segunda-feira, 30 de junho de 2014

O MUNDO FÍSICO E O MUNDO ESPIRITUAL

"E sonhou: Eis posta na terra uma escada, cujo topo atingia o céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela."    Gênesis capítulo 28, versículo 12  
Talvez você não tenha se dado conta mas há um mundo além do mundo físico. Trata-se do "mundo espiritual". O mundo físico é onde vivemos, sendo caracterizado por quatro dimensões - altura, largura, comprimento e o tempo - e regulado pelas leis da natureza, como gravidade, termodinâmica e outras. 

mundo espiritual existe em paralelo a esse no qual vivemos, mas é tão real quanto o primeiro, embora seja regido por regras diferentes. 

Os dois mundos têm pontos de contato entre si, embora sejam separados e tenham vidas independentes. Há momentos em que os dois estão separados, mas há outros em que estão intimamente conectados. Por exemplo, o texto acima relata um sonho que Jacó, filho de Abraão, teve. Ele "viu" uma escada por onde anjos subiam e desciam - esses seres espirituais saiam de um mundo e entravam no outro, desempenhando as tarefas que Deus lhes tinha encomendado. Jacó viu foi uma ampla "janela" aberta entre os dois mundos. 

A Bíblia relata diversos momentos de grande proximidade entre os dois mundos. Um bom exemplo é o episódio do nascimento de Jesus, quando os anjos entoavam hinos de louvor (Lucas capítulo 2, versículos 8 a 14). Outro exemplo é o momento quando Deus deu os Dez Mandamentos para Moisés no Monte Sinai (Êxodo capítulo 24). 

Mas também há relatos de épocas em que essa distância ficou grande, como no período anterior ao dilúvio, quando o pecado estava generalizado e Deus ficou muito zangado (Gênesis capítulo 6, versículos 11 a 22). Outro exemplo, é o chamado período "inter-testamentário", ou seja os duzentos anos da história de Israel que não é coberto nem pelo Velho nem pelo Novo Testamento - aproximadamente do ano 200 AC até o nascimento de Jesus. 

As decisões que Deus toma no mundo espiritual, como enviar anjos para nos ajudar ou escolher um profeta para levar uma mensagem para seu povo, acabam tendo reflexo no mundo físico. Acho que isso é fácil de entender e aceitar. 

Agora, já não é tão fácil de entender e aceitar que o contrário também seja verdadeiro: o que acontece no mundo físico também tem consequências no mundo espiritual. Como prova, cito uma declaração de Jesus dirigida para o apóstolo Pedro:
"Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra, terá sido desligado nos céus."     Mateus capítulo 16, versículo 19  
Para entender o que Jesus quis dizer, é preciso reconhecer que há pessoas com autoridade espiritual sobre outras. Por exemplo, a Bíblia é clara que os pais têm esse tipo de autoridade sobre os próprios filhos e podem abençoá-los ou amaldiçoá-los. Tanto é assim, que a benção de Deus foi passada de pai para filho na família de Abraão - ela era tão importante que Jacó teve um enorme trabalho para enganar Isaque, seu pai, e roubar a benção que iria para seu irmão gêmeo, Esaú (Gênesis capítulo 27, versículos 1 a 29).

Maridos e esposas também têm autoridade espiritual uns sobre os outros. E também os pastores podem ter esse tipo de autoridade sobre seu rebanho de fiéis.

E uma pessoa com autoridade espiritual pode gerar consequências espirituais sobre a vida das pessoas sobre a qual tem esse tipo de influência. Foi isso que Jesus explicou na declaração que fez a Pedro, ao dar-lhe autoridade espiritual sobre determinada comunidade de cristãos - decisões espirituais que Pedro viesse a tomar sobre seus liderados, teriam consequência também no mundo espiritual.

Imagine o caso de um pai dizendo abertamente para todos que seu filho não vai se dar bem na vida porque é pouco inteligente - conheço um caso exatamente assim. Além de causar um impacto emocional sobre a criança, esse pai também está lançando um veredicto espiritual (maldição) sobre a vida do filho, mesmo que não seja essa a sua intenção. 

Não tenho espaço para esgotar esse assunto em um único post e, portanto, voltarei a ele em outras oportunidades. Mas você precisa saber que esses dois mundos - físico e espiritual - existem e que um influencia o outro. 

E isso tem consequências importantes na vida das pessoas. Assim, por exemplo, é errado deixar os assuntos espirituais restritos aos momentos em que você passa na igreja, no fim de semana. As questões espirituais certamente irão impactar sua vida secular - seu emprego, suas amizades, seu lazer, etc. 

Da mesma forma, o que você faz no seu dia a dia tem grande impacto na sua vida espiritual. Se você se esquece daquilo que Jesus ensinou, quando vive sua vida física, não pode esperar que sua vida espiritual deixe de sofrer - não há como separar uma coisa da outra.

Com carinho 

sábado, 28 de junho de 2014

O QUE INFLUENCIA SUA ESCOLHAS?

Qual é a referencia que as pessoas usam para definir o que é bom ou ruim, certo ou errado? A experiência mostra que há três caminhos possíveis: 
  • a preferencia vai para aquilo que é melhor para elas mesmas, aquilo que melhor preenche suas próprias necessidades;
  • o bom é aquilo que mais contribui para o bem estar da coletividade, do grupo social ao qual as pessoas pertencem; 
  • o certo é aquilo que Deus determinou. 
Pessoas diferentes escolhem alternativas distintas, conforme sua formação, fé e entendimento. E vem daí a grande divergência de opiniões que existe na sociedade, especialmente no que tange a questões polêmicas como pena de morte, aborto, eutanásia, homossexualismo, ações afirmativas para redução da desigualdade social e outras assim.

A necessidade pessoal é o mais importante
Algumas pessoas pensam que devem dar sempre preferencia àquilo que contribui para melhor preencher suas necessidades pessoais (reais ou imaginadas). Em outras palavras, acham que as pessoas devem ter liberdade para buscarem aquilo que for melhor para si mesmas, naturalmente desde que isso não prejudique a liberdade (o mesmo direito) dos outros. 

A ideia de capitalismo é um bom exemplo desse tipo de pensamento - ela envolve a noção que os agentes econômicos devem ser inteiramente livres para tomar suas decisões (o que comprar, vender ou produzir), que naturalmente serão tomadas visando o máximo ganho possível para eles mesmos. 

