segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

UMA MENSAGEM PARA QUEM ESTÁ TRISTE NESTE NATAL

Eu sempre sinto certa nostalgia no Natal, pois lembro das comemorações na casa da minha avó, quando minha irmã caçula ficava esperando o Papai Noel chegar e eu me sentia orgulhoso, porque já sabia que o "bom Velhinho" não existe. Tudo isso passou, como também passaram os maravilhosos almoços de Natal, sempre no dia 25 de dezembro, na casa da minha mãe. Ficou apenas a saudade.

Muitas pessoas também têm momentos de nostalgia no Natal, ao relembrar as coisas boas que passaram. Mas, para muitas outras, o problema é muito mais sério do que uma saudável nostalgia - trata-se de tristeza profunda e cruel. 

E esse sentimento pode vir de famílias irremediavelmente fraturadas, onde as pessoas não podem nem mais comemorar o Natal em conjunto. Ou pode vir de sonhos frustrados pelas circunstâncias da vida, como desemprego, falta de dinheiro, etc. Pode ter vir também de doença incapacitante de alguém querido. Ou ainda pode se dever àquela sensação de profunda solidão ou completo fracasso, que se traduz na chamada “noite escura da alma”.         

É para você, que se sente triste assim neste Natal, que escrevo este texto. E escrevo porque sei bem como é terrível estar triste num momento em que o mundo parace cobrar uma grande alegria de todos - "afinal, é Natal", dizem os outros. 

Aí vão então algumas sugestões, testadas por mim na prática, quando enfrentei minha própria “noite escura da alma”:

1) Admita a tristeza para si mesmo e, se necessário, para os outros. Não tente mascarar o que está acontecendo. E deixe claro para os outros que você não quer estragar a comemoração de ninguém, mas que não vai aceitar pressões para “ficar alegre” - ninguém merece enfrentar horas de tortura numa festa, onde não quer estar.

2) Faça um bom exame de consciência sobre a causa dessa tristeza. O que deu errado? Em alguns casos isso é evidente. Mas, é muito comum que sentimentos como raiva, angústia, inveja e medo estejam sejam difíceis de identificar e “organizar” na mente.

3) É aí que entra a Deus: fale com Ele e abra seu coração. Diga tudo que vai na sua alma - não precisa usar meias palavras, pois Ele já sabe mesmo de tudo. Ao falar, você estabelecerá um vínculo espiritual com Ele, como aquele que existe entre dois confidentes, e isso é muito importante.  

4) Peça ajuda para Ele e reconheça sua dependência total d´Ele. E insista: fale com Deus mais de uma vez - isso foi o que Jesus nos ensinou a fazer. Sua insistência demonstrará seu compromisso com uma solução.

5) Tenha confiança que Deus vai vir em seu socorro: não sei quando, nem como, pois Ele não segue a lógica humana. Mas Ele virá a tempo, posso garantir isso para você.

6) Finalmente, esteja atento/a para perceber quando e como a ajuda está sendo dada. Uma vez eu precisava de   certa quantia, para pagar uma prestação de um apartamento - aí por volta de 1990. Vinha orando para que Deus mandasse ajuda. Aí minha madrasta ligou, oferecendo dinheiro emprestado. Minha primeira reação foi dizer que não precisava, pois confiava na solução que viria de Deus. Então ela me disse algo que nunca vou esquecer: “como você sabe que não foi justamente Deus que me enviou para ajudar você”. Portanto, Ele vai ajudar da forma como entende ser a melhor, que não é necessariamente aquela que você imagina. 

Faça da tristeza deste Natal o início de uma nova caminhada, tendo Jesus como guia e protetor. Posso garantir que não há nada melhor.

Com todo o meu carinho, um bom Natal para você

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

E SE TENTAM IMPOR PROIBIÇÕES DEMAIS SOBRE SUA VIDA?

Os evangélicos vem gerando diversas polêmicas relacionadas com a proibição de certas práticas de vida. Entraram recentemente nessa polêmica, dentre outros, o uso de enfeites de Natal (veja mais) e a figura do Pai Noel (veja mais). Mas a polêmica vai muito além e inclui itens como festas juninas, comida de origem baiana, vários tipos de música secular, certos filmes ou programas de televisão, dentre outros - o rol é tão grande que até fica difícil enumerar tudo.

O que move os líderes evangélicos que se colocam contra essas cooisas (no todo ou em parte) são duas preocupações importantes, que eu inclusive reconheço serem muitas vezes bem intencionadas: 1) evitar que as pessoas sejam submetidas a influências ruins que as levem ao pecado (a "batalha pela pureza") e 2) evitar que as pessoas, muitas vezes sem saber, possam dar brechas para ação de forças malignas nas suas vidas. 

A batalha pela pureza
Manter-se puro é parte importante da luta do cristão. E um dos segredos do sucesso, sem dúvida, é evitar se expor a tudo aquilo que possa "contaminar" a pessoa, levando-a ao pecado. 

Mas o que verdadeiramente pode contaminar o coração de um cristão? O próprio Jesus respondeu a essa pergunta (Marcos capítulo 7, versículo 15): unicamente o que vem de dentro dele mesmo. Assim, sentimentos como inveja, hipocrisia, luxúria, etc, é o que devemos temer e evitar.

É claro que há práticas de vida que facilitam esses sentimentos ruins prosperarem. Por exemplo, uma pessoa que lute para conseguir status na vida, certamente vai ter mais problemas com a inveja e/ou o orgulho. Se uma pessoa bebe e perde o auto-controle, certamente pode ter mais problemas com a raiva e/ou a luxúria.

Portanto, os cristãos precisam tomar cuidado com os hábitos que adotam, os locais que frequentam, as pessoas com quem convivem, etc. É até uma questão de bom senso.

Mas também fica claro, por aquilo que Jesus falou, que o problema está mesmo dentro das pessoas e, portanto, proibições de natureza geral (tipo "nenhum cristão pode fazer isso ou aquilo") de pouco adiantam. Afinal, o que afeta muito a uma pessoa, pode nada afetar a outra e vice-versa. 

Muito melhor é discipular as pessoas, enisando-lhes o que é certo ou errado e os riscos que correm, para que elas passem a reconhecer aquilo que lhes pode "contaminar" o coração e aprendam a controlar essas tentações. Estando a pessoa corretamente discipulada, ela saberá usar seu livre arbítrio de forma correta. 

Influências malignas
A outra motivação que leva muitos líderes evangélicos a proibirem determinadas práticas, especialmente quando sua origem não seja cristã, é o receio de que elas possam trazer influências malignas sobre a vida das pessoas, fazendo-as correr riscos que nem pesnam existir.

É claro que há alguma verdade nisso tudo. Por exemplo, eu nunca teria na minha casa um objeto consagrado num culto de umbanda, por simples questão de prudência. É claro que posso pedir a Deus que me proteja, e conto com essa proteção, mas cabe a mim não ser imprudente. É como evitar andar de madrugada, sozinho, por uma periferia afastada de uma grande cidade brasileira.

Mas, essas proibições estão ficando, em alguns casos excessivas. E também é preciso usar um pouco de bom senso nessas avaliações. Por exemplo, hoje, para muitos evangélicos, tornou-se proibido quase tudo que se refira ao folclore brasileito, pois as origens dessas manifestações são africanas e/ou índígenas e/ou provenientes de festas religiosas da Igreja Católica. Assim, os brasileiros vão acabar perdendo sua identidade como povo, por renegar quase tudo que está na sua origem.

