadora" no sentido moderno em que esses termos são usados. 

A Bíblia vai ao ponto de estabelecer incluir entre os Dez Mandamentos a ordem para descansar um dia por semana - o mandamento relacionado com o "sábado" (veja mais). 

Em outras palavras, Deus estabeleceu que as pessoas não podem trabalhar continuamente e precisam dedicar tempo para o repouso e o desenvolvimento da mente e espírito. Descansar periodicamente é uma necessidade. Portanto, a pessoa não pode jamais assumir mais compromissos do que seria saudável. 

Como mudar?
Apresento a seguir algumas ideias que merecem ser exploradas por aqueles(as) que vivem esse tipo de problema: 


  • Reduzir suas expectativas de vida, por exemplo aceitando diminuir seu padrão de consumo ou ambição. Fiz isso alguns anos atrás e posso testemunhar que minha vida mudou para melhor - eu não teria tempo de manter este blog se não tivesse tomado essa decisão. 
  • Manter o nível das suas expectativas mas aceitar alcançá-las num tempo maior. Ir com mais calma.
  • Mudar seu conceito do que seja "aproveitar" a vida, passando a dirigir mais atenção, por exemplo, para o mundo espiritual, a beleza da natureza à sua volta ou mesmo a alegria das pessoas que você ama. 
  • Abrir mão do controle a todo custo sobre as questões da sua vida. Você precisa fazer tudo que estiver a seu alcance para que as coisas deem certo, mas precisa saber quando é preciso parar e descansar em Deus. O Pr. John Piper costuma dizer que "... o sono é como um disco quebrado que traz a mesma mensagem todos os dias: o ser humano não é soberano". 


Palavras finais
Não tente fazer mais do que pode, não importa quão nobres sejam seus motivos. O descanso é fundamental. Foi instituído por Deus. E não tente viver sem ele. Não mesmo.

Faça as mudanças necessárias para que você tenha tempo para descansar o suficiente e verá como sua vida vai melhorar. Até seu relacionamento com Deus vai mudar para melhor.

Com carinho

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

AS TRÊS FASES DA SUA VIDA ESPIRITUAL

A vida de todo(a) cristão(ã) passa por três fases diferentes: antes da conversão, novo nascimento (conversão) e santificação. E ao longo delas, a pessoa sempre está inteiramente dependente da Graça de Deus. Vamos ver como isso funciona:

Antes
Algumas pessoas, como eu, criadas na igreja cristã, podem não ter uma noção clara de como era sua vida antes de se converterem a Jesus - provavelmente foram se convertendo aos poucos, meio sem perceber. 

Já para outras pessoas, a fase anterior à salvação é um momento negro na vida, marcado por crises existenciais. Aí certo dia elas ouvem o Evangelho de Jesus e mudam de rumo. 

Mas sem duvida sempre há um período anterior à conversão mesmo que não seja possível precisar a data exata em que essa transformação aconteceu. Agora, a doutrina cristã ensina que antes da conversão a pessoa estava entregue à sua própria natureza, que tende para o pecado (veja mais). Isso vale para todo mundo, sem distinção. 

Por causa disso, ninguém por si mesmo(a) tem capacidade de aceitar Jesus como Salvador. Se o Espírito Santo não fizer essa "aproximação", a pessoa continuará entregue à sua natureza original. Esse trabalho do Espírito Santo é chamado no jargão teológico de Graça Preveniente porque é prévio à conversão.

O novo nascimento
A Graça Preveniente gera uma mudança fundamental na pessoa fazendo-a perceber ser pecadora e precisar da salvação trazida por Jesus. Aí se dá o arrependimento e a conversão, o novo nascimento.

Ao se converter, a pessoa tem acesso à salvação proporcionada pelo sacrifício de Jesus Cristo na cruz. Ela tem seus pecados perdoados por Deus e passa para nova fase na sua vida espiritual, onde o pecado não mais a domina. A pessoa estava espiritualmente "adormecida" e é "acordada" para uma vida espiritual plena. 

Não tenho dúvida em afirmar que esse é o momento mais importante da vida de qualquer pessoa - nenhuma conquista tem valor maior. E isso somente é possível porque a Graça de Deus que salva - a Graça Salvífica no jargão teológico - se fez presente. 

