segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

UMA MENSAGEM PARA QUEM ESTÁ TRISTE NESTE NATAL

Eu sempre sinto certa nostalgia no Natal, pois lembro das comemorações na casa da minha avó, quando minha irmã caçula ficava esperando o Papai Noel chegar e eu me sentia orgulhoso, porque já sabia que o "bom Velhinho" não existe. Tudo isso passou, como também passaram os maravilhosos almoços de Natal, sempre no dia 25 de dezembro, na casa da minha mãe. Ficou apenas a saudade.

Muitas pessoas também têm momentos de nostalgia no Natal, ao relembrar as coisas boas que passaram. Mas, para muitas outras, o problema é muito mais sério do que uma saudável nostalgia - trata-se de tristeza profunda e cruel. 

E esse sentimento pode vir de famílias irremediavelmente fraturadas, onde as pessoas não podem nem mais comemorar o Natal em conjunto. Ou pode vir de sonhos frustrados pelas circunstâncias da vida, como desemprego, falta de dinheiro, etc. Pode ter vir também de doença incapacitante de alguém querido. Ou ainda pode se dever àquela sensação de profunda solidão ou completo fracasso, que se traduz na chamada “noite escura da alma”.         

É para você, que se sente triste assim neste Natal, que escrevo este texto. E escrevo porque sei bem como é terrível estar triste num momento em que o mundo parace cobrar uma grande alegria de todos - "afinal, é Natal", dizem os outros. 

Aí vão então algumas sugestões, testadas por mim na prática, quando enfrentei minha própria “noite escura da alma”:

1) Admita a tristeza para si mesmo e, se necessário, para os outros. Não tente mascarar o que está acontecendo. E deixe claro para os outros que você não quer estragar a comemoração de ninguém, mas que não vai aceitar pressões para “ficar alegre” - ninguém merece enfrentar horas de tortura numa festa, onde não quer estar.

2) Faça um bom exame de consciência sobre a causa dessa tristeza. O que deu errado? Em alguns casos isso é evidente. Mas, é muito comum que sentimentos como raiva, angústia, inveja e medo estejam sejam difíceis de identificar e “organizar” na mente.

3) É aí que entra a Deus: fale com Ele e abra seu coração. Diga tudo que vai na sua alma - não precisa usar meias palavras, pois Ele já sabe mesmo de tudo. Ao falar, você estabelecerá um vínculo espiritual com Ele, como aquele que existe entre dois confidentes, e isso é muito importante.  

4) Peça ajuda para Ele e reconheça sua dependência total d´Ele. E insista: fale com Deus mais de uma vez - isso foi o que Jesus nos ensinou a fazer. Sua insistência demonstrará seu compromisso com uma solução.

5) Tenha confiança que Deus vai vir em seu socorro: não sei quando, nem como, pois Ele não segue a lógica humana. Mas Ele virá a tempo, posso garantir isso para você.

6) Finalmente, esteja atento/a para perceber quando e como a ajuda está sendo dada. Uma vez eu precisava de   certa quantia, para pagar uma prestação de um apartamento - aí por volta de 1990. Vinha orando para que Deus mandasse ajuda. Aí minha madrasta ligou, oferecendo dinheiro emprestado. Minha primeira reação foi dizer que não precisava, pois confiava na solução que viria de Deus. Então ela me disse algo que nunca vou esquecer: “como você sabe que não foi justamente Deus que me enviou para ajudar você”. Portanto, Ele vai ajudar da forma como entende ser a melhor, que não é necessariamente aquela que você imagina. 

Faça da tristeza deste Natal o início de uma nova caminhada, tendo Jesus como guia e protetor. Posso garantir que não há nada melhor.

Com todo o meu carinho, um bom Natal para você

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

E SE TENTAM IMPOR PROIBIÇÕES DEMAIS SOBRE SUA VIDA?

Os evangélicos vem gerando diversas polêmicas relacionadas com a proibição de certas práticas de vida. Entraram recentemente nessa polêmica, dentre outros, o uso de enfeites de Natal (veja mais) e a figura do Pai Noel (veja mais). Mas a polêmica vai muito além e inclui itens como festas juninas, comida de origem baiana, vários tipos de música secular, certos filmes ou programas de televisão, dentre outros - o rol é tão grande que até fica difícil enumerar tudo.

O que move os líderes evangélicos que se colocam contra essas cooisas (no todo ou em parte) são duas preocupações importantes, que eu inclusive reconheço serem muitas vezes bem intencionadas: 1) evitar que as pessoas sejam submetidas a influências ruins que as levem ao pecado (a "batalha pela pureza") e 2) evitar que as pessoas, muitas vezes sem saber, possam dar brechas para ação de forças malignas nas suas vidas. 

A batalha pela pureza
Manter-se puro é parte importante da luta do cristão. E um dos segredos do sucesso, sem dúvida, é evitar se expor a tudo aquilo que possa "contaminar" a pessoa, levando-a ao pecado. 

Mas o que verdadeiramente pode contaminar o coração de um cristão? O próprio Jesus respondeu a essa pergunta (Marcos capítulo 7, versículo 15): unicamente o que vem de dentro dele mesmo. Assim, sentimentos como inveja, hipocrisia, luxúria, etc, é o que devemos temer e evitar.

É claro que há práticas de vida que facilitam esses sentimentos ruins prosperarem. Por exemplo, uma pessoa que lute para conseguir status na vida, certamente vai ter mais problemas com a inveja e/ou o orgulho. Se uma pessoa bebe e perde o auto-controle, certamente pode ter mais problemas com a raiva e/ou a luxúria.

Portanto, os cristãos precisam tomar cuidado com os hábitos que adotam, os locais que frequentam, as pessoas com quem convivem, etc. É até uma questão de bom senso.

Mas também fica claro, por aquilo que Jesus falou, que o problema está mesmo dentro das pessoas e, portanto, proibições de natureza geral (tipo "nenhum cristão pode fazer isso ou aquilo") de pouco adiantam. Afinal, o que afeta muito a uma pessoa, pode nada afetar a outra e vice-versa. 

Muito melhor é discipular as pessoas, enisando-lhes o que é certo ou errado e os riscos que correm, para que elas passem a reconhecer aquilo que lhes pode "contaminar" o coração e aprendam a controlar essas tentações. Estando a pessoa corretamente discipulada, ela saberá usar seu livre arbítrio de forma correta. 

Influências malignas
A outra motivação que leva muitos líderes evangélicos a proibirem determinadas práticas, especialmente quando sua origem não seja cristã, é o receio de que elas possam trazer influências malignas sobre a vida das pessoas, fazendo-as correr riscos que nem pesnam existir.

É claro que há alguma verdade nisso tudo. Por exemplo, eu nunca teria na minha casa um objeto consagrado num culto de umbanda, por simples questão de prudência. É claro que posso pedir a Deus que me proteja, e conto com essa proteção, mas cabe a mim não ser imprudente. É como evitar andar de madrugada, sozinho, por uma periferia afastada de uma grande cidade brasileira.

Mas, essas proibições estão ficando, em alguns casos excessivas. E também é preciso usar um pouco de bom senso nessas avaliações. Por exemplo, hoje, para muitos evangélicos, tornou-se proibido quase tudo que se refira ao folclore brasileito, pois as origens dessas manifestações são africanas e/ou índígenas e/ou provenientes de festas religiosas da Igreja Católica. Assim, os brasileiros vão acabar perdendo sua identidade como povo, por renegar quase tudo que está na sua origem.