Outro dia eu conversava com uma pessoa que segue estritamente as leis do Velho Testamento. Por causa disso, ele não come nada preparado no sábado, pois é proibido trabalhar nesse dia. Então ele olha o rótulo de cada alimento que consome para verificar quando foi fabricado e não compra se tiver sido num sábado. 

Aí eu lhe perguntei como ele podia garantir que o alimento que consome não foi transportado num sábado, ou se os ovos das galinhas não foram colhidos ou as vacas ordenhadas nesse dia da semana? É claro que ninguém pode garantir isso numa sociedade como a nossa. Portanto, a luta do meu amigo vai necessariamente até certo ponto e, a partir daí, ele precisa "fechar os olhos" para conseguir viver. 

E assim é com a questão das influências não cristãs na nossa sociedade: são tantas e tão difundidas, que não é possível expurgá-las da nossa vida. Logo, quem tenta ir por esse caminho acaba necessariamente tomando decisões incoerentes: proibe algumas coisas - por exemplo a festa junina - e aceita outras, como comemorar o Natal no dia 24 de dezembro, ou as vestes litúrgicas cristãs, ou ainda o conceito do Verbo Divino, trazido pelo apóstolo João, tomado por empréstimo da filosofia grega, só para citar alguns exemplos.  

Tanto é assim, que Deus não fez esse tipo de exigência quando os israelenses construiram o Templo de Salomão, com base num modelo de arquiteura muito usado pelos pagãos e recorrearm a artesãos desses povos para lhes ensinarem a trabalhar a pedra e a madeira (veja mais).

Outro problema que está se tornando muito comum é ver a ação de Satanás em qualquer coisa e lugar. Meses atrás ouvi um pastor, a quem respeito, dizer que se deixasse uma gota de álcool entrar na sua boca, estaria dando uma brecha (o jargão utilizado foi "legalidade") para Satanás agir contra seu ministério. 

Eu fico me perguntando como isso pode ser verdade, se Jesus bebeu vinho por diversas vezes na sua vida e nunca deu "legalidade" alguma para qualquer ação do Diabo na sua vida. Ou seja, é preciso muito cuidado com esse tipo de afirmação e, ainda mais, com a elaboração de doutrinas sobre esse tipo de coisa.

Palavras finais
Antes de dizer que tal coisa é pecado e/ou proibida por trazer influências malignas, por sua origem pagã, verifique bem o que a Bíblia ensina a respeito. 

Caso contrário você corre o risco de cair no legalismo. E, durante seu ministério, Jesus travou uma luta incessante contra aqueles os fariseus - os legalistas daquela época -, que se preocupavam em controlar tudo na vida das pessoas. 

E Jesus foi implacável com eles, por entender que uma religião desse tipo aprisiona o ser humano, afastando-o de Deus, ou acaba dando espaço para a hipocrisia. E essa não é, e nunca foi, a essência do cristianismo.

Com carinho  

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

OS SÍMBOLOS DO NATAL SÃO PAGÃOS?

Todo ano, nesse período de Advento, quando as decorações especiais são colocadas e as festas programadas, trava-se uma discussão interminável entre os evangélicos: As decorações de Natal (árvores, bolas e outros enfeites) são símbolo pagãos? E se forem, podem ser usados na decoração de ambientes cristãos?

O fato é que pessoas muito sérias e bem intencionadas têm opiniões diferente a respeito dessas questões. Alguns aceitam as árvores de Natal, enquanto outras fogem delas.  E argumentos são apresentados a favor de uma visão ou da outra.

E aí os fiéis ficam confusos, sem saber bem em quem acreditar e que orientação seguir.

As raízes da divergência
A questão teológica por trás dessa divergência tem a ver com a questão das tradições pagãs incorporadas à vida cristã. A ideia daqueles que são contra é evitar fazer uso de tudo aquilo que teria potencial para contaminar nossas vidas e dar espaço para a ação do Inimigo. 

Ora, como a árvore de Natal, as bolas coloridas, as estrelas, enfim praticamente todas as decorações de Natal, vieram de tradições pagãs, tudo isso deveria ser evitado, segundo os defensores dessa linha de pensamento.

Os que pensam de forma contrária, defendem que o importante é o uso que se dá às coisas e não a origem delas e, portanto, não haveria mal nenhum em seguir essas tradições.

A questão da influência pagã no meio cristão
O problema para os defensores de evitar as tradições pagãs, que acabaram absorvidas pela nossa cultura, é que não há como separar o "joio do trigo". Muitas tradições estão tão imbrincadas na vida cristã, que não haveria como eliminá-las. 

E vou começar com um exemplo fácil: todos que evitam a árvore de Natal, comemoram o nascimento de Jesus na noite do dia 24 de dezembro. Mas, na verdade não sabemos em que dia Jesus nasceu e certamente não foi no dia 24.

Por que então foi escolhida essa data pelos cristãos? Simples, por que ela correspondia, no Hemisfério Norte, ao solstício de inverno, data em que havia uma grande comemoração pagã, dedicada ao Sol Invictus. Para derrotar essa tradição pagã, os líderes religiosos cristãos começaram a comemorar o nascimento de Jesus em paralelo a ela. Em outras palavras, a data do dia 24 foi, indiretamente, escolhida pelos adoradores do Sol Invictus.

Sendo assim, os cristãos que querem fugir da influência das tradições pagã não deveriam comemorar o Natal na noite de 24 de dezembro - poderiam escolher qualquer outra data, mas nunca essa.

O fato é que os exemplos de influencia pagã na cultura cristã são muito maiores do que podemos imaginar. E vou começar pelo terreno das ideias que hoje recheiam a teologia cristã. Boa parte delas tiveram origem na filosofia grega - Platão, Aristóteles e outros - e foram aplicadas no desenvolvimento da doutrina cristã. Um belo exemplo é o Verbo Divino, Cristo, citado no começo do Evangelho de João (capítulo 1, versículo 1), que toma de empréstimo o conceito do "logos" da filosofia grega. 

Vou agora dar um exemplo que vem da forma como os templos cristãos são organizados. Toda igreja tem um púlpito, lugar muito especial, pois quando o pastor fala dali a congregação acredita que o Espírito Santo o está dirigindo naquilo que diz. Por causa disso, o púlpito coloca fisicamente o pregador acima da congregação. E o pastor somente sobe ao púlpito quando vai falar para a congregação, sendo que nos demais momentos, ele fica no mesmo "nível" das demais pessoas.

A ideia do púlpito deriva das cadeiras para leitura existentes em diferentes locais públicos, inclusive templos, de tradição grego-romana (pagã) - esse conceito, por exemplo, não existia no Templo de Salomão. Foi depois adotado pelo judeus nas suas sinagogas (eles não tinham escrúpulos em adotar boas ideias dos pagãos) - foi de uma cadeira como essas que Jesus leu do livro do profeta Isaías, na sinagoga em Nazaré, quando estabeleceu qual era sua missão nesse mundo (veja mais).

Posteriormente essa cadeira foi para trás do altar e passou a se chamar "cathedra" e dali os sermões eram lidos pelo bispo (antes da Reforma protestante). Em outros casos, migrou para a lateral, passando a ser conhecida como púlpito, nome derivado de uma palavra em latim, imaginem. que significa palco.