Para quem pensa assim, qualquer lei que procure regular o livre mercado - por exemplo, estabelecendo o preço máximo pelo qual determinada coisa pode ser vendida - é uma perda de liberdade que nunca deveria existir. 

Outro bom exemplo aparece na discussão da eutanásia. Muitos defendem a tese de que a pessoa deve ter a liberdade de escolher quando deseja morrer, pois a vida é um bem que pertence apenas a ela mesma. 

O bem comum é o mais importante 
A segunda possibilidade é estabelecer que o mais importante é o bem comum do grupo social. E que cabe a esse grupo definir, provavelmente através de leis apropriadas, o que é ou não certo fazer. 

Naturalmente, essas leis reduzem a liberdade das pessoas de fazerem suas próprias escolhas. O bem comum sempre vem às custas da liberdade pessoal.

Por exemplo, na China, o governo se acha no direito de definir quantos filhos as famílias podem ter para evitar a superpopulação. Ele pode até obrigar mulheres grávidas a abortar. Em outra palavras, viola-se a liberdade individual de escolher quantos filhos se quer ter em prol do controle do crescimento da população. 

Outros exemplos são as leis trabalhistas, as regras para defender o meio ambiente ou os controles de preços de alguns produtos, estabelecidas para reduzir as injustiças sociais e/ou garantir os direitos humanos.  

Obedecer a Deus é o mais importante
A terceira possibilidade é definir que Deus já estabeleceu o que é certo ou errado, bom ou mal. Quem escolhe esse caminho entende que Deus sabe melhor do que ninguém o que deve ser feito pois foi Ele mesmo quem criou as pessoas. 

É claro que as leis de Deus - como a que manda amar o próximo - podem até concorrer para o bem comum, mas o motivo principal para segui-las é a obediência a Ele. Não há dúvida também que as leis de Deus reduzem consideravelmente a liberdade humana - ela nunca deve ser vista como a coisa mais importante.

As incoerências humanas
Há três caminhos que as pessoas podem escolher: dar prioridade à liberdade pessoal (às necessidades pessoais), ao bem comum (à coletividade) ou à obediência a Deus. Comentei também que, conforme o caminho escolhido, as conclusões às quais as pessoas vão chegar, quanto ao que é bom ou ruim, certo ou errado, vai variar muito. Até aí tudo bem.

O problema é que as pessoas não costumam ser consistentes quanto ao caminho que escolhem - ora escolhem uma prioridade e ora outra. Em algumas situações privilegiam a liberdade pessoal, enquanto em outras podem escolher obedecer a Deus ou dar preferencia ao bem comum. E isso gera muita confusão.

Por exemplo, os Estados Unidos são um país fortemente cristão e, por conta disso, boa parte da população é contra o aborto - nessa questão a obediência a Deus é mais importante do que a preservação da liberdade de escolha da mãe. Mas boa parte dessas mesmas pessoas, quando lidam com questões de natureza econômica, defendem a liberdade total dos mercados (o capitalismo), esquecendo-se que a Bíblia ensina coisa bem diferente - Deus regulamentou uma série de questões da vida econômica do povo de Israel, caracterizando que os agentes econômicos não podem ser totalmente livres. 

Mas esse tipo de incoerência não é privilégio dos americanos. Isso também está fortemente presente na sociedade brasileira. Por exemplo, muitas pessoas ditas de esquerda defendem que a liberdade de escolha do ser humano precisa prevalecer em questões como a eutanásia ou o aborto. Por outro lado, defendem que o governo intervenha bastante no mercado, atropelando a liberdade dos agentes econômicos para promover a justiça social. 

Evidentemente essa mistura de prioridades causa muita confusão. Afinal, como saber o que é mesmo certo ou errado, bom ou ruim, se a forma de abordar  cada questão, a prioridade dada em cada situação varia ao sabor das circunstâncias?  

O que fazer?
Acho que todos os cristãos deveriam concordar com a tese que a obediência a Deus precisa ser sempre o ponto de referencia para suas vidas. Mas como fazer isso na prática? Como manter a a coerências nas várias situações? Aí vão algumas sugestões que acredito possam ser úteis.

Em primeiro lugar, toda vez que precisar tomar posição sobre uma questão polêmica, procure entender qual é a orientação real de Deus para aquela questão. E tome muito cuidado para não tomar uma posição primeiro e depois tentar encontrar versículos bíblicos que deem suporte ao que você pensa. Isso infelizmente é muito comum.

Em segundo lugar, aceite a realidade que ser coerente com sua fé, isto é obedecer ao que Deus estabeleceu, muitas vezes é difícil ou até pouco simpático. Por exemplo, quando uma pessoa não cristã afirma que "todos os caminhos levam a Deus", não é simpático corrigi-la e dizer que Jesus é o único caminho para Deus, conforme a Bíblia ensina. Também não é fácil alertar alguém que ele(a) está cometendo um pecado à luz do que diz a Bíblia - claro que não devo fazer isso a partir de uma posição de superioridade e sim do reconhecimento que também peco. 

A obediência a Deus deve ser o que guia você, sempre, mesmo que haja um preço a pagar em termos da aceitação pelos outros e da necessidade de deixar de lado suas preferencias pessoais para aceitar o que Deus diz (por exemplo, eu preferia que o Inferno não existisse, mas a Bíblia diz que isso existe)

Em terceiro lugar, procure evitar pensar que você é o "dono da verdade". Isso significa estar sempre aberto a discutir suas razões para pensar de uma forma e não de outra. Afinal, mesmo o seu entendimento do que venha a ser a vontade de Deus certamente pode variar ao longo do tempo - afinal, o ser humano é limitado e influenciado pelas suas circunstâncias e experiências pessoais. 

Eu mesmo já mudei de opinião e aprendi ao longo da minha vida religiosa - até ateus e pessoas que professam outras religiões me ensinaram coisas importantes. Não deixei de acreditar em Jesus, como meu Salvador, ao longo desse processo de refinamento do meu pensamento, mas consegui deixei de lado vários "penduricalhos" teológicos que tinha aceitado sem questionar direito.

Finalmente, tenha coragem para mudar seu pensamento quando perceber que está errado. Essa talvez seja a parte mais difícil, especialmente se você tiver investido muito tempo e esforço defendendo certa ideia ou posição que de repente percebeu ser inadequada. É preciso humildade e coragem intelectual para dar fazer isso. 

Com carinho 

terça-feira, 24 de junho de 2014

QUANDO O POUCO TEM MUITO VALOR

Não há dúvida que Deus requer que todos os cristãos trabalhem na sua obra. Mas não é isso que acontece na prática, tanto assim que o próprio Jesus alertou que a “seara é grande mas são poucos os trabalhadores” (Lucas capítulo 10, versículos 1 e 2). 