Outro dia eu conversava com uma pessoa que segue estritamente as leis do Velho Testamento. Por causa disso, ele não come nada preparado no sábado, pois é proibido trabalhar nesse dia. Então ele olha o rótulo de cada alimento que consome para verificar quando foi fabricado e não compra se tiver sido num sábado. 

Aí eu lhe perguntei como ele podia garantir que o alimento que consome não foi transportado num sábado, ou se os ovos das galinhas não foram colhidos ou as vacas ordenhadas nesse dia da semana? É claro que ninguém pode garantir isso numa sociedade como a nossa. Portanto, a luta do meu amigo vai necessariamente até certo ponto e, a partir daí, ele precisa "fechar os olhos" para conseguir viver. 

E assim é com a questão das influências não cristãs na nossa sociedade: são tantas e tão difundidas, que não é possível expurgá-las da nossa vida. Logo, quem tenta ir por esse caminho acaba necessariamente tomando decisões incoerentes: proibe algumas coisas - por exemplo a festa junina - e aceita outras, como comemorar o Natal no dia 24 de dezembro, ou as vestes litúrgicas cristãs, ou ainda o conceito do Verbo Divino, trazido pelo apóstolo João, tomado por empréstimo da filosofia grega, só para citar alguns exemplos.  

Tanto é assim, que Deus não fez esse tipo de exigência quando os israelenses construiram o Templo de Salomão, com base num modelo de arquiteura muito usado pelos pagãos e recorrearm a artesãos desses povos para lhes ensinarem a trabalhar a pedra e a madeira (veja mais).

Outro problema que está se tornando muito comum é ver a ação de Satanás em qualquer coisa e lugar. Meses atrás ouvi um pastor, a quem respeito, dizer que se deixasse uma gota de álcool entrar na sua boca, estaria dando uma brecha (o jargão utilizado foi "legalidade") para Satanás agir contra seu ministério. 

Eu fico me perguntando como isso pode ser verdade, se Jesus bebeu vinho por diversas vezes na sua vida e nunca deu "legalidade" alguma para qualquer ação do Diabo na sua vida. Ou seja, é preciso muito cuidado com esse tipo de afirmação e, ainda mais, com a elaboração de doutrinas sobre esse tipo de coisa.

Palavras finais
Antes de dizer que tal coisa é pecado e/ou proibida por trazer influências malignas, por sua origem pagã, verifique bem o que a Bíblia ensina a respeito. 

Caso contrário você corre o risco de cair no legalismo. E, durante seu ministério, Jesus travou uma luta incessante contra aqueles os fariseus - os legalistas daquela época -, que se preocupavam em controlar tudo na vida das pessoas. 

E Jesus foi implacável com eles, por entender que uma religião desse tipo aprisiona o ser humano, afastando-o de Deus, ou acaba dando espaço para a hipocrisia. E essa não é, e nunca foi, a essência do cristianismo.

Com carinho  

domingo, 9 de dezembro de 2012

O DIVÓRCIO É PECADO?

Esse é um tema muito, mas muito controvertido, entre os cristãos. Hesitei um pouco em me pronunciar sobre ele pois, como sou divorciado, poderia não ter a necessária isenção para tratar dele. Mas, pensando melhor, acho que não posso me furtar a dizer o que penso, mesmo que seja criticado por isso - os leitores deste blog merecem isso de mim.

E quero deixar bem claro, desde o início, que o divórcio não é uma boa saída para os problemas conjugais. Pode ser até a única saída disponível, em determinados casos, mas o divórcio sempre traz sofrimento, tanto para o casal, como para os filhos. E sempre deixará atrás de si a sensação de fracasso, pois o divórcio é exatamente isso - o fracasso de manter uma relação muito importante. Portanto, todo esforço deve ser feito para preservar os casamentos, sempre que possível.

Mas ainda assim é preciso ter uma resposta para as inúmeras pessoas cristãs, como foi meu caso, que se vêem ante o divórcio. Divorciar-se é pecado? Divorciar-se e casar de novo é adultério?

Uma discussão apropriada do tema, em todas as usas nunaces, seria muito longa para o espaço que tenho aqui. Assim, poderei apenas esboçar os principais argumentos para tentar tirar o peso que muitas vezes é jogado sobre os ombros das pessoas, que já sofrem com a separação em si, quando esse ato é rotulado de "pecado" grave.
O que Jesus disse 
A base dessa discussão está em dois textos bíblicos, um de Jesus e outro do apóstolo Paulo e vou começar pelo que Jesus disse. 

Antes de tudo, é preciso entender o pano de fundo para o pronunciamento de Jesus. Em Deuteronômio capítulo 24, versículo 1, a lei que diz que o marido podia se divorciar da mulher no caso de "coisa indecente" praticada por ela. A questão que havia, então, era como definir "coisa indecente" - é importante perceber que a discussão é sempre dos direitos do homem quanto a pedir o divórcio, pois a mulher nunca podia tomar essa iniciativa.

Havia duas escolas rabínicas que competiam entre si: a de Hillel e a de Shamai. Hillel sempre interpretava as leis de forma mais liberal e, quase sempre, Jesus concordava com suas abordagens. E na controvérsia sobre o divórcio, Shamai interpretou a lei dizendo que o divórcio somente poderia ser possível se a esposa fosse infiel ou se deixasse de prover cuidado emocional e material ao marido (Êxodo capítulo 21, versículos 10 e 11). Já Hillel, entendeu que "coisa indecente" se aplicava a muitas situações e, portanto, um homem podia se divorciar até por não gostar da comida da esposa ou por ela ter envelhecido. 

Jesus foi pressionado pelos fariseus a se pronunciar sobre essa controvérsia e ele respondeu da seguinte forma (Mateus capítulo 19, versículo 9): 
"Quem repudiar sua mulher, não sendo por relações sexuais ilícitas, e casar com outra, comete adúlterio (e o que casar com a repudiada comete adultério"
Em outras palavras, Jesus disse que, nesse caso, Ele apoiava a interpretação mais restritiva de Shamai, limitando as razões válidas para divórcio. E a razão foi simples: a posição mais rígida era a que melhor defendia a mulher, a parte mais fraca no casamento.

Infelizmente há muitos que olham para as palavras de Jesus e as tomam ao pé da letra: entendem que Ele proibiu o divórcio, em qualquer situação, exceto em caso de adultério. Mas essa interpretação é muito problemática, pois se levarmos o texto ao pé da letra, a proibição se aplicaria apenas ao divórcio por iniciativa dos homens e as mulheres estariam livres para se divorciar sem restrição, pois elas não foram citadas por Jesus.

Mas é claro que Jesus não se referiu às mulheres porque elas não podiam pedir divórcio e certamente o ensinamento se aplica também a elas. Ora, para chegar a essa conclusão é preciso considerar as circunstâncias em que o ensinamento foi dada e aí a interpretação não é mais apenas ao pé da letra. 

E, se vamos levar em conta as circunstâncias, é preciso considerar a questão entre Hillel e Shamais, que mencionei acima e que Shamais, com quem Jesus concordou, também também admitia como válidas, para fins de divórcio, a negação de cuidados físicos e emocionais. 