Outro exemplo é a forma como o sermão é hoje ministrado à congregação - o pregador fala e todos escutam. No tempo de Jesus e no início do cristianismo, a pregação era feita com a particpçaõ dos ouvintes, com base em perguntas e respostas, como podemos ver vários exemplos no Novo Testamento. A forma atual deriva dos sofistas, professores de retórica e dos debates em praça pública nas cidades gregas, sempre em ambiente pagão. 

O mesmo poderíamos dizer das vestes litúrgicas (estolas sacerdotais), da decoração do altar com cores representativas das diferentes épocas do ano, da arquitetura das catedrais, etc, etc.

O que fazer então? Abandonar todas essas influencias? Penso que seria impossível e acho que Deus nem requer isso de nós. Afinal, o Templo de Jerusalém foi construído por Salomão, segundo as orientações dadas pelo próprio Deus. O edifício principal tinha, na entrada, duas colunas enormes, decoradas com romãs (1 Reis capítulo 7, versículos 15 a 22). Ora, esse tipo de arquitetura era muito comum em templos pagãos, bem anteriores aos de Salomão, conforme a arqueologia já demonstrou fartamente. 

Além disso, os israelitas que trabalharam na construção desse Templo apredenderam com artesãos do Líbano, os melhores do mundo, mas que eram pagãos (1 Reis capítulo 5, versículos 13 e 14). E usaram no Templo a mesma arte que aprenderam. 

E por causa disso Deus desprezou o Templo? Não, muito pelo contrário: Ele o encheu com sua presença (1 Reis capítulo 8, versículo 11). 

Palavras finais
Respeito aqueles que pensam diferente e evitam esse ou aquele simbolo usado no Natal. Respeito também aqueles que decidem não comemorar o Natal no dia 24 de dezembro e escolhem outro dia qualquer. Tudo isso é questão de fôro íntimo que não cabe a ninguém criticar. 

O que mostrei aqui é não ser possível estabelecer doutrina sobre essas coisas. Assim, cada um faça aquilo que entende ser correto - o que sua consciência cristã lhe diz para fazer - e, a partir daí, tenha paz com Deus.


Com carinho

domingo, 9 de dezembro de 2012

O DIVÓRCIO É PECADO?

Esse é um tema muito, mas muito controvertido, entre os cristãos. Hesitei um pouco em me pronunciar sobre ele pois, como sou divorciado, poderia não ter a necessária isenção para tratar dele. Mas, pensando melhor, acho que não posso me furtar a dizer o que penso, mesmo que seja criticado por isso - os leitores deste blog merecem isso de mim.

E quero deixar bem claro, desde o início, que o divórcio não é uma boa saída para os problemas conjugais. Pode ser até a única saída disponível, em determinados casos, mas o divórcio sempre traz sofrimento, tanto para o casal, como para os filhos. E sempre deixará atrás de si a sensação de fracasso, pois o divórcio é exatamente isso - o fracasso de manter uma relação muito importante. Portanto, todo esforço deve ser feito para preservar os casamentos, sempre que possível.

Mas ainda assim é preciso ter uma resposta para as inúmeras pessoas cristãs, como foi meu caso, que se vêem ante o divórcio. Divorciar-se é pecado? Divorciar-se e casar de novo é adultério?

Uma discussão apropriada do tema, em todas as usas nunaces, seria muito longa para o espaço que tenho aqui. Assim, poderei apenas esboçar os principais argumentos para tentar tirar o peso que muitas vezes é jogado sobre os ombros das pessoas, que já sofrem com a separação em si, quando esse ato é rotulado de "pecado" grave.
O que Jesus disse 
A base dessa discussão está em dois textos bíblicos, um de Jesus e outro do apóstolo Paulo e vou começar pelo que Jesus disse. 

Antes de tudo, é preciso entender o pano de fundo para o pronunciamento de Jesus. Em Deuteronômio capítulo 24, versículo 1, a lei que diz que o marido podia se divorciar da mulher no caso de "coisa indecente" praticada por ela. A questão que havia, então, era como definir "coisa indecente" - é importante perceber que a discussão é sempre dos direitos do homem quanto a pedir o divórcio, pois a mulher nunca podia tomar essa iniciativa.

Havia duas escolas rabínicas que competiam entre si: a de Hillel e a de Shamai. Hillel sempre interpretava as leis de forma mais liberal e, quase sempre, Jesus concordava com suas abordagens. E na controvérsia sobre o divórcio, Shamai interpretou a lei dizendo que o divórcio somente poderia ser possível se a esposa fosse infiel ou se deixasse de prover cuidado emocional e material ao marido (Êxodo capítulo 21, versículos 10 e 11). Já Hillel, entendeu que "coisa indecente" se aplicava a muitas situações e, portanto, um homem podia se divorciar até por não gostar da comida da esposa ou por ela ter envelhecido. 

Jesus foi pressionado pelos fariseus a se pronunciar sobre essa controvérsia e ele respondeu da seguinte forma (Mateus capítulo 19, versículo 9): 
"Quem repudiar sua mulher, não sendo por relações sexuais ilícitas, e casar com outra, comete adúlterio (e o que casar com a repudiada comete adultério"
Em outras palavras, Jesus disse que, nesse caso, Ele apoiava a interpretação mais restritiva de Shamai, limitando as razões válidas para divórcio. E a razão foi simples: a posição mais rígida era a que melhor defendia a mulher, a parte mais fraca no casamento.

Infelizmente há muitos que olham para as palavras de Jesus e as tomam ao pé da letra: entendem que Ele proibiu o divórcio, em qualquer situação, exceto em caso de adultério. Mas essa interpretação é muito problemática, pois se levarmos o texto ao pé da letra, a proibição se aplicaria apenas ao divórcio por iniciativa dos homens e as mulheres estariam livres para se divorciar sem restrição, pois elas não foram citadas por Jesus.

Mas é claro que Jesus não se referiu às mulheres porque elas não podiam pedir divórcio e certamente o ensinamento se aplica também a elas. Ora, para chegar a essa conclusão é preciso considerar as circunstâncias em que o ensinamento foi dada e aí a interpretação não é mais apenas ao pé da letra. 

E, se vamos levar em conta as circunstâncias, é preciso considerar a questão entre Hillel e Shamais, que mencionei acima e que Shamais, com quem Jesus concordou, também também admitia como válidas, para fins de divórcio, a negação de cuidados físicos e emocionais. 

Portanto, a melhor leitura do ensinamento de Jesus é: o divórcio não pode ser fator de injstiça, quer contra o homem, como contra a mulher. Quando isso ocorre, o divórcio é pecado. E a injustiça está sempre presente quando não motivo aceitável: infidelidade e negação de cuidados físicos ou emocionais.

O que Paulo disse                                                              (1 Coríntians capítulo 7, versículos 3 a 15)
"O marido conceda à esposa o que lhe é devido e também semelhantemente a esposa a seu marido...Ora, aos casados, ordeno, não eu mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se que não se case, ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte da sua mulher ... Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos não fica sujeito à servidão, nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamdo à paz."
Paulo começa por dizer que os esposos devem conceder um ao outro o que lhe é devido. E não detalha o que é isso, exceto no que tange aos direitos relacionados com o direito ao sexo. Isso porque todos os leitores daquela época conheciam os textos de Êxodo e Deuteronômio que citei acima, que se referem à fidelidade e obrigação de cuidados físicos e emocionais.
 