Por que será que esse chamado de Deus é tão pouco ouvido? Penso que há inúmeras razões, como a falta de compromisso com as coisas de Deus. Mas gostaria de falar aqui sobre outra razão, talvez menos abordada, que tem grande impacto negativo. 

Refiro-me à perspectiva errada das pessoas que os trabalhos pequenos, sem maior peso aparente, não têm importam muito. Sendo assim, quando a pessoa só pode contribuir na obra de Deus com algo aparentemente sem muita importância, muitas vezes ela acaba por pensar que não vai conseguir fazer a diferença e deixa de ajudar naquilo que pode.

Ora, não há trabalhos maiores ou menores aos olhos de Deus. Todos são importantes. E Ele sempre leva em conta a capacidade da pessoa de contribuir na sua obra. O que verdadeiramente importa é que a pessoa faça o máximo ao seu alcance.

Esse ensinamento ficou claro numa situação que Jesus viveu, quando estava no Templo de Jerusalém, perto do local onde as ofertas eram recolhidas. Duas pessoas se aproximaram e depositaram suas ofertas: um homem rico deu uma grande quantia, enquanto uma viúva pobre deu umas poucas moedas de valor muito baixo. Jesus alertou seus discípulos que a viúva tinha dado muito mais, porque ela deu daquilo que lhe faltava, enquanto o homem rico daquilo que lhe sobrava (Lucas capítulo 21, versículos 2 a 4).

Se sua contribuição na obra de Deus for pequena, mas feita com dedicação e amor, pode ter certeza que ela dará frutos importantes e será reconhecida e valorizada por Deus, tal como aconteceu com aquela viúva.

Lembro de vários exemplos de situações desse tipo para repartir com vocês. Na minha época de infância, na Igreja Metodista do Catete, no Rio de Janeiro, uma senhora, todo domingo bem cedo, saia de casa, comprava flores numa feira ali perto e enfeitava a igreja com lindos arranjos. Aquela era a tarefa dela. Fez aquilo por décadas, sem nunca ter recebido muito reconhecimento da comunidade. Mas o legado que deixou foi uma igreja sempre linda e cheirosa, pronta para o culto a Deus, nos domingos pela manhã.

Uma tia minha, quando ficou velha e não podia fazer muito mais, passou a comprar dezenas de exemplares do "Cenáculo" - revista que contém reflexões cristãs diárias - e os distribuía pelo correio para pessoas de todo o Brasil. Ela personalizava cada cópia com mensagens - por exemplo, no dia do aniversário da pessoa. Perdi a conta do número de testemunhos de pessoas que chegaram até Jesus ou foram consoladas nas suas dificuldades por causa daquele trabalho tão simples.

Na igreja que hoje frequento, existe uma moça que tem deficiências mentais evidentes – é até difícil entender o que ela fala. Mesmo assim, está sempre na igreja e frequenta uma das classes da Escola Bíblica, mesmo com dificuldade para entender o conteúdo que é transmitido. E ela, por conta própria, achou uma maneira de ajudar: antes de começar a aula, ela vai até o bebedouro e enche um copo com água gelada e o leva para o professor da classe. Inúmeras vezes refresquei minha garganta com aquele copo de água tão bem vindo.

Certa vez participei de um retiro espiritual com duração de três dias. Havia pouca gente da minha igreja para ajudar e, como eu não conhecia bem a dinâmica do evento, não tinha muito como colaborar no seu conteúdo. Assim, fui escalado para ajudar no relógio de oração – grupo de pessoas que ora, em revezamento, 24 horas por dia, para cobrir o evento no aspecto espiritual. Minha escala, acreditem, ficou para as 3 horas da manhã, eu orava andando em torno da piscina para não dormir. Pediram-me também que ajudasse na organização das correspondências que precisavam chegar nas mãos dos participantes do retiro. Ambas as tarefas eram bem simples, mas lembro-me da satisfação que tive em realizá-las e ser parte de uma obra maior, que mudou a vida de várias pessoas.

Concluindo, todos podem ajudar de alguma forma. Sempre há uma tarefa ao seu alcance, não importa seu conhecimento, tempo disponível ou grau de desenvolvimento espiritual. Por exemplo, você pode ajudar montando cestas básicas para distribuição. Ou anotando a presença das classes da escola Bíblica. Ou distribuindo literatura bíblica para quem precisa. Ou ainda dando uma palavra de consolo para um vizinho que está sofrendo. Não falta o que fazer.

Torne-se um voluntário na obra de Deus e faça aquilo que lhe couber com dedicação, zelo e carinho. Você verá crescer frutos que nunca imaginou que poderiam surgir no seu caminho e, no final da sua vida, receberá a justa recompensa de Deus. 

Com carinho  

domingo, 22 de junho de 2014

OS GRANDES MISTÉRIOS DE DEUS

As pessoas têm dificuldade de aceitar que Deus guarda mistérios que não vão conseguir decifrar. Isso ocorre porque elas sempre querem saber a lógica das coisas que interferem nas suas vidas. Por exemplo, se um médico de sua confiança lhe pedir para se submeter a uma operação, você espera que ele lhe explique em detalhe porque está pedindo tal tipo de coisa e o que vai fazer.

De fato as pessoas funcionam melhor quando sabem o por quê das coisas. Imagine dois pedreiros trabalhando lado a lado. Aí é perguntado a um deles o que está fazendo e ele responde: "estou erguendo uma parede". E é feita a mesma pergunta ao outro que responde: "estou construindo uma catedral". O segundo sabe o objetivo maior dos seus esforços, enquanto o outro apenas vê a tarefa à sua frente. E aquele que vê uma catedral tomando forma trabalhará muito mais motivado e será capaz de perceber e corrigir problemas que não estão ao alcance do outro.

Por que Deus guarda mistérios?
Pense na grandeza de Deus comparada ao ser humano. Para ter uma ideia do que acabei de falar, imagine o tamanho físico de um ser humano em relação à imensidão do universo criado por Deus - a diferença é bem maior do que a de um grão de areia comparado a todo território brasileiro. 

Portanto, não há como imaginar que seres tão pequenos como os seres humanos serão capazes de entender um Ser da dimensão e complexidade de Deus. É impossível. 