Portanto, a melhor leitura do ensinamento de Jesus é: o divórcio não pode ser fator de injstiça, quer contra o homem, como contra a mulher. Quando isso ocorre, o divórcio é pecado. E a injustiça está sempre presente quando não motivo aceitável: infidelidade e negação de cuidados físicos ou emocionais.

O que Paulo disse                                                              (1 Coríntians capítulo 7, versículos 3 a 15)
"O marido conceda à esposa o que lhe é devido e também semelhantemente a esposa a seu marido...Ora, aos casados, ordeno, não eu mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se que não se case, ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte da sua mulher ... Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos não fica sujeito à servidão, nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamdo à paz."
Paulo começa por dizer que os esposos devem conceder um ao outro o que lhe é devido. E não detalha o que é isso, exceto no que tange aos direitos relacionados com o direito ao sexo. Isso porque todos os leitores daquela época conheciam os textos de Êxodo e Deuteronômio que citei acima, que se referem à fidelidade e obrigação de cuidados físicos e emocionais.
 
A seguir Paulo usa palavras fortes proibindo o divórcio. Mas, pela ordem do texto, onde ele colocou antes a obrigação e depois a proibição, fica claro, a meu ver, que a proibição se aplica desde que a obrigação tenha sido cumprida. Ou seja, se a esposa (ou o marido) cumprir for fiel, der apoio moral e material ao seu marido, é proibido divorciar-se dela. 

O que vemos aqui é Paulo falando mais ou menos o que Jesus já tinha dito: o divórcio por motivos fúteis, é pecado

Mais adiante, Paulo dá uma outra possibilidade que pode ser alegada para pedir divórcio: o abandono de um cônjuge pelo outro. E faz todo sentido, porque um cônjuge abandonado não pode receber apoio material e emocional. 


Ao final, Paulo diz ainda algo de grande importância: Deus nos chama para termos paz! Ou seja, aparece aí um qualificador para o casamento, que permite entender melhor quando é possível pedir divórcio, de forma lícita: onde não há mais esperança de haver paz.  


Palavras finais
Assim, situações onde um dos cônjuges nega ao outro amor, comete abusos emocionais e físicos, trai repetidamente ou abandona, dentre outras, podem caracterizar uma quebra de confiança irrecuperável dentro do casamento. E aí a paz conjugal não mais poderá ser reestabelecida. 

Abre-se, então, espaço para o divórcio, sem que haja pecado, bem como para reconstrução da vida daquele/a que se divorciou com outro/a parceiro/a. 

Concluindo, o divórcio em si não é pecado, desde que haja razões justas para ele. Pecado é aquilo que antecede e justifica o divórcio: desamor, falta de tolerância, quebra da confiança, e assim por diante.

Com carinho


 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

VENCER OU FLORESCER?

Um dos ministros do Supremo Tribunal Eleitoral tem uma história de vida muito bonita, pois começou bem pobre e lutou muito para chegar onde hoje está. Normalmente, em casos como esse, diz-se que a pessoa "venceu" na vida. Também é costume falar o mesmo de quem ganhou dinheiro, adquiriu fama ou poder.

A Bíblia também usa metáforas de disputa ou de guerra para apresentar verdades espirituais. Por exemplo, ela fala em "vencer" a tentação, "vencer" a "corrida" para a vida eterna, ou lutar uma "batalha" espiritual contra as forças do mal. O apóstolo Paulo chega até mesmo a detalhar uma "armadura" espiritual que o cristão deve usar para se defender dos ataques do mal (Efésios capítulo 6, versículos 10 a 18). 

Sem deixar de reconhecer que esse tipo de metáfora é muito útil para descrever os embates que existem tanto na vida material quanto espiritual, penso que há uma ênfase excessiva nesse tipo de abordagem, que ofusca uma verdade maior em nossas vidas: nosso objetivo real na vida deve ser "florescer", ou seja realizar plenamente nossas potencialidades como seres humanos. 

E "florescer" é muito diferente de "vencer". É claro que uma pessoa que "vença" na vida também pode "florescer" nela - uma coisa não impede a outra. Mas é importante perceber que vitórias não garantem automaticamente um florescimento da pessoa como ser humano - afinal, é comum ver gente vitoriosa profissionalmente que é um desastre na vida pessoal e/ou espiritual.

As condições para "florescer"
Uma planta, ao florescer, cumpre sua missão na vida - é preciso lembrar que a reprodução das plantas está ligada às flores e/ou aos frutos, ou seja sem florescimento a planta não deixa descendência. 

E para que uma planta floresça é preciso duas coisas: estar  saudável e que o tempo seja o certo. E no campo espiritual ocorre o mesmo: para sua vida espiritual "florescer" você vai precisar ter "saúde" e estar no "tempo" certo de Deus. 

A saúde da planta tem a ver com a qualidade da terra onde está assentada, o acesso à água abundante e à luz do sol, bem como à capacidade de resistir aos inimigos - as pragas, insetos, etc. 

Na parábola do semeador, Jesus falou exatemente sobre isso: na vida espiritual, a semente do Evangelho de Cristo é lançada em muitos tipos de terra diferentes e somente floresce quando a terra (a pessoa e suas circunstâncias de vida) é adequada para isso (Mateus capítulo 13, versículos 10 a 23). Em outras palavras, a "terra" é boa quando a pessoa é receptiva ao Evangelho e não deixa que as demais preocupações da sua vida abafem seu "florescimento" espiritual.

A água e a luz do sol, necessárias para a nutrição da planta, se referem à presença do Espírito Santo na vida da pessoa - sem Ele, não há como ter energia uma levar uma vida espiritual saudável.

A resistência da planta às pragas, insetos, etc, tem a ver justamente com a capacidade da pessoa de resistir aos ataques do mal (tentações, opressões, etc), o que se consegue vestindo a "armadura" espiritual a que me referi acima.

O tempo certo para florescer
Mas não há florescimento possível duma planta fora do tempo certo. E há dois aspectos a levar em conta aí. O primeiro é o amadurecimento do organismo da planta - se ela acabou de ser plantada, mesmo com boa terra, água e tudo o mais, não vai poder dar flores e/ou frutos, pois suas estruturas orgânicas não estão prontas. É preciso esperar pelo necessário amadurecimento.

O mesmo se dá na vida espiritual: o apóstolo Paulo escreveu que o cristão precisa amadurecer espiritualmente para poder entender plenamente e viver de fato aquilo que Jesus ensinou.

O segundo aspecto é a estação do ano: se ela não for a primavera ou o verão, não há florescimento - afinal, plantas não dão flores ou frutos no inverno. E a chegada da estação certa não depende da planta e sim do ciclo da natureza, mas quando a primavera chega, a planta precisa estar pronta. 

A estação certa para o cristão é o tempo que Deus determinar para ele. E o tempo de Deus é diferente do nosso, pois para Ele, mil dias são como um segundo e vice-versa (veja mais).

Certa vez, comecei a conversar com um taxista e ele me confessou que tinha ouvido falar de Jesus muito tempo antes e que aquela palavra estava dentro dele, incomodando-o, embora ele não tivesse feito nada a respeito até então. Depois da nossa conversa, ele me disse que ia finalmente buscar uma igreja e passar a viver o cristianismo.

Para aquele taxista, o plantio da semente tinha sido feito muito tempo antes e a semente ficou lá adormecida. E o tempo de Deus para isso, não sei porque, só chegou quando ele conversou comigo. 

