domingo, 29 de janeiro de 2012

COBIÇA, UM MAL SOCIAL: ANALISANDO O DÉCIMO MANDAMENTO

Esse é o último post da série sobre os Dez Mandamentos. 

O Décimo Mandamento – "Não cobiçarás a casa do teu próximo, a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem o seu jumento, e nem coisa alguma que pertença ao seu proximo" (ver Êxodo, capítulo 20, versículo 17) -  é diferente de todos os demais porque se concentra não em atos concretos (roubar, matar ou adulterar), mas na intenção impura (cobiçar).

É interessante também perceber que o último mandamento fecha um ciclo que começou com o primeiro mandamento. Isto porque o primeiro mandamento (ver post do dia 4/1/11), fala sobre a soberania de Deus e o seu reconhecimento pelas pessoas, o que é uma forma de limitar o orgulho humano. Enquanto isto o décimo fala contra a cobiça e suas causas, a inveja e o egoísmo. Ora, esses sentimentos são as maiores causas dos males do mundo, pois sobre o terreno “fértil” adubado por orgulho, inveja, egoísmo e cobiça, nasce tudo que acontece de ruim: roubos, assassinatos, adultérios, mentiras, maledicência, etc.

Os pecados sociais

Inveja e egoísmo são as causas de alguém cobiçar aquilo que pertence ao próximo. Já falei bastante sobre o egoísmo no post colocado no dia 27/01/12, portanto vou me concentrar aqui na inveja e na sua consequência direta, a cobiça.

A inveja e cobiça são diferentes dos demais pecados humanos por terem características "sociais". Somente podemos invejar e cobiçar aquilo que pertence às pessoas com as quais convivemos. Em outras palavras, solitários não tem como invejar e cobiçar.


Hoje em dia, há um grande incentivo à inveja e à cobiça por parte da sociedade em que vivemos. Aliás o marketing moderno apela pesadamente para esses sentimentos.
Outro aspecto interessante é que quanto mais se tem, mais há o que invejar e cobiçar. As pessoas muito pobres estão tão preocupadas apenas em sobreviver - em preencher suas necessidades mais básicas - que nem têm informações suficientes e nem condições de invejar e cobiçar o que está no seu entorno. Mas, à medida em que sobem na escala social, as informações chegam e a pessoa não está mais todo tempo apenas preocupada em sobreviver, assim a inveja e cobiça começam a se fazer presentes. É exatamente por isso que as sociedades em nivel de pura subexistência não são muito violentas, mas aquelas que estão num degrau acima são bem amis agressivas - podemos ver esse fenônomeno acontecer diante dos nossos olhos, com o crescimento ecoônomico do Nordeste brasileiro, que foi acompanhado por um grande aumento da violência.

Outro aspecto interessante da inveja é que as pessoas passaram a se sentir muito lisonjeadas por serem invejadas. E aí outras pessoas passaram a invejar quem consegue ser muito invejado. Isto é ou não um sintoma de loucura social? E vemos isso acontecer diariamente: uma artista famosa se sente bem quando todos a invejam ao andar pelos tapetes vermelho da vida, já as artistas menos famosas se roem de inveja por não serem tão invejadas como as que têm verdadeira fama. E vão fazer tudo para conseguir os que a mais famosa têm e ela não.

Por conta de tudo que eu falei acima, a inveja e sua consequência direta, a cobiça, acabam se alimentando delas mesmas, num processo sem fim. Quando a isso tudo se junta o egoísmo, o conjunto fica altamente explosivo.

É por isto que o fechamento do conjunto de mandamentos que Deus nos deu é um chamado contra a cobiça.  

Com carinho
Vinicius 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

SEXO NO TELHADO DA IGREJA?

O pastor Ed Young e sua mulher anunciaram que vão passar 24 horas no telhado da sua igreja, que fica em Dallas, no Texas, para promover seu novo livro, intitulado  “Sexperiment” (algo como “Experimento em sexo”), conforme divulgou a revista Christianity Today, em 21/1/12. 

É claro que esse anúncio despertou interesse geral e jogou o livro para cima nas paradas de sucesso, demonstrando que a propaganda alcançou o efeito desejado. Resta ver se do ponto de vista da obra de Deus, o efeito também foi o esperado...

Essa iniciativa do pastor Young faz parte de um novo movimento no meio evangélico americano, que já está chegando ao Brasil, focado em incentivar e liberalizar o sexo para aqueles que são casados porque, para os apoiadores do movimento, não é possível ter uma vida plena e feliz sem sexo de muito boa qualidade. Hoje há até sites evangélicos de cunho erótico, que são incentivados pelos defensores dessa linha.