A santificação
Será que a pessoa que se converteu, nascendo de novo, deixa de pecar? É claro que não. Infelizmente, mesmo tendo acordado espiritualmente, o pecado ainda é uma realidade presente na vida dela - há hábitos arraigados que não desaparecem com essa facilidade.

Agora, a pessoa convertida passa a ter perspectiva diferente dos próprios pecados. Fica incomodada quando peca, se arrepende e pede perdão. E, sobretudo, luta para não errar de novo. 

Tudo isso é fruto de uma mudança interior que torna a pessoa desconfortável diante do pecado. A Bíblia chama a esse processo de melhoria contínua de santificação. O(a) cristão(ã) começa a se santificar ao se converter e vai continuar nessa caminhada por toda a sua vida humana. Continuará sempre a fazer progressos mas nunca irá alcançar a perfeição. 

E a vontade de melhorar, de deixar o pecado para trás, não se faz presente porque a pessoa é compelida a fazer isso. É um processo voluntário e por isso muito mais efetivo. E somente assim o ser humano muda de fato.

Minha irmã mais nova, que é professora, deu aulas por algum tempo num presídio masculino. Certo dia ela me deu seu testemunho afirmando que somente aqueles homens que se converteram ao Evangelho foram de fato recuperados para uma vida normal. Nada mais funciona de fato. 

A Bíblia chama de "obras" os resultados positivos desse processo de mudança interior, ao avanço na estrada da santificação. E as obras são o termômetro da presença da fé que salva. Não são elas que salvam mas sua falta indica que a fé salvífica não está presente de verdade (Tiago capítulo 2, versículos 17 e 18).

Por isso é perfeitamente possível encontrar pessoa que frequentam igrejas por décadas e não estão salvas. Elas conhecem Jesus, sabem bem quem Ele é, mas não se converteram de fato. Não nasceram de novo. E como é possível perceber isso? Pela falta de obras nas suas vidas. 

O Espírito Santo tem papel fundamental no processo de santificação. É através do trabalho d´Ele que o cristão(ã) é incomodado(a) quando peca, é incentivado(a) a se arrepender e a corrigir seus caminhos. E essa ação do Espírito Santo é chamada no jargão teológico de Graça Santificadora.

Palavras finais 
A Graça de Deus está presente em todas as fases da vida do cristão(ã). Antes da conversão, a Graça de Deus age para aproximar a pessoa do Evangelho de Cristo. Quando ela se converte, a Graça Salvífica age para que a pessoa se reconcilie com Deus e tenha acesso à salvação. E, finalmente, a Graça Santificadora age para que a pessoa mude de fato mostrando frutos da sua salvação.

Graça Preveniente, Salvífica e Santificadora, a Graça de Deus está presente em todas as fases das nossas vidas. Por isso toda Glória seja dada a Ele. 

Com carinho     

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

CUIDADO COM A RELIGIÃO DO "NÃO"

"Você não pode fazer isso porque é pecado". "Você vai para o inferno se fizer aquilo". Frases assim são ouvidas com frequência em muitas igrejas cristãs. É como se muitos(as) cristãos(ãs) fossem forçados a viver uma religião baseada no controle externo sobre suas vidas - o que eu apelidei de "religião do não". 

Será que isso agrada a Jesus? Penso que não e me explico. Se olharmos para os ensinamentos d´Ele, veremos que Jesus não se preocupou em estabelecer um esquema para controle da vida das pessoas. Por exemplo, quando lhe perguntaram como fazer para cumprir a lei do "amor ao próximo", Jesus simplesmente contou a parábola do "bom samaritano" (Lucas capítulo 10, versículos 30 a 37). Demonstrou que, para Ele, a melhor forma para ensinar as pessoas a viver era dar um bom exemplo

Jesus agiu assim porque desejava que as pessoas introjetassem o espírito das leis dadas por Deus e assim passassem a viver normalmente com base nelas. Em outras palavras, Jesus não defendia a ideia que a vontade de Deus deva ser imposta de fora para dentro, com base num controle externo, inclusive apelando para ameaças de punição com o inferno. O comportamento correto precisa se alcançado a partir de uma mudança interior (que começa na conversão).