As consequências do florescimento
Primeiro e talvez o mais importante, seja a capacidade de reproduzir, pois sementes ficam nas flores ou frutos. E assim também é na vida espititual - quem floresce tem condições de trazer outras pessoas para Cristo. 

A segunda consequência é que uma planta com flores e frutos é linda de se ver e cheirar. E o mesmo acontece na vida espiritual: aquele que "floresce" passa ser alguém do qual todos querem se aproximar para se alimentar e para sentir o "bom perfume" de Cristo.  

Portanto, seu principal objetivo na vida não é "vencer" e sim "florescer". Vitórias são imprescindíveis, mas constituem apenas um meio através do qual você poderá "florescer" espiritualmente, realizar todo o seu potencial como ser humano. 

Com carinho

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O TAXISTA E EU

Dias atrás, precisei tomar um táxi na porta do meu escritório, pois minha mulher precisou do nosso carro e não conseguiu voltar a tempo para me buscar. Confesso que estava meio mau humor, pois achar um táxi, naquele começo de noite, ainda mais com ameaça de chuva, não ia fácil. De fato, a espera foi longa e, em dado momento, fiz o que é normal em momentos de dificuldade: pedi ajuda para Deus. 

Mas nada aconteceu. Pelo contrário, perdi duas oportunidades fáceis, que normalmente teria conseguido. E aí, veio claro na minha mente o seguinte pensamento: "Egoísta, você só pensa em resolver  seu problema"

Fiquei confuso com esse "puxão de orelhas" e procurei analisar meus atos para entender o que estava errado. A resposta veio de imediato: minha oração tinha sido inadequada! 

Voltei a falar com Deus e disse: "Por favor manda-me um táxi que seja dirigido por alguém a quem eu possa falar de Jesus". Oração corrigida, meu coração se aquietou e fiquei esperando. Cerca de 5 minutos depois, encostou um táxi e eu embarquei. 

O motorista era jovem, cabeça quase raspada, tatuagens, brincos, enfim tudo aquilo que os jovens gostam de usar. Ora, o ministério para os jovens nunca foi meu forte, pois sempre trabalhei com grupos de adultos. Conclui então que a tarefa não ia ser fácil.

Puxei assunto e a conversa fluiu muito melhor do que esperava. E qual não foi a minha surpresa ao perceber que se tratava de um rapaz de origem evangélica, que já tinha trabalhado muito pela obra de Deus. Mas estava afastado pois teve alguns problemas e sua igreja não tinha sabido lidar como lidar com a situação - era uma alma ferida, mas ainda aberta para Jesus.

Junto a tudo isso havia uma série de erros teológicos, fruto de um discipulado deficiente, como infelizmente é muito comum nas igrejas evangélicas. Assim, tive oportunidade de esclarecer coisas que estavam atrapalhando a retomada do seu diálogo com Deus. E concentrei-me na forma como ele podia reforçar essa relação, através de oração, louvor, e estudo bíblico. A conversa terminou com ele me pedindo o endereço deste blog. Espero sinceramente que meu amigo taxista volte a se aproximar de Deus. 

Mas quero voltar à minha oração inicial, que é de fato o tema deste texto. A Bíblia diz que pedimos e não recebemos porque não sabemos pedir - pedimos mal. E minha primeira oração foi exatamente desse tipo: queria resolver meu problema e pronto. Nada mais interessava naquele momento que não fosse meu conforto pessoal. E Deus não atendeu ao meu pedido.

Não só não atendeu, como "puxou minha orelha", alertando-me que já estava mais do que na hora de agir de outra forma. Daí a mudança na minha oração, reformulando meu pedido para dar prioridade àquilo que deve sempre vir em primeiro lugar: a obra de Deus. E aí meu pedido foi atendido. E pude transformar um momento de mau humor em alegria, pois feliz de ter podido ajudar alguém na sua caminhada cristã.

Portanto, quando você estiver buscando uma graça e, apesar de pedir com fé e constância, ela não chegar às suas mãos, examine-se e veja se seu pedido está de acordo com a vontade de Deus. Se não estiver, você nunca será atendido, por mais amor que Ele sinta por você. 

Ter uma nova perspectiva sobre aquilo que você deseja, pode ser a diferença entre ser atendido ou não por Deus. E lembre-se que, quando Deus não responde, isso não deixa de ser uma resposta - pode ser que Ele esteja apenas esperando que você mude, antes de agir.

Com carinho

terça-feira, 23 de outubro de 2012

DOIS TIPOS DE CRISTÃO: "ÁRVORE" E "CANO"

 "... Se alguém tem sede venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva."                                     João capítulo 7, versículos 37 e 38

Você sabe qual é a semelhança e a diferença entre uma árvore e um cano? A semelhança está no fato de tanto uma como o outro são bons condutores de água. Afinal, canos são fabricados especialmente para conduzir líquidos enquanto as árvores buscam água no solo, através das duas raízes e depois a levam, na forma de seiva, para alimentar toda a planta.

Agora, também há uma grande diferença: canos não são modificados pela passagem da água (exceto por alguns resíduos que ficam acumulados) enquanto árvores usam a água  para se manterem vivas. Canos simplesmente transportam a água ao longo de toda a sua vida útil, mas águas usam-na para viver. 

Você é "árvore" ou "cano"?
O versículo que abre este texto apresenta a metáfora de que Jesus é a fonte de "água viva", que nunca cessa de jorrar.


Agora, como você lida com essa "água viva"? Como "cano" ou como "árvore"? Se ela passa por você e praticamente não deixa nenhuma consequencia em sua vida, exceto alguns "resíduos", você é um cristão tipo "cano" - sua vida em nada é modificada pela presença de Jesus em sua vida.

Mas, se você é um cristão "árvore", a "água viva" vai fazer seu espírito crescer, frutificar e gerar sementes, que poderão dar origem a novas "árvores".

Com carinho

sábado, 13 de outubro de 2012

OS FINS, OS MEIOS E O PROCESSO DO MENSALÂO

O processo do "mensalão" vai chegando ao seu final, depois de despertar grande interesse do público e dos meios de comunicação. Mas meu tema aqui não é a questão do saneamento das práticas políticas brasileiras - embora eu torça muito para que isso aconteça. 

Vou falar de algo que me chamou atenção ao longo do processo judicial: pelo menos um dos réus - refiro-me a José Genoino - tem perfil diferente dos demais, levando vida modesta e tendo uma história de vida bonita, marcada pela luta a favor da democracia e da justiça social.

Então, como é possível que uma pessoa assim entre numa "roubada" dessas, participando de algo em desacordo com sua própria história de vida? Acho que esse é mais um caso de erro com base no princípio "os fins justificam os meios". 

Penso que o que aconteceu nesse caso foi mais ou menos o seguinte: como o dinheiro ia ser usado para uma boa causa - manter no controle do Governo Federal um partido que Genoino acreditava privilegiar corretas -, era razoável ser "flexível" quanto à forma a ser usada para conseguir e distribuir esse dinheiro. Como a causa era nobre, não importava muito os meios usados para realizá-la com sucesso.  