Entendo que discutir a questão do sexo de forma aberta e construtiva é algo absolutamente necessário. Afinal muitos casamentos sofrem por causa de problemas nesse setor. Mas acho que esse movimento é mais uma daquelas modas que algumas igrejas evangélicas gostam de lançar, buscando se diferenciar no meio cristão, com intuito de crescer e até aumentar o faturamento.

Mas o que mais me incomoda nesse tipo de situação é que a tentativa de chamar atenção – no caso o tal evento de 24 horas na cama no teto da igreja – acaba se tornando mais importante do que a mensagem em si. E ainda pior, esse tipo de promoção faz a mensagem cristã parecer pouco séria. 
 

E quando a ênfase maior da mensagem está na propaganda ou na forma como a mensagem é apresentada – a roupa do pregador, o seu gestual, o cenário, a música de fundo, etc , as pessoas se distraem em relação ao que é mais importante, ou seja os ensinamentos bíblicos. 

Jesus durante seu ministério aqui foi extremamnete discreto, no que foi seguido por todos os apóstolos. Ele nada fazia para chamar atenção, muito pelo contrário - frequentemente Ele até pedia àqueles que recebiam milagres que nada dissessem para as outras pessoas.  O importante era a sua mensagem e não a sua pessoa.
 

Repito, acho muito importante falar de sexo e de forma aberta, mas esse é assunto para ser tratado da forma discreta, respeitando a sensibilidade das mais diferentes pessoas. O melhor ambiente é o de uma classe de estudos bíblicos ou um gabinete pastoral, jamais um evento público, no teto de uma igreja, com a presença de todo tipo de mídia.
 

Outro aspecto que me deixa desconfortável é a mensagem do tal "movimento do sexo cristão". Há nela uma contradição clara, não para os casais em si, mas para outro grupo dentro das igrejas, os jovens solteiros. A mensagem a que nos referimos - a vida sem sexo não pode ser plena nem feliz- de uma forma ou de outra vai acabar chegando aos jovens, pois não há como estabelecer uma barreira e permitir apenas aos casais ter acesso a ela.  

E a contradição está em que, por um lado, essas igrejas defendem a  abstinência de sexo antes do casamento e, por outro, divulgam uam mensagem que sem sexo não há como ser plenamente feliz. 

Ora é muito difícil para os jovens hoje se manterem sem sexo. Os meios de comunicação só fazem incentivar o uso do sexo - basta ver o tal Big Brother Brasil. Mas, se além dessa pressão externa, os jovens encontrarem textos cristãos dizendo que sem sexo não há como ter vida plena e feliz, visitarem sites eróticos evangélicos, e por aí vai, o que se pode esperar?

O apóstolo Paulo nos ensinou (ver Romanos capítulo 14, versículo 21), que os cristãos deveriam se abster de coisas que lhes fossem permitidas, por amor a outras pessoas, que poderiam se escandalizar com o seu comportamento. 

Não estou aqui defendendo que os casados se abstenham de discutir suas questões abertamente, por causa dos solteiros, o que seria absurdo, mas sim que levem em conta a sensibilidade e a repercussão sobre os solteiros das suas iniciativas. Afinal os solteiros também vivem seus desafios próprios para levar uma vida cristã adequada. 

E o tal "movimento do sexo cristão" não vem fazendo isso e certamente irá colher resultados amargos.


Com carinho
Vinicius

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O ORGULHO DE SER HUMILDE

Na igreja onde eu fui criado, tinha uma pessoa que vivia dizendo que era humilde. Tantas vezes ouvi aquilo, e sem entender bem porque a pessoa se preocupava tanto em ser humilde, perguntei ao meu pai o que estava acontecendo. E nunca me esqueci da resposta dele: “essa pessoa tem orgulho de ser humilde”. 

Ali meu pai me ensinou duas coisas. A primeira delas é que o ser humano é contraditório. Mas, esse não é o assunto de hoje e a reflexão sobre a contradição humana fica para outro dia.

 
A segunda coisa que aprendi naquele dia é como a humildade é difícil de ser vivida. Não há dúvida que Jesus nos ensinou a sermos humildes (ver Lucas capítulo 22, versículo 26): Ele lavou os pés dos discípulos antes da última ceia e disse que o maior no Reino de Deus seria o que servisse os demais. 