Além disso, as pessoas agem exatamente como Deus, guardando  mistérios daqueles(as) que as cercam até com a intenção de protegê-los(as). Por exemplo, um casal não conta para seus filhos pequenos os problemas - emocionais, financeiros, de saúde, etc - que vive porque sabe que as crianças não têm capacidade para processar bem o que está acontecendo. Aí dão algumas explicações simplificadas que as crianças aceitam - por exemplo, se a mãe vai ser operada, os pais podem dizer que ela vai viajar por alguns dias e voltar logo.

Os três maiores mistérios de Deus
  • Criação a partir do nada (ex nihilo)                             A Bíblia conta que Deus criou o universo a partir do nada. E que Ele apenas "falou" (por exemplo, "haja luz") e algo aconteceu (a luz apareceu). 
E essa abordagem está refletida na teoria do "Big Bang", a qual estabelece que o universo teve início num "ovo cósmico", de matéria muito densa, que se expandiu (explodiu). Mas de onde veio esse "ovo" se nada existia antes? É isso que significa criar a partir do nada. 
É possível entender um pouco melhor o que é a "criação a partir do nada" imaginando o autor que escreve um livro, começando com um pedaço de papel em branco (o "nada"). Ele cria um universo de personagens, como na trilogia do "Senhor dos Anéis", onde nada existia antes.  
Mas como Deus conseguiu criar a partir do nada? É um completo mistério.
  • A Trindade                                                              Deus é um só mas é composto de três pessoas diferentes: o Pai, o Filho (Jesus Cristo) e o Espírito Santo. São três pessoas, da mesma natureza, que trabalham em comunhão contínua - parecido com um marido e uma mulher que são um só, no casamento, mas, ao mesmo tempo, são pessoas separadas.
Esse talvez seja o mistério de Deus mais difícil de entender. Se a Bíblia não falasse que Deus é assim, os seres humanos nunca iriam conceber essa ideia. 
  •  As duas naturezas de Jesus                                      A segunda pessoa da Trindade, o Filho, tem duas naturezas: humana e divina. A natureza humana (Jesus) passou a existir a partir da concepção de uma mulher (Maria) através da ação do Espírito Santo. 
A Bíblia diz que Jesus se "esvaziou" da sua natureza divina, para poder, digamos assim, "caber" num corpo humano. Isso quer dizer que Ele voluntariamente limitou seu lado divino e funcionou, enquanto esteve neste mundo, apenas como um ser humano. Mas Ele não deixou de ser Deus em momento nenhum.
Mas não é possível explicar muito mais do que isso. Há um mistério que permanece: como é possível a convivência de uma natureza humana e outra divina? 
O cristão precisa aceitar esses mistérios. Não há como fugir dessas realidades. Mas como aceitá-las? Pela fé - os cristãos acreditam nisso porque a Bíblia ensina tais coisas. Simples assim.

Com carinho  

sexta-feira, 20 de junho de 2014

CUIDADOS NECESSÁRIOS PARA ESTUDAR A BÍBLIA

A Bíblia é um livro espiritual - é a Palavra de Deus. Portanto, seu estudo não deve ser feito como o de outro livro qualquer. É preciso ter consciência da importância do que vai ser feito. 

E aqui vão alguns conselhos para ajudar você a estudar a Bíblia da forma correta:
  • Sempre ore antes de começar a ler - peça ao Espírito Santo para iluminar seu estudo. A Bíblia é inspirada pelo Espírito Santo e também é sua a tarefa de ajudar (iluminar) as pessoas a entenderem as verdades nela contidas.
  • Nunca leia a Bíblia sem dar ao texto sua atenção completa. Reflita sobre cada frase que ler. Não se apresse. É como uma refeição especial: não se deve comer depressa, simplesmente para matar a fome, e sim "saborear" cada garfada.
  • Sempre procure entender o contexto do ensinamento sendo passado. Isso significa saber quem está dizendo o quê, quais são as circunstâncias que as pessoas enfrentavam naquele momento, qual a história pregressa delas, etc. Normalmente envolve ler alguns parágrafos que precedem o texto que está sendo estudado e alguns parágrafos depois. Algumas Bíblias trazem comentários que podem ajudar muito.
  • Conheça a chave de interpretação da Bíblia: Jesus. Não importa se você está lendo o Velho ou o Novo Testamento, a situação é a mesma: procure sempre por Jesus. É claro que no Novo Testamento a presença d`Ele fica mais clara, pois boa parte do que está sendo contado tem a ver diretamente com sua vida. Mas Jesus também é a figura central do Velho Testamento, embora ali não seja chamado pelo seu nome e sim pelo seu título "Messias" ("Ungido").
  • Nunca fique desanimado(a) se não entender alguma coisa. A Bíblia tem muito material relacionado com uma cultura antiga, bem diferente da nossa. Também há nela conceitos teológicos que às vezes são difíceis de entender - por exemplo, Jesus Cristo é o "Verbo Divino (João capítulo 1). Se você não entender o texto, pesquise os comentários eventualmente existentes na sua Bíblia ou em outros livros ao qual tenha acesso. E peça ajuda a quem souber mais (seu pastor ou professor da Escola Bíblia). 

Um exemplo
Vejamos um exemplo de como aplicar esses conselhos na prática. Leia o texto de Êxodo capítulo 12, onde é relatado o que se passou na noite anterior à saída dos israelitas da escravidão no Egito. Moisés orientou o povo que ficasse em casa naquela noite, matasse um cordeiro por família e passasse seu sangue nas ombreiras da porta da casa. A família também deveria comer a carne daquele cordeiro com pão sem fermento e ervas amargas.

Vamos ao contexto. Os israelitas estavam há mais de 400 anos em escravidão no Egito e Moisés foi mandado por Deus para tirar o povo de lá e levá-lo à Terra Prometida (Palestina). Como o faraó resistiu à ideia de perder seus preciosos escravos (sua mão de obra barata), foi preciso que Deus o forçasse, enviando dez pragas que tornaram a vida dos egípcios um inferno.

A última das dez pragas foi a morte de todos os primogênitos do povo egípcio. Daí veio a necessidade de pintar as portas das casas dos israelitas com sangue de cordeiro: a marcação indicou ao Anjo da Morte para passar longe daquela casa e não tocar em ninguém ali.

Falta ainda encontrar Jesus, que é a chave de interpretação da Bíblia. Logo é preciso procurá-lo. Comece perguntando: o que Jesus trouxe para a humanidade? A resposta é simples para a qualquer cristão: seu sacrifício, que abriu as portas da salvação. 