Esse mesmo tipo de erro esteve presente muitas vezes na história do cristianismo. Por exemplo, na Idade Média, os cristãos acreditavam que aqueles que não eram batizados iam direto para o inferno. Daí era elogiável fazer qualquer esforço no sentido de batizar o maior número possível de pessoas, mesmo que fosse preciso empregar a força. E, por causa, índios, judeus, africanos e outras populações não cistãs sofreram graves perseguições e abusos.

Infelizmente também há muitos exemplos atuais para apresentar: agressão a pessoas consideradas "pecadoras" (por exemplo, gays e prostitutas), assassinato de médicos que realizaram abortos, invasão e destruição de terreiros de religião afro, etc. E a lógica é sempre a mesma: para combater um mal ou fazer um bem, vale qualquer coisa.

Ora, a Bíblia nos ensina postura totalmente diferente. Numa religião calcada no amor ao próximo, nunca deve ser possível esquecer a qualidade dos meios usadaos para se chegar a determinado fim. Fazer o bem ou evitar um mal não justifica desenvolver ações erradas aos olhos de Deus. Isso simplesmente contraria o cerne daquilo que Jesus ensinou e viveu. 

Nesse momento em que vemos diversos políticos sendo condenados pela justiça, alguns até com possibilidade de ir para a cadeia, ao invés de exultarmos com a desgraça dessas pessoas, melhor seria refletir sobre os erros cometidos por eles - como procurei fazer neste texto -, para não seguirmos também por caminhos errados. 

Com carinho

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

POR FAVOR, ALGUÉM SALVE O RIO JORDÃO

O rio Jordão liga o lago de Tiberíades (ou mar da Galileia), no norte de Israel, ao Mar Morto, no sul, junto ao deserto do Sinai. Margeia todo o território de Israel a leste e é uma fonte fundamental de água para aquela região. 

O Jordão foi extremamente importante na história do povo de Israel, inclusive no ministério de Jesus Cristo. E basta citar dois fatos para comprovar isso.  O primeiro ocorreu quando o povo de Israel, saído do Egito e após 40 anos de peregrinação no deserto do Sinai, foi entrar na Terra Prometida e teve que atravessar o Jordão. Para que essa travessia desse certo, ocorreu um milagre parecido ao da travessia do Mar Vermelho, pois as águas do rio Jordão se separaram e Israel passou no leito seco (Josué capítulo 3).
 

Foi também no Rio Jordão que João Batista exerceu seu ministério e batizou a Jesus (veja mais).

O rio Jordão hoje em dia
 
 


A foto acima retrata o grau de poluição que existe hoje no rio. O cenário é desolador - o rio está morrendo, assim como acontece com diversos rios que cortam as cidades brasileiras, como o Tietê, em São Paulo.
 

Resíduos agrícolas e esgoto são lançados no Jordão em diversos pontos. Barragens nesse rio e nos seus afluentes, como o Jaboque (onde Jacó teve a luta com o anjo), diminuíram radicalmente o fluxo de água, o que está fazendo o mar Morto encolher a olhos vistos. O fluxo de hoje é apenas 4% daquele que existia cerca de 100 anos atrás.
 

A situação ficou tão grave que o governo de Israel finalmente resolveu agir e lançou um plano para despoluição. Mas como existe uma grande distância entre os planos que os governos formulam e o que é feito na prática, ainda não há qualquer razão para nos alegrarmos. 

Vamos pedir a Deus que esse plano resulte em algo positivo, antes que seja tarde demais, e o rio Jordão vire apenas um registro nas páginas dos livros de história e na própria Bíblia.

Com carinho  

domingo, 23 de setembro de 2012

UM BOM EXEMPLO, A SER IMITADO

Antes de ler o texto, veja este vídeo.

Frequentemente o marketing é usado de forma negativa, para gerar falsas necessidades e levar as pessoas a consumir aquilo de que não precisam - esse é um fenômeno muito conhecido na chamada sociedade consumo. 

Mas o exemplo acima é exatamente o oposto: o uso do marketing em uma iniciativa altamente positiva - incentivar a doação de orgãos para transplantes. A experiência mostrada foi feita numa das melhores padarias de São Paulo. O local é muito frequentado e sempre é preciso pegar senha para ser atendido. E quem bolou a campanha ligou esse fato à questão da fila de pessoas para conseguir doações de orgão - uma ideia tanto simples como comovente. Portanto, se você ainda não é doador, e é jovem, se inscreva.

Mas, esse vídeo também me fez refletir também sobre como as prioridades da nossa sociedade estão erradas, já que as vidas humanas não têm o valor que deveriam ter. E é sobre esse ponto de vista que eu vejo a iniciativa desse vídeo - um esforço para ensinar as pessoas a adquirir novas prioridades -, o que é extremamente importante. 

E é aí que nós, cristãos, precisamos ter um papel relevante, tanto para apoiar propostas boas, como essa, quanto para denunciar medidas ruins, venham de onde vierem. Não podemos nos omitir, pois nossa missão é ser "luz para o mundo", conforme Jesus nos ensinou. 

Com carinho

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O QUE ACONTECEU COM A MULHER DO KAKÁ?

Caroline Celico é esposa do famoso jogador Kaká. Ficou conhecida, depois do casamento com ele, pela fidelidade à Igreja Renascer em Cristo e pela imagem de certinha. Hoje, ela quer mudar essa imagem: fez um ensaio fotográfico “ousado” para a revista RG e disse que não frequenta mais qualquer igreja, faz suas orações em casa e lê a Bíblia sozinha:
Não me considero evangélica porque eu acredito que a única coisa que me liga a Deus é Jesus. Acabei me envolvendo numa doutrina religiosa e quando vi estava amando mais o local físico da igreja do que Deus realmente. Fazia as coisas para agradar aos outros, achando que assim estaria agradando a Deus. Eu não comungo mais dessas ideias”.
 O que aconteceu?
O casal era um dos seguidores mais famosos da Igreja Renascer e fazia aparições em apoio à denominação. Carolina até se disse interessada em ser pastora. O afastamento da Igreja Renascer veio depois dos episódios da prisão dos fundadores daquela denominação nos Estados Unidos e da queda do telhado da sede da Igreja em São Paulo, que causou a morte vários fiéis. 
 
Temos aqui o caso clássico de decepção de fiéis com a denominação cristã a qual seguem fervorosamente, fenômeno muito comum entre os evangélicos. E a decepção é proporcional ao comprometimento - quanto maior o comprometimento maior a decepção -, podendo até levar ao abandono do cristianismo. Veja, por exemplo, a continuação da declaração de Carolina: 
Hoje eu faria de outra maneira, mas acredito que todas as coisas acontecem para nos levar para algum lugar melhor. Sou como sou porque passei por alguns episódios traumáticos e outros muito bons. Mas sou curiosa e continuo superaberta a novas ideias”.
O quadro relatado não parece promissor: ela vai tentar levar a própria fé para diante, sozinha, decepcionada, e aberta a “novas ideias”. Só futuro dirá o resultado disso. 

Há várias causas para esse tipo de decepção. E é fácil identificar duas delas nesse caso:

Problema 1: Confiança no lugar errado
Algumas denominações crsitãs atribuem excessiva importância às suas lideranças - normalmente seus fundadores. Quando a denominação fica importante no cenário religioso brasileiro, essas pessoas alcançam um status especial e algumas viram quase semi-deuses - ficam acima do bem e do mal - e demonstram isso atribuindo a si mesmos títulos pomposos: "apóstolo", "bispo primaz", "patriarca", etc.