O apóstolo Paulo completou esse ensinamento afirmando que as leis deixariam de ser necessárias se as pessoas mudassem de fato, pois aí a própria consciência delas passaria a ser um guia confiável para suas vidas.

Ora, se foi isso que Jesus e Paulo ensinaram, por que o cristianismo continua frequentemente sendo uma religião baseada no controle externo, uma "religião do não"? Por que tantos líderes cristãos ainda entendem ser preciso regular a vida das pessoas, chegando a detalhes como controlar a música que elas ouvem, os lugares que frequentam e até como se relacionam com o sexo oposto?

Penso que há duas razões para isso. Primeiro, porque é mais fácil liderar uma comunidade cujo comportamento é controlado por regras bem definidas, quando não há mais nada a debater e cabe às pessoas apenas obedecer e cumprir o que lhes foi imposto. 

E não podemos esquecer que tudo fica ainda mais facilitado quando é estabelecido um "patrulhamento" dentro da comunidade religiosa, isto é os próprios membros dela se encarregam de tomar conta uns dos outros, denunciando os eventuais "desvios" de comportamento.

A segunda razão para a predominância da "religião do não" é que tal linha de conduta dá muito poder aos(às) líderes religiosos. Afinal, cabe a eles(as) definir o que as pessoas podem ou não fazer - é frequente encontrar comunidades cristãs onde as pessoas pedem permissão aos(às) pastores(as) até para comprar uma geladeira nova. Um verdadeiro absurdo.

Reconheço que as pessoas, logo depois de se converterem e antes de serem discipuladas adequadamente, precisam passar por uma fase da sua vida espiritual onde se torna necessário dizer para elas o que fazer, especialmente quando essas pessoas viviam antes uma vida muito desregrada. Mas isso só deve acontecer por pouco tempo, até que as pessoas aprendam a distinguir o certo do errado, isto é sejam adequadamente discipuladas ("educadas" espiritualmente).

Essa estratégia é a mesma que usamos no processo de educação das crianças. No início da vida delas, antes de serem devidamente educadas, os pais precisam lhes dizer o que fazer. Mas depois elas precisam aprender a tomar suas próprias decisões.

Concluindo, se sua igreja tenta controlar a vida dos membros, se nela o que mais se ouve é "você não pode fazer isso ou aquilo" e se você não é incentivado(a) a aprender a tomar as decisões certas, com base num conhecimento sólido da doutrina cristã, provavelmente esse não é o melhor lugar para você viver o cristianismo. Pense seriamente em passar a congregar em outra comunidade.

Com carinho

sábado, 8 de agosto de 2015

O NOME DE DEUS

Quando Moisés foi chamado por Deus para liderar a libertação do povo de Israel, então escravizado no Egito, ele relutou em aceitar o chamado por se julgar sem condições para esse encargo. Houve um diálogo com Deus, onde Moisés acabou convencido a dar esse passo (Êxodo capítulo 3). 

Depois de aceitar, Moisés apresentou uma condição para ir em frente: conhecer o nome de Deus. E a razão para essa condição é muito simples: naquela época, o nome caracterizava a personalidade da pessoa - por exemplo, Jacó mudou de nome para Israel (“aquele que luta com Deus”) depois do episódio com o anjo (Gênesis capítulo 32, versículos 22 a 30). Assim, ao conhecer o nome de Deus, que ninguém sabia até então, Moisés daria uma prova para o povo israelita da sua intimidade. Sabendo o nome, Moisés demonstraria saber também como de fato Deus é.

E o Senhor respondeu: “Eu sou o que sou”, ou segundo outras traduções, “Eu serei o que sempre tenho sido” (Êxodo capítulo 3, versículos 13 a 15). 

Uma resposta surpreendente. Essa resposta revela que não é possível definir Deus, exceto que Ele é eterno e não muda. Por isso Ele continuará a ser quem tem sido até hoje - o que deve nos transmitir segurança.