Ora, sacrifício significa sangue. Onde apareceu sangue na noite em questão? Na porta da casa dos israelitas. E de onde veio o sangue? De um cordeiro. 

Com essas respostas, não será difícil chegar à conclusão correta. Em outras palavras, se você fizer as perguntas que levam até Jesus, vai encontrar as respostas no texto que estiver estudando.

O cordeiro, cujo sangue marcava a porta da casa representou Jesus Cristo - essa é uma das razões pelas quais Ele é conhecido como o Cordeiro de Deus. O sangue de um cordeiro salvou os moradores de cada casa israelita, da mesma forma que o sangue de Jesus na cruz salva cada ser humano que acredita n´Ele. 

Portanto, há naquele evento fundamental da história de Israel uma simbologia que aponta para Jesus e seu sacrifício na cruz. E não foi por acaso que Jesus morreu exatamente num feriado de Páscoa, festa religiosa que comemora a noite em que os primogênitos dos egípcios morreram. 

Palavras finais
Invista seu tempo em estudar e entender a Bíblia. Certamente vai haver alguma dificuldade no começo, mas você vai acabar se acostumando, como acontece com a maioria das tarefas de alguma complexidade que você já enfrentou (ou irá ainda enfrentar) em sua vida.

A diferença em relação às outras tarefas é que a Bíblia vai mudar sua vida. Posso garantir isso.

Com carinho

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O ANIVERSÁRIO DO ESPÍRITO SANTO

A agenda anual da nossa sociedade inclui dias dedicados às mães, aos pais, aos namorados(as), à mulher, etc. Existe em cada uma dessas datas o objetivo de fazer as pessoas se lembrarem de alguém importante na vida delas ou de algum tema social de interesse, normalmente relacionado com um grupo menos favorecido.

Da mesma forma, o conceito de comemorar o dia em que a pessoa nasceu - seu aniversário - tem por objetivo fazer com que todos se lembrem dela.

É interessante perceber que a prática de ter um dia do ano dedicado a determinado tema já existia nos tempos bíblicos. Depois que o povo de Israel saiu do Egito, sob a liderança de Moisés, Deus estabeleceu certas festas religiosas para festejar diferentes temas - a Páscoa comemorava a saída do povo do Egito, o Dia do Perdão (Yom Kippur) servia para o povo lembrar dos seus pecados coletivos e pedir perdão e assim por diante.

Jesus inovou ao instituir não um dia mas um ato - a Santa Ceia - para fazer as pessoas lembrarem da sua morte. E assim todos os cristãos periodicamente comem um pedaço de pão e tomam um gole de vinho (suco de uva) em atendimento a essa ordenança. 

Penso que  Deus instituiu dias ou atos para lembrar determinadas coisas porque Ele sabia que, deixadas por sua própria conta, as pessoas não iriam fazer isso. Nem todos lembram de suas mães como deveriam e aí são, de certa forma, obrigados a fazer isso pelo menos uma vez por ano, no dia em que elas são comemoradas. Igualmente, o aniversário de casamento é a data em que o casal deve se lembrar do compromisso que assumiu de levar uma vida conjunta.

O fato é que as preocupações do dia a dia acabam por engolir as melhores intenções das pessoas. Marcos de comemoração, portanto, permitem às pessoas, de alguma forma, reafirmarem compromissos que assumiram anteriormente e que poderiam acabar esquecidos. 

Sendo assim, proponho uma novidade para sua vida: passe a comemorar com alegria o aniversário da sua conversão. Trata-se daquela data em que você passou a ter certeza que Jesus entrou na sua vida para ficar. O dia em que sua vida mudou de rumo.

Pode ser que você, assim como eu, tenha se convertido aos poucos e não tenha um dia específico na sua memória. Mas sempre haverá um dia em que você teve uma experiência especial com Jesus - pode ter sido uma palavra que lhe causou muita emoção, a resposta a uma oração, ou algo assim. E você pode eleger esse dia como referencia.

Definido o dia, marque-o bem na sua agenda e passe a comemorá-lo. Mas como fazer isso? Quem deve ser celebrado?

Certamente não será você mesmo/a, pois salvação não é obra do ser humano - ela ocorre pela Graça de Deus. Estará sendo comemorada a obra do Espírito Santo - quando Ele tocou sua vida e o(a) trouxe para junto de Jesus. 

Jesus já é comemorado no Natal (nascimento), na Páscoa (morte e ressurreição) e na Santa Ceia. Essa nova data vai comemorar o Espírito Santo. 

Esse passará a ser o seu dia com o Espírito Santo. Quando ele chegar, agradeça e louve a Deus, durante todo o dia. E, sobretudo, renove seus votos de compromisso com Ele. 

Com carinho

segunda-feira, 16 de junho de 2014

FLERTANDO COM O OCULTO

Oculto é tudo aquilo que não se conhece ou não se pode vir a conhecer por meios naturais. Exemplo clássico de algo oculto é o futuro. 

O ser humano é fascinado pelo oculto, o que tem dado origem a todo tipo de prática religiosa: tarot, jogo de búzios, horóscopo, pêndulos com cristais, conversas com espíritos de mortos, etc. E a fascinação não está apenas relacionada com a vontade de adquirir conhecimento sobre aquilo que a pessoa não sabe, mas também sobre a possibilidade de manipular forças sobrenaturais para melhorar a própria sorte (conquistar a pessoa que se ama, conseguir dinheiro e/ou fama ou ainda recuperar a saúde).

Usar esse tipo de práticas é o que apelidei de "flertar com o oculto". E é surpreendente perceber que muitas pessoas que se dizem cristãs frequentem, por exemplo, cartomantes, adivinhos ou centros espíritas. E pratiquem "simpatias" as mais diversas para afastar mau-olhado, atrair pessoas amadas ou ganhar dinheiro. Ou ainda acreditem no poder dos cristais ou dos horóscopos.

A raiz do problema está no fato que esses cristãos se convenceram que não há mal nisso pois suas intenções são boas. Essa mistura de práticas religiosas é chamada de sincretismo, sendo uma tradição em nosso país. Basta visitar a Bahia para ver a força do sincretismo religioso misturando o cristianismo com as religiões afro.

A razão para o perigo
É muito perigoso "flertar com o oculto". Primeiro, porque Deus escolheu falar com os seres humanos de forma bem diferente das práticas relacionadas com o "oculto": Ele usou (e usa) profetas e inspirou pessoas a escreverem textos contendo seus recados (a Bíblia). 