A seguir Paulo usa palavras fortes proibindo o divórcio. Mas, pela ordem do texto, onde ele colocou antes a obrigação e depois a proibição, fica claro, a meu ver, que a proibição se aplica desde que a obrigação tenha sido cumprida. Ou seja, se a esposa (ou o marido) cumprir for fiel, der apoio moral e material ao seu marido, é proibido divorciar-se dela. 

O que vemos aqui é Paulo falando mais ou menos o que Jesus já tinha dito: o divórcio por motivos fúteis, é pecado

Mais adiante, Paulo dá uma outra possibilidade que pode ser alegada para pedir divórcio: o abandono de um cônjuge pelo outro. E faz todo sentido, porque um cônjuge abandonado não pode receber apoio material e emocional. 


Ao final, Paulo diz ainda algo de grande importância: Deus nos chama para termos paz! Ou seja, aparece aí um qualificador para o casamento, que permite entender melhor quando é possível pedir divórcio, de forma lícita: onde não há mais esperança de haver paz.  


Palavras finais
Assim, situações onde um dos cônjuges nega ao outro amor, comete abusos emocionais e físicos, trai repetidamente ou abandona, dentre outras, podem caracterizar uma quebra de confiança irrecuperável dentro do casamento. E aí a paz conjugal não mais poderá ser reestabelecida. 

Abre-se, então, espaço para o divórcio, sem que haja pecado, bem como para reconstrução da vida daquele/a que se divorciou com outro/a parceiro/a. 

Concluindo, o divórcio em si não é pecado, desde que haja razões justas para ele. Pecado é aquilo que antecede e justifica o divórcio: desamor, falta de tolerância, quebra da confiança, e assim por diante.

Com carinho


 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

VENCER OU FLORESCER?

Um dos ministros do Supremo Tribunal Eleitoral tem uma história de vida muito bonita, pois começou bem pobre e lutou muito para chegar onde hoje está. Normalmente, em casos como esse, diz-se que a pessoa "venceu" na vida. Também é costume falar o mesmo de quem ganhou dinheiro, adquiriu fama ou poder.

A Bíblia também usa metáforas de disputa ou de guerra para apresentar verdades espirituais. Por exemplo, ela fala em "vencer" a tentação, "vencer" a "corrida" para a vida eterna, ou lutar uma "batalha" espiritual contra as forças do mal. O apóstolo Paulo chega até mesmo a detalhar uma "armadura" espiritual que o cristão deve usar para se defender dos ataques do mal (Efésios capítulo 6, versículos 10 a 18). 

Sem deixar de reconhecer que esse tipo de metáfora é muito útil para descrever os embates que existem tanto na vida material quanto espiritual, penso que há uma ênfase excessiva nesse tipo de abordagem, que ofusca uma verdade maior em nossas vidas: nosso objetivo real na vida deve ser "florescer", ou seja realizar plenamente nossas potencialidades como seres humanos. 

E "florescer" é muito diferente de "vencer". É claro que uma pessoa que "vença" na vida também pode "florescer" nela - uma coisa não impede a outra. Mas é importante perceber que vitórias não garantem automaticamente um florescimento da pessoa como ser humano - afinal, é comum ver gente vitoriosa profissionalmente que é um desastre na vida pessoal e/ou espiritual.

As condições para "florescer"
Uma planta, ao florescer, cumpre sua missão na vida - é preciso lembrar que a reprodução das plantas está ligada às flores e/ou aos frutos, ou seja sem florescimento a planta não deixa descendência. 

E para que uma planta floresça é preciso duas coisas: estar  saudável e que o tempo seja o certo. E no campo espiritual ocorre o mesmo: para sua vida espiritual "florescer" você vai precisar ter "saúde" e estar no "tempo" certo de Deus. 

A saúde da planta tem a ver com a qualidade da terra onde está assentada, o acesso à água abundante e à luz do sol, bem como à capacidade de resistir aos inimigos - as pragas, insetos, etc. 

Na parábola do semeador, Jesus falou exatemente sobre isso: na vida espiritual, a semente do Evangelho de Cristo é lançada em muitos tipos de terra diferentes e somente floresce quando a terra (a pessoa e suas circunstâncias de vida) é adequada para isso (Mateus capítulo 13, versículos 10 a 23). Em outras palavras, a "terra" é boa quando a pessoa é receptiva ao Evangelho e não deixa que as demais preocupações da sua vida abafem seu "florescimento" espiritual.

A água e a luz do sol, necessárias para a nutrição da planta, se referem à presença do Espírito Santo na vida da pessoa - sem Ele, não há como ter energia uma levar uma vida espiritual saudável.

A resistência da planta às pragas, insetos, etc, tem a ver justamente com a capacidade da pessoa de resistir aos ataques do mal (tentações, opressões, etc), o que se consegue vestindo a "armadura" espiritual a que me referi acima.

O tempo certo para florescer
Mas não há florescimento possível duma planta fora do tempo certo. E há dois aspectos a levar em conta aí. O primeiro é o amadurecimento do organismo da planta - se ela acabou de ser plantada, mesmo com boa terra, água e tudo o mais, não vai poder dar flores e/ou frutos, pois suas estruturas orgânicas não estão prontas. É preciso esperar pelo necessário amadurecimento.

O mesmo se dá na vida espiritual: o apóstolo Paulo escreveu que o cristão precisa amadurecer espiritualmente para poder entender plenamente e viver de fato aquilo que Jesus ensinou.

O segundo aspecto é a estação do ano: se ela não for a primavera ou o verão, não há florescimento - afinal, plantas não dão flores ou frutos no inverno. E a chegada da estação certa não depende da planta e sim do ciclo da natureza, mas quando a primavera chega, a planta precisa estar pronta. 

A estação certa para o cristão é o tempo que Deus determinar para ele. E o tempo de Deus é diferente do nosso, pois para Ele, mil dias são como um segundo e vice-versa (veja mais).

Certa vez, comecei a conversar com um taxista e ele me confessou que tinha ouvido falar de Jesus muito tempo antes e que aquela palavra estava dentro dele, incomodando-o, embora ele não tivesse feito nada a respeito até então. Depois da nossa conversa, ele me disse que ia finalmente buscar uma igreja e passar a viver o cristianismo.

Para aquele taxista, o plantio da semente tinha sido feito muito tempo antes e a semente ficou lá adormecida. E o tempo de Deus para isso, não sei porque, só chegou quando ele conversou comigo. 

As consequências do florescimento
Primeiro e talvez o mais importante, seja a capacidade de reproduzir, pois sementes ficam nas flores ou frutos. E assim também é na vida espititual - quem floresce tem condições de trazer outras pessoas para Cristo. 

A segunda consequência é que uma planta com flores e frutos é linda de se ver e cheirar. E o mesmo acontece na vida espiritual: aquele que "floresce" passa ser alguém do qual todos querem se aproximar para se alimentar e para sentir o "bom perfume" de Cristo.  

Portanto, seu principal objetivo na vida não é "vencer" e sim "florescer". Vitórias são imprescindíveis, mas constituem apenas um meio através do qual você poderá "florescer" espiritualmente, realizar todo o seu potencial como ser humano. 

Com carinho

sábado, 10 de novembro de 2012

BASTA A CADA DIA O SEU MAL?

"Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? ou: Com que nos vestiremos? ... não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal." Mateus capítulo 6, versículos 31 a 43
Na passagem que transcrevi acima, Jesus estava ensinando as pessoas a não ficarem ansiosas quanto ao dia de amanhã e a confiarem mais em Deus. E aí, na última frase, Ele disse que "bastava a cada dia o seu próprio mal". O que será que Ele quis dizer?

Para explicar isso, vou começar com o exemplo de uma pessoa que tem tendência para engordar e precisa fazer regime: ela pode conduzir esse processo de três formas diferentes:
  • Um regime radical para perder todo o excesso de peso logo - algumas pessoas recorrem até a remédios para conseguir isso -, e poder depois voltar ao dia-a-dia normal. Trata-se de sofrer muito mas por um período limitado.
  • Uma dieta pré-estabelecida, mas menos radical, seguida religiosamente todos os dias. Trata-se de sofrer um pouco a cada dia
  • Re-educação alimentar para adquirir novos hábitos que mantenham o corpo em equilíbrio e sem sacrifício, assim a dieta se torna desnecessária. Trata-se de mudar para não sofrer mais.   
Qualquer um diria que a terceira alternativa é a melhor e mais eficiente, a longo prazo. Mas a maioria das pessoas parte para a primeira alternativa; um grupo bem menor escolhe a segunda, enquanto poucos, muito poucos, adotam a terceira. Por que? 

A luta diária
A motivação para passar pelo sacrifício que for, mas resolver o problema de uma vez só, tem um apelo psicológico enorme, mas infelizmente quase nunca resulta em sucesso. Afinal as fraquezas e tentações teimarão em voltar e sempre será preciso lidar com elas. 

Vou dar um exemplo no plano espiritual: imagine alguém que vá a um retiro e tome um "banho" de ensinamentos bíblicos e testemunhos tocantes e, ao final, prometa mudar de vida. Os retiros espirituais são bons, sem dúvida, para despertar a pessoa, mas ali as tentações diárias estão controladas. O problema surge quando a pessoa volta para a vida normal: essa pessoa vai ter que lutar diariamente, enfrentando o "mal de cada dia" - tentações, fraquezas, desapontamentos, etc.

Foi isso que Jesus quis dizer. E Ele continuou batendo nessa mesma tecla na oração do Pai Nosso, onde nos ensinou a pedir apenas "o pão nosso de cada dia". Não o pão de amanhã ou o bastante para os próximos 100 dias, apenas o que precisamos para enfrentar o "mal" de hoje.

Isso porque todos nós precisamos de Deus a cada dia, tanto para receber o "pão físico" (coisas materiais), como o "pão espiritual" (força contra as tentações, escolha entre certo e errado, etc). E para isso é preciso estar em contacto diário com Ele, orando e lendo a Bíblia - não dá para fazer um esforço extra e juntar numa tarde tudo o que seria necessário fazer em um mês.

O melhor caminho
E quanto às duas outras possibilidades: "sofrer um pouco todos os dias" ou "mudar para não sofrer"?

A maioria dos cristãos acaba por escolher, conscientemente ou não, a alternativa de "sofrer um pouco a cada dia": mantém suas prioridades e desejos básicos (que existiam antes da conversão) e luta diariamente para mantê-los sob controle, sem se desviar do bom caminho. 

Por exemplo, alguém que tenha um desejo exacerbado por consumir, faz um orçamento e luta por se manter dentro dele, pois pensa que se consumir aquele tanto "permitido", estará tudo bem. Assim a cada mês essa pessoa vai precisar abrir mão de algo que deseja, porque o orçamento estourou.

Mas não seria bem melhor se a pessoa curasse de uma vez por todas essa compulsão, pois aí o sofrimento acabaria? Claro que sim, embora poucos sigam por esse caminho, preferindo apenas controlar as coisas para que elas não fujam ao controle. 

Esse tipo de mudança é chamada na Bíblia de santificação, pois ao fazer isso a pessoa fica mais parecida com Deus e, portanto, mais próxima d´Ele.  

E repare que santificação não quer dizer necessariamente abstinência de fazer alguma coisa. Voltando ao exemplo da pessoa que gosta de consumir: ela poderia continuar a consumir aquilo de que precisasse realmente e não precisaria se privar de nada. Mas deixaria de ser escrava do consumo - quando comprasse algo é porque realmente teria necessidade daquilo- e aí não mais seria preciso ter mecanismos de controle.


Eu sempre gostei de acompanhar futebol, como a maioria dos brasileiros. Quando jovem, minha, digamos, devoção a determinado time ia além da conta. Na hora do jogo, eu não podia fazer outra coisa, pois ficava totalmente absorvido pelo que estava contecendo no campo.


Hoje eu continuo a gostar de assistir os jogos e não me privo desse prazer, quando posso, mas isso deixou de controlar minha vida. Se tenho outra coisa para fazer, desligo-me do que está acontecendo no campo e não sofro com isso. Outras coisas passaram a ser mais importantes na minha vida do que os jogos de futebol do meu time.

Palavras finais
O "mal de cada dia" é um fato, conforme Jesus nos ensinou. Ele sempre estará conosco na forma de desafios, tentações e problemas. E precisamos aprender a enfrentá-lo como ele se apresenta. 

É fundamental ter confiança que Deus estará presente a cada dia nas nossas vidas, para apoiar e orientar, desde que venhamos a manter contacto contínuo com Ele.

Depois, a mudança de hábitos (santificação) não é um sacrifício e sim uma maneira muito eficaz de viver melhor.

Com carinho  



  

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O TAXISTA E EU

Dias atrás, precisei tomar um táxi na porta do meu escritório, pois minha mulher precisou do nosso carro e não conseguiu voltar a tempo para me buscar. Confesso que estava meio mau humor, pois achar um táxi, naquele começo de noite, ainda mais com ameaça de chuva, não ia fácil. De fato, a espera foi longa e, em dado momento, fiz o que é normal em momentos de dificuldade: pedi ajuda para Deus. 

Mas nada aconteceu. Pelo contrário, perdi duas oportunidades fáceis, que normalmente teria conseguido. E aí, veio claro na minha mente o seguinte pensamento: "Egoísta, você só pensa em resolver  seu problema"

Fiquei confuso com esse "puxão de orelhas" e procurei analisar meus atos para entender o que estava errado. A resposta veio de imediato: minha oração tinha sido inadequada! 

Voltei a falar com Deus e disse: "Por favor manda-me um táxi que seja dirigido por alguém a quem eu possa falar de Jesus". Oração corrigida, meu coração se aquietou e fiquei esperando. Cerca de 5 minutos depois, encostou um táxi e eu embarquei. 

O motorista era jovem, cabeça quase raspada, tatuagens, brincos, enfim tudo aquilo que os jovens gostam de usar. Ora, o ministério para os jovens nunca foi meu forte, pois sempre trabalhei com grupos de adultos. Conclui então que a tarefa não ia ser fácil.

Puxei assunto e a conversa fluiu muito melhor do que esperava. E qual não foi a minha surpresa ao perceber que se tratava de um rapaz de origem evangélica, que já tinha trabalhado muito pela obra de Deus. Mas estava afastado pois teve alguns problemas e sua igreja não tinha sabido lidar como lidar com a situação - era uma alma ferida, mas ainda aberta para Jesus.