Mas saber disso é uma coisa e viver outra bem diferente. Tal fato fica bem aparente quando há testemunhos nas igrejas sobre graças especiais alcançadas - é claro que não sou contra os testemunhos e entendo que é uma obrigação de cada cristão. Eu me refiro a como as pessoas relatam o acontecimento. Muitas vezes elas enfatizam a persistência e a fé delas mesmas mais do que a ação do Espírito Santo. Ou seja, a glória acaba dividida: um pouco para as pessoas e um pouco para Deus.
 
O escritor Richard Foster define humildade como a capacidade de viver “o mais perto possível da verdade e isso inclui a verdade sobre a própria pessoa.”  Ou seja, ser humilde tem a ver com o entendimento claro daquilo que a própria pessoa é ou não capaz de fazer. Há uma passagem acontecida no final da vida de Jesus na terra que exemplifica bem isso. O apóstolo Pedro disse a Jesus que iria com Ele até o fim e acabou negando-o por três vezes, de maneira ridícula (ver Marcos capítulo 14, versiculos 27 a 31). Mesmo depois de viver três anos com Jesus, Pedro ainda era incapaz de entender até onde conseguiria ir e pensava ser capaz de fazer bem mais do que de fato podia.

 
Quando não somos humildes, achamos que somos capazes, que estamos trilhando o caminho que estabelecemos para nós mesmos. E depois nos surpreendemos quando não conseguimos perceber Deus trabalhando em nossas vidas - se nós se estamos trabalhando, não há lugar para Ele trabalhar. 


Na verdade, dependemos de Deus para tudo: viver, fazer planos, cumprir o que foi planejado, mudar de direção, etc. E um primeiro passo para esse entendimento é saber que nossa vida não é nada: estamos aqui neste mundo agora e minutos depois podemos não estar mais. 

Dois dias atrás minha mulher foi com sua mãe até uma praia perto de São Paulo, encontrar a família do irmão dela. Todos foram a um restaraurante almoçar. Quando entraram, depois de arrumar o lugar para o sobrinho de dois anos se sentar, ela também se sentou. Segundos depois o vidro da janela próxima a eles explodiu sozinho e ficou em pedaços. Por poucos segundos, ela ou o sobrinho não estariam aqui para contar a história ou, no mínimo, teriam ficado bem feridos.
 
Precisamos, portanto, perceber que nossos esforços, embora importantes, nada significam se Deus não nos der suporte. Lembro-me bem quando passei num dos vestibulares mais difíceis do país, com apenas dezessete anos - eu não cabia dentro da minha propria roupa, de tanto orgulho. Meus pais fizeram um culto de ações de graças e eu pensei comigo mesmo: se eu não tivesse estudado e sido competente, nada disso teria acontecido, logo os cumprimentos deveriam ser para mim. Esqueci-me de lembrar que eu tinha saúde, tido os professores certos, que diversas pessoas me ajudaram em momentos cruciais da minha vida, etc. E nada disso tinha dependido da minha "competência". Eu tinha feito minha parte sim, mas sem Deus nada teria sido conseguido. Mas a vaidade e o orgulho não me permitiam perceber isso naquele momento e ser grato como deveria - ainda bem que Deus foi paciente comigo.

 
Há um outro ensinamento - esse eu não aprendi com meu pai, mas sim com o apóstolo Paulo e muitos anos depois: quando nos percebemos fracos, aí é que somos verdadeiramente fortes (ver 2 Corintios capítulo 12, versículos 7 a 10). Paulo escreveu isso depois de pedir por três vezes que Deus curasse um terrível incômodo que tinha (o tal “espinho na carne”) e tinha recebido como resposta que a Graça de Deus lhe bastava. 


Em outras palavras, quando nos percebemos fracos, sem condições de fazer as coisas sozinhos, recorremos a Deus. Nos mostramos humildes, ao entender nossa limitação, e Deus gosta disso. Aí ficamos muito mais fortalecidos, pois não contamos apenas com nossos próprios e limitados recursos. Passamos a ter a força Dele ao nosso lado.

E quando conseguimos perceber a ação de Deus em nossas vidas, é melhor ainda. Ficamos ainda mais fortalecidos.  Outro dia estava lendo um texto, que até me forneceu inspiração para este post, onde a autora contou que precisava de certa quantia e orou muito para que Deus mandasse. E o dinheiro chegou. Aí comentaram que, como ela era uma missionária e Deus prometeu cuidar dos seus obreiros, nem deveria ter sido necessário orar pedindo ajuda. Será que Deus não providenciaria o necessário mesmo sem oração? A resposta que ela deu foi fantástica: Sim, mas se ela não tivesse orado, não saberia que tinha sido Deus o responsável pela solução do problema!

Com carinho