O problema é que todos pecam, inclusive "apóstolos", "bispos primazes" e "patriarcas". Não há com escapar disso. E aí quando o pecado transparece, a reação normal é o líder não reconhecer que pecou - atribue o que ocorreu à perseguição da imprensa e/ou a ações demoníacas, para acabar com seu ministério. E, ao não reconhecer seu erro, esse líder não se purifica do seu pecado e seu ministério fica comprometido. Vimos isso acontecer recentemente no caso da igreja Renascer.

Quando o líder pego em falta, corajosamente faz um ato de contrição pública, reconhecendo seu erro e pedindo perdão, ele tende a ver sua obra destruída. Isso porque quanto maior for a devoção que ele desperta nos fiéis, maior será a revolta contra ele - na verdade, a mesma mão que aplaude é aquela que apedreja. Aqui no Brasil, tivemos o exemplo do pastor Caio Fábio em relação à Fábrica da Esperança e à VInde, por ele fundadas e dirigidas. Por isso, muito poucos escolhem esse caminho, que é o certo.

Poucas denominaçãoes sabem lidar bem com a presença de líderes fortes e carismáticos. A maioria acaba permitindo  devoção excessiva a ele, muitas vezes instigada pelo próprio líder. Mas algumas denominações conseguem fazer isso, ao despersonalizar a liderança - por exemplo, no metodismo, que eu sigo, os bispos são eleitos a cada 5 anos e não têm garantia de reeleição. Assim, um líder problemático será naturalmente substituído por outro, sem gerar grandes problemas 

Problema 2: teologia tóxica
Carolina também sofreu o efeito de uma teologia tóxica (já falei outras vezes sobre isto, por exemplo). 

A Renascer, assim como diversas outras denominações evangélicas, defende a teologia da prosperidade: se as pessoas tiverem fé suficiente poderão se apropriar de inúmeras promessas de prosperidade que Deus fez para seus filhos. Vemos isso com clareza numa declaração anterior de Carolina, onde ela afirmou convicta que Deus tinha dado dinheiro para que o Real Madrid contratasse o Kaká (seu salário atual, por contrato, é de cerca de R$ 4 milhões). 

É claro que ela não pensou nos inúmeros outros jogadores de futebol que também são cristãos fervorosos, mas que nunca tiveram acesso a contratos iguais aos do Kaká. Será que falta fé a essas pessoas, enquanto essa fé sobra para o Kaká? Dificilmente. Ou o que falta a esses outros jogadores é a qualidade do futebol que Kaká sempre demonstrou? Acho que a resposta é óbvia.

Teologias como essa causam grande estrago, pois fazem promessas que não podem ser cumpridas, por não serem sancionadas por Deus, causam grande estrago. E o não cumprimento da falsa promessa pode nem ocorrer com a própria pessoa, pois basta que ela olhe em torno e veja o que acontece com os outros, como parece ter sido o caso de Carolina.

Palavras finais
Há muitas outras causas para decepção que não se fizeram presentes no caso em análise, mas impactam muitos outros cristão sinceros. Por exemplo, a promiscuidade de igrejas cristãs com políticos; a ganância de líderes religiosos que procuram extrair dinheiro das pessoas a qualquer custo; ou ou mesmo tentativa de obter controle da vida das pessoas através da imposição de códigos de comportamente sem sentido. Mas não tenho espaço para discutir todos esses casos aqui. 

A reflexão que quero deixar é que os cristãos precisam se defender dos "lobos em pele de cordeiro", para não acabar decepcionados. E, se mesmo assim a decepção ocorrer, é preciso lembrar que nem todos os líderes religiosos são iguais. Sempre há cristãos sérios e dedicados em fazer a obra de Deus. 

Com carinho 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

E QUANDO JESUS NÃO CHAMOU DEUS DE PAI?

Jesus, durante seu ministério, introduziu uma novidade importante: Ele só chamava Deus de "Pai". E a palavra que Ele usava – "Abba", em aramaico – era usada pelos filhos para se referirem aos seus pais numa conversa informal. Era bem diferente da forma como escribas e fariseus se referiam a Deus, sempre com muita cerimônia.
 

Assim, Jesus provocou uma reflexão teológica muito importante: devemos olhar para Deus também como nosso Pai. Mas um Pai sem as falhas e limitações dos pais humanos.
 

Mas há um momento na sua vida em que Jesus não se referiu a Deus como Pai  - quando Ele estava pregado na cruz, em sofrimento extremo e disse: “... Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste” (Mateus capítulo 27, versículo 46). Jesus naquele momento citou um salmo (22 versículo 1), onde o salmista fez a mesma exclamação de extrema angústia.
 

Há um momento anterior, quando Jesus estava orando no Jardim das Oliveiras, em momento de grande angústia, pouco antes de ser preso, Ele pediu a Deus que, se possível, fosse poupado do sofrimento cruel à sua frente (a crucificação). Mas naquela oração Jesus ainda se referiu a Deus como Pai (Mateus capítulo 26, versículo 34).
 

Na cruz, ao final da sua vida, Jesus muda sua forma de se relacionar com Deus. O clamor foi diferente: Jesus se sentiu desamparado, deixado sozinho para enfrentar uma batalha espiritual e física terrível. E perguntou: Por que me desamparastes? E se referiu ao Pai como "Deus meu", de maneira bem mais formal.
 

É claro que a explicação para isso é a angustia e o sofrimento. E quantas vezes nos sentimos assim. Passamos por situações difíceis e às vezes parece que Deus nos esqueceu, que está calado, sem nos dar resposta. E nos vemos lutando sozinhos com nossos problemas. E aí bate o desespero e a decepção.
 

João da Cruz, talvez o maior místico do mundo ocidental, chamou esse momento de “a noite escura da alma” - escreveu até um livro com esse título. A Bíblia, no salmo 23, chama isso "o vale da sombra da morte".  Já o grande escritor cristão C.S. Lewis, escreveu as palavras abaixo, num momento de grande desespero, durante a doença fatal da única mulher que amou na vida:
"Mas se você vai até Ele quando sua necessidade é desesperada, quando todo outro tipo de ajuda é vão, o que você encontra? Uma porta é fechada na sua cara e você ouve um som de fechadura sendo trancada. Depois disso, silêncio … Por que Ele é tão presente no nosso tempo de prosperidade e tão ausente no momento de dificuldade?”
Mas o silêncio de Deus não é igual à indiferença. Não foi assim quando Jesus estava na cruz e não é assim com nenhum de nós.  O que acontece é que Deus nem sempre fala ou age da forma como esperaríamos que Ele o fizesse. Deus é, na verdade, um grande mistério para nós - nunca podemos supor saber com certeza como Ele vai ou não agir.
 

Então, a forma de fazer frente a essas situações é se “agarrar” ainda mais desesperadamente a Ele. Foi isso que Jesus fez, quando estava na cruz. E como eu sei disso?

Quando Jesus clamou em desespero, ele citou uma parte do salmo 22 pois certamente conhecia aquele salmo de cor. Mas vale a pena lembrar, o que disse Davi, nesse mesmo salmo, um pouco mais adiante (versículos 23 e 34): 
"vós que temeis o SENHOR, louvai-o; glorificai-o, ... pois não desprezou nem abominou a dor do aflito, nem ocultou dele o rosto, mas o ouviu, quando gritou por socorro."
Ou seja, quando Jesus usou o salmo para expressar o que sentia, tanto expressou seu desalento, como também a certeza que Deus iria ouvi-lo e cuidar d´Ele, mesmo que não pudesse ver nada de positivo naquele momento. 