Agora, o nome de Deus em hebraico - a frase "Eu sou o que sou" - era escrito com 4 consoantes pois esse idioma não tinha vogais. As letras eram "YHVH", que passou a ser conhecido como o "Tetragrama" sagrado. 

Para não descumprir o terceiro mandamento - "não tomarás o nome de Deus em vão" (veja mais) - os judeus escreviam o Tetragrama mas nunca o pronunciavam. Quando precisavam falar o nome de Deus, pronunciavam "Adonai"(Senhor). Assim, com o tempo, perdeu-se a pronuncia correta do nome de Deus. 

Os cristãos, que não tinham a mesma preocupação em pronunciar o Tetragrama, passaram a acrescentar às quatro consoantes as vogais da palavra Adonai e daí, por transliteração (troca de letras), obteve-se a palavra JAVEH, que é como a maioria dos estudiosos conhece o nome de Deus hoje (alguns erradamente usam Jeovah, nome também bem conhecido). 

Agora, nas traduções da Bíblia muitos tradutores seguem uma tradição: quando o texto em hebraico contem o Tetragrama, essa palavra é traduzida como "SENHOR" (todas as letras em maiúsculas). Já a palavra Adonai, em seu significado normal, é traduzida como "Senhor", onde somente a primeira letra é maiúscula. Vamos ver exemplos disso:
E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo.                                             Joel capítulo 2, versículo 32 
Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.   Romanos capítulo 9, versículo 9
Ao seguir essa tradição, as traduções às vezes perdem parte do significado. Voltando ao versículo em Joel, o texto diz que todo aquele que invocar o nome de Deus (YHVH), será salvo. É importante entender que esse "invocar" não é simplesmente pronunciar o nome e sim ter fé n´Ele e tê-lo presente na vida. 

Já no versículo em Romanos, Paulo diz que todo aquele que confessar (invocar) Jesus como Senhor da sua vida e crer que Ele foi ressuscitado por Deus - o que equivale a crer que Ele é o Salvador -, será salvo. E é importante perceber que, em Romanos, Paulo citou o versículo de Joel, pois construiu seu texto de forma similar ao outro. 

Como a Bíblia não tem contradições, é claro que esses dois versículos falam a mesma verdade, mas de formas diferentes. E o que Paulo fez foi declarar que Jesus é Deus, pois chamá-lo de Senhor passou a ter o mesmo significado que invocar o nome de Deus. Ou seja, Jesus e YHVH têm a mesma natureza e estão unidos, ou seja está aí o embrião da doutrina da Trindade. 

Com carinho

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

COMO JESUS É HOJE?


O quadro acima é um dentre milhares que retratam Jesus. O denominador comum da esmagadora maioria das pinturas desse tipo é retratarem Jesus como um europeu: pele branca, olhos claros e cabelo louro ou castanho. 

E as pessoas se acostumaram com essa imagem europeizada de Jesus e demorou muito tempo para que elas percebessem que Ele não era nada assim. O Jesus branco e louro é apenas a forma como os artistas europeus perceberam o Messias. 

Como uma pessoa que viveu na Palestina, no século I da nossa era, Jesus provavelmente era baixo (para os padrões atuais), tinha cabelos pretos, encaracoladas e barba cerrada. Sua pele era morena, até por conta de grande exposição ao sol. 

Quando o cristianismo chegou em outros continentes, como África e Ásia, os artistas locais começaram a retratar Jesus e fizeram o mesmo que os europeus: viram-no de acordo com as "lentes" da sua própria cultura. E aí passamos a ter diversas imagens de Jesus, algumas de pele escura, outras com olhos puxados e assim por diante, como no exemplo abaixo.


Eu não vejo nada errado com essa prática, desde que as pessoas entendam que têm diante de si uma simples imagem do homem verdadeiro. Uma releitura da realidade, do homem que viveu 2.000 anos atrás. 

Acredito que essa reflexão gera uma curiosidade. Sabemos como Jesus foi, milhares de anos atrás. Mas como será Ele hoje? 