Em segundo lugar, porque a Bíblia é clara quanto à probição de praticar o ocultismo nas suas mais diferentes formas (Deuteronômio capítulo 18, versículos 10 a 12) - por exemplo consultar espíritos dos mortos (necromancia), procurar saber o futuro através das cartas (cartomancia) ou da consulta aos astros (astrologia).

Assim, quando o que está oculto é desvendado ou influenciado através dessas práticas, é evidente que isso não veio de Deus. Mas, se Ele não está envolvido, o poder  usado somente pode ter vindo do campo contrário a Deus - não há outra possibilidade. E é aí que mora o perigo. 

Preserve sempre as pessoas
Agora, é fundamental separar as pessoas que, por ignorância, se dedicam a essas práticas das forças malignas propriamente ditas que estão por trás delas. Essas pessoas podem ser tão bem intencionadas quanto você ou eu, mas provavelmente estão sendo enganadas na sua boa fé. 

A Bíblia é bem clara ao afirmar que a "luta" dos cristãos não é contra "carne e sangue" (pessoas que seguem esses caminhos) e sim contra as "divindades e potestades" (as forças malignas) que estão por trás dessas práticas (Efésios capítulo 6, versículo 12).

Conclusão
Nunca brinque com o oculto, nem mesmo através de coisas que parecem ser inofensivas à primeira vista. Mantenha sua mente e prática de vida distantes dessas coisas. Será muito melhor para você.

Com carinho    

sábado, 14 de junho de 2014

SABER DIZER NÃO QUANDO PRECISO

As sereias, na mitologia grega, eram seres meio mulheres e meio peixes. Moravam numa ilha e cantavam para enfeitiçar os marinheiros dos navios que passavam por perto. Quando enfeitiçados, os marinheiros se atiravam no mar para ir ao encontro das sereias e acabavam devorados. As únicas formas de resistir eram ficar longe ou tapar os ouvidos para não ouvir seu canto.

Os cristãos também estão sujeitos ao "canto das sereias", tentações que a sociedade humana gera para afastá-los do caminho certo. Há muitas coisas que podem ser classificadas nessa categoria como o consumismo excessivo, a ambição sem controle, a busca do prazer a qualquer custo, o egoismo sem limite, etc

E, assim como acontece com as sereias da mitologia somente é possível resistir aos "apelos" da sociedade de duas formas. A primeira delas é ficar longe, fugir do mundo, como fazem aqueles que se retiram para conventos.

É esse o caminho também seguido pelos cristãos que concentram toda a sua vida social dentro da igreja que frequentam - todos os seus amigos estão ali, só vão a eventos organizados pela igreja, só ouvem música gospel, só entram em relacionamentos com pessoas da mesma crença, etc.  

O problema com essa abordagem é que Jesus ensinou que os cristãos devem ser o "sal da terra". Ora, para poder ter esse papel, os cristão não podem fugir da sociedade para evitar se contaminar. Afinal, o sal fora da comida não consegue transmitir gosto.  

A outra alternativa para escapar do "canto das sereias" é tapar os ouvidos. Na prática, isso significa que o cristão não pode deixar que as influências negativas da sociedade passem a dominar sua mente. Significa manter a capacidade de dizer não para tudo aquilo que o poderia afastar de Deus. E isso é muito mais difícil de fazer, mas acredito ser exatamente aquilo que Deus espera dos cristãos.

Os que disseram não
Há vários exemplos na Bíblia de pessoas que conseguiram dizer não quando ouviram o "canto da sereia". Escolhi dois casos representativos para comentar aqui. O primeiro é o de José, filho de Jacó, que foi vendido por seus irmãos como escravo e acabou levado para o Egito. Lá foi forçado a trabalhar na casa de um oficial do faraó chamado Potifar e acabou por conquistar a confiança do seu amo.

Mas a mulher de Potifar queria trair seu marido com José. E não deve ter sido fácil para ele se manter no caminho certo - afinal, José era um escravo e, portanto, não devia de fato lealdade a seu senhor. Depois, ao entrar num relacionamento com a mulher de Potifar, a vida de José poderia melhorar muito e, caso se recusasse, poderia passar a ser perseguido por ela, como de fato aconteceu. E nem estou considerando na discussão os atrativos físicos daquela mulher que certamente não deviam ser pequenos.

Tudo incentivava José a trair seu amo e acredito que a esmagadora maioria dos homens, no lugar dele, teria aceito a proposta da mulher de Potifar. Mas José disse não! E pagou um preço alto: a mulher, ofendida com sua recusa, acusou-o de tentar violentá-la e José acabou indo para a prisão (Gênesis capítulo 39, versículos 7 a 20). E Deus valorizou a lealdade de José - mais adiante ele foi reabilitado e acabou se tornando a segunda pessoa mais importante do Egito.

O segundo exemplo de pessoas que disseram não na hora certa é o de Pedro e João. O caso a que me refiro aconteceu logo depois da ressurreição de Jesus. Os cristãos estavam enfrentando perseguições das autoridades religiosas judaicas para conseguir pregar o Evangelho. E essa repressão violenta acabou no martírio de diversas pessoas, como o do diácono Estevão (Atos dos Apóstolos capítulo 6, versículos 7 a 15). Foi nessa situação que Pedro e João foram presos pelas autoridades judaicas e ameaçados de castigo físico caso continuassem a falar sobre Jesus. 

Mas, apesar da ameaça, os apóstolos disseram não! Responderam às autoridades religiosas judaicas que era mais importante obedecer a Deus do que a eles (Atos dos Apóstolos capítulo 5, versículos 10 a 32). 

E foi porque eles tiveram coragem de permanecer no caminho certo, de dizer não, que Pedro e João servem de exemplo para nós até hoje.

Palavras finais 
Não é fácil ser cristão - gostaria de afirmar o contrário, mas não posso. Jesus chegou a dizer que a estrada a ser trilhada pelo cristão seria estreita, difícil e pedregosa, enquanto a alternativa - a estrada para a "perdição" - era larga, espaçosa e confortável. Muita coisa empurra os cristãos na direção contrária àquela que precisam seguir. E o "canto das sereias" pode ficar atingir volume muito alto. 

Isolar-se, para ficar imune ao "contágio", não resolve o problema pois é preciso viver no mundo. A alternativa é resistir, aprender a dizer não. Mas isso só é possível quando o cristão se apoia numa fé forte, que libera a ação do Espírito Santo na sua vida. 