Junto a tudo isso havia uma série de erros teológicos, fruto de um discipulado deficiente, como infelizmente é muito comum nas igrejas evangélicas. Assim, tive oportunidade de esclarecer coisas que estavam atrapalhando a retomada do seu diálogo com Deus. E concentrei-me na forma como ele podia reforçar essa relação, através de oração, louvor, e estudo bíblico. A conversa terminou com ele me pedindo o endereço deste blog. Espero sinceramente que meu amigo taxista volte a se aproximar de Deus. 

Mas quero voltar à minha oração inicial, que é de fato o tema deste texto. A Bíblia diz que pedimos e não recebemos porque não sabemos pedir - pedimos mal. E minha primeira oração foi exatamente desse tipo: queria resolver meu problema e pronto. Nada mais interessava naquele momento que não fosse meu conforto pessoal. E Deus não atendeu ao meu pedido.

Não só não atendeu, como "puxou minha orelha", alertando-me que já estava mais do que na hora de agir de outra forma. Daí a mudança na minha oração, reformulando meu pedido para dar prioridade àquilo que deve sempre vir em primeiro lugar: a obra de Deus. E aí meu pedido foi atendido. E pude transformar um momento de mau humor em alegria, pois feliz de ter podido ajudar alguém na sua caminhada cristã.

Portanto, quando você estiver buscando uma graça e, apesar de pedir com fé e constância, ela não chegar às suas mãos, examine-se e veja se seu pedido está de acordo com a vontade de Deus. Se não estiver, você nunca será atendido, por mais amor que Ele sinta por você. 

Ter uma nova perspectiva sobre aquilo que você deseja, pode ser a diferença entre ser atendido ou não por Deus. E lembre-se que, quando Deus não responde, isso não deixa de ser uma resposta - pode ser que Ele esteja apenas esperando que você mude, antes de agir.

Com carinho

terça-feira, 23 de outubro de 2012

DOIS TIPOS DE CRISTÃO: "ÁRVORE" E "CANO"

 "... Se alguém tem sede venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva."                                     João capítulo 7, versículos 37 e 38

Você sabe qual é a semelhança e a diferença entre uma árvore e um cano? A semelhança está no fato de tanto uma como o outro são bons condutores de água. Afinal, canos são fabricados especialmente para conduzir líquidos enquanto as árvores buscam água no solo, através das duas raízes e depois a levam, na forma de seiva, para alimentar toda a planta.

Agora, também há uma grande diferença: canos não são modificados pela passagem da água (exceto por alguns resíduos que ficam acumulados) enquanto árvores usam a água  para se manterem vivas. Canos simplesmente transportam a água ao longo de toda a sua vida útil, mas águas usam-na para viver. 

Você é "árvore" ou "cano"?
O versículo que abre este texto apresenta a metáfora de que Jesus é a fonte de "água viva", que nunca cessa de jorrar.


Agora, como você lida com essa "água viva"? Como "cano" ou como "árvore"? Se ela passa por você e praticamente não deixa nenhuma consequencia em sua vida, exceto alguns "resíduos", você é um cristão tipo "cano" - sua vida em nada é modificada pela presença de Jesus em sua vida.

Mas, se você é um cristão "árvore", a "água viva" vai fazer seu espírito crescer, frutificar e gerar sementes, que poderão dar origem a novas "árvores".

Com carinho

domingo, 21 de outubro de 2012

A CIÊNCIA DESMENTE A BÍBLIA NA CRIAÇÃO DO MUNDO?

A criação do universo é descrita em diversos locais da Bíblia, especialmente nos livros do Gênesis e de Jó (essa segunda fonte é um "segredo que pouco conhecem). O Gênesis conta que a criação do universo foi feita em seis dias e o ser humano foi formado no último dia (capítulo 1).

Ora, os relatos científicos demonstram que o universo tem quase 14 bilhões de anos, a Terra cerca de 4 bilhões de anos e o ser humano algo como algumas dezenas de milhares de anos, o que parece contradizer a Bíblia. 

Os cristãos fundamentalistas dizem que os cientistas é que estão equivocados e chegam a defender a tese absurda que a Terra tem pouco mais do que 10.000 anos (a chamada teoria da "terra jovem"). 

A maior parte dos cristãos fica no meio dessa "guerra" de declarações, sem saber bem no que e em quem acreditar. Será que a Bíblia é mesmo desmentida pela ciência, no que tange ao relato da criação do mundo? Ou então, como esclarecer essa confusão toda?

As raízes do problema
Os cristãos acreditam que tudo que está na Bíblia é verdade, por ser ela a Palavra de Deus. Até aí tudo bem. 

Mas os cristãos fundamentalistas costumam dar mais um passo, muito questionável: eles acreditam que os relatos contidos na Bíblia sobre a criação do universo descrevem literalmente, portanto com precisão científica, como as coisas aconteceram.

Ora, se pensarmos com cuidado, esse segndo passo não é razoável - afinal Deus teve que explicar para um povo ignorante em termos científicos, que viveu cerca de 3.500 anos atrás (época em que o Gênesis foi escrito), como o universo foi criado.

Certamente que a única forma de atingir esse objetivo foi descrever esse processo tão complexo através de símbolos e metáforas. Uma comparação simples permite explicar melhor o que quero dizer: imagine que eu precisasse explicar o que é um foguete espacial para um índio não aculturado. Provavelmente precisaria falar que se trata de um grande "passaro de fogo" voando para o céu. E isso não seria uma mentira, embora essa descrição não seja precisa do ponto de vista científico. E assim também foi feito na Bíblia. 

Portanto, é um erro tentar ler a Bíblia como um livro texto de física, pois ela não foi escrita com esse objetivo. Uma prova disso é o relato do descanso de Deus ao sétimo dia (Gênesis capítulo 2, versículos de 1 a 3) - é claro que Deus não precisou descansar, pois isso não faz sentido para um ser como Ele. Esse "descanso" foi a forma encontrada pelo autor do texto para informar ao povo que Deus decidiu santificar um dia da semana, para que o ser humano pudesse descansar, deixando de ser uma "máquina" única voltada para o trabalho.

Usando o relato da criação de forma correta
Se a Bíblia for lida da forma correta, você pode ficar tranquilo que ela em nada contraria a ciência, muito ao contrário. Para comprovar isso, escolhi três perguntas que normalmente são feitas, dentre as muitas existentes, para desacreditar a descrição da criação feita pela Bíblia, e como elas podem ser tranquilamente respondidas, sem contrariar a ciência:

Pergunta 1: O mundo foi criado em 6 dias de 24 horas?  
É claro que não e nem a Bíblia diz isso. Na verdade a palavra em hebraico que pode ser traduzida como "dia", também pode ser entendida como "espaço de tempo". Ou seja, os seis dias da criação são, na verdade, seis "espaços de tempo" ou seja seis fases de criação. Logo, não há nada na Bíblia que contrarie o fato do universo ter quase 14 bilhões de anos.

Pergunta 2: A Bíblia comete um erro científico ao descrever que os céus e a terra foram criados juntos?
Gênesis capítulo 1, versículo 1, diz: "No princípio criou Deus os céus e a terra". Sem dúvida, parece estar sendo descrita aí a criação conjunta do universo (céus) e da Terra. Mas como há uma diferença de tempo muito grande entre o Big Bang (origem do universo) e a criação da Terra - quase dez bilhões de anos - parece haver um grave erro na descrição bíblica. 