Sabemos que Ele é o Cristo glorificado, que está à direita de Deus Pai, pois a Bíblia nos conta essa verdade. E podemos ter uma ideia da sua aparência através do relato de João, contido no Apocalipse capítulo 1, versículos 13 a 16.  O autor descreveu uma visão que teve do Cristo glorificado e a aparência d´Ele impressionou muito a João. Tanto assim que precisou usar metáforas para conseguir contar o que viu - nunca devemos esquecer que a linguagem humana tem dificuldade para descrever as coisas de Deus:
"O cabelo dele era branco como a lã ou a neve, e os olhos eram labaredas de fogo.  Os pés brilhavam como o bronze polido e a sua voz ressoava como o som de muitas águas... da sua boca saia uma afiada espada de dois gumes; e o rosto dele brilhava como a força do sol do meio dia..."
A primeira coisa que vem à minha mente ao ler esse texto é que as visões de Jesus encontradas em muitos livros atuais não estão de acordo com esse relato. A Palavra de Deus fala de um ser que irradia poder e glória e não de um homem humilde, calçado de sandálias, como frequentemente Jesus é descrito por aqueles que dizem tê-lo visto. Essa figura humilde viveu na terra dois mil anos atrás e não mais existe. 

Hoje quem vive é o Cristo glorificado, o ser que João viu e descreveu no Apocalipse. E acho que vale a pena aprofundar um pouco o significado das metáforas usadas por João para entender melhor quem ele viu. 

O cabelo branco significa sabedoria - hoje ainda, nos tribunais ingleses, os juízes colocam uma peruca branca quando vão julgar, para demonstrar serem sábios. Na maioria das sociedades primitivas o Conselho de Anciãos representava a voz da sabedoria e da prudência. Portanto, o Cristo glorificado irradia grande sabedoria. 

O fogo tradicionalmente é o agente usado para refinar os metais - separar impurezas. A Bíblia fala várias vezes do ouro refinado (puro) como algo de enorme valor. 

Portanto, os olhos como chama de fogo representam um olhar capaz de ver o interior de cada pessoa, tanto as qualidades como as "impurezas". Nada escapa a esse olhar.

O bronze sempre tinha na antiguidade o significado de força, pois as armaduras e espadas eram feitas desse metal. Mas também representava majestade, pois as estátuas dos reis e poderosos eram forjadas desse metal. 

Os pés do Cristo glorificado serem de bronze polido representam a força e o poder que emanam da sua figura. E indicam também que tudo está debaixo do seu governo. 

A voz como de "muitas águas" significa uma voz forte como o ruído de uma cachoeira - pode ser ouvida e identificada ao longe. Ninguém pode alegar que entrou em contacto com o Cristo glorificado e alegar que não conseguiu ouvir sua voz.

A figura da espada afiada é usada em vários locais da Bíblia para significar a Palavra de Deus, que é poderosa para "separar" o corpo do espírito. Cristo é a Palavra de Deus, o Verbo divino encarnado, conforme o evangelho de João capítulo 1, versículo 14. Portanto, tudo que Jesus falou e fala é a Palavra de Deus, pura e simplesmente. 

Por isso Deus ordenou, durante o evento em que Jesus foi transfigurado (Mateus capítulo 17, versículos 1 a 5): "A Ele ouvi". Precisamos ouvir o que Ele fala e saber que sua mensagem tem poder para "cortar" fundo.

Finalmente, o brilho igual ao do sol do meio dia significa que João estava diante de um ser magnífico, cuja glória o olho humano não pode suportar, tal como acontece com o sol. Afinal, ninguém pode suportar o brilho dessa estrela por mais de uns poucos segundos, sob pena de ficar cego. 

E assim também acontece com o Cristo glorificado: sua glória é tão impressionante que consumiria os seres humanos que resolvessem olhar diretamente para Ele. Podemos apenas vislumbrar o ser que está ali mas nunca tentar examiná-lo em detalhe. 

Esse é o Cristo em toda a sua glória e poder. Nada a ver com aquele homem humilde, de sandálias empoeiradas, acostumado a sofrer, que os Evangelhos descrevem. Esse homem existiu, mas acabou crucificado e morto. O ser que ressurgiu, ao terceiro dia, e subiu aos céus é bem diferente. 

Com carinho