É essa ação que irá lhe convencer ser a "estrada estreita" o melhor, apesar da aparência em contrário. Que irá consolá-lo, quando parecer que o cristianismo é a pior escolha, e mostrar-lhe os frutos da escolha correta, às vezes pouco evidentes. 

Tenha fé, confie em Deus e aprenda a dizer não para aquilo que pode afastar você do caminho certo. Esse é o desafio que todo cristão enfrenta na vida.

Com carinho

terça-feira, 10 de junho de 2014

PAI OU JUIZ: QUAL A MELHOR FORMA DE ENTENDER DEUS?

O Deus que me ensinaram a conhecer na infância era muito diferente da figura aceita nos dias de hoje. Era uma figura severa, que tudo via e julgava - era como se vivêssemos na casa do "Big Brother", sendo a audiência formada por Deus e seus anjos. Deus era visto essencialmente como um Juiz e o medo da sua condenação - do inferno - era uma realidade muito presente e os sermões dominicais falavam sobre isso com frequência. 

Mas houve uma grande mudança na forma de ver Deus ao longo dos últimos 50 anos. E acredito que para melhor, alguns exageros à parte. O que prevalece na imagem atual de Deus é a figura do Pai. E os ensinamentos cristãos procuram aproximar as pessoas desse Pai e incentivar um relacionamento amoroso e agradável com Ele. 

Basta ver os hinos que cantamos hoje, em comparação com aqueles que cantávamos antes. Antigamente os hinos descreviam Deus e sempre apontavam para a distância que há entre Ele e os homens. Um hino famoso da época diz assim: "Santo, Santo, Santo, Deus onipotente ... Deus soberano, Excelso Criador".

Boa parte dos hinos de hoje falam da relação do cristão com Deus e da necessidade que temos da presença d´Ele. Um exemplo típico é: "Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai...". O tom é bem diferente.

Penso que isso é um avanço e por duas razões. Primeiro porque é muito mais fácil se aproximar e amar um Deus que é Pai. Ou seja, o cristianismo hoje chega de forma positiva aos corações e mentes das pessoas, não mais pelo medo de uma condenação, mas pela alegria de ter a vida preenchida por um Ser magnífico. 

E eu gosto de ver as pessoas mais relaxadas na igreja. Rindo e brincando e comportando-se como se estivessem na sua própria casa. Afinal, é isso mesmo que a igreja deve ser: o lar da família em Cristo. 

Depois porque gosto também de saber que tenho um Pai a quem posso recorrer. Saber que existe um "colo" onde posso me recolher, quando estiver inseguro. E ter certeza que há alguém que se alegra com as minhas alegrias e se entristece com minhas derrotas.

Mas (sempre há um "mas") existe um problema com essa abordagem mais "light" de Deus: a falta de  percepção da sua Majestade e Glória. Embora seja um Pai especial, Deus também é o criador de tudo que existe, um Ser sagrado e puro, que não suporta o pecado.

E a perda da percepção da nossa pequenez diante de um Ser tão fabuloso acarreta na excessiva informalidade e na percepção errada que Deus vai atender tudo que pedimos, como se fosse nosso auxiliar de luxo, e perdoar qualquer ação nossa. E como Deus não funciona assim, existe o risco de que as pessoas tentem construir um relacionamento desequilibrado com Ele.

Pai sim, mas um ser sagrado, puro e que não tolera o pecado. Essa é uma visão mais equilibrada de Deus.

Com carinho 

domingo, 8 de junho de 2014

ÀS VEZES É MELHOR NÃO ATENDER QUANDO PEDEM AJUDA

Volta e meia recebemos apelos para ajudar organizações que precisam de apoio material.  E muitas vezes nos motivamos a ajudar, pensando estar contribuindo para fazer a obra de Deus. 

Mas, infelizmente, a melhor resposta que o cristão(ã) pode dar ao apelo recebido não é ajudar de olhos fechados, apenas levado(a) pela emoção. É preciso se preocupar com o destino real da ajuda que for dada. Por exemplo, lembro-me bem dos donativos enviados para ajudar os flagelados pela enchente da região serrana do Rio de Janeiro de 3 anos atrás que foram desviados. 

Aprendi há muito tempo que é preciso ter o máximo de cuidado com o dinheiro usado na obra de Deus. Esse dinheiro é sagrado e precisa ser tratado com toda consideração. E cabe a quem doa se certificar que seu uso é adequado. Portanto, o correto não é dar e se esquecer do que foi feito.

E não basta verificar que as intenções da obra em busca de ajuda sejam boas. É preciso muito mais. Recentemente deparei-me com o caso de um entidade beneficente, voltada para ajudar dependentes químicos, que funciona de forma irregular, sem respeitar a legislação fiscal e de saúde, o que é inaceitável para uma instituição cristã. 

Por causa disso sempre procuro saber a história da entidade: o que ela verdadeiramente faz, a quem ajuda e como trabalha. Sempre procuro verificar se há mau uso e/ou desperdício dos seus recursos. Também verifico se a instituição funciona de maneira regular. Quem sabe, ao conhecer melhor a entidade, você poderá até se convencer a dar mais do que lhe pediram e/ou até investir seu tempo para ajudar.

E quando percebo que não existe a necessária seriedade, não colaboro com aquela obra e nem recomendo que outros o façam. E não importa se a causa defendida é nobre e/ou as intenções são boas.

Outro aspecto que costumo verificar é se a ajuda dada gera acomodação de quem a recebe. É claro que há pessoas que praticamente nada podem fazer em prol delas mesmas – doentes terminais, deficientes graves, crianças pequenas, etc - mas, excluindo esses casos, todas as demais pessoas podem fazer alguma coisa. 

Quando Jesus realizou o milagre da ressurreição de Lázaro, Ele pediu que os discípulos removessem a pedra que tapava a entrada da sepultura (João capítulo 11, versículos 39 a 44). É claro que Ele tinha poder para também remover a pedra, mas ele não ia fazer pelas pessoas aquilo que elas podiam fazer por si mesmas. E esse é um ensinamento muito importante.

Essa questão me lembra de uma piada. Um médico do interior conseguiu formar seu filho numa faculdade de medicina da capital e o filho voltou para ajudar o pai na sua clínica. Aí o pai resolveu tirar férias pela primeira vez em trinta anos. Antes de sair, recomendou ao filho tratar bens os clientes e, em especial, a dona Marocas, senhora abastada, cliente havia mais de 30 anos. Terminadas as férias, o pai voltou e perguntou ao filho se estava tudo bem. E o filho todo orgulhoso respondeu: “Correu tudo muito bem. Consegui até curar aquela ferida que a dona Marocas tinha na perna há décadas.” E o pai apavorado respondeu: “Meu filho, você matou a galinha dos ovos de ouro. Foi tratando dessa ferida que consegui dinheiro para custear seus estudos”. Há muito líder de igreja e dirigente de ONG que agem exatamente como o médico dessa piada.