O problema, nesse caso, decorre do fato de que o Hebraico antigo (lingua usada no Velho Testamento) ter um número reduzido de palavras, muito menos do que o Português: por exemplo, não há palavras equivalentes a "cosmos" ou "universo" no Hebraico antigo. Essa dificuldade era então resolvido mediante o uso de expressões compostas: p. ex. "os céus e a terra" significava o conjunto de todas as coisas físicas do universo, incluindo matéria e energia (radiações).  Portanto, o versículo do Gênesis citado se refere apenas ao "Big Bang", ou seja quando tudo começou. 

Pergunta 3: Como as plantas, criadas no terceiro "dia", poderiam ter sobrevivido sem o sol, criado depois?
Realmente, o Gênesis descreve que muitas plantas foram criadas no terceiro "dia" (capítulo 1, versículos 9 a 13), enqaunto o sol apenas no quarto "dia" (versículos 14 a 19), o que contraria as leis da biologia, pois as plantas precisam da radiação solar para fazer a fotosíntese.

Mas, se olharmos com cuidado o texto, no primeiro "dia" (versículos 2 a 5) é descrito que a Terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre sua superfície. Ora, essa escuridão podia ser fruto de duas coisas: falta de luz ou impossibilidade dessa radiação (na faixa do espectro visível) chegar até a superfície da terra. 

Como Deus tinha dito literalmente "haja luz" (versículo 1) e a luz se fez - desde a explosão do "Big Bang", a radiação luminosa (visível ou não) passou a ser emitida por uma série de corpos celestes (p. ex. estrelas) -, a resposta deve estar na segunda opção: a radiação luminosa visível não chegava até a superície da Terra. E a descrição encontrada no livro de Jó capítulo 38,  versículos 4 e 9, confirma essa interpretação: 
"Onde estavas tu [Jó] quando eu [Deus] lançava os fundamentos da Terra... quando eu lhe pus as nuvens por vestidura, e a escuridão por fraldas."
Ou seja, nuvens formavam uma barreira tão espessa que não deixava a luz visível passar - o que não quer dizer, por exemplo, que a chamada luz "ultravioleta" não conseguisse Atravessar. Somente aos poucos é que essa atmosfera foi sendo limpa. Aliás, é exatamente esse o relato que a ciência faz da formação da atmosfera terrestre. Portanto, não há nada na descrição bíblica que contrarie a ciência.

Conclusão
Assim com em todas as demais coisas, a Bíblia também está correta na descrição da criação, desde que a leitura seja feita entendendo o espírito do texto, que usa símbolos e metáforas. 

Com carinho

sábado, 13 de outubro de 2012

OS FINS, OS MEIOS E O PROCESSO DO MENSALÂO

O processo do "mensalão" vai chegando ao seu final, depois de despertar grande interesse do público e dos meios de comunicação. Mas meu tema aqui não é a questão do saneamento das práticas políticas brasileiras - embora eu torça muito para que isso aconteça. 

Vou falar de algo que me chamou atenção ao longo do processo judicial: pelo menos um dos réus - refiro-me a José Genoino - tem perfil diferente dos demais, levando vida modesta e tendo uma história de vida bonita, marcada pela luta a favor da democracia e da justiça social.

Então, como é possível que uma pessoa assim entre numa "roubada" dessas, participando de algo em desacordo com sua própria história de vida? Acho que esse é mais um caso de erro com base no princípio "os fins justificam os meios". 

Penso que o que aconteceu nesse caso foi mais ou menos o seguinte: como o dinheiro ia ser usado para uma boa causa - manter no controle do Governo Federal um partido que Genoino acreditava privilegiar corretas -, era razoável ser "flexível" quanto à forma a ser usada para conseguir e distribuir esse dinheiro. Como a causa era nobre, não importava muito os meios usados para realizá-la com sucesso.  

Esse mesmo tipo de erro esteve presente muitas vezes na história do cristianismo. Por exemplo, na Idade Média, os cristãos acreditavam que aqueles que não eram batizados iam direto para o inferno. Daí era elogiável fazer qualquer esforço no sentido de batizar o maior número possível de pessoas, mesmo que fosse preciso empregar a força. E, por causa, índios, judeus, africanos e outras populações não cistãs sofreram graves perseguições e abusos.

Infelizmente também há muitos exemplos atuais para apresentar: agressão a pessoas consideradas "pecadoras" (por exemplo, gays e prostitutas), assassinato de médicos que realizaram abortos, invasão e destruição de terreiros de religião afro, etc. E a lógica é sempre a mesma: para combater um mal ou fazer um bem, vale qualquer coisa.

Ora, a Bíblia nos ensina postura totalmente diferente. Numa religião calcada no amor ao próximo, nunca deve ser possível esquecer a qualidade dos meios usadaos para se chegar a determinado fim. Fazer o bem ou evitar um mal não justifica desenvolver ações erradas aos olhos de Deus. Isso simplesmente contraria o cerne daquilo que Jesus ensinou e viveu. 

Nesse momento em que vemos diversos políticos sendo condenados pela justiça, alguns até com possibilidade de ir para a cadeia, ao invés de exultarmos com a desgraça dessas pessoas, melhor seria refletir sobre os erros cometidos por eles - como procurei fazer neste texto -, para não seguirmos também por caminhos errados. 

Com carinho

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

POR FAVOR, ALGUÉM SALVE O RIO JORDÃO

O rio Jordão liga o lago de Tiberíades (ou mar da Galileia), no norte de Israel, ao Mar Morto, no sul, junto ao deserto do Sinai. Margeia todo o território de Israel a leste e é uma fonte fundamental de água para aquela região. 

O Jordão foi extremamente importante na história do povo de Israel, inclusive no ministério de Jesus Cristo. E basta citar dois fatos para comprovar isso.  O primeiro ocorreu quando o povo de Israel, saído do Egito e após 40 anos de peregrinação no deserto do Sinai, foi entrar na Terra Prometida e teve que atravessar o Jordão. Para que essa travessia desse certo, ocorreu um milagre parecido ao da travessia do Mar Vermelho, pois as águas do rio Jordão se separaram e Israel passou no leito seco (Josué capítulo 3).
 

Foi também no Rio Jordão que João Batista exerceu seu ministério e batizou a Jesus (veja mais).

O rio Jordão hoje em dia
 
 


A foto acima retrata o grau de poluição que existe hoje no rio. O cenário é desolador - o rio está morrendo, assim como acontece com diversos rios que cortam as cidades brasileiras, como o Tietê, em São Paulo.
 

Resíduos agrícolas e esgoto são lançados no Jordão em diversos pontos. Barragens nesse rio e nos seus afluentes, como o Jaboque (onde Jacó teve a luta com o anjo), diminuíram radicalmente o fluxo de água, o que está fazendo o mar Morto encolher a olhos vistos. O fluxo de hoje é apenas 4% daquele que existia cerca de 100 anos atrás.
 

A situação ficou tão grave que o governo de Israel finalmente resolveu agir e lançou um plano para despoluição. Mas como existe uma grande distância entre os planos que os governos formulam e o que é feito na prática, ainda não há qualquer razão para nos alegrarmos. 

Vamos pedir a Deus que esse plano resulte em algo positivo, antes que seja tarde demais, e o rio Jordão vire apenas um registro nas páginas dos livros de história e na própria Bíblia.

Com carinho  

domingo, 23 de setembro de 2012

UM BOM EXEMPLO, A SER IMITADO

Antes de ler o texto, veja este vídeo.

Frequentemente o marketing é usado de forma negativa, para gerar falsas necessidades e levar as pessoas a consumir aquilo de que não precisam - esse é um fenômeno muito conhecido na chamada sociedade consumo. 