E é essa mesma certeza que deve servir para nos consolar, hoje e sempre.

Com carinho

domingo, 12 de agosto de 2012

IGREJA E TECNOLOGIA FAZEM UM BOM PAR?

Outro dia li um comentário que achei muito interessante. A autor começava lembrando que Moisés, o autor dos primeiros cinco livros da Bíblia, viveu cerca de 3.500 anos atrás, enquanto que o grande pregador John Wesley, fundador do metodismo, cerca de 250 anos antes de nós. O autor provava que Wesley, na sua forma de viver, estaria mais próximo de Moisés do que de nós. Wesley seria capaz de entender muito melhor o mundo em que Moisés viveu do que a civilização de hoje, embora nós estejamos muito mais próximos dele no tempo.

É evidente que vivemos num mundo em que o avanço da tecnologia é cada vez mais veloz. Eu me lembro que, cerca de trinta anos atrás, quando construímos a obra de Itaipu, ainda considerada uma das maiores da história, não tínhamos fax, computador pessoal e nem Internet, somente telefone, rádio e calculadora de bolso.



Mas, quando refletimos nesse avanço, não percebemos que a tecnologia transforma não somente o mundo em que vivemos – através de estradas, redes de energia elétrica, redes de telecomunicações, agricultura mecanizada, etc – mas principalmente a forma como nos comportamos. Por exemplo, experimente tirar de uma adolescente seu celular inteligente e/ou seu acesso à Internet e ela vai se sentir uma pária social, enquanto eu vivi minha adolescência muito bem sem nada disso. 



Um exemplo interessante dessa mudança de comportamento dentro das igrejas tem como origem o uso, hoje largamente difundido, de retroprojetores para mostrar em tela o texto bíblico em foco. Isso está fazendo com que as pessoas deixem de levar consigo suas Bíblias pessoais para a igreja. Conheço pastores que, inconformados com essa situação, não deixam projetar o texto bíblico em tela, para incentivar as pessoas a carregarem suas próprias Bíblias. Mas essa é uma causa perdida – é lutar contra a maré.


Agora é importante lembrar que as pessoas somente começaram a ter exemplares pessoais da Bíblia nas primeiras décadas do século passado, pois antes as Bíblias eram muito caras e só estavam disponíveis nas igrejas. No máximo, as pessoas tinham acesso a panfletos, com extratos da Bíblia. Portanto, a prática das pessoas lerem a Bíblia em conjunto foi a tradição da igreja cristã por cerca de 1.900 anos de história, até que cada um passou a ter seu próprio exemplar. E agora, por conta do retroprojetor, estamos voltando à condição original - passando de uma leitura individual para uma leitura coletiva. E isso é bom ou ruim? Eu não sei dizer. E fica claro que a discussão sobre as vantagens do uso de novas tecnologias não é tão simples assim - é preciso tomar cuidado para não rejeitar coisas novas apenas por saudosismo.  

Outro exemplo muito interessante desse tipo de desdobramento. Muitas pessoas hoje se queixam do isolamento que os dispositivos eletrônicos pessoais geram na vida das pessoas - os contatos estão deixando de ser diretos (face a face ou por telefone) e passando cada vez mais a serem virtuais.


No início do século passado, à medida que o telefone se tornava comum nos Estados Unidos, a mesma preocupação existiu. Há uma série de artigos no New York Times e outros importantes jornais da época alertando para o perigo de se trocar o contato face a face pela conversa via telefone. E como hoje falar ao telefone é algo tão entranhado na nossa cultura, ninguém mais se preocupa com isso.



Voltando mais ainda no tempo, esse mesmo problema pode ser notado no próprio relato bíblico. O apóstolo João em duas cartas datadas de cerca de 1.900 anos atrás, indica claramente lamentar ter que recorrer a textos escritos - a tecnologia para comunicação disponível na época - para se comunicar com os fiéis (2João capítulo 1, versículo 12 e 3João capítulo 1, versículo13).


Portanto, o mesmo receio que temos das consequências da tecnologia sobre as pessoas hoje, foi aquele que existiu um pouco menos de cem anos atrás, quando o telefone se fez presente e 1.900 anós atrás, quando as cartas passaram a ser usadas de forma corriqueira. É claro que a rapidez da mudança tecnológica hoje torna essa preocupação mais aguda, mas a origem do receio - as mudanças causadas às vidas das pessoas - é a mesma.


Não há como parar o progresso tecnológico e também não há como impedir que as novas tecnologias afetem a forma como vivemos e como as igrejas funcionam. O mundo que temos diante de nós é esse que está aí e não dá para pedir que o “ônibus” pare, para podermos saltar.



É claro que nem todas as tecnologias contribuem para o bem das pessoas. Algumas tornaram nossa vida francamente pior (p. ex. a bomba atômica), enquanto outras resolveram problemas mas também criaram dificuldades (p.ex. o carro nos deu liberdade para deslocamento mas gerou engarrafamento de trânsito e aumentou a poluição urbana). 


Mas há exemplos de uso altamente positivo de novas tecnologias. Por exemplo, dois anos atrás um pastor apareceu com um câncer muito agressivo. E sua igreja se mobilizou em oração, para ajudá-lo a enfrentar essa dificuldade terrível. Um dos membros teve uma ideia brilhante: comprou um beep (instrumento que apita quando alguém o aciona) para o pastor carregar consigo e combinou com os demais membros que, quando cada um fizesse uma oração pelo pastor, acionasse o beep. E assim, dia e noite, o pastor foi sendo avisado, por inúmeros apitos, que sua comunidade estava com ele. Aquele pastor acabou curado e testemunhou que a força de que precisava para enfrentar sua batalha diária veio daqueles beeps constantes que chegavam até ele.  

Se quiser continuar a ser relevante no mundo em que vivemos, a igreja cristã vai ter que se adequar ao uso das tecnologias e não criar resistências desnecessárias a elas. Existe um grupo religioso – os amish – que vive se recusando a aceitar os avanços tecnológicos e eles se tornaram irrelevantes para o mundo moderno. 


É preciso que a igreja cristã veja a tecnologia como um meio para atingir um fim. Meios podem ser ruins ou bons, segundo as consequências que gerem e se concorrem ou não para se obter o fim desejado. E é isso que precisa ser sempre analisado com cuidado.  


Com carinho

domingo, 29 de julho de 2012

POBRE MENINA RICA: QUEM PODERÁ SALVÁ-LA?

A atriz Kristen Stewart ficou famosa como a heroína da série Crepúsculo. Galgou rapidamente o estrelato e, com apenas 22 anos já é rica e famosa. Em junho passado, ela deu uma entrevista para a revista Elle, onde disse literalmente o seguinte: "Você aprende muito com as coisas ruins. Estou cansada. Sinto algo, como, 'por que as coisas são tão fáceis para mim? Mal posso esperar para que algo louco aconteça comigo. É a vida. Quero que alguém me ferre!"  

Hoje ela está nas manchetes por ter tido um caso com o diretor do seu último filme (casado e com dois filhos), revelado publicamente através de fotos comprometedoras. Pelo menos ela teve a decência de reconhecer seu erro e pedir desculpas àqueles a quem feriu.