Concluindo, nunca reaja apenas pela emoção e pelo sentimento de culpa que muitas vezes aparece quando o apelo por ajuda é feito. Apelos emocionados podem ser somente isso mesmo: chantagem emocional. 

Com carinho

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O PROBLEMA COM O TEMPO

Temos problema constante com o tempo. Andamos sempre correndo e nunca temos tempo para fazer tudo que gostaríamos. E sobra cada vez menos tempo para dedicar às coisas de Deus – ajudar os necessitados, estudar a Bíblia, etc. 

Por outro lado, parece ser que Deus também seus próprios problemas com o tempo, pois frequentemente dá a impressão que Ele tarda a agir e só o faz no último minuto.

Kronos e kairós

É preciso entender que o tempo cronológico (kronos), no qual vivemos, e o tempo de Deus (kairós) são diferentes entre si e não é difícil entender o por quê. 
Deus criou tudo que existe, incluindo o tempo cronológico. Assim, Ele não pode estar ser contido pelos limites impostos por algo que criou, no caso o tempo cronológico, kronos. Deus é eterno - Ele sempre existiu e sempre existirá - e, portanto, o kronos não o afeta.


É evidente que Deus pode atuar no tempo cronológico, como aconteceu quando Ele tirou o povo de Israel da escravidão do Egito. Para entender isso, pense no tempo como um quadro pintado (criado) por Deus - o autor não é contido por esse quadro, pois está fora dele, mas pode intervir na pintura, por exemplo, para fazer um retoque. 

O kairós (tempo de Deus) não é cronológico e deve ser entendido como a oportunidade em que Ele resolve agir - a Bíblia explica isso de forma simples dizendo que, para Deus, mil anos são como um dia e um dia como mil anos.

Os problemas a que me referi no começo deste texto aparecem por causa de dois tipos de divergência entre kronos e kairós. A falta de tempo para fazer aquilo que Deus espera de nós ocorre quando o kronos é insuficiente para atender o kairós. Já nossa percepção de que Deus está atrasado ocorre quando o kairós vem depois do kronos. 

Quando não há tempo suficiente
O bem mais escasso para o ser humano é o kronos já que a vida é finita - ela acaba mais cedo ou mais tarde. O tempo disponível, portanto, é o que limita o que cada pessoa pode fazer ao longo da sua vida. 

Há um sentimento geral que a vida moderna está ficando cada vez mais corrida. Que há cada vez menos tempo. E é fácil explicar porque isso acontece. Primeiro, a sociedade moderna sempre atua no sentido de reduzir o tempo que se gasta para fazer as coisas. As cadeias de "fast food" tornaram possível comer em poucos minutos, os eletrodomésticos fizeram as tarefas domésticas mais rápidas, os meios de transportes buscam proporcionar deslocamentos mais velozes e assim por diante. 


Como passaram a fazer tudo mais rápido, as pessoas passaram a ter mais tempo. E o que elas fizeram como esse tempo adicional? Assumiram mais tarefas, para "aproveitarem" bem seu tempo. E sua vida tornou-se mais complexa. No final, as pessoas passaram a ter um cronograma bem mais apertado. 

É como acontece com o salário das pessoas. Quando uma pessoa ganha uma promoção, nos primeiros meses há uma folga no orçamento. Depois elas aumentam seu padrão de vida e passam a gastar mais e o orçamento fica apertado de novo.

Como não tem tempo suficiente, as pessoas tentam ajustar esse desequilíbrio deixando de fazer aquilo que parece ser menos importante – por exemplo, diminuem o tempo gasto em comer, algumas comem até andando. Elas deixam de lado as tarefas "menos produtivas" e privilegiam as demais. 

E acaba faltando tempo para olhar o por do sol e as estrelas, curtir as pessoas queridas ou fazer a obra de Deus. O paradoxo é que são essas as coisas que acabam dando sentido verdadeiro à vida. Como sair desse dilema? 


A resposta é simples de explicar, embora difícil de fazer: entregue seu tempo kronos para Deus. Quando a pessoa faz isso, duas coisas acontecem. Primeiro, a produtividade do tempo aumenta, pois tudo irá fluir melhor, já que Deus toma conta do que é seu. O tempo vai "render" mais.

Depois, Ele ajudará a pessoa a escolher melhor suas prioridades, deixando de lado aquilo que não tem importância verdadeira. E assim vai haver tempo para fazer o que precisa ser feito, o que verdadeiramente importa.


Um exemplo simples caracteriza isso bem. Todos concordam que a televisão brasileira é de péssima qualidade, mas as pessoas gastam em média 6 horas por dia na frente dela - é como um vício. Mas Deus pode mudar isso sem qualquer sofrimento para a pessoa e orientá-la a usar esse tempo de forma melhor – hoje eu praticamente não vejo mais televisão e não sinto qualquer falta, mas já senti e muito. 


Quando Deus comanda o kronos, tudo que precisa ser feito é feito na hora certa. Simples assim.

Quando Deus parece demorar
O povo de Israel ficou escravizado no Egito por mais de quatrocentos anos, sempre pedindo a intervenção de Deus. E Ele havia prometido mandar um libertador, mas muitas gerações se passaram sem que Moisés chegasse. 

No kairós, o tempo de Deus, a missão de Moisés já estava em andamento desde que Ele fez sua promessa ao povo, mas foi preciso esperar a época adequada no tempo cronológico. Moisés chegou exatamente quando tinha que chegar, quando o Egito estava enfraquecido pela ação de seus inimigos, o que deu a Israel condições para se estabelecer com tranquilidade na Palestina.

A época em que Jesus veio ao mundo também foi escolhida a dedo. Embora impiedosos, os romanos introduziram ordem num mundo caótico (a chamada Paz Romana), construíram boas estradas, desenvolveram a navegação comercial, coisas que permitiram, por exemplo, as viagens missionárias de Paulo. Sem a Paz Romana,  teria sido muito mais difícil o cristianismo se espalhar com velocidade.


A resposta para quando Deus parece estar atrasado é a fé, a confiança que Ele faz as coisas quando elas devem ser feitas, nem antes nem depois

Com carinho