Mas o exemplo acima é exatamente o oposto: o uso do marketing em uma iniciativa altamente positiva - incentivar a doação de orgãos para transplantes. A experiência mostrada foi feita numa das melhores padarias de São Paulo. O local é muito frequentado e sempre é preciso pegar senha para ser atendido. E quem bolou a campanha ligou esse fato à questão da fila de pessoas para conseguir doações de orgão - uma ideia tanto simples como comovente. Portanto, se você ainda não é doador, e é jovem, se inscreva.

Mas, esse vídeo também me fez refletir também sobre como as prioridades da nossa sociedade estão erradas, já que as vidas humanas não têm o valor que deveriam ter. E é sobre esse ponto de vista que eu vejo a iniciativa desse vídeo - um esforço para ensinar as pessoas a adquirir novas prioridades -, o que é extremamente importante. 

E é aí que nós, cristãos, precisamos ter um papel relevante, tanto para apoiar propostas boas, como essa, quanto para denunciar medidas ruins, venham de onde vierem. Não podemos nos omitir, pois nossa missão é ser "luz para o mundo", conforme Jesus nos ensinou. 

Com carinho

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O QUE ACONTECEU COM A MULHER DO KAKÁ?

Caroline Celico é esposa do famoso jogador Kaká. Ficou conhecida, depois do casamento com ele, pela fidelidade à Igreja Renascer em Cristo e pela imagem de certinha. Hoje, ela quer mudar essa imagem: fez um ensaio fotográfico “ousado” para a revista RG e disse que não frequenta mais qualquer igreja, faz suas orações em casa e lê a Bíblia sozinha:
Não me considero evangélica porque eu acredito que a única coisa que me liga a Deus é Jesus. Acabei me envolvendo numa doutrina religiosa e quando vi estava amando mais o local físico da igreja do que Deus realmente. Fazia as coisas para agradar aos outros, achando que assim estaria agradando a Deus. Eu não comungo mais dessas ideias”.
 O que aconteceu?
O casal era um dos seguidores mais famosos da Igreja Renascer e fazia aparições em apoio à denominação. Carolina até se disse interessada em ser pastora. O afastamento da Igreja Renascer veio depois dos episódios da prisão dos fundadores daquela denominação nos Estados Unidos e da queda do telhado da sede da Igreja em São Paulo, que causou a morte vários fiéis. 
 
Temos aqui o caso clássico de decepção de fiéis com a denominação cristã a qual seguem fervorosamente, fenômeno muito comum entre os evangélicos. E a decepção é proporcional ao comprometimento - quanto maior o comprometimento maior a decepção -, podendo até levar ao abandono do cristianismo. Veja, por exemplo, a continuação da declaração de Carolina: 
Hoje eu faria de outra maneira, mas acredito que todas as coisas acontecem para nos levar para algum lugar melhor. Sou como sou porque passei por alguns episódios traumáticos e outros muito bons. Mas sou curiosa e continuo superaberta a novas ideias”.
O quadro relatado não parece promissor: ela vai tentar levar a própria fé para diante, sozinha, decepcionada, e aberta a “novas ideias”. Só futuro dirá o resultado disso. 

Há várias causas para esse tipo de decepção. E é fácil identificar duas delas nesse caso:

Problema 1: Confiança no lugar errado
Algumas denominações crsitãs atribuem excessiva importância às suas lideranças - normalmente seus fundadores. Quando a denominação fica importante no cenário religioso brasileiro, essas pessoas alcançam um status especial e algumas viram quase semi-deuses - ficam acima do bem e do mal - e demonstram isso atribuindo a si mesmos títulos pomposos: "apóstolo", "bispo primaz", "patriarca", etc.

O problema é que todos pecam, inclusive "apóstolos", "bispos primazes" e "patriarcas". Não há com escapar disso. E aí quando o pecado transparece, a reação normal é o líder não reconhecer que pecou - atribue o que ocorreu à perseguição da imprensa e/ou a ações demoníacas, para acabar com seu ministério. E, ao não reconhecer seu erro, esse líder não se purifica do seu pecado e seu ministério fica comprometido. Vimos isso acontecer recentemente no caso da igreja Renascer.

Quando o líder pego em falta, corajosamente faz um ato de contrição pública, reconhecendo seu erro e pedindo perdão, ele tende a ver sua obra destruída. Isso porque quanto maior for a devoção que ele desperta nos fiéis, maior será a revolta contra ele - na verdade, a mesma mão que aplaude é aquela que apedreja. Aqui no Brasil, tivemos o exemplo do pastor Caio Fábio em relação à Fábrica da Esperança e à VInde, por ele fundadas e dirigidas. Por isso, muito poucos escolhem esse caminho, que é o certo.

Poucas denominaçãoes sabem lidar bem com a presença de líderes fortes e carismáticos. A maioria acaba permitindo  devoção excessiva a ele, muitas vezes instigada pelo próprio líder. Mas algumas denominações conseguem fazer isso, ao despersonalizar a liderança - por exemplo, no metodismo, que eu sigo, os bispos são eleitos a cada 5 anos e não têm garantia de reeleição. Assim, um líder problemático será naturalmente substituído por outro, sem gerar grandes problemas 

Problema 2: teologia tóxica
Carolina também sofreu o efeito de uma teologia tóxica (já falei outras vezes sobre isto, por exemplo). 

A Renascer, assim como diversas outras denominações evangélicas, defende a teologia da prosperidade: se as pessoas tiverem fé suficiente poderão se apropriar de inúmeras promessas de prosperidade que Deus fez para seus filhos. Vemos isso com clareza numa declaração anterior de Carolina, onde ela afirmou convicta que Deus tinha dado dinheiro para que o Real Madrid contratasse o Kaká (seu salário atual, por contrato, é de cerca de R$ 4 milhões). 

É claro que ela não pensou nos inúmeros outros jogadores de futebol que também são cristãos fervorosos, mas que nunca tiveram acesso a contratos iguais aos do Kaká. Será que falta fé a essas pessoas, enquanto essa fé sobra para o Kaká? Dificilmente. Ou o que falta a esses outros jogadores é a qualidade do futebol que Kaká sempre demonstrou? Acho que a resposta é óbvia.

Teologias como essa causam grande estrago, pois fazem promessas que não podem ser cumpridas, por não serem sancionadas por Deus, causam grande estrago. E o não cumprimento da falsa promessa pode nem ocorrer com a própria pessoa, pois basta que ela olhe em torno e veja o que acontece com os outros, como parece ter sido o caso de Carolina.

Palavras finais
Há muitas outras causas para decepção que não se fizeram presentes no caso em análise, mas impactam muitos outros cristão sinceros. Por exemplo, a promiscuidade de igrejas cristãs com políticos; a ganância de líderes religiosos que procuram extrair dinheiro das pessoas a qualquer custo; ou ou mesmo tentativa de obter controle da vida das pessoas através da imposição de códigos de comportamente sem sentido. Mas não tenho espaço para discutir todos esses casos aqui. 

A reflexão que quero deixar é que os cristãos precisam se defender dos "lobos em pele de cordeiro", para não acabar decepcionados. E, se mesmo assim a decepção ocorrer, é preciso lembrar que nem todos os líderes religiosos são iguais. Sempre há cristãos sérios e dedicados em fazer a obra de Deus. 

Com carinho