Olhando de fora, tudo parece uma loucura. Uma pessoa ainda jovem recebe tudo num bandeja - fama, riqueza, talento e beleza. E, como não é totalmente alienada, é capaz de perceber o tamanho desse privilégio, que ela mesma reconhece não ter feito por merecer. Sentindo-se cuulpada, pasasa desejar que algo de ruim lhe aconteça,  para se sentir mais normal. Assume então um comportamento autodestrutivo – tem um caso com um homem casado, à vista de todo mundo – para que sua “profecia” venha a se cumprir. E acaba ferrada aos olhos de todos.   

Essa história surpreendente, que ainda está longe de acabar, demonstra bem dois tipos de problemas que são terríveis na vida de qualquer ser  humano e que são muito mais frequentes entre as pessoas privilegiadas (ricas, bonitas, poderosas, famosas, etc):
 

“Ter” não é melhor do que “ser”
Eu já comentei várias vezes neste blog (XXX) que vivemos numa sociedade onde o sucesso é medido pelo que as pessoas têm: dinheiro, fama, poder, beleza, etc. E não importa como isso foi conseguido. 


Quem tem é um sucesso, mas quem não tem é um fracasso. Nesse tipo de sociedade, Kristen Stewart é um sucesso, enquanto Jesus foi um fracasso. Afinal, Ele não teve dinheiro, poder, beleza e sua fama só lhe trouxe problemas. 

No entanto, apenas com o poder da sua palavra e do seu exemplo de vida, Ele mudou a história da humanidade. É que na verdade Jesus foi um sucesso quando as coisas são medidas pelo que se é e não pelo que se tem. Era sábio, bom, paciente com as falhas do ser humano e amoroso, de uma forma além da nossa compreensão (morreu por nós).   

E é interessante perceber que Kristen tem noção de não ser o sucesso que todos querem ver nela. Percebe que tudo lhe veio muito fácil e que há algo de distorcido no “conto de fadas” que vive. Isso até é um avanço porque outras pessoas na mesma condição tornam-se arrogantes e acabam concluindo que são mesmo especiais.  

A primazia do "ter" sobre o "ser" é péssima, pois torna a sociedade materialista e tira importância das questões espirituais. Kristen talvez não consiga ver as coisas dessa forma clara, mas percebe que há algo de errado, de muito errado.

Não é possível ser feliz sem Deus
O segundo problema que transparece no depoimente de Kristen é o vazio que fica no interior do ser humano que não se relaciona intimamente com Deus. Ela sabe não ter merecido aquilo que tem, mas em momento nenhum procura entender de onde lhe veio as bençãos recebidas. E se tivesse essa preocupação, poderia demonstrar gratidão a Deus, colocando seus recursos e talento em prol de causas nobres. Mas ela vai por um caminho diferente e muito estranho: passa a desejar uma vida menos privilegiada, para não se sentir tão culpada.   


O fato é que fomos criados para viver em comunhão e harmonia com nosso Criador. O ser humano nunca atinge a felicidade plena sem estar junto a Deus. Um exemplo ajuda a explicar bem isso: também fomos feitos para conviver com outras pessoas e, por causa disso, a solidão é das piores coisas, pois deixa um enorme vazio na vida do solitário.  
  
O vazio causado pela necessidade de Deus não pode ser preenchido por nada material, assim como acontece com a solidão. Somente a presença de Deus em nossa vida elimina esse vazio. E é por isso que vemos tantos artistas, políticos, esportistas e socialites, pessoas altamente privilegiadas, profundamente infelizes. Muitas chegam a se autodestruir por conta das drogas e bebida.  

Palavras finais
Eu não sei o que vai acontecer na vida de Kristen Stewart, mas somente desejo o bem para ela. E ela até demonstra uma percepção e humildade acima daquilo que vemos em outras pessoas privilegiadas. 


Mas sem resolver essas duas questões importantes – passar a privilegiar o “ser” sobre o “ter” e se aproximar realmente de Deus – ela não vai resolver suas questões existenciais. Nem ela, nem nenhum de nós, pois estamos todos no mesmo barco. 

Com carinho

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O SIGNIFICADO DA "PARTÍCULA DE DEUS" PARA OS CRISTÃOS

O nome técnico da chamada “partícula de Deus”, tão comentada na mídia nesses últimos dias, é bóson de Higgs. A existência dessa partícula foi postulada por um físico britânico chamado Peter Higgs, mas até agora não tinha sido provada sua existência, pois trata-se de algo extremamente difícil de encontrar. Foi preciso um projeto (chamado CERN) que juntou vários países e custou cerca de 10 bilhões de dólares, para conseguir essa prova. Tanto é assim que o próprio Higgs sempre achou que não veria em vida sua teoria comprovad - agora ele certamente vai ganhar o prêmio Nobel.

Higgs pode fazer essa previsão porque existe um modelo padrão para o átomo. Esse modelo começou a ser construído no início do século passado por cientistas como Niels Bohr. Aos poucos, outros cientistas foram completando o modelo, que foi se tornando mais complexo: é esse modelo que fala da existência e do papel do neutron, do elétron, do próton, dos quarks, etc.
Usando esse modelo, Higgs percebeu que faltava uma partícula, ou seja havia algo ainda não descoberto que era necessário existir para que as contas fechassem. Tal partícula era do tipo bóson – não vou nem tentar explicar o que é isso aqui, para não complicar as coisas. E deram o nome do descobridor para o tal bóson, como é comum na ciência.
Segundo a física, o universo começou com uma explosão de um “ovo” de energia, o Big Bang, cerca de 13,7 bilhões de anos atrás, explosão essa que permitiu a formação de toda a estrutura de galáxias, estrelas e planetas que existe hoje. E o bóson de Higgs foi o fósforo que acendeu o pavio dessa explosão.
Na verdade essa partícula explica porque as coisas têm massa. E a existência de massa é muito importante, pois além de explicar o Big Bang, esclarece a força da gravidade que mantém os corpos celestes nas suas órbitas e, portanto, a organização do cosmos.
O apelido “partícula de Deus” foi proposto por outro cientista, ganhador do prêmio Nobel, Leon Lederman, no seu livro de mesmo nome. Veja o que ele disse:

“Esse bóson é tão central para o estado da física de hoje, tão crucial para nosso entendimento final da estrutura da matéria, entretanto tão difícil de detectar, que eu dei-lhe um apelido: a partícula de Deus. Por que? ... por que existe uma conexão, de certa maneira, com outro livro, esse muito mais antigo [se referindo ao Gênesis].”
Ora, por causa do apelido, muitas pessoas pensam que há conexão entre essa descoberta e os ensinamentos da Bíblia – o bóson de Higgs iria provar ou não a existência de Deus ou o relato da criação do mundo contido no Gênesis. Nada disso: a confirmação da existência dessa partícula pode iluminar a teoria adotada pela física para o Big Bang e a gravidade, mas nada fala de Deus.
Para nós cristãos, portanto, essa descoberta é muito interessante no sentido que ela reforça a teoria do Big Bang e essa teoria comprova que o universo teve início e isso aponta diretamente para Deus, conforme já comentei em outro texto aqui no blog. Somente isso. O que passar daí é pura fofoca.

Com carinho